Reunião
para o grupo da Martim – 31/07/65 – Sábado
[RN 151] .
Reunião para o Grupo da Martim 1 — 31/07/65 — Sábado [RN 151]
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Metáfora do submarino cuja tripulação esquece a grandeza do objetivo da viagem, transformando‑o em uma pensão submarina * O fenômeno “pensão submarina” dentro do Grupo * Nosso protocolo só tem sentido em função de uma missão muito grande dada por Deus * Quando duvidamos de nossos meios de ação, deixamos de ser guerreiros para sermos atores que ficam nos bastidores à espera do triunfo * O demônio nos faz duvidar de nossa missão, transformando numa pensão o que deveria ser um convento de cavaleiros * O Fundador prova por raciocínios a autenticidade da missão que nos foi confiada por Nossa Senhora * É amando e cumprindo minha missão que eu pratico o amor de Deus * Nossa Senhora quer que nossa vida interior seja vivida em função de nossa missão * A verdadeira distensão encontra‑se junto a Nosso Senhor. Descansa‑se mais subindo do que deitando‑se ao nível do chão * “As pessoas que são mais unidas a mim têm mais facilidade de compreender o que eu estou dizendo aqui”
O problema diz respeito ao modo pelo qual nós devemos viver a nossa vida do Grupo e considerar o Grupo.
É tal a dificuldade de nós termos uma visão verdadeiramente ultramontana das coisas, tal é, por outro lado, a facilidade que por causa disso nós vamos… a verdadeira noção do que seja o Grupo se vai aterrando em nossa alma e vai tomando uma aspecto diferente do aspecto real do que deveria ser, que de vez enquanto a gente tem que puxar tudo à tona e tem que reparar toda noção anterior, restaurá‑la e revê‑la completamente.
* Metáfora do submarino cuja tripulação esquece a grandeza do objetivo da viagem, transformando‑o em uma pensão submarina
A questão é a seguinte: os senhores imaginem um submarino que recebe por, exemplo, uma missão, uma tarefa histórica. Ele recebe a tarefa de percorrer os mares e de afundar, por exemplo, todas as esquadras de guerra do adversário.
Esse submarino sai com uma tripulação e começa a viver debaixo do mar e jogar bombas daqui, de lá e de acolá, ele está munido de todo o necessário para a realização de sua missão. Ele tem gasolina, ele tem mantimentos, ele tem meios de se abastecer de ar conveniente, no problema de manutenção e de subsistência… [ilegível] …de paz, que naturalmente tem muita importância para a realização da missão, porque se isso não for bem atendido o submarino se perde, a vida lá embaixo do mar se torna impossível e portanto isso [é] uma coisa que deve ser objeto de de uma atenção definida e determinada.
Agora isso tudo não exclui que todos os problemas de manutenção e subsistência dentro do submarino tenham um plano secundário e que se eles ocupam a atenção da tripulação do submarino, ocupam apenas como um meio para alcançar determinado fim.
A finalidade daquela navegação não consiste em assegurar subsistência a uns tantos homens durante um certo período, a finalidade daquela navegação consiste em arrasar com a esquadra do adversário, consiste em realizar determinadas proezas de guerra e correr determinados riscos e obter um determinado resultado. E todas essas questões de manutenção e todas essas questões de subsistência por mais que possam chamar a atenção, por mais que possam ser importantes como meios, não passam de meios, e [a] atenção daqueles que navegam pelo submarino deve estar constantemente voltada para o fim e o fim é de caráter militar.
Agora, os senhores imaginem que ao longo da navegação aquela vida monótona debaixo d’água, comportando, não sei, passar dias e dias à procura da esquadra do adversário e sem nenhuma operação militar, aquilo determina então na tripulação do submarino uma insuspeitável e imperceptível mudança de estado de espírito.
Então, começam e eles a se esquecer da finalidade militar da trajetória, esquecer‑se da missão que têm de derrubar o navio adversário e começar a se preocupar exclusivamente com os problemas de subsistência.
Tão grande problema é se convém ou não convém fazer certa coisa de preferência a tal outra, com ordem a poupar o ar debaixo do submarino, se convém ou não convém comer tal ou tal ração, tomar tal ou tal quantidade de água, tal ou tal quantidade de álcool etc., com efeito de assegurar um certo nível de conforto que torne a vida dentro do submarino uma vida habitável. Depois, problemas de temperatura, se se liga mais ou menos a calefação etc.
A partir do momento em que as atenções se focalizem deste ponto, a partir desse momento começa então a uma baixa de nível, e nós não temos mais heróis, mas nós temos pensionistas de uma condição subaquática. Pessoas que estão lá vivendo uma intenção não mais de derrubar um adversário mas com a intenção de subsistir.
Então começam os problemas a diminuir, porque quando o fim diminui tudo diminui. Então começam as questões secundárias tomar um aspecto enorme, então começa vir as brigas. Começam as fricções recíprocas, começam os desinteresses, começa o ambiente de brincadeira, começa toda a baixa de nível etc., o submarino se transforma numa coisa que todo o mundo leva em pilhéria etc. Passa a ser uma pensão subaquática.
* O fenômeno “pensão submarina” dentro do Grupo
Agora uma coisa desse gênero facilmente dá‑se com o Grupo.
O Grupo leva uma vida que até certo ponto pode ser chamada uma vida de submarino. Nesse sentido em que nós vivemos muito fechados entre nós, até absolutamente afastados de qualquer contato fora de nosso meio. Quando nós temos contato fora de nossos meios é um contato muito superficial, o nosso contato vivo, graças a Deus é de nós conosco. Nós nessa história começamos a nos preocupar, perdemos a idéia de que nossa missão é de derrubar a Revolução, é de implantar o Reino de Maria, acabamos perdendo até uma certa fé nesta convicção e nós então passamos do espírito militante e do espírito heróico para aquele de sobrevivência, sem que nós nos demos conta disso, por uma engrenagem misteriosa de raciocínios.
A gente começa então a “microlizar” todos os problemas e então a gente começa a dizer o seguinte: “O Grupo é uma coisa que existe para eu perseverar, existe para eu não apostatar, para eu salvar a minha própria alma, antes de tudo. Existe depois também para salvar as almas dos que estão aqui e isto é a aplicação do D. Chautard: primeiro a vida interior depois o apostolado.
“Então a vida existe sobretudo para salvar as almas, minha e dos outros que estão aqui dentro, o resto é… [ilegível] …naturalismo, de progressismo do qual, graças a Deus, eu estou protegido, sob a capa do Grupo e… [ilegível] …fico mais ou menos como uma criança que fica na casa paterna, olhando pela janela a tempestade que cai lá fora, e olha:
“Então o meu problema é apenas de viver aqui dentro e organizar uma vidinha aqui dentro que não tem mais nada da vida heróica com que eu entrei para cá, mas, pelo contrário, é uma vidinha de uma pensãozinha.
Se quiserem, ao máximo essa pensãozinha terá traços de um conventinho, então fica tudo bem arranjadinho, tudo muito direitinho, um convívio muito em ordem: Eu salvo a minha alma está acabado”.
O resultado: uma bruta baixa de nível em todo o ambiente do Grupo e dentro de pouco tempo começa a necessidade de entreter‑se e para entreter‑se, como os grandes ideais não entretêm lá mais, é preciso a baixa de nível.
Então a conversa é sobre negócios, conversa sobre política baixa, quem é o prefeito de São Bernardo do Campo, conversa sobre [potans?] interno do Grupo e de adjacências do Grupo, a coisa vai caindo, caindo e depois começa os “enterra‑conversas”, aí é o fim do funeral.
E aquilo que deveria ser uma coisa grandiosa, insuspeitavelmente passou o meridiano, baixou de nível e acaba sendo uma coisa pequenininha. E então tudo aquilo em que a vida da Sede, a vida do Grupo se mantém, tudo aquilo que é uma referência aos nossos altos ideais, passa a tomar um colorido diverso também e até a nossa sala do Reino de Maria passa a ser uma sala funcionalmente adequada para as nossas reuniões, porque não tem o barulho que tinha lá na Aureliano. Uma sala também boa porque as cadeiras asseguram uma boa estabilidade do corpo, muito boa porque eu fico colocado mais alto, e tem a visibilidade, e que acompanha melhor aquilo que eu digo, favorece um certo recolhimento para prestar a atenção naquilo que eu estou dizendo. Então aqui está a vantagem do sala do Reino de Maria.
É para uma reuniãozinha de piedade nos fins de semana feita para assegurar a subsistência, a ingestão de oxigênio no submarino, na pensão submarina, para a pensão continuar [a] navegar.
Mas tudo aquilo que era a verdadeira finalidade do Grupo e para a qual nós entramos dentro do Grupo e que era até viva e verdadeira em que por nosso intermédio, Nossa Senhora, por nosso intermédio haveria de derrubar a Revolução, a convicção absoluta de que nossa ação é a ação que vai derrubar a Revolução isso desaparece e com o desaparecimento disso, naturalmente o Grupo perde a sua verdadeira característica.
* Nosso protocolo só tem sentido em função de uma missão muito grande dada por Deus
Eu vejo bem, até com uma certa, vamos dizer, o fato nem sempre igualmente, [do] nosso protocolo impressionar a todos nós, provém deste fato, porque o protocolo só tem uma explicação em função de uma missão providencial. É só por uma convicção que nós temos de que nós somos encarregados de uma missão na História da Igreja, na História do mundo e que esta missão é de derrubar o demônio, o reino da Revolução e de implantar o Reino de Nossa Senhora e só por isso que todo o protocolo se justifica, porque o protocolo é a afirmação que nós somos uma instituição e uma instituição que tem uma vida oficial própria que me decorre de uma missão que nós sabemos que foi dada por Deus. O ato de fé numa missão divina, verdadeiramente dada e verdadeiramente existente, há um ato de fé nessa missão que só se justifica o protocolo. Só tem direito a protocolo aquilo que é oficial, e só é oficial aquilo que tem uma missão oficialmente concedida pela Igreja, ou pelo poder público, e no caso, nós devemos entender que nós temos uma missão oficialmente concedida por Deus, certissimamente concedida para a glória de Nossa Senhora. Nós temos que crer na realidade da outorga dessa missão.
Se nós crermos na realidade da outorga dessa missão, o protocolo é um corolário necessário, aí então aquele troneto tem uma razão de ser, porque é um exercício de um poder que foi conferido por Nossa Senhora a quem Ela quis, para orientar os homens que Ela quis, para o fim que Ela quis, e isso então é um poder que de fato fazia um troneto.
Se isso é verdade, os senhores estão sentados nessas cadeiras como cátedras de honra por causa da máxima participação que foram chamados a ter nessa missão e se revestem desse hábito porque crêem nessa missão.
Então, essa sala toda tem razão de ser, é a sala onde se encerra a Contra‑Revolução, onde se forma os soldados da Contra‑Revolução e onde eles são alimentados para, de fato, executarem a Contra‑Revolução. Aí essa sala tem todo o sentido.
Mas esse sentido tem como ponto de partida o ato de fé verdadeiro em que a missão nos foi dada, e que a missão é minha que está aqui e que é a missão dos senhores que estão ali, e que todos juntos temos uma missão para realizar: o Reino de Maria na Terra.
Bom, se nós nos esquecemos disso e se nós passamos a considerar a Contra‑Revolução como uma coisa hipotética — uma coisa que daqui a pouco eu vou dizer qual é a mentira que o demônio prega nisso — uma coisa que fica no meio das nuvens, e isso aqui uma associação de mera subsistência religiosa, de mera perseverança, se nós nos colocamos aqui tudo murcha, tudo fenece, o entusiasmo desaparece, o espírito sobrenatural desaparece e todo o protocolo fica uma coisa esquisita e artificial.
Porque realmente não se compreende que uma congregação mariana tenha esse protocolo, não se compreende que uma sociedade que não tem um fim público, uma missão para a Igreja enquanto tal, mas que é de mero serviço espiritual, uma cooperativa espiritual entre seus membros, se serve dessa pompa, não se compreende, é completamente inexplicável.
Isso só pode ser uma coisa explicada à vista da idéia que é uma missão pública outorgada pela Soberana de todos os soberanos, que é Nossa Senhora, e com uma finalidade pública, quer dizer, de direito público para alterar a ordem pública. Sem isso, absolutamente nada existe.
* Quando duvidamos de nossos meios de ação, deixamos de ser guerreiros para sermos atores que ficam nos bastidores à espera do triunfo
Agora qual é o elo que desaparece dentro disso, como é que essa missão some, como é que essa coisa se quebra?
Ao meu ver o elo que desaparece dentro disso é o seguinte: Nós não nos convencemos de uma das teses fundamentais dessa missão, é a tese seguinte: é de fato pelo nosso trabalho, quer dizer, pelo trabalho de nossas comissões, dos nossos grupos, dos nossos livros, das nossas habitações, é por esse trabalho que Nossa Senhora quer que o Reino do demônio seja derrubado.
Quer dizer, Ela quer que nós sejamos os agentes dessa derrubada, os instrumentos d’Ela para essa derrubada, e essa derrubada deve ser atuada por esse trabalho na progressão que esse trabalho vai tendo. Quer dizer, é preciso criar um organismo, é preciso pôr a efeito métodos de propaganda que mais ou menos já estão pensados, é preciso por esses métodos, produzir um abalo e alterar a História do mundo.
E Nossa Senhora quer que esses métodos ainda que pequenos mas inspirados na RCR, profundamente pensados e provados em sua eficácia pela realidade — porque realmente temos conseguido resultados extraordinários — Ela quer que esses métodos, com esses meios pequenos, esses métodos alcancem a derrubada.
De maneira tal que tudo aquilo que nós estamos fazendo derruba de fato o poder do demônio, quer dizer, há aqui um esquecimento desse ponto para a gente admitir a coisa de outra maneira, e é a teoria falsa a respeito da Bagarre, que é a seguinte: “Nós aqui vamos perseverando nessa nossa ação que a gente vai desenvolvendo, é como um piãozinho pequeno que a gente vai mexendo que também tem vantagens que a gente vai enchendo o tempo, de distrair um pouco a gente e de salvar algumas almas, mas isso não chega a… [inaudível]. Nossa Senhora em determinado momento derruba Ela esse edifício e quando o edifício estiver derrubado, então há um troneto para nós na nova ordem de coisas”.
Quando a gente duvida por esta forma dos meios de ação que nós empregamos, acaba sendo que nosso submarino não é mais um submarino de guerra, e a derrubada do adversário não procede mais dos tiros que nós damos, a derrubada do adversário procede de uma ação d’Ela, nós aqui ficamos apenas subsistindo à espera do momento de quando Ela fizer a derrubada do demônio para nós entrarmos. E nós não somos mais guerreiros, nós somos atores que estão nos bastidores à espera de entrarmos no palco na hora do triunfo.
Nós então começamos a reputar a nossa perseverança tão difícil, que tal se compreende que se exija de nós luta, que ainda se exija de nós ação, que necessita de nós combate, e aí a nossa vida de todos os dias fica uma pensãozinha inevitável, está na lógica das coisas. Porque se tudo o que eu faço é apenas para subsistir até o momento em que Nossa Senhora intervirá, se é assim e se minha ação de nenhum modo vai derrubar aquilo, então, um torpedozinho e subsistência soberba com alguns amigos à espera, babando, rezando um pouco, Je le vieu bien, futricando a vida dos outros e levando uma vidinha prosaica, inglória, e que decai logo para a democracia, porque é uma coisa inevitável.
* O demônio nos faz duvidar de nossa missão, transformando numa pensão o que deveria ser um convento de cavaleiros
Quer dizer, há um ponto, portanto, que é preciso segurar inteiro e é o seguinte: o Grupo através do trabalho dos que são chamados a trabalhar — principalmente através da oração de todos, através da oração e dos sofrimentos daqueles a quem Nossa Senhora chama especialmente para rezar e para sofrer — este Grupo tem a missão concreta e direta de ele derrubar e ele deve ver cada ação que ele põe como sendo uma ação que, de fato, ainda que modesta nas suas proporções atuais, vai derrubar de fato e vai derrubar a Revolução no mundo inteiro.
E eu tenho a impressão que a todo o momento o demônio concorre para desfazer esse elo na cadeia de raciocínios por onde nós acreditamos em nossa missão e desfazendo esse elo na cadeia de raciocínios nos jogar para essa situação de grupinho… [inaudível]
Bem, e eu tenho a impressão de que por toda parte onde esse espírito de pensão, em vez de convento de cavaleiros, se introduz, que algo disso está pelo meio e que se apaga algo disso nos espíritos, e que com isso é que as coisas se desviam, mudam de rumo e acabam decaindo. De maneira que eu acho muito importante a gente sempre mais frisar isso e sempre lembrar.
* O Fundador prova por raciocínios a autenticidade da missão que nos foi confiada por Nossa Senhora
Então, eu daqui a uns instantes, eu vou dar a concatenação dos argumentos que provam que nós temos essa missão, e vou situar esse elo que é o elo forte da corrente, vou situar esse elo dentro da corrente, no seu todo. E assim mostrar bem como é que nós devemos estar continuamente crendo na nossa missão a ser realizada agora, atualmente.
O raciocínio qual é?
A concatenação do raciocínio é a seguinte:
Primeiro ponto: é a constatação de nossa ortodoxia.
Segundo ponto: a constatação, não só de nossa ortodoxia, mas também de nosso bom espírito.
Terceiro: a unicidade disso, isto é único porque sobre a Terra é único, primeiro ponto. Segundo ponto: isto é único porque também nessas proporções de um modo tão acentuado, desta forma ainda não houve na História da Igreja, aqui está a unicidade.
Agora como é que destes fatos se deduz uma lição?
Deduz‑se da maneira seguinte: esta é uma graça que vai muito além das necessidades de nossa vida interior.
Habitualmente uma pessoa pode salvar‑se muito bem sem ter essa graça nessa proporção. Se nós a temos, portanto, não a temos só para nós, mas nós a temos em benefício de terceiros.
De terceiros quais?
Uma vez que essa graça é enorme, ela só pode ser dada para um fim enorme. Uma vez que essa graça é uma graça que dota a Igreja de defensores que Ela não tem, a não ser em nós, é necessário que esses defensores assumam a defesa total da liderança da Igreja. Uma vez que essa graça é a graça necessária para derrubar a Revolução, e sem ela a Revolução não pode ser derrubada, então essa graça foi dada para derrubar a Revolução .
Aqui está o primeiro bloco de raciocínios.
Agora segundo bloco de raciocínios é esse que eu venho desenvolvendo nas reuniões da comissão “B”, de manhã, e que eu não faço senão resumir.
Primeiro, a Revolução é muito mais fraca do que ela parece, depende apenas de ser atacada de acordo com os critérios da RCR.
Segundo, ser atacada no momento em que ela está dando o passo para o comunismo, porque é o momento em que arrisca, expõe a produzir cristalizações enormes, é o momento em que ela abre a asa para tomar chumbo, onde nesse momento histórico é muito mais fácil atingi‑la do que há dez anos atrás, ela está com o flanco exposto, e, portanto, ela deve ser atingida agora.
Terceiro, nós conhecemos os processos para isso. A prova que nós conhecemos é da “RAQC”, a prova que nós conhecemos é o caso do Chile, é em alguma medida a caso da Argentina, nós abalamos três nações ou se quiserem duas e meia: o Brasil, o Chile e em parte a Argentina.
Ficaram abaladas pela aplicação de nossos métodos, com meios de ação muito pequenos, e, portanto, a coisa prova que grupos, expondo as nossas doutrinas segundo as nossas diretrizes, nos momentos indicados por nós, podem produzir abalos imensamente maiores do que estariam na proporção deles; é uma coisa que está na nossa mão.
Portanto, fazer grupos, imprimir livros com doutrina, arquitetar golpes e jogar os golpes na hora oportuna é uma coisa que pode de fato abalar a Revolução.
Mas se pode abalar a Revolução e eu tenho a missão de abalá‑la, então eu não compreendo que dúvida possa haver. Eu tenho a missão de abalar, eu tenho poder de abalar, não é verdade que minha missão me obriga a crer no meu poder e a usar o meu poder? É evidente.
E depois ainda que não fosse essa prova da experiência, porque eu gosto de dar essa prova da experiência — didaticamente falando boa, mas do ponto de vista doutrinário toca — ainda que não fosse isto, não bastava ter a missão para fazer, eu não ter certeza que eu faria, e não bastava então eu ter a missão para fazer? E a toda hora tentando que Nossa Senhora em certo momento premiasse a minha perseverança e derrubasse o adversário? É evidente.
De maneira que cada atozinho menor que fosse, ajudar o Primo Paladino a fazer apostolado num subúrbio de Olímpia, deveria ser feito com toda a dedicação porque eu devo esperar que daquilo, de repente, de mil atos assim que eu ponha, Nossa Senhora se sirva de um para derrubar a Revolução. De maneira que com o espírito de fé, eu deveria fazer inteiramente e a todo o momento com tanto entusiasmo como se cada um desses atos pudesse decorrer a queda da Revolução, de que a Revolução tem que ser morta, não tem remédio, ela tem o seu fim.
Bem esse é o raciocínio total, e se eu tiver esse raciocínio bem diante de mim, então eu levo a vida do Grupo de modo completamente diferente.
Eu compreendo que tudo o que se faz no Grupo é importantíssimo, eu compreendo que todos os minutos de minha vida são importantíssimos, eu compreendo que tudo o que se passa em torno de mim é seríssimo e gravíssimo, e aí eu me torno capaz de levar a vida do Grupo como ela deve ser levada.
A sala do Reino de Maria tem sentido, os tocheiros têm sentido, o estandarte tem sentido, o troneto tem sentido, as cátedras dos senhores têm sentido, tem sentido esta coroa que está colocada aqui, aqui isso tem sentido.
Mas se eu faço uma defesa sem isso, imediatamente eu caio para o nível baixo.
* É amando e cumprindo minha missão que eu pratico o amor de Deus
Agora os senhores me dirão: “Doutor Plinio, é curioso, nós vimos o senhor dizer a vida inteira que o apostolado vem depois da vida espiritual, e agora, lá vem o senhor com uma visualização que parece virar tudo de cabeça para baixo e colocar o apostolado na frente da vida espiritual. O senhor acaba dizendo que nosso Grupo existe sobretudo para esse apostolado e existe apenas secundariamente para a vida espiritual, não é mais de subsistência. Eu não entendo mais nada, o senhor está pegando Dom Chautard e está virando de cabeça para baixo”.
É a visualização mais deplorável que possa haver de D. Chautard, a mais borné, a mais inadequada, pelo seguinte: A vida espiritual consiste em amar a Deus sobre todas as coisas e ao próximo como a mim mesmo, por amor de Deus. O amor de Deus sobre todas as coisas se dá para mim, cumprindo a missão que Deus me deu, é conhecendo essa missão, amando‑a, eu quase diria, adorando‑a e cumprindo‑a, é que eu pratico o amor de Deus.
E se eu tenho uma ordem de Deus de fazer uma determinada coisa, essa coisa para mim é um ato de vida interior, eu identifico‑me com a minha missão. O acreditar nela é uma fonte das graças que iluminam a minha vida interior, e, portanto, eu me situar nessa perspectiva é absolutamente vida interior.
Eu sei bem que eu deverei tomar todo o cuidado para que neste viver, os atos de piedade, a preocupação para manter em mim essa chama, vão acima da ação concreta, isso não tem dúvida. Mas eu posso esperar que eu me desinteresse desta missão, mande às urtigas, me desinteresse da causa de Deus e diga que estou com vida interior, que estou amando a Deus? Aqui é que está a questão.
A minha vida é um todo, meu cumprimento de minha missão é um todo, é certo que no comprimento dessa missão a parte de oração, a parte de meditação, é mais importante do que a parte de ação, mas quer na parte de meditação e de oração, quer na parte da ação, a preocupação com minha missão é preponderante e é isso que eu quero acentuar
Porque mesmo enquanto eu rezo, mesmo enquanto eu ofereço o meu sacrifício, a minha missão está presente como centro da coisa porque o que Deus quis de mim, foi para onde Ele me chamou, de maneira que isto é que eu estou querendo acertar.
* Nossa Senhora quer que nossa vida interior seja vivida em função de nossa missão
Bem, os senhores vêem aí um outro corolário curioso: quanto mais uma pessoa tem uma vida interior complicada, há exceções, mas em via de regra, tanto mais ela está desinteressada da missão. Quanto mais é uma pessoa que acredita na missão e se dedica intensamente a meditar a missão, a amar a missão e na medida do que for pedido trabalhar, ou sofrer, ou rezar por ela, tanto mais a sua vida interior é simples.
Por quê? Porque Nossa Senhora quer que nossa vida interior seja vivida em função de nossa missão. Não pode ser vivida a não ser em função de nossa missão. E quando nós não vivemos a nossa vida interior em função de nossa missão, a coisa decai e acabou‑se.
É por isso que eu considero que aquelas conferências sobre o Foch, eu devo tomar logo que os Argentinos forem embora, são para nós conferências providenciais, porque elas ensinam qual é o estado temperamental, qual é o ritmo de vida, que segundo uma velha tradição católica ainda expirante, mas ainda com fôlego no tempo do… [ilegível] …tem uma missão e a gente acreditando como é que a pessoa deve ser e como é que deve viver quando a gente está completamente entregue numa missão; exatamente é essa [a] questão.
* A verdadeira distensão encontra‑se junto a Nosso Senhor. Descansa‑se mais subindo do que deitando‑se ao nível do chão
E é por causa disso que eu desejaria que esse espírito prevalecesse no nosso Grupo e embora conservando o princípio de que a fazenda é um lugar destinado também ao repouso, é destinado à residência daqueles a quem Nossa Senhora chamou para lá, para que eles ali rezem, para que eles ali se mortifiquem, para que eles ali façam o que Ela lhes pedir para a santificação, também ela é um lugar de distensão para os que vão para lá nos fins de semana.
Mas considerando sempre o seguinte: que para nós a verdadeira distensão que dá vida, a verdadeira distensão que distende é uma distensão feita junto de Nosso Senhor. Não se descansa para longe de Nosso Senhor, a gente descansa junto d’Ele, Ele mesmo disse: “Vinde a mim vós todos que carregais grandes fardos e que estais fatigados, porque Eu vos [reficiam?] vos, eu vos refarei, quer dizer, eu vos reconstruirei, eu vos despenderei e vós encontrareis paz para vossa almas”.
A distensão, a paz se encontra com Ele, se encontra com Ela, há um modo de conduzir essa distensão, há um modo de conduzir essa paz para onde nós devemos desejar ir subindo radicalmente, e se é um modo em que exatamente nesses superiores horizontes, nesse equilíbrio de alma mais alto, nós encontramos uma espécie de repouso das excitações, das vibrações, dos problemas da vida de todos os dias.
É mais ou menos quem se coloca diante de um grande panorama para descansar de um trabalho penoso. A gente descansa mais subindo do que deitando ao nível do chão e é algo disso que até lá ainda deve realizar para que nosso ambiente seja todo ele embebido à luz da missão.
Os senhores imaginem a ilha de Malta, cavaleiros de Malta, lá há um modo pelo qual o cavaleiro repousa em Malta, ou melhor ainda, um cavaleiro medieval na ilha de Saint Michael, há um modo pelo qual ele repousa na ilha de Saint Michael. E o modo é exatamente ele se distender, ele deixar as ocupações de todos os dias, ele deixar as preocupações para se abastecer daquela atmosfera espiritual de Saint Michael que fala de dentro da alma, que não excita, que não cansa, que não extenua, nem nada disso.
Como andaria mal o cavaleiro que achasse que isso é incompatível com um passeio aos arredores de Saint Michael, não é?
É inteiramente compatível em tomar um barco e navegar pelas cercanias da ilha, é inteiramente compatível portanto de fazer também equitação junto da ilha, inteiramente compatível, mas como quem tem a alma presa na ilha, quem tem o espírito posto dentro do convento. Isto é que verdadeiramente sustenta.
Há uma teoria do repouso que nós deveremos dar no momento oportuno que talvez eu já dê na próxima reunião, uma teoria do repouso que mostra como é que a gente descansa. O que é que realmente o descanso é, e que nos faz compreender como é que nós nos distendemos, enfim o que é que é verdadeiramente a tranqüilidade e a paz nessa vida.
O que é que é paz, o que é que é alegria, o que é que é felicidade dentro dessa vida.
* “As pessoas que são mais unidas a mim têm mais facilidade de compreender o que eu estou dizendo aqui”
Bem, agora para isso tudo, eu tenho impressão de que nenhuma dessas idéias permanecem de pé se desaparece um dos arcos da pergunta. Isto é uma espécie de viaduto, se quiserem, com muitos arcos, e quando um desses arcos se rompe não se transita mais, quando um desses princípios se esquece, não se transita mais. Mas porque, graças a Nossa Senhora, o Grupo é bem formado, é dedicado e, afinal de contas, tem prestado muitos serviços a Ela, os principais arcos não se quebram, ninguém vai duvidar de nossa missão, ninguém vai duvidar disso, daquilo, então quebra o arco mais fraco que é o acreditar que nossa ação pode de fato produzir a queda do demônio. Então é para dar a esse arco uma espécie de tratamento especial e de suporte especial que eu faço a conferência de hoje, destinado exatamente a fixar bem este ponto: é preciso crer nisso e concretamente nisso, sem isto nós complicamos a nossa vida interior, diminuímos o nosso amor de Deus, perdemos o espírito de Fé no Grupo e todas as coisas se complicam.
Tem‑se dito aqui, eles têm dito com razão, porque Nossa Senhora quer que seja isso assim: que as pessoas que são mais unidas a mim prosperam mais na vida espiritual e no apostolado. Está bom.
Notem bem, as pessoas que são mais unidas a mim, têm mais facilidade de compreender o que eu estou dizendo aqui. As outras começam a duvidar e aquilo começa ah… ah… ah…
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1) Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.