Reunião Normal — 13/6/1964 — Sábado – p. 5 de 5

Reunião para o Grupo da Martim 1 — 13/6/1964 — Sábado [RN 44]

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[Quatro páginas iniciais ilegíveis]

(Sr. –: Para ficar de reserva.)

Não tem dúvida. Mas olha que é uma coisa muito material, mas muito segunda. Mas, enfim…

* Racionalistas criticam Nosso Senhor por ter estimulado o luxo ao transformar água em vinho nas bodas

Bom, então ele menciona o seguinte: Alguns críticos racionalistas que debicaram de Nosso Senhor por causa disto, porque disseram o seguinte: “Veja, Ele o que é que faz, Ele pega setecentos litros de água e transforma em vinho, e ainda em vinho de primeira qualidade”. Porque aquele… disse que [se] tratava de um vinho muito bom, etc. “Isso quer dizer, então, que o primeiro milagre Ele fez um milagre de luxo e estimulou o luxo, que é uma coisa que Ele deveria reprimir”.

Veja a mentalidade modernista e meio “heresia branca” também como é que vai, está compreendendo? É má-fé e contra o luxo. Quer dizer, pelo contrário, é interessante notar com que luxo Ele fez o primeiro milagre dEle. Milagre de luxo, porque era milagre de luxo mesmo. Era de luxo como quantidade, era de luxo como qualidade, e numa festa. De maneira que isto tem aqui um caráter de elogio da abundância e da grandeza, etc., e tem um pouquinho de sal e de sabor.

(Dr. Paulo Brito: Os racionalistas…)

Não, eles citam os racionalistas, ele dá o nome dos autores aqui. O que ele diz é o seguinte: Os intérpretes racionalistas, intérpretes do Evangelho, naturalmente, se escandalizaram do que eles chamaram “milagre de luxo”.

Nós pelo contrário, o Fillion [comenta?] nos admirarmos como omnificiência [?] principesca do presente nupcial de Jesus. Quer dizer, realmente o comentário veio a propósito porque é um presente nupcial principesco das bodas em que Ele compareceu. É uma grandeza… [faltam palavras?] que evidentemente… [faltam palavras?] não aceitou.

* Analogia entre as atitudes do Grupo e as de Nosso Senhor, e entre o ambiente que nos cerca e o que O cercava

É uma coisa curiosa que nós costumamos dizer aqui no Grupo que o método de exposição do Grupo é para o leitor burro e mal-intencionado, porque habitualmente o revolucionário toma esta posição em face de nós, não é? Mas estas semelhanças — christianus alter Christus — essas semelhanças das atitudes do Grupo com Nosso Senhor e do ambiente que cerca o Grupo com o ambiente que cerca Nosso Senhor chama a atenção.

O Fillion tem esse comentário. Lembra-se aquela coisa que Nosso Senhor falou que o templo seria destruído e construído em três dias, não sei o quê, e que Ele falava de Si mesmo, não é verdade? O Fillion tem esse comentário: o templo só foi construído no ano sessenta e três ou sessenta e quatro de nossa era sob o governo de… E pouco tempo de ser destruído pelos Romanos, como eu falei — não é? — e que chamou portanto muito a atenção, à vista do tempo que levou para construir o templo que ainda estava inacabado, Ele profetizar que Ele em três dias ia reconstruir o templo. Quer dizer, aquilo escandalizou. Lembra-se que eu falei que a construção do templo foi uma coisa enorme. Então, dizer que em três dias Ele ia reconstruir é um pouco como se disser a um paulistano que o sujeito ia reconstruir a Catedral em três dias.

Bom, então o evangelista comenta que Jesus tinha falado do templo do seu próprio corpo. Então ele diz: é esse o primeiro exemplo do método pedagógico em virtude do qual Nosso Senhor, quando Ele tiver diante de Si pessoas ou ouvintes mal-intencionados, apresentará verdades sob um véu que Ele… [ilegível] …circunstâncias Ele remetera seus inimigos ao sinal de sua ressurreição, ao final do profeta Jonas como ele chamara: … [ilegível] …dia.

De fato, aqui estão afirmações que Nosso Senhor fazia de Seu caráter divino. Entretanto, essas afirmações não eram claras para aqueles a quem Ele se dirigia. Quer dizer, Ele também considerava o ouvinte mal-intencionado e burro mas com uma pedagogia aí diferente da nossa. Como nós já estamos com todo o… [ilegível] …mil anos de civilização católica, nós podemos chegar e esfregar o nariz do sujeito… [faltam palavras?] o ensinamento da Igreja, etc.

Ele estava numa situação diferente, então Ele punha nas dissimulações, mas o pensamento era exatamente o mesmo. E apesar de tudo, quanta coisa há que nós não dizemos para qualquer um e nós não dizemos para qualquer um exatamente por causa disso. A gente vê as analogias das situações que vão se repetindo, etc.

(Sr. –: [Não se entende.])

Como é?

(Sr. –: Nós mantemos muita coisa em reserva.)

É, nós mantemos muita coisa em reserva e é por causa disso, o terceiro de má-fé.

* Pode-se dizer da doutrina ultramontana o que foi dito sobre o poder de Nosso Senhor: “Uma doutrina nova, acompanhada de potência”

Nós lemos nos Evangelhos sinópticos, nos últimos dias do Salvador, um fato que tem uma grande semelhança com aquele que, segundo São João, se teria passado desde a inauguração da vida pública de Cristo. Então, Ele faz o seguinte, a expulsão dos vendilhões do templo, e ele comenta a coisa da seguinte maneira: houve duas expulsões dos vendilhões do templo, e há até uma dúvida se não seria o mesmo fato que é contado por evangelistas em situações diferentes, e o Fillion admite que foram de fato dois fatos, um no começo e outro no fim da vida de Nosso Senhor.

Inaugurando e encerrando a Sua vida pública, veja esse episódio no conjunto da vida, no episódio chibata, no conjunto da vida de Nosso Senhor. Então ele tem esse comentário: uma frase de um judeu diante da expulsão dos demônios, o poder de Nosso Senhor para expulsar os demônios, o judeu fez um comentário assim, e o comentário é bonito pela expressão: “O que é isto aqui? É uma doutrina nova, acompanhada de potência”.

É uma frase linda para exprimir o que houve, não é? Uma doutrina nova, acompanhada de potência é o tipo da coisa que embriaga na doutrina verdadeira e nova quando ela é acompanhada de poder, quando ela é acompanhada com uma descarga de potência, não é verdade? Então, o que ele disse: “O que é isto aqui? Uma doutrina nova, acompanhada de potência”.

Um pouco disso se poderia dizer do modo pelo qual a doutrina ultramontana aparece às almas de hoje: uma doutrina nova, acompanhada de potência, quer dizer, trazendo consigo as possibilidades da criação de um mundo novo, da germinação de uma nova ordem de coisas, as esperanças de um mundo futuro que é completamente o contrário do atual e que vai derrubar a Revolução.

Há qualquer coisa da fermentação e no dinamismo de nossas coisas que poderia ser chamada, naturalmente na medida em que o formigueiro pode ser comparado com o Himalaia, “uma doutrina nova, acompanhada de potência”.

A expressão é maravilhosa para fazer sentir algumas das coisas a que, por exemplo, o nosso congresso dá a sentir. A embriaguez do nosso congresso é dupla: doutrina, mas do outro lado é potência daquela doutrina que reuniu aquela gente e que cria aquele dinamismo, e a conjunção disso que produz aquela sensação das sessões dos encerramentos de nossas semanas de estudo, no nosso congresso.

E o judeu encontrou uma frase maravilhosa para aplicar isso, uma coisa estupenda, não é?

(Sr. –: É do Evangelho mesmo?)

É do Evangelho, diz aqui o seguinte:

Uma noção indizível composta de dois elementos distintos: o susto religioso em face do sobrenatural e a admiração causada pelo milagre apoderou-se de toda a assembléia. Em pouco tempo esse sentimento tomou, sobrenadou na multidão e as testemunhas do prodígio permutaram entre si as reflexões seguintes: O que é isto? É uma doutrina nova, acompanhada de potência…

A frase continua.

Ele comanda com autoridade os espíritos impuros e eles Lhe obedecem.

É realmente o que impressiona no congresso, é uma sensação do recesso da Revolução; há ali uma força que empurrou para trás a Revolução e que está triunfando numa hora que ninguém poderia imaginar. Quer dizer, isto está entre aspas e é a frase do… [Fillion?] embora ele não cite aqui o texto do Evangelho.

(Sr. –: A Rua Pará também…)

É o que eu espero, é a doutrina nova, acompanhada de potência ter feito aquilo, expresso aquilo, ter tido a insolência e o poder de simbolizar aquilo, está compreendendo?: doutrina nova, acompanhada de potência.

Depois também — ouviu, Caio? — na ordem do contágio da doutrina, compreender quanto a potência é importante para tornar contagiosa a doutrina, está compreendendo? Por mais que se doutrine, a potência sem doutrina ou a doutrina sem potência não andam. Mas há uma espécie de teoria da propaganda envolta nisso, que é a seguinte: quando uma potência, uma doutrina quer caminhar, ela tem que ser uma doutrina acompanhada com potência; aí é que ela anda.

Há toda uma teoria de propaganda que deflui desta forma e que, por exemplo, para o SIP é altamente ilustrativa, está compreendendo? É uma beleza.

* Com exemplos tirados da natureza, Nosso Senhor mostra que não podia continuar a Lei Nova na Lei Antiga

Nosso Senhor teve uma discussão porque Ele foi acusado de glutão e Ele teve uma discussão porque Ele e os discípulos dEle não seguiam a conduta nem de São João Batista nem dos fariseus. Eles compareciam às reuniões, eles comiam, pareciam portanto mais alegres, aquela coisa entre dor mais alegria, aquele equilíbrio [de] que eu falei agora há pouco, não é?

Então, Nosso Senhor deu uma argumentação a respeito desse assunto — eu não marquei o argumento — mas no que diz aqui o resto é explicado, é o seguinte: o argumento era tanto mais peremptório que o Salvador não censurava em nada os jejuns dos fariseus e dos discípulos de São João Batista. Ele não pedia senão uma coisa: a liberdade para os seus sobre um ponto, aliás muito secundário, mas eis que Ele vai corroborar a Sua tese por outras considerações não menos sensacionais, apresentadas sob forma de pequenas parábolas. Ela tem o alcance de verdadeiros princípios. Ninguém disse: Ele não costura um tecido novo a um tecido velho, a um vestido velho; de outra maneira, se fizer assim, a peça de tecido novo arrasta e arrebenta o tecido velho e a rasgadura fica maior.

O fracasso da coisa fica tão bem simbolizado — é… a coisa. Ninguém põe vinho novo em velhos odres, senão o vinho novo romperá os odres e ele se espalhará, e os odres ficarão perdidos, mas é preciso pôr o vinho novo em odres novos e assim os dois se conservam, e ninguém bebendo de um vinho velho quer imediatamente o novo, mas dirá pelo contrário que o velho é melhor. Depois Ele comenta que simplicidade, etc., etc.

Ele justifica a conduta de seus discípulos com o raciocínio tirado da natureza… da instituição da qual eles fazem parte. Então Ele vem mostrando que não podia costurar a Lei Nova na Lei Antiga, nem continuar as coisas antigas no regime novo posto [?] eles.

(Sr. Eduardo: Que relação tem isso conosco, com relação às congregações marianas?)

Mas inteiramente, tecido novo…

* A vocação de fazer de modo especial a vontade divina cria um vínculo espiritual que excede a todo parentesco

Uma coisa que lembra um pouco, o que lembra bem as relações especiais do Grupo, cria entre si e que transcendem as relações da família e outras relações. Aquele comentário que Fillion faz daquele momento em que foram dizer a Ele que Nossa Senhora e os Apóstolos estavam querendo falar com Ele. A quem avisou, Nosso Senhor respondeu: “Quem é a minha Mãe perto de meus irmãos?” Depois, passando Seu olhar com uma ternura infinita sobre Seus assistentes, Ele estendeu a mão como para tomar posse deles e acrescentou: “Beije minha mão, minha Mãe e meus irmãos, pois qualquer pessoa que faz a vontade de meu Pai que está no céu, é meu irmão e irmã e minha mãe”.

Aqui para indicar bem como a vocação por onde nós fazemos de um modo muito especial a vontade de Deus, e fazemos porque Deus nos chamou para sermos um só dentro dessa vocação, que isto excede a todo parentesco e que forma um vínculo de caráter espiritual, fica muito acima de pai, de mãe, de irmão, etc., etc. Isto fica indicado aqui de um modo estupendo.

O Mestre Divino não poderia dizer mais delicadamente, mais fortemente a Seus discípulos que eram em grande número no auditório, qual era a extensão de seu afeto e da sua dedicação. Era justo que eles se unissem estreitamente àqueles que se aplicavam com zelo a obedecer inteiramente à vontade divina. Quer dizer, essa obediência à vontade divina formando-se entre eles como que uma fusão. Ele, cuja obediência até a morte era o fim perpétuo e supremo, esse vínculo estabelecia-se entre todos eles e Ele; relações comparáveis às que cria maternidade e paternidade entre os membros de uma mesma família. Assim, que condescendência infinita de Sua parte! E vem uma frase bonita de São Paulo: “Ele não enrubesceu em chamar Seus irmãos”.

Quer dizer é muito bonito isto, exprime bem todo o Grupo que é formado na fé em Nosso Senhor Jesus Cristo, na fé da Santa Igreja Católica para realizar uma obra, como se funde, como se constitui uma coisa.

Eu acho melhor é nós ficarmos por aí, porque eu achava melhor fazer uma seleção melhor deste texto. Eu vejo na próxima reunião. Quereriam tratar mais algum assunto? Nós teríamos mais ou menos meia hora.

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1 Estava como Reunião Normal. Nos Sábados à tarde eram realizadas reuniões para os membros do Grupo da Rua Martim Francisco, na Sala dos fundos da mesma sede; e, no domingo, para os membros da Pará, na Sede do Reino de Maria, da rua Pará.