Conferência
(Auditório de Belo Horizonte) (Auditório de Belo
Horizonte) – 15/5/1965 – sábado – p.
Conferência (Auditório de Belo Horizonte) — 15/5/1965 — sábado
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de? A gente tem vontade de dizer outra coisa: só com liberdade vive? Não há outras coisas necessárias? O que você pensa da instituição da família? O que pensa da propriedade privada? O que pensa dos direitos da Igreja de ensinar integralmente sua doutrina? Na hora de dizer que o comunismo tem que cair, a única razão é a democracia? Então, o resultado é quem no momento em que os russos se tornarem democráticos, então vocês estão de acordo. Então, não nos venham dizer que vocês são defensores nem da tradição, nem da família, nem da propriedade. Vocês são defensores de Jean Jaques Rousseau, vocês são defensores do sufrágio universal, vocês são defensores da soberania popular; estou de acordo. Mas então digam isso e não procurem monopolizar a seu favor a influência, a confiança e o peso que tem aqueles que querem de fato a tradição, a família e a propriedade e que são milhões e milhões pelo mundo inteiro.
Essa coisa vai assim e se propaga por todo o ocidente, sendo o escudo de muitas organizações anticomunistas se propaga por todo o ocidente um regime de expectativa: a Rússia vai mudar; ela vai começar a sorrir, vai arrebentar lá uma revolução que ninguém seguia. Essa revolução – tremenda vai estabelecer um regime comunista. Vai ser a hora da habilidade. Nós, essa hora, vamos ter que colaborar com eles. Vamos mandar dólares. Vamos mandar víveres. Vamos fazer um clima simpático em torno deles, para consolidarem a queda ao comunismo. Porque vem então uma espécie de semicomunismo e é melhor o semicomunismo do que o comunismo. Vamos então nos consolidar com todas as nossas forças o semicomunismo. Até querem saber de uma coisa? O semicomunismo o que é? Nos não somos tão diferentes do semicomunismo, dirá muita gente no ocidente. Nós não queremos atenuar a propriedade privada? Nós não achamos que exatamente é preciso acabar com esses privilégios? Nós não achamos que a atual estrutura social precisa de reformas? Então, afinal, qual é a grande diferença que há nitidamente não se vê... Nós queremos umas reformas mais...[faltam palavras] ...mais moderadas. Eles são mais avançados e vão a ter um regime mais avançado. Mas em última análise, isso não é um bem? Com isso não se evita a bomba atômica e a guerra mundial?
Se eles querem muito e nós queremos um pouco desse muito, então não há razão para brigarmos. É como dois indivíduos que querem, por exemplo, atravessar uma ponte: se eles vão em caminhos opostos, eles brigam se a ponte for muito estreita. Mas se os dois querem atravessar a mesma ponte, um quer andar cinco quilômetros e outro quer andar um, dá-se um aperto de mão e cada um anda como quer. E depois: coexistência pacífica, colaboração. A guerra mundial foi evitada.
Então, com essa forma, com esse jogo que já está sendo preparado inculcando-se toda espécie de ilusões a respeito dessa revolução que na Rússia está saindo, revolução tão profunda que a gente vai ver nascer das entranhas do povo russo, não pode ser uma comédia feita pelo governo, como se o governo, cruzando os braços não pudesse deixar nascer qualquer revolução, sendo mais uma revolução péssima como aquela. Revolução, ainda mais uma revolução péssima como aquela. Revolução tremenda, portanto, que vai mitigar o comunismo e que vai ser uma barreira para nós…[faltam palavras] …Porque enquanto tudo isso se passa, a China vai progredindo (entre aspas), a propaganda…. vai fabricando a bomba atômica, vai ganhando territórios na zona do Vietnã e de toda a Indonésia e da Índia e sei lá até onde chegará, então, quando tudo isso acabar, nós teremos percebido que houve uma manobra de envolvimento colossal.
O ocidente caminhou muito para o comunismo sem ter ficando propriamente comunista. A Rússia voltou um pouco para trás e se desbolchevizou um pouco, e com isso conseguiu: eles voltam dois passos atrás e conseguem que nós andemos quinhentos passos para frente. E depois, então, todo mundo presta atenção: nós que pensávamos que estava tudo resolvido e que não haveria guerra mundial, nós não nos lembramos da China. Lá está a China façanhuda tremenda, disposta a desencadear o comunismo por toda parte etc. então o que preciso fazer? …[faltam palavras] …Então…[faltam palavras] …para daqui a vinte anos, ou trinta anos, se Nossa Senhora não intervir antes disso, eles inventam outro jogo pelo qual mais uma vez eles dão dois passos para frente e nós mais uns tanto; ou melhor, uns dois passos para trás e nós mais uns tantos para frente; ou melhor, uns dois passos para trás e nós mais uns tanto para frente. São esses jogos assim de avanço e de recuo.
São esses jogos para onde estamos caminhando e como uma propaganda – preparada pelas próprias organizações anticomunistas, nós vamos lentamente caminhando para o bolchevização do mundo. E isso através do que? Política da mão estendida, do diálogo, do modo falso de entender o ecumenismo, de reformas de base, da afirmação de que a propriedade privada não é uma instituição necessária etc, etc, e sobretudo da última novidade,…[faltam palavras] …está sendo introduzida a esse respeito, e que é a seguinte: quando eu estive na Europa em 1962, eu tive ocasião de ver que os comunistas propunham muito aos católicos a combinação que foi considerada no livro “A liberdade da Igreja no Estado comunista”, e a combinação era a seguinte: nós, comunistas, damos à Igreja liberdade, contanto que a Igreja renuncie a propriedade privada. Saiu o livro, o livro teve uma repercussão, graças a Deus, bastante grande, e por causa disso, essa tecla está sendo menos batida e vai aparecendo outra tecla, que era muito discreta, estava nos confina da atualidade política e sobre a qual se vai insistindo muito mais. E não é mais a propriedade comum, mas é a propriedade comunitária.
E o que é propriedade comunitária? Propriedade comunitária é o seguinte: ninguém tem grandes bens. Ninguém tem bens pessoais privados. Os senhores trabalham em várias empresas. Todos os trabalhadores são proprietários em comum da empresa. As casas pertencem a um consórcio que constrói e conserva casas e os que trabalham no consórcio são os donos das casas. A lavoura pertence aos que nela trabalham.
Quer dizer, são empresas em que ninguém é proprietário de uma parte fisicamente destacável, mas em que grupos são proprietários de coisas, em que as eleições, como se fossem sociedades anônimas – a redução de tudo a sociedades anônimas em última análise – as eleições dentro das sociedades anônimas é que dirigem a coisa. Então, eles dizem: a Igreja, é claro, é a favor da propriedade privada. Mas a Igreja não é contra as sociedades anônimas. Não seria uma coisa muito interessante se a Igreja concordasse em que tudo fosse transformado em sociedade anônima? Os senhores estão vendo que é um modo de ninguém ser dono de nada, porque essas sociedades anônimas são reguladas pelo governo, e que enquanto reguladas pelo governo afinal de contas. Quer dizer, é um modo de… [faltam palavras] …a questão, que já não é a propriedade comunitária. Não é o comunismo, mas é o comunitarismo. E os escritores democratas cristãos já estão insistindo nessa tecla. Já estão deixando claro que é o comunitarismo que precisa vencer no mundo. Os senhores estão vendo que é dos tais pseudomeio termos na realidade é o próprio comunismo – dos tais pseudomeio termos de fraude e de ilusão, que pe preparam essa aproximação.
Nós estamos a duas palavras do encerramento e o assunto que nos ocupa é o seguinte: os senhores poderão dizer: Dr. Plinio, todo o seu plano, toda a sua hipótese gira em torno da idéia de que na Rússia possa haver eleições e que essas eleições dêem certo a favor do comunismo. Ora, o senhor afirmou que o comunismo não consegue ganhar eleições. Logo, o seu plano cai todo por terra. Eu lhes contarei uma pequena história e os senhores verão como isso é.
Na Polônia houve, a algum tempo atrás, eleições que formalmente falando, materialmente falando, foram livres. Como foi a liberdade dessas eleições? A pessoa ia lá e votada em quem queria. E depois ia para casa. Mas acontece que os católicos poloneses, que detestavam o comunismo, receberam uma palavra de ordem, dizendo o seguinte: votem no partido comunista polonês, porque se o partido comunista polonês não ganhar as eleições e vier um candidato anticomunista, então os russos invadem aqui. E é melhor nós termos um comunismo feito por poloneses, do que um a comunismo feito por russos aqui. Então, os católicos votaram no comunismo, por ser um mal menor. E a eleição foi ganha.
Não poderá vir amanhã na Rússia uma palavra de ordem assim: de inúmeras organizações revolucionarias anticomunistas de momento: votem no comunismo, votem por enquanto porque, do contrário, é pior. Depois, veremos. E ganham a eleição. Quer dizer, por essa forma, com a ameaça de uma crise, a eleição, de fato, não é livre. Sobre ela pesa a ameaça de uma invasão russa ou de uma restauração do comunismo. Então, para evitar um mal maior, pode-se indiscutivelmente recomendar um mal menor. Quantos males imensos têm resultado para o mundo dessa técnica sistemática de mal maior, ou melhor, de mal menor. Ora, exatamente dentro dos meios católicos, dentro das outras religiões então nem se fala, a tendência de espírito para adotar sempre o mal menor é a tendência que nos tem conduzido a todas as ruínas e é uma tendência praticamente dominante.
A respeito da separação da Igreja do estado, o que se diz? Que era bom aceitá-la como um mal menor. Foi feita a separação – e eu a cito o fato na RCR – Monsenhor Lelcque, secretário de Estado substituto do Vaticano, escrevendo ao cardeal Mota uma carta oficial, dizia ele: O laicismo do Estado intoxicou e perdeu de laicismo o espírito da humanidade. Qual foi o mal menor que se tirou com isso? Absolutamente nada. E então os senhores compreendem o papel providencial do Catolicismo e da TFP. Porque o Catolicismo e a TFP, diante dessa manobra, já tem uma tradição de vigilância, e uma tradição de luta contra o mal menor, notando que aceitar sistematicamente o mal menor pode ser o maior dos males e que, às vezes, o mal maior não é enfrentar um inimigo, não é mover uma ação que pode ser até uma guerra civil, o mal maior é um Estado que nega a lei de Nosso Senhor Jesus Cristo, é a derrubada da civilização cristã, é a inversão da ordem cristã para uma ordem satânica. É o contrário do Reino de Maria.
Então, diante dessa imensa fraude que se delineia e que eu digo que eles estão experimentando lançar porque não é impossível que eles mandem parar e inventem outra fraude – então, dentro dessa imensa fraude, o nosso papel é de ser previdente e de compreender o que está acontecendo. E compreender e estar pronto para no momento dado começar a desmascarar a fraude que existe. Eu espero muito que com o auxílio de Nossa Senhora, o desmascarar dessa fraude seja mais uma das grandes tarefas que vos prestais para a implantação do Reino de Maria. E eu digo do Reino de Maria porque se conta que o escorpião é assim: quando está cercado por um círculo de fogo – por exemplo, coloca-se álcool em torno do escorpião e se põe fogo no álcool, mas sem tocar nele, sem haver chama no lugar onde ele está – ele tenta atravessar de um lado, depois do outro e depois acaba se suicidando. Ele fica louco…[faltam palavras] …. Nossa tarefa com a revolução é essa tarefa: eu acho, aliás, que o escorpião não se suicida, mas vamos dizer que se suicida – a revolução nós temos que fazer…[faltam palavras] …e ficar louca. Não vai aqui, não vai lá, não vai acolá, em certo momento ela estoura. Nesse dia terá começado a aurora do Reino de Maria.
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