Santo
do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) – 11/2/1964 –
3ª feira [SD 006] – p.
Santo do Dia (Auditório da Santa Sabedoria) — 11/2/1964 — 3ª feira [SD 006]
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Os sete servitas fundadores, precursores da Sagrada escravidão * Verdadeiros escravos e filhos de Maria, por amor à Contra-Revolução * A Revolução odeia toda alienação * Pedir aos servitas a devoção a Nossa Senhora e o senso contra-revolucionário
* Os sete servitas fundadores, precursores da Sagrada escravidão
Confessores membros da aristocracia florentina, deram à sua ordem a missão da propagar o culto das Dores da Bem-aventurada Virgem Maria. Suas relíquias se veneram em nossa capela. Século XIII.
Esta é uma das mais antigas ordens especialmente fundadas para propagar a devoção a Nossa Senhora. É muito bonito o título de servitas de Maria, quer dizer, o título de Servos de Maria, ou seja, de escravos de Maria.
Como é evidente, esse título prenuncia a devoção de São Luís Maria Grignion de Montfort, que é a devoção da escravidão a Nossa Senhora. Mas escravo [de] escravidão no sentido próprio da palavra, quer dizer, de um despojamento completo de todos os bens, os passados, presentes e futuros, que são postos nas mãos de Nossa Senhora, inclusive os bens espirituais, que são os méritos de nossas boas obras.
Esse título é muito bom porque serve também para marcar a diferença entre a boa piedade católica e a Revolução.
Os senhores saberão, provavelmente, que há um certo número de teólogos contemporâneos que consideram o título dado por São Luís Maria Grignion de Montfort ao seu ato de consagração, e depois a expressão que ele usa ao longo do seu tratado, a respeito da escravidão a Nossa Senhora, consideram isso uma coisa indigna do homem do século XX. Era uma coisa que podia ser utilizada no passado, mas em nossa época, em que a escravidão foi abolida e que não há mais servos, ninguém mais é servo, nem sequer de Nossa Senhora. Então, em relação a Nossa Senhora, a gente poderá chamar-se filho, mas não se chamará escravo, porque a dignidade humana não comporta o título de escravidão em relação a Nossa Senhora.
* Verdadeiros escravos e filhos de Maria, por amor à Contra-Revolução
Esta afirmação, evidentemente, é uma afirmação igualitária e de caráter revolucionário e não há de ser aqui que eu hei-de demonstrar uma coisa destas.
Em relação a Nossa Senhora, que é a Rainha do céu e da terra e é a Rainha absoluta do céu e da terra, todo mundo é servo e é uma honra ser servo d’Ela. De maneira que em relação a Ela, o que nós aspiramos é propriamente o desejo nosso, em nossa vida, de sermos verdadeiros escravos d’Ela. E sendo escravos, somos verdadeiramente filhos; e [sendo] filhos, somos verdadeiramente escravos, porque nós amamos como filhos e queremos servir-La como escravos e como servos, queremos obedecer a Ela como servos e escravos verdadeiros.
E esses sete santos que fundaram essa ordem religiosa quiseram dar à ordem o título de Ordem dos Servitas, quer dizer, dos servos, a ordem dos escravos.
A Igreja canonizou esses sete santos, ela instituiu esta ordem fundada por esses sete santos, aprovou, promulgou as regras dessa ordem, com o nome de Servos. Portanto, o próprio magistério da Igreja, por várias formas, indica que, em relação a Nossa Senhora, a gente deve ser servo.
Os senhores vêem aqui o espírito demoníaco da Revolução que, não querendo nenhuma espécie de superioridade, não se contenta em sacudir a hierarquia na terra, quer a hierarquia eclesiástica, quer a hierarquia temporal, mas quer ao mesmo tempo sacudir até as desigualdades na ordem sobrenatural, e não quer que haja a desigualdade imensa que Nosso Senhor pôs entre a Mãe d’Ele, como tal Rainha de todos os anjos, de todos os santos, de todo o universo, e depois todas as outras criaturas que estão a um abismo de Nossa Senhora.
Tive outro dia ocasião de lembrar isto, e a coisa diz bem a realidade:
Quando Nossa Senhora pede sozinha uma coisa, ainda que seja sem o concurso de nenhum santo, Ela obtém. Se todos os anjos e santos do Céu pedissem algo sozinhos, sem o concurso d’Ela, não obteriam. De tal maneira o reinado d’Ela é um reinado completo e absoluto. E não há maior disparate do querer pôr isto, sequer de longe, em dúvida.
* A Revolução odeia toda alienação
Pois bem, este é o espírito da Revolução, este é o espírito de igualitarismo e esta é a raiz do ateísmo. A raiz do ateísmo é ter ódio de que exista esse Senhor no Céu, que domine em nós, sabre nós, porque não pode haver em nenhum lugar, nenhuma espécie de senhor.
Karl Marx disse isto muito bem: ele chamava isto de alienação. Alienação no sentido da palavra alienum.
Alienação é o ato pelo qual homem cede uma parte de si mesmo, quer dizer, cede o domínio sobre si mesmo a um outro homem. Então, é alienação que um patrão mande no empregado; é alienação que o professor mande no aluno. Toda forma de autoridade é uma alienação. E ele dizia que uma das piores alienações era a alienação que o homem praticava para com Deus. Que Deus não existia, era um mito que o homem inventava para alienar-se. Mas um mito ruim, porque o homem assim imaginava que estava alienado. E o que deve haver não é a alienação, mas cada homem possuir-se a si próprio, ser inteiramente independente e não obedecer a ninguém. Este é o ideal do marxismo, é o ideal da Revolução.
* Pedir aos servitas a devoção a Nossa Senhora e o senso contra-revolucionário
O que devemos pedir aos santos servitas?
Se esses santos servitas do século XIII ressuscitassem hoje, presenciassem essas abominações, e as vissem proferidas por lábios católicos e amadas por corações católicos, o que eles diriam? Que indignação teriam? Que censuras fariam? Que réplicas?
Devemos pedir a eles que intervenham aqui na terra e que ajudem a acender uma verdadeira devoção a Nossa Senhora entre os homens e, com a devoção a Nossa Senhora, o senso da hierarquia e o senso da Contra-Revolução. Deve ser esta nossa intenção no dia de amanhã, que será o dia dos santos servitas.
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