Santo do Dia — 24/8/1964 — p. 2 de 2

Santo do Dia — 24/8/1964 — 2ª-feira

Nome anterior do arquivo: 640824--Santo_do_Dia_2__a.doc

* Legitimidade da “Noite de São Bartolomeu” * Não se deve fazer um mal para obter um bem * Promotores de um grandíssimo bem * Princípio: preciosidade da Fé Católica

A Noite de São Bartolomeu” — [Santa Joana Antide Tourret]

Santa Joana foi implacavelmente perseguida por seu diocesano, o Arcebispo de Besançon, por causa de sua fidelidade à Santa Sé. Fundadora. Século XIX.

Parece-me que isto já diz tanto que não precisamos entrar em aprofundamentos nesse assunto. Falaremos de São Bartolomeu.

* Legitimidade da “Noite de São Bartolomeu”

Falar de São Bartolomeu é promover a gratidão àqueles que, de certa forma, promoveram a “Noite de São Bartolomeu”. Não vou entrar em assuntos que parecem [uma] relação entre a Ciência e a Fé, para saber se a “Noite de São Bartolomeu” foi desencadeada pelos católicos etc.; mas, quero focalizar o seguinte ponto: em princípio, se não houvesse outro meio para garantir aos católicos a posse do Reino de França contra os protestantes, a “Noite de São Bartolomeu” seria legítima. E seria legítima porque, se é legítimo defender-se a tiros o próprio país para evitar que um governo espúrio tome conta desse país; se é legítimo defender-se a tiros o próprio país para evitar que suas fronteiras sejam transgredidas, eu não compreendo como é que possa não ser legítimo — e ainda mais obrigatório e sagrado que nos outros casos — acabar a tiros com gente que está fazendo propaganda herética em determinado país. É a mais sagrada das legítimas defesas.

É preciso ter bem claro esse princípio, porque, a partir dele, faz-se um raciocínio. Digamos que, por razões circunstanciais a “Noite de São Bartolomeu” tenha sido uma coisa má. Então, havia dois males em perspectiva: um era o excesso que seria a “Noite de São Bartolomeu”; o outro seria não ter feito a “Noite de São Bartolomeu”, sendo ela necessária. Indiscutivelmente, o mal maior seria o da omissão. Basta pensar no que teria sido a França se não houvesse a “Noite de São Bartolomeu”, do que seria o mundo se na França não houvesse a “Noite de São Bartolomeu”, para se compreender tudo o que a “Noite de São Bartolomeu” evitou, e todo o pecado que teria caído sobre os que não fizessem tal “Noite”.

* Não se deve fazer um mal para obter um bem

Em resumo, é claro que não se deve dizer que se deve fazer um mal para obter um bem; e se razões circunstanciais tornaram a “Noite de São Bartolomeu” um mal, é uma coisa evidente que ela não deveria ter sido feita [apenas para obter um bem equivalente a esse mal]. A Providência teria agido de outra maneira, teria garantido a situação etc. Mas, em princípio, não se pode dizer que ela tenha sido um mal [pois o bem foi imensamente superior a possíveis excessos circunstanciais]. Ela foi um bem.

* Promotores de um grandíssimo bem

Se a “Noite de São Bartolomeu” foi um bem, houve almas cheias de zelo que a instigaram, houve muitas pessoas que correram riscos de vida para realizá-la, e que morreram nessa tarefa. Essas almas merecem, na noite de hoje, nossa gratidão, porque é possível que nós mesmos hoje não tivéssemos nascido na Fé católica se não tivesse havido a “Noite de São Bartolomeu”. Essas são coisas que só se saberão no dia do Juízo Final. Mas devemos admitir que muita gente aí lutou por zelo, morreu por zelo e conquistou o martírio nessa noite. De maneira que devemos rezar pelas almas [dos] que morreram naquela noite — digo, especialmente, as almas católicas —, devemos pedir a oração dos que morreram mártires.

* Princípio: preciosidade da Fé Católica

E devemos afirmar aqui o princípio de que a Fé católica é um tesouro tão precioso, que para conservá-la, todas as violências valem a pena. Para esse princípio devemos estar preparados, compreender isso e praticar isso em nossa vida.

*_*_*_*_*