Santo
do Dia – 12/8/1965 – p.
Santo do Dia — 12/8/1965 — 5ª-feira
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Santa Clara e a austeridade que atrai; oposição à virtude hoje em dia; mídia oficial e sua maneira de deturpar a informação; Deus se utiliza dos fracos para manifestar sua ação; quem tem fé, jamais recua na luta pelo bem.
* Ideal de pobreza. Apoio de familiares * Austeridade que atrai * Contraste com os dias atuais * Estilo noticioso da mídia * Nossa reação * Itália antes da Renascença: militarista * Sarracenos postos em fuga por frágil freira. Lições de Deus * Na guerra de Nossa Senhora jamais recuar
Santa Clara, Virgem
Santa Clara é de nobre família. Fundou juntamente com São Francisco de Assis a Ordem Segunda dos Menores. Pos em fuga os bárbaros Sarracenos que sitiavam seu mosteiro, avançando-se para eles com o Santo Cibório na mão, século XIII.
A respeito de Santa Clara, Dom Guerranger diz o seguinte:
Santa Clara nasceu em Assis em 1194. Ela pertencia a nobre família dos Alfreducci. Ela perdeu seu pai muito cedo. Quando sua família a quis casar, ela declarou que se daria a Deus e no dia 1º de março de 1212, ela partiu para São Damião, onde Francisco lhe deu hábito religioso. Sua irmã, e depois sua mãe, deveriam se reunir a ela no claustro e com elas uma multidão de jovens ávidas de viveram o ideal franciscano, que não era senão o ideal evangélico. Francisco lhe deu antes uma “formula vitae” pois elas obtiveram em seguir a regra que lhes tinham dado os irmãos menores. Mosteiros fundados na Itália, em seguida nos paises vizinhos e até em Praga. Em 1240, enquanto a santa Abadessa estava doente, os Sarracenos cercaram o Mosteiro de São Damião. Clara tomou o Santo Cibório nas mãos e rumou em direção ao inimigo que então fugiu. Em 1252 ela se deitou para não mais se levantar. A sua última doença foi consolada pela visita do Papa que confirmou a regra e o privilégio da pobreza, e no dia 11 de agosto ela dormiu na paz de Deus. Em 1850, seu corpo foi encontrado intacto como no dia de sua morte.
Vários comentários poderiam ser feitos a respeito disto.
* Ideal de pobreza. Apoio de familiares
O primeiro comentário é a respeito do número de pessoas que seguiram esta vocação. Que diferença em relação aos dias de hoje! Quer dizer, o ideal de pobreza, o ideal de pobreza evangélica levado até ao extremo que São Francisco de Assis ensinou, encontrou em primeiro lugar a adesão da família de Santa Clara. Nós não estamos tão habituados a ver que nossas famílias adiram aos nossos ideais. Encontrou não só a adesão da família, mas a mãe e a irmã acabaram por ir morar com ela. Seria mais ou menos como um dos senhores que se resolve fazer-se ultramontano e depois o pai e o irmão entram para “Catolicismo” também. Eu não conheço nenhum caso assim. Não sei, se os senhores conheceram, me contem, porque eu ainda não vi nada de parecido com isto.
* Austeridade que atrai
Depois ela se entrega a esta vida austeríssima e a austeridade desta vida, ao invés de afugentar, pelo contrário, atrai a todo mundo. Para os senhores compreenderem bem a austeridade desta vida, talvez devessem ter estado em Assis, para terem uma boa idéia do que é aquilo, porque é uma coisa incrível. A pobreza é tal, e tudo é tão pequenino, tão diminuto que a gente sente quase claustrofobia lá dentro. E ao par de uma consolação, de uma graça, de uma leveza de alma, de uma unção, como não se sente em nenhum lugar, a gente nota que a vida materialmente falando é muito dura. Para resumir tudo em uma palavra, a gente diria: “é um local lindo para se ir, mas talvez terrível para ficar”. É bem esta a realidade.
Depois o hábito franciscano, hoje é o hábito que os senhores vêem, mas naquele tempo era uma espécie de saco. Era mais ou menos como aquela mulher que os senhores encontram na igreja, era uma coisa naquele gênero. Bem, ela vai com a irmã e a mãe e invés de aquilo afugentar as pessoas, um mundo de moças vão para lá.
* Contraste com os dias atuais
É mais ou menos a mesma coisa do que a idéia de que se fundou um convento contemplativo de senhoras e moças só para rezarem para o “Catolicismo”, com regra muito severa, então legiões de moças, nobres e da alta burguesia vão lá dizendo: “Oh! Eu quero pobreza, eu quero a penitencia, eu quero o isolamento, eu quero separar-me para todo e sempre do mundo, para só cuidar deste ideal sublime…”; os senhores conhecem algo de parecido com isso? Os senhores vêem os tempos como se mudam. A gente lê isso assim e se tem a impressão, de umas tantas histórias destas que a gente vê, tem a impressão de uma espécie de “ron-ron” que se repete sempre para si mesmo. Mas quando a gente transpõe isto para os nossos dias é que a gente compreende o que a coisa quer dizer.
* Estilo noticioso da mídia
Agora os senhores imaginem de manhã, amanhã, no “Estado de São Paulo”, uma notícia pequena — porque o “Estado do São Paulo”, só daria esta notícia em ponto pequeno —:
“Monja faz recuar comunistas do Viet-Cong. A madre Verônica do Imaculado Coração de Maria, num momento de grande perigo tomou o Santíssimo Sacramento e foi em direção, (é uma daqueles notícias pequeninhas assim que dão hoje, aliás, notícias desoladoras, bem), ela tomou então o Santíssimo Sacramento, e contra a expectativa de suas irmãs de hábito e das pessoas da população local os comunistas fugiram. Ignora-se o motivo da fuga dos comunistas.”
O final do telegrama seria este. Seria como o “Estado de São Paulo” noticiaria a coisa.
O “Diário de São Paulo” noticiaria de outra maneira:
“Freira afugenta comunistas. Fato sensacional no Viet-Cong. Madre Verônica do Imaculado Coração de Maria trazendo o Santíssimo, etc., etc. A ação da religiosa tendo causado profunda impressão na imaginação dos orientais, produziu a fuga em debandada. A população, em breve, o Lions Club do local vai homenagear a religiosa. O Departamento de Estado concedeu-lhe uma medalha!”
* Nossa reação
Qual seria o nosso comentário?
Coisa fantástica! Isto é que é freira! Manda o “Catolicismo” para a Madre Verônica do Imaculado Coração. O Professor [Fernando Furquim] mandaria para ela uma porção de coisas. Mandaria o “Bucko”, entusiasmado, imaginando o contacto que se poderia ter com ela, não é verdade? Porque seria uma coisa maravilhosa afugentar os comunistas.
* Itália antes da Renascença: militarista
Pois bem, os sarracenos, os senhores precisavam ver o que os sarracenos andavam fazendo por lá. Os sarracenos não invadiram só, há uma certa injustiça da história com a Itália a respeito desse assunto e haveria uma coisa bonita para dizer: os sarracenos não invadiram só a Espanha e Portugal e um pouco da França com a gente imagina. Eles várias vezes invadiram a Itália. E a Itália de antes da Renascença, era uma nação militar. A Itália perdeu, era militar com gosto, com arte, combatiam um pouco bailadamente, mas era uma nação militar. E os mercenários italianos eram muito apreciados. E depois do renascimento é que as coisas tomaram um aspecto não tão heróico. Mas antes disso a coisa era magnífica.
* Sarracenos postos em fuga por frágil freira. Lições de Deus
Eles tinham levados várias tropas de roldão e estavam chegando lá em Assis, quer dizer, era gente sanhuda, era gente terrível que tinha feito façanhas, que tinham feito recuar exércitos regulares de toda ordem. Não era gente impressionável, absolutamente impressionável. Agora, ela ia de encontro a eles com o Santíssimo Sacramento e salvar assim o Convento de São Damião. Os senhores vejam a beleza da coisa, quer dizer, a fé que isto representa e a intervenção clara do milagre na ordem da história. Como é uma coisa magnífica, como é uma coisa edificante.
Agora, mais bonito é o seguinte: às vezes Deus — e assim são as obras de Deus — para rechaçar os sarracenos dispôs de Cruzados, muitas vezes de guerreiros magníficos que não eram diretamente Cruzados. Mas em uma ou outra situação Ele quis que pessoas frágeis vencessem os sarracenos. Isso para provar que no funda a vitória era d’Ele. E então é uma mulher, quer dizer, o cúmulo da fragilidade contra os sarracenos, armada do Sacramento invisível, onde Nosso Senhor está invisível, na Eucaristia, uma coisa que para os sarracenos não é senão um pequeno disco branco. Bem, armada apenas disto que vai de encontro a eles e que fogem. Eles fogem. Para que? Para fazer compreender bem que no total a vitória é sempre d’Ele. E são os meios sobrenaturais que alcançam esta vitória.
Agora, os senhores imaginem a cena. Os sarracenos fervilhando ali em volta, sedentos de sangue, para derrubar isto, para matar aquilo etc., e ela sai do convento e que vai andando a pé e que chega até eles. E eles que de repente olham para ela e começam a fugir. Os senhores podem imaginar a beleza de uma cena destas? Agora, imaginem o resto. O que é que foram as ações de graças, quando os sarracenos foram embora e que os franciscanos se encontram com as franciscanas e que todos juntos puderam cantar um Te Deum. Que verdadeira maravilha uma coisa desta. É o feche de uma ação histórica estupenda.
* Na guerra de Nossa Senhora jamais recuar
E aqui está um exemplo para nós. Nós compreendermos bem que quando nós não tivermos outra coisa senão o Santíssimo Sacramento para irmos de encontro contra os infiéis, nós devemos ir com calma e com coragem. Porque quem está engajado numa guerra que é de Nossa Senhora, pode morrer, mas nunca tem vantagem em recuar, porque Nossa Senhora dá sempre a vitória. Isto é que não se discute.
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