Santo do Dia – 18/8/1965 – p. 4 de 4

Santo do Dia — 18/8/1965 — 4ª-feira

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Flos Virginum, seqüência de louvores a Nossa Senhora; a melodia gregoriana ajuda na compreensão desses louvores; comentários que refletem apaixonado amor filial.

* Comentário do Flos Virginum * Abrir escolas… * Nossa Senhora, a morte de nossos pecados * Esperança dos miseráveis * Maria dux et lux… * Maria fons, Maria mons… * Maria rosa… flos… dos… * … illúminans umbrática * Santitátis palatium * Invocações maravilhosas que o canto exprime melhor

Flos Vírginum”

Eu pedi para colocar aqui o texto das duas canções que mais freqüentemente se cantam a noite nesta cerimônia diante do estandarte, para que nós tomemos o conhecimento do sentido dessas canções.

* Comentário do Flos Virginum

A canção é esta; “Flos vírginum, Mors críminum, miserórum spes única”. Quer dizer, Flor das virgens. A Flor das virgens quer dizer que é a Virgem das virgens. É tão virginal, que Ela está para as virgens, como as virgens estão para as que não são virgens. Então Ela é a flor das virgens, não é isso? Agora vem logo em seguida uma expressão linda: “Mors críminum” Ela é a morte dos crimes. Que quer dizer, Ela pela sua influência, pela sua mediação, pela sua oração, pelas graças que Ela comunica etc., Ela mata os crimes.

* Abrir escolas…

Eu me lembro — para baixar enormemente o nível — de uma obra que havia no tempo em que Dr. Paulo e eu éramos moço, chamava-se “Bandeira Paulista de Alfabetização”. Não sei se alguns dos senhores alcançaram esta instituição. A Bandeira Paulista de Alfabetização construia-se ou desenvolvia-se sobre uma frase do velho Sampaio Doria, se não me engano, que era o seguinte: “Abrir escolas é fechar cadeias.” Bem, que é um estapafúrdio. O sujeito aprende a ler e a escrever, então compreende aquilo que ele não compreendia; que a gente não deve matar, que a gente não deve roubar, que a gente não deve mentir. Que é uma falta de compreensão. Mas pondo para um miserável uma coisa para ele ler, ele lê e diz: “Ah! É verdade.” Então ele não comete mais crime. Isto é o laicismo puro.

* Nossa Senhora, a morte de nossos pecados

Há algo de semelhante hoje em dia, que é a idéia que a evolução vai acabar com os crimes, vai acabar com as doenças, em última análise vai acabar com a morte. Pois bem, para a Igreja Católica, a morte dos crimes, é Nossa Senhora. Quer dizer, é Ela que extirpa os pecados. Ela que elimina o mal na terra. Ela que é o triunfo permanente sobre o mal. De maneira que esta expressão “Mors críminum” é muito alentadora para as pessoas que desejam lutar contra os próprios pecados, porque Ela é a morte, portanto dos nossos próprios pecados. Cada pecado de algum modo é um crime, e a morte de nossos pecados é Nossa Senhora. Quer dizer, se nós gememos sobre o peso de nossos pecados, recorrendo a Ela nós seremos atendidos. Ela matará em nós aquilo que nós não sentimos força para matar.

* Esperança dos miseráveis

E por isso fica muito bonito a invocação logo em seguinte: “Miserórum spes única”, a única esperança dos miseráveis. Miserável é que não tem esperança em nada. Não espera no dinheiro, não espera nas relações, não espera nos amigos. Se os senhores querem ter a idéia perfeita de miserável, é um desses cabajeros que andam aí pela rua, não é verdade? Bem, Ela é uma esperança única, inteiramente suficiente, dos que são cabajeros da vida espiritual. Às vezes muito bem penteados, muito bem arranjados na vida civil; mas são os cabajeros, os desgrenhados da vida espiritual. Pois bem, Ela então é a esperança destes.

Agora por quê? Porque a morte dos crimes é Ela. E porque é Ela a morte dos crimes? Ela é a Virgem das virgens que pela sua virginalidade é o antídoto de toda uma série de pecados. Os senhores vêm que concatenação bonita e que bonita idéia cantar isto. Isto é cantável como sentido, não é isto?

* Maria dux et lux…

Bem, continua: “Maria dux, Maria lux, et Stella non errática”. Maria é o guia; quer dizer, quando a gente tem dúvidas, perplexidades na vida espiritual, Ela é que guia, não é isto. “Maria lux”. Há evidentemente um jogo de palavras: “dux” e “lux”. Ela é a luz. Ela portanto é que indica os passos. “Et Stella non errática”. Uma estrela que não erra que não vagueia, mas é uma estrela fixa, para a qual um navegante pode dirigir, segundo a qual ele pode dirigir-se. E que não é inconstante, a gente sempre a encontra onde ela está. Recorrendo a Ela, Ela é sempre afável. Ela é “non errática”. É uma estrela na noite de nossas aflições. É uma estrela fixa. Querendo nos voltar para Ela nós a encontramos sempre.

* Maria fons, Maria mons…

Os senhores vêm como tudo isto é alentador e depois tem qualquer coisa da piedade de São Bernardo dentro disso, uma coisa magnífica. Depois continua, novamente a mesma técnica: “dux, lux, et Stella non errática”, aqui “Maria fons, Maria mons, Maria rosa mística.” “Fons”, “Mons”.

Depois uma coisa que não entra mais no do jogo de letras. Que sentido Nossa Senhora é a fonte? Em primeiro lugar; Ela é a fonte das graças. Neste sentido de que as graças vem de Nosso Senhor Jesus Cristo, mas passam todas por Ela, e nós A vemos portanto como fonte. Mas é também noutro sentido: a pessoa que está vagueando pelo deserto, com sede, abandonada etc., encontra de repente uma fonte para se dessedentar, esta fonte é Nossa Senhora. Quer dizer, encontra a pessoa em Nossa Senhora os meios todos para se dessedentar. Então “Maria fons”.

Bem, tem também “Maria mons”. Em que sentido Nossa Senhora é mons. Ela é um monte, até Vellemont(?) faz a Ela esta aplicação “mons super montes pósitum ” Um monte tão alto que está colocado sobre todos os outros montes. Quer dizer Ela é uma montanha a perder de vistas de grandeza e de virtude. Então é ao mesmo tempo uma fonte na qual nós podemos beber e uma montanha de grandeza de virtudes.

* Maria rosa… flos… dos…

Bem, “Maria rosa mystica”. Quer dizer é na ordem mística a perfeição, como a rosa na ordem floral. Então os senhores estão vendo três outras idéias bonitas. A fonte, a montanha, a rosa. Bem depois continua novamente o jogo: “Maria flos, Maria dos, Marítans imis cáelica”. Maria flor, “Maria dos”

(Sr. –: O que é “dos”, os latinistas…)

Ah! É dote.

(Sr. –: E Marítans? O que é isto? “Marítans imis cáelica” andar pelo mar, não?)

(Sr. –: Dr. Arnaldo traduziu como Esposa das profundezas do Céu.)

O título é lindíssimo, não é? Porque esposa das profundezas do céu é a esposa do Divino Espírito Santo. Que está no mais alto e mais profundo dos céus. É lindíssima a invocação.

Bem, “Maria pax”, realmente Nossa Senhora traz a paz para a nossa alma. Traz a paz porque Ela nos dessedenta, porque Ela é a nossa tranqüilidade, porque Ela é a nossa esperança. Então Ela leva a nossa alma à tranqüilidade.

* … illúminans umbrática

O que é “fax”? É o facho. “Illúminans umbrática”; que ilumina as coisas que estão na sombra. Que bela invocação para um exame de consciência. “Illúminans umbrática”, nós temos sombras em nossas almas, que Ela nos ilumine para vermos bem direito o que é que tem, não é. Então antes da gente fazer exame de consciência, pensa nisso. Bem, que Ela é pax, que Ela é o facho, o facho que ilumina as umbráticas que as nossas velhacarias não gostaria de ver, não é verdade? Que Ela é um facho que ilumina as manobras do adversário, que nos faz discernir as manhas do inimigo. Que nós faz ver as coisas do demônio contra nossa vida espiritual.

* Santitátis palatium

Maria [regía sólium?]”; Maria que é o sólio do Rei. Quer dizer, soleira não é isso, e Maria reclinatório de Deus. Há uma poesia extraordinária nessa expressão, não é isso? Reclinatório de Deus é uma coisa estupenda. [“Trinitátis triclínium”?] [“Santitátis palátium”?].Triclínio era aquela espécie de sofá, onde as pessoas se deitavam para comer. Então Ela é triclinio da Trindade, quer dizer: A Trindade como que se deita, se estende inteiramente sobre Ela. E Ela é o palácio da Santidade. Quer dizer os passos enormes da santidade estão todos contidos n’Ela. Ela é em matéria de santidade para a santidade comum, como o palácio é para uma choupana miserável. Esta expressão é lindíssima, palátium santitátis.

[Vitae reconditórium, Redemptiónem óstium?]”. Aquela que tem escondida em si a vida, e que é a porta da redenção. Quer dizer, por onde a redenção de Nosso Senhor veio a nós.

* Invocações maravilhosas que o canto exprime melhor

Os senhores vêem uma série de invocações lindíssimas sobre Nossa Senhora, que cantadas ainda lucra muito mais, e que explicam bem a própria entonação da música. O que seria uma coisa interessante era se uma noite os senhores pudessem ter isso em mãos, se quiserem com a respectiva tradução, para compreender como os sons cantados, dão inflexão e dão alma ao sentido disto. Quer dizer há uma ligação em que a própria sonoridade, exprime qual é o timbre de alma com que se deve dizer e pensar estas coisas. Então a música fica compreendida até o fim.

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