Santo do Dia (––- Segunda datilografia, sem conferição final ––-) – 24/06/65 – 5ª feira – p. 7 de 7

Santo do Dia — 24/06/65 — 5ª feira

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O Senhor Doutor Plinio se rejubila com seus filhos e manifesta sua gratidão à Nossa Senhora pelos 100.000 exs., do “Buko”, o milagre que foi a Carta Staffa e os planos de expansão * Nosso Pai e Fundador tece algumas considerações teológicas a propósito de invocações da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus * Comentários sobre o Beau Dieu d’Amiens e de outras invocações da Ladainha do Sagrado Coração * O homem vale na medida da capacidade de sofrer — O holocausto do trato interno e o tomar a iniciativa da luta, características fundamentais do sofrimento do contra-revolucionário * Comentando a Ladainha, o Senhor Doutor Plinio explica porque uma alma carregada de pecados deve rezar com uma imensidade de confiança, e sugere um método para fazer ação de graças * Abatendo as montanhas do orgulho e preenchendo os vales da impureza, São João Batista é modelo dos que dizem NÃO à Revolução

* O Senhor Doutor Plinio se rejubila com seus filhos e manifesta sua gratidão à Nossa Senhora pelos 100.000 exs., do “Buko”, o milagre que foi a Carta Staffa e os planos de expansão

Hoje é a vigília de uma grande festa, que é a festa do Sagrado Coração de Jesus. Hoje também é festa de São João Batista. Ao lado de uma festa de tanta importância, gostaria de assinalar um fato de grande importância para nossa vida, que é o seguinte: tenho aqui sobre a mesa uma edição da “Liberdade da Igreja no Estado Comunista”, do artigo Bucko, que representa o seguinte: são cento e oito mil exemplares com este.

Quer dizer, podemos dizer que este é o exemplar número cem mil do Bucko. Agora, quando os senhores consideram o que representa a difusão do Bucko pelo mundo inteiro e quando consideram o que representa a difusão do Bucko pelo mundo inteiro e quando consideram que essa difusão foi particularmente abençoada com um fato verdadeiramente milagroso, como foi a Carta Staffa, compreendemos bem tudo quanto entrou de graças e bênçãos de Nossa Senhora, com isso.

E podemos conjecturar todo o bem que Nossa Senhora ainda espera disso. Quer dizer, no centésimo milésimo exemplar do artigo Bucko, não devemos imaginar que isso é uma coisa encerrada, mas devemos, pelo contrário, considerar que isto é uma campanha em pleno vigor, em pleno desenvolvimento, campanha esta que realiza um verdadeiro recorde de publicidade.

Porque nós, com nossos meios, e sem pesar para a caixa, conseguirmos tirar, a força de rifas, de tômbolas, daquilo que se chamou em determinado momento a boutique do Dr. José Fernando, de donativos que vários dos senhores fizeram de objetos e uma porção de coisas, enfim, como isto tocou para a frente, afinal de contas é uma verdadeira epopéia.

Porque cem mil exemplares vendidos representa uma verdadeira epopéia. Ainda mais considerando o fato de não haver sacrifício para a caixa, e ainda mais considerando, afinal de contas, os meios minúsculos com que tudo foi tocado. É claro que entrou muita dedicação do Dr. José Fernando, muito jeito, muita lábia, muito talento do comprar e do vender em grosso e também no varejo, mas nada disso teria tomado a proporção que tomou se não fosse uma bênção especialíssima de Nossa Senhora.

Eu acho que é para nós uma razão de alegria, verificarmos que Nossa Senhora dotou o grupo dessa capacidade de realizar um lançamento dessas proporções. Porque, afinal de contas, é uma coisa imensa. E como os senhores, como vendedores, tem uma grande parte dentro disso, eu não quis que isso ficasse sem comentário, apenas aqui nas quatro paredes da reunião da Pará e Martim, mas que é uma ocasião de festa para nós e uma data simbólica que mereceria ser colocada em nosso calendário, exatamente a ocasião em que o Bucko tira o seu centésimo milésimo exemplar e passa agora para os oito mil exemplares da segunda parte da epopéia.

A isto, deveria acrescentar outra coisa: é que os senhores sabem que eu estou fazendo um trabalho sobre o Diálogo. E esse trabalho é um trabalho que vai ser custeado pelo Bucko. Os senhores compreendem por aí, como uma maravilha nasce da outra. Não digo que o trabalho é uma maravilha, mas a organização, o empreendimento, o esforço, a propaganda, o tiro no adversário.

Os senhores estão vendo como uma coisa nasce da outra e como o Bucko frutifica, para dar toda uma edição do Diálogo do qual podemos esperar também, na ordem das realizações editoriais, um excelente resultado. Tenho a impressão de que é o momento de dizer ao nosso caro Dr. José Fernando que no meio, às vezes, de um pouco de brincadeira, e muitas vezes de bom humor e um pouquinho de mau humor no meio de tudo isto, é realmente um feito, e um dos melhores feitos que o grupo tenha realizado com boutique e bouquite [?], tocar para a frente com esta edição que aqui está.

* Nosso Pai e Fundador tece algumas considerações teológicas a propósito de invocações da Ladainha do Sagrado Coração de Jesus

Passo agora a fazer um comentário a respeito da festa do Sagrado Coração de Jesus.

Eu recomendaria muito aos senhores que lessem a ladainha do Coração de Jesus. É uma verdadeira maravilha essa ladainha e essas invocações, algumas nos dizem respeito mais de perto e eu quero comentá-las. Em primeiro lugar, essa belíssima invocação: Coração de Jesus, formado pelo Espírito Santo no seio da Virgem Mãe.

Se considerarmos o Coração de Jesus, que é, em sua realidade material e carnal, o objeto de nosso culto como símbolo da vontade de Nosso Senhor e, portanto, do amor de Nosso Senhor. Se considerarmos que o Coração de Jesus foi formado no seio Imaculado de Nossa Senhora e com a matéria que a Mãe dá para a formação do corpo do filho, e, portanto, a carne santíssima, e ligado à divindade em união hipostática, de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a própria carne de Maria; o sangue de Jesus é o próprio sangue de Maria; o Coração de Jesus é de algum modo o Coração de Maria.

E nessa evocação desse processo de geração tão admirável, pelo qual a mãe como que se desdobra e dá de si mesmo tudo para constituir o corpo do filho; se nós nos lembramos que Jesus foi todo ele assim formado do corpo de Maria e isto num oceano, num incêndio de amor e de adoração para esse filho que ela estava formando em suas entranhas, compreendemos ainda mais como o Coração de Jesus está ligado ao Coração Imaculado de Maria e como podemos ter uma confiança sem reserva na eficácia da intercessão de Nossa Senhora, junto a Nosso Senhor, tomando em consideração que Nosso Senhor não poderia recusar nada àquela Mãe Santíssima, perfeitíssima, da qual Ele não só não tem nenhuma queixa, mas da qual ele tem o mais superlativo e total contentamento que um Criador pode ter em relação à sua criatura, e mais ainda, do qual ele sabe que sua própria carne é a carne de Nossa Senhora e que seu próprio Coração é o coração de Nossa Senhora, por assim dizer.

Acho que esta invocação para nós, que somos devotos de Nossa Senhora, tem um grande significado que não poderia desaparecer numa noite dessas.

Outra lindíssima invocação é: Coração de Jesus, de majestade infinita. Na pastoral que escreveu recentemente D. Mayer, ele cita um pensamento de Santo Agostinho, que é tão vizinho com várias reflexões nossas, que vale a pena registrá-lo.

Quando D. Mayer menciona, Santo Agostinho diz o seguinte: Onde está a majestade, ali está a humildade, que as duas coisas são inseparáveis.

Daí concluímos que o Coração de Jesus, que é um abismo de humildade, é por isso mesmo um firmamento de majestade. Eu gostaria de ser artista, gostaria de saber representar a figura de Nosso Senhor para tentar exprimir exatamente não só a majestade, nem só a humildade, mas Nosso Senhor numa dessas apresentações em que a gente vê, num só relance, aquilo que a majestade tem de comum com a humildade, ou aquilo que a humildade tem de comum com a majestade, e que é aquela esfera superior de virtude onde essas duas virtudes particulares como que se encontram e se fundem.

* Comentários sobre o Beau Dieu d’Amiens e de outras invocações da Ladainha do Sagrado Coração

E eu me lembro aqui da figura do nosso Beau Dieu d’Amiens, que é tão expressivo nesse sentido. Há uma figura que não tem o Coração de Jesus, mas é Nosso Senhor Jesus Cristo no portal da catedral de Amiens, e que sempre me deu muito essa impressão: é um rei digníssimo, um doutor nobilíssimo, mas ao mesmo tempo tão sereno, tão manso, tão senhor de si completamente que se percebe que Ele seria capaz de receber a pior injúria e de se conservar inteiramente quieto, inteiramente sereno, não ter nenhuma reação de amor próprio, desde que fosse isto a virtude do momento. Essa imagem do Beau Dieu d’Amiens, tenho a impressão que é uma das que melhor demonstram essa ligação da suma majestade com a suma humildade.

Nós que nos prezamos de ser filhos da Contra-Revolução, tomando em consideração que a Revolução caricaturiza a humildade e cala a majestade, deveríamos pedir ao Coração de Jesus que desse ao coração de cada um de nós aquela forma elevada e nobilíssima de majestade, que deve ter todo contra-revolucionário, que traz em si o senso da realeza, traz em si o senso da ordem perfeita, o senso da honra, o senso da hierarquia, e do que é majestoso, mesmo quando se é o mais humilde dos homens.

Eu não poderia deixar de lembrar aqui aquela figura extraordinária de Santa Maria Taigi, do século passado, que era uma simples cozinheira em Roma que não queria passar por rainha, mas que tinha de tal maneira a figura da virtude, da majestade quero dizer, que era impossível passar perto dela sem que alguém não se sentisse intimidado.

Ou então de Santa Teresinha do Menino Jesus, que era tão majestosa na sua despretensão e na sua afabilidade, que até o pai dela a chamava sempre a minha pequena rainha.

Outra invocação: Coração de jesus, fornalha ardente de caridade. Os senhores sabem que o Coração de Jesus é uma fornalha ardente de amor de Deus, porque caridade é propriamente o amor de Deus. E o fato d’Ele ser a fornalha ardente, quer dizer, não só uma fornalha, que de si já traz a idéia do ardor, mas é uma fornalha ardentíssima, o fato d’Ele ser essa fornalha ardente exprime bem a idéia de que Ele é o foco de todo o amor de Deus, e que a devoção ao Coração de Jesus por intermédio do Coração Imaculado de Maria é uma devoção especificamente esplêndida para quem se lamenta de ser tíbio, para quem se lamenta de estar se arrastando lentamente na vida espiritual, para quem está pendurado naqueles patamares lamentáveis de que tive ocasião de falar numa noite dessas, exatamente esta devoção é a devoção que comunica este fogo da fornalha da caridade.

De maneira tal que se queremos para nós, ou queremos para outros verdadeiro amor de Deus, esta é uma das devoções mais indicadas e mais excelentes.

Também me parece muito importante para nossa época, a invocação: Coração de Jesus, paciente e misericordioso.

O que quer dizer, propriamente, paciente? Panine [?] é aquele que sofre, e é o Coração de Jesus sofredor e misericordioso. Porque sofredor, capaz de sofrer também as injúrias que nós lhe fazemos.

Então, vem aí esse segundo sentido da palavra paciente. Mas aqui a palavra Coração de Jesus, enquanto disposto a sofrer, enquanto amando o sofrimento, enquanto compreendendo que o sofrimento é a grande lei da vida e que uma vida sem sofrimento não vale absolutamente nada.

* O homem vale na medida da capacidade de sofrer — O holocausto do trato interno e o tomar a iniciativa da luta, características fundamentais do sofrimento do contra-revolucionário

Porque, em última análise, vistas as coisas sob um certo ângulo, a vida do homem vale na medida em que esse homem sofre e ama o sofrimento que ele padece.

E então aqui temos o Coração de Jesus paciente. E uma das formas mais importantes de paciência nesse sentido superior da palavra é nós sermos muito pacientes com que diz respeito aos outros. Saber aturar os desaforos, saber aturar as picuinhas, ser amável, bondoso para com os membros do Grupo que nos fazem sofrer pelo meu mau gênio, pelas dificuldades de trato etc.

Porque se é verdade que com os de fora nós devemos ser intransigentes, com quem é que devemos praticar a virtude do perdão? Com alguém há de ser. Com alguém haverá no mundo em relação ao qual, dando-nos uma bofetada, nós viremos o outro lado do rosto.

E se não é fora do Grupo, pois são todos uns fassures eu estou de acordo, então há de ser por força dentro do Grupo. É preciso então pedirmos ao Sagrado Coração de Jesus esta paciência. Mas esta paciência, por mais que ela seja uma forma preciosa de paciência, não é a mais importante.

Uma das expressões mais típicas da capacidade de sofrer é o espírito de iniciativa, por onde o homem vence a preguiça, vence a moleza, vence o tédio, vence o amor a si mesmo e se joga ao trabalho, e se joga à luta e se joga até ao mais grosso e ardoroso da luta, se for necessário, quites a deixá-la imediatamente se o interesse da Igreja conduzi-lo no sentido oposto.

Aqui está a forma superior de paciência, que é esse espírito de iniciativa e de combatividade, por onde o homem renuncia a todas as suas preguiças, a todos os seus relaxamentos e é isto que nós devemos pedir ao Coração de Jesus, paciente e misericordioso.

Misericordioso quer dizer, aquele que tem pena: é um corolário do segundo sentido da palavra paciência. E aqui vem esta outra coisa: a enorme dificuldade de convencer as almas da minha tão cara geração nova, da misericórdia de Deus, que perdoa uma vez, perdoa duas vezes, perdoa duas mil vezes e só não quer que a gente desanime no perdão.

Então, para termos confiança no perdão de Nosso Senhor, pela intercessão do Coração Imaculado de Maria, aqui está uma invocação magnífica: Coração de Jesus, paciente e misericordioso. Paciente com os meus defeitos, com os meus pecados, misericordioso com relação a minhas lacunas, pelo Coração Imaculado de Maria, tendo pena de nós. É uma excelente invocação até para recitar durante o dia, para não se perder a confiança em Nosso Senhor Jesus Cristo.

* Comentando a Ladainha, o Senhor Doutor Plinio explica porque uma alma carregada de pecados deve rezar com uma imensidade de confiança, e sugere um método para fazer ação de graças

Duas outras invocações: Coração de Jesus, propiciação pelos nossos pecados. Às vezes acontece que nós nos sentimos — e as almas mais puras e mais altas podem sentir e até quanto mais uma alma é pura e alta, mais sente isto, então quanto mais ela é pecadora — nós nos sentimos fundamentalmente indignos. E compreendemos que diante da justiça infinita de Deus, nós não somos absolutamente nada.

Mas então temos essa invocação, que é uma tranqüilidade para nós. O Sagrado coração de Jesus é uma propiciação pelos nossos pecados. O que que quer dizer propiciação? Eu não valho nada. Os sacrifícios que faço — porque vêem de mim que não valho nada — também de si não valem nada.

Mas há uma vítima que vale tudo, porque é uma vítima sem mancha, é uma vítima sem jaça, é uma vítima ligada por união hipostática à própria divindade, e essa vítima é Nosso Senhor Jesus Cristo, e essa vítima se ofereceu por mim, de tal maneira que tudo aquilo que eu tenho receio de não conseguir, esta vítima consegue.

E então meus pecados essa vítima carregou, meus pecados essa vítima sofreu por eles, e por causa disso eu considero os meus pecados com uma vergonha, com uma contrição, pelo menos com uma atrição, mas em todo caso com uma imensa confiança, porque alguém morreu por mim, alguém derramou por mim todas as gotas do seu Sangue.

E eu tenho confiança, não em mim, mas neste sangue infinitamente precioso, que por mim foi derramado. É então o Sagrado Coração de Jesus.

Uma última invocação: Coração de Jesus, fonte de toda consolação.

A palavra consolação tem também dois sentidos: num sentido ela quer dizer fortalecimento; em outro sentido, ela quer dizer alegria, ela quer dizer suavidade, e quer dizer unção do Divino Espírito Santo na alma. E nos dois sentidos o Sagrado Coração de Jesus é fonte de toda consolação. A força nossa vem d’Ele. E quando nós nos sentimos fracos, tíbios, desorientados, etc., sobretudo quando estamos diante de algum grande ato de generosidade sem coragem para este ato, nós não devemos fazer olimpismo; não devemos nos meter a fazer este ato imaginando que é só por nós que o conseguiremos fazer. Não, o Coração de Jesus é a fonte de toda a força; por meio do Coração Imaculado de Maria sem o qual eu não me aproximo de Jesus que é o canal único e necessário para eu chegar ao Coração de Jesus, por meio do Coração Imaculado de Maria, eu me dirijo ao Coração de Jesus, e peço, peço a Ele forças.

E não serei frustrado no meu pedido. E em determinado momento, eu terei a força de que preciso, para fazer inclusive as coisas mais árduas e difíceis com relação à vida espiritual.

Aí estão algumas considerações que nós podemos aproveitar para a comunhão de amanhã. Como é excelente, por exemplo, para a comunhão, levar a ladainha do Coração de Jesus, e cada dia escolher, talvez até a esmo, uma daquelas invocações, para comungar tomando em consideração que eu estou recebendo na minha alma por presença real, a presença física, verdadeira e viva daquele Coração do qual eu estou dizendo, por exemplo, que é fonte de toda fortaleza.

E então fazer a minha comunhão assim: Senhor, vós sois fonte de toda fortaleza, e eu quereria ter mil vezes mais força do que eu tenho, para vos servir melhor e para acabar com os vossos adversários. Eu sei que esta fonte de fortaleza está presente dentro de mim; sei que esta fonte de fortaleza sois Vós. Dai-me forças contra vossos inimigos externos, e contra as tendências más que há em mim e que são vossas inimigas internas.

Tende compaixão de mim, eu vos peço pelo Coração Imaculado de Maria. E assim tomar, de cada vez, uma dessas invocações. Por exemplo — eu teria horror de tornar uma coisa dessas obrigatórias ou dizer que tem mau espírito quem não faz.

Tudo isto não é verdade. Isto deve ser feito por movimentos livres da alma. Mas aqui está uma sugestão — que não vale mais do que uma sugestão — de nós que somos tão sem conversa com Nosso Senhor na comunhão, tão sem assunto com Nosso Senhor na comunhão, tomarmos uma coisa dessas e rezar.

Como seria uma coisa prática, como seria bom. Como seria interessante, por exemplo, se aqueles dos senhores que gostassem disso, combinassem entre si e mandassem mimeografar, de um modo prático, num papel pequeno, como está, por exemplo, esplendidamente este Memorare, algumas ou todas as invocações da Ladainha; levar no bolso e na hora da comunhão, recorrer a uma ladainha dessas. E então uma comunhão árdua, meio sem assunto, passa a ser uma comunhão viva e fonte de verdadeiras graças para nós.

* Abatendo as montanhas do orgulho e preenchendo os vales da impureza, São João Batista é modelo dos que dizem NÃO à Revolução

São João Batista é o homem que disse a Herodes, aquilo que hoje ninguém tem coragem de dizer à Revolução. Ele disse essas palavras: A ti não é lícito. Quer dizer, não pode.

Diante de Herodes ele disse: A ti não é lícito ter por mulher a esposa do teu irmão. Herodes vivia em adultério e isso foi dito a Herodes. E por causa disso ele pagou com a cabeça. Mas aquele que era o modelo da penitência; aquele que foi chamado para preparar as almas para receber a Nosso Senhor; exatamente, diz o Fillion, abatendo as colinas, quer dizer, quebrando o orgulho — comentário do Fillion —, ou preenchendo os vales, quer dizer, eliminando a impureza — comentário do Fillion.

Os senhores vêem, portanto, que a função dele era eliminar os dois defeitos que são as causas da Revolução.

Aquele que de tal maneira calcou aos pés o orgulho e a impureza, foi também uma magnífica manifestação do destemor. E acabou morto por causa disso.

Os senhores dirão: ele acabou morto. De que adiantou?

Adiantou aquilo que dizia Santo Agostinho. Santo Agostinho tem um trecho magnífico em que ele imagina a cabeça de São João Batista trazida a Herodes para ver e Herodes olhando para aqueles olhos. E os olhos de São João Batista cerrados e Santo Agostinho dizendo: nunca um olhar humano penetrou tão fundo como o olhar desses olhos cerrados e mortos, dentro do olhar de Herodes.

O homem que abate a impureza, o homem que luta contra o orgulho, o homem que diz as verdades à impiedade e corta o caminho da impiedade, era digno de ser o precursor de Nosso Senhor Jesus Cristo.

E segundo tudo indica, não há de nenhum modo certeza a este respeito, ele pertencia àqueles contemplativos do Monte Carmelo, que são os nossos antepassados, exatamente como carmelitas.

Razões outras tantas para nós rezarmos a São João Batista esta noite, pedindo que nos dê isto: o ódio aos dois vícios que são os defeitos da Revolução e esta coragem de dizer a verdade integral na cara de quem quer que seja.

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