Santo do Dia (Auditório da rua Pará) – 1/12/1964 – 3ª-feira – p. 3 de 3

Santo do Dia (Auditório da rua Pará) — 1/12/1964 — 3ª-feira

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Considerações sobre a Imaculada Conceição da Virgem Maria; obra-prima entre as meras criaturas; esplendor insondável da natureza e da graça; exemplo de D. Orioni diante de São Pio X; diante de Nossa Senhora...; Ela vê nossas misérias, mas é nossa Mãe.

* A mais alta personalidade feminina de todos os séculos * Graça santificante num grau insondável * D. Orioni diante de São Pio X... * Imaginemo-lo diante de Nossa Senhora * Ela vê nossas desordens, mas é nossa Mãe * Jamais perder a confiança nEla

Novena da Imaculada Conceição

[A parte que está em realce está ilegível na imagem.]

Um comentário que o Dogma da Imaculada Conceição pode sugerir é o seguinte:

* A mais alta personalidade feminina de todos os séculos

Os senhores sabem que Nossa Senhora, tendo sido concebida sem o pecado original desde o primeiro instante de seu ser, Ela não conheceu nenhum dos efeitos que o pecado original produz nos homens. Portanto, todas as desordens, toda impulsividade desregrada, toda a preguiça da fantasia, ou melhor, toda a desordem da fantasia, toda preguiça da vontade, enfim, todos os defeitos que existem em nós, em Nossa Senhora não existiram. Ela tinha uma ordenação humana natural perfeita. Além disso Ela era, dentro da ordem humana, uma verdadeira obra prima, quer dizer, o que Deus criou, criou na ordem natural, de mais alto no sexo feminino. De maneira tal que Ela tinha uma personalidade que não era apenas uma personalidade comum concebida sem o pecado original, mas a mais alta personalidade feminina de todos os séculos, a perder de vista em comparação com qualquer outra, e posta em estado de isenção completa de culpa original.

* Graça santificante num grau insondável

Por outro lado os senhores acrescentem a isso a graça santificante dada numa abundância inaudita, uma abundância insondável, e além do mais correspondida perfeitamente a cada momento, e os senhores compreendem o que seria a ordem interna, a pureza, a virtude e santidade de Nossa Senhora.

* D. Orioni diante de São Pio X…

Para os senhores terem uma idéia do que seria a sensação de um de nós que se aproximasse de Nossa Senhora, me ocorre um fato pitoresco da história da Igreja, que é relativo a D. Orione, cujo processo de canonização está introduzido — parece que já foi declarado beato, não me lembro — que é o fundador de uma congregação religiosa no século passado e que está sobrevivendo também em nosso século. E D. Orione conta que várias vezes ele tinha ido tratar com São Pio X, mas que ele antes de falar com São Pio X ele se confessava — olhem que D. Orione vivia em estado habitual de graça! — Porque o olhar de São Pio X era tão límpido, tão puro e tão profundo, que ele se sentia mal à vontade de não se ter confessado antes de estar com São Pio X.

* Imaginemo-lo diante de Nossa Senhora

Agora, se essa é a diferença que vai de um santo — porque provavelmente era um santo — para outro santo, os senhores podem imaginar qual seria a diferença que haveria de D. Orione para Nossa Senhora. Se ele tivesse que falar com Nossa Senhora, ver Nossa Senhora. certo que ….quarentenas de penitencia…..e apresentar a Ela, sem ousar mirá-la face a face. [Esse?] é D. Orione. O que seria um de nós colocado na contingência de ver Nossa Senhora? Os senhores compreendem então qual é a prodigiosa diferença de almas que há aí. Mas é uma diferença de almas que Ela vê incomparavelmente melhor do que nós vemos. Porque naturalmente nós não temos consciência de todos os nossos defeitos, não temos consciência de todas as nossas imperfeições e até quanto não maiores são os defeitos, tanto maior é a sem cerimônia com que muita gente se apresentaria a Nossa Senhora. Eu estou vendo muita gente — bem entendido, fora deste recinto — que se apresentaria a Nossa Senhora muito animado: “Oh! Pois não. Cumpri meu dever, a Senhora também. Eu fiz alguns sermões a respeito da Senhora, tão bom como [tão bom?]”.

* Ela vê nossas desordens, mas é nossa Mãe

Por aí compreendam então que noção Nossa Senhora tem, portanto, de todas as nossas desordens e que horror Ela tem de nossas desordens. Mas, ao mesmo tempo como Ela é nossa Mãe, e Ela nos tem um amor invencível. Também como Ela tem pena de nos ver nesse estado e o desejo ardentíssimo que ela tem de nos tirar desse estado, portanto, qual é toda a força das orações d’Ela para sairmos desse estado. E também por aí, com quanta confiança nós devemos pedir e podemos pedir as orações d’Ela, e com quanta confiança, apesar dessa indignidade, nós nos devemos dirigir a Ela. Porque se sabemos, de um lado, que Ela tem um horror insondável ao pecado que possa haver em nós, sabemos também que Ela tem uma pena igualmente insondável de nos ver nesse estado. De maneira que, pelo horror d’Ela medimos o tamanho da pena, e pela pena podemos compreender quanto desejo Ela tem de nos tirar daí e com quanta confiança devemos recorrer a Ela.

* Jamais perder a confiança nEla

Por que eu, cada vez que falo de Nossa Senhora, falo dessa intercessão e falo da confiança? Eu nunca poderei esquecer aquela frase de São Francisco Xavier que: “Pecar é uma coisa tristíssima, mas pior que o pecado é o fato de que o pecador, depois perde a confiança em Deus”. Aí é que tudo se quebra. E o único meio de não perder a confiança em Deus, é confiar em Nossa Senhora. De maneira que nunca será suficiente inculcar essa confiança desmesurada numa bondade de fato insondável.

E ao mesmo tempo em que temos um reconhecimento humilde de nossos defeitos, quanto maior o defeito, maior a certeza de que Ela tem pena de nós e, portanto, maior a confiança n’Ela. De maneira que, realmente, eu nunca me cansarei de insistir nesse ponto. E é por isso que nesta noite aproveitei a ocasião para falar a respeito da matéria.

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Auditório da rua Pará