Santo
do Dia – 18/11/1964 – p.
Santo do Dia — 18/11/1964 — 4ª feira
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O ícone de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é de influência oriental; socorro, auxílio e amparo são afins; o especial da palavra “perpétuo”; a Rainha da Inglaterra e o mendigo incorrigível; sempre socorre, quando atrasa vem com juros.
* O ícone * Especial devoção dos Redentoristas * O título, Perpétuo Socorro, se confunde com Auxiliadora e Amparo * Marca distintiva na palavra “perpétuo” * O mais belo do auxílio é ser perpétuo * A Rainha e o mendigo * O auxílio perpétuo * Quando atrasa no atender, vem com as mãos cheias
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro
* O ícone
Nossa Senhora do Perpétuo Socorro é desses temas que se tem muito o que dizer e, ao mesmo tempo, tem-se pouco o que dizer. Tem-se pouco o que dizer, porque, a respeito de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, o quê sei é que se trata de um ícone da Igreja Oriental, sobre fundo dourado, como é característico nas pinturas de estilo oriental, com aquele hirto e aquele imóvel que caracteriza a pintura ainda influenciada pelo estilo oriental.
E, é uma devoção que, se não me engano, nasceu no sul da Itália, onde exatamente a influência da Igreja do Oriente é tão grande que, até hoje, na Ilha da Sicília existe uma diocese ou duas, católicas apostólicas romanas, mas de rito oriental, de rito grego, por causa da continuidade da influência grega na Ilha da Sicília.
* Especial devoção dos Redentoristas
Esta devoção generalizou-se pelo mundo inteiro, e por uma série de razões históricas e concretas, tornou-se a invocação especial da Congregação dos Redentoristas. Ela tem sido, como se sabe, o objeto da difusão de um número enorme de graças dentro da Igreja, e é cumulada de favores, de proteções, de indulgências, pela Igreja.
* O título, Perpétuo Socorro, se confunde com Auxiliadora e Amparo
O que nós deveríamos falar é a respeito do título de Perpétuo Socorro, que é o título pelo qual Nossa Senhora quis ser venerada nessa devoção, e que se diferencia de vários outros títulos com que Ela é venerada.
Mas gostaria de fazer sentir, antes de tudo, que esse título coincide com outra forma e com outros aspectos e com outros títulos que invocam a mesma idéia. Por exemplo, Nossa Senhora do Perpétuo Socorro e Nossa Senhora Auxiliadora. Quem me auxilia, socorre; e quem socorre, auxilia. Nossa Senhora Auxiliadora e Nossa Senhora do Amparo. Quem ampara, socorre; quem ampara, auxilia; quem auxilia, de algum modo ampara e socorre.
Quer dizer, essas invocações que se distinguem porque nasceram em lugares diferentes, porque foram recomendadas aos fiéis a propósito de ocasiões e circunstâncias diferentes, essas invocações, entretanto, por vários aspectos elas celebram a solicitude com que Nossa Senhora intervém nos acontecimentos da vida cotidiana — quer nos acontecimentos de ordem espiritual, quer de ordem temporal — quer acontecimentos que digam respeito ao destino dos indivíduos, quer aos que digam respeito ao das famílias, Estados, da Santa Igreja, das famílias de almas… [faltam palavras] …dos interesses da Causa “ultramontana”… ora, o desvelo, a freqüência, a bondade, a condescendência com que Ela intervém para auxiliar aqueles que se voltam para Ela.
* Marca distintiva na palavra “perpétuo”
Esse conceito, entretanto, comum a tantas invocações, na invocação de Nossa Senhora do Perpétuo Socorro tem um elemento próprio. É a palavra “perpétuo”. Nossa Senhora Auxiliadora não se diz “Nossa Senhora do Perpétuo Auxílio”, como não se diz “Nossa Senhora do Perpétuo Amparo”. Portanto, nessa invocação de Nossa Senhora, o que se glorifica especialmente não é o fato de que Nossa Senhora com muita freqüência, com muita liberalidade, com muita ternura, auxilia os católicos, mas é o fato de que esse auxílio é perpétuo. A perpetuidade desse auxílio é a norma sobre a qual cai o acento tônico dessa invocação.
* O mais belo do auxílio é ser perpétuo
Mas por que a perpetuidade desse auxílio? Porque se o auxílio é uma coisa muito preciosa — sobretudo quanto provém da Rainha do Céu e da terra, que tudo pode porque foi chamada a “Onipotência Suplicante”, Aquela que pelo valor de suas súplicas tudo pode — se este auxílio de Nossa Senhora é muito precioso, entretanto o que tem, por um lado, de mais belo, é o fato de ser perpétuo.
* A Rainha e o mendigo
Imaginem uma pessoa que é um mendigo, um miserável, um leproso. Mas esse indivíduo recebe, por exemplo, graças de uma rainha. Digamos que seja um miserável da Inglaterra, mas que a Rainha Elizabeth II tem pena dele e, de vez em quando lhe dá um auxílio. Nós podemos nos entusiasmar com a condescendência da rainha de se voltar para o mais humilde e miserável de seus súditos e, do alto de seu trono, de vez em quando fazer descer algo para esse seu súdito. Podemos nos extasiar com a condescendência dela, podemos nos rejubilar com a felicidade desse súdito quando essa graça inesperada e imerecida lhe chega. E podemos então cantar as glórias da rainha. Mas fica sempre isso: Um auxílio tão facultativo, um auxílio dado por tal liberalidade para uma pessoa que de tal maneira não merece, esse auxílio não cessará? Não virá um momento em que a pessoa abusará, em que ela tantas e tais terá feito que não mais será auxiliada?
Quer dizer, a cessação do auxílio é a sombra que fica dentro do próprio auxílio. Não haverá momento em que a rainha, ocupada com outras coisas, esquecerá aquele miserável? Não haverá um momento em que ela diga, cansada de tanto dar: “Eu tanto dei a esse homem e ele nunca conserta sua vida, vou cessa de dar agora?” Não haverá um momento em que a rainha diga: “Afinal de contas, tenho muitos que me pedem. Já dei muito para ele. Agora vou dar para outro.”
Não haverá uma situação em que a rainha, tendo que mandar um auxílio, sabe que ele está numa canoa nos mares entre a Escócia e o Pólo Norte, e ela decide não mandar o auxílio, desde que o local é distante e que o pobre faz demais coisas erradas, tendo-se até metido naquelas distâncias? “Não será possível — dirá a rainha — mandar um helicóptero da Marinha Real buscar esse homem, puxá-lo do local onde está, trazê-lo para lugar seguro, para uma casa.”
E se, por exemplo, esse homem fizesse alguma coisa contra a própria rainha? Se tivesse o infortúnio de atentar contra ela; se fizesse algo, por exemplo, que fosse uma calúnia contra a rainha? A rainha não diria que ele ultrapassara as medidas e agora ela nada mais tem a ver com ele?
Quer dizer, podemos considerar mil circunstâncias em que esse apoio cessaria, e em que a rainha se desinteressaria desse miserável.
* O auxílio perpétuo
Ora, precisamente Nossa Senhora não é assim para conosco. E a perpetuidade de seu auxílio indica expressamente o contrário. Por pior que façamos, por mais que abusemos, por mais incríveis que sejam nossas ingratidões, por mais agudo que seja o risco, por mais extraordinário que seja o milagre que tenhamos que pedir, por mais extremo, por mais improvável que seja o que devemos pedir, desde que não seja uma coisa em si má, Nossa Senhora é a Mãe do Perpétuo Socorro.
Quer dizer, a Mãe que se glorifica em atender sempre, em acudir sempre, em acolher sempre, de maneira que não há uma hipótese possível em que nós, rezando para Ela, não sejamos atendidos e socorridos.
* Quando atrasa no atender, vem com as mãos cheias
É claro que Ela nos reserva, em certas circunstâncias, o não conceder aquilo que pedimos. Mas o não conceder é apenas um modo de dizer, porque Ela pode atrasar o momento de conceder aquilo que pedimos. Mas esse atraso é para nos dar depois o cêntuplo do que pedimos.
Felizes aqueles em relação aos quais Nossa Senhora demora! Ela vem com as mãos carregadas com dons multiplicados. Pode ser também que Nossa Senhora não nos dê a graça que pedimos, mas Ela acaba dando outras graças muito mais preciosas do que aquelas que pedimos.
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