Santo do Dia – 13/5/65 – 5ª feira . 4 de 4

Santo do Dia — 13/5/65 — 5ª feira

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Fátima trata não só de um tema moral, mas tira derivações desse tema moral para o campo político, numa ilação que tem muito de comum com a doutrina exposta na RCR * O porquê Nossa Senhora quis se mostrar em Fátima em três invocações sucessivas: Nossa Senhora de Fátima, Imaculado Coração de Maria e Nossa Senhora do Carmo * Uma visão de Santa Teresa: “Foi-me, então, dado a entender o grande proveito que havia de fazer uma Ordem nos últimos tempos, e com que fortaleza seus filhos haviam de sustentar a Fé” * Santa Tereza: “Vi diante de meus olhos seis ou sete religiosos dessa Ordem, com espadas nas mãos” * A Ordem do Carmo indicada como uma Ordem que terá uma grande batalha nos tempos futuros e pela Fé

* Fátima trata não só de um tema moral, mas tira derivações desse tema moral para o campo político, numa ilação que tem muito de comum com a doutrina exposta na RCR

Nosso assunto, hoje ainda, mais uma vez, é Fátima. Serei breve, dado o atraso extremo em que começam os trabalhos. Quero dar alguns traços da revelação de Fátima que a diferenciam de outras revelações anteriores.

Um traço muito curioso, por onde Fátima se diferencia das outras revelações: é a única revelação que conheço de tal maneira admitida, aceita e acatada em meios católicos e até pela hierarquia eclesiástica, que trata não só de um tema moral — porque isso é freqüente em várias revelações — mas tira derivações desse tema moral para o campo político, numa ilação que tem muito de comum com a doutrina que posteriormente tentamos expor na RCR.

O plano de idéias que Nossa Senhora apresenta para os homens, é que há uma crise moral prodigiosa, que essa crise moral, é, no fundo, uma crise religiosa, e que essa crise religiosa e moral vai desembocar numa catástrofe política. Essa catástrofe política, que ela profetiza qual vai ser? A Rússia ia espalhar seus erros por toda a Terra. Essa catástrofe é um castigo por causa da imoralidade e da irreligião dos povos que não são a Rússia.

Quer dizer, há um nítido conteúdo político, porque quem acredita nessa revelação, não pode deixar de ver dois aspectos dela:

Em primeiro lugar, como ela se cumpriu;

Em segundo lugar, como temos de admitir que a Rússia é um flagelo para o mundo, odioso porque é um criminoso que Deus solta para fustigar os bons. De outro lado, que qualquer ilusão a respeito de coexistência com esse flagelo é uma verdadeira utopia, porque o flagelo não foi dado para se coexistir com ele, porque é ele feito para punir. Assim, qualquer coexistência com ele é inteiramente impossível.

Há todo um desdobramento de conseqüências que partem da revelação de Fátima, e de conseqüências políticas importantes. Hoje se procura apresentar a Rússia como menos má, até como boazinha e a China como péssima.

Ora, sabemos que o flagelo mencionado não foi o comunismo, mas foi a Rússia. Quer dizer, o comunismo enquanto sendo comunismo russo também, e não apenas como uma forma teórica de comunismo, mas todo um conteúdo político se depreende das revelações de Fátima. E por esse conteúdo essas revelações se diferenciam das revelações anteriores.

Mas como explicar esse conteúdo? É por causa da extrema cegueira dos homens. Isto que por razões naturais se podia ver, se podia achar, isto, que por razões naturais é até evidente, os homens chegaram a um tal estado de cegueira que Nossa Senhora chamou a si o dizer. E para autenticar essa revelação de conteúdo político Ela fez milagres estupendos, como o do sol que bailou várias vezes aos olhos de centenas de milhares de pessoas em regiões inteiras, etc., etc.. Os senhores estão vendo que aqui está uma característica por onde podemos nos animar, sentindo que os bons católicos estão preocupados com essa crise política-moral-religiosa. A importância dela como elemento central do panorama do mundo de hoje foi indicado pela revelação de Nossa Senhora.

Isto, portanto, para nos colocar à vontade diante de tantos milhões de católicos que parecem divagar e bobear diante do fenômeno, sem ouvirem ou verem nada, etc.. Nossa Senhora viu e falou. E isto dá à nossa posição uma extraordinária firmeza.

* O porquê Nossa Senhora quis se mostrar em Fátima em três invocações sucessivas: Nossa Senhora de Fátima, Imaculado Coração de Maria e Nossa Senhora do Carmo

Outra coisa curiosa, que não encontrei ainda em nenhuma outra revelação — não digo que não houve, pois não pretendo ter conhecido todas — é o seguinte: uma revelação que Nossa Senhora se mostra em três invocações sucessivas. Ela se mostra com as características de Nossa Senhora de Fátima, mas mostra-se também como o Imaculado Coração de Maria e como Nossa Senhora do Carmo.

Porque essas invocações? Encontramos fundamento para isso na própria revelação. Ela declara o seguinte: “Por fim, meu Imaculado Coração triunfará”. O que quer dizer que Ela quer ter um triunfo que vai ser uma enorme efusão de graças, porque o Coração aí diz a bondade e a vontade, e o triunfo d’Ela vai se realizar depois de um castigo tremendo, por uma efusão de graças enorme. É o Reino do Coração d’Ela que Ela anuncia.

Por causa disso, Ela como que referenda a devoção ao Imaculado Coração de Maria, apresentando-se com essas características numa de suas visões. É para se compreender, para dar um estímulo à devoção ao Imaculado Coração de Maria.

Mas por que Ela se apresenta como Nossa Senhora do Carmo numa das invocações?

Isto é muito menos claro. Que relação tem a invocação do Carmo com os tempos vindouros, em que seu Coração vai triunfar? Há alguma tarefa do Carmo, alguma missão do Carmo dentro disso? Essa pergunta nos interessa muito, tomando em consideração que quase todos nós somos terceiros carmelitas.

* Uma visão de Santa Teresa: “Foi-me, então, dado a entender o grande proveito que havia de fazer uma Ordem nos Últimos Tempos, e com que Fortaleza seus filhos haviam de sustentar a Fé”

E o [“x”], quando veio de Buenos Aires, veio nos trazendo essas revelações muito curiosas de Santa Teresa de Jesus, autênticas, que se encontram nas boas biografias de Santa Teresa, e que dizem algo a esse respeito. São os parágrafos 12, 13, 14 e 15 das Obras de Santa Teresa de Jesus, tomo I, Livro da Vida, capítulo 40. É uma coisa oficial e documentada.

Parágrafo 12:

Fazendo uma vez oração com muito recolhimento, suavidade e paz, parecia-me estar rodeada de Anjos e muito perto de Deus. Comecei a suplicar a Sua Majestade pela Igreja. Foi-me, então, dado a entender o grande proveito que havia de fazer uma Ordem nos Últimos Tempos, e com que Fortaleza seus filhos haviam de sustentar a Fé”

Uma Ordem que veremos, em breve, ser a própria Ordem do Carmo, à qual ela pertencia e que [por] prudência e modéstia ela não queria mencionar. Haveria um tempo em que a Ordem do Carmo teria filhos que lutariam pela ortodoxia com muito denodo.

Parágrafo 13:

Quando certa ocasião rezava junto ao Santíssimo Sacramento, apareceu-me um santo cuja Ordem esteve um tanto decaída”

Ela era exatamente a reformadora da Ordem do Carmo, que estivera muito decaída.

Tinha nas mãos um grande livro. Abriu-o e deu-me a ler as seguintes palavras escritas em letras grandes e muito inteligíveis: Nos tempos vindouros, florescerá essa Ordem, haverá muitos mártires”.

Então, é um incremento de luta pela ortodoxia, martírio e florescimento dessa Ordem.

* Santa Teresa: “Vi diante de meus olhos seis ou sete religiosos dessa ordem, com espadas nas mãos”

Parágrafo 14:

Outra vez, durante Matinas, no Coro, vi diante de meus olhos seis ou sete religiosos dessa ordem, com espadas nas mãos”.

Notem que se trata de espadas e a espada é o símbolo da luta, e pelo que diz aqui, parece luta cruenta, pois é um instrumento que padres não pode manejar.

Significava isso, penso, que hão de defender a Fé, porque mais tarde, estando em oração, fui arrebatada em espírito e pareceu-me estar num vasto campo onde lutavam muitos combatentes…”

Os senhores percebem que se trata de um campo de batalha.

“… e os desta Ordem pelejavam com grande fervor; tinham os rostos formosos e muitos incendidos. Venciam deitando por terra numerosos inimigos e matando outros. Tive a impressão de que a batalha era contra hereges”.

Parágrafo 15:

* A Ordem do Carmo indicada como uma Ordem que terá uma grande batalha nos tempos futuros e pela Fé

Ao glorioso santo de que falei acima, tenho visto várias vezes. Tem me dito diversas coisas, agradecendo a oração que faço por sua Ordem e prometendo encomendar-me ao Senhor. Não assinalo a Ordem para que não se [desagradem?] as demais. O Senhor declarará os nomes, se for servido que se saibam. Cada Ordem, ou cada um de seus membros “de per si” deveria esforçar-se para que, por seu meio, fizesse o Senhor tão ditosa sua religião que em tão grande necessidade, como agora tem a Igreja, pudesse servir. Felizes as vidas que se sacrificarem por tão nobres causas”.

Os senhores estão vendo aqui a Ordem do Carmo indicada como uma Ordem que terá uma grande batalha nos tempos futuros e pela Fé. Ora, até esse momento, não chegou essa batalha; a Ordem do Carmo não fez isto até aqui. E Nossa Senhora nos fala, precisamente, de grandes perseguições, de grandes lutas, de grandes martírios na revelação de Fátima. E aí ela aparece com a características de Nossa Senhora do Carmo. Parece haver uma relação em tudo isso, que eu digo para prezarmos cada vez mais nossa condição de irmãos da Ordem Terceira do Carmo, e compreendermos o que há de providencial nessa pertencença, e termos muito bom humor com as pequenas exigências que a Ordem do Carmo acarreta, às vezes, para nós.

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