Santo do Dia – 7/2/1965 – p. 2 de 2

7/02/1965 – Santo do Dia — Domingo

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* Falsa oposição entre amor e admiração * Quanto mais admiramos, mais amamos * Nossa Senhora de Lourdes: admiração e amor * Lourdes, lição de anti-igualitarismo

* Falsa oposição entre amor e admiração

cujo poder, cujo domínio régio, cuja excelsa condição mereça a nossa admiração. A junção desses dois títulos é eminentemente contrária ao espírito revolucionário. A Revolução gosta de insinuar que quando nós gostamos de uma pessoa, amamos uma pessoa, não podemos ter admiração por ela. Porque admiração é um sentimento que intimida, é um sentimento que afasta. A grandeza de alguém afasta a amizade dos outros. E que, por causa disso, segundo o espírito democrático, as pessoas que querem verdadeiramente ser estimadas, devem despojar-se de sua grandeza. Devem fazer-se pequenas, devem fazer-se iguais às outras, para serem amadas. Isto é fundamentalmente revolucionário; a posição verdadeira é o contrário.

* Quanto mais admiramos, mais amamos

É que quanto mais nós admiramos uma pessoa, mais nós devemos amar esta pessoa. E quanto mais nós amamos, mais nós devemos ser propensos a admirar as qualidades que essa pessoa tem. E por causa disso, Nossa Senhora é venerada como Mãe ao mesmo tempo sumamente amável e sumamente admirável. E o modo pelo qual essas duas qualidades coincidem nós vemos em Lourdes, precisamente. Nossa Senhora aparece fazendo-se admirar pelo título que Ela proclama; os senhores sabem que ela disse a Santa Bernadete Soubirous: “Eu sou a Imaculada Conceição”. Quer dizer, Ela se define…

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[O Senhor Doutor Plinio foi atender um telefonema.]

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* Nossa Senhora de Lourdes: admiração e amor

Mas eu estava dizendo que Nossa Senhora se apresenta muito à admiração dos fiéis em Lourdes. Ela aparece dizendo que é a Imaculada Conceição, quer dizer, uma criatura que está numa condição inteiramente superior a todas as outras criaturas, porque concebida sem pecado original e gozando de uma predileção toda especial de Deus. De outro lado, Ela aparece praticando milagres dos mais estupendos, numa continuidade, numa importância de milagres sem igual na História da Igreja. E isto é porque Ela quer. Então, Ela se apresenta muito à nossa admiração.

Mas, de outro lado, Ela se apresenta muito ao nosso amor pela sua caridade, pela sua bondade, pelo interesse pela nossa salvação eterna e pelo interesse também pelo bem dos corpos e pela felicidade dos homens na vida terrena.

* Lourdes, lição de anti-igualitarismo

Os senhores estão vendo aí como, portanto, esses dois qualificativos se unem; e aquilo que a democracia pagã gostaria de separar, como verdadeiramente se liga. E o princípio de autoridade na sua mais alta expressão, os privilégios na sua mais alta categoria, na sua mais alta realização, não afastam do amor; mas, pelo contrário, convidam ao amor, desde que a pessoa, alcandorada a uma tão alta situação, use de seus privilégios para fazer o bem, para aqueles que estão abaixo.

De maneira que nós temos aqui, indiretamente, uma lição de antiigualitarismo, e uma lição de Contra-Revolução dada pela devoção a Nossa Senhora de Lourdes.

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