Santo
do Dia (Rua Pará) – 19/2/1965 – 6ª feira [SD
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Santo do Dia (Rua Pará) — 19/2/1965 — 6ª feira [SD 130]
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Jacinta e Francisco morreram porque eram necessárias vítimas que se associassem ao mistério de Fátima * A porta que não tem fechadura por fora, onde Nosso Senhor bate: símbolo do coração humano, que só é aberto para Deus pela pessoa * É preciso saber sofrer: nada vale uma vida sem cruzes
* Jacinta e Francisco morreram porque eram necessárias vítimas que se associassem ao mistério de Fátima
Amanhã nós temos o aniversário da morte de Jacinta Marto a quem Nossa Senhora apareceu.
Como nós sabemos, dos três videntes de Fátima, dois morreram, por desígnio e previsão de Nossa Senhora, e uma ficou, que é Lúcia, que recebeu novas revelações e que garante o segredo de Fátima, a fidelidade das revelações de Fátima, e a existência do segredo de Fátima até nossos dias.
Quanto à razão pela qual Nossa Senhora quis que Jacinta e Francisco morressem, a razão é bem evidente, e eles também a declararam: eram necessárias pessoas que sofressem, eram necessárias vítimas que a todo o mistério de Fátima e a toda a fecundidade que Nossa Senhora desejava na ordem sobrenatural para os fatos de Fátima, que associassem a isso sua dor, o sacrifício de sua vida. Um sacrifício muito difícil, muito penoso, porque ambos morreram em circunstâncias extraordinariamente difíceis e sofrendo muito. Que associassem isso porque todas as grandes obras de Deus se fazem com a participação dos homens quando se trata da salvação de outros homens, e em geral com almas que lutaram, que sofreram e que rezaram, para que de fato aquela obra fosse levada a cabo.
Quer dizer, é sempre preciso a participação do sofrimento humano. E sem o sofrimento humano, nada de grande se faz.
Isto é especialmente frisante no que diz respeito a Fátima. É uma intervenção direta de Nossa Senhora. Essa intervenção de Nossa Senhora se faz atestada por milagres estupendos como, por exemplo, a rotação do sol, tantas vezes e a distâncias tão grandes, etc. É uma mensagem das mais importantes, ou talvez a mais importante que Nossa Senhora tenha dado aos homens ao longo de toda a História.
Pois bem, nesta ocasião e nestas circunstâncias Nossa Senhora quis o sacrifício de duas almas que se imolassem e que oferecessem a sua vida para que todo aquele plano da Providência tivesse a fecundidade necessária. Nós podemos compreender bem por aí como esse apostolado de sofrimento é verdadeiramente insubstituível e como ele é que verdadeiramente abre os caminhos para a Igreja.
* A porta que não tem fechadura por fora, onde Nosso Senhor bate: símbolo do coração humano, que só é aberto para Deus pela pessoa
Houve um pintor alemão que numa ocasião pintou Nosso Senhor como Bom Pastor, batendo à porta de uma casa, de uma choupana, e alguém perguntou a ele o seguinte:
— O senhor fez um erro na confecção desse seu quadro, porque essa porta não tem fechadura.
Ele disse:
— É verdade, mas não é erro. Esta porta simboliza a porta do coração humano. Nosso Senhor bate ali, mas não há fechadura do lado de fora, só existe fechadura do lado de dentro.
Porque um certo tipo de abertura de alma é da alma consigo mesma só e mais ninguém. E aqui ninguém consegue intervir. É uma coisa fechada mesmo.
Pois bem, o jeito que a gente tem de entrar nas almas que não se abrem e de conseguir que as almas que não se abrem se abram, é exatamente por meio do sacrifício, por meio da oração e dos sacrifícios. É por meio da aceitação da dor que nós encontramos na vida. Por meio do carregar a Cruz de Nosso Senhor amorosamente, de compreender que é normal que o homem sofra. E ele é só grande na medida em que sofre, e os homens que carregam os grandes sofrimentos por amor de Deus são os únicos grandes homens da História.
É nessa medida que um homem é verdadeiramente fiel a Nosso Senhor e acaba sendo um grande homem. Os homens decisivos da História são os homens que souberam sofrer tudo.
É claro que esse sofrer não é apenas um sofrer passivo, deixar cair as pancadas em cima da cabeça. Mas é um sofrer ativo, quer dizer, é muitas vezes tomar a iniciativa da luta, é combater, é romper com aqueles a quem a gente estima, é arrostar a opinião dos outros, é aceitar de ficar posto em situações difíceis, contrafeitas, contraditórias, enfim, todo o sofrimento da batalha mais intrépida, mais ousada e mais cheia de iniciativa. Tudo isso é sofrer, e até sofrer por excelência. Mas é preciso saber sofrer.
* É preciso saber sofrer: nada vale uma vida sem cruzes
E isto exatamente nos é dito muito pelo sacrifício de Jacinta, como pelo sacrifício de Francisco.
Nós devemos na noite de amanhã, então, nos lembrar disto e pedir a Jacinta que nos peça a Nossa Senhora de Fátima esse senso de sofrimento, indispensável para que qualquer católico seja verdadeiramente um católico generoso e dedicado.
Essa aceitação da Cruz contrária ao mito do homem de hoje, ao mito do norte-americano, do happy end de que a vida normal é aquela que termina bem, e que tudo é alegria, que tudo é luz, e que o sofrimento é uma espécie de bicho de sete cabeças que malucamente invade a vida das pessoas.
É o contrário: a vida que não tem cruzes é uma vida que não vale nada. São Luís Maria Grignion de Montfort chega até a dizer que quando uma pessoa não sofre, deve (naturalmente com autorização do diretor espiritual) pedir cruzes, deve fazer romarias, deve fazer peregrinações, deve fazer orações intensíssimas, porque deve desconfiar de sua salvação eterna a pessoa que não tem sofrimentos a quem Deus não deu sofrimentos.
Esta grande verdade nós devemos pedir a Jacinta que faça com que a graça de Deus grave profundamente em nossas almas por meio das preces de Nossa Senhora.
Nós vamos continuar a rezar ainda hoje, pelo último dia, um “Lembrai-vos”, segundo as intenções das noites anteriores.
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