Santo do Dia – 7/12/1964 – p. 4 de 4

Santo do Dia — 7/12/1964 — 2ª-feira

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Santo Ambrósio

Hoje é festa de Santo Ambrósio, bispo confessor e doutor da Igreja.

Lutou contra Teodoro imperador do ocidente pela liberdade da Igreja, combateu os hereges; conversão de Santo Agostinho. É vigília também da festa da Imaculada Conceição de Nossa Senhora.

Santo Ambrósio, nos dá dois exemplos na vida dele, cada um deles muito ilustrativo, de maneira que merece um rápido comentário. O primeiro desses é a atitude dele em relação a Santo Agostinho. Santo Ambrósio era um homem de um talento enorme, é um dos santos doutores da Igreja, homem famoso em toda a Cristandade do seu tempo, em todas as vastidões de império Romano, pelos seus trabalhos, pelas suas influencias sobre o público etc., e ele tinham muitos trabalhos e escrevia muito. E Santo Agostinho conta nas memórias, que ele Santo Agostinho deve estar convertido, ele tinha verdadeira fascinação por Santo Ambrósio. Então de vez em quando, ele ia á casa de Santo Ambrósio, e metia-se na sala onde Santo Ambrósio estava escrevendo. Sentado junto de Santo Ambrósio, na esperança de que Santo Ambrósio dissesse alguma palavra a ele. E Santo Ambrósio muito ocupado com os trabalhos não dava entrada a Santo Ambrósio muito ocupado com os trabalhos não dava entrada a Santo Agostinho. De maneira que Santo Agostinho ficava sentado ali, olhando para Santo Ambrósio, e não obtinha nada. Mas de ver Santo Ambrósio, e de ver Santo Ambrósio, trabalhar, e de estar ali na atmosfera criada por Santo Ambrosio, ele sentia que aquilo fazia muito bem para a alma dele. E por isso e também por causa de alguns colóquios que eles tiveram, blasfemando-se se diria hoje, por causa de alguns diálogos que eles tiveram, e também por causa das obras de santo Ambrósio, das quais algumas Santo Agostinho conheceu antes da conversão, se pode dizer que Santo Ambrósio cooperou constantemente par esse fato que talvez seja o mais importante da vida de Santo Ambrósio, que não são todos os livros dele nem obras nem nada, mas é o haver convertido Santo Agostinho, que só é um capítulo na história do mundo. E na história da Igreja, ele haver convertido Santo Agostinho. Os senhores vêem aí duas coisas bonitas em Santo Ambrósio: primeiro lugar é o apostolado de presença. Nós insistimos tanto sobre o alcance desse apostolado. Muitas pessoas pensam que vale para o nosso movimento na medida em que falam, na medida em que atuam, na medida em que trabalham. É claro que isso tudo é muito bom. Mas há um apostolado de presença, que pode ser muito melhor do que tudo isto. E desse fato deu provas muito eloqüentes, Santo Ambrósio em face de Santo Agostinho. De outro lado também os senhores estão vendo a confiança na Providencia Divina. Se Santo Ambrosio fosse norte-americanizado, ele parava todos os trabalhos dele e começava a fazer uma pescaria apostólica com Santo Agostinho. Depois ele iria trabalhar desordenadamente outra hora, ou pior, minguaria os livros dele, e faria uns [livrequinhos?] superficiais, para ter tido tempo de [faltam palavras] Santo Agostinho. Santo Ambrosio não. Homem confiante na Providência, confiante no amor de Deus na Igreja Católica. Ele fazia o que estava nas possibilidades dele. Era vontade de Deus que ele fizesse o livro, ele fazia o livro. Santo Agostinho que aproveitasse as beiradas que pudesse, Deus haveria de prover. E Deus proveu e está acabado. Quer dizer, essa confiança na Providência de também não querer fazer loucuras. De não querer fazer absurdos. De ser temperante inclusive no próprio selo apostólico, é uma coisa que também é rica em lições para nós. Mas especialmente rica em lições para nós, debaixo de um certo ponto de vista, é o fato de Santo Ambrósio ter em testado com Teodósio. E fatos na vida da Igreja, que ficam símbolos para todos os vinte séculos da Historio Eclesiástica, ou para os quarenta ou cinqüenta que deve durar, eu não acredito que nem de longe chegue até lá. Santo Ambrósio teve um atrito com o imperador Teodósio, que era um dos maiores magnatas, enfim dos homens mais influentes de seu tempo e isto a propósito de questões de doutrina e se não me engano de costumes também. E impediu no momento em que Teodósio ia entrando na Igreja ele encontrou Santo Ambrósio com todo o seu clero do lado de fora proibindo Teodosio de entrar na Igreja. E enfrentando Teodosio que então se arrependeu, e se humilhou. Essa atitude do poder espiritual em relação ao poder temporal, lembra um princípio ao qual nós devemos ser sumamente afeitos e que é o princípio de que todas as grandezas humanas sejam elas de que natureza forem, apresentem-se elas a que título apresentarem, por mais que elas sejam exaltadas e glorificadas na sociedade civil com vistas na glória de Deus, é missão do clero humilhá-lo. É missão do clero quando essas potencias humanas não andam bem, enfrentá-los e quebrá-los. É missão do clero por esta forma tornar claro que todas as coisas humanas por mais altas que elas sejam, em face de Deus elas não são nada. Em face da eternidade elas passam e se reduzem a nada. E que afinal de contas a única coisa que fica sempre, que vale sempre, e está acima de tudo é a Santa Igreja Católica Apostólica Romana, a Igreja de Deus. Bossuet disse isto em termos magníficos; que o poder da, a missão da Igreja é a contenção dos poderes da Terra. E está exatamente nos tais contrafortes tão característicos da doutrina do Catolicismo que sendo nós a favor de uma hierarquia social e política altamente apurada e destilada e que uma grande glorificação do poder civil [aurido?], recebido por uma delegação divina, entretanto nós entendamos que por maior que tudo isto seja isso também tem que ter o seu limite. Isso também tem que ter o seu freio. E que esse freio é dado, exatamente, pela severidade de poder eclesiástico. Quanto isto é diferente de um vigário que trema diante de um tenente, isso nós temos um contraste recente e eloqüente na nessa história, a respeito desse assunto. Nós gostaríamos de ver o contrário; é a força, a ortodoxia representada pelo clero. A força representada pelo clero, fazendo recuar com olhar pastoral e terrível algum tenente [Preterodono?]. Nós tivemos exatamente o contrário ontem, mas assim que deveria ser. Ou então, algum plutocrata cheio de dinheiro “dextra eorum repleta est muneribus” a mão direita dele está cheia de presentes, não é isto? Cheia de subornes. Então, um frado subir e dizer: “Ó [ricasse?] guarde esse seu dinheiro, eu não preciso disso e ninguém precisa disse. Isso serve para sua condenação. Joga isso no bueiro e entra atrás. Porque aqui vale tal princípio, aqui vale tal regra. E ainda que fiquemos condenados ao extremo do pobreza se extreme da perseguição, Deus se rirá da sua fortuna, Deus se rirá da sua arrogância. Nós ficaremos aqui. Pobres e sós, no cumprimento de nosso dever. Ver o dinheiro humilhado. Ver a força material humilhada. Ver até o talento humilhado. E até a própria aristocracia do sangue humilhada. Quando ela vai de encontra á lei de Deus. Isto é o contraforte de todas as grandezas humanas. E esse seria o papel de clero nessa espécie de harmonia de universo. Eu acho importante ressaltar isso, porque quando nós falamos a respeito de rei, de nobreza, de hierarquia social, etc., etc., no fundo da cabeça fica algo, e esse algo tem sua razão de ser. E é a seguinte: nós conhecemos qual é a fraqueza humana. E sabemos como os homens podem facilmente serem arrastados pela sua fraqueza se eles se encontram numa situação preeminente. Nós temos uma sensação de que não é próprio o homem, caído no pecado original, ficar exaltado tão alto [será tu nenhum freio?]. Bom. Para abaixar o nível, os juristas da faculdade de Direito, dizem que isto se consegue por meio de sufrágio popular, de uma câmara e de um senado. Seria por exemplo Ranieri Mazili e Auro de Moura Andrade sublimes na afirmação dos princípios da [satedoria?] popular, enfrentando a espada de estanho de Castelo Branco. Bom. Realmente, nós sabemos que não é pelos inferiores que se limite o poder dês superiores. Mas é pelos superiores que se limite o poder dos superiores. E que o poder dos máximos deve ser limitado pela própria Igreja da Deus. Aí se estabelece o equilíbrio. Aí é que nós compreendemos o contrapese, e é aí que nós entendemos a harmonia profunda da própria ordem de coisas que nós sustentamos. Santo Ambrósio portanto se põe diante de nós na noite de hoje como o portador de um ensinamento profundo. E que fazendo sentir melhor harmonia de nossas teses, nós dá ainda desses teses uma convicção maior e mais equilibrada. Mas sendo hoje a vigília da Imaculada Conceição de Nossa Senhora seria impossível nós passarmos a noite sem dizer pelo menos mais uma palavra a respeito desse assunto. Eu sugeriria que nessa vigília, nós falássemos especialmente, uma palavra a respeito da castidade. Uma palavra a respeito da castidade não porque a Imaculada Conceição se confunda, como muita gente pensa, com a Virgindade de Nossa Senhora. São dois atributos radicalmente distintos. Nossa Senhora foi Virgem antes, durante e depois do parto mas isto não tem relação com sua Imaculada Conceição. Que é o fato de no primeiro instante de seu ser, ela ter sido isenta dos efeitos do pecado original. Mas há apesar de tudo um fio condutor entre os dois atributos. Eu até já tratei de dizer aí o seguinte. Mas é que o fato de ela ser sem mancha, nela não haver mancha nenhuma, de pecado original, esse fato confere á pureza dela, uma plenitude super-excelente, que a virgindade durante e depois do parto não vem senão acrescentar a elevar á categoria de um milagre. Mas há qualquer coisa de inexprimivelmente casto ligado á isenção da falta original, que confere á pureza de Nossa Senhora, fulgor único. Agora o que é que eu deveria dizer a respeito da pureza nessa noite para dizer numa palavra algo que seja para nós um [ilegível]. Eu vejo que o melhor para dizer seria lembrar aqui aquele dogma da Igreja Católica, de que ninguém consegue durante muito tempo praticar na sua totalidade os mandamentos da lei de Deus a não ser por meio da graça. Quer dizer depois do pecado original o homem ficou tão fraco, o homem ficou tão precário que sem a graça de Deus, ele não pode praticar, os mandamentos, duravelmente na sua totalidade; durante cinco minutos, durante dez minutos eu creio afinal. Mas durante dias, durante meses, durante anos, é inteiramente impossível ter isto assim. Ora isso que se diz dos mandamentos na sua totalidade eu creio que se deve dizer para quase todos os homens pelo menos especialmente da pureza. E da pureza, quer de trata da pureza em estado de celibato, que da pureza no estado do matrimônio. Quer dizer mesmo no estado do matrimonio a virtude da pureza é tão difícil de ser guardada, ela exige da parte do homem um tal heroísmo, ela exige uma tal elevação de vistas, ela de outro lado é uma virtude tão indispensável, ao homem que a gente compreende que seja preciso uma graça de Deus para que a grande e imensa maioria dos homens possa praticar a pureza. De maneira que para a maior parte, e grande maioria dos homens, a pureza é uma virtude, é uma espécie de milagre moral como seria por exemplo que de repente esse caderno aqui começasse a voar pelos ares. Quer dizer esse caderno violar a força da gravidade e levantar é algo como é pureza como obre da graça para a maior parte dos homens. E isso é bom que se diga para aqueles que guardam a pureza para que compreendam humildemente, a quem é que devem essa pureza. Eles compreendam que essa pureza assim é um fruto da graça e portanto é fruto da pertença deles a Santa Igreja Católica Apostólica Romana única esposa mística de Nosso Senhor Jesus Cristo. E e portanto uma espécie de fruto que a Igreja Católica produz em nós. E que sem a graça nós jamais conseguiríamos isso. É uma ilusão pensar que nossa força conseguiria isso. Um dos senhores dirá: mas Dr. Plínio eu sinto a força do meu ato de vontade no momento em que eu recuso um mau pensamenteo em que eu recuso uma ocasião de pecado. Eu digo é bem verdade meu caro, você sente esse força. Mas essa força que você sente que parece vir das profundezas de seu ser, lhe vem de fato de Deus. Você é forte de uma força que Deus lhe deu. E se Deus lhe tirasse essa força, aconteceria que você cairia. De onde acontece que aqueles que guardam a pureza devem rezar humildemente para não perdê-la. Compreendendo que toda a graça que o homem precisa ainda mesmo a graça que ele tem, ele deve pedi-la. Porque a graça nos é dada, em função da oração. E á preciso pedir para receber. É preciso bater para que se nos abra. E portanto a graça da pureza, mesmo a graça da pureza que possuímos, nós a devemos pedir com instancia, nós a devemos pedir com humildade. E se algum há aqui nesse auditório [faltam palavras].