Santo do Dia (Rua Pará) – 21/9/1964 – 2ª feira [SD 169] – p. 2 de 2

Santo do Dia (Rua Pará) — 21/9/1964 — 2ª feira [SD 169]

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Na época atual, em que o paganismo é pior do que no tempo de Nosso Senhor, devemos difundir a boa nova como os evangelistas, com a convicção da santidade que encerra em si * Mesmo sendo leigos sem mandato, temos um convite “providencial” fortíssimo para anunciarmos a boa-nova, sem o quê muitos ficarão sem a conhecer

* Na época atual, em que o paganismo é pior do que no tempo de Nosso Senhor, devemos difundir a boa nova como os evangelistas, com a convicção da santidade que encerra em si

Eu vou fazer um comentário particularmente breve porque nós temos uma porção de coisas para cuidar antes de ir embora, por causa da atividade em que estamos engajados.

Hoje é festa de São Mateus, apóstolo e evangelista. Evangelista, pregador, portanto, da boa nova. O Evangelho é a boa nova. E essa posição de quem estava colocado diante de um mundo e ignorava completamente as coisas que ia dizer, e que era o mundo para o qual ele deveria anunciar a boa nova.

Todos os autores do Evangelho, de modo geral todos os apóstolos, difundiram, nesse sentido, o Evangelho de Nosso Senhor Jesus Cristo. E nós deveríamos nos persuadir também de que na época de hoje, que caiu num paganismo pior do que a época de Nosso Senhor Jesus Cristo, o ultramontanismo que nós difundimos, e que não é outra coisa senão a vista exata ou a concepção exata do que seja a religião católica, apostólica, romana, é a verdadeira boa nova.

Nós nos deveríamos dirigir àqueles que não são católicos, ou aos católicos que não são ultramontanos que não compreendem a verdadeira face da Igreja Católica, são da esquerda católica, são de uma porção de outras coisas assim, nós nos deveríamos dirigir com a segurança com que os evangelistas se dirigiram e que anunciavam a boa nova. Quer dizer, uma coisa nova e boa, não no sentido de que é gostoso, não no sentido do que é agradável, mas no sentido de que é boa, quer dizer, verdadeira, quer dizer, salvífica, daqueles que vão levar a salvação.

Quer dizer, há no modo do evangelista se firmar, no modo do apóstolo se firmar, uma convicção da santidade da nova que ele leva, da novidade da nova que ele leva, uma grandeza ao proclamar e ao afirmar, que nem sempre a iconografia exprime quando mostra os evangelistas. E que, entretanto, é algo que supera a própria segurança e a própria grandeza dos antigos profetas.

* Mesmo sendo leigos sem mandato, temos um convite “providencial” fortíssimo para anunciarmos a boa-nova, sem o quê muitos ficarão sem a conhecer

É por causa disso que eu gostaria que o Aleijadinho além de ter expresso aqueles profetas magníficos, que o nosso Fedeli soube reproduzir tão bem, que o Aleijadinho tivesse feito também os Evangelistas. Mas então os evangelistas com uma segurança, com uma grandeza e com uma força incomparavelmente maior do que a dos profetas antigos. E aí é que nós teríamos verdadeiros perfis de evangelistas. Aí é que nós compreenderíamos o que um evangelista de fato foi e o que é que entra nessa vocação, o que é que entra nessa missão, o que é que entra no perfil moral do verdadeiro evangelista.

Ora, nós não temos mandato. Nós não somos sacerdotes. Nós não temos, portanto, nenhuma incumbência oficial de anunciar a boa nova. Mas conosco dá-se apenas isso: que os que a noticiam são muito pouco numerosos e que se nós não a noticiarmos, conservando-nos embora no nosso papel de leigos, de membros da Igreja discente, muitos ficarão sem saber, muitos ficarão sem conhecer, e que se há uma missão oficial, existe pelo menos um convite providencial fortíssimo para que nós, de fato, espalhemos a boa nova. E esse convite oficial deve repercutir em nós, determinando uma personalidade da segurança, da profundidade, da altaneira da grandeza de um evangelista, de um apóstolo, de que nós podemos ter idéia contemplando um pouco o que o Aleijadinho esculpiu nos profetas do Antigo Testamento. Ali está a linha para se compreender como a coisa deveria ser.

São João Batista como superava a todos eles!

Ora, São João Batista não é apenas um elo entre o Antigo e o Novo Testamento. O Novo Testamento é a plenitude do Antigo. E todas as qualidades dos antigos profetas deveriam aparecer, e apareceram na Novo Testamento, com um fogo e uma grandeza incomparavelmente maiores.

É assim que nos evangelistas, os apóstolos deveriam ser vistos por nós. É nesse modelo que nós deveríamos nos inspirar para ser o varão sério, o varão até severo, o varão altaneiro, que não tem medo de nada, intrépido, corajoso, que fala em nome de uma verdade eterna e por isso não se sente acanhado nem diminuído diante de ninguém.

É essa a graça que eu acho que nós devemos pedir a São Mateus nesta festa de hoje.

Nós vamos então encerrar rezando as orações do dia.

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