Santo
do Dia (Auditorio Santa Sabedoria) – 13/6/1964 – Sábado
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Santo do Dia (Auditorio Santa Sabedoria) — 13/6/1964 — Sábado 1 [SD 186]
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Comparação entre estampas: a que deve se aproximar da fisionomia de Santo Antônio, e a que o apresenta conforme a concepção deturpada atual * Santo Antônio, o Martelo dos Hereges, polemista, o maior conhecedor da Sagrada Escritura em seu tempo * Santo Antônio, patrono das Forças Armadas * Santo Antônio ajudou a combater os calvinistas no Rio de Janeiro, fazendo com que um grande número de jovens se alistasse para a defesa
* Comparação entre estampas: a que deve se aproximar da fisionomia de Santo Antônio, e a que o apresenta conforme a concepção deturpada atual
Hoje é dia de Santo Antônio de Pádua, Confessor e Doutor da Igreja, chamado Arca do Testamento, Martelo dos Hereges, franciscano do século XIII. E aniversário também de Luiz Nazareno de Assumpção Filho.
Hoje as igrejas de todas as nações — do Ocidente pelo menos — se encheram de fiéis e amanhã especialmente é que vão comemorar a festa de Santo Antônio e por todas as partes as imagens de Santo Antônio estão sendo expostas, estão sendo objeto de veneração dos fiéis.
Esse fato me lembra que estando em 1950 em Assis, eu tive a ocasião de me documentar a respeito de como era Santo Antônio. E ali se mostra na Basílica de Pádua — não é Assis, mas na Basílica de Pádua — um quadro pintado por Giotto, que passa por ser o quadro mais próximo, mais provavelmente tendo representado a pessoa de Santo Antônio, e se trate então de uma pessoa de corpo hercúleo, de pescoço taurino, forte, de expressão, de fisionomia séria, de olhar imperioso, majestoso, e de uma atitude assim metiona das pessoas como Doutor da Igreja que ele é.
Eu comprei então algumas fotografias dessa imagem — as fotografias eram maços assim que se vendiam na entrada da Igreja — e ao mesmo tempo comprei uma estampa de pilhas iguais que eram vendidas às pessoas que iam à igreja também e que apresentava Santo Antônio não de acordo com a probabilidade histórica do quadro de Giotto, mas de acordo com a concepção que figura nas imagens comuns. Então é um homenzinho imberbe, coradinho, com um Menino Jesus no braço, assim com um ar de quem não entende muito o que é que está fazendo com o Menino Jesus no braço, e o Menino Jesus também com uma cara de quem não entende muito bem o que está fazendo no braço de Santo Antônio, sorrindo os dois, um para o outro, como se fossem … [inaudível]: “Vamos nos aturar algum tempo, porque isto é assim, então temos que nos suportar durante algum tempo”.
* Santo Antônio, o Martelo dos Hereges, polemista, o maior conhecedor da Sagrada Escritura em seu tempo
Na cara de Santo Antônio, na fisionomia, nada que falasse do Doutor da Igreja, nada que representasse o homem que era tido como o maior conhecedor no Novo e Antigo Testamento, da Sagrada Escritura, no tempo dele, porque ele conhecia as passagens mais raras, mais excepcionais, mais ignotas de todos, e tirava delas efeitos de pregação extraordinários.
E Santo Antônio foi tido como o Martelo dos Hereges, porque como polemista, como homem que era capaz de discutir e não de dialogar, era capaz de discutir, de entrar em debates como os hereges, de os achatar, não havia ninguém como ele, e ainda coberto tudo isso aí com os milagres que completavam a sua pregação, e que fazia com que ele fosse o terror dos hereges no seu tempo.
Tudo isso passou e ficou um Santo Antônio, eu quase diria ecumênico, bonzinho, bobinho, casamenteiro, festeiro, quer dizer, arranja … [inaudível]. Quer dizer, o verdadeiro Santo Antônio histórico, o verdadeiro Santo Antônio como ele está no Céu e como ele é apontado pela Igreja para nosso modelo, desapareceu quase completamente, para ficar uma figura que dá um aspecto apenas de Santo Antônio, que são os muitos favores e graças que ele concede. Uma figura assim que não tem nada a ver com a outra, nada que ver sobretudo com a fisionomia moral de Santo Antônio.
* Santo Antônio, patrono das Forças Armadas
Santo Antônio, além de ser o Martelo dos Hereges e a Arca do Testamento, ele é venerado como patrono das Forças Armadas. E a razão disso, entre outros fatos, está nesse:
Santo Antônio em certa ocasião foi objeto de um ato de devoção especial por parte de um almirante espanhol. Uma esquadra espanhola sitiava a cidade de Oram, e não havia meio de conseguir resultado eficazes. Então o almirante espanhol dirigiu-se a uma imagem de Santo Antônio, colocou o chapéu de almirante sobre a imagem, deu-lhe as insígnias de comando e pediu a ele, que investisse [sobre] Oram. Os maometanos, os mouros, fugiram inesperadamente. Interrogados, disseram que tinha estado entre eles um frade vestido com chapéu de almirante, e que tinha ameaçado a Oram com fogo do Céu, e que por causa disto eles tinham achado mais prudente ir embora.
Quer dizer , este aspecto então, do Martelo dos Hereges que ao mesmo tempo incute terror aos mouros, e que se apresenta a uma cidade infiel e ameaça com o fogo do Céu, todo esse aspecto foi abolido.
* Santo Antônio ajudou a combater os calvinistas no Rio de Janeiro, fazendo com que um grande número de jovens se alistasse para a defesa
Não se conhece, nessa espécie de devoção assim milagreira, comum. Não se conhece, e aí nós vemos a lamentável deterioração ao santo em nossos dias. Quer dizer, como ele já não representa esta legenda popular que em torno dele se criou, a verdadeira santidade.
Quem, por exemplo, comentará a respeito da vida de Santo Antônio esse fato que se deu no Rio de Janeiro, e que foi o seguinte:
Quando o Rio de Janeiro estava todo cercado pelos calvinistas franceses e já estava quase completamente rendido e a cidade não tinha meios de resistir, então os frades tomaram a imagem de Santo Antônio, desceram com ela do morro, colocaram numa pilastra que se encontrava ali e a simples exibição da imagem de um modo maravilhoso, comunicou tal ardor de santidade, que grande número de jovens se alistaram, foi possível reorganizar a resistência aos franceses, e os franceses dentro de pouco tempo foram embora. De maneira que o Rio de Janeiro não se tornou calvinista, e talvez com repercussão em toda a história da América Latina — e, portanto, em toda a história da Igreja — por causa dessa ação simbólica de presença, mas maravilhosa, de Santo Antônio.
Todas essas coisas que não se dizem, não se contam, não se comentam.
E os senhores podem através disso verificar duas coisas: em primeiro lugar, como é lamentável esta torção que a vida do Santo Antônio sofreu, mas de outro lado também como é admirável a vocação que Nossa Senhora deu aos senhores, porque lhes deu a vocação de pertencer ao grupo que tem por missão restaurar essas coisas e mostrar os próprios santos em seu aspecto combativo, em seu aspecto guerreiro, em seu aspecto polêmico, em seu aspecto contra-revolucionário enfim, que a Revolução tanto gostaria de esconder e de disfarçar.
Nessas condições, eu acho que nós devemos pedir hoje a Santo Antônio uma graça especial: é que ele que soube ameaçar a cidade de Oram com o fogo do Céu, nos consiga, nos faça este favor, de se apresentar em algum lugar do mundo, e neste lugar do mundo nos obter, neste momento, uma graça que eu tenho em mente, mas que eu não quero dizer qual é. Vamos pedir esta graça para Santo Antônio hoje, é o melhor pedido que nós fazemos nesta noite .
Nessas condições, vamos rezar.
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1) Nota do conferidor: No microfilme, esta reunião está com data de 22/6/1965. Entretanto, a Festa de Santo Antônio de Pádua é no dia 13. Também o aniversário de Luiz Nazareno A. Filho é nesse dia. O ano parece ser 1964 pela seguinte frase do Sr. Dr. Plinio: “...amanhã especialmente é que vão comemorar a festa de Santo Antônio...” Além disso, não havia Santo do Dia aos domingos.