Santo
do Dia ((Rua Pará?)) – 10/2/1965 – 4ª feira
[SD 016] – p.
Santo do Dia ((Rua Pará?)) — 10/2/1965 — 4ª feira [SD 016]
Nome
anterior do arquivo:
Santa Escolástica desenvolveu uma obra entrelaçada com a de São Bento, seu irmão * São Bento é o padroeiro de um continente pequeno, mas que em tempos passados teve uma grande correspondência e fidelidade à pregação da Igreja Católica * Só a Igreja Católica ensina a verdadeira moral, e por meio dos sacramentos é dada a força para que a verdadeira moral seja praticada pelos homens, permitindo assim que seja praticada a verdadeira ordem * São Bento, por meio dos monges beneditinos, foi o missionário por excelência — Dele derivou um tecido de ordens religiosas que se espalharam por toda a Europa, a qual era um mundo novo que nascia depois das invasões * Santa Escolástica criou religiosas que se dedicavam a rezar e a se sacrificar, o que redundou em fecundidade para as ações do ramo masculino * São Gregório II enviou São Bonifácio para a Alemanha, transpondo os limites do que seria a cortina da barbárie daquele tempo: criava uma cristandade nova, e salvava uma cristandade velha * Nas orações, devemos ser ousados ao pedir * As doenças do corpo mencionadas no Evangelho são símbolos das doenças da alma
* Santa Escolástica desenvolveu uma obra entrelaçada com a de São Bento, seu irmão
… festa de Santa Escolástica Virgem, irmã e discípula de São Bento, fundadora, século VI. Novena de Nossa Senhora de Lourdes. É a aparição de Nossa Senhora de Lourdes amanhã. Amanhã também é festa de São Gregório II, papa e confessor: “Resistiu tenazmente à impiedade iconoclasta do imperador Leão III, Isaurico, e mandou São Bonifácio pregar o Evangelho na Germânia”. Século VIII.
A razão pela qual figura aqui Santa Escolástica no nosso calendário é que ela é irmã de São Bento, e desenvolveu uma obra que é entrelaçada com a de São Bento, que é a fundação das beneditinas, como São Francisco e Santa Clara ou São Domingos e … qual era a santa correlata? Havia uma santa… Bem, São Francisco e Santa Clara, e há outros exemplos assim na história da Igreja.
Agora, esta obra beneditina nos interessa muito por uma razão que vem mencionada já aqui na festa seguinte.
* São Bento é o padroeiro de um continente pequeno, mas que em tempos passados teve uma grande correspondência e fidelidade à pregação da Igreja Católica
O Papa Paulo VI — vamos aproveitar esta ocasião para elogiá-lo — instituiu São Bento como padroeiro da Europa. E a idéia de dar para a Europa um padroeiro uno e a idéia de designar São Bento para ser esse padroeiro, corresponde a algumas realizações que, por sua vez, se ligam às nossas teses e às nossas preocupações.
Geograficamente falando — se os senhores se colocam diante de um mapa — a Europa não é senão uma península da Ásia, que representa uma parte do mundo quantitativamente pequena. Entretanto, tudo quanto houve de importante e de grande na história do mundo se passou. Mas o que se passou de mais importante na Europa é que foi o continente que deu em tempos passados uma correspondência suficiente — e, debaixo de alguns pontos de vista, até grande — à pregação da Igreja Católica, e foi o continente que durante séculos foi substancialmente fiel à Igreja Católica. Daí partiu a instauração da Civilização Cristã e, com essa Civilização Cristã, uma espécie de invasão e de embebimento da ordem temporal das coisas pelas energias sobrenaturais da graça dispensadas pela Igreja Católica.
* Só a Igreja Católica ensina a verdadeira moral, e por meio dos sacramentos é dada a força para que a verdadeira moral seja praticada pelos homens, permitindo assim que seja praticada a verdadeira ordem
A relação das coisas é assim:
Só a Igreja ensina a verdadeira moral. Só a Igreja é que por meio de seus sacramentos dá força para que a verdadeira moral seja praticada pelos homens. Ora, é só por meio da verdadeira moral que os homens conhecem e praticam a verdadeira ordem, porque a moral não é senão a ordem do procedimento dos homens. Assim, portanto, em conclusão, só existe verdadeira e perfeita ordem entre os homens onde existe a verdadeira Igreja.
Eu repito.
A Igreja ensina moral; moral é ordem. Se só a Igreja ensina e dá forças para cumprir a moral, só a Igreja é o verdadeiro fundamento da ordem. Mas também quando os homens seguem a moral da Igreja é a verdadeira ordem que está adotada, no que ela tem de mais profundo.
E acontece com a ordem, por exemplo, o que acontece com o corpo humano: se eu estou com essa parte aqui do braço em ordem, por exemplo, tudo aí eu só posso esperar coisas boas. Os movimentos necessários, a reação, os serviços, a defesa que um homem deve esperar do seu braço, eu tenho tenho o direito de esperar do meu. Se algo está destroncado aqui, e já não digo um dos ossos grandes, mas desses ossos pequenos do punho, o resto é dor, miséria, inflamação, perigo de gangrena, atrapalhação de toda ordem.
Assim também com a civilização: se ela toda está baseada na moral católica, inclusive nos seus pormenores, não há o bem que não se possa esperar; mas quando se afasta da civilização católica, também ainda que seja em pormenores de certa importância, ainda aí não há mal, não há tristeza, não há miséria que não se possa esperar.
* São Bento, por meio dos monges beneditinos, foi o missionário por excelência — Dele derivou um tecido de ordens religiosas que se espalharam por toda a Europa, a qual era um mundo novo que nascia depois das invasões
Ora, São Bento, por meio dos frades, monges beneditinos, foi por excelência o missionário que trouxe à civilização católica os germanos e deu o impulso ao movimento de evangelização que conquistou todos os povos que estão hoje debaixo da Cortina de Ferro. Quero dizer e mais ainda as nações escandinavas.
Por outro lado São Bento, por meio dos monges beneditinos, instituiu um tecido de ordens religiosas que espalharam por toda a Europa essa moralidade, esse modo de ver, etc., quando a Europa estava se reconstituindo. Era um mundo novo que nascia depois das invasões.
Portanto, a ação da graça penetrou nessa árvore e nas suas raízes e o resultado veio essa coisa maravilhosa que foi a Europa, que foi a Europa que foi durante muito tempo a própria realização dos ideais da Contra-Revolução.
É para a destruição dessa Europa que a Revolução se levantou. E é para essa Europa que os nossos olhos se voltam nostálgicos, se voltam admirativos, se voltam cheios de afeto, precisamente porque aí estão os restos sagrados da Contra-Revolução. E é da base de tudo isso que nós encontramos São Bento e, pela ação das contemplativas, Santa Escolástica.
* Santa Escolástica criou religiosas que se dedicavam a rezar e a se sacrificar, o que redundou em fecundidade para as ações do ramo masculino
Santa Escolástica criou religiosas que não faziam assistência social, que não davam catecismo, não faziam nada . Numa época em que a ação delas pareceria tão necessária, elas faziam uma coisa muito mais do que isso: elas rezavam e se sacrificavam. E pelo seu exemplo elas deixaram bem claro que se o apostolado do ramo masculino foi tão fecundo, era porque havia um ramo feminino que rezava, que se imolava, que contemplava, além do intenso grau de oração da ordem beneditina que é, por natureza, por seus estatutos, uma ordem semicontemplativa.
Então o ideal da contemplação fica profundamente presente nesta fecundidade do apostolado de conversão da Europa.
Nós aí vemos o papel admirável de Santa Escolástica, o papel insubstituível de Santa Escolástica, em qualquer sentido incomparável. Porque para lutar e para agir… vamos dizer assim: para agir há alguns tantos, para lutar já são menos numerosos, mas para sofrer, quão poucos são!
Eu não tenho palavras que bastem para exprimir minha veneração diante do apostolado do sofrimento, daqueles que aceitam as cruzes e com aprovação eventual do diretor espiritual até as pedem, aceitam as cruzes e as pedem para sofrer para que o trabalho dos outros seja fecundo. Dos temas que mais me comovem e que mais me empolgam é o tema da fecundidade do apostolado do sofrimento. E não há coisa que eu me sinta mais propenso a venerar do que um que sofre intencionalmente para que o outro ganhe a batalha, toma sobre si o infortúnio, toma sobre si a infidelidade e vai ser um herói que só Deus vê. E isso tudo para quê? Exclusivamente para que o apostolado dos outros seja fecundo.
Esse caráter de trabalho de Santa Escolástica merece ser mencionado aqui com uma veneração sem nome.
* São Gregório II enviou São Bonifácio para a Alemanha, transpondo os limites do que seria a cortina da barbárie daquele tempo: criava uma cristandade nova, e salvava uma cristandade velha
Ao par disso nós temos amanhã a festa de São Gregório II, papa e confessor.
Os senhores vêem esse papa o que ele fez. São Gregório fez duas coisas ao mesmo tempo: ele mandou São Bonifácio pregar o Evangelho na Alemanha, quer dizer, ele transpôs os limites do que seria a cortina de barbárie daquele tempo, com uma ação fecundíssima à qual acabo de me referir, e se com uma mão ele fazia isso, com outra das mãos ele resistia a um imperador herege e salvava, portanto, o que na Europa ainda havia de católico. Quer dizer, ele ao mesmo tempo criava uma cristandade nova e salvava uma cristandade velha.
Os senhores vêem que figura insigne e que figura profundamente relacionada com essa sacrossanta fundação da Europa de que eu acabei de falar há pouco.
* Nas orações, devemos ser ousados ao pedir
Vai ser também amanhã a festa de nossa Senhora de Lourdes. Como Nossa Senhora de Lourdes quis ser conhecida como Nossa Senhora enquanto sumamente benfazeja, eu sugiro aqui — mas evidentemente que é uma mera sugestão que a gente só deve seguir se tem apetência — que se faça o seguinte: pensar de véspera numa grande graça para pedir a Nossa Senhora.
Nas nossas orações nós devemos ser ousados. Nós devemos pedir coisas arrojadas, não coisas insensatas. É uma coisa profundamente diferente. Coisas sensatas, mas difíceis nós devemos pedir e, ao mesmo tempo, nós devemos pedir a Nossa Senhora muito, com muita insistência.
Quem sabe se cada um de nós estuda uma graça que queira, uma graça espiritual e uma graça temporal para o dia de amanhã. Uma graça que diga respeita à nossa santificação e depois alguma coisa que a gente queira de temporal e que Nossa Senhora, que nós pedimos a Ela, nos dê se for para o bem de nossa alma.
Isso nos leva a refletir um pouco em nossa vida espiritual. Leva-nos, por essa forma, a ter uma visão de nós mesmos e de nossas atividades, de nossos rumos, mais precisa. E leva-nos a fazer uma oração grata a Nossa Senhora.
De maneira que eu sugiro que façam isso.
* As doenças do corpo mencionadas no Evangelho são símbolos das doenças da alma
Eu gostaria de dizer uma outra coisa. Eu volto a dizer, é um puro conselho, mas, enfim, é uma informação que é interessante.
Na Igreja do Sagrado Coração de Jesus há uma gruta com uma imagem de Nossa Senhora de Lourdes. Esta não é uma imagem qualquer, como se encontram — aliás, veneráveis — em várias outras igrejas. Mas esta imagem, segundo o documento que está lá, se não me engano, era a imagem que estava sendo venerada na gruta de Lourdes antes de estar a imagem atual. Foi, portanto, objeto de veneração lá e constitui um elo, portanto, entre Lourdes, um elo mais direto entre Lourdes e nós.
Por causa disso, a horas tantas da tarde — eu não me lembro mais qual a hora, mas os jornais costumam dar na seção religiosa — há uma bênção para os doentes e há uma ou outra pessoa até que se tem dito curada lá. Não se tem feito investigações, mas até isto há.
Nós nunca devemos nos esquecer que as doenças do corpo no Evangelho são tratadas como sendo símbolos das doenças da alma. E que assim como alguns sofrem de paralisia do corpo, outros sofrem de paralisia da alma; sofrem de cegueira do corpo, outros da alma; surdez, mudez e outras coisas.
Se nós temos defeitos da alma que nós gostaríamos de corrigir, seria o momento adequado para nós levarmos lá e pedirmos a Nossa Senhora. Levarmos aos pés d’Ela esses nossos defeitos e pedir a Ela que nos cure.
É uma coisa que tem muita razão de ser esse pedido, porque se Nossa Senhora quer tanto curar os corpos perecíveis, mortais, quanto mais Ela quererá curar almas imperecíveis e imortais.
Nosso Senhor Jesus Cristo não veio à terra para salvar corpos, Ele veio à terra para salvar almas, e por isso nossos pedidos não podem deixar de ser muitos gratos a Ela. Por nós ou por alguém por quem nós nos interessamos, por alguém por quem nós façamos apostolado, por uma alma cujas dificuldades nos amedrontam, por um amigo cujas aflições ou cujas tentações e cujos perigos constituem para nós uma fonte de preocupação. Irmos lá e fazer nossos pedidos nessa hora ou na hora da missa, na hora da bênção do Santíssimo Sacramento ou outra hora qualquer.
Esta é, portanto, a sugestão que eu gostaria de dar.
Eu tenho uma pergunta a fazer que é o seguinte: para efeito de serviço, algum dos senhores estaria com a lista feita pelo Prof. Fedeli dos grandes dias de festa da Civilização Cristã a ser incluído no nosso calendário? Se estiver tenha a bondade de me procurar depois… não, de dar diretamente ao Dr. Castilho depois da reunião.
Vamos então agora rezar.
*_*_*_*_*