Santo do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição final ––-) – 06/07/65 – 2ª feira – p. 3 de 3

Santo do Dia — 06/07/65 — 2ª feira

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A grandeza de São Tomas Morus preferindo a morte ao culto da carreira e ao “vedetismo” * No heroísmo de Santa Maria Goretti admira-se a frontal oposição do verdadeiro espírito da Igreja e a mentalidade chula, impura e democrática tipo Pe. João Mohana * O Sacrum Convívium está ligado à Cátedra de Pedro e a grandiosa “mise en scène” dos Santos Apóstolos no Juízo Universal

Hoje, seis de julho, é festa de São Tomás Morus, mártir, chanceler do Rei Henrique VIII, mandou decapitá-lo em ódio à Fé Católica e ao Primado do Bem-Aventurado Pedro. Século XVI

Santo Maria Goretti, Virgem e Mártir, morreu por amor à pureza. Sua relíquia se venera em nossa Capela. Século XX.

Nós estamos também na oitava de São Pedro e São Paulo. E aqui dois trechos que Paulinho mandou-me fornecer e que interessam ao comentário do Santo do Dia de hoje.

* A grandeza de São Tomas Morus preferindo a morte ao culto da carreira e ao “vedetismo”

A respeito de São Tomás Morus, nós temos exaltado muito a fidelidade dele à Fé Católica, já em anos anteriores. Havia um aspecto dessa fidelidade que nós poderíamos comentar, focalizar mais especialmente no comentário do Santo do Dia de hoje e que é o seguinte:

São Tomás Morus era um homem que aceitou a morte e que optou pela morte no momento em que tudo coincidia para ele ter uma brilhante carreira humana. Ele era muito estimando pelo rei, ele era um intelectual com peso na Europa inteira na época em que os intelectuais tinham uma influência pelo menos igual à que tem os lideres sindicalistas e os banqueiros e os artistas de cinema em nossos dias.

(Sr. –: …)

Como? Não ouvi.

(Sr. –: E os jogadores de futebol.)

E os jogadores de futebol, é verdade.

Bem, e por exemplo, uma coisa que se dava com ele, e que era muito, enfim, uma coisa altamente honrosa era a amizade dele como Erasmo, o terrível e grande Erasmo de Rotterdam e que fazia luxo para responder às cartas que os reis escreviam a ele e que deixava muitas cartas de reis e de princesas sem resposta.

Erasmo de Rotterdam convidou São Tomás Morus para passar uma temporada com ele e eram íntimos amigos. Ele também depois foi visitar São Tomás Morus na Inglaterra. Isso no tempo da Renascença era uma glória sem igual.

Pois bem, tudo isso este homem deixou e abandonou pela morte, exclusivamente por causa da fidelidade dele à doutrina Católica. E há aqui uma lição de desapego às grandezas “vedetisticas”, desapego à situação que geram aplausos, dá prestígio, etc.

[não está claro se a frase começa aqui.]

Que é sempre uma fonte de boa meditação para nós porque se o homem gosta muito do dinheiro, mas o homem só gosta do dinheiro hoje em dia, porque o dinheiro dá “vedetismo”, porque se o homem não tivesse “vedetismo” com o dinheiro ele não gostaria do dinheiro.

E o “vedetismo” é a grande atração de todo homem, e por causa disto se compreende que este Santo sirva de um especial modelo para nós.

* No heroísmo de Santa Maria Goretti admira-se a frontal oposição do verdadeiro espírito da Igreja e a mentalidade chula, impura e democrática tipo Pe. João Mohana

Há uma palavra também à respeito de uma Santa tão diferente como Santa Maria Goretti.

Santa Maria Goretti que viveu, como os senhores sabem, em nossos dias, século XX, que foi canonizada há pouco tempo atrás, e que é um modelo perfeito de pureza pela reação que ela desenvolveu contra o individuo brutal que quis lhe arrancar a pureza.

Eu tenho a impressão que entre as muitas considerações que se poderiam fazer sobre Santa Maria Goretti, também esta importa: numa época em que tantas e tantas moças expõem inconsideradamente a sua pureza e que também rapazes tripudiam sobre a pureza logo de cara, no começo da vida, o exemplo de uma Santa que dá a sua vida para preservar a pureza é uma prova daquilo que a pureza vale segundo a doutrina Católica.

E é uma reprovação viva a todas as formas de modernismo que autorizam modas, autorizam costumes, etc., que constituem um risco constante de impureza, um risco constante de ser cometido aquele pecado para evitar o qual Santa Maria Goretti preferiu a morte.

Os senhores compreendem aí a oposição entre dois espíritos, frontal: o espírito verdadeiro da Igreja, odiando a impureza a ponto de preferir a morte, e o espírito progressista, democrata-cristão do padre João Mohana, que consente em todas as facilidades possíveis em matéria de pureza, até as aprova e estimula, porque exatamente não tem a pureza em nenhum ponto e um nenhuma conta.

Essas duas considerações eu acho que valeria a pena deixá-las feitas.

Agora nós temos aqui duas fichas que o Paulinho, que está fazendo um serviço junto com Muratori, Fernandinho e Luiz Gonzaga, me forneceu sobre a novena de São Pedro e São Paulo. Eu vou ler aqui.

Em primeiro lugar é um trecho de São Pedro Damião sobre São Pedro. Segundo a palavra de São Pedro Damião, isso é tirado do “Ano Litúrgico” de Dom Guéranger.

* O Sacrum Convívium está ligado à Cátedra de Pedro e a grandiosa “mise en scène” dos Santos Apóstolos no Juízo Universal

Ninguém pode pretender a intimidade do Senhor sem ser também intimo de São Pedro.

Lindo pensamente para dizer que nós devemos ter inteira intimidade de idéias, inteira adesão à Sede de São Pedro, para nós estarmos inteiramente unidos a Nosso Senhor Jesus Cristo.

Há também aqui um outro trecho de Dom Guéranger sobre a oitava de São Pedro e São Paulo que é o seguinte, é uma homilia de São João Crisóstomo sobre São Pedro e São Paulo.

Não, exclamava ele numa homilia a seu povo, o céu quando o sol se ilumina com todos os seus fogos nada tem de comparável ao esplendor de Roma, derramando sobre o mundo a luz desses dois fatos: é de lá que será levado Paulo, de lá que partirá Pedro.

Refleti e [ilegível] estremecei desde logo ao pensamento do espetáculo de que Roma será testemunha, quando Paulo com Pedro, se levantando de suas sepulturas, serão levados ao encontro do Senhor.

Isso é uma belíssima idéia, não é?

A respeito de São Pedro, a ressurreição de São Paulo em Roma, é uma coisa que deve ser empolgante, realmente, ele levantando vôo de Roma para ir de encontro a Nosso Senhor.

Que rosas maravilhosas Roma apresentará a Jesus Cristo, que coroas circundarão esta cidade, que cadeias de ouro, de que cadeias de ouro ela estará cingida, que fontes ela já possui, essa cidade famosa que eu admiro, não por causa do ouro que nela está abundante, não por causa dos faustosos pórticos, mas pelo que ela guarda em seu recinto.

Realmente, é uma lindíssimo pensamento que nos consola de tanta outra coisa que Roma guarda hoje, além do ouro e das outras coisas que a circundam.

Acho que podíamos pedir a Excelência o favo de rezar.

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