Santo
do Dia – 7/1/65 – 5ª feira .
Santo do Dia — 7/1/65 — 5ª feira
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A Ladainha da Humildade, ainda que magnífica, comporta um certo desenvolvimento * A Ladainha da Humildade que poderia ser também chamada Ladainha do Desprendimento e que é a negação da visão egoística da vida, comporta um lado afirmativo-positivo * O lado positivo contrário ao egoísmo combatido na Ladainha da Humildade é o desejo de que exista o contrário disso por amor de Deus * O lado positivo do momento em que tenho que lutar contra a vaidade, por exemplo, após um discurso, é saber se minhas palavras despertaram um verdadeiro movimento de amor a Deus * O amor próprio é profundamente radicado na natureza humana e para evitá-lo devemos em tudo verificar se estamos querendo a degustação de nossa vaidade ou a glória de Deus
* A Ladainha da Humildade, ainda que magnífica, comporta um certo desenvolvimento
A idéia central da ladainha é a seguinte…
O Cardeal Merry del Val fez aquela Ladainha da Humildade que os senhores conhecem e creio que até existe naquelas orações que temos na Capela. Em todo caso, aqui inculcamos muito a leitura dessa ladainha. Nas “Preces”, por exemplo, está publicada.
Pareceu-nos que esta ladainha, ainda que magnífica, de grande utilidade, que se deve sempre rezar, poderia comportar um certo desenvolvimento que fosse particularmente útil para os membros do “Catolicismo”.
Então me ocorreu fazer esse desenvolvimento da ladainha, e que era a aplicação dos mesmos conceitos do Cardeal Merry del Val a pontos que a nós interessam de modo especial. Qual o ponto que, sobretudo, nos interessa de modo especial?
* A Ladainha da Humildade que poderia ser também chamada Ladainha do Desprendimento e que é a negação da visão egoística da vida, comporta um lado afirmativo-positivo
A Ladainha da Humildade do Cardeal Merry del Val vista debaixo e um certo ponto de vista, pode ser chamada Ladainha do Desprendimento. E é a ladainha que é o oposto do egoísmo, porque todas as coisas que ele ali pede que Deus afaste dele são manifestações de egoísmo.
O desejo de ser estimado, de ser amado, de ser honrado, de ser consultado, o desejo de passar pelo primeiro, o desejo de ser mais santo do que os outros, o pesar de que os outros sejam mais santos, etc., todos esses desejos resultam, em última análise, do desejo egoísta de ser o primeiro em tudo e de ter tudo para si.
Há no fundo de todos aqueles defeitos que o Cardeal Merry del Val pede para que Deus evite para ele, a impostação egoística diante da vida: eu, eu, eu.
Por causa disso, pareceu-me que seria interessante ressaltar bem o seguinte: “Está bom, eu não quero ser amado, não quero ser respeitado, não quer ser objeto de louvor de ninguém, tudo isto está certo. Mas qual é o lado positivo desse lado negativo? Porque se eu não quero isto para mim, devo querer para o próximo? Não devo querer isto para ninguém? Como é propriamente o lado positivo desse aspecto negativo da coisa?”
* O lado positivo contrário ao egoísmo combatido na Ladainha da Humildade é o desejo de que exista o contrário disso por amor de Deus
E realmente o lado positivo, contrário do egoísmo, não é sobretudo, como se costuma dizer, o amor ao próximo. O contrário do egoísmo é, sobretudo, o amor de Deus. O amor do próximo é um reflexo do amor de Deus. E o amor de Deus que se exprime não só diretamente no amor de Deus, mas no amor a Nossa Senhora evidentemente, no amor à Santa Igreja Católica Apostólica Romana, que é o Corpo Místico de Cristo, e no amor à vontade de Deus e, portanto, no amor à nossa vocação, no amor ao Catolicismo, que é o ponto para onde nossa vocação nos trouxe.
Conseqüentemente, apresentar o lado positivo desse lado negativo envolve o seguinte: se eu, entrando num lugar, quero estar despreocupado da idéia de ser o primeiro, quero estar despreocupado da idéia de ser honrado, louvado, estimado, consultado, etc., etc., se eu sinceramente quero isto, devo querer isto pelo amor a Deus. E se quero isto pelo amor de Deus, devo querer que Deus, neste lugar, seja amado sobre todas as coisas, que a Igreja Católica ali seja amada sobre todas as coisas; que eu ali seja capaz de um amor sobre todas as coisas à minha vocação, ao grupo do Catolicismo, etc. Isto é o que eu devo querer.
Então, o desdobramento da Ladainha da Humildade apresenta esse lado positivo.
O quê é que eu devo ter em mente quando eu vou a um lugar, e que e eu estou fazendo um esforço para evitar que o amor próprio, o orgulho e o egoísmo tomem conta de mim? Eu devo ter certas intenções, devo ter uma certa visualização da coisa que evite isto para mim. Meu modo de visualizar é precisamente este.
* O lado positivo do momento em que tenho que lutar contra a vaidade, por exemplo, após um discurso, é saber se minhas palavras despertaram um verdadeiro movimento de amor a Deus
Imaginem, por exemplo, que eu tenha oportunidade de fazer uma conferência e que um público muito incompetente em matéria de crítica, por isto mesmo, me cumule de aplausos.
O quê é que na hora do aplauso devo pensar? Que aplaudam a mim, não tem importância, mas será que nesses aplausos há amor de Deus? A minha conferência conseguiu despertar amor de Deus em alguém? Conseguiu despertar amor à Igreja Católica em alguém? Esses aplausos significam um verdadeiro movimento de virtude que as minhas palavras tenham despertado? Com isto eu vou me alegrar. Não me alegro com o que me diz respeito, mas com isto vou me alegrar, porque está é a minha razão de ser. Sou criatura de Deus, sou servidor de Nossa Senhora, escravo de Nossa Senhora, filho da Igreja Católica, é com isto que devo me preocupar.
Ter sempre em mente esse lado positivo é um auxílio esplêndido para a gente praticar aquela virtude que o Cardeal Merry del Val inculcou na sua ladainha, e evitar os defeitos que ele também apontou, para a gente fazer isso de um modo inteiro, de um modo completo. E é por causa disso que me parece que seria muito bom nós analisarmos e meditarmos esse folheto que vai sair em breve.
* O amor próprio é profundamente radicado na natureza humana e para evitá-lo devemos em tudo verificar se estamos querendo a degustação de nossa vaidade ou a glória de Deus
Eu gostaria de fazer uma aplicação para a vida interna do grupo.
O amor próprio é uma coisa tão contínua, tão polimórfica e tão profundamente radicada na natureza humana, que qualquer pessoa que não preste atenção, na medida em que fecha os olhos, acaba sendo meio infiltrada — para dizer pouco! — pelo amor próprio, pelo orgulho, etc.
Então, o quê é preciso é [que] mesmo nos atos da vida do grupo, nós tenhamos isto em mente. Quer dizer, fazemos um serviço bem feito, conseguimos um resultado grande para nosso trabalho, somos objetos da admiração dos outros por causa disso, perguntar: estamos querendo isto por nós, ou por Nossa Senhora? Estamos querendo isto para ter o aplauso dos outros para nós, ou estamos querendo isto para que Nossa Senhora seja bem servida?
Então, quando fazemos um bom serviço para o Grupo, devemos perguntar-nos se lucrou a autoridade de Nossa Senhora aqui dentro com isto. Aí está muito bem.
Mas perguntar, depois de degustar aquilo: “homem, eu fiz tal coisa! Arranjei tal coisa assim, e como me olharam naquela hora! Aquele fulano que encrenca comigo, como ficou com uma cara comprida!” Considerações dessa natureza são uma verdadeira tristeza. Tiram todo o mérito do nosso apostolado! Nós devemos ser indiferentes a aparecermos ou não aparecermos dentro do Grupo!
Para conseguir isso só há um meio eficaz: é estarmos pensando se Nossa Senhora de fato está bem servida, está bem honrada e glorificada com as coisas que fazemos.
Quer dizer, o lado mais prático e mais concreto é estarmos continuamente fazendo aplicações daquilo para nosso comportamento interno dentro da vida do grupo.
Também o contrário: “Fiz um serviço, Fulano não ligou”. Ou então: “fiz um serviço, não apreciaram a importância desse serviço. Também, que importância tem? Desde que Nossa Senhora esteja bem servida, o resto não tem importância!!!”
É assim que a gente combate inteiramente o personalismo.
É por isso que eu tomo então a liberdade de recomendar aos senhores a leitura desse folheto que em breve vai ser posto em circulação.
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