Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará)
– 26/3/1965 – 6ª-feira – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará) — 26/3/1965 — 6ª-feira
Nome
anterior do arquivo:
São Policarpo e São João Crisóstomo.
São Policarpo, Bispo e Mártir, discípulo de e São João e Bispo de [ilegível]. Combateu os hereges que ensinavam ser apenas aparente a encarnação de Verbo. Século II. Amanha é festa de São João Crisostomo, Bispo confessor e doutor da Igreja, sua coragem em estirpar os vícios repreendendo tempo e contra-tempo valeu-lhe o exílio toda a sorte de maus tratos. Século VI. Nós temos que comentar as duas festas em conjunto porque vamos voltar a nossa praxe de comentar os santos do dia imediato; nós temos dois santos para comentar hoje, um do século II e outro do século VI. Separados, portanto por duzentos anos, o que parece pela perspectiva histórica muito pouco tempo quando nós pensamos em séculos tão remotos, mas é mais ou menos a mesma diferença. Exatamente a mesma diferença que há entre 1956 e o ano de 1756, e, portanto, pleno no reinado de Luiz XV. Os senhores vêem que, portanto são dois Bispos, separados por um largo tempo um do outro, e com certeza, São João Crisostomo considerava São Policarpo uma figura remota, passada, já dos anais velhos da história, etc.
Entretanto nós notamos em ambos uma constante: um discípulo de São João é portando discípulo daquele que é considerado por excelência o apostolo do amor e da caridade, o apostolo da caridade entre os católicos, discípulo de São João, recebendo, portanto diretamente formação de São João, e no exercício de suas atividades como Bispo de [ilegível], ele foi um batalhador contra a heresia, eram os hereges que afirmavam que a encarnação do Verbo era apenas aparente.
Quer dizer, que Nosso Senhor Jesus Cristo não era verdadeiro homem; ele era verdadeiro Deus. Mas a carne humana de que Ele estava vestido era um fantasma, era uma aparência, era Deus que apareceu usando vestido de um fantasma de carne humana. Mas que Ele não era verdadeiramente homem. Os senhores sabem que isso é uma heresia, porque a doutrina católica ensina que Nosso Senhor Jesus Cristo é verdadeiro Deus e verdadeiro homem ao mesmo tempo. Este Bispo batalhador foi pelos seus estudos praticados mais uma vez pelo outro Bispo que é São João Crisostomo Bispo, confessor e doutor da Igreja, de um alcance, portanto enormemente maior, por que Doutor da Igreja, um dos quatro grandes Doutores da Igreja, que dizer, posto para ensinar a Igreja Universal, em todos os séculos até o fim do mundo. E chamado Crisostomo, porque exatamente tinha a boca de ouro, de um grande Imperador as suas palavras eram tão excelentes não só pela forma, mas também pelo conteúdo, que aquilo que ele dizia era ouro. Pois bem, este homem, o que dizia eram coisas que eram estigmatizar os vícios do tempo e por cauda disto ele foi perseguido pelos maus. Dois Bispos batalhadores, dois Bispos perseguidos, dois bispos colocados nos altares. Evidentemente o contraste é tão grande com aquilo que nós vemos a idéia de um Bispo batalhador, e idéia de que ele deve perseguir, a idéia de que é natural que um cristão seja perseguido também, e a idéia de que nisto que se consiste a verdadeira santidade episcopal, são de tal maneira idéias distantes do século XX que eu acho que nós não podemos fazer muita coisa se não pedir a Nossa Senhora que tenha pena da Igreja e que de a igreja bons Bispos. Bispos que compreendam isto. E que roguem, que obtenham para os fieis o mesmo espírito de batalha que hoje está tão distante. Eu acho que nós devemos, quando pedimos a os santos, imaginar os santos, como os santos se estivessem na terra gostariam de nossos pedidos. E ai nos compreendemos como os pedidos lhes são gratos no Céu.
Os senhores já imaginaram o que é que sentiria qualquer dos dois santos se estivesse na terra e presenciasse e espetáculo de desolação que nós presenciamos hoje em dia, os senhores imagina com que empenho ele trabalhariam para conseguir uma noção de um só Bispo verdadeiramente segundo o Coração Imaculado de Maria. Os senhores compreendem como pode ser grata a eles a oração no sentido de que eles unam sua intercessão junto a Nossa Senhora, para que ela por sua vez obtenha Bispos batalhadores e combativos para a Santa Igreja Católica. Há uma oração da liturgia muito bonita que diz o seguinte: naturalmente eu não sei palavra por palavra, mas o sentido é este: Deus dai-nos a graça de pedir aquilo que vós quereis dar para que nós obtenhamos aquilo que nós pedimos. Aquilo é uma coisa que nós temos certeza que Nossa Senhora quer nos dar; é este exatamente: bons Bispos. Nós, portanto devemos ter a certeza de que insistindo muito, ou antes ou depois dessa grande crise a Igreja será consolada e confortada com um Bispo de acordo com a sua missão. Vamos deixar, portanto este pedido feito nesta festa de hoje e na vigília da festa de amanhã.
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Auditório da Santa Sabedoria – Rua Pará