Santo
do Dia – 13/5/64 – 5ª feira .
Santo do Dia — 13/5/64 — 5ª feira
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As grandes missões e as grandes preparações para as grandes missões se fazem por etapas. Ex.: a preparação dos três pastorinhos para o momento em que Nossa Senhora lhes falou * Nós temos uma missão, e essa missão vai se tornando clara para nós à maneira de Fátima * Cumpre-nos pedirmos a Nossa Senhora a graça de fazer luzir aos nossos olhos, tudo aquilo que já deveríamos ter percebido e sabido
* As grandes missões e as grandes preparações para as grandes missões se fazem por etapas. Ex.: a preparação dos três pastorinhos para o momento em que Nossa Senhora lhes falou
Na festa de Nossa Senhora de Fátima haveria um primeiro comentário a fazer. As aparições de Nossa Senhora em Fátima foram precedidas por algumas aparições que eram as aparições dos Anjos. E essas aparições foram precedidas de algumas aparições, em que o Anjo não aparecia claramente. As duas meninas viam no céu algum vulto confuso, que não sabiam qual era. Depois esse vulto tomou a forma de um Anjo, que lhes falou e, se não me engano, era o Anjo da Guarda de Portugal. E preparou, por uma série de palavras que lhes disse, etc., em várias aparições até a aparição de Nossa Senhora.
Vejam, então, como as grandes missões e as grandes preparações para as grandes missões se fazem por etapas.
E foi por uma série de etapas que pedagogicamente, a graça, que poderia operar de outro modo — porque a graça não está adstrita a nenhuma pedagogia — como a Providência quis que a graça operasse [more?] pedagógico, e por essa forma fosse preparando o espírito dessas duas crianças, e do Francisco — que parece que não estava muito em ordem com a consciência, estava um pouco atrasado no calendário espiritual quando se deram as aparições — para o momento em que Nossa Senhora lhes falou.
* Nós temos uma missão, e essa missão vai se tornando clara para nós à maneira de Fátima
Essa preparação tem um ensino, e esse ensino nós o devemos registrar. Se bem que, em nosso caso, não se trata nem um pouco de visão no sentido próprio da palavra, nem de revelação também, mas temos uma missão. E essa missão vai se tornando clara para nós à maneira de Fátima.
Muitas vezes a pessoa entra no Grupo e passa muito tempo achando que viu uma coisa extraordinária, porque viu no Grupo, [na] sua missão, algo de muito grande. Mas que é apenas como uma mancha no firmamento, mas que depois vai tomar uma forma mais precisa. E depois vai se definir inteiramente no espírito de cada um, como sendo a missão que cada um deve ter. Então, há uma espécie de preparação pela qual a pessoa precisa ter o coração pronto, precisa ser fiel nas várias etapas da preparação para estar em dia quando vier o momento em que a Providência bater em nossa porta e disser aquilo que representa nossa vocação, nossa missão, que nós mesmos devemos conhecer bem.
Outro dia, conversando com um rapaz do Grupo, ele me dizia essa coisa um pouco surpreendente: que ele teve tempo ultimamente de ler a parte doutrinária da RAQC, e que só aí ele compreendeu bem porque o direito de propriedade é tão defendido por nós, porque é uma instituição de direito natural, porque está ligado aos Mandamentos da Lei de Deus, e qual é o cavalo de batalha que fazemos em torno do direito de propriedade. E é um membro do Grupo com alguma tarimba já. Como se explica isso? É relaxamento? É alguma coisa censurável? Pode não ser.
Essas concepções exigem uma espécie de amadurecimento tal, pelo qual pode-se dizer isso duzentas vezes para uma pessoa, mas se não chegar a hora da graça, a pessoa não vê tão claramente como verá depois.
De repente, bate na testa e descobre uma penca de coisas anteriores. É porque mais do que toda a pedagogia, mais do que todo ensino, mais do que todo esforço que se possa fazer para formar uma pessoa, existe essa obra gradual do Espírito Santo nas almas, que vai preparando as almas para pegarem bem a doutrina, para terem uma verdadeira assimilação interior que é bem a formação católica.
É a transformação daquilo que se ouve, em princípios bem compreendidos e amados, de tal maneira que ficam em nossa alma, como a alma de nossa alma. Essa formação vem por etapas. A graça primeiro nos mostra uma coisa, depois nos mostra um Anjo e, finalmente, nos fala Nossa Senhora.
* Cumpre-nos pedirmos a Nossa Senhora a graça de fazer luzir aos nossos olhos, tudo aquilo que já deveríamos ter percebido e sabido
Ocorre-me, portanto, de pedirmos a Nossa Senhora, nesta festa que tem tanta relação com nosso apostolado, a graça de fazer luzir aos nossos olhos, apesar das infidelidades que tenhamos cometido, tudo aquilo que já deveríamos ter percebido e sabido. De conceder a cada um do movimento uma graça igual a essa, e de apressar o dia em que Ela nos dê essa plena compreensão das nossas coisas, que equivale à nossa plena preparação para a Bagarre.
Devemos entrar para a Bagarre com todas as nossas coisas compreendidas e entendidas. E entendidas como estou dizendo: passando a ser a alma de nossa alma.
E é claro que em nós muita coisa assim ainda tem de ser feita. Pedir à Nossa Senhora que Ela nos fale, não por visões ou revelações, mas com uma clareza tão grande como falou na Cova da Iria aos pastorinhos, para que cumpramos nossa missão como eles cumpriram a deles.
Ficou entendido que Francisco, pelo menos nas primeiras aparições, via, mas não ouvia o que Nossa Senhora falava. Parece que isso porque, apesar dele ser um menino puro e direito, Nossa Senhora tinha qualquer coisa com ele que não estava em dia. Francisco reformou-se, deu um menino admirável, e morreu em disposições heróicas.
Vamos pedir ao Francisco que seja nosso intermediário, e que tendo nós algo de análogo com ele, ele consiga para nós o que Nossa Senhora fez para ele. Ela disse que ao Francisco também levaria para o céu, mas que era preciso que ele rezasse mais alguns terços. Vamos pedir que Ela nos dê a graça de “rezarmos também mais alguns terços”, quer dizer, fazer mais algumas coisas que devemos, estarmos bem em dia para quando chegar o momento das grandes provações para nós e também da grande luta e também da grande glória.
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