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Advertência



Tipo de reunião: Reunião do MNF

Data da reunião: 15.11.57 – Sexta-feira

Este texto é anotação integral do que disse Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, tendo sido feita por [...]. Recuperado do microfilme pela Comissão Plinio Corrêa de Oliveira, foi conferido com o original por por José F. Vidigal e/ou Renato Pezotti em 1995/1996. Houve apenas correção de ortografia, pontuação e gramática. As palavras entre colchetes [ ] foram introduzidas para melhor entender-se o texto. No lugar das palavras ilegíveis ou espaços em branco no original, foi colocado sinal de reticências.


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Reunião do MNF – 15.11.57 – Sexta-feira




Luz Primordial e câmara escura * A diferença dada pelo corpo às almas, vista em conjunto com a ação da graça sobre cada alma * Cada alma possui uma apetência para considerar certas perfeiçoes de Deus * A interação da inteligência e da graça na linha da apetência fundamental de cada alma * A luz primordial pode ser vista objetiva e subjetivamente * A luz primordial é uma perfeição de Deus que constitui para cada homem o pórtico de todas as outras perfeições as quais o homem deve amar sob aquele prisma



Dou o segundo pondo do que acabava de dizer há pouco e que resulta das conversas que tivemos aqui, e que é o seguinte: definido o que é a câmara escura, vamos tratar de definir a luz primordial.



* A diferença dada pelo corpo às almas, vista em conjunto com a ação da graça sobre cada alma



A luz primordial põe-se para nós da seguinte maneira: em primeiro lugar vamos considerar o homem como um ente que tem necessidade de uma determinada luz primordial, ou seja, o homem enquanto precisando de uma luz primordial. São Tomás de Aquino diz que todas as almas humanas em si são iguais e que as diferenças que há entre elas vêm dos corpos. Mas para compreendermos todas as dificuldades concretas que existem nas almas, é preciso tomar na maior consideração também a diferença de regime de vida sobrenatural nas almas. Quer dizer, além das desigualdades provenientes dos corpos existe também o fato de que Deus chama as almas a histórias espirituais diferentes, patenteando-lhes a sua atenção, o seu amor através da ação sobrenatural, através da ação da inteligência; circunstâncias especiais, providenciais, mil fatores de maneira tal que cada alma tem um nível de perfeição para o qual é chamada e cada uma tem um tipo especial de santidade que ela é chamada a realizar. Essa santidade não é o contrário das outras santidades, nem é diferente das outras, pois a santidade cristã é uma só, mas o modo de realização dessa santidade é que varia de acordo com as almas.



* Cada alma possui uma apetência para considerar certas perfeições de Deus



Se estabelecermos este princípio vemos que cada alma tem uma individualidade por onde ela tem a tendência a compreender melhor determinadas perfeições de Deus que correspondem mais ao próprio ser dela, e por isto, ela tem a tendência a considerar certos absolutos, tem mais tendência para compreender certos aspectos da religião revelada, tudo dentro da linha daquilo que nela mais apetece pelo seu movimento natural, originário, físico, do espiritual e do sobrenatural também. Há, portanto, uma apetência da alma para determinado ponto.



* A interação da inteligência e da graça na linha da apetência fundamental de cada alma



Agora vem a inteligência e, na ordem do conhecimento dos metafísicos, por causa dessa apetência, ela tem sua atenção particularmente chamada para determinados absolutos metafísicos. Vem a graça e revela ao homem a Fé católica. Dentro da Fé católica o amor do homem se acende também especialmente para determinadas verdades.

Então, temos aqui uma espécie de linha de afinidade entre os metafísicos e as verdades da Fé católica que, em última análise, resultam -- uma vez que analisamos toda essa afinidade -- num ponto único e simples, que é esse ponto supremo ao qual o homem, ou a alma, tende com toda as forças, mais do que para qualquer outro ponto.



* A luz primordial pode ser vista objetiva e subjetivamente



Então o que vem a ser a luz primordial?

Ela pode ser vista de dois lados: objetiva e subjetivamente.

Objetivamente falando, a luz primordial é o conjunto de perfeições de Deus que o homem conhece com o auxílio da graça e da Revelação e também com o exame da natureza, e que correspondem ao ponto mais ardente da aplicação da sua inteligência e do seu amor.

Subjetivamente falando, a luz primordial é aquilo que é necessário para o homem, para que o dinamismo hierarquizado de suas melhores apetências e de suas melhores compreensões, encontrem satisfação.

De maneira que a maior e melhor curiosidade intelectual, a maior e melhor apetência da vontade aplicam-se com todas as suas forças, quando o homem é virtuoso, para o conhecimento desses pontos.



* A luz primordial é uma perfeição de Deus que constitui para cada homem o pórtico de todas as outras perfeições as quais o homem deve amar sob aquele prisma



Isto nos leva a um terceiro ponto que não é um ponto distinto, mas é uma especificação muito oportuna sugerida pelo Adolpho. É a respeito da unidade da luz primordial. É fato que há uma determinada perfeição de Deus que, em última análise, ou melhor, em última e supremíssima instância, é objeto do amor especialmente terno, ardente e intenso do homem. Mas acontece que quando o homem ama as perfeições de Deus, não podemos dizer que ele ama em Deus apenas uma perfeição. Porque Deus não tem várias perfeições, mas Ele é a própria perfeição. Todas as perfeições de Deus são aspectos de uma mesma perfeição. E quando o homem ama uma perfeição, ele naturalmente deve amar todas as outras, senão ele não ama aquela. E a perfeição de Deus que está na luz primordial é só o pórtico para o homem entrar depois do amor de todas as perfeições de Deus.

Acontece que se eu amo uma determinada perfeição. eu amo, por um sistema de constelação, as várias outras que são como que corolários ou aspectos mais próximas desta. E depois, mais outras e mais outras, à maneira de grupos de constelações hierarquizadas entre si. De maneira que concretamente pode dar-se que uma pessoa não tenha ainda trazido ao consciente sua luz primordial inteira. Ela então nota em si várias apetências que, até mesmo, podem parecer um tanto díspares entre si e que se ligam por um fio de ouro, que está no subconsciente, e que se trata de desenterrar para saber qual é o ponto uno do qual esses fios procedem.

Então, aí se encontraria a espécie de coisa suprema que a pessoa procura. Mas a luz primordial em si mesma, revelada acaba sendo una, embora brilhe em aspectos secundários bem diversos, em certa fase do desenvolvimento da pessoa.



A. R. M.