Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 12/6/1964 – 6ª feira [SD 259] – p. 4 de 4

Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 12/6/1964 — 6ª feira [SD 259]

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Lição do Coração de Jesus: muita desconfiança e vigilância porque o demônio se oculta * Poucas personalidades foram mais distorcidas do que a de Santo Antônio pela heresia branca * Polemista vigoroso, enérgico e sagaz: Martelo dos Hereges * Pedir-lhe o espírito de luta para a Igreja e que destrua em nós a “heresia branca”

Amanhã não há santo no calendário. Teremos sábado, 13 de junho, a festa de Santo Antônio de Pádua.

Hoje é a festa do Coração Eucarístico de Jesus. Seria bom lembrar que os primeiros teólogos que escreveram a respeito do Coração de Jesus e depois do Coração Imaculado de Maria, de tal maneira identificavam essas devoções, que falavam do Coração de Jesus e de Maria, usando a palavra “coração” no singular. Isto pela íntima união entre Nosso Senhor e Nossa Senhora.

Portanto, não é fora de propósito que eu comente palavras do Coração de Maria na festa do Coração de Jesus. Palavras do Coração de Maria a Josefa Menendez:

Minha filha, eu quero dar-te uma lição de grande importância; o demônio é como um cão furioso, mas ele está acorrentado.

O que quer dizer que ele não tem senão uma certa liberdade.

Ele não pode, portanto, apropriar-se e devorar sua presa, a menos que ela se aproxime dele. É para esse efeito que sua tática habitual consiste em transformar-se em cordeiro. A alma que não se dá conta desse assunto, aproxima-se pouco a pouco e não percebe a malícia da tentação, a não ser quando já está ao alcance da dentada. Quando o demônio parece estar longe de ti, não cesses de vigiar sobre ti mesma, minha filha. Seus passos são silenciosos e escondidos a fim de passar desapercebidos.

* Lição do Coração de Jesus: muita desconfiança e vigilância porque o demônio se oculta

Essa linda apresentação de uma lógica impecável — é por isso que Nossa Senhora é a Sede da Sabedoria — termina com um conselho individual para Josefa Menendez, do qual todos nós devemos utilizar, especialmente em dois pontos: a virtude da fé e a virtude da pureza.

Nada de consentir em pensamentos de tentações vagas, assim: “Estou com uma pequena vontade de furar tal ponto, tal afirmação histórica”, etc. Digo de certas facilidades que o indivíduo tem com o espírito das trevas, que podem nos pôr em dúvida. Isto também em matéria de pureza.

Frei Jerônimo leu, certa vez, a frase de um santo, não me lembro qual seja, que dizia o seguinte: “Muitos varões santíssimos caíram nessa matéria por causa da excessiva segurança”. Quer dizer, em matéria de excessiva despreocupação com as tentações do demônio.

É preciso vigiar continuamente, é preciso vigiar continuamente, para que não caiamos em tentação.

Isto aqui é um comentário da palavra de Nosso Senhor: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação”.

Mas há aí um princípio — do qual esse excelente conselho prático é deduzido — e esse princípio vai muito mais longe: é compreender que, habitualmente, nosso adversário está oculto. O heresia branca queria que achássemos que nosso adversário é só aquele que está de cabeça para fora, e que achar o contrário é juízo temerário.

Ao contrário, habitualmente o demônio se oculta; e quando se quer procurar o demônio, deve-se procurar um cordeiro e não o leão. O leão é somente, muitas vezes, um artifício do demônio para dizer que está em tal lugar, mas de fato, ele não está nesse lugar de modo perigoso. Ele diz que está lá para esconder que está cá. Aí é que compreendemos quanto é preciso ser desconfiado.

A sagrada e sacrossanta virtude da desconfiança é a virtude da vigilância. Nosso Senhor diz: “Orai e vigiai”. O que é essa vigilância se não desconfiança? Um homem que não desconfia de nada vigia? Não vigia, pois não tem inimigos e de nada desconfia.

(…)

Vigia quem desconfia e a vida espiritual, diz o heresia branca, faz-se só com piedade. Nosso Senhor desmente: “Rezai (piedade) e vigiai para não entrardes em tentação”. Quer dizer, sede piedosos e desconfiados.

Peçamos a Nossa Senhora e ao Sagrado Coração de Jesus na festa de seu Coração Eucarístico, a virtude da piedade e a virtude da desconfiança, os dois pilares da alma do verdadeiro contra-revolucionário.

* Poucas personalidades foram mais distorcidas do que a de Santo Antônio pela heresia branca

Amanhã temos a festa de Santo Antônio de Pádua, Confessor e Doutor da Igreja, chamado Arca do Testamento e Martelo dos Hereges, franciscano, século XIII.

A respeito de Santo Antônio de Pádua, pode-se dizer que poucos santos têm tido sua personalidade mais distorcida pela heresia branca do que foi Santo Antônio.

Quando estive em Pádua, comprei uma fotografia de um quadro de Giotto, ou de um discípulo da escola de Giotto, representando Santo Antônio de Pádua. Era o quadro mais próximo do contemporâneo dele, que se conhecia na Cristandade. Portanto, de todos os documentos iconográficos sobre Santo Antônio, era o que mais verossimilmente retratava a verdadeira figura do santo. Ao mesmo tempo, comprei um santinho de Santo Antônio que os franciscanos vendiam aos numerosos peregrinos na porta de entrada da igreja.

O santo de Giotto representa um homem gordo — e até muito gordo, parece que a gordura acabou prejudicando-lhe a saúde, ele teve uma doença renal e acabou morrendo — com um pescoço forte, uma expressão de fisionomia inteligente, um olhar vivo e uma atitude vigorosa, varonil.

No santo que os franciscanos vendiam, começava Santo Antônio por ser imberbe, magrinho, coradinho (mas coradinho no lugar onde se põe rouge exatamente), um cabelo esquisito porque todo raspado e depois o clássico topete e dois … [inaudível]… que a gente não sabe ao que corresponde, que corriam para a coroa atrás, com um livrinho vermelho muito bonitinho numa época em que não se usavam tais livros, com um Menino Jesus sentado em cima. E um Menino Jesus parecido com um filhinho dele, ou irmãozinho, e um diálogo bobo travado entre os dois. Puramente sentimental, sem nenhum conteúdo. O contrário, o oposto do que foi Santo Antônio de Pádua.

* Polemista vigoroso, enérgico e sagaz: Martelo dos Hereges

Em primeiro lugar, ele foi uma pessoa que tinha um conhecimento tão completo de todos os textos da Sagrada Escritura, que esse seu conhecimento era tido como milagre, porque não se podia conhecer a Escritura como ele conhecia. Ele era, digamos, uma espécie de fichário perfeito e vivo da Sagrada Escritura. Nas discussões com os hereges do tempo, ele citava as Escrituras com perfeita precisão, porque as tinha inteiras na cabeça.

Além disso, era um polemista vigoroso e enérgico, muito sagaz e que sabia de fato quais pontos a localizar para vencer o adversário, e que encheu várias vezes o adversário de confusão, não só pelos seus argumentos, como também porque no calor da polêmica (eu sei que ele poderia ser acusado de espírito pouco ecumênico, mas isto é lá com ele) ele chegou a produzir milagres.

Os senhores vêem esse santo, apresentado como tão bobinho, ter o título de Doutor da Igreja e ser o Martelo dos Hereges. Isto é antiirênico e pouco ecumênico. Isto mostra a torção profunda que se fez em toda a piedade e como a imagem da santidade foi deformada nos olhos de todos nós.

* Pedir-lhe o espírito de luta para a Igreja e que destrua em nós a “heresia branca”

Nessa festa de Santo Antônio de Pádua devemos pedir que ele recomende a Nossa Senhora e, por meio d’Ela, a Nosso Senhor, em primeiro lugar: que o Martelo dos Hereges peça a Deus que suscite martelos tanto quanto o demônio suscita hereges, e que caia na Santa Igreja um espírito de luta, um espírito de guerra, um espírito de combate, que vemos que vai se afastando dia-a-dia dos meios católicos, para ser substituído por esse espírito de concessão, que vemos que vigora por toda parte.

Em segundo lugar, pedir a Santo Antônio que acabe dentro de nós com as vivências da heresia branca. A heresia branca é uma coisa que não se apresenta como doutrina, mas, sobretudo, como vivência. E tenho impressão de que são muito poucos, mesmo dentre nós, que estejam isentos de algumas influências de heresia branca. É evidente que enquanto isto estiver dentro de nós, não teremos um inteiro conhecimento, nem um inteiro amor de Deus.

Que ele nos dê seu espírito, que é de ardente devoção à Igreja Católica, de compreensão eminentemente católica da Sagrada Escritura, de luta e de querer, porque ou é ele próprio o Martelo dos Hereges, ou não é nada.

Uma das muitas definições que se poderia dar do ultramontano é Martelo dos Hereges. Peçamos a Santo Antônio que nos faça martelos que martelem de quebrar a cabeça.

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