Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 1/10/1964 – 5ª feira [SD 011] – p. 3 de 3

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 1/10/1964 — 5ª feira [SD 011]

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O que deve ter havido de graças sensíveis no batismo de Clóvis e o sofrimento de Saint Remy para obtê-las * Um fatinho: termos na biblioteca uma reminiscência do premier chrétien * Somos fadados para grandeza e alegria maiores ainda no Reino de Maria, no meio de um mundo de sofrimentos

mas é um posto alfandegário de fato. Toda a porcaria fica de fora. Queima o que adoraste. E agora sim, depois de teres queimado o que adoraste, estás em condições de receber o convite, adora o que queimaste.

* O que deve ter havido de graças sensíveis no batismo de Clóvis e o sofrimento de Saint Remy para obtê-las

Bem, os senhores estão vendo aí vários elementos: Santa Clotilde de que nós falamos há pouco tempo atrás, assistindo, talvez num êxtase, ao batismo de Clóvis, e algo que é muito mais do que isto, e que quem tem a vida … [inaudível].

Há uma ou outra vez … [inaudível]… momentos em que há tanta bênção, que a gente diz e sente que é uma bênção pairando no ar. A gente percebe que o Anjo da Guarda de cada um de nós, que os Anjos que nos protegem passam assim, fazem passar como que uma graça sensível por todo o ambiente.

Agora, podem imaginar o que é que seria a graça do ambiente no momento em que Clóvis se batizava? E a nação Franca, a nação Francesa, com toda as glórias que ela trazia para Deus, nascia naquele momento exatamente para a Igreja Católica …

A Igreja batizando a sua primogênita, podem imaginar esse momento de alegria, de afeto, de força, de entusiasmo, de energias naturais e sobrenaturais absolutamente novas? É alguma coisa parecida com o mundo depois que Noé e os dele saíram da arca e se viu o arco-íris, enfim, aquela coisa toda.

Assim se deveria sentir nesse momento. E esta deveria ser a atmosfera dentro da Catedral de Reims. Todo o resto estava contido dentro disso.

Então nós compreendemos a glória de ser Saint Remy. Os senhores compreendem quantas orações ele há de ter feito, quantos sacrifícios há de ter feito, quantos sofrimentos ele há de ter padecido, e eu insisto sobretudo nos sofrimentos, quanto ele há de ter sido torturado, triturado para que essa imensa aspiração que ele trazia e que era o contrário daquele mundo em desordem, essa aspiração, afinal de contas, se transformasse naquela realidade. Era uma verdadeira maravilha.

Há imagens da Idade Média representando pessoas puras que quando dormiram o sono eterno, da boca nasceu um lírio. Desse homem nasceu muito mais que um lírio, nasceu a flor-de-lis da França. Da alma desse bispo, da santidade desse bispo, das orações de Santa Clotilde.

Aí os senhores compreendem certas coisas, e os senhores compreendem a grandeza da França que veio depois.

* Um fatinho: termos na biblioteca uma reminiscência do premier chrétien

Um fatinho minúsculo.

Nós temos na nossa biblioteca um vago eco disso, adquirido pelo nosso Luizinho. Depois de ter sido batizado Clóvis, foi batizado um quidam. E esse quidam, que, portanto, foi depois de Clóvis o primeiro cristão, foi o ponto de partida genealógica — pelo menos, segundo aquelas genealogias um pouco fabulosas, mas imensamente simpáticas da Idade Média —, foi o ponto de partida da Casa de Montmorency. E os barões, depois duques de Montmorency, iam na frente de todos fazendo face ao perigo e todos gritavam marchando para o inimigo e de espada em punho: “Dieu aide le premier chrétien — Que Deus ajude o primeiro cristão”. Eram os Barões de Montmorency.

Nós temos na nossa biblioteca livros que foram dos Barões de Montmorency, em que tem exatamente um lindíssimo brasão de armas dos barões de Montmorency, com esta expressão: “Dieu aide le premier Chrétien”.

É uma gotinha desta maravilha do batismo de Clóvis e da ação de Saint Remy. Só isto.

[Em] toda a história dos Montmorency e dessa mesnada que vai na luta gritando “Deus ajude o primeiro Cristão”, há uma aliança do primeiro cristão com Deus, que é um inefável, uma coisa maravilhosa: o primeiro cristão.

Eu pergunto se o único cristão acaba não sendo por sua vez o primeiro cristão. E se aquilo que é único, mas do qual tudo deve se gerar de novo, não é por sua vez o primeiro em relação a toda uma ordem.

Noé não foi de algum modo o pai de todos os homens? Ele não foi de algum modo todos os homens? Ele não foi o primeiro dos homens de algum modo?

* Somos fadados para grandeza e alegria maiores ainda no Reino de Maria, no meio de um mundo de sofrimentos

Nós não podemos dizer que nós, os ultramontanos do mundo de hoje, … [inaudível]… somos de algum modo o premier chrétien do Reino de Maria? E para quanta grandeza do tipo de Clóvis e de Saint Remy nós estamos fadados?

Não é só um passado para olhar, mas é, sobretudo, um futuro para olhar. Aí é que nós podemos compreender no meio de um mundo de sofrimentos, no meio de um mundo de coisas triviais, terra-a-terra, de demoras de Deus, quanta coisa maravilhosa nos espera.

E creio que Saint Remy pouco antes do batismo de Clóvis terá tido a idéia de toda a grandeza que vinha daquilo. Antes disso ele queria muito, mas não sabia como vinha. Afinal acabou vindo, e muito mais do que ele queria. E a obra dele foi para ele a recompensa dele excessivamente grande.

Assim também eu acredito que nós podemos dizer que um dia virá em que nossa obra será a nossa recompensa excessivamente grande na terra. Até que Nossa Senhora nos mostre a Jesus Cristo, que disse de Si mesmo que Ele seria para nós a nossa recompensa excessivamente grande.

Então fiquem-nos muitas esperanças, fiquem-nos a convicção de que poderemos ver glórias como essas.

Os senhores já imaginaram o que seria … [inaudível]… a gente ver a instauração do novo rei da França, mas um rei lo que se dice um rei, que realmente queimasse tudo o que ainda não tivesse sido queimado e que foi adorado, e que adorasse tudo quanto estava sendo queimado. A alegria de Joana d’Arc não seria nem de longe tão grande como essa. Porque que rei que ela estava entronizando, coitada, que chumbo, que degenerescência.

Pelo contrário, se nós entronizarmos um verdadeiro filho de Nossa Senhora no Reino da França, que glória e que alegria. E tudo ressurgir, tudo renascer, tudo voltar a ser o que devia ser, os senhores já imaginaram o que nos espera?!… Mais bonito do que isto é só entrar no Céu. Aí então tudo é indescritível, e tudo quanto há na terra, são prefiguras.

Essas seriam as nossas reflexões por ocasião da festa de Nossa Senhora e da de Saint Remy.

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