Santo
do Dia – 30/12/1964 – 4ª feira [SD 155] .
Santo do Dia — 30/12/1964 — 4ª feira [SD 155]
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Confronto entre a vida de Santa Catarina Labouré e de São Luiz Grignion de Montfort * O próprio da mulher é ficar na penumbra e do homem aparecer e desenvolver ação pública * Santa Catarina chamada a dar o exemplo de feminilidade sadia
Recebeu da Imaculada Mãe de Deus a revelação da Medalha Milagrosa. Seligiosa vicentina. Sua relíquia se venera em nossa capela. Século XIX.
* Confronto entre a vida de Santa Catarina Labouré e de São Luiz Grignion de Montfort
Sobre a Medalha Milagrosa, como há uma festa especial sobre ela, nada haveria a dizer hoje, pois o assunto já foi tratado no dia próprio. Haveria algo a dizer sobre Santa Catarina Labouré.
O que se poderia dizer, parece-me, consistiria num confronto entre a vida de Santa Catarina Labouré, que foi, com devido respeito, com relação à devoção a Nossa Senhora, a figura feminina que teve talvez o maior papel na História, e dos santos aquele que teve maior papel na História na devoção a Nossa Senhora foi São Luís Maria Grignon de Monfort. A profunda diferença de vida e de missão de cada um, a serviço da mesma… [inaudível]… que é a difusão da devoção a Nossa Senhora.
São Luís Grignion de Monfort, missionário, peregrino, andando de um lado para outro, lutando, falando, sendo combatido, combatendo também, escrevendo livros e, portanto, aparecendo continuamente em público, continuamente nos templos de uma cena provinciana pequena, que foi o caminho do universo onde lhe permitiram que ficasse para pregar a sua missão, mas ali dando um tal exemplo e fazendo uma tal pregação que sua vida se irradiou para toda a História. De maneira que continuamente ele está presente em tudo quanto se fala a respeito de Nossa Senhora.
Santa Catarina Labouré foi o contrário. Ela era tão desconhecida, era tão apagada, tão inútil, que as próprias irmãs de hábito dela não souberam, durante muito tempo, que ela era que tinha recebido aquela devoção. A superiora disse que uma irmã recebeu, que uma irmã isto, que uma irmã aquilo, etc., mas elas não sabiam qual das irmãs do convento estava empenhada nisto. Só o confessor o sabia, nem a superiora.
Ela também conseguiu uma difusão enorme da devoção a Nossa Senhora. Nossa Senhora quis que fosse feita por meio dela essa devoção, mas dispôs dos meios adequados para que, de fato, ela fosse um instrumento humano disso, mas, ao contrário de São Luís de Monfort, ela ficasse completamente desconhecida.
É curioso neste ponto notar que, entretanto, ela teve um papel missionário, que é diferente, por exemplo, do papel de Santa Bernadette Soubirous.
Santa Bernadete recebeu aquelas revelações, todo mundo soube que foi Santa Bernadette, mas ela não fez outra coisa senão receber aquela informação e transmitir. Os milagres fizeram todo o resto.
Santa Catarina Labouré não. Teve que insistir, houve todo um trabalho que ela teve que fazer para isso andar, e ela foi muito mais ignorada que Santa Bernadette. Ficou verdadeiramente jogada de lado.
* O próprio da mulher é ficar na penumbra e do homem aparecer e desenvolver ação pública
Naturalmente, o comentário que caberia aí é como as vias de Deus são diferentes, como Deus pode dispor de tal maneira as coisas, que conforme esta ou aquela alma Ele faz com que as coisas aconteçam de um modo ou de outro modo. Este é um comentário muito legítimo, muito verdadeiro e também muito conhecido.
Eu gostaria aqui de acentuar um aspecto do problema, que convém para nós, um ensinamento mais próximo. É o seguinte, de que maneira é próprio à mulher ficar na penumbra: quando ela vive no século, ficar no ambiente da família; e quando ela vive no convento, aí ficar sem aparecer e sem desenvolver grande missão pública. É como exceção que as mulheres são conhecidas na história da Igreja, exercendo missões públicas. Quando a Providência quer se utilizar delas para algo de grande envergadura, e pode acontecer que queira, elas ficam, entretanto, postas de lado e vivendo no recato, vivendo fora dos olhos do público, ao contrário do homem, que é chamado exatamente para aparecer e para desenvolver uma ação pública.
Isso nos faz mostrar, nos faz saber que mesmo dentro dos planos da graça, um é o modo pelo qual deve atuar a mulher, porque condiz com a natureza dela, condiz com o feitio moral dela, condiz com o papel dela dentro do plano geral da criação, e outro é o modo de atuar do homem. E que até nesse campo sublimíssimo, de tal maneira encharcado de sobrenatural, onde facilmente as coisas poderiam se passar de outra maneira, até neste ponto a Providência é fiel à ordem que ela mesma estabeleceu e que ela mesma poderia superar por alguma decisão ou por alguma determinação.
* Santa Catarina chamada a dar o exemplo de feminilidade sadia
Isto nos faz ver bem quão errada está a civilização moderna, lançando a mulher para a vida pública, associando a mulher à vida cívica, mandando-a tomar atitudes muito salientes, inclusive em matéria de apostolado, confiando-lhe funções que, normalmente, seriam funções próprias aos homens. O que passa como emancipação da mulher, mas é de fato escravidão da mulher a uma proporção de tarefas que não são de acordo com sua natureza.
Então, a figura de Santa Catarina Labouré emerge para nós com uma luz ainda mais mítica: ela foi chamada a dar esse exemplo de feminilidade sadia, esse exemplo de feminilidade vista com tal respeito, que foi de uma mulher como ela que a Providência quis servir-se como instrumento para realizar uma obra incomparavelmente superior à que realiza tanta líder de Ação Católica, tanta vereadora, tanta Dulce Sales Cunha.
Exatamente nesta linha feminina, a Providência quis que ela continuasse bem feminina, porque o que a Providência quer é que cada sexo tenha uma tarefa específica, diferente da outra, ajustada à diferença de natureza, à diferença de papéis providenciais que existem para um e para outro.
Esta consideração nos faz ver também de que maneira uma análise boa da vida dos santos e da doutrina católica serve para combater as posições tomadas pela Revolução, no caso o feminismo, por exemplo. Mas quão longe se está de um aproveitamento desses exemplos para fazer essas considerações, de tal maneira que a Revolução prossegue… [inaudível]… porque as coisas são vistas de tal maneira que se encerram num certo círculo. O ciclo é o ciclo de pensamentos muitas vezes bom e legítimo, mas que não tem o fenômeno revolucionário em consideração.
Se eu fizesse, por exemplo, aqui um comentário que abstraísse desse aspecto da vida de Santa Catarina, e ficasse nos respeitáveis e veneráveis, nos santos lugares comuns a respeito dos insondáveis designios de Deus, etc., dir-se-ia coisa boa, mas não se impediria toda espécie de mal de continuar a fazer toda espécie de … [inaudível].
É preciso, portanto, dizer isto, mas também aquilo. É preciso saber ver tudo em função da Revolução, para fazer a obra contra-revolucionária.
E aqui está um comentário contra-revolucionário de um dos traços da biografia de Santa Catarina.
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