Santo
do Dia – 3/12/1964 – p.
Santo do Dia — 3/12/1964 — 5ª-feira
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A Imaculada Conceição revida o demônio no seu intento destruidor da nobreza intrínseca do homem; Nossa Senhora torna-se raiz de salvação e até mesmo superação do plano divino com relação ao homem; na acomodação o homem facilmente decai; para nós só há coexistência esmagando a Revolução.
* Derrota “pessoal” do demônio * Plano do demônio: desfigurar o homem * Perversidade da ação demoníaca * Revide da Providência * Raiz da salvação e superação * Relação com a “RCR” * No auge da “bagarre” Nossa Senhora esmaga o demônio * Acomodação e decadência. Exemplo, Ordens de Cavalaria * Coexistência pacífica para nós: esmagando a Revolução! * Não procuramos prestígio, mas o extermínio da Revolução
Imaculada Conceição — III
Continua a novena de Nossa Senhora de Conceição e vai ser a primeira sexta-feira do mês. Eu lembro que hoje é a festa de São Francisco Xavier, Confessor.
* Derrota “pessoal” do demônio
Considerando a Imaculada Conceição num outro dos seus aspectos, eu gostaria de acentuar mais uma razão pela qual o demônio tem um ódio especial da invocação à Imaculada Conceição. E é o fato de que, pela Imaculada Conceição, ele sofre uma derrota — quase por assim dizer —, uma derrota pessoal, uma derrota pessoal muito sensível para ele. Por que ele empreendeu o que nós poderíamos chamar hoje uma operação. Ele empreendeu a operação gênero humano. Quando Adão e Eva estavam no paraíso terrestre, ele se aproximou de Adão, de Eva, tentou Eva, e tendo tentado Eva por meio da ação de Eva sobre Adão, completada naturalmente com uma ação direta sobre Adão, dele, demônio, enquanto Eva falava, ele conseguiu arrastar os nossos primeiros pais para o pecado original; ele conseguiu arrastar para o pecado original, e os senhores meçam as conseqüências disso no plano dele.
* Plano do demônio: desfigurar o homem
Quer dizer, se não houvesse a redenção do gênero humano, as conseqüências seriam para ele simplesmente espetaculares. Em primeiro lugar, o homem que é uma criatura nobre de Deus, ficaria desfigurado. Ficaria como uma espécie de máquina quebrada. Para os senhores terem a idéia do grau do mal que o demônio com a sua tentação conseguiu, faz produzir desde que o homem tenha consentido no pecado, os senhores imaginem o seguinte: que alguém dê a outrem um líquido pelo qual esse outrem fique louco. É um pecado horroroso que comete, e é um mal medonho que fez para a pessoa que ficou louca. Não é verdade?
* Perversidade da ação demoníaca
Ora, proferir umas palavras ou dar um conselho mediante o qual a pessoa come aquele fruto e depois fica como o homem ficou moralmente depois de pecado original, é muito pior do que enlouquecer. Porque enlouquecer não envolve culpa moral. Enquanto cair naquele estado era um culpa moral, e depois, por outro lado, criava uma situação própria para toda a espécie de culpas morais possíveis. Porque como o homem ficou sujeito às más tendências, como essas más tendências dificilmente se governavam por sua vontade, aconteceu que o homem ficou muitíssimo mais pecável do que ele era no paraíso. E portanto, em absoluto falando, o número de pecados de tornou imensamente maior, o número de pessoas capazes de cair no inferno se tornou, por causa disso, muito maior também e, por causa disso, caiu de fato um número colossal dentro do inferno. E portanto, a vitória que o demônio obteve, foi uma vitória colossal.
* Revide da Providência
Agora, qual era o modo de frustrar isto? O modo de frustrar isto era Nosso Senhor Jesus Cristo se encarnando e Ele sofrendo por nós. Agora, esse modo de frustrar isto se dava, tinha a sua primeira realização pelo nascimento de uma criatura excelsa, de uma criatura Imaculada, que apesar de todas as artes do demônio, nascia livre da trama que ele tinha preparado. Ele tinha preparado uma trama para envolver o mundo inteiro; pois bem, uma criatura privilegiada quebra a trama. E em favor dela, aliás, Deus quebra a trama. E Ela nasce inteiramente fora dessa lei. E nela portanto, a trama á esmagada, porque todos os homens deveriam nascer no pecado original, uma foi escolhida… e essa uma que foi escolhida é a Mãe de Deus.
* Raiz da salvação e superação
Quer dizer, é a raiz de toda a salvação, o ponto de partida de toda a redenção, foi o fato de ser criada essa pessoa fora do pecado original. Quer dizer portanto, é um plano colossal dele que tem uma estrondosa frustração. Mais ainda que uma estrondosa frustração, acaba tendo de algum modo uma superação. Porque a dignidade que o gênero humano tem depôs da Encarnação do Verbo, acaba sendo por algum lado uma dignidade maior do que aquela que tinha antes do pecado original. Porque é verdade que hoje nós fomos decaídos, e isso, e aquilo, e aquilo outro. Mas é verdade, primeiro, que na nossa natureza se encarnou o Verbo de Deus, e portanto, nós temos a mesma natureza da humanidade da segunda Pessoa da Santíssima Trindade.
Bem, em segundo lugar, é verdade que por meio d’Ele, nós podemos conseguir as graças necessárias para lutas mais meritórias de que se nós estivéssemos no Paraíso. E com isto ainda escangalhar mais o demônio. E portanto, até debaixo de um certo ponto de vista, se pode dizer que a nossa situação melhorou. Até se se admitisse a idéia que, parece que não é da maioria dos teólogos, de que foi em razão do pecado original que Nosso Senhor Jesus Cristo se encarnou, então se se admitisse essa idéia, nós poderíamos dizer: “Oh! Felix culpa!” — feliz culpa que foi a razão de nós termos um Salvador.
Quer dizer, até lá chega a coisa. De maneira tal fica quebrantada a obra do demônio.
* Relação com a “RCR”
Agora, que relação tem isto com a Revolução e a Contra Revolução. Toda a revolução que o demônio conseguiu fazer na História, é uma espécie de Revolução menor, de Revolução plano B ou plano N do demônio. Porque o plano A dele era lançar toda a humanidade no pecado, na morte e acabou-se. O plano B dele, muito quebrado e muito escangalhado, é essa Revolução que ele está fazendo agora.
De maneira que nós compreendemos, por aí, como a primeira Contra Revolução profunda foi exatamente a Conceição de Nossa Senhora, e a Encarnação do Verbo. E aí nós compreendemos como isto pisa de fato na cabeça dele. E portanto, que sentido teológico profundo tem se apresentar a imagem de Nossa Senhora da Conceição pisando a cabeça da serpente.
Então nós compreendemos exatamente que a serpente odeia a Nossa Senhora. E tudo isto são razões para nós compreendermos quanto essa invocação é propícia para os filhos da Contra-Revolução. Porque nós completamos a vitória de Nossa Senhora sobre o demônio, lutando contra essa espécie de segunda Revolução, que fica posta aí, e contra a qual nós queremos lutar para obter a vitória completa de Nossa Senhora. Eu creio que quando raiar a aurora do Reino de Maria, nós vamos ter a sensação de ver Nossa Senhora calcar a cabeça do demônio mais uma vez.
* No auge da “bagarre” Nossa Senhora esmaga o demônio
Os senhores imaginem o auge da “Bagarre”; com todos os uivos, com todos os berros, com todos as imprecações, possivelmente com todos os demônios soltos pelos ares que nós vamos ver, com aquela impressão de pandemônio, de desordem completo, do demônio convulsionando toda a criação, e depois, num determinado momento, ou repentinamente, ou por um acender de luzes esplendidas, não se sabe como, cai aquilo tudo, e uma ordem maravilhosa, “sacralíssima”, brilha em todos os homens, brilha em todas as coisas, e tudo se recompõe como deveria ser, e melhor ainda do que era antes.
Vai ser mais uma ocasião, um pisão de [que] Nossa Senhora dá na cabeça do demônio. De maneira que nós devemos pedir que Nossa Senhora prepare as nossas almas para esperar essas grandes coisas, para compreender essas grandes coisas, e para nos dar essa apetência da bagarre, que é um modo que nós temos de reagir contra um certo “tran-tranzinho”, contra uma certa acomodação das coisas, que é o modo de decadência de todas as coisas boas.
* Acomodação e decadência. Exemplo, Ordens de Cavalaria
É uma coisa interessante que as ordens de cavalaria que foram para Terra Santa, ficaram ali durante muito tempo num sentido combativo. Mas depois elas tomaram uma espécie de sentido estático. Ali estão os maometanos, por ali, assim, uns restos de judeus, ali estavam elas também. Não se atacavam mutuamente e formavam uma espécie de coexistência pacífica. Era bonito pela posição social de um chefe de Ordem de Cavalaria, no mundo maometano, bem tratado pelos emires, pelos sultões, pelos pachás, tratado com uma certa consideração, e…amavelmente e agradavelmente. Chefe de uma organização de oposição prestigiosa. E gozando a vida naquela estrutura. Mais ou menos como é o chefe da oposição no parlamento da rainha, que até recebe convite para os bailes, para as festas do palácio, é bem considerado, tem direito a honras oficiais, é um minoritário contente com a situação de minoria em que ele está, pelo menos no sentido de que ele acha de que assim vale a pena viver.
* Coexistência pacífica para nós: esmagando a Revolução!
Isto foi a decadência das Ordens de Cavalaria, e deu no que deu. Nós não podemos ter esse espírito assim. Nós devemos ter um espírito de intransigência, de querer a todo custo quebrar esta ordem de coisas, de não encontrar nenhuma forma de bem-estar, nenhuma forma de verdadeiro prazer, nenhuma forma de alegria nem de contentamento, em qualquer progresso para nós dentro dessa ordem.
Essa ordem é má, e o progresso que façamos dentro dela só nos interessa como uma possibilidade de derrubá-la. Não tem outra coisa. Por que? Porque nós temos essa incompatibilidade completa com a Revolução que Nossa Senhora tinha também. E que só há uma coexistência possível de nós com essa ordem: é pisando em cima da cabeça dela. É a única forma de coexistência possível.
De maneira que vamos nos preparar para essa idéia, e pedir a Nossa Senhora esse horror a qualquer forma de coexistência assim.
* Não procuramos prestígio, mas o extermínio da Revolução
Nós, por exemplo, vendemos — eu não notei nenhum sintoma disto, mas sempre vale a pena dizer — vendemos doze mil “Declarações do Morro Alto” em muito pouco tempo, é mais um sucesso nosso. Então nós vamos ficando uma instituição prestigiosa dessa democracia; ao lado das instituições que estão em cima, há uma instituição prestigiosa que está debaixo; ou que está de fora.
É um senhor distinto que entra numa sala e é do contra, discute com todo o mundo. É uma forma de ter prestígio. Então nós estamos dentro da amizade da democracia. Nós somos um dos elementos da democracia, uma das vozes que [se] erguem dentro da democracia. E aqui estamos nós…
Não senhor! Nós não somos uma das vozes que se erguem na sinfonia da democracia, nós gritamos, morra a democracia. E nós queremos é acabar com a Revolução. Nós não queremos ser cidadãos bem instalados dentro da Revolução, isto seria uma traição, nós queremos acabar com a Revolução. E um desejo de extermínio da Revolução nos deve acompanhar a todos os momentos. Exista símbolo para nós… Nossa Senhora que está, não conversando com a serpente, como Eva, não dando trela para a serpente como Eva e Adão, mas pisando na cabeça da serpente continuamente. Essa é a nossa atitude de espírito que nós devemos pedir a Nossa Senhora da Conceição que [a] mantenha continuamente.
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