Santo
do Dia – 31/5/1965 – p.
Santo do Dia — 31/5/1965 — 2ª-feira
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Nossa Senhora Rainha, fundamentação desse título; a maneira dEla mandar; Rainha vitoriosa, promessa em Fátima; Rainha perseguida, reações diante desse quadro de dor; prova a autenticidade de nossa consagração nossa luta por Ela.
* Realeza de Nossa Senhora. No Céu * Se Nossa Senhora faz a vontade de Deus, qual a diferença dEla mandar? * Medianeira de todas as graças * Em Fátima Ela prometeu: vencer e reinar * Consagração a Ela enquanto Rainha * Rainha perseguida. Fidelidade do Escravo dEla * Reação do “heresia branca” * Autenticidade da consagração: lutar por Ela
Nossa Senhora Rainha
Em última análise, há uma estrita relação entre as considerações todas de São Luiz Grignion de Montfort e a idéia da realeza de Nossa Senhora. Vejamos o que a idéia da realeza de Nossa Senhora significa, e depois relacionar com Grignion Montfort.
* Realeza de Nossa Senhora. No Céu
Há uma primeira realeza de Nossa Senhora, que é a realeza no Céu. Essa realeza consiste em que Nossa Senhora foi exaltada para cima de todos os santos e anjos que estão no Céu, e que ela exerce sobre todos eles um verdadeiro império. Não devemos entender isso da maneira que Nossa Senhora é no Céu mais ou menos como uma dessas rainhas na terra, que seria como a “Rainha Mãe”, não manda, não tem nenhuma autoridade, mas como mãe do rei, goza de uma situação eminente na corte e é objeto de atenções gerais.
A realeza de Nossa Senhora é diferente: Ela foi instituída rainha de toda a Criação, e Deus deu-lhe, de fato, o governo do universo, e nesse governo do universo está também o governo dos espíritos celestes, e até dos espíritos celestes que, por natureza, são superiores a Nossa Senhora. Nossa Senhora sendo por natureza uma criatura humana, é menos do que os anjos. Mas é invocada pela Igreja na Ladainha, como Regina Angelorum. E os anjos obedecem-na e fazem a sua vontade. Todo o universo foi dado a Nossa Senhora para governar. Alguém poderá dizer: mas que diferença há entre Deus governar e Nossa Senhora governar? Isto quando Nossa Senhora faz toda a vontade de Deus? Há uma pequena diferença. Lembro-me que no encerramento de uma Semana de Estudos eu dei essa diferença e Dom Sigaud disse-me depois que era perfeitamente teológica.
* Se Nossa Senhora faz a vontade de Deus, qual a diferença dEla mandar?
Imaginem um diretor de colégio que briga com os alunos. Os alunos são indisciplinados, ele os vence, mas depois, para amainar um pouco as coisas, ele se retira durante algum tempo e deixa sua mãe dirigindo o colégio, para a mãe, com a suavidade feminina ajeitar a situação, consertar, cicatrizar muitas feridas etc. A mãe faz no governo aquilo que ele não faria, tanto é que ele a colocou e não ficou ele mesmo; embora ela fazendo o que ele não faria, ela faça o que ele está querendo dela. Assim Nossa Senhora com os homens. O gênero humano foi dado a Nossa Senhora para governar, para que ela possa pôr nisso uma suavidade que Deus, como Juiz, acabaria não podendo pôr tão inteira. Então, para levar sua suavidade ao último ponto, entregou o reino do gênero humano a Nossa Senhora. Mas como esse gênero humano está integrado em todo o universo, Ele entregou-lhe todo o universo e até o universo dos Anjos. E Nossa Senhora é, verdadeiramente, a Rainha dos Anjos e Santos. E assim também é a Rainha da Igreja Católica. É a Rainha de todo o gênero humano, por uma série conexa de coisas. E é a Rainha de todas as criaturas colocadas abaixo de todo o gênero humano. De maneira que não há na Criação absolutamente nada que não esteja colocado debaixo do cetro de Nossa Senhora, como verdadeira rainha que Ela é.
* Medianeira de todas as graças
Essa condição de rainha, uma vez que Ela é Mãe de Jesus Cristo, é Medianeira de todas as graças, todos os pedidos que vão a Deus vão por meio d’Ela, todas as graças que vêm de Deus, vêm por meio d’Ela, Ela é uma medianeira onipotente, de maneira que é chamada a “Omnipotência Suplicante”. Pelas suas suplicas, Ela consegue absolutamente tudo quanto quer e nunca se ouviu dizer que um pedido d’Ela não fosse inteiramente atendido, embora Ela tenha pedido, as vezes os maiores milagres, como nas Bodas de Caná, tudo isto faz d’Ela a verdadeira Rainha. E o título pelo qual nós nos consagramos a Ela como escravos, é um conjunto de títulos pelos quais Ela é, de fato uma rainha a qual devemos todos obedecer. Se isso é verdade, a restauração da realeza de Cristo no mundo, é a restauração do reinado de Maria.
* Em Fátima Ela prometeu: vencer e reinar
Mas, como em todas as épocas da Igreja, há umas tantas verdades que brilham mais do que outras. Essa realeza de Nossa Senhora, que sempre foi uma verdade certa, tem-se explicitado muito mais a partir de São Luis de Montfort; e cada vez mais até Fátima, onde então veio o anúncio feito por Nossa Senhora: “no fim o meu Imaculado Coração triunfará” É uma vitória que Ela ganha, Ela triunfa e, evidentemente, como triunfadora Ela reinará. Há um dos títulos pelo qual a realeza vem legitimamente a uma pessoa: é a conquista e guerra legítima. Quando um país vence outro em guerra legítima, adquire o direito de mandar no outro. E quando um general, em guerra legítima, domina um país, é natural que o rei vencedor diga ao general: “Aqui está seu reino e você vai ser o rei daquele país”. Nossa Senhora anuncia um título novo para seu reino: Ela vencerá, é o calcanhar d’Ela que, mais uma vez, esmagará a cabeça da serpente. Ela terá, portanto, uma conquista nova: Quebrará o domínio do demônio e implantará seu reino. Temos aqui a série de perspectivas dentro das quais a verdade da realeza de Maria se encontra.
* Consagração a Ela enquanto Rainha
Qual o título pelo qual nós nos consagramos a Ela? Nós nos consagramos a Ela como rainha, como rainha que é nossa Mãe, rainha de misericórdia, mas uma rainha também cheia de poder. E o sentido de nossa vida nessa consagração é o seguinte: Não fazermos um só ato, uma só coisa que não vise restabelecer o reinado de Nossa Senhora. Que não vise esmagar as forças da “Revolução” e não vise fazer triunfar Nossa Senhora. A pessoa verdadeiramente consagrada a Nossa Senhora respira isso. Entra numa sala de aula para dar aula, pergunta como Nossa Senhora está servida lá, o que pode fazer para fazer vencer Nossa Senhora. Entra num quartel, entra num escritório, entra numa fazenda, seja onde for, o problema é: com fazer aqui, progredir a virtude, recuar o vício, anunciar a doutrina católica, intimidar o erro, envergonhá-lo, para aqui dentro fazer nascer uma parte do Reino de Maria. A nossa posição é de escravos, mas de escravos militantes, de escravos de uma rainha que está em guerra e que, portanto, devemos defender contra seus adversários.
* Rainha perseguida. Fidelidade do Escravo dEla
Eu já tive ocasião de dizer aqui, que o atual episódio histórico é assim: Nossa Senhora está como uma rainha que teve seu trono reconhecido em sua plenitude na Idade Média. Mas aos pouco a “Revolução” foi privando Nossa Senhora de sues adornos, vieram bandidos que foram lhe negando todas as prerrogativas; e hoje restam apenas os últimos fundamentos, as ultimas infra-estruturas do reinado de Maria. Nossa Senhora está como uma rainha sentada no trono, privada da coroa, privada das jóias, do cetro, do globo de majestade, privada do manto real, já está com as cordas passadas em torno dela para fazerem a última coisa, que é arrancá-la e acabar com o resto de sua realeza: Acabar com a propriedade, a família, a tradição, que são os últimos vagos restos da civilização crista. Nesta hora histórica, o mundo inteiro está trabalhando contra Ela. Há apenas um punhadinho de escravos que gemem, que se afligem, e porque gemem sinceramente e se afligem sinceramente, indigna-se o mais que poderia indignar-se, porque as coisas estão passando assim. E está disposto a lançar mão de todos os meios para evitar que esse último crime seja perpetrado e que a rainha seja arrancada do trono e jogada no chão.
* Reação do “heresia branca”
Nessa situação, o que significa a consagração? Imaginem uma rainha que está nessa aflição, e vem um filho, ajoelha-se diante d’Ela, um “heresia branca”: recita toda a fórmula da consagração, faz-lhe uma pequena vênia e sai abandonando as mãos. Mas como, — dirá a rainha — eu estou sendo atacada, você vem aqui, faz um ato de amor e vai embora? E a luta? E a punhalada no adversário? E o protesto, a indignação? O que você está fazendo aí? Você é um “biltre”. Fez uma consagração, que é nula, que é uma brincadeira. Nessa hora, quem se consagra a mim, luta por mim. E quem não luta por mim, faz uma consagração falsa. De maneira que o sentido dessa consagração, é um sentido de luta. Consagrar-se aqui é fazer o mesmo que um soldado que vai para a guerra. Ele está disposto a dar sua vida, no campo de batalha ou no campo de paz, lutando contínua e incessantemente até que venha o Reino de Maria.
* Autenticidade da consagração: lutar por Ela
Aqui está nessa era histórica, a autenticidade dessa consagração: Lutar por Nossa Senhora, rezar para Nossa Senhora nos dar as forças necessárias para conduzir essa luta até o fim. Essas seriam as palavras que a proximidade da festa de Nossa Senhora Rainha sugere.
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