O
Anticristo já veio?
Capítulo 25 – O “Sucessor”- Alter Plinio? arqui Plinio? ou anti-Plinio? 1
II. JC, “sucessor” de Dr. Plinio 5
A. No tocante ao grau de virtude de Dr. Plinio 13
B. No tocante aos dons naturais e sobrenaturais de Dr. Plinio 15
C. No tocante à ação de presença de Dr. Plinio 16
E. No tocante ao mando e influência de Dr. Plinio sobre todas as TFPs 58
F. No tocante ao relacionamento de Dr. Plinio com os membros do Grupo 75
2. Vínculos senhor - escravo 77
4. Contemplação do que a “graça fala” na alma de JC 94
6. JC, foco e centro do entusiasmo 115
7. JC, objeto de culto, veneração e idolatria – Correlação com a “graça” nova 122
G. No tocante à missão de Dr. Plinio de derrotar a Revolução e fundar o Reino de Maria 157
I. Mais dados sobre o conceito que os joaninos tem de seu senhor 163
1. Visualização em função das perguntas que formulam a ele 163
2. Visualização em função dos epígrafes dos textos 165
IV. Se JC é "sucessor" no sentido de impostor - Visualização em função dos objetivos que visa 169
V. Equiparação entre Dr. Plinio e JC - Substituição de Dr. Plinio 172
B. Visualização em função da avidez que os joaninos tem de um “intérprete” 192
VI. Proclamação de JC como superior a Dr. Plinio 197
VII. “Fundamentos” da substituição de Dr. Plinio pelo impostor 207
E. Dr. Plinio estaria presente na inauguração do Reino de Maria, mas não como imaginamos ... 225
G. A Bagarre já veio e já terminou. O Grand Retour já começou ... 235
H. Mais um “fundamento” do “sucessor”: adulteração de um texto de Dr. Plinio 236
VIII. Sucessores do sucessor ... 238
IX. Hipocrisia joanina em matéria de “sucessão” 240
B. Dr. Plinio é único, insubstituível, inigualável ... 254
C. A admiração que temos por Dr. Plinio é indivisível ... 263
D. O relacionamento com Dr. Plinio é direto e não exige necessariamente um mediador ... 263
E. Todas as graças nos vem por intermédio de Dr. Plinio ... 264
G. Se se tira Dr. Plinio do centro e se põe outro no seu lugar, tudo está perdido... 268
I. Se os membros do Grupo me tomarem como modelo, está tudo perdido ... 274
K. Dr. Plinio está sendo posto de lado de modo progressivo e imperceptível ... 278
L. Se alguém se colocar como sucessor do SDP, dá um desastre e acaba destruindo a TFP ... 280
M. Paira uma maldição sobre quem pretenda erguer-se como sucessor ... 281
N. Ao mesmo tempo que nega ser modelo, se coloca como tal 282
***
Ramón León fala ("Quia nominor provectus", pp.102, 103):
O fundo do problema é inicialmente de ordem semântica, e para ele algumas pessoas contribuíram involuntariamente e de boa intenção. Com efeito, a maior parte dos membros da TFP brasileira e das TFPs do Exterior sempre tomou o vocábulo "sucessor" como significando a possibilidade de alguém que, atingindo um mesmo patamar de virtude e perfeição moral e possuindo os dons naturais e sobrenaturais iguais e até maiores que as de nosso Pai e Fundador, assumisse não apenas o comando da TFP brasileira como tivesse também o mesmo poder de influência sobre toda a nossa "família de almas" nos cinco continentes.
Naturalmente, essa possibilidade sempre nos causou repulsa, não apenas porque acreditamos não haver ninguém entre nós que se iguale ao Sr. Dr. Plinio em virtude, vocação, dons e qualidades pessoais, mas também porque ninguém pode pretender assumir um falso papel de "fundador", quando Fundador é apenas ele.
(...) Entretanto, se considerarmos a palavra "sucessor" em sua pureza etimológica, sem esse conteúdo específico que as circunstâncias da história da TFP a fez adquirir entre nós, o problema muda de aspecto.
Não há o que objetar: nosso Fundador deixou este "vale de lágrimas". Mas temos a confiança de que o Sr. Dr. Plinio continua assistindo a sua Obra e a fazer sentir sua presença entre nós, levando-nos pela mão rumo à graça entre nós chamada do “Grand Retour”. Isto posto, é normal, é lógico, é até indispensável para a sobrevivência da TFP que ela tenha uma ou mais pessoas que continuem a levar a Obra do Sr. Dr. Plinio adiante. E quando esse ou esses faltarem, será preciso virem outros, depois outros, e assim por diante, enquanto a TFP tiver de durar. Nada mais normal, e é até incompreensível pensar o contrário.
Seriam essas pessoas "sucessores"?
Depende em que sentido se toma a palavra. Se considerarmos o termo na sua acepção corrente entre nós, já apontada mais acima, evidentemente não o seriam. Mas se o tomarmos no seu sentido mais usual, meramente cronológico, de alguém que sucede, ou seja, vem depois de outro, evidentemente é este o caso: nosso Pai e Fundador deve ter sucessores.
*
Grafonema circular dos componentes da Hipoteca, 23/11/97:
O Sr. Dr. Plínio (...) disse claramente “que não teria sucessor” no sentido específico de alguém que herdasse todos os predicados inerentes à sua missão, de tal modo que, "ex autoritate própria", pudesse determinar rumos para a família de almas.
*
No primeiro documento acima transcrito, está muito bem caraterizado o “sucessor” (no sentido de impostor). Ele pretenderia ser igual --ou até mesmo superior-- a Dr. Plinio no que diz respeito a: grau de virtude; dons naturais e sobrenaturais; mando e influência sobre todas as TFPs.
No segundo documento são apontadas as mesmas caraterísticas, mas em termos diferentes. Ele pretenderia ter os predicados inerentes à missão de Dr. Plinio --isto é, o Profetismo, e portanto o dom de prever o futuro, o discernimento dos espíritos, sua ação de presença, a capacidade de ser mediador de graças, etc. E “ex autoritate” própria tentaria impor rumos à TFP (1).
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1. Numa reunião para o êremo de S. Bento, do ano 1973 (lida por JC no "jour-le-jour" de 15/6/97, parte I), Dr. Plinio descreve o equipamento do Profeta:
O profetismo envolve, como os senhores sabem, dois aspectos: um é a previsão do futuro; mas o outro aspecto é a capacidade, a missão e com esta a capacidade de indicar ao povo de Deus o caminho a seguir. Com esta capacidade, a capacidade de ser um mediador de graças para que o povo de Deus de fato siga o caminho para o qual está sendo guiado.
Os senhores encontram esses três elementos, portanto, o elemento da mediação também, os senhores encontram esses três elementos também muito característicos em São João Batista, o ápice do profetismo, a não considerar Nosso Senhor Jesus Cristo que foi Ele mesmo também Profeta. Mas Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo quanto diz respeito a Ele, está numa tal altitude que as comparações se tornam, pelo menos, extremamente penosas de se fazer. Com São João Batista, por maior que seja a diferença, é modelo inteiramente humano e que é, por assim dizer, mais manuseável para efeitos didáticos.
Bem, São João Batista tinha a missão de prever o futuro, ele previu que viria o Messias e que Ele pregaria, e ele apontou o Messias, e depois, segundo ponto, apontou o caminho. Quer dizer: "Ide a Ele, convém que Ele cresça e que eu mingúe, porque veio agora o Cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo e diante do Qual a mim me compete apagar. A minha missão está terminada".
Bem, essa idéia de indicar o caminho, trazia como conexão, que ele era distribuidor das graças para que as pessoas seguissem esse caminho, o que é patente na vida dele: ele era pregador, e ele pregava, e a pregação dele vinha regada de graças.
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Porém, essa enumeração é incompleta. Pois é evidente que:
o relacionamento com suas bases seria uma caricatura do relacionamento de Dr. Plinio com os membros do Grupo; o vínculo entre ele e seus seguidores seria pessoal e do gênero pai espiritual - filhos espirituais, ou do gênero senhor – escravos; e ele seria objeto da mesma --ou até maior-- veneração que outrora se tributava a Dr. Plinio;
ele se colocaria no centro;
bancaria de “fundador”;
seria tido como personificação da Contra-Revolução.
Nessas condições, não surpreenderia que o impostor fosse proclamado superior a Dr. Plinio.
*
Delineado assim o perfil do “sucessor”, resta indagar se seus seguidores seriam bons membros do Grupo e se adeririam a ele por engano, ingenuidade ou ignorância. Para isso, nada melhor do que transcrever duas explicitações de Dr. Plinio:
a) Reunião de Recortes de 27/6/87:
Este sucessor (...) este esperado dos fassures, e, que afinal de contas quebre o padrão.
b) Reunião de 16/9/1967 – Antes de entrar no trecho que nos interessa, podemos resumir o que Dr. Plinio disse nessa ocasião em 4 proposições: 1o possibilidade de haver na Bagarre duas ou três grandes conversões, bem como falsas conversões, de homens maduros, bem sucedidos no mundo, ou pelo menos bem situados no mundo; 2o repercussão dessas conversões nas nossas fileiras; 3o o convertido autentico não suscitaria dentro do Grupo um entusiasmo humano e iria sendo aceito gradualmente; 4o o falso convertido despertaria um entusiasmo humano, deixaria o Grupo babado e as Forças Secretas prefeririam suscitá-lo em São Paulo. Nesse contexto formularam a Dr. Plinio a seguinte pergunta:
Dr. Milton: As pessoas que vão acreditar no falso profeta, vão acreditar com mau espírito, ou por uma falta de discernimento, de conhecimento?
Não há engano nessa matéria que não resulte de uma simpatia orientada por onde não deve.
Os documentos que a seguir transcrevemos estão ordenados cronologicamente. Observe-se que, à medida que passa o tempo, a apresentação de JC como sucessor de Dr. Plinio vai sendo gradualmente mais explícita.
*
"Jour-le-jour" 17/1/96 - JC nega estar em relação a Dr. Plinio como Josué em relação a Moisés. Mas suas bases discordam:
(Aparte: (...) Nas reuniões do Beato Palau que se fizeram há dois anos atrás, uma das profecias do Beato Palau dizia: "É necessário que tenhamos um Josué às ordens de um Moisés".)
Não, não entre por aí porque acho que o senhor vai quebrar a perna.
(Aparte: Não, é só para...)
Só para dizer isso?
(Aparte: ... para recordar isso.)
(...) eu acho que nós não podemos de forma nenhuma afirmar que o espírito do Sr. Dr. Plinio passou para Sicrano, ou então passou para Fulano, ou o espírito do Sr. Dr. Plinio, os dons do Sr. Dr. Plinio. Erraria quem dissesse isso.
Mas é uma coisa curiosa: é que o espírito dele, os dons dele, a própria doutrina deixada por ele, a sagacidade dele, a prudência dele, portanto, as virtudes dele, os dons, estão difusos pelo Grupo inteiro. Quando o Grupo se une e está junto há um qualquer imponderável, que pode se dizer: "O Sr. Dr. Plinio está aqui". (1).
Então eu acho que essa linguagem do Bem-aventurado Palau é meio simbólica e meio profética que não deve ser interpretada assim ao pé da letra, e acho que o Josué ao qual ele faz referência é o Grupo. Não, eu acho, eu acho que é (2).
(...) Esse é o Josué a respeito do qual fala o Bem-aventurado Palau. O Josué é um grupo, um conjunto, é o manto dele. Esse é o manto de Elias, é o Grupo todo. É inegável.
Comentários:
Se JC é sincero ao afirmar que o espírito do SDP passou para o Grupo e não para ele, então por que razão está empenhado em destruir a Instituição? Quer dizer, em teoria não se considera “Josué da Lei e da Graça”, mas na prática procede como tal.
Note-se a insistência de JC: “não, eu acho, eu acho que é”. Seu interlocutor deve ter feito algum gesto ou sinal indicando que o tal Josué não é a TFP tomada no seu conjunto, mas ele.
*
Reunião na Saúde, 30/4/96 - JC afirma que o espírito de Dr. Plinio foi herdado por vários membros do Grupo. Suas bases acham que por um só:
Sobe o fundador ao Céu e ficam na Terra alguns que num campo será um, noutro campo será outro, noutro campo outro, noutro campo outro, guardam algo daquilo que constitui a cabeça que é o fundador.
Como aplicar isso à TFP?
O senhor veja, o Sr. Dr. Plinio foi aos Céus, foi preciso fazer um manifesto contra a reforma agrária, não é verdade? Para esse manifesto foi preciso que houvesse gente na TFP que tivesse estudado todo o assunto da reforma agrária desde a época que o Sr. Dr. Plinio foi fazendo as explicitações e escrevendo os livros dele, foi preciso que houvesse gente que tivesse naquela hora a capacidade de tomar os documentos todos e fazer um comunicado de imprensa.
Este herdou algo do Sr. Dr. Plinio e naquela hora serviu para isso.
Outro poderá, de repente, numa parte econômica, dar uma opinião e dar um rumo a respeito das finanças de uma TFP de um país que salva a TFP daquele país de uma situação difícil. E assim por diante. Está claro?
[Protestos.]
*
Segunda reunião do simpósio para CCEE, 1/6/96 - JC dá a entender que Dr. Plinio deixou em seu lugar vários filhos iguais a ele. Suas bases afirmam que, igual a Dr. Plinio, é só um:
(Aparte: Queria fazer uma agradecimento aqui em público ao nosso Pai e Fundador, Sr. Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, por ter nos deixado tanta bondade numa relíquia viva que é o senhor.) [Aplausos]
Há um trecho da Sagrada Escritura -- é o livro da Sabedoria, capítulo 30, versículo de 1 a 6 -- que começa dizendo:
Quem ama seu filho, castiga-o com freqüência, e mais tarde este filho lhe proporcionará alegria. Quem educa bem seu filho, terá motivo de alegria e dele se orgulhará entre os conhecidos. Quem instrui seu filho faz inveja ao inimigo e se rejubilará por causa dele diante dos inimigos.
Se o pai vem a morrer é como se não falecesse, pois deixa em seu lugar filhos que são iguais a ele. [Aplausos]
Enquanto ele está vivo, ele os vê e se alegra, ao morrer não se sente angustiado. Deixa quem os vingue do inimigo e testemunhe ingratidão aos amigos.
Ele é um pai feliz, porque ele foi para o Céu e deixou muitas relíquias. Não deixou uma só, deixou várias.
Eu acho que ele do Céu se sente muito feliz por ver que a obra dele continua em todos os cantos, sem fenecer em nada, até pelo contrário, se desenvolvendo, porque aqui, lá e acolá, tem relíquias dele. Porque é verdade.
No texto respectivo, o epígrafe colocado pelo datilógrafo acima desse trecho é o seguinte: “O grande Pai que deixou um filho igual a ele”
*
Reunião para CCEE de Montes Claros, 8/6/96 - JC sustenta que Dr. Plinio não participará da Bagarre, do Grand Retour e do Reino de Maria. Suas bases o aclamam enquanto sucessor:
Nós vimos pela história narrada aqui que o Moisés do Antigo Testamento não penetrou na Terra Prometida por um ato de revolta. Pequena revolta, por um ato de insatisfação, por um ato que não foi o da resignação. Pelo contrário, ele se impacientou e pela impaciência ele recebeu um castigo: não entra na Terra Prometida.
Com o Moisés da Lei e Graça, com o Moisés do Novo Testamento, nós temos uma situação diversa. Deus vendo a grande resignação dele, vendo o quanto ele se entregava em holocausto nas mãos dEle e o quanto estava nas mãos dele para que Ele virasse e rompesse como quisesse, Deus pensou o seguinte: "Este vai ter o mérito de não entrar na Terra Prometida, o mérito de ser levado antes da vinda do Grand-Retour, antes da vinda da Bagarre, antes do Reino de Maria. Este vai ter o mérito porque pôs-se em minhas mãos como vítima pura e eu a colho. Eu colho esta vítima, tomo esta vítima puríssima em minhas mãos, e faço dela uma nota, faço dela um cheque, e com esta vítima eu compro as graças que vêm no futuro. Este não entrará no Reino de Maria, este não verá o Grand-Retour, este não verá a Bagarre, não verá da Terra, mas virá de um mirante muito mais elevado. Eu quero que este tenha uma visão a respeito de tudo o que vai acontecer, a mais perfeita possível. Por isso eu o trago para que ele veja tudo o que vai acontecer na minha pessoa" (1).
[Aplausos e brado] (2)
Então com este deu-se exatamente o oposto.
(...)
(Sra. -: O senhor esqueceu de fazer um paralelo com os dois Moisés.)
Qual é?
(Sra.: O Moisés do Antigo Testamento deixou um Josué e o do Novo Testamento também deixou um Josué.) [
{Aplausos]
Eu apenas digo o seguinte: o Moisés do Antigo Testamento teve uma felicidade de deixar um e o do Novo Testamento deixou vários.
(Todos: Não!)
Comentários:
Segundo JC, Deus teria pensado o seguinte: Dr. Plinio vai ter o mérito de não ver a Bagarre e o Grand Retour, e de não entrar no Reino de Maria. Em compensação, Deus traz de volta Dr. Plinio à terra para que Dr. Plinio veja tudo o que vai acontecer “na minha pessoa”. Quem é “na minha pessoa”: Deus ou JC?
As bases de JC aplaudem a hipótese de Dr. Plinio não ter um papel na Bagarre, no Grand Retour e na instauração do Reino de Maria? Aplaudem a alusão a JC? Ou aplaudem ambas coisas?
*
Reunião para CCEE de Montes Claros, 9/6/96:
(Sra. Jane: Eu gostaria de dizer que numa reunião que o Sr. José Cyro teve conosco na 6ª feira, ele falou da "Graça Nova". Eu acho que o Sr. João Clá trouxe essa graça nova (1) para todos nós aqui de Montes Claros [NB: refere-se à apresentação do coro e da fanfarra em maio de 1996], para todos que estão aqui presentes. Eu hoje de manhã telefonei para uma amiga para saber o que é que ela tinha achado do programa, ela estava emocionadíssima, a irmã dela também tinha ficado encantada. E uma coisa que mais me chamou a atenção foi que quando disse que aquele senhor que estava regendo era o Sr. João Clá - eu já tinha falado a ela sobre o Sr. João Clá. E a coisa mais emocionante é que ela falou assim: "Jane, o Sr. João Clá é o substituto do Senhor Doutor Plinio?" [Aplausos] (2) E ela não é correspondente e falou assim para mim:
-- O Sr. João Clá é o substituto do Senhor Doutor Plinio?
Aí eu falei para ela:
-- É. [Risos] As pessoas que estavam próximas de mim, estavam todas encantadas (...). Eu queria agradecer muito ao Sr. João, ao Senhor Doutor Plinio (3) e à Senhora Dona Lucilia por essas graças maravilhosas e pedir a ele que volte novamente.
[Aplausos])
Depois disso, outras repercussões foram narradas, e JC fez a seguinte observação sobre a substituição do Senhor Doutor Plinio.:
Há certos seres, certos homens que são insubstituíveis [Aplausos] (4). De maneira que quando perguntarem: "Mas esse aqui é substituto, aquele é substituto, aquele outro será um substituto?", não tenham o receio de dizer o seguinte: "Dr. Plinio foi um homem de um senso organizativo extraordinário. (...) Tudo ficou organizado de tal forma que ele falecendo a obra dele continuou, a obra dele está se desenvolvendo com os encarregados que ele foi formando aqui, lá e acolá. Ele não deixou um substituto, porque ele é insubstituível, ele é uma pessoa única. Mas o que ele deixou, isto sim, foi filhos espalhados pelo mundo inteiro. Filhos que dão continuidade à obra dele, dentro do espírito dele, dentro da doutrina dele, dentro de tudo aquilo que ele até hoje fez."
E é o que de fato se passa. (...) tudo está crescendo, crescendo. (...) De modo que não há substituição porque não existe. O que existe é continuidade, isso sim. [Aplausos]
(Aparte: A repercussão é na linha do apostolado. O grupo de Belo Horizonte, Barbacena, trouxeram rapazes novos. Um desses por exemplo, só veio uma vez na sede, ele foi levado por outros dois rapazes que não eram tão bons quanto ele. Falaram para ele sobre a apresentação e ele se interessou. A coisa pegou fogo mesmo quando um enjolras lá soltou que tinha um santo e tal que fazia parte das apresentações... [Aplausos] (5). A gente vê que é a graça mesmo, porque vê um enjolrinhas assim [ininteligível] ai nós falamos do santo (6) e ele dizia: "o santo! o santo! Só falava do santo. [Aplausos] (7). Tem um caso de outro rapaz, é um rapaz mais quieto, caladão, que não gostava de esportes, nem nada. Foi tocar no assunto e ele dizer que queria conhecer o santo, como é que ele é, etc. (8). De tal maneira isso virou assunto na sede que na vinda para cá, nós decidimos fazer um teatro dentro do ônibus explicando o que é que esse santo, não é? [...] [Aplausos] (9). E a gente vê que o Sr. João Clá, realmente ele recebeu o espírito do Senhor Doutor Plinio mesmo...) (10).
Todos nós, todos nós.
(Aparte: De maneira que [ininteligível] Esse rapaz depois voltou para sede, ele se entusiasmou mesmo. Ele mudou muito mesmo; ele ficou muito tocado, mudou até o modo de vestir-se.
[Aplausos])
Bem, eu fico... Em espanhol se diz da “verguenza ajena”, a gente fica com vergonha alheia. [Risos] Porque francamente deve haver equívocos, evidentemente. Eu até comentava em... eu não sei mais em que auditório em São Paulo, foi nesse simpósio último que houve sobre a "Graça Nova", eu tive oportunidade de dizer que Pedro, o Eremita, que foi a causa da primeiríssima das primeiríssimas Cruzadas, ele era tido também como um homem extraordinário, cheio de virtudes, etc., etc. Entretanto, fez uma série de imprudências e trouxe como conseqüência o fracasso da primeira Cruzada (11).
(...) Eu não sei porquê razão, às vezes, é um pássaro, é um papagaio, um cachorro. Um cachorro que vive num meio familiar, ele adquire um imponderável qualquer e que ele acaba se parecendo com a família. [Risos] E olhe que é um animal, um animal que vive de um lado para outro, latindo, não tem razão, não tem vontade, não tem alma, é um puro animal. Entretanto, há algo da família que se projeta no animal. A gente olha para o cachorro e vê a imagem da família. [Risos] (...) Mas, o fenômeno existe.
E o fato de nós termos convivido com o Senhor Doutor Plinio, uns mais, outros menos, há algo de um imponderável qualquer dele que se impregna em nós.
Então, o que as pessoas vêem do lado de fora, olhando para um eremita, olhando para um correspondente, olhando para um membro do grupo, eles vêem qualquer imponderável por onde eles não sabem explicitar, eles não sabem dizer o que é que é. Por isso eles dizem: "O que é preciso fazer para entrar para a TFP?"
E daí surgem, às vezes, certos equívocos no que diz respeito à santidade.
É uma santidade autêntica e consumada?
Eu diria: é o reflexo de uma santidade que bate em nós, que bate em cada um de nós e que as pessoas olhando vêem que há algo diferente. E que se alguém disser: santidade, ele dirá santidade. Se alguém disser: é virtude, ele dirá virtude. Se alguém disser: espírito de fé, dirão espírito de fé.
Mas o que é no fundo? É um reflexo do fundador que bate em nós como se fossemos um espelho. Aqui está a explicação exata do assunto (12).
Comentários:
O mediador da ‘graça nova’ não é Dr. Plinio, mas JC ...
A tese de que JC seja substituto de Dr. Plinio é ovacionada.
Coerente com sua tese, dona Jane agradece primeiro a JC, depois a Dr. Plinio.
Minutos antes foi aplaudida a tese de que Dr. Plinio tem um substituto; agora é aplaudida a tese de que Dr. Plinio não tem substituto. Há aí uma contradição flagrante. A não ser que a frase “há certos homens que são insubstituíveis” se refira, não a Dr. Plinio, mas a outrem --talvez JC.
Logo após JC negar ser substituto de Dr. Plinio, a tese de que JC é santo é aplaudida.
O apóstolo falou “do santo”, mas este não é Dr. Plinio, é JC. Se isso não é uma substituição, então o que é?
O rapaz só falava de JC, não de Dr. Plinio. Na mente desse jovem, Dr. Plinio foi substituído por JC. E aquilo é aplaudido.
Mais um caso de apostolado da pessoa de JC, não de Dr. Plinio.
Falar de JC e não de Dr. Plinio, virou método de apostolado. Isso não é substituição? Mais uma vez, aplausos.
Essa pessoa três vezes enfatiza que JC tem o espírito de Dr. Plinio: “a gente vê”, “realmente” e “mesmo”, mas em concreto não dá nenhum argumento racional ao fazer essa afirmação. Dir-se-ia que essa ênfase é um modo de apresentar aquilo como indiscutível, enquanto algo que dispensa de provas. Mais adiante JC vai dar a prova: trata-se de um “imponderável”.
Muito bom exemplo.
Mas em concreto, segundo os joaninos, o imponderável pliniano reluz mais na pessoa de JC do que no próprio Dr. Plinio.
*
Revista (ou jornal?) La Prensa (Nicaragua), outubro de 1998, “Virgen de Fátima podria quedarse en Nicaragua” (artigo captado na Internet)
El ilustre visitante sucesor del doctor Plinio Corrêa de Oliveira (fundador de la agrupación Tradición Familia Propiedad, TFP, que divulga el mensaje de la Virgen de Fátima en el mundo), se mostró satisfecho ante el fervor que los nicaraguenses han manifestado hacia la Imagen Peregrina.
(...) [El doctor Plinio Corrêa de Oliveira] infundió en don Juan toda su sabiduria y profundo amor a la Virgen.
Al fallecer Correa de Oliveira, hace 3 años, don Juan tomó la orientación del grupo y la dirección internacional de las actividades del movimiento de los custódios de la Virgen de Fátima, presentes en 30 países, conformados en su mayoria por jóvenes idealistas de los 5 continentes.
Es autor de varios libros religiosos e históricos (...)
Nesse artigo, evidentemente elaborado com base nas informações fornecidas pelos agentes de JC, ele é apresentado como: a) sucessor de Dr. Plinio; b) herdeiro de toda a sabedoria de Dr. Plinio; c) herdeiro do mando e da influência que Dr. Plinio tinha sobre seus discípulos no mundo inteiro.
*
Revista “Dr. Plinio”, ano 1, nro.1, da “tfp” Espanhola:
Continuador de la obra del Dr. Plinio visita las sedes de la TFP en Hispanoamerica (1)
Don Juan Clá Dias, hoy en dia alma de la TFP (2), que acompañó a Dr. Plinio durante casi 4 décadas (...) y que fue hasta su muerte (...) su secretario particular y confidente (3), visitó durante el primer semestre de este año las TFPs existentes en Argentina, Chile, Uruguay, Costa Rica, Colombia y Ecuador.
(...) En sus múltiples actividades apostólicas, Don Juan nunca dejó de manifestar con sus palabras y obras que toda su acción de orienta de acuerdo al luminoso ejemplo y las sabias enseñanzas de [Dr. Plinio] (4). (...)
Don Juan Clá, “eco fidelísimo del Dr. Plinio”, según el decir de un Cardenal (5) (...) hizo que las sedes directamente bajo su cargo se transformasen en modelo y estímulo para todo el mundo de las TFPs, por la excelencia del espíritu católico que allí se destiló (6) (...).
Lección viva, de una bondad a toda prueba (7), sus palabras tuvieron la unción propia para arrastrar las almas en el camino de la virtud y del bien: “sean santos, pero no santos cualquiera, sino santos de altar”, es su llamamiento constante (8).
Comentários
“Continuador”? Eufemismo para evitar a palavra “sucessor”.
Segundo os joaninos, a alma da TFP cessou de ser Dr. Plinio. Agora é JC.
Mentira. JC não foi secretário particular de Dr. Plinio “hasta su muerte”. O senhor Fernando Antunez e outros tiveram essa honra, mais ou menos a partir de 1980. Quanto a ser “confidente” de Dr. Plinio, JC não foi o único, nem o mais íntimo, nem sobretudo o mais leal.
Mentira. O que JC faz não concorda com o que JC fala. Isto está fartamente demonstrado no Capítulo 24, “Hipocrisia e duplicidade”.
Mas JC não imita a Dr. Plinio no tocante ao “apostolado feminino”, e é igualitário por princípio e por mentalidade.
De fato, JC transformou os êremos de S.Bento e Praesto Sum em modelos do espírito joanino.
Essa bondade se percebe muito bem, por exemplo, nos famosos telefonemas ameaçando de morte ao Dr. Mário Navarro pelo fato de se ter posto “no seu caminho”.
Realmente, nos seus sermões JC constantemente aconselha a santidade. Mas não dá o exemplo.
*
Boletim “Ecos de Fátima”, editado pela “tfp” Espanhola, outubro de 1998, página 4:
(tradução para o português)
Foi realizada recentemente uma cerimônia de coroação da imagem peregrina de Fátima na igreja da Consolação de São Paulo, Brasil, promovida pela Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima --associação criada pelo sucessor de D. Plinio, seu discípulo perfeito e alma da TFP na atualidade, D. Juan Clá Dias (...)
Para Carlos Tejedor, JC: “participa del espíritu [do SDP]”, “es un hombre de Dios”, “hay virtud suficiente en [JC] para ser canal de [cierta] gracia”.
(Cfr. Carta ao Dr. Mário Navarro, 9/12/96).
*
O “sans coulotte” Severiano de Oliveira afirma que há muitos graus de santidade e insinua que JC teria atingido, pelo menos, um desses graus. (Cfr. grafonema para o Dr. Mário Navarro, 10/12/96).
*
Nos “Cânticos em louvor aos nossos santos fundadores e ao seu filho mui querido, nosso padrinho João Clá Dias”, de autoria da moça Laura Barreto de Almeida, encontra-se nitidamente explicitado qual é o grau de santidade que os joanistas atribuem a seu senhor:
Sua alma irradia
Graças e muitas virtudes
E no seu puro e santo coração
Reina sempre o varão. (Cfr. pág.3)
Uma graça especial
nós devemos destacar
que é ver o próprio
pai e fundador
na alma do Sr. João Clã. (Cfr. pág.3).
Modelo de virtudes
uma torre de qualidade
exemplo de humildade
perfeita castidade
é o nosso padrinho Sr. João Clã . (Cfr. pág. 5).
Santo João Clã Dias, modelo de humildade
bondade e fortaleza, obediência e castidade
Na angustia ou na tristeza, na dor ou na provação
voltem os olhos para ele
e veja a solução. (Cfr. pág. 8)
Padrinho, vós sois um lírio
um lírio de pureza imaculada
com um só golpe de espada. (Cfr. pág. 8).
Como é grande nossa alegria ao padrinho contemplar
Ele é um grande santo, nós devemos imitar
Eremitas, eremitas, prestem muita atenção
Esta na hora de levar na cadeira o Sr. João
Eremitas, eremitas, outra vez muita atenção
O Sr. João é muito humilde e não vai aceitar não.
Mas aqui a voz do povo só aclama o Sr. João
Nós queremos na cadeira o predileto do varão.
(...) Numa festa lá em Italva Padre Antônio distribuiu
200 fotos do padrinho e todo povo invadiu
Numa reunião em Campos Dr. Carlos Alberto disse
que o Sr. João é muito santo, onde ele pisar
eu também piso. (Cfr. pág. 9).
*
Fala o Pe. Olavo:
O Sr. João está acima das fragilidades tão próprias à natureza humana, e como que blindado. (Cfr. Carta do Pe. David Francisquini aos Padres Olavo, Antônio e Gervásio, 6/6/97)
O Sr. João [é] um santo tal, que [está] acima de qualquer queda. (Cfr. Carta do Pe. David a Dr. Caio, 3/2/97).
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Em abril de 1999, dois cooperadores da TFP foram abordados por um enjolrras joanino nas ruas de Montes Claros e os convidou para almoçar na sua casa, junto com sua mãe. Na conversa surgiu o tema da divisão da TFP. A certa altura, o rapaz, fazendo uma apologia de JC, disse que ele era um homem imaculado. Tese que cristalizou muito à sua mãe.
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Aproximadamente em maio de 96, no Norte Fluminense, JC fez uma reunião sobre a Sagrada Escravidão e o SDP, “mas o centro das atenções era ele. Um correspondente de Miracema levantou-se e disse ter certeza moral de que o Sr. J. Clá era santo. (...) O próprio quarto onde dormira transformou-se em local de peregrinação, conforme me diria sorrindo mais tarde o Pe. Olavo. (...) Em Campos (...) recebemos a ele como se receberia o próprio SDP. Em posição, ordens de ajoelhar, benção.(...)
Na manhã seguinte, na saída da sede, os presentes osculavam-lhe as mãos, alguns os pés. Pediam jaculatórias, nomes de grupos, conselhos, para oscular fotos, medalhas.
(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97 pp.9,10)
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Na reunião na Saúde, 25/6/96, JC conta uma conversa com Dr. Plinio. A narração é precedida, no texto respectivo, por este epígrafe: “Certeza moral do Sr. João Clá e também de nosso Pai e Fundador de que, se por desgraça algum deles tivesse cometido um pecado mortal, Nossa Senhora lhe tirava a vida”
Em carta de 18/10/96 dirigida ao Sr. LA Fragelli, JC afirma ser um “ varão íntegro em sua virgindade”.
No capítulo 17, “Apostolado feminino”, ficou documentado que JC procede de tal maneira, que dá a entender que a graça de estado que teria em matéria de sexto mandamento o exime de tomar as cautelas que Dr. Plinio adotou.
No inquérito policial de 23/2/99, introduzido no 77° distrito policial de São Paulo, contra Dr. Plinio Xavier, JC afirma ter uma “ilibada conduta”.
No Capítulo 23, “Auto-promoção”, foram transcritos documentos numerosos e insuspeitos nos quais consta que ele procede como se estivesse dotado do:
dom de clareza, dom de convencimento, dom de didática, dom de arrebatar e arrastar, dom de ser atraente, dom de ser agradável;
dom do discernimento dos espíritos a respeito de indivíduos, coletividades, conjuntos de nações, ação do demônio, ação da graça, Dona Lucilia, Dr. Plinio, os anjos, os santos, Nossa Senhora e a Santíssima Trindade;
Profetismo, enquanto tendo capacidade para interpretar o presente, prever o futuro e indicar os rumos;
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JC, o maior polarizador da missão profética dentro da TFP ...
Na proclamação de notícias no ANSA do dia 4/1/97, os eremitas de S. Bento - Praesto Sum leram as caraterísticas da graça nova, explicitadas pelo Dr. Plinio anos atrás.
O texto respectivo destaca em maiúsculas uma frase, para chamar especialmente a atenção do Leitor e no fundo dar a entender que aquilo se refere a JC:
Meses antes de falecer, nosso Pai e Fundador vinha observando uma singular graça que pouco a pouco ia atuando na opinião pública mundial, e em especial em nosso País.
Assim se exprimia nosso Pai e Senhor:
"Começa a se notar que muita gente considera o mundo contemporâneo em grave risco de ruína. Há mesmo quem acha que está em ruína irremediável, e que o jeito de cortar o passo a esse caminho de ruína, ou sair de dentro da ruína irremediável em que estamos é confiar na TFP inteiramente, como possuidora de uma fórmula, de uma esperança, de um modo de agir, de uma integridade moral, de um desinteresse, de uma integridade na Fé que faz com que essas pessoas digam:
-- Ali está a salvação! Só eles são puros! E se só eles são puros, é só com eles que está a fórmula de salvação!
Quem espera algo, compreende que a TFP possa ter a missão profética nesse algo que espera, e que, portanto, ALGUÉM DENTRO DA TFP POSSA POLARIZAR MAIS A MISSÃO PROFÉTICA.
[Depois], de um modo mais ou menos confuso intuem algo do Reino de Maria. Em velocidades diferentes essas pessoas caminham para aceitar a idéia do Reino de Maria inteiramente, explicitamente: uma ordem de coisas inteiramente católica, segundo nós entendemos.
Com a sensação do abandono, do desgarramento, Nossa Senhora dá o convite [de uma] "graça nova".
O que há de novo na Graça Nova é o discernimento da atual situação em toda a gravidade com que ela se apresenta e a caminhada para o pólo oposto. A convicção de que aquilo que representa bem o espírito da Igreja é a TFP, e que fiéis a esse espírito se pode chegar até a esperança de dias melhores."
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Para um joanino típico, JC não só tem mais Profetismo passivo do que o resto de membros do Grupo, mas tem plenamente - "Jour-le-jour" 27/9/96, realizado em Spring Grove:
(Geraldo Martins: Nesse caso, o senhor já contou várias vezes que os escravos têm um Profetismo passivo.)
Não, não são só os escravos não. Todo membro do Grupo.
( Geraldo Martins: Todos nós?!!)
É.
(Geraldo Martins: Bom, nesse caso do Profetismo passivo, para a glória do Senhor Doutor Plinio, Nossa Senhora deve ter dado graças ao senhor...)
Até os enjolrinhas têm o Profetismo passivo, e é uma das reuniões que eu tenho que dar para os senhores. (...) Mas então, todos nós temos. Não vai excluir o resto do pessoal aí não, hein!
(Geraldo Martins: Não, não. [Diz brincando] Mesmo os que tocam na fanfarra têm plenamente? Hahaha!)
Referindo-se o simpósio sobre “Flash”, dado por JC nos Estados Unidos em 1996, o encarregado da “tfp” canadense, embora não tivesse “tido a graça de viajar a Spring Grove para assistir às suas reuniões”, teve conhecimento da “atmosfera sobrenatural que lá reinava com a presença do Sr. João”, e do “convívio sobrenatural com o Sr. João” “naqueles abençoados dias”.
(Cfr. grafonema de Marcos Faes, para André Dantas, de 22/10/96)
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Steven Schmieder conta que um membro da TFP Americana, “um dia em que ele estava servindo o almoço para o Sr. João”, lhe disse pessoalmente o seguinte: “olhe, este foi o dia de mais graça da minha vida. Nunca senti tantas graças”.
(Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96/ p.13).
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Em conversa com os eremitas de São Bento e Praesto Sum (15/5/96), JC discorre a respeito de como sente a presença de Dr. Plinio:
Mas eu acho que com os senhores é assim também. Como é que é com os senhores? Contem os senhores agora! Como os senhores sentem a presença dele?
[Fazem um burburinho]
(Aparte: ...: Na conversa.)
Quando os senhores conversam aí os senhores sentem a presença dele? Fora do conversa não? Tem que sentir, tem que sentir.
(Aparte: ...: [inaudível].)
Ah, mas tem que sentir viu, se nós não sentirmos a presença dele essa oração é mentirosa, essa afirmação dele é mentirosa, tem que sentir (1).
(Paulo Jorge: Sobretudo estando perto do senhor.) (2).
Comentários:
Chama a atenção a insistência de JC: é praticamente uma pressão. E não diz “discirnam” (ou seja, exercitem a inteligência), mas “sintam” (ou seja, exercitem a sensibilidade).
Os joaninos sentem a presença de Dr. Plinio “sobretudo estando perto” de JC. Mas não estando perto do túmulo de Dr. Plinio, conforme consta na Reunião na Saúde, 21/5/96, intervenção de um tal Marques: “nós não sentimos a presença física do corpo do Senhor Doutor Plinio na Consolação”
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Reunião para CCEE, 1/5/96:
(Aparte: Sr. João, uma coisa que gostaria de perguntar ao senhor é que todas as pessoas que se aproximam do senhor sentem uma presença palpável do Sr. Dr. Plinio.)
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Reunião na Saúde, 5/12/95:
(José Reinaldo: Sendo a presença do Sr. Dr. Plinio tão forte na pessoa do senhor. (...) O nosso estado de espírito em relação à essas graças, que se faz manifestar quando o senhor está presente [ininteligível].)
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A presença de JC num evento constitui uma “graça” - Reunião na Saúde, 25/2/97:
(Gleisson: Já está sendo preparado para a semana que vem um simpósio de preparação para a confissão. Gostaríamos de saber do senhor com que clave conviria que nós entremos nesse simpósio? E gostaríamos de saber se o senhor poderia nos dar a graça de estar presente nessas reuniões.)
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A presença de JC num ambiente aumenta a densidade da “graça” - Telefonema para a Saúde, 28/5/96:
(Agilson: Salve Maria, aqui é o Agilson.)
Como vai o senhor?
(Agilson: Bem e o senhor?)
Bem, graças a Deus.
(Agilson: Agora no domingo que vem haverá uma missa de primeira comunhão e crisma do grupo Luis Plinio Elias. (...) Ah, Sr. João! A missa vai ser uma graça muito grande, não é? Os dois sacramentos... Não é? E... seria uma graça maior se o senhor fosse. O senhor poderia ir?)
Eu vou estar no meio de um simpósio com os correspondentes esclarecedores nesse dia. Mas, se eu arrumar um meio de dar uma escapada para lá, eu vou.
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Telefonema JC - Saúde do dia 21/6/97 - O guru concede graças pelo mero fato de comparecer às sedes:
(Gleison: Sr. João, eu tenho um pedido para fazer para o senhor.)
Qual é?
(Gleison: Quer dizer, são dois. É se o senhor pudesse conceder a graça de vir de hábito na terça-feira aqui na Saúde.)
Vamos ver, vamos ver, vamos ver. Se tiver meios eu vou.
(Gleison: Fenomenal. Sr. João, será que o senhor poderia conceder a graça de num Santo do Dia o senhor comparecer aqui?)
Um dia que não precisar preparar reunião para o domingo de manhã eu dou um pulo aí. Está bom?
(Gleison: Fenomenal, Sr. João.)
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A mera presença de JC num veículo, o torna abençoado - Grafonema “confidencial”, 7/11/97, 11:18 am, procedente de algum membro da Saúde que se encontrava na Espanha --o impostor estava lá-- para os joanistas da “Torre da Avenida Angélica”, encontrado nos computadores da TFP que estes usavam (nome do arquivo JDHN17S1):
Ainda esta tarde lhe pediram uma recomendação pelo sr. Rugeles que pegou uma gripe brava, ele disse que quando o sr. Rugeles pega gripe não há maneira de curá-lo rápido pois para virus terminar de dar a volta naquele corpão dele demora vários días.
Depois da sesta de hoje ele teve que ir fazer algumas compras, como todos os carros tinham saído para a comunhão, o único que sobrou foi o carro da caravana que o levou até o local, com isto já temos mais um carro com proteçáo especial.
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Reunião para CCEE, 15/6/96 - A visita de JC a uma sede de CCEE, é aguardada com expectativa:
(Silvio Martins: Sr. João, eu gostaria de fazer um comentário. [Troca a fita] ... medalha milagrosa, ela passando, conversando com uma senhora ela deu medalha. Depois, conversando mais, ela já falou da TFP, deu telefone de nossa casa para a pessoa entrar em contato ... Gostaria de completar. Essa senhora esteve esta semana aqui fazendo limpeza e ela depois nos confidenciou no final do dia que o dia todo trabalhou esperando que o Sr. João Clá fosse visitar a sede naquele dia.)
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O olhar e a presença de JC traz muita benção - Assim começa a reunião feita por Martini em 3/11/97:
A gente sente a falta do Sr. João, não é? É o olhar, é a presença, sempre é um estímulo, uma coisa que traz muita bênção, muita graça para a reunião, sempre ajuda muito. De sorte que começamos lembrando a ausência dele. Esperamos que Nossa Senhora o ajude muito, dê toda sorte de graças e bênçãos. Que ele também reze por nós, e que o Sr. Dr. Plinio e a Srª Dª Lucilia nos ajude a todos.
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Reunião na Saúde, 9/10/97 - Os adeptos do joanismo equiparam o olhar de seu senhor com o olhar de Dr. Plinio, o veneram e auscultam os movimentos de sua alma:
(Sérgio das Chagas: No dia 3 de outubro, num jantar que houve aqui, após a missa, e que estava muito abençoado, um enjolras ao final do jantar contou-nos um fato que ouviu não sei de quem. [Ele disse que] numa ocasião já próxima ao falecimento do Sr. Dr. Plinio, no hospital, não sei se foi quando o senhor chegou de viagem ou não, mas uma ocasião em que o senhor ia entrar onde estava o Sr. Dr. Plinio, o senhor cruzou um olhar com o Sr. Dr. Plinio, e ao mesmo tempo o Sr. Dr. Plinio cruzou o olhar com o senhor. Nesse momento deu-se alguma coisa -- que eu perguntaria ao senhor o que se deu -- em que o Sr. Dr. Plinio comentou com uma pessoa que estava lá: "O João vai preparar o Grupo".)
(...)
(Sérgio das Chagas: Tendo em vista o papel do olhar, sobretudo do Sr. Dr. Plinio e do senhor, que tem um papel muito grande, como o Sr. Dr. Plinio conta o olhar de Nossa Senhora na "Rainha destronada", o que deu-se nesse olhar, o que se passou na alma do Sr. Dr. Plinio e o que se passou na alma do senhor?)
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Grafonema “confidencial”, 7/11/97, 11:18 am, procedente da Espanha --onde estava JC-- para os joanistas da “Torre da Avenida Angélica”, encontrado nos computadores da TFP que estes usavam (nome do arquivo JDHN17S1):
Creio que depois do telefonema que o senhores tiveram já não me resta muita cosa para comentar sobre a noite de ontem, sómente que foi uma graça enorme os senhores terem conseguido falar com ele.
(...) Acaba de aparecer o sr. João aqui na porta da sala, deu para pedir uma recomendação para o grupo D. Vital, como está chuviscando ele não vai fazer a caminhada matinal na rua que foi substituida por uma caminhada dentro do salão principal, e como nesta sala estava o material de vídeo, tive que entrar para interromprer umas cópias que estava fazendo lá dentro, o que me valeu um super olhar e uma pequena troca de palavas, que graça!! Também devido ao frio ele colocou a boina que fica super-flashosa na cabeça dele.
(...) Enfim isto é um pequeno aperçu do que ele tem nos contado por aqui, é pena que não saiba descrever ambientes pois é o que tem de mais colossal dentro deste sacral convívio que ele cria por aqui.
*
Para os joanistas, também é uma graça poder falar com seu fundador - Assim começa um telefonema entre Pedro Paulo (Espanha) e JC (Estados Unidos):
(Pedro Paulo: Alô, Sr. João? Fenomenal, senhor! Que graça, senhor, ontem e hoje, hein?)
Viu só?
(Pedro Paulo: Não, graça de falar com o senhor.)
(Cfr. "jour-le-jour" 7/2/96)
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"Jour-le-jour" 22/2/96 – Ao enumerar as partes do programa do congresso de neo-cooperadores do ano 1996, Nelson Tadeu disse:
O principal foi um "sketch" onde havia alguns membros do Grupo conversando sobre as notícias --no fundo era uma síntese do que eles iam ver durante o congresso--, de um lado as notícias bagarrosas, e do outro lado as graças.
(...) Quando estavam nessa situação, “aparecia” Santo Elias e Santo Enoc, no meio de uma nuvem. Isso foi logo na chegada. Logo depois Santo Elias convidava eles a assistirem à Santa Missa.
Antes disso, como não se tinha previsto o tempo que ia demorar para desmontar uma coisa e montar outra, felizmente nós tivemos a graça de ouvir uma palavrinha do Sr. João enquanto se preparava ...
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Os joaninos agradecem a seu senhor o poder falar com ele, apenas ouvem sua voz se alegram e melhoram na vida espiritual - Telefonema com os moços da Saúde, 2/1/96:
(Wagner Silva: Salve Maria, Sr. João!)
Salve Maria, Sr. Wagner. O senhor vai bem?
(Wagner Silva: Graças a Nossa Senhora muito bem. E o senhor?)
Bem, graças a Deus.
(Wagner Silva: Queríamos agradecer de poder falar com o senhor,
(...)
(Carlos Toniolo: Alô? Salve Maria, Sr. João!)
Quem fala?
(Carlos Toniolo: É Carlos Toniolo, Sr. João.)
Oh Sr. Toniolo, Salve Maria. O senhor vai bem?
(Carlos Toniolo: Bem, graças a Nossa Senhora. Muito melhor agora podendo falar com o senhor, Sr. João.)
(...)
(Ramus: Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria, Sr. Ramus. O senhor está bem?
(Ramus: Muito bem, Sr. João. Todos nós estamos muito alegres em ouvir a voz do senhor, mesmo à distância, mas muito próxima em nossos corações.)
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Conversar com JC pelo telefone é uma graça - Reunião para a Saúde, 15/10/96:
(André Crispim: No telefonema de sábado que tivemos a graça de ter com o senhor (...)
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Ouvir a voz de JC, mesmo à distância, é uma graça extraordinária - Telefonema entre JC e a Saúde, 19/4/97:
(Alfredo Samuel: O senhor não sabe a graça extraordinária que é poder pelo menos por telefone ouvir a voz do senhor.)
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Conversar com JC, mesmo à distância, exorcisa os ambientes - Telefonema para a Saúde, 20/7/96:
(Marcos Munhoz: Nós vemos que tudo isso que o senhor acabou de dizer, que não é por acaso, é providencial, o Sr. Dr. Plinio deixou aqui na Terra um escravo fiel, que é o senhor, que passa e transmite todo esse espírito para nós. Por isso é que conversando com o senhor nós sentimos até uma graça exorcística aqui.)
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Grafonema enviado pelo Humberto Goedart a Mathew Schribler na época do desentendimento entre as autoridades da TFP Americana e JC (20/10/96):
Se fosse aqui enumerar os “flashs” recebidos desde o dia primeiro deste mês, seria forçado a passar a noite escrevendo. Estar ao lado de nosso bondosíssimo quidam é razão para se ficar inebriado com a graça permanentemente (1). O maior deles, entretanto, foi no Sábado retrassado, dia 5. O Sr. talvez já tenha tido notícia de um alardo realizado no pátio da Glória de Nossa Senhora [Praesto Sum] para os correspondentes. (...) O encarregado das ordens não era outro senão o próprio Sr. João! (2). Só o fato de ouvir aquelas ordens truculentas (...) já era um colosso, sobretudo tendo-se em vista a relação que a Divina Providência a ele nos quer vincular (3). Mas o auge ainda viria mais tarde. Depois de dizer rápidas palavras aos correspondentes (...) formou novamente todo o batalhão dos eremitas para o desfile final, só que estando como cabeça de farpa ele próprio, de hábito, segurando um gládio!!! (4) (...) Este escravo de Maria teve a graça de estar a uma distância de 3 corpos dele (5). Ele estava bem à minha frente! Foi espetacular!!! Que compenetração, que seriedade, que fortaleza, que inocência!!! (6). As fotografias ficaram colossais. Ainda estou à “caça” de uma ... (7)
(...) Foi somente aqui no Brasil que tomei conhecimento das razões mais profundas pelas quais foi tomada aquela medida com os bem-te-vis aí nos Estados Unidos (8). Todos ficamos pasmos, sobretudo quando o Sr. João levantou a questão na reunião dos veteranos. A decepção foi geral com duas pessoas e especialmente com uma (9). Foi jogada uma mancha de tinta no estandarte da TFP (10), que a não ser muita contrição e manifestação de arrependimento público, não há concerto! (11)
(...) Bem, o jeito é ter confiança de que Nossa Senhora há de resolver tudo isso. O que é certo é que não podemos nunca deixarmos de estar ligados aos nossos santos fundadores pelas mãos daquele a quem eles nos confiaram (12).
Os sacrifícios e as provações virão cada vez com mais intensidade. Na última Conversa da Saúde nosso venerável Quidam afirmou que acha que o Senhor Doutor Plinio somente intervirá quando todos os bons estiverem "falindo", pedindo "concordata" e no momento em que o último justo estiver dando o último respiro, nesse momento aparece o Moisés da Lei da Graça! É uma previsão por um lado grandiosa (13).
Comentários:
Segundo Humberto Goedart, pelo mero fato de estar ao lado de JC, a pessoa fica “inebriado com a graça permanentemente”. A ação de presença exercida pelo seu senhor, é uma espécie de sacramental portanto.
É sabido que, para fazer uma cerimônia dessas no Praesto Sum, é “conditio sine qua non” a autorização de JC. Neste caso concreto, além de autorizar a cerimônia, ele reservou para si os papéis principais.
Em outros termos: JC é nosso mediador.
Depois de dar uma “palavrinha” aos CCEE, JC colocou-se no centro da cerimônia.
Estar perto de JC, é ocasião para receber “graças”. Quanto mais perto, maiores as “graças”. Por aí se entende os “abraços” que os joaninos dão a seu senhor.
O joanino via em seu senhor uma personificação da compenetração, da seriedade, da fortaleza e da inocência.
As fotografias desse tipo de cerimônias não são distribuídas a qualquer um dos adeptos, nem mesmo a um Humberto Goedart.
O jovem presenciou todo esse caso “in loco” e foi até um dos protagonistas, pois estava em Spring Grove nesses dias. Mas apesar disso, só tomou conhecimento “das razões mais profundas” do “affaire” quando veio ao Brasil ...
Antes desse caso, o Dr. Mário Navarro e o Sr. Luiz Antônio Fragelli, eram considerados “bons” nos ambientes joaninos. Depois do caso, passaram a ser “maus”. É que a linha divisória entre o bem e o mal, na religião dos joaninos, é traçada em função da posição que as pessoas tomam perante seu deus.
Por que razão aquilo significa jogar “uma mancha de tinta no estandarte da TFP”? Será que, para esse joaniento, o estandarte da TFP simboliza a JC?
Para haver um concerto, será preciso “muita contrição e manifestação de arrependimento público”. Quer dizer, a pessoa de JC é sagrada.
Em outros termos: JC é nosso canal necessário.
O venerável João faz previsões grandiosas, é profeta.
Fala o Pe. Olavo:
É inegável que o SDP, depois de sua morte, tenha obtido de Nossa Senhora graças muito mais abundantes para o apostolado da TFP do que antes. O instrumento mais freqüente e mais eficaz dessas graças tem sido o Sr. João Clá. (...) Refiro-me especialmente ao seu apostolado no Norte Fluminense. Por exemplo, o esforço de apostolado que vinha se arrastando (...), à passagem dele, a uma palavra dele, a um olhar dele, a um cumprimento dele, se modifica, se transforma.
(...) Quer pela sua presença, quer pela sua palavra, quer pelo seu exemplo, analogamente a S. João Batista, mutatis mutandis, o Sr. João tem o dom de elevar os corações para compreenderem, discernirem e amarem com todo enlevo o Sr. Dr. Plinio e sua Obra.
(...) Não é arquitetônico, conveniente e até indispensável que além das graças tão superabundantes que tem vindo do Céu por intermédio do SDP, além das manifestações --um tanto esporádicas-- sensíveis dele por meio de sonhos, até mesmo visões, sinais, inspirações internas, a presença viva e constante de uma pessoa que seja instrumento catalizador para servir de estímulo continuo e palpável para nos manter na união com o espírito do SDP e para nos manter na esperança continua do Grand Retour e do Reino de Maria?
(Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96. pp.5, 7 e 8).
O Pe. Olavo reconhece que as graças que Dr. Plinio tem enviado são “superabundantes”, e que ele se tem manifestado sensível e misticamente. Mas tudo isso é insuficiente, porque é “indispensável” a presença continua e a ação continua de um mediador: JC.
*
Segundo o Pe. Antônio Paula da Silva, “se foi por meio dele [JC] que nossos Fundadores quiseram dar impulso a esse trabalho apostólico, é muito compreensível que queiram continuar por meio dele”. (Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96. p.13).
O argumento usado pelo Pe. Antônio para justificar a mediação de JC, lembra as razões que São Luiz Grignion de Montfort dá para justificar a mediação de Nossa Senhora: assim como por meio da Santíssima Virgem Jesus Cristo veio ao mundo, por meio dEla devemos ir a Ele (Cfr. “Tratado da Verdadeira Devoção”, item 85).
*
Carta do Pe. Silveira a JC:
Sr. João, sobre todos os comentários e oposições que ouvi contra o Sr. no seu apostolado com as ‘enjolrras’, quero dar aqui um testemunho pessoal (...). Mas, como muitas ou várias, ao menos, me escrevem ou procuram, tenho apalpado sensivelmente as graças que elas têm recebido por intermédio do senhor. (...) todas as que escrevem ou comigo conversam --muitas de Miracema, onde vivi anos-- manifestam o entusiasmo grandíssimo pelo Sr. como mediador destas graças.
(Cfr, grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96, p.14).
*
Carlos Tejedor, embora fale como quem formula uma pergunta, no fundo afirma que, a partir de 1980, muitas almas “sólo de [JC] --fuera del SDP es claro-- recibieron alimento espiritual”, e JC “fue un canal que nos llevó hasta [el SDP]”.
(Cfr. Grafonema ao Dr. Mário Navarro, de 9/12/96).
*
Severiano de Oliveira pontifica:
É certo que [o SDP] no Céu está muito mais a nosso alcance do que quando ainda estava nesta terra. Mas (...) eu sinto necessidade de alguém que nesta terra seja para mim um reflexo dele (1). E com naturalidade minha alma voltou-se para o Sr. João Clá. Isto é o que aconteceu com inúmeros outros membros do Grupo. (...) Guardadas as devidas proporções, mais ou menos como os apóstolos se voltaram par Nossa Senhora após a Ascensão de Nosso Senhor Jesus Cristo, e para S. Pedro após a Assunção de Nossa Senhora.
Mais adiante, no mesmo documento refere-se a JC como “o mais vivo reflexo” do SDP. E pergunta:
Que há de mal em querer tocar no Sr. João Clá, em pedir-lhe a benção, em pedir que ele oscule fotografias ou em guardar como relíquias, por exemplo, bilhetes escritos por ele?
(Cfr. grafonema para Dr. Mário Navarro, de 10/12/96, pp.2,3).
Comentário:
Contradição flagrante. Se quando Dr. Plinio estava na terra, não era preciso de um canal necessário para acercar-se a ele --pois era acessível até ao mais novo dos enjolrras--, hoje “a fortiori” não é preciso de um medianeiro, pois Dr. Plinio está “muito mais ao nosso alcance” do que ontem.
*
Marcos Faes fala:
A [JC] devo tudo o que fui capaz de ver e amar em meu Pai e Senhor. E se não me extraviei ao saltar tantos precipícios ao longo de esta caminhada que já não é curta, (...) foi porque ele, com paciência redobrada, soube me aproximar mais [do SDP] (...). (Cfr. grafonema para Dr. Mário Navarro, de 11/12/96, p.9).
*
Relatório do Sr. Miguel Vidigal, 10/9/97:
Numa viagem de Madrid a Toledo perguntei a ele [Pedro Paulo Figueiredo] se o caminho para a continuação da Sempre-Viva seria fazê-la através do ‘discípulo perfeito’ que era o Sr. João. A resposta foi a seguinte: mas é claro que é assim! Se o senhor me disser que o sol ilumina, eu vou dizer que o senhor está louco, pois é uma evidência enorme, do mesmo modo que querer provar essa realidade é uma loucura. Existe um ditado que diz: ‘morreu o rei, viva o rei!’
*
Reunião na Saúde, 10/10/95 - Nem durante a Bagarre os joanistas não vão se relacionar diretamente com Dr. Plinio:
(Reinaldo Sales: Uma vez já dissemos isso ao senhor, mas dizemos aqui novamente. Pedimos que o senhor seja o nosso intercessor junto ao Sr. Dr. Plinio durante a "Bagarre".)
*
Reunião na Saúde, 24/10/95 - O que os joanistas pedem a Dr. Plinio imita o que seu senhor pede:
(Fábio Batista: Sr. João, se o senhor pudesse dizer os pedidos que o senhor faz para o Senhor Doutor Plinio no Céu, para iluminar os "enjolras" e saber também em que linha é que nós devemos fazer os pedidos.)
Então, o que pedir a nosso Pai e Fundador. É isso?
(Fábio Batista: É.)
*
Reunião na Saúde, 5/12/95 - Moço joanista não ausculta diretamente o pulsar do coração do SDP:
(Ramus: Sr. João, nós estamos ouvindo um chá que o Sr. Dr. Plinio fez no "Praesto Sum". Ele estava comentando que quando ele estava comentando que quando ele estava fazendo a revisão do Livro da Nobreza, ele estava recebendo muitas graças. Às tantas ele disse que, para se ouvir os passos de Deus na História, tinha-se que auscultar o coração do justo. Então, como o senhor está ouvindo o pulsar desse coração, em vista do que está acontecendo aqui no Brasil em relação ao Livro sobre a Nobreza e tantas outras coisas fora como na França.)
*
Reunião na Saúde, 26/12/95:
(Lourenço: Não podemos deixar de fazer um agradecimento, por tudo o que o senhor nos concedeu. (...) Estando o Sr. Dr. Plinio no Céu, agradecemos constantemente a ele, por ter o senhor como elo que nos conduz a ele.)
[Aplausos]
*
Segundo os discípulos de JC, se as graças transmitidas por Dr. Plinio a cada um de nós, descerem diretamente e não através de JC, elas cairiam “fora da pista”. E se horrorizam diante dessa perspectiva. Observe-se a data do documento abaixo transcrito: é de quase um ano antes do passamento de Dr. Plinio - Conversa de JC com os novatos da Saúde, 28/7/94:
Os senhores poderão comprovar pela doutrina da Igreja a respeito dos fundadores, de que tudo o que diz respeito à Vocação, as graças passam antes pelo fundador. O fundador segundo diz São Julião Eymard e outros, São Pedro Julião Eymard diz que o fundador é aquele primeiro receptáculo de um chafariz. A água sai chhhiiiiiii... e é recolhida pelo primeiro chafariz, e o primeiro chafariz recebe toda a água e depois derrama sobre os outros, até os peixinhos beberem a água ali embaixo, mas esta água vem lá de cima.
Então, só tem razão o Sr. Fiorito no que diz respeito ao chafariz primeiro. Os outros que vão recebendo consecutivamente são degraus, tudo degrau. Se tirar este degrau, não acontece nada, de cima passa para o outro...
(Que horror!)
(Fiorito: Aí a água cai fora.)
Cai mais direto ainda.
(Toniolo: Ela cai fora da pista.)
*
Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde (São Paulo), 4/4/95 - Seis meses antes do falecimento de Dr. Plinio, JC é considerado canal da graça e “meio” para atingir a “união” com Dr. Plinio e Dona Lucilia:
(Marcos Enoch: Sr. João, este e. M. queria agradecer mais uma vez o grafonema que o senhor mandou, senhor.)
Não, que isso.
(Marcos Enoch: Foi motivo de graças para este e. M.)
(...)
(Jorge Andrey: Seriam dois pedidos, Sr. João: Primeiro, se o senhor poderia depois, oscular todas as relíquias por todos e cada um, aqui de São Paulo para nós nos unirmos cada vez mais ele e a ela por meio do senhor.)
(Todos: Fenomenal!)
*
Pedem insistentemente perdão ao impostor. "Jour-le-jour" 16/1/96:
(Roberto Merizalde: O senhor teve a paciência e a bondade de nos puxar as orelhas pela enésima vez...)
Fiz com toda a naturalidade, com toda a benevolência, com toda a benquerença (...)
(Roberto Merizalde: Disso não tem a menor dúvida, mas a justiça manda retribuir.)
Retribua a ele. (...)
(Roberto Merizalde: (...) nós queríamos pedir perdão ao senhor por toda a dor de cabeça que lhe demos.)
Perdão a mim? Quando os senhores fizerem algum erro, eu errei também. (...) A mim agradecer nada. É agradecer à Sra. Da. Lucilia, agradecer ao Sr. Dr. Plinio.
(Roberto Merizalde: Mas o problema é que o Sr. Dr. Plinio nos ensinou a ser hierárquico, Sr. João.)
Por isso a gente tem que saber dar valor a ele, senão a gente...
(Roberto Merizalde: E a quem pôs no caminho também.)
(...)
(Roberto Merizalde: Então queríamos pedir-lhe exatamente isso: que rezasse também por nós ao Sr. Dr. Plinio nessa intenção, para acertar no caminho e reparar o tempo perdido no caminho bem certo.)
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"Jour-le-jour" 6/2/96 - Ao final de uma conversa telefônica entre JC e Patxi Dorronsoro, este pede a benção ao pontífice:
(Por favor, Sr. João, peça uma recomendação a nosso Pai e Fundador e pedimos recomendações ao senhor).
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Reunião na Saúde, 19/3/96 - Um joanino insinua que conhece e ama mais ao SDP através de JC, do que diretamente:
(Reinaldo Sales: Ouvindo falar do Sr. Dr. Plinio nos lábios de filhos fiéis, de discípulos fiéis, muitas e muitas vezes eu amava mais e entendia mais ao próprio nosso Pai e Fundador do que ouvindo a ele diretamente).
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Reunião para os veteranos, de 26/3/96 – Os joaninos não pedem graças diretamente a Dr. Plinio:
(Aparte: Sr. João, o senhor não poderia pedir ao Sr. Dr. Plinio agora, para que ele dê esse regime de graças?)
Vamos fazer essas orações nesse sentido, de que haja um regime novo de graças exuberante, cheio de assistência da parte dele, que nos una a ele da forma mais perfeita e completa possível.
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Reunião confidencial para os veteranos, 2/4/96 - Referindo-se aos bons resultados obtidos pela TFP Espanhola, durante o estrondo Canals (1995), numa reunião para os veteranos houve o seguinte diálogo:
(Vasco: Só salientar que por cima de tudo está a assistência do Sr. Dr. Plinio.)
Ah, não tem dúvida, isso é certo.
(Vasco: É uma coisa palpável. Mas essa orientação tem passado pelo senhor, que tem conduzido.)
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Reunião na Saúde, 9/4/96 - Para ser fiel a Dr. Plinio é preciso imitar a JC:
(Alessandro Barbosa: Estamos saindo de um retiro, e gostaríamos de saber como é que o senhor foi fiel ao Senhor Doutor Plinio, para que nós também o sejamos?)
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Reunião para CCEE, 14/4/96 - JC está em Campos, por ocasião do jubileu sacerdotal do Padre Gervásio. Numa reunião para correspondentes, uma senhora conta o seguinte:
( ....... Uma correspondente teve um sonho muito significativo agora pouco antes da vinda do senhor no jubileu do Pe. Gervásio. Ela sempre quis sonhar com o Sr. Dr. Plinio, mas ela não pedia com medo de forçar, de ter um sonho forçado. Então ela rezou, entregou nas mãos do Sr. Dr. Plinio, se ele quisesse ela gostaria de sonhar com ele, mas não queria forçar o sonho.
Ela sonhou que estava rezando diante do sacrário numa igreja e diante do sacrário ela fazia uma queixa a Nosso Senhor. Ela pedia a Nosso Senhor que gostaria de receber uma maior assistência do Sr. João Clá, do senhor. Ela se queixava com Nosso Senhor, dizia: "Nosso pai está no Céu e temos aqui um discípulo fiel dele. Eu gostaria de ter uma assistência dele". Ela falou que até hoje quando lembra ouve a voz de Nosso Senhor. [Aplausos.]
Saiu uma voz do sacrário que dizia para ela assim: "Olha, então faça o seguinte: telefone ao meu João e diga isso a ele". [Aplausos.]
No sonho logo ela saiu, rezou, foi e ligou para o senhor. No sonho o senhor foi bem dócil, como, aliás, o senhor sempre é. O senhor disse: "Bem, se é uma vontade de Nosso Senhor eu tenho que cumprir essa vontade dEle".
Então a gente gostaria nessa reunião de manifestar isso, a vontade do Sagrado Coração, do Coração Eucarístico de Nosso Senhor, e pedir que nessa reunião o senhor se abra conosco e fale aquilo que o senhor quiser para nós correspondentes.)
Está muito bom. [Aplausos] Bem, eu estou vendo que o jubileu de prata do Pe. Gervásio deu oportunidade a que o sonho se transformasse em realidade. Quer dizer, o sonho foi anterior à minha vinda, pelo que eu entendi. Então nós estamos realizando o sonho que foi tido, porque eu vim aqui com enorme gosto -- eu tenho várias testemunhas a esse respeito -- e estou aqui muito contente. Até a partir do momento em que saí de São Bento para me dirigir aqui para o Rio de Janeiro, depois para Campos e depois para cá, senti, por incrível que pareça, uma assistência especial do Espírito Santo, da graça, de outras pessoas infinitamente inferiores ao Divino Espírito Santo, mas de uma ação muito intensa. Senti que me acompanhavam e que me davam até uma certa distância de todos os problemas, todas as preocupações, todos os dramas que a gente carrega o dia inteiro em meio à vida tremenda que se leva em São Paulo. Eu me senti transportado assim meio por nuvens, que apesar de um trânsito terrível fazendo-nos chegar às 3h da manhã, com todo o grupo de Campos acordado à nossa espera, numa reunião que durou de 3h da manhã às 4h15, depois ainda no dia seguinte tivemos a oportunidade de fazer outra reunião e viemos aqui para Laje do Muriaé.
A senhora pede para ter assistência de JC, não de Dr. Plinio. Quem é seu senhor: JC ou Dr. Plinio?
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Reunião para veteranos, 16/4/96 - Para receber o espírito de Dr. Plinio é preciso degustá-lo; e para degustá-lo é preciso recorrer à mediação de JC.
O pérfido lê e comenta um texto de Dr. Plinio (EVP do ano 1973), e duas pessoas sustentam em público a tese do canal necessário --outrora arqui combatida por JC:
SDP: Ou como é que um São Francisco Xavier poderia se alimentar do espírito de Santo Inácio de Loyola?(...) Além da observação de Santo Inácio de Loyola, observação da doutrina que ele dava, assimilação da doutrina que ele dava, vendo como ele degustava o que ele dava, fazia com que a pessoa aprendesse a degustar também, porque nessas coisas entra um fenômeno de degustação muito importante.
Este é um ponto que todos os ploc-plocs e todos os racionalistas, todos os cartesianos tropeçam. Porque eles julgam -- como Giovanni Cantoni e companhia limitada -- que basta aprender a doutrina. E não basta! (...) Então é preciso degustar junto com.
A degustação do espírito, vendo como ele degustava, a pessoa aprendia também a degustar. Vendo como ele praticava, a pessoa aprendia a praticar.Mas, tudo isto muito ligado à observação da pessoa, porque, como a alma humana não é feita apenas de doutrina, ela é feita de contato com a realidade palpável, ninguém aprende concretamente uma doutrina nem tem inteiramente um espírito se não aprofunda realidades palpáveis ligadas àquela doutrina e àquele espírito. Isto é coisa fundamental.
(...)
(Intervenção do Guy de Ridder durante a reunião dos veteranos: Seria preciso render justiça no seguinte: exatamente o papel do "Jour le jour" desde os anos em que foi instituído, pela década de 70 por aí, foi exatamente isto: fazer com que as pessoas degustassem as coisas do Sr. Dr. Plinio.)
Isso não tem dúvida.
(Guy de Ridder: E isso contrariava algumas pessoas que não entendiam e que diziam: "Não, depois eu pego o texto, pego a fita e eu mesmo ouço." Não é que não recebesse a mesma graça em tese, mas na prática não entendeu o que era o "degustar", não é?)
É, e depois não está na doutrina, porque na doutrina o Sr. pega o livro RCR e o Livro sobre a Nobreza, o Sr. tem toda a doutrina dele sintetizada ali.
(Guy de Ridder: Claro. Ou pegar a reunião do Sr. Dr. Plinio e aprender. Não tem dúvida. Mas a questão é degustar.)
Claro!
(Guy de Ridder: Porque se não tem capacidade para degustar, vá com alguém que...)
Claro, alguém que viu, alguém que observou e degustou, este transmite: "Olha, degustação está nisso." Mais ou menos como alguém que tomou um licor por primeira vez.
"Eu tomei um Chartreuse então eu cheguei a uma série conclusões a respeito do Chartreuse." Os outros não tomaram.
Eu digo: "Olhe senhores! Os Srs. vão tomar um Chartreuse, prestem atenção. Antes de tudo vejam a contextura dele, ele não é fino como se fosse água, ele não tem a contextura da água ele é mais grosso. Depois, prestem atenção no verde. Antes de tomar cheirem um pouco, vejam como os Srs. sentem aí não sei quantas ervas, etc., etc."
Quando o sujeito toma: "Ahhhh!"
Não é a mesma coisa do sujeito que toma e pensa que é um álcool simples, entende? [Risos]
(...)
No final dessa reunião, David Francisco pede a palavra, e referindo-se às “graças” havidas na visita que JC fez ao Norte Fluminense em abril de 1996, disse o seguinte:
(Nota: os colchetes são do texto original)
(David Francisco: [...] Se a gente juntar aquilo que o Sr. disse por exemplo, com relação ao Norte Fluminense, o entusiasmo dos Correspondentes, etc.. (...) e todos nós participamos por assim dizer um pouquinho daquela graça que havia ali no ambiente. O senhor transmitiu isso. Outros vieram de lá e dizendo: "A duração foi longa demais", "tinha tal aspecto colateral", "olha tinha um aparelho de televisão que estava lá filmando tudo, uma coisa assim impressionante". (...) Então a pergunta que se põe é essa: esse relacionamento que nós tivemos com o senhor [que viu por esse?] espírito do Sr. Dr. Plinio nos eleva. O outro, pelo contrário, nos rebaixa.)
Claro.
(David Francisco: O que fazer no dia a dia [ininteligível] justamente para a gente manter esse espírito quando sai da reunião aqui e vai tratar com outras pessoas fora que têm outro espírito. Como manter essa graça que nós recebemos aqui e até à próxima terça-feira nos enchermos novamente?)
(...) o que nós temos que fazer antes de tudo é ter o espírito admirativo que ela [Santa Maria Madalena] possuía. (...) Então não há outra via para nós, a nossa via é da admiração. Sempre estarmos procurando os aspectos que nos elevam, os aspectos admirativos. E através desses aspectos a gente deve levar os outros.
Aí JC fala das “gracas” que houve no Norte Fluminense e, para exemplificar no que consiste o espírito admirativo, contou que, na viagem de ida para Campos, houve um “fioretti”, uma “coisa comovedora”:
Eu cheguei às sete e quinze no Rio para pegar o carro que ia me levar até Campos. Eu tive um contato muito rápido porque eu queria chegar em Campos logo, mas estava todo o grupo do Rio no aeroporto. Então cumprimentei-os, etc., conversamos uns cinco ou dez minutos, eu subo no carro que ia me levar, havia também um outro carro que ia indicando o caminho para nós e nesse carro entram três enjolras do grupo do Rio atrás.
Às tantas num certo trecho da estrada eu vejo que os enjolras estão dormindo dentro do carro, nós descemos para tomar água e eu então me aproximei, um deles estava acordado e perguntei:
-- Mas qual é o programa dos Srs? Os Srs. estão indo para Campos por quê?
- Não, nós estamos indo só para acompanhar o senhor.
- Mas escute, os Srs. amanhã vão ficar em Campos?
- Não, não. Nós vamos pegar o ônibus das cinco da manhã porque tem um programa de apostolado que começa logo cedo.
Puxa, eles iam chegar às três da manhã como eu cheguei em Campos, iam ficar em Campos uma hora e meia e depois iam pegar o ônibus e voltar para o Rio, não tendo dormido à noite para tocar o programa de apostolado. Eu disse:
- Bom, mas isso não tem sentido. Então passem para o carro de cá, o Sr. André Dantas passa para o outro carro e vamos conversando. Então fomos conversando um trecho da viagem. Depois chegamos em Campos e foi uma reunião de três às quatro e quinze da manhã, estava todo o grupo acordado. [Risos] E eles depois voltaram contentíssimos.
Isso é uma coisa que não tem ninguém... Não há nenhum movimento no mundo que consiga fazer uma coisa dessas com três rapazes que varam a noite para poder acompanhar -- num carro de trás ou da frente -- a um outro, para poderem ter um pouco de convívio com um outro. O que é isso?
É aquele desejo que eles têm de coisas do Sr. Dr. Plinio. É admiração.
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Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 15/5/96 - Só pela mediação de JC é que umas crianças perceberam a santidade de Dr. Plinio.
Rememorando a viagem que Dr. Plinio fez em 1988 pela Europa, JC conta o seguinte:
Agora, também outro fenômeno destes, místico, com base em crianças também se deu com uns meninos de uns onze, doze anos assim, saindo do Escorial, quando o Senhor Doutor Plinio estava subindo no automóvel. Eles estavam assim... maravilhados e me perguntaram: "Quem é esse senhor? Quem é esse homem".
Eu disse: "É um santo".
-- Um santo!
Acreditaram com toda naturalidade e se puseram em torno do automóvel assim, diante de um santo.
(Albertony: Se o senhor não tivesse dito, não tivesse completado com a certeza interna do senhor elas não teriam feito isso.)
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Reunião na Saúde, 21/5/96 - Canal necessário das graças novas:
(Marcos Munhoz: Vou encurtar um pouquinho a pergunta mas contemplando o Álbum que o senhor fez sobre a Senhora Dona Lucilia a gente vê que nas cartas nós vemos tanta unção e tanta bênção, a gente vê todas as filigranas que há no convívio do Senhor Doutor Plinio e da Senhora Dona Lucilia que nós ficamos... os demônios foram todos embora só pela leitura das cartas, agora, encurtando a pergunta, como é que ficaria então a nossa fidelidade a essas graças mas também em relação ao Senhor Doutor Plinio que vêm através dessa relíquia viva que é o senhor. (...) E como ser fiel às graças novas que estão sendo despejadas no momento através do senhor?
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Reunião para veteranos, 6/6/96 - Um joanino afirma que Dr. Plinio está espiritualmente presente no local, mas tem tanta fé no que está dizendo, que pede a benção, não a Dr. Plinio, mas a JC ...
(Nota: o colchete não é nosso)
(Adelino: Um dia o senhor disse que nós precisamos ser francos na reunião. Como o Sr. Dr. Plinio está presente, mas como está fazendo falta para nós a presença física dele, não sei se no final da reunião... [faz um gesto pedindo a benção.]
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Palavrinha, Montes Claros, 10/6/96 - JC dá conselhos de vida espiritual e jaculatórias, é tomado como modelo:
(Aparte: Podia dar um conselho para escravo de Maria, Sr. João?)
Conselho para o senhor: O senhor tem um temperamento assim muito animado, mas de vez em quando lhe bate... Não é?
(Aparte: "Praesto sum".) (1).Não dê ouvidos nessas horas a nada. (...) O nosso grande problema de nossa fidelidade está justamente na hora da depressão, na hora da falta de entusiasmo, na hora da falta da sensibilidade. Nessas horas a gente tem que rezar mais do que rezava antes e tem que estar mais firme do que estava antes. Está claro isso?
(Aparte: Está claríssimo.)
Quando vierem essas horas (...) é a regra que Santo Inácio dá: não deixar nenhuma oração, não deixar nenhum ato de piedade, não deixar nada, nada de lado. Pelo contrário, fazer de tudo para que tudo o que nós adquirimos se mantenha.
E depois mais: eu não tenho entusiasmo porque está me faltando a sensibilidade, eu quero ficar entusiasmado e não consigo. Eu vou, externamente, estar tanto entusiasmado quanto eu normalmente estou quando estou por dentro cheio de fogo.
Então não me deixar levar pelo abatimento nunca. Se eu faço isso, a Providência fica com pena de mim e me dá mais consolação e mais entusiasmo do que eu tinha antes. (...)
Nessa hora Santo Inácio aconselha que se a pessoa faz meditação de uma hora por dia, vamos supor, e está com vontade de terminar já nos quarenta minutos, que nessa hora ele faça uma coisa que é ousada: aumenta dez minutos a mais. Então, em vez de fazer uma, faz uma hora e dez.
Se fizer isso, o demônio começa a se retirar e diz: "Ih! esse aqui vai ficar santo muito rápido, não dá". Então cai fora.
(Aparte: Seguindo a direção do senhor, não é, Sr. João?) (2).
Direção do Sr. Dr. Plinio, o Sr. Dr. Plinio é que nos indica o caminho, é ele que nos dá o rumo. Nunca em toda a minha vida eu o vi abatido. Nunca.
(Aparte: Sr. João, o senhor poderia dar uma jaculatória para rezar nessas horas?) (3)
Nessas horas é uma jaculatória que o senhor vai gostar muito e que está muito próxima da Sra. Da. Lucilia: "Nossa Senhora da Consolação, rogai por nós". O senhor pode rezar “Consolatrix afflictorum”, ou Consoladora dos aflitos, rogai por mim.
(Aparte: Fenomenal. Muito obrigado, Sr. João, Nossa Senhora lhe pague.)
Bom, nós vamos ter que ir andando.
(Aparte: O senhor poderia dar um conselho para o apostolado de Minas Gerais?)
Posso. Muita vida interior, muita vida interior, muita oração, muita confiança na ação da graça, uma união com Nossa Senhora, com o Sr. Dr. Plinio, com a Sra. Da. Lucilia profunda, a ponto de que eles toquem o apostolado para a frente, adiante de nós.
Comentários:
Não tem absolutamente nada de extraordinário o fato de perceber que uma pessoa animada às vezes se deprime.
O rapaz não disse “seguindo a direção de Dr. Plinio”.
Pedem para JC uma jaculatória, e ele atende.
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Telefonema para a Saúde, 15/6/96 – O espírito de Dr. Plinio não é transmitido diretamente. É preciso apelar ao “médium”:
(Marcos Francisco: Ontem, se eu não me engano, foi dia de Santo Eliseu, não sei se é isso mesmo. (...) Tendo em vista Santo Eliseu, ele faz lembrar muito uma pessoa querida nossa, que está falando conosco agora.)
Ué?! Mas eu não sabia que existia um telefone ligado ao Céu aí.
(Marcos Francisco: ahahah! Está quase, Sr. João. Santo Eliseu... A vocação do senhor é muito semelhante com a de Santo Eliseu, que recebeu o espírito do profeta. Santo Eliseu também tinha o papel de passar o espírito de Santo Elias para os reis e para o povo. E o senhor tem a vocação de passar o espírito do Senhor Doutor Plinio para nós, não é Sr. João?)
Os senhores estão muito mal servidos. Porque sobraram poucos que conhecem pouco, e que tem pouco para lhes dar daquilo que é um tesouro extraordinário chamado Plinio Corrêa de Oliveira.
(Marcos Francisco: Nossa! Então, Sr. João, se o senhor pudesse passar agora um pouco disso que o senhor sabe para nós, do espírito do Senhor Doutor Plinio... assim... principalmente com a graça nova? Como nós devemos estar abertos para ela, Sr. João?)
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Palavrinha confidencial CCEE, Miracema, 26/7/96 - Fala o Pe. Gervásio:
Nós queremos agradecer a Nosso Senhor, a Nossa Senhora, a nosso Pai e Fundador, a nossa Mãe e Fundadora, o nos dar através do Sr. João esta oportunidade de uma hora vivermos um pouco mais perto dele, perto de Da. Lucilia, perto do Coração de Jesus, perto do Coração de Nossa Senhora. E que derrame todas as bênçãos especialíssimas a nosso querido João Clá, as bênçãos especialíssimas do Coração de Jesus, do Coração de Nossa Senhora, de nosso Pai e Fundador e Da. Lucilia.
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Reunião para CCEE, São João del Rey, 4/8/96 - JC é considerado canal de abundantes graças e “exorcista”. Intervenção de uma senhora ignota:
... [ininteligível] realmente, por esta ocasião, as graças tem sido muito abundantes mesmo. A gente vê que o senhor está levando essa graça para nós; eu quero pedir ao senhor ir para todo o Brasil. [Aplausos] Também é o seguinte, o que a gente está recebendo [ininteligível], onde o senhor vai afugenta tudo o que não é bom, não é? O senhor é uma espécie de ventilador potentíssimo, que joga tudo que é ruim fora; de maneira que o senhor precisa ir para todo o Brasil para levar essas graças também.) [Aplausos]
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Conversa em Roma, 21/9/96 - O espírito de Dr. Plinio só é transmitido no convívio com JC à maneira de um sacramental:
Temos que nos pôr numa perspectiva psicológica, numa perspectiva devocional, de piedade portanto, inclusive intelectual, toda ela centrada na pessoa dele [Dr. Plinio], mais do que antes. Porque antes eu tinha ele vivo, então eu o tinha como ponto de referência.
(...) Eu recebia aqui os textos das reuniões que ele fez durante a semana. Então era uma Palavrinha, era um Chá, era a Reunião de Recortes, era um Santo do Dia. Chegava à noite, as pessoas se espalhavam pelas salas, por aqui, por lá e por acolá, até pelo próprio quarto e ficavam lendo. Dentro daquilo que ele mesmo, Sr. Dr. Plinio, chamava de sopro profético. O sopro profético do momento. (...) [As] explicitações ele ia soltando (...) nos elevavam e nos faziam entrar em conexão com o sopro profético do momento, porque eram as explicitações que estavam passando pela alma dele naquele momento e nos imbricavam nele. (...)
Bem, isto não há, no momento. No momento nós estamos meio soltos e vivendo do sopro anterior.
O Sr. Dr. Plinio disse uma coisa muito bonita que eu repeti nos Estados Unidos agora recentemente. Apareceu-me no meio de um dos textos que eles exumaram aí, das centenas de milhares que existem. Um texto lindíssimo, um Santo do Dia, em que o Sr. Dr. Plinio comenta isso:
Tendo conhecido eu Nosso Senhor Jesus Cristo na época dos Apóstolos, tendo discernido, tendo convivido com Ele, tendo visto quem Ele é, eu não aceitaria, jamais, a idéia de que Nosso Senhor Jesus Cristo subiu aos céus, Nosso Senhor foi para a eternidade, e que não se encontra mais Ele na Terra. Essa idéia eu não aceitaria de jeito nenhum. Eu começaria a andar por todos os cantos à procura de Nosso Senhor, porque eu tenho certeza absoluta de que Ele, sendo quem era, não podia ir para a eternidade deixando-nos abandonados. Quando eu encontrasse o Santíssimo Sacramento do altar e me explicassem o que é a Eucaristia, eu diria: “Ah, agora está tudo claro, porque só um Deus podia encontrar uma solução tão divina, tão excelsa, tão extraordinária, para continuar conosco”. O “fazei isto em memória de Mim” e “Eu estarei convosco até a consumação dos séculos” tinha que se realizar desta forma. Ele se deixa sob as espécies eucarísticas, mas Ele está presente em corpo, sangue, alma e divindade. E numa comunicação conosco, desde que nós O procuremos, intensa.
(...) Mas será que o Sr. Dr. Plinio foi para o Céu e nos deixou abandonados? Será que o Sr. Dr. Plinio subiu aos céus e nós ficamos apenas com os escritos, como os Apóstolos teriam ficado com os Evangelhos? Porque Nosso Senhor não deixou nada escrito, tem mais essa; não escreveu nada. (...) Entretanto, a Igreja Católica se erigiu, se fortaleceu, se expandiu e tomou conta do mundo (...).
O que se fez para que houvesse esse fortalecimento, este aprofundamento e esta expansão, explosão de expansão? Tem que ter sido a piedade cristã ...
(Baccelli: O Espírito Santo.)
... tem que ter sido o Espírito Santo, não tem dúvida, está ótimo, está bem citado, e tem que ter sido o viver do espírito, o viver da mentalidade, o viver do modo de ser de Nosso Senhor Jesus Cristo. Tem que ser.
Claro que está aí a Igreja com todos os seus sacramentos e os sacramentos produzem a graça na alma. O Batismo, por exemplo. O sacramento é um sinal sensível da graça e uma vez pronunciada a fórmula a graça se faz imediatamente presente. Claro que isso tem uma força extraordinária, mas nós teremos algo à maneira de viver do espírito, da mentalidade, do modo de ser, do Espírito Santo, e de um como que "sacramento"?
Se não é isso, a obra vai morrer. A obra morre, a obra em si se acaba.
Pelo que eu vi de fichas do torreão dos fundadores, eles são muito, mas muito insistentes em que é preciso viver do espírito e da mentalidade do fundador. Todo o fundador constitui as tábuas da lei que são entregues no Monte Sinai e não a regra. A regra é importante, mas a regra de si sem o espírito faz com que a fundação vá se estiolando. O que é preciso é o espírito.
Mas há algo entre nós que vai além do puro espírito e que se assemelha a um como que "sacramento". Claro que não vamos aqui fazer defesas de tese que vão nos dar trabalho de escrever torreões depois. Ainda mais que o Sr. Dr. Plinio não está entre nós para orientar os torreões. Mas há algo à maneira de "sacramento". Sabe o que é? É o que nós estamos fazendo.
(...) Basta que a gente se reúna, comece a pô-lo no centro e a falar a respeito dele, este é um como que "sacramento". A graça se produz e ele se faz sentir.
Agora nós estamos em convívio comentando o guarda suíço, nós estávamos não sei quanto. Rezamos três ave-marias e começamos a falar algo que diz respeito a ele, que põe ele em função, os senhores estão recebendo graças que os senhores não estavam recebendo antes.
Então é indispensável, para a vida de um bureau, para a vida na Índia, para a vida de um grupo qualquer, grupo dos Estados Unidos, como agora nós passamos, é indispensável que a gente faça alguma reunião com o propósito de, como que, se o Sr. Dr. Plinio tivesse dito a nós: "Fazei isto em memória de mim". Porque quando o sacerdote diz: "Tomai e comei, isto é o meu corpo", pronto, Nosso Senhor se faz presente. (...)
E é curioso o seguinte: não é que o fato psicológico de lembrá-lo dá idéia de que ele está presente. Eu acho que se passa um fenômeno místico de presença dele mesmo. E ele tem uma ação da eternidade por onde ele começa a se fazer presente na alma de cada um. Faz-se presente na roda e age na alma de cada um.
(...)
(Baccelli: O Sr. Dr. Plinio evidentemente tinha a vocação de combater a Revolução, fazer denúncia profética, ele falava da guerra dos profetas. Talvez a solução para as situações esteja numa reunião dessas, que ele inspira a todos e todos vêem que é uma...)
Mas se nós tivéssemos que resolver algum assunto qualquer aqui da Itália ou da Índia, nós fizéssemos uma reunião onde nós começássemos a comentar alguma coisa a respeito dele e depois o problema fosse exposto, eu lhe garanto que a solução sai. Aí a gente faz tudo aquilo que ele mesmo faria.
*
Na reunião para CCEE, de 4/10/96, fica mais claro no que consiste esse “sacramental”:
(Da. Maria Ângela: Nós ouvimos um trecho de uma reunião em que o senhor disse o seguinte: que se o Sr. Dr. Plinio tivesse vivido naquela época de Nosso Senhor, quando ele soubesse da morte de Nosso Senhor procuraria um meio, porque ele saberia que Nosso Senhor voltaria.)
Eu achei esse pensamento do Sr. Dr. Plinio extraordinário.
(Da. Maria Ângela: E, guardadas as proporções, o senhor disse também que quando nosso Pai e Fundador foi para o Céu deixou um sacramental, que é o convívio. Agora, a gente sente que esse convívio, Sr. João, só se dá com o senhor.)
[[Exclamações e aplausos]
*
"Jour-le-jour" 26/9/96, realizado em Spring Grove - Os flashs que os joaninos tem em relação a Dr. Plinio, são mais freqüentes e mais expressivos através de JC, do que diretamente:
(Nota: O colchete é do texto original)
(Javier Gonzalo: Sr. João, o que é que tem no "flash" [...] que às vezes, quando passa por mãos menores, ele é mais expressivo? Por exemplo, o senhor dizia que a gente estava com os olhos vidrados com relação ao texto do Senhor Doutor Plinio. E era uma coisa que tinha que dar "flash" a todo mundo. Entretanto, nem sempre dá. Por que é que quando o senhor explicou, como que passou pelo senhor, por que é que isso iluminou todo mundo? )
O que tem é o seguinte, cada um de nós tem -- diz o Senhor Doutor Plinio -- uma matriz de flash bem no seu interior. E cada um de nós deve no seu convívio com os outros, fazer os outros sentirem o seu próprio flash.
Quando a gente consegue fazer os outros sentirem o próprio flash, os outros têm um flash a respeito daquilo que nós dissemos. E é uma pena, isso é uma lástima que um tema tão elevado como esse que é Plinio Corrêa de Oliveira, seja um tema não muito comentado por todos. Mas, eu acho que cada um teria algo a dizer a respeito do Senhor Doutor Plinio que encantaria os outros.
Então, se cada um de nós se pusesse de dentro do próprio flash e quebrasse completamente o mito diabólico, e quebrasse completamente essa espécie de respeito humano que há de falar sobre o flash, que a pessoa tem com relação ao Senhor Doutor Plinio, eu tenho impressão de que o Grupo seria uma espécie de fogos de artifícios. E o nosso convívio seria o convívio o mais agradável de toda História. (...)
E é por isso que a leitura de um texto é fria. A leitura de um texto não é uma comunicação viva. Então, quando lê-se o texto pode ser que as pessoas fiquem com o olho vidrado porque não alcançaram bem.
Mas, quando um outro pega o texto e explica em função do seu flash, a respeito do Senhor Doutor Plinio, aquele texto toma vida. E esta é a nossa missão, a missão de cada um de nós.
*
"Jour-le-jour" 30/9/96, realizado em Spring Grove - O sustentáculo psíquico e espiritual de muitos joaninos, não é Dr. Plinio, mas JC:
Eu tenho impressão de que a Providência para manter os mais jovens, para manter os que estavam debaixo da minha influência ... a Providência para poder manter aqueles que mais diretamente estavam ligados a mim, a Providência me deu uma graça de muita serenidade, de muita fé, de muita esperança, de muita confiança.
Porque se eu me desesperasse, e se eu perdesse a psíquica, eu tenho impressão que muitos dos mais novos se desorientariam completamente.
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Reunião para EEII, 6/10/96 – Eremitas itinerantes pedem a JC serem consagrados a Dr. Plinio pelas suas mãos.
Ao final da reunião, passaram a JC um bilhete com um pedido. Eis sua resposta:
Isso aqui não posso fazer, quer dizer, fazer uma consagração pelas mãos minhas não, eu não tenho munus para isso. Mas o que eu posso fazer, isto sim, é terminando a reunião, nós terminarmos com a consagração e eu me uno à consagração dos senhores. Quer dizer, nós nos consagramos juntos a ele. Isso com todo o gosto.
(...)
(Ademir: O Sr. Dr. Plinio, não sei se é possível, a gente sempre o cumprimentava. Enfim, se é possível um por um... um cumprimento.) [Risos]
O conjunto coletivo sim, perfeitamente.A palavra “cumprimentar” tem um sentido esotérico. Pode significar “benção”, ou ósculo das mãos, ou talvez ósculo dos pés. Mais parece ser “benção”. Cumprimento coletivo seria “benção coletiva”.
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Reunião na Saúde, 8/10/96:
(Valente: A última vez que o senhor esteve aqui foi dia 2 julho...)
Dois de julho? Puxa! Agosto, setembro e outubro; três meses!
(Valente: Em três meses, enfim, ás vezes Nossa Senhora pede essas separações em várias frentes. Mas nesse tempo que o senhor esteve fora, nós estivemos acompanhando as reuniões que o senhor fez...) (1)
O curso sobre flash. [Exclamações]
(Valente: Exatamente. Enfim, toda as indicações que o senhor dá para nos levar em direção ao Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia e ao Imaculado Coração de Maria. Queríamos agradecer ao senhor por essa volta aqui, porque é, sem dúvida, mais uma vez que o senhor está trazendo o espírito do Senhor Doutor Plinio para dentro da sede da Saúde.) (2)
(...)
(Valente: A Saúde é uma sede de apostolado, de conquista; é muito necessário esse apostolado que o senhor disse, de levar ao Sr. Dr. Plinio. É justamente o que o senhor tem feito conosco.)
Não quero outra coisa.
(Valente: Inclusive, nesse tempo que o senhor esteve fora, estamos -- como já disse ao senhor -- acompanhando as reuniões que o senhor fez. E esse apostolado não se parou, mas, graças a Sra. Da. Lucilia e ao Sr. Dr. Plinio, chegou-se a bater o recorde de 34 rapazes. Enfim, o senhor tem vindo aqui desde 1988, nós queremos dizer ao senhor isso, que esse apostolado [da Saúde] necessita muito da presença do senhor aqui e que isso para nós é uma graça e nós temos que nos agarrar nela. Então, gostaríamos de agradecer e pedir ao senhor para que não deixasse de...)
Não! Se eu... [Aplausos]
(Valente: Não só isso, desculpe interromper, mas é uma coisa que nós aprendemos com o senhor, que é sempre romper [essa lei?], que o senhor não só não deixasse de voltar, mas que viesse quatro, cinco vezes por semana. Seria esse o agradecimento.) [Exclamações]
Comentários:
Dir-se-ia que os joaninos vivem em função de JC. Mais adiante há mais elementos que corroboram a hipótese.
Os moços da Saúde recebem o espírito de Dr. Plinio, não diretamente, mas através de JC.
*
"Jour-le-jour" 24/11/96, parte I - Uma pessoa muito atenta a tudo quanto é onda e moda interna, falando em nome de vários, sustenta que se não fosse JC, a união com Dr. Plinio seria impossível:
(P. Morazzani (pai): Essa reunião [de Dr. Plinio, que o senhor acabou de ler] enche a alma de uma alegria, de uma sabedoria, mas por outro lado enche a alma de tristeza. [...] Se não fosse o senhor, essa união com o Sr. Dr. Plinio que ele muito queria não seria possível. Eu sei que posso não ser prudente em falar isso, mas do fundo da alma queria dizer isso, porque todos nós temos um agradecimento com o senhor muito mais do que nós nos damos conta. (...)
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Fax de JC para o Sr. Fernando Antunez, de 25/11/96, p.7 - Quem cessa de ser dirigido espiritual de JC, corre risco de perder a alma:
Eu era o responsável por várias direções espirituais de membros da TFP Norte-Americana. Com essa situação [quer dizer, com a ruptura entre o Grupo de EEUU e JC], todos esses ficaram completamente abandonados, e tenho receio pelo futuro de alguns.
*
Se uma nação cessa de estar sob a influência de JC, corre risco de desaparecer:
Segundo Marcos Faes, o fato de a TFP Americana ter se distanciado de JC, é tão grave, que ele se pergunta se não “pode acarretar o desaparecimento de sua querida nação como consequência deste pecado coletivo?”
(Cfr. Grafonema para André Dantas, 22/10/96)
*
Telefonema Saúde, 1/3/97 - JC pede a “Dr. Plinio” que abençoe e indique a obediência da semana aos moços da Saúde. Mas quem em concreto dá a benção e a obediência é JC!
Agora, então, vem a obediência da semana, não é isso? Vamos pedir a ele que dê essa obediência a todos. Acho que todos têm o livro Preces, não é?
(Todos: Não, não.)
Ainda não? Então está para chegar, logo-logo chega.
Vamos, então, pegar uma oração que... Olhem aqui, a Oração Abrasada deve estar ao alcance de todos aí, não está? Então vamos fazer o seguinte: três dias da semana rezem três partes diferentes da Oração Abrasada em três dias diferentes da semana para pedir ao Sr. Dr. Plinio, a São Luís Grignion de Montfort e a Santo Elias um fogo de alma de entusiasmo pelo Sr. Dr. Plinio e pela Sra. Da. Lucilia extraordinários.
(Todos: Amém.)
E agora, então, vamos pedir a ele que nos abençoe.
Benedictio...
Que Nossa Senhora, o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia lhes ajude muitíssimo.
*
Telefonema Saúde, 19/4/97:
(Reinaldo: Se o senhor pudesse rezar as orações pela Saúde e rezar especialmente pelo apostolado no Rio de Janeiro.)
O pedido não é dirigido a Dr. Plinio, nem a JC enquanto intercessor perante Dr. Plinio, mas a JC pura e simplesmente.
*
Telefonema entre JC e os moços da Saúde, 17/5/97 - Quem ilumina os passos dos joaninos, na via da Sagrada Escravidão e da radicalidade, não é Dr. Plinio, mas JC:
Levando em consideração a festa do dia de amanhã [NB: Sagrada Escravidão], (...) os senhores têm que a própria instituição que foi fundada há trinta anos atrás a partir da data de amanhã --e que amanhã ainda por coincidência cai num dia de festa de Pentecostes, da descida do Espírito Santo--, essa instituição nasceu sob a égide, sob a aura, sob a luz da intransigência, da radicalidade. Era até onde um membro do Grupo na sua perfeição deveria chegar. Quer dizer, o extremo limite onde um membro do Grupo deveria chegar é a Sempre Viva. E nós devemos ter na prática esse espírito de Sempre Viva. (...) Sobretudo agora que não há barreiras, as portas não estão fechadas, as portas estão abertas, escancaradas.
De maneira que estando as portas escancaradas, nós devemos nos entregar a ele com inteira, inteiríssima radicalidade.
(...)
(Palazin: Extraordinário, senhor. Muitíssimo obrigado, Sr. João.)
Está bom?
(Palazin: Queríamos agradecer também especialmente a ele [Dr. Plinio] e a ela [Dona Lucilia] por terem nos dado este escravo tão fiel que ilumina nossos passos dentro dessa via, Sr. João.)
*
Telefonema Saúde, 17/5/97 - O apostolado está progredindo, não por causa de Dr. Plinio, mas de JC:
(Leandro: Salve Maria, Sr. João!)
Salve Maria, Sr. Leandro. Que notícias o senhor traz lá de Joinville.
(Leandro: O apostolado graças a Deus está crescendo muito, e está muito abençoado devido ao apostolado que o senhor está fazendo, não é, Sr. João?)
(...)
(Leandro: Sr. João, o senhor poderia dar a bênção e a obediência também?)
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Reunião na Saúde, 10/6/97 - Ao mesmo tempo que afirma “não há sucessor”, JC coloca-se como “médium”:
(Aparte: Quando São João Bosco era vivo, ele atraía muito. E os mais novos recebiam muitas graças através de São João Bosco. Mas depois da morte de São João Bosco, a Providência não deixou de dar essas graças para eles; eles continuaram recebendo, através de São Miguel Rua. Qual é a melhor forma que o senhor vê para eles, recebendo essas graças do discípulo de São João Bosco, de serem fiéis a essas graças?)
(...) Ele diz o seguinte: que os alunos de São João Bosco que tiveram a graça de conhecê-lo pessoalmente, convivendo com ele, recebiam muitas graças -- criadas por Deus, passando por Nossa Senhora, dada pelos anjos, que chegavam a São João Bosco -- e, através de São João Bosco recebiam os meninos, recebiam os padres, recebiam as pessoas que conviviam com São João Bosco. São João Bosco, de repente chega ao fim de sua vida e é levado ao Céu. E fica na terra um discípulo, um continuador da obra dele, que é São Miguel Rua. E estes que não tinham conhecido São João Bosco, começam a conhecê-lo não de uma forma direta, mas pelas relíquias deixadas por São João Bosco, pelas histórias, pelos fatinhos... [Risos]
Então, ele pergunta como os discípulos de São João Bosco deveriam aproveitar bem o convívio com aquele que continuava a obra dele, que contava as coisas a respeito de São João Bosco.
Eu digo o seguinte: São Miguel Rua valia algo na medida em que ele conseguia transmitir o que a alma dele tinha captado de São João Bosco. Porque a graça de fundador é uma só. Alguns fundadores até chegam a dizer isso clarissimamente. (...) São Julião Eymard se queixava para os dele: "Olha, vocês me procuram pouco; vocês me perguntam pouco a respeito de minha vida, de minhas coisas, de minha história. Porque a graça de fundador é uma só. Quer dizer, é só um que recebe essa graça da fundação. E sou só eu que posso contar as coisas a meu respeito."
Quem não conhece, não pode contar, evidentemente. Então, a graça da fundação é única; fundador é um só: ele não tem sucessor; ele pode ter uma pessoa, pode ter algumas pessoas, inclusive, que continuem, de alguma forma, ALGO dele. Mas o TODO dele não é continuado por ninguém. Todo fundador não tem a continuação de ninguém, a continuação do todo ele; tem a continuação de aspectos dele; isto, sim. Mas o todo do fundador não se reflete em ninguém dentro da ordem. Então, os senhores têm, por exemplo, ordem de São Bento. Não houve mais um Bento! Houve um São Mauro, São Plácido, etc. Houve nada mais, nada menos do que 3 mil santos canonizados. Mas nenhum é São Bento. São Bento não se repete mais.
Também no que diz respeito ao nosso fundador, podíamos dizer isso: o Sr. Dr. Plinio não é "repetível" por ninguém; o conjunto, o todo dele não se repete.
No caso concreto que ele pergunta, de São João Bosco e São Miguel Rua, o que se passava era o seguinte: é que São Miguel Rua transmitia o que ele tinha visto, de São João Bosco, para os outros.
São Tomás diz [citando São Paulo] que “fides ex auditu” -- a fé vem pelo ouvido. Então, o fato de São Miguel Rua contar alguma coisa a respeito de São João Bosco, a graça tocava a alma daqueles que o viam, de modo que eles eram capazes de ver São João Bosco talvez melhor do que o próprio São Miguel Rua. Porque a palavra de São Miguel Rua chegando aos ouvidos de um novato que não tinha conhecido São João Bosco, e a graça tocando no fundo da alma daquele que estava ouvindo, tocando tão fundo, tão fundo, que dava a este que ouvia uma visão a respeito de São João Bosco, que era uma visão mística, completa.
E São Miguel Rua, que não era capaz de representar o todo de São João Bosco, ao falar de São João Bosco, a graça completava o que faltava naquilo que ele poderia ser enquanto todo.
Ele era um espelhinho que refletia um magnífico sol. [O sol] batia no espelhinho, a pessoa olhava, não via o sol inteiro, mas, por uma ação da graça, ela vendo o sol no espelhinho, via o sol como era na realidade.
Então, o que deveria fazer um discípulo que estivesse ouvindo São Miguel Rua descrever São João Bosco? Devia pedir muito a graça de conhecer São João Bosco, mais ainda do que São Miguel Rua.
Alguém diria:-- Ah, mas São Miguel Rua viveu dezenas de anos com São João Bosco! Como é possível viver mais do que ele?!-- Para o homem isto é impossível, mas para Deus nada é impossível.
E, ao longo dos tempos, as pessoas vão-se sucedendo, vão-se sucedendo, e é possível que apareça um salesiano fiel no Fim do Mundo, quando vier o anticristo, que compreenda São João Bosco melhor do que São Miguel Rua. Por quê? Por causa de uma ação mística.
Então, o que a gente deve fazer é aconselhar esses discípulos de São João Bosco a olhar para São Miguel Rua e pedir graças místicas, para compreender quem é São João Bosco.
*
Reunião na Saúde, 10/6/97:
(Alberto Anderson: Sábado, na consagração do Grupo Santa Intolerância, numa parte da cerimônia, o senhor se ajoelhou em frente ao troneto, e foi perguntar ao Sr. Dr. Plinio se ele teria alguma coisa ou não, contra os novíssimos que iam receber (1). Eu pergunto o que o pensou na hora, o que o senhor rezou...)
Bom, é uma curiosidade isso. Não tem dúvida, eu posso dizer.
Eu já tinha a certeza que o Sr. Dr. Plinio aceitava a todos; portanto, eu não ia fazer uma pergunta inútil, não ia me aproximar se ele tinha alguma objeção a respeito de algum daqueles que estavam ali (2).
O que eu fiz? Vendo-o ali, nos braços da Srª Dª Lucilia (3), eu disse a ele, interiormente (rezei): "Vós nascestes nos braços dela e aqui [nesta festa], mais ainda, vós nascestes para a Igreja, e a Igreja foi introduzida na vossa alma. Aqui estão mais uns tantos filhos vossos, que hoje nascem, de forma oficial, para a vocação. Então, eu vos peço que, em nome de vosso santo batismo, e em nome dos braços que vos carregam, eu vos peço que assistais de forma muito especial, a todos esses vossos filhos. E que todos eles perseverem; que nenhum deles claudique; que nenhum deles fraqueje na vocação e, portanto, venha a ter a desgraça da apostasia; que todos eles perseveram plenamente."
Em síntese, foi o que eu pedi (4).
(...)
(Palazin: Na palavrinha, após a Consagração de sábado, o senhor comentou muito o aspecto gládio, da alma do Sr. Dr. Plinio (...) (5).
Comentários:
Nessa cerimônia de Consagração a Nossa Senhora enquanto escravos, JC exerceu o papel de mediador entre uma pessoa que já está na eternidade --Dr. Plinio-- e os rapazes aí presentes. Tudo indica que se dirigiu a Dr. Plinio em voz alta.
Se JC já tinha certeza que Dr. Plinio aceitava a todos, que sentido tinha fazer todo esse teatro, se ajoelhar perante o troneto de Dr. Plinio e lhe perguntar se havia alguma objeção?
Se JC estava ajoelhado diante do troneto de Dr. Plinio, e viu a Dr. Plinio nos braços de Dona Lucilia, significa que, quem estava sentada no troneto era Dona Lucilia.
Mas JC não disse nada a respeito da resposta de “Dr. Plinio”. Tudo leva a pensar que ela só foi ouvida por JC e que foi afirmativa, pois no texto originário não há indícios de que nenhum recipiandiário tenha sido excluído.
Após a consagração JC deu uma “palavrinha”, tal e qual outrora fazia Dr. Plinio.
*
Reunião na Saúde, 21/12/95 – As comunicações de JC com o outro mundo datam, pelo menos, desde finais de 1995:
(Tomé Fernando: Durante a recepção de hábitos no São Bento, na hora em que o senhor foi perguntar ao Sr. Dr. Plinio se ele aceitava aqueles...)
Eu perguntei mesmo. Não pensem que eu não perguntei, perguntei mesmo (1).
(Tomé Fernando: É tal o grau de união que o senhor tem com o Sr. Dr. Plinio...)
(...)
(Tomé Fernando: Como foi esse contato que o senhor teve com o Sr. Dr. Plinio, e como nós constantemente devemos ter esse contato nessa linha? O senhor foi assumido pelo espírito do Sr. Dr. Plinio naquela recepção.)
(...)
(José Adenilson: Queríamos agradecer ao senhor a bondade e a misericórdia de nos ter dado o hábito.)
Comentário:
Nessa ocasião, JC, antes de impor os hábitos, na sala do SDP no S. Bento, colocou a mão na trono do SDP e formulou em voz alta esta pergunta: "É mesmo da vontade vossa que esta cerimônia seja feita e que estes hábitos sejam dados. Não há nenhum impedimento de vossa parte?". E sentiu como que no coração a seguinte resposta: "Mas, meu filho, tal seria, eu não quero outra coisa. Eu vou dizer mais, eu não sei o por que é que esses outros que ainda não receberam não se apressam". (Nota: a pergunta e a resposta constam no texto da Reunião na Saúde, 21/12/95)
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"Jour-le-jour" 10/8/97:
(Leonardo J. Haddad: Sr. João, não sei se o senhor acha que é o caso de se cantar a "Salve Regina" para que o senhor fizesse o pedido ao Sr. Dr. Plinio de vir morar em nosso coração, ressuscitar em nosso coração.)
Vamos cantar a Sublime Antienne, perfeitamente.Começam as orações com a Salve Regina, depois Dr. Antônio Augusto continua com as outras invocações.
(Leonardo J. Haddad: E o senhor como escravo dele peça para ele especialmente por cada um de nós.)
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"Jour-le-jour" 15/8/97 – JC lê uma reunião (chá para os êremos, do ano 79) sobre a unicidade de Dr. Plinio e sobre o relacionamento direto com Dr. Plinio. Mas é aclamado como mediador e “alter Plinio”:
Muitas vezes me vinha à mente, quando eu era menor e quando eu não tinha atenção tão assestada no combate às tentações de amor próprio a idéia seguinte, que eu sempre punha de lado:
Não adianta você olhar ou não olhar para si porque uma coisa emerge: é que você, como espírito, como mentalidade, é inteiramente único. Não é só dizer que não existe quem tenha essa sua fidelidade à Contra-Revolução, mas sim que não há absolutamente ninguém como você no mundo contemporâneo, que de tal maneira seja co-idêntico com a Contra-Revolução.
De maneira que você não é apenas um contra-revolucionário a serviço de um ideal, mas esse ideal habita em você de um modo, com uma força, com uma plenitude, com um esplendor, com uma inocência, que é inteiramente único e não se pode, do mundo contemporâneo, tomar ninguém que seja comparável a isso.
[Aplausos.]
Impressionante! (1) Como se faltasse alguma coisa a mais, depois dessa substância explicitada por ele, ele ainda vai dizer isto:
Ainda duas notas a mais: não é provável que no mundo contemporâneo, outros ideais santos e bons de tal maneira se representem em outra pessoa como esse ideal se representa em você, porque esse é o ideal dos ideais que abarca todos os outros ideais.
Agora, também não adianta você fechar os olhos a esse ponto: é que esse ideal habita assim em você, e você é único. Você não é o único no sentido de que é o mais alto, a mais alta cordilheira de uma série de cordilheiras, mas você é o único a emergir de dentro de um abismo e é o único a fazer face ao mundo inteiro.
Este é o depoimento de um profeta, de um fundador, de um santo, de um homem que tem carisma de discernimento dos espíritos, e é inerrante, a respeito de si mesmo, e sem véus.
E fazer face assim ao mundo inteiro, nem antes de você se fez. Quer dizer, nunca um ideal tão alto esteve tão completamente abandonado. Nunca dentro do abandono ele foi inteiramente aceito e nunca, portanto, ele teve uma coabitação como tem com você.
Este é o nosso pai, é o nosso fundador, é o senhor nosso, é o comandante nosso. E este é assim antes da ressurreição! Imaginem, depois!
Exceção feita dos primeiros tempos apostólicos, e portanto a fortiori de Nossa Senhora, que não tem comparação com ninguém nem com nada, pode-se dizer que você vive outros tempos apostólicos.
E não adianta você querer não ver isto porque isto salta aos olhos e é assim. E não adianta você não querer prestar atenção, porque nem por você não prestar atenção deixa de ser assim, porque isto é assim!
E eu, diante disso que vinha, procurava sumariamente argumentos que contrariassem essa idéia. Mas era tal a evidência que o argumento resultava tão superficial, falso e bobo, que eu não tinha o direito de fazê-lo. Não se tem o direito de fazer chicana nem sequer contra si mesmo. E, portanto, eu sempre afastei essa cogitação.
(...) Vocês sabem que eu faço associação de imagens rapidamente. Vendo alguma fotografia minha de passagem, eu nunca a fixo com o meu olhar, mas, às vezes, ao encontrá-la numa sala, ela está lá, eu a vejo. Nessas circunstâncias me vem a seguinte pergunta: "Até que ponto é transparente isso que eu vejo em mim?
até que ponto é transparente em mim para os outros verem e até que ponto os outros podem ou não podem dar-se conta disso?"
Eu sou levado a achar que os que me seguem, de um modo mais ou menos brumoso, mais ou menos claro, vêem algo disso, mas vêem de um modo tão empreguiçado -- senão todos, ao menos quase todos -- e tão indolente, que é um não ter vontade de ver. Donde eu percebo que os filhos da luz com que eu trato, têm uma infiltração da Revolução dentro de si e que é essa infiltração que os impede de [me] ver.
Mas esse argumento não é um argumento válido a ponto de fazê-los me ver.
Os argumentos que eu dou têm seu papel na fixação deles em torno de mim, mas mais importante do que isso é um imponderável que se desprende de mim. Os argumentos mais desfazem as objeções do que são propriamente a causa determinante da adesão.
Então, não venham com ilusões de que é o argumento que faz com que a pessoa se transforme, como membro do Grupo, e que resolva aderir ao Sr. Dr. Plinio: o que faz a pessoa aderir ao Sr. Dr. Plinio é um imponderável que deflui da pessoa dele (2). Ele vai ainda dizer:
A causa determinante da adesão é muito mais um certo imponderável do que qualquer outra coisa. Esse imponderável fica mais aparente em certas horas, menos em outras.
Mesmo agora, hein! Não pensem que isto se dava só em vida (3).
Depois disso, Dr. Plinio descreve as notas mais salientes de seu espírito. E continua assim:
Essas notas estão contidas [nessas fotografias], nas quais o binômio gládio-mola estão muito presentes.Presentes de que maneira?
A mola representando antes de tudo e acima de tudo uma forma de flexibilidade de alma, que é a flexibilidade dada pelo amor àquilo que a gente se deu completamente. Então faz-se qualquer coisa, aceita-se qualquer coisa, topa-se qualquer parada, entrega-se a qualquer grau e forma de serviços e de holocausto, de renúncia, de abandono, porque -- em última análise -- quer-se aquilo. E quer-se estar unum com aquilo, por se sentir nessa forma de união em unum Àquela que de algum modo baixa e vive ali dentro. Há qualquer coisa que dEla deflui e que vive ali dentro continuamente, que se romperia no dia em que eu consentisse em definir como interesse meu, mais legítimo que fosse, algo distinto disso e não absorvido por isso.
Por exemplo, imaginemos sobre esta sineta que eu dissesse o seguinte: "A isto pelo menos eu tenho direito; isto eu não entregarei." Se eu dissesse isto, seria a mesma coisa que se eu trincasse aquele quadro. Poder-se-ia depois fazer a recomposição, mas continuaria a ser um quadro trincado.
Quer dizer, não se pode ter nada, não se pode reservar nada, é preciso dar tudo.
(...) Quer dizer, não se pode ter nada, não se pode reservar nada; é preciso dar tudo! (4)
Mas dando tudo, recebe-se uma forma de habitação de uma mentalidade e de um espírito completamente superior (5). E aqui é a arquetipia, o tipo tocando nas pontas da mão do Arquétipo e sentindo-se elevado até o extremo de si mesmo porque o Arquétipo o suspende.
(...) Eu tenho a impressão de que há uma presença da graça em mim e a partir de mim em vocês, e em todos os que virão no Reino de Maria, por onde o Reino de Maria todo vai ser de uma clave diferente do que foi a anterior fase da História da Igreja (6).
Intervenção de A.A. Lisboa Miranda: Sr. João Clá, eu acho que antes de encerrarmos essa reunião, nós não poderíamos deixar a última palavra com o senhor. Nós teríamos de dizer alguma coisa. [Aplausos.] (...) eu procurarei dizer aqui algo que nos vai no fundo do coração, a respeito de um filho dileto do Sr. Dr. Plinio, de um filho dileto de Nossa Senhora, a quem Ela tanto amou, que resolveu premiar o seu aniversário colocando na mesma data em que se comemora a Assunção dEla. [Aplausos.] (...) Nossa Senhora quis nos incentivar a que disséssemos algumas palavras também de gratidão, por tudo o que o senhor tem representado para nós (7) [Aplausos.] Seria impossível, com o tempo [curto que dispomos], descrever todas as gratidões que nós temos, e enumerá-las todas. (...) Eu procurei aqui fazer uns dados estatísticos, e verifiquei que desde o aniversário da ida do Sr. Dr. Plinio ao Céu, temporariamente, que já nos separam nesses 20 meses, o senhor aqui fez cerca de 450 reuniões, tão esplendorosas quanto essa. [Aplausos. Brado.] Continuando, dessas 450 reuniões, 300, aproximadamente foram aqui nesse auditório ou no auditório lá de cima, do Praesto Sum. As outras 150 foram com os nossos queridos irmãos na Saúde, ou das nossas outras [TFPs] irmãs do Estrangeiro (8). Bem, tudo isso que o senhor fez por nós (9), para nos manter, para nos sustentar na nossa vocação, permanecermos unidos e juntos, terá uma recompensa de Nossa Senhora nos Céus. "O irmão que salva o seu irmão, terá não só a sua salvação, mas brilhará como um sol, na eternidade." [Aplausos. Após o Sr. João interromper os aplausos com a sineta, estes recomeçam] (10). As minhas palavra são pobres, mas eu vou terminá-las aqui com duas citações que as elevarão à altura desse ambiente; são duas citações do Sr. Dr. Plinio. Ele dizia que, nessas reuniões aqui do Jour le Jour, o Sr. João Clá era um "alter ego" dele. [Aplausos]. E finalmente, para encerrar, o texto que me pareceu que ficou mais claro, quando ele se referiu ao senhor, e que representa tudo aquilo que nós achamos: "O João é um facho de luz, do qual vive a TFP." [Aplausos. Brado. Aplausos] (11). Finalmente (...) eu me despeço pedindo, se pudermos, depois das orações, cantarmos o Magnificat, por uma reunião tão bela, tão tocante, que veio desde os textos do Sr. Dr. Plinio, até da missão que o senhor, por nós, tem feito. [Aplausos.]
JC: O Sr. Dr. Plinio gostava muito da doutrina explicitada por São Tomás, de que todo intermediário, visto de um dos extremos, se parece com o oposto. Então, é compreensível que, estando eu colocado aqui nesta tribuna, em frente à cabine, e sendo, portanto, um meio termo de visão entre o Pe. Gervásio, os senhores, e o que está dentro da cabine, é normal que os senhores às vezes confundam um pouco a vista e imaginem um intermediário parecido como o extremo oposto (12).
É verdade -- eu vejo também -- que a Providência permite às vezes essas ilusões, para mantê-los mais firmes na fé, para mantê-los mais na perseverança, tanto mais que hoje ainda é festa de Nossa Senhora da Perseverança também. Então, para lhes dar mais perseverança, Nossa Senhora permite certas ilusões (13).
Eu me conheço muito bem, eu sei o quanto falta para eu chegar a isto tudo que Dr. Antônio Augusto Lisboa Miranda, com tanta generosidade, prodigalidade, aqui exprimiu. Eu sei o que falta, eu sei quanto caminho ainda eu tenho pela frente.
Eu fico com pena de mim mesmo, de um lado, quando eu olho para mim; mas quando eu olho para a ilusão dos senhores, eu fico com pena dos senhores de um lado só; porque de outro lado eu vejo que essa ilusão é causada pela graça, para ajudá-los (14). Mas eu fico com pena, porque eu vejo que os senhores deveriam ter outros e outros e outros, muito melhores do que eu. E mesmo, eu, deveria ser bem melhor do que sou.
Mas, enfim, talvez a Providência tenha querido isso: que fosse dado aos senhores, durante esse período em que o Sr. Dr. Plinio "viaja", como aquele senhor do Evangelho (da parábola dos talentos), que viajou e que deixou uns talentos, talvez a Providência tenha querido deixar esses poucos talentos, nesse período que vai até a ressurreição dele, para que nós os desenvolvamos. Os senhores, na ilusão de que eu tenho os talentos, e eu, no esforço de obter os talentos.
E todos nós acabamos agindo uns sobre os outros, de forma a progredirmos na busca daquilo que será a alegria do Sr. Dr. Plinio quando ele voltar: os senhores progredindo na imagem de que existem os talentos. E eu, vendo nos senhores a ilusão de que os talentos existem, fico com uma idéia de quais são os talentos que devo conseguir. Com isso, os senhores me ajudam, e eu ajudo aos senhores.
Intervenção de Pedro Morazzani, pai: O que Dr. Miranda falou não são ilusões: ele só repetiu palavras do Sr. Dr. Plinio. Contrariar, seria pensar que o Sr. Dr. Plinio se iludiu. [Aplausos.] Há outras pessoas que pensam que o Sr. Dr. Plinio se enganou; nós não pensamos que ele se enganou.
JC: Não, eu penso uma coisa diferente. O senhor vai ver que é mais a realidade: é que no momento em que o Sr. Dr. Plinio disse isso, era real. Mas será real hoje em dia? Eu não sei (15). É a isso que eu atribuo a palavra ilusão.
Enfim, o que é certo é o seguinte. O que disse Dr. Antônio Augusto Lisboa Miranda é real (16). Nós, nessas reuniões, temos uma vantagem: nós estamos juntos, nós nos olhamos, e nós nos queremos bem. [Aplausos.]
Com uma enorme vantagem que é de nós termos a possibilidade de não permitir que o demônio leve essa vitória sobre nós, sobre a TFP, sobre a obra do Sr. Dr. Plinio, que seria tremenda (17): é de não permitir que ele [o demônio] apague, que ele faça sumir de nossa lembrança, a figura exata de nosso pai e senhor. O estarmos aqui juntos, o olharmo-nos, o querermo-nos bem e, além disso, podermos, dentro deste clima de união, contemplar a vida dele, os pensamentos dele, as análises dele, dentro de um prisma que é o prisma dele, isto para nós é de uma benefício extraordinário, indispensabilíssimo.
E, nesse sentido, aí sim tem razão Dr. Antônio Augusto Lisboa Miranda, têm razão os senhores, e eu também; todos nós. E saímos, portanto, inteiramente harmonizados, inteiramente em união.
Comentários
Mas os joaninos acham que seu senhor de tal maneira se identifica com a Contra-Revolução e com Dr. Plinio, que tendo que optar entre a pessoa de JC e a Instituição TFP, escolheram o primeiro.
Portanto, não há canal necessário.
JC reconhece que o relacionamento dos membros do Grupo com Dr. Plinio continua sendo direto após seu passamento.
Mas JC, tendo que optar entre renunciar a seus “direitos” ou quebrar a unidade da TFP no mundo inteiro, preferiu o segundo.
Se JC não deu tudo, com que fundamento seus discípulos afirmam que foi inabitado pelo espírito de Dr. Plinio?
Dr. Plinio não disse: “a partir de mim em JC, e através de JC em vocês”.
Falando a nome dos joaninos, AALM agradece a seu senhor por tudo quanto representa para eles; quer dizer, agradece a JC enquanto homem-símbolo, enquanto personificação. Símbolo do que? Símbolo de quem? Personificação de quem? De Dr. Plinio...
É um tanto difícil acreditar que AALM tenha tanto aceso às reuniões de JC, que possa fazer esse cálculo estatístico e essa classificação. Mais provavelmente, alguém do S. Bento que mexe com os arquivos, lhe passou esse dado. O que por sua vez leva a perguntar se os louvores de AALM a JC não foram combinados com gente muito chegada a JC, e no fundo com o próprio JC.
Acima AALM agradeceu a JC pelo que é; agora agradece pelo que faz.
Quem salva a alma dos joaninos não é Dr. Plinio, mas JC. A tese é calorosamente aplaudida.
Não sabemos se o brado foi dado por JC ou pelo SDP.
A primeira vista JC recusa ser um “alter Plinio”, mas no fundo justifica essa tese.
Mais uma justificação: a Providência, para manter a fé e perseverança dos membros do Grupo, faz com que na pessoa de JC se veja um “alter Plinio”.
Por terceira vez JC aprova ser tido como “alter Plinio”: o que move as pessoas a verem nele uma personificação de Dr. Plinio é a graça. E estimula o culto a ele: aquilo ajuda à vida espiritual.
De fato, hoje em dia, depois da revolta, do apelo ao princípio da igualdade para mudar a estrutura hierárquica da TFP, da fundação de conventos de moças “com Tau”, das tentativas de destruir a TFP, etc., Dr. Plinio não diria que JC é seu “alter ego”, nem que é um facho de luz do qual vive a TFP.
Acima JC meio discordou, meio concordou com os elogios de AALM. Agora concorda inteiramente.
Em público afirma que uma vitória do demônio sobre a TFP, sobre a obra do SDP, seria tremenda. Mas uma semana (23/8/97) depois de dizer isto, ele cria a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (cfr. Boletim “Ecos de Fátima”, da “tfp” Espanhola, outubro de 1998) com o objetivo específico de destruir a TFP.
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"Jour-le-jour" 17/8/97, parte II - JC lê e comenta uma CSN do ano 85:
... a minha grande dor é que isso assim, os meus filhos sintam pouco em mim, ou se sentem, não deitam atenção e procuram não ver.
(Às vezes o senhor mostra mais e às vezes menos...)
"Mostra" é menos bom dizer, do que "deixa ver", não é? Não é "fazer ver", mas é "deixar ver". Por exemplo, quando eu convidei vocês dois para estarem aqui presente, é porque eu observei que os que tinham presenciado outros trabalhos, em mais de uma pessoa produz esse efeito, naturalmente eu só posso querer esse efeito, não é que eu estivesse mostrando; e eu sei, eu estou falando por causa do gravador. Não é que eu estivesse mostrando, é uma coisa que se faz ver, mas que supõe condições de alma de querer ver, supõe graças especiais, supõe condições de alma de querer ver, supõe graças especiais, supõe uma série de coisas, supõe no casos concretos dos que estão aqui nessa reunião, graças de pré-bagarre, e são graças que estamos recebendo, são patentemente graças de pré-bagarre, quer dizer, graças para saber contar algum dia, para saber pensar nisso de longe, ainda conto que tenhamos que passar muito tempo separados. (...) Mas, então aí poderem viver dessa e de outras impressões e comunicá-las, mas é mais, é tê-las, é fazer ver em si, é ser assim.
(...)
Quer dizer, graças para saber contar algum dia para saber pensar nisso de longe, ainda conto que tenhamos que passar muito tempo separados. (...) Aí poderem viver dessa e de outras impressões...
"Viver"! Nós precisamos viver da lembrança do Sr. Dr. Plinio! Nós precisamos nos lembrar dele, constantemente, nossa vida é lembrá-lo; nossa vida é recordá-lo; nossa vida é viver em função dele, em função daquilo que nós recebemos. Cada um recebeu na medida necessária para poder viver agora daquilo que foi um reservatório. Vamos ao reservatório, e pôr todas as coisas, de dentro do reservatório, para fora. E viver daquilo!
... comunicá-las...
Contar para os outros: "Olha, houve isto, houve aquilo... Em tal circunstância eu tive um flash... Vem aqui, tem um texto que eu peguei agora e que eu me lembrei; era de um Chá em que eu estava presente. E tem tal coisa assim, assim..."
... mais, é tê-las, é fazer ver em si...
É ter-se identificado tanto com aquilo que viu no Sr. Dr. Plinio, que... Christianus alter Christus; Plinianus alter Plinius. Então, dizer: "Olhe aqui. Meu temperamento é assim: completamente desencontrado, maluco e caprichoso. Mas eu não sei o que se deu comigo, que eu, no convívio com o Sr. Dr. Plinio - foi um dia, foi um ano, foram 10, foram 20, 30, 40... -, eu mudei. (...)
As pessoas precisam ver [os reflexos desse modo de ser do Sr. Dr. Plinio] dentro daquele que conviveu [com ele] (1). Claro que nunca será com o mesmo brilho, porque no Sr. Dr. Plinio era uma plenitude; e em nós é participação. É mais ou menos como um sol visto num espelho.
Depois, diz ele aqui, ainda:
... ver em si, é ser assim.
É procurar ser assim. Aí, o senhor me pergunta dos que não conheceram.
É mais ou menos o que acontece com a Srª Dª Lucilia. Vários dos senhores não a conheceram! Entretanto, há uma graça mística, que nos faz conhecê-la mais do que se nós tivéssemos convivido com ela. Houve gente que conviveu com ela e não tem a graça que possuem alguns enjolras, de ter uma devoção a ela, e de conhecê-la como se tivessem convivido admirativamente com ela. Houve gente que conviveu com ela, sem admiração: não pegou nada. E há gente que não a conheceu, e que entretanto recebem graças extraordinárias. A mesma coisa, com ele.
Mas acontece de curioso isso: a Providência quer que nós, que convivemos com o Sr. Dr. Plinio, sirvamos de elemento para aprofundar essas graças que estão pairando sobre eles, e sirvamos de elemento para que essas graças tomem consolidação na alma deles. De maneira que o pensar, o falar, o viver, o sentir, o ser o Sr. Dr. Plinio é a essência do nosso apostolado, e da nossa vida espiritual. [Aplausos] (2).
Aí está o apostolado perfeito, aí está a vida espiritual perfeita: desde que isto esteja bem fixado, bem no centro.
(Nós vemos que nós também temos que passar pelos sofrimentos que o senhor passou...)
Eu acho também, sem esse sofrimento não vai e pela natureza da nossa vocação, pelo encaixe da nossa vocação, fundador e súditos, a coisa é tal que se isto não é visto em mim, e vivido em união comigo, não tem graças para que a pessoa tenha isso, ou é apreciado em mim, ou pode ler o manual de moral e de teologia que quiser, e ainda temos outra coisa, pode ler a vida de um santo canonizado, que esse gênero de graças não vêm a não ser por intermédio do fundador e a missão nossa, minha e por concomitância a de vocês, é essa de introduzir isso, já agora na Bagarre, como uma dimensão, na Bagarre, é a vida dos profetas. Bem, e depois mais adiante, como o padrão.
Agora uma coisa que eu nunca me animei a dizer, porque a forma de interlocução entre nós não criava ocasião propícia e depois a Bagarre está chegando e é preciso dizer as coisas como são, é o seguinte: eu vejo vocês às vezes num desânimo que diz o seguinte: "Isso... até lá nós nunca chegaremos", acompanhado de uma espécie de certeza que se enuncia assim: "Substância não há em mim para chegar até lá, eu já fiz o inventário meu e aliás, nem é tão difícil de fazer, não leva tanto tempo, eu já compreendi que eu por mim, com os remos que eu tenho, eu não levo este barco até lá, com os braços e os remos que eu tenho, esse barco meu, eu não levo até lá."
Eu respondo assim:
"É verdade por vontade de Deus, mas se aproveitasse as ocasiões que a graça os faz ver-me e detivessem aí os olhos e procurassem ver de fato, criava-se, punha-se a ponte necessária para isto, por cima do abismo, porque é por essa forma de comunicação que se estabelece isto. E esta forma de comunicação realmente não se estabelecerá de outra maneira (3). Quer dizer, essa impressão de desânimo, enquanto revelando como é que é cada um, ela é falsa, o que é que ela tem de falsa? Ela é até muito verdadeira. O que é que ela tem de falso? É que a pessoa não vê o remédio, porque não quer ver, não quer fixar os olhos em quem, sendo fundador, comunica esta graça e aí vem (4).
[Eu me lembro que o fundador dos sacramentinos], São Pedro Julião Eymard, dizia ao súditos dele:
"Aproveitem enquanto eu estou vivo para me perguntarem as coisas, porque depois vocês nunca mais terão quem explicará, porque a graça do fundador é uma graça única."
(...) vamos dizer que [S. Pedro Julião Eymart] estivesse dando uma instrução nos filhos dele num salão do convento deles, dando para... [inaudível] ...Paris, um fato comum da vida religiosa. Bem, e quando ele estivesse no mais importante, no mais conclusivo, no mais impressionante do que ele dissesse, viessem anunciar que estava passando sob a janela dele Napoleão III, por exemplo. Olha! Napoleão III, um charlatão. Bem, e que, um sacramentino dissesse: "Eu vou prestar atenção nas aclamações, ou nas vaias, vou prestar atenção no Napoleão III admirativamente, é um homem importante que está passando, mas eu não vou deixar de prestar atenção no que está dizendo o meu superior, vou dividir a minha atenção..."
Nesse momento o superior sumia de dentro da cabeça dele, porque não é divisível (5).
Se a gente quer dividir esse gênero de atenção o lado bom se evola, o que é compreensível (6).
Então, senhores, o que ele está pregando aqui, é de que nós devemos ter em relação a ele uma admiração única. (...) nós temos, às vezes, atração por outras coisas, e a atração por outras coisas nos leva a diminuir a admiração que nós temos por Meu Senhor. Então, eu quereria receber essa graça: de não admirar mais nada; admirar só a Meu Senhor. (...) Mas os senhores estão vendo que o Sr. Dr. Plinio prega aqui isso: nós devemos ter, para com o Fundador, uma admiração única; o resto, é resto!
Comentários
Esses dois colchetes são do texto difundido pelos joaninos. Não são nossos.
Mas uma das metas do apostolado de JC, desde a década de 70 até o dia da morte de Dr. Plinio, consistiu em inculcar em muitas cabeças a seguinte idéia: é fora da pista, é mau, é intrinsecamente perverso ver nos membros do Grupo que mais conviveram com Dr. Plinio, qualquer respingo de virtude, e sobretudo reflexos de Dr. Plinio. Hoje o “leit motiv” do apostolado de JC consiste em inculcar a tese diametralmente contrária, mas não em relação a esses mesmos membros do Grupo. Suas bases espalham escancaradamente que JC é santo, que só ele tem graças para falar de Dr. Plinio, e que só ele o reflete --não apenas num ponto, mas na totalidade.
Portanto, é errado pensar que a união dos membros do Grupo com Dr. Plinio estabelecer-se-á através da união com JC.
O remédio consiste em fixar os olhos, não em algum mediador, mas no Fundador.
A atenção admirativa que um membro do Grupo deve ter em relação a Dr. Plinio não é divisível.
Os joaninos acham que, se a gente dividir a atenção admirativa entre a pessoa de Dr. Plinio e a pessoa de JC, a admiração por Dr. Plinio, longe de evolar-se, se requinta. Tanto assim que os mais “fervorosos” deles pedem, imploram, suplicam a JC serem seus escravos.
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"Jour-le-jour" 22/8/97 - JC lê e comenta uma CSN, na qual Dr. Plinio descreve como é que na sua alma os pensamentos se sucedem uns aos outros, até atingirem um “belvedere”.
Terminada a leitura, houve calorosos aplausos --indicativos de que os joaninos entenderam perfeitamente as palavras de Dr. Plinio . Mas imediatamente depois dos aplausos, um deles fez o seguinte pedido a JC:
(O Sr. Dr. Plinio explica no texto que nós lemos como ele construiu o belvedere para ele. O senhor poderia explicar - pelo menos para os mais novos - um pouco como é que o senhor construiu o belvedere para ver a alma do Sr. Dr. Plinio?)
Quer dizer, o que Dr. Plinio descreveu a respeito de sua alma foi insuficiente para o joanino. Por isso recorre a JC: ele sabe coisas da alma de Dr. Plinio que o próprio Dr. Plinio não disse ou não chega a perceber ...
Em outros termos, a “plinicidade” é descrita com maior profundidade por JC do que por Dr. Plinio ...
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Reunião na Saúde, 18/3/97:
(Denilson Palazin: No JxJ de domingo, o senhor leu um texto do Sr. Dr. Plinio onde ele mostrava nossa inteira dependência dele, e da necessidade de nós estarmos sempre pensando nele, sempre amando a ele. Às tantas ele descreveu um pouco o processo da admiração e do amor dele a Deus. Ele dizia que naquele processo vinha às tantas um pensamento, uma explicitação. Ele amava aquela explicitação, e se entregava àquela explicitação que tinha. E ele disse que junto com esse pensamento, com essa explicitação, também vinha um desejo de luta, para manter a entrega dele a essa explicitação. [...] Eu pergunto como é a aplicação disso ao caso dos discípulos dele. O senhor poderia ilustrar um pouco como foi isso na alma do senhor? Fica mais fácil de entender.)
A pergunta é uma amostra muito boa da perda do “lumen rationis”. O moço começa falando de “nossa inteira dependência” a Dr. Plinio, e da “necessidade de nós estarmos sempre pensando nele, sempre amando a ele”. Mas no final afirma implicitamente que:
a) também depende de JC --porque o processo da admiração descrito por Dr. Plinio ficaria “mais fácil de entender” se JC falasse “como foi isso na alma” de JC;
b) também necessita estar pensando na alma de JC.
Na Itália, na reunião do 2 de fevereiro de 1996, respondendo uma pergunta sobre como fica a fundação do Reino de Maria, uma vez que o SDP foi para o Céu, JC disse:
[O SDP] tem inúmeros ditos que nós fomos colecionando --e temos já um verdadeiro apostilaço-- a respeito de como deveriam ser conduzidas as coisas após a morte dele. (...)
Portanto, para os membros da TFP podermos tocar as coisas daqui até o Reino de Maria, além de apelar para a mística --conforme JC aconselha--, precisamos recorrer ao velhaco, o qual consultará essa apostila e dará as diretrizes ...
Aliás, essa compilação, JC e seus discípulos a foram elaborando a partir de quando? Desde antes da morte do SDP, em previsão da morte do SDP? E a redigiram com intuitos exclusivamente especulativos ou também visando exercer o mando?
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Conversa em Roma, 21/9/96 - Na época em que os joaninos faziam pesquisas para o “torreão dos fundadores” --década de ‘80--, JC mandou selecionar eximiamente fichas a respeito da situação da fundação após a morte do fundador:
(...) na seleção das fichas para o torreão dos fundadores, nós, com um cuidado exímio, pusemos de lado todas as fichas que falavam da situação da fundação após a morte do fundador.
(Mikel: Na época?)
Sim, claro. Então fizemos uma pesquisa insana, tiramos todas as fichas que interessam a respeito do fundador enquanto ele está vivo, e todas as outras fichas que dizem respeito da continuação da obra após a morte do fundador nós deixamos de lado.
(Baccelli: E deve ter coisas extraordinárias.)
Não, coisas fantásticas, coisas fantásticas.
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Entre as providências que JC foi tomando pouco depois do falecimento do SDP, figura uma consulta a um “tio” --isto é, a um dos padres espanhóis amigos dele-- a respeito de como fica o voto de obediência na TFP.
Evidentemente, a consulta não era por mera curiosidade especulativa, mas tinha intuitos “pastorais”: os votos cessam? ou continuam em vigor, mas obedecendo a outra pessoa, que faz as vezes de Dr. Plinio?
Na reunião para a Saúde, 10/10/95, encontra-se o seguinte trecho, meio ex-abrupto, (por coincidência nesse preciso momento a fita da gravação virou de lado ...):
... o [voto] de castidade, sem alteração. O problema é o da obediência. Então eu estive conversando com um tio que tenho, famoso, para ver como resolver a questão. Ele ficou de estudar nesta semana, na semana que vem eu vou telefonar para ele, para tratar do assunto novamente.
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Reunião na Saúde, 23/4/96 - Em vida de Dr. Plinio, JC já foi tomando seu lugar, por exemplo no que diz respeito a imposição de hábitos:
Eu tinha ido com o Sr. Dr. Plinio no oculista junto com Dr. Edwaldo. Eu sabia perfeitamente como as vistas dele estavam ruins e eu estava vendo o momento em que ele não ia poder mais realizar cerimônias com os senhores.
Estando doente nos Estados Unidos (1) me ocorreu de arrumar uma desculpa (2) de que nem todos ali nos Estados Unidos podiam viajar para São Paulo para receber o hábito, e de promover uma cerimônia de recepção de hábito nos Estados Unidos, se o Sr. Dr. Plinio julgasse conveniente, sem que ele, Sr. Dr. Plinio, estivesse presente. Porque eu estava vendo que daqui a pouco o Sr. Dr. Plinio não ia enxergar mais.
Como é que ia impor hábito nas pessoas, ia fazer cerimônia (3)? Não ia ser fácil. Criando a cerimônia assim nós não deixávamos a instituição dos êremos e da imposição de hábitos morrerem.
Liguei para o Sr. Dr. Plinio, lhe expus a questão toda, disse:
-- Aqui há uma série de pessoas que não podem ir a São Paulo. O que é que o senhor acha?
-- Ah, eu não quero outra coisa! (4)
De fato, o senhor vê, quando a Igreja cresceu tanto não era possível mais o próprio Papa estar ordenando sacerdote do mundo inteiro. Então os sacerdotes passaram a ser ordenados pelos bispos.
Isto entrou em duas cerimônias que nós fizemos nos Estados Unidos, numa diferença de quinze dias foram feitas duas cerimônias com uma bênção monumental. Havia mais bênção nas cerimônias lá do que nas cerimônias que nós fazíamos aqui, por incrível que pareça (5). [Exclamações]
É verdade. O vídeo que os senhores assistiram, os senhores confirmaram pelo vídeo isso.
Isto significou uma vontade da Providência. Não foi um outorgar, foi algo que se fez assim muito organicamente para que... Quem serviu de base para a imposição dos hábitos foi o Sr. Mário Navarro e fui eu, nos Estados Unidos. Mas isto ficou, se estabeleceu o costume, de tal forma que isso não perdeu a continuidade e vários dos senhores depois puderam receber o hábito. E eu pergunto se tenho razão ou não tenho razão: que os senhores recebem o hábito e têm toda a sensação de que estão recebendo o hábito das mãos dele. [Exclamações]
Isto foi o que se deu ontem à noite.
Comentários:
Foi na época em que JC passou por aquela prova de distanciamento e de dureza em relação a Dr. Plinio, entre janeiro e agosto de 1995?
“Me ocorreu arranjar uma desculpa”? JC quis enganar a Dr. Plinio.
JC afirma o seguinte: se daqui ha pouco Dr. Plinio vai ficar cego, Dr. Plinio não terá condições para impor hábitos; portanto é razoável que eu o substitua nessa matéria.
Só nessa matéria?
Note-se que, pelo menos em duas ocasiões, JC sustentou que, apesar das carências visuais de Dr. Plinio, seu discernimento dos espíritos remediava inteiramente esse problema:
a) Reunião de 21/4/96 para CCEE:
Mas em 1992, creio, 1991, 1992, [Dr. Plinio] estando em Amparo teve um resfriado muito forte e ficou com as vistas um pouco cansadas, um pouco avariadas, e se queixou com Dr. Edwaldo, comigo, que precisava ir para um oculista para ver se ajustava os óculos porque as lentes não estavam boas, que ele não estava conseguindo ler direito.
Então Dr. Edwaldo e eu o acompanhamos a um bom oculista aqui em São Paulo, o oculista fez uma análise minuciosa, nos chamou de lado e disse:-- Olhe, ele caminha para a cegueira, porque na vista direita ele tem uma trombose na retina.
E na vista esquerda ele deu... infelizmente me escapa agora, Dr. Edwaldo se estivesse aqui me ajudaria a lembrar com precisão o defeito que ele tinha na vista esquerda.
Mas ele não enxergava quase nada, ele não conseguia ler, um texto comum ele não via, era preciso umas letras enormes, assim mesmo para colocar à distância para ele poder ver e com muita dificuldade. Normalmente as pessoas que se aproximavam ele não distinguia a fisionomia.
Eu comecei a me preocupar: "Meu Deus do Céu, se caminha para a cegueira, Nossa Senhora não vai permitir isso, Nossa Senhora tem que fazer um milagre. Como é que vai ser? Como é que não vai ser? O que é que vai acontecer? O que é que não vai acontecer?".
Comecei a preparar inclusive até os próprios enjolras da Saúde lançando uma afirmação que foi assim ousada, vinda do fundo da minha fé:
-- Vamos imaginar uma desgraça das desgraças: o Sr. Dr. Plinio vir a ficar cego. Nós não deveríamos nos perturbar, porque se ele ficasse cego, ele continuaria vendo sob o ponto de vista sobrenatural com mais intensidade do que ele vê sob o ponto de vista natural. [Aplausos]
Eu acho que a partir desse momento em que nós passamos pelo oculista e que constatamos esse defeito nas vistas dele, tanto na esquerda, quanto na direita, ele foi um homem que viu através do milagre, porque ele via! Ele via tanto, que puseram uma foto pequena da Sra. Da. Lucilia que ele conhecia ainda, era uma foto nova que o Sr. Horacio Black tinha encontrado não sei onde, puseram nas mãos dele uma foto pequena da Sra. Da. Lucilia numa CSN e ele começou a descrever as jóias com as quais a Sra. Da. Lucilia estava adornada. Descrevia a fisionomia, o modo de ser dela, etc. Como ele via? Não sei.
Às vezes vinham umas fotografiazinhas, dessas que a pessoa consegue em situações as mais difíceis, de um enjolrinhas de não se de onde que mandavam por carta e apresentavam a ele para análise. Ele tomava aquela fotografiazinha pequenininha e fazia uma descrição a respeito da alma da pessoa de impressionar.
Isto significava que havia uma vista que estava muito além da natureza dele, que era uma vista sobrenatural. Ele, portanto, era um homem que tinha uma penetração nas almas colossal.
b) MNF 7/10/93, intervenção de JC:
O senhor está com um problema de catarata que é leve até. Mas já ouvi gente, já me chegaram aos ouvidos de que com esse fato o senhor não distingue bem as cores de modo que não é preciso fazer consultas ao senhor, porque o senhor não vai dar a orientação verdadeira. E eu tenho dito o seguinte, que (...) se o senhor ficasse cego por algum desastre qualquer, e o senhor entrasse nessa sala e dissesse: "Mas quem é que pintou essa sala de dourado? E que bonito aquele vermelho que está ali!", eu passaria a ver a sala dourada e vermelho ali. Por quê? Porque eu vejo que o senhor com catarata enxerga mais do que qualquer um de nós sem catarata. O senhor bate os olhos e vê a alma. O senhor bate os olhos numa certa casa e é capaz de distinguir que ali foi cometido algum pecado ou não foi, que tipo de crime, de absurdo foi praticado ali, etc. O senhor passa diante de uma igreja e tem sensibilidade eucarística para dizer se o Santíssimo Sacramento está presente ou não está presente e vai daí para fora. [...] quer dizer, o senhor tem um discernimento dos espíritos que está além da catarata, além do que um miserável outro possa pensar ou não possa pensar. O senhor vê muito mais do que qualquer um de nós, porque qual de nós batendo os olhos em alguém vê alma? Então, eu acho que se Providência quiser que nós passemos por uma situação como foi o desastre por exemplo, eu acho que a gente tem que ter a fé que a gente sempre teve e redobrada ainda.
Por um lado, JC afirma confiar absolutamente no discernimento dos espíritos de Dr. Plinio, mesmo que este ficasse cego. E por outro lado, preside cerimônias de imposição de hábito nos EEUU argumentando que Dr. Plinio em breve não conseguirá mais ver ...
Segundo depoimento verbal do Sr. Paulo Campos, quando no “despachinho” foi apresentada essa “consulta” de JC a Dr. Plinio, Dr. Plinio não gostou da idéia e manifestou muita pena por esses rapazes.
Nas imposições de hábito, presididas por JC, havia mais benção, do que nas presididas por Dr. Plinio ...
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Ainda o SDP não tinha falecido, e JC já começa a ser visto e tratado como o sucessor - Relato “estritamente confidencial”, 13/9/95, da “conversa com o Sr. João” no automóvel, de volta ao São Bento, depois da reunião na Saúde. O relato é de autoria dos eremitas Humberto Goedart e Alexandre Tavares:
Saindo da sede Nossa Senhora da Saúde, havia tanta gente fazendo pedidos ao Sr. João que o automóvel só deixou de ter gente acompanhando do lado de fora depois de uns 30 metros da sede.No carro estavam com o Sr. João o Sr. Boldrini, Sr. Humberto e Sr. Alexandre.
Primeiro elogiaram os dois volumes que entregaram ao Sr. João no fim da reunião, contendo uma compilação de todas as conversas na Saúde. Quando entregaram ao Sr. João, ele nem olhou, e disse que tinha o gosto de deixar de presente para a biblioteca da Saúde. Pediram então que ele visse a primeira página. Havia uma foto do Sr. Dr. Plinio de hábito, com uma frase mais ou menos assim: O Moisés da Lei da Graça, visto pelo seu dileto filho e fiel discípulo, João Clá. Ao ver esta foto, o Sr. João disse que queria levar antes para correr os olhos, e depois devolveria.
Contou no carro que ele trouxe porque se os irmãos X virem isso, dá uma complicação daquelas.
Depois comentou o entusiasmo dos "bem-te-vis" norte-americanos que estavam na reunião: disse que têm muito fogo, e nem parecem saxões.
(...) Dissemos ao Sr. João que achávamos impressionante o que ele havia dito na Saúde: que estando o Sr. Dr. Plinio neste estado, toda a responsabilidade pela Igreja, que ele levava sobre si, caía agora sobre os ombros de cada um de nós. Mas acrescentamos que nós não sentíamos o peso dessa responsabilidade, e que, na realidade era sobre os ombros dele que tudo caía principalmente, que todas as consultas que eram feitas ao Sr. Dr. Plinio passam a ser feitas a ele, etc.
Ele disse que não era assim, que cada um de nós ficou com uma parte da responsabilidade que o Sr. Dr. Plinio tinha quando não estava no estado de subconsciência. (...)
Dissemos então que agora tudo está nas mãos dele, Sr. João; que essas reuniões que ele está fazendo, esse entusiasmo com que ele nos contagia é indispensável para a vida do Grupo na atual conjetura; que se ele desanimasse, tudo cairia água abaixo; que não é só para as consultas que os bons recorrem a ele, mas o tomam como um parâmetro, um termômetro de como vai o bem e a virtude.
Ele concordou, mas apontando também a nossa responsabilidade.
Perguntaram-lhe então porque ele tinha feito ao Sr. Dr. Plinio, no jantar, o pedido de receber duas vezes o espírito dele, e também autorização para receber novos escravos na Sempre Viva, caso ele desapareça. Queríamos saber se ele tivera algum pressentimento nessa linha.
Ele disse que acha a atual situação muito misteriosa, e que algo de grandioso está para acontecer. Todos dizem que ele está melhorando, mas eu não vejo isso.
E levantou a hipótese de, em certo momento, o Sr. Dr. Plinio desaparecer: entram no quarto e não o encontram. Ninguém sabe para onde ele foi, e todos ficamos sem o Sr. Dr. Plinio durante não se sabe quanto tempo. Foi por isso que ele fez os pedidos.
Os insuspeitos relatores procedem em relação a JC tal e qual procediam, outrora, os membros do Grupo que acompanhavam ao SDP no automóvel. Reconhecem que seu líder, no período em que o SDP agonizava, espalhava no Grupo um estado de espírito de entusiasmo.
Chama a atenção o cabeçalho desse texto: “estritamente confidencial”. Por que só alguns podiam ter conhecimento disso?
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Para Ramón León e para seus congêneres, após o 3 de outubro de 1995, a máxima autoridade na família de almas TFP já não é Dr. Plinio; foi substituído por JC:
Ao longo de todo [o] crescimento orgânico dentro da família de almas [TFP], estabeleceu-se uma hierarquia de mando moral e de influências consuetudinárias (1), inteiramente consolidadas, chamadas por vocação a conduzir ou orientar os diversos corpos morais (2) que foram constituindo-se sob o olhar do Fundador. O máximo detentor da autoridade na família de almas, foi o Sr. Dr. Plinio durante a sua vida (3), por ser o Fundador e por sua missão providencial inteiramente excepcional. Cada membro do grupo estabelecia com ele um vínculo pessoal, pelo mero fato de ser Fundador, pondo-se sob sua proteção e respeitando sua autoridade. O mesmo, guardadas as proporções, se dava com algumas autoridades interpostas entre o Sr. Dr. Plinio e os membros da família de almas (4), por indicação do Fundador (5) e com o consentimento dos respectivos dirigidos (6).
Essas autoridades intermediárias da família de almas têm uma importância às vezes fundamental para a continuação da obra do Sr. Dr. Plinio, como ele mesmo reconheceu (7). Estão elas fundadas sobre a autoridade fundacional dele e o consenso tácito ou expresso dos membros do grupo (8). E mesmo depois de ter falecido nosso Pai e Fundador, essas autoridades morais devem gozar do mando, do prestígio, da honra e da legítima liberdade apostólica necessária para o exercício de seu mandato (9). Sobretudo, tendo em consideração que ele não deixou ninguém que lhe sucedesse na máxima liderança da família de almas (10).
Criava-se assim uma espécie de relação contratual e privada entre os súditos e as autoridades morais livremente aceitas, baseada em razões de foro íntimo, tais como o comum grau e a escola de aspiração à perfeição (11), em função da união com o Fundador e aprovada por este. Nela não poderiam interferir, arbitrariamente, terceiros alheios ao corpo moral assim constituído.
Como poderiam, por exemplo, os detentores dos cargos estatutários querer extrapolar dos limites de suas prerrogativas específicas para intervir nesse relacionamento privado entre os membros da TFP e suas autoridades respectivas, na família de almas? (12).
Segundo o direito natural e a doutrina católica, o estabelecimento deste gênero de autoridades em uma livre associação de fiéis de caráter particular e sem reconhecimento canônico (uma "Consociatio privata") é uma decisão que diz respeito ao foro interno das consciências, às aspirações pessoais à perfeição e às moções internas da graça (13), e não pode deixar de contemplar, de um ou de outro modo, a anuência do próprios dirigidos.
(Cfr. "Quia nominor provectus", p.185)
Comentários:
Ramón León enquanto porta-voz dos sediciosos sustenta que, por trás da estrutura jurídica da TFP, existe uma estrutura paralela, que eles denominam “consuetudinária”, no cume da qual se encontra JC.
Em termos mais claros: JC tem a vocação de “conduzir ou orientar” a “família de almas TFP”. É portanto o profeta da TFP.
Dr. Plinio cessou de ser a máxima autoridade da “família de almas TFP”. Foi substituído pelo enganador.
Os vínculos pessoais que os membros do Grupo tinham (e tem) com Dr. Plinio são: a Sagrada Escravidão, a alienação, o assumir tipo-arquétipo, a união de pai espiritual a filho espiritual. É assim que os joanistas estão vinculados a JC.
A frase “guardadas as proporções” não corresponde à realidade; é usada por Ramón León para não “sopletear” as bases menos podres. Basta compulsar este capítulo, bem como os capítulos 10 (“Maçonismo”) , 9 (“Fascínio”) e 14 (“Pentecostalismo”), para perceber que os vínculos dos joaninos com o “Duce” são totalmente desproporcionados.
Não acreditamos que Dr. Plinio tenha aconselhado ninguém a tornar-se escravo de JC. Possuímos depoimentos em sentido contrário, por exemplo do Dr. Mário Navarro, o qual na década de ’80 pediu permissão a Dr. Plinio para fazer um voto de obediência a JC, e Dr. Plinio o desaconselhou.
Quanto ao consentimento dos que se consagraram a JC como escravos, não opinamos nada. É problema deles. Apenas registramos que eles não tem direito para pressionar ninguém a embarcar nessa “via espiritual”.
“Às vezes”? Os joaninos procedem --e até mesmo sustentam-- como se JC fosse, não apenas peça absolutamente fundamental para a sobrevivência e progresso da TFP, mas como se valesse mais do que a instituição TFP.
Mentira: não há consenso na TFP em torno da pessoa de JC. E os que aderiram à sua seita, não merecem ser considerados membros do Grupo.
Os joaninos afirmam que seu senhor, além de ser a “máxima autoridade” “orgânica” da “família de almas TFP”, também deve ter o mando estatutário da TFP.
Mas vários joaninos --por exemplo Andreas Meran-- sustentam abertamente que Dr. Plinio deixou a JC como sucessor.
Mais uma vez reconhecem a vinculação pessoal com JC.
Idem.
A decisão de vincular-se pessoalmente a JC depende de 3 fatores. Quanto ao foro interno, não opinamos nada. Quanto às “aspirações de perfeição”, conviria saber o que entendem como tal, porque nas sociedades secretas a iniciação também é apresentada como “aspiração à perfeição”. Quanto às “moções internas”, é preciso considerar que freqüentemente elas não provêm da graça mas do demônio.
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Grafonema de Bernardo Glovacki ao Sr. Gonzalo Guimarãens, 3/3/96:
[O setor de grafonemas] só distribui avisos, comunicados, etc., que envolvem o nome do Grupo, com autorização expressa do Senhor João Clá , autoridade investida oficialmente pelo Conselho Nacional da TFP. (...) O Grupo é anti-igualitário por natureza e, por isto, monárquico e deve ter uma cabeça visível.
*
No despacho de 24/4/96, pessoas como José Cyro, Caio Newton, David Francisco e Orlando Kimura, deram um jornal falado sobre o mailing de Fátima: marcha da campanha, as repercussões, a maquininha, etc.
JC presidia o batebola a respeito de como aproveitar isso, e ia dando diretrizes: o que nós devemos fazer é tal coisa, etc.
A certa altura da reunião, Caio Newton leu para ele uma lista de membros do Grupo, perguntando a JC se poderiam trabalhar nesse apostolado –que mais tarde veio a dar nas apresentações de Fátima. JC respondia: “ah, sei quem é, é ótimo”, “esse não faz nada, não faz nada nada”, “sim, é útil”, “podia ser”, “ele não faz nada, está quebrado, uma veio se queixar, dizer que não agüentava porque não sei quanto”, “’difícil que saia do êremo”, etc.
Mais adiante, Orlando Kimura mostrou a JC as fotografias da casa que os êremos itinerantes tem em Guarulhos, para que a comentasse, tal e qual fosse o próprio Dr. Plinio.
*
Conversa de JC com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/4/96 - É um demente quem afirma que a TFP, depois da morte de Dr. Plinio, não tem um líder que claramente recebeu a missão de dirigir os outros:
Ontem me telefona (...) o primo do Wellington, o Sr. Marco Antônio Machado. Então ele me lê uma longa carta do José Lúcio de Bruxelas, para ele, de 27/2/96. O trecho principal da carta que o espantou é este (...) :
(José Lúcio: Minha interpretação da morte do Sr. Dr. Plinio é um pouco diferente da de vários membros mais novos do Grupo. Mas sei que vários membros mais velhos pensam o mesmo).
Então ele vai dar agora a opinião dele. A opinião dele é:
(José Lúcio: Afinal, morte é morte, e tem o aspecto trágico de ausência para sempre, de vago, que o desaparecido deixa. E no caso dele, tendo sido ele o profeta de Nossa Senhora para nossa época, seu desaparecimento deixa um buraco enorme que ninguém está em condições de preencher).
Isso não é novidade. Agora vem a novidade. A novidade é esta:
(José Lúcio: A prova é que já começaram a aparecer várias facções e divisões internas, ainda um tanto disfarçadas, mas que logo -- se Nossa Senhora não intervir -- deverão sair à luz do dia. O problema é que o Grupo não tem um líder que claramente tenha recebido a missão de dirigir a todos).
Como não tem um líder? Demente!
JC se refere, não aos Provectos --cuja autoridade precisamente nesses dias estava contestando no calhamaço “Juízo Temerário”--, mas a ele próprio! Sim, pois ele propaga que sua missão é liderar aos membros do Grupo, conforme consta nos seguintes três documentos:
a) No "jour-le-jour" 5/11/96, JC comenta as anotações do Sr. Nelson Fragelli do que Dr. Plinio disse na CSN de 1/2/75, véspera do desastre. O trecho que abaixo transcrevemos é precedido pelo seguinte epígrafe posto pelos datilógrafos joaninos: “Fazendo jus à sua missão, o Sr. João aponta para o perigo que nosso Pai e Fundador alertou para o seu "post mortem": Fazer coisas agradáveis e por a vocação à margem”
[Anotações do Sr. NF]: A morte de seu senhor poderia, para os bons, dar no Grand-Retour. Talvez pelo vácuo se visse melhor quem é seu senhor. (...)
Poderia também dar no pior horror. O mundanismo poderia começar com minha irmã, no enterro. Querer se pôr nas rodas dela, ou então ser sucessor, e quase não haver oração diante do cadáver.
Farei tais coisas de agradável que são... e a vocação à margem.
JC: Perigo! Eu toco o sino para que a consciência dos senhores se acenda, e se acenda para o seguinte ponto: "Eu vou fazer tais coisas que são agradáveis e a minha vocação vai ficar à margem".
Esse é o risco do momento. Cada um meter o nariz na sua função, cada um pôr-se direto nos seus afazeres, ou na sua vida, ou nas suas ocupações, e esquecer de que eu tenho que caminhar rumo a um modelo. Esse modelo é Luís Plinio Elias do Sapiencial e Imaculado Coração de Maria e de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, não é outro.
Se eu esquecer isso, eu estou fora da pista. Eu posso correr e bater todos os recordes, mas eu estarei fora da pista, porque a minha pista é ele, ele é o meu modelo. A minha via é ele, meus pensamentos têm que ser os pensamentos dele.
Desculpem-me, eu estou tratando de assuntos que são banais para os senhores. Mas é minha vocação, é minha missão, eu sou obrigado a fazer isso. Se eu não fizer isso, eu peco contra minha missão. Portanto, me vejo na contingência de cumprir com aquilo que a Providência me põe sobre os ombros.
Alguém diria:
-- Que cruz.
Eu diria:
-- Não. Que luz, porque é uma honra. [Aplausos]
É um ônus -- os senhores verão daqui a pouco que é um ônus --, é uma cruz, mas é uma cruz que conduz à luz.
b) Reunião na Saúde, 8/10/96:
Os senhores sabem o que é uma graça de estado? Por exemplo, um confessor tem que ouvir cada barbaridade no confessionário que é de arrepiar. (...) Curioso é que ele ouve sem que tenha a menor tentação. Não é tentado. (...)
Um médico, às vezes, tem que fazer operações e tudo mais, há situações as mais desagradáveis possíveis. Esse médico é assistido por uma graça de estado e não passa pelas tentações que um outro que não é médico e que fosse estar naquele ambiente, teria tentações.
Então existe uma graça que é chamada graça de estado, que protege a pessoa para a função que Deus exige que ela exerça.
Existe a graça de estado do apóstolo. (...) Então quem vai fazer apostolado, vai fazer uma abordagem na rua ou coisa que o valha tem uma graça de estado especial para saber quem aborda e quem não aborda. (...)
Então é preciso nós sermos assistido por graças especiais na hora em que a gente faz abordagem, na hora em que a gente vai fazer a fixação, na hora em que a gente vai dar a formação para o rapaz, etc. Tudo isso são graças de estado especiais para que a gente seja atraente, para que a gente seja convincente, para que a gente arrebate a pessoa, para que a gente faça com que os apostolandos se encantem e vão para adiante. Tudo isso são graças de estado de apóstolo.
Ora, acontece que de alguma maneira eu sou obrigado a fazer apostolado com os senhores, e por incrível que pareça, tenho uma graça de estado para fazer apostolado com os senhores. É a coisa mais simples do mundo. É uma graça.
Então, o que é que se deu com o 3 de outubro? Deu-se com o 3 de outubro que, tendo tido conhecimento de que o Senhor Doutor Plinio estava com uma doença que o levaria a morte, como de fato o levou, não houve um trauma a ponto de eu me desesperar e a ponto de eu perder a confiança, a ponto de eu desanimar, dizer: "Bom, agora não dá para fazer mais nada! Sem ele por onde é que a gente caminha?" Não houve isso.
Pelo contrário, houve uma graça no sentido oposto. Pensava: "é preciso agora animar esta gente, para que esta gente não perca o fôlego e dê de agora em diante mais do que dava antes".
O que houve no desastre nem de longe foi o que houve durante o falecimento dele.
O que houve no desastre? Houve um encanto, flashs e mais flashs a respeito dos fatinhos diários que se passavam com ele, houve um encanto crescente, um conhecimento mais profundo da alma dele, e que levou de fato, como alguém dizia, levou a que nós fizéssemos mais apostolado a respeito dele. E eram graças compradas por ele.
Agora, as graças que ele comprou com a morte são muito maiores, nem comparação. Mas aí já não mais tanto para nós comentarmos os episódios que se passavam no hospital, mas eram graças no sentido de nós compreendermos que a missão dele não está truncada, que há um mistério no qual nós devemos crer e que a missão dele vai se completar, e que a morte é um episódio dentro da missão.
Ele conquista o Grand-Retour, ele conquista e produzirá a Bagarre, ele conquista e fundará o Reino de Maria.
Isto é uma graça que foi dada de forma diluída a todos, mas foi dada de forma mais firme para aqueles que tem obrigação de fazer apostolado com outros. Porque esses são obrigados a pegar os outros que estão com a graça meio diluída, segurar firme e fazer com que a graça vire concreto armado.
A graça pôs na alma dos senhores cimento de um lado, areia de outro lado e água de outro.
Chega o apóstolo, pega o cimento, areia e água, mistura e forma uma laje. Aquilo fica como uma rocha firme dentro da alma. Por quê?
Porque ele já recebeu a graça do bloco de pedra já coeso. Não veio areia com cimento nem água assim separado, mas veio tudo junto, já pronto. Então ele chega e diz: pá! pá! pá! pá!
É a diferença que vai entre o desastre e a morte dele.
Está claro?
(Erick Marshel: O senhor poderia aprofundar um pouco mais nessa graça que o senhor recebeu?)
Mas, não vamos fazer um “Jour le Jour” sobre mim aqui senhor! Não é possível! A graça que eu recebi...? Bom, está bom. Eu vou dar um jeito de falar do Senhor Doutor Plinio. [Risos]. Como é? A graça que eu recebi? Qual?
(Erick Marshel: Essa última aí que o senhor recebeu. O senhor recebeu uma quantidade maior para o senhor fazer....)
Quer dizer, não é quantidade maior não. É o estado, estado. "Quantidade maior", é capaz dos senhores receberem mais do que eu. Veja lá!
É o estado do cimento, da areia e da água. Os senhores receberam isso separado, eu já recebi isso tudo junto, já num bloco coeso.
Agora, é preciso que os que venham recebam mais do que eu, porque senão a obra vai se extinguindo. Os que vierem no futuro vão ter de receber mais do que eu. Oh! [Risos]
(Denilson Palazin: Essa foi puxada, Sr. João.)
Eu rezo nesse sentido. Tem que ser. Porque se forem para receber menos, então está tudo perdido. Cada nova geração tem que receber mais. (...)
( Erick: !!!)
Então, não se assuste, não. Os senhores têm que receber mais do que eu! [Risos] Os senhores ficam assustados assim: "bom, então quer dizer que vai ser cobrado mais de mim do que do senhor?!"
Claro! Para quem mais recebe, mais cobrança. Não tem conversa. Vão receber mais e vão ser mais cobrados. Os senhores estão no começo da vida, eu já estou divisando o túmulo lá na frente.
(Que horror! que horror!)
Que horror nada! [Risos]
O que pensar da veracidade de alguém que, ao enunciar uma tese, ri?
O que pensar da mentalidade desses moços, que por um lado se assustam diante da perspectiva de receberem maiores graças do que JC, qualificam de “puxada” essa tese; e por outro lado, quando ouvem convites para se santificarem e serem, cada um, “alter Plinios”, não se assustam, nem consideram aquilo puxado, mas pelo contrário, manifestam entusiasmo? Quer dizer, na mente deles --formada por JC-- , JC ocupa um escalão mais alto que Dr. Plinio.
c) Reunião na Saúde, 18/6/96:
( Paulo Eduardo: Queria perguntar ao senhor, no meio disso tudo que o senhor foi explicitando no Sr. Dr. Plinio, como é que entrou no senhor a vocação que o senhor tem no Grupo, que é, ao mesmo tempo, de mostrar o Sr. Dr. Plinio ao Grupo e conduzir especialmente os enjolras?)
Quando é que eu me dei conta disso?
(Paulo Eduardo: É.)
Eu vou lhe dizer (...)
*
Reunião para CCEE, 15/6/96 - Os CCEE perguntam a JC: “o que o senhor espera de nós?”, e ele responde. Lhe pedem uma diretriz, e ele dá:
(Aparte: E hoje como está o Sr. João Clá de saúde, em relação aos correspondentes nestes contatos mais rotineiros e conhecendo mais de perto cada um, como o senhor se sente e o que espera de nós?)
Bem, eu graças a Deus me encontro bem. (...)
No contato com os correspondentes, que eu não tinha, (...) eu vejo aquilo que foi dito no simpósio pelo Sr. Dr. Plinio na semana retrasada: é que existe uma possibilidade imensa de apostolado, mas imensa.Mas eu noto o seguinte: é que as pessoas pelo fato de terem girado muito tempo em torno de si mesmas, conhecendo sempre as mesmas pessoas, eu noto que as pessoas estão com o mito de que é muito difícil crescer.
Eu notei isso já no próprio simpósio: muito entusiasmo, muito entusiasmo, muito aplauso, muito aplauso, muito entusiasmo, mas no fundo dizendo: "Não, os outros são capazes de fazer algum movimento, mas eu não consigo".
Então cada um saiu com a idéia de que os outros iam fazer, mas ele não, porque isto é uma coisa que é muito mais fácil para o outro, porque o outro é mais comunicativo, o outro tem tal dom que eu não tenho, o outro não sei quanto, o outro, o outro, o outro e eu não. (...)
Há muita gente à espera do contato conosco, mas nós julgamos que para esses contatos nós não temos jeito. Então nós ficamos aqui. Está tão bom aqui, a gente fica aqui com reuniões, ouvindo fita, assistindo vídeo-cassete, conversando a respeito de uma série de temas interessantes, nós vivemos encastoados aqui e pronto: "Está certo, o pessoal de Miracema vai se movimentar, o pessoal de Campos, o pessoal do Rio, de Belo Horizonte, mas nós aqui em São Bernardo como é difícil!".
Os de Miracema vão pensar a mesma coisa, e assim por diante.
(...) Como eu vejo os correspondentes? Eu os vejo cheios de dons, cheios de capacidades, cheios de energia, mas sem compenetração de que essas energias, essas capacidades e esses dons devam ser utilizados. (...)
(Aparte: Sr. João, o que devemos fazer para mudar isso?)
Eu acho que deveriam, antes de tudo... Eu estou diante de uma imagem de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, os senhores estão diante de outras imagens aqui muito interessantes também. Nós deveríamos nos voltar para os nossos padroeiros celestes, para Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano, para São José, pedir em orações, pedir a graça de que, de nossa parte, não haja a menor dificuldade, que nós façamos aquilo que o Sr. Dr. Plinio dizia no simpósio. Eu tomei contato com todos aqueles que me estavam reservados, eu me lancei, eu fiz, eu chamei. Se eles não vieram, o problema é deles.
Isso de eu não ter capacidade, não se preocupe, porque não somos nós que convertemos, quem converte é a graça. A iniciativa de uma conversão parte de Deus, não parte do apóstolo. De maneira que é preciso pretexto e o pretexto é a minha ida. Eu irei lá com a fisionomia que eu tenho, com o modo de falar que eu tenho. Se eu falo bem, será ótimo; seu eu falo mal, não tem importância nenhuma porque quem vai fazer o apostolado é a graça. Então eu tenho que ir.
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"Jour-le-jour" 29/1/96 - As preocupações de JC abrangem a conjunto da TFP:
(Tomás Campos: Que apreensão tem o senhor a respeito ao Grupo em geral? [...])
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Reunião para os EEII, 21/12/96 - Numa visita de JC à sede dos EEII, em Guarulhos, é tratado e procede tal e qual tivesse a mesma autoridade de Dr. Plinio:
(Kallás: Nós queríamos pedir ao senhor que, com toda a liberdade, indicasse o que é que devia ser operado ou acrescentado para que o espírito do Sr. Dr. Plinio estivesse...) (1).
Não, eu acho que as idéias que deram de uma capela, como o Sr. Busarello dizia, naquele lugar alto com uma bonita escadaria, depois a continuação de um refeitório aqui é o máximo, não faria mais do que isso, não.
(Kallás: Onde é que se devia colocar o cruzeiro, que ele sempre fazia questão, aquele cruzeiro alto e preto?) (2)
Eu acho que logo na entrada. Ou, então, neste panorama bonito aí, também pode ser. Ou no panorama lindo -- não sei o que é que o senhor acha -- com vista para o panorama um cruzeiro, ou então junto à capela, em frente à capela. Aí precisaria estudar. Eu acho que qualquer lugar em que se puser aí ele vai ficar bem, vai ficar excelente. Este é o lugar. (...)
(Aparte: Antes de mais nada, Sr. João, nós queríamos agradecer muitíssimo a Nossa Senhora e a nosso Pai e Fundador por ter nos dado oportunidade do senhor estar aqui nos visitando.) (3)
Agradecimento compete a mim, não aos senhores, porque eu fico contente que os senhores tenham me recebido aqui.
(Aparte: Alegria imensa mesmo. Nós tínhamos várias perguntas, mas certamente cada um não vai poder fazer muitas perguntas. Eu queria fazer três perguntas.)
À vontade, estejam à vontade. Se quiserem se levantar para comentar alguma coisa, para expandir algo, para dizer algo a respeito de qualquer assunto, à vontade (4).
(...)
(Aparte: Será que o senhor não poderia fazer esse favor para nós?)
Qual é o favor?
(Aparte: Concretizar esse desejo do Sr. Dr. Plinio. Ele queria compor uma oração [para os EEII].)
Meu Deus, mas como a gente vai compor uma oração à altura do Sr. Dr. Plinio?
(Aparte: Vai subindo.)
Sim, pois é. A gente pode gatinhar aí e tentar... Podia ser perfeitamente assim:“Ó Mãe do Bom Conselho, (...)”.É uma oraçãozinha feita assim de improviso (5)
(...)
(Aparte: Isso é muito importante. Perguntaria para o senhor o que é que o anjo da guarda do Sr. Dr. Plinio inspirou ao senhor, para o senhor analisar a hora que está por vir (6). Qual é o passo que a Revolução vai dar e qual a recomendação que o senhor daria para nós que vamos entrar em contato com a opinião pública? Qual a impostação de alma que nós deveríamos ter e o que o senhor imagina que o Sr. Dr. Plinio espera de cada um de nós?)
Aí não é questão de anjo da guarda. Nós não temos o Sr. Dr. Plinio para fazer essa pergunta, porque essa pergunta é típica para o Sr. Dr. Plinio responder e não para um de nós responder.
Ainda ontem em São Bento nós conversávamos a respeito disso. Há uma calmaria e é a calmaria diante da tempestade, a calmaria que precede a tempestade. Nós como que sentimos que está tudo parado, de um lado e de outro, tudo em compasso de espera. O que deve ter havido?
(...) Este ano pode ser que seja um ano em que as coisas continuem tais quais foram o ano de 96, em que a gente atravessa o ano inteirinho sem acontecer nada e a gente termine no ano de 97 [em que] nós vamos estar aqui em reunião dizendo: "Lembram-se o que nós comentávamos?". Pode acontecer isso.
Mas também pode acontecer que, uma vez que [o demônio] pare, comece a haver uma reação da parte da opinião pública produzida pelos anjos dos vários locais, uma reação de maior abertura em relação às teses do Sr. Dr. Plinio. Ele, então, fique uma fera, fique furioso, e furioso ele resolve virar a mesa: "Quer saber de uma coisa? Então vou colocar tudo pelos ares". E aí estoure a Bagarre.
O que vai acontecer este ano? Pode ser uma coisa como pode ser outra.
O que é que os senhores vão encontrar? De repente os senhores encontram o trantran de todos os dias e encontram a rotina que os senhores sempre encontraram em toda as campanhas que os senhores fizeram. Pode ser (7).
(...)
(Aparte: Se o senhor pudesse dar uma jaculatória para quando nós abordássemos cada pessoa, que nós rezássemos a Nossa Senhora nesse sentido de separar aquelas pessoas que aderirem.)
Eu não conheço nenhuma invocação de Nossa Senhora que tenha esse título, mas eu não sei se a gente pode criar uma invocação de Nossa Senhora. O Pe. Silveira nos dirá aqui.Quando Nossa Senhora apresentou o Menino Jesus a Simeão, Simeão tomou o Menino Jesus nos braços. Foi a alegria dele porque ele nasceu à espera desse dia, à espera de ver o Messias. (...) Entre outras afirmações feitas por ele, foi justamente essa: "Este Menino será dado para a salvação e perdição de muitos, como verdadeira pedra de escândalo". Foi o dito de Simeão.
(Padre Silveira: Há ainda um complemento dessa frase. Talvez daí o senhor pudesse tirar uma jaculatória.)
Ótimo.
(Pe. Silveira: Ele disse que esse Menino seria um sinal de contradição. Então aí o senhor poderia talvez dar um nome a Nossa Senhora de Nossa Senhora da Santa Contradição.)
Perfeito, está pronto assim. Está aí feito.
(Pe. Silveira: Imagino eu, não sei.)
Está aí: Nossa Senhora da Santa Contradição, rogai por nós.
(Pe. Silveira: Porque esta frase faz parte desse conjunto.)
Faz parte do conjunto. O senhor dizendo eu me lembrei.Pronto, está aí (8).
Comentários:
Kallás não sabe como proceder para que nessa sede o espírito de Dr. Plinio esteja presente. Por isso recorre à mediação de JC.
Kallás formula uma pergunta clássica que outrora era apresentada só a Dr. Plinio.
A mera presença de JC nessa sede é considerada sagrada. O pergunteiro rezou e pediu a intercessão de Nossa Senhora e de Dr. Plinio, para conseguir que JC fosse lá.
JC lhes pede que estejam à vontade e os convida a se levantarem: quer dizer que os eremitas itinerantes --incluído Kallas e o Padre Silveira-- estavam ajoelhados perante JC?
Um eremita itinerante pede a JC que componha uma oração. JC aparentemente fica espantado diante do pedido, e depois o atende.
Em outros termos, o anjo da guarda de Dr. Plinio, em lugar de revelar o futuro aos eremitas itinerantes através de Dr. Plinio, prefere fazê-lo através de JC...
O eremita itinerante faz a JC uma pergunta própria para Dr. Plinio responder. JC disse que não lhe cabe dizer nada sobre isso. E depois passa a responder a pergunta!
Pediram uma jaculatória a JC e ele jeitosamente atende.
*
Reunião na Saúde, 17/6/97 - Dona Lucilia via que o Grupo ia ficar nas mãos de JC ...
(Mauricio Monje: Eu queria fazer a seguinte pergunta. Quando o senhor tirou as [últimas] fotos da Srª Dª Lucilia, ela acedeu ao senhor para que tirasse essas fotos porque via que essas fotos iam ficar para a devoção do Grupo nos anos posteriores, ou porque ela via que o senhor se contentava, e que o Grupo ia ficar nas mãos do senhor?) [Risos] (1)
Eu tenho a impressão de que nem uma coisa, nem outra. O que se passou com ela foi uma coisa muito diferente. (...) O que se deu foi uma mera coincidência (...) O Sr. Dr. Plinio estava na doença dele que começou no dia 2 de dezembro de 1967 e que durou até abril ou maio de 68. E aconteceu que no dia 19 de março -- festa de São José—(...) ele saiu pela primeira vez de casa [depois da doença]. E ele quis fazer uma saída muito informal, não ainda uma saída festiva. Mas floriram toda a Sede do Reino de Maria, na parte debaixo, onde ele ia estar. (...) Eu vendo que ele tinha programado para o dia seguinte uma saída, preparei máquina, preparei flash, etc., para tirar fotografias dele nessa primeira saída. E foi o que aconteceu (...).
Quando nós voltamos para o 1° Andar, eu olhei para a máquina e estava no número 27. Então, tinha mais nove chapas livres. Eu pensei: "Bom, preciso mandar revelar esse filme amanhã; não vou ficar com esse filme dentro da máquina. É uma ótima oportunidade para tirar umas fotografias da Srª Dª Lucilia, porque estão sobrando na máquina." (2)
Aí eu me apresentei ao Sr. Dr. Plinio e disse:
-- Olha (3), Sr. Dr. Plinio, sobraram umas tantas chapas na máquina, e eu gostaria de tirar fotografias da Srª Dª Lucilia. Não sei se o senhor permitiria.
-- Ah, não tem problema nenhum. Tire à vontade!
-- Como é que eu faço? Entro lá e tiro?
-- Não. Apresente o problema a ela: diga que você tem umas chapas e gostaria de tirar dela.
Ela estava na sala de jantar. (...) Eu entrei na sala de jantar. (...) Então, eu pedi licença:
-- (...) Dª Lucilia, eu tenho aqui umas fotografias que eu gostaria de tirar da senhora. Não sei se a senhora permitiria que eu batesse umas fotos da senhora.
(...) Aí então eu fui tirando as fotografias. Mas ela nem se dava conta do que ia acontecer com as fotografias dela. Nem eu mesmo me dava conta! (...)
Comentários:
Pensar que a TFP ficou nas mãos de JC, é tese aceita nos ambientes joaninos. Achar que Dona Lucilia teria permitido que JC tirasse uma série de fotografias dela, prevendo que JC iria governar o Grupo no futuro, é uma hipótese que desperta simpatia nesses ambientes --daí os risos. Aliás, esses risos serão só dos rapazes? Ou serão também de JC? Em todo caso, esses que riram e que assim pensam, são os mesmos que inúmeras vezes ouviram JC afirmar que não existe sucessor.
Na resposta, JC não toca no assunto governo do Grupo. Limita-se a rememorar aquele episódio. Como explicar que o intransigentíssimo curador de tudo quanto é desvio dentro do Grupo tenha omitido corrigir a tese de que ele teria o Grupo nas mãos?
“Olha”: assim se dirige o inferior ao superior? assim se exprime o “discípulo perfeito”?
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Reunião para CCEE, 14/4/96 - Desde muito tempo atrás, JC está querendo, para si, a capacidade de expressão e de atração que Dr. Plinio tinha outrora:
Eu tenho na alma um fogo por ele [Dr. Plinio], eu tenho na alma um amor por ele, eu tenho em minha alma uma admiração única por ele, eu levo na alma umas labaredas que me consomem dia e noite. Eu já até venho pedindo durante muito tempo aquilo que foi retirado da mente dele em certo momento. Ele tinha conversas extraordinárias da época do Legionário, tinha conversas em que ele dizia que se exprimia com uma propriedade, ele se exprimia com uma capacidade de didática fora do comum. Ele encontrava facilmente as imagens, ele podia falar sobre a vocação e sobre todos os temas que giravam na cabeça dele com uma capacidade que se fazia entender com uma facilidade única pelos outros. Por causa de uma inveja que houve em relação a ele, dentre os amigos dele mesmo partiu essa inveja, por causa dessa inveja ele em certo momento falando para estas pessoas amigas dele na Imaculada Conceição viu um anjo que mexeu na cabeça dele e retirou uns bastonetes de dentro da cabeça dele, retirou a capacidade dele poder se exprimir com toda a facilidade que ele tinha até aquele então. (...)
(Pe. Olavo: Nesse período ele teria explicitado a vocação dele como explicitou depois ou não chegou?)
Não, ele explicitou muito mais a vocação dele a partir de 64, 65, 66, 67.
(Pe. Olavo: Sim, mas essa capacidade...)
A capacidade de expressividade a respeito dos assuntos todos que ele tratava como teve na época do Legionário ele disse que não teve mais.
(Pe. Olavo: Sim, mas ele não chegou a desenvolver o conteúdo de toda a vocação dele como depois.)
Não, não, depois ele desenvolveu muito mais. Quer dizer, ele compreendeu muito mais, mas a capacidade de dizer aos outros estava diminuída. (...) O Prof. Furquim, por exemplo, contava que ele entrava numa festa e acabava a festa. (...) Diziam que não era tanto o tema, mas era uma atratividade que ele exercia que era fora do comum. (...)
Então eu tenho pedido a Nossa Senhora, tenho pedido a ele que me dê esses bastonetes, que me empreste pelo menos por alguns instantes, para que eu possa, fazendo uso desses bastonetes, explicar o que me vai no fundo do coração, porque eu não tenho palavras, não tenho palavras (1).
[Aplausos.]
Então admirem (2), para que esses bastonetes voltem para alguns de nós, para que a gente possa dizer para os outros...
Comentários:
“Venho pedindo durante muito tempo” a capacidade de expressão e de arrastar que Dr. Plinio tinha outrora. Desde quando JC pede isso? Só há duas possibilidades: antes do 3 de outubro de 1995, ou depois.
a) Antes do falecimento de Dr. Plinio. A frase “durante muito tempo” fala neste sentido. Porque entre a data do passamento de Dr. Plinio (outubro de 95) e a data em que JC afirmou isto (abril de 96), há apenas 6 meses. Nesta hipótese, era razoável que JC, que se gaba de discípulo perfeito, pedisse que essa capacidade retorne a Dr. Plinio. No entanto, JC pede para si: “eu tenho pedido a Nossa Senhora, tenho pedido a ele que me dê esses bastonetes”.
Isto levanta uma questão: se Dr. Plinio ainda estivesse vivo e JC tivesse conseguido essa “graça” para si, JC ficaria colocado acima de Dr. Plinio nessa matéria? e a Contra-Revolução, pelo menos nesse campo, seria liderada por JC?
b) Depois do falecimento de Dr. Plinio. Nesta hipótese, não era razoável que JC, “quidam” do êremo da Despretensão e da Santa Proeza, pedisse isso para a TFP enquanto instituição, ou até mesmo para outrem? No entanto, pede para si. Por que? Os “santos” são egoístas?
A conclusão que se desprende de ambos casos é: JC há muito tempo vem querendo assumir a direção suprema da TFP.
2. “Então admirem”? a quem? a JC?
*
Isso posto, cabe registrar que, “ex autoritate” própria e contrariando frontalmente a vontade de Dr. Plinio, JC:
fundou uma “TFP” feminina;
dividiu a TFP no mundo inteiro;
aliou-se à Estrutura.
Antes do falecimento de Dr. Plinio, havia vínculos pai-filho entre JC e suas bases. Três amostras:
a) Referindo-se ao estado de espírito dos eremitas de São Bento e Praesto Sum durante o período que o “ayatollah Scognamiglio” passou nos Estados Unidos, de fevereiro a agosto de 1995, o argentino Saint Amand disse: “nós ficamos inteiramente órfãos, terrenamente falando”.
(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95)
b) Os joaninos menos fervorosos consideram que JC é quase uma mãe para eles; os mais fervorosos, o consideram mais do que mãe - Conversa na Saúde, 19/1/95:
Então, queríamos agradecer a Nossa Senhora e manifestar esta alegria de todos, do senhor estar aqui. E, em segundo lugar dizer o seguinte: agradecer o zelo apostólico do senhor, que mesmo doente, soubemos que do hospital o senhor ligou para um, ligou para outro, já da torre do São Bento. No fundo se via que o senhor tinha uma saudade e um zelo que nós diríamos que não é de pai mas quase que de mãe (...) o zelo é tal, que quase se poderia dizer, alguns disseram aí que o senhor é quase uma mãe para cada um, ou mais ainda. Isso é o pessoal mais novo; os mais velhos diriam outras coisas um pouco mais puxadas. [risos] Agora, tem que calcular para os teólogos, para não dizer para eles, senão eles... bom...
c) No vídeo cassete exibido no Santo do Dia 4/8/95 consta que Santiago Canals, ao chegar à Sede de Madri, depois de sair da clínica psiquiátrica, disse o seguinte:
Antes de lhes explicar qualquer coisa, creio que é um dever de justiça primordial agradecer tudo o que foi feito por mim, tanto pela parte de todos e cada um dos meus irmãos de vocação, que eu jamais poderia imaginar. (...).
Agradecer, sobretudo, a D. José Francisco, D. Pedro Paulo, todos os encarregados do grupo aqui, todo o apoio que me deram e que me deixaram surpreendido. Agradecer ao queridíssimo "Quidam", que Nossa Senhora e nosso Fundador nos deu, por todo o apoio, todo o sustento. Todas as vezes que falei com ele foi de uma paternalidade, de uma maternalidade diria eu, que me deixou inteiramente pasmo. Foi de uma bondade e de um dar-se que digo que não tenho palavras para dizer.
*
A propósito do desentendimento entre a TFP Americana e JC, Héctor Beltramino enviou uma declaração ao embusteiro no dia 28/10/96.
Reconhece que, conversando com o senhor Bianchini, à las tantas disse “todas as unidades do grupo dos Estados Unidos deveriam passar outros grafonemas em termos muito filiais” a JC. Mas depois que o Sr. Bianchini lhe chamou a atenção, corrigiu a expressão “muito filiais” por “o mais fraterno possível”.
Termina pedindo “uma recomendação” --isto é, uma benção-- a JC.
(Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 30/10/96).
*
Telefonema para a Saúde, 21/6/97 - JC, pai e fundador dos joanistas:
(Sandro: Sr. João, queríamos agradecer ao senhor as orações do final de semana passado, que foram tão eficazes, que se estenderam até hoje, Sr. João.)
É?!
(Sandro: É.)
Fenomenal.
(Sandro: O apostolado foi fenomenal, Sr. João. Muitas apostolandos vieram.)
Quantos?
(Sandro: Acho que sessenta pessoas, Sr. João.)
Que coisa boa, me dá muito contentamento isso.
(Sandro: Queríamos renovar o pedido ao senhor, Sr. João, para que amanhã seja muito mais.)
Ótimo! Vamos oferecer as orações finais já nessa intenção.
O diálogo é muito claro: o rapaz atribui os bons resultados no apostolado às orações de JC.
O subtítulo desse trecho no texto respectivo --redigido por bases de JC--, também é muito claro: “Agradecendo a eficácia das orações a nosso Pai e Fundador pelo apostolado”.
Logo, JC é considerado “Pai e Fundador” pelos joaninos.
Eles acham que JC está assumido por Dr. Plinio e que sua pessoa se identifica com a de Dr. Plinio. Em consequencia, quando eles falam de JC como seu “Pai e Fundador”, no fundo se referem a Dr. Plinio ...
Não adianta alegar que os joaninos recorreram a JC, para que JC por sua vez rezasse a Dr. Plinio. Porque em tal caso os agradecimentos deveriam ter sido tributados a Dr. Plinio e não a JC.
*
Grafonema, de alguém da Saúde que estava na Espanha, para os joaninos da "torre da Avenida Angélica",10/11/97. JC estava em Madri:
Já na conversa de noite ele atendeu ao Grupo de Pernabuco e o Grupo de Salvador por telefone, neste último se encontrava o Sr. Meran que introduziu a chamada, ele atendeu a ambos os grupos com muito gosto e os tratou com uma paternalidade, logo nos comentou um pouco (...).
*
Segundo depoimento absolutamente insuspeito de Patrício Amunátegui, o fato de se referir a JC como “pai”, é prova cabal de estar havendo uma substituição da pessoa de Dr. Plinio pela pessoa do usurpador:
De nossa parte, ressaltamos o bom espírito dessas manifestações [NB: o costume que se estabeleceu de moços e moças chamarem a JC “padrinho”, e de pedirem a ele que os considerasse “afilhados” e “afilhadas”], que servem até mesmo de negativa às acusações partidas dos inconformes, de que estaria havendo uma obnubilação da figura de nosso Pai e Fundador em favor do Sr. João Clá. O fato de chamarem este último de “padrinho”, e não de “pai”, é prova cabal do contrário.
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 216 e 217).
Pouco tempo depois do passamento de Dr. Plinio, JC é tratado pelas suas bases como se fosse seu senhor.
"Jour-le-jour" 31/12/95, realizado nos EEUU - JC estava discorrendo sobre a graça operante e a graça cooperante. Em certo momento foi interrompido pelo expediente: “O grupo da Espanha está na linha, senhor Pedro Paulo, que devo dizer a ele?"
Steven Schmieder sugeriu a JC colocar o telefone na sala onde estava sendo feita a reunião.
JC respondeu: “Traz o telefone. Mas diga a ele que nós estamos no meio da reunião, que vou ser muito rápido”.
Aí então houve o seguinte diálogo:
(Pedro Paulo: Sr. João.)
Diga.
(Pedro Paulo: Salve Maria!!!!!!!!!!)
Salve Maria!!!
(Pedro Paulo: Como está o senhor?)
Eu, bastante bem e os senhores como vão?
(Pedro Paulo: Na expectativa da sua vinda.)
(...)
(Pedro Paulo: Sr. João, as saudades são muito grandes, senhor.)
Pois olhe, elas são recíprocas.
(Pedro Paulo: Muito amável. Muito obrigado. Nós queríamos ouvir um pouquinho o palpitar do seu coração para o ano que está chegando.)
(...) eu julgo que, inclusive por este episódio que se passou este ano conosco, eu julgo que este é o ano dos três números furados...
[Exclamações. Palmas.]
(...)
(Pedro Paulo: Muito bom, Sr. João.)
Eu agora vou continuar aqui...
(Pedro Paulo: Sr. João, nós estamos desejosíssimos que o senhor venha aqui, porque há um grupo enorme solicitando de joelhos o hábito.) [Exclamações. Aplausos.] Infelizmente, não pudemos ir aí no fim do ano.)
(...)
(Pedro Paulo: Estamos na grandíssima expectativa de que o senhor possa vir e nos dar um empurrão daqueles que o senhor sempre deu.)
(...)
(Pedro Paulo: Sr. João, o senhor não podia rezar conosco três Ave-Marias, para que Nossa Senhora faça prevalecer todos esses desejos que o senhor tem para nós, que não são outros que os do nosso Pai e Fundador?)
(...) Ave Maria... [Brado]
(Pedro Paulo: Nossa Senhora lhe pague, Sr. João.)
*
"Jour-le-jour" 6/2/96 - Final de uma conversa telefônica entre JC (Estados Unidos) e Pedro Paulo (Espanha):
(Pedro Paulo: Muitíssimo obrigado, senhor. O senhor podia pedir uma bênção a ele [SDP] para nós?)
Peço.
(Pedro Paulo: E dar a sua também.)
A minha não, porque o senhor sabe que eu não tenho jurisdição, já disse isso.
(Pedro Paulo: Não, mas pode dar sem jurisdição mesmo.)
[Risos]
Para o senhor não tem dúvida, mas a minha não, tenho problema de consciência...
(Pedro Paulo: Bom, mas o problema... sou eu que vou receber. Se o senhor não tem, eu muito menos.)
Eu depois tenho que prestar contas, o senhor não. O senhor pode dizer...
(Pedro Paulo: Hahahaha! Não diga isso! O Sr. Dr. Plinio vai abençoar duplamente se o senhor dar a sua também.)
Não, é certo o seguinte: de que não tendo eu jurisdição, a única saída que eu tenho é pedir tanto para o senhor, quanto para mim, quanto para todos nós. E isso eu faço já.
(Pedro Paulo: Muitíssimo obrigado, Sr. João.)
Amém.
(Todos: Amém.)
Salve Maria, senhor.
(Pedro Paulo: Salve Maria. Muitíssimo obrigado, senhor.)
*
"Jour-le-jour" 7/2/96 - Final de um telefonema entre Pedro Paulo Figueiredo (Espanha) e JC (Estados Unidos):
(Pedro Paulo: Aqui nós estamos D. Fernando, Sr. Mira Sierras, Sr. Eduardo, Sr. Daniel Pujol, o Sr. Patxi e o Sr. Eugenio Aguado, pedindo uma recomendação especial.)
Pois eu hoje me lembrei do seguinte: que ele deixou-nos uma delegação e essa delegação foi dada a todos nós. Ele não nos deixou delegação para dar a outros, mas deixou delegação para dar a nós mesmos. Isso sim.
Ele disse que todo aquele que passou pela graça de 67 --e hoje em dia as portas estão abertas e todo o mundo fez consagração aqui, lá e acolá, está todo o mundo consagrado--, então ele deixou esta possibilidade de usar a fórmula que é a fórmula conhecida por todos: "Jube, Domine meus, benedicere, Dominus meus, sit in corde meis et in labis meis ut dignae competenter anuntio nomem tuum et Regnum Mariae. Amen."
Traduzo para o pessoal aqui, porque o Sr. Ritchie não conseguiu traduzir do latim para o inglês direto aqui.
Então é: "Dignai-vos, Senhor, abençoar-me, para que eu digna e competentemente possa anunciar vosso nome e o Reino de Maria".[Aplausos]
Essa fórmula pode ser usada por qualquer um, não há problema nenhum. E ela equivale --isso ele me disse, como disse para o senhor e deve ter dito para outros-- a uma bênção dada diretamente por ele.
(Pedro Paulo: Fenomenal, senhor, fenomenal.)
Pronto, só basta usá-la e está acabado. (...)
(Pedro Paulo: Agora, a essa o senhor pode acrescentar a sua, não é?)
Eu não tenho delegação, não tenho poderes, eu não posso inventar coisa que eu não tenho em mãos. (...)
(Pedro Paulo: Se uma pessoa chegar perto do senhor e diz o seguinte: "Eu o conheço, eu conheço os seus antecedentes, eu sei quem é o senhor".)
Bom, mas tal seria. Todos nós nos conhecemos.
O senhor pode chegar junto de qualquer um, o senhor pode chegar junto ao Dr. Camargo e dizer isto também. [Risos]
(Pedro Paulo: O Arcebispo de Sevilha disse para Santa Teresa: "Eu não me retiro daqui sem que a senhora me abençoe".) [Exclamações]
Perfeito, mas aí, então, são duas condições: uma que os senhores sejam arcebispos de Sevilha e outra que eu seja Santa Teresa. [Risos]
(Pedro Paulo: Hahahaha! Nós somos os necessitados!)
Mas não é porque os senhores são necessitados que os senhores vão inventar umas coisas que não existem.
(Pedro Paulo: Então porque o senhor não faz uma outra coisa? É o seguinte: o senhor nos dá com a condição de que o dia que o senhor se sentir com autoridade, fica válido a partir desse momento. Nós vamos confiar que foi desde ontem.)
Quem não tem delegação não pode usar sub conditionem, não pode ser. (...)
(Pedro Paulo: Eu sei que razão eu tenho, mas eu não tenho argumento.) [Risos]
Está bom, quando Ela lhe der argumentos e o Sr. Dr. Plinio der a delegação, aí estará tudo resolvido.
(Pedro Paulo: Fenomenal. Que seja logo.)
Que Nossa Senhora o ajude muito, Sr. Pedro Paulo.
(Pedro Paulo: Amém, Sr. João.)
Lembranças de todos os americanos aqui para o senhor, de todos os canadenses. Eu não sei o que acontece, quando eu venho aqui os canadenses todos descem para cá.
(Todos: Fenomenal!)
(...)
(Pedro Paulo: Amém, senhor.)
*
Palavrinha, Montes Claros, 8/6/96 - JC dá a benção da Sagrada Escravidão a seus adeptos:
(Aparte: O senhor pode dar uma jaculatória ao Sr. Dr. Plinio pedindo essa confiança?)
Uma jaculatória que podia ser utilizada por todos e por cada um é: "Senhor, vós que nunca duvidastes das vozes interiores, dai-me a graça de acreditar em vossa voz".
[Aplausos]
(...)
(Aparte: Tem seis rapazes novos de Belo Horizonte que estão vindo pela primeira vez. Será que o senhor poderia cumprimentá-los?)
Cumprimento esses seis e nesses seis eu cumprimento a todos.
(...)
(Aparte: A bênção da Sempre Viva, Sr. João.)
Benedictio...
*
Reunião do 26/4/97, realizada na Espanha - Numa cerimônia de recepção de hábitos e capas, JC faz as vezes de Dr. Plinio, e praticamente os recipiandiários se entregam a ele como escravos:
Bem, uma palavra sobre a cerimônia, certamente.
(Todos: Fenomenal!) [Aplausos]
A cerimônia transcorreu num ambiente de muita graça (1), evidentemente por ser uma cerimônia com muitos participantes ativos (2), ou seja, muitos que recebiam capa, que recebiam hábito, que recebiam escapulário.
Ela teve uma parte central para os que viviam fora dos acontecimentos próprios ali do altar. Ela teve, evidentemente, um período prolongado de esforço.
É a primeira cerimônia que se faz sem treino na história do grupo. O treino que foi feito, foi sumário, foi o mais simples possível. Já tinha sido feito com alguns algum treino ontem à noite. Portanto, hoje vários tiveram que pegar o avião voando. Isto trouxe, nada mais nada menos, como conseqüência, que a cerimônia começasse às onze da manhã e terminasse às quatro da tarde (3).
Então era normal que o miolo da cerimônia fosse cansativo, porque cem pessoas para passar uma a uma, por mínimo que demore ali junto ao altar, são dois minutos, são três minutos, isso multiplicado por cem dá dá não sei quantos minutos. Tinha que ser que a cerimônia demorasse cinco horas como demorou.
Eu começo pelo degrau debaixo, degrau mais inferior, que é o degrau da parte em que os senhores foram obrigados a ficar rezando o rosário, ficar adiantando as orações enquanto chama este, enquanto chama aquele, enquanto chama aquele outro. Mas nós precisamos -- para falar da cerimônia enquanto cerimônia -- lembrar do seguinte: ela teve um início, teve um meio e teve um fim (4).
No que diz respeito ao meio, quando a pessoa saía da sua vida de oração, da sua vida de cansaço, da sua vida de esforço dentro do átrio da igreja, da nave central da igreja, ela saía e ia para o altar, ao se dirigir ao altar uma emoção a tomava. Essa emoção que a tomava era fruto de uma graça mística, fruto da natureza humana e fruto de uma presença espiritual, mas autêntica, real, sensível, de nosso Pai e Senhor e da Sra. Da. Lucilia. [Aplausos] (5)
A pessoa sentia no fundo da sua alma a experiência, dizendo: "Eu agora vou ter um encontro com o Sr. Dr. Plinio. Eu agora vou ter um encontro com a Sra. Da. Lucilia". E quando chegava não sabia se ajoelhava na almofada, no degrau, nem tinha idéia do que é que ela ia fazer, porque ela se sentia tomada por uma presença (6). Era exatamente a reação que tinham todas as pessoas (7) quando recebiam hábito ou recebiam capa das mãos do Sr. Dr. Plinio (8).
Quando a pessoa se ajoelhava (9) e sentia que o manto do Sr. Dr. Plinio, o escapulário, ou sequer a capa estava sendo posta sobre os ombros, que a manga estava entrando e sobre a cabeça estava passando o capuz, estava passando a gola do próprio escapulário, ou coisa que o valha, imediatamente a pessoa se sentia sendo confiscada, sendo apanhada, sendo colhida, sendo abraçada pelo Sr. Dr. Plinio. Assim sendo, a pessoa tinha uma sensação que era mística, por onde a pessoa se sentia propriedade do Sr. Dr. Plinio (10).
Isto produzia uma alegria interior, é verdade, mas ao mesmo tempo produzia uma espécie de impacto psicológico, sobrenatural (11): "Nossa, o que está acontecendo aqui é de uma grandeza, é de uma seriedade, tem ligação com a eternidade".
Por isso, a pessoa se sentia quase que diante de Deus, num contato com Deus, num contato com o Sr. Dr. Plinio, e a primeira palavra que surgia quase que nos lábios de todos era: "Perdão. Senhor, perdão" (12).
É exatamente a reação que tinham as pessoas diante de Nosso Senhor Jesus Cristo quando eram tocadas pela graça e sentiam Nosso Senhor Jesus Cristo no fundo da sua alma.
Diante de Nosso Senhor, quando a pessoa era tocada pela graça e quando a pessoa sentia a divindade de Nosso Senhor Jesus Cristo, exclamava: "Jesus, Filho de Davi, tenha piedade de nós!", ou então: "Senhor, perdão! Senhor, perdão!". Era o pedido de perdão que a pessoa no momento em que se ajoelhava fazia: "Eu quero ser perdoado pelas minhas faltas, pelas minhas misérias, pelas minhas infidelidades, pelas minhas semifidelidades, por tudo o que eu fiz de errado no passado". Sentimento de perdão.
Logo depois, a pessoa percebia que aquele era um chamado, aquele era um convite para um passo a mais, era um convite para uma entrega mais radical. Então vinha nos lábios de muitos também: "E agora o próximo passo? O que o senhor julga ser o próximo passo?"
Depois de querer saber qual era o próximo passo, um conselho: "O que é que o senhor vê que eu devo ter como futuro de realização, o que é que eu devo representar, o que eu devo realizar pelo Sr. Dr. Plinio? E o que é que há dentro de mim que cria um obstáculo para a realização deste fim último?" (13).
Sendo isto tão uniforme, sendo isto tão constante, tão contínuo, sem que os senhores tenham combinado entre si que iam fazer isso, logo deve existir alguém por detrás que soprou isso (14). E eu não posso supor que tenha havido alguém que tenha soprado isto no fundo da alma de cada um dos senhores que não tenha sido o Sr. Dr. Plinio. [Aplausos]
Ele falou no fundo da alma de cada um (15). Ele com a possibilidade que tem hoje em dia, muito maior do que tinha quando estava vivo, ele esteve presente nessa cerimônia de uma forma mais intensa, de uma forma mais atuante. De uma forma mais imponderável, é verdade (16); por outro lado, mais difícil de ser compreendida sem a virtude da fé; mas, entretanto, muito mais atuante do que nas cerimônias em que ele mesmo estava presente.
Isto nos dá uma alegria muito grande enquanto cerimônia de uma continuidade da obra dele. [Aplausos]
JC: Alguém poderia dizer:
-- Mas então o senhor descarta a hipótese assim de uma ressurreição dele?
-- Não. Por favor, nós somos pessoas com uma inteligência constituída, formada na base da intuição, na base de grandes vôos, até na base de vôos místicos se for preciso, na base de graças muito atuantes no fundo da nossa alma que nos levam longe no ver, e nós de maneira alguma temos como certo de que a obra dele vai receber graças sobre graças, sobre graças, sobre graças, que dispensem a vinda dele.
Por quê? Porque nós recebemos mais graças hoje nesta cerimônia do que teríamos recebido há cinco anos atrás no Auditório de Nossa Senhora Auxiliadora (17).
(...)
[Nós] estivemos na manhã de hoje juntos. Estivemos juntos e em torno da idéia, da figura, da pessoa (18), da mentalidade, do espírito, do coração, da combatividade, do heroísmo, da radicalidade, da força, da energia, da ênfase, da resolução de nosso Pai e Fundador. Estando em função dele e vivendo em função dele, as graças desciam.
O que a Providência queria era deixar-nos patente o seguinte: "Sempre que dois ou mais estiverem reunidos em torno do nome dele, ele estará entre nós". [Aplausos]
Passa-se uma coisa curiosa conosco. É que nós ouvimos "sempre que dois ou mais estiverem reunidos em meu nome estarei entre eles"... Dois, já há uma presença; três, a presença é maior; cinqüenta, ela é quase que sensível e palpável; com mais de cem, ela se torna quase que real. [Aplausos].
Mais de cem filhos do Sr. Dr. Plinio participando da cerimônia, fora os que estavam do lado de fora à espera de outras cerimônias ou já tendo passado por cerimônias.
Esses cem, cento vinte, cento e trinta... O senhor me dizia cento e trinta?
(Pedro Paulo: Cento e setenta, por aí.)
Cento e setenta em solo europeu. Conclusão: era evidente que ele estava presente de começo ao fim, era norma, era patente (19).Os senhores não podiam se ver, mas eu tive essa experiência -- outros também podem ter tido em ocasiões diversas do que eu e de forma talvez mais intensa do que a minha:
De vez em quando, de soslaio, eu ia olhando para trás e aquele mar branco ia se tornando colorido, colorido. Até que quando eu fui ao microfone no final para dizer umas palavras, eu olhei aquele mar de hábitos, aquele mar de capuz, aquele mar de membros do Grupo, aquele mar de filhos do Sr. Dr. Plinio, que estão dizendo aqui cento e setenta, mais os correspondentes, mais as freirinhas (20) ou coisa que o valha... Eu sei que aquilo formava um tal bloco, que bem disse uma das freiras: "Olhe, o demônio está aplastrado, o demônio está... [Aplausos] ... no fundo dos infernos se contorcendo, porque vocês são um exército, vocês constituem um exército".
Parecia um exército, aquele conjunto parecia um exército. Era uma imagem, antes de tudo, de Nosso Senhor Jesus Cristo, era uma imagem, depois, de Nossa Senhora ut castrorum acies ordinata, como um exército em ordem de batalha, aquilo era um exército à espera de uma ordem. E o entusiasmo, o ânimo dentro daquele ambiente era tal, que se chegasse um anjo naquele momento e dissesse: "Foi hoje e justamente agora neste momento que estourou a Bagarre. Senhores, saiam a fazer justiça por esse mundo", isso seria recebido como os senhores receberam nesse momento (21). Encheria a alma dos senhores de entusiasmo, de alegria: "Afinal chegou o momento que nós sempre esperamos", porque aquele era um momento de espera de um grande acontecimento, era um momento de espera de uma grande realização, da realização de tudo aquilo que nós esperamos na vida. (...)
Isto era a cerimônia no seu todo, nos seus imponderáveis, na sua transesfera digamos assim, na sua parte psicológica e na sua parte mística profunda, era o que a graça dizia.
(...) Assim passamos por esses momentos tão abençoados, tão cheios de luzes, tão cheios de graças como os de hoje de manhã. Mas não creiam os senhores que este foi o auge das graças que a Providência reserva aos senhores para os dias futuros. Essas graças de hoje são um começo, porque devem vir outras ainda, outras ainda e outras ainda, muito maiores do que essas, até darem numa graça de Grand-Retour que transforma aos senhores e cada um de nós inteiramente por dentro. E uma vez transformados, nós seremos os varões prometidos por São Luís Grignion de Montfort na Oração Abrasada, instrumentos, pessoas vivas, pessoas aqui nesta terra filhos, escravos, guerreiros, monges, exorcistas, increpadores, nas mãos do Sr. Dr. Plinio (22). [Vira a fita] ... por um voto de obediência, por um voto de pobreza, era uma ordem de cavalaria muito mais ousada e que confiscava completamente enquanto vocação a vida de cada um dos que estava ali, mais do que se tivessem feito os três votos. [Aplausos]
Isso é tanto assim, que eu me lembro de uma conversa com o Sr. Dr. Plinio uma vez sobre o ordo dos êremos (...) Eu disse:
-- Sr. Dr. Plinio, o senhor precisa levar em consideração o seguinte: os êremos quando se constituíram criaram o ordo apenas por razões circunstanciais, mas o senhor deve levar em consideração de que os êremos são mais ou menos como certas cúpulas de igrejas, de catedrais, em que as pedras todas vão sendo postas dentro de uma armação e quando se coloca a pedra angular final, essa pedra angular sustenta todas as outras pedras, pode se tirar a armação debaixo que as pedras se juntam e se fixam. Sr. Dr. Plinio, os êremos existem não por causa do ordo, os ordos existem por causa dos êremos. O Sr. Dr. Plinio pode tirar os ordos que os êremos continuam vivos como sempre.
-- Mas você acha que se, por exemplo, nós cancelássemos todos os ordos, a vida dos êremos continuaria tal qual?
-- Sem problema nenhum (23), tal qual, tal qual, tal qual.
-- Você não sabe a alegria que você me dá em dizer isso.
Nós, hoje em dia, não temos voto de obediência, nós não temos voto de pobreza, voto de castidade é possível que alguns conservem, que alguns tenham feito (24). Entretanto, nós hoje em dia, mais do que qualquer ordem religiosa, levamos a sério o estado de perfeição. Nos entregamos e nos dedicamos de tal forma, que se bem que não tenhamos o quarto voto dos templários, se nós tivermos de entrar numa batalha, eu garanto que de lá ou saímos vivos ou saímos mortos.
Isso estava no ar, isso estava na atmosfera, isso pairava sobre a cabeça dos senhores, isso pulsava no coração dos senhores, isso estava vivo no fundo da alma dos senhores. Essa decisão, essa definição, esse desejo de levar toda a sua vocação até as últimas conseqüências, esse desejo de radicalidade, esse desejo de intransigência, esse desejo de ser mais, de ser mais e de ser mais, era o eflúvio da cerimônia de hoje que as freiras percebiam, que os correspondentes esclarecedores que estavam ali percebiam.
Se, por acaso, nós ao invés de distribuirmos só hábitos, distribuíssemos também espadas e disséssemos: "Chegou a hora"... [Aplausos]
Por quê? Porque o espírito de combatividade, o espírito de luta, essa decisão interior de levar tudo até os últimos limites, até onde a natureza humana pode chegar auxiliada pela graça, o querer atingir essas paragens e com este fogo de alma, com este entusiasmo, isto é contagiante, isto arrasta, isto arrebata. É o que o Sr. Dr. Plinio dizia -- dizia isto no começo da década de 60, fim de 50: que quando chegasse o momento da luta e que nós nos lançássemos a lutar, alguns dos nossos começassem a lutar, aqueles dentre nós que têm sangue de burguesia, que têm sangue de aburguesamento, que têm um sangue próprio a gozar a vida, a levar uma vida fácil, esses saltariam de dentro da sua chacunière, do seu conforto, do seu bem-estar, saltariam de dentro mais ou menos como estando um gato a dormir dentro de um forno, alguém acendesse o forno, esse gato não continuaria dentro do forno e pularia para fora. [Aplausos]
(...) Isto foi uma outra lição que a cerimônia de hoje lhes trouxe. Mas, e com isso...
(Todos: Ei!!!)
Há uma hora que os senhores estão tendo a paciência... (25)
(Todos: Não!)
Não, eu ia dizer que com isso eu termino o que eu tinha a dizer sobre a cerimônia.
(Todos: Fenomenal!)(26)
Tudo isto que foi dito é nada perto do seguinte: sem nenhuma vez nós termos dito nada, quer em proclamação, quer em discurso, quer até nas recepções individuais, a cerimônia tinha uma marca profunda de entrega radical na linha de escravidão ao Sr. Dr. Plinio (27). [Aplausos]
Havia no fundo da alma de cada um um desejo ardente, um desejo implícito, um desejo profundo de estar nas mãos dele para o que desse e viesse.
Este desejo não é fruto da natureza, não foi a carne nem o sangue que nos revelou, foi o Espírito. Mas Espírito aqui é com E maiúsculo, é Espírito Santo. O Espírito Santo falou em nossas almas (28), o Espírito Santo quis nos dizer no fundo de nossas almas: "Meus filhos, a realização plena de sua vocação, a realização plena de tudo aquilo para o que você foi destinado, meu filho, está na entrega radical, sem limites, na entrega total, numa entrega em que você passa a ser um instrumento, um prolongamento deste homem, deste varão que é seu pai, seu fundador. Tudo se explica, tudo se fundamenta, tudo tem seu sentido, seu significado mais profundo nesta palavra: escravidão". [Aplausos]
Essa palavra é uma palavra que eu diria -- no bom sentido, no bom sentido -- talismânica. A palavra carismática está um pouco corroída pelo progressismo atual, mas ela tem um carisma, ela porta um carisma, ela é portadora de graça. Quando a gente a enuncia, quer interiormente pensando nela, ou quando a gente a pronuncia (...) ela é portadora de uma graça, ela é portadora de uma bênção (29).
Por quê? Porque ela é pórtico, ela é ao mesmo tempo a atmosfera, ela é ao mesmo tempo o solo, ela é ao mesmo o teto, ela é ao mesmo tempo as janelas, ela é ao mesmo tempo as portas do edifício do Reino de Maria. [Aplausos]
No Reino de Maria nós teremos a plenitude dessa graça.
O próprio Sr. Dr. Plinio afirmou isso num almoço em Amparo: que ele tinha feito uma troca de corações com o Sagrado Coração de Jesus, e juntamente com o Sagrado Coração de Jesus lhe veio o Imaculado Coração de Maria, mas que ele achava que no Reino de Maria a Humanidade deveria fazer uma troca de corações com ele.
Isto agora é muito mais factível ainda do que antes, e a cerimônia de hoje tem algo disso. O que nós queríamos era uma troca de corações, o que nós queríamos era uma escravidão levada até as suas últimas conseqüências, isto não só os que recebiam hábito, recebiam capa, mas eram todos os que participavam, todos os que estavam ali presentes. Todos estavam tomados por uma atmosfera de onde vinha a voz interior que como que cobrava, como que inspirava no fundo da alma essa entrega radical e total ao Sr. Dr. Plinio (30).
Eu quase que diria que esta cerimônia é uma cerimônia que de alguma forma antecipa, de alguma forma prenuncia, de alguma forma esboça, de alguma forma nos dá uma maquete do que deverá ser o Reino de Maria. [Aplausos]
Comentários:
JC discerne a presença da graça nos ambientes.
Era “evidente” que havia muita “graça” na cerimônia porque havia muitos participantes ativos: quanto maior número de participantes, maior graça ...
A cerimônia durou 5 horas. Se começou às 11 horas da manhã e terminou às 4 da tarde, tudo indica que os participantes não almoçaram.
Que finura de observação! Que inteligência!
Cada vez que um recipiandiário se dirigia do átrio da igreja ao altar, seu estado de espírito passava do cansaço (e da fome prolongada) para uma emoção intensa. Essa emoção era fruto de 3 fatores: a) a natureza humana; b) uma graça mística --JC discerne perfeitamente as graças místicas-- ; c) uma presença de Dr. Plinio e de Dona Lucilia --JC também percebe quando é que Dr. Plinio e Dona Lucilia estão presentes num ambiente ou numa alma.
JC discernia perfeitamente o que é que cada recipiandiário experimentava no fundo da alma. O rapaz primeiro pensava que ia ter um encontro com Dr. Plinio e Dona Lucilia, como se fossem terceiras pessoas. Mas acabava sentindo Dr. Plinio e Dona Lucilia dentro de si. De maneira que o processo que começava com um cansaço físico, desfechava numa “união mística”.
Todos os recipiandiários experimentavam isso.
Os rapazes recebiam o hábito (ou a capa) das mãos de Dr. Plinio? Será que ele se tornou presente assumindo o corpo de alguém? Ou --mais provavelmente-- algum fantoche se fez passar por Dr. Plinio, substituindo-o? Quem terá sido? JC! conforme consta na reunião para CCEE, de 27/4/97:
Señora de los Paños: Sr. João, eu queria perguntar ao senhor uma coisa. Ontem, a recepção de hábitos dos eremitas me encantava, mas eu não entendia nada do que o senhor lhes dizia [no momento da imposição], nem se eles faziam alguma pergunta (...)
JC: Eu lhes conto, sem problemas. É que o momento da recepção de hábito (...) era um momento de muita emoção para eles, é evidente. Porque sentiam profundamente que eram as próprias mãos do Sr. Dr. Plinio que se apresentavam diante deles, e as próprias mãos do Sr. Dr. Plinio que lhes impunha o escapulário.
O recipidiandiário se ajoelhava diante de JC.
O rapaz, que um momento atrás, estava perante “Dr. Plinio”, agora sente-se misticamente confiscado por “Dr. Plinio”.
JC discerniu os movimentos sobrenaturais que se operavam dentro da alma dos recipiandiários.
JC, ao mesmo tempo que fazia as vezes de Dr. Plinio, fazia as vezes de Deus. E os pobres coitados lhe pediam perdão de joelhos.
Depois de pedir perdão ao “alter Plinio”, muitos se punham inteiramente em suas mãos, para que ele dispusesse deles como quiser.
Na reunião para CCEE, de 27/4/97, JC fornece mais dados a respeito disto:
Perguntavam também o que são chamados a representar do Sr. Dr. Plinio, de Deus na terra; e que defeitos tinham, para que fossem corrigidos.
Então, a gente, sem ter o discernimento dos espíritos que tem o Sr. Dr. Plinio em quantidade -- nós temos experiência da vida, convívio com o Sr. Dr. Plinio; é uma coisa muito boa mas não é tudo! --, tinha que responder qual era o defeito. (...) Uns ofereciam sua vida, outros ofereciam suas disposições todas, e assim por diante. Cada uma tinha uma particularidade especial no momento que o hábito lhes era imposto.
Praticamente todos os recipiandiários procediam da mesma forma. Sinal de que eram movidos pela graça? Ou sinal de que perderam o senso da alteridade?
Até lá vai o discernimento dos espíritos de JC: percebeu que Dr. Plinio falou na alma de cada um, e o que é que aí dentro falou a cada um.
A presença de Dr. Plinio, acima foi caraterizada como “espiritual, mas autêntica, real, sensível”. Agora é caraterizada como mais intensa, mais atuante e mais imponderável do que quando Dr. Plinio estava vivo. Como pode ser, ao mesmo tempo, sensível e imponderável?
Logo, a “plinicidade” é mais reluzente, mais intensa, mais autêntica nesse que o substituiu nessa cerimônia, do que no próprio Dr. Plinio.
Da pessoa? Dr. Plinio esteve real e fisicamente presente? Ou será que o substituto e Dr. Plinio são uma só pessoa? Então quer dizer que uma pessoa inhabita em dois seres distintos --um no céu e outro na terra?
Quanto mais pessoas se reunirem “em nome de Dr. Plinio” num ambiente, tanto mais sensível, mais patente e mais real será a presença de Dr. Plinio ...
Na cerimônia estavam presentes “freirinhas”.
Então, do cansaço e da fome os recipiandiários passaram para a união mística; e da união mística estavam prontos para, cheios de entusiasmo, sair a matar gente.
Nas mãos de Dr. Plinio ou do substituto?
Essa aversão de JC pelos ordos faz parte da mesma aversão pelo Estatuto da TFP, pelos métodos e pela “raison raisonant”.
Por enquanto não somos uma ordem religiosa ...
Então, depois da cerimônia --de 5 horas-- , houve uma reunião de uma hora de duração.
Primeiro, os ouvintes afirmaram que não estavam impacientes, assistindo uma reunião longa. Mas depois, quando JC disse que vai terminar de comentar a cerimônia, se alegram e exclamam “fenomenal!”
Escravidão a Dr. Plinio nas mãos do substituto.
JC percebe o que o Divino Espírito Santo fala nas almas.
A palavra “escravidão”, pensada ou pronunciada, é como um sacramental: traz graças automaticamente.
A Dr. Plinio ou ao substituto?
*
Telefonema Saúde, 27/7/97:
(Erick Marchel: Teria aqui o Sr. Dantas, ele está fazendo aniversário hoje. Que a Sra. Da. Lucilia lhe pague muitíssimo, Sr. João.)
Que ela lhe ajude muito e aos senhores todos daí também.
(Erick Marchel: Amém. Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria.
(Marcial Dantas: Sr. João?)
Então, quantos anos hoje?
(Marcial Dantas: Quarenta e um, Sr. João?)
Ah, bom, é verdade... É o Sr. Marcial?
(Marcial Dantas: Sim, senhor.)
Já falei com o senhor no portão do São Bento hoje.
(Marcial Dantas: Já, sim, senhor. Graças a Nossa Senhora nós tivemos a graça de novamente falar com o senhor (1). O nosso maior presente de aniversário é ter o senhor sempre nos indicando o caminho ... (2)
Como irmão mais velho e que estima muito a cada um.
(Marcial Dantas: E também pelo fato de o senhor ter levantado toda a graça da Sagrada Escravidão, levantado os êremos de São Bento e Praesto Sum (3). Aqui nós podemos olhar, como o Sr. Dr. Plinio disse na reunião, a clarinada do "Grand-Retour" para nós. O senhor levantou inteiramente e nós só temos a agradecer. Nosso maior presente de aniversário é isso, é nós estarmos sobre o olhar do senhor que está nos levando inteiramente ao Sr. Dr. Plinio (4)
É o irmão mais velho da Saúde que gosta dos irmãos mais novos.
(Marcial Dantas: Sr. João, pedimos então essa graça insigne de nós termos o senhor (5). Se o senhor pudesse também rezar pelo Sr. Anderson e o Sr. Anielo que fazem aniversário hoje (6).
Vamos rezar pelos aniversariantes, ao mesmo tempo rezar por todos os membros da Saúde e por todos ainda daqueles que serão da Saúde até o fim do mundo. Porque eu acho que Nossa Senhora vai conservar o apostolado da Saúde até o fim do mundo (7).
(Marcial Dantas: Sr. João, o Sr. Marcos Paulo também faz sete anos de consagração.)
Vamos inclui-lo na oração também. E vamos pedir pela santificação plena-pleníssima de todos.
(Marcial Dantas: Amém.)
Memorare...
(...)
(Marcial Dantas Dantas: Está muito bem, Sr. João. Sr. João, os enjolras queriam só cumprimentar o senhor rapidamente. Posso passar o telefone para eles?)
Para quem?
(Marcial Dantas: Sr. Anielo, Sr. Anderson e o Sr. Marcos Paulo.)
Está bom.
(Marcos Paulo: Sr. João?)
Salve Maria, senhor.
(Marcos Paulo: É Marcos Paulo, Sr. João.)
Que Nossa Senhora lhe dê muitas graças no dia de hoje então.
(Marcos Paulo: Sr. João, queria aproveitar e pedir uma recomendação por todo o grupo Regina Cordium, um no Rio de Janeiro e os outros três na Península Ibérica.)
Com muito gosto. Faço isso já (8).
(Marcos Paulo: Muito obrigado, Sr. João.)
Salve Maria, senhor.
(Marcos Paulo: Salve Maria.)
(Anielo Palmieri: Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria!
(Anielo Palmieri: Como é que vai? Bem?)
Bem, graças a Deus. E o senhor quanto anos?
(Anielo Palmieri: Dezessete.)
Fenomenal, hein?
(Anielo Palmieri: Sr. João, o senhor poderia, por assim dizer, falar o que o Sr. Dr. Plinio me diria?)
O que o Sr. Dr. Plinio lhe diria era isso: perseverança, perseverança, perseverança. Está bom? (9)
(Anielo Palmieri: Salve Maria.)
Salve Maria!
(Anderson Palmieri: Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria. O senhor nasceu antes ou depois?
(Anderson Palmieri: Depois, Sr. João.)
Então que Nossa Senhora premie esses dezessete anos com uma graça de santificação plena.
(Anderson Palmieri: Agora, o que o senhor falaria, Sr. João?)
Muito espírito de oração e muita confiança. Está bem? (10)
(Anderson Palmieri: Sim, senhor, Sr. João.) (11)
Comentários:
O aniversariante já tinha cumprimentado a JC no portão de S.Bento --provavelmente esteve aguardando sua saída-- , mas quer ter novamente “a graça de falar” com ele. Exatamente assim se procedia em relação a Dr. Plinio.
O caminho dos joaninos foi sempre indicado por JC, não por Dr Plinio? Observe-se que apontar os rumos é por definição o “métier” do profeta.
Quem levantou toda a graça da Sagrada Escravidão, bem como os eremos de S. Bento e Praesto Sum, não foi Dr. Plinio --que naquela época estava vivo--, mas JC?
Canal necessário.
Marcial Dantas segue o caminho indicado por JC, está sob seu olhar, o tem. Não é seu escravo? É. Pelo menos “de facto”.
Também se encomendou às orações de JC.
JC percebe os desígnios de Nossa Senhora a respeito do futuro da sede da Saúde.
Os joaninos pedem “recomendações” a JC --tal e qual outrora se pedia ao Sr. Dr. Plinio--, e ele atende.
JC faz as vezes de oráculo através do qual “Dr. Plinio” fala aos joaninos.
Em matéria de relacionamento com JC, o anterior rapaz corresponde ao revolucionário de velocidade lenta; este, ao revolucionário de velocidade rápida. O primeiro recorre a JC enquanto mediador perante Dr. Plinio; o segundo, enquanto senhor.
Note-se duas vezes a palavra “senhor”.
Trecho de uma reunião de Dr. Plinio, do ano 89, ao que parece realizada no Praesto Sum (lida no "jour-le-jour" 14/9/97):
O que significa uma união? o que é uma união muito maior? e o que é uma união inteira?
Uma união é um relacionamento de duas almas em virtude das quais uma alma é conhecida inteiramente por outra, e esta outra, esta segunda alma, é dada a essa segunda alma pela graça o meio de por assim dizer reproduzir em si a alma um.
De maneira que de algum modo seja a alma um que viva nela! E a alma dois é, portanto, um prolongamento da alma um (1).
O que significa o seguinte. Ter entendido inteiramente a alma um; nesse ato de intelecção ter amado inteiramente, não desse amor de amizade pessoal, não se trata disso, é uma coisa muito mais alta do que isso. Quer dizer, achar que deve ser assim, querer ser assim porque acha que deve, e porque ama ser assim para realizar-se inteiramente para servir a Deus (2); e tem a atenção posta na alma um, de maneira a nas menores vibrações, nos menores movimentos, nas menores inclinações procurar reproduzir em si o que a alma um manifesta (3).
Comentários:
Não é preciso ter discernimento dos espíritos para perceber que os fãs de JC, em certa medida, reproduzem em si a alma de seu senhor, são prolongamentos da alma de seu senhor. A “esperteza”, deslealdade, rasteiras, restrições mentais, etc., deles, são bem no estilo JC. Alguns o imitam no modo de caminhar, de rir, de gesticular, etc.
O objetivo da união, segundo a concepção de JC, não é servir a Deus, mas salvar a própria alma.
Os seguidores de JC tem a atenção posta no que a “graça fala” na alma de JC e em tudo quanto diz respeito a JC. Mais adiante apresentamos os documentos que nos permitem afirmar isto.
*
“Palavrinha” de 21/7/97 para os eremitas de Nossa Senhora da Divina Providência:
(Aparte: Salve Maria, Sr. João!)
Salve Maria! Coitados, ficaram aqui na chuva!
(Lunguinho: Não está chovendo não. Chuva de graças).
(Sérgio: ... [formula uma pergunta e JC responde].
(Lunguinho: O conselho da semana, Sr. João).
O conselho que eu lhes dou é o seguinte: ....
(Lunguinho: A jaculatória da semana, Sr. João).
(José Joaquim: A oração).
A oração ... eu não sei por que eu estou com essa oração, apesar de eu a rezar todos os dias, eu não sei por que ela está em voga nesse momento. Eu aconselharia os senhores rezarem o oficio da Imaculada durante essa semana.
(Sérgio: (...) O que o SDP durante essa semana falou mais à alma do Sr.?)
Ele me disse o seguinte durante a semana: que é preciso não se perturbar com nada, não se afligir com nada porque ele dirige a obra dele com um cuidado, com um carinho, com esmero muito maior do que quando estava vivo. (...).
(Mário: Sr. João, nós vamos fazer uma caminhada desde o Japy até ... será que o Sr. poderia dar as intenções da caminhada?)
Se os senhores julgarem conveniente eu diria o seguinte: Primeiro (...). Segundo (...) Terceiro: pela santificação de cada um dos senhores, de todos os senhores, santificação plena, plenissima. Vai isso?
(Aparte: Sim!)
(Sérgio: Para que nós estejamos sempre unidos com o senhor, Sr. João).
(...)
(Lunguinho: A jaculatória da semana, Sr. João).
A jaculatória da semana ... uma virtude que é angélica (...) “Virgo purissima ora pro nobis”.
(...)
(Aparte: Pelo Sr. Claudinei e pelo Sr. Felipe, Sr. João).
Ah! Mande recomendações para eles.
(Cumprimento com cada um).
A respeito dessa “palavrinha”, o Coronel Poli, encarregado do ENSDP, enviou ao usurpador o seguinte bilhete (8/10/97) --aliás, não respondido:
Quando eu era menino, havia uma brincadeira, mais ou menos assim, para zombar da ingenuidade de outros colegas. Perguntava-se: de quem é o quadro de um homem que está sentado em um trono de rei, tem coroa de rei, cetro de rei, roupa de rei, cara de rei e que leva uma plaquinha na qual está escrito ‘Dr. Simão –Médico’
Os ingênuos se atrapalhavam com a plaquinha até que os ‘espertos’ diziam: ‘o quadro é do rei, a plaquinha é só para disfarçar!!!’
A análise do texto considerado, o coloca como o SDP:
a epígrafe – ‘palavrinha’;
o tonus e o magisterial das considerações;
o conselho da semana;
a jaculatória da semana;
as intenções da caminhada;
união com o Sr. ;
recomendações para os senhores ...
Graças a SDL o que me move a estas linhas é o dever para com o SDP e sua obra. Todos nós sabemos e o Sr. tantas vezes nos disse que não é lícito passar –ou deixar-se passar-- pelo SDP, como também não o é constituir-se ou deixar-se tomar como canal necessário junto a nosso Pai e Senhor.
Mas não é só isso. Essas coisas trazem necessariamente divisão na TFP. Divisão amaldiçoada pelo próprio SDP. (...)
Por isso, carissimo Sr. João, tome como manifestação de alta amizade lhe pedir que impeça, não só por palavras, mas também pela via dos fatos ou mesmo das tendências, que o Sr. seja tomado como sucessor do SDP. Ou seja, receber ou permitir que se lhe prestem honras, atitudes e adesão análogas as que só se devem a nosso querido Pai e Senhor.
*
Há moças que pedem para ter união de alma com JC e tornar-se suas escravas:
Oratório de Na. Sra. da Conceição Vítima dos Terroristas
Pedido de orações
Data 6/12/97
Nome: Marjolie Taniguchi Alves Moreira
Intenções: Pela total união e fidelidade desta escrava com seu Senhor JC, de convívio intenso com ele (...) Para maior glória de meu Senhor e maior vida espiritual desta eM”
O pedido não é para o SDP, nem para JC enquanto medianeiro. É para JC enquanto Senhor. A moça pede “total união e fidelidade” a JC. Ela está para JC como a escrava para seu Senhor.
“Jour-le-jour” 5/5/96 - JC lê e comenta a Conversa Sábado à Noite de 13/4/85:
O superior --e portanto o senhor-- é para seus súditos uma alma que realiza ao mesmo tempo o que há de mais característico em cada uma das almas que foram chamadas para se conectar com ele.
De maneira que olhando-o, contemplando-o de alma a alma, haja uma união parecida, (...), análoga, não idêntica, a de Deus com o homem.
De maneira tal que nesse universo de almas que é uma família, o fundador espelha cada alma pelo que ela tem de mais característico, se ela souber vê-lo por onde ela deveria vê-lo, que é pelo "Thau" dela. E na tal câmara profunda da mentalidade, por onde de fato as almas se unem, onde os contra-revolucionários estão unidos.
(...) Isso tem sua reversibilidade porque o súdito só sentirá isto quando ele tiver sentido em si e dado o primado em si àquilo da alma do superior dele, do fundador dele por onde ele se unirá lá. Se ele não é apetente daquilo, os dois não se encontram.
Se eu vou à procura de A, mas A não vem à minha procura, nós não nos encontramos no caminho. Não há possibilidade de nós nos encontrarmos no caminho. É preciso que cada um tenda para o outro. E que, portanto, eu vendo um súdito, eu perceba como é a alma dele e procure -- daí vem o discernimento dos espíritos -- procure encontrar-me ali para uma união. Agora, que ele também procure fazer isso, procure ver como eu sou e unir-se ali.
Se não houver isso, essa união de almas não se dá (...).
Aí se realiza aquela metáfora de que o catacego se deixando guiar, vai crescendo em lucidez. Porque ele vendo cada vez mais como é o fundador, e vendo naquele ponto, vai ele mesmo cobrando mais visão. Não para se tornar independente, mas para saber andar até no escuro atrás de seu fundador, sem perder o caminho.
É muito importante. E aqui vem a questão de sucessória.
*
Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95 - Em vida de Dr. Plinio, o eremita Dustand tem avidez em conhecer o que a graça fala dentro da alma de JC:
Uma vez que devemos ser cada vez mais irmãos, uma pergunta assim um pouco íntima, que o Sr. responda na medida que o Sr. achar que convém. Desde que o Sr. recebeu a notícia [NB: do estado de saúde de Dr. Plinio], é claro que isso causou uma série de reações de alma no Sr. e se deduz muito das reuniões que o Sr. faz, na própria fisionomia do Sr., no modo do Sr. responder as perguntas, enfim, no modo do Sr. conduzir tudo a gente percebe. Há muitas outras coisas que nós não conseguimos perceber e que nós gostaríamos, para ter maior união com a paixão do Sr. Dr. Plinio no momento, o Sr. pudesse dizer o que é que se passou em relação a tudo isto na medida em que o Sr. achar conveniente. (...) Como somos todos um, mas isso tem graus de intensidade, para aumentar a intensidade dessa união com ele, o Sr. podia dizer o que é que a graça vem dizendo na alma do Sr., o que a Senhora Dona Lucilia tem impulsionado, soprado na alma do Sr. em relação a tudo isso.)
*
Reunião na Saúde, 10/10/95:
(Edumar: O que eu ia dizer exatamente é pedir para o senhor explicar, o senhor sendo o mais velho dos irmãos, o senhor nos guiar. O senhor conhece muito mais do que nós, o senhor amou muito mais e ama muito mais do que nós (...) Como o senhor conhece mais e o senhor ama mais, o senhor contar o que está na alma do senhor para nos levar até... (...) Se o senhor pudesse dizer o que o senhor sente.)
*
Reunião na Saúde, 21/12/95:
(Aparte: Nesse sentido, o que mais falou na alma do senhor, no decorrer dos audiovisuais?)
*
Reunião na Saúde, 26/12/95:
(Amorim: A voz da graça que falava no íntimo de nosso Pai e Fundador, tem falado muito na alma do senhor. (...) Uns são mais sensíveis, outros... (...) é certo que o senhor escuta a voz de nosso Pai e Fundador. O senhor quando diz, a gente vê: isto vem do Sr. Dr. Plinio. (...) O senhor não sente uma intervenção direta de nosso Pai e Fundador, como que dizendo: "Faça isso ou faça aquilo."?)
Eu sou obrigado a dizer ao senhor a verdade. Eu sei que a Providência, de repente, pode por essa impressão na alma do senhor. Não tenho. O que eu sinto, isto sim, é uma assistência muito especial dele. Já com ele em vida, eu sinto que quando fazia bobagem, Nossa Senhora arrumava um jeito, contornava a bobagem feita e dava um resultado qualquer que era diferente daquilo que a bobagem poderia prometer.
Depois da morte dele, eu sinto que já antes de fazer a bobagem, ele segura. Depois, posso dizer que sinto uma assistência dele muito maior no sentido de encontrar as formulações, encontrar as soluções, encontrar os caminhos, isso sim. Mas não que há algo no interior, que diga [cochichando]: "Tal coisa... agora entre por aqui... diga tal coisa..." Não, isto francamente não tem. Gostaria de ter.
(Amorim: Essa voz da graça, existe.)
A voz da graça... O que é que o senhor entende por voz da graça? Não é uma formulação. É um impulso, é um estímulo, isso sim.
*
"Jour-le-jour" 13/1/96 (texto 744):
(Fernando Gonzalo: Eu queria pedir se o senhor nos podia contar, assim como nos contou antes com tantos detalhes, coisas que passaram em sua alma durante esse período de prova, de purificação, de noite escura (...) o que é que a graça lhe diz no fundo de sua alma?)
Agora?
(Fernando Gonzalo: Agora ou no tempo que o Sr. Dr. Plinio estava na Terra. O que eu digo é os maiores momentos de "flash" de sua vida.)
*
Reunião na Saúde, 2/4/96:
(E. Gimenes: O que vai na alma do senhor, em matéria de desejos, de intenções, a propósito desses 6 meses que se passam desde o falecimento do Senhor Doutor Plinio?)
*
Reunião na Saúde, 30/4/96:
(Jorge Andrey: Sr. João, se o senhor pudesse explicar desde a graça de 67, antes e depois de 3 de outubro, aquele "que não sou mais quem vivo, mas é meu senhor sacral que vive em mim", na alma do senhor. E algo no sentido da reunião de hoje, a ação de presença do Sr. Dr. Plinio, mas sobretudo dele viver dentro de nós.)
*
Telefonema para a Saúde, 28/5/96:
(Aparte: Eu gostaria de perguntar o que o senhor sente na alma do senhor de ser esse membro fiel do Senhor Doutor Plinio, ser esse filho e escravo e, sobretudo, da cavalaria angélica e profética do Senhor Doutor Plinio. O que vai na alma do senhor? Qual é essa graça que o senhor sente?)
*
Reunião na Saúde, 18/3/97:
(Francisco Echeverría: (...) O senhor, num JxJ de uns dois domingos atrás, disse que a Srª Dª Lucilia era a construtora ou protetora da arquitetonia, da trama de nossas vidas. O senhor poderia considerar isso, essa construção, essa proteção? E como a Srª Dª Lucilia agiu na alma do senhor, nesse sentido?)
Telefonema de JC (em Spring Grove) com os eremitas de S. Bento-Praesto (em São Paulo), 29/9/96:
(Nelson Tadeu: Salve Maria, Sr. João!)
Salve Maria, Sr. Nelson.
(Nelson Tadeu: O senhor está bem, Sr. João?)
Bem graças a Deus. E o senhor como vai?
(Nelson Tadeu: Bem graças a Nossa Senhora. Estão todos os eremitas do Praesto Sum e São Bento aqui na sala do Troneto de Nossa Senhora.)
Ah, está ótimo! (...) Mas então, o que é que os senhor me conta?
(Nelson Tadeu: Todos muito desejosos de ter notícias do senhor, como é que está a saúde do senhor, o que é que o senhor tem pensado.) (1)
A saúde não podia estar melhor, está bem, bem boa mesmo.E já fizeram a cerimônia ou vão fazer ainda?
(Nelson Tadeu: Terminamos a cerimônia há pouco, Sr. João. Foi uma constatação daquilo que nós tínhamos ouvido de manhã, nós estamos tendo a graça de assistir aquelas reuniões que o senhor fez aí sobre o cultivo dos flashs.) (2)
Ah, mas não ouviram todas ainda?
(Nelson Tadeu: Estamos na 4ª reunião, do dia 14 de setembro.)
Ah, então eu vou tirar umas férias, porque quando eu chegar aí ainda tem mais reuniões, de modo que...
(Nelson Tadeu: Mas, é espetacular ver como o Senhor Doutor Plinio inspira o senhor. A impressão que a gente tem é essa, que ele suscitou nas almas apetência disso, e deu ao senhor a inspiração para tratar desse assunto. Porque é impressionante, todo o mundo que assiste, que toma contato com o tema, é uma espécie de reflorescimento, de... não sei... uma sensação de frescor, de primavera, uma coisa assim.) (3)
É (4). (...)
(...)
(Nelson Tadeu: A gente tem a sensação também de que tem um lado do convívio de alma com ele na questão toda do "flash". E na cerimônia da "Bagarre" há pouco, uma coisa que tocava muito nessa linha de convívio, mas era união com ele dentro da luta, dentro do combate, dentro... enfim, de tudo aquilo que a "Bagarre" significa para cada um de nós. (...) O senhor tem tido cogitações, quer dizer, colóquios praticamente com ele nessa linha? Porque o senhor disse que tinha hipóteses...) (5)
Colóquios, colóquios, colóquios. É o dia inteiro, a gente vive na companhia dele, [ininteligível] em função dele, na contemplação dele. O dia todo.
(Nelson Tadeu: Mas alguma coisa que tenha tocado mais o fundo da alma do senhor, nesses últimos dias.) (6)
O que me tocou muito nesses últimos dias foi (...) Enfim... E aí, além das audições, os senhores têm feito cerimônias e adorações, etc., e preparando-se para o dia 3, não é isso?
(Nelson Tadeu: Sim senhor. E uma coisa que estavam comentando agora na hora do jantar, que se sente uma graça muito grande na linha do convívio, daquilo que Nosso Senhor recomendou na última ceia, e que o senhor tratou tanto durante o retiro. Estavam comentando aqui que se sente muito no comentar as notícias que nos chegam daí, de todo o dia-a-dia, de todos os comentários que o senhor tem feito, se dá a propósito disso, um comércio de alma muito grande e um restabelecimento de graças primaveris muito interessante, muito profundas.) (7)
Ótimo isso, ótimo, ótimo, ótimo (8).
(Nelson Tadeu: E sem falar dos que tiveram a graça de fazer o retiro.)
Ótimo. Está bom. E os do Praesto Sum?
(Nelson Tadeu: Tem alguém do Praesto Sum para falar com o senhor, pode ser?)
Pode.
(Santiago Canals: Sr. João!)
Salve Maria, senhor!
(Santiago Canals: Salve Maria, Sr. João, como está?)
Bem e o senhor? (...) E aí no Praesto Sum como vão as coisas?
(Santiago Canals: Sr. João Clá, com "unas ganas" enormes de vê-lo, se pudéssemos daríamos um abraço, mas...)
Pelo telefone é impossível (9), vamos inventar um aparato especial para isso.
Aqui eu estou com uma lua bem nítida, uma coisa impressionante, ouviu? Está um céu aberto, uma temperatura agradabilíssima, nós estamos a 13 graus mais ou menos. Muito agradável. A temperatura do dia também estava um sol muito bonito. Aqui o céu é arquidespejado, não é como São Paulo, é um ar puríssimo. O outono aqui está prematuro porque as árvores já estão quase todas coloridas, ouviu? Está um espetáculo muito bonito.
(Santiago Canals: Aqui estamos sem sol há um mês já.)
Ah, o tempo está feio assim aí é?
(Santiago Canals: Está feio sim. Estamos esperando que chegue o sol porque... ahahah!) [Exclamações] (10)
Ah, mas esse sol é um caco de vidro que reflete o sol mais alto que está lá na eternidade.
(Santiago Canals: Bom, mas estamos totalmente às escuras, na certeza que venha o quanto antes.) (11)
Sim, sim. Essa semana nos veremos ainda, se Deus quiser. [Aplausos] (12). Eu tenho médico amanhã ainda, mas eu creio que amanhã ele vai me encontrar tão bom que ele vai me dar alta certamente.
(Santiago Canals: Ótimo! Sr. João, não queremos tomar mais o seu tempo, agradecemos muitíssimo. E queremos pedir uma bênção especialíssima e se podia rezar alguma coisa em união com nosso Pai e Senhor.)
Vamos rezar a mais bela de todas as orações da nossa vocação que é a oração da Restauração. (...) Bem, agora então vamos pedir a ele que nos abençoe. Benedictio Domini...
(Amém!)
(Santiago Canals: Muitíssimo obrigado, Sr. João Clá!)
Que Nossa Senhora lhes ajude muitíssimo, o Senhor Doutor Plinio mais ainda, e a Senhora Dona Lucilia lhes acompanhem a cada passo.
(Santiago Canals: E que o traga o quanto antes.)
Isso. Vamos ver se logo, logo. Até o dia 3 é certo que eu chego.
(Santiago Canals: O Sr. Constantino pede uma bênção porque fez aniversário ontem.) (13)
Ah, está muito bem, com enorme gosto.
Comentários:
Os eremitas de S. Bento - Praesto Sum estão “muito desejosos” de ter notícias de JC e de saber o que tem pensado. Em outros termos, estão ávidos de conhecer as cogitações (o que tem pensado) e as vias (o que tem acontecido) de seu senhor.
Nesse dia, pela manhã, os eremitas tiveram a “graça” de ler um texto de Dr. Plinio comentado por JC. No momento, estão tendo mais outra “graça” --daí os agradecimentos enternecidos que manifestam ao final do telefonema. Entre ambos períodos, na cerimônia que fizeram, JC também esteve muito presente nas suas mentes. Logo, vivem em função de JC.
Aqueles conselhos de seu senhor, de relacionar-se direta e misticamente com Dr. Plinio, de “conversar” com Dr. Plinio, etc., o dia todo, não se vê que sejam atendidos pelos eremitas. Claro: ninguém pode servir a dois senhores ao mesmo tempo.
Amostra desses conselhos:
- nós podemos ter esse convívio mesmo post mortem com o Sr. Dr. Plinio, (...) recordando, olhando as fotografias, amando, se encantando, se entusiasmando (...)(Cfr. reunião para CCEE, 4/10/96)
- [no ano que vem], nós vamos compreender muito mais a ele do que quando ele estava vivo. Esse ano será um ano de maior compreensão ainda da pessoa dele (Cfr. reunião para CCEE, 4/10/96)
- antigamente nós tínhamos que pegar o telefone para poder falar com [Dr. Plinio] por telefone, ou então a gente tinha que implorar uma hora com o Sr. Fernando Antúnez, com o Sr. Gugelmin ou com o senhor não sei quem. Agora não precisa mais, agora é comunicação direta (Cfr. reunião para CCEE, 4/10/96)
- alguns de nós somos tocados por uma graça toda especial, sensível, de inteira gratuidade da Providência, por onde nós no fundo da alma temos uma experiência, que é de origem mística, de presença do Senhor Doutor Plinio, de ligação com o Senhor Doutor Plinio, de admiração por ele, de encanto por ele. De modo que, apesar de ele estar na eternidade há mais de um ano já, aquele nosso relacionamento com ele vai aumentando, vai se intensificando, e as pessoas então se encantam cada vez mais e vão, portanto, se unindo cada vez mais por causa dessas graças (Cfr. "jour-le-jour" 6/10/96)
Para Nelson Tadeu, essa sensação de reflorescimento, de frescor e de primavera, não veio diretamente de Dr. Plinio, mas através de JC.
Por um lado, Dr. Plinio suscitou nas almas apetências desse tema; e por outro lado, inspirou espetacularmente a JC para tratar desse tema. Quer dizer, Dr. Plinio desempenhou o papel de mediador entre as almas e JC.
JC concorda.
Em matéria de colóquios “místicos”, “Dr. Plinio” não “falou” com os joaninos a respeito da Bagarre, mas sim com JC. Ou, se falou, não foi tão profundo. Daí o pedido de Nelson Tadeu a JC para que conte aquilo.
Quer dizer, o relacionamento “místico” dos joaninos com Dr. Plinio, é insuficiente. Precisa ser complementado --ou talvez requintado-- pelo relacionamento não-místico com o reverendo João.
Nelson Tadeu, coerente com o pedido de escravidão que fez a JC, está ávido de afinar com as cogitações mais recentes e mais profundas de seu senhor.
Ao acompanharem as notícias que chegam de JC, todo o dia-a-dia de JC e os comentários de JC, os eremitas de S. Bento - Praesto Sum restauram graças primaveris muito profundas.
No caso deles, essa restauração não se opera no convívio místico com Dr. Plinio
O senhor deles portanto não é Dr. Plinio, mas JC.
JC está arqui de acordo com isso. As 4 repetições da palavra “ótimo”, equivale a um estímulo nesse sentido.
Santiago Canals afirma que os eremitas do Praesto Sum estão ávidos de ver e de abraçar a seu senhor. Mas pelo telefone não lhes é possível realizar isso.
Em outros termos, além da união moral --cogitações e vias-- com JC, eles anelam uma união física com ele. Aliás, propriamente no que é que consistirá esse “abraço”? Num ato de culto, no qual os adeptos se impregnam de não se sabe que eflúvios?
JC está para os eremitas como o sol para os planetas: são iluminados, aquecidos e vivificados por ele, gravitam em torno dele. Note-se, mais uma vez, que a tal união mística com Dr. Plinio, não existe.
Canals, falando a nome dos eremitas, sustenta que eles estão aguardando o retorno, não de Dr. Plinio, mas de JC.
Quem conhece a psicologia dos eremitas, bem pode imaginar a cena: no recinto estão todos eles ajoelhados, perto dos alto-falantes, observando-se uns aos outros, estimulando-se uns aos outros, competindo em dar mostras externas de “fervor” ... e temerosos de dar algum sintoma de “ensabugamento”.
A benção não é pedida a Dr. Plinio. Recorrer a ele direta e misticamente, não deve ser bem visto nesses ambientes.
*
Os joaninos prestam muita atenção no que acontece a seu chefe, o que comenta, o que sua vontade “manifesta”, seus estados de espírito, etc.
Grafonema para o Sr. Andre Dantas de HumbertoEremo Sedes Sapientiae, 07 de setembro de 1996.
Carissimos irmãos de habito (1),
Salve Maria!
Como já era esperado por todos, decidiu o Sr. João na ultima quinta-feira que deveria viajar para os Estados Unidos, a fim de recuperar-se da gripe que o vem perseguindo já ha aproximadamente dois meses. Não obstante fosse notoria a vontade dele de partir repentinamente, creio que poucos deram-se conta, ontem no São Bento, da sua tradicional "fuga" (2). Ao menos foi a impressão externada por ele quando se comentava o fato horas mais tarde.
Certamente os senhores já devem ter ouvido, pelos que foram ao aeroporto, de toda a atrapalhacão da passagem (3). Na quinta-feira o proprio Sr. João fez a reserva do vôo (4). Quando se apresentou ontem no balcão da United, qual a surpresa por verificar que a data reservada tinha sido a de 06 de outubro e não a de 06 de setembro e mesmo havendo um lugar na classe executiva para o percurso São Paulo - Miami, teria ele que ficar na lista de espera para o Miami - Washington. Era o demonio tentando aprontar das suas. Ficou, entretanto, o maldito so com a vontade, pois houve uma desistencia de ultima hora, garantindo assim ao nosso bondosissimo Quidam um assento melhor. Mas de tal forma ele ficou indignado com o ocorrido (5), que manifestou depois sua vontade de ter cancelado a viagem, não fosse haver um acompanhante que já tivesse despachado a bagagem e estivesse pronto para embarcar!
Dormiu um pouco na primeira parte da viagem (6), mas chegando a Miami teve que enfrentar as interminaveis filas para a imigracão. Creio ter levado no total uns 45 a 60 minutos de espera. Era uma massa humana, na qual a maioria falava um castelhano enrolado. Por infeliz coincidencia pegou o mesmo funcionario que o havia entrevistado na ultima vinda: um tipo mal encarado que fazia toda a sorte de perguntas para complicar e que não concedia uma permanencia superior a 30 dias. Ficou novamente furioso (7).
Enfim, já estava ele nas terras em que espera encontrar o tão almejado descanso. `A medida que ia andando pelos corredores do aeroporto, lembrava do dia em que nele chegava com a companhia do Sr. Ramon. Recordava que de tal maneira estava fraco que nem mesmo conseguia carregar seu sobretudo. Era lhe mostrado como de fato tudo mudou. Ha mais de um ano sentia-se estar morrendo e partindo para longe do Senhor Doutor Plinio. Agora, ao contrario, estava a cada dia mais proximo do Senhor Doutor Plinio fosse para onde fosse. Ele esboçava um leve sorriso ao ouvir isso sem dizer palavra (8).
Enquanto esperava o horario para o embarque telefonou ao Dr. Luizinho, com a intenção de comunicar-lhe a viagem (9) e adiantou as orações. Sobre as duas gripes que pegou neste ano (10), disse crer terem sido o resultado de pessoas que o cumprimentavam completamente contagiadas.
Quando passavamos pela policia federal, os agentes me fizeram abrir a sacola de mão, pois estavam desconfiados com o conteúdo da mesma. No "raio X" tinham visto alguns objetos muito estranhos! Ao constatarem tratar-se dos passarinhos de pedra do Sr. João, não deram maior importância. O vôo ate Washington foi muito tranqüilo e levou aproximadamente duas horas e meia. La chegando encontrou a comissão de recepção, animada sobretudo pelos bem-te-vis (que estão proibidos pelo Sr. Frageli de fazer qualquer pedido ao Sr. João).
Duas horas depois chegava de carro ao State aonde cumprimentou (à distancia) todos os presentes e comentou rapidamente o grafonema do Sr. Julio Loredo, no qual conta sua ultima ida a Genazzano. Para este e. foi novidade o fato de ele ter pedido a Nossa Senhora que se manifestasse a algum outro membro do grupo, uma vez que não esta podendo visita-la pessoalmente (11) e que em decorrência dessa suplica ocorreu todo o narrado pelo Sr. Julio.
Rapidamente subiu para seu quarto aonde, depois de ter almoçado descansou por algumas horas.
Para o final da tarde estava marcado um "jornal falado" do Sr. Matias, de passagem por aqui, sobre todas as atividades na Alemanha. O Sr. João apareceu "a las tantas" para "assistir" a reunião... Começaram então vários a fazer perguntas para ele sobre os mais diversos assuntos, algumas inclusive sobre a Graca Nova, evidentemente, e uma ate um tanto apertante. Dentro em breve os senhores poderão venerar uma hora e meia desta "Conversa no State" (12).
Em seguida foi comungar e durante todo o percurso, bem maior que o do Praesto Sum, via-se uma massa humana que se deslocava. No meio alguns mais novos bradavam pedindo cruzinhas, outros queriam o distintivo e assim por diante. Infelizmente, ate agora, tudo esta somente na fase dos desejos ... (13)
Apos a comunhão saiu sorrateiramente e desde então não tenho mais noticias.
Comentários:
Todos os erros de ortografia são aqui transcritos tal e qual aparecem no texto original.
Portanto, JC costuma partir de viagem sem avisar nem mesmo a muitos de seus adeptos mais fanáticos.
Nas conversas dos eremitas de S. Bento o tema é o que acontece com seu senhor. Isso é certo.
O fato de alguém reservar pessoalmente uma passagem de avião, é banal. Em se tratando de JC, é um acontecimento transcendental.
Reação própria de um santo ou de uma pessoa muito susceptível?
Mais um fato banal, em se tratando de qualquer ser humano. No caso de JC, é algo que merece ser registrado, considerado e admirado.
Reação típica de um santo ou de uma pessoa cheia de amor próprio?
Um sorriso levemente esboçado nos lábios de uma pessoa muito astuta, bem pode ser interpretado como significando o seguinte: “este ingênuo não está percebendo o que na realidade está acontecendo comigo”.
Para viajar JC não pediu autorização prévia ao Presidente da TFP. Onde fica a obediência e submissão à autoridade? Assim procedem os santos?
Os fãs de JC prestam atenção até no número de gripes pelas quais passa seu senhor cada ano.
Como JC não pode ir pessoalmente ao santuário de Genazzano, pediu que Nossa Senhora se manifestasse a outrem. Para Humberto, isso constitui uma novidade, algo fora do comum; o normal é Nossa Senhora se manifestar só a JC!
A “conversa no State”, copiada numa fita magnetofônica ou num video-casette, poderá ser venerada pelos joaninos em breve.
No “percurso” --termo muito usado outrora em relação a Dr. Plinio-- uma massa humana se deslocava, mas só alguns novatos queriam cultuar a JC. Não foi possível tornar efetiva a veneração ao ídolo, talvez para não “sopletear”, nem cristalizar a ninguém.
*
Grafonema “confidencial” para Célio Casale, enviado por José Mario, Lisboa, 8 de maio de 1997, sobre a estadia de JC em Portugal. O autor do relato é um tal Bernardo:
(...) E foi assim. Logo depois distribuiu fotografias de MSS - comentando-a - pediu a benção e foi para o quarto após termos a oportunidade de lhe dar a água benta e nos despedirmos. Antes de entrar no quarto já foi combinado o pequeno-almoço e o almoço no dia seguinte.
No dia de hoje (domingo), o seu despertar foi por volta das 10h00. Segundo contou uma pessoa, o levantar da perciana foi lento, bem calmo, cheio de amor de Deus.
O pequeno-almoço foi parâmico, com os mais velhos (Sr. PP, Sr. José Mário, Sr. Maurício e outros). Coisas já conhecidas. Comeu pão preto alemão com bastante azeite e tomou sumo de uva. Após isto aproximadamente uma duzia de cerejas.
Depois desta refeição (que teve mais ou menos a duração de uma hora) foi comungar numa das igrejas do centro velho da cidade.
Fêz, tanto na ida quanto na volta, um longo e calmo percurso. Comentou o lado orgânico da cidade, as pessoas, os edifícios e o lado ainda conservador, apesar do progressismo tentar fazer das suas.
*
Os adeptos do joanismo acompanham o “dia-a-dia” do pontífice, não apenas através de relatos escritos, mas também de videos.
No 14 de fevereiro de 1996, ao retornar ao Brasil, depois de uma viagem pelos Estados Unidos e Europa, teve uma recepção, no S. Bento, análoga à que se fazia outrora quando o SDP ia a esse local. Eis a transcrição do texto oficial respectivo:
[Aplausos. No alto da rampa, esperam o Sr. João Clá os eremitas de São Bento e Praesto Sum, mais os cooperadores da Saúde. Após ter cumprimentado a todos individualmente, dirigi-se para a porta de entrada do êremo que dá acesso à sacristia.]
Na ocasião ele fez o seguinte paralelo com a viagem que o SDP fez à Europa em 1988:
Eu me lembro, no dia 3 de novembro, num certo avião da Varig, descia aqui no aeroporto de Guarulhos, (...) terminavam assim 43 dias de viagem do Sr. Dr. Plinio à Europa. (...) Foi uma viagem muito abençoada. Várias vezes ele dizia: "Tenho a impressão de que esta viagem é de um outro. Não estou fazendo uma viagem minha, estou fazendo a viagem de um outro, porque contar como foram as viagens anteriores em relação a essa... Totalmente diferente."
(...) quando o avião ia descendo aqui no aeroporto, (...) ele virou-se para mim e me perguntou:
-- Você já terminou suas orações?
-- Sim, já terminei.
-- Eu queria dizer o seguinte: Seu Senhor é muito grato, tem um senso de gratidão muito sensível, de modo que eu queria lhe dizer o seguinte: dessa viagem SS não vai esquecer nunca na vida.
A impressão que eu tive nessa viagem de agora foi isso.Nós fomos aqui, fomos lá e acolá, demoramos 47 dias, quatro dias a mais do que a outra viagem. O que é certo é o seguinte: é que o tempo inteiro a gente sentia a presença dele. Parecia que ele como que dizia:
-- Eu agora vou retribuir o que recebi em 88.
Houve o seguinte diálogo de um eremita de S. Bento com JC:
(Pedro Henrique: O senhor parece que ficou muito tocado com a Sainte Chapelle e Versailles, não foi?)
Versailles estava muito tocante. O quarto da Rainha.
(Pedro Henrique: Para todo mundo foi um "flash" o senhor rezar aquelas três Ave-Marias).
(...)
Lourdes uma bênção, mas uma bênção... Viram no video? Uma bênção extraordinária. A tal ponto que está dando febre nos americanos. Está todo quanto americano querendo ir para Lourdes, para Turim, para Genazzano. Lourdes está muito abençoado.
(Pedro Henrique: Lourdes se sentia no video, se ficava impressionado. Quando o senhor encostou na pedra... A gente tinha a impressão...)
Ao terminar a recepção, JC tomou a iniciativa de tratar sobre a possibilidade de ele abençoar àqueles que estavam aí presentes:
Os senhores sabem que durante a viagem várias pessoas disseram:-- Olha, o senhor não pode nos conceder a bênção?Eu dava a resposta clássica, que é a pura realidade, não é uma invenção e que é a seguinte: que eu não recebi delegação para isso. (...)
(Walmir: Só estando em vida ele pode delegar?)
Não. Por isso que eu digo: se ele aparecer a algum dos senhores... Sonhos... o sonhos podem ser passíveis de mil interpretações. Tem que ser "pão-pão queijo-queijo" como ele gosta das coisas.
(...) O que nós podemos é, coletivamente, pedir a ele que nos abençoe, sem problema, perfeitamente. Com isso nós nos despedimos.Eu sempre faço isso: quando eu vou pedir para nós todos, eu primeiro peço para mim.
(...)
(Messias: Depois da consagração que o senhor fez no auditório...)
Isso sim, porque aí eu pedi uma delegação. Está no video, não tem a menor dúvida. Como eu tinha essa delegação, eu fiz e faço todos os dias, não tem dúvida. Não tenho a delegação.
O que eu posso é isto: pedir a bênção a mim primeiro e depois pedir que ele abençoe a todos nós. Isso não tem a menor dúvida. Isso não precisa delegação. Se eu posso pedir que ele abençoe a mim, posso pedir que ele abençoe os senhores. O que eu não posso é dar a bênção dele, isso não.
Está claro?
(Não.)
Os senhores não gostam de compreender as coisas. A lógica não lhes assiste inteiramente.Espero que tenha cumprimentado a todos. Não escapou ninguém por aí não? Se escapou alguém levante a mão.
Cumprimentei a todos. Está ótimo. Então, agora podemos pedir a bênção dele já, imediatamente.
Que ele os ajude e ela também, e até amanhã, se Deus quiser.
(Cfr. texto 960214EX-REC)
Todos as visitas que JC fez a locais históricos e veneráveis nessa viagem foram filmadas: Madri, Zaragoza, Lourdes, Versailles, Saint Chapelle, Assis, Genazzano, Veneza, Turim, etc.
De tudo isto foi feito vídeo-tape, tem tudo vídeo-tape.
(Cfr. "jour-le-jour" 8/2/96)
*
Numa reunião feita na Saúde (15/2/96), pouco depois de ter chegado da viagem que fez à Europa e Estados Unidos, JC relata a visita que fez à basílica de Nossa Senhora do Pilar, na Espanha. Pela narração, fica claro que aquela visita --e muito provavelmente também outras-- foi filmada pelos seus discípulos.
Quando nós entramos na basílica --uma basílica lindíssima, enormíssima-- estava um monsenhor que era conhecido do Sr. Fernando Galan. Ele me apresentou e eu não sei porquê o monsenhor simpatizou-se comigo, pensando que eu fosse alguma autoridade, alguma coisa qualquer. (...) Esse monsenhor se encantou conosco e nos levou para mostrar uma parte que existia nos fundos do altar de Nossa Senhora do Pilar, uns retábulos todos feitos de mármore. Acho que isso ficou no vídeo, não é? É um colosso, mas é um colosso, é uma coisa realmente extraordinária, estupendíssima. Inclusive deve estar no vídeo o espelho que o sujeito colocou às tantas para mostrar a tesourinha que tinha dentro, do trabalho que Nossa Senhora fazia, etc.
*
Conversa 9/3/96, realizada em Roma - O tempo inteiro os joaninos filmam o “"jour-le-jour" de seu pai e ficam furiosos quando o “cameramen” não o focaliza. Eles tem tanto interesse em tudo quanto se relaciona com seu pai e fundador, que também gravam suas conversas caseiras, as mandam datilografar e as difundem pelo mundo inteiro.
Ao retornar à sede depois de uma visita à igreja do Gesú, JC trava o seguinte diálogo com um de seus discípulos --o encarregado da filmagem:
O senhor já filmou o álbum?
(Humberto: Já. O senhor mostrou para eles.)
Não sei, pegue alguma coisa que tem interesse aí, senhor. Filma o Sr. James...
(Humberto: A última vez eles quase me massacraram porque não filmaram o senhor.)
Como não me filmaram? O tempo inteiro estou sendo filmado.
(Humberto: Não, eles dizem que queriam que eu filmasse mais o senhor.)
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Reunião na Saúde, 2/4/96:
(Marcelo C.: No Praesto Sum foi passado um vídeo do senhor na Espanha...)
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Reunião para os veteranos, 22/10/96 - Os joanistas perscrutam o “horizonte” de seu senhor:
(Alonso: O senhor podia comentar um pouquinho se essa situação semelhante à de Boa Esperança, no horizonte do senhor, está próxima, muito remota, que possibilidade de graça? Ou graça de consolação ou graça de perigo?)
*
Reunião na Saúde, 28/1/97 - Os joanistas cogitam como seu senhor recebe graças:
(Alberto Bueno: Numa das meditações [do retiro] o senhor fala sobre a Sempre Viva, e este escravo de Maria, em uma das meditações, ficou imaginando como o senhor recebeu esta graça.)
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Palavrinha CCEE, Miracema, 27/7/96 - Os joaninos gostariam de saber como JC reza:
(Coutinho: Sr. João, se o senhor permitir uma pergunta a mais... É que o senhor falou ontem da luz primordial, que cada pessoa tem um modo de ver a Deus que é próprio dele. Agora, sendo assim, o senhor tem um modo de ser -- que é próprio do senhor -- e de ver o Sr. Dr. Plinio, de ver a Sra. Da. Lucilia. O senhor podia dizer um pouco como o senhor reza?)
*
Conversa de 10/5/96 - Os joanientos tem suma avidez em conhecer a vida íntima, os pensamentos, as memórias, os planos, etc., de seu mestre:
(José Afonso: O que o senhor andou pensando de ontem para hoje?)
(Célio Casale: Se o senhor pudesse contar algo do íntimo da alma do senhor?)
(...)
(Luiz Alexandre: Sr. João, por falar em mística, (...) será que o senhor poderia precisar quando que se deu, digamos, o "clic", como se costuma chamar na Saúde, que essa união mística se estabeleceu [com Dr. Plinio]?)
Que dizer, ele se explicitou mesmo no dia em que eu o vi passando no cortejo, foi aí. Mas já existia.
(Luiz Alexandre: O senhor saberia especificar quando isso se deu?)
Ah! Isso foi, pelo menos, pelo menos uns dois, três anos antes, pelo menos.
(Luiz Alexandre: A circunstância, o senhor...)
A circunstância foi (...). E então eu me ajoelhei em cima da cama, nos pés da cama, e comecei a rezar, porque eu sabia que existia -- aí é uma ação mística, é evidente -- sabia que existia um grupo de pessoas, mas sobre tudo um homem que eu tinha que conhecer, porque esses eram os bons, esses que eram os verdadeiros, esses eram os que iam lutar, esses que iam vencer, esses que iam derrotar o mal, esses que eram os desinteressados. (...)
(Aparte: Quantos anos o senhor tinha?)
Eu devia ter treze anos, mais ou menos. (...) Eu via o homem -- não que eu via o Senhor Doutor Plinio, eu não via o Senhor Doutor Plinio -- eu via como que uma silhueta, um homem, eu sabia que eu ia encontrar um homem, entende.
(Alexandre T.: Assim, uma imagem?)
Tinha uma imagem. Mas não era uma imagem definível, tinha um vulto, não uma imagem.
(Walmir B.: O senhor não tinha ouvido falar dele?)
Nada.
(Walmir B.: O "Mutuca" não falou nada?)
Nada, nada, nada.
(Walmir B.: Levou lá para conhecer a adoração.)
Sim: "Vamos conhecer um grupo de Catolicismo", não sei quanto, etc. "Está bom". Não sabia nada.
(Alexandre T.: O senhor conheceu ele depois da Missa?)
Não, não houve Missa. Era aqueles bons tempos da Igreja Constantiniana, era uma novena de Nossa Senhora do Carmo e onde havia bênção do Santíssimo, adoração do Santíssimo e um sermão. (...)
(Aparte: À noite?)
À noite. Era das oito às dez.
(...)
(Geraldo M.: Ao ouvir o nome dele, pela primeira vez, que impressão o senhor teve?)
A primeira vez foi ele quem disse.
(Nossa!)
Sim.- Você que é o João?- Sim, eu sou João.- Eu sou Plinio Corrêa de Oliveira.
[Exclamações]
(...)
(Frizzarini: E como é que ele sabia quem o senhor era?)
Porque o "mutuca" deveria ter dito a ele tinha me levado e que eu estava embaixo esperando. Então ele se aprontou e saiu depressa para me conhecer (1). Foi em frente à igreja, embaixo. Ele descia as escadarias do convento.
(...)
(A. Dantas: E o segundo contato, como foi?)
Ai, já não me lembro. (...)
(Andrey: Vendo que os membros do Grupo eram da Ordem Terceira, o senhor queria entrar também?)
Não, meu plano primeiro era fundar uma sociedade (2). Meu plano primeiro era convidar pessoas para essa sociedade, para ver se, de repente, no meio de uma ação pública, de uma ação direta a gente conhecia esse homem, conhecia esse outro grupo que eu não sabia onde é que estava. (...)
(Pedro José: Sr. João, como é que o senhor imaginava essa sociedade? Uma Ordem de Cavalaria?)
Não, não. Eu imaginava uma sociedade com vistas ao estudo de coisas culturais, uma sociedade cívica. Não era nenhuma sociedade religiosa.
(...)
(Alexandre T.: O senhor tinha plano de entrar para a Ordem Terceira?)
Não, eu não tinha plano de entrar para a Ordem Terceira, mas [eu pensei]: "Eu pertenço a isso, eu fui chamado para isso". Não me pus o problema: o que é que eu vou fazer, como é que eu vou fazer para entrar, para sair, para me entregar. Não! Sou disso, acabou. "Estou inteiramente disso aqui, pertenço a isso. Nem sei o que é que é, mas já sou disso".
[Exclamações]
(Walmir B.: O que eu não me lembro de o senhor ter contado é quando é que o senhor foi recebido na Ordem Terceira.)
Bom, aí então foi feito um "postulantado" do qual fizeram parte os primeiros membros do grupo da Aureliano.
(Walmir B.: O senhor não era da Aureliano nessa época?)
(...)
(Santiago C.: Quando o senhor passou a viver na Sede?)
Passei a viver na Sede depois do serviço militar, 1959. Passei um ano no serviço do Exército, grosso, terrível!
(...)
(Célio Casale: Mas, quando o senhor foi dormir a primeira vez [numa sede], já era na Aureliano?)
(...)
(Santiago Canals: O senhor tinha contatos com o Senhor Doutor Plinio estando no serviço militar?)
Muito menores, porque era uma vida dura. (...) Porque era uma companhia de elite, fundada naquele ano, só tinha pessoal, praticamente, da sociedade de São Paulo (3) que tinha tentado escapar do exército e não tinha conseguido por causa da fundação dessa companhia, e eles aproveitavam para tirar o couro e os ossos.
(Santiago Canals: Quem meteu o senhor lá?)
Quem me meteu, nada! Eu tinha generais querendo me tirar e ninguém conseguiu me tirar.
(...)
(...) eu tinha parentes que eram altamente graduados (4) na polícia militar e tinham mexido, agido. (...) Enfim, tinham mexido, feito de tudo para me livrar. Mas essa companhia foi fundada naquele ano, pegando o pessoal de elite. Porque eles queriam uma companhia de elite. Então, todo mundo que tinha pelo menos segundo científico foi apanhado. Era tudo gente de cultura, gente que fazia discurso, gente que preparava artigos para revistas, tudo gente capacíssima (5). Eu não tive jeito de fugir. Então, me pegaram. E dentro da companhia aí começou toda uma história que é longo de contar.
[Protestos]
(José Afonso: O senhor tem foto?)
Tenho, tenho.
(José Afonso: De farda?)
De farda, tem foto.
(Santiago Morazzani: Então, começou a história...)
Aí começou uma história longa, longa de onze meses.
(Walmir B.: Um outro tomo que se abre.)
Hahaha! Um outro tomo.
(Alexssander L.: O primeiro mês... [inaudível].)
Ah! O primeiro mês foi de matar, o primeiro mês foi de matar! Foi bárbaro! A fase boot-camp foi tremenda!
Boot é botas e camp é campo. Os Mariners têm uma fase de oito semanas, dois meses, onde eles não usam arma nenhuma, eles só têm botas -- a farda, botas -- e campo. O tempo inteiro eles passam sob os berros dos superiores, fazendo coisas arbitrárias para perder o espírito civilista. O sujeito passa de mentalidade civil para mentalidade militar em oito semanas. Aí é que começa a formação militar propriamente dita.
(...)
(...) Mas eu me lembro que eu saí um militar, porque depois de onze meses numa escola ferrenha dessas, eu saí militar.
(Alexandre T.: Não foram seis, Sr. João?)
Onze.
(Alexandre T.: Eu achei que o senhor havia dito que o senhor terminou antes.)
Sim, terminei antes, pois eu devia ficar pelo menos doze. Pelo menos doze, houve gente que ficou quinze.
(Célio Casale: Quando é que o senhor foi elevado a cabo?)
Ah! Isso foi logo no começo.
(Alexandre T.: Mas como?)
Foi por comportamento, por disciplina, por voz de comando, por não sei quanto, por não sei o que etc., etc.
(Santiago Morazzani: [Inaudível].)
Aqui vamos deixar para outro dia, porque eu tenho que ir embora.
(Todos: Ahhh!)
(Santiago Morazzani: O senhor nunca contou!)
Mas o que eu posso fazer...
(Walmir B.: [Inaudível] ...um membro do Grupo no exército dá uma série de...)
Isso depois de um mês e meio, mais ou menos, depois de um mês e meio eles perceberam que eu não tinha o linguajar deles, e aí foi uma perseguição de cão!(...)
(Santiago Canals: E o que o senhor fazia?)
Ué! Firme. Até a hora de subir a cabo. Quando eu subi a cabo eu me vinguei de todo mundo.
[Exclamações]
(Santiago Morazzani: E aí como foi?)
Aí, mesmo antes, quando eu dava guarda, era vinte e quatro horas no quartel, e tinha o problema da Comunhão. Então, eu esperava que o oficial do dia assumisse o comando e chegava para o oficial do dia e dizia: "Olhe aqui, eu sou católico e sou de Comunhão diária. Eu vou dar guarda agora, estou fora do posto de serviço, eu tenho quatro horas pela frente de folga, daqui quatro horas eu tenho que pegar o posto, e eu teria tempo agora para comungar e eu precisaria de licença para sair para comungar". Assim direto.
O sujeito ficava impressionado, mandava pegar um jipe que me levava de jipe até a igreja, eu comungava, subia no jipe, e voltava para o quartel.
[Exclamações]
E aí foi se espalhando a fama de católico, católico enragé, católico enragé...
(Alexandre T.: Era nos primeiros meses isso?)
Era nos primeiros meses.
Comentários:
Então, JC não foi ao encontro de Dr. Plinio, mas Dr. Plinio foi ao encontro de JC. Dr. Plinio teria ouvido falar de quem é JC e teria discernido que se tratava de uma pessoa excepcional, à qual é preciso não fazer esperar; por isso Dr. Plinio saiu depressa para o conhecer. Mais ainda: Dr. Plinio se aprontou para cumprimentar a JC.
O plano “A” de JC era ser fundador de uma instituição.
JC não fala nada de sua origem humilde e meio parece dar a entender que era da sociedade de São Paulo.
Dá a entender que sua família não era modesta.
JC era visto como pessoa muito culta, capacíssima.
*
Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 15/5/96 - Os joaninos tem muito interesse em conhecer como acorda seu ídolo:
(José Afonso: Pois é, com o senhor comentando e tal. Quando o Senhor Doutor Plinio, antes de ele falecer, o senhor quando acordava pela manhã...)
(...)
(José Afonso: Quando o senhor, como é que era o acordar, e depois o chegar no primeiro andar.)
(José Afonso: E hoje, Sr. João?)
(...)
(José Afonso: Pois é, mas como se passa com o senhor quando o senhor abre os olhos pela manhã?)
(...)
*
"Jour-le-jour" 5/2/96 - Os discípulos de JC prestam atenção na cor da pele de seu senhor.
Em Estados Unidos, em fevereiro de 1996, JC, falando a respeito de sua estadia recente na Europa, disse:
Nós chegamos a Veneza com dois dias de sol, mas a ponto de... Quem foi que me viu? Foi o Sr. Coluço. Foi lá nos pegar no último dia à tarde. Olhou para mim e disse: "Nossa, como o senhor está queimado!"
Eu não tinha me dado conta, tínhamos andado para cá e para lá no sol de Veneza e tinha me queimado, porque estava um sol radiante, lindíssimo, mas lindíssimo.
*
No 15/5/96, durante o treino do coro ou da fanfarra, houve um lanche. A conversa de JC com seus discípulos nessa ocasião serviu de matéria para datilografar um texto.
Às tantas, JC disse: “nós precisamos tocar o treino aí, está todo mundo pronto?” Arturo Grimstein respondeu: “Não, segura aí!” [Risos]
Quer dizer, apesar deles conviverem com JC no mesmo prédio, e de assistirem às reuniões diárias de JC, eles ainda não estão satisfeitos. Isso é “benquerença” ou fanatismo sectário?
*
Até a vestimenta de seu fundador é comentada, noticiada e registrada.
Referindo-se à viagem de JC à Espanha, Frizzarini disse a outrem: “Olhe, o Sr. João está com uma gravata só”.
(Cfr. "jour-le-jour" 16/1/96)
*
Nos textos das reuniões de JC, os datilógrafos anotam não só o que ele fala, mas com bastante freqüência também as exclamações e os gestos do impostor. Assim não procediam em relação a todas as reuniões do SDP.
*
A seguir, uma série de perguntas indicativas do tropismo das cogitações dos joaninos:
(Vicente Mártir Suato: O senhor poderia contar como foi a Primeira Comunhão do senhor?) (Cfr. reunião na Saúde, 4/3/97)
(Aparte: Qual o "flash" que o senhor recebeu no dia em que recebeu a capa?) (Cfr. reunião na Saúde, 4/3/97)
(Aparte: E o hábito?) (Cfr. reunião na Saúde, 4/3/97)
(Ivan Suato: Ontem, na reunião, o senhor falou do cometa. (...) O senhor poderia aprofundar o que o senhor sentiu quando soube da notícia do cometa?) (Cfr. reunião na Saúde, 18/3/97)
(Albertony de Jesus: O senhor poderia contar o primeiro "flash" que o senhor teve com a combatividade do Sr. Dr. Plinio, e como isso vincou na alma do senhor? Depois, como é que o senhor soube aliar isso à virtude da humildade?) (Cfr. reunião na Saúde, 25/3/97)
Araújo: Quando é que despertou no senhor essa percepção da mística do Sr. Dr. Plinio?) (Cfr. "jour-le-jour" 25/5/97)
(Aparte: Eu queria saber, quando o senhor ia atender um telefonema, quando o senhor ia ter um contato com o Sr. Dr. Plinio, com que estado de espírito o senhor ia?) (Cfr. reunião na Saúde, 3/6/97)
No Encontro de CCEE, de 17/3/96, uma senhora disse a JC: “A gente vem aqui e fica superanimada. Precisa vir mais vezes”. Resposta:
O Sr. Dr. Plinio, um homem muito sábio, um homem providencial, cheio de dons de Deus e com um senso organizativo fora do comum, organizou a obra dele no mundo inteiro de uma forma perfeita, perfeitíssima. Ele foi estimulando aqui, estimulando lá, e tudo se organizou de uma forma como ele queria. Há uma organização própria a cuidar dos Correspondentes Esclarecedores. Essa organização é respeitada por todos nós com toda a estima, com toda a consideração e com toda a submissão (1). Eu não faço parte da organização.
Nós de São Bento, Praesto Sum, Saúde, o que queiram, estamos à disposição da organização para ajudar a todos aqui a terem bem no centro a nosso Pai e Fundador, a nossa Mãe e Fundadora. [Aplausos.]
Mas pelo que eu posso entender e interpretar das fisionomias dos que são os verdadeiros dirigentes dos Correspondentes Esclarecedores, as verdadeiras autoridades (2), eu vi que eles acolheram com muita simpatia o pedido da senhora. De modo que eu tenho certeza que eles vão estudar o caso, vão arrumar uma solução. [Aplausos.]
(Cfr. Reunião para CCEE, 17/3/96)
Algumas horas mais tarde, nesse mesmo dia, JC teve uma conversa com seus discípulos mais íntimos, na qual disse o seguinte:
A luta contra o mal é toda ela feita nas nuances (3). Porque se o senhor não souber que o mal é mal, que joga com má fé, com mau espírito, que quer lhe derrubar, mas de tal forma que o senhor cai de nuca no chão, quebre o nariz, e depois quer pôr a pata em cima da sua garganta, se o senhor não tiver essa convicção, o senhor desarmado vai dizendo as coisas...
Quando está num auditório como esse (4), todo o mundo contente, todo o mundo contente, todo o mundo satisfeito e aplaudindo, o senhor precisa estar com a certeza de que essa fita vai ser ouvida e vai chegar aos ouvidos de gente que vai ouvir isto com aparelho de som especial, que vai voltar para trás, voltar para trás, querendo pegar uma: "Agora aqui te pego!".
O senhor pega a conferência inteira e o senhor não tem nada para pegar, não tem nada. Não tem uma só.
O senhor pode ver todas as perguntas, as respostas são todas elas...
-- Nós precisamos mais ânimo, porque a gente sai daqui animada. Então precisa mais reunião.
-- Não tem dúvida. Isso não é conosco, é com a direção. Mas eu já estive vendo, a direção recebeu com agrado o pedido que a senhora fez.
Depois fica patente que nós não estamos nos metendo na direção das outras coisas do Grupo. Depois fica afirmado o princípio de que o Sr. Dr. Plinio deixou tudo constituído, que um não mete o nariz no campo do outro. E se eu não meto o nariz no campo dos outros, não metam o nariz no meu campo também (5).
(Casale: Também fica claro que se eles não pedirem apoio do senhor o negócio não anda.)
(Cfr. texto 960317EX-AO3)
No 20/3/96, houve mais uma conversa de JC com seus íntimos (“confidencial, distribuída apenas entre os encarregados de Grupo do Exterior”):
(N. Tadeu: O tema que o senhor tratou com os Correspondentes, por exemplo, o senhor não pôde ler [para o público interno] (6). O Sr. Dr. Plinio na eternidade que vai ser a bofetada de Deus.)
Mas ali cabia, depois de ter feito uma reunião meio laranja, Santa Joana d'Arc. Ali cabia porque, pelo que os senhores me tinham dito, o pessoal estava num fogo extraordinário durante todas as reuniões. Eu disse: "Se eu sair como o foco central desse fogo, eu crio inimizades grossas e no momento não convém. Então eu tenho que fazer uma reunião muito comunzinha, para dar idéia de que o fogo foi pelo audiovisual, pelo... (7)". Tem que ser, é uma guerra.
Mas, por outro lado, eu não posso decepcioná-los. Então tinha que, em certo momento, dizer alguma coisa... Mas segurando, segurando com rédeas. Nos neocooperadores foi diferente. Isto depende de ondas (8), depende de horas.
(Arturo: Então o senhor tem muito mais receio desse ódio, do mal que pode fazer esse ódio, do que o bem que poderia...)
"Transformai o mal em cacos que o bem se fará por si", princípio Plinio Corrêa de Oliveira. Ou seja, deixe o mal sem razão de se aglutinar, que o senhor venceu a batalha (9).
Quando o senhor percebe que estão querendo fazer uma articulação contra, o senhor começa a jogar areia nas engrenagens, começa a pôr algodões e não sei mais quanto, o mal não se faz. O mal não se organizando, daqui a pouco o senhor pode pegar novamente e jogar o pessoal todo mais adiante (10).
Mas não se esqueça que nós devemos evitar que haja a constituição de um partido do mal. O partido do mal a gente não pode permitir que exista. E nossa vitória está em não permitir que o mal se organize enquanto partido, muito mais do que tomar os bons e fazer um partido fogoso dos bons.
Eu custei para aprender isso. Eu apanhei, senhor. Eu custei para aprender isso.
(P. Henrique: Sapiencialidade.)
Sapiencialidade, porque o senhor nunca consegue banir o mal. Se o senhor estrangula um, nascem dois outros. Então o senhor precisa saber qual é a política que o senhor faz com o mal para o mal poder ficar com os dentes quebrados e com as mãos amarradas, mas não destroce. A inutilização do mal é a melhor das políticas.
Quando eu consigo pegar uma cobra sem passar o laço no pescoço, mais ou menos como se alguém que estivesse dormindo, a cobra passeando no pescoço da gente, a gente dormindo e sorrindo para a cobra tira o veneno dela sem que ela perceba, para mim é o ideal. Tirar o veneno da cobra sem que ela se dê conta é o ideal, é a maior das vitórias.
Por exemplo, o senhor sabe que o sujeito está com um ódio tremendo do senhor e que ele está esperando o momento para ele cair em cima. O senhor toma o ponto mais sensível dele, toca nesse ponto e faz com que ele tenha um verdadeiro gáudio, uma alegria, uma felicidade de situação pelo fato do senhor ter tocado nesse ponto que era sensível dele e que está sufocado, porque ninguém sabe tocar nesse ponto a não ser quem tem experiência. A gente vai, toca no ponto e ele, então, se desarma todo e todo aquele ódio vira manteiga, aquele veneno se transforma em mel. Isto é um auditório (11).
(...)
(Arturo: Fica tudo assim meio... É quase viver em função dos lados ruins deles.)
Eu vou dizer para o senhor. Nós temos que levar o conjunto todo, nós temos obrigação de levar o conjunto todo, manter a harmonia interna e manter a união interna. Portanto, nossa principal missão, agora, está em evitar que se formem partidos. E a intenção deles, maus, é constituir um partido (12).
(...)
(J. Afonso: Naquele domingo à tarde que o senhor fez uma reunião aqui no auditório superabençoada sobre o cerimonial da Sempre Viva, que o Dr. Paulo Brito falou, o Cel. Poli também, contaram como é que receberam a graça, ali parecia que a coisa estava rumando na linha da benquerença, de união.)
Não se esqueça que aquela gente toda era gente de fora, não era gente de São Paulo. Com o auditório que nós temos aqui aquela reunião não pegava.
(J. Afonso: O que eu queria perguntar é como o senhor notou aquela mudança de lá para cá.)
Não, aquele auditório não tem nada que ver com o dia-a-dia nosso em São Paulo. Aquilo é o que eu digo para os senhores, são grupos de fora. Os grupos de fora estão arquiassistidos pela graça.
(N. Tadeu: A graça de neocooperadores. Aí tem que estar fora.)
Estar fora. O senhor não pode comparar com o auditório daqui.
(N. Tadeu: Essas graças não produzem efeito nenhum no conjunto.)
Daqui não. Nada, nada.
(Walmir: Se o senhor tirar uns trinta ou quarenta do auditório... ou é o conjunto-conjunto?)
Não adianta, porque se os senhores tirarem... Por exemplo, nós estamos aqui num auditório que nós fazemos parte desse auditório. Mas se nós começarmos a fazer reuniões só para nós aqui, entre nós criam-se alguns que vão fazer o papel desses sacos de areia.
(Walmir: A maldição...)
Não, não é maldição, é a luta, é que ninguém é profeta em sua própria casa. Os senhores vão me desgastar. Se eu passo aqui nas reuniões da noite, que a gente faz a reunião formal, desgasta.
(A. Tavares: O Sr. Dr. Plinio uma vez numa série de MNFs em que tratava sobre a "soledade", ele dizia que no Reino de Maria seria um solitário, ainda que estivesse no auge, porque por mais auge que estivesse estaria sempre puxando para cima e sentiria uma defasagem em relação a outros que não queriam aquele auge.)
Mas esse é o profeta. O profeta é aquele que está fora do contexto e que puxa o contexto constantemente (13).
(Casale: Na Saúde não acontece isso.)
É que a Saúde tem graça primaveril e tem sempre gente nova.
Por exemplo, ontem já tinha alguns novos novíssimos que estavam na reunião pela primeira vez. Então isso cria sempre um ambiente de renovação.
(...)
[Antes de fazer uma reunião], eu me preparo sempre para o pior, ou seja, eu me preparo para a hipótese da graça não vir. Então eu já puxo um fôlego mais ou menos como alguém que vai atravessar um rio e que tem que atravessar o rio debaixo de água. Ele sabe que agüenta um minuto debaixo de água, e ele pode pôr a cabeça fora de água três vezes, mais do que isso não, porque senão vão percebê-lo. Ele tem que calcular: "Bom, daqui até lá três minutos, quatro. Então vamos". Puxa um fôlego profundo e gasta o menos ar possível, vai soltando o mínimo possível. Quando já não dá mais... (14).
(...)
(Arturo: E aquela reunião que o senhor contou a cerimônia da SV que tinha uma graça?)
A reunião que eu li o texto da cerimônia?
(Arturo: É.)
Não se iluda. Ela tinha muito menos graça do que essa reunião do domingo à tarde, que foi espontânea. Aquele domingo à tarde que nós fizemos uma reunião aqui com o pessoal de fora, que o Dr. Paulo Britou falou, tinha muito menos graça.
Portanto, não adianta o senhor pôr tema, não adianta o senhor pôr ênfase. Depende da graça.
Está claro ou não?
(Arturo: É que eu senti uma tal graça...)
O senhor sentiu, mas o senhor não pode dizer: "Eu sou o auditório".
(Arturo: Teve pessoas que receberam muitas graças...)
E tinha outros que não recebiam nada. Houve um que se levantou ali no canto e disse para o Sr. Gugelmin: "Olhe aqui, está muito bom, mas não é o Sr. Dr. Plinio". É tremendo. E o pessoal que pesa é o pessoal da minha geração para cima (15).
(Cfr. texto 960320EX-CON)
Comentários:
Dr. Plinio Xavier, Diretor do Setor CCEE, é respeitado por JC com toda estima, com toda consideração, com toda submissão?
Se a verdadeira autoridade do setor CCEE é Dr. Plinio Xavier, como qualificar a intromissão de JC nesse setor? Não incorreu em usurpação?
A quem se refere JC?.
Em certos auditórios --como esse de CCEE--, JC toma cuidado com o que afirma. Em outros --como essa conversa, onde só tem íntimos dele--, fala “ex abundantia cordis”. Portanto, sua linguagem varia conforme o grau de “fervor” de seus ouvintes...
Quer dizer que JC mandou um recado a Dr. Plinio Xavier --que esteve presente nesse encontro--, no sentido de “não se meta no meu setor”? Considera seu setor autônomo do Conselho Nacional da TFP? Mas acima não disse ter “toda submissão” a Dr. Plinio Xavier?
O colchete é do texto original.
No momento não convém a JC apresentar-se como foco central do entusiasmo. Mais adiante será possível abrir o jogo. Entre ambos momentos há um período de transição, um processo. Por enquanto ele precisa dar a ilusão de que o entusiasmo foi “pelo audiovisual, pelo ...” Pelo quê? Pelo SDP! Sim, porque o tema desse audiovisual foi o holocausto do SDP no 3 de outubro de 1995 (Cfr. Reunião para CCEE, 17/3/96).
A manifestação de JC enquanto foco central do entusiasmo depende de ondas.
Quem são os expoentes do mal? Tudo indica que JC se refere àqueles que continuamos tendo o SDP como único centro de nosso ideal.
Quer dizer, no combate aos “maus”, JC começa colocando algodões e depois retoma o jogo.
Em termos mais crus, a tática de JC consiste em detectar o ponto de megalice do adversário e estimulá-lo.
A principal tarefa de JC consiste, por enquanto, em evitar que os “maus” --isto é, os que nos recusamos a colocar a JC no centro de nossas cogitações e vias-- se desliguem dele. Como é que a gente evita que os “maus” se desliguem dele? Pondo “algodões”. Ou seja, tratando de convencer a eles que JC não quer substituir ao SDP.
Então JC afirma que é profeta?
JC mede até que ponto, e por quanto tempo, pode manifestar-se num auditório como “foco central dos entusiasmos”.
Aí estão caraterizados os “maus”: a) são os que acham que as reuniões feitas por JC, por mais “abençoadas” que pareçam, nunca igualarão às feitas pelo SDP; b) são os mais velhos.
*
É inegável que as cerimônias de Fátima não tem como centro Na. Sra., mas JC.
*
A seguir, trechos da “palavrinha” dada por JC aos coletores do donativos do ENSDP, após o encerramento de um retiro (15/1/97). Observe-se que, embora se mencione a Dr. Plinio, tudo tem no centro a JC:
(Acúrcio B. Torres: Sr. João, cada um de nós teria quinhentas perguntas a fazer ao senhor.)
É normal. O bom retiro é aquele do qual a gente sai com perguntas e mais perguntas.
(Acúrcio B. Torres: Nós sabemos que o tempo do senhor é muito pouco.)
Infelizmente.
(Acúrcio B. Torres: E por outro lado, nós queríamos perguntar sobre a situação do Grupo atual, a situação do mundo (1). Mas também que o senhor tenha uma palavra a dizer a todos nós. [...] (2). Agora, se no final o senhor achar conveniente uma pergunta, perguntas não faltam.)
Quanto à gratidão, eu lhe digo mais ou menos o que disse a outra vez (3). De maneira que não é questão de escapar ou não escapar. Cada um de nós está no seu front de batalha, cada um de nós tem uma obrigação concreta deixada pelo Sr. Dr. Plinio para nós (...). De maneira que se se tratasse de agradecer, os senhores me agradeceriam o retiro, eu agradeceria os senhores a coleta de donativos, depois os senhores agradeceriam aos Êremo Itinerantes ... (4)
(...)
(Nicolau: Como o senhor vê o panorama do afervoramento do Grupo, na linha da união com o Sr. Dr. Plinio e com a Sra. Da. Lucilia, as graças da Sagrada Escravidão?) (5)
Eu vejo assim como ele via já em 94 e já em 95 (6). Quer dizer, possibilidades de conversões repentinas magníficas, como também possibilidades de, de repente, afundamentos que nos deixam espantados. Até o momento em que venha o Grand-Retour.
(...)
(Edumar: (...) Hoje é meu aniversário, queria pedir ao senhor o seguinte: que o senhor fizesse um pedido, uma oração ao Sr. Dr. Plinio, uma coisa simples, para que eu possa cumprir a vocação por inteiro, até o máximo que possa chegar. Outra coisa também seria exatamente pedir para que jamais eu abandonasse esse amor que existe pelo Sr. Dr. Plinio. Depois, no final, se pudesse fazer um pedido ao Sr. Dr. Plinio, uma oração...) (7)
(...)
(Aparte: Será que o senhor podia conseguir uma lembrança, uma relíquia do Sr. Dr. Plinio para lembrar desse retiro?)
Não me ocorreu nada, mas podemos pensar nisso. Todos têm relíquia, eu estou vendo com relíquia na mão. Todos têm relíquia de sangue, todo o mundo tem relíquia (8).
(...)
(Nicolau: O senhor sempre reze por nós.)
Comentários:
A pergunta revela o que esse revoltado pensa a respeito da envergadura do discernimento que JC tem: ele enxerga como está a situação do mundo.
O colchete é do texto original. Deve ter havido algum corte.
Tudo indica que o corte era porque Acurcio emitiu ousadas palavras de agradecimento a JC, não a Dr. Plinio. Do contrário, não haveria nenhum inconveniente em transcrevê-las.
A gratidão manifestada por Acurcio a JC, não era tanto pelo fato de este ter organizado um retiro para os coletores, mas por outro beneficio, por outra dádiva, por outra “graça” concedida por JC a eles, e que não convém que fique registrada...
Mais um dado a respeito do que os joaninos acham a respeito da potencialidade da visão de JC: ele discerne como se movimentam as graças da Sagrada Escravidão.
JC vê como Dr. Plinio.
JC é tido como mediador entre os membros do Grupo e Dr. Plinio. Edumar abstrai completamente todos os conselhos de JC a respeito da possibilidade de nos relacionar diretamente com Dr. Plinio após seu passamento. Abstrai também dos interesses gerais da luta RCR: pede rezar apenas pela sua alminha.
Um dos coletores de donativos, enquanto ouve falar a JC, segura na mão uma relíquia. Está provado? Está nervoso? Está torcendo? Se julga tão fraco e pecador que teme não aproveitar inteiramente as sapientíssimas palavras de JC, e por isso, enquanto o reverendo João fala, invoca a ajuda sobrenatural de Dr. Plinio?
De acordo com grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 30/10/96, a “graça” nova consiste no entusiasmo tributado à pessoa de JC.
De acordo com a documentação apresentada neste “dossier”, esse “entusiasmo” se exterioriza através de várias modalidades de culto. Assim, as pessoas que recebem essa “graça”, pedem a JC a benção; osculam seu escapulário, suas fotografias, suas “relíquias” (por exemplo cabelos e unhas), suas mãos, seus pés, seu peito; bebem água da piscina na qual ele toma banho, usam essa água para cozinhar; ouvem de joelhos suas “palavrinhas” e telefonemas; fazem alardos em sua entrada ou saída, fazem “fileira” na hora de seu automóvel sair; pedem que lhes faça o sinal da cruz na fronte (inclusive pessoas do sexo feminino), dão brados em seu nome, compõem ladainhas e cantam musiquinhas em louvor dele, e até mesmo esculpem imagens religiosas dele.
*
Quanto à benção, Patrício Amunátegui diz o seguinte:
No Volume II da “Refutação a uma investida frustra”, a fim de justificar o comportamento de nosso Pai e Fundador a tal respeito, recordava-se ser algo corriqueiro, e não fora do comum, os leigos darem a benção. Esse estudo era corroborado pela resposta do Pe. Royo Marin à consulta feita sobre essa matéria.
(...) O costume de dar a benção foi largamente utilizado no Grupo por outras pessoas (...).
É claro que, tendo em vista a situação de nossa família de almas, que tem um Pai e Fundador, há uma condição a ser observada em quem dá a benção: dá-la invocando-o. Poderia ser uma usurpação e uma maldição quem fizesse de outro modo (...).
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 214 e 215).
Ora, acontece que, ao analisar os numerosos documentos relativos ao culto tributado a JC --alguns dos quais figuram em outros lugares deste “dossier”--, percebe-se que há dois tipos de benção: a “clássica” e a da “graça” nova. O que diferencia uma da outra os adeptos do joanismo ainda não o revelaram explicitamente, mas eles mesmos fornecem elementos para levantar hipóteses a esse respeito.
A primeira não comporta ósculo das mãos de JC. A segunda comporta, não tanto como uma manifestação de veneração a mais, mas como um modo de agradecer o benefício recebido.
Na primeira não tem sentido oscular as mãos de JC, porque quem propriamente abençoa é Dr. Plinio; JC apenas se limitaria a fazer o papel de mediador.
Na segunda é compreensível que osculem suas mãos, porque é ele quem abençoa, a benção é dele, emana dele.
O que leva a conjeturar que na primeira JC invoca a Dr. Plinio, e na segunda o põe de lado, pura e simplesmente.
Vejamos o relato do insuspeito Geraldo Martins, de 16/11/96, a respeito de uma viagem de JC aos Estados Unidos, transcrito em "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 272-279:
Fomos para a capela esperar o Sr. João. Ele chegou, o Sr. José Francisco começou a filmar. (...) O Sr. João desceu, ficou junto ao carro conversando com as pessoas. (...) Muitos gritaram “a benção, a benção”, etc. Ele teve uma saída super diplomática. Disse: “A benção, o princípio é o seguinte: todo mundo pode pedir a benção para todo o mundo. É doutrina católica, geral, etc.”. Não convence ninguém. Todo mundo queria oscular a mão, e a benção ‘lo que se dice’.
(...) quando o Sr. João se levantou para recolher-se, depois de ter dado uma palavrinha a todos ali na sala, pediram a benção, ele pediu ao SDP a benção clássica, sem dar a mão a ninguém, sem fazer cruzinha nem nada (...).
Confira-se também o grafonema do Sr. Pezzoti a Jano Aracena, de 12/9/96, publicado em "E Monsenhor Lefevre vive?" p. 271.
Agora, trecho de uma carta do Padre Olavo ao Cônego Vilaq, de 1/5/97, reproduzida em "E Monsenhor Lefevre vive?" p. 265:
Em 3 de outubro de 1996 (...) e nos dias subsequentes, correspondentes de Cardoso Moreira, na totalidade moças, foram ao êremo de São Bento procurar o Sr. João. (...) [Uma moça] que não pode ir recomendou muito ao Sr. Coutinho que pedisse a benção do Sr. João e justificasse sua ausência.
*
Libelo "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 191 e 192:
Logo após o falecimento de nosso Pai e Fundador, já alguns eremitas tentaram que o Sr. João, como seu superior imediato, aceitasse receber da parte deles o ósculo da mão, ainda mais por representar em certa medida o SDP para eles. O Sr. João não aceitou. Ninguém insistiu, com receio de lhe causar desgosto (1).
No dia 12 de dezembro de 95, houve no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora a projeção de um audiovisual (...). Quando o Sr. João chegava de volta ao São Bento, deparou-se no portão com um “enjolrinhas” de Belo Horizonte, que por acaso se encontrava ali. Em virtude do calor, o Sr. João estava com vidro do carro aberto e o braço apoiado na janela. O “enjolrinhas” correu para o cumprimentar, e de forma repentina, tomou a mão do Sr. João e a osculou.
O Sr. João recolheu imediatamente o braço e todos que presenciaram a cena notaram o desconcerto dele (2).
No dia seguinte, 13 de dezembro, houve cerimônia de imposição de hábito a 36 pessoas no claustro do São Bento. A segunda pessoa a receber o hábito (...), no momento em que o Sr. João lhe apresentava a corrente, em vez de a oscular, aproveitou para oscular a mão do Quidam. A estupefação do Sr. João, que chegou até a recuar, foi visível para os que se encontravam perto. Depois disso, mais 8 ou 9 recipiandiários arriscaram o mesmo gesto, com maior ou menor sucesso.
Outros sinais externos de honra (...) começaram muito antes do falecimento de nosso Pai e Fundador.
(...) Logo após ter-se recuperado de sua doença, em junho de 1995, foi ele (...) descansar na Espanha. Sua acolhida ali teve um calor inusitado (...).
A acolhida do Sr. Santiago na Sede de São Pedro de Arbués após sua saída do Hospital Psiquiátrico foi à base de fortíssimos e afetuosos abraços como o demonstra o vídeo da ocasião (3). (...) Mas as mostras de alegria não se limitaram ao entusiasmo da acolhida. Atitudes de profundo respeito (...) começaram a se fazer notar. Multiplicavam-se os comentários de que, no período de sua doença, o Sr. João tinha progredido na união com nosso Pai e Fundador (...) (4).
No avião em que viajava para Roma, (...) o Sr. João mostrou a dois eremitas que o acompanhavam um grafonema recebido naquele dia (3/8/95) de um enjolras, o qual escrevia quase uma ladainha em seu louvor. Comentando o quanto aquilo lhe parecia absurdo, o Sr. João (...) ressaltava entretanto o inegável bom espírito de tal manifestação (5).
Comentários:
Mas no Capítulo 10, V, E, já vimos que, antes do 3 de outubro de 1995, JC era venerado e cultuado nos êremos São Bento e Praesto Sum.
Desconcerto? Em Spring Grove, JC praticamente convocava os mais novos irem oscular suas santas e veneráveis mãos (cfr. Carta do Sr. James Dowl para Pedro Morazani, 16/2/97)
Com base na abundante documentação apresentada no Capítulo 14, “Pentecostalismo joanino”, pode se perguntar se esses abraços “fortíssimos” e “afetuosos” não tem alguma conotação esotérica.
Se meteram na cabeça dos joaninos espanhóis que JC tinha “progredido na união” com Dr. Plinio, no que consistiriam as “atitudes de profundo respeito” em relação a ele? Será talvez em cerimônias de consagração a ele como escravos?
É bem o “modus operandi” do “homo doloso et iniquo”: por um lado diz que é absurdo, e por outro lado prestigia aquilo.
*
As fotos do guru quase que são postas “taco a taco” com as de Dr. Plinio:
Grafonema para Jano Aracena, de José Hoffmann
Santafé de Bogotá, 10/11/1997 - 11:05 AM
Carísimo Sr. JANO
Salve María!
Llegué la semana pasada de Bolivia, donde fui a tramitar visa, y tuve la agradable sorpresa de recibir dos cartas suyas. Muchas gracias por las fotos, la de MSS un coloso, y las del Sr. João tambien bonitas, aparece muy luminoso.
*
Abril de 1996. No começo da “graça” nova no Norte Fluminense, ao final de uma reunião em Miracema, JC despediu-se dos padres Olavo e Antônio osculando suas mãos. Em resposta os padres também oscularam as mãos dele.
(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.6).
*
Palavrinha para CCEE, 20/4/96 - CCEE lhe pedem a benção e ajoelham perante ele:
(Sra. -: Sr. João, eu estou fazendo aniversário hoje, o melhor presente meu foi estar aqui.)
Que bonito dia hoje! É véspera da ida da Sra. Da. Lucilia para o Céu.
(Sra. -: Eu queria pedir ao senhor uma bênção.)
[Exclamações]
(Sra. -: Não é só para a aniversariante, não. É para todos nós!)
Eu não tenho esse munus. Eu posso, isso sim, pedir a ele que abençoe. [Exclamações]
(...)
(Sra. -: Sr. João, eu queria pedir ao senhor para oscular aquela relíquia do Sr. Dr. Plinio que o acompanhou a vida toda e que depois ficou com o senhor.)
Ai, ai, ai! Bom, agora nós estamos em pouca gente, não há problema. [Exclamações] Lá em Lajes não dava para isso.
(Sra. -: Abre, Sr. João. Pode abrir?)
Eu preciso abrir porque ela é toda cheia... Mas pode oscular porque eu abro depois.
(...)
(Sra. -: Sr. João, quando o senhor vai em Belo Horizonte?)
Pois, olhe, eu agora não tenho mais o problema de estar acompanhando o Sr. Dr. Plinio (1), é ele quem me acompanha, de modo que onde eu vou... Antes eu não podia sair porque estava junto dele não podia abandoná-lo.
(Sra. -: Então ele vai levar o senhor. Nós vamos rezar por isso.)
Pois vou com enorme gosto.
(...)
Eu estou preocupado com os... Porque não se sentam um pouco?
(Não!!) (2)
(Sr. -: Sr. João, as vezes que tivemos a oportunidade de estar com o Sr. Dr. Plinio de perto, olhando o chamado "olho no olho", quando ele falava ou ele chegava eu sentia o corpo arrepiar.)
É isso mesmo.
(Sr. -: No momento que o senhor entrou aqui na sala eu senti algo também...)
Vai ver que ele entrou na frente. [Aplausos]. É mais uma prova de que ele entrou na frente, é mais uma prova.
(Sr. -: Eu não ajoelhei, e peço desculpa de ter ajoelhado, porque eu sentia as pernas trêmulas (3). Então preferi ficar em pé para ver até onde ia chegar.)
Hahahaha! Mas, olhe, veja então que isto no fundo prova o quanto ele me antecede (4).
(Sra. -: E a palavrinha amanhã, Sr. João?)
Vamos ver um pouquinho aí com os encarregados, para não fazer nada sobre a direção aí.
(Sra. -: O senhor poderia dar a bênção, não é?)
Eu não recebi essa delegação.
(Sra. -: Do Sr. Dr. Plinio.)
Ah, isso eu posso pedir, posso pedir.
(...)
Pronto, agora vamos abrir a relíquia.
(Sra. -: Depois a bênção.)
Ela continha os cabelos originais da Sra. Da. Lucilia. Foram colocados outros cabelos aqui. Tem uma pétala que é histórica também. [Exclamações]
(Sra. -: Sr. João, deixe oscular na mão do senhor (5).)
Está cheio de cabelos dela.
(Sra. -: A bênção, Sr. João.)
Comentários:
Acompanhar a Dr. Plinio era um problema para JC?
“Por que não se sentam um pouco”: quer dizer, os presentes estavam parados ou ajoelhados.
Portanto, vários correspondentes ajoelharam ao verem JC entrar na sala. Um deles --o que fez essa intervenção-- viu tanta grandeza em JC, que sentia as pernas trêmulas.
Dr. Plinio prepara as vias a JC?
Para essa senhora, uma coisa é oscular a relíquia de Dr. Plinio, e outra coisa é oscular essa mesma relíquia mas na mão de JC. No segundo caso, “vale mais”, “tem mais benção”?
*
“Grafonema de notícias”, de maio de 96, distribuído meio por debaixo do pano pelos eremitas de S. Bento - Praesto Sum:
Na quarta feira [15/5/96] o Sr. JC fez uma conversa extraordinária (...). No final, como não haveria outra ocasião, os eremitas que iriam viajar e os que não iriam, se despediram do Sr. JC.
O Sr. JC fez uma cruz na testa de cada um, e todos os eremitas puderam (...)[NB: o parêntese é do texto original]
*
Reunião para CCEE, em São Carlos, 25/5/96:
Bem, às tantas --estão pedindo que eu transmita esse recado-- deve chegar o outro público de fora, público que está convidado pelo mailing e que deve haver uma mistura entre o público que está aqui e o público que vem de fora. E é preciso que ajudem a animar a reunião que é feita para os de fora, em primeiro lugar.
Mas, na realidade, [a reunião] é mais feita para os de dentro do que para os de fora.
Bem, (...) como eu não estou revestido do hábito, é preciso tomar cuidado com o modo de me cumprimentar quando eu sair no meio do público de fora. Cuidado com os brados depois de um certo momento... Porque não vão entender, etc., etc.
*
Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 14/6/96 - Assim como os membros do Grupo mais chegados a Dr. Plinio liam textos para Dr. Plinio durante as refeições, os eremitas lêem para seu senhor:
Durante os pães de queijo o Sr. Saint'Aman me leu a parte de São Tomás de Aquino, da “Suma”, que trata a respeito disso.
É claríssima, mas ela é muito de difícil alcance para aqueles que são leigos em matéria de leituras teológicas. Porque eu estava vendo a fisionomia dele e ele estava lendo sem entender nada, coitado.
Eu fiz até um teste, porque enquanto ele lia eu acompanhava porque tenho experiência de leitura de São Tomás. Eu acho que ele leu muito pouco São Tomás na vida. Também na idade dele eu não teria compreendido, a gente precisa um pouco de experiência da vida para compreender as coisas.
*
Reunião para os veteranos, 6/8/96 - JC conta que, após um encontro de neo-cooperadores:
Tinha uns enjolrrinhas que enfiavam a cabeça debaixo da toalha da mesa e que me agarravam os sapatos com as mãos, me levantavam os sapatos (...) e osculavam a sola do sapato! Eu não podia dar um pontapé num enjolrrinhas ...
[Risos].
Referindo-se à massa de pessoas que se avolumam em torno dele:
O Sr. André Dantas e o Sr. Boldrini são testemunhas, quando eu sento no carro depois de passar por uma multidão dessas, é mais ou menos como se tivesse passado por campo de box onde todo mundo tivesse dado socos. Eu chego morto! Porque para cada um o senhor tem que dizer ... uma senhora pede uma coisa, uma outra não sei quanto, diz: o senhor poderia dizer qual é o meu vicio capital? O senhor poderia dar um conselho? Me dá uma jaculatória?
*
Em 17/8/96, pouco depois do aniversário de JC, se realizou uma cerimônia de recepção de capas e de consagração a Nossa Senhora, de rapazes do Grupo Luis Plinio Elias (Saúde) e do Grupo de Portugal. Segundo se depreende do texto “confidencial” respectivo, um proclamador ia chamando os rapazes um por um, e estes trocavam breves palavras com JC. Houve ósculo das mãos, cruzinhas na testa, benção, “explicitação” da luz primordial e vicio capital dos jovens:
(Guilherme Arantes: Senhor João, o senhor poderia dizer minha luz primordial e meu vício capital?)
A sua luz primordial eu não percebo ainda com muita clareza, mas o seu vício capital, preste atenção, que muito provavelmente isso dá na moleza, ouviu? Preguiça, hum?
Para o seu uso... Um rosário para o seu uso.
(...)
(Jorge Huang Ching Hung: Senhor João, eu posso pedir um favor para o senhor?)
Qual é?
(Jorge Huang Ching Hung: (...). Poço oscular sua mão?)
Pode.
Proclamador: Sr. José Agilson
Chegou o dia, não é? Aqui está, um rosário para o seu uso.
(José Agilson: O senhor poderia dizer meu vício capital e minha luz primordial?)
Olha aqui, a luz primordial eu não sei ver com segurança ainda, mas o seu vício capital vai na linha... na linha da moleza, você é um pouquinho mole, não nota, não? Então peça a Nossa Senhora que arranque a moleza de sua alma.
(José Agilson: Sim, senhor)
(Jurandir Bernardo: [Inaudível].)
Como? perdão!
(Jurandir Bernardo: [Inaudível].) (1)
Peça, peça a Nossa Senhora que perdoe, Ela está sempre disposta a perdoar antes que a falta seja cometida.
Mas peça mesmo porque o seu vício capital vai muito na linha de uma alta contemplação colossal, de se achar um colosso, de se achar um ente extraordinário. Veja se combata isso. Está bom?
Proclamador: Sr. Leandro Leofredo
(Leandro Leofredo: [Inaudível].)
Cuidado, todo cuidado que se precisa tomar com adorar-se a si próprio é pouco.O senhor tem uma tendência a se achar um colosso! Percebe isso ou não? Ás vezes em sonhos de olhos abertos etc.; se julgar fazendo isso, fazendo aquilo, capaz de tal coisa, de que vai, e que bate, que vence, que derruba.
Então muito humildade, hã? Nosso Pai e Fundador tinha conhecimento tremendo da grandeza dele, mas nunca se julgava um colosso, [inaudível], sempre tinha tudo, em tudo os olhos postos na graça de Nossa Senhora. Então confie mais no sobrenatural do que nas suas próprias forças.
(Leandro Leofredo: Nossa Senhora lhe pague, senhor.)
(...)
(Luís Gonzaga Sampaio: Sr. João, o senhor poderia... dar um conselho Sr. João?)
Sim. O seu problema é o seguinte: muita confiança em Nossa Senhora. Às vezes lhe vem umas idéias assim de que Nossa Senhora não vai atender sua oração, o senhor vai ser abandonado, Nossa Senhora não vai lhe perdoar... Não pense nisso, Nossa Senhora é mãe, e Mãe profundamente mãe. Então tenha certeza que tudo aquilo que pedir a Ela, Ela lhe dá. Então, tenha confiança. Está bom? Vale esse conselho ou não?
(Luís Gonzaga Sampaio: Sim.)
O que mais?
(Luís Gonzaga Sampaio: Esse escravo de Maria gostaria de pedir uma coisa ao senhor.)
Qual é
(Luís Gonzaga Sampaio: O senhor poderia rezar pelo Sr. Paulo Ângelo que não anda bem de saúde?)
Está bom, rezo sim.
(Luís Gonzaga Sampaio: O senhor poderia fazer uma cruzinha na testa, Sr. João?)
Faço. Pronto.
Proclamador: Sr. Raimundo Penaforte Jonas
(Raimundo Penaforte Jonas: [Inaudível].)
Como?
(Raimundo Penaforte Jonas: O senhor poderia dar um nome e uma jaculatória de Consagração?)
Um nome de Consagração não existe, jaculatória sim.Jaculatória é... jaculatória é a seguinte: Virgo Fortíssima, ora pro nobis, ou seja, Nossa Senhora fortíssima, rogai por nós. Está bem?
(Raimundo Penaforte Jonas: Nossa Senhora lhe pague, senhor.)
Para o seu uso, e também um rosário, presente de Consagração.
(Raimundo Penaforte Jonas: Nossa Senhora lhe pague, Sr. João. Eu posso oscular as mãos do senhor [inaudível]?)
Sim, sim, sim.
(...)
(Rodrigo Frasson: Queria pedir se o senhor pudesse rezar por mim, que eu estou com alguns problemas de saúde. Também [queria perguntar uma coisa, pois] eu mandei uma carta para o senhor há um tempo atrás contando um sonho que eu tive com o senhor na torre.)
Sei.
(Wladimir Talacimon: Queria pedir para o senhor confirmar o sonho e outro [inaudível] que o Senhor Doutor Plinio também. [Inaudível])
Eu não me lembro mais do sonho, são tantos sonhos que eu recebi, que eu não estou me lembrando mais dele.
(Wladimir Talacimon: [Inaudível].)
Como?
(Wladimir Talacimon: Não sei se o senhor vai pegar a carta ainda, porque são tantas...)
Eu não me lembro, eu não me lembro.
(Wladimir Talacimon: Se eu pedisse para o senhor uma foto do Senhor Doutor Plinio no Hospital, seria pedir muito?)
Pedir o quê?
(Wladimir Talacimon: Uma foto do Senhor Doutor Plinio no Hospital)
Não, não, eu posso arrumar sim.
(Wladimir Talacimon: Pode me conseguir?)
Posso?
(Wladimir Talacimon: Posso oscular a mão do senhor?)
Pode.
(Wladimir Talacimon: O senhor pode fazer uma cruzinha?)
Posso.
Proclamador: Sr. Nelson Marques Gamita
(Nelson Marques Gamita: Sr. João,...)
Hum?
(Nelson Marques Gamita: O senhor poderia dizer o vício capital e o que o senhor quer de mim?)
Olha aqui, o senhor, seu vício capital vai na linha da megalice, ouviu? Uma espécie de superimaginação a respeito de si mesmo, das suas próprias forças, das suas próprias qualidades. Qualidades que imagina que tem, e que na realidade não tem, entende? E é preciso ser humilde, não pode ser o que a gente imagina a respeito de si mesmo, coisas extraordinárias que na realidade não existem, está claro?
Para o seu uso... seu rosário também.
(Nelson Marques Gamita: O senhor poderia [inaudível] e fazer uma cruzinha na testa?)
Sim. Pronto.
Proclamador: Sr. Pedro Miguel Martins Galha
(Pedro Miguel Martins Galha: Sr. João, daria para ter uma palavrinha com o senhor particular, [inaudível] ... juntamente com o senhor [inaudível] está claro.)
Sei.
(Pedro Miguel Martins Galha: Será que daria para ter a palavrinha com o senhor hoje?)
Hoje ainda? Vamos ver, se for possível, sim.
(Pedro Miguel Martins Galha: Sr. João, o senhor poderia dar um conselho?)
Eu lhe digo. O conselho é o seguinte: De vez em quando vem uns problemas, umas tentações de pureza fortes, não se perturbe, é normal e sobretudo quando a gente está progredindo na vida espiritual o demônio fica com ódio e põe essas tentações ainda mais fortes do que eram antes. Não se assuste, e reze muitíssimo a Nossa Senhora, peça o auxílio do Senhor Doutor Plinio, da Senhora Dona Lucilia, que eles vão lhe ajudar e vão fazer vencer essas crises.
Sobretudo, não se autocontemple, não tenha vaidade se julgando um colosso, nada disso, e peça muito o auxílio de Nossa Senhora. Pedindo a ela, as tentações vão embora. Não pense que isso vai demorar a vida inteira. Há fases em que as tentações são mais fortes e outras que são menos fortes. Quando apertar, não se perturbe, é sinal que vai passar logo.
(Pedro Miguel Martins Galha: Sim, senhor.)
Proclamador: Sr. Rui Manuel Farrobinha Braz
(Rui Manuel Farrobinha Braz: [Inaudível] ... dois pedidos, o primeiro Ela consegue. E o segundo era se, nas duas últimas semanas. desse para entrar no êremo do Praesto Sum?)
Se tiver lugar... Quanto à segunda pergunta, se tiver lugar, a ver com o Sr. Pedro, sim. Quanto ao conselho que eu lhe dou é o seguinte: Às vezes lhe vem tentação de muita..., de brincar e de perder..., falta de seriedade, etc., etc., e de levar a vida com certa, certa superficialidade, certa falta de seriedade.
Olhe bem para a seriedade e para a sacralidade de nosso Pai e Fundador e não brinque muito, porque a brincadeira lhe tira -- para o seu uso também --, não brinque muito porque a brincadeira lhe tira inteiramente da vocação e faz perder a força nas horas da tentação. Combata a brincadeira!
Está claro isso? Está bom.
(Rui Manuel Farrobinha Braz: Se o senhor puder fazer uma cruzinha na testa, Sr. João?)
Posso. Pronto.
Proclamador: Sr. Flávio Barbosa da Silva
(Flávio Barbosa da Silva: [Inaudível].)
Eu peço a Nossa Senhora, junto com o senhor [Dr. Plinio?], para que Ela lhe perdoe.
(Flávio Barbosa da Silva: O senhor poderia dar uma jaculatória?)
Jaculatória? Ah... Refugium Pecatorum, ora pro nobis!, Refugio dos Pecadores rogai por nós!Está aqui um terço para o seu uso.
(Flávio Barbosa da Silva: O senhor poderia dar uma bênção?)
Benedictio Domine mei... Pronto.
(Flávio Barbosa da Silva: Amém!)
Depois disso, JC deu uma “palavrinha” aos rapazes:
Meus caros neoconsagrandos, neo-recepiandários de capa, neofilhos do Senhor Doutor Plinio. [Exclamações] O ato que acaba de ser realizado tem uma grandeza extraordinária, uma grandeza profunda (...)
[Os] que aqui se aproximavam do trono do Senhor Doutor Plinio para receber a capa, vinham com uma certa luz, é verdade. A luz do batismo, a luz do estado de graça, a luz comum de um católico. Mas, quando se ajoelhavam e um eremita colocava de um lado, uma outra pessoa colocava de outro um alfinete, cruzava os alfinetes e a gente ajeitava um pouco a capa nos ombros do neo-recepiandário (...)
Eu termino dizendo isto -- eu nem lhes dou sedeatis -- nós, os senhores, os que foram hoje recebidos somos todos chamados para os grandes heroísmos (...) (2)
Comentários:
Essa dificuldade na audição repete-se ao longo de todo o texto. Tudo leva a crer que no meio da cerimônia, o coro cantava alguma canção, tal e qual outrora se fazia em vida de Dr. Plinio.
Os jovens não estavam sentados. Portanto, ou estavam de pé ou ajoelhados, diante de JC, que ou estava ao lado do trono de Dr. Plinio ou estava sentado nele.
*
Parte final do "jour-le-jour" 25/9/96, realizado em Spring Grove:
Bem, senhores, há um flash que se chama Eucaristia e que nos espera.
Sr. Peter (1), não tem funcionado esse negócio, o caminho daqui para lá. Cada um vai por si. Eu não posso ser conduzido no meio de uma roda que vai de costas para mim e que eu vou pisando nos sapatos dos outros (2).
(Michael Carlsson: Cadeira.)
Não, não, não! Cadeira de rodas quando eu tiver mais idade, aí não tem dúvida, aí estará perfeito. Por enquanto precisa segurar.Estão traduzindo direito para eles, não é? O senhor traduz isso direito? Senão falo inglês aqui.Senhores jovens e joveníssimos, nós vamos daqui para a capela porque é tardíssimo e eu tenho um telefonema às 9h30 hoje da noite para Miracema, porque na outra noite eu não falei com Miracema. Então eu tenho que falar com Miracema hoje às 9h30 da noite daqui, 8h30 da noite lá.
Aliás, perdão, o contrário: 9h30 da noite aqui, 10h30 da noite lá. A coisa é essa.
Então eu tenho esse telefonema para Miracema e tenho que sair correndo, porque senão não tenho tempo de jantar.
Agora, se os senhores me atazanam o caminho, me atrapalham o caminho, eu não chego até a capela. Então os senhores fiquem quietinhos aqui, todos em silêncio.
Comentários:
É o encarregado de disciplina do êremo de Spring Grove.
Refere-se às manifestações de veneração de que era objeto, ao sair das reuniões e dirigir-se para outro lugar.
*
Mais dados a respeito da estadia de JC nos EEUU, entre agosto e setembro de 1996:
Numa refeição JC proibiu os eremitas de ficar na escada. Mas nesse lugar estava o Humberto Goedart. JC olhou para ele e disse: “eu vejo o que o Sr. Humberto está com grande desejo. Vem cá”, e ofereceu a mão. (Cfr. Depoimentos diversos, durante reunião nos EEUU, post 15/10/96).
Noutra ocasião, os eremitas estavam sem hábito. Mas para servir a ele, ele mandou pôr. Entraram de luvas brancas, etc. (Cfr. Depoimentos diversos, durante reunião nos EEUU, post 15/10/96).
Quanto a servir “ao Sr. [João] de hábito, com luvas e de joelhos”, ele mesmo reconhece que é verdade: “é real que fizeram isso comigo no Eremo Sedes Sapientiae”. (Cfr. grafonema de André Dantas para Marco Faes, 25/10/96, p.49).
Carta do Sr. James Dowl ao Sr. Pedro Morazani (filho), de 16/2/97: “à noite [JC] jantava no êremo, e muitas vezes os eremitas entravam, ou pelo menos faziam um corredor espanhol no fim, e ele ia a cada um e fazia uma cruzinha na testa e dava a mão para oscular”. Quando passeava pelo parque, com o terço na mão, “nos chamava a si para nos o venerarmos. (...) Eu via que ele procurava, que ele buscava veneração”.
Conta Marcos Faes que um cooperador do Grupo dos EEUU ofereceu a ele “cabelos do Sr. João como relíquia, dizendo que ele já tinha distribuído para várias pessoas lá”. E Steven Schmieder diz que um membro da TFP Americana “se jogou no chão para tentar oscular os seus pés [de JC]”. (Cfr. Grafonema confidencial de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96, pp.3 e 17).
*
Outubro de 1996 - Mensagem de JC ao Sr. LA Fragelli, gravado no telefone automático deste último:
[O Sr. Mário Navarro queria saber se tinha havido ósculo das mãos, ósculo dos pés]. Isso houve anteriormente (...). Eu indo para os EEUU, eu levantei --por culpa minha sera? não sei-- , mas eu levantei um encanto nos “bem-te-vis” já na viajem do ano passado, já antes do SDP falecer, eles já antes de o SDP falecer estavam querendo que eu desse a benção a eles, estavam querendo me oscular a mão. Eu deixei. (...)
*
Outubro de 1996 - Nos êremos de S. Bento e Praesto Sum cogitou-se realizar “um ato de reparação” pelas “ofensas” que a TFP Norte-americana teria feito a JC.
(Cfr. Grafonemas de David Ritchie para o Sr. Peter Siwik, de 17/10/96; de André Dantas para Marcos Faes, de 30/10/96; e dos dirigentes da TFP dos EEUU a JC, de 24/10/96).
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Joanista faz imagem de JC e a coloca junto ao presépio para ser venerada. Nada indica que seja o único.
Grafonema para: Sr. Celio Casale
Remete: Francisco Falcão
Sede Senhor Santo Cristo - Lisboa, 22/1/1998 - 8:11 PM
É com grande alegria que lhe escrevo, infelizmente limitado pelo factor tempo, tão terrivel nos quatros cantos do mundo. Espero que este grafonema ao chegar em suas mãos, não se transforme logo em cinzas, ou seja que o fogo que abrasa o seu coração, pelo menos por enquanto não consuma este papel!
Quantas graças imagino que o senhor deva ter recebido durante as cerimónias...Quem nos dera!
Aqui nestas terras de StªMaria, o apostolado, graças a Ela tem florescido enormemente. Por exemplo, já vieram cerca de mil pessoas visitar o presépio, e realmente ele está extraordinário, este e. pode falar, porque quase não colaborei, senão para pintar uma "mini-escultura" de Plinio Fernando (1).
Logo no ínicio, começa a melodia cantada a solo pelo Sr. José Afonso, e com uma iluminação de uma certa torre que o senhor conhece bem... (2)
Comentários:
Uma das peças do presépio exposto à veneração de cerca de mil pessoas era uma “mini-escultura” de JC!
Refere-se a torre do êremo de São Bento, onde habita o impostor.
*
Reunião para os veteranos, 6/8/96 - JC, ao mesmo tempo que justifica o culto tributado a ele, se lava as mãos:
Aconteceu um fenômeno sui generis, que eu acho que é um fenômeno muito comum entre nós e que os senhores não reparam, mas é muito comum. O fenômeno é esse, eu não estou vendo aqui o Sr. José Nakadate, mas ele me faria lembrar o irmão dele, Jouji Nakadate.
Jouji Nakadate era um... ele nem tinha thau. O Jouji Nakadate não tinha thau, o Senhor Doutor Plinio me disse, eu perguntei várias vezes: "Mas o senhor não acha que o Jouji Nakadate tem thau?" Ele disse: Meu filho, não se iluda, ele não compreende nossa vocação.
Bom, mas o Sr. Arbex é testemunha, não sei mais aqui quem será testemunha, eu lidei com um sujeito que o Senhor Doutor Plinio disse que era um dos que tinha mais thau dentro do grupo, que era o Fernando Siqueira, foi apostolando de Jouji Nakadate.
Se os senhores soubessem o que era a veneração que o pessoal tinha pelo Jouji Nakadate...
O senhor está rindo porque o senhor está se lembrando.
Era uma veneração impressionante, o tinham como uma espécie de santo. O que era isso? Era graça, que punha na alma dos meninos um encanto pelo Jouji Nakadate, para segurá-los.
Então a graça mente? Não.
É que eles olhando para o Jouji Nakadate viam o grupo, viam o Senhor Doutor Plinio. Mas no Jouji não tinha nada, tinha um reflexo. [Risos] E isto acontece com todo apostolado no seu início.
O apostolando... O Senhor Doutor Plinio tem uma reunião feita no Vínculo Profético em que ele diz que, a entrada para o grupo não se faz através da doutrina, não se faz através de uma explicação da missão. A entrada para o grupo se faz através de um flash pessoa-ambiente.
O apostolando tem um contanto com a pessoa-ambiente e se encanta pela pessoa-ambiente e aí, diz ele: Aí ele admite a missão, e depois ele também aceita com facilidade a doutrina.
E a apostasia se faz da mesma forma, ele diz: Ninguém apostata pela doutrina, e ninguém apostata também por causa de dúvidas quanto à missão. A apostasia se dá quando há um desencanto em relação à pessoa-ambiente. E que aí então surge a dúvida sobre a missão e depois dúvida sobre a doutrina. Mas primeiro é a pessoa-ambiente.
Então, é normal que os apóstolos suscitem, no começo do apostolado, uma espécie de encanto nos seus apostolandos, sem culpa deles (1). Eles não têm culpa, eles não produzem isso, eles não fazem de propósito: Bem, agora eu vou aparecer e vou dar impressão de que eu sou santo, de que eu sou extraordinário para que as pessoas me admirem e me olhem...
Se ele faz isso, até diminui o apostolado.
Então, é um fenômeno que é comum entre nós acontecer. E a tal ponto de que existia entre nós o perigo do sujeito acreditar no fenômeno e se julgar um canal necessário (2). E a teoria do canal necessário veio daí. Do quê?
Daqueles que se acreditavam.... O mutuca por exemplo.
O mutuca pegou o Sr. George Antoniadis que nem era aluno dele, já na apostasia, e disse: - Como é que vai, como é que não vai? Você sabe que eu tenho carisma, não é?
O Sr. George disse:
-- Sei, sei que o senhor tem carisma.
-- Então, está bem.
Pôs a mão na testa dele e fez três cruzinhas.
-- Que Nossa Senhora lhe abençoe, hein!
Quer dizer, ele então acreditou e tomou iniciativa (3).
Bem, comigo se passou um fenômeno de que o pessoal olhava e julgava que as graças todas sensíveis que eles recebiam tinha alguma ligação comigo. Mas não tem.
Eu continuo eu mesmo, eu sei todos os defeitos que eu tenho, eu sei perfeitamente quais são os meus problemas. Eu não sou santo e digo isso com toda segurança. Os senhores acreditam também nisso e fazem bem em acreditar porque é real que isto seja assim (4).
(...) E isto o que é que é? É uma ligação com o Senhor Doutor Plinio e mantém a obra dele (5).
(...)
(Orlando Kimura: (...) sempre o senhor tem feito palavrinhas para alegrá-los [aos eremitas itinerantes] ... intercalando nas cerimônias, o que virá em cada ato, as palavras do senhor tem sido tão adequadas, que... não sei... eu acho que não teria outra pessoa para fazer aquilo (6) Aquelas palavras que o senhor disse sobre o inferno, calou a fundo na... ainda mais dizer isso para o mineiro...)
Ahahah!
Comentários:
É normal que, no começo da vocação, o apostolando veja no apóstolo um santo, bem como um símbolo da TFP e de Dr. Plinio. Em se tratando, não de apostolandos, mas de membros do Grupo já maduros, isto continua sendo normal? Segundo JC, constitui um desvio. Daí o combate que durante anos fez à teoria do canal necessário. Em se tratando do culto tributado, por novatos e veteranos, a alguém que banca de “alter Plinio”, sem sê-lo, isso configura um grave desvio. Em se tratando do culto tributado por novatos e veteranos, a alguém que se coloca como “arqui Plinio”, isso configura um gravíssimo desvio. Em se tratando do culto tributado por novatos e veteranos, a alguém que move um processo judicial contra a TFP –visando estruturá-la de acordo com princípios revolucionários--, esvazia suas fileiras de doadores, e semeia a confusão nas fileiras de seus simpatizantes, isso configura uma traição suprema.
Mas JC se considera canal necessário, se não na teoria, na prática. Daí sua revolta.
Nesta matéria, o caso de JC é mais protuberante que o do Mutuca. Com efeito, ele se coloca como modelo, intérprete e “eco fidelíssimo” de Dr. Plinio; profeta --prevê o futuro e indica por onde devem caminhar os membros do Grupo--; faz que outros acreditem isso e combate implacavelmente os que se recusam a acreditar isso; faz-se cultuar e combate quem não o venera.
Mero bla-bla-bla. Seu fanatismo e o de seus adeptos indica o contrário.
O culto tributado a JC é bom? mantém a obra de Dr. Plinio? Em concreto, no que é que a Contra-Revolução lucra?
Para Orlando Kimura , JC é canal necessário. JC ri depois de ouvir essa tese.
*
Reunião para os veteranos, 15/10/96 - JC “fundamenta” o culto tributado a ele:
Nos EUA quando eu passei, na época da sarcoidose e que eu retomei as reuniões logo depois que eu me senti um pouco melhor, eu achei estranho, eu achei raro que os bem-te-vis tivessem em relação a mim uma espécie de relacionamento que eu nunca tinha tido com ninguém dentro da TFP. (...) Então pediam para eu mostrar o medalhão. Quando eu mostrava o medalhão, todos eles pegavam as relíquias dele, as coisas deles e tocavam no meu medalhão, pensei: Puxa, isso é uma coisa meio rara. Isso não acontecia, nunca me aconteceu.
Depois:
-- O senhor tem que nos dar a bênção!
-- Não. Como dar a bênção? Porque bênção é o Senhor Doutor Plinio quem dá.
-- Não, não. O senhor como escravo, nós já estivemos tirando a limpo, etc., os escravos se davam a bênção uns aos outros. O senhor tem que nos dar a bênção.
Isso já muito antes dos correspondentes.
E quando eu fui a Genazzano e tive aquela premonição de que o Senhor Doutor Plinio ia morrer, e voltei aos EUA, e encontrei esse surto ainda muito maior, eu tive um arrepio, eu disse: É aqui a Providência preparando ... (1)
Aquilo que é comum na piedade católica, às vezes, uma imagem muito delicada, o que é que fazem os párocos? Põem a imagem no alto para o povo não tocar e não beijar e não por a mão, etc., porque senão estragam a imagem. O que é que eles fazem?
Fazem descer da imagem uma fita, e os fiéis quando passam osculam a fita e osculando a fita estão osculando a imagem. Mas o fiel precisa tocar.
Eu me lembro quando fui em Quito, depois da procissão que houve da Dolorosa, eu consegui por causa do distintivo, parecia que era padre então me deixaram entrar no presbitério, fui lá no presbitério, peguei meu terço, minhas relíquias todas e toquei no quadro de Nossa Senhora, osculei, enfiei no bolso e quando fui sair a indiarada me juntou em cima de mim e:
-- Papito! Papito! tem que pôr tal coisa, tem que tocar tal outra.
Eu não tinha como fugir, então tinha que pegar as coisas dos índios todos, colocar lá na imagem e voltar. Era um verdadeiro burburinho, por quê?
Porque eles, se não tocam, eles não...
E a mesma coisa então acontecia aqui com esses bem-te-vis, eles estavam já anteprevisa-morte do Senhor Doutor Plinio já se agarrando numa fita.
Bom, chega em São Paulo, há a morte do Senhor Doutor Plinio. Começo a preparar o Grupo, antes disso. E depois há a post mortem e aí então começa a graça nova.
Eu não tomei iniciativa nenhuma.
Quando eu fui a Laje do Muriaé, eu disse para o pessoal, aqui todos são testemunhas - os que estavam na reunião - eu disse:
-- Vamos a Laje do Muriaé porque eu acho que existe uma graça nova no ar e eu quero ver como é que essa graça nova lá.
(...)Bom, chega aqui e começo a lidar com a graça nova, um surto igual nos CCEE.
Então uma graça que é graça mesmo, é autêntica, eu vejo que é graça.Os quatro padres são testemunhas de que é graça porque eles mesmo entraram --o senhor sabe que os padres não descolam da opinião pública-- na toada. A tal ponto que o Padre Gervásio, quando terminou um retiro aqui recentemente, disse que queria conversar comigo, foi para uma sala lá em baixo. Chegou na sala (...), se ajoelhou e disse:
Bem, agora eu quero a benção. [Risos no auditório]
Padre Gervásio! de jeito nenhum. Só se o senhor me der a benção do senhor.
Está bom.
Então........... a benção dele. (...) E depois então exigiu que eu fizesse uma cruzinha na testa dele. (...)
Conclusão, começou a haver dentro do Grupo, não da parte da fumaça --porque se fosse fumaça, fumaça eu pouco me importo; a fumaça andou ladrando aqui, lá e acolá--, mas da parte de gente boa: que eu estava fundando uma TFP feminina, de que eu inventei o negócio da cruzinha para poder pôr a mão na testa das moças.
(Que horror!)
Meu Deus do céu! Francamente!Os que me acompanham no carro e o meu anjo da guarda são testemunhas de que eu não queria passar por essas situações, jamais em minha vida. Sabem perfeitamente disso e dão testemunho disso.
Depois, que as moças estão influenciando a vida da TFP.
Que uma teria afirmado de que ela não tinha entendido o Senhor Doutor Plinio e que ela só entendeu a mim.
Eu fui conferir e isso não é bem assim.
Quer dizer, o que a pessoa pensa é de que ela entendeu melhor o Senhor Doutor Plinio, entendeu melhor a Senhora Dona Lucilia depois do contato comigo, depois do que eu tenha explicado a respeito da Senhora Dona Lucilia e do Senhor Doutor Plinio.
Francamente, aí é a coisa mais normal do mundo.
Bom, depois, olha, eram tais diz-que-diz que eu tive aqui uma conversa com o Sr. Glavan outro dia, em que eu disse a ele:
-- Olha, é melhor a nossa união interna do que a gente pôr em prática o que o Senhor Doutor Plinio pediu (2). Porque eu não estou fazendo outra coisa senão pôr em prática o que o Senhor Doutor Plinio pediu. Já são 6 mil visitas que fizeram os CCEE. E é por causa desse entusiasmo e desse fogo que a gente vai pondo (3). Eu disse:
-- Olha, Sr. Glavan, então vamos encerrar, eu não cuido mais. Eu não mexo mais.
-- Por quê?
-- Porque o senhor precisa manter mais a união interna do que um apostolado externo.O senhor quer ver o negócio dos bem-te-vis como é preciso...
Então, eu lavo as mãos. Para mim é até melhor, porque me sobra mais tempo. (...)
Porque, francamente, dizer que eu estou fundando uma TFP feminina. Onde é que eu pus capa numa moça? Onde que eu dei distintivo para uma moça? Onde é que eu vesti uma moça de hábito? Onde é que eu disse: agora vocês constituem uma TFP feminina? (4).
-- Bom, mas é que o senhor fez reuniões...
Mas, Dr. Luizinho já fazia reunião para o Cadeaux em tempos idos, e por causa disso foi fundada uma TFP feminina na década de 50?
Bom, mas enfim, tem que se adaptar. E é de acordo com a graça. O senhor vê que é exatamente a escola do Senhor Doutor Plinio.
O que é que eu posso fazer?
Eu tinha que pôr em prática o que o Senhor Doutor Plinio tinha determinado.
Desmontar setor, eu não podia. Já não tinha autoridade para isso.
Então eu vou pegar aquilo que está nas mãos.
Tem que parar porque os bispos começam a achar ruim e não sei quanto, então não tem mais apresentações. Então: Senhores eremitas, recolherem-se! Não tem apresentações.
Agora o que resta são os CCEE. Também não pode. Deixa o movimento por si.
(...)
Eu acabei tratando disso, por quê? Porque eu cortei agora com CCEE. (...) Bom, mas para que é que eu vou estar criando problemas entre nós? Então corto.
Mas, eu não posso cortar com os enjolras, hein!
A gente não pode exigir que isto seja feito por todo quanto é membro do Grupo, cada um age de acordo com as inspirações da graça. Mas eles têm necessidade de encontrar uma fita que liguem a eles ao Senhor Doutor Plinio.
(Claro evidente! Não só eles, nós também!) (7)
Então, o que eu posso fazer? Eu não vou poder cortar com eles.Agora, se cortado com os CCEE, começar o demônio a inventar coisas a respeito dos enjolras, eu lamento muito, mas aí...
Nossa união tem que ser feita em outra base. Não tenho jeito.
Eu vou dar uma fotografia para eles:
-- Faz favor do senhor oscular.
Está bom, eu osculo porque eu recebo graças.
Claro, oscular uma fotografia do Senhor Doutor Plinio, para mim é uma graça. Oscular uma fotografia da Senhora Dona Lucilia, para mim é uma graça.
Ele sai com a ilusão de que o fato de eu ter osculado aumentou o valor da fotografia dele. O problema é dele, se a graça pôs isso na alma dele, deixa, faz bem a ele (8).
Agora, não é por causa disso que vão inventar não sei o quê, que vai ser obrigado então eu dizer para os enjolras:
-- Olha aqui, não. Se eu oscular, todos os membros do Grupo também tem que oscular, ou então...
Alguém dirá: Mas o senhor tem que reconhecer que existia exageros.
Claro. Bradar o meu nome por exemplo, é uma estupidez (9).
-- Ah, mas o Senhor Doutor Plinio bradou.
O Senhor Doutor Plinio bradou uma vez, uma vez na vida para comemorar o fato de eu ter recebido um atestado de um hospital que é o maior do mundo, de que eu estava curado. Mas só foi essa ocasião. Ele não disse: Daqui por diante o brado vai ser assim.
Mas, então é chegar e dizer: Olha, brado não pode. E coibir os abusos, e cortar o que é exagero.
Mas, nós chegamos à situação em que nós somos obrigados a cortar tudo.
O que é que se pode fazer?
(...)
Claro, uma pessoa não pode, vendo esse movimento todo de CCEE, se imaginar o centro. Se se imaginar no centro começa a ter tentação de megalice, começa ter tentação de pureza, pode ter toda espécie de ... (10)
Eu confesso o seguinte, que tentação de megalice, tentação de castidade não tive, se eu tivesse eu não teria receio de dizer: Olha, de fato, em certas circunstâncias a coisa me aperta.
Mas... O problema é que isto causa dificuldade interna.
Se causa dificuldade interna, pelo princípio dado pelo Senhor Doutor Plinio, a gente tem que se adaptar.
Comentários:
Preparando ... o sucessor! Na conjunção dos seguintes três fatores, JC viu um sinal de que a “Providência” o chamava para assumir o papel de Dr. Plinio:
a veneração de que ele começou a ser objeto enquanto mediador, por parte dos rapazes da TFP americana, pouco depois do “acrisolamento” pelo qual passou na época da sarcoidose (provavelmente julho de 95);
a premonição de que Dr. Plinio ia morrer (julho-agosto de 95);
o crescimento dessa veneração, ao retornar de Genazzano aos Estados Unidos (agosto de 95)
Segundo JC e seus adeptos, Dr. Plinio queria que ele (JC) tocasse adiante o apostolado da graça nova.
A causa do fogo e do entusiasmo dos CCEE não é Dr. Plinio, mas JC.
Mas na prática JC faz as vezes de modelo e propulsor da “tfp” feminina.
JC reconhece que foi venerado tanto como o próprio Dr. Plinio.
Nesses dias precisamente estava havendo um estrondo na imprensa norte-americana --com muita repercussão na mídia brasileira-- em torno do namoro de um menino com uma menina, ambos de 11 ou 12 anos de idade.
Os enjolrras --e os joaninos veteranos-- necessitam de um canal que os ligue a Dr. Plinio: a tese outrora combatida por JC é hoje sustentada por JC.
A graça, pondo essa ilusão na mente de um rapaz, pode lhe fazer bem à alma? A graça foi um dos fatores da divisão da TFP?
Se é uma estupidez, por que seus agentes levam os outros a incluírem seu nome no brado?
Mas JC se coloca no centro.
*
Isso posto, transcrevemos uma excelente visão de conjunto e análise do culto tributado ao fetiche. Resumo da Declaração do Dr. Mário Navarro, de 4/12/96:
“Grosso modo”, a partir do falecimento do SDP, foi se desenvolvendo gradualmente um culto pessoal a JC, por atos de devoção que em parte imitam e em parte vão além daqueles tributados ao SDP.
JC persistentemente afirma que se trata da obra graça e de que não há meio de impedir aquilo. E nada tem feito de eficaz para coibir os abusos.
“Lex orandi, lex credendi”: os atos de devoção tem conseqüência doutrinária. É inevitável que culto análogo ao tributado ao SDP leve à conclusão de que existe algum gênero de paridade entre JC e o SDP.
É verdade que JC explica que as honras tributadas a ele são no fundo endereçadas ao SDP, através da analogia da “fita presa à imagem”. Mas vai ficando cada vez mais relegado, enquanto que JC vai assumindo um papel cada vez mais vivo e central na vida de bastantes sócios e cooperadores da TFP.
Reunião na Saúde, 26/3/96:
(Alessandro: Sr. João, nós queremos dizer uma coisa. É que depois que nosso Pai e senhor foi para a eternidade nós sentimos tanto a falta do Santo do Dia de sábado. A gente tinha aquele contato com o Sr. Dr. Plinio, de poder olhar, de poder vê-lo, de poder escutar as suas santas palavras. Queríamos fazer alguma para preencher esse espaço de tempo e ter essa união de alma com nosso Pai e senhor.)
Ótimo.
(Alessandro: Aqui na Saúde nós então fizemos uma coisa que é fazer o Santo do Dia de Sábado.)
Ontem ainda o Sr. Andrey e outros me contavam como é que era o cerimonial todo e fiquei muito contente de saber que isto foi feito sem que eu tivesse posto a mão. Quando a gente empurra, enfim, fizeram porque empurrou. Mas isso tendo nascido do fundo de alma dos senhores não podia ser mais louvável e não podia dar mais contentamento a ele, à Sra. Da. Lucilia, a Nossa Senhora e a Deus.
(Alessandro: Então, Sr. João, já tem mais ou menos uns quatro meses que nós estamos fazendo o cerimonial de Santo do Dia de sábado para ter essa união de alma com nosso Pai e senhor. Não seria possível um telefonema com o senhor após a audição da fita?)
[Aplausos.]
Eu acho que dependendo da hora... Que horas os senhores terminam?
(Ueda: Mais ou menos quinze para a meia-noite.)
Ah sim, sim, sim. Pode ser o telefonema. Terminado o Santo do Dia ligam para mim. Pode ser, está combinado. Então isto está assente já.
(...)
O cerimonial que os senhores fazem não é em vão, não é um cerimonial imaginativo, inteiramente irreal, fictício, mítico, legendário, nada disso, é a realidade pura. Porque os senhores através de um cerimonial, através de uma cena, os senhores procuram realizar aquilo que é a realidade mais concreta possível. Porque ele está presente nessa audição de uma forma muito mais intensa, muito mais patente do que estava no Auditório de Nossa Senhora Auxiliadora dentro da cabine. Dentro da cabine havia aquele vidro, aquele acrílico que separava os senhores dele, e ele era obrigado a falar através de um microfone. Agora não, não tem microfone, não tem acrílico, não tem nada. Ele entra na alma de cada um e fala no fundo da alma de cada um.
Essa realidade que os senhores concretizam na hora desse cerimonial é uma realidade feita de fé. Mas é uma realidade feita com a compenetração inteira de que a doutrina católica é verdadeira, e que, portanto, ele está presente, é algo que condiz inteiramente com um fato concreto. Esse fato concreto é de que ele está presente não só no trono que os senhores preparam, na fotografia que os senhores colocam para dar idéia da presença dele, mas ele está presente na alma de cada um, ao lado de cada um, atrás de cada um, na frente de cada um e falando no fundo da alma de cada um.
Os senhores não poderiam ter realizado uma idéia mais feliz, é isso mesmo.
Mais: os senhores fazendo isso quebram (...) uma vivência errada de que o Sr. Dr. Plinio está longe, está lá não sei em que parte, e eu estou aqui distante dele, eu para que ele me ouça quase que precisaria pôr as mãos na boca e dizer: "Sr. Dr. Plinio, olhe que eu estou aqui!". Está completamente errado, porque ele está no meu lado, ele está dentro de mim. Ele me vê com uma acuidade, com uma precisão muito maior do que me via antes.
Eu preciso concretizar atos, eu preciso fazer com que cerimônias lutem contra minha vivência errada de que o Sr. Dr. Plinio está à distância. E não podia ser mais feliz essa cerimônia concreta que é feita, porque ela justamente quebra completamente essa vivência errada do Sr. Dr. Plinio numa distância enorme, lá no Céu. No Céu que nem os aviões, nem esses tipos que são uns astronautas aí que se metem dentro de um foguete e que vão vencendo barreiras de som, isto, aquilo e aquilo outro, chegando até uma Lua ou dando volta na Terra não sei por que distância, vendo a Terra pequenininha como se fosse um ovinho e não encontram o Céu, não encontram a Jerusalém celeste, que é um lugar material. Onde é que estará então o Sr. Dr. Plinio? Longe de nós a mais não poder.
Mentira. Ele nos vê com uma propriedade única, ele nos vê com uma proximidade extraordinária.
O senhor me pergunta que comentário fazer a respeito disto. Está aqui o comentário. Como a gente deve fazer com que a presença dele se torne cada vez mais intensa e a gente cresça na união com ele?
Durante o dia multiplicando os atos de amor por ele, multiplicando a benquerença em relação a ele, conversando com ele. Eu não posso conversar com ele? Pois claro que eu posso conversar com ele, porque está me ouvindo. Se eu não converso é porque sou mal educado. No mínimo mal educado, porque não é possível que esteja o Sr. Dr. Plinio ao meu lado, esteja o Sr. Dr. Plinio na minha frente, me perguntando: "Meu filho, no que é que eu posso lhe ajudar" e eu [calado].
Tem sentido isso? Não é pecado isso? É pecado não pensar nele, é pecado não conversar com ele.
Então aproveitem as 24h do dia. Até durante o sono, antes dos senhores dormirem, os senhores dizerem: "Sr. Dr. Plinio, que pena, eu vou ter agora que dormir porque, enfim, é a contingência da minha natureza humana depois do pecado original. Vós não tendes mais esse problema, mas eu sou obrigado a dormir agora, sou obrigado a deixar essa conversa convosco e vou ser obrigado a deixar-vos aqui ao meu lado me olhando enquanto eu estou dormindo. Mil perdões, peço perdão de dormir na vossa presença, mas que eu posso fazer? Tenho que cumprir esse dever que é um dever da natureza. A natureza exige que eu agora durma, então mil perdões. Eu vou dormir, mas eu sei que é da vossa vontade que eu durma. Então eu vos peço: dai-me um sono de um justo e, se possível, para não interromper esse nosso convívio, conversemos um pouquinho em sonho".
Como crescer na união com ele, como crescer no convívio com ele, como crescer nesse entranhamento de alma com ele? Praticando a conversa, convivendo. É a mesma coisa que o senhor me dissesse:
-- Como é que eu faço para aprender a andar?
-- Meu caro, andando.
(...) Aqui é a mesma coisa. O senhor me pergunta: "Como é que eu vou conviver com o Sr. Dr. Plinio? Como é que eu vou estar presente diante dele? Como é que ele vai estar presente diante de mim, como é que eu me uno a ele?".
Meu caro, fazendo, fazendo. Ou seja, conversando com ele, tendo convívio com ele, não interrompendo o relacionamento com ele. Constantemente, o dia inteiro, a toda a hora, toda a hora, toda a hora, não pare.
Aí o senhor vai ficando cada vez mais santo, porque se o senhor conversar muito com ele acontece uma coisa curiosa: o senhor fica parecido com ele. E vai chegar um momento que o senhor vai se olhar para si mesmo e vai dizer: "Que coisa impressionante, não me reconheço mais. Eu estou outro, eu me sinto outro".
Está claro, senhor?
(Alessandro: Mas o senhor só tem nos encaminhado para amar mais o Sr. Dr. Plinio.)
Eu não quero fazer outra coisa na vida, porque eu acho que se fizer outra coisa na vida -- para o meu caso concreto, eu não sei de outros o que possa ser -- perco tempo.
(Alessandro: O senhor vive o Sr. Dr. Plinio a todo o momento, o senhor conversa, o senhor pensa no Sr. Dr. Plinio...)
É o que eu quero.
(Alessandro: Nós ficamos muito contentes de saber que o senhor vai poder nos atender no telefone.)
Aos sábados, não é?
(Alessandro: Neste sábado, por exemplo, se o senhor não estiver muito ocupado, se o senhor pudesse fazer um Santo do Dia aqui...)
[Aplausos.]
Eu não quero dizer que já venha este sábado, mas um sábado eu prometo aos senhores. Eu venho aqui para intensificar ainda mais o meu convívio com ele, perfeito. Virei com gosto. A que horas é que começa? Às 11h, não é?
(Auro: Às 11h.)
Então não tem dúvida. Vamos combinar isto.
Num primeiro período, o relacionamento dos jovens da Saúde era com o SDP presente: “A gente tinha aquele contato com o Sr. Dr. Plinio, de poder olhar, de poder vê-lo, de poder escutar as suas santas palavras”.
Depois, mediante cerimônias, esse relacionamento passou a ser com o SDP ausente, à distancia.
Este convívio, embora mais intenso do que o anterior, não sacia os jovens. Então eles pedem que no final das cerimônias haja um telefonema a JC, que os vai encaminhar ainda mais ao SDP.
Aquilo é motivo de contentamento para os rapazes. Mas também é insuficiente. Diante da perspectiva de JC estar presente, junto com eles, fazendo um “Santo do Dia Sábado”, eles aplaudem.
Dir-se-ia portanto que há 4 degraus de intensidade crescente nesse estranho relacionamento dos moços com o SDP:
a) no primeiro degrau, o SDP está fisicamente presente; b) no segundo degrau, o SDP está fisicamente ausente; c) no terceiro degrau, JC está fisicamente ausente (os moços falam com ele pelo telefone); d) no degrau mais alto, JC está fisicamente presente.
Quer dizer, o relacionamento com o SDP serve de meio para chegar ao relacionamento com JC.
Aí está a escola joanina do processo de santificação.
Note-se que esse relacionamento “com o SDP” tem qualquer coisa de fenomenológico.
*
Na reunião para os veteranos, de 26/3/96, JC fornece mais dados a respeito do cerimonial desses “Santos do Dia Sábado”:
Na Saúde todos os sábados à noite, depois dos apostolandos novos irem embora, eles põem as capas, fazem um alardo, depois fazem um cortejo e vão para um lugar ali no pátio onde está o troneto do Sr. Dr. Plinio, o chapéu em cima do troneto e os sapatos embaixo. Aí vêm dois alabardeiros, com outros todos vestidos de hábito portando uma foto grande do Sr. Dr. Plinio. Chegam e colocam solenemente no próprio trono do Sr. Dr. Plinio.
Aí, então, dois proclamadores fazem a pergunta do Sr. Dr. Plinio, proclamam a pergunta do Sr. Dr. Plinio. É dado um flectate genua e vem o Santo do Dia em que o Sr. Dr. Plinio começa: "Meus filhos". Aí começa o Santo do Dia e eles dizem que recebem mais graças do que quando o Sr. Dr. Plinio estava vivo e fazia o Santo do Dia diretamente para eles.
*
No 30/3/96 houve o primeiro telefonema dos rapazes da Saúde com JC, à maneira de coroação das “graças” recebidas no “Santo do Dia Sábado”:
(Eduardo Valente: Alô.)
Alô.
(Eduardo Valente: Sr. João, Salve Maria!)
[Exclamações] (1)
Salve Maria! Então, acabaram de ouvir o Santo do Dia é?
(Eduardo Valente: Sim senhor (2), um magnífico Santo do Dia, Sr. João.)
Eu tenho inveja, sabe?
(Eduardo Valente: Realmente esplêndido, faltava a presença do senhor aqui para completar tudo, viu?) (3)
Eu tinha uma vontade enorme de estar aí. É o Sr. Valente, não é?
(Eduardo Valente: Sim senhor, Sr. João.)
Com uma vontade enorme de estar aí com o senhor e com todos os outros aí.
[Exclamações] (4)
(Eduardo Valente: Aí neste aspecto eu acho que nós superamos o senhor, viu? A vontade de estar junto do senhor seria maior ainda.)
Ah, São Bernardo dizia uma coisa muito curiosa para aos monges dele. São Bernardo tinha vários mosteiros fundados por ele, então os monges de cá, de lá e de acolá, às vezes ele passava dois anos sem ir no mosteiro -- naquele tempo não existia os meios de condução que existem hoje -- então os monges escreviam a ele e iam uns mensageiros entregar as cartas a ele e todos eles se queixavam: "Ah porque nossas saudades, nosso desejo de vê-lo, etc., etc., ". Ele então resolveu escrever uma mensagem aos monges todos que escreviam a ele. Ele dizia: "Eu sofro mais do que cada um, porque todos tem o desejo de encontrar um, e eu tenho o desejo de encontrar todos."
Então eu sofro mais do que os senhores essa saudade, porque os senhores estão com saudades em relação a que eu estivesse aí, e eu tenho a saudade de cada um dos senhores de modo que a minha é maior do que a dos senhores (5).
(Eduardo Valente: Uma coisa é certa, Sr. João, que uma vez que nosso Pai e Senhor está aqui e está com o senhor aí (6), nós estamos todos juntos.)
É verdade, é verdade, de maneira que nele estamos todos bem unidos.
(Eduardo Valente: Pois é, e esse é o lado espiritual encurtando as distâncias, as distâncias físicas. Mas Sr. João, no Santo do Dia o Senhor Doutor Plinio falou (7) sobre os Anjos e ele começou dando uma introdução sobre de como ele gosta das gotas de orvalho; ele disse inclusive que ele gostaria de recolher com um copo, ir pelo bosque recolhendo as gotas de orvalho.)
O senhor se lembra daquela composição dele quando menino sobre a gota de orvalho, ou não?
(Eduardo Valente: Não senhor, Sr. João eu não lembro.)
Ele tem uma composição muito bonita no colégio São Luís, aos dez anos de idade, em que ele imagina num deserto assim tipo Saara, (...)
(Eduardo Valente: Essa é uma composição magnífica, Sr. João.)
É muito bonita.
(Eduardo Valente: É impressionante -- quando o senhor disse eu não tinha relacionado -- mas aqui na Saúde foi feita uma música com esse poema e os "enjolras" desde os mais pequenos, até os mais velhos cantam aqui e realmente é uma música que toca a todos.)
Fenomenal!
(Eduardo Valente: Fenomenal! Mas Sr. João, nós estamos ligando para o senhor, assim conforme o combinado com o senhor na reunião.)
Para termos a obediência da semana (8).
(Eduardo Valente: Isso mesmo.)
Bem, há uma oração que é de cruzada, é feita de orvalho, é angélica, é profética, é do Reino de Maria é uma oração simples, e simples, e simples, e simples, os senhores podem ter uma oração pliniana, essa oração se chama Oração da Restauração.
(Eduardo Valente: Fenomenal, senhor.)
Então a obediência da semana vai ser os senhores rezarem três vezes ao dia a Oração da Restauração para pedir um oceano do espírito do Senhor Doutor Plinio sobre os senhores.
[Exclamações]
(Todos: Amém)
Está bem?
(Eduardo Valente: Sim senhor, Sr. João.)
Ótimo!
(Eduardo Valente: Nossa Senhora lhe pague por tudo Sr. João.)
E que Ela lhes dê muito ânimo, muito entusiasmo, muita união com ele, muita admiração por ele e um encanto não só por ele mas também pela mãe dele que é mãe nossa.
(Eduardo Valente: Sim senhor, fenomenal, agora aqui se está pedindo se o senhor podia pedir a bênção, senhor...)(9)
Peço já... Amém.
(Todos: Amém.)
(Eduardo Valente: Que Nossa Senhora lhe pague. (10).
Que ele e ela os ajudem muitíssimo.
(Eduardo Valente: Igualmente, Sr. João. Sr. João, o senhor podia dar o brado?)
Não vai acordar os vizinhos aí?
(Eduardo Valente: Sr. João, o Sr. Auro disse que em tom normal se pode bradar.)
Vamos então um brado como nós costumamos dizer, um brado em tom de silêncio. Pelo Senhor Doutor Plinio!
(Todos: Tradição, Família e Propriedade..., Bagarre vitória..., Plinio Corrêa de Oliveira..., Lucilia Corrêa de Oliveira...)
Diga ao pessoal do grupo Luís Plinio Elias que eu gostei muito do emblema deles e tenho aqui em cima da mesa.
[Exclamações]
(Eduardo Valente: Nós pedimos também orações pelo programa de amanhã Sr. João.)
Com muito gosto. (11)
(Eduardo Valente: E eles estão dizendo que estão pedindo uma palavrinha para o senhor.)
Ah não tem a menor dúvida, assim que for possível darei com muito gosto. (12)
(Eduardo Valente: Sim senhor, Sr. João, de qualquer maneira mais uma vez agradecemos por esse apostolado "pliniano" que o senhor fez conosco agora.)
Não, que isso! Que ele os ajude muitíssimo, que os ampare, que os ponha cada vez mais adiante.
Comentários:
Começa o telefonema, JC diz “alô”, o interlocutor responde “Salve Maria”, e os moços se emocionam.
Esses jovens são muitos novos na TFP, mas já se dirigem a JC como vassalos a seu senhor, ou como discípulos a seu fundador. O termo é repetido 19 vezes neste curto telefonema.
A frase confirma que o relacionamento entre esses jovens e o SDP é insuficiente: é preciso que seja completado --coroado-- pela presença física de JC.
Perante a possibilidade de JC estar junto com eles, a emotividade dos rapazes vibra.
Em matéria de saudades --e portanto em matéria de relacionamento--, São Bernardo está para os monges dos mosteiros que ele fundou, como JC está para esses rapazes. Logo, JC é fundador.
Dr. Plinio está presente na sala onde estão os moços? Simultaneamente está na sala onde está JC? Digamos que se trate de uma presença espiritual. Nessa hipótese, como é que o jovem sabe que “Dr. Plinio” estava na sala de JC? Soube por telepatia? “Está com o Sr. aí” também pode ser interpretado, não como está na sala de JC, mas como está dentro da alma de JC.
Dr. Plinio falou?
JC parece tomar a iniciativa de sugerir “a obediência da semana”.
Os jovens da Saúde recorrem a JC, para que, à maneira de intercessor, peça a benção de Dr. Plinio para eles? Ou eles pedem a JC a benção de JC? No parágrafo seguinte há dados para elucidar a dúvida.
Se a benção que os jovens pediram era a de Dr. Plinio, era de se esperar que agradecessem a Dr. Plinio --tanto mais que, segundo eles, o Dr. Plinio estava aí, nessa sala, e alguns minutos atrás Dr. Plinio tinha falado a eles no “Santo do Dia”. Mas como agradeceram a JC, quer dizer que a benção que pediram foi a de JC.
Os rapazes pedem orações a JC e JC acede com muito gosto.
Também pedem uma palavrinha e seu senhor acede contente.
*
Ao final dos “Santo de dia sábado”, os moços da Saúde ligam para JC. O telefonema do 27/4/96 assim termina:
(Felipe Kaeser: Sr. João, o senhor não poderia dar a bênção?)
Eu posso pedir, um momentinho, vou pedir já... Amém (1).
(Todos: Amém.)
(Felipe Kaeser: Que Nossa Senhora lhe pague, Sr. João.)
Que Ela e ele lhes ajudem muitíssimo.
(Felipe Kaeser: Nós estamos aqui ansiosos por encontrar o senhor de novo, Sr. João.)
Pois amanhã nós nos encontraremos no Jour le Jour, às onze.
[Exclamações](Cfr. texto 960511TF)
Comentário:
Num primeiro momento, JC invoca a Dr. Plinio. Depois há um breve espaço de tempo. E no final JC diz “amém”, como quem viu ou escutou a “Dr. Plinio” dando a benção ...
*
Trechos finais do telefonema de 4/5/96:
Bem, agora vamos rezar pelos senhores e depois vamos à obediência da semana, não é isto?
(...)
(Marcos Munhoz: Queríamos agradecer ao senhor por nos dar essa oportunidade de poder falar com o senhor, essa graça.)
Não, é uma graça para mim também, porque eu mato um pouco das Saudades.
(Marcos Munhoz: E também esperamos o senhor no próximo Santo do Dia para o senhor poder estar aqui conosco.)
[Exclamações, aplausos](Cfr. texto 960511TF)
*
Telefonema de 11/5/96:
Estão todos aí, terminado o Santo do Dia, é isso?
(Carlos Toniolo: Estão todos aqui reunidos, aliás um Santo do Dia magnífico, Sr. João.)
De que época foi?
(Carlos Toniolo: Foi de 94, Sr. João. O Sr. Ueda, o Sr. Auro, enfim, eles acharam melhor pegar a série de Santos do Dia um pouco mais recentes que estavam mais próximo dos "enjolras", muitos estiveram presentes, e os que não estiveram compreendem com mais facilidade, talvez, do que os Santos do Dia mais antigos.
Mas na linha da confirmação da Vocação e da ação do Senhor Doutor Plinio e de uma alegria por tudo, é uma coisa... é realmente fenomenal, Sr. João. E depois coroado com uma conversa com o senhor.) (1)
Mas qual é o tema do Santo do Dia? (2)
(Carlos Toniolo: Sr. João o tema do Santo do Dia hoje foi sobre a confiança.)
(...)
(Carlos Toniolo: Sr. João, nós vemos toda a misericórdia que a Providência teve para conosco, porque Ela não só nos deu esse Fundador excelente que não só durante a vida dele continuamente nos chamou a todo esse caminho de confiança e de Esperança, mas ele partindo para o Céu, ele, além de continuamente nos falar com voz interior e com graças místicas, ele ainda teve a bondade de nos deixar, enfim, uma voz que continuamente nos recorda dele, continuamente...) (3)
O senhor me faz lembrar uma visita que eu fiz à Academia Militar de Agulhas Negras (...). Eu via que com os cadetes, portanto estudantes, e que no futuro iriam se formar, iriam passar a ser oficiais, esses cadetes estavam tendo uma aula de Educação Física com um sargento especialista em Educação Física. Era uma aula tremenda porque eles tinham que fazer esforços monumentais. (...) E eu pensava o seguinte: "Aqui está um sargento que prepara cadetes, prepara cadetes para serem oficiais. Amanhã esses cadetes saem da escola de oficiais e saem com uma categoria ainda maior do que o próprio sargento”.
Foi assim: nosso Pai foi para o Céu e deixou um sargento para formar cadetes. Daqui a algum tempo, se Deus quiser, o Senhor Doutor Plinio terá filhos melhores do que o sargento que ele deixou.
(Todos: Não!)
(Carlos Toniolo: Não, com isso nós não concordamos.) (4)
Isso dá uma alegria ao sargento enorme, e é o contentamento que o sargento tem quando vê os cadetes saindo da escola militar já oficiais, portanto ele tendo que prestar continência para os oficiais.
(Carlos Toniolo: Essa cena aqui nós não conseguimos imaginar, Sr. João, é muito difícil.)
Mas é a pura realidade. Nós temos que desejar que os que vêm depois de nós sejam muito mais do que nós, porque assim nosso Pai e Fundador estará cada vez mais bem servido.
(Carlos Toniolo: Sr. João, amanhã aqui na Saúde haverá...)
A comemoração do dia das mães.
(Carlos Toniolo: Exatamente. (...) Nós queríamos pedir se o senhor pudesse rezar especialmente por essa atividade apostólica que haverá amanhã.)
Pois não, vamos rezar juntos, todos, pedindo antes de tudo pela santificação de cada um dos senhores.
(Carlos Toniolo: E vários "enjolras" aqui estão dizendo que a fanfarra, que vai ser uma das partes principais do programa, não terá todo o brilho se ela não for convenientemente regida.) (5)
[Exclamações, aplausos]
Bom, vamos pedir que nosso Pai e Fundador desça do Céu para reger a fanfarra.
(Carlos Toniolo: Agora se não for desígnio da Providência um milagre dessa altura, certamente ele poderia mandar um filho muito dileto dele para...) (6)
[Exclamações]
(...)
(Carlos Toniolo: Sr. João, nós queríamos ousar, não sei se é teologicamente possível, mas se nós pudéssemos pedir, se o senhor rezasse, para que o Anjo da Guarda do senhor estivesse aqui presente também.)
Não, inteiramente, teologicamente possível. Nós podemos pedir que os Anjos da Guarda do Senhor Doutor Plinio, da Senhora Dona Lucilia e meu Anjo da Guarda, perfeitamente, estejam aí amanhã, agindo, agindo, agindo; não tem dúvida.
(Carlos Toniolo: E talvez acompanhado do protegido dele.) (7)
Aí seria uma alegria para o protegido dele. Vamos pedir isso sim.
(Carlos Toniolo: Se o senhor pudesse dar a obediência da semana então, Sr. João.)
A obediência da semana, deixa-me pensar um pouco, olha aqui: "Todos os dias, todos rezarem uma Consagração a São Miguel Arcanjo na intenção de que São Miguel Arcanjo assuma a alma de cada um, assuma as rédeas da alma de cada um, para que cada um se transforme num verdadeiro lutador de nosso Pai e Fundador".
(Todos: Amém!)
E agora então vamos à oração e depois à bênção (8).
(Cfr. texto 960511TF)
Comentários:
Então, os moços da Saúde ouviram uma reunião de Dr. Plinio, “magnífica”, “realmente fenomenal”. Mas o ponto monárquico, a coroação do evento foi o telefonema a JC!
JC não faz nenhuma correção àquilo que o rapaz acabou de afirmar. Portanto, está de acordo com essa tese.
O jovem, falando a nome dos joanistas, disse que eles, “ad intra”, continuamente ouvem a voz de Dr. Plinio; e “ad extra” continuamente ouvem a voz de JC. De maneira que a direção espiritual dos joaninos é feita “a quatro mãos”, entre Dr. Plinio e JC.
Para os joaninos, JC é insuperável.
O rapaz bajula a JC.
Idem.
Idem.
JC toma a iniciativa de propor uma benção para os rapazes.
*
Telefonema para a Saúde, 20/7/96:
(Marcos Munhoz: Sr. João, depois [da audição da fita] deste Santo do Dia espetacular, estão todos aqui da Saúde e alguns de Joinville também [querendo ouvir o senhor]. O Santo do Dia que foi tratado, foi extraordinário. Foi comentado sobre a cólera batalhadora do Sr. Dr. Plinio contra a Revolução. Ele foi dando vários fatinhos e tudo. Além desse contexto, queria fazer um parênteses, se permitisse. Se o senhor pudesse contar um pouquinho como é que está o senhor, como é que está passando o senhor...)
O “Santo do Dia” consistiu na audição de uma fita “espetacular”, sobre a cólera batalhadora de Dr. Plinio contra a Revolução. Depois os moços telefonam a JC para saber como está.
Ora, se esses telefonemas são a coroação dos “Santos do Dia”, quer dizer que o estado no qual JC se encontra é mais “espetacular” que a cólera batalhadora de Dr. Plinio contra a Revolução. E no fundo que JC é superior a Dr. Plinio.
Os colchetes são do texto original.
*
Telefonema para a Saúde, 10/8/96 - Os joaninos se referem a Dr. Plinio como se estivesse realmente vivo:
(Fujiwara: Alô? Sr. João? Salve Maria, Sr. João.)
Salve Maria, Sr. Fujiwara.
(Fujiwara: Como vai passando o senhor? Bem, Sr. João?)
Bem. E o senhor como tem passado?
(Fujiwara: Agora falando com o senhor muito melhor, Sr. João.)
O que é que o senhor me conta?
(Fujiwara: Sr. João, hoje nosso Pai e Fundador teve a bondade de nos dar um Santo do Dia, contando alguns fatinhos das primeiras lutas que teve que travar no Colégio São Luiz. Ele contou, inclusive, aquele fato do Álvaro. Pelo fato dele ter tomado aquela decisão enérgica de dar uma bofetada naquele outro rapaz que debochou dele por querer ser padre, isso fez um bem enorme para nosso Pai e Fundador. (...)
*
Telefonema com os moços da Saúde, 19/10/96:
(Toniolo: (...) Sr. João, ao contrário do que acontecia em outras semanas, nós estamos conversando com o senhor antes de começar o Santo do Dia. Sempre nós falávamos após o Santo do Dia, de maneira que nós infelizmente não vamos poder contar para o senhor como é que foi o Santo do Dia. (...) Nós estávamos no final do cerimonial que precede o Santo do Dia, Sr. João.)
Ah, que ótimo isso. (...)
(Toniolo: Sr. João, o Sr. Ueda havia recomendado que contasse para o senhor um pouquinho como é que era o cerimonial. (...) O cerimonial é relativamente simples, Sr. João. Fazemos uma formação e vamos cantando o "Veni Creator Spiritus". (...) Às vezes nós temos que cantar orações extras, porque o número de pessoas é tal que as orações não chegam. Tantos enjolras que tem aqui, graças a Nossa Senhora e graças às orações do senhor.) (1)
Bonito será o dia em que a gente tem que cantar uns dez cânticos (2).
(Toniolo: E o quadro do Sr. Dr. Plinio, Sr. João, grande, que o senhor comentou em uma reunião aqui (...) fica colocado exatamente -- para efeito da reunião na sala é melhor -- onde o senhor nos dá a reunião de terça (3). Reza-se então isso que o senhor ouviu o finalzinho, que é o "Credo" (4), após o quê algum enjolras faz a pergunta para o Sr. Dr. Plinio (5) e aí é passada a fita do Sr. Dr. Plinio. É a parte do "flash" que continua depois com o telefonema do senhor, porque aí se revivem todos aqueles contatos com o Sr. Dr. Plinio, todas aquelas graças (6). Mesmo os que não tiveram essa ventura imensa de poder compartilhar do olhar do Sr. Dr. Plinio em vida, certamente compartilharão de outra maneira mais para a frente, eles participam de todas essas graças desse contato. Porque o Sr. Dr. Plinio parece -- é uma graça mística -- que é ele mesmo que está falando nesse momento (7).
(...)
(Toniolo: (...) o Sr. Dr. Plinio, como o senhor havia dito no começo, realmente contemplava e era um reflexo da grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo e da ordem do universo, sem dúvida. Mas nele também transparecia esse lado que era essa bondade e esse afeto paternal em acolher todos...)
Luciliano, não é?
(Toniolo: Inteiramente. E nós vemos esse reflexo também refletido nos filhos que lhe são fiéis inteiramente, mas um especialmente, Sr. João, sem dúvida.) (8)
Aí já é ilusão de ótica.
(Toniolo: Acho que o senhor tem razão, Sr. João. É ilusão quando nós não vemos inteiramente...)
Comentários
O joanino atribui o elevado número de apostolandos a Nossa Senhora e às orações de JC. Não menciona a Dr. Plinio.
JC não chama a atenção do rapaz pela omissão do nome de Dr. Plinio. Outrora lhe teria dado um severo aperto.
Faz parte do cerimonial colocar um quadro de Dr. Plinio --não qualquer quadro dele, mas um comentado por JC-- num lugar melhor, onde JC dá reunião nas terças feiras. Subliminalmente aquilo não concorre para equiparar a pessoa de Dr. Plinio com a pessoa de JC?
Quer dizer, os moços ligaram para JC quando o cerimonial estava acabando.
Em vista da veneração que tem por JC, cabe perguntar se esse cerimonial era realmente para preparar as almas para ouvirem as palavras de Dr. Plinio ou para ouvirem as palavras de JC.
A pergunta que em ocasiões anteriores os moços formulavam imaginaria e misticamente a Dr. Plinio, não estaria sendo esta vez dirigida à “encarnação de Dr. Plinio na terra”, denominada JC?
No telefonema com JC, os moços revivem os contatos e graças que outrora tinham com Dr. Plinio. A audição das palavras de Dr. Plinio, na fita respectiva, não é suficiente nesse sentido. O flash --e portanto o fenômeno místico-- que começou a reluzir na audição da fita, continua --ou talvez se requinta-- no telefonema.
Segundo a narração, isso acontece sempre, é automático, é uma espécie de sacramental.
Por uma graça mística, parece que o próprio Dr. Plinio está falando nesse momento.
Qual momento? o da audição da fita? Ou o do telefonema com JC?
A grandeza de Nosso Senhor Jesus Cristo e da ordem do universo, a bondade e o afeto paternal são vistos, por esse joanino, refletidos no Dr. Plinio e também em JC.
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Telefonema entre JC e a Saúde, 4/1/97
O relacionamento dos moços da Saúde com Dr. Plinio, através dos “Santos do dia sábado”, é “complementado” pelo relacionamento com JC:
(José Luís: Sr. João, este é o primeiro telefonema que nós estamos tendo com o senhor, em 97.)
É verdade. Primeiro sábado do mês.
(José Luís: Que este ano de 97 seja coroado de muitos Santos do Dia com telefonemas do senhor.)
Fenomenal. Pela minha parte fico contente porque tenho um contato com os senhores assim.
(José Luís: E que esse telefonema com o senhor nos una cada vez mais ao Sr. Dr. Plinio, nos dê a inteira dedicação à vocação, e para que nós troquemos os corações com o Sr. Dr. Plinio e com a Sra. Da. Lucilia (...)
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Telefonema Saúde, 17/5/97:
(Palazin: Alô?)
Sim?
(Palazin: Sr. João? Salve Maria, Sr. João!)
Salve Maria!
(Palazin: Aqui é Palazin, Sr. João.)
Como está o senhor, bem?
(Palazin: Bem. E o senhor, Sr. João? É uma imensa alegria para nós, Sr. João, poder falar com o senhor depois de quatro semanas, quase um mês, não é?
Barbaridade! Mas ontem nós nos vimos no auditório, não é?
(Palazin: É, sim, mas o Santo do Dia é uma coisa especial, não é, Sr. João? Pelo fato do telefonema.)
Isso é verdade.
O que tem de especial o “Santo do Dia Sábado”, realizado pelos moços da Saúde, não é o que Dr. Plinio disse na fita, mas o telefonema a JC.
Dr. Plinio teria oferecido sua vida em holocausto, para que outrem (JC ?) derrote a Revolução e funde o Reino de Maria - "Jour-le-jour" 30/3/97, parte II - JC interpreta a seguinte profecia do Beato Palau:
Se acerca, está inmediata la época en que una luz del cielo descubrirá á la faz de todas las naciones el verdadero autor de toda su desgracia;...
Quer dizer, vai ficar patente que a desgraça que há na terra é produzida pelo demônio.
... y entonces se levantarán todas como un solo hombre en guerra contra el diablo,...
Não é que as nações vão se levantar, mas os bons se levantarão dentro das nações.
... capitaneadas por el más famosos de todos los profetas, quien las armará no de hierro, plomo y acero; sino de fé, oración, penitencia, caridad; y vencerán sufriendo y muriendo, pero no matando: su victoria será la conversión á Dios de sus reyes, de esos hombres que ahora deguellan sus mas caros hijos.
É profecia, eu não sei. Esta é a profecia.Não sei, é uma opinião meramente pessoal, mas eu acho que aqui entra o peso do oferecimento como vítima de muitas almas, o peso de muitas almas que são colhidas -- ele foi uma -- e que estas conseguem a força para que outros, então, aí realizem aquilo que é o sonho dos senhores. Mas na base tem que haver, não há outro meio, fé, oração, penitência, caridade, sofrendo e morrendo. Vítimas.
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"Jour-le-jour" 24/10/95:
Nós tivemos nosso Fundador, que morreu, sem antes a obra estar no seu esplendor, no seu apogeu. Esta responsabilidade de levar a obra ao apogeu, ao esplendor, está em nossas costas, está em nossas mãos.
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Para o clérigo José Coutinho, é tão "estranho" e "demoníaco" rezar para que a Revolução seja derrotada pelo SDP e o Reino de Maria instaurado pelo SDP, que chega a sentir-se mal:
De um lado [nas reuniões de JC] é patente a presença da graça e de outro lado [nos ambientes alheios a JC] é patente a infestação, e portanto a presença do demônio. Essa presença estranha nota-se inclusive quando o Sr. Atila reza (...) 'pelo cumprimento integral da missão do SDP, de esmagar a Revolução e de implantar o Reino de Maria'. A gente sente-se mal (...).
(Cfr. carta de José Coutinho a JC, de 29/2/96)
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Reunião para CCEE, 9/6/96 - "Ad instar" da transfiguração de NSJC, houve uma transfiguração de Dr. Plinio, e poderá haver outra ... de JC, o co-fundador do Reino de Maria:
(Gilberto de Oliveira: Um fato muito bonito que é a taborização de Nosso Senhor no Monte Tabor quando Ele se transfigurou. Mas, "cristianus alter Cristus", o Senhor Doutor Plinio também teve um momento na vida dele que foi o Tabor dele, a revelação dele para alguns eleitos do Grupo como os três que Nosso Senhor levou para o alto do Monte Tabor, e que foi em 1967 na grande graça da Sempre Viva.)
Mas eu acho o seguinte, que o que houve em 67 é uma prefigura. [Aplausos]
(Gilberto: Como o senhor foi um desses que viram a prefigura ...)
Eu posso contar como eu acho que isto é prefigura, perfeitamente. O Senhor Doutor Plinio num almoço em Amparo (...) dizia o seguinte, de que achava que a Idade Média estava pronta, mas estava num ponto de, de repente, a humanidade toda vir a trocar o coração com Nosso Senhor Jesus Cristo. Ia haver um fenômeno místico de troca de corações entre a humanidade e Nosso Senhor Jesus Cristo. E que o pecado imenso justamente cortou isso. Mas, que o Reino de Maria será um reino onde haverá uma troca de corações entre a humanidade toda e o Sagrado Coração de Jesus. Como?
Dizia ele: "Eu tenho certeza de que troquei meu coração com o Imaculado e Sapiencial Coração de Maria. [Aplausos]
Evidentemente o Sapiencial e Imaculado Coração de Maria não me veio sozinho, porque Ele é inseparável do Sagrado Coração de Jesus. (...) Agora, o que eu acho é que no Reino de Maria o que se dará é uma troca de corações entre a humanidade e eu." [Aplausos]
Bem, isto se entende muito melhor com ele estando na eternidade do que se ele estivesse aqui na terra. Muito mais se entende sabendo que ele está na eternidade. De repente de uma hora para outra ele pode retornar, isso é outra história. Contra doutrina católica não é, isto pode dar-se perfeitamente.
Haverá portanto um certo momento em que isto que foi prefigura em 1967, e que foram graças muito grandes na linha de um... não é que ele se transfigurou, não houve isso não, é que a graça tocou o fundo das nossas almas e fez-nos ver nele quem ele realmente é, e deu-nos uma noção a respeito dele tal qual ele é na sua realidade, fez-nos penetrar na alma dele de forma insondável, de forma inefável, ela não cabe em palavras.
Mas, haverá um determinado momento em que este fenômeno tomará a humanidade inteira, mas de forma mais intensa ainda do que foi em 67. E este será justamente o Reino de Maria.
A troca de corações entre Dr. Plinio e a humanidade, pode dar-se retornando Dr. Plinio à terra, mas também sem ele precisar voltar --pois aquilo "se entende muito melhor com ele estando na eternidade".A segunda hipótese --para a qual JC propende--, como se operaria? Através de uma "transfiguração" de Dr. Plinio no "discípulo perfeito"? Parece que sim, pois para os joanientos, a "plinicidade" reluz mais na pessoa de JC, do que na pessoa de Dr. Plinio.
Nesse caso, JC seria, pelo menos, co-fundador do Reino de Maria.
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"Jour-le-jour" 11/8/96 - Na formação dos membros do Grupo, Dr. Plinio e JC desenvolvem papeis complementares. Logo, a fundação do Reino de Maria é feita “a 4 mãos”:
Eu me lembro perfeitamente de um almoço em que estava só eu e ele [Dr. Plinio], ou melhor, só ele e eu. Ele disse:
- Meu filho, seu senhor tem uma preocupação que queria lhe transmitir.
- Pois não, eu estou à disposição do senhor.
- É a seguinte, os mais antigos e também os complicados --eu vou fazer uma revelação aqui agora sub gravi também, hein! [Risos]-- os mais antigos e a geração dos complicados, eles têm mais facilidade em compreender os aspectos sociais do tal enquanto tal, do que os aspectos religiosos. Enquanto que os CCEE e também os enjolras têm mais facilidade de pegar o aspecto religioso do que os político-sociais. E nós não temos Reino de Maria se nós não conseguirmos fazer com que os mais velhos e os complicados compreendam a fundo o quanto o aspecto político-social sem o religioso é lixo. Então, é preciso combinarmos o apostolado que nós fazemos, porque você tem que fazer um determinado apostolado e eu tenho que fazer outro. Eu junto a eles tenho que ir levando a eles do social para o religioso; e você aos poucos tem que ir tomando os enjolras e na medida que você tenha contanto com os CCEE, ir levando do religioso para o político-social. Caso contrário nós não teremos um Reino de Maria e [inaudível].
Essa complementação entre Dr. Plinio e JC não se circunscreve à formação das mentalidades dos membros do Grupo, mas também --segundo os joanistas dão a entender--abrange a direção de sua vida espiritual.
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Conversa na chegada de JC à sede de Campos, 12/4/96 – JC descreve o momento de Dr. Plinio expirar:
Eu via que era uma cena por onde os últimos respiros, os últimos suspiros, as últimas batidas de coração dele estavam se dando naquele momento. E que em breve a alma dele - cessava a respiração, cessava a vida - abandonaria o corpo.
A alma sendo da qualidade dele não desceria, nem sairia pelo lado, a alma dele tinha que subir. [Exclamações.] Claro! Porque aquilo que é excelente não desce, mas sobe.
Então, eu julguei que a alma dele - uma vez tendo ele falecido - passaria pelo corpo e subiria. Então, eu disse:
-- Olha, não vai passar só pelo corpo dele não, vai passar pelo meu também. [Exclamações.]
Então, foi por isso que eu me... pus as mãos e pus a cabeça no peito dele, à espera de que essa alma subisse.
Se subiu naquele momento ou não subiu naquele momento... o que eu sei é que eu recebi muita graça. E graça na linha de uma confiança, na linha de uma esperança, de uma certeza de vitória. E que ali tinha sido lavrado um ato que era o ato da derrota da Revolução. O ato da compra do Grand-Retour, o ato da fundação do Reino de Maria. Ali morreu a Revolução, ali foi comprado o Grand-Retour, ali, pode se dizer que se iniciou o Reino de Maria.
Não fica inteiramente claro se, o momento em que a Revolução foi derrotada, o Grand Retour comprado e o Reino de Maria fundado, foi quando Dr. Plinio expirou, ou quando JC abraçou a Dr. Plinio e “recebeu seu espírito”. Cronologicamente falando, os dois momentos coincidem; logicamente falando são diferentes. Na segunda hipótese, JC, a rigor, coloca-se como co-fundador do Reino de Maria.
Carta do clérigo José Coutinho a JC (29/2/96):
[Estou] convencido (...) de que o senhor encarna o bom espírito do Grupo , bom espírito que tenho a graça e a alegria de querer seguir até as últimas conseqüências (...). Pronto, com alegria, a qualquer sacrifício, fico inteiramente ao dispor do senhor (...).
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Referindo-se ao Dr. Mário Navarro, Severiano de Oliveira afirma que via nele, na década de 1960, um modelar membro do Grupo. E que essa boa impressão foi corroborada, anos mais tarde, ao perceber: a) a "entrada" que o SDP dava a ele; b) a missão que ele cumpre nos Estados Unidos; c) a "estreita colaboração com o Sr. João Clá".
Mas uma vez que o Dr. Mário Navarro tomou uma posição contrária a JC, "aquela idéia que eu [Severiano] tinha" se apagou.
O Marat joanino termina seu escrito assim: "o senhor, com a remessa de sua 'Declaração' [contra JC], tocou num dos pontos mais sensíveis de minha alma". (Cfr. grafonema de Severiano de Oliveira ao Dr. Mário Navarro, de 10/12/96).
Quer dizer, para um típico expoente dos revoltosos, se uma pessoa é chegada a JC, é sinal, ou até talvez prova irrefutável, de que é boa. E se essa mesma pessoa se distancia de JC, torna-se má, perversa.
Por sua vez, o Rousseau joanino, Patrício Amunátegui, também coloca a pessoa de JC como parâmetro do bem e do mal. Afirma que “o agente itinerante por excelência [da resistência à Revolução Joanina] era uma pessoa de destaque nas fileiras da TFP. Referimo-nos ao Sr. Mário Navarro, pessoa considerada, até então, uma espécie de ‘harmonizador’ oficioso de possíveis dissensões dentro do Grupo. Tinha livre trânsito em todos os ambientes da TFP, e muito do respeito de que gozava na maior parte do Movimento, lhe advinha justamente por constar ser um colaborador dócil e confiável do Sr. João Clá” (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.232).
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Na mesma ordem de idéias se insere a posição tomada por um dirigente da "tfp" canadense. Para ele, a TFP Americana, antes da ruptura com JC, era boa; a partir da ruptura, virou má:
Nos frères do groupe des Etats-Unis, autrefois orgueil de tout la TFP, et aujourd'hui causa d'affliction pour nous tous.
(Cfr. grafonema de François Bandet, para o Dr. Mário Navarro, de 10/12/96).
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Um indicador muito sério para discernir quem está andando bem e quem está andando mal, é a posição da pessoa perante JC - Grafonema de Marcos Faes, para André Dantas, de 22/10/96:
Em fevereiro deste ano, [o Sr. LA Fragelli] convidou-me para um jantar juntamente com o Sr. [George] Antoniadis e uma outra pessoa que de momento não me lembro quem era. Em certo momento o Sr. George (...) começou a tecer elogios ao Sr. João (...). [O comentário do Sr. George denotava] um certo bom espírito, sem dúvida. (...) O Sr. Fragelli caiu em cima dele. (...) Foi a primeira vez que percebi algo estranho. (...) Meses mais tarde notei algo ainda mais raro, desta vez com relação às coisas daqui [Canadá]. (...) Bem sei que estas são impressões muito pessoais, mas que (...) pareciam-me um indicador muito sério de que algo não estava bem.
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Não assistir às reuniões de JC, constitui um escândalo - Grafonema de Tejedor a JC, 12/8/96:
También le pregunté [al Sr. Alfredo] por que no iba al JJ. Me dijo que no necesitaba y que estaba muy ocupado. Le dije que era un escándalo (...)
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Uma reunião é boa se houver imbricamento completo, sem reservas, com JC.
No texto da conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/7/96, sob o epígrafe "Numa reunião em que não há nenhum tipo de fumaça ou mal eflúvio, há uma união muito grande, e todos aproveitam muito as graças recebidas", encontra-se o seguinte diálogo:
(Santiago Morazzani: Na reunião de ontem, um convívio...)
A reunião de ontem o que havia? Havia apetência, não havia gente que tivesse... Até o Pe. Olavo estava inteiramente afinado.
(Santiago Morazzani: Um imbricamento com o senhor.)
Completo, sem nenhuma reserva, sem nenhum mau espírito, sem nenhum desejo de estar encontrando alguma afirmação que foi feita e que pode ser interpretada de uma forma... Calma, nós estamos em casa, estamos conversando, é possível que de repente uma formulação qualquer não saia com uma precisão teológica, de acordo com os cânones os mais exatos possíveis. Se for explicado que foi dito assim e assim, que a doutrina católica diz uma coisa um pouquinho diferente, nós aceitamos inteiramente. Mas não, tem gente que fica com lupa.
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Bom membro do Grupo é aquele que tem grande gratidão, grande enlevo e grande admiração por JC; e que obedece as diretrizes de Dr. Plinio sob a condição de que JC emita seu "nihil obstat" -
Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/7/96:
Aqueles que tinham uma abertura de alma muito grande para com o Sr. Dr. Plinio na direção dos pequenos grupos ou dos grandes grupos que eles tinham debaixo de si, esses acabaram se compenetrando muito mais depois da morte do Sr. Dr. Plinio e recebendo mais graças para ajudar os seus que estão abaixo.
Eu lhe dou dois exemplos.
Um é um homem que até tem família e que diz que se tivesse conhecido o Sr. Dr. Plinio não teria casado: é o Sr. Fragelli. Se o senhor vai ao grupo dos Estados Unidos -- o senhor esteve lá em tempos idos, mas se o senhor vai agora --, o senhor vê que ele no meio de todos os afazeres que tem, no meio de todas as ocupações que tem, procura pegar os textos da reunião que vão daqui e faz reuniões para o pessoal lá que são abençoadas e que mantêm aquele pessoal dentro de um estado de espírito que é de união com o Sr. Dr. Plinio.
Se o senhor vai a Espanha, o senhor vê que algo disso -- tem espanhóis aqui e podem me ser inteiramente testemunhas -- se mantém na Espanha com o Sr. Pedro Paulo.
Em Portugal, o Sr. José Mário com o Sr. Maurício, etc., mantêm aquele pessoal todo novo que vai entrando dentro de um entusiasmo assim.
O senhor vai na Itália --estou vendo dois aqui da Itália--, o senhor vê que existe na Itália uma espécie de preocupação de bom espírito no sentido de continuar as coisas que o Sr. Dr. Plinio queria, no rumo que ele queria.
Onde o senhor vai encontrar serpente, onde o senhor vai encontrar fumaça é aqui. Fora daqui não tem.
(Vítor Nelson: Eu não conheço todos os grupos, mas esses que o senhor citou -- todos aqui são testemunhas disso -- são de pessoas que estão subordinadas ao senhor.)
Não, que haja união entre nós, isso não tem a menor dúvida.
(Vítor Nelson: Não se trata só da união. Desculpe, Sr. João, acho que não é só união, são pessoas que têm uma grande gratidão, um grande enlevo, uma grande admiração pelo senhor, e que sobretudo sempre procuraram -- mesmo em vida do Sr. Dr. Plinio -- seguir as orientações que o senhor deu (1). [...]) (2).
Eu vejo isso, que eles percebiam que o rumo que era dado era um rumo na linha da devoção ao Sr. Dr. Plinio, na linha de pôr o Sr. Dr. Plinio no centro. (...)
(Casale: O senhor, pela idade também, pela situação no Grupo, as pessoas têm toda a liberdade de ligar para o senhor a qualquer hora, o senhor pode atender, em qualquer circunstância. Se tivessem essa relação com o senhor ...) (3)
Comentários:
Uma das caraterísticas dos "bons" é que eles, "mesmo em vida do Sr. Dr. Plinio" , procuraram "seguir as orientações" que JC deu. Quer dizer que se uma pessoa tivesse recebido uma diretriz "x", diretamente de Dr. Plinio, mas não corroborada por JC, e a executasse, era uma pessoa má, ou pelo menos não muito boa? Em rigor de lógica, essa tese leva a concluir que, para os joaninos, o verdadeiro diretor da TFP não era Dr. Plinio, mas JC. (A respeito disto, ver o "Despacho" sobre o apostolado na Índia, de 25/11/93, analisado no Capítulo 24, I, D).
O colchete é do texto original.
O joanista insinua que não basta colocar Dr. Plinio no centro. Também é preciso ter "essa relação" --de grande gratidão, grande enlevo e grande admiração-- com JC.
Reunião na Saúde, 21/12/95:
(Milton Quiroga: O senhor já recebeu o "Grand-Retour"?) [Risos]
Reunião na Saúde, 30/4/96:
(Marcos Munhoz: Pergunto ao senhor se já recebeu o dom de profecia, como já recebeu o dom discernimento dos espíritos também.)
Reunião na Saúde, 30/4/96 - JC, carvalho do Líbano, apóstolo dos últimos tempos:
(Marcos Bueno: [Como se dará conosco a transformação do estado que estamos, para que sejamos os "carvalhos em relação às graminhas" de que fala São Luís]? Isso ainda não aconteceu, mas nós vemos que...)
Que vai acontecer.
(Marcos Bueno: Que vai acontecer e que um ou alguns já estão crescendo em relação a esse estado. Já são quase que carvalhos.)
Acho que ainda tudo é graminha, ouviu?... [Risos.]
(Marcos Bueno: E nós vemos que há uma diferença bem acentuada entre esses que são graminha e esses que já são...)
Que já são arbustosinhos... [Risos.]
Reunião na Saúde, 2/7/96:
(Takeshi: Eu queria perguntar ao senhor o que o senhor imagina do anjo da guarda do Sr. Dr. Plinio. (...) E também a sensibilidade que o senhor tem com relação ao mundo angélico e [ininteligível] o senhor falar do anjo da guarda do senhor.)
Reunião na Saúde, 1/4/97:
(Mauro Sérgio Isabel: Como nós temos reuniões todos os dias, praticamente ... (...) Pergunto então como fazer [para sermos fiéis]? Porque é tanta graça que a gente recebe todos os dias! Pergunto ao senhor porque o senhor recebeu muito mais, porque ficava o dia inteiro com o Sr. Dr. Plinio. (...) Eu perguntaria como o senhor se preocupava em fazer para guardar todas essas pedras preciosas que o senhor recebia, de graças. Como o senhor fez para manter-se inteiramente fiel?)
Como o Sr. João Clá foi compreendendo melhor o Sr. Dr. Plinio depois da doença de 67 (Cfr. reunião na Saúde, 4/6/96)
Rigor do jejum no tempo que o Sr. João Clá fez a primeira comunhão e a solenidade que existia para esse sublime ato (Cfr. reunião na Saúde, 4/6/96)
Foi de grande importância para a vida espiritual o Sr. João Clá saber que nosso Pai e Fundador tinha discernimento dos espíritos (Cfr. reunião na Saúde, 18/6/96)
Com a doença de 67 o Sr. João Clá passa a conhecer mais de perto o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia (Cfr. reunião na Saúde, 18/6/96)
Papel de Dr. Eduardo na formação do Sr. João Clá (Cfr. reunião na Saúde, 18/6/96)
Reação dos CCEE durante a estadia do Sr. João Clá em Miracema: graças que prenunciam o Reino de Maria (Cfr. conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/7/96)
Um problema que o Sr. João tem em todas as reuniões: que matéria tratar, uma vez que o montante de assuntos que nosso Pai e Fundador deixou é para uma era histórica? (Cfr. "jour-le-jour" 6/10/96)
Agradecendo a P. Fernando mais uma vez estar trazendo o espírito do Fundador para a Saúde (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96) (Nota: P. Fernando é JC).
Ao oscular as relíquias de nosso Pai e Fundador recentemente expostas no antigo toilette do quarto dele em São Bento, o Sr. João lembrou-se do primeiro encontro com ele de hábito do Carmo (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96)
O primeiro encontro do Sr. João com o Fundador deu-lhe, num "flash", uma experiência concreta, sensível, um conhecimento sobrenatural, ainda que implícito, de sua grandiosa vocação (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96)
Para explicar como devemos intensificar o convívio com o Sr. Dr. Plinio, após seu falecimento, o Sr. João cria uma metáfora superilustrativa (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96)
Grandeza, o aspecto do Sr. Dr. Plinio que mais atrai o Sr. João (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96)
O Sr. João Clá narra o "caos colosso" em que se encontrava o Êremo de São Bento de 72 a 74 (Cfr. reunião Veteranos, 8/10/96)
Sr. João Clá narra todo o drama de Dr. Fábio, desde o esforço que nosso Pai e Fundador fez para que ele não apostatasse até a morte (Cfr. reunião Veteranos, 8/10/96)
O Sr. João fazia várias tentativas para entusiasmar o Grupo, porém o ambiente era completamente gélido (Cfr. reunião Veteranos, 8/10/96)
Mais tarde, no convívio do Grupo, surgindo a idéia de "Bagarre", de luta, de Reino de Maria, é que se configurou para o Sr. João a noção de cavalaria, e que se ligou com o "flash" primeiro (Cfr. reunião na Saúde, 15/10/96)
O Sr. João acredita que em determinado momento deve vir uma graça de convívio, de união e benquerença para o Grupo (Cfr. reunião para os veteranos, 22/10/96)
Intenções do Sr. João para a peregrinação do grupo Santa Intolerância a Aparecida do Norte (Cfr. telefonema para a Saúde, 26/10/96)
Um fato que causou especial "flash" no Sr. João com a astúcia do Sr. Dr. Plinio (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96)
Para explicar como ele, Sr. João, desejaria que as gerações que vêm aparecendo o ultrapassasse em amor ao Sr. Dr. Plinio, ele descreve o que se passa com a formação de cadetes no exército (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96)
Três meses antes de dar-se um estouro contra o Sr. João, nosso Pai e Fundador já o havia previsto através do discernimento dos espíritos (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96)
Depois de ter recebido um "flash" com o Fundador, o Sr. João interessou-se muito por saber o que era a graça, o que é que havia no fundo da alma dele, para entendê-lo melhor (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96)
Partindo do princípio da reversibilidade, o Sr. João mostra como nosso Pai e Fundador via o reflexo dele nas almas dos filhos (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96)
O Sr. João tem a impressão de que o Senhor Doutor Plinio tinha algumas visões místicas que ele não contava (Cfr. "jour-le-jour" 1/12/96, parte II)
Tudo fazia nosso Pai e Senhor com uma elevação de espírito que encantava; mas o que mais atraía ao Sr. João era o conjunto de todas as coisas dele, era ele no seu todo (Cfr. palavrinha hispanos, 9/12/96)
Idéia que o Sr. João aprovou de se fazer álbuns com os textos dos audiovisuais (Cfr. "jour-le-jour" 15/12/96)
Agradecendo as inúmeras reuniões que o Sr. João teve e tem a bondade de dar nas terças-feiras na Saúde, e que são ocasião de muitas graças para todos (Cfr. reunião na Saúde, 17/12/96)
Pedido de que jamais deixe seus irmãos mais novos sem essa fonte de graças que é a reunião de 3ª feira (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96).
O modo do Sr. Dr. Plinio e da Sra. Da. Lucilia rezarem era um modo bem suave; já o Sr. João tem um modo de rezar muito próximo ao de São Antônio Maria Claret (Cfr. reunião na Saúde, 17/12/96)
Maneira própria do Sr. João fazer um pedido ao Sr. Dr. Plinio (Cfr. reunião na Saúde, 17/12/96)
Agradecimentos pela vinda do Sr. João à sede dos Êremos Itinerantes (Cfr. reunião para os EEII, 21/12/96)
O que mais impressionava ao Sr. João com relação ao discernimento dos espíritos de nosso Pai e Fundador, era o fato de ele "ver" sem enxergar (Cfr. "jour-le-jour" 19/1/97)
Como o Sr. Dr. Plinio ajudou o Sr. João a, entre duas vias possíveis na vida espiritual, tomar a mais perfeita, a mais de acordo com o espírito dele (Cfr. "jour-le-jour" 19/1/97)
Assim como a Sra. Da. Lucilia, o que o Sr. João mais gostava em nosso Pai e Fundador era o todo (Cfr. telefonema Saúde, 5/7/97)
Qual a atitude do Sr. João se a Sra. Da. Lucilia estivesse presente na cerimônia de comemoração dos 20 anos do São Bento I? (Cfr. telefonema Saúde, 8/3/97)
O meio que o Sr. João utilizava para não se deixar deformar no convívio com outros, mas, pelo contrário, dar bom exemplo (Cfr. reunião na Saúde, 1/4/97)
Como o Sr. João preparou o Sr. Tsuneo para ser recebido na SV (Cfr. reunião na Saúde, 1/4/97)
Como o Sr. João viu a Sra. Da. Lucilia rezar (Cfr. "jour-le-jour" 4/7/97)
Graça que o Sr. João recebeu em 85 diante do afresco de Mater Boni Consilii a Genazzano (Cfr. "jour-le-jour" 10/10/97)
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Comentários do Sr. João Clá a respeito da peça que foi apresentada na quinta feira, 8/8/96, que foi baseada no Santo do Dia de Sábado, 17/8/ 85 (Cfr. palavrinha, 8/8/96)
A respeito dessa peça de teatro, o que chamou mais a atenção do redator do subtítulo foi, em primeiro lugar, que JC a comentou; em segundo lugar, que esteve baseada num Santo do Dia Sábado. O nome de Dr. Plinio nem aparece.
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No "jour-le-jour" de 11/8/96, JC leu o texto de uma Conversa de Sábado Noite. O normal teria sido que os epígrafes fossem redigidos em função do que Dr. Plinio disse, e não do que JC achou. No entanto, no texto desse "jour-le-jour", de 15 epígrafes, 5 correspondem a dizeres de JC:
a) Uma característica peculiar das Conversas de Sábado à Noite: muitas vezes ia desembocar de modo muito interessante para um lado, porém, um desvio a levava a outro, mas tudo com muita grandeza
Comentário de JC embaixo desse epígrafe: Aí é uma pista de assuntos, era um começo de conversa que podia se desdobrar, se desdobrar, mas as CSN tinham essas características - esta característica pelo menos --: às vezes o assunto ia desembocar em algo de muito interessante na esquerda, digamos. Entrava alguém com um outro assunto e a conversa ia para a direita, sempre com muita grandeza, sempre com muito suco.
b) Uma santa mãe de um santo menino, que santifica o menino por sua ação e o menino santificado por ela tem desejo de santificar os outros
Comentário de JC embaixo desse epígrafe: Então, ele [Dr. Plinio] se sentia objeto do afeto dela [Dona Lucilia] porque era débil, e por causa de sentir o quanto era rico o afeto dela para com ele, ele tinha em relação aos outros a mesma compaixão.
Ou seja, o que ele está dizendo aqui é que a santidade dela santificava-o, e que ele tinha desejo de santificar os outros.
Então é uma santa mãe de um santo menino; santifica o menino por sua ação e o menino santificado pela santa tem desejo de santificar os outros.
c) Quando a sociedade era tomada pela graça, era tomada pelo sobrenatural, pela moral, aí para nosso Pai e Fundador tinha valor
Comentário de JC embaixo desse epígrafe: Então era o senso religioso, era o espírito religioso, era a vertente religiosa que procurava a moral em tudo, inclusive dentro da sociedade. E aí quando a sociedade era tomada pela graça, era tomada pelo sobrenatural, pela moral, aí para ele tinha valor.
d) Na década de 70, Nosso Pai e Fundador conta ao Sr. João uma preocupação que ele tinha com a geração dos mais antigos, dos complicados e com a geração dos mais novos e dos CCEE
Comentário de JC embaixo desse epígrafe: Ele não dá ponto sem nó. Eu vou fazer uma interrupção nesta altura porque eu acho que a interrupção é útil. (...)
e) Na Conversa de Sábado à Noite que está sendo lida, vê-se o apostolado que o Sr. Dr. Plinio faz com os complicados nesse sentido
Comentário de JC embaixo desse epígrafe: E os senhores estão percebendo que ele está na reunião dos Complicados fazendo todo um apanhado e todo um comentário, etc., por onde ele vai mostrando: "a beleza da carruagem..., mas, sem o religioso, não vale nada".
Então o sujeito fica... ! [Risos] Eu digo isso porque a gente entende melhor a reunião, a gente apanha melhor o suco da reunião.
Para encerrar esta parte da exposição, nada melhor do que transcrever palavras do genial teólogo joanista, Patrício Amunátegui. Só que em lugar da sigla “Sr. JAU”, colocaremos “Sr. JC”, e em lugar de “Jaglu” poremos “TFP”:
Considera o Sr. JC sua “placidez” tão benéfica e tão capaz de uma decisiva ação de presença, que a ela se deveria o serenamento dos espíritos na TFP. Essa “placidez”, de tão arraigada, é imune a futricagem, e jamais abalada por febricitação. Soma-se a isto um extraordinário discernimento dos espíritos --que permite ao Sr. JC separar o joio do trigo nas informações que recebe--, mais a observação atenta do que se passa em torno de si e o “gosto pelas grandes questões doutrinárias”, mantendo suas cogitações em alta clave --só abrindo o acesso a esse palácio interior, porém, “quando uma ou outra pessoa toma a iniciativa de querer conhecê-la”... Modéstia à parte, não parece esta a descrição de um “sucessor” do Senhor Doutor Plinio, que tivesse herdado algumas de suas mais assinaladas qualidades?
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.190)
Conforme palavras de nosso Pai e Mestre inerrante, os objetivos visados pelo sucessor-impostor seriam dois: 1o desejo de tirar a Dr. Plinio do lugar que ocupa; 2o uma vez conseguido isso, extirpar a radicalidade da TFP e inaugurar com o mundo moderno um relacionamento ecumênico:
Corte número 3, da reunião da Comissão Americana, do 24 de junho de 1991 (lido no "jour-le-jour" 15/10/95):
Eu estou com 82 anos, e há gente pensando na minha sucessão. (...) Todas essas aspirações de sucessão têm como denominador comum um desejo de tirar-me do lugar que ocupo, para poder extirpar a radicalidade da TFP e inaugurar com o mundo moderno um sistema de relacionamento em que a TFP diria e pensaria o que quiser, mas com uma carga de simpatia para com o mundo, que faria com que as pessoas gostem do Grupo. Qualquer pessoa que acha que pode ter esse tipo de relacionamento com o mundo, se incapacita de ter comigo uma relação de inteira fidelidade e de participação no meu profetismo. Quer dizer, isso impossibilita a pessoa de ter o meu espírito.
Mas o fato é que há muita gente entre nós que quereria essa captatio benevolentiae com o mundo de fora. Esta atitude é baseada na experiência das próprias vidas deles, pois como vêem que o mundo gosta deles, então acham que são uns diplomatas colossos, que eles sabem como tratar com o mundo para que este goste deles, e que portanto eu sou que estou errado na minha atitude radical.
*
Vejamos agora o que Dr. Plinio disse no almoço 8/6/92, 2ª feira, no qual JC esteve presente:
(Edwaldo Marques: [...] Essa tentação de querer ser sucessor do senhor, não envolve ônus...)
(JC: Não tem ônus.)
Agora, como [pode querer] uma pessoa ser Presidente da TFP, ou membro da TFP, [...inaudível] eu não compreendo, porque não há abacaxi maior. Mas é assim.
(JC: É a inveja da graça paterna.)
É, mas é também porque o sujeito sente que se ele ficar Presidente da TFP muda tudo...
(JC: É o conselho do Arnolfo, que o mutuca, os seguidores todos dele, etc., fizeram mal de sair da TFP, porque o ideal teria sido ficar na TFP e mudar a TFP por dentro.)
É isso. Uma traição, não é?
(Sr. M. Navarro: Mas realmente foi o que os hereges sempre fizeram.)
Sempre fizeram. O que tem nesse negócio é que o sujeito sente que se ele ficar Presidente da TFP ele começaria uma série de concessões que prometeriam outra série e que tudo mudava em torno dele. E que o cargo aí ficava muito agradável.
*
Quanto ao primeiro objetivo do sucessor --apontado na Reunião da Comissão Americana--, a farta documentação transcrita ao longo deste Capítulo 25 mostra e demonstra até a saciedade que JC está se pondo no lugar de Dr. Plinio.
Quanto à extirpação da radicalidade, basta lembrar que JC fundou uma "tfp" feminina, abandonou a luta contra a Revolução --por exemplo na Colômbia e no Uruguai-- e virou “companheiro de viagem” da Estrutura.
Quanto à simpatia com o mundo moderno, lembramos 3 fatos já registrados no “dossier”: a) a fisionomia filantrópica com que a banda joanina se apresenta nas suas “tournées” (cfr. Capítulo 16, VII, D); b) os joanistas não dividem as águas (cfr. Capítulo 16, VII, E); c) o abandono dos “rumos antiquados” da TFP. “Argumentandi gratiae”, mais abaixo anexamos uma entrevista a Andreas Meran, realizada numa das giras musicais da banda.
*
A respeito dos "diplomatas colossos", que "sabem tratar com o mundo", o Sr. Paulo Henrique informou o seguinte (SRM, 3/10/98):
Chegou hoje de Belo Horizonte um eremita servidor [Leonardo Leal] que fora visitar a família. Teve discussões homéricas com o pai, que é fanático admirador do JC. O que disse o pai? Que o JC era muito mais que o SDP, porque o SDP conduzia a luta contra a Revolução mas não sabia conduzir bem, tinha defeitos, contundia Jesabel e com isso a Estrutura era contra ele. Ao passo que JC é muito mais esperto porque consegue aliar as duas coisas: faz a CR e conduz boa política com a Estrutura.
*
Em entrevista publicada no "El Universo", de Guayaquil, 6/11/98, Andreas Meran se apresenta como nobre democrata, sempre disposto ao diálogo, sorridente, conhecedor de idiomas e de cozinha. (A tradução é nossa)
O conde Andreas Von Meran é o coordinador internacional da gira da Banda Sinfônica Nossa Senhora de Fátima do Brasil, tem 41 anos de idade e domina o castelhano, português, francês, alemão e estudou latim e grego. (...).
De 1.80 m. de estatura, finos modales, e sempre disposto ao diálogo, (...)
Pergunta : O fato de ser nobre o faz diferente dos demais?
Resposta: "Todos somos iguales como homens aos olhos de Deus, mas desiguais em nossos atributos: nascimento, talentos, estudos, herança, isso não faz ao ser humano nem exclusivo nem excludente".
(...)
O conde austríaco disse ademais que é a quarta ocasião que visita o Equador, que sim subiria numa buseta e se sentaria junto a 'Juan Piguave'. (...) Ademais disse que tem comido o caldo de salchicha (1).
(...)
"Eu como o que me servem na mesa, assim seja uma sopa de macarrão e um prato de arroz; conheço algo de cozinha e eventualmente preparo sobremesas e tortas de maçã", disse sorrindo.
(...) eu uso roupa normal e simples, isto depende da condição de cada um, e se acaso há nobres aos que todo lhes cheira mal, estes nobres são decadentes".
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(1) “Buseta” é uma espécie de kombi abarrotada de gente transpirando --por causa do calor extremado de Guayaquil. “Juan Piguave” é a versão equatoriana do caipira brasileiro. “Caldo de salchicha” é um prato popular típico.
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As bases de JC procedem em relação a seu senhor tal e qual procediam em relação a Dr. Plinio e lhe pedem coisas que única e exclusivamente eram da alçada de Dr. Plinio.
Por exemplo, lhe pedem "palavrinhas", que visite sedes, etc. - Reunião para CCEE, 1/5/96:
Tem acontecido isso, que vem um grupozinho da Saúde e diz:-- Todo o ano o Sr. Dr. Plinio nos dava uma palavrinha. O senhor não podia nos fazer uma reunião?
-- Olhe, o Sr. Dr. Plinio era o Sr. Dr. Plinio.
Há pouco, antes de virmos para cá, algumas jovens "enjolras"... Eu não sabia o que ia encontrar no auditório, de repente me encontro com uma surpresa extraordinária, são juveníssimas que tinham pedido uma palavrinha, uma reunião, antes da reunião feita aqui. Não tem a menor dúvida (1).
Agora são as senhoras que pedem uma palavra, e as outras vão pedir de novo, outros ainda vão pedir outras.
Eu quando descia da torre em São Bento para vir para cá eu fui assaltado pelo grupo de São Bernardo, de Correspondentes Esclarecedores:
-- O senhor não foi à sede de São Bernardo ainda.
-- Homem, é verdade, eu não fui à sede de São Bernardo.
O que couber dentro do horário, o que couber dentro do programa que seja estabelecido com a direção que cuida do movimento dos correspondentes e esclarecedores, praesto sum, não há problema. [Aplausos.]
Não é difícil perceber que a surpresa que JC experimentou ao se encontrar com "as enjolrras", além de "extraordinária", foi muito de seu agrado.
*
Também lhe pedem "fatinho" - Final de uma conversa de JC com seus discípulos (31/3/96):
Bem, que Nossa Senhora os ajude. Vamos tocando nossa vida.
(Todos: Fatinho!)
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Pedem que componha orações especiais - Reunião no Praesto Sum, domingo 24/3/96:
(Aparte: Sr. João, o senhor não poderia fazer a primeira oração dessa nova guerra?)
*
Lhe pedem as intenções das orações - “Palavrinha”, 15/8/96:
O dia de hoje [festa da Assunção], segundo uma tradição secular da Igreja, é um dia em que Nossa Senhora atende mais nossos pedidos do que em outros. Por isso há uma outra tradição secular, das mil Ave Marias que vários dos senhores rezam. Diversos correspondentes me telefonaram dizendo que iam rezar também essas mil Ave-Marias, aqui, lá e acolá, e me pediram para dar a intenção.
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Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 19/11/96. p.5:
Uma intenção para nossas orações é a dada pelo Sr. João na reunião da Saúde nesta semana.
*
Rezam pelas intenções do SDP e pelas de JC, indistintamente, como se umas tivessem tanto valor quanto as outras - Telefonema entre JC (Estados Unidos) e um seguidor dele da Saúde:
(Eric Maria: Salve Maria, Sr. João. É Eric Maria.)
Ah! Sr. Eric, como está o senhor, o senhor está bem?
(Eric Maria: Graças a Nossa Senhora bem. E o senhor, Sr. João?)
Bem, graças a Deus. Com saudades.
(Eric Maria: Sr. João, rezamos muitíssimo pelo senhor em Salvador, em Pernambuco, sobretudo no túmulo de Dom Vital, rezamos pelas intenções do Sr. Dr. Plinio e pelas intenções do senhor.)
(Cfr. "jour-le-jour" 10/2/96)
*
Rezam para ele - Carta do Sr. James Dowl para Pedro Morazani filho, 16/2/97:
Mais ou menos em abril de 1996, “quando alguns começaram a rezar abertamente ao Sr. JC, eu não me inquietei muito, pois eu ainda acreditava na santidade dele”.
*
Pedem para JC dar "palavrinhas" diárias para os enjolrras que vão ao colégio, como Dr. Plinio fazia outrora - Reunião na Saúde, 25/2/97:
(José Elias: Eu queria pedir, se o senhor pudesse, para dar uma palavrinha para os estudantes, antes de ir para o colégio.)
Ah, isso é impossível, porque não coincide os horários, nós estamos em lugares completamente... Ah, o senhor diz pelo começo das aulas? Já começaram as aulas!
(José Elias: Não, seria todos os dias.)
Todos os dias... não dá, não dá.
(Vários: Telefonema!!)
Um dia... sim, mas todos os dias... os meus horários são tomados por mil imprevistos, etc. É impossível.
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"Palavrinha" operários 28/4/96 - Nesse dia houve uma "imposição de capa" a 4 rapazes do setor operário, presidida por JC. À medida que cada um se acercava, era apresentado pelo encarregado desse setor a JC, e este lhe dirigia uma breve "palavrinha" (por exemplo perguntando pelo seu Estado de origem), lhe designava uma jaculatória de Nossa Senhora e se despedia com frases como "que Ela lhe ajude muito".
Pouco antes de terminar a cerimônia, o encarregado do setor operário lhe disse:
(Sr. João, essas aqui são fotos que estão reservadas para eles que o senhor tinha mandado, mas que não foram entregues antes da Consagração).
Ah. Então olhem aqui um presente extraordinário para o dia da Consagração.
(Se o senhor pudesse oscular essas também que estão reservadas para outros).
Eu osculo porque recebo graças. [Risos] (1)
Depois um rapaz lhe disse: "Sr. João, e sobre o hábito, será que podemos usar?" Resposta:
Eu estou vendo. Vamos estudar qual é o hábito que a gente pode inventar aí. Não vai ser fácil (2).
Comentários:
Quer dizer, pediu a JC que osculasse determinadas fotografias, tal e qual se fazia outrora com Dr. Plinio.
Tal é a autoridade que JC se atribui, que considera estar habilitado para criar um habito novo, específico para operários.
*
JC indica a "obediência da semana", tal qual procedia Dr. Plinio ao final dos "Santos do Dia" de sábado - Telefonema para a Saúde, 28/5/96:
(Mauro Sérgio: Sr. João, pediríamos a obediência da semana, porque não teve.)
Ah, sábado passado nós estávamos fora daqui, não é? Vamos então dar a obediência do sábado que é a seguinte (...).
*
Consideram cancelados os votos perpétuos feitos a Dr. Plinio, e os transferem a JC, ao que parece perpetuamente:
GRAFONEMA PARA: Sr. João CláRemete: Walmir [Bertoleti]Torre da Angélica, 18-10-1995 - 11:28 AMCaríssimo Sr. JoãoSalve Maria!(...) Estimadíssimo Sr. João, os votos perpétuos que E. M. fez nas Mãos de Nosso Pai e Fundador, apesar de estarem, ao que parece, juridicamente cancelados, considero-os de fato nas mãos do Sr, e gostaria de um sinal verde do sr. no sentido de renová-los de jure, também nas mãos do Sr.
Assim sendo, agirei em tudo e por tudo da forma que o sr. indicar.
Desejando que a Senhora Dona Lucilia e Nosso Pai e Fundador assistam ao sr. - como aliás vêm assistido de forma profética e providencial - cada vez mais intensamente, despeço-me recomendando-me às suas preciosas orações,
In Iesu et Maria.
Walmir
*
Sob pretexto de manter a coesão do Grupo, JC chama a si a tarefa de dar o “sopro profético do momento” - Conversa de eremitas de São Bento e Praesto Sum com JC 8/11/95, 4ª feira, intitulada “Como difundir os textos das reuniões do Senhor Doutor Plinio”:
Nós estamos aqui numa reunião, entre vários e estamos levantando um problema que nos preocupa e que, como responsabilidade, caiu sobre nossas costas. Nós somos os herdeiros desse problema (1). O problema qual é?
É que o Senhor Doutor Plinio estando entre nós, ele fazia Chás, Palavrinhas, MNFs, Conversas de Sábado à Noite, EVPs, Almoços, Jantares, Percursos, Almoços de Domingo, Hipotecas, Reuniões para comissões, Reuniões para conjuntos, Reuniões para EEII, Reuniões para não sei quanto, para êremos; Telefonemas, Grafonemas, Despachinhos, Conselhos espirituais que eram gravados, que as pessoas depois nos passavam (2). Ele mantinha o Grupo constantemente numa espécie de feeria de explicitações colossal, mas dentro das explicitações dele havia uma coisa curiosa que uma vez conversando com ele, ele não só confirmou, mas foi mais longe e definiu um pouco o método dele.
Ele era um profeta (...) mas ele enquanto profeta era assistido por graças muito especiais do Espírito Santo e havia sopro do Espírito Santo em certas direções e certos rumos. (...) Ele dizia (...) que ele vendo as necessidades do Grupo, de um lado, mas de outro lado também um modo com que a graça tocava a alma dele, para tratar mais de um tema do que outro, a Providência, no fundo, queria que ele difundisse uns tantos temas mais do que outros. É o que ele chamava de sopro profético do momento (3). (...)
Isto morreu. Isso depende de um sopro profético. A não ser que bata no senhor, bata no senhor, ou bata em um de nós, no momento nós não temos.
É verdade que a Providência nos ajudou no que diz respeito ao sopro profético, no seguinte: primeiro, um mês antes, a morte dele prevista. Isso não tem a menor dúvida que foi uma graça mística (4). (...) Não tem dúvida, a Providência nos ajudou nisso, mas eu não sinto no momento que a Providência diga: "Olha, o que é preciso tratar é isso, o que é preciso tratar é aquilo" (5). Surge, às vezes, de um dia para outro. O que tem acontecido nas reuniões, a gente vai saindo para a reunião, vem uns textos últimos que são... Tem acontecido. O senhor é testemunha disso (6).
(...) Mas nós precisamos encontrar um sistema por onde a gente faça com que um como que sopro profético tenha eco no mundo inteiro (7). (...)
Então, nós precisaríamos encontrar um meio de evitar que ... (8).
(...) Mas nosso problema está na difusão dos textos para os grupos de forma a que esta unidade no Grupo todo se mantenha. Porque se um grupo pega "Inocência", outro pega a "Teoria do Mercador Chinês", outro pega... daqui a pouco está todo mundo com as cabeças, cada um em temas diferentes e não há aquele caminhar juntos (9). Não sei se apalpam o problema.
Quando o Senhor Doutor Plinio estava vivo, todo mundo existia em função daquilo que ele explicitava (10).
(...) Então, nós precisaríamos encontrar um meio de fazer um agrupamento de textos, de fazer uma difusão tal no mundo inteiro, com prazos, de tal forma que as pessoas precisassem caminhar no aproveitamento daquela matéria e não ficassem boiando feito cortiça em cima d'água durante um período muito longo, porque não aproveitam.
Criar uma espécie de emulação santa entre os grupos todos, de tal forma que a matéria que foi distribuída, eles saibam que foi distribuída pelo mundo inteiro e que está sendo estudada no mundo inteiro, no período de tanto a tanto e que a gente possa, inclusive, fazer isto em São Paulo e pôr isso nos êremos, nas camáldulas.
Então, nós sabemos que o Grupo, no mundo inteiro, está estudando uma compilação de textos sobre a Inocência. Vai bem isto?
Uma coisa que eu queria recomendar que tomassem muito cuidado é (...) tomarmos cuidado na difusão de certos textos, que se prestam a roubos. Roubos intelectuais dentro do Grupo (11).
Comentários:
Esse problema caiu espontaneamente sobre as costas de JC ou ele chamou a si resolver esse problema?
Então, JC foi colecionando, entre outras coisas, fitas dos conselhos de vida espiritual dados por Dr. Plinio a diversos membros do Grupo. Eis como foi montando seu famoso “arquivo de rabos de palha”.
Observe o Leitor que dar o “sopro profético do momento” era atributo exclusivo de Dr. Plinio.
JC refere-se à série de reuniões que fez em setembro de 1995, anunciando ao Grupo o falecimento de Dr. Plinio.
“No momento” JC não sente o sopro profético para onde ruma ...
Mas outras vezes JC sim sente o “sopro profético” e indica para onde devem rumar as cogitações dos membros do Grupo. Por exemplo nas reuniões que faz ...
Quem é aí “a gente”? Evidentemente JC.
A frase termina com reticências. Evitar o quê? Que o “sopro profético do momento” seja dado por outrem?
Sofisma barato. JC pressupõe que entre os diversos temas excogitados por Dr. Plinio --inocência, flash, paradisiologia, opinião pública, etc.-- não existe uma unidade de fundo. E dá a entender que se um cooperador, ou alguns cooperadores se dedicarem a aprofundar uma dessas matérias, acabarão distanciando-se da doutrina pliniana. O que é um disparate.
Quando Dr. Plinio estava vivo, uns cooperadores estudavam, por exemplo, a teologia progressista, outros a filosofia bonaventuriana, outros a política nacional, outros a socializaçao da medicina, etc., e em nenhum momento Dr. Plinio viu naquilo uma incompatibilidade com o “sopro profético do momento”, nem um perigo para a unidade da TFP. Nunca os censurou por isso. Pelo contrário: não perdia ocasião de estimular e prestigiar seus estudos. Entretanto, o neo profeta jezabelino opina o contrário. E se compreende: pois seu sopro --aliás, mau cheiroso-- é oposto ao de Dr. Plinio.
Quem determina quais são os textos que podem ser difundidos e os que não podem ser difundidos é um dos que, no processo aberto contra a TFP em 21/11/97, pedem que a liberdade de pensamento e de opinião seja introduzida dentro da Instituição: JC.
*
Solicitam a JC que dê nomes a grupos de apostolandos, como se tivesse a mesma autoridade de Dr. Plinio. Ele atende. E é aplaudido:
a) "Palavrinha" hispanos, 9/12/96:
(Hans Martorel: O senhor poderia, para o Grupo de Bolívia, rapazes novos que vão se consagrar, dar um nome especial para esse grupo. (...) [E] um brado?)
b) Reunião para CCEE de São Bernardo, 15/6/96:
(Aparte: Tem um grupo de meninos.)
Eu vi. Aliás, me pediram o nome do grupo. Pode dar o nome do grupo assim: "Cruzados do Século XXI".[Aplausos]
c) Reunião no ANSA, 20/12/97, jornal falado das atividades da "tfp" chilena:
É palpável, para quem está no Chile, que o Sr. Dr. Plinio tem dado neste último ano um crescimento apostólico, um surto apostólico muito, muito grande. Esperamos, com a ajuda de Nossa Senhora, que esse surto continue crescendo.
O primeiro grupo que tem lá, que é o grupo Grand-Retour, o qual nome o Sr. João colocou, virá pôr a capa aqui.
*
Recebe telefonemas dos Grupos, como o SDP - Durante o "jour-le-jour" do dia 25/5/97, JC conta que foi "atrapalhado por telefonemas de todas as partes, inclusive da Espanha, Joinville e não sei mais quanto".
*
Pede e recebe relatórios de notícias e das atividades dos Grupos do interior e do Exterior (Cfr. Capítulo 20, XI).
*
Fez reunião da Hipoteca, no 5/11/95. O texto respectivo --elaborado pelos seus adeptos-- denomina-se “Reunião para a Hipoteca”, tal e qual se tratasse do próprio Dr. Plinio. Assistiram Marcos Dantas, Cury, Rodrigues, Alonso e Carlos Viano. O tema foi muito de acordo com os pendores dos presentes: a espiritualite. No final, Marcos Dantas pede a JC a “ponta de trilho”, como outrora fazia em relação a Dr. Plinio:
(Me faz o favor, antes de o senhor sair: Dá a ponta de trilhos para nós estudarmos no próximo simpósio).
Resposta de JC:
Não sei que matérias os senhores vinham estudando. Não sei se há textos dele que os senhores tem lá. Acho que os senhores deveriam estudar é isso mesmo. Não tem a ponta de trilho.
*
Se não houvesse perigo de ser "mafiado", JC daria reuniões dentro da cabina que Dr. Plinio usava no ANSA - Na reunião para os veteranos, do 6/8/96, pouco depois de JC contar que estava meio resfriado, o Adelino sugeriu a ele:
(Por que o senhor não fica dentro da cabina?)
Resposta de JC:
Ah, não! jamais! [Risos] Aí sim é que a máfia me põe ... [risos]. Não é questão de caber ... é arriscado, ouviu?
*
Lhe fazem perguntas próprias a serem respondidas única e exclusivamente por Dr. Plinio:
- (Humberto: Sr. João, uma coisa que passando por vários países se percebe uma certa falta, apesar de tanta coisa para ser venerada, é que a gente não vê numa sociedade todos os aspectos que deve ter uma sociedade. Na França, por exemplo, nós ficamos encantados com toda a sacralidade que tem na esfera temporal. Fomos em Roma, e na Itália em geral, vimos essas igrejas cheias de corpos, uma sacralidade que não se encontra até nas igrejas da França. (...) Agora, como é que vai ser o Reino de Maria?
(Cfr. "jour-le-jour" 2/2/96)
- (Asurmendi: Sr. João, noutra ordem de coisas, como o senhor imagina o "Grand-Retour" que se dará nas pessoas?) (Cfr. 4/2/96)
- (Douglas Tomás de Carvalho: O Sr. poderia explicar como seria o "Grand-Retour" e quais as graças que nós receberemos, e se o Senhor Doutor Plinio estará presente no "Grand-Retour".) (Cfr. reunião na Saúde, 28/1/97)
- (Takeshi: (...) Como o senhor imagina o início do processo do Grand-Retour? [...])(Cfr. reunião na Saúde, 20/5/97)
- (Steven McDonald: Como a graça da Sempre Viva vai voltar, vai ser sozinha, vai ser numa cerimônia em conjunto?) (Cfr. reunião na Saúde, 28/1/97)
- (Robson Manetti: Sr. João, na Bagarre e agora, como deve ser o membro do Grupo ideal, em todos os sentidos, perfeito?) (Cfr. reunião na Saúde, 10/6/97)
- (Aparte: Nós sabemos que a Bagarre está para chegar a qualquer momento. [...] a Providência espera algum lance da Contra-Revolução para enviar a "Bagarre" ou alguma atitude desesperada da Revolução para desencadear a "Bagarre"?) (Cfr. conversa na chegada à sede de Campos, 12/4/96)
- (Aparte: O senhor como acha que vai explodir [a Bagarre], como começaria tudo?) (Cfr. conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96)
- (Rodrigo Mendonça: Primeira pergunta: como o senhor vê o papel da Sra. Da. Lucilia agora e durante a "Bagarre"?) (Cfr. telefonema para a Saúde, 20/7/96)
- (...) nós gostaríamos que o senhor falasse um pouquinho de como é que o senhor julga que serão esses sofrimentos que virão, e, [como] o senhor, na sua imaginação, vê a "Bagarre"? (Cfr. Retiro para moças, Miracema, 26/7/96).
- (Sra. -: Sr. João, como o senhor acha que a gente deve agir na hora da "Bagarre"?) (Cfr. Palavrinha CCEE Miracema, Confidencial, 26/7/96)
- (José Elias: O que o senhor recomenda que façamos desde hoje, para preparação para as dificuldades da "Bagarre"?) (Cfr. reunião na Saúde, 25/2/97)
*
Lhe atribuem a mesma capacidade de discernimento de Dr. Plinio:
- (Aparte: Como o senhor acha que será esse regime novo de graças e como devemos pedir esse regime novo de graças?) (Cfr. Reunião na Saúde, 16/4/96)
- (Fernando Lincon: De toda essa ação do Sr. Dr. Plinio, qual foi a que o senhor viu que ele estava mais presente nesses dias que o senhor estava no JxJ que deu lá [Norte Fluminense]? Qual é o passo que o senhor acha que a Revolução dará e qual será a segunda ação do Sr. Dr. Plinio em relação ao próprio passo da Contra-Revolução.) (Cfr. Reunião na Saúde, 16/4/96)
- (Luís Grignion: É sobre o estrondo da França que está por vir, que está já em preparação. Eu ia perguntar o que é que o senhor vê que pode vir daí, quais são as perspectivas, o que é que o senhor pensa que isso vai ter como repercussão mundial, até que extremos eles estão dispostos a chegar, e quais são as eventuais respostas que o senhor teria para calar.) (Cfr. "jour-le-jour" 23/1/96)
- (Fernando de Paz: O Sr. Dr. Plinio comentou uma ocasião que quanto mais demorasse em vir a "Bagarre", mais Nossa Senhora agiria em profundidade com o castigo. Já que estamos na metade de 97, o senhor poderia dizer o que o senhor vê? (...) O que o senhor acha que vai acontecer daqui para a frente, tanto interno como externo.) (Cfr. reunião na Espanha, 6/5/97)
- (André Crispin: [...] Que tentações o senhor acha que nós não temos agora, e que teríamos na "Bagarre"?) (Cfr. reunião na Saúde, 18/2/97)
*
No relacionamento com membros do Grupo, JC usa expressões que só Dr. Plinio utilizava:
- Meus caros, já passamos da hora. (Cfr. reunião para a Saúde, 2/4/96)
- Dizia-me o Sr. Sato hoje quando nos levava até o aeroporto ... (Cfr. conversa ao chegar à sede de Campos, 12/4/96)
- No período em que nós ficamos doente e não fazemos reuniões (...) (Cfr. reunião na Saúde, 8/10/96)
- Este país é imenso como um continente. Ainda ontem se faziam comparações das distâncias de um Estado para o outro. As distância que vai entre o Rio Grande do Sul e Belém do Pará é incalculável em matéria de comparações com a Europa...
E assim por diante, nós fazíamos uns cálculos assim muito em cima dos joelhos, mas cálculos que nos deixavam pasmos por ver a grandeza desse Brasil, grande e imenso como um continente (...)
Nós nos sentimos aqui em Campos como se estivéssemos em Miracema, sentimo-nos em Miracema como se estivéssemos em São Paulo, sentimo-nos em São Paulo como se estivéssemos em Minas, sentimo-nos em Minas como se estivéssemos na Paraíba ou em Pernambuco. (Cfr. Reunião para CCEE, 19/5/96)
*
Os joanientos se interessam pelo que diz respeito, não a Dr. Plinio, mas a Dr. Plinio e a JC - Reunião para CCEE, 15/6/96:
(Aparte: Como era o dia-a-dia de nosso Pai e Fundador com o senhor, o contato pessoal, por telefone, conversas, conselhos, orientações...)
Isso é um simpósio.
(Aparte: ... as cerimônias íntimas, aniversário dele e do senhor, etc. Como tratava o senhor e o que mais deixava-o contente, e ao senhor também?)
Bom, se eu fosse contar tudo, eu passava aqui vários dias, de manhã, à tarde e à noite, enchendo o tempo dos senhores com fatos e mais fatos.
*
Para os joanistas, mais interessa conhecer as impressões pessoais de JC a respeito de Dr. Plinio, do que a biografia e a doutrina de Dr. Plinio. Por essa via, a gente aprofunda mais o conhecimento de Dr. Plinio - Reunião para CCEE, 14/4/96:
(Pe. Olavo: O senhor foi a pessoa que teve mais convívio com o Sr. Dr. Plinio, mais intimidade.)
Sim, tive muita, isso é certo.
(Pe. Olavo: Talvez minha pergunta não seja muito precisa, muito bem expressa, mas se o senhor pudesse também dizer alguma coisa, as suas impressões, as suas conclusões, desse convívio. (...) Não tanto fatos e doutrinas, mas a sua impressão.)
Pessoal.
(Pe. Olavo: Uma pessoa quando estuda um personagem, por exemplo, Walsh estudando Fátima, ele tem coisas interessantes, conclusões que ele tira.)
O Pe. Olavo está dizendo o seguinte: não só fatos, não só as doutrinas ou coisas que ele tinha dito, mas impressões pessoais minhas. Ele está dizendo que o próprio Thomas Walsh, por exemplo, quando trata de Nossa Senhora ou quando trata de algum santo dá as impressões pessoais dele sobre aquilo que ele estudou. Certamente o Sr. Dr. Plinio no convívio comigo e vice-versa causou sobre minha alma uma certa impressão. E o Pe. Olavo, então, quereria que eu tratasse deste tema.
Ótimo, com muito gosto.
(Pe. Olavo: Essa interpretação aprofunda o conhecimento dele.)
A interpretação, está dizendo ele, aprofunda o conhecimento da pessoa do Sr. Dr. Plinio. Isto para mim é um tema mais fácil ainda do que o outro, porque o outro eu teria que ler e este outro eu não preciso ler, este outro está escrito no coração. [Aplausos.] Eu conto isto (...)
*
Quando num recinto são lidas reuniões de Dr. Plinio, estas são acompanhadas com interesse caso o expositor seja JC; se é outrem, os joaninos se desinteressam - Relatório do Sr. Frederico Hosanan ao Coronel Poli, 2/11/97:
Ontem, 30 de outubro de 1997, foi a terceira aula de História da Civilização, aulas estas do Sr. Dr. Plinio no Colégio Universitário da Faculdade de Direito (...) , as quais estão sendo ministradas pelo Dr. Gregório Vivanco Lópes (...).
Como todos os mais novos que participam do curso, o Sr. Clayton estava apenas de corpo presente. (...) Deu-me a impressão de estar alheio ao texto (...).
Pareceu-me que o Sr. Felipe estava numa atitude de fronda. (...) de todos, era o mais ostensivamente indiferente.
(...) Todos os mais novos estavam secos. Ninguém fez uma pergunta sequer, quando é evidente que eles nunca tinham ouvido matéria como aquela que estava sendo exposta. Mais. Num auditório brasileiro (...) não compreendo como não se tenham feito comentários um com o outro, como seria natural diante de aulas magistrais de nosso Pai e Senhor. Era um alheiamento total a aula do Senhor Doutor Plinio.
(...) Uma pessoa me contou que, após a reunião, na sala onde trabalha o Sr. Felipe, foi visto um grupinho destes mais novos sorrindo e em burburinho, num estado de espírito inteiramente contrário ao da reunião. O que patenteia a artificialidade com que estavam durante a reunião.
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Para os seguidores de JC, o que interessa nas reuniões não é o tema --por mais importante, sublime e contra-revolucionário que seja--, mas o expositor. Se é JC, eles se entusiasmam. Se é outrem, fazem boicote - Grafonema do Sr. Armando Santos a André Dantas (27/10/97):
Venho de longa data acompanhando o péssimo ambiente criado no auditório por certo número de presentes que assistem às reuniões [nas noites de quinta feira] de cara contrafeita, com indisfarçada má vontade. Diante dos temas mais sublimes e alcandorados, a expressão é a mesma: tédio, modorra, sonolência. Já não falo de barulhos propositais, cadeiras que caem, pessoas que ostensivamente dormem ou rezam o rosário, fotógrafos que ficam longamente fitando através de poderosas tele-objetivas e fotografando pessoas individuais a 5 ou 6 metros de distância, etc.
(...) O auge desse boicote --que evidentemente não pode ser espontâneo-- se deu na segunda reunião do Dr. Miguel, sobre o Tau do SDP. O que ele disse nessa reunião era, literalmente, de comover pedras. E tal foi o ambiente de hostilidade que ele precisou interromper a reunião pela metade.
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Os joaninos só vibram quando os documentos de Dr. Plinio são lidos por JC. Se são lidos por outrem, dormem ou sabotam:
No 15 fevereiro de 1997, foi lida no ANSA uma carta enviada pelo Conselho Nacional da TFP Brasileira a João Paulo II, o qual estava por receber uma visita do Presidente Fernando Henrique Cardoso. A imprensa italiana e a imprensa brasileira fizeram um grande embombamento a respeito desse encontro e anunciaram que haveria um pronunciamento do Sumo Pontífice apoiando a Reforma Agrária.
Na ocasião, Dr. Plinio Xavier esclareceu que o documento era praticamente uma cópia, palavra por palavra, de um texto análogo enviado por Dr. Plinio a João Paulo II 11 anos atrás.
Mas quando terminou a leitura da carta, os aplausos foram pífios, sem calor nenhum.
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Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 11/10/95:
(Luiz Alexandre: A mim me pareceu que a apetência das pessoas que antes, quase que não davam importância ao Senhor Doutor Plinio, as apetências das coisas dele, mas contadas pelo senhor, pessoas que não se interessavam pelo "Jour le Jour", parece que essa apetência aumentou bastante, parece que entrou graça mesmo, não é só por medo de ficar fora dos acontecimentos, de perder o pé, parece que há uma apetência, que algo de grandioso aconteceu e de fato, alguma coisa vai acontecer, na expectativa, mais ou menos olhando assim. Assim como eles esperavam alguma coisa como essa morte, parece que eles esperam alguma coisa que vai acontecer, estão assim meio na expectativa, o que o Sr. vai dizer, qual vai ser a próxima notícia no "Jour le Jour").
Ou seja, para esse eremita, há dois tipos de apetência das coisas do SDP: uma é direta, outra é através de um intermediário, de um “filtro” chamado JC. O segundo tipo tem mais peso, é autêntico. O cooperador que vive na expectativa do que JC opina, é bom.
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O paradigma das provações dos joaninos, não são as provações de Dr. Plinio, mas as de JC. "Jour-le-jour" 27/9/96:
(Geraldo Martins: (...) A doença que o senhor passou aqui era paradigmática para todos nós de provações que íamos passar durante a "Bagarre" (1). Se o senhor pudesse por caridade e para a glória dele, etc., abrir a alma e contar um pouco que tipo de "flash" alimentou a matriz de "flash" do senhor a respeito dele durante as horas mais difíceis? [...])
Está claro e eu vou responder com muito gosto. Na formulação da sua pergunta existe um erro doutrinário, e é preciso ser corrigido. Um erro doutrinário que não é culpa do senhor, é falta de conhecimento.Mas o Senhor Doutor Plinio diz o seguinte, de que durante a noite escura, a matriz de flash não se apaga. Mas ele não afirma que durante a noite escura há uma série de flashs que mantém a pessoa. Então a sua pergunta peca por uma base, que ela leva em consideração de que durante a noite escura a pessoa precisa ter alguns flashs para poder se manter. O que não é real.
São João da Cruz diz, é que tudo se apaga mesmo.
Agora, vem o Senhor Doutor Plinio e explicita algo dentro da doutrina da noite escura de São João da Cruz, dizendo o seguinte: tudo se apaga, a sensibilidade vai embora, mas a matriz de flash fica. Então, para a pessoa poder se manter como por exemplo, no ano passado, as grandes provações pelas quais eu tive que passar, não é sinal de que eu tenha tido flashs extraordinários aqui, lá e acolá e que eu iria contar para os senhores quais foram e que me mantiveram. Isso não é real porque a sensibilidade foi embora mesmo.
E com o Senhor Doutor Plinio também, numa série de momentos a sensibilidade dele ia embora e ele não tinha flashs assim a ponto de dizer: "Bom, até aqui eu cheguei e agora isso aqui me dá alento e com isto eu tenho fôlego para chegar até mais adiante". Isto não se dava.
Mas sim, o que se dava e que se dá com todos é que a matriz não se apaga, se bem que ela fique insensível. Mas ela fica muito vincada na alma, e se a pessoa quiser, ela se lembra perfeitamente de qual é essa matriz (2).
Comentários:
Martins refere-se ao período que JC passou nos Estados Unidos, entre fevereiro e agosto de 1996. Nessa época, Dr. Plinio estava vivo e também passava por uma prova.
JC responde "com muito gosto" e põe uma ressalva: não quanto à afirmação de que sua prova é paradigmática, mas quanto à sensibilidade da matriz de flash. Quer dizer, concorda com essa tese.
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Certos CCEE tem interesse em saber como apresentar, não a Dr. Plinio, mas a JC - No texto da segunda reunião do simpósio para CCEE, 2 maio de 1996, sob o epígrafe "Como apresentar o Sr. João Clá para os neocorrespondentes", encontra-se o seguinte trecho:
(Sra. -: Sr. João, no apostolado já se sabe como apresentar o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia. A gente gostaria de saber como apresentar o senhor.) (1)
A mim?! [Aplausos] A mim é muito simples: "Existe uma pessoa na TFP que é filho de um espanhol casado com uma italiana, com o nome de tal assim e assim, que escreveu um álbum sobre a Sra. Da. Lucilia. Mas na realidade a escrita dele foi muito simples, porque ele pegou tudo o que Sr. Dr. Plinio tinha comentado a respeito da Sra. Da. Lucilia, pôs em ordem cronológica, depois foi auxiliado por vários outros, depois leu palavra por palavra para o Sr. Dr. Plinio e o Sr. Dr. Plinio foi dando a formulação que era mais adequada".
Pronto, está apresentado, não tem problema nenhum.
(Sra. -: Sr. João, ao lerem o livro de "Mater Boni Consilii" vão querer logo conhecer o senhor.) [Aplausos] (2)
Não creio. O livro de Mater Boni Consilii também... Cada um de nós vale por aquilo que aprendeu do Sr. Dr. Plinio. No fundo é isso. Nenhum de nós faz nenhuma obra boa e útil que não tenha sido inspirada nele (3).
O livro de Mater Boni Consilii foi uma devoção que eu aprendi nele e passei por apuros tremendos. Lembro-me perfeitamente de auxílios que Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano me deu em situações difíceis. Conto só isso:
Estava num drama tremendo no estrondo movido por D. Mayer e por um nec nominetur inter nobis, e havia um caso complicadíssimo que estava todo enrolado, todo difícil, que se resolveu no ano de 1985 só. Eu estava sofrendo com esse caso porque eu via que isto podia trazer um trauma para nós muito grande. Sobretudo para mim (4) que estava envolvido mais diretamente no assunto.
Eu me lembro que era o dia 8 de dezembro de 1985. Eu estava diante de Mater Boni Consilii a Genazzano rezando, rezando, rezando e encantado, porque Nossa Senhora estava numa manifestação colossal de bondade, de confiança, chamando-me à confiança a mais não poder.
Eu tinha dormido num hotel ali perto e chega de manhã da sede, lá por volta das 10h30, 11h da manhã, o Sr. Juan Miguel Montes. Naquele tempo, em 85, não havia os grafonemas escritos, eram grafonemas passados por fita. Ele me chega com um gravador dentro da igreja e diz:
-- Olhe, aqui dentro tem uns grafonemas para o senhor.
Eu peguei o gravador e pensei: "Sair fora da igreja agora para ouvir grafonema... Ah, não dá, porque Nossa Senhora está tão atraente aqui. Eu vou esperar um pouco". E fiquei.
De repente me bateu um escrúpulo: "Ih, se de repente é preciso uma resposta urgente eu tenho que telefonar para Roma, tenho que tomar providências. De repente há coisas aqui dentro que precisam ser resolvidas logo. Mas sair daqui?".
Eu aproveitei que estava um padre num sermão -- um italiano falando com uma tonalidade de voz que rompia qualquer microfone e a igreja pequena -- e disse: "Vou fazer seguinte: vou encostar aqui nessa coluna bem aqui atrás, ninguém vai me ver, vou pôr o gravador um pouco aqui no ouvido e vou ver o que é que tem aqui mais ou menos. Se tiver alguma coisa importante eu saio para ouvir".
Pus o gravador bem no ouvido, olhando para a imagem, e ouço a voz do Sr. Dr. Plinio. Ele tinha passado um grafonema e dizia: "Meu caríssimo João". Ele dava uma notícia de que todo o problema que me preocupava tanto e me perturbava tanto estava inteiramente resolvido. [Aplausos]
Estes e outros atos, outros atos, outros atos, tantas e tantas vezes Nossa Senhora do Bom Conselho me ajudando aqui, lá e acolá, invocação e devoção que me foi dada por ele, eu aprendi nele, eu em certo momento me vi na obrigação de pôr por escrito aquilo que me tocava a alma.
Agora, eu acredito que a senhora se engana, porque quem ler aquele livro, lendo sobretudo o prefácio e as partes todas que vêm no fim dos artigos do Sr. Dr. Plinio, tem vontade de dar um pulo em Genazzano, isso sim, e conhecer Nossa Senhora (5).
Comentários:
Essa senhora, que "já sabe" como apresentar Dr. Plinio e Dona Lucilia, "gostaria" de saber como apresentar JC às pessoas junto às quais faz apostolado. Ela não tem interesse em aprofundar as normas de como apresentar Dr. Plinio e Dona Lucilia, nem em conhecer mais diretrizes a esse respeito. Suas apetências estão voltadas a saber como apresentar JC. No apostolado que ela desenvolve, falar de Dr. Plinio e de Dona Lucilia não resolve o caso; precisa falar também de JC --ou talvez sobretudo de JC. Note-se que ela não faz nenhuma referência à luta Revolução-Contra-Revolução. Deve ser porque "já sabe" bastante daquilo ou porque não lhe interessa.
Para essa senhora --que não sabemos se é a mesma da intervenção anterior--, quem lê o livro de Mater Boni Consilii, quer conhecer logo, não mais detalhes a respeito da graça que Dr. Plinio recebeu de Nossa Senhora --porque está brevemente descrita nesse livro--, nem da TFP, mas de JC.
JC disse que discorda com a afirmação dessa senhora.
O que preocupava a JC naquele estrondo, não era tanto o que podia acontecer com a Causa, mas com ele.
Por segunda vez JC disse discordar da tese dessa correspondenta. Mas em todo esse longo trecho --precedido, no texto respectivo, pelo epígrafe "Auxílios especiais de Mater Boni Consilli para o Sr. João”--, em lugar de mostrar que de fato o livro não visa exaltá-lo, JC faz propaganda de si próprio
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Joanista tem interesse, não em aprofundar o primeiro contato de Dr. Plinio com a Cavalaria, mas em conhecer o primeiro contato de JC com essa instituição - Reunião na Saúde, 18/3/97:
(Pedro da Cruz: Se não for indiscreto, o senhor poderia contar qual foi o primeiro contato do senhor com a cavalaria? O do Sr. Dr. Plinio nós conhecemos.)
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Interesse pelos "fatinhos" de JC, não de Dr. Plinio - Reunião na SRM , 16/12/97:
Sr. Henrique Fragelli: [Nas reuniões que JC fazia nos Estados Unidos] ele falava de si uma barbaridade. Ao narrar os fatinhos mais sublimes do SDP, ele dava uma "tournure", uma interpretação nova e se colocava no centro.
Sr. Richard Lyon: Houve um caso em que ele disse: bom agora vou contar um fatinho do SDP. Todo mundo: não!!! Houve isso, porque havia gente lá, a claque, que dizia, não só na reunião, mas também depois com os meninos da Academia, andavam dizendo: tem que ser assim mesmo. Nós éramos bobos, mas o Humberto [Goedart] trabalhava o tempo inteiro. Este escravo de Maria era encarregado dos arautos, e por otimismo deixei a ele ensinar português para eles, mas o que eles contavam depois não tinha nada a ver com português, [o tema] era tudo o que se fazia na Saúde, as afilhadas, etc.
Sr. Gugelmin: a respeito das aulas de português, ele .......... disse: "por que é que nós corremos atrás do Sr. João Clá?". Traduza. Tinha que traduzir.
Sr. Richard Lyon: Depois isso teve repercussões na Academia, porque os meninos começavam a fazer as lições em inglês com isso, com coisas dessas.
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Os êxitos apostólicos e a sustentação dos grupos do Brasil se devem a JC, não a Dr. Plinio.
Grafonema, de algum cooperador da Saúde que estava na Espanha, para os joaninos da " torre da Avenida Angélica", 10/11/97, encontrado nos computadores da TFP que estes usavam. O redator do grafonema relata o dia-a-dia de seu senhor --que nesses dias estava em Madri:
Ele pediu ao sr. Tonelli que lê-se um graf. enviado pelo sr. André D. com notícias do sr. Auro sobre o apostolado e de como os nossos Santos Fundadores tem protegido a obra dele nas mãos do nosso tão estimado Quidam.
No graf. ele contava que a partir do mês de outubro já são 450 enjolras que se estão fixando no Grupo e a caminho de preparar-se para a consagação à Nossa Senhora, e ele estava visivelmente contente com a notícia, vale a pena enviar mais.
Depois D. Pedro Paulo comentou que isto se deve á presença dele lá no Brasil e que ele precisava ficar mais na Espanha, pois era desproprocional passar o ano inteiro lá e só duas semanas aqui.
Ele respondeu com enfase que era justo ao contrário, pois isto se deu quando ele saiu de lá, e que o progresso que havia aqui era devido à presençã de D.Pedro Paulo, então começou um verdadeiro duelo no qual um ia pondo o outro na parede e num volume de voz bem caloroso apesar de ser super apostólico, no final alguém deu o título para esta refeição: "Café a la espanhola", e o sr. João começou a rir.
Depois ele comentou que ele não podia ficar muito tempo fora do Brasil, senão alguns grupos começavam a definhar.
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Quando os joanistas ouvem que Dr. Plinio queria manter a cor marrom para o hábito, manifestam discordância e desgosto, dando a entender que a cor certa é a introduzida por JC, isto é, a cor branca - Conversa de JC com os novatos da Saúde, 22/11/94:
Santo Elias pode se dizer também carmelita, é bem possível.
O Senhor Doutor Plinio é carmelita? É carmelita. Ele é da Ordem Terceira, mas é carmelita. Tem os mesmos privilégios. E ele sempre quis guardar a cor marrom do hábito...
[Protestos gerais]
Quis guardar a cor marrom, porque é a cor carmelitana. Sim, mas é real!
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Joanino recebe o hábito e, ao agradecer, menciona primeiro a JC e depois a Dr. Plinio - Reunião no ENSDP, 26/12/96:
(Gilberto Oliveira: Sr. João, eu quero antes de tudo agradecer ao senhor e ao Sr. Dr. Plinio por nos ter concedido pelas mãos do senhor...)
Eu é que agradeço o convite que os senhores me fizeram.
(Gilberto Oliveira: ... o primeiro hábito que o senhor deu a vários de nós aqui do Japy, que foi um preâmbulo para todos os outros já tão ardentes de desejo de receber também.)
(Gilberto Oliveira: Eu queria, de todo coração, agradecer essa dádiva imensa.)
Quem deu o hábito não fui eu, quem deu o hábito foi ele. As mãos estavam emprestadas. As mãos do Sr. Jiménez emprestadas porque ele não passou pela SV; as minhas não, não estavam emprestadas, eram dele mesmo.
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Os joaninos da Saúde vão ao êremo de S. Bento para venerar as relíquias de Dr. Plinio e a JC - Telefonema Saúde, 9/11/96:
Hoje à noite os dois êremos vão ao aeroporto à 1h30 da manhã para esperar o Dr. Plinio Xavier e pegar as relíquias que foram roubadas pelo grupo dos Estados Unidos, que devem estar chegando hoje. Vamos fazer uma cerimônia, desde o claustro nós vamos desenbrulhar uma por uma das relíquias e vamos depois em cortejo, os eremitas, levarem todas as relíquias para cima da cama do Sr. Dr. Plinio. Ali vamos deixá-las cantando o Magnificat.
(Valente: Para nós também é uma alegria que essas relíquias voltem a entrar pelos portões do São Bento [adentro], Sr. João.)
Isto.
(Valente: Nós queríamos nos unir espiritualmente, e se possível fisicamente, a toda essa cerimônia e a todo esse ato que está se fazendo, para essas relíquias que são tão caras para o senhor e para nós também.)
Claro. Por isso eu convido todos os enjolras do Sr. Dr. Plinio da Saúde aí a qualquer hora virem dar um pulo aqui para venerarem as relíquias.
(Valente: Pois é, podia até ser agora mesmo, não é, Sr. João?)
Hahahaha! Agora eu acho que seria gente demais, entende? E aí atrapalharia o JxJ de amanhã também.
Mas amanhã, amanhã à tarde, depois de amanhã, segunda-feira, que o movimento da Saúde está mais baixo, aí então apareçam por aí para rezar um pouquinho diante delas.
(Valente: Quem sabe nós encontramos alguém de joelhos rezando diante delas que nos possam dizer algumas palavras também, não é, Sr. João?)
Aí será um encanto para quem estiver de joelhos.
(Valente: Mais para nós ainda, Sr. João.)
Hahahaha!
*
Os joaninos contemplam simultaneamente e praticamente num mesmo olhar a Dr. Plinio e a JC:
- (Gabriel Escobar: No audiovisual o senhor mostrava [ao] Grupo como o Senhor Doutor Plinio via a Igreja e Nossa Senhora. Então, não sei se é imprudente por causa do horário, se o senhor em duas palavras poderia nos dizer como é que o senhor o via com seu olhos?) (Cfr. Palavrinha hispanos, 9/12/96) (Nota: Não é por causa do "horário", mas pela presença de pessoas que poderiam cristalizar-se).
- (Aparte: No audiovisual tem uma parte que fala da troca de olhares entre Nossa Senhora e Nosso Senhor. E também da troca de olhares do Senhor Doutor Plinio com a Senhora Dona Lucilia. Como era a troca de olhares do senhor com o Senhor Doutor Plinio?) (Cfr. Palavrinha hispanos, 9/12/96)- (Diego Wolf: O senhor comentava que viu o Sr. Dr. Plinio se emocionar várias vezes. Queria ver se o senhor poderia comentar o que o senhor sentia na alma vendo o profeta do Reino de Maria se emocionando.) (Cfr. reunião na Saúde, 12/11/96)- (Aparte: O senhor quando vê a foto do Sr. Dr. Plinio em vida, a foto do Sr. Dr. Plinio no caixão e a foto do Sr. Dr. Plinio no hospital, o que a alma do senhor leva ao pensamento? (...) Se o senhor pudesse contar a experiência mística do senhor com as três fotos.) (Cfr. reunião na Saúde, 12/11/96)
*
Equiparam a união de alma com Dr. Plinio e a união de alma com JC - Reunião na Saúde, 19/11/96:
(Aparte: (...) existe momentos que a gente sente não ao lado, mas se sente um imbricamento de alma com o Sr. Dr. Plinio, não que ele esteja ao lado, mas que ele esteja agindo desde o senhor.
A pergunta é tão confusa quanto esquisita. Talvez a formulação adequada seja:Há dois tipos de ocasiões em que a pessoa sente um imbricamento de alma com Dr. Plinio: um, como se ele estivesse presente ao lado da pessoa; outro, como se ele estivesse dentro de JC.O segundo tipo dá margem à seguinte proposição: o imbricamento de alma com JC traz implícito uma forma de imbricamento de alma com Plinio.
*
O anjo da guarda de JC está no mesmo patamar que o de Dr. Plinio, ou talvez acima - Reunião na Saúde, 3/6/97:
(Arturo Cantu: [...] O Sr. Dr. Plinio disse a uma pessoa que quando estivesse numa situação difícil, devia pedir ao anjo da guarda dela para falar com o anjo da guarda da Srª Dª Lucilia, para falar com o anjo da guarda do Sr. Dr. Plinio, para falar com o anjo da guarda do senhor. O senhor poderia falar um pouquinho sobre a importância de nossos anjos da guarda?
*
Entre a assistência a suas reuniões e a audição de fitas de Dr. Plinio, JC dá precedência a suas reuniões.
Pouco depois de ter começado a fazer reuniões diárias --houve ocasiões em que fez até 3 reuniões por dia--, JC disse o seguinte aos novatos da Saúde:Os senhores agora não vão ter mais tempo de ouvir fita, não dá mais tempo de ouvir as fitas. Os senhores vão perder várias reuniões. Quem não acompanhar as reuniões vai perder, porque tem reunião todo o dia. Se no dia seguinte estiver atrasado já vai perder aquela reunião. No domingo nós tivemos duas reuniões, uma de manhã e outra à tarde.(Cfr. reunião na Saúde, 19/11/96)
*
Enquanto o nome de JC é exaltado, o de Dr. Plinio é posto de lado - Relato de uma conversa entre Leandro Amaro, cooperador do setor operário de Campos, e uma moça "joanina":
Teresa, olha esta menininha aqui, tem 3 anos de idade. Chamando-a, disse: fulaninha, o que a Teresa lhe ensinou a gritar? A menina de pronto disse: 'João Clá Dias'. Outra pergunta à menina: 'E de Plinio Corrêa de Oliveira, a Teresa lhe ensinou?' Resposta: 'Não'. Aí a moça ficou meio envergonhada (...)
(Cfr. Relatório do Sr. Ghioto a Dr. Eduardo, de março de 1997).
*
Ao ler os "Cânticos em louvor aos nossos santos fundadores e ao seu filho mui querido, nosso padrinho João Clá Dias" --de autoria da moça Laura Barreto de Almeida--, chama a atenção seu titulo. Porque era de se esperar que ditos louvores fossem tributados sobretudo ao SDP, depois à Sra. Dona Lucilia e em terceiro lugar a JC --na hipótese que os merecesse. Na realidade, os louvores muito mais, indiscutivelmente mais se dirigem à pessoa de JC, do que ao SDP. Quer dizer, o titulo foi um "jeito" para fazer passar o embuste.
Há canções inteiras onde o nome do SDP nem aparece: foi substituído pelo de JC. Por exemplo "O Sino da torre":
O sino da torre
Está sempre a tocar:
João Clã ... João Clã ...
Em casa e na escola
Eu sempre direi:
João Clã ... João Clã ...
E aos irmãozinhos
Eu ensinarei:
João Clã ... João Clã ...
Meu anjo da guarda
Contente dirá:
João Clã ... João Clã ...
Seu doce conselho
Eu hei de seguir:João Clã ... João Clã ...
A qual "torre" se referem as joaninas nessa canção: à torre do êremo de São Bento, onde habita JC? Ou à torre de uma igreja? De repente se trata da torre de uma igreja --pois JC é santo ...
*
Isso posto, cabe perguntar se a equiparação e substituição da pessoa de Dr. Plinio pela de JC só se operou após o falecimento de nosso Pai. Há indícios de que aquilo vinha desde antes.
Por exemplo, já dava “palavrinhas” aos eremitas de São Bento e Praesto Sum - Telefonema entre ele (desde EEUU) e a Saúde (São Paulo), 4/4/95:
(Héctor Mattos: Puxa, extraordinário! Sr. João, muito obrigado por tudo. Aqui, todos os eremitas de São Bento, de Praesto Sum e os eremitas servidores que estão aqui presentes lhe agradecem muito a palavrinha que o senhor nos deu e desejam que o senhor venha quanto antes, evidentemente, fazendo um pulinho antes por Espanha. E muito obrigado por tudo, Sr. João.)
E ele próprio já se considerava indispensável. Referindo-se a um período em que esteve doente, disse:
Quando a gente tem alguma responsabilidade e cai derrubado numa cama sem poder quase que apanhar um alfinete no chão, está morto, a preocupação que vem é: ihhh... aquilo que eu fazia, as rédeas de todos esses assuntos, essas almas, onde é que vai parar tudo isso? De repente tudo rola. (cfr. Conversa na Saúde, 19/1/95)
Os joaninos não entendem diretamente as palavras de Dr. Plinio; precisam que JC as "traduza" para eles – “Jour-le-jour" 17/2/97 - JC lê uma reunião feita no S. Bento em 9/9/72, na qual Dr. Plinio trata de suas virtudes pessoais.Depois de ouvir a descrição da fé, esperança e caridade de nosso Pai e Guia, feita por ele próprio, Jurandir Bastos pede a palavra e disse a JC:
(O senhor poderia pegar essas três virtudes e dizer como cada uma delas está presente no Sr. Dr. Plinio?)
*
No "jour-le-jour" 21/2/97, JC lê e comenta um texto onde Dr. Plinio descreve como é o processo do pensamento. A certa altura, Vicente Nunes intervêm e disse a JC:
(O senhor poderia fazer sempre esses adendos? Porque às vezes não se percebe.)
*
Trecho final do "jour-le-jour" 9/9/97 - JC está a ponto de terminar a leitura de um MNF:
Infelizmente a hora nos traiu.
(Edwaldo Marques: Se não der para terminar isso, eu acho que deveríamos terminar outro dia, porque isso é tão importante!)
Eu acho que se os senhores deglutirem, em 15 min a gente termina.
(Edwaldo Marques: Mas sem pular e sem correr, não é?)
Certo. Dar com vagar. Vamos lá, então.
(Zayas: O problema se o senhor [só] lê o texto [sem comentar], nós não entendemos nada!)
Então leia o senhor, aqui! [Risos]
(Zayas: Não, tem que explicar!)
Os colchetes que aparecem na intervenção de Zayas são do texto original.
Custa compreender como é que Zayas, sem ajuda do sucessor, não entenda nada dos textos de Dr. Plinio, quando o próprio JC disse, no começo desse "jour-le-jour", que escolheu "um tema que congregasse a todos, que distraísse, atraísse e distendesse a todos (...) [é] um trechinho de um MNF muito decidor, e depois um tema que é um tema leve, muito agradável, novo, profético, cheio de discernimento dos espíritos da parte do Sr. Dr. Plinio, que é uma comparação que ele faz entre a grandeza no Antigo Testamento, e a grandeza no Novo Testamento".
*
Reunião de JC para os veteranos, 15/10/96:
(Paulo Martos: O senhor poderia responder umas perguntas sobre a escola espiritual que nosso Pai e Senhor fundou, os "flashs"? Uma coisa que eu não entendo.)
Posso, perfeitamente.
(Paulo Martos: O que é propriamente a matriz de "flash"? Toda a matriz se refere a nosso Pai e Senhor? Quer dizer, há "flashs" que são matrizes e "flashs" que não são matrizes, é bem isso? Os matrizes se referem a nosso Pai e Senhor? É bem isso?)
Ele nunca se pronunciou a esse respeito. Quer dizer, ele nunca disse: "Toda a matriz de flash que vocês, meus filhos, tem está relacionada comigo". Ele nunca disse isso assim porque o que ele tratava no MNF era tudo em tese.
(Paulo Martos: Eu não entendia nada.)
*
A dificuldade que os joanistas tem para compreender diretamente as palavras de Dr. Plinio, revela que eles não tem Tau --ou, se tem, prevaricaram espantosamente.
Referindo-se a um texto de Dr. Plinio que ia começar a ler no "jour-le-jour" de 17/9/97, JC afirmou o seguinte:
Eu não vou fazer muita introdução, porque senão eu tiro o sabor. A reunião é muito assimilável, pulchra, atraente, fluente, accessível a todas as idades, a todas as inteligências, desde que a pessoa tenha Tau. Mas, tendo Tau, é acessível a todos os Taus.
E na reunião na Saúde de 4/3/97, JC repete a mesma tese:
Segundo a definição de thau que nós temos -- não a que o Sr. Dr. Plinio dá [sem tê-lo em vista] --, que nós usamos comumente, thau é aquela capacidade mística que uma pessoa tem de compreender o Sr. Dr. Plinio e querer se entregar a ele.
*
"Jour-le-jour" 15/1/97:
No Sr. Dr. Plinio havia um carisma. Eu vou dizer mais: carisma de metáforas, carisma de vocabulário, porque aquele vocabulário era carismático, aquilo está acima do estudo humano. Ele nunca foi a dicionário, ele aprendeu aquilo na vida comum de todos os dias, pegando palavra por palavra e construindo o vocabulário dele. Era um carisma de comunicação, e uma clareza de linguagem, uma capacidade de se fazer entender fora do comum.
*
JC reconhece que interpreta as palavras de Dr. Plinio e sustenta que tem uma "graça de estado" nesse sentido - Reunião na Saúde, 5/11/96:
Tem pessoas que julgam que fazer JXJ é a coisa mais fácil do mundo. É pegar o texto do Sr. Dr. Plinio e dizer: "Esse aqui é um EVP de 25 de janeiro de 1972. O Sr. Dr. Plinio diz tal coisa, parapápápá!".
Espera um pouquinho. Ei, ei, ei!
O senhor tem que interpretar qual é o espírito pelo qual o Sr. Dr. Plinio disse aquilo (1). Depois, ao transmitir não transmita palavra só, porque a palavra vai esclarecer, mas a palavra não arrebata. O que arrebata é o espírito.
Então o senhor tem que tornar viva a pessoa do Sr. Dr. Plinio que está na eternidade, e ao ler o texto o senhor tem que ler o texto e explicar o texto de tal forma que ele se faça presente. Porque se ele não se fizer presente é melhor... [Vira a fita] Alguém dirá:
-- Mas, então, nesse caso, melhor do que tudo é a fita.
Eu digo:
-- Devagar. Porque o gravador não sabe interpretar o espírito.
Então, não adianta só o gravador nem adianta só o texto. É preciso que haja uma graça que tome a pessoa que vai explicar o que está no gravador ou que está no texto, e essa graça existe porque é uma graça de estado, aqueles que devem falar a respeito dele têm essa graça de estado (2), e essa graça toma essa pessoa e a pessoa consegue transmitir um espírito. Aí ela deu a palavra esclarecedora e deu o espírito vivificador. Aí ela fez presente a figura do Fundador.
Comentários:
E quem determina se a interpretação do espírito com que Dr. Plinio disse uma coisa é correta? JC, evidentemente. Mais ninguém! E ai daquele que discordar de sua interpretação! Aquilo é infalível. Interpretar a palavra de Dr. Plinio, sim se pode --porque é relativa--; interpretar a versão de JC, não se pode --porque é absoluta!
Quem sustenta que é preciso uma "graça de estado" para "explicar" as fitas e textos de Dr. Plinio, implicitamente afirma que a palavra de Dr. Plinio é pouco clara, confusa, de difícil intelecção..
Ora, acontece que Dr. Plinio enquanto profeta é, por definição, o condutor, o guia dos eleitos nesta época de caos; e a clareza faz parte de seu "equipamento" --do contrário, ele mesmo seria mais um fator de confusão.
Em consequencia, se a palavra de Dr. Plinio precisa ser "interpretada", "explicada" e “traduzida”, o Profetismo acaba residindo em última instância no intérprete.
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Inclusive na época em que Dr. Plinio estava vivo, JC já desempenhava o papel de intérprete - Reunião na Saúde, 4/3/97:
(Vicente Mártir Suato: Queria saber qual foi o sonho que o Sr. Dr. Plinio teve no dia anterior à Primeira Comunhão.)
Sonho que ele teve antes da Primeira Comunhão? Sabe que eu não sei? Quem é que conhece esse sonho?
(Vários: O bolo de coco.)
Ah, o bolo de coco! Mas eu não me lembro bem. Ele contou num SD. Estou me lembrando vagamente. Minha memória é muito boa para coisas antigas, para as coisas que se passaram na minha época de enjolras; quando são mais recentes, eu tenho memória mais difícil.
Mas quem é que sabe contar aqui com detalhes? Eu me lembro apenas que ele sonhou com esse bolo e que tinha uma coisa qualquer cor-de-rosa dentro, que eu já não me lembro mais o que era. Quem conta, quem se lembra disto?
(Takeshi: No dia anterior à Primeira Comunhão ele viu sobre uma superfície bem grande, um bolo. Por cima desse bolo ele viu uma esfera e, sobre a esfera, Nosso Senhor Jesus Cristo. E Nosso Senhor convidava ele a se aproximar. E o Sr. Dr. Plinio não sabia por que Nosso Senhor apareceu sobre o bolo de coco, sendo que ele não gostava de coco. [...] Logo depois que ele contou o fato pediram aqui, para o senhor, uma interpretação, e o senhor deu uma muito bonita.)
Isso, aqui na Saúde?
(Takeshi: É, aqui na Saúde.)
Já não me lembro mais também.
(Takeshi: O senhor dizia que Nosso Senhor se oferecia ao Sr. Dr. Plinio [na Comunhão] mas, durante a vida, ele teria que aceitar muitas coisas desagradáveis.)
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Antes mesmo de Dr. Plinio dar uma reunião, JC dá os "critérios" para interpretar o que Dr. Plinio vai dizer - Conversa na Saúde, 21/12/94 – JC está se referindo à “glorificação” de Dr. Plinio, com base nas profecias do Beato Palau, feita recentemente numa cerimônia:
Então, o Bem-Aventurado Palau chega e diz o que disse, e que é posto num megafone e aquilo é cantado em prosa e verso, e é aquilo... ele [Dr. Plinio] tem que tomar um cuidado, qual é o cuidado?
De proteger aqueles que não têm entusiasmo ainda, porque ele é pai de todos e tem que salvar a todos. "Dos que me destes eu não perdi nenhum".
Então ele tem que tomar cuidado para evitar que esse entusiasmo, de repente, por um sopro do demônio, as pessoas tiram os olhos de onde devem colocar, que é nele, na Vocação dele, na missão dele, e começam a prestar atenção nos outros que não são entusiasmados. Isso é uma trampa do demônio.
Então para evitar que isto aconteça, ele tem que em certo momento, quem sabe amanhã à noite, fazer um Santo do Dia por onde ele deixa essa gente que não tem entusiasmo ainda, inteiramente à vontade, dizendo que não vai ser feito caça nenhuma em relação a eles, mas também deixar as coisas claras de que eles não sufoquem os outros. Que todos caminhem como irmãos, hã? Somos irmãos em função de uma...
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JC interpreta não só as palavras de Dr. Plinio, mas também seus atos - Conversa na Saúde, 27/12/94:
O Senhor Doutor Plinio estava morrendo de sono quando subiu para o MNF. Fez o MNF até um certo momento em que ele pediu um pulôver e dormiu quinze minutos. Terminado os quinze minutos tocou o MNF de quinze para as três até as três e meia.
Mas por quê? Por causa da força de vontade.
Ele fez o MNF por que ele queria? Não, porque ele precisava fazer apostolado com alguns. Para fazer apostolado com alguns, ele abriu uma clareira no horário dele e fez MNF.
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A respeito do papel de “intérprete” de Dr. Plinio, assumida pelo charlatão, cabe registrar o que L. C. Fillion --célebre comentarista das Sagradas Escrituras, diversas vezes elogiado por Dr. Plinio-- ensina sobre o Profetismo:
Os diversos nomes e as funções dos profetas. Seu principal nome, no texto hebreu [da Biblia], é “nabi” (...). Seu significado geral é “elocutor”, “aquele que fala”, como se depreende do texto onde é utilizado pela primera vez, Exodo, VII, 1. Quando Moisés, assustado pela enormidade do cargo que Deus lhe impunha, alega sua dificuldade de palavra para se excusar, o Senhor lhe respondeu: Aaron, teu irmão, será teu “nabi”. O que equivale a dizer: Aaron falará por ti. Mas ele designa habitualmente, de uma maneira toda especial, aqueles que falam em nome de Deus e que lhe servem de órgão para comunicar sua vontade aos outros homens. (...)
A palavra profeta, pela qual os setenta traduziam constantemente o substantivo “nabi”, deriva de “falar em nome de qualquer um, e tinha na origem o senso largo de intérprete. (...) Os escritores eclesiásticos utilizam também o susbtantivo ....... nesta larga acepção; notadamente São João Crisóstomo, que afirma diversas vezes que os profetas eram os intérpretes de Deus. Daí se segue que “nabi” é, tanto segundo a etimologia quanto segundo a utilização nos discursos, aquele que Deus inspira e que serve de órgão à divindade. Não é necessário que ele revele o futuro, mas é essencial que sua palavra sea uma revelação divina. (...).
De tudo quanto acabamos de dizer, resulta que o profeta era o intérprete de Deus, o intermediário entre Deus e seu povo; ele recebia as ordens do Senhor e comunicava à raça de Abraham o plano divino: era ao mesmo tempo o representante do patriotismo e da religião, um poder político dentro do Estado e o guardião, constituído pelo próprio Deus, da teocracia, o ministro extraordinário, mais autorizado, da Lei.
(Cfr. “La Sainte Bible”, L. C. Fillion, Paris, Librairie Letouzey, 1925, tome V, pp.261,262).
As “relíquias” de JC tem precedência sobre as relíquias de Dr. Plinio - Bilhete de Wagner Francisco Taniguchi:
Saúde, 18/3/97
Caro Sr. Jimenez
Salve Maria!
Mando-lhe este bilhete para lembrar o senhor da relíquia que o Sr. me prometeu.
Caso o Sr. não consiga mesmo, então peço uma relíquia de nosso Pai e Senhor, sangue e cabelo!
Obs: Mas não vou deixar de pedir aquela outra [desenho de uma toalha].
Quer dizer, para esse rapaz da Saúde, obter uma relíquia do SDP é o “plano B”, e conseguir uma relíquia de outrem é o plano “A”.
Mais ainda: para ele, a relíquia do sangue e cabelo do SDP vale menos do que a toalha usada por esse outrem.
Quem será essa outra pessoa, cujas relíquias estão sob o cuidado de um eremita de S. Bento?
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Os conselhos de JC tem precedência sobre os de Dr. Plinio.
É sabido no Grupo que o SDP tinha desaconselhado Andreas Meran voltar à Europa.
Mas Andreas Meran quis viajar à Alemanha --com o objetivo de articular a revolta dos membros do Grupo desse País. (Cfr. Fax do Sr. Fernando Teles a Andreas Meran, antes do 28/8/97).
Quer dizer, para Andreas Meran, se para agradar a JC é preciso desobedecer o SDP, vale a pena.
Algo semelhante aconteceu com José de La Riva Aguero: Dr. Plinio, através de terceiros, o convidou a voltar ao Peru, para prestigiar a campanha de difusão do livro da Nobreza nesse País; mas ele não quis. Também Dr. Plinio mandou que lhe propusessem ir fazer apostolado com a nobreza, em Portugal, e o aristocrata joanino novamente recusou. No entanto, quando JC quis que ele fosse ao Peru para dividir a TFP Peruana, ele obedeceu imediatamente. Lá, Riva Aguero é subordinado de um enjolrras indígena, 20 anos mais novo que ele ...
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Dr. Plinio teve “a graça” de encontrar a JC - Reunião na Saúde, 5/12/95:
(Amorim: Quando nosso Pai e Fundador teve a graça de encontrar pela primeira vez com o senhor...)
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Dr. Plinio se manifesta mais e opera mais nas reuniões de JC do que nos Santos do Dia...
Estando na Itália, numa reunião realizada no 2 de fevereiro de 1996, às tantas, enquanto JC falava da graça que os Apóstolos receberam no dia de Pentecostes e de quanto eles melhoraram, interveio Humberto Goedart, discípulo seu, afirmando o seguinte:
(Aliás, já está começando isso, não é, Sr. João? Porque a gente vê que o Sr. Dr. Plinio tem operado muito mais nos "Jour le Jour" de hoje em dia do que nos próprios Santos do Dia. Já é mais graça, mais presença dele nos últimos "Jour le Jour", por exemplo, que o senhor fez em São Paulo).
(Cfr. "jour-le-jour" 2/2/96)
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Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 17/3/96 - Segundo Nelson Tadeu, houve gente que achou que, se o SDP tivesse estado presente num evento de CCEE --realizado em março de 1996--, o evento teria tido menos “graça”.
JC: Essa gente aqui, um encontro sem o Sr. Dr. Plinio: tinha mais graça do que se o Sr. Dr. Plinio estivesse no primeiro andar com gripe.
(Nelson Tadeu: Tinha gente comentando que tinha mais graça do que se ele estivesse presente fisicamente).
O que Nelson Tadeu disse, não recebeu da parte de JC, nem de nenhum dos presentes nessa conversa, nenhum reparo. Dir-se-ia que essa tese tem foros de cidadania nos ambientes joaninos.
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Para o joanino Enrietti, a morte do SDP não foi o mais puxado que nos aconteceu - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 17/3/96:
(L. Alexandre: Não é arquitetônico que seja assim?)
O quê, que chegue uma hora em que a gente fique...
(L. Alexandre: É, uma coisa assim como o senhor disse, caos dentro, caos fora.)
Ah, um drama eu acho que sim. Nós vamos passar por um drama sério e nesse drama sério onde a fumaça ainda campeia aqui, lá e acolá, faz coisas, mexe, vira, de repente vem um auxílio qualquer sobrenatural aí violento. Tipo aparição do Profeta Elias, pode acontecer.
(Enrietti: O senhor falou agora há pouco que o Sr. Dr. Plinio teria presente a hipótese de que nós podíamos sofrer uma derrota tremenda e depois uma grande vitória.)
É isso.
(Enrietti: Poderia haver isso. E que essa derrota poderia ser a morte dele. No caso, pelo que o senhor está dizendo, uma das etapas seria a morte dele e depois haveria outras coisas mais puxadas. O senhor entendeu o que estou querendo dizer.)
O que é que poderá ser, na mente dos discípulos de JC, algo mais puxado do que a morte do próprio SDP? Será acaso uma “embestida” da “fumaça” contra seu senhor? Tudo indica que sim, pois quando Dr. Plinio faleceu, eles não se incomodaram nem choraram, e quando JC foi “agredido”, eles viraram umas feras.
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O amor ao SDP e à SDL é um meio para chegar à consonância com JC - Conversa “Confidencial, distribuída apenas aos encarregados de Grupo do Exterior”, de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/3/96:
(Nota: O primeiro colchete é do texto original).
(Ramus: [...] No que o amor com ele [SDP] e com ela [SDL] nos dá consonância com o senhor e essa visão, que nos faz ver o que ele quer que nos vejamos naquele momento?)
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Faria parte da missão de Dr. Plinio proclamar quem é JC? - Reunião para CCEE, 14/4/96, fala o impostor:
Mas nós não tivemos -- pelo menos até agora não apareceu -- um santo que pudesse dizer quem é [O Sr. Dr. Plinio]. Por isso é que eu acho que a esperança que ele tinha e tem (...) de que aparecesse o Profeta Elias em certo momento. Eu acho que o Profeta Elias vem para nós para nos dizer tudo. O que [o SDP] disse a respeito [da Sra. Da. Lucilia], o Profeta Elias dirá tudo a respeito dele. Aí nós teremos bem quem ele é, nós teremos uma noção muito mais completa do que aquilo que a graça põe de modo confuso no fundo das nossas almas a respeito dele.
(Sra. -: Santo Elias pode inspirar alguém também, não é?)
Ah, qualquer um aqui. [Risos.]
(Pe. Olavo: Agora, ele disse muita coisa também de si.)
Isso é verdade, o Pe. Olavo tem razão dizendo que ele disse muita coisa a respeito de si. (...) Nós já estamos constituindo um álbum que vai ser para uso interno. Infelizmente esse seria uma bomba se nós o difundíssimos pelo mundo. Mas um álbum colocando em ordem cronológica tudo aquilo que ele disse a respeito de si desde a infância até a mais recente idade, ilustrado com fotografias. [Aplausos.] (...). O Pe. Olavo diz bem, que ele tinha uma obrigação moral de dizer o que ele disse. Caso contrário, se ele não desse testemunho de si, quem de nós poderia penetrar na alma dele e dizer com a propriedade com a qual ele disse tudo a respeito dele? Era impossível.
(Pe. Antônio: E com autoridade também.)
E acrescenta o Pe. Antônio com muita propriedade também, que com autoridade. Porque uma vez que ele foi o testemunho de si mesmo, é mais ou menos como Nosso Senhor dizendo para os soldados que iam prendê-Lo “ego sum”. Então: "Eu sou este assim e assim".
(Sra. -: "Houve um homem enviado por Deus cujo nome era João".)[Aplausos.]
Não é clara a intervenção final dessa senhora. Quem é que teria dito, referindo-se a JC, “houve um homem enviado por Deus cujo nome era João”: Dr. Plinio? Nesse álbum, Dr. Plinio emitira então duas “mensagens: a) “ego sum”; b) “houve um homem enviado por Deus cujo nome era João”...
*
JC reflete ao mesmo tempo a Dr. Plinio e a Dona Lucilia - Palavrinha para CCEE, 20/4/96:
(Sra. -: Sr. João, eu não conheci a Sra. Da. Lucilia, mas parece que o senhor adquiriu toda a bondade da Sra. Da. Lucilia.)
Se eu adquiri, eu adquiri aquilo que eu sempre quis. [Exclamações] Eu não sei, eu não posso garantir que tenha adquirido, mas se algo dela adquiri eu me dou por feliz, porque olhe que aquilo era um tesouro extraordinário!
(Sra. -: Sr. João, o senhor sabe que pessoas em Miracema que não são muito próximas, não são correspondentes mais ativos, não vêm em São Paulo e tudo, vendo o senhor em Miracema disseram: "Mas como ele é bom". Nós vemos nisso o reflexo da bondade da Sra. Da. Lucilia.)
Olhe, não quero outra coisa! O que eu gostaria de ser é um espelho puro, puro, puro, cristalino, mas o mais sem reflexos tortos possíveis, ou seja, reflexos inteiros, dele e dela.
(Sra. -: O senhor pode ter certeza, acho que todos aqui devem confirmar, o senhor já tem isso dele e dela. Porque nós vemos no senhor o Sr. Dr. Plinio e Sra. Da. Lucilia...)
Aí de repente a graça põe isso na alma das senhoras todas para poder sustentá-las, mas na realidade, de repente, eu por dentro ainda falta muita coisa. Enfim, o que falta eu peço que complete.
*
A gente receberia mais e maiores graças através de JC do que de Dr. Plinio – Certos aspectos de Dr. Plinio brilhariam mais em JC do que no próprio Dr. Plinio - Reunião na Saúde, 23/4/96:
(Valente: [...] vez que existe essa graça, não seria uma obrigação que houvesse uma reciprocidade das pessoas, dos enjolras que recebem essas graças, num ato de admiração e de entusiasmo para com essa pessoa? [...] (1)
A pergunta eu entendi e vou respondê-la. (...)
O profetismo nele [Dr. Plinio] era algo de mais importante do que a própria graça que ele possuía? Não.
A tal ponto que uma mula, por exemplo, não é passível de graça, mas uma mula pode profetizar, como aconteceu na Escritura: a mula de Balaão. (...)
Então, que a Providência possa tomar um instrumento qualquer e através desse instrumento ser útil para que este, aquele e aquele outro recebam uma graça, isto pode acontecer. Não quero dizer que não aconteça; pode acontecer.
Mas o que eu acho é o seguinte: é que se os senhores fixarem bem a lupa, os senhores vão chegar a uma conclusão que eu cheguei. A conclusão que eu cheguei é esta:
Nós quando estávamos no convívio físico com ele recebíamos uma série de graças e essas graças que nós recebíamos estamos continuando agora a receber em maior intensidade, por incrível que pareça.
Eu dizia no começo da reunião, os senhores concordaram, portanto, os senhores não vão pôr em dúvida isso que eu estou dizendo agora porque é real. Nós estamos recebendo mais graças agora do que recebíamos antes (2).
(...) o senhor pega São Vicente Ferrer, por exemplo, fez muito mais milagres do que Nosso Senhor, nem comparação. São Pedro começa a ressuscitar gente, começa a fazer coxo andar em maior quantidade do que Nosso Senhor Jesus Cristo. Os Apóstolos e depois os santos que vieram no futuro fizeram mais milagres do que o próprio Nosso Senhor.
Pode acontecer que, de repente, um de nós faça algumas coisas que dê impressão de que vêm dele. Não se iluda, não se iluda, porque não é verdade. Tudo o que o senhor vir nos outros, tenha a certeza de que se é bom vem do Sr. Dr. Plinio. (...)
Eu acho que os que vierem depois de nós farão obras muito mais maravilhosas do que nós, tudo desdobramento dele.
Não se iluda julgando: "Fulano, Sicrano e Beltrano tem isso, tem aquilo, tem aquilo outro". Não têm nada, é erro equívoco. O que o senhor vê nele não é dele, porque se o senhor o visse com o que é dele, o senhor saía correndo.
O que é que o senhor vê nele? É aquela mesma ação do Sr. Dr. Plinio, e às vezes até por um desígnio da Providência aumentado, em certo ponto aumentado.
Digamos, uma atração. Pode ser que um dos senhores de repente comece a atrair gente aqui, lá e acolá, atrair, atrair, atrair, como ele mesmo não atraía (3). Ele mesmo não atraía? Como não atraía? É ele que está atraindo. [Exclamações]
Então eu respondo a sua pergunta desfazendo a sua ilusão. [Protestos]
Comentários:
O colchete é do texto original. A pergunta alude claramente a JC: como ele tem sido um canal de graças para certas pessoas, é razoável que essas pessoas o admirem e tenham entusiasmo por ele.
JC sustenta que hoje, depois do falecimento de Dr. Plinio, as graças que as pessoas recebem são mais intensas e mais numerosas do que antes. Note-se que um joanino acabou de afirmar que as graças de hoje vem por meio de JC.
Portanto, determinados aspectos de Dr. Plinio poderiam brilhar mais e manifestar-se mais em JC do que no próprio Dr. Plinio.
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No apostolado, tem mais garra falar de JC do que de Dr. Plinio - Reunião para o setor operário, 26/4/96:
(Sr. -: (...) Uma pessoa entra e fica "enflashada" por uma pessoa mais velha. Quando um apostolando entra e vê, no caso o Sr. João, a gente explica: "Esse é o Sr. João Clá"... Chegando um apostolando na sede novo, é certo chegar e contar uns fatinhos do Sr. João antes...)
Que pergunta... hahahaha! A pergunta é muito inocente... hahahaha! [Risos]
(Sr. -: Porque tem uns que se fala do Sr. Dr. Plinio, explica, eles falam... Não entendem. [...] Mas aí explicando para uma pessoa qual é o caso do Sr. João e explicando, ele pega ainda mais fácil do que se fosse explicar direto. É certo fazer esse processo?)
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JC concede graça através de Dr. Plinio - Reunião na Saúde, 16/4/96:
(Sr. -: [...] Como o demônio vai querer entrar para nós cedermos tantas graças que o senhor, através dele, está nos concedendo para crescer cada vez mais nesse amor?)
Quer dizer, há graças que JC, através de Dr. Plinio, concede aos joaninos da Saúde. Portanto, Dr. Plinio é mediador entre os joaninos e JC.
Ao responder, JC não corrigiu essa tese e disse o seguinte: “Existe um provérbio espanhol que ouvi quando menino inúmeras vezes: ‘Lo que es de Dios a la mano de uno le viene’.
Ou seja, se está nos desígnios de Deus, por mais que o demônio pinte e borde, por mais que ele queira arrancar, ele não consegue.
Se o senhor fizer o que eu estava aconselhando para o jovem ali, se o senhor fizer isto, terminada a reunião ou durante a reunião o senhor já está pondo nas mãos dele [Dr. Plinio] e nas mãos dela [Dona Lucilia], o senhor já ficou sem nada, o demônio já não pode tirar do senhor. Quando o demônio lhe assaltar, o senhor enfia a mão no bolso, tira o bolso para fora e diz: ‘Olha, aqui não tem anda. Se quiser arrancar, vai arrancar dele lá e dela, porque eu comigo não tenho nada’.
O senhor vai mantendo o tesouro lá e eles ficam fazendo render juros para o senhor, aquilo vai aumentando. Quando o senhor precisar em determinado momento, eles devolvem, mas aquilo vem enriquecido, porque passou nas mãos dele”.
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Os livros de JC transmitem mais o espírito pliniano, do que os livros do próprio Dr. Plinio - Conversa em Roma, 21/9/96:
Depois da morte do fundador formam-se duas correntes em todas as ordens religiosas:
Uns querem defender a regra e basear-se na regra; outros querem basear-se no espírito, na pessoa do fundador, na obra do fundador e, portanto, fazer algo que esteja inteiramente ligado ao modo de ser do fundador, à sua mentalidade, às suas peculiaridades, etc. (1)
(Aparte: A regra não é um reflexo do espírito do fundador?)
É, mas não se esqueça que a letra é morta e que o espírito vivifica, diz São Paulo (2).
(Aparte: No caso do Sr. Dr. Plinio não há regra.)
Mas, veja...
(Baccelli: Os escritos, as obras.)
Exatamente (3). Fica a idéia de que nós podemos tocar a obra dele com base nos escritos dele. Então tomar RCR, por exemplo, o livro da nobreza, o “Em Defesa da Ação Católica” (...) Então cria-se, às vezes, a ilusão, da parte de alguns, de que basta se tomar as obras, pegar os princípios, independente da pessoa, e tocar a obra dele adiante em função dos escritos. Isto já era uma certa divisão -- não em contenda, não em choque, não em briga interna, isso nunca deu -- em vida. E ele fazia questão de, nas reuniões mais íntimas, procurar como isso não tem fundamento, porque o espírito de uma pessoa não se aprende num livro, o espírito de uma pessoa se aprende na pessoa (4). Não vai.
(...) [Nos ambientes dos correspondentes, na Saúde e nos êremos] vive-se do espírito dele constantemente e há uma espécie de flash permanente sobre a pessoa dele. Os membros do Grupo e os que são correspondentes vivem das lembranças, vivem das expectativas da pessoa dele, do espírito dele, dos fatinhos da vida dele, pegam um álbum da Sra. Da. Lucilia, por exemplo, e se encantam, passeiam pelo álbum como algo que aconteceu ontem. Vivem sempre na perspectiva de terem encontrado o Sr. Dr. Plinio no dia anterior e rezam ao Sr. Dr. Plinio, conversam com ele, falam com ele, etc. (5)
Comentários:
Mas JC não segue aquilo que seria a Regra da TFP, isto é, as idéias de Dr. Plinio. Os princípios de JC são democráticos. E não tem o espírito de Dr. Plinio: a mentalidade de JC é igualitária.
JC concorda a contragosto que a Regra reflete o espírito do fundador. E imediatamente sustenta que é “letra morta”, que “não vivifica”, e no fundo que não reflete o espírito do fundador.
Se os escritos e obras de Dr. Plinio fazem as vezes de Regra entre nós, são “letra morta” e “não vivificam”.
Em outros termos, JC sustenta que o espírito de Dr. Plinio não se aprende nos seus livros, mas na sua pessoa. Os livros de Dr. Plinio --portanto seus horizontes, seus pensamentos, seu feitio intelectual, seu modo de expor, etc.-- não refletem seu espírito. E quem ler, estudar e admirar as obras de Dr. Plinio, incorre num desvio. Os livros de Dr. Plinio só podem ser objeto de fruição, não de análise ...
As bases de JC adquirem o espírito de Dr. Plinio pela via “mística”. Note-se que nessa extensa enumeração, JC não cita nenhum livro de Dr. Plinio, mas o álbum que dizem que foi escrito por ele ... Isso condiz com a tese de que JC reflete mais o espírito de Dr. Plinio do o próprio Dr. Plinio.
*
União mística dos enjolrras e de Dr. Plinio com JC - Reunião na Saúde, 11/3/97:
(Aparte: É um sonho que eu tive com o senhor e queria comentar.)
Se for um sonho em que eu sou ruim, pode contar; mas se for um sonho em que eu faço o papel de bonzinho, cuidado! (1)
(Aparte: [Ininteligível]. E me disseram que o senhor havia ido a Genazzano. [...] Pedi ao Sr. Dr. Plinio que me desse a graça de estar com o senhor e, no dia seguinte, sonhei com o senhor (2). Eu telefonava para o senhor nos Estados Unidos, e o senhor explicava como se podia fazer apostolado. [...] O senhor ia dar um conselho e, no momento em que o senhor ia me dar o conselho, despertei...)
Então eu lhe dou o conselho agora. (...) Quando alguém é muito genial, com uma inteligência muito grande, uma compreensão espetacular sobre todas as coisas, é um conhecedor de todas as bibliotecas do mundo, é um homem muito preparado, muito formado, muito culto, este tem uma segurança em si mesmo, porque é uma pessoa formada, constituída. Não tem dúvidas, não tem insegurança nenhuma, é um homem que caminha pela vida como caminharia um tigre, um leão: com segurança, com força, porque tem força, tem conhecimento (3).
Mas quando alguém é muito débil, quando tem a cultura muito curtinha, seus conhecimentos são muito parcos, muito apequenados, como este deve proceder?
Às vezes é uma desgraça ser muito inteligente, porque a inteligência leva a pessoa a ter muito orgulho. Às vezes é uma graça a pessoa ter pouca inteligência, ter pouca cultura, pouco conhecimento. Porque então ela vai basear-se na fé; a fé é para ele uma luz que vai indicar o caminho que deve seguir (4).
Uma vez o Sr. Dr. Plinio me disse, em uma conversa: "Chegará o momento em que os índios da América do Sul brilharão como os grandes santos da Europa."
Então, o conselho que lhe dou não é que o senhor seja um homem muito culto, muito inteligente, cheio de estudos. Eu lhe digo: estude o que for necessário; saiba o que lhe convenha; conheça o que esteja ao seu alcance; mas, homem, [acima de tudo], seja santo. Aí está o conselho que o sonho não lhe deu. Outro.
(Aparte: Queria perguntar como devemos fazer para ter essa união mística com o Sr. Dr. Plinio, assim como tem o senhor.) (5)
Não, não, não. Não me tome como exemplo (6).
(Aparte: Mas como fazer para ter essa união mística?)
Ah, isso sim, de acordo.
(Aparte: E quiçá o senhor explique a união mística que tem o senhor com o Sr. Dr. Plinio.)
Que deveria ter, aí sim. Eu já dei o exemplo aqui uma vez. União significa colocar algo bem junto a outro algo. Quando dois algos estão bem juntos, eu digo: unidos. Minhas mãos, por exemplo, estão unidas, porque uma está quase que colada na outra. Assim estão separadas; assim estão unidas.
O que é união mística? União mística é mais ainda que [a simples] união: é quase que unidade. É como se essa mão pudesse virar essa; é uma unidade mística, é uma união que tende à unidade (7).
Mística aqui significa experiência prática, concreta. É eu sentir, no fundo da minha alma. Sentir mesmo, ter conhecimento, ter amor e sentir no fundo da minha alma (8) a pessoa, a mentalidade, o espírito, a doutrina, os anseios, os desejos, a vocação, a missão do Sr. Dr. Plinio. Quando eu tenho isto, dado pela graça, eu tenho com ele uma união mística (9).
Nós devemos chegar a esta união. Nós somos chamados, por vocação, a ter uma união com o Sr. Dr. Plinio que, olhando para nós, não nos reconheçam, vejam ao Sr. Dr. Plinio, como eu dizia na reunião de ontem.
Muitas vezes, em campanha, o pessoal que vem atrás de nós oscular a capa, o estandarte, etc., é porque eles recebem uma graça mística, por onde eles vêem em nós, não a nós, mas vêem em nós o Sr. Dr. Plinio.
De maneira que não pode, o eremita itinerante, ou o membro do Grupo, fazer esse juízo: "Bom, é porque ele ficou encantado comigo."
A única pessoa que pode ficar encantado comigo sou eu mesmo; mais ninguém. Ninguém mais tem capacidade de ficar encantado comigo. O encantar-se comigo é uma propriedade que só uno tem. Só este e mais ninguém (10).
(...) Então o senhor me pergunta: "Como ter essa união mística?" É simplíssimo: é crescer na admiração, vista ontem na reunião. Admirar o Sr. Dr. Plinio, admirar, admirar, admirar. Quanto mais eu admiro, mais a figura dele, mais as graças dele, mais o espírito dele vai passando para mim.
E eu vou sentindo, no fundo da minha alma, essa experiência que é mística. Está claro?
(Aparte: Mas como é a união mística que o Sr. Dr. Plinio tem com o senhor?) (11)
Precisa perguntar para ele. Se ele tiver alguma união mística comigo, precisaria ele dizer (12). Mas o senhor poderia querer saber se eu tenho anseio de união mística com o Sr. Dr. Plinio.
[Isso eu tenho] enorme! Eu quero chegar a poder dizer: "Já não sou eu quem vive, mas é o Sr. Dr. Plinio que vive em mim." Este anseio eu guardo no fundo da alma, e é crescente; não pára. Só pode parar a partir do momento em que eu possa dizer: "Já não sou eu quem vivo, mas é ele que vive em mim."
Comentários:
Em público, afirma que permite narrar sonhos em que ele aparece como ruim; e desaconselha os sonhos nos quais ele aparece como bonzinho. Na realidade, ai daquele que fale qualquer coisa em contra de JC! Fica marcado para o resto da vida como “fumaça preta”. E quem o prestigie, é aplaudido.
O rapaz não pediu para estar com Dr. Plinio, mas com JC. Dr. Plinio fez o papel de mediador, JC o de fim.
Afirmação inteiramente gratuita. Há muitos intelectuais inseguros.
O conselho acaba sendo o seguinte: fulano, não se guie tanto pela razão quanto pela “fé” –isto é, pela “mística”, pelos sonhos ...
A pergunta revela três teses que circulam nos ambientes joaninos: a) JC tem união mística com Dr. Plinio; b) para a pessoa obter a união com Dr. Plinio, precisa imitar a JC, e portanto unir-se a JC; c) unir-se a Dr. Plinio ou a JC, dá na mesma.
Mais uma amostra de sua hipocrisia. Perante a platéia, pede para não ser tido como exemplo. Mas na prática, ai daquele que não o tome como paradigma! Será tido como “sabugo”.
A definição de união mística, pelo teólogo JC, cheira a panteísmo.
Na mística joanina, a sensibilidade tem maior papel do que o entendimento e a vontade.
JC não fala de “participação na missão”, mas de “missão”.
São João Scognamiglio aconselha a auto-contemplação.
Aqui Dr. Plinio virou discípulo de JC.
Na resposta, JC não só não corrige o disparate que o pergunteiro acabou de insinuar, mas implicitamente concorda: pergunte ao próprio Dr. Plinio como é a união dele comigo ...
*
As palavras de Dr. Plinio tocam aos joaninos, mais hoje do que ontem, e mais indiretamente do que diretamente. Os joaninos conhecem a Dr. Plinio mais hoje do que ontem - "Jour-le-jour" 30/5/97:
(Edwaldo Marques: Há um trecho do Sr. Dr. Plinio -- infelizmente eu não tenho aqui, mas acho que todos conhecem -- em que ele diz que, em função do Reino de Maria, a presença dele continuaria.)
Que bonito isso!
(EM: E ele disse: "Caberá a vocês saber discernir a minha presença na terra". E acho que, nesse sentido que o senhor estava falando, e que o Sr. Pedro Henrique dizia também, as palavras dele, atualmente, têm um timbre diferente, carregado de alguma nota especial, movida pela graça, por onde nos toca mais, de uma certa maneira, do que tocava quando ele nos dizia a coisa diretamente.)
(...)
(Pedro Morazzani: A gente como que conhece o Sr. Dr. Plinio mais agora, nesses últimos dois anos, do que conhecia antes.)
Conversa de JC com eremitas de São Bento – Praesto Sum, 31/3/96:
Tudo o que [o SDP] tinha a dizer a cada um de nós, ele disse. Cada um de nós sabe quais são os defeitos que tem, cada um de nós sabe o que deve fazer, qual é o papel que deve desempenhar, cada um de nós sabe perfeitamente que desvios evitar, cada um de nós está inteiramente orientado por ele com palavrinhas individuais e não sei mais quanto a respeito de que caminho seguir. A TFP está organizada no mundo inteiro segundo orientação dada por ele em reuniões e reuniões de comissões, em reuniões e reuniões de grupos, pessoas que vinham a São Paulo e que tinham simpósios com ele. Tudo estava feito, ele não tinha mais nada que fazer.
Ele nos últimos momentos de vida dele, nos últimos meses de vida dele estava como um poder moderador. Ele servia como um moderador, ou seja, ele servia para unir isto com aquilo, para evitar tal confusão, para aproximar tal coisa, mas ele não tinha mais um poder diretivo a ponto de dizer: "Eu quero que tal grupo faça tal coisa, tal grupo faça tal outra". Ele não tinha uma direção ativa intensa, isso não. Ele resolvia as querelas, ele resolvia os problemas. É isso.
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"Jour-le-jour" 3/1/96 (realizado nos EEUU):
O próprio Sr. Dr. Plinio ele, profeta da Altíssima, ele, o varão da destra de Nossa Senhora, ele, portanto, um homem inerrante, etc., dizia: "Quando a Bagarre se aproximar, nós estivermos próximos da Bagarre, eu não farei mais previsões".
Eu li no auditório (...) um despacho dele com o Dr. Borelli, com o Sr. Dufaur e vários outros, em que ele pedia que fosse formada uma comissão de estudos para levantar as profecias todas feitas pelos santos a respeito dos dias atuais. Ele ia transformar as Reuniões de Recortes em comentários de profecias, porque ele achava que os recortes não davam mais para serem interpretados como antigamente.
Se ele estivesse entre nós, não adiantava perguntar a ele: "O que é que o senhor acha que vai acontecer este ano?". Ele diria: "Não sei".
Então, ficam alguns sentindo uma espécie de comichão:
- Ah, porque falta a Reunião de Recortes.
- Escute, a Reunião de Recortes estava nesse pé antes de nosso Pai e Fundador morrer. Ou seja, ele ia tomar as profecias e ia começar a comentar as profecias, não ia mais ler jornal, não adiantava, as coisas eram imprevisíveis. Nós agora estamos sem orientação, mas nós estaríamos sem orientação também com ele. No que diz respeito [a isto], estaríamos sem orientação tanto quanto ele.
- Ah, mas, enfim, a presença dele.
- O senhor vai me provar que a presença dele é muito melhor do que a ausência? Não me venha com “cuentos”, não precisa. O importante é que nós saibamos que o rumo nós não teríamos nem com a presença dele.
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A respeito disso, permita-se-nos corroborar uma hipótese que já levantamos em outra parte deste “dossier”:
Se Dr. Plinio continuasse vivo entre nós, mas nas condições em que --segundo o iniquo-- se encontrava antes do 3 de outubro de 1995 --isto é, sem ter “mais nada que fazer”, nem “poder diretivo”, nem capacidade para prever o futuro--; e se, por outro lado, JC está cheio de dons naturais e sobrenaturais; o golpe de Estado que JC fez contra a autoridade dos Provectos, ele o teria feito contra o próprio Dr. Plinio.
"Jour-le-jour" 24/9/95 (quase 15 dias antes do passamento de Dr. Plinio):
A maioria [de cooperadores], contrariamente ao que foi outrora, vendo a situação, as cenas, o que nós vimos ontem, por exemplo, na hora da comunhão, ou vendo outras cenas e sabendo do boletim médico como ele é, bem complicado, ficam com a impressão de que nós nos devemos preparar para o que há de pior.
Minha função qual é? Eu estou aqui para congregar os Srs. em torno de nosso Pai e Fundador. Sendo essa a minha função, eu sou obrigado a dizer aos Srs. o que eu já disse: não discutamos os meios, prestemos atenção nos fins. Preparemo-nos para tudo, tenhamos a alma preparada para o pior, desejando sempre o que há de melhor.
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"Jour-le-jour" 26/9/95 - JC comenta uma questão levantada por Dr. Plinio numa reunião de 29/1/67:
Como é que se prova que o Reino de Maria é irreversível, e que depois da Bagarre o Reino de Nossa Senhora voltará certamente?Nós não temos alguns argumentos de probabilidade para indicar, de acordo com a ordem natural dos fatos, que é verossímil que venha o Reino de Maria, que é mais provável, que é bem mais provável, que não venha depois dessa crise o fim do mundo no qual eu não acredito como desfecho dessa crise e creio apenas que virá muito mais tarde?
É a crença que nosso Pai e Fundador revela no dia 29 de janeiro de 1967, que não é o fim do mundo.Porque --é o que eu dizia-- aqueles que se voltam a discutir os meios e esquecem dos fins começam a atropelar-se a si próprio, começam a tropeçar, portanto, nas próprias pernas, e começam a defender teses erradas.
Houve gente que já afirmou: "Se aconteceu o pior, então já é o fim do mundo". É a tal história, estão querendo prestar atenção no meio. Não prestem atenção no meio (...) O que é certo é o fim, e o que é certo que nos une é o fim. Então, prestemos atenção no fim. (...) O fim interessa, o fim nos une. Se nós quisermos discutir os meios, formamos uma celeuma daquelas e nos desunimos.
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"Jour-le-jour" 26/9/95:
Num do dia 12 de agosto, o Sr. Meran afirma:
(A. Meran: O senhor sente mais próxima a "Bagarre" e a coisa quente, do que nunca, não?)
SDP: Claro! Mas de fato o nosso futuro, em matéria de Bagarre, é muito indeciso. O de vocês também.
(A. Meran: O nosso futuro é do senhor. Está ligado ao senhor.)
SDP: A gente não sabe como é que é.
Que profetismo, hein? Repito. É que o Sr. Meran queria insistir de que o nosso futuro está ligado ao dele. O que acontecer com ele, vai acontecer conosco. Portanto, nós caminhamos com ele, nas mãos dele. Era mais ou menos essa a idéia que o Sr. tinha, não é isso? Porque ele afirma: “Mas de fato o nosso futuro, em matéria de Bagarre, é muito indeciso”. Quando ele diz "o nosso" ele usa o plural majestático, porque logo depois ele diz: "o de vocês também." Portanto o "nosso" era o dele.
(A. Meran: O nosso futuro é do senhor. Está ligado ao senhor.)
SDP: A gente não sabe como é que é.
Ele mesmo não sabia, mas tinha uma desconfiança, senão não diria o que estava dizendo. Portanto, ele mesmo nosso Pai e Fundador, a respeito dos meios não recebeu uma revelação.
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"Jour-le-jour" extra 6/10/95 - JC parece querer colocar a seguinte premissa: “o corpo do SDP não é indispensável, é um meio; o que importa é a presença de seu espírito, isso sim é indispensável”.
Daí a afirmar “a pessoa do SDP é um meio, não é indispensável para derrotar a Revolução e instaurar o Reino de Maria; o que importa é que alguém possua seu espírito” há poucos milímetros.
Imaginem os senhores o seguinte, a situação contrária:Se ele [SDP] estivesse vivo em pessoa, mas o espírito dele tivesse desaparecido, as doutrinas todas que ele explicitou também evaporadas, e nós acordássemos uma manhã, o Sr. Dr. Plinio subisse aqui nesta cabina para fazer uma reunião e dissesse: "Meus caros, eu não sei o que lhes dizer, porque estou desassistido, estou sem meu espírito". (...) Ele estaria vivo? Não, ele estaria morto. Aí ele teria morrido, estaria morto.
Pior ainda: é que os senhores poderiam procurar a ele pessoalmente, como poderiam ir no túmulo da Consolação, como poderiam ir no primeiro andar, e os senhores não encontravam ele, mas estava vivo.
Então o que vale mais, é ter o espírito vivo, o corpo jazendo no Cemitério da Consolação e a alma na visão beatífica assistindo a cada um de nós? ou nós estarmos numa situação contrária bem terrível, tendo o corpo dele aqui falando, vazio?
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Poucos dias depois, JC sustenta que nem o próprio SDP tinha certeza de atravessar a Bagarre e entrar no Reino de Maria - Reunião na Saúde, 10/10/95:
Que [o SDP] podia morrer, ele levava muito em consideração, tanto que ele fez dois testamentos e deixou essa carta para os três mais velhos. Portanto, ele levava em consideração. E depois, todos os textos que apareceram provam isso.
Quer dizer, que ele soubesse que ia morrer em tal circunstância, isso já é mais difícil. Que era uma certeza absoluta de que ele iria morrer antes da Bagarre, também não é certo. Pode ser que não tenha acontecido. Que ele passaria a Bagarre e entraria no Reino de Maria, disso ele também não tinha certeza.
Ou seja, quanto ao futuro dele, a Providência o deixou no escuro. Não deu a ele uma clareza patente, luzidia, sem margem nenhuma a dúvida. Porque isto fazia com que ele se visse na contingência de ter que ir dando tudo, tudo, tudo, até o momento em que a Providência o levasse. E foi o que ele fez.
Portanto, quando ele dizia isto, ele dizia como uma hipótese que ele considerava seriamente, mas não tinha nenhuma revelação, não tinha nenhum discernimento profético de que fosse acontecer. Outras vezes, pelo contrário, ele nos estimulava à confiança de que tudo daria certo, de que nós chegaríamos ao cumprimento da missão, Nossa Senhora de Genazzano, etc. Mas não dizia como, por que meios.
E por isso é que já durante o período de doença dele eu dizia que nós não devíamos discutir os meios, mas devíamos fixar atenção nos fins. Porque os meios nem ele mesmo tinha claro. Se ele tivesse claro, ele teria dito.
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Reunião na Saúde, 10/10/95:
O que aconteceu com o oferecimento do Senhor Doutor Plinio e com o falecimento do Senhor Doutor Plinio foi que nesse momento não foi ele quem morreu, nesse momento morreu a Revolução. [Exclamações.] Então, quando as crônicas no Reino de Maria tratarem a respeito da história da morte da Revolução, elas dirão: "A Contra-Revolução nasceu no dia 13 de dezembro de 1908 e a Revolução morreu no dia 2 de outubro de 1995." [Exclamações.] Porque ela continuou alegre, satisfeita, desafiando e não sei mais quanto. Num determinado momento... poc! [Exclamações.]
Então ele cumpriu a missão dele. E nós vamos assistir a esse cumprimento e vamos nos beneficiar desse cumprimento, estamos nos beneficiando. Então a hipótese de, de repente, ele voltar, isso é só uma hipótese que a gente pode levantar. Mas de si não é necessário, hein! Necessário não é. A missão está cumprida.
Agora, é possível que ainda, no meio de um transe qualquer de Bagarre, nós o vejamos num fulgor, como se viu São Jorge embainhando a espada toda ensangüentada na tomada de Jerusalém (...) Pode acontecer, mas não é necessário! O que era necessário foi feito e nós temos de ter paciência para esperar a conseqüência.
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"Jour-le-jour" 28/12/95 (realizada nos EEUU):
Ele voltará? Eu não tenho nada escrito, nesse sentido. Mas eu quero apenas dizer o seguinte: pode acontecer.É preciso que ele volte? Pode ser que seja. Não sei. Tudo está nas mãos da Providência.
Encerramento de congresso de neo-cooperadores, 28/7/96, fala JC:
Depois desses dias extraordinários em que todos aqui conviveram em função de peças teatrais, em função de realizações, em função de apresentações, de exposições, de audiovisuais magníficos, onde o espírito do Sr. Dr. Plinio esteve presente de uma forma palpável e sensível, onde nós pudemos conviver praticamente quase que de forma física com nosso Pai e Fundador aqui... Ele estando na eternidade, está ainda muito mais próximo de nós do que se aqui estivesse fisicamente.
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Reunião para os veteranos, 26/3/96 - Referindo-se a uma hipotética aparição do SDP na Sede do Reino de Maria, na qual o SDP teria dito que o inverno estava chegando e que as folhas da árvore cairiam, etc., um joanino --aliás, muito prestigiado por JC-- parece sustentar que, mais importante que intervenções esporádicas do SDP nos acontecimentos, ou mesmo seu retorno definitivo, é fazer exercícios imaginários da presença do SDP. Tese que por sua vez parece significar que mais vale uma presença pneumática do SDP do que uma presença física dele:
(Araújo: O senhor me perdoe, eu sou um pouco cético no negócio, mas mais importante do que a aparição do Sr. Dr. Plinio, ou mesmo a volta dele, é nós o termos sempre presente e viver na presença dele.)
Ah, isso eu concordo.
(Araújo: Eu acho que, por exemplo, o senhor nos ensinar a fazer continuamente ações de presença do Sr. Dr. Plinio talvez nos prepare para acontecimentos maiores que nós esperamos. Quando o Sr. Dr. Plinio estava vivo a pessoa podia estar no mundo na lua e não estar unido a ele, agora mais ainda ele estando no Céu. Não sei...)
Mas sobre o ponto que levanta o Sr. Araújo, o Sr. Dr. Plinio sempre teve um ponto de interrogação na cabeça que em conversas aqui, lá e acolá soltava. Ele dizia:
-- Coisa curiosa, você já viu no Evangelho de São João, Nosso Senhor dizer aos Apóstolos que era preciso que Ele fosse para que assim pudesse enviar o espírito? Você sabe que eu não entendo o alcance disso? Por que é que é necessário que Nosso Senhor se vá? Por que é que Ele não ficou, Ele mesmo atraiu o Espírito Santo e se desse a vinda de Pentecostes sobre os Apóstolos com a presença dEle?
Eu fiquei com aquilo na cabeça e um belo dia por acaso, nessas leituras que a gente faz aqui, lá e acolá, eu abro a Catena Aurea neste ponto exatamente e São Tomás trata do assunto: (...) Os Apóstolos tinham uma idéia muito humana de Nosso Senhor, Eles não tinham compreendido a divindade de Nosso Senhor. (...) Diz, então, São Tomás apoiado nesses doutores, que Nosso Senhor tinha que desaparecer de diante deles, porque senão era impossível eles na figura de Nosso Senhor imaginarem, verem e compreenderem uma pessoa divina, e conjugarem a natureza humana dEle com a natureza divina, hipostaticamente unidas na segunda Pessoa da Santíssima Trindade. Era preciso que a figura dEle não estivesse diante deles, para que vindo o Espírito Santo pudesse operar no interior deles esse milagre que é o milagre da fé e pela fé eles passassem a compreender. (...)
De fato, nós vivemos com o Sr. Dr. Plinio, nós tivemos um convívio com ele, alguns mais intenso, outros menos, mas eu pergunto aos senhores, com toda a honestidade me respondam: os senhores acham que há alguém dentro do Grupo que tenha compreendido inteiramente quem é o Sr. Dr. Plinio?
Concordam comigo então porque eu também acho que não. Não há ninguém que tenha compreendido o Sr. Dr. Plinio da cabeça aos pés, não há ninguém que tenha aderido a ele da cabeça aos pés.
[A Sra. Da. Lucilia] o entendia, com algumas interrogações. Ele a entendia, sem nenhuma interrogação. (...) O senhor diz, por exemplo, fazer exercícios da presença do Sr. Dr. Plinio. Ela vivia constantemente com ele no mirante dela.
(...) Nas cartas da Sra. Da. Lucilia o senhor [NB: JC refere-se ao Araujo] vai encontrar uma que ela escreve para ele estando em Itaici. Ele foi passar um período em Itaici com padres, fazendo estudo num simpósio, e ela escreve a ele o seguinte: "Meu filho, de tanto pensar em você em Itaici, eu acho que já conheço a cidade de Itaici sem nunca ter pisado nela".
Sabe qual foi o comentário do Sr. Dr. Plinio? Ele disse: "Você sabe que eu acho que ela acabou conhecendo misticamente mesmo?".
Nós temos um exemplo. Esse exemplo para nós é fabuloso, não há exemplo melhor do que esse. Porque nós não temos discipulato perfeito entre nós, mas nós temos uma discípula perfeita. Então nós temos que imitá-la no que diz respeito ao amor dela por ele, e analisando muito a fundo como era o entranhado relacionamento entre ela e ele, nós devemos tomá-la como modelo e devemos estar constantemente voltados para ele, constantemente voltados para ele, constantemente nos lembrando dele e aprofundando nosso amor por ele.
(...) a vida dos senhores é ocupadíssima, a vida dos senhores é cheia de mil atividades, de mil coisas a serem feitas aqui, lá e acolá, mas se os senhores não tiverem pelo menos um certo momento do dia -- pelo menos um, para não dizer [que] se os senhores não passarem o dia inteiro nesse estado de espírito -- em que os senhores se recolhem, e os senhores metodicamente ou pegam um texto dele, ou pegam uma fotografia dele, ou começam a recordar convívios com ele, situações com ele, ou os senhores vão definhar na vida espiritual por mais que comunguem todos os dias, por mais que rezem o rosário, por mais que façam jaculatórias, por mais que leiam vida de santos. Não tem por onde.
De maneira que é preciso nós partirmos para o esforço e com o auxílio da graça, pedirmos muito, pedirmos muito. É preciso pedir muito a graça de que Ela nos dê um verdadeiro caudal, uma verdadeira torrente de graças no sentido de nós termos o espírito dele, de nós participarmos da sabedoria dele, estarmos unidos a ele. Ou nós pedimos isso com toda a ênfase, com toda a intenção, ou nada.
(...) Então, Sr. Araújo, o senhor tem razão. Não adianta o Sr. Dr. Plinio nos aparecer se nós continuarmos com a mesma mentalidade de antes. O que é preciso é haver essa mudança, mas essa mudança só se consegue por um auxílio da graça. E as graças atuais nós só conseguimos insistindo, pedindo, rogando, implorando, rezando. (...) Ao mesmo tempo fazer esforço, tomar o exemplo aí do Pe. Cabreros e dizer: "Olhe, minha inteligência pode ser falha, mas a minha vontade eu vou aplicar aqui a mais não poder. Eu quero, porque eu quero, e eu vos amo". Atos de amor, atos de amor.
(...) Eu tomo uma fotografia [do SDP] e uma fotografia de São João Bosco. A Igreja proíbe de comparar santos, mas não vocações: "Eu vejo em São João Bosco uma vocação extraordinária, mas eu vejo em vós uma outra ainda também que me fala muito mais à alma. São João Bosco tinha aquela atratividade em relação aos meninos e fazia aquele apostolado. Vós, senhor, atrais o mundo inteiro, ou repelis o mundo inteiro, porque vós sois uma pedra de escândalo".
Diga o que está no fundo da alma, manifestem os seus sentimentos de amor por ele, conversem com ele, conversem com a foto. Isto feito, relembra muito o convívio com ele e faz com que os senhores progridam.
*
Reunião para CCEE, 6/10/95, fala o usurpador:
[O SDP] para nós, fisicamente, morreu, mas o espírito dele está entre nós. E ainda hoje de manhã, na reunião aqui, eu dizia isto: Imaginem que se desse o contrário, que o Senhor Doutor Plinio estivesse vivo. Nós vivos como estamos, mas o Senhor Doutor Plinio entrasse aqui para fazer uma reunião para os que estão aqui, e dissesse: Olhem, eu lamento, mas eu estou desassistido do espírito que eu tinha, e eu não sei o que lhes dizer. Eu não tenho palavras. De modo que eu vim aqui apenas para dizer isso e me despedir. Até logo.
Seria um desastre! Nós nos sentiríamos massacrados.
Agora, imaginem que nós também nos sentíssemos vazios: Ah, que curioso, mas nós também não temos mais esse espírito. Olhe, quer saber de uma coisa? Vamos embora.
Está indo embora o Senhor Doutor Plinio por esta porta, nós sairíamos por aquelas todas, e acabou-se. E a obra dele tinha se desfeito. Por quê? Porque o espírito dele tinha ido embora.
Não aconteceu isso. Aconteceu que o corpo dele ficou inerte, a alma dele está na visão beatífica, mas o espírito está entre nós. [Aplausos.] O espírito dele está entre nós e nós sentimos...
*
Reunião para o setor operário, 26/4/96:
(E. Zacarias: Sr. João, acho que antes de começar queria fazer um agradecimento em nome de todos. Porque já desde a ida do senhor aos Estados Unidos, em que o senhor esteve (...) em plena doença, o senhor teve a caridade de se lembrar do pessoal aqui. Uma circunstância muito difícil para o senhor. Uma pessoa nessas condições não pensaria nos outros, pelo contrário. O Sr. não pensou em si, mas pensou em nós. O apostolado tem andado, graças a Nossa Senhora. Tem frutificado muito. Mas temos certeza de que o Sr. vindo aqui, frutificará muito mais ainda. [Aplausos] É muito simbólico que o Sr. possa ter vido aqui no dia de Nossa Senhora do Bom Conselho. [Que é] Nossa Senhora da promessa de Genazzano, etc. Trazer aqui para nós, personificar no Sr. o espírito do Sr. Dr. Plinio. Aonde o Sr. vai, o Sr. leva o espírito do Sr. Dr. Plinio. [Aplausos] Não seria muito bom que eles começassem a reunião sem fazer essa homenagem ao senhor, e a nosso Pai e Fundador que nos deu o senhor.)
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"Jour-le-jour" 15/9/96:
(G. Martins: Sr. João, até a volta de nosso Pai e Fundador -- de uma forma ou de outra, ou ressuscitado, ou com o "Grand-Retour", ele voltará, já está entre nós (...)
O joanista quer dizer que Dr. Plinio “já está entre nós” também fisicamente?
*
Reunião na Saúde, 23/4/96:
(Kaeser: Sr. João, por ocasião das cerimônias da Sra. Da. Lucilia, no ano passado, houve a projeção do audiovisual e o Sr. Dr. Plinio após a projeção disse que durante o mesmo havia pensado num filho dele muito querido que estava doente. E no final das palavras dele, ele disse: "Bem, meus filhos, até o ano que vem". E não há como negar que nestas cerimônias ele está aqui presente. Não há como negar que...)
Mais do que no ano passado. [Exclamações]
(Kaeser: Então eu gostaria de perguntar ao Sr. onde o Sr. achou que ele esteve mais presente e como o Sr. percebe que ele pensa no Sr., que ele reza pelo Sr. O que o Sr. sente [inaudível] presença do Sr. Dr. Plinio.)
Ouviram a pergunta? Sedeas. Ele está perguntando o seguinte: ele disse que o ano passado foi feita uma cerimônia no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, durante a qual foi passado um audiovisual sobre a Sra. Da. Lucilia e depois deste audiovisual ele disse umas palavras. Ao dizer essas palavras, ele se referia a alguém que estava fora, que estava longe, e que ele tinha pensando durante a cerimônia muito nesta pessoa que estava longe.
No final da cerimônia ele ainda diz: "Bem, meus caros, até o ano que vem, se Deus quiser, até a próxima cerimônia no ano que vem".
Se ele, que é um homem profeta e a voz dele é inerrante, prometeu estar no ano que vem nas cerimônias, então ele esteve presente na cerimônia do dia 20, 21, 22 e 23.
Então ele pergunta onde é que eu mais senti a presença do Sr. Dr. Plinio nesses dias todos, e pergunta também como é que se dá na minha sensibilidade a percepção de que o Sr. Dr. Plinio, à distância, estando na eternidade, me assiste, me ajuda, me protege, me ampara, me ilumina.
Quando faleceu a Sra. Da. Lucilia passou-se um fenômeno muito curioso com o Sr. Dr. Plinio. (...) De repente ele está na cama, o Dr. Duncan entra no quarto dele numa manhã do dia 21, domingo, e diz com aquela formalidade carioca dele: "Sr. Dr. Plinio, se o senhor quiser pegar Da. Lucilia nos últimos momentos de vida, o senhor tem que vir depressa".
Ele se agarrou nas muletas, saiu correndo e quando chegou lá ela já tinha feito o sinal da cruz, ele já não a pegou mais com vida. Chorou como criança, ele osculava as mãos dela, osculava o braço dela, osculava a testa dela, e no meio dos soluços, no meio do choro, ele dizia: "Mamãe me ensinou a amar a Santa Igreja Católica, mamãe me ensinou a amar a Nosso Senhor Jesus Cristo".
(...) Quando começam a preparar o corpo da Sra. Da. Lucilia para levá-lo ao salão rosa, onde ia ser celebrada a Missa de corpo presente e dali ela partiria para o cemitério, ele foi se aprontar. Ele foi para o banho, foi se trocar, e quando ele estava pondo a gravata diante do espelho ele sentiu uma coisa meio misteriosa, uma paz de alma colossal: "Mas que coisa, eu devia estar quase que desesperado, eu devia estar segurando minha alma para não cair no desespero com a morte de mamãe e eu sinto essa paz. De onde vem essa paz?".
E essa paz o acompanhou até o momento da morte dele. Foi uma paz de que ela não o abandonaria.
Se o senhor perguntasse a ele: "Sr. Dr. Plinio, o senhor podia dizer qual é o momento que o senhor mais sente a presença da Sra. Da. Lucilia?", ele diria: "Olhe, meu filho, é difícil dizer, porque eu a sinto o dia inteiro, em todos os momentos. Não há momento em que eu me apanhe pensando o seguinte: Bem, agora mamãe está longe de mim".
Ele lhe diria isso.
Eu sou obrigado a responder quase com as mesmas palavras: eu não sinto que ele não me protege, [Exclamações] eu não sinto que ele não me ajuda, eu não sinto que ele esteja longe de mim, eu não sinto que ele se esqueceu de mim.
O senhor dirá:
-- Bom, mas há certos momentos em que o senhor sente mais ainda do que em outros.
-- Aí não tem dúvida, mas não há um só momento em que eu me sinta longe dele.
(...) eu sinto ele constantemente presente para qualquer parte que eu vá. [Exclamações]Depois o senhor me dirá:
-- O senhor sente ele mais presente no túmulo? O senhor sente ele mais presente no primeiro andar?
-- Eu o sinto presente em todos os cantos.
*
Grafonema para o Sr. Walmir Bertoletti - Torre da AngélicaRem: José Mário - Lisboa, 25-6-1997Caríssimo Sr. Walmir,(...) Temos podido acompanhar, seja por vídeo seja por textos, as magníficas reuniões que o nosso caríssimo Sr. João Clá têm feito. Realmente elas são espectaculares e nota-se - até simplesmente pela leitura dos textos - uma presença e uma acção ultra especial de MSS. Realmente é preciso ser cego (ou louco) para não ver aí uma graça que a Providencia nos deu com vistas a suprir a ausencia de Nosso Pai e Senhor. Pobres daqueles que resolveram fechar os olhos para estas evidencias...
"Jour-le-jour" 22/9/97:
Eu encontrei uma narração feita por ele [SDP], muito próxima desse acontecimento [NB: a graça de Genazzano], feita em outubro de 70 (1). Portanto, menos de três anos do ocorrido. E ele vai então dizer o que se passou com ele quando ele recebeu a estampa.
(...)
O sofrimento foi a ponto de eu ficar doente, foi antes de eu receber a graça de Nossa Senhora de Genazzano. E era o receio de que por faltas minhas [Nossa Senhora] deixasse o Grupo de lado.
Ele não diz que ele deixaria de cumprir a missão dele; ele está dizendo aqui:
E era o receio de que por faltas minhas deixasse o Grupo de lado. É claro que sei que estou em estado de graça, etc., mas a questão é a seguinte: há aquela famosa visão de São Domingos para Dom Bosco, onde Dom Bosco vê no céu São Domingos Sávio, que havia morrido antes dele e que vinha de encontro a ele, com coros cantando, etc., e Dom Bosco perguntou a ele:
- O que significa isso?
- São as inumeráveis almas que o senhor conseguiu para Deus.
- Mas se eu fosse mais fiel, teria salvado mais almas, não é verdade?
Disse São Domingos para Dom Bosco:
- Isso é bem verdade. Aqui está o prêmio pelas que vós salvastes...
Eu poderia raciocinar, sem heresia branca: "Será que talvez por não levar as coisas até onde devesse levar comigo mesmo que se dá tudo isto?"
Quer dizer, era a situação do Grupo que o preocupava, era o destino do Grupo que o preocupava. E ele, então, a partir daí se punha o problema de ele poder dar mais.
Isto me dava tal pesar dentro do Grupo, dentro da crise deste, que cheguei a adoecer. Contemplando a imagem de Nossa Senhora de Genazzano, não senti nada que fosse resposta a esta pergunta, mas senti que qualquer resposta que fosse dada a esta pergunta, Ela levaria o Grupo para frente.
Então, a graça de Genazzano foi uma promessa de Nossa Senhora de Genazzano a ele, de que Ela levaria o Grupo para frente (2). E é Nossa Senhora de Genazzano!
Aí me foi possível continuar a carregá-lo, sem adoecer, porque senão, eu adoeceria de novo e morreria.
Eu não vi, em nenhum outro lugar, ele exprimir-se com tanta precisão quanto está aqui. É possível que apareçam ainda outros textos, mas aqui está muito claro (3).
(Intervenção do Sr. Araújo durante o "jour-le-jour": O senhor não poderia repetir, e fazer nexo com aquela pergunta... [Inaudível]?)
No Hospital [alemão] ele disse: "Se eu tivesse claro só um ponto...! Se um ponto só ficasse claro para Seu Senhor, estava tudo resolvido." E o ponto justamente é esse: se não havia alguma falha qualquer dele, que o estava levando à morte, antes de chegar a Bagarre. É o que eu imagino. Pode ser que seja outra. Aí é opinativo também. O que explicava a morte dele? Será que era o oferecimento que ele tinha feito, e Nossa Senhora queria levar isso até às últimas conseqüências, e levar-lhe inclusive a vida? Se fosse isso, ele estava satisfeito, e entregava de bom grado. Mas será que havia alguma falta? Se isso ficasse claro para ele, estava tudo resolvido.
Mas é que essas coisas não ficam claras para quem fez algum oferecimento! Se ficarem claras, o sofrimento desaparece!
(Sr. Araújo: Então, o senhor poderia repetir essa frase?)
Sim, repito:
E era o receio de que por faltas minhas deixasse o Grupo de lado.
Porque "houve falta da parte dele", então Ela vai acabar com o Grupo (4). Esse era o tormento dele.
É claro que sei que estou em estado de graça, etc.
Quer dizer, ele não cometeu falta mortal nenhuma; mas ele podia ter sido mais perfeito e não foi: é o drama de todo santo. Todo santo tem esse drama. Só mesmo aqueles que não são santos é que se julgam uns colossos. [Risos] O colossismo é o oposto da santidade. O santo, quanto mais ele se torna perfeito, pelo fato de ele perceber que ele poderia dar mais do que está dando, ele então julga que há algo de imperfeição nele. E essa imperfeição então traz como conseqüência que o Grupo não era o que deveria ser. E daí o tormento dele.
Ele conta a história de São João Bosco, e depois diz:
Eu poderia raciocinar, sem heresia branca: "Será que talvez por não levar as coisas até onde devesse levar comigo mesmo que se dá tudo isto?"
Então: "Será que eu, posso dar mais, ser mais perfeito e não sou? Será que não é esta a causa de o Grupo não ser o que deveria ser? E a minha ordem de cavalaria que não se constitui?!"
Isto me dava tal pesar dentro do Grupo, dentro da crise deste, que cheguei a adoecer. Contemplando a imagem de Nossa Senhora de Genazzano, não senti nada que fosse resposta a esta pergunta (5), mas senti que qualquer resposta que fosse dada a esta pergunta, Ela levaria o Grupo para frente.
Quer dizer, foi uma comunicação mística de Nossa Senhora a ele, dizendo: "Não se preocupe; confie, porque Eu levarei o Grupo adiante, aconteça o que acontecer."
Aí me foi possível continuar a carregá-lo, sem adoecer, porque senão, eu adoeceria de novo e morreria.
Veja como Nossa Senhora pega uma pessoa em um ponto de estrangulamento, reergue, auxilia e toca para frente. O Grupo nunca fez tantas campanhas e se jogou tanto para frente, como depois da doença... à custa de um regime que me desola, mas vai.
O resto não tem mais relação com o tema. Pronto. Bem, agora nós temos...
(Hélio Silva: Naquele prefácio do Sr. Dr. Plinio no livro de Nossa Senhora do Bom Conselho, ele não afirma que ele teve a persuasão de que ele não morreria sem cumprir a missão?)
É capaz. O senhor dizendo agora, me vem à mente; diz isso, sim. Alguém tem aqui o livro de Mater Boni Consilii? Só em cima? O senhor vai pegando, enquanto a gente trata de outro assunto. Mas acho que sim.
Mas o senhor vê que é curioso, porque se, de fato, no livro, nesta carta, ele disser isso (que ele cumpriria a missão dele) (6), o senhor vê que existem então dois olhos para analisar o assunto de Mater Boni Consilii a Genazzano: um é a promessa que Nossa Senhora faz a ele de que ele cumprirá a missão; outro é a promessa que Nossa Senhora faz a ele de que o Grupo irá adiante. Mas nesta conversa que está próxima a 67, ele mostra o quanto o tormento dele, em relação ao Grupo, é grande. E ele não põe em dúvida o cumprimento da missão dele. [Chega o livro.] Vamos ver aqui.
Prefácio de nosso Pai e Fundador ao livro "Mater Boni Consilii":
Em dezembro de 67, tendo eu 59 anos de idade, fui acometido de violenta crise de diabetes. Daí resultou uma gangrena no meu pé direito, o que levou o cirurgião incumbido de meu a caso a fazer a amputação dos quatro artelhos menores. Tal medida não foi tomada sem hesitação, pois receava ele fundadamente que essa gangrena se propagasse pelo pé, tornando então necessária uma amputação bem mais ampla.
Em tal caso, não seria preferível proceder de vez a essa amputação maior? Continuei hospitalizado sob inspeção médica. Ora, sucedera que algum tempo antes desses fatos, eu me pusera a ler, incidentemente, o livro “La Vierge Mère du Bon Conseil”, de Mons. George Dillon.
E durante a leitura experimentava em minha alma uma sensível consolação. (...)
Desde 1960 era eu Presidente do Conselho Nacional da Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade. Circunstâncias que não vem a propósito mencionar davam-me a certeza de estar nos desígnios da Providência que essa entidade realizasse uma larga ação no Brasil e em toda a América do Sul, e ainda nos demais continentes, em prol da Cristandade.
Quer dizer, ele tinha um pressentimento que a obra dele iria se expandir.
De outro lado, estava eu certo de que meu falecimento, naquela conjuntura, acarretaria a ruína do esforço que começava a vicejar com vigor,...
Ou seja, confirma o que ele diz em 70. Quer dizer, que ele portanto, atingido pela doença, morrendo naquela ocasião, a obra dele se esboroaria. E esse era o tormento dele, durante a doença.
De outro lado, estava eu certo de que meu falecimento, naquela conjuntura, acarretaria a ruína do esforço que começava a vicejar com vigor, e que eu desejava ardentemente levar a cabo, para a maior glória de Nossa Senhora, antes de morrer.
Ele queria completar a obra dele, queria fazer com que a TFP crescesse, se expandisse, se fortificasse.
Daí um estado de verdadeira ansiedade a propósito das incertezas da minha situação clínica e cirúrgica.
Mas era em função da TFP. Está aqui, inclusive na carta, que nós lemos e eu mesmo tinha a interpretação que o senhor deu agora, quando o senhor lembrou esta carta. Ou seja, de que o problema era se ele cumpriria ou não a missão dele.
De fato, tem-se razão, porque se trata da missão. Mas é a missão circunscrita na ereção da TFP, enquanto uma ordem espalhada pelo mundo inteiro, uma ordem em combate à Revolução.
Deixa eu ver se não tem mais nada.
Olhem aqui:
Ela [a estampa] me confortava e me incutia na alma, não sei como, a convicção de que a Santíssima Virgem me prometia que eu não morreria sem ter realizado a obra desejada, o que me invadiu de suavidade a alma. Hoje em dia conservo intacta essa convicção. E, pelo favor de Nossa Senhora, essa obra tem prosperado admiravelmente, autorizando a esperança de que alcance sua meta.
Quer dizer, o cumprimento da missão dele é que a TFP alcance a meta que ele propôs. Está claríssimo (7).
(...) Então, está aí uma reunião completamente fora do que os senhores imaginavam. Eu também não imaginava essa reunião. E assim, os senhores têm uma novidade dentro de algo muito importante para a nossa vocação (...)
Comentários:
O subtítulo do trecho que JC vai ler é o seguinte: “O sofrimento de nosso Pai e Fundador durante a doença de 67 - A promessa de Nossa Senhora de Genazzano é que Ela levaria o Grupo para frente”.
Ao longo dos anos de “apostolado” interno desenvolvido por JC, ele se caraterizou por ser o mestre da “arte” de “sublinhar” as palavras de Dr. Plinio, isto é, de não entendê-las num sentido literal. Então por exemplo, cada vez que nosso Pai dizia “a vocação do Grupo é tal”, “a mentalidade do Grupo é tal outra”, “a união com o Grupo”, etc., devia-se “traduzir” a palavra “Grupo” por “Plinio”. Mas essa regra era válida até ontem. Ao ditador já não convêm manter essa exegese. Resta saber o que se entende por “Grupo” hoje, nos ambientes infectados pela peste joanista.
JC elogia e coloca este texto (que ainda está por ver-se se não foi adulterado por ele) acima de todos os outros textos onde Dr. Plinio disse, com suprema clareza, que a graça de Genazzano diz respeito ao cumprimento da vocação dele.
Quer dizer, a vida de Dr. Plinio desenvolver-se-ia em função do Grupo ... não o Grupo em função de Dr. Plinio. No centro não está Dr. Plinio, mas o Grupo ... Teses que hoje rejubilam a JC, mas que ontem o teriam escandalizado.
Pode se desconfiar que JC tenha adulterado o texto no qual está se baseando. Pois em inúmeras reuniões Dr. Plinio contou ter sentido qualquer coisa que atendia a essa preocupação. Por exemplo o MNF 26/4/89:
Na graça de Genazzano houve apenas o seguinte. No momento em que aquela imagem se manifestou a mim, eu senti algo como se a fisionomia dela tivesse mudado, e Ela tomasse aquela atitude fisionômica como resposta a uma preocupação que eu trazia dentro de mim: que era exatamente se eu, apesar de meus defeitos, conseguiria realizar a minha vocação. Então, o sorriso - mas, não era um sorriso no papel do quadro, e sim como Ela faz [em Genazzano] - acompanhado de uma doçura e de uma espécie de certeza que continha em si uma espécie de deleite delicado e suave do apoio constante dEla.
JC não tem certeza que essa interpretação é verdadeira?
Se é assim, por que então JC quer destruir a TFP?
*
Telefonema para o Grupo do Uruguai, 23/9/97:
(Manuel Burone: Salve Maria! Sr. João Clá. Sabe que queriamos tomarle el pulso un poco a la Contra-Revolución (1), preguntandole a ver si podia comentar alguna cosa de los últimos pensamientos, de las últimas reuniones, que se pueda decir por teléfono).
(...) Las reuniones han sido muy bendecidas, por ejemplo llegamos ayer a una conclusión impresionantisima, porque hasta el presente momento nuestra idea era diferente. Nosotros haciamos una concepción a respecto de la gracia de Genazano muy diferente a la realidad (2), nosotros juzgamos que el SDP habia recibido una comunicación de la estampa de Nuestra Señora, en el sentido que él cumpliria la misión de él, o sea él veria la Bagarre y fundaria el Reino de Maria directamente (3).
(Fenomenal!) (4)
No es eso no, la gracia de Genazano quedó muy patente inclusive por la carta que escribió para la revista del santuario de Genazzano y por una reunión del 70 (?) queda patente un aspecto que nunca nos habia pasado por la cabeza. Es que él en el 67 estaba muy provado por la situación del Grupo, él estaba afligido pensando que el Grupo iba a acabar, iba a hundirse y entonces la gran aflicción de él, no era que él no cumpliria la misión de él, era que el Grupo desapareciese.
(Impresionante)
El mensaje de Nuestra Señora de Genazzano para él, fue en el sentido de que no se preocupase que Ella llevaria al Grupo a cumplir el fin (5).
(Fenomenal! Impresionante!) (6)
(...) entonces vean que cosa curiosa, la gracia de Genazano está mucho más ligada a nosotros, de lo que nosotros imaginabamos (7).
(Fenomenal!)
(...) El problema de él, es que sentia de que podia morir en aquel momento, en aquel transe y con eso el Grupo se hundiria, esa era la gran probación de él.
Comentários:
Para Manuel Burone, JC personifica a Contra-Revolução.
A concepção joanina da graça de Genazzano é “muito diferente” da concepção pliniana. É isso mesmo, tem toda razão.
Está bem formulada a concepção pliniana da graça de Genazzano: Dr. Plinio cumprirá sua missão, lutará na Bagarre e fundará o Reino de Maria diretamente.
Os membros do Grupo do Uruguai escutam a concepção pliniana da graça de Genazzano e vibram de alegria.
Aí está a concepção joanina da graça de Genazzano: a grande aflição de Dr. Plinio não era a respeito do cumprimento da vocação pessoal dele; mas a respeito do Grupo; então, a mensagem de Nossa Senhora para Dr. Plinio era: o Grupo não desaparecerá, Ela levará o Grupo a cumprir “o fim”. Quer dizer que a derrota da Revolução e fundação do Reino de Maria não seriam operadas diretamente por Dr. Plinio, mas através “do Grupo”? Nesta hipótese, como JC se considera o chefe do Grupo --se não ‘de jure’, pelo menos ‘de facto’--, a conclusão é: JC derrotará a Revolução e fundará o Reino de Maria.
Os membros da “tfp” uruguaia ouvem a concepção joanina da graça de Genazzano e novamente vibram de alegria. Mas um minuto atrás também se alegraram ao escutar uma concepção “muy diferente” da concepção joanina! Ou seja, JC disse uma coisa, e eles gritam “fenomenal!”; JC depois afirma algo muito diferente, e eles também gritam novamente “fenomenal!” Isso não indica um espantoso apagamento do ‘lumen rationis’?
Entre a tese “a graça de Genazzano está muito mais ligada a nós, do que nós imaginávamos”, e a tese “a graça de Genazzano está mais ligada a nós, do que a Dr. Plinio”, há apenas um milímetro de distância, que conforme evoluir “o fervor” de suas bases, JC poderá sustentar amanhã.
*
"Jour-le-jour" 25/9/97:
Reportemo-nos à reunião de Segunda-Feira; lembremo-nos do que ele, Sr. Dr. Plinio, disse a respeito da "Graça de Genazzano" que até segunda-feira, para nós, tinha uma focalização completamente diversa. Pelo menos para mim; era possível que algum dos senhores no auditório tivesse já aquela formulação. Eu não a tinha.
E vou dizer mais. Eu quando preparei os textos - eu não cheguei a confessar isso de público -, eu quando preparei os textos, eu não cheguei à conclusão que foi tirada na reunião. Portanto, eu julgo que a reunião não foi feita por nós, a reunião foi uma mensagem dele para nós, para nós compreendermos o quanto a obra dele é importante também. Então, ficou patente aos nossos olhos, de que a grande provação dele não era que ele viesse a morrer, e que ele portanto ficasse com uma missão X, Y, Z truncada. Era que ele morrendo naquele ano de 67, a obra dele se esboroaria. Esse era o problema.
*
"Jour-le-jour" 12/10/97, parte II:
Nós vimos aqui que a graça de Genazzano era ele ter certeza de que a obra dele, a TFP, ia chegar ao fim.
"Jour-le-jour" 6/10/96:
Trata-se de uma palavrinha aos venezuelanos no dia 12 de setembro de 1981, diz ele:
(...) eu estou supondo uma graça tão grande na aurora do Reino de Maria que ela brilha por si... [Filiais objeções.] Bem, eu não sei, de fato, como é a economia da graça. Pode ser que a Providência dê essa graça tão grande que não precise de um homem, como pode ser que não seja.
Ele está levantando hipóteses, eu acho que ele vai estar presente, isso é outra história. Mas não vai estar presente como nós imaginávamos que estaria presente, [vai estar presente] de uma forma muito mais gloriosa.
Reunião de JC, no Praesto Sum, 24/3/96:
Nós às vezes, por espírito tacanho, ficamos com a impressão que o Sr. Dr. Plinio não cumpriu toda a sua missão e que morreu antes de ter cumprido toda a sua missão.
Espere, o Sr. Dr. Plinio cumpriu a missão dele. O que tem é que muitos dos planos que ele possuía, estes planos vão se realizar ao longo dos séculos. Mas não que ele tenha falecido sem ter realizado a missão dele e que, portanto, ele faleceu na juventude ou na infância dele. Não é verdade.
*
Reunião para os veteranos, 26/3/96:
(Kallás: O Dr. Duca se empenhou muito para que o Sr. Dr. Plinio conseguisse andar, o senhor se lembra?)
Me lembro.
(Kallás: [...] Ele calcula que tenha sido 84 para 85. O Sr. Dr. Plinio foi perguntar para ele se havia possibilidade de operar mesmo, onde é que seria, aquela coisa toda. E chegou a essa conclusão: que havia uma operação a ser feita na cabeça do fêmur, mas que a prótese duraria no máximo quinze anos, senão dez anos. Diz o Sr. Duca que o Sr. Dr. Plinio parou e disse: "Bom, dez anos me basta para cumprir minha missão".)
Que bonito. Foi em 85, 95, impressionante.
(Kallás: "Com dez anos eu cumpro a minha missão".)
Esse depoimento é impressionante. Se o Sr. Duca pudesse me fazer um relato, diga a ele que eu seria imensamente grato, porque é um documento histórico de primeira categoria.
Por que será que JC ficaria “imensamente grato” se lhe conseguissem esse documento? Que interesse tem nesse sentido?
*
Reunião no ANSA, 27/7/97, feita por Martini, ideólogo da seita:
Posta a morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, nós temos a redenção dos homens. Os teólogos distinguem redenção objetiva e redenção subjetiva.
O que é a redenção subjetiva?
Tinha havido o pecado original, Deus tinha ficado ofendido com isso, era preciso aplacar a cólera de Deus, era preciso matar a morte. A redenção objetiva aplaca a Deus, apaga o pecado e obtém a graça.
A redenção no sentido subjetiva é a aplicação dos méritos de Nosso Senhor Jesus Cristo aos indivíduos, aos povos, às instituições, e por aí afora.
Morto Nosso Senhor Jesus Cristo, objetivamente falando todos os homens, todos e cada um, estão redimidos. Objetivamente falando.
Subjetivamente falando, é preciso que o missionário vá, é preciso que o apóstolo vá pregar, é preciso que a pessoa aceite a pregação, é preciso que haja quem reze para que ela aceite, sofra para que ela aceite. Não é instantâneo; o que é instantâneo é a redenção objetiva. A outra não é instantânea, tanto que o paganismo continuou.
Nosso Senhor não redimiu os homens? Imediatamente acabou o paganismo? Não.
Quer dizer, estava maduro o mal, vem Nosso Senhor Jesus Cristo, redime os homens, e o paganismo continua. Até hoje ainda tem pagãos.
Como é que se resolve então, estão os homens redimidos ou não estão? Morto Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus está aplacado, o pecado está pago, a graça está merecida. Agora depende da questão subjetiva, e aí não depende só dos homens, depende de Deus também. (...) no que diz respeito aos Apóstolos: Nosso Senhor morreu, eles receberam imediatamente o Espírito Santo? Não receberam. Eles vão receber muito depois.
A Ressurreição foi três dias depois da morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, a ascensão quarenta dias depois -- não foi na hora, saiu, está tudo redimido, vai embora para o céu e acabou -- e Pentecostes cinqüenta dias depois. Pentecostes para ele é o que nós chamamos de algum modo para nós o Grand-Retour.
A morte de Nosso Senhor Jesus Cristo encerrou o Antigo Testamento, acabou o Antigo Testamento. A partir do momento que Nosso Senhor morreu, do peito aberto de Nosso Senhor Jesus Cristo dizem os Padres da Igreja que nasceu a Igreja Católica. A Igreja Católica é o Novo Testamento.
Como encerrou o Antigo Testamento, há uma espécie de ajuste de contas de Deus com os homens. É um Testamento que encerra, é um ciclo histórico que encerra, é uma era histórica que se encerra.
Então nós temos de um lado o Pentecostes para a era nova e para aqueles que não queriam a era nova o castigo, em conseqüência de não terem querido aceitar a vida. Os senhores vão ver a destruição de Jerusalém, que é a bagarre do povo judeu. A destruição de Jerusalém vai ser trinta e sete anos depois só que Nosso Senhor morreu. Aí vem a destruição do Templo e a dispersão, a diáspora, o povo judeu que é expulso da terra dele e há dois mil anos estão peregrinando por essa terra, efeito do castigo. A bagarre que caiu em cima deles perdura até hoje. Mas isso aconteceu trinta e sete anos depois da Redenção objetiva.
(...) civilização [cristã] não começou ali imediatamente. Nós vamos ter lá pelo ano 1000 mais ou menos a Civilização Cristã, a Idade Média, que é o fruto de Nosso Senhor Jesus Cristo temporal. (...)
Não estou dizendo que o Sr. Dr. Plinio é semelhante a Nosso Senhor Jesus Cristo, que é igual a Nosso Senhor Jesus Cristo. Semelhança sim, porque christianus alter Christus, sempre tem algum aspecto por onde é semelhante, mas não estou falando nada de igualdade nem nada disso. E se houver alguma coisa que estiver errado aí eu retiro. Estou fazendo uma tentativa de explicação.
(...) Eu creio no profetismo do Sr. Dr. Plinio, creio que ele vai realizar a obra dele, estou diante de um muro, tenho fé, procuro explicar essa fé. Essa é a tentativa que o criado fez para si e ofereço para os senhores se servir para alguma coisa. Se não servir, os senhores digam e nós vamos corrigindo, trocando ou mudando.
(...) o Sr. João aqui --ainda uma vez de público eu tenho que agradecer, de minha parte pelo menos, agradecer a ele-- , em vários textos que ele leu aqui, nas reuniões ele chegou a afirmar que com a morte do Sr. Dr. Plinio estava liquidada a Revolução! Sinceramente eu fui dormir com uma interrogação na cabeça. Não que eu duvidasse, porque ela está morta mesmo. Mas como "tudo continua como dantes no quartel de Abrantes?" Como é que é isso?
(...)
[Fui] lendo um livro de teologia a respeito da questão da redenção objetiva e da redenção subjetiva que me parecia que a gente tinha um instrumental para trabalhar a coisa daqui, para tentar explicitar algo do mistério que nós estamos.
Agora eu deixo de lado e vou passar à coisa do Sr. Dr. Plinio.
Ele [Nosso Senhor Jesus Cristo] só pelo fato de nascer já tinha feito o ato de virtude imenso, que era capaz de resgatar os homens. Mas Deus Nosso Senhor não quis, Ele queria que fosse a paixão e a morte por um desígnio dele.
Na conversa com essa pessoa, às tantas eu disse para ele:
-- Mas o ato de virtude imenso o Sr. Dr. Plinio pôs na hora do falecimento.
-- Não, o Sr. Dr. Plinio desde pequeno pôs o ato de virtude.
Pode ter posto. O problema é saber qual é o momento em que Nosso Senhor queria esse ato completo. A Providência exige todas as circunstâncias.
Por exemplo, a Redenção tinha que ser no Gólgota, Nosso Senhor crucificado, ser transpassado. Tudo isso tinha sido profetizado e a Redenção só estava realizada quando tudo isso se completasse.
A gente pega textos do Sr. Dr. Plinio e a gente vê que embora ele tenha textos dele onde a gente vê que ele pôs o ato de virtude imenso o tempo todo, a gente vê que a coisa consumada se consumou com a morte dele.
Mas naquela perspectiva que nós vimos, quer dizer, dada a adesão que ele deu à Igreja, a volta dele para a Igreja, nos termos em que essa volta foi feita, uma vida inteira consumada do jeito que se consumou, ali é que parece que estaria completa a missão dele. É sobre esse aspecto que eu digo cumprida a missão dele.
Quer dizer, a cólera divina no que toca à Revolução está aplacada, o pecado está pago, a graça está obtida, agora é preciso a aplicação disso daí.
(...) Objetivamente falando, a morte dele [Dr. Plinio] é o que faltava. Está completado o sacrifício.
Ele faz numa fita uma pergunta: "Quem é que terá mãos suficientemente puras para sacrificar na pira esse ídolo à Revolução?", quer dizer, para ser o como que sacerdote para sacrificar esse ídolo.
Dá a impressão a mim que a morte dele foi essa ocasião. Quer dizer, ele pela morte dele apunhalou, sacrificou a Revolução, está morta. É a impressão que dá.
Ou será que nós vamos ter que ver o Sr. Dr. Plinio voltar para sofrer de novo, passar por tudo o que passou?
Usando deste instrumental, objetivamente falando, sob esse aspecto do objetivo, como a Redenção estava realizada, Deus estava aplacado, a graça obtida, aqui também a mesma coisa no tocante à Revolução. Pelo sacrifício dele, ele aplacou a Deus, neste sentido apaga o pecado e é a fonte da vida, é o princípio da vida futura que há.
Em matéria de Contra-Revolução, no que diz respeito à ordenação que nós estudamos, a coisa objetivamente está feita. Subjetivamente é o problema.
Agora entra coisa. Os senhores vejam aqui, objetivamente a Redenção estava realizada, mas o Pentecostes foi depois de cinqüenta dias. Por que é que não foi na hora? Depois, a destruição de Jerusalém trinta e sete anos depois, não foi na hora. E a Civilização Cristã mil anos depois.
O fato de a gente dizer que objetivamente a Revolução está morta, eu acho que está morta. Agora, subjetivamente falando, o paganismo, continua, por exemplo, na África e na Ásia há regiões que até hoje ainda são pagãs. Terminou o mal de fluir o rio da maldade? Não parou.
-- Se a Revolução morreu, então não pode estar viva aí fora.
Vamos com jeito, cidadão. Talleyrand dizia que a política é a arte das nuances. (...)
Subjetivamente, então, tem muita coisa por fazer ainda. Como aqui foi encerrado um testamento, uma era histórica, aqui também, com a morte do Sr. Dr. Plinio, foi encerrada também uma era histórica. É preciso de um acerto de contas como foi lá, de uma graça nova para essa ascensão.
Então o Sr. Dr. Plinio é a fonte da vida, essa graça que nós esperamos para nós que está faltando, isso nós chamamos Grand-Retour, temos que esperar ainda. É o aspecto subjetivo, senhores.
Posta a morte, nós temos objetivamente a Revolução derrotada, porque Deus está aplacado do pecado de Revolução, a graça está obtida, a vida está obtida, e agora é a questão subjetiva: é Grand-Retour e a Bagarre.
A questão não fica encerrada aí. Então isso é para nós e ele fica lá? Não, não vejo porquê.
(...) Abraão era um homem de tal fé, que tinha certeza que Deus ia cumprir a promessa, que se ele matasse aquele jovem, esse jovem ressuscitaria. E a interpretação não é de teólogos não, a interpretação é de São Paulo, que diz assim: “Ele pensava que Deus é poderoso até para ressuscitar alguém dentre os mortos”. [Aplausos]
(...) Nós sabemos que o Sr. Dr. Plinio era um homem de fé, e era um homem de fé extraordinário. Será que naqueles momentos que nós não sabemos que mistério se passou entre ele, Deus e o demônio, ele não fez um tal ato de fé ali dizendo: "Deus é suficientemente poderoso até para ressuscitar alguém dentre os mortos e eu cumpro minha missão depois de passar pelas morte"? [Aplausos] Parece-me que não há contradição entre dizer que de um lado ele cumpriu a coisa e de outro lado tem coisa por fazer. (...)
Está terminado, senhores, a próxima vez vai ser a ida para o deserto. Nós vamos entrar no deserto depois de uma caminhada dessas.
Mas eu não sei se me fiz explicitar bem, me explicar bem. Como eu digo aqui, foi a partir de uma afirmação do Sr. João que a Revolução estava derrotada. E depois eu também achava isso, que estava derrotada mesmo. Mas, por outro lado, como é que as coisas continuam assim, como explicar?
Pareceu-me que essa questão aí de redenção objetiva e subjetiva dá o instrumental para a gente. Pelo menos para mim eu estou meio satisfeito até aparecer outro melhor.
*
Reunião no ANSA, 11/8/97, fala Martini:
O Sr. Guy me mandou um grafonema nos seguintes termos:
Somente agora pude tomar conhecimento da magnífica reunião que o sr. fez (dia 28 de julho), elucidando a questão do cumprimento da missão do Sr. Dr. Plinio, com o "instrumental de trabalho" da Redenção objetiva e subjetiva.
Lembrei-me de algo que talvez fosse de seu interesse tomar conhecimento.
Em certa ocasião, em várias reuniões seguidas do MNF, o Sr. Dr. Plinio desenvolveu a tese de que "pelo simples fato de ter sido suscitada a CR [sublinhar] por Deus, a R estava derrotada.
E é verdade. Quer dizer, é claro que o complemento disso, como eu disse, tenho impressão que foi no ato da imolação dele. Usei também o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo, que podia ter redimido os homens pelo nascimento dEle, um ato de vontade dEle em qualquer momento. Deus quis que fosse na cruz que fosse feito o sacrifício dEle, mas os outros atos junto com esse foram co-redentores. Encarnação, vida, paixão, morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, tudo isso contribuiu para a Redenção. Faz um unum, a vida dEle é um unum.
A partir do momento em que Deus resolveu mandar Nosso Senhor Jesus Cristo para a terra, o anjo desceu, anunciou a Nossa Senhora e o Verbo se encarnou, o pecado original estava liquidado de um certo modo, não estava? Essa liquidação ia se consumar na cruz, mas já estava selado.
Assim que o Sr. Dr. Plinio por vontade de Deus foi concebido, começou o fim da Revolução, começou a derrota da Revolução. Por quê? Porque Deus determinou: "Nasceu o homem que vai pôr, vai pôr mesmo e está acabado, está encerrado o expediente".
A partir do momento em que a Divina Providência tinha tomado a determinação de criar aquele que era suscitado para combater a R, esta estava encerrada!
O Sr. João gosta muito da doutrina dos fundadores. Uma das mais bonitas que eu achei lá foi essa daqui: que o fundador é um plano vivo de Deus para uma determinada época histórica. E alguns teólogos não só usam a palavra "plano", mas usam um termo que para quem conhece o vocabulário teológico diz muito: forma Dei. É uma espécie de forma de Deus.
Deus querendo fazer uma determinada coisa para uma determinada época manda aquele homem que vai dar forma para todo o resto. A partir do momento que Deus determinou isso --isso Ele determinou desde toda a eternidade, mas a partir do momento que isso começa a ser cumprido, que esse homem nasceu--, pronto, está começado a dar forma, está liquidado o outro mal.
Isto parece muito com a extinção objetiva" da R, que o sr. expôs no auditório.
Não no sentido de se extinguir mesmo e acabar, porque o mal não vai acabar. Enquanto não vier o fim de mundo não se extingue nesse sentido de acabar o mal. O mal vai permanecer até o juízo final, até a morte do último homem. Mas é a derrota da Revolução tão radical quanto possível.
Estes MNFs não foram gravados.
Foi o Sr. Gregório que transmitiu de viva voz. Então telefonei ao Sr. Gregório e pedi para ele se ele podia ver se conseguia pelo menos um desses MNFs, o resumozinho que deve certamente conservar com ele. Ele fez a bondade de mandar e é o que eu trouxe para encerrar a reunião aqui. (...) Agora vem as notas que o Sr. Gregório fez disso que não foi gravado.
Eu acho que o murchar da Revolução se deve à presença na Terra de uma fidelidade inteira contra o pecado imenso, porque o assunto, pela primeira vez tomou essa dimensão.
É preciso distinguir: 1) Por desígnios da Providência, o fenômeno Revolução nunca tinha sido visto por inteiro;
2) Uma vez visto, não se vê quem tenha mantido uma fidelidade inteira.
Na Comunhão dos Santos houve pela primeira vez uma insurreição de um homem contra a Revolução.
Por que isto pesa para murchar a Revolução? Pesa no sentido de uma doação completa.
Foi a partir dessa doação que esse homem começou a agir. Mas o murchamento deu-se independentemente dos efeitos da ação.
Ele derrotou a Revolução pelo fato de ter aparecido aí e de ter posta a doação que foi pedida para ele. Posto ele e posta a doação, a coisa está encerrada, objetivamente o assunto está encerrado. Subjetivamente é outra conversa (1).
Nossa Senhora quis que aparecesse essa pessoa com dotes para isso. Pela primeira vez Nossa Senhora intervém na História mandando o embaixador dEla. O grande fato novo é a entrada dEla na História.
DEla, não é? É Ela mesmo, porque foi Ela que suscitou, mas o suscitado é ele. O grande fato novo é a entrada dele na História, esse é que é o negócio.
Podemos tomar um exemplo com a pureza. São João Berchmans, São Luiz Gonzaga, Sto. Estanislau foram eminentes na virtude da castidade. Muitos outros poderão ter sido castos, mas estes santos levaram a castidade a um tal ponto, que independentemente da ação concreta deles, eles podem ter esmagado a imoralidade, de modo a que ela não teve mais o empuxe que tinha antes de eles aparecerem.
No caso da Revolução, houve algo de Nossa Senhora, que se esse homem até o fim lutar, será a vitória dEla.
Não foi sem significação que o documento de São Pio X sobre Sta. Joana d'Arc tenha sido em 13 de dezembro.
Começa então a ação de Nossa Senhora a desenvolver-se através desse homem. E a cada minuto ele vai se perguntando se está fiel.
Pois depende da atitude dele tornar eficaz essa vitória de Nossa Senhora.
Eu não estou negando o valor da luta. 70 anos de luta, Nossa Senhora não pode permitir que sejam irrelevantes. Luta importando muito trabalho, muito esforço. Não se pode dizer que isso seja irrelevante. E de luta intensa, séria. Seria imperfeito que ela não tivesse efeito para atingir o objetivo.
Tem-se que dizer: o resultado fundamental de minha pregação é a criação das TFPs, a denúncia profética da autodemolição e da fumaça de Satanás na Igreja, e a denúncia da sociedade temporal como causadora do mal na sociedade espiritual.
Isto tem que ter um efeito relevante. Mas o essencial é a presença no panorama.
JC: O Prof. Martini quer que eu faça alguma observação. (...) nessa trilogia de ação do Sr. Dr. Plinio, ele ressalta um quarto ponto que é a presença dele dentro do panorama. Isso é inegável. Com ele no panorama, as outras três podiam ser dispensadas. (...) É evidente que é indispensável nós conhecermos a "RAQC", conhecermos o "Em Defesa", conhecermos sobretudo a "RCR", o livro da nobreza e vai daí para fora. Mas sobretudo o que expulsa a Revolução de dentro de nós é tê-lo dentro da alma.
Depois [nessa trilogia] é interessante que ele coloca a criação da TFP antes de tudo (2). Se a ação de presença dele é mais importante do que a ação, também a continuação da ação de presença dele nos filhos dele é mais importante do que as outras ações. (...)
Para entendermos o que se passou com a Revolução, temos que comparar a situação como estava nos anos 20 e agora, para medir o efeito.
Qual é essa diferença de situação? Ao longo desse período passaram-se três coisas distintas:
1) Gradual deperecimento da garra da Revolução na sua doutrina e no seu empuxe;
2) Não houve progressivamente o aparecimento de um movimento contra-revolucionário, mas esse movimento apareceu como eco de uma fidelidade inicial e fez a denúncia profética por inteiro;
3) Declínio da Revolução na ordem concreta dos fatos.
De que importância pode ter sido a TFP para isso? Para medir essa importância, temos legitimamente o direito de ver a TFP segundo os termos de nossa doutrina, em oposição à doutrina dos jornais.
Segundo os jornais, trata-se apenas de duas correntes que se entrechocam, em que uma (a progressista) faz recuar a outra (mais conservadora). Os jornais negam o fracasso da Revolução. E sobretudo negam que a Revolução vive de amolecer e combater a Igreja.
Ora, a Revolução tem, no combate para liquidar a Igreja, o seu ponto principal de ação. São Pio X, quando nasci, fez essa denúncia no passado. Do meu nascimento até a minha morte o que vemos o tempo inteiro se desenvolver é essa luta dentro da Igreja. E nós "scienter et volenter" víamos isto inteiramente.
Logo, o mais importante não é saber se na Suécia o socialismo progrediu. O mais importante é saber: no ponto chave, na Igreja, como está? A meta do adversário era ter infiltrado e morto a Igreja.
Denunciado por São Pio X, o modernismo foi para seus antros. E renasceu mais tarde, e foi aí que nosso grupinho teve oportunidade de ver isso. Estávamos na Martim e víamos (3).
Diante do presente declínio da Revolução, se nós não estivéssemos no panorama, poderia discutir-se a causa desse declínio. Nós estando, não se pode discutir. O tamanho e o despliegue que obtivemos é suficiente para vencer, deste lado. A Revolução, não matando a Igreja, morre ela.
Seria preciso que a Contra-Revolução fosse suficientemente visível para os que quisessem vê-la. Portanto, essencialmente foi posto o obstáculo ao plano do adversário quando ele estava no seu auge, porque o ataque à Igreja é o plano do adversário na sua maior violência.
O golpe de morte teria sido dado agora e neste momento teriam se reunido todas as condições para liquidar a TFP. Não liquidou, e mais ou menos no tempo do pós-Concílio, a estrutura temporal da Revolução se "éfondre". Então ela já não está mais no auge da sua ofensiva. Tentaram e não conseguiram.
Mais ou menos no pós-Concílio desabam os países comunistas. Isso tem um significado enorme:
Com o término da última grande guerra, fizeram nos países comunistas um canteiro só deles, onde os elementos tradicionais de contra-revolução não podiam entrar. Só ficou lá a I.O., mas estrangulada. Fizeram lá o campo privilegiado de sua experiência.
Pois bem, foi lá que eles desabaram.
A Revolução continua forte, mas o apogeu passou. Na curva da Revolução, eles deixaram de subir e passaram a descer.
Eu quero esclarecer que isso não se afirma tanto do fracasso material nos países de detrás da Cortina de Ferro. É diferente! É o seguinte: o laboratório humano imenso que fizeram para forçar as almas a ficarem revolucionárias, esse laboratório fracassou.
Tivemos simultaneamente um outro fenômeno no Ocidente. A revelação do fracasso do comunismo na Cortina de Ferro projetou no Ocidente a imagem do fracasso e produziu o fracasso deles aqui. E o fracasso da ação deles nas almas, aqui, faz com que não saiam do lugar.
Uma vez que estão assim, e não andam, e não há nenhum sinal de que andem, pode-se conjecturar que eles fiquem na seguinte situação:
1 - Psicologicamente, na Rússia, a 3a. Revolução dá num pasticho;
2 - Como o mundo esteve habituado, até agora, a viver em função do problema comunista russo, o pasticho de lá pode dar num pasticho aqui e afundando cada vez mais.
3 - Enquanto isso, a 4a. e 5a. Revoluções vão progredindo.
Acontece porém que as várias Revoluções são geradas pelas que as antecedem (a 2a. foi gerada pela 1a; a 3a. pela 2a. e assim por diante). Se na última existente (a 3a.) há um pasticho, tem que haver um pasticho naquelas que estão sendo geradas (4a. e 5a.).
Se não houvesse esse pasticho, eles preparariam o desenvolvimento da 4a. como prepararam a Sorbonne.
Não há entusiasmo nascente para a ecologia e para o miserabilismo.
É a primeira vez na história das Revoluções que eles têm que lançar 2 Revoluções sem entusiasmo. O que eles encontram diante de si é o marasmo.
E nós não iniciamos a denúncia dessa situação, exatamente porque só encontramos marasmo. Também é a primeira vez que a TFP se levanta só encontrando marasmo diante de si e um ódio que vai sendo cada vez menos um ódio das massas e cada vez mais um ódio das panelinhas revolucionárias.
Quem quiser ter idéia desse marasmo faria bem em ler a C.A. do atual Oinegue. É uma borradela que vai para frente e para trás.
Eles sabem porém que se quiserem ir para frente em meio ao marasmo faremos a denúncia profética. Mas essa denúncia será feita para um povo marasmático, que não quer aceitar o que eles querem anunciar.
Dentro desse povo, a denúncia das enormidades que eles querem realizar, vai encontrar que ecos? Não os ecos de parede firme que responde o som à altura, mas de parede úmida, de consistência diferente pouco conhecida, onde a acústica se exerce através de modos incógnitos.
Agora ele desvia o assunto e passa para outro tema. É muito bonito o texto, não é? (...) Só resta o que o Sr. João lembrava aqui, que é nós voltarmos para ele, que é a fonte da Contra-Revolução. Essa é a graça do Grand-Retour para nós e é para a sociedade temporal também.
Comentários:
O problema é que, para os joaninos, a “extinção subjetiva da Revolução” não será feita por Dr. Plinio, mas por JC --ao qual denominam “Josué da Lei e da Graça”.
O resultado fundamental da pregação de Dr. Plinio é, em primeiro lugar, a criação das TFPs. O resultado fundamental da ação e da pregação de JC é a destruição da TFP.
É precisamente contra esse grupo inicial de membros da TFP que JC dirige seus ataques.
"Jour-le-jour" 10/8/97:
(Raul de Corral: Para completar, por assim dizer a "Bagarre" para o Sr. Dr. Plinio começou no desastre. Em certo sentido foi desde o desastre até o falecimento do Sr. Dr. Plinio.)
Nós vamos precisar ouvi-lo propriamente a propósito desse assunto, porque em outras ocasiões ele afirmou que a Bagarre teria começado em 1943. Quer dizer, quando começou mesmo a Bagarre nós não sabemos. O que é certo é que a Bagarre tem uma fase auge que é uma fase vermelha, que é uma fase de demônios, e essa está por começar. Lágrimas, miraculoso aviso. Aí vêm as lágrimas de Nossa Senhora do Bom Sucesso.
Agora, pode ser que, de fato, numa data ele apareça e diga: "A Bagarre começou dia 3 de fevereiro de 1975". Pode ser. Ele dirá o porquê.
Enquanto isso é uma opinião sua, poderá ser opinião de outros, mas é matéria opinativa. Não há uma lei, não há um texto, não há algo que diga que é assim.
(Raul de Corral: E o "Grand-Retour" em certo sentido teria começado também à raiz do desastre.)
Pode ser, pode ser. Mas para isso tudo precisamos de uma palavra bem clara e definitiva.
Em relatório de 5/5/98, narra o Sr. Paulo Emílio de Carvalho que, durante sua estadia no Rio de Janeiro (maio a setembro de 1996), “numa ocasião, os mais novos da Sede do Rio, presentearam à dupla [de coleta de donativos] uma fotografia do SDP, ao lado do Sr. João Clá, com comentários do SDP a respeito da sucessão --segue uma cópia em anexo--, fazendo uma clara ligação do comentário com a fotografia. Doutor Jorge E. Curi também me ofertou uma xerox colorida do Sr. João Clá, (...) segundo ele, para estimular a devoção ao referido”.
O texto que figura nessa fotografia é o seguinte:
Meu caríssimo filho:
No fim de um retiro, a 4 de março de 94, Seu Senhor dizia essas palavras:
‘Acreditar e confiar no que a vocação nos diz: Deus não mente. Deus me falou, e se Ele prometeu que isto se passaria de tal, tal e tal outro modo, a coisa se passará assim’.
‘Como será? Não sei. Se eu morrer sem que a coisa se tenha passado, eu morrerei em paz, porque Deus não mente, e de algum outro modo isto se realiza. Comigo morto, algum sucessor meu vai terminar minha batalha, e eu não verei a glória da minha luta, mas eu verei nas mãos de Deus na hora de ser julgado, os frutos da minha luta e do meu sacrifício. A minha vida terá que dar certo’.
Mas conforme o texto do "jour-le-jour" 11/6/96, essas palavras foram ditas por Dr. Plinio referindo-se a um padre imaginário; e o “sucessor” aí, não é de Dr. Plinio, mas desse padre:
(O primeiro parágrafo figura entre colchetes no original)
[Depois de contar o episódio narrado por São Luís Grignion de Montfort de um padre acusado injustamente de uma desonestidade e que é relegado a um fim de mundo no completo abandono o SDP diz]:
Como operava a virtude da confiança no interior desse homem, para ele conservar a serenidade de alma? Como considerava ele sua própria situação, durante esse período de ostracismo?Ele a via da seguinte maneira:
Tendo recebido a vocação sacerdotal, esta lhe dizia, no íntimo de sua alma, que ele teria coisas de alcance e de importância para fazer. Cabia a ele acreditar e confiar no que sua vocação lhe dizia, e pensar: "Deus não mente. E se Ele me prometeu que isto se passaria de determinado modo, a coisa se passará conforme Sua promessa. Como será? Não sei. Se eu morrer sem que a promessa se tenha cumprido, morrerei em paz, porque Deus não mente, e de algum outro modo isto se realizará. Comigo morto, algum sucessor meu terminará minha obra. Eu não verei a glória da minha luta, mas verei nas mãos de Deus, na hora de eu ser julgado, os frutos de meu labor e de meu sacrifício. A minha vida terá dado certo."
Mais ainda, o joanino que redigiu o texto que aparece nessa fotografia, além de adulterar o sentido das palavras de Dr. Plinio, desobedece diametralmente o conselho dado nesse retiro de 4/3/94 --é preciso confiar e não se revoltar, sob pena de embarcar no jogo do demônio:
A virtude da confiança está extraordinariamente ligada ao momento presente por que passa o Brasil, o mundo e, sob algum ponto de vista, a própria TFP.
A fim de bem compreender como a questão da confiança se põe especialmente no momento atual, devo considerar que o processo revolucionário, em vias de passar da Vª para a VIª Revolução, está abandonando toda espécie de ideologia e de doutrina, para entrar em contato direto com o demônio, e assim arrastar a Humanidade inteira à perdição. (...) Nas atuais circunstâncias, porém, o modo pelo qual o demônio nos ataca, já não é tanto pela doutrina, e sim pela situação embaraçosa que ele nos cria, e pelos resvaladeiros nos quais pretende ele precipitar nossa luta.
(...) Certa vez, um membro do Grupo me procurou, e disse ter estado com um médico, o qual lhe advertira de que, dentro de alguns anos, ele estaria fisicamente inutilizado. E que seria até melhor ele voltar para a casa dos pais, a fim de não pesar inutilmente na TFP.
Eu tive uma espécie de susto com a estúpida idéia desse médico, e disse ao membro do Grupo:
- Mas, meu filho, você não compreende que, inútil e resignado, podem-se-lhe aplicar as palavras sublimes de Nosso Senhor: “Sicut ovis qui ad occisionem ductus est, non aperuit os suum?” Como a ovelha que é levada para ser morta, não abriu a boca, não gemeu, não protestou, assim Ele também foi trucidado. E a sua inteira resignação, meu filho, seu completo silêncio, o abraçar esta vacuidade e dizer: “Ó santa vacuidade, cheia de méritos, eu vos quero porque sois a cruz que Deus me deu”, nesta vacuidade você é um verdadeiro benemérito, e é um ornamento do Grupo. Aceite essa vacuidade e você será mais eficaz do que muitos e muitos outros.
Contudo, pode ser que Deus queira, de outra alma, uma atitude diferente:
"Eu lhe fiz um apelo, chamei-o, e agora você está ameaçado da perda de seus melhores desejos. Apesar de sua doença parecer incurável, Eu quero que você confie no seu restabelecimento. Espere receber um dinheiro que o possibilite de ir a Lourdes, e que ali você se cure."
Esse ato de confiança é tão virtuoso quanto o é a resignação do outro que não sarará. E nisso não há contradição, porque Deus quer das várias almas que Ele cria, frutos de bom odor, mas odores diferentes.
Nas cerimônias de adoração ao Santíssimo Sacramento, canta-se o “Panem de caelo praestitisti eis, omne delectamentum in se habentem”: "Vós destes a eles um pão vindo do Céu, que contém em si todos os sabores".
Ora, a virtude católica é um pão vindo do Céu, que tem, conforme a alma, um sabor ou outro. E o conjunto das virtudes católicas é como um pão do Céu que contém todos os deleites.
Assim, tanto glorifica a Deus aquele pela sua resignação, quanto este pela sua fabulosa inconformidade, esperando o impossível, confiando em sua miraculosa cura.
De um e de outro, Nosso Senhor deseja que confiem, embora em bens distintos. De ambos, porém, espera Ele que nunca se deixem abater pelo desânimo ou pela revolta; nunca abandonem o verdadeiro caminho que, num caso ou noutro, é o da confiança.
Grafonema de Francisco Nun’Alvares, para Roberto Ferronato:
Eremo Nossa Senhora del Rosario de Lepanto, 12/8/96
Estimado D. Roberto, Salve Maria!
(...) Afinal não é mais preciso trazerem-me o Leão da capa, nem o distintivo, pois o próprio P. Jacob já me deu o que ele sempre usou, aliás, ninguém consegue olhar para ele sem ver um outro Plínio Corrêa de Oliveira! De tal forma que temos conseguido guardanapos usados por ele (1) e por P. Fran. Palau, lençol e até já pedimos a benção!!! ... (2)
O senhor nem imagina as bençãos que estão neste êremo! A imagem de Nossa Senhora parece estar viva. Os quadros: ENORMES parecem falarem-nos com um olhar no qual nós vemos novamente a Promessa: eu venci o mundo!
(...) O quarto de P. Jacob é super abençoado, tenho rezado lá todos os dias (...).
Já ouví tantos SANTASSOS DO DIA que parece estar ouvindo a Voz do Profeta dia e noite! (3)
Todos nós estamos muito animados ... quem não ficaria diante de 2 santões espetaculares?
Pedi já de tudo a P. Jacob: jaculatórias, luz primordial, defeito, conselhos, bençãos (...)
Comentários:
No que consistirá a “veneração” tributada pelos joaninos a esses “guardanapos usados”? Em osculá-los? Em princípio, oscular guardanapos novos, não tem problema; mas oscular guardanapos usados por outrem, é repugnante.
“P. Jacob” e “P. Fran. Palau” são nomes codificados de JC? Ou será que nas fileiras joaninas há mais “santos”, tão veneráveis quanto JC? Esta segunda hipótese parece a mais provável, porque JC esteve presente no 15/8/96 em S. Paulo; “P. Jacob” pode ser Pedro Paulo; e “P. Fran.Palau” seria Fernando Gonzalo.
Ao ouvir fitas de “Santos do Dia”, a pessoa escuta a voz de Dr. Plinio. Ao ouvir “Santaços do Dia”, a pessoa “parece estar ouvindo a Voz do Profeta”. Quer dizer, o homem que faz esses “Santaços do Dia”, é alguém cuja voz é considerada muito semelhante à de Dr. Plinio.
*
A propósito do aniversário de Pedro Paulo Figueiredo, Maria Ruiz de los Paños compôs a seguinte canção:
Muy agradecido (bis)
queremos cantar
a Don Pedro Pablo (bis).
hoy felicidad
Al huésped divino (bis)
que es fuente de amor (bis)
pedimos le habite
y llene de fuego
su gran Corazón.
Ven con tus dones!
Ven Espíritu Santo!
transformale.
Haz de él un templo
donde agradados
moren los Tres.
Felicidades
felicidades de corazón
le deseamos y le ofrecemos
nuestra oración.
Que el Dr. Plinio,
Doña Lucilia y
Don Juan Clá
sean su faro (bis)
en ese andar.
Nuestra Señora
sea su fuerza
al caminar
por esa senda
oscura y cierta
de santidad.
Por sua vez, no 27/6/98, os “membros do Grupo” da Espanha organizaram um “Concierto especial de San Pedro y San Pablo”, apresentando a “fanfarria San Pedro Armengol” .
*
Entre novembro e dezembro de 1999, Lofrese, ex integrante das fileiras joaninas, contou que no Canadá as “relíquias” de Marcos Faes são veneradas, mas não tanto quanto as de JC, pois lá, na Sede, é frequente trocar duas do primeiro por uma do segundo.
"Jour-le-jour" 26/9/95:
Engana-se aquele --e eu acredito que dentro do Grupo não haja ninguém com essa idéia, eu imagino isso fora, porque fora já ouvimos perguntas e mais perguntas-- engana-se aquele que julga que haverá dentro da TFP uma sucessão.
*
"Jour-le-jour" extra 6/10/95:
Na nossa situação atual trata-se de tomar a direção imprimida por ele [SDP] e seguí-la. Por isso é que eu digo que não há sucessor, não existe. Sucessor do quê? pois se já está dado o rumo, pois se ele já fundou, se ele já indicou. Há alguém que vai dar um rumo novo? Então esse alguém é sucessor. Sucessor não existe.
Quem der um rumo novo faz as vezes de sucessor. Ora, JC está dando, não só um rumo novo à TFP, mas um rumo frontalmente oposto ao desejado pelo SDP --por exemplo a aliança com a Estrutura.
*
Reunião para CE, 4/11/95:
[Após o falecimento do SDP], a obra dele, como fica? Qual vai ser o dia de amanhã de toda a herança que ele nos deixou? Como continuar sem ele? Que devemos fazer nós para que o entusiasmo que ele nos concedeu, que ele nos conferiu, esse entusiasmo não diminua, mas aumente? Ele não deixou ninguém como substituto dele, ele não deixou nenhum sucessor, não há quem, entre nós apesar de haver gente de muito valor, como a direção e como os provectos que estão aqui à minha esquerda. Apesar [de eles] serem pessoas de muita categoria e de muito valor, eles, creio, serão os primeiros a reconhecerem que não têm estofo suficiente para fazer o papel que fazia o Senhor Doutor Plinio. Não tem ninguém que tenha herdado o discernimento dos espíritos dele, tal qual ele possuía; não há ninguém que tenha herdado a sabedoria dele; não há ninguém que tenha a grande virtude; que seja movido pelos dons do Espírito Santo como ele era movido.
*
"Jour-le-jour" 28/12/95 (realizado nos EEUU):
Alguém poderia dizer: "Esses dons todos do Sr. Dr. Plinio, em bloco, não passaram para ninguém".Respondo: Se fosse para os dons todos do Sr. Dr. Plinio passarem para um outro, dir-se-ia que ele não foi necessário. Poderia tanto ser ele quanto outros. Então, não houve necessidade de haver um homem chamado Varão da Destra de Maria Santíssima, Fundador do Reino de Maria, que fosse assistido por uns dons especiais.
*
"Jour-le-jour" 1/1/96:
(J. Ubbelohde: Estive lendo Holzhauser, é sumamente interessante. Tem coisas que são evidente para o Sr. Dr. Plinio, é evidente. Como se vai cumprir tudo isso, ele vai ressuscitar? Porque é evidente que se refere a uma pessoa assim... enfim, isso não é uma mentira, são graças que Deus deu a essas pessoas para ver isso, não é? Então como é que se cumpre?)
(...) nós não sabemos exatamente o que vai acontecer e como vai acontecer. Mas há algo do nosso thau que nos diz que este é o homem e que não pode haver outro.
Portanto, como será? Tem ressurreição, não tem ressurreição, ele reaparece, ele vem com a força da alma dele dentro da visão beatífica? Isso eu não sei, eu não tenho elementos. (...) O que a vocação pede de nós é que nós tenhamos uma noção clara de que é ele e uma adesão de alma inteira de que é ele. (...) Mas nosso thau é firme, ele diz: "É ele".
*
Reunião na Saúde, 30/4/96 - O discípulo nunca é maior que o mestre:
Essa história de dizer: "Fulano de tal que nasceu em tal ordem superou o fundador no tal século", é mentira, porque o discípulo nunca é maior que o mestre.
Mas uma semana antes, nesse mesmo local, perante o mesmo público, JC insinuou que ele poderia superar a Dr. Plinio, pelo menos em alguns pontos: “o senhor pega São Vicente Ferrer, por exemplo, fez muito mais milagres do que Nosso Senhor, nem comparação. São Pedro começa a ressuscitar gente, começa a fazer coxo andar em maior quantidade do que Nosso Senhor Jesus Cristo. Os Apóstolos e depois os santos que vieram no futuro fizeram mais milagres do que o próprio Nosso Senhor” (Cfr. Reunião na Saúde de 23/4/96).
*
Reunião para CCEE, 1/5/96:
Eu estava dizendo outro dia no automóvel para alguns que me acompanhavam o seguinte: é uma ilusão querer julgar que no Grupo juntando este, com aquele, com aquele outro, com mais aquele, há possibilidade de fazer tudo o que o Sr. Dr. Plinio fazia. Eu não digo já em matéria de qualidade, eu estou dizendo em matéria de quantidade apenas, não é qualidade.
*
“Jour-le-jour” 5/5/96:
Não tem sucessória, porque não existe independência. Sucessor é aquele que toca as coisas por si, e isso não existe.
Querer dizer: "Fulano de tal recebeu todo o espírito do Sr. Dr. Plinio e agora toca as coisas como o Sr. Dr. Plinio tocava". Assim não.
Pode-se dizer: "Em tal campo tal pessoa em tal momento recebeu o espírito do Sr. Dr. Plinio", está ótimo. Mas é o espírito do Sr. Dr. Plinio e na dependência de.
(...)
Nós uns pelos outros -- eu estou dizendo aqui nós no seu conjunto, eu sei que deve existir gente aqui dentro em quantidade que manteve sua inocência primeva, eu falo daqueles que perderam a inocência primeva -- tendo perdido a inocência primeva, nós estamos numa situação complicada. Por quê? Porque nós estamos na errância.
-- Ah, mas o Sr. Dr. Plinio está ali, vivo. Eu posso a qualquer momento fazer uma consulta a ele e ali é a inerrância, porque ele me dá uma orientação firme, segura.
Isto era assim.
Atualmente o Sr. Dr. Plinio não está, fisicamente não está. Então como é que eu fico? E como é que fica a obra dele? A obra dele fica errante, cambaleando para cá e para lá e indecisa? Para onde é que vai e para onde é que não vai?O "Thau" é uma implantação da inocência do fundador nas nossas almas. [Aplausos.] Quer dizer, nós temos com o "Thau" uma restauração da nossa inocência. O "Thau" nada mais é do que uma nova inocência, uma inocência adquirida, mas uma inocência superior àquela que nós tínhamos quando estávamos no estado imaculado de nosso batismo. Quando nós estávamos no frescor da nossa túnica, da nossa veste batismal imaculada, nós tínhamos uma inocência e nós tínhamos uma inerrância. Essa inocência e essa inerrância que nós tínhamos não são nada em comparação com aquelas que são adquiridas pelo "Thau". O "Thau" nos dá uma visão a respeito de todas as coisas que é muito mais completa, muito mais profunda e muito mais ampla do que a própria inocência batismal.
Isto está bem claro?
(Claríssimo!)
E é por isso que a obra dele pode continuar.
Alguém então dirá:
-- Ah, bom, então ele tem sucessores!
-- Não, sucessor não existe.
-- Mas então como é que é isso?
-- É que a cada momento, a cada dificuldade, a cada problema para ser resolvido, há uma graça que é dada pelo Espírito Santo por causa do "Thau", por onde a pessoa é iluminada por dentro e sabe qual é o caminho. Mas não que ela se sente e tenha uma visão como tinha o Sr. Dr. Plinio, isso não.
Não sei se está claro isto.
(Sim.)
*
Segunda reunião do simpósio para CCEE, 1/6/96:
Dir-se-ia que ele falecendo daria uma tal tristeza, um tal desespero, uma tal angústia e um tal desejo de tomar conta do poder... Não tem ninguém no poder, como sucessor não há, e não pode existir. Há um como que colegiado, isto existe, mas um que diga: "Este aqui recebeu tudo", isso não. Isso não venha dizer porque não existe, é impossível.
*
"Jour-le-jour" 18/6/96 - JC lê e comenta o seguinte trecho de um despacho do 25/3/87, de Dr. Plinio com os senhores Luiz e Gustavo Solimeo:
(Sr. Gustavo Solimeo: O D. Aloísio é presidente desta comissão. Então nós mostramos que os ventos que sopram lá são de favorecimento ao comunismo.)
SDP: Pois não. E isso para nós é muito interessante para mostrar, e para pôr a questão do comunismo e anticomunismo como um dos pomos de discórdia. Você compreende quanto isso convém. É, e convém que seja. À polêmica, convém. .../... de pessoas entre as quais não é possível fazer escolha de um sucessor.
De fato, entre nós não há quem se possa dizer: esse é sucessor, aquele é sucessor, aquele pode vir a ser sucessor. Não há. Sucessão entre nós não existe.
SDP: De maneira tal que a coisa se esvai pela impossibilidade de encontrar um sucessor.
Era a máfia de que a TFP iria se esboroar com o falecimento do Senhor Doutor Plinio, pela impossibilidade de haver entre nós alguém que ocupasse todas as funções que exerce o Senhor Doutor Plinio. E não há mesmo.
SDP: Ora, quem é que disse a ele...
O "ele" é quem fazia a máfia. Os irmãos Solimeo talvez pudessem dizer.
SDP: Ora, quem é que disse a ele que isso é assim? Por que é que ele não imagina que existem um ou alguns que têm qualidades, predicados e atuação na TFP, etc., que conduzem a que a maior parte possa querer a esse?
Vamos imaginar que a TFP se dividisse em três ou quatro coisas diferentes, seria uma tristeza.
Então, divisão entre nós seria uma tristeza, isso não pode existir.
SDP: Mas não seria o caos que ele imagina.
Ainda que a TFP se dividisse em três, quatro -- que seria uma tristeza -- e que nós devemos lutar com unhas e dentes para que não aconteça, ainda que isto acontecesse não seria o caos que este miserável que está mafiando, que eu nem sei quem é, imagina.
(Intervenção de D. Bertrand durante o "jour-le-jour": Deve ser o bispo de Ilhéus, num comunicado da CNBB.)
Dom Bertrand está lembrando aqui que deve ser o bispo de Ilhéus. Tem razão, num comunicado da CNBB em 87. Boa memória, D. Bertrand!
(Sr. Luís Solimeo: A coisa é dramática, parece: todo o mundo faz voto ao senhor, o senhor morre... todo o mundo fica desesperado...)
SDP: Depois, por que é que desesperam tanto a vocês a hipótese de desaparecer a TFP? (1) Vocês vivem apedrejando, querendo destruir ... E aliás, são todos, não é? "Morre o Plinio, acaba a TFP!" (2). Vocês estão querendo acabar com ela a toda hora! Aplaudiram que o governo da Venezuela fechasse, e agora vocês estão com esta história?
É uma coisa louca. Depois eles, logo eles, não poderiam admitir uma espécie de modo de governo para a TFP que fosse colegiado, sob a direção de um? Logo eles não admitem isso? (3)
(Sr. Gustavo Solimeo: Nós dizemos mais adiante que o voto não é o fim da nossa dedicação, ele é um meio. Mesmo sem os votos, a dedicação à causa católica continua.)
SDP: Aliás, a TFP poderia também continuar sem votos.
E é como está!
Comentários:
Dr. Plinio refere-se aos Bispos progressistas.
JC e seus adeptos sustentam que, sem Dr. Plinio, a TFP pode ir para frente. Se são sinceros e forem coerentes, “a fortiori” deveriam afirmar isso em relação a qualquer um que é inferior a Dr. Plinio: a TFP pode ir para frente sem precisar desse sócio ou cooperador.
Ora, isso não aconteceu. Porque em se tratando de JC, o procedimento dos joanistas pressupõe que sem JC a TFP não pode nem sequer subsistir. Daí sua revolta.
De maneira que, para eles, o papel de JC na TFP é mais vital -e no fundo superior- ao de Dr. Plinio. O verdadeiro senhor deles não é Dr. Plinio, mas JC.
Esse governo colegiado, sob a presidência de um, não vai na linha do governo que os Provectos desenvolvem?
*
Reunião na Saúde, 18/6/96:
[Dr. Plinio ] não tem substituto. Portanto, para fundar mesmo o Reino de Maria, para destroçar a Revolução e para que isto tenha estabilidade, de alguma maneira ele tem que tocar isso.
*
"Jour-le-jour" 12/9/96, realizado em Spring Grove, EEUU:
[O Fundador] enfeixa todas as qualidades, ele enfeixa todas as vocações, ele enfeixa todas as missões, ele enfeixa todas as luzes primordiais de todos os seus seguidores, desde o primeiro que teve contato com ele, até o último no Fim do Mundo. Todos eles são um desdobramento de algum aspecto do fundador.
O fundador no seu todo se exprimiria na sua obra se houvesse uma fidelidade plena de todos os seus seguidores, desde o primeiro até o último. Aí o todo dele estaria expresso em algo, mais ou menos como faz Deus com a criação do universo. Deus é tão rico, que Ele não poderia -- diz São Tomás -- criar uma criatura só, porque ele não se espelharia jamais numa criatura só. Ele tem que criar pelo menos um certo número de seres, e melhor ainda Ele se exprimiria num universo infinito. Porque aí, então, cada um representaria um aspecto daquilo que é o infinito de Deus. (...)
Todo o inferior em relação ao superior tem algo desse mesmo mecanismo, desse mesmo jogo. É impossível que o inferior abarque inteiramente seu superior, não dá para abarcar, ele é inabarcado.
(...) Nós em relação ao Sr. Dr. Plinio compreendemos o todo do Sr. Dr. Plinio, mas não totalmente. Ele é grande demais para caber na cabeça de um só de nós. Porque se ele coubesse inteiro na cabeça de um só de nós, nós seríamos outro ele. Então ele não cabe todo na nossa cabeça (1).
Comentário:
1. O contexto dentro do qual JC enunciou isto, é indicado pelo Dr. Mário Navarro (16/12/97):
Em setembro do de 96, este escravo de Maria (...) ainda tinha um relacionamento normal com JC. Este EM levantou de propósito no carro a questão seguinte: que os eremitas estavam defendendo a tese de que o único modo de cumprir a vocação de seguir ao SDP, de imitar ao SDP, era o modo dele; e que ele portanto manifestava todos os aspectos do SDP. O pessoal aqui em SB dizia isso já. E havia uma certa repercussão disso nos EEUU. Então este EM se aproveitou disso para pôr o problema para ele: o Sr. reflete a vocação inteira do SDP, sim ou não?
Disse: evidentemente que não. E deu a doutrina correta. Mas não gostou nada da coisa. Entendeu.
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"Jour-le-jour" 13/9/96, realizado em Spring Grove, EEUU:
[Dr. Plinio] fez uma explicitação que foi aliás colocado no livro do Sr. Santiago a propósito do seqüestro dele, toda uma análise a respeito da lavagem de cérebro, não sei quanto, etc. Ele explicitou aquilo tudo de uma forma brilhante, pôs na refutação ao estrondo do Rio Grande do Sul e fez esse comentário:
-- Eu faço essa explicitação, por quê? Porque assim já fica feita, e vocês podem utilizar para outras obras no futuro. Eu faço questão de explicitar tudo o que eu tenho de explicitar, porque eu tenho receio de que os que vierem depois de mim não tenham a capacidade que eu tenho.
Não têm mesmo.
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Reunião para os veteranos, 15/10/96:
Eu não compreendo o Reino de Maria fundado sem que esteja patente de que quem funda é ele [Dr. Plinio].
-- Não, porque houve três, quatro, cinco filhos dele que foram fidelíssimos, que então herdaram o espírito, formaram um conjunto e são os cinco fundadores do Reino de Maria.
-- Isso, meu caro, comigo não. Você pode contar essa história para um outro aí, mas a mim não me convence.
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"Jour-le-jour" 5/1/97, parte I:
[Dr. Plinio] tinha uma noção claríssima, vivíssima, profundíssima de que a vitória não vinha por causa dele. A vitória viria por uma dádiva, por uma graça inteiramente gratuita da parte de Nossa Senhora.Então, ele confiava na vitória porque sabia que Nossa Senhora deveria vencer, não ele, e que Nossa Senhora daria a vitória, contra as misérias dele (1).
É uma atitude de uma humildade, de uma... É impressionante e é exemplo para nós.
Nós como é que nos devemos considerar? Com implacabilidade, nós devemos considerar que não somos nada.
Por exemplo, alguém poderia pensar: "Mas será que não aparece no meio de nós alguém que pelo menos possa dar uma idéia de sustentação que o Sr. Dr. Plinio dava?".
Não tem. O Grupo no seu conjunto inteiro, o Grupo na sua totalidade inteira não substitui ao Sr. Dr. Plinio, ele é insubstituível. Portanto, a idéia de sucessão não existe entre nós como nunca existiu e todos nós sempre defendemos essa idéia. Não há sucessão, porque ele é insubstituível.
E nós enquanto membros do Grupo, nós devemos, cada um de nós, pensar nisso: na nossa insuficiência completa em relação a ele. E nós devemos ter em relação a ele o mesmo estado de espírito que ele tinha em relação a Nossa Senhora.
Eu sei que considerando as nossas misérias, e as minhas em especial, nós não venceremos. Se for por aí, está tudo derrotado. Mas levando em consideração os méritos dele, levando em consideração a virtude heróica praticada por ele, levando em consideração o oferecimento de vítima que ele fez de si mesmo, aí virá a vitória.
Quem vencerá? Ele. Essa é a atitude santa nossa, que é um reflexo da atitude de santidade dele.
Comentário:
1. JC, o arqui discípulo perfeito de Dr. Plinio afirma que Dr. Plinio tem misérias?
*
"Jour-le-jour" 26/1/97:
Não há sentido a nossa vida sem ele.Alguém dirá:-- Mas sabe o que acontece? É que o Espírito Santo vai iluminando, e Fulano de Tal faz isto, Sicrano faz aquilo, e há uma espécie de presença do espírito dele difundida pelo Grupo inteiro.
Mas isso já existia antes. Só que antes, a partir do momento em que o sujeito ia tomar uma atitude, ele passava a mão no telefone e perguntava: "Olhe, está a situação assim e assim, eu vou tomar uma atitude". O Sr. Dr. Plinio dizia: "Está ótimo, faça, mas tem tal coisa, tem tal outra e tem tal outra". Agora não tem o telefone.
Então o sujeito tem que tomar a atitude e toma a atitude. O Sr. Dr. Plinio depois abençoa a atitude do Céu e a coisa sai. Mas não há quem comande, não há um que seja o ponto monárquico de todos, não há um que as pessoas olhando para este um digam: "Ali está a realização do que eu sou e de forma mais brilhante". O requinte de cada um de nós só está nele. Então não é possível que a gente vá travar a batalha mais brilhante da História, a batalha mais encarniçada de todos os tempos sem que esteja o comandante.
-- O olhar do capitão!
-- Sim, mas onde é que está o olhar? Pegar uma fotografia e olhar para o olhar do capitão, isso não adianta nada. Alguma coisa ajuda, não tem dúvida, mas é quase nada. Nós precisamos dele.
Para nós a Bagarre começou no dia 3 de outubro de 95, ou já começou antes, quando nós fomos avisados de que ele estava na agonia. Aí começou a Bagarre e esse é o nosso túnel.
(...) Não é possível que chegue a hora de enfrentar a Satanás e a gente tenha que enfrentar com meras jaculatórias, com meras orações, com uma relíquia na mão, a gente olha e não tem comandante. Oh!
*
"Jour-le-jour" 11/2/97:
O senhor não vê ninguém, dentro do Grupo, nas atuais circunstâncias, por exemplo -- nem antes o senhor via -- [de quem o senhor possa dizer]: "Fulano está subindo de montanha em montanha e está chegando a um estado de espírito que... está ficando luzidio, está se transformando, está uma coisa...!"
*
"Jour-le-jour" 23/2/97, parte I:
Ainda ontem me contavam uma coisa que me deliciou. Duas pessoas conversando entre si, isso dentro do Grupo, pessoas a gente vê que muito verdes na vocação, um fez uma pergunta ao outro e a resposta eu achei de uma sabedoria única. Um perguntou para o outro:
-- Fulano, você acha que Sicrano é santo?
O Fulano, então, responde:
-- Para mim se é santo ou não é santo eu não sei, não tenho critério para saber, mas eu posso dizer uma coisa. Ainda que Santo Inácio ressuscitasse, ainda que São Bento ressuscitasse, ainda que São Domingos ressuscitassem, eles não teriam estofo para tocar a Contra-Revolução adiante. Ou o Sr. Dr. Plinio ressuscita, ou nenhum santo entre nós toca a Contra-Revolução adiante.
Isso é fenomenal, porque o problema não está em ser santo, não ser santo, o problema está em que a pessoa que tem a missão de tocar a Contra-Revolução adiante esteja tocando a Contra-Revolução adiante.
*
"Jour-le-jour" 2/3/97, parte I:
Imaginar que nós tomando as páginas todas deixadas por ele [Dr. Plinio], estudando e conhecendo intelectivamente, nós dirigimos o Reino de Maria, de jeito nenhum. A não ser que alguém sinta uma inspiração qualquer divina que nós não conhecemos. Eu não sinto, eu não tenho nenhuma inspiração divina nesse sentido, é possível que alguém tenha. Se alguém tiver, por favor, me procure, porque estou à procura de uma pessoa assim que eu possa dizer: "Esse aqui é um profeta (...)” (1). (...) sem isso é impossível.
Como se fará? Sem uma ressurreição, sem uma aparição, sem uma orientação direta, eu não sei (2). Se alguém tem alguma fórmula especial que foge destas todas que estão no fundo das nossas almas, que apresente e que diga, porque de repente pode ser que essa fórmula esteja ao nosso alcance e nós não sabemos. Eu não vejo, então nós devemos esperar (3).
Comentários:
No entanto, os adeptos de JC afirmam que seu senhor é continuamente inspirado por Dr. Plinio. Daí a obediência cega e seu desejo de entronizá-lo na Presidência da TFP.
Mas os joaninos sustentam que a orientação de Dr. Plinio é indireta, opera-se através de JC.
Se devemos esperar, por que razão se revoltou?
*
Reunião na Saúde, 11/3/97:
Eu compreendo que aqueles que tiveram menos convívio como o Sr. Dr. Plinio se ponham o problema: "Como é que eu posso aumentar as minhas saudades em relação ao Sr. Dr. Plinio?"É muito simples. Basta percorrer as coisas dele, basta percorrer as lembranças dos encontros que nós tivemos com ele, basta nós recordarmos uma palavrinha, uma mão no ombro, um ósculo de mão, um olhar, um encanto por ele. Pronto, tudo isto faz com que nossas saudades aumentem. (...) Lembrando-se da vida passada. Na lembrança, suas saudades vão aumentar.
(...) Alguém poderia dizer: "Para mim, basta companheiro tal, porque me ajuda muito." Isso é um dito de loucura, de desequilíbrio! Nós precisamos da presença dele, precisamos da volta dele, precisamos de um encontro com ele. Nossa vida está centrada nele, de maneira que mais nada cabe nesse centro, senão ele: é ele, ele, ele, ele, acabou.
*
"Jour-le-jour" 16/3/97, parte II - JC narra uma conversa dele com 4 ex-cooperadores:
E me diziam o seguinte:-- Qual é a opinião do senhor? Eu não sei, dentro da TFP pode ser, o senhor que conhece a TFP por dentro melhor, o senhor que cuidou mais de perto do Sr. Dr. Plinio, o senhor pode dizer que de repente existe um, existe outro que pode dar seqüência à obra do Sr. Dr. Plinio tal qual ele dava. Mas nós que estamos de fora, para nós parece o seguinte: que na TFP não tem ninguém, que é só o Sr. Dr. Plinio mesmo.
-- Meu caro, se estivesse dentro a realidade era mais ainda gritante. Aí é que o senhor ia comprovar com as mãos que não existe ninguém que possa tocar a obra dele sem ser ele.
-- (...)
-- (...) não tem Reino de Maria sem ele.
*
"Jour-le-jour" 6/4/97:
Nós somos semifiéis. Sem contar os infiéis, porque existe, fidelíssimo não há ninguém. O senhor não pode dizer: "Fulano de tal é fidelíssimo, perfeito, perfeitíssimo". Não há.
Isso afirma JC por um lado. Por outro lado, seus agentes publicam o seguinte no boletim “Covadonga – Informa” da “TFP” Espanhola, janeiro de 1999 (traduzido para o português):
Oferenda de TFP – Covadonga a Nossa Senhora do Pilar:
Desde que, em abril de 1970, os 7 primeiros filhos de nossa primitiva “Sociedade Cultural Covadonga” (...), até aqui peregrinamos, que longos caminhos, Senhora, nestas quase três décadas!
Caminhos que com a certeza da vitória, com a convição de que, como dissestes em Fátima, Vosso Imaculado Coração triunfará, iniciamos sob o exemplo e a orientação de nosso saudoso fundador, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira; e que continuamos sob sua sobrenatural assistência desde a eternidade, agora por intermédio de seu fidelíssimo continuador, d. Juan Clá Diaz.
*
Reunião do 26/4/97, realizada na Espanha:
Eu não teria muito mais a lhes dizer a respeito da cerimônia. Eu estou aqui procurando seguir os passos de nosso Pai e Fundador, guardadas as devidas proporções. Porque sucessão nós temos a idéia a idéia clara, claríssima de que não existe e nunca existirá, porque se existir sucessão, não haveria um outro fenômeno que é mais importante do que a sucessão que é o da ressurreição. [Aplausos]
Outras ordens religiosas, todas elas praticamente, tiveram seus sucessores, nós não. Nós não podemos dizer de absolutamente ninguém, nem sequer de um conjunto dentro da TFP que este conjunto é o conjunto da sucessão. Ninguém aceita isso.
Se nós quisermos dividir a TFP, basta dizer este conjunto, ou então aquela pessoa, ou então tal indivíduo ou coisa que o valha tem a sucessão. Não existe, acabou.
Aí começa uma briga interna monumental.
Às vezes certas brigas se estabelecem por causa de equívocos, porque tem gente que apesar de vinte anos, apesar de trinta anos, apesar de quarenta anos de apostolado onde se defendeu a tese de que sucessor entre nós nunca existiria, às vezes um ou outro se equivoca e julga que possa existir sucessor. Então que aquele ou aquele outro se atribui a si a sucessão.
Loucura, loucura completa e acabada, porque sucessão entre nós não existe. O que existe é a continuidade da obra à espera de um fenômeno que é muito superior ao da sucessão, que é o fenômeno da ressurreição. [Aplausos]
*
"Jour-le-jour" 27/4/97, realizado na Espanha:
Cada um de nós é chamado a representar um aspecto dele [Dr Plinio]. Nenhum de nós é chamado a representar todos os aspectos dele porque ele não cabe, esses aspectos não cabem numa pessoa só de jeito nenhum, mas cada um de nós é chamado a representar algo dele, enquanto filhos dele nós somos uns desdobramentos dele.
*
Reunião na Saúde, 17/6/97:
(Mauro Sérgio Isabel: Na reunião passada [aqui na Saúde] o senhor contou um fato que aconteceu na Europa com o Sr. Dr. Plinio, quando o senhor deu a comunhão para ele. Foi um momento em que o senhor deu uma alegria ao Sr. Dr. Plinio. Hoje em dia, o que nós podemos fazer para dar mais alegria ao Sr. Dr. Plinio? O que, hoje em dia, dá mais alegria ao Sr. Dr. Plinio, que esteja ao alcance de um enjolras?)
Cada um que vem depois tem que dar mais alegria ainda.
O senhor não pode tomar ninguém como exemplo para o senhor. Na sua frente só existe um exemplo: é Plinio Corrêa de Oliveira (1). (...)
Nada aumenta mais a alegria do Sr. Dr. Plinio, do que ele, do Céu, de junto de nós, ver-nos amando a ele, tendo a ele como fundador, tendo a ele como centro (2), tendo a ele como senhor, tendo a ele como pai, tendo a ele como mediador (3); e crescendo, portanto, no amor, na estima, na devoção, na benquerença em relação a ele, isso traz contentamento a ele, e um contentamento enorme.
Comentários:
Belas palavras. Mas os joaninos tomam a JC como exemplo.
No centro das cogitações e vias dos joaninos está JC. É o que se percebe, por exemplo, na própria pergunta aqui formulada.
Os joaninos vêem a JC como senhor deles, pai e mediador.
*
"Jour-le-jour" 22/6/97, parte I:
Já quando ele estava vivo nós atacávamos a teoria da sucessão. Sucessão não existe. Querer dizer enquanto o Sr. Dr. Plinio estava vivo que iria ter um sucessor, é uma loucura. Porque a gente olhava para si para começar e dizia: "Olhe, eu não dou para a sola do sapato dele". Agora, olhava em volta e via que o que havia não era senão sola de sapato, na melhor das hipóteses.
Nós nunca contávamos com a morte dele. Pelo contrário, se algum de nós levantasse o tema "o Sr. Dr. Plinio morrendo", a gente já se tomava em brios e tinha vontade de brigar, porque não era possível.
Por que nós não críamos na morte do Sr. Dr. Plinio? Porque nós tínhamos no fundo da alma a idéia de que ele é insubstituível e que ele faltando, faltaria tudo. Essa era a idéia.
Bom, depois da morte dele, então, também não há sucessão. Não se pode dizer que nós temos a sucessão do Sr. Dr. Plinio no Grupo todo, na obra dele toda. Não é verdade, porque somando o Grupo todo não dá ele.
Alguém diria:
-- Também entra tanto elemento negativo, que pesa na balança.
-- Está bom, tira tudo o que é negativo e deixa só o que é positivo. Não dá ele, de jeito nenhum.
*
"Jour-le-jour" 6/7/97. Parte II:
Então eu começo por ler aqui um texto do Sr. Dr. Plinio do dia 31 de julho de 1989. Está aí a data, Sr. Araújo, a data completa, 31 de julho de 1989.
Assim sendo, estou ciente de que, ou não haverá Reino de Maria, ou terei uma ação direta, uma presença atuante sobre o mundo até o fim dos tempos.
Portanto, não se trata de ele inspirar este, inspirar aquele, inspirar aquele outro. Ele está dizendo que vai ter uma ação direta.
Como? É um mistério. Caberá a vocês discernirem a minha presença na terra. Esta mesma presença que vocês estão agora sentindo fisicamente, vocês terão que discernir de algum modo após a minha morte. Pois seus olhos foram feitos para contemplarem meu profetismo, e seus corações para amá-lo. Do que adianta doutrina sem discernimento de espíritos? Em minhas reuniões o principal não é a doutrina, é ver minha alma enquanto vendo, discernindo, agindo. Eu faço sempre assim: dou no Grupo doutrinas, mas através delas dou meu espírito.
*
"Jour-le-jour" 8/7/97:
Muitas vezes nós nos temos perguntado a nós mesmos: quando é que o Sr. Dr. Plinio volta? E às vezes me fica a impressão do seguinte:Que o Sr. Dr. Plinio vem, não é impressão, é certeza; isso os senhores também tem. Sem ele, nada feito. Pois se ele, em vida, admitia a tese de que ele não tinha sucessor, sem sucessor as coisas não vão adiante! Elas, quando muito, se mantém como estão até à volta dele. Podem melhorar num ponto, podem melhorar noutro ponto, ele pode obter graças... Mas para tocar a batalha adiante, derrotar a Revolução e fundar um novo reino, ou é ele, ou não tem ninguém!
Então, quanto a isso, não há dúvida. O problema não está, portanto, no como, porque o como para nós está claro: é ele voltando. O problema, para nós, está no quando.
*
"Jour-le-jour" 27/7/97 - JC lê e comenta o que Dr. Plinio disse numa Reunião de Recortes do ano 1989:
Eu sou cada vez mais levado à idéia de que se prepara qualquer coisa, que eu não sei o que é, mas que é um trambolhão muito forte no mundo inteiro, e que esse trambolhão leva a tornar possível, e relativamente fácil, transformações que se julgariam mais ou menos inatingíveis. (...) Então, a pergunta é: "E nós? Do que nós valemos dentro disso?"
Eu tenho a impressão de que Nossa Senhora -- e essa é a hora da confiança se servirá de nós, e esta não é hipótese mas tese -- se servirá de nós como instrumentos dEla, posto que indigno, para estraçalhar com isso.
Como? Não sei! Nem me importa muito, o que eu quero é estraçalhar! [Aplausos]
Por esse caminho ignoto -- porque nós estamos no ignoto e no mistério, tudo pode suceder. Só uma coisa não pode suceder: duvidarmos de nossa missão! Se dentro de todas as convulsões, imprevistos e outras coisas, não duvidarmos de nossa missão, nós a realizaremos!
Se duvidarmos, outros a executarão... Mas ela será executada.
Essa missão vai se realizar conosco, sem nós ou contra nós, pouco importa, mas que ela se realiza, ela se realiza. Será conosco se nós não duvidarmos; se duvidarmos será com outros.
*
Fala o Pe. Olavo:
É pacífico entre todos nós que o SDP é único em sua missão. (...) Essa é a ‘benção’ com que Deus o adornou (...). Sr. Dr. Plinio não tem sucessor como sempre vem afirmando o Sr. João Clá . Isso no entanto está longe de significar que Deus não pode dar outros dons, e até insondáveis, às pessoas que vão continuar sua obra. Até o dom dos milagres, do discernimento, da profecia, de tocar os corações. Por acaso Deus é pai de uma única benção? (Cf. Gen. 27,38). E como Nosso Senhor dispôs em relação aos apóstolos que esses fossem os instrumentos de maiores conversões e de uma maior expansão da Igreja e de maiores milagres do que Ele mesmo tinha executado, assim também deve ser em relação aos continuadores de nosso Pai e Fundador.
(Cfr. grafonema de André Dantas para Marcos Faes, de 19/11/96, p.7).
*
Proclama de Andreas Egaluté, ANSA, 25/11/97, dia da ruptura:
É preciso recordar que o vínculo espiritual existente entre o SDP e cada um de seus filhos, do qual decorria a sua autoridade sobre eles, como fundador, é absolutamente único.
É uma caraterística especial de nossa vocação esse relacionamento pessoal direto com o SDP, que não cessa com a morte dele. Pelo contrário, se deve intensificar.
Esse tipo único de autoridade que o Fundador tem sobre seus filhos não foi “herdado” por ninguém, por ser intransmissível, dada a sua natureza excepcional.
(...) O SDP não tem sucessor enquanto fundador e profeta da Contra-Revolução.
*
Fala Ramón León:
- Quanto a “sucessor”, tomada a palavra no seu sentido usual, a análise dos textos do SDP a respeito do assunto torna claro e irrefutável não ter ele indicado ninguém para sucedê-lo. (Cfr. "Quia nominor provectus", p.109)
- [O SDP] não deixou ninguém que lhe sucedesse na máxima liderança da família de almas. (Cfr. "Quia nominor provectus", p.185)
*
Fala um dos pontífices do joanismo, Patrício Amunátegui:
O Sr. João Clá nunca se disse sucessor do SDP, nunca se colocou na atitude de sucessor dele, e muito menos se colocou como mediador necessário. Isto tanto é assim que o Sr. JAU (...) não tem prova a citar.
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.225)
Trecho da primeira reunião da Sagrada Escravidão, lida por JC no "jour-le-jour" 7/11/95:
Nosso movimento é único no mundo. No sentido de: pensar tudo quanto nos pensamos, querer tudo quanto nós queremos, e ter o espírito que nós temos, é uma coisa que, no mundo inteiro, como movimento, ninguém tem. Nós não afirmamos com isso que não haja outras almas boas no mundo, mas são almas boas que estão longe desta visualização, e que são, portanto, boas, mas provavelmente de uma bondade "minor". Em todo caso, não foram chamadas para ver o que nós vemos, não sabem o que nós sabemos, não amam aquilo que nós amamos --pelo menos amam muito menos--, o panorama delas não pode ser um panorama contrário do nosso, mas é um panorama que, no máximo, é um fragmento do nosso, se é que isto é assim.
Portanto, nós devemos dizer que nosso movimento é como um cálice no qual se reúne todo o bom espírito que houve no passado da Igreja Católica, no qual este bom espírito está num estado acrescido e aumentado. (...)
Na hora do naufrágio foi feita uma Arca; nesta Arca foram recolhidos os restos preciosos de tudo quanto havia de espírito católico, para sobreviver depois do presente dilúvio; e quem não quiser morrer no dilúvio recolha-se nesta Arca.
A unicidade do movimento fica bem enunciada desta maneira.
Na base da unicidade desse movimento, existe o que a Providência misteriosamente quis, e que é, ao mesmo tempo, o auge da desgraça e o auge da glória destes dias em que nós vivemos. A Providência quis que houvesse um só Noé, que ele fosse o homem, como no tempo de Noé, que tivesse revelação do estado miserável em que caiu o mundo, e que tivesse idéia de que o mundo ia ser castigado, e que tivesse a idéia de construir uma Arca para salvar o mundo, de maneira que fosse debaixo das ordens dele que a Arca se construísse. Ele é o que recebeu os planos da Arca, ele é quem convocou todos para entrar na Arca, ele que dirigiu a Arca, e ele que determinou a hora para sair da Arca. Quer dizer: ele foi um homem da Destra de Deus.
(...) ele conteve espiritualmente aos que estavam dentro da Arca, como a Arca conteve materialmente aos que estavam dentro. Ele foi, por assim dizer, a Arca espiritual; ele deveria ter sido a chave de tudo, ele deveria ter sido a mais alta bandeira que continha todas as outras e que reunia dentro de si todos os símbolos.
Mas naquela hora de castigo, em previsão dos desígnios de Nossa Senhora, Deus quis que fosse um o homem que fizesse isso, e que a fidelidade plena a esta visão estivesse só em Noé: Só Noé visse inteiramente como estavam as coisas, só Noé compreendesse que devia vir um Dilúvio ou seja, a Bagarre, e que em união com Noé, os que resistiram ao escárnio dos homens pré-diluvianos em união com Noé, haveriam de construir a Arca de Noé. Ele é quem dava alento a todos, dava ânimo, comunicava as graças de Deus a todos.
Nós temos esse fato histórico evidente, que não só se refere ao movimento, mas a um só homem, e é na fidelidade a esse único homem é que nós teremos fidelidade ao movimento.
E há, então, uma espécie de mediação concêntrica: O movimento é uma espécie de intermediário entre nós e Nossa Senhora, mas dentro do movimento, para estar ligados a Nossa Senhora é preciso estar ligado a Seu Senhor, porque o movimento é seu filho, nasceu dele, é um desdobramento seu.
(...) há, portanto, um fenômeno para cujas caraterísticas eu chamo a atenção dos senhores: é um fenômeno pessoal. Não se trata aqui de uma fidelidade a uma instituição, não se trata de uma fidelidade a uma ordem religiosa, trata-se de uma fidelidade a um homem que recebeu uma missão, mas uma missão a título individual. Que não foi dada a ele como, por exemplo, a missão de governar se dá a um bispo --a missão de governar dada a um bispo exige uma diocese, e é o bispo um homem convocado para a diocese, e a partir da nomeação recebe uma missão, mas é uma missão que outro homem poderia ter recebido--, não, esta outra é uma coisa pessoal, que não está ligada à investidura de um cargo, está ligada a uma graça recebida na hora do Batismo, e é um desígnio misericordioso de Nossa Senhora que quis que aquele fosse: "Tem que haver um único: que seja aquele!".
(...)
Nunca houve na História da Igreja, tão unicamente, a confluência deste espírito da Igreja em um homem, colocado na negação de todos. Porque não é só dizer que os homens participam pouco, mas que todos negam.
Pode ter havido a mais alta posse do espírito católico, mas que nunca houve esta situação de um homem só ter tudo em si todo o peso da fidelidade, na proporção de hoje em dia , eu não creio que tenha havido.
É claro que, naturalmente, essa fidelidade foi dada a esse homem com o objetivo de que só ele servisse para isso. É um castigo para o mundo que em um só homem tenha que ter restado isso, é um castigo para a Humanidade. É bem como ao pé da Cruz, que só ficou Nossa Senhora.
*
Trecho de um esquema ditado pelo SDP --por volta de 1966-- ao Dr. Paulo Brito, a respeito de quem é o SDP, e lido por JC no "jour-le-jour" 28/11/95:
Os discípulos devem enlevar-se com o Fundador para serem penetrados pela grandeza dele e não procurarem ser pequenos monarcas.
*
"Jour-le-jour" 4/6/96:
“Unus est dilectus meos”, um só é o meu preferido, o meu dileto, “unus est sacralis dominus meus in aeternum”, quer dizer, um só é meu senhor sacral pela eternidade toda, e eu pensasse em função dele e nunca em função de mim mesmo, aí está tudo resolvido.
Mas o problema é esse: é nós obtermos essa graça, porque é uma graça.
Alguém dirá:
-- Mas não se obtém com esforço?
-- Uma coisinha assim.
É uma graça, mas é uma graça que está à disposição de todos nós, porque se ele é fundador e se nós temos essa ligação com ele... Deus quer nos dar essa graça, esta graça já está criada, já está pronta para descer sobre nós, basta que a gente se coloque em conexão com ele que a graça desce.
Para nós termos este tipo de contemplação, de elucubração, é preciso ter a ele como o único dileto, como o único preferido, como o único senhor.
*
Palavras de Dr. Plinio (EVP de 7/8/77), lidas por JC na reunião para os veteranos de 6/8/96:
Não há no profetismo propriamente uma implantação do carisma profético pelo profeta aos seus discípulos.Os casos em que eu conheço são de pessoas que nasceram com germens de carisma profético, mas é um gérmen tal -- e que nasceram já em ordem a encontrarem o profeta e a se unirem a ele -- mas já é um carisma de uma natureza tal, que é inviável sem o auxílio do profeta e sem -- aí sim -- uma comunicação do profeta.
Mas não é, como eu falei, no alto do Tabor ou no alto do Calvário, dá na mesma, em que Nosso Senhor comunica à alma uma coisa que não estava nela. Ali, não. O profeta não faz senão comunicar algo a algo que já preexistia, e que se torna viável por aí.
(Aparte durante o EVP: É como se fosse uma varinha de condão que despertasse na pessoa uma vida que já estava iniciando.)
Exatamente, uma vida já iniciada. Com todos os que estão na sala, é isso.
O que tem, é o seguinte: isso teria se transformado -- isso não teria morrido -- porque eu tenho a impressão de que o nosso carisma profético não morre, é como a unção sacerdotal, em caso de apostasia pode se transformar em maldição, mas se alguém tivesse apostatado, nunca daria um profeta.
(Aparte durante o EVP: Mas já nasce com matriz disso?)
É.
(Aparte durante o EVP: E o nosso profetismo é participação do profetismo do senhor. Se não participarmos, dá nisso.)
E, depois já foi dado em ordem a encontrar isto, de maneira que até um profeta verdadeiro que profetizasse numa outra ordem, não despertaria o nosso profetismo. É um profetismo, portanto, feito para ser tocado por um só, pessoal. Mas, tanto quanto eu tenho visto, eu nunca vi que esse carisma nascesse em alguém, eu vi pessoas nascerem com esse carisma.
Eu não nego -- eu precisaria pensar, e não vale a pena pensar porque é um ponto especulativo sem utilidade maior -- mas eu não nego que talvez possa comunicar-se. Eu não nego, mas eu nunca vi.
(...) eu estava ainda vendo ontem à noite dois desses mais novos: o jeito deles ouvirem, era exatamente isto que estou dizendo. Eu tinha a sensação de que uma ação partia de mim, que dava a eles o alimento a algo que neles já existia, que tinha sido posto neles com ordem a encontrarem em mim, mas que neles já existia.
*
Reunião na Saúde, 17/12/96:
O fundador é para nós o veículo principal e único das graças da vocação.
*
"Jour-le-jour", parte I, 12/1/97:
Bem, eu passo para outro tema, que para dor do Sr. Araújo não tem data. Eu não sei de onde é que veio isto. É um simpósio dos apóstolos itinerantes de 72, não sei de que dia, não sei de que momento:
Qual é a minha vocação? E qual é o papel dentro da
vocação?
Nossa Senhora quis que a vida da TFP se conformasse ao princípio que rege geralmente as obras de Deus. E que é o princípio monárquico por onde Deus dá uma missão a um, por meio deste comunica a outros e por meio destes outros comunica a outros por sua vez.
(...) Bem, aprouve à Providência fazer com que um homem fundasse a TFP. Mas aprouve também que esta obra desta fundação fosse feita de tal maneira que este homem fosse não só o doutrinador que dá à TFP as teses pelas quais um membro da TFP deve nascer, viver e morrer, mas dá um rumo que ele deve seguir em sua ação (1). Discerne qual é o adversário, discerne as manhas do adversário, indica como é que contra o adversário se deve lutar, coordena, tem as palavras necessárias para coordenar todos nesta luta, para animar todos nesta luta, para levar todos até a realização desta vocação.
Evidentemente, pelo simples enunciado desta missão, nós vemos que esse homem é um canal ele mesmo das graças que Nossa Senhora manda aos que pertencem à TFP (2).
Quer dizer, se o exemplo dele tem que ser um exemplo para todos, se o pensamento dele tem que ser o pensamento de todos, se a vontade dele tem que ser a vontade de todos, ou cada vez que ele enuncia um pensamento esse pensamento é acompanhado de uma graça, ou ele não consegue nada.
Se isto é assim, essas graças passam por meio dele. E há, portanto, uma mediação, quer dizer, há um processo por meio do qual essas graças convergem nele e dele passam depois para os outros (3).Portanto, este é o sistema pelo qual a graça se comunica na TFP.
Eu não quero daí dizer o seguinte: que seja uma coisa parecida com a Mediação de Nossa Senhora, no sentido de que a Mediação de Nossa Senhora é tal que nada que venha a não ser por meio dEla. Eu não digo que nada venha ao membro da TFP a não ser por meu intermédio. Mas eu digo uma coisa diferente: é que muitas graças vêm por esta união de um membro da TFP comigo.
As graças da vocação, que são a espinha dorsal de nossa vida espiritual, vêm desta união comigo (4).
Se alguém pensar o contrário do que eu penso, fizer o contrário do que eu indico e se puser em oposição a mim, ele imediatamente se torna escuro, seco e podre (5). Quanto exemplos na vida da TFP confirmam esse fato a todo momento.
Bem sei também que muitas outras graças que Nossa Senhora dá a um membro da TFP, e que não são diretamente através da TFP, portanto não são também através de mim, são graças que entretanto são dadas a propósito da TFP e portanto desta união conosco, desta união em última análise comigo. Isto não tem dúvida nenhuma.
Agora, se isto é assim, então existe, dos membros da TFP comigo, um vínculo que não é um cargo, não é uma função, não é uma direção, é muito mais do que isto. É uma união de alma, profunda, misteriosa, uma união de alma sobrenatural (6). Uma união de alma vinda da própria graça, por onde os membros da TFP têm uma graça especial que outros não têm para me conhecerem, quer dizer, para verem quem eu sou --não é para saber que sou Plinio Corrêa de Oliveira--, para saber como eu sou, para perceberem em mim o varão mandado por Nossa Senhora! (7). Eles têm uma graça especial para se deixarem tocar pelas palavras que eu lhes digo (8), eles têm uma graça especial para realizar os planos que eu dou. Quer dizer, há um imbricamento que encontra seu símile apenas nas relações entre Elias e Eliseu.
(...) Bem, nós temos um profetismo que em mim está na sua nascente, nos senhores está por participação, que explica a minha vida como explica a vida dos senhores, que faz com que todos nós tenhamos uma só alma, tenhamos um só destino, uma só missão. De tal maneira que cada um de nós é inexplicável sem os outros. Eu sem a TFP seria inexplicável, a TFP sem mim seria inexplicável também (9). Assim somos nós uns para os outros. (...)
Quer dizer, há uma participação no profetismo que é em mim um profetismo ativo e originário, nos senhores um profetismo passivo, no sentido de que os senhores recebem, ativo no sentido que os senhores transmitem, e participado. Não vem diretamente dos senhores, mas é participado de mim.
Evidentemente essa pessoa deve ser o símbolo daquilo que ela ensina. Esta pessoa deve ser em todo o seu modo de ser a representação viva daquilo que ele ensina (10).
Tal deve esta pessoa. E se os senhores quiserem ser fiéis a esta pessoa, devem observá-la, analisá-la, devem estudá-la para encontrar verdadeiramente o sentido de tudo quanto ele faz, para assim fazerem suas as intenções dessa pessoa, fazerem seus os pensamentos dessa pessoa (11), e serem aqueles que os senhores devem ser. Quanto mais os senhores forem assim, tanto mais os senhores serão os senhores mesmos, mas cada um dos senhores será o senhor mesmo.
Quando os senhores analisarem essa pessoa, não percam tempo analisando as qualidades humanas. Eu acho deplorável ouvir às vezes elogios -- serão exagerados ou não são, eu não entro nisso -- insistentes a respeito de qualidades humanas que eu teria. Então, é muito bom orador, é muito bom chefe, faz isso muito bem, faz aquilo bem, não sei mais o quê, é muito afetuoso com cada membro da TFP, é um verdadeiro pai. Não olhem para isto (12).
Façam uma única, a seguinte pergunta, porque é a única pergunta que pode dar aos senhores verdadeira tranqüilidade de alma de me seguirem: "Isto que ele faz é católico? Porque se for católico, é bom e nós devemos aderir de toda alma. Se não for católico, ainda que fosse um anjo, aparecesse um anjo vindo do Céu que dissesse, não valia nada, porque a Santa Igreja Católica é perfeita e o que não é de acordo com ela não vale dois caracóis".
Um anjo vindo do Céu nos dizendo o contrário do que diz a Igreja Católica seria um demônio com aparência de anjo. Mas só a Igreja é Santa, só ela é verdadeira, só ela merece a nossa confiança ilimitada.
Os senhores devem perguntar o seguinte: "Esse varão que eu vejo aqui é católico? Quer dizer, a doutrina dele qual é? É a doutrina católica?" (13).
Os senhores vão examinar o que eu digo, é sempre assim: "A Igreja ensina que...". Eu dou as provas, eu dou os argumentos, e depois eu aplico aos fatos: "Quer dizer, esses fatos analisados com o espírito da Igreja indicam que...".
Quer dizer, então não procurar ser outra coisa a não ser filho da Igreja que serve de eco ao que Ela ensinou.
(...) Daí vem esse vínculo de alma profético que é um vínculo que eu lhes digo, meus filhos, para dizer alguma coisa, mas é mais do que um filho, são outros eu mesmo, nos quais vive o espírito que eu recebo, que é uma graça que me é dada a mim, que é a alma de minha alma e que é transmitida por mim aos senhores (14).
(...) Aqui durante essa reunião eu não arranhei alguns dos senhores? (...) [Uma das coisas que arranharam foi a seguinte]: “Eu não teria o direito de pegar dele uns chumaços assim e fazer meus? E me equiparar a ele ou ao menos diminuir essa distância de algum modo, sem um esforço nem nada?” (15) (...)
Não é verdade, meus filhos, que as baforadas do igualitarismo entram por aí? (16) (...)
Eu nunca vi em nenhuma reunião ele ser tão claro quanto a necessidade de nós vivermos das graças que vêm dele, da dependência nossa ao profetismo dele, da necessidade de união com ele, e também de explicitar quais são os nós que o demônio pode levantar e os nossos defeitos podem levantar em relação a ele.
O Sr. Enrietti perguntaria:
-- Mas isto era assim quando ele estava aqui. E agora?
Eu digo:
-- A mesma coisa (...) (17)
Comentários:
Segundo os joaninos, o rumo que cada membro do Grupo, e a TFP no seu conjunto, deve seguir, é dado por JC. Daí a docilidade com que embarcaram na revolta e na aliança com a Estrutura.
Para os joaninos, o canal da graça é, na teoria, Dr. Plinio; na prática, JC.
Os adeptos da seita de JC procedem --e o afirmam com maior ou menor grau de explicitação-- como se as graças todas convergissem na pessoa de seu senhor, do qual passam depois para os outros.
“Comigo”, isto é, com Dr. Plinio, não com o usurpador.
É o que se percebe em muitas fisionomias joaninas.
Existe um vínculo, uma união de alma sobrenatural, misteriosa, profunda, entre cada verdadeiro membro da TFP e Dr. Plinio.
Em virtude desse vínculo, o autêntico membro da TFP, conhece a Dr. Plinio, sabe como ele é, vê nele o Profetismo, seu chamado providencial, etc.
Os joaninos não tem esse vínculo com Dr. Plinio. Tanto assim, que eles mesmos proclamam em público que o nexo que tem --digamos que tenham-- com Dr. Plinio, é estabelecido através de JC.
Os eremitas de S. Bento e Praesto Sum se deixam tocar mais pelas palavras de JC, do que de Dr. Plinio. Uma amostra:
Depoimento do Sr. Rogério Pires (ENSDP, 19/7/98):
Na entrada de um Santo do Dia de 84 (...) os eremitas entraram com a imagenzinha de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Foram entrando com andor, com a imagem, e quando chegam logo frente ao SDP, a imagem vira no andor, quase pendurada de cabeça para baixo, em diagonal um pouco, 60 graus, mas não caiu no chão.
O SDP percebeu e fez um movimento assim como dizendo “cuidado!”. Aí um eremita foi lá, colocou a imagem no lugar. O SDP ficou com fisionomia muito séria e não falou nada. O auditório fez um alarido, todos viram.
Bom, (...) correu o SD normalmente. O SDP estava muito sério, analisando principalmente os das primeiras fileiras --que eram de SB/PS.
Terminando o SD, o SDP e foi à sala dele, frente ao Auditório São Miguel. E mandou chamar todos os eremitas.
(...) Então o SDP comentou o seguinte: os senhores quando estavam entrando com a imagem, ela quase cai do andor. Por que isso? Imagino que Nossa Senhora não está nada contente com os senhores, os senhores fizeram algo que Nossa Senhora não está contente. O que é isso? Não sei.
(...) Então aí chegou um eremita e disse: Dr. Plinio, se Nossa Senhora esta ofendida conosco, precisamos pedir uma penitência para o Sr., para que Nossa Senhora nos perdoe.
Aí o SDP disse: se eu mandar os senhores carregar uma pedrinha no bolso, os senhores vão carregar com nó; mas se o Sr. João mandar os senhores carregar um paralelepípedo, os senhores vão carregar um paralelepípedo. Então peçam para ele.
Então eles ficaram em silencio, pensativos.
Bom, quando sairam os eremitas, um deles me contou logo depois, e isso correu um pouco, vários comentaram isso.
Nada indica que isso não continue perfeitamente válido após o falecimento de Dr. Plinio. O próprio usurpador afirma isto mais adiante.
Essa pessoa não é JC. Ele não pratica o que prega.
Assim procedem os joaninos em relação a JC: o observam, o analisam, o estudam, fazem suas as intenções e os pensamentos dele, auscultam os movimentos de seu coração, etc.
Dr. Plinio considera deploráveis os elogios à bondade e paternalidade dele. E os desaconselha. Mas esses são os elogios favoritos usados por JC e pelos seus seguidores quando se referem a Dr. Plinio.
Essa pergunta-chave os joaninos não a formulam a seu supra-sacro-santo senhor. “À priori”, ele e tudo quanto ele faz, é bom.
A respeito disto, há duas concepções dos adeptos da seita joanina. Os menos entrosados acham que essa graça é dada a Dr. Plinio, o qual dá depois a JC, e este transmite aos resto de membros do Grupo. Os mais entrosados acham que essa graça é dada diretamente a JC, e JC depois a transmite ao resto.
Essa equiparação sem esforço, não corresponde à via joanina de “união” com Dr. Plinio?
Durante a reunião, o lado revolucionário dos presentes sentiu vários arranhões. As baforadas do igualitarismo entram por esses arranhões.
JC reconhece que tudo quanto Dr. Plinio disse continua inteiramente válido após seu passamento: a graça nos vem de Dr. Plinio --não de outrem--; dependemos do profetismo de Dr. Plinio --não de outrem--; a união é com Dr. Plinio --não com outrem.
No entanto, para os joaninos a graça vem de Dr. Plinio, mas através de JC; dependem do profetismo de Dr. Plinio, sim, mas interpretado por JC; a união é também com Dr. Plinio, mas se opera pela mediação de JC.
*
"Jour-le-jour" 16/3/97, parte II:
Da situação em que nós estamos para a situação que nós devemos chegar existe um abismo. Para atravessar esse abismo só mesmo construindo uma ponte, porque não dá para descer as escarpas desse abismo e nem dá para subir do outro lado. A travessia só se faz através de ponte.
Essa ponte [Dr. Plinio] declarava: "Essa ponte sou eu. Unam-se a mim". E é o que ele dizia: "Não adianta unir-se a todo e qualquer outro santo", como para São Tomás de Aquino não adiantava ele se unir a São Bento, ele se perdia. Aliás, isto é teologia, isto está defendido por grandes teólogos, grandes mestres, grandes doutores da Igreja: todo aquele que tem uma vocação específica e foge de sua vocação específica para cumprir uma outra põem em risco sua salvação. Põem em risco a salvação da alma! Tem vocação de dominicano e quis ser beneditino, pode ir para o Inferno. Por quê? Paternidade, filiação.
*
Reunião na Saúde, 18/3/97:
(Jorge Luís: Queria saber se os membros do Grupo participam do discernimento dos espíritos do Sr. Dr. Plinio.)
O Sr. Dr. Plinio disse, afirmou, eu acabei de passar os olhos por textos nesse sentido: nós participaremos, até o fim do mundo, de todos os dons dele. Claro que não é cada um que terá todos os dons. Um terá uma participação num dom, num certo grau; outro noutro dom, etc. Mas a obra dele permanecerá com os dons dele até o fim do mundo.
No "jour-le-jour" 16/3/97, parte I, JC lê e comenta a CSN de 21/12/85:
Vamos dizer que [S. Pedro Julião Eymart] estivesse dando uma instrução nos filhos dele num salão do convento deles, (...) e quando ele estivesse no mais importante, no mais conclusivo, no mais impressionante do que ele dissesse, viessem anunciar que estava passando sob a janela dele Napoleão III, por exemplo, olha Napoleão III, um charlatão. Bem, e que, um sacramentino dissesse "Eu vou prestar atenção nas aclamações, ou nas vaias, vou prestar atenção no Napoleão III admirativamente, é um homem importante que está passando, mas eu não vou deixar de prestar atenção no que está dizendo o meu superior, vou dividir a minha atenção". Nesse momento o superior sumia de dentro da cabeça dele, porque não é divisível.
É preciso admiração única. Senhores, não dá para a gente compartilhar a admiração que nós temos por ele com outras coisas. Ou é admiração só por ele e mais nada, ou então nós o perdemos. Não é divisível.
Se a gente quer dividir esse gênero de atenção o lado bom se evola, o que é compreensível.
É preciso nós pedirmos essa graça, a graça da admiração única por ele, a graça do encanto único por ele.
No entanto, Patrício Amunátegui, doutor da igreja joanina, sustenta que, assim como a devoção aos santos ainda vivos em nada prejudica ou diminui a devoção de hiperdulia que devemos a Nossa Senhora, a devoção a JC em nada atrapalha a devoção a Dr. Plinio.
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.228)
"Jour-le-jour" 18/5/97 - JC lê e comenta uma reunião de Dr. Plinio para os membros da Sagrada Escravidão, do ano 1974 (talvez de julho). O tema é como se opera a transmissão do espírito de Dr. Plinio.
(...) esses rapazes que já são de segunda geração --já tem uma segunda geração aí entrando, vão receber capa no dia 7 de junho--, que não conheceu o Sr. Dr. Plinio, entretanto tem um relacionamento com o Sr. Dr. Plinio íntimo, profundo e real, por quê? Porque a Providência dá a eles um conhecimento místico.
Como é que um beneditino vai conhecer São Bento mil e quinhentos anos depois do nascimento dele? Só por uma via mística.
Essa via é tão rica, que às vezes santos que não conheceram o fundador, levam a escola, o espírito, até o modo de ser do fundador mais longe do que os que conviveram com ele.
(...) Estes novos que entram recebem essas graças místicas e através dessas graças místicas é que eles têm um conhecimento do espírito bem aprofundado. Mais aprofundado até do que pessoas que possam ter convivido com ele durante anos.
(...) a virtude também é um [inaudível] e é principalmente uma graça, e essa graça contamina, se propaga de uma pessoa para outra.
Quer dizer, é dele que nós temos que receber as virtudes contra-revolucionárias, é dele que nós temos que viver a nossa vida de virtudes, caso contrário nós não conseguimos, tirando do manual, fazer um plano para nós seguirmos em tese. Isso não vai.
E o melhor modo de adquirir uma graça é como que olhá-la diretamente no outro. É o modo pelo qual ela passa para outro.
Então, o modo de uma graça passar dele para nós é nós analisarmos essa graça que existe nele. Enlevando-nos nós com essa graça, essa graça que existe nele passa para nós.É por isto que eu digo: a vinte meses que nós não o vemos, é verdade, mas existem fotos, existem textos, existem fitas, existem histórias, existem lembranças. É o que os senhores devem fazer, os que tiveram convívio com ele: lembrar tal circunstância, tal outra, tal cena, tal outra. Relembrando, revivem.
"Jour-le-jour" 25/11/96:
Faz parte da teologia sobre os fundadores -- que ultimamente tem se explicitado muito mais do que em outros tempos, mas que também em outros tempos muito se disse -- de que as graças relativas à vocação vêm através do fundador. Ele é o primeiro cálice, ele é o primeiro vaso onde a Providência deposita as graças todas da fundação, e é dele que essas graças passam para os outros.
Então, nossas graças relativas à nossa fundação, portanto, relativa à Contra-Revolução, à união com ele, essas graças nos vêm através dele.
*
"Jour-le-jour" 5/2/97:
Todas as graças de uma fundação são dadas ao fundador, e é através do fundador que nós participamos das graças que há no fundador. Ele é quem nos distribui essas graças.
Reunião na Saúde, 30/7/96:
[Nossa Senhora] me deu --eu sou obrigado a reconhecer que Ela deu e sou obrigado a dizer para os senhores que não existe mérito, que foi um dom dado por Ela, para os senhores também não imaginarem que isto dependeu de um grande esforço, que foi conquistado, etc.-- desde o primeiro momento que eu vi o Sr. Dr. Plinio, que foi na Basílica do Carmo no dia 7 de julho de 1956, eu quando o vi pela primeira vez tive no meu interior um flash; esse flash me acompanhou a vida inteira e me acompanha até hoje. (...) Quando eu bati os olhos e vi que ele era o chefe daquele grupo, ele era quem comandava aquele grupo, ele era o centro daquele grupo, [eu vi que] ele era o homem que eu esperava encontrar, ele era o homem que eu esperava conhecer, eu tive no meu interior uma certeza plena -- um dom dado pela Providência, uma graça mística dada pela Providência -- de que aquele homem ia reformar o mundo, de que aquele homem ia derrotar os maus -- eu não tinha idéia de Revolução e Contra-Revolução -- e ia implantar na face da Terra um regime por onde o bem estaria colocado no seu trono. Aquele era o grande vencedor de Deus.
Essa certeza, mesmo nos momentos de aridez, mesmo nos momentos de grandes provações, nunca me abandonou. E a morte dele no 3 de outubro não quebrou em mim essa certeza, pelo contrário (1).O senhor me perguntará:
-- Mas o senhor acredita na ressurreição dele?
Eu tenho a esperança de que ele ressuscite, mas eu acho que nem depende da ressurreição dele (2). Quer dizer, há algo de robusto, de sólido posto pela graça no meu interior --talvez para ajudar os senhores-- , há algo de sólido, de robusto, de firme, de coeso, de petrificado no meu interior que diz o seguinte: "Mais dia, menos dia, ele intervém. Vivo ou da eternidade, eu não sei, mas ele intervém e isso tudo muda".
Então nenhuma notícia abala, nenhuma notícia faz tremer. A gente pode ficar preocupado que não aconteça tal coisa, que a gente não dê pretexto para tal outra, que tal outra situação assim e assim é preciso resolver de uma certa forma, está bom, mas por cima disso está a certeza da vitória.
O que os senhores devem notar no convívio comigo é essa graça que a Providência deu (3) e que eu sinto que existe, independente dos meus méritos, até contra as minhas misérias. Existe, essa graça foi dada, que é uma graça de fé de que a vitória vem a qualquer preço, que ela vem mesmo.
Isto deu-se inclusive durante a morte dele. Porque os senhores viram quanta gente abatida, quanta gente assim chocada? Comigo não houve choque, porque aquilo era um acontecimento: "Isso aconteceu, mas isso não quer dizer nada (4). Quer dizer, continua tudo de pé, ele vai vencer". [Aplausos]
Isto eu tenho impressão que acaba transparecendo numa reunião, numa conversa, num convívio, que é aquela certeza interior que “pase lo que pase”, aconteça o que acontecer, essa vitória virá. Essa certeza da vitória para nós é indispensável, porque essa confiança -- mais do que confiança, essa certeza -- faz de nós homens inabaláveis. E nos dá uma graça extraordinária, nos dá um estado de espírito extraordinário, que deixa inseguros os adversários. Os próprios demônios ficam inseguros (5), porque como eles não sabem qual vai ser a ação de Deus, em que momento Deus intervirá, como é que vai ser, e por megalice, por orgulho eles têm a convicção de que vão vencer, quando chegam diante de nós depois de tudo o que aconteceu e olham para nós, dizem: "Puxa, mas esse pessoal continua acreditando? Tem qualquer coisa esquisita aqui. O que é que estará acontecendo?".
(...) Mas essa certeza vem de onde? Vem de um dom que a Providência deu. E deu não por causa minha, deu por causa dos senhores. Claro, para que os senhores pudessem -- tendo diante de si alguém que não esmorecesse com o que aconteceu -- ficar mais tranqüilos: "Não, se ele está assim tranqüilo é porque vai dar certo". É uma sustentação que a Providência deu para os senhores, porque eu de mim mesmo essa sustentação assim não precisaria, bastaria o flash do dia 7 de julho de 1956.
(...)(Aparte: [...] O senhor acabou de nos dizer que o senhor vai ser esse elo de graças para nós.)
Não, eu não disse isso. Isso já é conclusão de enjolras na capela. (...)[A Providência] permite que ele [Dr. Plinio] esteja ao nosso lado, permite que ele esteja nos ajudando, disposto inteiramente a nos ajudar, mas permite que a gente não se dê conta. Depois ela faz com que um outro chegue e chama atenção: -- Fulano, preste atenção, o Sr. Dr. Plinio está do seu lado.
-- De meu lado?!
-- Sim. Peça e veja como ele lhe atende.
-- Sr. Dr. Plinio, me ajudai em tal coisa assim. Puxa, está de meu lado mesmo.
Então a Providência permite que haja uma circunstância onde ele esteja ajudando constantemente, disposto a ajudar constantemente, pronto a ajudar a qualquer momento, mas permite também que eu não me dê conta, para que um outro chegue e diga:-- Olhe, preste atenção, porque isto é assim.
Aí, então, o que é que acontece? É que a pessoa pode ser que, por uma ação do próprio demônio, diga:
-- Olhe, presta atenção no Fulano.
Será um dos meios de ele agir sobre a pessoa para que a pessoa esqueça o fundador (6).
Eu se tivesse tempo lhe contaria com luxo de detalhes toda a história de Gedeão. Terminada a história de Gedeão, ele que era o último filho da última família da última tribo de Israel, vence os Madianitas e com todas as riquezas que eles conquistam dos Madianitas, entre as muitas riquezas, fazem uma capa para Gedeão. Gedeão quando entrava no Templo e ia rezar diante de Deus se revestia dessa capa.Gedeão morre. Sabe que os judeus caíram na idolatria e adoravam a capa de Gedeão? Adoravam a capa!
(Todos: Que horror!)
Com o Sr. Dr. Plinio, quando ele apontava uma estrela, tonto era quem olhava para a estrela e não para a mão dele. Conosco acontece o seguinte: se um de nós aponta para o Sr. Dr. Plinio, tonto é aquele que olha para a mão e não olha para o Sr. Dr. Plinio.
Agora os senhores ficaram em silêncio (7). O Pe. Olavo está ponderando aqui que o Sr. Dr. Plinio sempre apontava para as estrelas verdadeiras.
(...)
O Pe. Olavo diz uma coisa que é real. É que nós somos corpo e alma, e sendo corpo e alma nós precisamos -- como se diz em latim -- de um fantasma, nós precisamos de uma figura, nós precisamos de algo concreto. São Tomás diz isso: "Convertio ad phantasmata". Fantasma no sentido filosófico da palavra, ou seja, uma figura, algo de concreto.
Eu acho que a Providência, ao longo de toda essa extensão enorme que o Grupo ocupa hoje em dia no mundo, nos deu isso em várias partes. Ainda outro dia alguém me punha uma fotografia na mão para oscular -- em Miracema foi isso -- e era a fotografia do Sr. Petterssen, do Plinio Maria. Aquela seriedade, etc.
Eu osculei a fotografia e pensei o seguinte: "Ele agora é cultuado porque morreu, mas ele em vida era isso". A fotografia dele é tirada em vida, ele era isso. Depois me passam uma outra fotografia, era do Plinio Filipe, do Sr. Horácio Black, e me perguntam:
-- O que é que o senhor acha do Sr. Horácio? O Sr. Horácio era boa pessoa? Não era?
Claro, boníssima pessoa, estupenda pessoa. Nós osculamos a fotografia dele por quê? Porque ele era assim. Não é que ele ficou bom depois que morreu.
(Todos: Fenomenal!)
De modo que eu acho que o Pe. Olavo tem razão. Entre nós devem existir não sei quantos Horácios, devem existir não sei quantos Petterssens que são as figuras que nos fazem lembrar muito de tal aspecto, tal outro aspecto, tal outro aspecto, tudo o Sr. Dr. Plinio. Perfeitamente, perfeitamente plausível, perfeitamente ortodoxo, tanto mais que vem de um sacerdote cheio de fidelidade ao espírito da Santa Igreja. Perfeito (8)Comentários:
A certeza da vitória da Contra-Revolução, que JC tem, em lugar de ficar abalada com o falecimento de Dr. Plinio, ficou fortalecida ...Se assim é, cabe perguntar o que é que JC entende por “vitória da Contra-Revolução”. Não espantaria que seja uma concepção nova, como a que ele tem do Reino de Maria (cfr. Capítulo 14).
Para JC, a vitória da Contra-Revolução pode dar-se sem a presença física de Dr. Plinio.
A certeza da vitória, deve ser aurida, não na participação da graça de Genazzano, mas na admiração a JC.
Para JC, a morte de Dr. Plinio não quer dizer nada. Para que a “Contra-Revolução” vença, tanto faz Dr. Plinio estar vivo ou estar morto.
Essa certeza da vitória, fez de JC um homem inabalável, lhe deu um estado de espírito extraordinário e que deixa inseguro até ao próprio demônio.
Por um lado, JC afirma que seu papel de mediador pode ter sido permitido pela Providência. E por outro lado, afirma que pode ser um meio de o demônio fazer esquecer a Dr. Plinio. Com a primeira proposição, atende o veio “fervoroso” do auditório, isto é, os revolucionários de marcha rápida. Havia gente de S.Bento-Praesto Sum nessa reunião.Com a segunda, acalma um veio “sabugo” --eventualmente aí presente-- , constituído por pessoas que tem coágulos contra-revolucionários e poderiam se cristalizar se JC se apresenta-se abertamente como mediador.
A maioria do auditório não gostou da tese. São mais joanistas do que João.
Primeiro disse que a existência de um mediador pode ser providencial. Depois, que pode ser demoníaco. E agora, que é perfeitamente conforme a doutrina católica.Dir-se-ia que a intervenção do Padre Olavo “deu coragem” a JC para afirmar isso.
"Jour-le-jour" 5/10/97, parte II:
Nós devemos evitar ao máximo o egocentrismo: colocou-se no centro, está tudo perdido. Só há um que deve ficar no centro. Tirou este um do centro e pôs outro qualquer, tudo perdido. Agora, quando a gente toma um e põe no centro, aí está tudo arranjado. [Aplausos]
"Jour-le-jour" 27/10/96:
Eu estou já há 1h em ponto, mas eu não resisto em dar aos senhores a resposta a essa última pergunta que é de primeira (1). É rápido, eu tomo cinco minutos dos senhores, quando muito. Cinco, dez minutos.
(CSN 3/10/87 - Sr. G. Larraín: A gente vê que nessa reunião caminhou-se um pouco mais na compreensão da vocação, da visão do senhor. Mas vemos que falta muito ainda para caminhar. Há uma coisa mais de fundo, que toca uma certa profundidade da alma, em relação ao senhor, uma visão da pessoa do senhor, uma profundidade que só existe na pessoa do senhor, e em mais ninguém. Agora, o que é que é isso?)
SDP: Eu respondo até com facilidade, me servindo de uma outra metáfora. Você falou de Nosso Senhor com os apóstolos. Então haveria nos servidores dEle, alguma coisa -- Christianus alter Christus -- nos servidores dEle poderia haver alguma coisa de longinquamente análogo a Ele. Mas a coisa vai mais fundo. Na ordem natural, puramente natural, você encontra fenômenos onde seria muito difícil supor a ação da graça -- em rigor num ou noutro podia supor, mas seria muito difícil -- mas que são pessoas em cujas almas, de repente, o comum dos indivíduos vê, sobretudo antes do século passado, se você quiser, as pessoas tinham mais facilidade de ver, e se catalisam dentro da pessoa certos predicados, que indicam uma missão e um êxito!
Você toma o famoso caso do bastão do Condé em Rocroi, que está fotografado magnificamente lá na Rua Traipu. O episódio todo mundo conhece. Mas não atentam para o lado psicológico da coisa. Se quando Condé jogou aquele bastão os soldados não sentissem que realmente ia ter aquela vitória,...
É importante essa resposta, eu faço questão que os senhores prestem muita, mas muita, muita atenção, porque ela vai dar alento aos senhores e ela dá rumo à nossa vida. Nós estamos numa situação que choca um pouco o que ele vai dizer, mas por chocar exige de nós uma fé muito maior. Se nós tivermos a fé no que ele diz aqui, nosso problema está resolvido. Ouçam.
Quer dizer, quando Condé tomou o bastão e lançou, se os soldados não fossem movidos pelo ímpeto de que iam ser vitoriosos para conquistar aquele bastão, eles viravam para o Condé e diriam:
-- E agora? O bastão ficou do outro lado.
Claro! Se não houvesse dentro da alma deles aquele instinto de certeza da vitória, eles não se lançariam.
SDP: ... e que iam ter aquela vitória por algo que havia no Condé, que os levava a confiar que aquilo não era uma loucura.
Eles tiveram um instinto de vitória porque eles viram o donaire, o panache, o élan, a categoria, a distinção com que o Condé [jogou o bastão], como que dizendo: "Olhem aqui, esses espanhóis vão ver o que é o arrojo francês". Aí os soldados, olhando para o Condé e de dentro do Condé, percebendo a certeza que ele tinha da vitória, tomados eles mesmos por um instinto que vinha deles, mas que sobretudo era alimentado pelo que eles viam em Condé, os levava a confiar que aquilo não era uma loucura.
SDP: Então, porque eles sentiam isso no Condé, um fato puramente natural -- é uma luta de franceses com espanhóis. (...) Mas é um conjunto de qualidades naturais que faz com que o homem jogando o bastão, a gente diz: "Agora, com esse homem, nesse momento, isso vai!" .../...
Aí há uma censura e ele continua a frase assim:
SDP: ... procurando dar uma palavra para designar isso, fala de líderes carismáticos, generais carismáticos, de figuras carismáticas. Eles não têm a mínima idéia de sobrenatural dentro disso.
Se os senhores tomarem um homem que é assistido por dons de Deus e que, portanto, tem carismas, todos eles especiais, este homem desperta nos seus uma certeza de vitória muito maior do que o Condé nos seus soldados (2). É o que ele vai dizer.
SDP: Mas é um certo ser que conduz a um certo fazer, que a gente percebe que estão acumulados num certo indivíduo. E como se sabe que aquela constelação de circunstâncias é raríssima, ela, quando se dá, habitualmente não enfrenta outra igual a si.
(Sr. G. Larraín: Perdão, como é mesmo?)
SDP: Quando isso se dá, uma constelação de qualidades assim se dão no homem, de qualidades e de estados de espírito de momento, se dão num homem, como isso é raríssimo -- raríssimo no sentido português da palavra, quer dizer, muito pouco freqüente -- como isso é então raríssimo, o indivíduo que vê produzir-se isso no espírito de um outro, sente que não tem ninguém no lado oposto que seja carismático como aquele.
Como esse aqui não tem, do outro lado não tem.
SDP: Então daí deduz a vitória! Não é uma loucura, porque eu vi relampaguear algo dentro de um ente que tem carismas!
(Sr. G. Larraín: Agora, está excelente, mas não é só a vitória. É o feitio espiritual, moral da pessoa.)
SDP: Vamos devagar: é o feitio de certas virtudes na pessoa. Porque não é toda virtude que pressagia uma coisa do tipo de Rocroi.
(Sr. G. Larraín: Agora, o caminho para entender diretamente o que seja a missão do senhor é esse?)
SDP: Muita coisa. (...)
Há várias censuras dentro desse texto, mas o que eu imagino como censura -- eu estava nessa reunião, Dr. Edwaldo também estava, mas acho que não se lembra, eu não me lembro mais, eu reconstituo segundo hipóteses -- que o Sr. Dr. Plinio diz é o seguinte:
É que muito mais do que profecias de Fátima, muito mais do que analisar os acontecimentos, muito mais do que analisar a própria teologia da história, muito mais do que ter todos os princípios bem cravados e bem gravados dentro da cabeça, muito mais do que tudo isso, nós temos uma fé de que a causa dele é vitoriosa, será vitoriosa, porque houve um determinado momento que, por uma ação mística, nós num relâmpago vimos a certeza da vitória que estava na alma dele. E porque vimos essa certeza que estava na alma dele, acendeu-se em nós uma chama de certeza de vitória que é essa que nos mantém. Mais do que todos os recortes dos jornais, mais do que todos os acontecimentos, mais do que tudo, minha certeza se chama Plinio Corrêa de Oliveira. [Aplausos]
Com isso eu tomei dez minutos a mais dos senhores, mas nós demos o que...
(P. Morazzani: Sr. João, essa reunião foi uma coisa espetacular. As graças que houve com essa reunião, e eu estou certo que não é uma coisa pessoal, é de todo o auditório, são graças especialíssimas na linha da compreensão, da grandeza, do profetismo. (...) Mas, no meio dessa grandeza, uma coisa não se pode perder [de vistas] é: como nós compreendemos essa grandeza? Nós compreendemos essa grandeza graças a quem começou a ter um carisma de expor isso.) (3)
Ih! O senhor já está entrando pelo caminho errado...
[Risos]
(P. Morazzani: Se eu estou mentindo, eu calo. Mas se eu não estou mentindo, o senhor me permite falar (4). Essa grandeza [ininteligível] ver como nós compreendemos essa grandeza. Essa grandeza nós compreendemos porque uma pessoa nos [ininteligível] (5); uma pessoa teve o carisma de nos comunicar, nos transmitir, nos fazer compreendê-lo. E não só os que estão aqui, mas até as pessoas mais velhas pensam assim. O próprio Sr. Agope Serajdariam me contava, há alguns dias, como Dr. Plinio Xavier tinha comentado para ele, que ele tinha compreendido o Sr. Dr. Plinio graças ao Sr. João Clá. O senhor tem um carisma para isso. Eu não sentiria a respeito do Sr. Dr. Plinio o que sinto se não fosse o que [o senhor traduziu?] para nós. Todo o mundo ouviu essa reunião, essa reunião ficou esquecida. Se o senhor não tivesse trazido essa reunião aqui, essa reunião que o próprio Sr. Dr. Plinio dizia que é a mais importante da história da TFP...)
Até aquela noite.
(P. Morazzani: Até aquela noite, mas teria ficado no esquecimento. [...] Uma coisa que a gente fica com o coração oprimido, que tantas pessoas que não ouviram essa reunião agora, que não reouviram essa reunião agora, que a gente sente vontade de que todo mundo ouça. Mas não através de uma gravação porque os gestos, os imponderáveis não dão para se perceber numa fita, mas se essa reunião não podia ser feita num plenário? Não sei se seria possível, mas pelo menos pelo desejo, por amor a alma de todos os irmãos, filhos do Sr. Dr. Plinio. Se for possível...)
Podíamos fazer uma coisa bem melhor do que isso, que eu já lhe digo o que é que é. Mas eu respondo ao que o senhor exageradamente disse a meu respeito.
Se isto que o senhor diz é verdade, eu posso dizer ao senhor de que não é fruto de nenhuma natureza. Será fruto da graça (6), mas eu digo isso: que eu acho -- e já disse ao Sr. Dr. Plinio -- que eu às vezes tenho a sensação de que faço um por cento daquilo que eu quereria, porque eu quereria muito mais.
Ainda no dia 28 de janeiro de 95, quando ele me visitava -- foi a última visita que eu tive dele, estava com o espectro do câncer tomando os pulmões todos diante de mim e ele passou lá antes da Reunião de Recortes, para me animar -- ele dizia do apostolado que eu tinha feito, da minha missão, etc. Fez um profetismo, porque os médicos todos eram unânimes em dizer que era câncer e que eu estava condenado, e ele sem ser médico foi para me dizer isso: "Você não vai morrer agora, porque você não pode morrer agora por causa da sua missão". [Exclamações e aplausos]
Eu estava tão tomado pela provação -- eu não sabia que tinha sarcoidose, eu estava com idéia de que fosse câncer, e menos ainda sabia que a sarcoidose destroçava os nervos --, estava com os nervos liquidados, e nem entendia bem o que ele dizia. Às tantas ele me perguntava:
-- Mas você está entendendo o que eu estou dizendo?
Eu por educação dizia que sim, mas eu o imaginava longe, longe, longe, lá numa região completamente distante, com vidro ainda me separando dele e eu quase que não... Eu estava inteiramente desligado de tudo o que ele dizia.
Mas nessa ocasião eu disse para ele:
-- Sr. Dr. Plinio, o que eu fiz é um por cento daquilo que deveria ser feito.
-- Meu filho, é verdade, é um por cento -- portanto, é um por cento, ele garantia que era um por cento, ele dava o aval de que fosse um por cento-- mas este um por cento... -- aí ele fazer comentários a respeito do um por cento.
De modo que eu digo para o senhor: o que há ainda é um por cento. E eu rezo, eu peço para que Nossa Senhora desperte primeiro isso no Grupo de uma forma colossal e que mande gente muito melhor do que eu, porque se ele for servido por gente como eu, estarei triste, e se os que vierem depois forem menos do que eu, a obra estará em decadência. O que é preciso é que haja gente com mais thau, com mais gasolina, com mais compreensão, com mais entusiasmo, com mais fogo, com mais arrojo, com mais sabedoria, com mais prudência -- isso aliás não é difícil -- do que eu em quantidade, para que a obra dele possa ser espalhada, possa ser difundida, possa ser...
Isto não é só para os que vierem depois, é para os que já existem. Eu tenho certeza absoluta -- e aí é a certeza da vitória dele -- de que quando a graça do Grand-Retour descer sobre nós, nós sairemos como os Apóstolos quando receberam a graça de Pentecostes. Nós nos lembraremos de tudo aquilo que vimos dele e nós sairemos por esse mundo afora falando a respeito dele de uma forma completamente inimaginada, de uma forma completamente renovada, de uma forma cheia de luz, que nós converteremos multidões. E o Reino de Maria será um reino em que o varão da destra dEla estará junto com Ela, estará no seu trono, estará posto, portanto, no seu lugar devido e será conhecido. Será um Reino de Maria fundado por ele, mas será um Reino de Maria onde ele será cultuado como o fundador.
Aí por causa nossa, porque nós estaremos tomados por uma graça toda ela especial e nós o colocaremos no centro o quanto devemos. Sem ele no centro, nada feito.
Eu até sinto arrepio quando alguém diz o que senhor disse a meu respeito, porque tenho receio de que, de repente, alguém queira, por admiração, por gratidão ou coisa que o valha, colocar-me no centro (7). Isso para mim é um martírio.
Se alguém quiser fazer o maior mal para mim, tire o Sr. Dr. Plinio do centro e me ponha no centro (8). Esse me terá feito o maior mal de toda a minha história.
Então eu sinto um arrepio quando alguém diz alguma coisa como o senhor disse, porque eu já fico com receio de que, de repente, o demônio venha com algum trança-pé qualquer e venha fazer esquecer o Sr. Dr. Plinio para lembrar de um outro. Porque, claro! é mais fácil a gente lembrar de uma pessoa viva do que uma pessoa que se foi. Não caiamos nessa trampa do demônio (9). Qualquer um de nós por mais dons, por mais graças... Olhe que um São Tomás de Aquino levou a doutrina católica e a teologia católica muito mais longe do que um São Domingos. Entretanto, quando a gente olha para qualquer dominicano, a gente não pensa em São Tomás de Aquino, a gente pensa em São Domingos (10).
Por quê? Porque fundador é fundador.
-- Ah, mas São Tomás era mais inteligente do que São Domingos.
-- A perder de vista, a perder de vista, mas fundador é São Domingos. Ele, sim, tem as graças todas de toda a fundação.
Eu não sou um mal educado que não vá dizer ao senhor muito obrigado pelo que o senhor disse, mas eu sou um justo que sou levado a dizer que em parte o senhor talvez terá razão (11), mas veja bem: o que importa é esquecer dos dotes de qualquer um de nós, o que importa é pôr no centro a nosso Pai, Senhor e Fundador (12). [Aplausos]
Comentários:
JC chama a atenção de seus ouvintes para algo especial que vai ler.
JC fala de “um homem” “in genere”. Em outras ocasiões teria chamado a atenção do auditório: vejam bem, sublinhem, aqui não se trata de um qualquer, mas de Dr. Plinio.
Morazzani afirma que entendeu o que Dr. Plinio explicitou nesse texto --a grandeza de sua missão-- graças a JC. Para ele, a compreensão daquilo é tão difícil, que precisa de um intérprete dotado de carismas. Logo, ou ele não tem Tau, ou Dr. Plinio não tem clareza no que expõe.
Com efeito, JC assim define o Tau: “É uma capacidade de ver o fundador, é uma capacidade de entender o fundador, é uma capacidade de amar o fundador. Somente? Não. É uma capacidade de ver através dos olhos do fundador, de amar através do coração do fundador, de sentir através da alma do fundador. Esse é o Tau. (...) Nós, com o tau, recebemos uma implantação dentro de nossa alma de uma graça -- é uma comunicação de uma graça -- que é a graça do fundador, por onde nós compreendemos a ele, nós amamos a ele, e nós temos desejo de nos entregar a ele. (Cfr. reunião na Saúde, 26/11/96).
Morazzani --e seus congêneres-- tem uma capacidade de ver, amar e sentir através da alma de JC; por onde tem desejo de se entregar a JC.
Primeiro JC afirma que Morazani está entrando por um caminho errado. Depois Morazani responde: se estou mentido, calo; se digo a verdade, me permita falar. No final JC permite que fale. Quer dizer, na aparência JC discorda dessa tese; na realidade, concorda.
Este e os outros colchetes, são do texto original.
Agora JC disse que não sabe se é verdadeira a tese de Morazani ...
No entanto, quem não o põe no centro é qualificado por ele e pelos seus filhos espirituais como “fumaça preta”.
É precisamente isso o que estão fazendo seus adeptos: colocá-lo no centro de suas mentalidades. E sua revolta é para colocá-lo juridicamente no centro da TFP. E longe de censurá-los, ele próprio os dirige e estimula nesse sentido.
JC reconhece que fazer esquecer a Dr. Plinio e colocar em seu lugar outrem, é obra do demônio.
Em outros termos, S.Tomás de Aquino está para S.Domingos como JC está para Dr. Plinio. Que humildade!
Mais uma vez concorda com a tese de Morazani.
Por um lado afirma que o que importa é exaltar a Dr. Plinio. E por outro lado, concorda com a exaltação de sua pessoa feita por Morazani.
Reunião para a Saúde, 20/9/95:
Não me tomem como exemplo, hein! Eu sou muito menos do que eu gostaria de ser, muito menos. E eu ficaria triste se os senhores me tomassem por exemplo. Então os senhores vão ser aquilo que eu sou?! Está tudo perdido! É preciso ser muito mais! Cada um de nós precisa ser muito mais! Eu preciso ser muito mais do que eu sou.
Reunião para veteranos, 6/6/96:
De fato o que há nesses exageros todos que pode ter existido em Laje do Muriaé, em Miracema, em Campos, agora aqui neste último simpósio... Há exageros, mas é uma coisa curiosa: é que os exageros, nenhum deles, vão na linha de achar que existe sucessão. Isto é uma prova de que os próprios exageros no fundo procedem de um movimento de bom espírito, porque se fosse alguma coisa fora da pista, já começavam a esquecer o Sr. Dr. Plinio e diriam: "Ele não existe e existem outros" (1).(...)
Eu até disse isso numa reunião muito rapidamente, eu fiquei com escrúpulo disso tudo: "Bom, onde é que vai parar isso aqui?".Dr. Luizinho estava doente, não podia falar com Dr. Luizinho, eu disse: "Vou falar com o Cônego". O Cônego esteve aqui e me atendeu duas horas, de uma paciência única. Ele, aliás, é ultrasolícito, quando ele precisa atender, atende mesmo, se são duas horas, são duas, se forem cinco, serão cinco. Estivemos duas horas conversando e contei, mas nos detalhes-detalhes, absolutamente tudo o que estava se passando, tudo, tudo, tudo.
-- A coisa é assim, assim e assim. Agora eu quero me pôr nas mãos do senhor para saber o que é que eu devo fazer, se eu devo cortar isso, como é que eu me comporto diante disso.
-- Há algum movimento da parte dessa opinião pública toda que o senhor conta no sentido de que haja sucessão?
-- Não, eu não tenho notado, não vejo. Até pelo contrário, é algo que liga mais à pessoa dele.
-- Que efeito isso produz na alma do senhor?
-- Sr. Cônego, o senhor me conhece, eu vou dizer para o senhor com toda a franqueza. Para mim é um abacaxi! Eu preferiria muito mais que isto não fosse assim, porque eu teria mais liberdade de ser quem eu sou espontaneamente. Eu sou obrigado a tomar um cuidado.
Calculem só os senhores que um desses me procurou disse:
-- O senhor se lembra que há uns dez anos atrás estando no cemitério o senhor estava distribuindo umas rosas, eu pedi uma rosa para o senhor e o senhor não me deu?
Não me lembro de eu no cemitério, não me lembro das rosas, não me lembrava nem da figura dele.
-- Eu queria agradecer aqui ao senhor agora, porque foi um benefício para minha alma extraordinário, porque eu estava precisando desse aperto.
Então o cuidado que a gente tem que ter até na distribuição de rosas. Isso para mim é uma bomba, porque eu começo a preferir o isolamento ao contato com o público.
Então eu dizia para o Cônego isso:
-- Para mim até é algo que me constrange, me obriga a uma série de atitudes.
-- E o senhor nota que há algum mau efeito disso sobre os outros?
-- Não, o único receio que eu tenho é que haja reações contrárias.
-- Mas reações contrárias de quem, dentro do Grupo?
-- De pessoas como, por exemplo, X, Y e Z.
-- Bom, mas esses sempre fizeram parte de pessoas que reagiram até contrariamente ao Sr. Dr. Plinio.
-- Não, isso é verdade.
-- Mas da parte dos mais velhos?
-- Da parte dos mais velhos estão sabendo. Eu já contei para o Dr. Luizinho e os outros mais velhos sabem que isto acontece.
-- Olhe, aqui o que nós temos que aplicar é a regra da Igreja. A árvore má não produz bons frutos. Vamos deixar as coisas assim e ir analisando os frutos que produzem se os frutos forem bons, ainda que haja exageros, a gente vai tentando segurar os exageros o quanto for possível. Mas nós não podemos cortar, porque cortar isto significa cortar uma graça. E se alguém vier me perguntar eu estou disposto a dar a explicação que estou lhe dando.
-- O senhor me alivia a consciência, porque eu estava aflito, não sabia como conduzir isto, não sabia como...
-- Mas eu acho que tem que ser assim -- e assim ficou.
(Sr. Hélio: Uma daquelas de Miracema veio perguntar: "Na hora da reunião do Sr. João pode ajoelhar lá na frente?".)
Claro que não... hahahaha! A gente vê que não é... pode ser até um exagero, mas um exagero por onde ela está movida por uma graça.Não sei se souberam do episódio de Miracema, da porta que abriu atrás, etc. Contaram para os senhores?
(Todos: Sim.)
Aquilo não pode ter sido uma coincidência. Eu não vi porque eu estava de costas, mas eu vi que o auditório levantou num aplauso do outro mundo e eu não sabia o que é que era: "Puxa, eu só disse esse é o homem e esse pessoal começa a aplaudir".
Aí veio o Sr. Luiz Henrique atrás de mim e me explicou o que é que tinha acontecido.
Depois, pior ainda do que isso, é que quando em Miracema eu fui me despedir, para ir embora, do Pe. Olavo, ele vai e me oscula a mão, no meio daquela gente toda. Depois o Pe. Antônio me oscula a mão, e eu então para consertar osculei uma segunda vez a mão dele, ele me pegou a mão e osculou uma segunda vez. Eu disse: "Ai, agora estou perdido".
(Carlos Alberto: Na rua, não é?)
Na rua. Eu disse: "Agora aqui não tem mais jeito".
É uma situação que, de fato, a gente tem que enfrentar como ela é e ir segurando, coibindo, os exageros, mas não temos outra saída.
(Arnóbio Glavan: Sr. João, eu tenho ouvido milhares de repercussões de tudo isso dos correspondentes. Eu posso garantir e atestar que não vi um só que desviasse do bom caminho do Sr. Dr. Plinio.)
Quer dizer, não é que o Sr. Dr. Plinio está esquecido e foi relegado, pelo contrário.
(Arnóbio Glavan: Comentam muito a respeito do senhor, não tem dúvida, mas todos eles remetem ao Sr. Dr. Plinio. Não vi um só caso que fugisse dessa linha.)
Isto, portanto, é um bom fruto.
(Arnóbio Glavan: E tudo que eu noto é presença da graça. Não há uma coisa que seja meio desvairada, nada. Sempre a gente nota a presença da graça e os frutos são evidentes.) (2)
O Pe. Olavo me telefonou outro dia, há algum tempo atrás, me perguntando isso:
-- Sr. João, o senhor não acha que já é o Grand-Retour?
-- Porque o senhor diz isso, Pe. Olavo?
-- Eu já não venço mais de atender confissões gerais. E há uma série de senhores que não freqüentavam e nunca freqüentaram a capela e que estão freqüentando. Eu noto assim um ambiente de alegria, de um entusiasmo, de uma disponibilidade, que não existia antes.
É graça, é pura graça.
Comentário:
A respeito desse trecho, Patrício Amunátegui afirma:
Os exageros que possam ter acontecido tinham a marca do bom espírito. Se tivessem sido causados por intenções não louváveis, já teriam hoje, mais de um ano após os acontecimentos, redundado em frutos podres. Ora, os frutos continuam excelentes. (...) Aliás, basta um certo convívio com pessoas dos dois campos, ou seja, as orientadas pelo Sr. João e as rompidas com ele, para se verificar onde o SDP foi realmente esquecido. (...) De um lado, desolação, ódio incontido, anelos de destruição de irmãos de ideal, amargura, incerteza, (...) nosso Pai e Fundador fora do horizonte (...). Entre os que se colocam sob a orientação do Sr. João Clá acontece o contrário: (...) há um esforço sincero em reler as diretrizes que nos deixou (...). (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.229).
Quanto aos “excelentes” frutos que continuam aparecendo nos arraiais de JC, e à presença de Dr. Plinio no “horizonte” joanista, pode se citar:
A omissão do nome de Dr. Plinio na carta circular da associação joanina aos Bispos do Brasil;
A supressão do nome de Dr. Plinio nos estatutos da referida associação (Cfr. idem).
Quanto à desolação, ódio, anelos de destruição, etc., a afirmação do sociólogo, moralista e teólogo andino é de uma semvergonhice monumental, pois é precisamente isso o que carateriza as fisionomias dos adeptos da sociedade secreta fundada por JC. Ver abaixo as fotografias de dois deles (Amaury Moreira César e Felipe da Cruz, divulgando nas ruas um panfleto sobre a crise interna da TFP, em julho de 1998).
Quanto às diretrizes que Dr. Plinio deixou, os joanistas não só não as estão relendo, mas as estão calcando aos pés. Daí sua adesão escancarada à Missa Nova, o apostolado feminino e a aliança com a Estrutura.
Glavan não viu nenhuma das manifestações pentecostalistas das joaninas e dos joaninos? Também não viu nenhuma reunião para as moças?
Comparando certas tentações dos membros do Grupo em relação a Dr. Plinio, quando estava vivo e depois de seu falecimento, JC disse:
O nó é o ressentimento. Toca muito mais a parte afetiva e não, portanto, a parte racional, a parte volitiva, de adesão. [O membro do Grupo] está aderido, ele sabe que é profeta, ele não duvida da palavra do Sr. Dr. Plinio, mas está ressentido porque ele -- no fundo do amor próprio dele -- fica com a impressão de que o Sr. Dr. Plinio não gosta dele. (...)
Coisa do demônio, explorando o amor-próprio, mas não é pecado de fio de alta tensão, é um ressentimento que toma a parte afetiva. Prejudica muito, porque a pessoa perdendo esta confiança total, plena no Sr. Dr. Plinio, ela deixa de progredir na vida espiritual e fica meio paralisada, porque ela está na desconfiança. Faz mal espiritual, mas não é o mal que faz um pecado de fio de alta tensão. Esse é muito maior. (...)
O nó atualmente existe, o senhor tem razão, é inegável, pode dar-se, mas o nó hoje é muito menor... No fundo, do fundo, do fundo do nó está uma inveja da graça paterna. Como ele deixou de ser um concorrente porque foi para a eternidade, os nós por isso diminuem. Mas os nós que existem atualmente são reminiscências de nós antigos.
Vamos supor que uma pessoa tivesse uma desconfiança enorme em relação ao Sr. Dr. Plinio: ele não me estima. O Sr. Dr. Plinio vai para a eternidade, a pessoa continua sua vida aqui. De repente a pessoa se vê numa dificuldade, reza à Sra. Da. Lucilia e sente de repente também uma ação qualquer da graça que lhe diz: "Peça ao Sr. Dr. Plinio". Ela, então, diz: "Não, não vou pedir, porque ele não gosta de mim e não vai me dar".
É um ressentimento ainda antigo que se prolonga no post mortem e de uma forma malfazeja.
O que se dá depois da morte -- porque eu tenho notado que se dá muito depois da morte -- é o esquecimento progressivo da figura dele, da imagem dele, do pensamento dele, da palavra dele, do profetismo dele, da ação dele (1), isso tudo... Isto pode ser até um fenômeno coletivo. Se for um fenômeno coletivo, o que se passará é aquilo que eu já disse aos senhores: uma cidade toda que está afundando e as pessoas não se dão conta (2).
Depois de meses, uma cidade que estava oitocentos metros acima do nível do mar, chega um cientista que diz que andou fazendo medidas, topografias e não sei mais quanto e que a cidade está a duzentos metros abaixo do nível do mar. Aí, então, as pessoas se dão conta do calor que estão sentindo:
-- Ah, é verdade, está mais quente. Antigamente tinha umas brisas frescas e eu estava pensando que era o clima. Então afundamos mil metros, é? Bom, mas todo o mundo afundou junto.
Este é um fenômeno mais característico da ida dele à eternidade do que propriamente os que se passavam quando ele estava vivo.
(...) Por exemplo, dentro da vida de um êremo se a visão dele vai sumindo, o que é que vai acontecendo? É que os atos, o cerimonial, o próprio ordo eremítico vai se dessorando, e as pessoas começam a relaxar certos pequenos atos. Por exemplo, uma vênia. Tem uma imagem diante da qual todos os eremitas passam e fazem vênia. O normal é chegar, parar, bater os calcanhares, juntar os calcanhares, fazer a vênia para a imagem com uma jaculatória interior qualquer, depois seguir o caminho. Se este espírito começa a entrar, o sujeito dá uma batida do calcanhar olhando para outro canto... Essa atitude, por exemplo, vai decaindo, depois os cortejos vão relaxando, as genuflexões vão ficando cada vez mais frouxas, o cântico do ofício vai decaindo, o coro decai, tudo vai se desarranjando, desparafusando e tudo vai se afundando. Quando as pessoas se dão conta já estão lá embaixo, a mil metros.
Individualmente também. Quer dizer, isso se passa individualmente, pode se passar dentro de uma comunidade.
Por exemplo, eu falei de um êremo de cerimonial, mas poderia falar de um êremo de burocracia, um êremo de apóstolos de escritórios. Todos despacham seus papéis todos os dias, mas quando o Sr. Dr. Plinio estava vivo, o sujeito despachava os papéis e estava pensando no Santo do Dia de ontem, porque vai ao Santo do Dia de hoje, a bênção não sei quanto. Então aquilo saía com um certo entrain e um certo desejo de perfeição.
Morre o Sr. Dr. Plinio, os papéis continuam a ser despachados, mas um papel que era despachado assim, passa a ser despachado assim. Chega um papel, o sujeito pega e olha, lê, depois boceja, depois pensa um pouco: "Puxa, é verdade, eu preciso comprar sapatos. Agora, tem aqueles sapatos que são vendidos ali. Aquele que eu vi naquela vitrine aquela vez, puxa, aquele custava não sei quanto. A bolsa que eu recebo não dá, mas eu vou pedir para a pobreza". Depois pega outro papel e assim começam todos os funcionários a trabalhar cada vez mais desatarraxadamente.
Esses males só se evidenciam como o fígado. Dizem os dois médicos que estão aqui que o fígado é um órgão silencioso: a pessoa quando tem uma doença do fígado não se dá conta, ela só vai se dar conta quando o fígado estiver num estado deplorável. Assim é a decadência coletiva. As pessoas só se dão conta quando começa, de repente, um sai, pula a janela, o outro vai e não sei quanto, o outro começa a freqüentar a própria família, de repente some do ambiente. Às tantas alguém acorda:
-- Nossa, nós estamos em crise!
Mas aí o câncer já tomou conta do fígado (3). E nada como prever isso à distância. (Cfr. "jour-le-jour" 19/1/97)
Comentários:
Então, JC percebeu o fenômeno. Mas em lugar de contrariá-lo, o liderou.
A tal ponto as pessoas não percebem esse fenômeno, que --a julgar pela análise detida do texto respectivo-- nenhum dos presentes nesse "jour-le-jour" pediu aprofundamentos disso e sobretudo medidas contra isso.
Muito bem pego! Foi o que aconteceu: a podridão só foi percebida quando já estava muito adiantada.
Reunião para CCEE, 6/10/95:
Bem, eu queria dizer o seguinte, passando para um terceiro ponto, antes ainda de nós entrarmos em algumas explicitações feitas por ele em tempos idos: nada deve mudar, tudo deve continuar na mesma trilha.
Alguém perguntará:
- Escute, e se nos disserem: "Quem vai ser o sucessor?".
Respondam com toda a sinceridade, com toda a honestidade: não há sucessor. Sucessor de quem? Quem é que vai sucedê-lo? Há alguém que teria a coragem de dizer: "Eu estou à altura de ser um sucessor dele"? Não existe.
Alguém dirá:
- Bom, mas nas ordens religiosas houve sempre sucessores.
- É verdade, por isso é que foi um desastre. [Risos]
Não, mas é verdade. Cada sucessor que aparecia destruía toda a obra do fundador, uma coisa tremenda. De modo que entre nós não há sucessor.
(...)
- Mas então como é que vai ficar?
- Tudo vai ficar como ele deixou. Ele era um homem muito inteligente, muito capaz, muito santo, organizou a obra dele no mundo inteiro de forma a ela tocar por si pelo impulso que ele deu.
- Mas não tem ninguém que vai fazer isto ou vai fazer aquilo, vai ficar no lugar dele?
- Mas não há ninguém na TFP que tenha capacidade para ficar no lugar dele. Ele não precisa, pois ele já deixou toda a orientação, ele já deu tudo o que devia ser feito, todas as diretrizes estão estabelecidas, todo o espírito dele existe entre nós e as coisas vão tocando
No "jour-le-jour" 9/4/97, JC lê e comenta as seguintes palavras de Dr. Plinio a respeito de Carlos Magno:
Eu tenho para mim, como certo, que Carlos Magno foi o Fundador da Cavalaria. O ideal dele, aquele tipo perfeito que ele representou deu a inúmeros outros homens a vontade de serem como ele, e no tatearem o caminho para imitá-lo se desprendeu o tipo de cavaleiro e a aspiração da Cavalaria.
Eu me pergunto se Carlos Magno, como Fundador, não era portador de uma graça que se irradiou e com o tempo deu no ideal da Cavalaria. Se todos os cavaleiros que existiram depois não foram portadores, em última análise, de uma graça irradiada de Carlos Magno, mais ou menos, como uns membros de uma Ordem Religiosa são portadores de uma graça irradiada do Fundador.
O Fundador não é apenas uma pessoa que juridicamente constitui e institui uma obra, mas é aquele através do qual foi dada uma graça para essa obra existir (1).
Sublinhem com poste. Eu não resisto. Os senhores percebem por que é que se criou a Europa, por que é que se criou a Civilização Cristã? Foi porque os que conheceram Carlos Magno, os que conviveram com Carlos Magno não permitiram que Carlos Magno morresse no coração deles! [Aplausos]
Nós não podemos ser outros em relação ao nosso Fundador. Nós devemos levar em consideração que o nosso Fundador não é um fundador de uma mera instituição chamada TFP, não é só isso. Ele é fundador de uma civilização toda, de uma era histórica. Dele deve nascer algo superior ainda ao que foi a Europa cristã.
Portanto, não pode morrer nos nossos corações, porque senão virão os quirguizes com o coração muito maior do que o nosso, mais fervilhante do que o nosso, mais acolhedor do que o nosso, corações borbulhantes que farão do Fundador aquilo que os que conheceram Carlos Magno fizeram com Carlos Magno.
É obra de Satanás, é obra dos infernos querer colocar uma carapaça em cima de um fundador. Sobre esse não é que as mãos de Deus se retiraram. Sobre esse que age assim, conscientemente e voluntariamente, sobre esse as mãos de Deus não se retiraram, as mãos de Deus pairaram para amaldiçoá-lo. Este quer o contrário do que o Espírito Santo deseja, este peca contra o Espírito Santo, porque se revolta contra a graça paterna. E isto não pode ser, porque ele enquanto patriarca, enquanto fundador do Reino de Maria é pai de todos. Se um, quer seja dos nossos -- que Deus nos livre e guarde -- ou quer seja de fora das nossas fileiras --, se um se levanta para querer pôr um abafador em cima desta figura, este é um maldito (2). É a verdade.
Se alguém me dissesse "ou retira essa palavra ou eu te mato", eu diria: "Mate-me, porque eu prefiro morrer do que retirar essa palavra. Pode me matar". [Aplausos]
Eu me pergunto se Carlos Magno não tem uma ação misteriosa e sui generis através da História, pela qual o grande Imperador morto, de algum modo, acabou revivendo em toda a Europa por uma espécie de descendência espiritual, que deu origem a um prolongamento das graças obtidas por ele e que por meio dele foram vivendo nos outros, como a graça de Elias viveu em Eliseu (3), e depois nos carmelitas. E se os reis, os cavaleiros, os sábios, os teólogos e tudo o mais que houve na Idade Média, não foram um prolongamento dessa graça insigne que Carlos Magno recebeu.
Comentários:
Se por definição Fundador é mediador da graça, e se os revoltados consideram a JC mediador da graça, segue-se que para eles JC é também Fundador.
Uma pergunta a JC: sobre a pessoa que se apresenta como “sucessor” de Dr. Plinio e que visa destruir a TFP, não cai uma maldição análoga, ou até mesmo maior?
Segundo os joaninos, seu chefe está para Dr. Plinio como Eliseu para Elias.
"Jour-le-jour" 26/9/96:
(Louis Toenjes: Sr. João, [ininteligível] devotion to Our Lady [ininteligível].)
(Sr. Mário Navarro: [Tradução do que disse o Bem-te-vi.] "Eu tenho problemas com a devoção a Nossa Senhora. Será que o senhor poderia dizer como é que o senhor cresceu em devoção a Nossa Senhora?")
Ah, eu?!! Eu vou lhe contar uma coisa mais bonita ainda do que isso, é de como o Senhor Doutor Plinio cresceu na devoção a Nossa Senhora. [Risos] Eu cresci -- para mim é fácil dizer -- porque eu vi essa devoção nele. [Exclamações] Eu bebi essa devoção nele. De maneira que eu creio que contando como cresceu nele, eu acho que fica mais fácil fazê-la crescer nos senhores também.
A gente tem certa dificuldade em relação a devoção a Nossa Senhora enquanto não passou por um apuro espiritual muito grande na vida. Quando a gente passa por um apuro bem forte, a gente aí cresce na devoção a Ela. Por exemplo, no meu caso concreto (1) eu passei por um apuro tremendo na época do estrondo de D. Mayer, do mutuca, etc., etc., por onde eu me sentia culpado, me sentia peça principal de todo aquele estrondo e julgava que eu ia destruir o Grupo, e que o Grupo ia ser destruído por minha causa. Então, foi uma provação tremenda.
Em certo momento dentro dessa provação se acrescentou algo mais ainda, que era o caso todo do Dorival. E eu me lembro que viajando para Roma, eu estava no ano de 84, no dia 8 de dezembro de 1984, eu estava diante de Mater Boni Consilii Genazzano rezando e pedindo a Ela que interviesse, pedindo a Ela que interviesse. E Ela me dando uma consolação tremenda. (...) chega o Sr. Juan Miguel com um gravadorzinho e diz:
-- Tem uma série de grafonemas para o senhor.
Eu peguei o gravador e disse:
-- Puxa! Espera aí! Para ouvir esses grafonemas eu tenho que abandonar essa graça aqui, tenho que sair da igreja e ouvir lá do lado de fora. E perco esse convívio com Nossa Senhora! Oh! não é possível isso. Espere, eu vou ficar um pouco mais. Mas olhe, de repente há alguma coisa urgente e importante que você tem que tomar providências, de repente é alguma recomendação do Senhor Doutor Plinio, é melhor você ouvir isso.
E ao lado estava havendo aquela bagunça de missa nova, etc., e eu dentro da capela, bem no canto ali, disse:
-- Olha, você quer saber de uma coisa, eu vou pôr esse gravador bem no ouvido e vou ouvir aqui dentro e olhando para a imagem.
E pus, e foi uma surpresa. Porque era a própria voz do Senhor Doutor Plinio: Meu caro João, sei que você está aí em aflições se debatendo com problemas relacionados com o caso do Dorival e outras coisas mais, etc. E em Genazzano não podia ser melhor lugar para você se encontrar para pedir graças a Nossa Senhora. Mas, eu quero me antecipar transmitindo a você uma notícia que vai lhe encher de contentamento, e creio que é intervenção de Nossa Senhora do Bom Conselho de Genazzano. O caso do Dorival está encerrado assim, assim, assim, assim. De modo que esse caso ficou para trás na sua história e na nossa história.
Parei o gravador e ... Ah!
Aí é que está, era Nossa Senhora que estava preparando isso e não sei mais quanto. Então mais união. Por quê?
Porque a gente passa por uma dificuldade e nessa dificuldade vai rezar a Nossa Senhora e Nossa Senhora atende (2) (3).
Comentários:
Um novato pergunta a JC como é que ele cresceu na devoção a Nossa Senhora. JC primeiro mostra certa surpresa pela pergunta, depois oferece contar como cresceu a devoção de Dr. Plinio a Nossa Senhora, mas acaba narrando um exemplo concreto dele.
Observe-se que nesse relato, todos os personagens --a imagem de Mater Boni Consilii, Dr. Plinio, o Sr. Juan Miguel-- e tudo quanto eles fazem gira em torno da provação de JC. Até nas palavras que Dr. Plinio lhe teria enviado, a história de JC tem precedência sobre “nossa história”.
Depois dessa narração, aí sim JC conta como nasceu a devoção de Dr. Plinio a Nossa Senhora. Mas nesta vez, JC é mais breve ...