Reunião
Normal – 30/6/1965 – p.
Reunião Normal — 30/6/1965 — 4ª-feira
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O que o Sr. Dr. Plinio espera do livro “Diálogo”
Uma palavra a respeito do “Diálogo”. Se eu não tiver amanhã catástrofe nem coisas imprevistas, eu espero que amanhã cedo eu termine o “Diálogo”. Nessas circunstâncias, eu passo o “Diálogo” para o Dr. Castilho que vai fazer o favor de revê-lo, e depois nós publicamos. Agora, o que eu espero do “Diálogo”?
“Diálogo” é um livro que, como saiu, como costumo fazê-lo, trata-se de uma matéria extremamente complexa, porque toda a manobra da baldeação ideológica inadvertida, toda essa manobra se faz através de jogos a respeito da palavra “diálogo”, de cá, de lá e de acolá, serpeando de um jeito ou de outro. E é preciso, portanto, ter muito em vista essa pluralidade de emprego da palavra “diálogo” para compreender o que [se] vai fazer, no que a manobra consiste. E é muito manhoso, muito árido. É muito manhoso expor e é muito árido ler isso com a clareza necessária.
Tanto mais que apesar de eu fazer uns gráficos e uns quadros, etc. — como o homem contemporâneo gosta muito de brinquedinho, eu penso fazer uns dois quadros assim, que a gente abre, lê e fecha, para distrair —, eu tenho muito receio de que a leitura seja tão árida que perturbe e prejudique muito a leitura e a circulação do livro. A tal ponto que eu me perguntei se era o caso de fazer um livro. E respondi, apesar de tudo, pela afirmativa, pelo seguinte: para aqueles que lerem, fica tão provado que o ecumenismo é uma coisa errada, que o irenismo é uma coisa errada, e que é uma manobra que serve ao comunismo; e a turma irênica-ecumênica fica tão denunciada como realizando as manobras do comunismo, que a mim parece que, apesar de tudo, vale a pena fazer, ainda que sejam para atingir efeito circunscrito. Mas meu receio é que o “Diálogo” seja bem mais árido do que o Bucko, que já é um livro, de um certo ponto de vista, bem [sério?] e difícil de ler. Agora, a questão é que não há outro meio de fazer, ao menos não consegui outro meio de fazer.
Eu falei certo nessa impressão? O autor, muitas vezes, não tem a impressão certa do que faz. Mas quando a impressão é desfavorável, é mais provável que ele esteja certo do quando é favorável, de maneira que mais provavelmente estou certo de que estou enganado a respeito disso. Mas como os senhores verão, ao lerem o “Diálogo”,. Eu não encontrei outro meio de expor o assunto com a solidez, com a seriedade, com o método necessário.
(Sr. –: …)
Isso é muito alentador. Mas acontece que você leu a parte em que falo do perigo comunista, nisso e naquilo outro e não entrou no “Diálogo”.
(Sr. –: …)
Isso me alenta… [inaudível] ….serviço. Estou achando de uma caceteação horrível, mas uma coisa suma. Alenta-me, mas os senhores dirão o que pensam.
(Sr. –: …)
Mas os senhores estão muito habituados a me ver expor, vêem muito com olhos de amigo, etc., etc. Eu tenho… ou melhor, eu confesso que tenho medo e que estou preparando os senhores para o choque da coisa. Os senhores conhecem a sensação de comer rapadura e depois não se sabe mais se abre ou fecha a boca. Eu tenho medo que o “Diálogo” seja assim. O bom Eduardo está me alentando, mas vejamos no sentido oposto.
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