Santo
do Dia (Rua Pará) – 21/7/1965 – 4ª feira [SD
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Santo do Dia (Rua Pará) — 21/7/1965 — 4ª feira [SD 027]
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Precedendo sua decapitação, São Victor de Marselha, que convertera três soldados que o guardavam, teve o pé decepado por ter com ele derrubado violentamente o deus pagão * A coragem dos militares do exército romano se alinhava normalmente com o espírito católico e com a santidade * O espírito patriarcal das antigas famílias nobres romanas as preparou para a religião católica, e a penetração desta, que também se deu nas legiões, assumiu os valores naturais, dando-lhes outra força, sentido e dignidade * O respeito humano é oposto à coragem e agressividade católicas * Devemos pedir a Nossa Senhora e a São Victor que nos obtenha essa preciosíssima virtude: a virtude de dar o pontapé no ídolo dos adversários
* Precedendo sua decapitação, São Victor de Marselha, que convertera três soldados que o guardavam, teve o pé decepado por ter com ele derrubado violentamente o deus pagão
… São Lourenço de Brindisi, Confessor e Doutor, da Ordem dos Frades Menores Capuchinhos. Sua relíquia se venera em nossa capela.
Os senhores se lembram que nós temos aqui um relicário, uma teca grande que nos foi dada pelo Dr. Fernando, e que tem relíquias de todos os santos ou bem-aventurados capuchinhos. Muitos deles não têm, portanto, uma relação direta com o nosso apostolado, nossas preocupações, mas é um protetor cuja relíquia está em nossa capela. A sua biografia nem sempre entra, portanto, na linha especial dessas considerações, mas vamos ver hoje a biografia então de São Victor… Ué há um engano: 21 de julho? Aqui está S. Victor de Marselha. É outro então?
(…)
Então também hoje é festa de São Victor de Marselha, mártir. É dele que nós vamos ver então a biografia que nos foi dada pela comissão competente.
Victor, oficial do exército romano, distinto por sua linhagem, por seu valor militar, e por dotes de inteligência, servia na guarnição de Marselha, pelo ano de 290. Era intenso o apostolado entre seus companheiros de armas, e com a própria população da cidade, para que enfrentassem com coragem os dias de perseguição que corriam.
Denunciado ao imperador que se encontrava na cidade, sofreu cruéis tormentos para renegar a sua fé, sendo tudo inútil. Preso, converteu três soldados que o guardavam. Finalmente levado ao templo para que queimasse incenso aos deuses, Victor, com o pé, derrubou violentamente o deus pagão por terra.
Acho uma cena excelente.
Cortaram-lhe o pé e ele foi decapitado.
No local onde foram encontrados seus restos mortais, deram-se numerosos milagres. Suas relíquias, até hoje veneradas, se encontram na Igreja de São Nicolau de Chardonnais, pois a Revolução Francesa as tirou da Abadia de São Victor, em Paris.
* A coragem dos militares do exército romano se alinhava normalmente com o espírito católico e com a santidade
Seria uma coisa interessante se alguém tivesse tempo para fazer um estudo a respeito da penetração da religião católica no exército romano.
A coragem do exército romano é lendária e o legionário romano é o símbolo da coragem para a imaginação popular. E há algum fundamento histórico para isso.
Ora, nós sabemos que no exército romano houve uma penetração católica muito grande, e que bom número de membros do exército romano morreram mártires. De onde nós vemos exatamente como desde os primórdios da religião católica, a condição de militar, a vida militar, o espírito militar se aliavam normalmente com o espírito católico e com a santidade. E mais ainda: nós vemos que toda a coragem exigida de um legionário romano era como que uma preparação para que o indivíduo aceitasse a religião católica. Tudo aquilo que em qualquer civilização há de bom prepara as almas para aceitar a religião católica, que é por excelência a fonte de todo bem e o lugar natural, a força sobrenatural de tudo aquilo que existe de esparsamente bom pelo mundo.
* O espírito patriarcal das antigas famílias nobres romanas as preparou para a religião católica, e a penetração desta, que também se deu nas legiões, assumiu os valores naturais, dando-lhes outra força, sentido e dignidade
Então, assim como a Igreja Católica assumiu o Direito Romano, o elevou, o depurou de numerosos defeitos e fez dele uma espécie de Direito Natural, assim como D. Guéranger na sua vida de Santa Cecília prova muito bem que a religião católica penetrou no patriciado romano e que foi em grande medida o espírito patriarcal daquelas antigas famílias nobres romanas que as preparou para receberem a religião católica, assim nós temos também a penetração do espírito católico nas legiões romanas. Essa penetração se dava naturalmente não só assumindo todos esses valores naturais, mas dando-lhes outra força, dando-lhes outro sentido, outra dignidade.
E nós vemos uma manifestação interessante aqui.
Pode haver uma coisa mais bonita do que esta cena? Como eu gostaria de ser pintor para pintar esta cena. A cena em que o mártir comparece diante do ídolo, é intimado a queimar incenso diante do ídolo, mete um pontapé no ídolo. Isto é um ato de coragem magnífica, de desassombro extraordinário, é um símbolo da coragem um ato destes. Da coragem e da agressividade católicas.
* O respeito humano é oposto à coragem e agressividade católicas
Esta atitude nós a podemos de algum modo praticar?
Por enquanto a podemos praticar de um modo incruento, mas o exemplo para nós é admirável.
Quantas vezes nós somos colocados diante dos ídolos da civilização atual. Tantas vezes nós estamos colocados diante de valores que os homens da civilização atual idolatram. Quantas vezes nós temos oportunidade de, por um gesto de coragem, meter um pontapé nesse valor em vez de nos dobrarmos diante desse valor e tremermos diante dele, meter um pontapé vigoroso e de face, como quem não se incomoda absolutamente com nada. Quantas vezes pela graça de Nossa Senhora nós temos feito isso, e quantas vezes nós deveremos fazê-lo daqui por diante.
Há o defeito oposto a este: é o respeito humano, é a vergonha de sustentar as nossas teses, é a vergonha de estar em desacordo com as opiniões recebidas como as únicas verdadeiras, como as únicas simpáticas, como as únicas que têm o direito de cidadania.
Nós devemos reter bem esse princípio já várias vezes comentado entre nós, mas que é sempre conveniente lembrar: sempre que postos em presença da impiedade ou do neopaganismo em qualquer de suas formas, sempre que postos em presença da impiedade do neopaganismo que se mostra arrogante, e se nós sabemos opor arrogância à arrogância, e superar com a nossa…
(…)
… simbolismo de nosso estandarte, ou é assim, ou não vale a pena fazer. E graças a Deus nós costumamos fazê-lo assim, bem grande.
Assim também quando é o caso de desenvolvermos uma opinião reacionária, uma opinião contra-revolucionária, não dar assim uma formulação tímida: “Querer-me-ia parecer que talvez, eventualmente”… Não, diga logo a coisa por inteiro, não é?
Por exemplo, faz-se um elogio da queda da Bastilha. Não se deve dizer: “Olhe, esta data não é das maiores da História da Civilização”. Isto é uma ignominia, é um horror dizer uma coisa dessas. Diga logo de uma vez: “Esta data é uma das mais sinistras, foi uma infâmia coletiva praticada pelo povo francês, ao qual se associou a Humanidade pelo aplauso que deu a ela ao longo dos séculos, nesses cento e tantos anos. Portanto, de uma vez.
Ou então diga logo de uma vez que o demônio estava solto naquele dia. É um modo de dizer a coisa por inteiro.
Nós temos esse hábito, nós temos feito muitas coisas assim.
* Devemos pedir a Nossa Senhora e a São Victor que nos obtenha essa preciosíssima virtude: a virtude de dar o pontapé no ídolo dos adversários
Os senhores me perguntarão: “Mas então por que o senhor está insistindo nisto?”.
É que é próprio das virtudes que a gente quer conservar, a gente insistir sobre elas. Dá-se com as virtudes, dá-se com os móveis de uma casa.
Tome a casa mais limpa, mais bem conservada, mais fechada, no bairro menos poeirento que haja, portanto, em Higienópolis. Tome uma casa nessas condições, e de vez em quando é preciso tirar a poeira que cai em cima e é preciso lustrar.
Assim também os nossos princípios, os nossos bons hábitos: cai poeira em cima. Então a gente tem que aproveitar bem a ocasião para espanar. E hoje eu estou espanando essas verdades tão conhecidas de nós outros.
Como resultado, e reconhecendo que a força para isso só nos pode advir da graça, nós devemos pedir a Nossa Senhora e a São Victor que nos obtenha essa preciosíssima virtude: a virtude de dar pontapé no ídolo dos adversários.
Isto fica a graça a ser pedida na noite de hoje.
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