Reunião
Normal – 2/9/64 – 4ª feira .
Reunião Normal — 2/9/64 — 4ª feira
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Importância do apostolado com as elites. Falsos conceitos de elite * O Grupo cumprirá sua missão ainda que não haja nele pessoas da elite. “Deus não precisa de homens” * Para atrair pessoas de elite, é necessário tomar atitudes corajosas que causem um salutar escândalo nos meios de elite * Estar logo de início tratando das elites, é o erro dos erros neste apostolado. É preciso antes de tudo tratar da Contra-Revolução * Objeções de um membro da elite ao entrar em contato com o Grupo * Para atrair é preciso mostrar a importância e a força da TFP * Necessidade do combate furioso ao relaxamento e à falta de limpeza, para o nosso apostolado * Como e o que apresentar nas Sedes da TFP para realçar sua importância
* Importância do apostolado com as elites. Falsos conceitos de elite
O objetivo do apostolado de elite é o seguinte: está na índole dos nossos grupos — inclusive, naturalmente do grupo de Buenos Aires — que eles recrutem membros num bom número nas elites sociais do lugar a que pertencem, e que até esses membros, correspondendo à graça, tenham um papel de importância preponderante dentro dos grupos. De maneira que nasce o problema de saber como é que a gente pode fazer esse recrutamento; que meios a gente pode dispor para que esse recrutamento se torne efetivo.
(…)
…mas depois começou a parecer-me que essas notas eram convenientes também para o pessoal do grupo de Belo Horizonte, e depois de outros grupos, eventualmente até talvez pudesse servir para o grupo de “Catolicismo” em Buenos Aires, mas não sei bem, é um caso para examinar. Até é interessante o Júlio ouvir também, e poderia dar uma impressão sobre o caso.
(…)
De maneira que eu achei então que seria importante dar a descrição do que é que era a elite.
Então eu descrevi a elite como era em São Paulo, eu não sei se nas outras cidades, em Buenos Aires por exemplo, e em outras como é que será.
Em São Paulo, socialmente falando, existem duas camadas de elite.
Nós poderíamos dizer que são primeiro os “crezos” e depois — sabe o que é o crezo, não é? Aquele rei riquíssimo da Índia — e depois os brasileiros de famílias tradicionais ainda ricos.
O que é que é um “crezo”?
É um sujeito que tem uma fortuna fora da estatura humana. Eu acho que é uma definição que se pode dar, porque há certas fortunas que já se tornam… [inaudível].
Porque vamos dizer que o sujeito tenha, por exemplo, dez milhões de contos, é uma fortuna já “crézica” no meu conceito — apesar da inflação e tudo, é uma fortuna já “crézica” — mas a partir de dez milhões, para a vida dele tanto faz ter dez, vinte ou trinta, ele leva o mesmo pé de vida do que se tivesse dez. E ainda mais nas condições brasileiras, não dá para o sujeito ser ousado aqui no Brasil. Ele não pode comprar cinco barcos, cinco iates para dar a volta na Ilha de Urubuqueçaba, e vai dormir na Ilha Porchat, quer dizer, não é possível… são certas coisas que não existem.
Portanto, é fora da estatura humana uma fortuna destas, pelo menos para as condições brasileiras.
(Dr. José Fernando: Ponha cem milhões.)
Hum! Dez milhões já é muito…
Olha aqui, eu lhe garanto o seguinte: que se eu tivesse dez milhões e quisesse, eu luxaria tanto quanto qualquer um que tem cem milhões.
(Dr. José Fernando: Olha…!)
Ora, líquido!
Eu estou falando dez milhões de contos.
(Dr. José Fernando: Eu estou pensando em dólares. São, vamos dizer, são cem milhões de dólares, isso não é nada. Não é Júlio?)
Olhe, eu me sentiria muito abastado se eu tivesse cem milhões de dólares; Paulinho e eu pelo menos nos sentiríamos muito à vontade, não é Paulinho?…
Hein, Paulinho, se nós tivéssemos como capital a renda disso, já nos sentiríamos ricos, não é?…
Agora, depois têm as famílias tradicionais que ainda têm suficiente dinheiro para manter seu status de família tradicional. O que é diferente do tipo de família tradicional que tem nome tradicional mas não tem mais dinheiro para manter o seu status e perdeu a cara do status.
Porque a coisa é assim: O sujeito às vezes ainda tem [status?]; não tem mais a categoria, mas ainda tem o [status?] ainda pode ser aproveitado, mas quando o sujeito não tem mais o [status?] e toma uma cara daquele […]: perdeu o [status?], porque perdeu o dinheiro. Perdeu, o nome passou a se tornar inexpressivo, não tem [status?] morreu o […], está acabado…
(…)
…entende por elite, fora disso não tem elite.
Também dizer: “Eu trouxe para cá um sujeito de elite porque é inteligentíssimo”.
Não, então diga que trouxe um sujeito inteligentíssimo, mas não diga que trouxe um sujeito de elite. É um igual engano como trazer um de elite e dizer que é inteligentíssimo, não diga, porque em geral são umas toupeiras. Diga que não, que é um sujeito de elite e está acabado. Saiba usar os termos adequados para os seus conceitos.
* O Grupo cumprirá sua missão ainda que não haja nele pessoas da elite. “Deus não precisa de homens”
Agora, está fácil de fazer uma primeira ressalva a respeito desse ponto, e que é o perigo de uma certa ação mundanizante dentro do Grupo da preocupação do apostolado de elite. Porque, à força de falar de elite, de elite, põe-se na cabeça das pessoas que o Grupo fracassará se não tiver gente de elite dentro.
Isto é inteiramente falso. O Grupo fracassará se não procurar as pessoas de elite e não fizerem o possível para trazê-las dentro. Mas se, sem culpa nossa, elas não quiserem entrar, Deus não vai fazer com que seus planos não se realizem por causa desse manequim.
De maneira que cumprida a missão, ainda que o Grupo fosse um grupo de pessoas absolutamente fora da elite ou de qualquer coisa, a sua missão estaria cumprida, e chegaria a seus verdadeiros termos, porque Deus não precisa de homens. Ele pode querer ter gente de elite dentro do Grupo para certos efeitos de caráter histórico, de sua Justiça, de sua Misericórdia, pode querer ter isto. Então nós devemos fazer a vontade d’Ele e procurar essa gente.
Mas se essa gente não vier, é como o povo de Israel, foi chamado, não veio, cai a maldição em cima da cabeça deles e a vida continua.
Quer dizer, essa idéia de que nós perdemos a face se não tivermos gente de elite dentro de nossos grupos é uma idéia idiota, e portanto nós não podemos nos colocar na adoração deste valor que é um valor limitado, é um valor autêntico, mas ao mesmo tempo um valor limitado. E temos que saber, portanto, não procurar isto na medida em que também seja exagero, bobice etc., é preciso ter critério nesse negócio.
* Para atrair pessoas de elite, é necessário tomar atitudes corajosas que causem um salutar escândalo nos meios de elite
Bem, agora que política seguir para atrair os membros de elite?
A primeira coisa é a seguinte: é que em geral nas elites existem pessoas que tem uma certa “ultramontanabilidade”, é por exemplo uma discussão muito inútil, que eu tive com alguns elementos tradicionalistas de Buenos Aires, que me perguntava porque eu não fazia apostolado na elite, entre outros, o padre… […]
… “Não, isso é uma gente completamente perdida, uns monopolistas, uns capitalistas cancerosos…
(…)
…oligarca. São alguns oligarcas e não se consegue nada com esses oligarcas.”
Essa é uma tese que assim eu não aceito. A grande dificuldade [é] que, como os meios de elite são meios muito influenciados por influências más, as pessoas boas que estão dentro, existem muito escondidas, muito quietas, e é preciso, portanto, tomar uma atitude que chame a atenção dentro desses meios de elite e atraia as pessoas quietas, que estão ocultas ali dentro, tímidas e que não têm coragem de falar.
Então eu usei para eles uma expressão que seria como essa: colocar por exemplo serragem de madeira misturada com limalha de ferro, e coloca no meio um ímã muito forte.
Aos poucos o ímã vai exercendo sua atração sobre o ferro, e o ferro vai caminhando através da serralha de madeira até grudar no ímã.
Assim também é uma pessoa que entra no meio de elite e toma uma atitude corajosa lá dentro: Pam!… Mas enfrenta o ambiente.
Eu penso assim, eu acho assim, eu sinto assim.
Sai toda uma campanha contra, naturalmente, mas alguns que estão ali e que gostariam de encontrar um apoio para suas tendências, um apoio para suas idéias, começam a pensar: “Homem, olha lá hein?!… Está vendo? Isso é bem verdade etc.”, e começam a se aproximar.
Quer dizer, há o primeiro escândalo, mas produzido nos meios de elite o primeiro escândalo, depois [algumas] pessoas começam a se aproximar.
E portanto, para atrair o pessoal de elite, a primeira necessidade consiste em criar um ambiente de escândalo entre os ambientes de elite, para permitir que eles venham; quer dizer, essa de polêmica etc…
É o que nós fazemos em São Paulo, é o que, por exemplo, está acontecendo no Rio com o grupo do Rio, é o que eu gostaria que acontecesse com Buenos Aires, com o grupo de “Cruzada”. Que criasse um caso lá dentro.
Por exemplo mandar números de “Cruzada” para aquele pessoal da oligarquia, tomar uma certa defesa da oligarquia no que ela tem de bom e mandar esse número para os oligarcas. Enfim, tomar uns contatos que criem um caso, não é verdade?
De maneira que na base desse caso, a gente possa então começar a detectar os elementos razoáveis que existem lá dentro, e que foi como nós atraímos os elementos de elite de São Paulo para cá. Foi exatamente criando casos e atraindo gente a nós, quer dizer, isto é o que o grupo do Rio, e os outros nossos grupos devem ter a recomendação de fazer, não é?
(Sr. –: […])
É isso, é o ultamontanável que está na toca, e que se trata de tirar da toca, não é? Que se fez assim, não é?
* Estar logo de início tratando das elites, é o erro dos erros neste apostolado. É preciso antes de tudo tratar da Contra-Revolução
Agora, quando se aproxima um ultramontanável de elite o que fazer?
Há uma coisa que eu tenho a impressão que é errada, e que eu tenho às vezes visto fazer em um ou outro grupo nosso, e que era muito o caso de uma diretriz fazer fixar, é o seguinte:
Quando se aproxima um elemento de elite, não estar logo começando a tratar do problema das elites, nem estar dando a impressão de que a gente está dando muita importância a ele. Mas pelo contrário, deve ser recebido com naturalidade, e a gente deve fingir que não percebe que ele tem uma importância especial. Porque é erro dos erros, procurar atrair dando importância.
A gente não atrai mostrando que é pouco, a gente atrai mostrando que é muito. E para mostrar que é muito, a gente precisa cerrar de cima. E para cerrar de cima a gente tem de fingir não ver o problema.
Portanto ir logo falando de boa família, e explicando que nós somos de boas famílias, que aqueles outros são de boas famílias também, e focalizar muito esse problema é um erro. Tanto mais que esse pessoal de elite está muito democratizado, nem compreende mais bem esta impostação de boa família no sentido genealógico da palavra, de maneira que tocar nisto no começo é um erro.
O que a pessoa de elite quer quando nos procura, é um conjunto de valores diferentes. Quer antes de tudo conhecer boa doutrina. Quer conhecer a causa da ortodoxia. É atraída pelo prestígio da Contra-Revolução. E a primeira coisa que tem que se lhe dar de um jeito ou de outro, é tratar da questão da Contra-Revolução. É focalizar o apostolado Revolução, Contra-Revolução, em termos adequados, pela luz por onde eles podem melhor pegar a coisa. Mas é isso que se precisa fazer antes de tudo.
Essa questão de boas famílias etc., a gente deixa ela ver colateralmente, trazendo por exemplo uma pessoa aqui para a Sede, basta tratar um pouco conosco, e ir à nossa Sede para compreender o que nós somos. Não precisa estar explicando quem é a família de cada um de nós e falando do Conselheiro João Alfredo, de outras coisas mais ou menos empoeiradas desse gênero.
Deixe de lado, isso entrará no seu tempo, no momento oportuno, não é logo para a primeira face, para a primeira coisa. O que é que o sujeito quer propriamente?
* Objeções de um membro da elite ao entrar em contato com o Grupo
Depois de ele ter compreendido — mais ou menos, enfim — um vislumbre da causa da Contra-Revolução, o tipo de elite vem a nós, retardado na sua marcha para nós, atraído por uma série de preconceitos.
Um preconceito que ele traz sempre é o seguinte: “Esses valores que essa gente representa não são coisas do passado que estão morrendo? Não se dará que essas idéias hoje não suscitam mais energia, não tem possibilidade de vingar? Serão idéias muito interessantes, mas no mundo de hoje não pegam, não vale a pena ficar trabalhando a favor disso”.
Esse é um preconceito fortíssimo. E aliás, também nas pessoas que não são de elite vem. Vem para qualquer um, mas vem para o apostolado de elite também, por isso eu devo consignar aqui.
Bem, uma outra coisa que nós devemos evitar é a impressão de que somos um grupinho pequeno, vivendo em conspiração, fechados em si mesmos.
Outra objeção que deveremos evitar é a seguinte: que nós somos uma espécie de engrenagem totalitária, que devora o sujeito. Ele fica com uma espécie de medo de se aproximar, como um inseto teria medo de se aproximar de uma flor. Ele chega perto, a flor se fecha, não é?…
Bem, outra coisa que tem é exatamente o medo de que nós sejamos uma grã-finada, separada da realidade viva das coisas. E por causa disso, incapaz de remexer de fato o mundo contemporâneo.
Outra objeção são as calúnias ao Carlos Alberto.
Outra objeção é de que nós somos contra a autoridade, especialmente autoridade eclesiástica.
E outra objeção é de que nós somos exagerados em relação às críticas ao mundo moderno, essas são as principais, há outras naturalmente, mas são as principais objeções vivas, as principais objeções concretas, que convém a gente ter em mente.
Está claro que todos nós conhecemos que eles tem essas objeções.
Eu não estou dizendo nada de novo enumerando essas objeções, mas lembrando-as eu estou fazendo um elenco que serve para a pessoa compreender e lembrar-se na hora da conversa, e saber como orientar a conversa para destruir as dificuldades verdadeiras. Aqui é que está a história.
* Para atrair é preciso mostrar a importância e a força da TFP
Bom, e me parece que para nós atendermos bem a essas coisas, no nosso contato com membros de elite, a primeira coisa que nós devemos fazer é o seguinte: mostrar bem que nosso apostolado é essencialmente doutrinário, que se trata de uma doutrina, mas de uma doutrina já enunciada, enunciada pela RCR, enunciada, portanto, organicamente, com teses, com correlações etc., inteiramente estudadas, que nós estamos pondo em circulação.
Essa falta de um objetivo doutrinário, bem definido, às vezes equivoca as pessoas. Pensam que nós estamos metidos numa briga eclesiástica de caráter pessoal. Ou pensam que nós somos apenas uns monarquistas saudosistas…
(…)
…bem as razões doutrinárias da coisa, e depois mostrando que é uma doutrina concatenada, estudada e objeto de livros. E livros que estão ao alcance de todo o mundo. De um jornal que expõe há dez anos essa doutrina em seus vários aspectos.
Isso dá uma espécie de seriedade e dá uma espécie de peso que atrai a confiança, que é um fator de prestígio.
(…)
…impostação doutrinária séria, que incute confiança.
Depois por causa disso eu teria muito empenho em que, em todos os grupos do “Catolicismo”, se fizesse aquilo que vai ser feito aqui na copa e que é uma ampliação do que nós tínhamos lá na rua Vieira de Carvalho.
Lembram-se que nós tínhamos na rua Vieira de Carvalho, já ali perto da biblioteca uma espécie de tábua, uma mesa, na qual nós tínhamos nossas publicações.
Aqui na copa vai haver muito mais do que isto, e eu queria que todos os grupos tivessem, inclusive o de Buenos Aires eventualmente — você pode trocar um pouco idéias lá depois, eventualmente se escreve etc. — mas haver num lugar da Sede que seja visível pelo menos quando a Sede for maior, eu não sei se cabe na Sede atual, mas num lugar da Sede que seja visível, haver um mostruário. Mas um mostruário fácil de ver, que não esteja atrás de um vidro com um pano corrido, ou qualquer coisa. Um mostruário com todas as nossas obras em todas as línguas e em todas as edições. De maneira que não se publica uma obra nossa que não esteja colocada ali.
Alguém que vai nos visitar pergunta:
— Mas o que é isto aqui?
— Ah! Isso aqui é a coleção das obras escritas pelos escritores de “Catolicismo”. Então aqui estão as várias edições de RAQC, as várias edições da RCR.
Aquilo entra intuitivamente na cabeça do sujeito, coisa muitas vezes traduzida para o exterior, que teve muitas edições, que teve muita difusão, é uma coisa que intuitivamente faz bem à cabeça, porque não é qualquer corrente de escritores que apresenta um acervo de obras deste…
Também coleção bonita encadernada de “Catolicismo”, de “Cruzada”, de “Fiducia”, explicar que é o nosso jornal essencial o “Catolicismo”, e jornais conexos conosco se publicam na Argentina e no Chile.
Depois, os últimos números de várias revistas afins com as nossas. De maneira que uma pessoa que vê isto, perde muito a idéia de grupinho: “Mas então é uma coisa enorme, tem revistas e jornais afins com isto no mundo inteiro, eles têm até conexos no Rio da Prata, até no Oceano Pacífico, até no Chile!”
É uma coisa que então cresce muito de importância, e isso sem que a gente esteja obrigado a dizer: “Olha! Note, eu vou te contar…”
Não, isso entra por osmose e entrando por osmose é muito mais eficaz do que a gente dizendo para cada um.
Depois, como está naquela prancha de madeira, passa-se muitas vezes por lá, olha-se muitas vezes aquilo e fixa-se a atenção.
Quer dizer um mostruário bem feito, feito com gosto, e depois com um material completo em cada uma de nossas Sedes, me parece a esse respeito uma coisa de importância fundamental para o apostolado de elite. Porque assim…
(Sr. –: […])
É, exatamente. Eu vou dar aqui as outras indicações do que deveria conter esse mostruário. Depois, se quiserem me lembrar mais alguma coisa eu acharia interessante.
Outra coisa que eu achava muito interessante é pôr, como nós vamos ter aqui, mapas com todos os lugares onde o “Catolicismo” tem assinantes no Brasil, não é?
Fica uma coisa enorme, mapas das cidades do Brasil, como Eduardo e Caio mostraram aqui, onde o “Catolicismo” tem agências ou representantes. Porque então vê-se duzentas cidades, trezentas cidades, e também tudo isso é intuitivo, é uma coisa que entra pelos olhos, é uma afirmação de prestígio, de poder, que impressiona de fato, não é?
Outra coisa é o seguinte: Nós termos também para mostrar, isto não pode ser posto no mostruário porque é muito pesado, muito precioso, mas nós vamos guardar naquelas vitrinas, mas nos outros grupos poderia ter fotografia. E fotografia bem tirada da coleção completa encadernada, das duzentas e nove mil assinaturas de nossa interpelação à Ação Católica. Porque isso quebra a idéia de que nós somos um grupinho que não tem engrenagem com o público.
Pelo contrário, um grupo que levanta uma coisa destas tem contato com o público, tem emprise sobre o público.
Então mostrar isto é uma coisa muito interessante, muito boa, não é?
Depois, fotografias de nosso último congresso de Serra Negra. Mapas do serviço de malote que vão para todos os lugares. Fotografias do nosso defunto “Fiducia”. Assim, alguns álbuns com as fotografias de todas as Sedes, não é?
Quer dizer, essas coisas e outras que se pudessem sugerir constituiriam uma espécie de brasão de honra do Grupo que daria peso e que atrairia mais até, a meu ver, do que móveis luxuosos ou ambiente bonito. Porque daria a prova do vigor da organização.
(Sr. –: […])
Ponto por ponto as objeções. Só o mostruário. Ponto por ponto.
* Necessidade do combate furioso ao relaxamento e à falta de limpeza, para o nosso apostolado
Bom, outra coisa que eu acho muito importante recomendar a todos os nossos grupos é o seguinte: no sentido material da palavra, um combate furioso ao relaxamento e à falta de limpeza. Num grupo ultramontano, é como objeto antigo. Quem tem uma casa, ninguém aprecia mais do que eu casa com objeto antigo. Mas quem tem casa com objeto antigo precisa caprichar na limpeza. Móvel colonial é muito bonito quando é limpo. Mas se tudo aquilo começa empoeirar, e depois ficar meio desbeiçado, uma gaveta colonial linda, mas com um puxador torto.
Uma outra coisa, vamos dizer, estandarte muito bonito, mas com um pingo de chocolate que alguém tomou lá perto que ficou escorrido… essas coisas assim. Ou então, por exemplo, não tem mais um dos pingentes dourados, só tem o outro. Essas coisas… ou então aquele vidro meio trincado, ou qualquer coisa assim nos matam. Porque se há um movimento que não pode ter essas coisas somos nós. Tem que estar tudo hiper-limpo…
(Sr. –: Dá idéia de decadência.)
Dá idéia de decadência, tem que estar tudo hiper-limpo, arranjado, e com a idéia de atualizado. Xicarazinha muito trincada, não pode ser. O que é nosso tem de falar que é atualizado pela atualização material das coisas. Lâmpada cambaia. A gente acende, uma delas nunca acende, porque está estragada, é preciso vir o eletricista que ele não manda vir. Tem um truquezinho.
— Dá licença, é o nosso truquezinho — Fulano! Venha acertar a lâmpada.
— Já vou!
Daqui a meia hora ele vem acertar a lâmpada. Isso é a morte…É só o sujeito que deve dar. É, também essas coisas são monstruosas, quer dizer nas nossas Sedes tem que estar tudo limpo, limpo, limpo, e atualizado sem nada de desbeiçado, nós não podemos nos permitir isto.
(Sr. –: […])
* Como e o que apresentar nas Sedes da TFP para realçar sua importância
Outra coisa que não está mencionada aqui que eu acho muito importante, o uso daquele abaixo assinado de bispos para o Concílio.
Lembram-se [de] uma conferência que nós fizemos a respeito desse assunto, não é?
Isso é de uma importância fundamental, provar que nós temos duzentos e cinqüenta e tantos bispos que pensam de acordo com as teses da RCR. Então mostrar os abaixo assinados que temos, ou quando não mostrar o abaixo assinado, mostrar a fotografia do abaixo assinado nos outros grupos. “Olha aqui isso é um documento importantíssimo, esses bispos falam contra a Revolução Francesa, falam contra o protestantismo, falam contra não sei o quê”. Quer dizer, é uma coisa altamente eficiente. Não é?
(Sr. –: […])
Ah, isto eu já disse. Um álbum com as fotografias das Sedes.
(Sr. –: […])
Também, é uma muito boa idéia. É, é muito boa idéia. É artigo da… [inaudível] …para quem quiser ver.
[Vários comentários]
É exatamente ótimo, está vendo?
E é isto bem exposto com slides, não é, Júlio?
[Alguns comentários]
Não, e depois isto fala. Porque dizer: “Tem uma bonita Sede!”. O que é uma bonita Sede?
Agora, mostra a Sede, isto é que tem eficácia.
(Sr. –: […])
É, e depois não é só bonita, é uma Sede que tem expressão do espírito, exatamente.
Outra coisa que eu acho muito importante é o seguinte: Quando falar das pessoas do movimento, aproveitar também para focalizar não só a expressão social, mas também o valor das pessoas do movimento.
Por exemplo falando de quem, vamos dizer, dos nossos dois bispos, não dizer apenas que D. Sigaud pertence a uma família boa de Minas Gerais, mas dizer que ele é tido como um grande teólogo, é uma figura impressionante, é uma das glórias da Congregação do Verbo Divino, teve uma atuação que se destacou no Concílio etc., etc. Quer dizer, dar o curriculum, ter na cabeça o curriculum. Eu garanto que a maior parte dos membros do Movimento a gente diz o seguinte: “Diga o que convém dizer a respeito de D. Sigaud.”
— Sim?
— D. Sigaud.
— Ah!… Hãm!… D. Sigaud, ele nasceu em Belo Horizonte.
Bem, por aí a gente não sai do lugar, não é?
É o primeiro bispo nascido em Belo Horizonte, quer dizer, poderia ter sido D. Fulano, D. João de Carapuças, isso é bonito só em Belo Horizonte, fora de Belo Horizonte não é bonito. De maneira que isso não se diz, quer dizer, tem que saber o que dizer a respeito de D. Sigaud.
Falar, por exemplo, a respeito do Cunha Alvarenga, não é?
Então diz: um dos diretores da Light, um pseudônimo de José Azeredo Santos, um engenheiro eminente, mas saber o que dizer, porque eu garanto que não se sabe, não se conhece o cartão de visita do pessoal daqui de dentro.
Isso vai no brouhaha também. A gente conhece aquela pessoa dentro, nunca pensou em saber qual é o cartão de visitas, o que é que se pode pôr no cartão de visitas de alguém daqui, quer dizer, saber explicar direito isto, me parece também uma coisa muito importante.
Outra coisa que eu acho muito importante, infelizmente, é o seguinte: é baixa de nível, é horroroso, mas é preciso saber fazer. Mostrar as nossas máquinas.
Um grupo que tem máquinas de escrever, “adessograf”, que tem tipografia, motomecanizada em vários sentidos da palavra, o rádio do nosso bom Camargo, essas coisas produzem uma impressão enorme. Por exemplo, vamos dizer o seguinte: vem um rapaz que está visitando aqui o Grupo não é? De repente avisam: “Nosso grupo de Buenos Aires está querendo falar pelo rádio com Dr. José Fernando de Camargo”.
Sobe, fala um pouco com Buenos Aires, volta e diz: “Desculpe, eu estava acabando de fazer uma combinação com Buenos Aires, vamos continuar. O Ancien Régime era muito bom…” Isto forma uma mistura perfeita, forma a mistura…
O sujeito sobe através desse Luís XVI, desse… [inaudível] representando leão e castela, daquela capela, em cuja porta está uma espada da guarda pessoal de Afonso XIII, entrelaçada num Rosário, sobe através daquilo para nosso rádio.
Oh! Isso dá uma… no fundo tem a nossa editora, mais atrás tem a nossa tipografia… [inaudível] …para pegar cretino, é eficassíssimo.
(Sr. –: […])
E sobretudo gente de elite. E nos de elite sobretudo famílias decadentes.
(Sr. –: […])
Algum valor eles têm.
Bom…
(Sr. –: […])
Não, mas impressiona realmente, ouviu?
Máquina de contar, muita gente se impressiona com máquina de contar.
A “Aerotur” parece que tem máquina de contar não é, Plinio ?
(Dr. P. Xavier: Tem.)
Então, quando for visitar a “Aerotur”, mostra as máquinas de contar, deixa ver a máquina… — Ihhh!!! é qualquer coisa de… “Máquina de calcular!”.
Outra coisa que acham muito bonito sabem o que é?
A gente pelo telefone encomendar telefonema de Western, também acham muito bonito porque é uma prova de valor, ter essa conexão com a Western é uma prova de valor extraordinária, entende?
(Sr. –: Combinar com a Western que o telegrama não quer dizer nada…)
Meu senhor, toda a noite tem telegrama papel…
— Desculpe, agora preciso telegrafar para Saigon…
O sujeito fica assim, está compreendendo?…
(Sr. –: Telefona para a Aureliano, e fica 15 minutos ditando o telegrama…)
[vários comentários]
“Vaticano”, “Santo Oficio” sabe… Santo Ofício… mas sem brincadeira essas coisas todas, é com elas que se faz um fundo de quadro da montagem da tradição.
(Sr. –: O avião, que impressão causou…)
Muito, outra coisa que impressiona sabe o que é? Levar portanto para ver as nossas salas administrativas.
E a CAL que é montada em estilo Luís XVI, mas tem muitas máquinas e muitas coisas do gênero — até as máquinas de escrever são Luís XVI — mas mostrar por exemplo, não é que a CAL tenha aspecto sinárquico, mas mostrar a CAL por exemplo é uma coisa muito interessante — como é moderna uma instituição que faz prédios antigos.
Isso é coruscante…
É uma espécie de vitamina no estilo colonial ser apoiado por um escritório de tal maneira atualizado, não é? Fica muito bem, quer dizer, mostrar essas coisas.
(Sr. –: […])
Ah, impressiona muito. Nós temos que saber dizer…
(Sr. –: Mostrar a coisa toda, mas não dizer que tem o departamento)
Ah!… mas sabe que o departamento, dá tanto prestígio, provar que tem departamento…
[comentários]
Pois é, eu fiquei espantado!…
Bom, agora também outra coisa que é preciso saber apresentar é o seguinte: as pensões que temos para estudantes de poucos recursos.
Assim um aspecto de atividade social… ouviu?… Se nós fôssemos apresentar para essa gente pensão assim: vamos dizer, por exemplo, alguns dos nossos apartamentos: “É, sabe — quer ver o modo errado de apresentar? — sabe o que são as famílias hoje em dia, não é? É uma verdadeira tristeza. Esses rapazes não podem morar em casas das famílias sem se perderem. Então nós, para preservar, montamos esses apartamentos…”
Assim não vai… A gente diz a coisa de outra maneira: “Olha, sabe como são as coisas de hoje, não é?. Os estudantes precisam ser apoiados, encontrar ambiente moralizado, sadio, para dormir direito, a preços acessíveis. Nós temos em São Paulo sete ou oito apartamentos para estudantes”.
— Que bonito!
Está compreendendo? Quer dizer eu gostaria que todos nós tivéssemos essas coisas todas na ponta da língua, ou escritas pelo menos num papel, de maneira que antes de receber a visita…
(Sr. –: Falar que são rapazes que moram longe da família…)
É, muitos são do interior, essa formulação já encanta, apostolado bonito, não é?
Mas o que eu gostaria é que nós tivéssemos tudo isto na ponta da língua para poder exprimir adequadamente a nossa, enfim nossa realidade, sermos cicerones do Grupo.
Bom, como apresentar os rapazes de outro nível social?
A gente do nosso nível social tem o mito do estudante pobre de futuro.
Então dizer: “Esse aqui é um rapaz de uma família pobre, modesta, mas que cursou, trabalhando, o seu próprio curso, e hoje está indo para frente”.
Fica uma… acham uma beleza, e é assim que tem que apresentar. Sobretudo famílias decadentes cujos filhos mal e mal se arrastam.
(…)
…com bombas, com desdouros de toda a ordem, ouvir falar de filho de carniceiro que vai indo para a frente, ficam quase complexados.
Esforçados, está compreendendo? É bem isto… mas também convém dizer isto, convém saber dizer.
Bom, agora, para compreenderem bem como isto se harmoniza, para aqui, para a Sede de São Paulo, o Luizinho teve a idéia que eu acho muito interessante de elaborar um guiazinho, quer dizer, com uma nota a respeito dos objetos dignos de nota de cada sala.
De maneira que, recebendo um visitante, possa por exemplo o Solimeo pôr o guia na mão do sujeito, e dizer: “Olha aqui, isso aqui é um quadro de Messonier, pintor famoso, telas no Louvre porque se não disser que tem telas no Louvre, o sujeito não sabe dar o devido valor, compreende?
(Sr. –: […])
Bom, ali… é, a gente estuda tudo isto. É Crucifixo colonial…
(Sr. –: […])
Bem, assim entra naturalmente, quando se começar a falar da boa família e da genealogia de cada um de nós etc., isso entra naturalmente, dentro de todo um horizonte onde, então, há um valor vivo, um valor pujante, e assim, impressionando bem. E é assim, visualizado por essa forma, que o indivíduo é objeto de um apostolado de elite verdadeiramente eficaz.
Quer dizer, me parece que eu não disse nada de novo, mas que eu sugeri, um conjunto de fundo de quadro, de modo de tratar, de impostações, que aumentam a eficácia de nosso apostolado, nesse sentido.
Isso convertido em diretrizes, prudentemente redigidas — porque é preciso redigir com muita prudência, sob pena de cair em mãos de terceiros, e poder ser objeto de exploração — mas isso prudentemente redigido me parece que seria para nós um pão e um pedaço, desde que os senhores também dessem algumas outras sugestões, alguma coisa que pudessem completar esta idéia para ficar um diretório, bem… [inaudível], bem completo.
Não sei o que é que pensam a esse respeito.
Luizinho, gostaria de acrescentar qualquer coisa ou objetar qualquer coisa? Fedeli, Caio, Camargo, meu bom Eduardo, Dr. João, Edwaldo o que é que acha?
E quanto ao ambiente do Rio, alguma coisa para especificar mais aí ou não? Fernando? Borelli o que é que diz? Dr. José Carlos.
Mais alguma sugestão, alguma coisa?
Celso…
(Sr. –: […])
Ah não, mas visitas às Sedes faz parte… [inaudível]! É elemento fundamental!
(Sr. –: […])
… imobiliária urbana… da mais grossa sabe….
Vita, Paulinho, Paulo, Azeredo, Plinio eu esperava umas sugestões, quando não umas críticas, não há para dar não? E Júlio o que é que diz disso?
(Sr. Júlio: Me parece esplêndido, Dr. Plinio.)
Mas não seria adaptável um pouco para Buenos Aires?
(Sr. Júlio: Ah, sim, sim, toda essa coisa pega muito bem. Não há dúvida.)
Pega não é? Eu acho que sim. Por exemplo fotografia bonita. Você com certeza tirou uns slides desses nossos estandartes, mostrar esse estandarte do Grupo etc., não é?
E eu gostaria muito que isso não fosse feito num lugar de passagem — esse mostruário todo — mas num lugar onde a pessoa tivesse um pouco de tentação de estar, de ficar, e que pudesse então folhear, pudesse ler etc. Agora, viria depois disso o diretório, para como apresentar essas coisas para as pessoas que não são do nosso nível. Porque aí também tem outros aspectos especiais.
Você ia dizendo alguma coisa, Plinio?…
(Dr. P. Xavier: …)
Você sabe qual é o único jeito que existe para evitar a “farolagem”?
A pessoa precisa se resignar a duas coisas: em primeiro lugar, a só dizer uma pequena parte de tudo isto de cada vez. Porque se a gente quer fazer como um… [inaudível]: então abre a boca do visitante e lá vai: o estandarte do Lísio, o avião, o rádio, o sujeito cai realmente com o fígado inchado, não é?
A gente portanto tem que compreender que desse programa a gente tem que dar uma quantidade pequena para o visitante de cada vez, não tem remédio.
Resignar-se a fazer o visitante ingurgitar-se com todo esse programa, é fazer uma coisa impossível.
Mas o segundo é o seguinte: é manter um tipo de prosa, de que com certa naturalidade as coisas possam entrar.
(…)
…depois a gente sabendo muitas dessas coisas de cor, facilmente a gente lembra aquela que pode criar um caso. Se a gente só se lembra de duas ou três dessas que precisa dizer, começa a forçar a conversa para entrar. Quer dizer, o verdadeiro problema é conseguir que cada um de nós saiba tudo isso de cor. Esse é o problema.
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