Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 18/8/1964 – 3ª feira [SD 060] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 18/8/1964 — 3ª feira [SD 060]

Nome anterior do arquivo: 640818--Santo_do_Dia_3.doc

Santa Helena nos fala muito à alma porque está na raiz da ordem social e temporal gloriosa e católica * Oração sem cheiro de “heresia branca”, que conduz à ação eficaz, à luta * É belo que ela, matrona de horizonte largo, tenha também descoberto o Santo Lenho * Que diferença dos horizontes das beatas

Hoje é a festa de Santa Helena, Imperatriz e viúva, mãe de Constantino Magno. É a ela que se deve a Invenção da Verdadeira Cruz. E é novena do Imaculado Coração de Maria também.

* Santa Helena nos fala muito à alma porque está na raiz da ordem social e temporal gloriosa e católica

Santa Helena é uma santa que nos importa, não só pelo fato de ter sido imperatriz, mas também pelo fato de que é evidente que ela teve sobre Constantino uma influência do tipo daquela que Santa Clotilde teve sobre Clóvis.

Quer dizer, nós vemos Constantino, o primeiro imperador que faz uma promessa para ver se com o auxílio de Nosso Senhor Jesus Cristo ele vence, que recebe a confirmação dessa promessa e de fato vence e derruba a estrutura do estado pagão.

Evidentemente nós não podemos deixar de reconhecer uma relação de causa e efeito entre isto e o fato de que este homem — se até o fim de sua vida não deu provas de ser santo, pelo contrário, há muitas objeções a fazer pessoalmente a Constantino, enfim, nós vemos que até o fim da sua vida… — é um homem que … [inaudível]… entretanto tenha feito esta obra magnífica.

Quando nós nos lembramos de Santa Mônica rezando por Santo Agostinho e obtendo a conversão dele, quando nós nos lembramos de Santa Clotilde também obtendo a conversão de Clóvis e inspirando a conversão de Clóvis, é impossível não achar que Santa Helena impressionou a fundo Constantino e que a atitude dele foi em grande parte decorrente da influência que exercia sobre ele.

Ora, nossa finalidade e nosso objetivo, consiste em restaurar a ordem social católica e restaurar a ordem temporal católica, e é evidente que nós não podemos deixar de reconhecer com muita alegria o trabalho feito por ela para precisamente isto: tomar o Império que era um império pagão, e não só fazer cessar as perseguições, mas fazer com que o imperador começasse a edificar uma ordem temporal, que não chegou a ser a plenitude de catolicidade que teve o Estado medieval, mas que foi a primeira tentativa para constituir uma ordem temporal católica. E tentativa por vários lados verdadeiramente gloriosa. Não só porque o edito de Milão dava liberdade para a Igreja, mas porque o edito depois mandava fechar todos os cultos pagãos. E porque realmente a partir daquele tempo, veio um ideal de unidade imperial católica que a Idade Média conservou e de que ela criou depois a estrutura do Sacro Império Romano Alemão.

Nós vemos, portanto, Santa Helena como estava na raiz, pela sua oração, pelo seu exemplo, de um mundo de realizações gloriosas, de idéias grandiosas, de princípios que repercutiam depois até a queda do Sacro Império Romano Alemão, e até os nossos dias.

Quer dizer, para quem luta pelo ideal do estado da ordem temporal católica não pode deixar de ter muita veneração pela Santa Helena, e compreender aí o papel da oração nessas coisas.

* Oração sem cheiro de “heresia branca”, que conduz à ação eficaz, à luta

Mas veja bem: compreender o papel da oração equilibradamente. Porque há um certo modo de falar do papel da oração que tem um certo cheiro de “heresia branca”.

Você compreende o papel da oração. E, então, quando fala do papel da oração assim, vem um insinuar de que não adianta fazer mais nada, basta rezar. E isso não é. É o papel da oração para mover à ação. Mas, de fato, depois a ação que se desencadeia, e realiza o seu fim.

Então nós temos Santa Helena rezando, temos Constantino lutando. E lutando com as armas com o emblema de Nosso Senhor Jesus Cristo no lábaro, e lutando de armas na mão para impor aquilo, enfim, para alcançar a sua vitória. Depois agindo com força e com a força temporal do Estado pela libertar a Igreja e depois acabar com o resto do paganismo.

Quer dizer, aqui o equilíbrio é perfeito. Santa Helena reza, mas ela reza de uma oração que, com certeza, foi acompanhada de muito apostolado sobre o filho, e o filho cuida dos meios materiais e até dos meios violentos para realizar aquilo que sem dúvida sua mãe desejaria realizar. Porque é impossível imaginar que Santa Helena não desejasse ardentemente aquilo que o filho dela fez.

Então nós temos aqui uma espécie de equilíbrio entre a oração e a ação. A oração que é realmente a razão mais fecunda do desencadear dos fatos, mas depois fatos que de fato realizam aquilo que a gente quer. Quer dizer, portanto, uma oração que não é a condenação da ação, não portanto uma forma de “heresia branca” por onde a ação fica quase suspeita: “Você está agindo? Ih! pensei que estivesse rezando”. Não é isto… Mas também não é contrário: age, age e age, porque só a ação dá certo.

A gente vê aí o papel primordial, se bem que não único, da oração. E a necessidade da ação segundo os planos comuns de Deus. É preciso agir. E eu insisto, ação violenta e ação armada. Porque sem ação violenta e armada isto não… … [inaudível].

* É belo que ela, matrona de horizonte largo, tenha também descoberto o Santo Lenho

Eu acho bonito que esta santa tenha sido ao mesmo tempo a santa que encontrou a verdadeira Cruz. Nós sabemos que ela se serviu de revelações privadas, serviu-se também de tradições do local, e que afinal de contas encontrou a verdadeira Cruz que foi cercada…[ilegível] …de milagres, de bênçãos, etc., e é a Cruz da qual se espalham fragmentos por toda a terra.

Os senhores compreendem o que representa para a vida de uma mulher ao mesmo tempo ser a mãe do primeiro imperador cristão e ser aquela que tira das entranhas da terra a verdadeira Cruz e todos os benefícios que foram espalhados pela terra pela posse da verdadeira Cruz, pela adoração da verdadeira Cruz, pela presença das relíquias da verdadeira Cruz por toda a parte. Todos esses benefícios têm Santa Helena na sua origem.

Aí a gente compreende o vulto dessa mulher, compreende a estatura dessa alma. Compreende também o que é uma grande missão. E compreende algo do que eu dizia dias atrás a respeito do feitio feminino quando ele é verdadeiramente católico. Nada tendo de comum com esse tipo de mulherio. Nada tem de comum com… [inaudível]… da qual os senhores verão daqui a pouco uma fotografia em mãos não sei bem de quem, mas que eu convido a mostrar aos rapazes dos Juniores e da Aureliano que estão aqui. Nada tem de comum com nada disso, mas é o grande tipo de mulher que verdadeiramente vive só para Nosso Senhor. Matrona de alma alta, de horizonte largo, compreendendo as coisas a partir dos seus aspectos mais sublimes e de maior alcance. E que por causa disso transforma um Império e dá ao mundo um presente imensamente grandioso da verdadeira Cruz de Cristo!

* Que diferença dos horizontes das beatas

Quanto esses horizontes são diferentes de tanta beatinha que a gente vê correr pela igreja, que basta anunciar um cineminha e enchem as igrejas…

Eu queria perguntar para elas: “A senhora pensou no Império Romano? A senhora pensou na verdadeira Cruz? A senhora tem as idéias voltadas para a atualidade desses problemas do Brasil e que o contrário da obra de Constantino está para ser feita com a implantação da foice e do martelo na terra? A senhora rezou por isto? A senhora sofre com isto? A senhora pensa na possibilidade desses fragmentos da verdadeira Cruz desaparecerem completamente nas mãos dos comunistas quando tomarem a terra? E sobretudo a senhora pensa numa coisa pior que são as almas que valem mais que a própria Cruz de Cristo, porque Cristo teria morrido por cada um de nós ainda que se tratasse de salvar só a nós, mas para uma Cruz Ele não teria morrido? Por mais sagrado que seja, é um objeto material. Bem, a senhora pensa nessas almas que vão se perder?”.

Quantas delas pensam nisto? Horizontes mínimos … [inaudível]… minúsculos! O gosto das orações, vai para ver o vigário … [inaudível]… marido para uma enxaqueca que elas têm ou então… [inaudível]… cuja tia … [inaudível]… uma carta recebida, está meio aflita porque ela por sua vez tem um tio que está doente, na Espanha … [inaudível].

Bem, os senhores compreendem como isto são horizontes completamente diferentes dos nossos. E através disso os senhores compreendem o que é esta altura do espírito católico, do espírito ultramontano… … [inaudível].

Vamos, portanto, nos recomendar a Santa Helena, no dia de hoje.

*_*_*_*_*