Santo do Dia (Rua Pará) – 29/7/1965 – 5ª feira [SD 024] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Rua Pará) — 29/7/1965 — 5ª feira [SD 024]

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Resumo da vida de Santo Olavo da Noruega, mártir * Santo Olavo teve uma longa e acidentada existência, a qual tem as mesmas características dos santos fundadores da Idade Média: uma força especial para a realização de obras de caráter extraordinário * Mesmo tendo se tornado protestante, a Noruega constituiu a Ordem de Santo Olavo * Não há maior indignidade, maior injúria a Deus em matéria de sexto Mandamento do que a institucionalização da união entre pessoas do mesmo sexo * Apesar das apostasias e das quedas, algo nos países escandinavos ficou, e assim existe uma esperança para aqueles povos, pois “o resto voltará”

* Resumo da vida de Santo Olavo da Noruega, mártir

Hoje, dia 29, é festa de Santa Marta Virgem. Jesus amava Marta, sua irmã Maria e Lázaro, se diz no evangelho de São João.

É festa também de Santo Urbano II, papa e confessor, que combateu com êxito pela liberdade e honra da Igreja e libertou pela virtude da Cruz os lugares santos. Pregou a primeira Cruzada no século XI.

É também a festa de Santo Olavo II, chamado o Santo. Isto é uma biografia para distinguir do anterior do mesmo nome, que foi o primeiro rei cristão da Noruega.

Era filho de Harold, príncipe de Westfool da Noruega, e nasceu no último decênio do século X.

A Noruega vivia então sob o jugo, ora da Suécia, ora de Dinamarca, países escandinavos de origem comum e cujas casas reinantes disputavam de contínuo o direito de sucessão. Olavo alistou-se no exército de seu país e por volta de 1017 ele decidiu livrar a pátria do jugo estrangeiro. Particularmente de Canuto o Grande, da Dinamarca, que pretendia ocupar o trono da Noruega.

Os noruegueses acolheram com entusiasmo os propósitos de Olavo, levantados debaixo de seu comando e o elegeram rei. Tomado posse de seu reino, Olavo fixou a capital do país em Boromtein e passou a trabalhar esforçadamente na organização geral da nação e na catequese dos súbditos. Uniu-se com os suecos para a difusão do cristianismo e governou por dezessete anos com sabedoria e retidão.

Enviou em concerto com os suecos expedições para submissão e conversão da Groenlândia e Islândia. Como procurasse coibir os desmandos e intrigas de alguns nobres, estes entraram em relações com Canuto e induziram-no a declarar guerra com Olavo para abatê-lo do trono. O nosso terno rei saiu para o campo de batalha com suas tropas, mas por falta de cooperação do povo, foram desfavoráveis os primeiros combates que travou e veio por fim aparecer heroicamente na batalha de Sticks…., em 1032. Os noruegueses passaram ao jugo dinamarquês e mais tarde, arrependido de haver traído o rei, o declararam patrono da Noruega.

Em 1098 o corpo de Santo Olavo, que havia sido sepultado num lugar junto a Obara, foi encontrado sem vestígio de corrupção e transferido para a Catedral de Pronthein. O martirológio romano inclui Santo Olavo no catálogo dos mártires.

Apesar de protestante, a Noruega conservou a Ordem de Santo Olavo, para encaminhar os negócios de seu país.

* Santo Olavo teve uma longa e acidentada existência, a qual tem as mesmas características dos santos fundadores da Idade Média: uma força especial para a realização de obras de caráter extraordinário

Os senhores vêem aqui uma longa e acidentada existência. E uma existência que tem aquelas mesmas características dos santos fundadores da Idade Média de que eu falei aos senhores em outras ocasiões.

Quer dizer, são esses homens da destra de Deus. Homens fortes, homens a quem Deus doa, a quem Deus faz mercê de uma força especial para realizarem obras de caráter extraordinário. E em Santo Olavo, como os senhores vêem, tornou-se o defensor da independência nacional, um defensor que não é movido por essa patriotice barata, comum, mas ele queria a independência de seu país para a glória da Igreja. A tal ponto isso é verdade, que logo que ele se libertou de Canuto o Grande, veio a ser um dos organizadores em bases cristãs da nacionalidade.

Os senhores vêem fazer todo o possível para que seu país seja profundamente católico. E os senhores vêem aliar-se com o rei da Suécia, para a expansão da religião católica. Quer dizer, os senhores vêem nele um desses homens que querem as coisas temporais, como meio para a glória de Deus e para a vitória dos interesses da Igreja Católica, e não apenas por patriotice, para se exibir, para ocupar um cargo importante, etc.

Ele é um fundador, neste sentido que ele fundou de fato um reino e fez quanto cabia nele para que esse reino existisse.

Entretanto, os senhores vêem aí a ingratidão de uma nação. Ele combateu, mas alguns nobres se opuseram contra ele.

* Mesmo tendo se tornado protestante, a Noruega constituiu a Ordem de Santo Olavo

A marcha do povo, como deixa entrever aqui o biógrafo, também se portou mole em relação a ele. E ele, portanto, morreu heroicamente na batalha e se diria que sua obra desapareceu.

Entretanto alguma coisa ficou. A Noruega conservou um certo sentido nacional, a tal ponto que ela acabou no século passado por se libertar da Suécia e por se tornar um país independente. E tendo recobrado sua independência, se colocou sob o signo dele, e constitui uma nação protestante, constitui entretanto uma Ordem de Santo Olavo.

Quer dizer, fica uma fímbria, uma semente do sacrifício dele que indica que o sacrifício valeu, e por certo se, como nós devemos esperar, a Noruega voltar algum dia ao grêmio da Igreja Católica, as tradições, o exemplo, as orações e o sangue de Santo Olavo, devem ter com isso uma conexão muito grande.

É o momento de nós então lamentarmos a queda da Noruega no regime protestante. Os senhores vêem o que é que pode ser a queda de uma nação. A Noruega é muito pouca coisa, porque a Suécia é muito pouca coisa. É uma nação socialista, uma das nações mais socializadas da terra, das nações mais corrompidas da terra, em que o socialismo se realizou num ambiente aparente de ordem, de correção e encobre necessariamente uma deterioração das forças nacionais.

* Não há maior indignidade, maior injúria a Deus em matéria de sexto Mandamento do que a institucionalização da união entre pessoas do mesmo sexo

Os senhores sabem que na Noruega foi proposto algum tempo atrás, e eu ouvi dizer sem ter disso muita certeza, eu ouvi dizer que foi aprovado e é o primeiro país … [inaudível]… na Suécia. Foi aprovado. É o primeiro país em que se realiza essa ignomínia.

Foi aprovada, me disseram, uma forma de união entre pessoas do mesmo sexo à maneira do casamento. Quer dizer, maior indignidade, maior injúria a Deus nesta matéria não pode haver.

Se nós consideramos que esse pecado é um pecado que brada aos céus e clama a Deus por vingança, uma nação que institucionaliza este pecado e sabe que na Suécia não existe mais virgindade, não existe mais castidade, as moças todas se prostituem à vontade, o que é a Noruega? A Noruega é uma Suécia diminuta rationis. É a definição. Os senhores compreendem por aí o que é que se pode dizer qual é a situação da Noruega.

Por que é que esta nação chegou até a isso?

Se esta nação tivesse aceito o rei que Deus lhe deu; se ela tivesse lutado sob as ordens do rei que Deus lhe deu; se ela tivesse se afirmado como uma nação poderosamente cristã, não será que todo processo de protestantização das nações escandinavas poderia ter tomado outro rumo?

* Apesar das apostasias e das quedas, algo nos países escandinavos ficou, e assim existe uma esperança para aqueles povos, pois “o resto voltará”

Então os senhores compreendem como vem de longe as grandes apostasias. Como as quedas vêm de longe. O homem providencial posto por Deus ali foi rejeitado, o edifício todo ruiu. Mas algo ficou, e como nós sabemos, o resto voltará. Então aqui fica uma esperança da recondução desses povos tão profundamente corrompidos à ordem católica.

Eu gostaria simplesmente de fazer a este respeito mais um comentário final. E o comentário é o seguinte:

Há uma teoria nos círculos de Ação Católica, em certos círculos de Ação Católica, uma teoria de que quando uma pessoa desenvolve seu apostolado com boas técnicas é absolutamente invencível e o apostolado dá certo sempre, e que quando o apostolado fracassa é por culpa do apóstolo.

Isto é uma concepção meio fatalista e meio determinista do apostolado com o que nós não podemos estar de acordo.

Aqui está um rei, aqui está um grande rei. Este grande rei fez todo o necessário para que seu apostolado desse resultado e entretanto, não inteiramente, uma vez que o resto ficou, mas quase inteiramente o apostolado não deu certo, ele fracassou.

Quer dizer, o … [inaudível]… do apostolado depende da cooperação daqueles junto aos quais o apostolado se faz. Diz Santo Agostinho: “Qui creavit sine te, non salvabit sine te — Quem te criou sem teu concurso, não te salvará sem teu concurso”. Os homens negaram o concurso, o apoio do santo, a coisa ruiu.

É o exemplo de São João Solerte, de que nós comemoramos a festa, não me lembro bem se ontem ou anteontem. Foi o último santo geral da Ordem do Carmo. Ele tentou reerguer a Ordem do Carmo e não adiantou nada. A Ordem caiu numa degradação da que só reergueu mais tarde com Santa Teresa de Jesus. É um santo que na aparência fracassou. Não fracassou aos olhos de Deus, e isto é o essencial.

Mas até as obras dos santos, humanamente falando, podem quase completamente … [inaudível]… completamente fracassado.

É uma nota que é preciso introduzir, uma tisca, é preciso introduzir em certas concepções um pouco simplistas e triunfais a respeito do êxito do apostolado.

Com estas considerações eu enuncio também que amanhã à noite, quando haverá mais gente, eu devo fazer então, se Deus quiser, se me lembrarem, um comentário a respeito de um trecho de um sermão sobre as ordens de Cavalaria, que foi fornecido pelo Glavan. A Regra dos Templários.

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