Santo do dia — 12/9/1964 — sábado – p. 4 de 4

Santo do dia — 12/9/1964 — sábado

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* Desagravo pelas dores da Igreja * Nome, símbolo da pessoa * Festejando o nome de Maria, festejamos a glória de Nossa Senhora * Glória dEla na terra * Insuportável que Nossa Senhora não tenha toda a glória devida * Zelo pela glória de Nossa Senhora * Ato de reparação numa Basílica Carmelitana * Exame de consciência: como deveria ser nossa reparação * Reparação perfeita * Humildade no reconhecimento de nossa insuficiência acarreta graças

[Nota do revisor: o que se encontra em amarelo é corte, e está manuscrito]

* Desagravo pelas dores da Igreja

Eu achava interessante que o ato de desagravo — se o Frei Jerônimo estiver de acordo — se faça não apenas pela nossa presença lá, recitando uma oração qualquer, um ato qualquer de desagravo em nome da Ordem Terceira, diante do Santíssimo. [Eu] submeteria o texto a Frei Jerônimo, amanhã, para ver se estaria bem, se estaria concebido em termos convenientes.

Eu creio que as outras dores e tristezas pelas quais a Igreja passa no momento são tão numerosas, que esses desagravos poderiam, indiscriminadamente, estender[-se] a todas essas dores…….Quer dizer, de qualquer maneira se o Frei Jerônimo até amanhã, meditando sobre o caso, achar que for oportuno, poder-se-ia fazer um desagravo nominal pela visita de D. Helder Câmara, e um desagravo genérico por todos os agravos que a Santa Igreja está recebendo no momento presente. Nós bem sabemos quais esses agravos são.

É interessante que este nosso desagravo coincide com a festa de amanhã, que é especialmente uma festa da glória de Nossa Senhora, porque é a festa do Santíssimo Nome de Maria.

* Nome, símbolo da pessoa

Não se trata aqui apenas do nome de Maria, MARIA, não [é] disso que se trata, mas de algo que está por detrás do nome. Quando se tratou aqui da festa do Santíssimo Nome de Jesus, eu já tive ocasião de dizer isto.

Os antigos consideravam o nome como uma espécie de símbolo da pessoa, e daí também o fato de durante muito tempo se ter desenvolvido muito o uso das iniciais, que é uma espécie de símbolo do nome, que é o símbolo da pessoa.

Então, o nome é o símbolo da realidade psicológica, moral, espiritual, mais profunda que está na pessoa, e por causa disso, esse nome de Nossa Senhora, como o Santíssimo nome de Jesus, deve ser considerado nome simbólico da virtude excelsa de Nossa Senhora, simbólico de sua missão, simbólico, enfim, daquilo que Ela verdadeiramente é. E o nome de Nossa Senhora, o nome da pessoa, é algo que é a afirmação desta glória interior, que é a afirmação destes predicados interiores; é uma manifestação de uma essência íntima ao nome dentro dessa concepção.

* Festejando o nome de Maria, festejamos a glória de Nossa Senhora

E por causa disso, o nome de Maria seria a manifestação simbólica, é claro, de tudo quanto há de excelso em Nossa Senhora. E festejando este nome, nós festejamos a glória que Nossa Senhora tem, a glória que Ela teve, a glória que Ela terá e a glória que Ela deveria ter no universo. A glória que Ela tem no Céu.

Quanto à glória que Ela tem no Céu, não adianta dizer nada; já está tudo dito. Ela é a Rainha de todos os Anjos e de todos os santos, e Ela é colocada acima de todas as criaturas, mas Ela está colocada incomparavelmente, incomensuravelmente acima de todas as criaturas, de maneira que na ordem criada, Ela é o cone para o qual tudo converge, e Ela é, então, nossa medianeira com Deus Nosso Senhor. E a glória que Ela com isso tem é uma glória simplesmente inexprimível, que é uma decorrência de sua condição de Mãe do Salvador, de Mãe de Nosso Senhor Jesus Cristo.

* Glória dEla na terra

Agora, na terra, nós precisamos pensar muito nisso, na terra também Nossa Senhora deve ser glorificada. O “Gloria Patri et Filio et Spirítui Sancto”, aí se responde: “Sicut erat in principio, et nunc, et semper, et in saecula saeculorum. Amen” – “Assim como era no princípio, agora e sempre e por todos os séculos dos séculos. Amém”.

O normal é que Nossa Senhora fosse venerada na terra e que o nome santíssimo de Nossa Senhora fosse glorificado de modo inexprimível.

Os senhores imaginem um mundo, imaginem uma Cristandade, na qual [sobre] toda ela sopre o espírito de São Luís Grignion de Montfort. Os senhores imaginem que essa dessa Cristandade os discípulos de São Luís Grignion de Montfort fossem o sal da terra e dessem realmente o tom da piedade de Nossa Senhora; e os senhores compreendem o quê que seria a glória de Nossa Senhora no mundo. Seria incomparavelmente mais do que é hoje.

Nós vemos Nossa Senhora tão glorificada pela Santa Igreja, ao menos até o momento em que começou a era de D. Helder Câmara. Essa glória nos parecia uma glória imensa, mas não era nada em comparação com a glória que Ela deveria ter e que seria uma gloria dentro do espírito de São Luís Grignion de Montfort.

* Insuportável que Nossa Senhora não tenha toda a glória devida

Ora, esta glória de Nossa Senhora, nós a devemos amar ardentemente, porque é insuportável [que] Nossa Senhora não tenha toda glória que Ela deveria ter. É simplesmente [a] coisa mais odiosa, mais execrável, que o vício, que o crime, que a Revolução, que a maldade dos homens, que o demônio, enfim, consiga diminuir a [glória] que Ela deva receber dos homens.

* Zelo pela glória de Nossa Senhora

E nós deveríamos, em relação à glória de Nossa Senhora, ser zelosos como filhos na casa de sua mãe. Imaginem [se] um [filho] pode-se sentir bem na casa de sua mãe, quando vê que se lhe recusam –– [a] sua mãe –– as atenções que lhe são devidas. Como é que nós nos podemos sentir bem na terra que está sujeita ao reinado de Nossa Senhora, vendo que na terra são recusadas as honras e as atenções que Nossa Senhora tem direito? Isto deve ser para nós uma ocasião contínua de pesar, muito mais do que pesar, de indignação! de indignação enorme! por ver que a Rainha não está reconhecida por todos no papel em que Ela deve estar reconhecida.

* Ato de reparação numa Basílica Carmelitana

Ora, nesta festa precisamente, nós vamos ter numa Basílica carmelitana — quer dizer, de uma Ordem Religiosa consagrada prototipicamente a Nossa Senhora —, numa Basílica carmelitana dedicada a Nossa Senhora, como é a Basílica do Carmo, nós vamos ter um ato de reparação pela ofensa a Nossa Senhora que nós vimos nos jornais. De maneira que a coincidência das datas é mais do que oportuna, é mais do que feliz. E constitui uma razão a mais para nós fazermos esta reparação com toda a alma, de acordo com as palavras que eu disse ontem.

Eu desejo, portanto, que daqui para amanhã, aqueles de nós que ainda temos orações para fazer, que façamos então durante o dia, se tivermos tempo de rezar, ou por meio de jaculatórias, que façamos isto:

Que nós peçamos a Nossa Senhora (hoje em que Ela é tão injuriada pelos homens — e às vezes até por prelados, como lemos nos jornais, nos noticiários mais recentes —) que aceite o nosso desagravo por essa injúria que lhe foi feita e por tantas outras injúrias, correlatas e congêneres que Ela está continuamente recebendo. E que Ela disponha nossas almas para uma reparação completa.

* Exame de consciência: como deveria ser nossa reparação

Mas eu acho que nós devemos juntar a isso uma outra coisa: nós deveríamos pensar como é que a nossa reparação vai ser, e nós devemos pensar como é que [a] nossa reparação deveria ser.

E nós devemos fazer um exame de consciência perguntando-nos a nós mesmos se nossa reparação vai ser como deveria ser. E se nós não deveríamos também oferecer uma reparação pela deficiência de nossa reparação. E este é um ponto em que nós temos muito que pensar. Porque nós não podemos assim, sem maior cerimônia, ir pedir a Nossa Senhora perdão pelo que os outros fizeram, os outros, sem pedir perdão pelo que fazemos nós também. Como se nós não nos aproximássemos do trono d’Ela também com culpa. E assim, como se nós fôssemos ilibados, os outros carregados de culpas e, portanto, vamos pedir perdão pelo que os outros fizeram. Eu não posso me aproximar do trono d’Ela sem lembrar do que eu faço. E, portanto, pedir a Ela também que Ela aceite uma reparação, pela chocha reparação de seus pobres reparadores. Porque todos nós levamos [na] alma uma insatisfação pela nossa reparação, [pois] não é como deveria ser.

* Reparação perfeita

Como é que seria a reparação perfeita? A reparação perfeita decorreria de um amor pleno, de uma noção plena de tudo quanto ela representa. Eu digo da noção plena de tudo quanto ela é, porque não [é] apenas uma noção teórica, mas é uma noção prática, é uma noção viva, é uma noção concreta que a gente deve ter.

E depois nos perguntarmos a nós, se durante todas as horas do dia, se durante todas as ocasiões: quando estamos trabalhando, quando estamos vendo uma revista, quando estamos vendo um livro, quando estamos fazendo qualquer coisa; o zelo pela glória de Deus e pela glória de Nossa Senhora verdadeiramente nos devora. Ou, se não há ocasiões que nós somos fracos, que somos chochos, em que nossos interesses pessoais, nossas questões de amor próprio, nossos problemas de mil questões de suscetibilidades e de coisas desse gênero não interferem e não empanam o zelo que nós devemos ter pela glória de Nossa Senhora; porque se interferem e empanam, e se nós pensamos demais em nós, e pensamos pouco n’Ela, nossa reparação não será tão plena como deveria ser.

E, então, aqui entra mais uma vez a oportunidade de nós recorrermos aos nossos Anjos da Guarda e nossos santos protetores, pedindo que eles se unam a nós para dar a nossa reparação um valor que de si ela não tem.

Para ser uma reparação adequada, para ser uma reparação reta e que de fato satisfaçam a todos nós, eu sugeriria, portanto, que daqui até amanhã, nós rezássemos para que a nossa reparação fosse boa e para que nós nos preparássemos para sermos perfeitos reparadores.

* Humildade no reconhecimento de nossa insuficiência acarreta graças

Eu tenho a maior esperança de que levando essas disposições aos pés do altar de Nossa Senhora, isso tem como conseqüência que Ela nos dispense abundantes graças e que o sorriso d’Ela receberá, senão a nossa reparação, pelo menos a nossa humildade, e esta humildade nós podemos e devemos levar aos pés d’Ela.

De maneira que é isto, salvo melhores notícias do Frei Jerônimo, eu recomendaria que nós levássemos amanhã.

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