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Reunião para o Grupo da Martim 1 — 10/7/1965 — sábado

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Resumo da conferência sobre as virtudes cardeais

[faltam palavras] …havia uma virtude da Sabedoria, que é a virtude que levava o homem a querer conhecer em matéria de verdade, a mais alta verdade. Em matéria de bem, tender e amar ao mais alto bem. Que esta virtude da Sabedoria, por assim dizer, prepara o homem para corresponder exatamente à fé, à graça da Fé quando ele a recebe. E que, no homem de Fé quer conhecer na Fé, as mais altas verdades da Fé. E a mais alta verdade, não é apenas a mais misteriosa, mas é a verdade mais arquitetônica da Fé, aquela que dá todos os aspectos de conjunto de Fé.

Aquele que em matéria de esperança, quer ter as mais altas esperanças, e portanto em matéria de esperança, cobiça em ela, o mais alto bem para o homem, e vez a ter as mais altas formas de santidade; todas as formas de bem-aventurança para as quais ele tenha sido chamado.

Em matéria de caridade, aquele que quer ter o amor mais extremado, mais zeloso, mais propensa ao holocausto gratuito de si; mais propensa à luta extrema, mais propensa à conversão das normas da moral em prática, etc. De maneira que e virtude da Sabedoria é quase que, habita nessas virtudes e eleva então essas virtudes ao seu extremo.

E que, esta virtude da Sabedoria vistas assim, representava do ponto de vista temperamental, a tendência do espírito para se fixar numa posição que é uma posição de sumo equilíbrio. Em que a alma não tem propensão própria para nada, para o exercício nenhum especial do nenhuma paixão. Nem ela tem muita propensão muito para isso, nem para aquilo, vamos dizer, nem para zangar-se, nem para estar muito séria, nem para nada, mas ela tem uma facilidade, em conduzir o jogo de suas paixões, para aquilo que o mais alto exercício de sua mente, pede. De maneira que conforme as circunstâncias, ela dá o externo da combatividade, ou ela pode ser conduzida para o extremo da ternura, ou ela pode ser conduzida para o extremo da contemplação, ou ela pode ser conduzida para o extremo mais arrojado da ação,e para o mais contínuo e o mais trepidante da ação, a tudo se presta de boa vontade, o temperamento humano. Com as lacunas do pecado original evidentemente, mas acaba procedendo por essa forma, um estado de alma esse, de prestar-se a tudo de acordo com aquilo que a Sabedoria no momento indique. De maneira que a esta altíssima virtude d a Sabedoria, corresponde um estado de vontade, um estado temperamental, flexível, maleável, forte e que com facilidade se conduz aos últimos extremos. E esse estado temperamental, em mostrei na última reunião (3.7.65), como também em relação á posição intelectual, que a eles correspondia exatamente que a alma dominada por este estado do espírito, é capaz das virtudes mais opostas, mais contrárias; mas que não representa uma contradição, porque são uma oposição harmônica. E então, nos vemos o exemplo disso na Igreja.

A Igreja suscita guerreiros, mas Ela suscita Irmãs de Caridade que cuidam dos feridos, do guerreiro ferido e do própria inimigo a quem o guerreiro feriu. Quer dizer, das entranhas da Igreja nasce ao mesmo tempo o sumo da belicosidade e o sumo da ternura, o sumo da bondade, o sumo do carinho.

A Igreja suscita eremitas que se conservam no isolamento mais absoluto e na meditação mais continua das verdades de Deus, e suscita elementos da Mater Ecclesia, em relação aos quais nos estamos tão próximos e que vivem na luta contínua dentro do século, etc.

Ela suscita por exemplo, todo o luxo do Vaticano, mas ao mesmo tempo, Ela suscita o capuchinho, os teatinos, que ninem numa pobreza completa, nem sequer aquilo de que precisam, etc.

E nestas oposições, nós notamos que não há nenhuma contradição e que pelo contrário todos essas oposições constituem uma harmonia; e que faz parte do mesmo espírito da Igreja lançar-se num vôo magnífico, num vão “dégagé” para ambos os extremos de todos os lados, em todos os sentidos possíveis. E que é propriamente dessa espécie de extremismo multiforme que nasce então a visão perfeita da santidade da Igreja.

Então, há duas notas para considerar aqui. De um lado, este fato externo de que a Igreja inspira as coisas as mais contrárias; e de outro lado, a alma da Igreja como é, o espírito da Igreja como é. E um espírito grande, é um espírito rico, sem nenhuma espécie de unilateralidade, sem nenhuma espécie de mania, sem nenhuma espécie de apego, e embora suscitando nesse, nesta ou naquele de seus filhos, que se empregue apenas numa das direções, entretanto, na realidade, suscita almas em todos as direções. E, exigindo de cada um de seus filhos, e esteja ele em que ponto estiver, ele seja muito compreensível para todos os outros pontos, compreendendo que ele não é senão um raio desse sol. Mas que o sol na sua totalidade, abrange uma luz muito maior, muito mais completa e que aqui está então, o verdadeiro espírito da Igreja. É na totalidade disso.

Isso traz como conseqüência, naturalmente, o seguinte: que o espírito católico nos aparece, quer enquanto feitio de inteligência, porque há então um feitio de inteligência católica, nos aparece ao mesmo tempo, muito rígido e muito nuance. Muito rígido, enquanto em qualquer ponto, tende ao extremo. Muito nuance, enquanto correndo para um extremo, compreende que dessa linha se pode correr para outro extremo. E que há toda uma imensidade de games, por onde essa, esta, aquela afirmação se casam com esta outra, esta, digo, esta outra, esta outra, esta outra, em direção oposta. De maneira que a inteligência católica, ama unidade, mas ela ama a variedade. Ela ama a afirmação categórica, intransigente, extremista. Mas ela ama depois o matriz que torna esta afirmação compreensível, que lhe dá o contrapeso, o contra-forte, e que faça com que Ela tenha verdadeiramente todo o seu sentido.

E, do outro lado, como feitio de temperamento, O feitio de temperamento católico, é sumamente acomodatício, sumamente ajustável, sumamente adaptável, sumamente souple, e ao mesmo tempo é de ferro. Em que sentido ele é de ferro? E de ferro na repulsa a tudo quanto seja – não oposição legítima, mas contrariedade, quer dizer, flexibilíssima, para amar toda forma de bem. Ele é de ferro para repudiar qualquer forma de mal. Mal, não! O Bem, em todos os seus graus, em todas as suas formas, em todos os seus modos, está esplêndido. Mal, nenhum pouco, nunca e com uma recusa total.

Então aqui se vê mais uma vez uma grande elasticidade que de repente, se converta numa negação absoluta: isto não? Isto eu vou liquidar, isto eu vou exterminar. Eu luto até morrer contra isto, mas eu morro nisso. Isto eu não aceito.

Agora, do lado do bem, aceito tudo, adapto tudo, ajeito tudo, etc. Quer dizer, há ai também, um misto de uma inflexibilidade de ferro, e de uma suma flexibilidade, de uma suma disponibilidade, que constitui então, o próprio do que nós poderíamos chamar o temperamento católico.

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1 Estava como “Reunião de sábado”. Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.