Santo do Dia (Rua Pará) – 29/6/1965 – 3ª feira [SD 021] – p. 10 de 10

Santo do Dia (Rua Pará) — 29/6/1965 — 3ª feira [SD 021]

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Narração do episódio em que São Pedro, preso, é libertado do cárcere por um anjo * Ao matar São Tiago e prender São Pedro, Herodes agiu por demagogia, por política * A História se repete: o adversário tem sempre medo de que tudo lhes escape das mãos * Um pequeno pormenor: a luz que resplandeceu no cárcere por ocasião do aparecimento do anjo; sempre que Deus se faz ver pelos homens, Ele escolhe a luz * O anjo tocou o lado de São Pedro: é mais uma prova de que não se tratava de uma visão, mas uma coisa real; é comparável ao dedo de São Tomé * Deus gosta dos que “correm”, dos diligentes; além de apressá-lo, o anjo disse a ele que se vestisse, e saiu composto * Uma sucessão de milagres, após ser libertado das cadeias: passagem pelos guardas, e a porta que se abre * Livre da prisão e sentindo-se expatriado, São Pedro dirige-se à casa da mãe de São Marcos, sendo o episódio narrado com pormenores prosaicos que ajudam a atestar a realidade histórica do fato * Apesar de reconhecer a voz de São Pedro, a criada não abriu logo a porta, e sua afirmação gerou dúvidas nas demais pessoas presentes na casa * As pessoas só acreditaram na presença de São Pedro diante do fato: vê-lo ao ser aberta a porta * As pessoas só acreditaram na presença de São Pedro diante do fato: vê-lo ao ser aberta a porta * Uma conjectura: os soldados teriam se salvado, morrendo pela libertação de São Pedro?

* Narração do episódio em que São Pedro, preso, é libertado do cárcere por um anjo

O Rei Herodes meteu mãos a maltratar alguns da Igreja e matou à espada Tiago irmão de João e vendo que agradava os judeus passou também a prender Pedro. Era então os dias de ázimos. Tendo-o feito prender, meteu no cárcere, entregando a quatro piquetes, cada um de quatro soldados, para guardarem com a intenção de o apresentarem ao povo depois da Páscoa. Estava Pedro, pois, guardado no cárcere, entretanto a Igreja sem cessar fazia orações a Deus por ele.

Mas quando Herodes estava para o apresentar na mesma noite, Pedro se achava dormindo entre dois soldados preso a duas cadeias e os guardas à porta vigiavam o cárcere, e eis que se apresentou um anjo do Senhor e uma luz resplandeceu no aposento e tocando o lado de Pedro, despertou-o dizendo: Levanta-te depressa. E caíram as cadeias de suas mãos e o anjo lhe disse: Toma tua cinta e calça tua sandália. E assim fez, e tornou: Põe sobre ti a tua capa e me segue. Saindo Pedro, o acompanhou e não compreendia que era realidade aquilo que se fazia pelo anjo, mas cria ter uma visão.

Ora, havendo passando a primeira e segunda guarda, chegaram à porta de ferro que conduz à cidade, a qual se lhes abriu por si mesma. E, saindo, passaram uma rua e logo o anjo se apartou dele. Então Pedro tornando a si, disse: Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou das mãos de Herodes e de tudo o que esperava o povo judeu. E considerando isto, veio à casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde estavam unidos orando. Batendo à porta de entrada, uma moça chamada Rode veio adiante escutar e tanto que reconheceu a voz de Pedro, de contente não abriu logo a porta, mas correndo para dentro deu notícia de estar Pedro à porta. Mas lhe disseram: Estás louca. Ela porém afirmava que era assim, e eles diziam: É o seu anjo. Entretanto Pedro continuava a bater, e tendo aberto o viram e ficaram pasmados. Mas fazendo-lhes sinal com a mão para que calassem, contou o modo com que o Senhor o havia tirado do cárcere e disse: Fazei saber isto a Tiago e irmãos. E saindo partiu para outro lugar.

Logo que foi dia era não pequena a perturbação entre os soldados pelo que teria sido feito de Pedro, e Herodes tendo mandado procurá-lo e não o tendo encontrado, feito o inquérito sobre os guardas, ordenou que fossem levados à morte. E passando da Judéia para Casaréia, aí se deixou ficar.

* Ao matar São Tiago e prender São Pedro, Herodes agiu por demagogia, por política

Aqui está o essencial do acontecimento.

Como os senhores vêem, o acontecimento está dividido em uma narração perfeita, dividida por partes muito bem estruturada.

Em primeiro lugar os antecedentes da prisão: é Herodes que desencadeou uma perseguição geral, nesta perseguição ele até matou São Tiago irmão de São João, e vendo que agradava aos judeus, passou também a prender Pedro. Os judeus, como os senhores sabem, não são mais o povo deicida, mas o ódio deles era tão grande, que foi para agradar os judeus que Herodes mandou prender São Pedro e quis mandar matar São Pedro.

Aliás, não é a única vez que se fala de medo, do desejo de agradar os judeus. Também quando Pilatos condenou a Nosso Senhor Jesus Cristo foi propter nostri judeorum, foi por causa do medo dos judeus.

Mas os judeus não eram o povo deicida, como os senhores estão bem sabendo.

Os senhores estão vendo aqui o jogo político, em que o próprio Herodes não era tão ruim. Quer dizer, era péssimo, mas não levava o ódio a seu ponto. Ele agiu por demagogia, agiu por política, porque ele não sendo judeu, ele queria o apoio do povo judeu e, para obter esse apoio, então ele resolveu sacrificar a São Pedro.

Bem, manda prender São Pedro. Esses são os antecedentes do fato.

Depois vem então o fato: é que São Pedro foi preso, então os Atos dos Apóstolos se comprazem em enunciar tudo aquilo que pousava a impossibilidade física e material de São Pedro de escapar da cadeia. Vejam os senhores como está tudo bem contado. Prendeu, mandou pôr no cárcere entregando a vigilância a quatro piquetes, cada um de quatro soldados, com a intenção de o guardarem. É evidente que esses piquetes se revezavam e que ele, portanto, que estava sem armas, era guardado dentro do cárcere, dia e noite, por soldados que se revezavam.

Estava Pedro, pois, guardado no cárcere,…

Quer dizer, estava dentro do cárcere e guardado dentro do cárcere especialmente por piquetes.

Por que especialmente por piquetes? Naturalmente eles sabiam que havia muitos cristãos já e que podiam os cristãos tentar libertar São Pedro. Mas eu tenho a impressão de que a razão principal não era essa. É que depois da ressurreição de Nosso Senhor eles ficaram vendo que tudo era possível e que ou eles agarravam — agarrados, não é? — ou então os piores podiam se repetir, de maneira que prendiam mesmo.

Ele estava bem preso, no cárcere, quatro piquetes, cada um de quatro soldados, revezamento dia e noite.

Mas os pormenores continuam:

* A História se repete: o adversário tem sempre medo de que tudo lhes escape das mãos

entretanto a Igreja sem cessar fazia orações a Deus por ele.

Quer dizer, então, que havia de um lado a Igreja rezando e de outro lado Herodes multiplicando as providências materiais. Uns com as providências espirituais, outros com as providências materiais.

O desfecho disto vem agora:

Mas quando Herodes estava para o apresentar…

Quer dizer, na iminência de ele ser apresentado, ser condenado, ser morto.

na mesma noite, Pedro se achava dormindo entre dois soldados…

Com possibilidades de escapar insignificantes: entre dois soldados ele estava dormindo. Quer dizer, um homem que dorme não providencia nada e o pior estar dormindo entre dois soldados.

Os senhores pensam que é muito. Ainda tem mais. Os Atos dos Apóstolos explicam:

preso a duas cadeias e os guardas à porta vigiavam o cárcere,…

Quer dizer que havia, portanto, dois soldados de um lado e de outro lado dele, à porta soldados vigiando o cárcere e ele preso com duas cadeias: malfeitor de alta periculosidade e com todas as possibilidades de fugir.

Os senhores vêem a insegurança de Herodes, a insegurança da sinagoga. Eles com tudo e sentindo que tudo lhes escapa das mãos.

A história da Igreja se repete sempre, e sempre que os verdadeiros filhos de Nossa Senhora são perseguidos, pode ser que contra eles haja tudo, mas o adversário tem sempre medo de que tudo lhes escape das mãos.

E é essa uma das razões do perpétuo medo que nós incutimos. Pisam-nos de todos os jeitos, mas eles têm a sensação de pisar no prego e o prego entra no pé é um problema.

* Um pequeno pormenor: a luz que resplandeceu no cárcere por ocasião do aparecimento do anjo; sempre que Deus se faz ver pelos homens, Ele escolhe a luz

Bem, a coisa continua, e eis que a luta da sinagoga e de Herodes contra a Igreja que rezava se desfecha no que vem agora:

e eis que se apresentou um anjo do Senhor e uma luz resplandeceu no aposento…

Eu não posso deixar de aqui invocar esta coisa ambientes-costumes.

Não era preciso ter resplandecido uma luz no aposento. Não era até mais prudente não resplandecer esta luz no aposento? Por que este Anjo fez resplandecer esta luz? Será que os outros guardas viam esta luz também, ou será que esta luz era só para São Pedro ver? E para que é que São Pedro tinha que saber, tinha que ver esta luz? Não bastava a ele pôr São Pedro fora?

Mas o Anjo veio e criou ambiente. E ainda que a luz fosse para ser vista só para São Pedro, ainda aquela ação sobrenatural do Anjo sobre São Pedro era acompanhada de algo de ambiental que era o veículo da graça, e naquela hora algo de ambiente iluminou a prisão.

Os senhores podem imaginar São Pedro num cárcere daquele tempo, aquelas pedras mal talhadas, aquela corrente úmida, aqueles dois guardas ali olhando ou ressoando, São Pedro com as correntes, de repente aquele cárcere horroroso tem uma luz que aparece. É uma luz porque sempre que Deus, que é Luz, se faz ver pelos homens, Ele escolhe a luz, não é verdade?

Os senhores estão vendo a importância da coisa ambientes-costumes. E a notícia desta luz registrada pelo Ato dos Apóstolos podia não registar. Registrada para ficar também por todos os séculos até o fim que neste momento brilhou uma grande luz. Quer dizer, o pequeno pormenor é cheio de sabor, não é?

E a coisa continua:

* O anjo tocou o lado de São Pedro: é mais uma prova de que não se tratava de uma visão, mas uma coisa real; é comparável ao dedo de São Tomé

uma luz resplandeceu no aposento e tocando o lado de Pedro, despertou-o dizendo:…

Por que ele tocou o lado de Pedro, não falou? É que o sentido do tato tem algo de mais palpável do que os outros, e tocar é bem mais uma prova de que não se tratava de uma visão, mas uma coisa real. É como o dedo de São Tomé que tocou em Nosso Senhor. E tudo está aqui posto para mostrar que não foi um sonho.

Então tocando, despertou-o dizendo:

* Deus gosta dos que “correm”, dos diligentes; além de apressá-lo, o anjo disse a ele que se vestisse, e saiu composto

Levanta-te depressa.

Eu acho esse “depressa” imensamente saboroso.

Por que depressa? O Anjo não podia ter tudo? Por que apressar São Pedro, não é verdade? Mas a questão é que aqui a gente vê bem que Deus dosa o milagre, e dando-o na medida do necessário, o dá na medida do indispensável. Porque o sobrenatural é ao mesmo tempo generoso e de algum modo avaro. Avaro — não sei bem como dizer — de si mesmo, quer dizer, ele não se esbanja. Ele se dá, mas ele não se esbanja.

Quer dizer, o milagre deveria durar apenas o tempo necessário. São Pedro que corra. Deus gosta dos que correm, gosta dos que são diligentes, e aqui: “He, he… não seja babão, vamos, vamos!”.

É uma lição para nós. Solércia, esperteza, mexer-se, toca para frente, nada de encostado nem de bobo.

Entretanto São Pedro estava muito aturdido. Quer dizer, cair as cadeias das mãos dele? É mais outra prova tremenda da realidade do fato. Por que fazer cair as cadeias?

Bom, e o Anjo lhe disse:

Toma tua cinta e calça tua sandália. E assim fez, e tornou: Põe sobre ti a tua capa e me segue.

Ele não teria dado esses conselhos meticulosos se fossem supérfluos. A gente está vendo que São Pedro estava um pouco aturdido, que foi preciso dizer a ele “faça isto, faça aquilo”. São Pedro saiu inteiramente vestido e composto. Não faltou nada. A indumentária completa.

Outro aspecto bonito de ambiente: “Depressa, mas não esqueça nada. Vista-se bem e apresente-se como se deve apresentar”.

Vejam como isto é bonito. Como isto tem finura, como bem consultado o texto, ele destila conseqüências interessantes e formativas.

* Uma sucessão de milagres, após ser libertado das cadeias: passagem pelos guardas, e a porta que se abre

Saindo Pedro, o acompanhou e não compreendia que era realidade aquilo que se fazia pelo anjo, mas cria ter uma visão.

Ele pensava estar sonhando, apesar de ser tocado, estar com a sandália, estar com tudo. O que a gente vê um certo aturdimento inerente também ao impacto da ação da graça. A ação da graça foi tão forte, que ele julgava estar tendo uma visão, estar tendo um sonho, estar tendo uma coisa assim, apesar de tudo que se passava. Quer dizer, estava meio fora do real. Seria talvez um estado místico, não sei.

Ora, havendo passado a primeira e segunda guarda,…

Quantos guardas haviam, hein? Quer dizer, cada passagem de guarda um milagre, não é? Primeiro milagre, caíram as correntes; segundo milagre, dois outros milagres, passou a primeira e segunda guarda,…

chegaram à porta de ferro que conduz à cidade,…

Quer dizer, ele saiu do cárcere e foi à porta da cidade.

Os senhores se lembram que as cidades têm muralhas e portas. É uma porta de um material pouco convidativo para se passar, uma porta de ferro.

a qual se lhes abriu por si mesma. E, saindo, passaram uma rua e logo o anjo se apartou dele.

Naturalmente a cidade continuava além dos muros, ainda continuava, tem rua, foi crescido, depois de feita a fortificação, e tinha muro.

Então Pedro tornando a si, disse:…

Eu estou vendo que ele de fato estava meio fora de si. Quer dizer, quando o Anjo se afastou dele é que ele tornou a si. O impacto da presença angélica devia ter uma relação com aquele estado de aturdimento que ele ficou.

Agora sei verdadeiramente que o Senhor enviou o seu anjo e me livrou das mãos de Herodes e de tudo o que esperava o povo judeu.

A oração da Igreja tinha triunfado, mas veja bem: “me livrou das mãos de Herodes e tudo o que esperava o povo dos judeus”.

* Livre da prisão e sentindo-se expatriado, São Pedro dirige-se à casa da mãe de São Marcos, sendo o episódio narrado com pormenores prosaicos que ajudam a atestar a realidade histórica do fato

Os senhores vêem como ele, judeu, fala do povo dos judeus. Como de uma coisa da qual ele está fora e já não faz parte do povo dos judeus. O povo dos judeus é a grei apóstata, é a Sinagoga, é o povo deicida, é o povo que persegue a ele, é algo de heterogêneo à Igreja, que procura prender e da qual ele está livre. Vejam os senhores como ele se sente expatriado desse povo tão acariciado recentemente.

E considerando isto, veio à casa de Maria, mãe de João, que tem por sobrenome Marcos, onde estavam unidos orando.

Naturalmente era o ponto mais próximo, mais idôneo para ele se dirigir.

Agora vem o episódio saboroso, quase no seu prosaísmo.

Batendo à porta de entrada, uma moça chamada Rode veio adiante escutar…

Naquele tempo não se abria a porta à noite para qualquer um, não é? Falava, conforme fosse abria o postigo, porque as ruas não eram iluminadas e os bandidos eram mais agressivos, não digo mais perigosos que hoje. De maneira que a gente precisa tomar um certo cuidado na hora da abertura da porta.

Então, a Rode, que era uma criada, veio ver o que é que era. Agora reação: primeiro o cuidado de mencionar a moça chamada Rode, para o fato histórico ficar provado em todos os pormenores, e para ficar vendo que também os outros viram a objetividade da coisa, que não estavam alucinados, que não estavam fantasiando. Quer dizer, os pormenores do… bem, o fato, o pormenor prosaico dá, vamos dizer, a realidade histórica do fato.

* Apesar de reconhecer a voz de São Pedro, a criada não abriu logo a porta, e sua afirmação gerou dúvidas nas demais pessoas presentes na casa

Agora vem a coisa então:

veio adiante escutar e tanto que reconheceu a voz de Pedro, de contente não abriu logo a porta,…

Está?

É do outro mundo, é uma forma de zelo curioso, porque ela supôs São Pedro perseguido. Ela viu que era ele e ela não fez isso, ela não abriu a porta.

Como? “Zuppou”… “Zuppou”… Foi o primeiro “zuppi” da vida da Igreja…

Agora, foi bom, porque ainda provava que os outros não se deixaram sugestionar por uma visão dela. Ela não viu, ela só ouviu. Não era uma coisa, portanto, cujo impacto era menor e ela não podia adivinhar que São Pedro tinha sido solto. A coincidência era grande demais.

A historicidade do acontecimento está cada vez mais afirmada.

Bem, o que é que ela fez? Ela “zuppou” e foi dar jornal-falado, porque…

mas correndo para dentro deu notícia de estar Pedro à porta. Mas lhe disseram: Estás louca.

Vejam que, portanto, ela estava com a cabeça bem calma, bem serena:

Ela porém afirmava que era assim, e eles diziam: É o seu anjo.

Um veio abrir, tanto é que diz:

Entretanto Pedro continuava a bater,…

* As pessoas só acreditaram na presença de São Pedro diante do fato: vê-lo ao ser aberta a porta

Vocês vejam o pitoresco enorme da cena. Mas como era difícil abrir aquela porta. A paura que reinava lá dentro estava bem documentada também!

e tendo aberto o viram e ficaram pasmados.

Quer dizer, é gente desconfiada, só diante do fato acreditou.

Mas fazendo-lhes sinal com a mão para que calassem, contou o modo com que o Senhor o havia tirado do cárcere e disse:…

Isso é também muito curioso. Quando o viram… exclamação: “Oh!”, etc., que só se apaziguavam quando ele fez um sinal com a mão, não é? E aí ele deu o jornal-falado dele.

Os senhores estão vendo aqui o calor da vida quotidiana, entusiasmo da solidariedade. Enfim, são certas coisas que se um membro do Grupo fosse preso e de repente aparecesse no meio dos outros, etc… “eu saí”… a reação também era um vozerio, e era preciso o interessado fazer a coisa para então bater aqui para conseguir silêncio para poder contar o que aconteceu.

Quer dizer, os senhores estão vendo a continuidade do mesmo fluxo vital por causa do mesmo estado temperamental desde aqueles primórdios até a feliz e marialíssima autenticidade de nossos dias. Não é como nós vemos, é mesma coisa, quer dizer, é quase um grupo, não é verdade?

Fazei saber isto a Tiago e irmãos.

Outro jornal-falado. Quer dizer, manda publicar pela Circular o que aconteceu.

E saindo partiu para outro lugar.

Bom, aqui está encerrado. O que diz respeito a São Pedro, evidentemente ele saiu, não é?

* As pessoas só acreditaram na presença de São Pedro diante do fato: vê-lo ao ser aberta a porta

Logo que foi dia era não pequena a perturbação entre os soldados pelo que teria sido feito de Pedro,…

Quer dizer, os próprios soldados que estavam ao lado dele não perceberam nada. Eles teriam [dito]: “Veio aqui um ser que apareceu”. Não, os próprios soldados não viram nada.

Agora, imagine os soldados que de manhã acordam e então as correntes nós podemos imaginá-las ou partidas ou… mas aqui diz que estão partidas, não é? Então as correntes partidas, não é verdade? E os soldados: “O que aconteceu?”. Vocês podem imaginar soldados daqueles bem boçais — eu ia dizer analfabetos, mas semi-alfabetizados é mais sinônimo de boçal do que analfabeto —, soldados vamos dizer mesmo da ralé daquele tempo, que olha assim: “Vou contar para o meu chefe o que é que aconteceu”.

Agora começa a encrenca, não é? IPM.

e Herodes tendo mandado procurá-lo e não o tendo encontrado, feito o inquérito sobre os guardas, ordenou que fossem levados à morte.

Quer dizer, a conseqüência por cima dos guardas é curiosa. Os guardas acabam morrendo, não é? A gente tem a impressão de que não é por aí a coisa, mas é a conseqüência. E daqui a pouco eu vou tratar disso, porque isso tem o seu sabor.

E passando da Judéia para Casaréia, aí se deixou ficar.

Bem, o resto está acabado.

Uma palavra sobre os soldados: o que é que a gente pode considerar desses soldados?

A reação brasileira brasileiríssima, melada, seria: “Coitado dos soldados; eu fiquei com pena deles. Por que é que eles haveriam de morrer? Já que havia sido feita uma graça para São Pedro, desse a graça para os soldados também”.

Soldados perdidos. Os senhores sabem bem porque é que estão rindo, não é? Os soldados teriam de pagar por São Pedro, mas é melhor uma liberalização, já de uma vez uma festança.

Em primeiro lugar, os soldados eram filhos das trevas, eles eram pagãos, eles estavam prendendo São Pedro. Com certeza tinham recebido graças para se deixarem mover ali e não tinham ligado. Em geral esses soldados eram gente péssima e péssima mesmo. E era portanto natural que morresse, coisas que não tinham a menor importância.

* Uma conjectura: os soldados teriam se salvado, morrendo pela libertação de São Pedro?

Não se sabe, entretanto, se isso não foi talvez para um ou outro uma ocasião de graças e se eles não tiveram com isso a vida eterna, porque se um dos dois ladrões ficou santo, porque afinal assistiu à Paixão de Nosso Senhor, esses dois guardas que morrem não apenas numa coincidência cronológica com a libertação de São Pedro, mas pela libertação de São Pedro, quem sabe se algum não recebeu uma graça, se santificou e morreu no estado de graça? É uma conjectura a mais.

Isto fica de lado. O Ato dos Apóstolos não conjecturam disso, porque está à margem da narração. A revelação não é tagarela e ela não conta senão aquilo que é indispensável. Isto não seria necessário contar.

Bem, de tudo isto o que é que resulta?

Eu acho que o Santo do Dia seria mal feito se ele não contivesse muitas repetições. E em primeiro lugar porque para todos os homens repetir é indispensável; em segundo lugar, que é particularmente indispensável para o brasileiro. Primeiro, porque o brasileiro não gosta de repetição, e é preciso que se repitam as coisas. Segundo lugar, é porque o brasileiro tem uma coisa que só se impressiona às vezes pela repetição. Se há um país onde o provérbio “Água mole em pedra dura tanto bate até que fura” é verdadeiro aqui para nós. Eu vou, portanto, repetir.

Eu acho que a lição mais importante de tudo isto é:

A Igreja não tendo recurso nenhum para salvar São Pedro, mas rezando; e pelas orações da Igreja os grilhões que caem, os guardas que dormem, as portas que se abrem e São Pedro que se salva.

Isto faz lembrar uma coisa afirmada por Leão XIII e que é muito verdadeira: que se os homens entendessem bem o poder da oração, para o próprio apostolado, eles tirariam tempo do próprio apostolado considerável parte para rezar, certos de que seriam mais eficientes rezando do que agindo, porque a verdadeira alavanca por onde se governa o mundo é principalmente a oração.

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