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O Anticristo já veio?


Capítulo 22 - Determinação de sabotar a imagem de Dr. Plinio, dentro e fora da TFP


Capítulo 22 - Determinação de sabotar a imagem de Dr. Plinio, dentro e fora da TFP 1

I. Amostras de uma campanha de apresentação de Dr. Plinio enquanto místico 2

II. Amostras de uma campanha de apresentação de Dr. Plinio enquanto homem cheio de dons sobrenaturais, mas que no fundo é uma marionete na mãos de Deus, porque nas suas operações não entra o livre arbítrio nem o contributo pessoal 23

A. Dr. Plinio nasceu com dons do Espírito Santo super–excelentes 23

B. Sua docilidade à voz da graça era um dom 24

C. Todos os sensos do SDP eram dons místicos 24

D. Tudo quanto Dr. Plinio tem é dom sobrenatural. Manifestava tudo isso de forma subconsciente, espontânea (portanto sem precisar da ascese) 25

E. O espírito contemplativo de Dr. Plinio, não é um efeito de seus dotes naturais auxiliados pela graça, mas um dom de contemplação infusa 28

F. A capacidade de observação de Dr. Plinio vinha de um dom 29

G. Por um dom dado por Deus, Dr. Plinio via imediatamente a perfeição de todas as coisas 30

H. Por um dom do Espírito Santo, Dr. Plinio já viu tudo a respeito de tudo 31

I. Fatores do discernimento dos espíritos de Dr. Plinio 32

J. As explicitações de Dr. Plinio eram místicas 34

K. Para compor uma oração, Dr. Plinio não precisava pensar 35

L. O conhecimento que Dr. Plinio tinha de si próprio, vinha da graça 36

M. Perceber que tinha que praticar eximiamente todas as virtudes, foi um “dom” da Providência para Dr. Plinio 36

N. Dr. Plinio teria sido santificado por um olhar místico de Nosso Senhor Jesus Cristo 36

O. quando Dr. Plinio escolhia uma fatia de pizza, agia sob o influxo do Espírito Santo 36

P. Como os joaninos vêem o Profetismo de Dr. Plinio 37

III. Amostras de uma campanha de divinização de Dr. Plinio 37

IV. Transfondo dos louvores de JC a Dr. Plinio: fazem o jogo da Revolução ou da Contra-Revolução? 47

A. Visualização em função das normas dadas pelo próprio Dr. Plinio a respeito de como não deve ser apresentado 47

É preciso tomar o cuidado para não parecer um fanático daquilo que para nós é um ideal. (...) [Por que? Porque] se a gente vai mostrar idéias muito definidas, e vai sobretudo ser muito caloroso no que afirma, eles [os prosélitos] se afastam. 49

B. Visualização em função da máfia de que Dr. Plinio seria um guru 52

C. Razão de ser da sabotagem do livro do Prof. De Mattei 54

D. Visualização em função da Arte Real 58

1. Jeito de predispor uma pessoa a prestar ouvido à voz do demônio 58

2. Lei do Pêndulo 60

E. Um modo de tentar a Dr. Plinio? 60

V. Doutor Plinio não se tem em conta de místico 61


***




I. Amostras de uma campanha de apresentação de Dr. Plinio enquanto místico


Reunião na Saúde, 20/9/95:


O Sr. Dr. Plinio tem o dom de contemplação, desde que ele nasceu. Desde que ele se deu conta de que existia, e, portanto, teve uso da razão, ele tinha recebido da Providência esse dom preciosíssimo da contemplação. Ele é um contemplativo.

Contemplação é um dom místico por onde a pessoa que o possui experimenta, em sua alma, a ordem --quer seja a ordem da criação, quer seja qualquer outro dom de Deus, diretamente falando--, sente na sua alma a relação que existe entre a ordem da criação e o próprio Deus. É, portanto, uma pessoa com uma participação muito profunda --o quanto a natureza humana possa participar nessa vida-- da própria visão que tem Deus das coisas.

Então, ele, no caso concreto, sendo chamado a ser o fundador do Reino de Maria, ele tem em si todas as arquetipias, ele é um homem que bate os olhos numa garrafa... Essa garrafa aqui, nós batemos os olhos e constatamos: é uma garrafa. E criamos a idéia abstrativa de uma garrafa. Garrafa, o que é? É um recipiente cilíndrico, que vai se afilando na ponta, e que é vazio por dentro, para conter algum líqüido. Essa é a idéia abstrativa de garrafa. Está bem. Ele bate os olhos, e não lhe vem a abstração à cabeça; lhe vem a arquetipia. Então, ele, imediatamente imagina a garrafa mais perfeita que poderia ter sido criada (1).


Comentário

  1. Aquilo não é imediato. Na apostila do “Processo Humano”, Dr. Plinio mostra que, antes de chegar à arquetipia, ele passa pela abstração.


*


Reunião na Saúde, 21/12/95:


Se o senhor olha aquela fotografia dos 4 anos, [o SDP] era um menino banhado de graças místicas a mais não poder. Ele via o tempo inteiro como que pervadido, invadido, tomado, supertomado e penetrado por graças místicas. Era um contemplativo quase que já na pré-visão beatifica.


*


"Jour-le-jour" 22/1/96:

Ele tinha fenômenos místicos extraordinários. Esse caso da música em frente ao Coração de Jesus, isso é um fenômeno místico extraordinário. Nosso Senhor que suspirou três vezes, um fenômeno místico extraordinário.

(...) na infância, ele como já nasceu para o uso da razão com os dons todos do Espírito Santo muito acesos na alma dele, muito vivos, muito intensos, inclusive o dom do discernimento dos espíritos, depois o dom de sabedoria já na infância. Ele fazia comentários, dizia coisas na infância, que deixava a família assim... E que imaginavam que era a natureza.

Então, ele já desde menino, quando era levado à igreja, já tinha tido, portanto, diante da imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo, do Sagrado Coração, esta visão direta da alma, que é um fenômeno místico extraordinário, ele já tinha feito a correlação entre toda a santidade da Igreja do Sagrado Coração de Jesus: o órgão, os vitrais, a proporção, o ambiente sobrenatural e o que havia de santidade na alma da mãe.

Então, ele já tinha tido, portanto, uma visão contemplativa mística, fenômeno nada de ordinário --não é mística ordinária-- fenômeno extraordinário da mística, já na infância, de repente, nessa fase da vida dele em que houve uma outra intensidade de graças para prepará-lo para os sofrimentos que vinham logo depois dessa fase.

(...) Acho que ele deve ter tido na infância o que ele chama de "fogos de artifício de flashs". Ele deve ter tido graças místicas extraordinárias, colossais, no começo da infância dele. Deve ter tido períodos depois ao longo da vida, preparando o que vinha.


*


"Jour-le-jour" 24/1/96:


Por revelações feitas por ele, abertura de alma que ele teve, fica patente --isso ele próprio confessou e o Prof. Martini provou agora pela doutrina-- que ele é contemplativo de fenômenos místicos extraordinários.


*


"Jour-le-jour" 8/2/96 – A final da reunião, realizada em Spring Grove, JC comenta uma fotografia do SDP menino:


Ele aqui está com os seus sete, oito anos. Os senhores devem ter ouvido as conferências do Prof. Martini, que são muito boas conferências, conferências realmente abençoadíssimas, muito bem feitas, com muito conhecimento técnico, com muita bênção, com muito fogo. Se os senhores se lembrarem da conferência, os senhores verão que ele aqui representa aquilo que o Prof. Martini disse com muita propriedade sobre o senso contemplativo, sobre a contemplação infusa que ele recebeu, o Sr. Dr. Plinio, no nascimento. Aquilo que foi o final da vida de um grande místico, foi o começo da vida do Sr. Dr. Plinio.

Os senhores devem se lembrar que ele se referia (...) àquele encontro do Sr. Dr. Plinio, de nosso Pai e Fundador, com Nosso Senhor Jesus Cristo, imagem, no Sagrado Coração de Jesus aos cinco anos de idade. Ele ali com cinco anos olhou para a imagem e, por causa de um dom místico de contemplação profundo, ele viu na imagem o quê? Ele não viu a imagem, ele viu a alma que estava dentro da imagem.


*


Reunião para os veteranos, 26/3/96:


Eu perguntei para [Dr. Plinio] uma vez:

-- Sr. Dr. Plinio, o senhor em que momento percebeu que tinha discernimento dos espíritos? Quando é que nasceu o discernimento dos espíritos senhor?

-- Meu filho, não entendo bem a pergunta, porque o discernimento dos espírito de seu senhor se evidenciou logo ao primeiro lampejo de razão.

Quer dizer, ele tinha união mística com Deus já no ponto de partida.

(...) Dom de sabedoria quando é que nasceu nele? Quando a razão começou a funcionar já existia.

(...) ele teve, já desde o início, aquilo que os grandes santos, os grandes místicos recebem no fim, que era uma união mística com Deus profunda.


*


Reunião na Saúde, 16/4/96:


O Sr. Dr. Plinio passou por mais fenômenos místicos do que nós pensamos.


*


"Jour-le-jour" 23/4/96:


Ele tinha dons místicos. Se bem que dissessem que era mística ordinária, ele tinha dons místicos extraordinários. A experiência comprovou ao longo dos anos. Não há a menor dúvida. Os fenômenos que se passavam com ele, muitos deles eram fenômenos místicos extraordinários.

E ele uma alma mística desde o seu nascimento, desde o momento em que ele acordou para o uso da razão.


*


Reunião na Saúde, 4/6/96:


O Senhor Doutor Plinio teve já desde o início um tal vulcão de graças, uma tal caudal de graças que ele foi contemplativo já no ponto de partida da primeira inocência dele, e que teve dons místicos extraordinários já desde o início.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 14/6/96:


Tenho uma noção clara, é de ele ter recebido muitas vezes comunicações místicas de Nossa Senhora, e profundas (...)


*


Reunião para CCEE mulheres, 15/6/96:


O dom do discernimento dos espíritos que ele tinha desde o momento do uso da razão


*


Reunião confidencial para CCEE, Miracema, 26/7/96:


Mas eu acho que na alma de um santo como ele, tudo, absolutamente tudo, se passa de uma forma meio mística, com graças operantes monumentais. Ele deve ter recebido uma infusão do espírito de combatividade da própria Nossa Senhora. Ele, portanto, deveria participar de uma forma meio mística -- de uma forma, portanto, extraordinária, não das formas comuns -- do espírito polêmico de Nossa Senhora, do espírito de combatividade de Nossa Senhora.


*


Segundo JC, a capacidade de perceber arquetipias é um dom místico. Porém, conforme Dr. Plinio ensina, essa capacidade, de si, nada tem de mística; é natural, está muito ligada à inocência, ou até talvez se identifica com a inocência - Reunião na Saúde, 30/7/96:


É que ele, Sr. Dr. Plinio, tinha um dom místico que é extraordinário, e esse dom místico lhe foi dado desde a mais tenra infância. Ele tinha o dom místico das arquetipias, ele olhava para um objeto qualquer pela primeira vez e ele não via só o objeto.

Vamos supor, ele nunca tinha visto um copo. Apresentava-se um copo diante dele, ele via aquele copo e analisava aquele copo. Nós vemos o copo e nada mais; ele olhava para o copo e, além do copo, via o copo arquetípico, o mais perfeito de todos os copos que poderia ter sido feito e não foi. Em função deste copo arquetípico é que ele analisava o copo real que ele tinha diante de si.

Isto por quê? Por causa da vocação dele, por causa da ligação dele, por ser ele o reflexo da ordem do universo. Ele batia os olhos e por um dom místico, excelente, ele via logo as arquetipias. Ele via o que na mente de Deus estava como mais perfeito em matéria de copo.


*


"Jour-le-jour" 26/9/96:


[Dr. Plinio] aos cinco anos de idade, por uma graça mística colossal, chegou diante da imagem do Sagrado Coração de Jesus, olhando para a imagem ele viu a imagem, ele num flash, numa graça mística, num discernimento dos espíritos, penetrou a imagem e viu a alma de Nosso Senhor Jesus Cristo.


*


"Jour-le-jour" 22/11/96 - JC lê um texto (parece que era MNF) onde Dr. Plinio descreve seu relacionamento com o Sagrado Coração de Jesus e sua forma de religiosidade --bem diferente da joanina.

Com a maior sem cerimônia --e sem que nenhum de seus ouvintes manifestasse nenhuma estranheza—, JC foi contradizendo (até de modo irreverente) a Dr. Plinio e sustentado diametralmente o contrário do que Dr. Plinio diz nesse texto. No final citou teses de Bossuet e Tanquerey, visando encaixar à força a espiritualidade pliniana --caraterizada pela inocência, capacidade de arquetipizar e senso simbólico-- dentro da mística extraordinária.


São Pio X é um exemplo alto demais para eu fazer essa exposição. De outro lado, não acho que esse fenômeno que eu digo é privativo dos santos de heroicidade de virtudes e próprios a serem canonizados, mas é privativo de todas as almas virtuosas. A esse título, entendido como almas virtuosas as almas que estão na graça de Deus, eu poderia explicitar um pouco mais o que eu já disse das minhas impressões em pequenino, na Igreja do Sagrado Coração de Jesus (...). Por exemplo, a seriedade. A seriedade do Sagrado Coração de Jesus me impressionava muito. Mas era uma seriedade na qual eu poderia distinguir pelo menos alguns aspectos; porque no seu fundo a seriedade traz consigo que a pessoa, ao considerar algo ou alguém, não considere apenas algo ou alguém, mas considere esse algo ou alguém enquanto inserido em todo o contexto do Universo. (...) Alguma dessa seriedade avoenga eu percebia que a imagem do Sagrado Coração de Jesus queria fazer entender. No modo de segurar o coração, rodeado de espinhos, ainda pegando uma chama, no centro da chama uma cruz; o coração vermelho daquele jeito que dava idéia, por mais bonito que seja, dá uma idéia de certa violência, o coração tirado de dentro do peito e colocado do lado de fora, dá uma idéia de uma certa violência. Tudo isso fazia lembrar toda a Paixão que Ele tinha sofrido. E a carga desses símbolos e aquela pergunta assim, significava o seguinte: "Você se dá conta de que em cada ato que você fez mal você feriu Meu Coração? Olhe como Eu sou bom, meça o mal que você fez." (...). Tudo isso me vinha muito na consideração do Sagrado Coração de Jesus. Mas também no ambiente imponderável da Igreja. A meu ver, é fora de dúvida que era uma graça. Então também é fora de dúvida que eu arquetipizava a imagem. A imagem diz algo nessa direção, mas eu arquetipizava involuntariamente por efeito da inocência; mas de fato, para mim, aquela imagem dizia isto. (...) Quer dizer, eu sentia bem que aquilo por onde Ele como que estava me dizendo essas coisas naquela hora -- porque nada disso era aparição, não era visão, não era nada, está na economia comum da graça --,...


Não vão nessa não, da economia comum da graça. Isso é mística da mais alta mística.

... nada do que como que me tinha dito naquela hora... Era apenas como quem me vê passar pela estrada, um grão de poeira perdido no meio de milhões de outros homens, um pimpolho, e diz: "Uma vez que você está aqui, para você eu tenho algo a dizer. Agora ande e trate de tirar proveito."

Que nada! Não trata de um pimpolho, coisa nenhuma, nem uma poeira entre milhões no meio da estrada. É um homem completamente incomum.

(...) essas coisas não tinham sua sorgente em mim, mas Ele comunicava. E daí o desejo evidente de me unir a Ele. Mas não é só de me unir a Ele, é morar nEle. Se eu pudesse estudar, rezar, conversar com amigos, enfim, fazer tudo quanto faz um menino, mas ao pé da imagem do Sagrado Coração de Jesus, seria para mim uma explosão de alegria, porque a imagem comunicaria para mim, impregnaria tudo o que eu fizesse, inclusive impregnaria meus amigos, disso. Ou seja, eu queria morar nisso.

Notem uma particularidade: eu poderia dizer que eu quereria estar o tempo inteiro rezando lá. Eu diria não às brincadeiras, não à comedoria, não ao leito bom, ao meu conforto, tudo por Ele. Não era isso, não. [Mas era:]-- "Como seria bom se ele pudesse estar presidindo tudo isso. E como um éclair... Eu toda a vida fui muito louco por éclair; ou mesmo um appfelstrudel, não esses ácidos e ordinários que fazem hoje em São Paulo. Havia uma confeitaria vienense, chamada "A Vienense", que fazia appfelstrudel dignos do paladar humano; então um appfelstrudel com chantilly. Se eu pudesse trazer às escondidas e comer aos pés dEle, como eu ficaria contentíssimo."

E sabe que eu acho que não tinha nada de mau nisso? E, portanto, também dizer a Ele: "Senhor, aqui está um appfelstrudel ou um éclair tão afim convosco, que eu vou me unir a Vós comendo-o, pensando em Vós. Abençoai esse éclair".

Comesse e depois dissesse: "Senhor, eu trouxe mais mais um...". Lá vai o segundo. Logo de uma vez o éclair de minha preferência, que não sei porquê não era o éclair de chocolate mas éclair de café com leite, era o meu éclair.

Depois ia embora, se se tratasse de ir embora, se eu não pudesse fazer tudo lá, dizendo: "Senhor, infinitas graças pela boa companhia que me destes."

Não sei se percebem que há aqui, em raiz, a vocação da consacratio mundi, da sacralização da ordem temporal.


(...) tudo isso aqui é oração de quietude, tudo isso aqui é via mística, tudo isso aqui é via unitiva.


Eu notava que esse meu ar assim, ao mesmo tempo severo mas de “bon viveur” não agradava aos padres, que eles gostavam de menino asceta ou de menino revolucionário. Não estava em mim, não sou nem asceta, nem revolucionário!

Eu sou um menino da ordem temporal, que gosta da ordem temporal, me alegro muito em poder delectá-la, sabendo meu estado de graça e sabendo que nesse meu deleite não vai pecado, pelo contrário, é bom, e tudo isso é afim com Ele.

É neste sentido que eu gostava enormemente, enormemente, em certas horas, de estar só. Mas não pensem que é rezando. Eu rezava pouco.

(...) Portanto, era uma coisa profundamente religiosa; mas sem ser, veja bem, assim nos primeiros aspectos da coisa, diretamente piedosa ou sobrenatural.

Como não? É mais do que isso, é místico.

Quer dizer, se você me perguntar: "O senhor foi um menino muito piedoso, no sentido de rezar muito e de freqüentar muito os Sacramentos?" Eu diria: eu rezava volontier, mas pouco. E freqüentava os Sacramentos volontier, mas pouco. Porque, se alguém me desse o mínimo impulso neste sentido, na ordem em que eu estava posto, eu faria mais.

Mas eu tinha a impressão, subconsciente também, de que, se eu me pusesse na clave "muito piedoso", eu teria que tomar a mentalidade do menino asceta, e que o menino asceta estragaria qualquer coisa em mim. (...)


Enquanto os senhores viram a página, eu pego uma página de um manual que é o manual o mais corriqueiro, o mais comum, o mais citado, o mais usado aqui, lá e acolá por não sei quantas instituições, pessoas de vida de piedade, etc.Primeiro eu dou uma noção, que está aqui escrita por Bossuet, [o qual] define o que é oração de simplicidade, e essa oração é a oração que o Sr. Dr. Plinio descreve que fazia com o Sagrado Coração de Jesus. Bossuet diz:


É necessário habituar-se a alma a alimentar-se de um simples e amoroso olhar em Deus e Jesus Cristo, Nosso Senhor.


Então, simples e amoroso olhar. O que ele tinha era isso.

E para esse fim é necessário separá-la suavemente do raciocínio, do discurso e da multidão de afetos, para conservar em simplicidade, respeito e atenção, e aproximar-se desse modo mais e mais de Deus, seu primeiro e último fim.


Esse desejo de comer um éclair ali diante [da imagem] era ou não era um desejo de aproximar-se mais e mais desse último fim? (1)


A meditação é muito boa, em sem tempo. É utilíssima no começo da vida espiritual, mas não se deve parar nela, pois que a alma pela sua fidelidade em se mortificar e recolher recebe de ordinário uma oração mais pura e íntima que se pode chamar de simplicidade (2).


Mas acontece que isto que se dá no fim de um processo de vida espiritual, ele está descrevendo que teve na infância.

Oração de simplicidade, a qual consiste numa simples vista, olhar ou atenção amorosa, em si para qualquer objeto divino...


É a imagem do Sagrado Coração de Jesus, é o Sagrado Coração de Jesus.

... quer seja Deus em si mesmo, quer alguns dos seus mistérios, ou quaisquer outras verdades cristãs.

A ordem do universo. Está aqui (3).

Deixando, pois, o raciocínio, serve-se a alma de uma doce contemplação que a conserva tranqüila...


Os senhores vejam aqui:

Então, nessas horas de silêncio, eu sentia uma paz e uma alegria sensível da virtude, da união com Ele, mas sensível intensa, que era minha alegria de viver.

Não é nenhum raciocínio (4).


... atenta e suscetível das operações e impressões divinas que o Espírito Santo lhe comunica. Faz pouco e recebe muito; o seu trabalho é suave e contudo mais frutuoso; e como se aproxima de mais perto da fonte de toda a luz, de toda a graça e de toda a virtude, abrem-se-lhe esses tesouros com mais generosidade.


É uma pena, porque o nosso tempo é curto, mas o que ele vai dizendo a respeito da oração de simplicidade vai se aplicando palavra por palavra ao Sr. Dr. Plinio(5).


Agora diz o Tanquerey:


Assim, pois, compreende esta oração dois aspectos essenciais: olhar e amar.

Mas vejam que é o tipo de oração que nós somos chamados a ter em relação a ele, em relação a ela.

Olhar a Deus ou algum objeto divino com o fim de o amar, e amá-lo para melhor o contemplar. Se se compara esta oração com a meditação discursiva ou afetiva, observa-se nela uma tríplice simplificação que bem justifica a expressão empregada por Bossuet.


Oração de simplicidade.

A primeira simplificação é diminuição, depois a supressão dos raciocínios, que tão grande parte tinham na meditação dos principiantes. Obrigados a adquirir convicções profundas e, por outro lado, pouco habituados aos piedosos afetos, necessitavam refletir longamente sobre as verdades fundamentais da religião e sobre as suas relações com a vida espiritual, sobre a natureza e necessidade das principais virtudes cristãs, sobre os meios de as praticar antes de fazerem brotar no coração o sentimento de gratidão e amor, de contrição e humilhação, firme propósito, súplicas ardentes e prolongadas).


É tudo o que ele descreveu que tinha em relação ao Sagrado Coração de Jesus no primeiro olhar e nos primeiros momentos da infância, e que ele dá aqui como final do processo da via purgativa, iluminativa e unitiva. É já aquele que passou por tudo e que está adquirindo a oração de simplicidade no fim do seu processo de santidade.


Chega, porém, o momento em que estas convicções lançaram na alma tão profundas raízes, que fazem por assim dizer parte da nossa mentalidade habitual, e alguns minutos bastam para reavivá-lo no espírito.

Mas ele já tinha isso desde criança.

Então pronta e facilmente brotam os piedosos afetos de que falamos e a oração torna-se afetiva.

É o que ele tem quando menino diante do Sagrado Coração de Jesus.


Mais tarde realiza-se outra simplificação. Aos poucos minutos de reflexão são substituídos por um olhar intuitivo da inteligência.

Seriedade, grandeza, bondade, perdão, limpeza. Tudo isso é intuição, tudo isso é vôo de alma que tem um místico no fim da sua vida espiritual.


Conhecemos sem dificuldade, por uma espécie de intuição, os primeiros princípios. Ora, depois de termos por muito tempo meditado sobre as verdades fundamentais da vida espiritual.

Ele vai dizer qual é o processo. Depois do sujeito fazer tal esforço, depois de anos de prática da virtude, chega a esse ponto do qual ele partiu. E assim vai por aí afora, tudo aplicável a ele, tudo aplicável a ele, tudo aplicável a ele (6).

Essa oração é uma contemplação. Era este, sem dúvida, o pensamento de Bossuet, que depois de haver descrito esta oração acrescenta: "Deixando, pois, a alma o discurso, serve-se a alma de uma doce contemplação que a conserva tranqüila, atenta e suscetível das operações e impressões divinas que o Espírito Santo lhe comunica". E também a conclusão que se deduz da própria natureza desta oração comparada com a da contemplação. Esta define-se, como dissemos, uma simples intuição da verdade.


Já é a contemplação. É um passo adiante à oração de quietude, já é a contemplação pura e simples. Essa contemplação o que é? Uma simples intuição da verdade. Plam! já viu tudo. É ele vendo tudo.

Ora, a oração de simplicidade, diz Bossuet, consiste numa simples vista, olhar ou atenção amorosa em si para qualquer objeto divino. É, pois, com razão que se chama contemplação.

A oração de simplicidade é uma disposição favorável à contemplação infusa.


É o mais alto grau da mística. É o ponto final da mística; depois disso é a visão beatífica.


Põe efetivamente a alma num estado que a torna muito atenta e dócil aos movimentos da graça. Quando, pois, aprouver à divina bondade apoderar-se dela...

É o que acontecia, porque o Espírito Santo se apoderava dele, Sr. Dr. Plinio.


... para produzir um recolhimento mais profundo, uma vista mais simples, um amor mais intenso, entrará então na segunda fase da oração de simplicidade, tal como Bossuet a descreve.

Então vem a descrição de Bossuet. Vejam se é ou não é o estado de oração do Sr. Dr. Plinio diante do Sagrado Coração de Jesus conforme nós vimos há pouco, e que os senhores vão levar o texto embora (7).


"Em seguida não convém multiplicar-nos para produzirmos outros atos diversos ou disposições diferentes.

Ascese para arrancar de si alguma coisa. Não, não convém.


Antes devemos ficar simplesmente atentos a esta presença de Deus...

É ou não é? (8)

... expostos a seus divinos olhares, continuando assim esta devota atenção ou exposição enquanto Nosso Senhor nos fizer esta graça...


Mas é que ele tinha isso permanentemente. Senhores, ele vivia em contemplação desde a infância! Desde o primeiro lampejo do uso da razão ele já era um contemplativo!

... sem nos apressarmos a fazer outras coisas mais que o que passa em nós, pois que esta oração é uma oração com Deus só e uma união que contém eminentemente todas as outras disposições particulares e que dispõe a alma à passividade.


Ou seja, alma elevada.

Isto é, que Deus se torna o único senhor do seu interior e que opera ali mais particularmente que de ordinário; quanto menos a criatura trabalha, tanto mais poderosamente opera Deus.


Ele não queria ser um menino asceta, ele não queria ser um menino da piedade, por quê? Porque ele estava dentro da mais alta via contemplativa.


E como a operação de Deus é um repouso, torna-se-lhe a alma de algum modo semelhante, nesta oração, e nele recebe também efeitos maravilhosos.

Alegria, paz, etc. É tanta coisa que o horário não nos vai permitir, infelizmente, infelizmente. Talvez ainda sexta-feira a gente continue um pouco de doutrina mais.

Mas os senhores perceberam como até pela doutrina ele está no mais alto grau de mística já de saída? (...) ele foi um contemplativo de alta mística (9) (...).


Comentários:

  1. A glosa de JC é fraudulenta. No “simples e amoroso olhar” descrito por Bossuet, a alma se separa do raciocínio e da multidão de afetos. Isso não se dava com Dr. Plinio, que acabou de dizer que sua alma, ao aproximar-se de Deus, continuava exercitando o raciocínio e os afetos.

  2. Acima Dr. Plinio disse que não era um menino asceta.

  3. Bossuet está dizendo que a alma faz oração de simplicidade a partir da consideração das verdades estritamente religiosas. Dr. Plinio fazia oração de simplicidade a partir da consideração da ordem temporal e da ordem do universo.

  4. Mais uma fraude. Dr. Plinio disse que ele, considerando a seriedade do Sagrado Coração de Jesus, “poderia distinguir pelo menos alguns aspectos”. Ora, quem distingue, faz uma operação racional. Distinguir é pensar, segundo São Tomás.

A respeito disto, mais um dado encontramos num jantar de 1985 (lido no "jour-le-jour" 23/2/97, parte II):

(Sr. -: O senhor falava da procura dos arquétipos, o senhor procurava o arquétipo do gênero humano, e que encontrou ao entrar na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, vendo a imagem do Sagrado Coração de Jesus).

SDP: É preciso dizer o seguinte: eu não tive essa idéia tão filosófica de arquetipia do gênero humano. Isso vinha como um menino pensa. Eu via os homens que viviam concretamente em torno de mim e imaginei um homem perfeito como seria, é isso.

  1. Mentira. Aquilo não se aplica a Dr. Plinio.

  2. Mentira. Nem tudo isso é aplicável a Dr. Plinio. As meditações plinianas não partem só da consideração das verdades fundamentais da vida espiritual, mas também da consideração das verdades comuns da vida temporal.

  3. Não é o estado de oração de Dr. Plinio diante do Sagrado Coração de Jesus.

  4. JC é burro e obstinado. Acaba de ler que os místicos, quando chegam ao topo da contemplação, ficam simplesmente atentos à presença de Deus. Dr. Plinio, ao chegar ao topo da contemplação do Sagrado Coração de Jesus, não via incompatibilidade com outras considerações inocentes: “... um appfelstrudel com chantilly. Se eu pudesse trazer às escondidas e comer aos pés dEle, como eu ficaria contentíssimo."

  5. As primeiras cognições de o SDP menino a respeito do Sagrado Coração de Jesus não foram de índole mística, como JC afirma.

Palavras de Dr. Plinio emitidas num jantar de sábado, de 1985, lido por JC no "jour-le-jour" 27/12/96:

(...) aquelas graças que eu tive quando pequeno, e até mocinho, no Sagrado Coração de Jesus, estas graças foram, apesar de eu ser menino, como visão de quem é Ele, de como é Ele, etc., muito, muito profundas. De uma profundidade tal -- eu digo é como visão, não quero dizer que tivesse grande profundidade, infelizmente, na minha alma; eu quero dizer como visão, alcance -- de tal maneira que eu poderia depois crescer em explicitação. Mas eu duvido que eu pudesse, salvo um fenômeno da vida mística, que eu não tive, eu duvido que eu pudesse conhecer mais do que eu conheci.


*


"Jour-le-jour" 15/12/96 - JC comenta um texto de Dr. Plinio (SD 13/10/79), lido num dos audiovisuais apresentados anteriormente no ANSA, por ocasião das comemorações de dezembro de 1996:


Eu não posso me esquecer que uma das viagens que eu fiz a Paris, eu cheguei à noitinha.


Ainda que ele fizesse força, ele não se esqueceria. Por quê? Porque foi uma experiência mística que ele sentiu no fundo da alma dele e essa experiência mística não pode ser arrancada, ainda que ele fizesse esforço.


Jantei, e fui imediatamente ver a Catedral de Notre Dame.Era uma noite de verão, não extraordinariamente bonita, comum.A Catedral estava iluminada, e o automóvel em que eu vinha passava da rive gauche para a ilha, e eu via a Catedral assim de lado, e numa focalização completamente fortuita.

Ela me pareceu desde logo, naquele ângulo tomado assim --se acaso existisse, em algum sentido existe, eu diria que é tomado ao acaso--, eu olhei e achei tão belo que eu fiquei com vontade de dizer ao automóvel: "Pára, que eu quero ficar aqui!"

Eu sei que o resto é muito belo, mas eu creio que poucos olharam essa Catedral desse ângulo e pararam. E eu quero ser dos poucos, para dar a Nossa Senhora o louvor deste ponto de vista aqui, que os outros talvez não tenham louvado suficientemente.


Alguém quereria saber: "Qual é o lugar? Qual é o ponto? Qual é o ponto?". Está bem, a gente descobriria: "O ponto é este".Mas não é só o ponto físico. É que aquela catedral incidiu sobre a alma dele, num ponto da alma dele, muito mais do que ele estando no lugar, vendo um determinado ponto, olhando este ponto, prestou atenção na catedral através daquele ponto. Muito mais do que isso é o ponto da alma dele, e é justamente o ponto da grandeza, da sacralidade, o ponto da integridade, o ponto da truculência, o ponto do maravilhoso. Estes pontos da alma dele foram tocados pela catedral vendo-a naquele ângulo e ali está a santidade dele.

Que nós devemos imitar, porque quando nós, que não conhecemos ou que já conhecemos, virmos de novo Notre-Dame, eu devo me lembrar deste comentário: "Eu não sei qual é o ponto físico, mas este pouco me importa. Eu vou me colocar aqui para olhar agora a catedral e procurar pedir a ele que eu no fundo da minha alma tenha a experiência mística que ele teve".


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"Jour-le-jour" 13/1/97:


O Sr. Dr. Plinio dizia que não tinha visões, não tinha revelações, que, portanto, fenômenos extraordinários da mística ele não possuía. Ele tinha a mística comum, isto sim, graças místicas comuns ele recebia.

(...) Se o senhor vai analisar toda a descrição que ele faz sobre a inocência... ele confessou na intimidade que todas as explicitações feitas no MNF sobre a inocência ele tomou como base o que ele viu na alma da Sra. Da. Lucilia e o que ele sentiu em si. (...) Agora, se o senhor vai percorrer com vagar e com atenção, comparando com a doutrina que nós estamos estudando aqui, o que é a explicitação toda feita por ele sobre a inocência, o senhor vai chegar à conclusão de que ele desde a infância tinha uma experiência mística de Deus. E em estado permanente, em estado constante. Não era algo passageiro, era algo que estava permanentemente nele.

(...) Além disso ele teve fenômenos extraordinários de ordem mística. Um deles (...) [Ele] acordou exausto, ele tinha acordado com um cansaço daqueles. Assim que acordou bateu os olhos na imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo flagelado. Bateu aos olhos na imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo flagelado e como que conversando com a imagem ele pensou: "Uf! Eu já começo o dia sem fôlego, já começo o dia cansado, e eu tenho um dia tremendo pela frente". Aí teve um sobressalto interior, porque ele viu que Nosso Senhor olhava para ele e percebeu que a imagem suspirava. A imagem deu um suspiro fundo. Ele ficou com os olhos fixos, Nosso Senhor também com os olhos fixos nele, um segundo suspiro de Nosso Senhor e um terceiro.

Terminado o terceiro, ele sentiu no interior dele como Nosso Senhor dizendo a ele: "Meu filho, quando a gente está no auge do cansaço, ainda a gente tem mais três fôlegos".

Isso é um fenômeno místico, e extraordinário, porque não é normal isso.

Isto, sim, é quase, é um quase experimental, é quase ele sentir no fundo da alma dele. E depois não é de forma freqüente, deu-se naquele momento, foi uma coisa extraordinária.

Contei também o caso dos anjos, do cântico dos anjos em frente à Igreja do Sagrado Coração de Jesus. Esse é outro episódio também extraordinário.


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"Jour-le-jour" 5/2/97:


Eu, na minha pobre experiência, na minha pobre e mísera penetração da alma dele, do thau dele, da vocação dele, da missão dele, eu tenho certeza plena de que ele tinha graças místicas muito especiais por onde ele tinha um relacionamento com a Santíssima Trindade muito intenso. Isso não tem a menor dúvida.

Ele não externava isso, a gente via que ele tratava do assunto com cuidado porque tinha medo que em nossas almas se empanasse a devoção a Nossa Senhora


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"Jour-le-jour" 14/3/97 - JC lê e comenta um almoço de dia sábado, outubro de 1985:


Se eu via uma bombonière, o mais importante para mim não era olhar a bombonière e fazer a crítica da bombonière. Mas era saber como ela seria, se o plano do indivíduo que a fez tivesse chegado ao auge.


Então, era imediatamente partir para a bombonière arquetípica, ou seja, a mais bela de todas as bombonières, a mais perfeita, a mais verdadeira, o unum das bombonières que Deus poderia ter criado e não criou.

Isso não é pouco! Isto significa ter uma tal união com Deus, por onde ele, em todas as coisas que vê, em todas as coisas que analisa, em todas as coisas que os olhos dele batem, ele vê imediatamente o que há de mais alto (1). Seria o último degrau no qual a gente pisa, para depois entrar em Deu.


(...) Lembro-me que vovó tinha uma bombonière de Sévres, naquele tempo em que se importavam as coisas da Europa, baratas, às torrentes. Não era um objeto pomposo, mas eu achava a bombonière linda!


Então, ele, menino, olhava para bombonière e perdia a psíquica. Era a única coisa que fazia ele perder a psíquica: a ordem do universo (2).

Comentários:

  1. Não é verdade. Em tudo aquilo que Dr. Plinio via, ele não subia imediatamente para o que há de mais alto.

  2. Também não é verdade. Cada vez que Dr. Plinio contemplava a ordem do universo, não perdia a psíquica. Pelo contrário: ficava mais temperante.


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"Jour-le-jour" 30/3/97, parte I:


Eu dizia a ele que julgava que ele desde a mais tenra infância já tinha sido destinado pela Providência a ser uma alma essencialmente contemplativa. Ele era essencialmente contemplativo. (...)

Aquilo que os místicos muitas vezes quando entram por um chamado de Deus, pela via da contemplação, que vão seguindo, vão subindo, vão subindo, vão se aperfeiçoado, até que chegam no final da vida adquirem a união mística com Deus e é, portanto, o auge -- não é uma união adquirida, é uma união infusa --, onde eles começam a ter uma série de fenômenos místicos -- dentro da mística ordinária diria o Sr. Dr. Plinio -- que levam-nos a querer explicar aos outros, mas não conseguem, porque não há palavras humanas que consigam transmitir inteiramente tudo aquilo que um místico na sua união máxima com Deus sente no fundo de sua alma, não dá para transmitir, aquilo que é o fim da via mística ele teve no começo. O ponto de partida da vida espiritual dele foi a contemplação no seu mais alto grau.

(...) ele nasceu no topo da contemplação.

(...) Não era possível que o homem chamado a fundar a mais bela era histórica de todas, não era possível que o homem chamado a fundar o Reino de Maria deixasse de ser coroado pela Providência de dons superexcelentes, e desde o início, desde a partida. Foi o que se deu com ele.


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"Jour-le-jour" 20/4/97, parte II:


Cone do Fuji-Yama é uma expressão que o Sr. Dr. Plinio cunhou dentro do MNF para explicar, sob ponto de vista metafísico, aquilo que nele era um fenômeno místico, diria ele da mística ordinária, e diríamos nós com toda a segurança da mística extraordinária. Um fenômeno extraordinário da mística em que, olhando para qualquer objeto, para qualquer pessoa, para qualquer criatura, ele via não só a realidade que estava presente diante dos seus olhos, mas além disso via o auge dos auges, quer dizer, a criatura mais perfeita que Deus poderia ter criado e não criou, um possível de Deus, que era a arquetipia daquilo que ele via. Além disso, se havia algo de sobrenatural, ele via também, ele via também o próprio sobrenatural agindo sobre aquele objeto.


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Jour-le-jour 25/5/97:


Ele era um homem cheio de dons místicos.


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"Jour-le-jour" 4/7/97 - JC lê e comenta as seguintes palavras ditas por Dr. Plinio (não sabemos quando, nem onde):


[Um livro do Pe. Garrigou Lagrange] trata do seguinte: A mística -- porque em última análise é ao que reporta a sua pergunta -- é reservada exclusivamente às almas que estão em estado de perfeição, estado de santidade? Ou ela se espalha, se difunde em graus diferentes pelos diferentes fiéis?

E nesse caso, no caso de difundir-se pelos diferentes fiéis, uma certa forma de devoção sensível que a gente tem, mas que qualquer fiel tem, essa devoção sensível faz parte da mística?

A resposta do padre Garrigou é que a mística se difunde entre todos os fiéis. Contudo, a devoção comum dos fiéis faz parte de uma espécie de mística ordinária, comum. Enquanto a outra é a mística extraordinária, dos grandes contemplativos, dos grandes santos.

Sua pergunta, em última análise, é se eu recebo alguma graça mística. Eu compreendo, o senhor foi muito discreto; disse que "se eu quisesse responder..." O senhor fez até uma pergunta meio veladamente para me dar liberdade de responder outra coisa. Eu entendi perfeitamente. Mas como eu sou amigo da política da verdade, eu respondo também "pão-pão, queijo-queijo".

Eu começo por dizer que dessa mística que caracteriza os santos, eu nunca tive nenhum fenômeno.


Não é que ele esteja mentindo; é que ele julga que o que ele diz é verdade. Mas só que a realidade não é essa. (...)Passaram-se fenômenos místicos na vida dele? Claro que se passaram! Fenômenos extraordinários! Mas só que ele [os] tem como [sendo] fenômenos comuns.

Num almoço em que estavam só o Sr. Fernando Antúnez e eu, (...) ele nos contou isso:


"Hoje de manhã [seu senhor acordou sentindo] um cansaço tremendo (...) [e pensou]: esse é o começo! O que será o fim do dia?! Meus olhos então caíram naquela imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo Flagelado, e seu senhor se deu conta de que a imagem fitou a seu senhor e respirou profundamente. Aí seu senhor ficou impressionado e prestou muito mais atenção na imagem, e viu que Nosso Senhor respirou uma segunda vez, e depois ainda uma terceira. E no final seu senhor como que sentiu no interior a voz de Nosso Senhor dizendo: Meu filho, quando a gente está muito cansado, ainda a gente tem mais três suspiros."


Os senhores dirão que isto é fenômeno místico de via comum?

Depois, a história do tabuleiro de xadrez que eu contei para os senhores, entre ele e a Sagrada Imagem, na capela do São Bento. Depois, o cântico dos anjos, que ele ouviu em frente à Igreja do Sagrado Coração de Jesus (...)

De modo que o que ele diz aqui, não é que ele esteja querendo encobrir algo: é que ele não se deu conta de que ele teve fenômenos místicos extraordinários. Mas teve mesmo.

(...) Eu tive consolações muito grandes, em certos períodos de minha vida espiritual, muito grandes mesmo, mas não se podia chamar propriamente mística. Visão, aparição, etc., nunca tive nenhuma.


Até aparições ele teve. Dr. Edwaldo é testemunha, porque esteve nessa CSN; talvez os senhores tenham ouvido isso em fita. Ele conta que um personagem -- conhecido dele, que não é membro do Grupo e que eu não quero dizer quem é -- que apareceu conforme costumava se vestir, tal qual quando estava vivo. Apareceu, sentou-se naquele sofá de vime que tem no quarto dele e, olhando para ele, deu uma mensagem a ele, e o proibiu de tornar a falar a respeito do nome dele. E que ele nunca mais usasse o nome dele, e nunca mais contasse histórias a respeito dele, porque senão ele voltava para acertar as contas com o Sr. Dr. Plinio.

Não foi isso?


(Dr. Edwaldo: Sim.)

Ora, isso é o quê? Mística ordinária?! Depois, ele olhando para aquele espelho do quarto da Srª Dª Lucilia, viu sair de dentro uma fisionomia... [Vira a fita.] ... fazendo assim para ele [sinal com o dedo, chamando-o]. E ele olhou para a fisionomia e fez assim [com o dedo, sinal negativo]. Essas coisas não são comuns!


Mas uma certa atmosfera meio relacionada com a mística ordinária -- se é que se pode achar isso, e a verdade está com Pe. Garrigou, e eu sou propenso a achar que está -- eu vivo envolto nessa atmosfera.

Mas note, não caracteriza o santo. A minha consolação é que também pela escola oposta há muitos santos, que nunca tiveram fenômeno místico nenhum. A mística não é sinal necessário de santidade.

E a tese que não é necessário [receber graças da mística extraordinária para ser santo] é para mim muito confortadora, porque se eu tiver que esperar ter visão e revelação para depois morrer, não há nenhum sinal de que virá.

Eu vivo envolto nessa atmosfera comum. Quer dizer, a todo propósito, a todo momento, eu tenho alguma coisa disso!

Não sei, meu filho, se está claro? Bom, também é a política da verdade. Se se decepcionarem... isso é como é. E se ficarem desapontados, rezem por mim.

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Um dos primeiros olhares de Dr. Plinio a Dona Lucilia teria sido místico:


(Celso Pedrosa: Sr. João, aquele olhar do Sr. Dr. Plinio quando criança nos braços da Sra. Da. Lucilia chama muitíssimo atenção. O senhor ouviu do Sr. Dr. Plinio alguma vez alguma consideração sobre aquele olhar?)


Ouvi. Ele dizia desse olhar nos braços da Sra. Da. Lucilia que era incrível que ele tinha muito pouca idade ali, mas que era um olhar de quem já possuía perfeitamente o uso da razão. Ele disse: "Não é possível que uma criança tenha esse olhar sem ter o uso da razão. Porque aqui eu estou compreendendo tudo, eu estou vendo tudo -- nesse olhar está dito isto -- e vejo bem por onde é que vão as coisas". Nos braços da mãe.

Como isto terá se dado? Creio que também por um... ou será um reflexo da máquina naquele momento, ou será uma graça mística já assistindo a ele no fundo da alma.

Então, naquela tenra idade, aquela penetração impressionante.

(Cfr. "jour-le-jour" 15/12/96)


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O amor da Sra. Da. Lucilia pelo SDP seria místico:


É um amor que eu reputo --hoje a gente pode dizer isto, se eu fosse dizer isto naquele tempo ele [SDP] levaria um certo susto, mas é verdade--, é um amor que eu reputo místico. É muito além do amor natural, o amor humano que uma mãe possa ter por um filho. Aí já é o amor de uma santa por outro santo.

(...) O que havia entre ele e ela e entre ela e ele, era uma experiência mística recíproca em que um penetrava na alma do outro. É isso que nós precisamos e que é o importante.

(Cfr. Reunião de JC para os da Hipoteca, 5/11/95)


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Apenas abriu os olhos, Dr. Plinio foi direto a contemplar a ordem do universo:


De saída, já menino, quando ele teve os primeiros lampejos do uso da razão, pelo discernimento dos espíritos, por esse dom de sabedoria tão protuberante que a Providência tinha dado a ele, ele foi direto contemplar a ordem do universo.

(Cfr. "Jour-le-jour" 5/9/97)


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Dr. Plinio antes de ser batizado já tinha discernimento dos espíritos:O Sr. Dr. Plinio, por exemplo, tinha antes do batismo. Antes de ser batizado ele já tinha o discernimento dos espíritos.

(Mikel: Como o senhor sabe?)

Sim, porque ele foi batizado com mais de seis meses, foi batizado com seis meses e pico, e ele já falava aos seis meses, ele já tinha discernido quem era a Sra. Da. Lucilia com seis meses. Então o discernimento dos espíritos já foi dado antes do batismo.(Cfr. conversa em Roma, 20/9/96)

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A noção que Dr. Plinio tinha do catecismo era mística:


[O SDP], por ser quem era, por ter um discernimento dos espíritos que tinha, por ter um espírito contemplativo a mais não poder, ele já desde a infância tinha uma noção meio mística do catecismo.

(Cfr. Reunião na Saúde, 26/3/96)


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Quando o SDP tomou conhecimento das Cruzadas, recebeu graças místicas:


É uma intuição mística que ele teve, ao tomar contado com essas coisas todas pela primeira vez. Foi uma graça mística que ele recebeu, de cruzada. Claro! Porque todas as cruzadas eram uma prefigura dele! No momento em que ele tomou contato com a cruzada, com Carlos Magno e seus doze pares, etc., tinha que uma graça mística o arrebatasse. E foi o que aconteceu.

(Cfr. "jour-le-jour" 1/10/97)


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A visão que Dr. Plinio tinha da Igreja era mística:


Ele tem uma visão a respeito da Igreja que é uma visão mística. Ele tem uma união com a Igreja que é um desponsório místico com a Santa Igreja.

(Cfr. "jour-le-jour" 21/3/97)


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JC sustenta a mesma tese anterior ao ler e comentar um almoço de Dr. Plinio em Serra Negra do ano 87:

(...) quando a gente vê a Igreja Católica no seu conjunto, por exemplo, como eu julgo vê-la quando estou na Igreja do Sagrado Coração de Jesus, eu vejo uma totalidade que de fato abarca todos os homens que existiram, existem e vão existir.

Os senhores vêem que se passa com ele o que se passa com a alma de um fundador. Quando um fundador é um grande fundador, ele chega às vezes, a ter graças místicas, dons místicos, assistências místicas especiais por onde ele vê todo o futuro da ordem dele. (...) E eu tenho a impressão de que o Senhor Doutor Plinio tinha umas visões místicas assim que ele não contava.Ele está levantando aqui uma ponta de véu, mas que ele deveria ter umas visões assim místicas a respeito da Igreja. Ele tinha um desposório místico com a Santa Igreja como fala.

Há uma perfeição ali da qual alguns homens que representaram morreram, outros estão vivos e outros ainda vão nascer. Esta perfeição está nEla, e eu olhando, eu olho nEla toda a história da humanidade. Quer dizer, a Igreja com toda a sua potencialidade, do que Ela foi, do que Ela é, do que Ela dever ser na sua santidade.

Isso vai sem um dom místico especial? De jeito nenhum.

Quer dizer, a Igreja com toda a sua potencialidade, do que Ela foi, do que Ela é, do que Ela dever ser na sua santidade. E em certo sentido eu vejo cada homem, como por exemplo, olhando para esta parede, eu não vejo cada um dos micromilímetros em que ela pode ser decomposta, mas olhando no total, os micromilímetros estão presentes ali, embora eu não possa discerni-los uns dos outros. Estão presentes ali e meu cântico para esta "parede" da qual eu faço parte é o meu cântico no Céu a Deus Nosso Senhor quando eu me tiver salvo pelas orações de Nossa Senhora.

(Cfr. "jour-le-jour" 1/12/96, parte II)

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A devoção de Dr. Plinio a Nossa Senhora começou por um toque místico - "Jour-le-jour" 10/10/97, JC lê uma CSN. Observe-se que a introdução que ele faz, diverge frontalmente do que Dr. Plinio narra:

Então o Sr. Dr. Plinio vai contar como se deu com ele essa devoção a Nossa Senhora, esse primeiro olhar -- digamos assim -- que penetrou fundo na alma dele, que transformou a alma dele, e que foi um toque místico. Ele não usa a palavra mística, mas de fato, foi um modo de, misticamente, Nossa Senhora agir no fundo da alma dele e pô-lo dentro da devoção. A partir desse ponto o Sr. Dr. Plinio vai dizer que a primeira idéia que Nossa Senhora causou a ele nesse toque místico foi a da misericórdia (...)


Quando eu era menino e fui ao Coração de Jesus, pela primeira vez atinei com a imagem de Nossa Senhora Auxiliadora. Eu não tive nenhuma visão, nenhum êxtase, nenhuma revelação. Mas eu me senti tocado como se a imagem me olhasse. E tive conhecimento -- nós sabemos pela nossa Sagrada Imagem como Ela olha sem olhar; eu não preciso explicar isso a ninguém -- como que pessoal dessa misericórdia insondável, dessa bondade que me envolvia todo, de maneira tal que ainda que eu quisesse fugir ou renegar, Ela me pegaria afetuosamente e diria: "Meu filho, volte de novo, aqui estou Eu", fazendo-me entender a profundidade dessa misericórdia. (...)

Eu tinha bem claro -- e foi das coisas que mais me enlevaram -- foi que isso não era um privilégio para mim; que era a atitude dEla diante de todos os homens. Eu não me senti tratado nem um pouco de uma forma especial -- Ela poderia fazer isso; poderia condescender em querer tratar um "x" como um privilegiado --, não foi do que eu tive cognição.

Eu tive cognição do contrário:

- "Veja que você é um Zé da rua, e Ela trata assim todos os Zés da rua. Para qualquer um, para todos os homens que existiram, existem, para todos os pecadores que estão enchendo aí as ruas, as casas, os bondes, os automóveis, para tudo, Ela é exatamente assim. Eles é que A rejeitam, mas Ela é assim."

(...) Eu não consigo exprimir o que foi; volto a dizer que isso se deu sem visão, sem revelação, etc.


*




Ao ouvir determinadas palavras, Dr. Plinio tinha reações místicas:


[Em relação à palavra ‘sacral’], ao ouvi-la, [Dr. Plinio] se sentia tocado e tinha um movimento de alma meio místico, profundamente religioso (...).

(Cfr. "jour-le-jour" 7/2/97)


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Vendo cores, Dr. Plinio experimentava fenômenos místicos:


Eu tenho impressão de que ele constantemente, durante a vida toda, guardou alguma reação qualquer que ele não sabia que era mística, mas que eu julgo que fosse mística, porque ele via algo de Deus nas cores e tinha uma experiência de Deus nas cores por uma graça de contemplação infusa, dada por Deus a ele, que tinha correlação com os matizes...

(Cfr. "jour-le-jour" 21/5/97)


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Quando Dr. Plinio vestiu o hábito, teve um contentamento místico:


O Sr. Dr. Plinio quando vestiu o hábito -- eu tenho impressão – [teve] um contentamento místico.

(Cfr. "jour-le-jour" 23/2/97, parte II)


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A morte de Dr. Plinio também foi um fenômeno místico:


Em geral a morte dos santos é suave, a morte do justo é uma morte suave. Com o SDP passou-se um fenômeno que eu reputo místico. (...) Vendo-o morrer aos poucos, a gente via o sofrimento tremendo, o organismo sacudido pela morte e ele estava desfigurado (...) ; um certo tempo depois da morte, eu fui vê-lo no caixão estava outro, completamente outro. Ele estava como se estivesse no auditório aqui fazendo uma reunião em grande estilo (...) Quer dizer, houve um fenômeno qualquer por onde ele no caixão transformou-se mais ainda no que ele era do que ao caminhar para o falecimento e até o último suspiro”.

(Cfr. "jour-le-jour" 25/5/97)





II. Amostras de uma campanha de apresentação de Dr. Plinio enquanto homem cheio de dons sobrenaturais, mas que no fundo é uma marionete na mãos de Deus, porque nas suas operações não entra o livre arbítrio nem o contributo pessoal


A. Dr. Plinio nasceu com dons do Espírito Santo super–excelentes


Reunião na Saúde, 25/6/96:


Este menino nasceu com uma estrela extraordinária, nasceu já com uns dons do Espírito Santo superexcelentes (1), que a partir do momento em que esse menino abriu os olhos para a razão, a razão dele começou a se pôr em movimento, junto com a razão, por cima da razão, mais no fundo do que a razão ainda, abrangendo a razão e sustentando a razão (2), havia um dom de discernimento dos espíritos profundos. Mas mais do que isso, um senso da ordem do universo, por onde ele, já nos primeiros lampejos do uso da razão, se fez um com a ordem do universo e a ordem do universo se fez um com ele.

Ele, então, teve uma noção clara a respeito do plano de Deus para com toda a criação a partir do momento em que passou a ter o uso da razão (3). Já nesses primeiros lampejos, a fé e um dom de contemplação extraordinário puseram sobre a razão dele esse discernimento a respeito da ordem do universo. Mais: da ordem tal, que era o plano primeiro de Deus para a santidade de todo universo.


Comentário:

  1. JC fala daquilo que dentro do gênero “dons do Espírito Santo” é uma espécie quintessenciada, e que seriam os dons super – excelentes do Espírito Santo.

  2. Em resumo, esses dons substituem a razão.

  3. Mentira. Dr. Plinio foi explicitando o plano de Deus a respeito do universo ao longo de toda sua vida.


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"Jour-le-jour" 8/8/97:


A Providência deu, como modelo do Reino de Maria, um fundador e o encheu de dons, tornando-o riquíssimo em dons místicos sobrenaturais extraordinários. Não são esses dons comuns.


*


"Jour-le-jour" 19/10/97:


Ele foi batizado em junho, portanto, ele já tinha uso da razão, ao que tudo indica, quando foi batizado, mas acho que ele já estava justificado antes do batismo, se é que ele tinha o uso da razão. Porque ele já deveria ter tido os primeiros flashes e já deveria estar na alma dele instalados os dons do Espírito Santo, instaladas as virtudes todas, etc.





B. Sua docilidade à voz da graça era um dom


Reunião na Saúde, 19/11/96:


(Andrej: Sr. João, vai nessa linha. Se o senhor pudesse comentar um pouco como era essa escravidão, essa submissão do Sr. Dr. Plinio à voz da graça. [...])


Isso é um dom de Deus que ele tinha. Esse dom de Deus foi pedido por Salomão. Quando Deus perguntou a ele que graça que ele queria pedir, ele pediu a docilidade. A docilidade o que é? É essa flexibilidade, essa disponibilidade de alma, por onde a pessoa faz aquilo que Deus quer. Ele tinha uma docilidade em perceber qual era a ação da graça impressionantíssima. Por isso ele dizia: "Eu sou escravo da graça".


JC nem menciona o esforço pessoal de Dr. Plinio.





C. Todos os sensos do SDP eram dons místicos

Reunião na Saúde, 26/11/96:

Ele, antes de tudo, tinha como dom místico o discernimento dos espíritos, depois tinha como dom místico a sabedoria, depois tinha como dom místico a inerrância, depois tinha como dom místico o senso das arquetipias. Era dom místico, batia os olhos e já via arquetipias, como eu estava dizendo para o jovem aqui há pouco. Ele tinha como dom místico o senso das metáforas, porque era o senso das reversibilidades, que era místico nele. Ele tinha uma tal visão mística do universo, que ele batia os olhos em algo e via a correlação daquele algo com tudo o que existia no universo. Por isso ele passava de uma pata de formiga para uma música de Mozart, até a consideração de um anjo, por causa do senso das reversibilidades que na alma dele era místico. Além disso tinha os flashs.






D. Tudo quanto Dr. Plinio tem é dom sobrenatural. Manifestava tudo isso de forma subconsciente, espontânea (portanto sem precisar da ascese)


"Jour-le-jour" 26/10/97, parte II:


(Manuel Rodríguez: É sobre os dons: se o senhor poderia comentar um pouco os dons que o senhor notou no Sr. Dr. Plinio, e como foi que os notou.)

(...) o primeiro dos dons que aparece no Sr. Dr. Plinio quando uma pessoa o conhece, depois de ter sido chocada pela Revolução, é o dom daquele que representa a grandeza de Deus, a voz de Deus, a mão de Deus. E que, como grande senhor, como grande representante de Deus, olhando para nós, diz: "Venha, porque eu lhe admito como filho."

Então, o aspecto senhorio e paternalidade era um dom muito característico do Sr. Dr. Plinio. Porque nele se configurava tanto a fisionomia do senhor que manda, que governa, que exige, quanto do pai que protege, que afaga, que tem afeto e que está disposto a fazer de tudo pelo seu filho.

(...) Mas por trás dessa visão de senhor-pai, o senhor vê algo mais: o senhor vê um dom de uma integridade de todas as virtudes; o senhor vê um equilíbrio de todas as virtudes, uma posse de todas as virtudes, de todos os dons do Espírito Santo. E o senhor se pergunta se o senhor não viu Deus num homem. Então, é um dom de representar Deus aos homens.

Bem, mas o senhor não nota ainda, neste momento, algo que diz respeito aos dons do Espírito Santo específicos da vocação dele enquanto profeta; o senhor está notando nele os dons de um homem feito para levar uma causa à sua vitória total. E aí o senhor vê, atrás do senhor, atrás do pai, vê a Deus enquanto um homem capaz de aglutinar em torno de si aqueles que vão realizar e executar uma obra que é a mais bela obra de toda a História. Então, é o dom de comandante, é o dom de general, é o dom de mestre, de guia, de regente. Isso tudo o senhor vê mas não explicita. Será o primeiro, segundo encontro...

Mas com um pouco de convívio que o senhor tenha, o senhor vai notar outros dons nele, que o senhor não tinha notado no começo. Estavam contidos, mas o senhor não tinha notado. O senhor vai tendo um convívio com ele e vai perceber que ele tem o dom dos exemplos, tem o dom das metáforas. Porque quando ele quer explicar uma coisa, aquela metáfora que ele encontra é a mais perfeita possível. Melhor do que aquela, não há.

Depois, ele tem o dom de didática. O senhor verá que ele, para explicar aquilo que viu, usa de termos, usa de meios, usa de artifícios, etc., que dão à explicação dele uma tal propriedade, uma tal capacidade de apreensão que não há outro que tenha esse dom: é um dom específico dele, um dom sobrenatural. Como ele arrebata! Como ele explica! Como as palavras saem [com facilidade...]!

Depois o senhor vai notar que ele tem o dom do vocabulário perfeito, sem nunca ter ido ao dicionário. [Risos]

Depois o senhor via, aos poucos, notando que além desses dons ele tem um dom de atratibilidade extraordinário: ele atrai. Ele é um homem que tem uma espécie de magnetismo, de um magnetismo sobrenatural, por onde ele atrai e eleva. Ele tem o dom de fazer com que as pessoas subam até ele, e nunca ele desce até as pessoas. Ele consegue, através do dom que a Providência deu a ele, tomar aquele que está lá embaixo e fazer chegar até ele. É um dom de elevar as pessoas.

Às tantas o senhor nota que ele tem um dom de paz. Porque o senhor chega todo agitado, todo preocupado, com um problema, aproxima-se dele e ele é como Nosso Senhor Jesus Cristo, a quem os mares e os ventos obedeciam: o senhor chega em estado de tempestade e os ventos e os mares se acalmam dentro da sua alma. Então o senhor se pergunta: "Quem é este homem, que me acalma tanto assim?!"

Depois, num convívio um pouco mais prolongado, o senhor vai notar que ele tem o dom de despertar ódio.

O senhor está vendo que nós podíamos ficar aqui falando a noite inteira...

Mas isso tudo são coisas que os senhores perceberam! Não estou dizendo novidade nenhuma; tudo isso os senhores viram; os senhores comprovaram isso na prática! (1)

Depois: havia qualquer coisa nele que se refletia no modo de ele ser limpo. Porque ele tinha uma limpeza de corpo, um asseio de corpo completo, perfeito. Havia qualquer coisa que se refletia no asseio dele, na limpeza dele, que era um dom de virgindade.

Depois, em certo momento, o senhor se dá conta que há por instinto nele o dom da aristocracia. Porque ele é um aristocrata na perfeição do termo (2). Mas, ao mesmo tempo, ele sabe o que dar a cada um. E, no que dar a cada um, vem a virtude da justiça de uma forma esplendorosa. É o dom de manifestar o que cada um merece. Isso é um dom. E ele fazia isto de forma já subconsciente, de forma inteiramente espontânea e natural (3). Era um dom dele.

Bem, depois o senhor pode falar dos dons que todo mundo comenta:

O dom do profetismo, que com uma simples notícia pequena de jornal, ele já faz toda uma construção do que está por detrás, do que vai acontecer. E faz uma previsão para o futuro. E às vezes previsão de 40, 50, 60, 70 anos!

Depois: dom do discernimento dos espíritos (4). Ele bate os olhos numa pessoa e, como ninguém, ele vê a alma. E vendo a alma ele vê todas as capacidades que o sujeito possa desenvolver, como também vê todas as possibilidades de mal em que o sujeito possa cair. E vendo esses dois extremos ele percebe em que escala está essa alma, e para onde ela está caminhando (se para cima ou para baixo).

Depois: um dom de visão histórica. Mas aí é visão mesmo. Porque ele ouve contar a história de... vamos supor... a história de Judite com Holofernes; ou ele ouve contar a história de Elias. Ele faz uma descrição interior a respeito da figura de Elias, da figura de Judite, da figura de Holofernes, que são mais reais do que todos os contemporâneos destes personagens chegaram a ver nos personagens. (...)

Depois o senhor terá o dom de grandeza; depois terá o dom do sofrimento; depois o do holocausto (5) ... Homem! Dá para fazer uma superladainha. O senhor podia fazer uma ladainha assim:

Ladainha dos Dons Concedidos pela Providência ao Sr. Dr. Plinio:

- Ó senhor, que tendes o dom da paz, ponde em minha alma a tranqüilidade da ordem;

- Ó senhor, que tendes o dom de ser pai e senhor ao mesmo tempo, tomai conta de minha alma, e governai-a como um senhor e tratai-a com todo o afeto de um pai...


[Aplausos]

Bem, isso são...

(Eh, eh, eh...! Siga! Siga!)

Não, não... Que "siga"?

(Sr. -: Por isso é que aplaudimos!)

Não, não, não. Façam os senhores a oração! Ora essa!

(Eeeeeeeh!)

Comentários:

  1. Acima disse que certos dons a pessoa percebe após de um convívio prolongado com Dr. Plinio. Aqui afirma que todos os membros do Grupo viram tudo isso, independentemente da duração do convívio.

  2. JC vê a aristocracia de Dr. Plinio, não enquanto hereditária --transmitida pelos seus antepassados--, mas sobrenatural --dada por Deus.

  3. Quer dizer que naquilo que Dr. Plinio fazia não entrava ascese? ele procedia como uma espécie de autômato, teledirigido pelo Espírito?

  4. Os verdadeiros dons sobrenaturais --como o discernimento dos espíritos e o profetismo-- são equiparados com os que não são sobrenaturais nem são dons --por exemplo o asseio do corpo, que JC denomina “dom de virgindade”.

  5. Se a capacidade de sofrimento e de holocausto foram “dons”, dados por Deus a Dr. Plinio, que mérito teve Dr. Plinio ao sofrer?









E. O espírito contemplativo de Dr. Plinio, não é um efeito de seus dotes naturais auxiliados pela graça, mas um dom de contemplação infusa


"Jour-le-jour" 25/5/97, parte I:


Tivemos oportunidade de na sexta-feira tratar de um ponto muito essencialmente místico da alma do Sr. Dr. Plinio, que era a questão do banco de reluzimentos que havia na alma dele. Eu separei para o dia de hoje uma CSN em que também transparece muito um aspecto místico da alma do Sr. Dr. Plinio e que se liga... Ele vai mudando um pouco os nomes, de banco de flashes ele passa por amor aos píncaros, pela sublimidade, pelo senso do maravilhoso, mas no fundo a gente vai vendo que é uma graça mística de contemplação infusa como ele dizia.

Na sexta-feira à noite nós líamos aqui que, andando pela Praça da República jovem, saindo do Cine República com aqueles rapazes todos e vendo aquele reluzimento do sol que batia sobre as árvores, do ar que não era poluído, naquele reluzimento, ele sentiu um gáudio, que era um gáudio de um contato dele com Deus, com a Providência divina. Ele via atrás daquilo a própria existência de Deus. Portanto, vendo a ordenação da natureza, a ordenação do sol que batia sobre aquelas árvores e tudo o mais, ele atrás daquilo viu Deus. Contemplação.

Nós vamos ver amanhã à noite como isto é um dom que se chama, tecnicamente, dom de contemplação infusa, que ele teve desde a infância.

Hoje nós vamos analisar um outro aspecto deste dom de contemplação infusa -- com outros nomes, mas no fundo é o mesmo dom --, que é a mesma graça mística, estável, permanente, habitual, que ele recebeu desde a infância. (...) banco de reluzimento, desse senso do maravilhoso, da inocência e não sei quanto, porque são nomes diferentes que ele vai dando a um mesmo fenômeno místico que ele tinha na alma.

(...) Vamos ver o que é esse banco de reluzimentos, o que é essa aspiração pela transesfera.


(...)


Nós vamos ver amanhã com mais vagar a diferente que há entre a ascese e a mística e o senhor vai compreender melhor o que é um dom de Deus na linha mística, o que é aquilo que os teólogos chamam de dom de contemplação infuso.

Por mais que o senhor faça um esforço natural, por mais que o senhor tenha graça suficientes para ir tocando esse esforço natural seu de forma sobrenatural para chegar a contemplar a Deus aqui na terra, o senhor não chega nem sequer no rés-do-chão do primeiro degrau da escadaria em cujo topo se encontra a graça mística de contemplação infusa.

É quase que um empréstimo da própria visão de Deus do universo.


*

Jour-le-jour" 26/5/97:


[Leitura de uma ficha] A contemplação adquirida é geralmente definida como o término da meditação: Um simples e afetuoso conhecimento de Deus e de suas obras, que é resultado de nossa atividade pessoal auxiliada pela graça.

Geralmente se admite que esta "contemplação adquirida" é possuída por um teólogo, ou pelos fiéis que assistem com atenção a um sermão bem feito e se encantam com certas verdades de Fé que vêem postas em prática. Tal conhecimento admirativo não existiria sem a atividade humana do pregador, se ele não tivesse ordenado as idéias de modo a fazer ressaltar a harmonia. Com efeito, um sermão mal preparado produziria um resultado contrário.

Assim, tem sido denominada de "contemplação adquirida".

Por oposição à adquirida, a contemplação infusa é geralmente definida como um simples e afetuoso conhecimento de Deus e de suas obras, que não é efeito da atividade humana auxiliada pela graça, mas de uma especial inspiração do Espírito Santo.


Foi o Espírito Santo que tomou a iniciativa, Ele foi quem soprou na alma, Ele foi quem infundiu na alma. Portanto, a alma deixou-se levar.

Ficha n° 2051, Pe. Garrigou-Lagrange, Les Trois Ages..., Parte 3ª, cap. XXXI:

[Esses atos de contemplação infusa] são, segundo São Tomás, graças operantes especiais que nos inclinam a agir por cima de qualquer deliberação discursiva (...).


*


Reunião Saúde 9/10/97 - JC insinua que na propensão que Dr. Plinio tinha para contemplar a Nosso Senhor no Horto das Oliveiras não entrava nenhum pendor natural; aquilo era exclusivamente místico:


O Sr. Dr. Plinio tinha uma atração toda ela mística, toda ela especial, toda ela sobrenatural, para contemplar e adorar a Nosso Senhor Jesus Cristo no Horto das Oliveiras.

Por que isto? Eu imagino que seja uma graça mística dada por Deus, devido ao feitio espiritual dele, Sr. Dr. Plinio. Ele tinha um feitio sobrenatural, espiritual, muito ......


*


"Jour-le-jour" 29/11/96:

(Pe. Olavo: Ele vendo as coisas, ele logo via o arquétipo por uma luz sobrenatural, não é?)

É isso.

Não é verdade. Também entrava uma luz natural, um contributo pessoal de Dr. Plinio.




F. A capacidade de observação de Dr. Plinio vinha de um dom

Reunião para os EEII, 21/12/96:


Entre os vários dons do Sr. Dr. Plinio -- e olhe que não eram poucos -- entre os vários dons ele tinha este: o dom da observação. Ele batia os olhos, imediatamente via o que era mais importante e guardava os detalhes importantes.

*


Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde, 20/4/95:


Cada um que entra -- olhe que pode ser o "enjolrinhas" mais novo, que foi abordado há dois meses atrás, e que vai ser apresentado ao Senhor Doutor Plinio pela primeira vez. Ele é levado no momento em que o Senhor Doutor Plinio está no elevador, ou está entrando numa sala -- o Senhor Doutor Plinio bate os olhos e percebe que aquela alma ele está vendo por primeira vez.

Mas por uma ação mística da graça, esse olhar de Fundador em relação ao discípulo, é um olhar tão participativo do olhar de Nosso Senhor em relação à humanidade que ele bate os olhos e diz: "Novo". E ao mesmo tempo --isso ele diz com o olho esquerdo-- com o olho direito ele diz: "Esse eu já esperava, esse estava nos meus planos, esse estava nos meus pressentimentos proféticos, esse é um dos que eu imaginava que apareceria no meu caminho". E isso é com cada um, hein!





G. Por um dom dado por Deus, Dr. Plinio via imediatamente a perfeição de todas as coisas


Reunião na Saúde, 7/1/97:


Ele tinha um dom que era dado por Deus, por onde ele batia os olhos em algo e via imediatamente a perfeição daquele algo. Então ele tinha uma idéia completa do universo que nós não temos. Nós precisamos ir conhecendo parte por parte, parte por parte, até chegar a uma conclusão. Ele não, ele foi desde menino batendo os olhos em todas as coisas, e quando ele deu volta em uma série de coisas, ele já tinha dado volta no universo.


Quando Dr. Plinio batia os olhos em algo, pelo senso das arquetipias e pela inocência, não sempre percebia imediatamente o absoluto daquilo; geralmente, subia “de proche en proche”; e às vezes detinha-se neste, naquele ou naquele outro “patamar”. Vejamos o que ele ensina no EVP 22/8/76:


Tenho um quadro em meu quarto, que é de um pintor de arte de segunda classe que entusiasmou os provincianos daqui por volta de 1920. Naquele tempo vendia-se, decorava-se casas com essa pinturas, uma coisa que tem apenas gosto ultramontano. É de um italiano desconhecido. Representa um campo, ao longo dele uma estrada, e, no fundo, uns quatro eucaliptos que me serviam, quando eu estava convalescente de uma longa enfermidade, para fazer exame de vista para ver se eu a estava recuperado ou não, porque, conforme o dia eu via três eucaliptos ou quatro. E a estrada parte da moldura do quadro até o fim.

E essa estrada tem isso de curioso, que como mil e mil estradas no campo, a gente nota que ela tem um traçado ligeiramente fantasioso em torno de um eixo que pretende ser uma linha reta sem o ser. E que a estrada era muito mais feita pelo passo humano do que por um traçado. E que todos os homens que tinham passado por ela, não a tinham querido retificar, mas achavam gostoso um ligeiro ziguezague, uma ligeira incerteza de traçado. Eu parava muitas vezes diante desse quadro, nas minhas horas de recuperação, olhava, olhava, e pensava:

"Aqui há um princípio que eu não consigo explicitar, mas há uma verdade dentro disso que o dia em que eu conseguir explicitar, eu saberei, eu servirei melhor a Causa ultramontana e desafogarei melhor a minha alma, dizendo uma coisa que está dentro dela à maneira de um clamor contra o mundo moderno. Esse clamor, por enquanto, é um gemido, ainda não é nem uma tese, nem uma objeção”. E ficava assim olhando, olhando, olhando.





H. Por um dom do Espírito Santo, Dr. Plinio já viu tudo a respeito de tudo


Reunião na Saúde, 25/6/96:

Nele, Sr. Dr. Plinio, a gente tem que analisar, tem que chegar à conclusão de quem ele foi, da seguinte forma:Vendo um círculo pequeno, outro maior, outro maior, outro maior, outro maior, todos os círculos concêntricos. Mas ele quando tinha a visão de algo, era já uma visão de círculo fechado, porque ele via tudo. Ele via todo o problema RCR, ele via todo o problema da ordem do universo, ele via todo o problema do mal, ele via todas as qualidades e todas as potencialidades do bem, ele num olhar simples via tudo. Vendo tudo, ele então fechava o círculo.A cada passo da vida dele ele ia vendo. Quando batia os olhos via um círculo, que era um círculo maior, um círculo maior, um círculo maior, e viu tudo.Ele era um homem que tinha uma paz e uma estabilidade que vinha da virtude, não tem dúvida, mas vinha muito mais dessa visão de círculo fechado.Olhe ali, ó. Ele podia pôr embaixo dessa foto: "Eu já vi tudo". Não tem mais nada para ver.Nada para ele é novidade, nada causa espanto, nada causa surpresa, tudo está previsto, tudo já foi analisado, não falta mais nada, já deu volta em tudo.O senhor me pergunta como é que foi nele. Ele quando pequeno viu um círculo fechado, mas era ainda pequeno, porque era o círculo da família, que ele imaginava que o mundo fosse como aquele círculo. Depois ele viu que não, que o mundo que ele tinha visto era o mundo familiar, mas que o mundo da Humanidade era diferente do mundo familiar dele. Então ele viu um novo mundo, mas esse novo mundo quando ele o viu, ele o viu de uma vez só e totalmente.Depois, mais tarde ainda, ele viu esse mal instalando dentro da própria Igreja, mas ele viu também como um círculo fechado, viu tudo, percebeu tudo, não houve mais ilusão a respeito de nada. Já tinha visto esse círculo na ordem temporal.Foram círculos que quando ele batia os olhos e via algo de novo já eram círculos fechados. Ele, portanto, foi vendo círculos, círculos, círculos fechados, porque ele tinha, já desde menino, um dom especial do Espírito Santo. Muito mais do que a inteligência, ele disse isso, muito mais do que uma cultura, muito mais do que um estudo, ele tinha uma visão completa dada pelo dom de Sabedoria, uma visão completa dada pelo discernimento dos espíritos, uma visão completa dada pelo profetismo dele (1). Então ele via tudo numa visão só.Cada vez que ele batia os olhos em algo, ele via o círculo fechado.

Comentário:

  1. A frase aparentemente exalta a pessoa de Dr. Plinio. Na realidade, a diminui, a reduz a zero.





I. Fatores do discernimento dos espíritos de Dr. Plinio


Na forma como JC descreve o funcionamento do discernimento dos espíritos de Dr. Plinio, omite o contributo dos olhos e da alma de Dr. Plinio. Só fala do influxo do Espírito Santo - Reunião na Saúde, 8/4/97:


(Anselmo Bonfim: [...] O Sr. Dr. Plinio via primeiro a alma da pessoa, e depois a fisionomia.)

Sempre.

(Anselmo: Nós, normalmente, vemos a...)


A fisionomia, e depois não vemos a alma. [Risos]

(Anselmo: Eu pergunto como é que se dá essa visão do Sr. Dr. Plinio. É pelas vistas físicas ou pela alma?)

Nem é das vistas dele, e nem é da alma, propriamente dita. É de um dom do Espírito Santo, que age sobre a inteligência e sobre a vontade dele, e faz com que ele discirna aquilo que a alma, de si, não veria.

(...) ele batia os olhos e, nele, havia uma luz que fazia penetrar dentro da alma, e fazia ver como é que era todo o conjunto, todo o dinamismo da alma, por onde é que iam os interesses, por onde iam as fobias, por onde iam as manhas, os defeitos, as qualidades, como seria a alma se ela atingisse a plenitude de todas as qualidades, como seria a alma se ela se entregasse a todos os defeitos.

Ele via, desde um extremo a outro, tudo num conjunto só. Depois de ele ver tudo aquilo, aí começava a olhar um pouco a fisionomia e dizia:

-- Ah, as orelhas são assim, o nariz é assim, a boca é de outro jeito. O cabelo dele se põe assim, a barba nele nasce de tal forma; ele tem mais barba num canto do que tem no outro. Olha o pescoço dele, olha os ombros...

Mas ele já tinha visto a alma inteira.


De fato, o papel da graça no discernimento de Dr. Plinio é preponderante. Mas a vista física dele e as potências da alma dele, também tem um papel --embora secundário--, conforme consta nos seguintes documentos:


a) MNF 9/11/89 - Dr. Plinio descreve o contributo de sua percepção sensorial:

Eu via começos dessa visão [sobrenatural] das coisas neste ou naquele menino ou menina com quem eu brincava, e cuja alma eu analisava. E via também até de vez em quando em mais velhos. E tinha a idéia de que isto era, portanto, uma coisa comum.

De outro lado, para ser inteiramente franco, [eu não fazia distinção] entre o natural e o sobrenatural. Eram [reluzimentos] que eu via nas coisas [naturais], que eram analogias do natural com o sobrenatural, por onde eu via o sobrenatural.

Mas, eu não tinha uma noção de que esse sobrenatural fosse especificamente uma espécie de discernimento dos espíritos, ou uma graça especial nesse sentido.

Eu tinha a idéia de um simbolismo, que era um jogo natural; e por isso no meu espírito era normal que eu, vendo coisas sobrenaturais e coisas naturais, estabelecesse esse simbolismo entre uma coisa e outra.

Porque todas as criaturas em certo sentido simbolizam a Deus e, portanto, isto é um movimento legítimo e lógico do espírito.

Em razão disso achava que [toda esta visão] estava ao alcance de todos.

Esta era a minha primitiva posição. O que é que introduziu uma brecha nisso?

Foi a noção da graça mística ordinária.

Essa noção traz consigo uma idéia de conhecimento direto -- não simbólico portanto -- no meu espírito. Esse conhecimento se prestaria a uma comparação simbólica, não tem dúvida, mas não poderia ser reduzido a uma conquista do simbolismo. Este é o ponto novo.

É uma visão -- "visão" é palavra um pouco perigosa -- é um "ver" que, no meu espírito, muito rapidamente procurava uma analogia, e, portanto, confundia esse ver com a analogia.

(Aparte: Passava do "ver" da graça ordinária mística como que insensivelmente, para a visão simbólica.)

Sim. Então a percepção simbólica e a percepção mística aparecem aqui como duas coisas diferentes.A percepção simbólica seria uma operação natural análoga, mas não idêntica, à percepção mística.Levado pela analogia que há entre as duas coisas, [a natural e a sobrenatural], -- uma analogia que é diferente da percepção puramente sensorial -- o espírito é conduzido, portanto, a estabelecer muita afinidade entre uma coisa e outra, e operar com as duas juntas.

Mas são coisas diferentes, embora por vezes a Providência se sirva do aspecto simbólico de algo para, a propósito do aspecto simbólico, favorecer o discernimento do aspecto místico.

Por exemplo, uma pessoa vendo um lírio pode, por simbolismo, pensar na pureza. Mas pode ter, àquele propósito, uma graça -- aí mais da mística alta -- de perceber a pureza imarcescível de Nossa Senhora.

Então, houve ao mesmo tempo uma operação simbólica e, a partir dessa operação simbólica, uma graça de caráter místico que atingiu a visão simbólica e a iluminou por dentro com um dado novo.

É uma coisa que se pode passar.

Eu tenho impressão que se passa em alguma freqüência comigo. Donde, mais uma tendência a fazer a confusão.





b) MNF do ano 1989, intitulado “O argênteo da alma do Sr. Dr. Plinio, que em tudo procura o cone do Fuji-Yama”

Pela primeira vez na minha vida, eu estou me dando conta de que talvez [nem] todo o mundo veja o "cone do Fuji-Yama" das coisas. Tout court! De onde me parece perceber que o argênteo venha disso, de ver o "cone do Fuji-Yama" [naquilo que nos rodeia].

É uma alegria ver todas as coisas na sua ordem ideal, achar que foram feitas para essa ordem e [ver] que clamam por ela; [é uma alegria ver] que [há] um movimento em todas as coisas, por onde o movimento todo da natureza seria no paraíso uma realização do "cone do Fuji-Yama".

(...) a Igreja Católica e a Doutrina Católica facilitam a dar o "cone do Fuji-Yama" de tudo, e apresentam todo o universo, toda a natureza nessa ordem. (...)

Como eu nunca tinha explicitado isso para mim, eu encontro aqui uma série de explicações que dão também o "cone do Fuji-Yama" de uma série de visões minhas --quer dizer, de coisas que eu vejo, não é visão mística--, de concepções de conjunto, etc. Tudo isso se prende ao tal "cone do Fuji-Yama".

(...)

(Aparte: O que está na causa dessa visão "cone do Fuji-Yama", é uma graça? Mas uma graça muito especial...)

Eu tenho impressão, meu filho, de que já por natureza eu tinha alguma coisa nesse sentido. Porque me lembro de cem fatos, de cem pequenas coisas, etc., onde isso se punha.

Vejo agora que o meu afeto absolutamente transbordante por Mamãe decorria em grande parte de eu perceber nela uma ordenação dessa natureza, desse tipo. E isso a Providência terá determinado por razões genéticas, por razões de ambiente, de uma porção de coisas que dispôs para isso.

Naturalmente, dispôs para que no auge da Revolução, a matriz da Contra-Revolução ficasse bem clara. Porque a Contra-Revolução é o contrário dessa "desfuji-yamização" de todas as coisas -- o contrário! -- e cria para mim uma contingência de lutar contra tudo quanto é contrário à posição supremamente ordenativa das coisas, à clave supremamente ordenativa das coisas.

Dando-me, [então, a Providência] alguns galardões já nesta terra insignes. Pagando um preço descomunal! -- porque o preço é tudo quanto você vê... --, mas também dando, por natureza, uma capacidade de suportar, de aceitar, etc., não inteiramente comum. E, além do mais, graças, graças, graças...

O lado graça de onde vem? É do apport que a fé, o conhecimento da Doutrina Católica, da Igreja Católica, dos santos da Igreja Católica, da Liturgia da Igreja Católica, etc., dão a essa disposição natural, e que é um apport muito mais importante do que essa própria disposição natural. [Esse] é o efeito normal e constante da graça em mim.

De maneira que, habitualmente [em mim], o perceber o "cone do Fuji-Yama" de todas as coisas é uma operação conjunta natural-sobrenatural. Muito mais sobrenatural do que natural, mas natural também.

Quer dizer, eu não poderia me imaginar nessa linha um São José de Cupertino, porque não é o que sou. E eu devo ser inteiramente veraz.

[Agora, eu pergunto:] isto é um dom, quer dizer, algo me é inteiramente dado, ou não?

É. É uma coisa inteiramente dada, à maneira de um homem que diz [ter recebido] uma fazenda, porque recebeu uma certa extensão de terra inculta, que deve cultivar, e ao mesmo tempo as sementes para plantar [essa] terra. A terra seria a natureza e as sementes seriam as graças.

Um homem que recebeu assim [a terra e as sementes], recebeu uma fazenda. Mas entra [da parte dele] um apport, uma “Leistung”, um espírito de renúncia, de sacrifício, etc., para dar nisso, do outro mundo.

(...)

(Aparte: Na ordem da natureza, quais seriam os componentes no senhor?)

É uma natureza bem dotada, mas sobretudo muito completa.Quer dizer, muito amplamente dotada de um número muito grande de coisas que formam entre si, vagamente, como [que] um "cone do Fuji-Yama".De outro lado, também com debilidades colossais que se tratava de vencer para ficar exímio nessas debilidades.

Então, foi me dado muita coisa grátis por meio da própria natureza, mas com lacunas que me obrigavam a produzir da lama uma estátua. E isto [com] um trabalho árduo, tremendo, que era a condição para que [aquilo] que me tinha sido dado fosse aproveitável.

Eu vejo perfeitamente que se não fosse a graça, os lados maus da natureza teriam derrotado os bons, mais ou menos como se você imaginasse uma guerra entre o exército prussiano ou o exército alemão e uma tribo de negrinhos do Congo ou de qualquer coisa assim. Quer dizer, uma coisa assim. [Eu teria sido] espatifado, estraçalhado, se não fosse a graça. (...)



c) Simpósio “O que somos nós”:

O profeta se prova por onde? Profeta não é o que vê o futuro. Mas como é que ele prova que é profeta? Ele prova que é profeta quando a obra que faz é a que se pode esperar de um profeta.

E quando ele é assistido pela graça, de maneira que a graça através dele faz aquilo que da graça se poderia esperar. Isto é um profeta.

Quer dizer, ele conhece a missão. Ele se dirige rumo a ela e a graça opera a realização da missão através dele.

Que isto coincide com o nosso caso, é uma coisa tão vista que eu não vou perder tempo para demonstrar!

Outra coisa que é própria do profetismo é o seguinte: quando a pessoa do profeta reúne em si qualidades naturais e sobrenaturais que o habilitam especialmente para fazer o que faz. Quer dizer, não é só o auxílio que a graça presta à ação dele, mas é o tê-lo equipado com qualidades naturais e sobrenaturais para fazer o que faz.





J. As explicitações de Dr. Plinio eram místicas


Conversa em Roma, 21/9/96:


[Dr. Plinio] enquanto homem de Deus, enquanto profeta de Nossa Senhora, enquanto homem chamado a tocar o movimento todo adiante e a tocar a opinião pública de uma certa forma adiante também, ele ia tendo explicitações místicas tocadas pela graça. Essas explicitações ele ia soltando.

Era desde a década de 50, com a teoria do mercador chinês, a teoria da fímbria da incerteza, a teoria da procura do absoluto, explicitando doutrinas (...)





K. Para compor uma oração, Dr. Plinio não precisava pensar


Reunião na Saúde, 19/11/96:


(Aparte: Sr. João, (...) quando o Sr. Dr. Plinio compunha uma oração era uma graça do Espírito Santo que atuava ou era uma graça mística que atuava nele, para ele compor as orações? Muitas vezes alguém pedia uma jaculatória, uma oração e ele compunha na hora, não é? Como era essa inspiração? Era do Espírito Santo ou era uma graça mística? Isso era uma virtude?)


(...) Por instinto, por segunda natureza, instinto e segunda natureza postos pela graça, não tem a menor dúvida que é uma graça, é uma graça habitual, não é uma graça atual, pode ser que sobre essa graça habitual pouse uma atual ainda e ainda enriqueça mais, sai a Oração da Restauração por exemplo. (...) Por isso, então, quando se pedia uma oração para ele saía com toda a facilidade. Ele não pensava duas vezes: "Hum? Como é que nós vamos fazer essa oração? Olhe, é um pouco difícil, eu não sei bem. Deixe estudar um pouco. Eu vou ver um livro que tenho em casa e depois digo". Não tem livro, não tem pensar, não tem nada: sai espontaneamente porque é um dom dado pela Providência, habitual, sobre o qual às vezes ainda incidia uma graça atual.


-- Mas então ele preparava o que fazia?Não. Os Santos do Dia, por exemplo, não, o Chá também não, a Palavrinha também não preparava, almoços, Conversas de Sábado à Noite, jantares, nada disso ele preparava.

Houve tempo em que ele preparava reuniões. Nós vamos amanhã à noite contemplar reuniões preparadas por ele. Assim como segunda-feira é a graça, quarta-feira tem uma surpresa que será comunicada amanhã. Mas essa preparação vem de onde? Vem de estudos que ele fazia? Ele ia aos livros e lia as bibliotecas? Não. Vinha de observações que ele tinha feito, análises, através do discernimento dos espíritos, da visão arquitetônica, harmônica que ele tinha do universo, e através dessas visões todas, desses dons todos dados por Deus é que ele, então, na hora ia tomando os dados e ia aplicando à situação concreta.





L. O conhecimento que Dr. Plinio tinha de si próprio, vinha da graça

"Jour-le-jour" 2/12/96:

O Sr. Dr. Plinio, por exemplo, se conhecia a si mesmo. Mas, para começo de conversa, o conhecimento que ele tinha a respeito de si mesmo era um conhecimento que vinha da graça. Se o senhor tira a graça do Sr. Dr. Plinio, ele não vai se conhecer a si mesmo.

JC omite o papel do entendimento de Dr. Plinio.


M. Perceber que tinha que praticar eximiamente todas as virtudes, foi um “dom” da Providência para Dr. Plinio


"Jour-le-jour" 22/12/96, parte II:

Foi um dom que a Providência pôs na alma dele de ele perceber que tinha que praticar todas as virtudes bem. E isso já na infância, hein!



N. Dr. Plinio teria sido santificado por um olhar místico de Nosso Senhor Jesus Cristo


"Jour-le-jour" 15/12/96:


Os senhores não crêem que ele foi santificado por um olhar místico qualquer de Nosso Senhor para ele?

(...) Com esta descrição feita por ele nós temos a certeza de que de uma forma mística o olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo pousou sobre ele e ele conseguiu penetrar no olhar de Nosso Senhor Jesus Cristo.



O. quando Dr. Plinio escolhia uma fatia de pizza, agia sob o influxo do Espírito Santo


"Jour-le-jour" 3/3/97:


[Dr. Plinio], ao agir, agia sob o influxo do dom de conselho. Ele quando julgava era prontamente e com segurança. Quando mostravam uma pizza para ele e ele escolhia o pedaço, dizendo: "Este", ele julgava com segurança. Por quê? Por causa do dom de conselho que era vivo na alma dele.


Dir-se-ia que, ao afirmar que o Divino Espírito Santo inspira todas as operações de Dr. Plinio, inclusive as mais corriqueiras, JC está prestando uma homenagem a Dr. Plinio.

Na realidade, a força de tanto exaltá-lo, acaba reduzindo-o a zero.

No caso concreto da escolha de um pedaço de pizza, se Dr. Plinio age inspirado por Deus, quer dizer que o entendimento, a vontade, a sensibilidade, o aristocratismo, a cultura, a civilização de Dr. Plinio são de tal maneira defeituosos ou inúteis, que precisam de um auxilio sobrenatural?





P. Como os joaninos vêem o Profetismo de Dr. Plinio


Reunião na Saúde, 19/11/96:


(Albertony: Ontem o senhor disse que da "RCR" não se poderia tirar nenhuma vírgula.)

Não pode tirar nem pôr.

(Albertony: É uma coisa tão fabulosa que tirar uma vírgula modifica tudo.)

É isso mesmo.

(Albertony: Eu queria perguntar o seguinte: quando o Sr. Dr. Plinio escreveu a "RCR" que tipo de graças o Sr. Dr. Plinio tinha, se eram sensíveis essas graças, se era graça de profetismo, e como é que esse profetismo agia durante o tempo em que ele escreveu a "RCR" e como é que ele agia quando não tinha essa inspiração profética? [...] Eu pergunto como é que agia o profetismo do Sr. Dr. Plinio para agir uma obra e como agia, digamos assim, nos dias normais, se existe diferença entre uma coisa e outra.)


A pergunta afirma implicitamente duas teses: a) que a RCR foi escrita por uma inspiração sobrenatural, praticamente sem o concurso do entendimento de Dr. Plinio; b) que na vida de Dr. Plinio, haviam “dias anormais”, nos quais o Profetismo funcionava; e “dias normais”, nos quais o Profetismo cessava.





III. Amostras de uma campanha de divinização de Dr. Plinio


Conversa de JC com os novatos da Saúde, 25/8/94:


É muito possível que o Sr. encontre aí inteligências conaturais com uma série de coisas, mas o Sr. vai encontrar só uma -- porque eu conheço só uma, eu conheci muitas de gente, gênios, cultura, tudo isso já conheci em quantidade, já vi, já apalpei -- o Sr. vai encontrar só uma inteligência conatural, com o quê? Com Deus! Ele tem um conhecimento que é um conhecimento divino. (...) Então, ele bate os olhos, e a inteligência dele fica assemelhada à inteligência de Deus, claro que guardadas todas as proporções, não vamos aqui dizer que então, o Senhor Doutor Plinio é Deus, não, não é isso, mas, o quanto pode caber na mente dele para a missão dele, aquilo ele tem de Deus! Aí é que está.


*


Intervenção de um “modelar” discípulo de JC, durante a conversa deste com os novatos da Saúde em 21/12/94:


(Frizzarini: Sr. João, há mais ou menos uns dois anos atrás, estávamos numa conversa, e nessa conversa se comentava a respeito da missão do Senhor Doutor Plinio. Dizia-se que Nossa Senhora era chamada co-redentora. Poder-se-ia dizer que o Senhor Doutor Plinio é, por assim dizer, o co-redentor de Nossa Senhora, pois ele de tal maneira é a destra de Nossa Senhora etc., e ainda mais com as profecias do Beato Palau que falam de uma segunda redenção. Então este e. M. gostaria de pedir ao senhor se o senhor pudesse tratar um pouco desse lado, por assim dizer, divino da missão do Senhor Doutor Plinio, em que ele não só, por assim dizer, é Deus na Terra para nós, mas tem uma missão que a única Pessoa que teve essa missão na Terra foi Nosso Senhor Jesus Cristo, que é a de ser um redentor.)


*


Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96 - Referindo-se à época da hospitalização de Dr. Plinio pelo desastre que sofreu em 1975, JC disse:


A graça que houve nesta ocasião -- eu já contei aos senhores -- foi de perceber a fundo, mas a fundo, fundo do mais fundo, o quanto o discernimento dos espíritos, o profetismo, os carismas, os dons que a Providência tinha dado a ele, a sabedoria, eram muito mais profundos, incomparavelmente mais profundos, do que a própria consciência dele.

Aí, então, um flash pela divindade, digamos assim, com "d" minúsculo, pela divinização da alma dele, um flash que eu reputo ter sido muito mais intenso do que a própria Sagrada Escravidão. Eu diria que se a SE me mostrou a silhueta dele, essa graça me mostrou a fisionomia dele por inteiro.

Isso foi num crescendo cada vez maior (...)

*


Reunião para CCEE, 14/4/96:


[Dr. Plinio recentemente], já para o fim da enfermidade dele, que já devia ser fruto do câncer, deveria ser fruto da diabetes, vamos ao oculista porque ele não estava enxergando direito, não estava conseguindo ler. Entrando no oculista (...) o oculista faz um exame de fundo de olho e verifica que ele (...) não estava enxergando nada.

Não enxergava nada e via tudo, porque punha-se uma foto para ele analisar e fazia uma análise perfeita da foto. Mas ele não enxergava, eu tinha a certeza que ele não enxergava, porque eu assisti os testes e vi que ele não enxergava. Isto foi a partir do ano 91, 92. Não enxergava e via. Era um milagre permanente, porque ele tinha uma visão sobrenatural das coisas que era mais profunda do que a própria vista dele.

Isto foi me dando a idéia de um homem inteiramente divinizado, de um homem sobrenaturalizado, a palavra é bem essa. Divinizado com "d" minúsculo, mas é divinizado, como dizia o Pe. Olavo ontem no sermão. Portanto, me aprofundou ainda mais a convicção de se tratar ele não de um simples santo, mas de um grande santo; não de um simples profeta, mas dos maiores dos profetas; não de um simples varão da destra de Deus, mas o varão da destra de Deus.


Na ficha anterior, o charlatão afirmou que em 1975, viu “por inteiro” a fisionomia de Dr. Plinio, isto é, o lado “divino” dele. Agora conta que, a partir de 1991-1992, ao contemplar a Dr. Plinio, foi tendo idéia de um homem inteiramente divinizado.

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Reunião na Saúde, 16/4/96 - JC fala do “quid” humano-divino de Dr. Plinio e afirma que não está comparando Dr. Plinio a Nosso Senhor Jesus Cristo:


Nós tivemos a graça de nascer num século que, de si, enquanto tal é o pior de todos os séculos da História, é o século do igualitarismo. Ainda quinta-feira à noite nós vamos ter oportunidade de falar sobre isso, do século do igualitarismo.

Está bem, nesse século onde o igualitarismo dominou todos os ambientes, dominou todo os costumes, dominou a ciência, dominou todo o campo do conhecimento humano, dominou até a religião, não houve canto que o igualitarismo não tenha entrado, neste século Deus fez levantar uma coluna humana e ao mesmo tempo divina -- divina pela graça e pelo sobrenatural, humana pelas qualidades imensas que Ele deu a esta coluna. Essa coluna se levantou sozinha em face a todo o igualitarismo do século, disse: "Não!" e enfrentou de peito aberto o igualitarismo como nunca ninguém enfrentou nenhuma heresia em época nenhuma de toda a criação.

Os senhores dirão: -- Mas Nosso Senhor Jesus Cristo?

- Não estou fazendo comparação com Nosso Senhor Jesus Cristo. Claudica qualquer comparação feita com Nosso Senhor, porque Nosso Senhor é Deus, está fora de qualquer comparação.


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Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 15/5/96 - Ao comentar uma fotografia de Dr. Plinio, JC disse:


O que a gente vê nesse olhar é o reflexo de Deus. (...) é um olhar de uma riqueza olha aqui infinita quase; o quanto um olhar, que é um espelho, que é um receptáculo, pode conter o infinito, esse olhar contêm. [Exclamações]

Ele tem o infinito, a eternidade, a Majestade de Deus, ali está tudo refletido num olhar assim. Se quiserem peguem, peguem e tragam aqui para eu mostrar, os senhores verão que eu não exagerei. (...)


(Santiago Morazzani: Sr. João, o que era que acontecia, o que se dava... quando ele dava um olhar se via que preenchia inteiramente a alma, cravava o olhar assim... O que é que se dava nesse momento?)

O que tem é o seguinte, é que não se tratava de um olhar meramente humano, e que além do olhar humano existia uma graça que tocava no senhor, que estava sendo olhado, e que fazia que o senhor percebesse o fundo do olhar dele.

Por exemplo, se nós não tivéssemos sentido isso, eu dizendo o que eu disse, os senhores não entenderiam, os senhores achariam um exagero, mas entretanto, eu dizendo o que eu disse, os senhores olhando para fisionomia dele, percebem perfeitamente o que está no fundo desse olhar. E percebem por quê? Porque este olhar condiz com aquilo que nós vimos em determinado momento que fomos olhados.

(...) no fundo do olhar dele o que se vê é Deus.

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Reunião na Saúde, 18/6/96:


No desastre em 75 eu pude ver o fundo do profetismo dele, pude ver o fundo de todas as virtudes e todos os dons sobrenaturais que Nossa Senhora lhe tinha dado. Então mais ainda: "Esse homem é divino, esse homem está acima dos anjos".


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"Jour-le-jour" 30/3/97, parte I - Enquanto lia uma CSN, sobre a inocência de Dr. Plinio e sua fidelidade desde menino, à las tantas JC disse:


Isto tudo os senhores vêem que ultrapassa os limites da santidade. Alguém podia dizer: "Que santo", mas diz pouco, porque dizer santo é dizer pouco.


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"Jour-le-jour" 27/4/97, realizado na Espanha:


Qual é o título que o define? Varão da Destra de Maria Santíssima? Profeta do Reino de Maria? Fundador do Reino de Maria? Vingador da Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo? O pai dos Séculos Futuros? O Varão das Dores? Grandeza Sofredora? Qual desses títulos que o senhor diz "ah, aqui está, esse define tudo"? Não tem.

Faltou ele, antes de morrer, encontrar um título que desse a ele a definição perfeita.

O senhor diz “Nosso Senhor Jesus Cristo” e está definido. O senhor diz “Maria Santíssima” e está definida. Agora, qual o título que o define?

A gente podia dizer: “Plinio”.

Não tem dúvida, mas deve haver algo que defina ele na suas qualidades mais profundas, mais amplas, mais completas e mais universais que chegará um determinado momento em que aparecendo ele, aí nós olhando diremos: "Ah, está aqui!".


(Aparte: Nós podíamos chamar meu Deus na terra?)

Os jesuítas chamavam Santo Inácio de meu Deus na Terra, perfeitamente.

(Aparte: Mas mesmo assim ainda é mais ainda.)

Ah, é mais, é mais. Não sei o que há, mas é mais, há algo de mais que nós vamos conhecer ainda.


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Reunião em Portugal, 3/5/97:


Quando ele tinha consolações eram consolações já quase pré-visão beatífica.

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Reunião na Saúde, 3/6/97:


O Sr. Dr. Plinio é um homem completamente sui generis; ele escapa das nossas vias, escapa das nossas origens. A origem dele é diferente da nossa, completamente. Ele, já na primeira infância, ele viu tudo num relance de olhar; o resto não foi senão um desenrolar daquilo que ele viu num primeiro olhar. O primeiro olhar já continha tudo, já estava tudo rico, tudo vivo no fundo da alma dele.

Depois, com o passar do tempo, ele foi desenrolando isto, aquilo, aquilo, mais isto, especificando isto, mais aquilo... E foi abrindo o leque, aplicando e desenvolvendo aquilo que ele tinha visto.


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Jour-le-jour" 9/9/97:


Tudo ele vê, tudo ele entende, em tudo ele penetra. Eu assisti, por duas ocasiões distintas, duas pessoas diferentes aproximarem-se dele e dizer: "Sr. Dr. Plinio, o senhor é homem mesmo, ou é anjo?" Porque dá para perguntar!


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"Jour-le-jour" 24/9/97 - Depois de ler uma série de trechos de MNFs, JC comenta o seguinte:


É uma coisa extraordinária! Eu não sei, porque eu me lembro de ter visto duas pessoas se aproximarem do Sr. Dr. Plinio, e perguntarem se ele era homem mesmo ou era anjo. Eu compreendo por quê: porque depois disso aqui o senhor não pode levar em consideração que o Sr. Dr. Plinio seja um homem. Não dá para ser homem depois de ter dito isso.

Vai ser preciso, no Reino de Maria, quando alguém for dar essa parte aqui, por exemplo, dizer: "E um anjo apareceu, no século XX, e disse" e aí vem [o texto]. No final de tudo alguém pergunta: "Mas que anjo foi esse?" E a gente diz: "Plinio Corrêa de Oliveira".

(...) Bem, mas o que ele vai dizer aqui é realmente fora do comum. É um senso... não é senso psicológico, é discernimento dos espíritos, é visão de Deus. Deus vê assim.


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"Jour-le-jour" 12/10/97, parte II:


Eu nem tive tempo de preparar a reunião, porque foi uma correria à tarde e às cinco para as sete é que eu peguei os textos na mão para vir para cá, chegando com um pouquinho de atraso, porque outras coisas me impediram de estar aqui à hora. De modo que eu vou, a esmo, fazer uma reunião de improviso, mas não como o Sr. Dr. Plinio, porque o Sr. Dr. Plinio fazia uma reunião de improviso consultando o interior dele (1), e o interior dele era mais vasto do que um universo. Ele tinha não só dentro de si o universo criado por Deus (2), mas tinha também uns passeios que ele fazia por um universo que ele gostava muito, que era o mundo dos possíveis de Deus. Ele aqui, lá e acolá, passeava por idéias construídas por ele.


Comentários:

  1. Todo o contrário: Dr. Plinio fazia as reuniões em função das apetências do público que encontrava diante de si.

  2. Teses na linha da divinização de Dr. Plinio.


*


"Jour-le-jour" 26/10/97, parte II:


Afirma São Tomás que Deus poderia ter criado tudo o que criou de forma mais bela, exceção feita de três criaturas: Nosso Senhor Jesus Cristo, homem, criatura; Nossa Senhora, Mãe de Deus, criatura; e a visão beatífica. Essas três criaturas são as mais excelsas. Mais do que isso, impossível.


(...)


(L. A. Blanco: O senhor acha que Deus poderia ter feito melhor o Sr. Dr. Plinio?) (1)


O senhor quer ver como as coisas são complicadas?São Tomás é quem diz. Portanto, podia. Porque São Tomás só tem três exceções, não põe quatro.


(Vários dizem: Mas ele não conhecia o Sr. Dr. Plinio!)


[Risos.]


Mas o senhor veja que coisa curiosa: se o Sr. Dr. Plinio tivesse nascido no Paraíso terrestre, e portanto, sem Pecado Original, e com todos os dons preternaturais, além de tudo que foi dado a ele, ele seria muito mais perfeito do que é. Por exemplo, não teria morrido! Claro!

E, além disso, teria o dom da integridade, que ele não teve. Ele teve algo à maneira dê, por um auxílio da graça; mas não teve esse dom da integridade.

Então, ele, no Paraíso terrestre, teria sido mais perfeito do que foi, tendo nascido no Pecado Original. Então o senhor tem que partir da tese que Deus podia ter feito o Sr. Dr. Plinio mais perfeito, desde que Adão e Eva não tivessem pecado.


(L. A. Blanco: Mas só dons físicos; não dom de alma) (2).


Não, não: eu estou falando de dons preternaturais; não do corpo.

(L. A. Blanco: Mas teria dom da integridade.)

O dom da integridade é um dom da alma.


(L. A. Blanco: Agora, Ele poderia ter sido mais de alma? Ele poderia ter chegado a uma situação mais grandiosa, como agora, enfrentando toda essa situação que o senhor descreveu?)

Nós julgamos que o Sr. Dr. Plinio não podia, no Paraíso terrestre, ter um pulchrum, ter um brilho, pela ausência da luta. É que no Paraíso terrestre não havia a luta, não havia o combate, não havia a agonia; no Paraíso terrestre existia, isto sim, a retidão.

Agora, como seria um homem que espelhasse a ordem do universo, em si, sem nenhuma mancha de Pecado Original, sem nada, não tendo que lutar, e constantemente emitindo uma luz que levasse os outros a compreenderem a pulcritude da ordem da criação? É um problema complicado. Não é fácil.

Acontece que, uma vez tendo ele sido concebido no Pecado Original, a Providência, para vingar-se da Revolução, provavelmente deu a ele algo a mais, que Ela não daria se ele estivesse no Paraíso.

Então o senhor tem que, no Paraíso terrestre ele seria criado de uma forma mais perfeita, perfeitíssima. Mas, tendo havido o pecado, tendo havido portanto a revolta de Adão e Eva, e depois os pecados todos atuais que foram-se repetindo ao longo dos séculos, e tendo havido a Redenção, ele recebeu algo para poder vingar a Deus e vencer a Revolução, que é um aspecto que ele não teria no Paraíso.

O senhor me perguntaria: "Mas qual, então?"

O senhor vê que ele como que participa da Redenção de Nosso Senhor Jesus Cristo. Porque era preciso que houvesse uma vítima que oferecesse sua vida para vencer o pecado de Revolução. E ele, em certo sentido, tem algo de paradisíaco, porque ele foi isento do pecado de revolução.

Então, há uma pulcritude nele, concebido no Pecado Original, que não existiria nele concebido sem o Pecado Original. Sem embargo do que, também concebido sem o Pecado Original, ele teria uma pulcritude que ele não teve depois do Pecado Original. Qual das duas é a maior? No dia do Juízo o senhor verá.


Comentários:

  1. A pergunta revela para onde caminham as idéias que JC mete na cabeça de seus discípulos: Dr. Plinio é de tal maneira perfeito, que não se sabe se o próprio Deus poderia tê-lo feito melhor.

  2. O pergunteiro insiste porque nos ambientes joaninos essa tese é bem vista.


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Grafonema “confidencial” de Carlos Insaurralde para Célio Casale:


Eremo N. Sª. del Rosario de Lepanto, 02/1/1998 - 11:15 PM

Estimado Don Celio:

Salve María!

(...) Aprovecho este GFN para saludarlo especialmente en esta Navidad y año nuevo que comenzó con olor a pólvora, y que espero le conceda NSS (1) las más especiales gracias que tiene reservadas para sus hijos más predilectos, y entre ella la gracia del GR.


A sigla NSS é aplicada pelo joanino a Dr. Plinio e significa “Nosso Senhor Sacral”.


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Num grafonema “confidencial” para Célio Casale, 8/5/97, José Mário resume uma reunião dada por JC em Portugal nesses dias:


Ainda [JC] não tinha terminado de responder já vários se levantaram para perguntar! Um dos mais velhos ficou com a palavra. Perguntou como PF [NB: Plinio Felipe, nome que JC tem na Sagrada Escravidão] fez para corresponder a todos os flashs. A resposta foi longa e muito bonita. Um flash! Comentou que deixou-se ir como um barco à vela!... Não atrapalhando a acção da graça!... Se a vela se rompesse - foi a pergunta seguinte - ele a costuraria e tocaria em frente. Se a vela não fizesse andar o barco, por falta de vento, ele remaria! Nada mais obvio, parado é que não ficaria. Mas, retrucou logo em seguida, quem convive com o Sr. Dr. Plinio por certo não falta vento!

Depois PF continuou a comentar os ventos mais fortes que sentiu. Eis-los enumerados:

1. 1956 - Foi o primeiro encontro na Basilica do Carmo: "este é o homem que vai mudar a História". É um vento que ainda sopra até hoje!

2. 1968 - "Pensei que o conhecia por inteiro, mas eu não o conhecia enquanto pensei. Agora cheguei ao fundo da alma de MS"

3. Doença - Aí foi mostrado todo o senhorio, a grandeza, a paternalidade, a nobreza, o espírito de sacrifício, o thau enquanto thau.

4. 1975 - nesta altura ficou claro o lado divino de MSS, e que o que anteriormente ficou visto não era nada com o que agora era presenciado.


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Reunião na Saúde, 2/4/96 - JC faz um paralelo descabido entre Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, de um lado, e Dr. Plinio e Dona Lucilia, de outro lado:


Em que momento foi que o Senhor Doutor Plinio se recolheu para adquirir o espírito contemplativo?Eu lhes digo com uma facilidade única. Foi durante os nove meses em que ele passou no claustro materno. [Aplausos.]

Ele teve uma mãe que era um claustro de contemplação. Ele teve uma mãe que era um mosteiro, uma abadia, e o fato de ele ter podido ser concebido dentro desse mosteiro, dentro desse claustro bendito, inocente, santíssimo. Um claustro que é para nós aquele primeiro degrau que nos leva a Nossa Senhora.

Ele ter nascido dentro desse claustro, ter sido concebido dentro desse claustro, ele teve nove meses de uma vida intensa de contemplação.

O senhor dirá: "Ah, que bonita figura de retórica, mas é mera literatura."

Eu diria: "Não pense assim porque o senhor está pensando errado, porque as mães, durante o período da gestação do filho, tem uma ação enorme sobre os filhos."

Tanto é assim que (...) a ciência hoje caminha para esta noção que é clara para nós, de que há uma correlação muito grande entre o claustro materno e a constituição psíquica, a constituição mental, a constituição nervosa, o espírito daquele que mais tarde nascerá e que se desenvolvera.

Então foi no claustro materno da Senhora Dona Lucilia, ela arqui-contemplativa, uma senhora contemplativa a mais não poder, foi ali, naquele claustro que ele aprendeu a contemplar a Deus. E ele quando nasceu já era um contemplativo.

Quanto tempo foi que ele teve de recolhimento? Nove meses.


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Reunião na Saúde, 25/3/97 - Fruto da formação dada por JC e da apresentação que faz do SDP são as seguintes palavras de um de seus discípulos, na Semana Santa:


(Luís Hemerson: No Reino de Maria, sendo o Sr. Dr. Plinio o Fundador do Reino de Maria, haverá uma "via sacra" do Sr. Dr. Plinio? (...) quais seriam os pontos auges dessa paixão do Sr. Dr. Plinio?)


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Reunião na Saúde, 16/4/96 - Segundo JC, o fim de nossa vocação é conseguir que a humanidade inteira venere a Dr. Plinio e a Dona Lucilia. Não fala de Nosso Senhor Jesus Cristo nem de Nossa Senhora:


Nós não podemos ficar sossegados enquanto não virmos a Humanidade inteira venerando a ele e a ela como os maiores santos deste século e da História talvez. [Aplausos.]


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Análoga omissão percebe-se no despacho de 24/4/96, sobre o apostolado a ser desenvolvido junto a nossos propagandistas de Fátima. Na ocasião estavam presentes Orlando Kimura, David Francisco, José Ciro e Caio Newton. JC fala dos objetivos:


Eu acho o seguinte, que vale a pena batebolarmos agora o que fazer face a isso, com que objetivo? Com o objetivo de aumentar muito o número de pessoas com as quais possamos contar como nossas. Porque isso é um universo sem fim. Então que trabalho fazer, para transformar essa gente, e que eles continuem como representantes da Campanha de Fátima, mas que além disso, eles se liguem a nós, a ponto de nós podermos contar com eles, como membros do SDP, como pessoas que estão dispostas a levar a obra do SDP adiante.


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"Jour-le-jour" 5/9/97 - JC afirma que fomos feitos para conhecer, amar e servir a Dr. Plinio. Não menciona a Nosso Senhor Jesus Cristo nem a Nossa Senhora:


Nós fomos feitos para conhecê-lo, amá-lo, servi-lo e, depois disso entregarmo-nos dentro de uma total escravidão, nas mãos dele.


Num retiro feito no S. Bento para os camaldulenses de Jasna Gora JC disse, mais ou menos o mesmo: o fim de nossa vocação, não é Nossa Senhora, mas Dr. Plinio.


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Mas todo esse “encumbramiento” é pouco. Pois JC acha que a devoção a Dr. Plinio ainda está para nascer - "Jour-le-jour" 10/10/97:


Mas me passa pela cabeça o seguinte:Está para nascer ainda -- não houve por enquanto -- a devoção à Srª Dª Lucilia e a devoção ao Sr. Dr. Plinio. Eu acho que o que nós temos são prefiguras.

Alguém dirá: "Mas o senhor afirma isso assim com tanta facilidade, com tanta ênfase?" Não, eu não afirmo nem com facilidade nem com ênfase: é uma impressão. Eu acho que, para haver Reino de Maria, nossa devoção ao Sr. Dr. Plinio tem que ser algo como até agora não se tenha conhecido na História, de nenhum seguidor para com seu fundador.

IV. Transfondo dos louvores de JC a Dr. Plinio: fazem o jogo da Revolução ou da Contra-Revolução?


A. Visualização em função das normas dadas pelo próprio Dr. Plinio a respeito de como não deve ser apresentado


Reunião na Saúde, 30/4/96:


(Mauro Sérgio: Na reunião de ontem tinha uma descrição que São Bernardo faz de Santo Elias. O senhor poderia fazer uma descrição dessas sobre o Sr. Dr. Plinio como se fosse ... No Reino de Maria, por exemplo, tivesse um "enjolras" que não conhecia o Sr. Dr. Plinio, viesse para o senhor e perguntasse quem é o Sr. Dr. Plinio.)


(...) Queria lhe dizer o seguinte: não há palavras no vocabulário humano para descrever quem é o Sr. Dr. Plinio. Precisaria criar um vocabulário qualquer que fosse angélico para poder dizer quem ele é.


"Ele é um homem que tem em si os contrários harmônicos mais grandiosos e mais opostos. Ele é um homem de uma grandeza extraordinária, de uma majestade como rei, imperador, como ninguém, a não ser Nosso Senhor Jesus Cristo e Nossa Senhora, até hoje teve. Uma majestade imponente, uma majestade tal que poria medo na Humanidade inteira.

"Entretanto, há nele, ao lado dessa majestade, uma tal bondade, mas uma bondade tão abarcativa, tão penetrante, tão cheia de benquerença...


É o que eu estou lhe dizendo, todas as palavras são insuficientes para descrever tanto a grandeza, quanto a bondade.


"É uma tal bondade, que ele, ao mesmo tempo, com a grandeza põe longe e põe no seu lugar quem tem orgulho, pela bondade ele atrai de tal forma que a pessoa não resiste, chega diante dele e quer oscular as mãos e os pés dele.

"Ele é um homem que, sozinho, se levantou como uma coluna no meio do mundo inteiro e enfrentou o maior mal que já houve na história de toda a Humanidade, que é a Revolução. A Revolução procurou destroçar tudo o que havia de imagem de Deus sobre a face da Terra e implantar na face da Terra o reino de Satanás. Ele se levantou e com a força de alma dele, com a força de convicção dele, ele quebrou o poder da Revolução, quebrou o poder do demônio e lançou todos os demônios no fundo dos infernos. Ele limpou a Terra dos demônios dos ares e mandou para aquele astro, para aquele outro astro. A Terra hoje está toda ela abençoada por causa da ação dele".


A respeito de como apresentar a Dr. Plinio, ele próprio deu as seguintes normas:

  1. Reunião de 3/1/82:

Eu recomendo aos senhores que tanto quanto possível evitem os adjetivos bombásticos inúteis. Por exemplo: "Dr. Plinio é um homem formidável". O que quer dizer isso? O vendeiro pode dizer isso do jornaleiro.

Eu acho que os senhores devem procurar dar dados biográficos, procurar dizer os fatos.(...) Aí os senhores teriam feito melhor do que adjetivos que não valem nada. O fato, fato.


b) Reunião de 21/4/81:

"Dr. Plinio é um cruzado, é um batalhador, um herói, cada pancada que ele tem dado ..."Se o sujeito não está habituado a isso e visse entrar na sala um cruzado, a primeira reação que ele teria era de pânico: "Esse homem não tem aquela porcaria (CGC), ele não tem carteira de identidade, Godofredo de Bouillon, Bulhões é o nome português. Bouillon eu não conheço. De onde é esse homem?" Diria um homem pouco acostumado ao tema.

Não vale a pena apresentar assim.


*


Os joanistas gostam de falar a todo propósito, perante todo tipo de público, do Profetismo. Uma amostra encontramos na Revista “Dr. Plinio”, da “tfp” espanhola, ano 1, nro. 7, outubro de 1998, p.13:


[Dr. Plinio], todavia en la tierra, tenia un deseo y una visión previa de lo que iba a suceder en el futuro (...)


Ora, isso colide frontalmente com as diretrizes dadas por Dr. Plinio - Reunião para os eremos itinerantes de 8/1/93:

(Kallás: Sr. Dr. Plinio, dentro do caos que vai entrar o Brasil, e também considerando o brasileiro como ele é, que ele está à procura mais de uma pessoa para orientar a si mesmo, a sua vida e achar uma solução, nós não deveríamos falar mais claramente do Sr. nos contactos com o público e mostrar que a solução da crise brasileira está aqui? Como é que seria o meio eficaz de fazer isso para a Contra-Revolução?)


Os Srs. precisam andar com muito cuidado com isso. A proposta é cheia de bom espírito, mas é preciso ver onde ela vai chegar.

Se os Srs. todos se põem a falar muito a meu respeito, os Srs. vão abrir caminho para que digam aí que os Srs. estão fanatizados por mim. Eles são eles, os Srs. conhecem bem a eles.

(...)


(Pergunta: "Como poderíamos ir preparando a opinião pública no sentido de irem conhecendo o vosso profetismo?")


Os Srs. podem, com as pessoas juntos às quais os Srs. notam simpatia, não empregar a palavra profetismo -- eu explico daqui a pouco porquê --, mas contar que com freqüência eu faço previsões políticas muito acertadas. Contarem alguns fatos, ao menos para as pessoas um pouco mais instruídas, que leiam um pouco mais, como o famoso caso da queda do Rodolf Hess na Inglaterra, que afinal eu previ e aconteceu.

A coisa, entretanto, não deve ir acompanhada da palavra profetismo. Por uma razão: é que todo o mundo aí, inclusive eu até que eu comecei a estudar o assunto, tem a idéia que o profeta era só no Antigo Testamento e que depois do Antigo Testamento tinha acabado o profetismo. Portanto, dizer que eu tinha algum profetismo, era dizer que eu estava na linha de Elias, de Eliseu, de Moisés, etc. O que, evidentemente, é falso, em primeiro lugar; em segundo lugar, dava logo margem a máfia.

(...) Por enquanto, portanto, falar de profetismo é imprudente, até nós lançarmos uma nova edição desse livro [NB: “Imbroglio, detraction, delire”]. Mas dizer que eu tenho previsto, que essa previsão é resultante de algum conhecimento de história, alguma prática da vida, e do fato em que eu confio muito em Nossa Senhora, de que Ela me evite de cair em erro nessas previsões, isso os Srs. podem dizer.

Por que é que você está me olhando tão...


(Félix: O brasileiro o Sr. não acha que tem uma especial propensão para ver isso no Sr.?)


Tem, mas é preciso dizer a verdade inteira. O brasileiro gosta de ver as qualidades daquele com quem ele está em acordo e não com quem ele está em desacordo. É preciso que o número dos nossos amigos cresça para valer a pena dizer isso.

(...)


(Félix: Qual é o melhor modo então de ajudar o Sr. nesse sentido?)

É de dizer o que eu disse, mas não de chegar a usar a palavra profetismo.


*


No Encontro de 27/5/90, Dr. Plinio deu o seguinte princípio de apostolado:


É preciso tomar o cuidado para não parecer um fanático daquilo que para nós é um ideal. (...) [Por que? Porque] se a gente vai mostrar idéias muito definidas, e vai sobretudo ser muito caloroso no que afirma, eles [os prosélitos] se afastam.


Portanto, o fanatismo com que JC exalta a Dr. Plinio, a primeira vista tão louvável, é no fundo um modo de sabotar o ideal de glorificar a nosso Fundador e Mestre.


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Dr. Plinio ensina (Despacho 28/6/84) que há dois eclipses a evitar: o da personalidade dele por detrás da TFP, e o da TFP por detrás da personalidade dele. Ora, JC fez o jogo da Anônima, pois sob pretexto de evitar o segundo erro, incorreu no primeiro:

(Queiroz: Estou compilando todos os relatórios, houve um progresso do II Encontro para esse, um progresso surpreendente no seguinte ponto: até o Encontro passado, [os CCEE] viam a entidade TFP, nesse Encontro a TFP foi, digamos assim, totalmente esquecida, existe uma pessoa que é o senhor. Então se voltaram para a pessoa do senhor. (...).


(...) É preciso aqui tomar cuidado num ponto, hein: essa espécie de eclipse da TFP por detrás de minha personalidade é uma coisa que é menos má do que a eclipse de minha personalidade atrás da TFP. E houve isto em alguma medida. Em algumas vezes não pouca medida. Mas de fato há um certo ponto de equilíbrio que é preciso realizar, porque também há um certo perigo de ficar só o "Plinio, Plinio, Plinio" e a TFP é uma espécie de montagem em torno dele, mas na realidade o que existe é ele. Porque exatamente dá margem à máfia de fanatismo, de culto de personalidade --não digo culto religioso, é uma outra questão, culto de personalidade-- e uma porção de coisas que são perigosas.

(...) Eu acho que não corresponderia à realidade dizer que a TFP é um mero quadro dentro do qual eu estou.

Para dizer a coisa de maneira a não ficar com nenhuma suspeita de que eu esteja com humildosa no caso, para tomar a coisa como ela é, a verdade é a seguinte: é que eu tenho a ilusão de ter sido instrumento de Nossa Senhora para formar uma organização e que essa organização, portanto, não é uma montagem em torno de mim, mas que ela existe. Eu até posso admitir que ela deixasse de existir hoje se eu morresse agora, mas é com pesar para mim. Eu gostaria que ela pudesse sobreviver, porque todo homem deve desejar a perenidade da obra que fez, sobretudo quando essa obra está à serviço de uma causa eterna. É evidente!

(...) Até algum tempo atrás --eu quebrei isso--, alguém escrevia um livro, a preocupação [era] de enxotar aquilo de lado porque o livro não era escrito por mim. Ou então dizer que o prefácio era tudo e o livro não era nada, porque eu que escrevi. Pois é uma alegria que eu devo ter, dar graças a Nossa Senhora de ter dado origem a uma escola de escritores! Por que não? É muito melhor ter originado uma escola de escritores do que ter escrito um livro.

(...) E portanto graduar bem isto nos Encontros é um ponto importante, é a pura verdade. Como é? É uma muita boa organização que, com a graça de Nossa Senhora conta com fatores positivos enormes; depois a gente diz baixinho entre nós, fatores negativos lamentáveis, e essa organização é produto, em boa parte, do trabalho de um homem designado, amparado pela graça. Mas essa organização existe e é preciso ter os olhos voltados para ela, etc.

Agora, o eclipse anterior, eu posso dizer, é o mais lamentável possível, muito mais lamentável do que isso, isso não tem dúvida nenhuma. Eu quisera evitar os dois eclipses.


*


Outro erro no qual incorreu JC ao “glorificar” a nosso Fundador, foi o de apresentá-lo enquanto colocado no píncaro de uma linha perpendicular, em torno da qual todos --sobretudo os mais antigos membros do Grupo-- são zero.

Ensinamento de Dr. Plinio citado pelo Sr. Nelson Fragelli na reunião na SRM de 29/7/99:


Há uma falsa doutrina segundo a qual a TFP é como uma árvore isolada na planície. O mestre é a árvore, e o resto seria a planície. Absolutamente não é essa a doutrina verdadeira. A TFP quando considerada em sua perfeição é como uma montanha com ladeiras harmoniosas, que sem dúvida alguma tem um pico mais alto mas que não é uma montanha perpendicular à terra. É uma montanha onde há transições e gradações e onde todos participam do dom que é principalmente de um.


*


A ênfase e continuidade dos elogios de JC --e dos que foram formados por ele-- ao SDP concorre para alimentar as máfias - Santo do Dia 1/2/85:


Eu ignorava inteiramente que ia se passar essa coisa hoje à noite. Eu pensei que fosse uma proclamação sobre notícias várias, etc., tinham me garantido que hoje não haveria reunião doutrinária (...) e que eu ia poder me comprazer no noticiário florido, musicado, marcial, como é o noticiário que nós gostamos. Mas de repente eu vejo aqui uma série de fotografias minhas, logo, logo, no começo, uma espécie de exibição de fotografias minhas. Eu percebi naturalmente o resto como é que giraria.

Seja dito, pelo menos, que foi uma rotunda cilada.

É preciso nós habituarmos a vivermos em regime de máfia debandada. Máfia só não, de máfia debandada. Nós devemos compreender que todos os nossos gestos e atitudes são objeto de uma má interpretação, às vezes indecente de tão forçada, mas que encontra, por razões das quais eu dei na reunião de quarta feira uma idéia sumária, por ação preternatural, encontra uma receptividade inimaginável.(...) Nós devemos não dar nenhuma ocasião, por menor que seja --e ocasião aqui se chama pretexto--, por remoto que seja, que dê aparência de verossimilhança a esta calúnia.Porque com um pequeno sinal de verossimilhança [a máfia] fabrica manchete de jornal. (...) E então, com base nisso, nós devemos tomar muito cuidado com o que nós dizemos.

(...) Outra coisa é no que diz respeito à referências, pelas quais eu sou muito grato, a Dona Lucilia. Eu compreendo o fervor de que essas referências procedem. Eu estou certíssimo da ortodoxia dessas referências, senão eu seria o primeiro a proibir que se tivesse. Eu diria, quando se fizer essa referência, eu saio do auditório. Portanto, fecho a reunião. Ora, eu não faço isso, porque estou certíssimo que isto é ortodoxo. Está ali o livro Torreão I, Torreão II, para provar isso abundantemente.

Mas, mas, isto pode ser dito de vez em quando, não metodicamente. Por que? Porque dito com frequência e dito com essa ênfase, pode colocar mal à vontade alguma das pessoas assistentes que não esteja de acordo com isso, não esteja com a mesma convicção, não da ortodoxia, mas seja da mesma convicção de que essa senhora realmente merece essas homenagens, e vão dizer que se faz uma compressão junto às pessoas, pelo seu silêncio serem obrigadas a aderir a este ato de admiração pessoal, que uma pessoa pode não ter.

"A fortiori", e quanto mais "a fortiori", a uma pessoa que ao menos por enquanto está viva e que é filho dela. Então, quanto a esta pessoa, referências de santidade, outras coisas assim, não é prudente. Eu não vou aqui dizer que não é merecido, os senhores se levantam dizem que é, batem palmas. Não vou fazer isso. Eu digo que não é prudente, porque acaba tomando ares de uma imposição. Falsos ares de uma imposição. Falsos ares de uma imposição porque não são ares de uma imposição. Mas até a gente desmentir isto, quantos milhões de cruzeiros tem que gastar em artigo da Folha de São Paulo? Nós não temos este dinheiro.

Então, uma ou outra referência, uma vez ou outra a Dona Lucilia, está bem, em reunião plenária. Referência a uma possível, eventual, santidade minha, deixa eu morrer em paz, na paz de Deus, e aí os senhores tratarão disso quando quiserem. Por enquanto, por enquanto vamos deixar isso de lado.

Bem, tanto mais quanto escapam imprecisões de expressão a que o enjolrrismo não é alheio. Esta, por exemplo, de que eu tomei nota. Alguém teria dito [no último Encontro de CCEE]: "Dr. Plinio é o santo dos santos!" (...) O "santo dos santos" era uma parte do Templo de Jerusalem, a mais sagrada, a mais interna. "Dr. Plinio é o santo dos santos, oh-la-lá! Que delicia para a minha língua viperina deitar uma calúnia!"

"Ele é um profeta mesmo!" Não se deve dizer assim. Que um ou outro diga, que um ou outro pense. Aqui na reunião, isso sair alguma vez. Eu já acho que seria prova de fraqueza não sair nunca. Porque se nós sustentamos que é ortodoxo pensar assim, não podemos proibir que se diga. Mas convém dizer raramente, raras vezes, para não se poder dizer que houve compressão.





B. Visualização em função da máfia de que Dr. Plinio seria um guru


Reunião na Saúde, 17/10/95:


O Senhor Doutor Plinio tinha muito receio --o Sr. Mário Navarro e o Sr. Fernando que estão aqui presentes confirmarão o que eu digo-- ele tinha muito receio de ser considerado como um visionário, uma pessoa que tem revelações, que tem aparições e que, portanto, o grande segredo da obra dele, do agir dele, do pensamento dele, não estava na virtude, no esforço feito por ele, numa preparação feita por ele, num sangue dado por ele, mas estava numa comunicação direta do sobrenatural para com ele e que resolvia todos os problemas dele e que indicava o que tinha que fazer e que, portanto, ele não tinha esforço nenhum, não tinha mérito nenhum e o que acontecia com ele, poderia acontecer com outro, ou seja, ele não valia nada.

(...)

E o Senhor Doutor Plinio tinha receio, durante a vida, de que ele fosse considerado como uma espécie de visionário e, portanto, tocava todas as coisas no Grupo na base de visões e revelações. Ele fazia de tudo para evitar que fosse visto assim por nós e por fora. Por isso: raciocínio, raciocínio, explicitação, explicitação.


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"Jour-le-jour" 22/1/96:


Ele tinha, mas muito receio de ser tido como uma espécie de... que toda a doutrina dele e toda a formação dele era meio visionária e meio fora da realidade.


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"Jour-le-jour" 18/11/96:


[Dr. Plinio] inclusive tinha muito receio de ser tomado como uma espécie de homem que tinha revelações, e que então tocava todas as coisas à base de revelações, o que seria muito prejudicial para a causa. Por isso também ele se coibia muito em evitar que... se amparava muito na doutrina para evitar que dissessem que ele era uma espécie de iluminado, que tinha umas iluminações assim meio a la místico, e que, portanto, não tinha pé na realidade.

(...) [O termo “mística comum”] foi inventando por ele para se defender, porque ele não queria ser tido como uma espécie de homem que tem iluminações, que não sei quanto, e que, portanto, toca o grupo a base de iluminações. Isso não é.Então, ele inventou o termo "a mística comum" para diferenciar da mística extraordinária, que são as grandes contemplações, as grandes visões, as grandes revelações. Isso são chamados fenômenos extraordinários da mística.

Apesar de eu dizer para ele várias vezes:

-- Não existe, o senhor inventou -- e não sei mais quanto.

Ele dizia:

-- Não tem importância, me deixe eu com os meus termos.

Porque ele queria se defender. (...)


(Dustan: Tudo o que ele recebeu na infância e que ele descreveu, eram graças místicas. (...)

E mais ainda, que nós não chegamos a pô-lo na parede porque daria pena até: é que ele tinha fenômenos extraordinários místicos. O discernimento dos espíritos, aí já é um fenômeno extraordinário da mística.


*


Reunião na Saúde, 26/11/96:


Nós devemos levar em consideração de que ele tinha receio de qualquer acusação na linha de visionário, na linha de místico, de pessoa fora da realidade, de pessoa que vive com a cabeça na lua, etc. Por isso, quando nós começamos a pô-lo na parede em matéria de mística, ele começou a falar em mística comum, mística comum, mística comum, porque ele não queria saber de uma mística extraordinária que tirava ele do normal da vida. Acontece que ele tinha fenômenos extraordinários da mística a mais não poder.

*


Isso posto, não surpreende que, assim como JC apresenta a Dr. Plinio como um guru, seus afilhados acusem a Obra de Dr. Plinio --a TFP-- de seita.

Com efeito, na “Ação cautelar inominada”, items 01, 02 e 04, movida através do escritório Strenger, no 21/11/97, os revoltados afirmam o seguinte:


A Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição, Família e Propriedade – TFP, é seguramente conhecida, em sua aparência mais externa (1), como entidade com perfil ideológico bem definido e uma certa imagem já consolidada perante aqueles que não são a ela vinculados de alguma forma.

Sua organização interna, entretanto, (...) tem, como regimento interno, uma certa “praxis” -–compatível com sua “gestalt” ideológica-- que realmente a governa, e que pouco tem a ver com sua conformação externa (2).

(...) existe, com mais eficácia até do que o estatuto formalizado (anexo II) uma outra e muito mais complexa organização administrativa da TFP (...).


Comentários:

  1. Aparência mais externa”? Quer dizer que os joaninos acusam a TFP de ter várias fisionomias, com as quais se apresenta ao público, umas “mais externas” do que outras?

  2. Portanto, na ótica dos revoltados, a “conformação externa” da TFP não condiz com sua “conformação interna”.





C. Razão de ser da sabotagem do livro do Prof. De Mattei


"Jour-le-jour" 8/10/95:


[Num despacho com o Senhor Doutor Plinio, na última vez que esteve em São Paulo], falando-se a respeito do Aignoli e Tauffer --aqueles dois que fizeram as máfias mais imundas a respeito da obra do Senhor Doutor Plinio, da pessoa do SDP--, o Prof. de Mattei, conversando com o Senhor Doutor Plinio, este sugeriu que em vez de dar uma resposta ao Aignoli e Tauffer, que ele --Prof. de Mattei-- fizesse o seguinte: compusesse uma plaquette não muito grande, não muito extensa, uma coisa que fosse muito popular, mas contando nas minúcias o que foi a vida dele, Senhor Doutor Plinio. Portanto, que fosse difundido pela Europa uma plaquette contando quem foi ele. [Exclamações.]

E eu vejo que pela precisão esplêndida com que foi feita aqui a síntese da vida do Senhor Doutor Plinio, o Prof. de Mattei já está muito a campo deste trabalho.


*


Reunião para os veteranos, 26/3/96:


Já em Amparo, quando [o SDP] foi a Amparo no dia 21 de agosto [de 1995, ele disse]: "Eu estou chegando ao fim, eu devo morrer muito em breve", ele disse isso para o de Mattei.


(Kallás: Na frente dos outros?)


Na frente dos outros. E disse: "De modo que seria muito conveniente que vocês fizessem um livro sobre minha vida, sobre quem eu sou, para evitar que pensem que eu sou um guru".


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96:


[De Mattei] está fazendo uma obra que o Sr. Dr. Plinio quis muito. (...) O Sr. Dr. Plinio comentou depois em particular que achava que um livro escrito por um professor europeu de nível médio, sobre a vida dele, que mostrasse quem ele é, ajudaria muito a combater os estrondos, porque daria uma idéia de quem é ele e faria com que não pensassem que ele fosse um guru, um homem que saiu do zero e que subiu a poder de escravizar os outros, mas que era um homem que tem tradição, que tem cultura, que tem formação, que tem peso, etc.


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"Jour-le-jour" 28/9/96, Spring Grove:


O Senhor Doutor Plinio julgava que era indispensável para tapar esses vários estrondos que existem nos variados países do mundo, sobretudo naquele tempo estava em voga e fortemente o estrondo da Espanha, o Senhor Doutor Plinio julgava que era muito útil fazer com que um professor universitário de nível médio europeu, escrevesse um livro sobre a vida dele e quem era ele.

(...) Bem, agora me escreve o Sr. Juan Miguel dizendo que o Prof. de Mattei conseguiu do Cardeal Stickler um superprefácio, o cardeal elogia muito o Senhor Doutor Plinio, diz ele o seguinte:


É um livro que ficou excepcionalmente prestigioso, feito com estilo diverso de nossos livros, evidentemente, mas capaz de figurar nas vitrines das melhores livrarias da Europa, com símbolo ultra conhecido como é o do Piemme. Já só o prefácio do cardeal valeria todo o esforço feito. Mas creio que objetivamente entrou graça do biografando para ajudar ao autor. (...) Enfim, outra vontade de nosso saudosíssimo Pai e Senhor que se cumpre, e que, creio que se cumpre no melhor dos modos que se poderia cumprir.


*


Reunião para CCEE, 4/10/96:


Há muito que o Sr. Dr. Plinio via que os adversários levantavam estrondo aqui, lá e acolá, e os estrondos levantados pelos adversários sempre tinham como fundo de quadro, como fundo de pensamento, o pressuposto de que o Sr. Dr. Plinio era um homem qualquer, um homem nascido da sarjeta, um homem que tinha, portanto, nascido do nada, e tinha feito sua fama, tinha feito sua carreira de forma meio sui generis, de forma meio a la guru, e que ele era uma espécie de guru de uma seita, um homem que não tinha sido nada na vida e que de repente, por alguns truques, algumas magias, alguns feitiços, tinha chegado à direção de um grupo internacional fabuloso como o da TFP.

(...) Estando com o Prof. de Mattei em julho, ele disse:


Há muita necessidade de que um livro desses seja lançado na Europa. O senhor é a figura talhada para escrever esse livro. Se o senhor escrevesse livro seria idealíssimo, porque o senhor é um professor universitário, que teria uma certa penetração, um certo peso. Precisaria ser um livro ploc-ploc, um livro que não fosse um álbum, que não fosse ilustrado, um livro de leitores intelectuais, que ficasse patente de que eu não sou um qualquer que nasci numa sarjeta e que depois fiz minha carreira de uma forma meio mágica. Pelo contrário, eu sou um homem que tem origem, minha origem é conhecida e minha origem não é uma qualquer. Então que fossem contados os fatos a respeito da minha vida: que eu fui deputado, deputado mais votado, e alguns fatinhos pelo meio, algumas histórias minhas passadas, história de minha mãe, história de meu pai, etc.


(...) O livro está muito bem escrito, muito interessante, e atendeu inteiramente a todas as orientações que o Sr. Dr. Plinio deu a ele na conversa que teve com ele. De maneira que o livro sai de forma realmente esplêndida, agradando a ele no Céu certamente.


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Proclamação de notícias, ANSA, 12/10/96:


Com bom esforço de seu autor, o qual seguiu à risca as normas dadas pelo Senhor Doutor Plinio, a obra acaba de ficar pronta exatamente um ano após a partida de nosso Pai e Senhor para as glórias celestiais.

(...) Apesar de sintético o livro atrai muito, e mesmo para um membro do grupo é agradável percorrer as suas páginas, pois os fatos descritos, embora conhecidos por nós, fazem-nos reviver na alma a figura tão saudosa e amada de nosso Pai e Senhor.


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No dia seguinte, 13/10/96, no "jour-le-jour", JC critica o livro:


[O livro] está bem feito, mas não produz flash, não tem bênção. Por quê? Porque não tem esse vínculo e porque não foi feito com base num flash. O livro foi escrito com base em documentos e não teve o objetivo de produzir um flash (1). Ele tem o objetivo de provar que existe uma cultura em quem fez e que existem valores em quem foi objeto da descrição, mas não tem flash.

Então foi assistido por nós com muita aceitação, muita aprovação, depois era o que o Sr. Dr. Plinio queria e está feito (2). Mas flash não. Eu não creio que alguém pudesse dizer: "Ah, eu tive um flash com aquela descrição toda do livro, que me arrebatou!".


Comentários:

  1. Observe-se a mentalidade de JC: o livro seria “bom” se tivesse sido escrito com base, não em documentos, mas em emoções; e se visasse criar, não convicções, mas emoções.

  2. O “discípulo perfeito” implicitamente afirma o seguinte: há coisas que, embora sigam à risca as normas dadas por Dr. Plinio, a gente as aceita e aprova, mas com um pé atrás.


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Quase um ano depois, em dezembro de 1997, agentes de JC sabotaram o ingresso ao Brasil de um stock de livros do Prof. De Mattei.


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Depoimento do Sr. Azeredo, 3/6/99:


Nós recentemente publicamos o livro do Sr. De Mattei [em Portugal]. A apresentação do livro no Porto foi um êxito impressionante. O autor gostou muito da reação do público, bem diferente do que tinha sido na Espanha, onde apareceram quase só membros do Grupo e uns tantos correspondentes idosos. Não quiseram levar publico para ele. (...) O livro tem servido muito para desmafiar a TFP.





D. Visualização em função da Arte Real


1. Jeito de predispor uma pessoa a prestar ouvido à voz do demônio


"Jour-le-jour" 5/9/97:


Eu me lembro de uma situação dessas: o Sr. Dr. Plinio chega para fazer reunião para um conjunto de pessoas. E me põem dentro da sala dele, no momento em que ele está tomando Chá. Ele quer conversar comigo, porque era um grupo para o qual eu tinha feito algumas reuniões, e ele queria saber como tinham sido as reuniões, e qual era a matéria que ele tinha que tratar.

Eu sou analfabeto para um série de outros temas. E o tema que eu em geral trato, é o tema que os senhores conhecem. Então, eu dizia para ele:

- Olha (1), Sr. Dr. Plinio, eu tratei disto aqui, falei sobre o senhor tal coisa... Então, me parece - o senhor está me pedindo uma sugestão -, me parece que valeria a pena o senhor tratar a respeito do senhor. E o senhor mostrar esse aspecto que eu não mostrei, este outro, e dar uma visão a respeito do todo do senhor.

- Está certo. Eu entendi bem. Vamos por aí, então.

Começou a reunião, e o Sr. Dr. Plinio começou a dizer: "Das primeiras coisas que eu me dei conta de que sou um completo incapaz, é em matéria financeira." Então começa a se depredar: "De mecânica também eu não entendo..."

Passou a reunião falando de todos os aspectos "negativos" dele. Terminou a reunião, eu disse:

- Eu podia dizer uma palavrinha para o senhor?

- Pois não.

- Sr. Dr. Plinio, eu não me exprimi direito. O senhor me desculpe. Acho que eu tenho uma linguagem meio torta e expliquei exatamente o contrário do que era para o senhor mostrar.

aprender isso: acontece que seu senhor entrou, olhou para eles todos e, pelo fato de eles terem sido preparados por você a prestarem atenção em mim, eles estavam num estado de crispação, e meio tentados pelo demônio. E se eu não tomasse o cuidado de mostrar aspectos negativos da minha pessoa para eles, eles saíam daqui tentados contra mim, e ia começar uma crise que ninguém mais segurava (2).

Então, não é em todos os momentos que o Sr. Dr. Plinio falava sobre si abertamente. Ele media muito as circunstâncias, sondava muito o terreno (3).


Comentários:

  1. Assim se dirige um contra-revolucionário fidelíssimo a Seu Senhor?

  2. Quer dizer, JC “diviniza” tanto a Dr. Plinio, que acaba predispondo as pessoas para prestarem ouvido àquilo que o demônio diz contra Dr. Plinio e entrarem em crises irreversíveis.

Aí está a razão pela qual milhares de rapazes recusaram entrar à TFP, e centenas de pessoas apostataram da TFP, entre 1975 e 1995 --isto é, no período do apostolado de JC.

As táticas utilizadas pelos filhos das trevas ao falarem dos paladinos do Bem ao longo da História, podem ser classificadas conforme os seguintes graus de subtileza: a) falar mal; b) não falar nem bem nem mal, ou seja silenciar; c) falar bem mas só das qualidades secundárias; d) falar bem mas exclusivamente, exacerbadamente e delirantemente das qualidades sobrenaturais. Note-se que quanto maior a subtileza, maior a perversidade e a eficácia.

Aí também está a explicação do elevado número de “sócios” e “cooperadores” da TFP que embarcaram na revolta joanina. Bem como da facilidade com que aderiram à insurreição.

  1. Mas como JC é superior a Dr. Plinio, pode falar abertamente de Dr. Plinio em todos os momentos, sem medir as circunstâncias, nem sondar o terreno.


*


Texto da primeira reunião da Sagrada Escravidão, palavras de Dr. Plinio:


Eu tomo todo cuidado em que falem a respeito da Sagrada Escravidão só para as almas em que se note enlevo para isso, para outras pode determinar um rechaço, e pode eletrocutar a alma. Porque a alma vê, de repente, um ideal para o qual não está preparada, mas que é inegavelmente o ideal dela.


JC sabe perfeitamente isto --tanto assim que leu e comentou o texto respectivo no "jour-le-jour" 7/11/95. Entretanto, este tema --Sagrada Escravidão-- é um dos favoritos dele, até mesmo perante meros correspondentes e simpatizantes da TFP.


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Ensinamento de Dr. Plinio, Despacho sobre CCEE 15/6/84:


Propor ao correspondente algo que a gente vê que ele não vai aceitar, é perdê-lo. A gente deve sempre ter uma ação que o leve a aceitar o mais possível, mas não lhe propor nada que a gente vê que ele não aceitará.



2. Lei do Pêndulo


Trecho do livro “Considerações sobre o Ordo Missae”, de Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, Parte II, cap. V, letra A, edição preparada por S. Bento - Praesto Sum, setembro de 1997:


Quando se exalta algo em termos não inteiramente condizentes com a sã doutrina, em geral acaba-se por denegrir, e às vezes até por negar, aquilo mesmo que de inicio tanto se louvou. É o que a História ensina. O racionalismo conduziu ao suicídio da própria razão; o falso fervor eucarístico dos jansenistas terminou afastando as almas do Santíssimo Sacramento; o liberalismo levou ao totalitarismo; o paraíso terreno prometido pelos comunistas revela-se cada vez mais um mundo infernal, de onde populações inteiras querem fugir.


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Fala o insuspeito Martini, ideólogo do joanismo:


O Sr. Dr. Plinio comenta, por exemplo, Maria Antonieta. Ela veio, ela veio em baixo de palmas, de Estrasburgo para Paris, as primeiras coisas dela, um colosso! Aplaudiam. Ela não podia ir a um teatro. Cantavam, por exemplo, uma peça de teatro: Efigênia em [Auleda?]. Cantemos, celebremos nossa Rainha, se referindo à Efigênia de [Auleda] da Grécia. Todo o auditório entendia que aquilo era uma referência para a Rainha. Então, todo mundo levantava, batia palma, dez, quinze minutos de palmas. Quer dizer, saturou de palmas.

Aí o Sr. Dr. Plinio diz: "Nessa hora, o senhor pode tanto levar para mais, essa pessoa, ou enterrar essa pessoa de uma vez". É o que a Revolução faz. Às vezes ela satura, joga, joga: razão, razão, razão. Chega num ponto que o sujeito não agüenta mais: "Meu Deus!" É o pêndulo do relógio que foi para lá. Agora solta, passa para cá; agora é só emoção, só coração. Só não pode parar no equilíbrio, no ponto temperado.

Esse é um jogo tendencial que se faz.

(Cfr. Reunião no ANSA, 8/9/97)





E. Um modo de tentar a Dr. Plinio?


Se a campanha joanina de exaltação e divinização da pessoa Dr. Plinio parece visar predispor o espírito de terceiros para que prestem ouvidos à voz do demônio, ou saturar a capacidade de a pessoa estar voltada a Dr. Plinio, podemos perguntar o que é que essa mesma campanha visaria em relação ao próprio Dr. Plinio. Quer dizer, atrás desses elogios destemperados a Dr. Plinio não haveria uma determinação de tentá-lo para ver se cai na megalice?

Conversa de JC com os novatos da Saúde, 21/12/94. Estão falando das clássicas cerimônias de dezembro, comemorativas do aniversário de Dr. Plinio:


Quando eu entrei na cabine com... para qualquer uma das cerimônias, deve estar isto posto nos textos, acho que foi o audiovisual da Senhora Dona Lucilia, o audiovisual da inocência... ou o do "Jour le Jour", um dos audiovisuais, eu entrei na cabine para dizer para ele:

-- Então hein, que o senhor é um colosso mesmo, o senhor é extraordinário. O senhor está gostando de tudo?

Ele disse:

-- Eu estou me pondo o problema, é de se eu mereço tudo o que está aqui.

-- Não, quanto a isso, o senhor deixa para ela e para mim, nós tratamos do mérito, o senhor tem que analisar para ver se de fato isto é grande ou não.

-- Mas várias vezes eu me pus o problema para ver se eu estou a altura de tudo isso.


Observe-se que enquanto Dr. Plinio analisa, repetidas vezes, se merece aquilo, JC insiste para que Dr. Plinio frua a “glorificação” de que estava sendo objeto nessas cerimônias. Em outros termos, ao passo que o primeiro dá uma amostra de sua humildade, o segundo parece querer tirá-lo dessas cogitações e desviá-lo para a auto-contemplação.





V. Doutor Plinio não se tem em conta de místico


Imbroglio, Détraction, Delire”, volume I, p.274:


Tous les détails longuement examinés de la Réunion de Coupures montrent que, selon le point de vue absolument unanime de tous ses participants, la prévision est le fruit d’une étude (voir, juger, et agir), c’est-à-dire d’une opération naturelle et commune de l’esprit, souvent assistée par la grâce. Et donc jamais le fruit d’une révélation ou d’un autre phénomene de ce genre.

Nous pouvons certifier, de la façon la plus pêremptoire, que ni Dr. Plinio ni aucun participant de la réunion n’a jamais eu recours, pour fonder la moindre prévision, à quelconque prétendue révélation, et encore moins à un quelconque pressentiment dépourvu de fondement logique dans les faits


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Reunião para CCEE, 10/2/86:


Nunca tive em minha vida uma visão. Nunca tive uma revelação. Isto pode decepcionar muita gente, mas eu devo dizer em bom português: isto é assim.


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MNF 12/4/89:


O pulchrum tem qualquer coisa de sensível, mas o próprio sensível precisa ser entendido como ele é, para o indivíduo compreender como ele deve ser sensível. Porque do contrário não pescou nada.

Eu estou falando aqui sensível, no sentido de "deleite nos sentidos". São Tomás define o pulchrum como: "Aquilo que, visto, agrada".

Houve a aplicação de um sentido, eu olhei e aquilo me agradou aos olhos. Isso é o pulchrum.

Na palavra "agrada" entra algo que funcionou assim em mim a vida inteira. Mas depois é que eu cheguei a perceber o lado de Doutrina Católica que há nisso, e que ocupa o meu pensamento. Vocês estão fartos de ver isso nesse convívio tão longo entre nós.

O sensível tem esse papel -- ao qual eu sou muitíssimo aberto e tenho até uma necessidade enfática de alma -- de discernir nas coisas o por onde elas simbolizam a Deus e a Nosso Senhor Jesus Cristo. De maneira tal que, não tendo esse simbolismo, elas não me interessam. Tout court não me interessam!

Um certo palácio, mesmo uma certa igreja, que não tenha esse simbolismo, para mim diz muito menos do que poderia dizer uma cabana com uma expressão simbólica muito grande.

O simbolismo é uma analogia entre uma coisa e determinada perfeição de Deus, por onde eu, pelos sentidos, como que vejo essa perfeição de Deus. E minha alma é sedentíssima disso.

E o agrado, o agradar, é propriamente quando eu vejo a coisa, e sinto nela... mas vejam o que é o "sinto": é o sentir, sentir: eu olho e gosto!

Mas, eu gosto do quê?

Eu gosto [da coisa], sobretudo enquanto caminho para perceber um símbolo de Deus, ou seja, um reflexo criado de Deus que completa o que as graças de ordem mística, que eu tenho chamado de mística ordinária --quer dizer, a mística para as pessoas da via ordinária, é o meu caso, eu não sou místico -- [fazem perceber].

Então, o que as pessoas percebem pela graça, o símbolo faz de algum modo perceber também pelos sentidos, de algum modo iluminados pela graça.


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MNF 26/4/89:


Por detrás de tudo quanto você está dizendo, está subjacente a insinuação de que eu tenho uma união mística com Nossa Senhora especial.

Eu não vejo isso assim. Eu vejo como uma devoção que qualquer bom fiel tem por Nossa Senhora. As razões determinantes são [aquelas dadas por] São Luís Maria Grignion de Montfort no "Tratado"; um livro maravilhosamente racional e que me fez muitíssimo bem enquanto racional, porque está bom, está certo, está provado; é doutrina e está tudo muito bem. De maneira que, tudo quanto na Igreja era para mim uma espécie de feeling vago, mas expresso em formas de piedade e em expressões iconográficas, tomou uma explicitação e uma apalpabilidade pelas quais a minha alma é sôfrega.


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"Jour-le-jour" 5/1/97, parte I – Trecho de uma Conversa de Sábado à Noite onde o próprio Dr. Plinio afirma que sua via não é a dos grandes místicos:

[Quando eu era menino, sentia] um modo de guiar da Providência comigo, que por alguns lados era a Providência comum, como a outro qualquer, e de outro lado, era uma Providência inteiramente excepcional, mas nas vias comuns da Providência. Quer dizer, graças [excepcionais], aparições... Nada! (...) Mas de outro lado eu percebia que, eu sendo fiel nessa vida comum, e Nossa Senhora tratando-me como um filho comum dentre os que têm uma distinção e uma piedade na ordem comum, dessa longa perseverança no comum sairia uma coisa extraordinária. Mas, não que saísse uma coisa extraordinária via especial da graça. Isso absolutamente não.


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"Jour-le-jour" 16/9/97 - Palavras de Dr. Plinio, ao que parece proferidas em fevereiro de 80:


Bem, agora, o que tem e que é, a meu ver, extraordinariamente difícil a gente fazer a previsão que você pede, porque, à medida em que os acontecimentos vão se aproximando, a gente vai vendo etc., etc., vai tomando em mim alguma densidade que tende ao crescente. Mas é uma densidade que vem rationabiliter, você sabe bem que, ao contrário do que diz o Judas, eu não sou de visões, nem de revelações, nem fui favorecido com isso. É a razoável ponderação das circunstâncias sobrenaturais que eu discirno, e das naturais que eu conheça, que conduzem ao que eu vou dizer agora.


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"Jour-le-jour" 1/12/96 - Trecho de uma Conversa de Sábado à Noite do ano 87, na qual fica claro qual é o tipo de fenômenos místicos que Dr. Plinio tinha:


A pessoa tem flashs, tem portanto uma ajuda da graça para ver as coisas naturais, numa certa perspectiva sobrenatural, e que aí as coisas tomam uma dimensão para o espírito humano, muito maior do que a dimensão que o comum das pessoas vêem. E também uma certeza maior do que o comum das pessoas têm. (...)

[Por exemplo, eu creio que a maior parte dos objetos que estão aqui, no primeiro andar], ainda foram da casa de minha avó, de que eu falei a vocês muitas vezes. E na casa de minha avó, por uma circunstância qualquer, que se liga ao passado da família, etc., que eu também já tratei aqui, havia realmente uma certa harmonia nas coisas, e um certo misto de distinção e de harmonia, que correspondia meio providencial e meio casualmente à psicologia da família. Quer dizer, as coisas compradas ou recebidas em herança de outros, etc., por exemplo, condizem extraordinariamente com o quadro de minha avó que está ali. Tem um afinidade psicológica real.

Eu vi como foi comprada essa mobília aqui. Foi comprada do modo mais comum possível.

A mobília que havia para guarnecer uma sala lá, que era uma sala de visitas mais íntima, essa mobília estava muito antiquada. Então, conversou-se mais de uma vez na mesa que era preciso vender, dar outro destino àquela mobília e comprar outra.

Bem, e num almoço, uma tia minha que morava em casa disse a vovó: "Mamãe, eu hoje vou à cidade, e vamos aproveitar e comprar a mobília de uma vez". E minha avó, com aquela espécie de “nonchalance” que ela tinha nas horas de repouso, e que foram se tornando mais freqüentes à medida em que a velhice se tornava mais intensa, ela disse: "Ah, pode comprar". Todo mundo aquiesceu que comprasse, não combinaram nada a respeito da mobília.

(...) Mas essa mobília calçou na sala onde foi posta melhor que a anterior. Formava um conjunto perfeito com o conjunto que estava lá. Essa escrivaninha pertencia àquilo, e assim outras coisas. Os lustres. Esse lustre em concreto pertencia àquilo. E formava um todo que aqui, vindo cá e com outros objetos que ainda compramos, se acentuou ainda mais, e de um modo inteiramente fortuito.

Por exemplo, essa gravura que está ali da Duquesa de Nemour, eu comprei, já contei como comprei na Itália, etc., mas de passagem, de automóvel, rapidamente por uma loja, eu vi e disse: "Eu quero aquela gravura". Bem, mas a sala não seria inteiramente ela mesma senão fosse aquela gravura.

Bem, esse espelho que minha irmã comprou na casa de um tintureiro... Tudo isso se junta por uma coisa na qual se pode ver, talvez, uma providência especial, se junta para formar um todo muito harmônico, mas harmônico exprimindo uma certa psicologia.

Bem, esse é o lado natural. Essa psicologia é profundamente diferente da psicologia moderna.

Eu não quero dizer com isso que eles todos fossem uns leões da Contra-Revolução, loin de lá, mas eles tinham, naquilo que era o espírito distintivo deles, eles tinham uma nota que, ignorando a Revolução, conservava algo por onde a Contra-Revolução contunde a Revolução no modo mais vivo.

Mas contunde depois, uma coisa curiosa, sem o anacronismo censurável. Sem ar de velheira. Nunca as coisas lá tiveram ar de velheira. Eram coisas que não estavam ajustadas à moda, mas não estavam decrépito. Bem, isso é o conjunto.

Agora, vocês tendo visto o quadrinho, vocês reconstituem como foi mamãe. Talvez um ou outro a tenha conhecido em vida, ou visto ao menos em vida, é possível. O Poli, certamente. Agora, ela tinha em si, à maneira diferente da mãe dela, ela tinha em si esse espírito. Mas não era diferente contrastando. Era uma tônica diferente. E tinha uma doçura e uma bondade, aliada a um tipo próprio de distinção, que olhando o quadro, completa a sala. Porque ela seria perfeitamente o elemento vivo próprio para essa sala. Mas perfeitamente.

Bem, e é natural que no espírito de vocês se forme essa relação. Embora não conscientemente, é natural.

Vocês sabem que ela foi dona disso aqui, que ela morou aqui muito tempo, que ela esteve nessa sala incontáveis vezes, que fazia grande parte das orações dela aqui, junto ao Coração de Jesus. Então vocês são levados a fazer uma correlação e perceber aqui muito a doçura dela porque relacionada com esse conjunto que se poderia chamar a mentalidade da sala.

Agora, isso, portanto, é o processo lógico. Quer dizer, processo natural coerente, isso que eu quero dizer. É criteriologicamente válido, esse processo.

Aí se acrescenta alguma coisa que é uma graça que se tem olhando para o quadrinho, por onde a impressão da doçura dela e desse misto de doçura com distinção, por onde a doçura fica em algo valorizada pela distinção, e a distinção em algo valorizada pela doçura, ouviu? Que dá uma nota a esse conjunto, que é uma intensa doçura invasora, como seria invasor um raio de sol.

Mas ao mesmo tempo, se quiserem, distinta como um raio de sol! A categoria que é boa, a classe que é afável, que é generosa, que quer dar, que quer elevar, que quer estabelecer uma -- a palavra está muito conspurcada hoje -- mas, digamos, uma participação, isso aparecia nela com uma força de doçura especial.

Aí eu acho que no sentir isso entra algo de natural, que está de acordo com o processo criteriológico que eu descrevi, mas entra um sentir especial, como se sentissem uma coisa viva. Um sentir que a impressão natural não dá. E que vocês sabem distinguir, porque vocês sabem o que é uma impressão natural, e sabem que isso não dá.

Aqui fazem, portanto, uma operação -- eu estou sempre no terreno criteriológico -- uma operação de discernimento que é válida, porque quando a gente recebe uma graça e percebe que aquilo é graça, nisso a gente faz um ato de discernimento de espírito.

Pode ser que nós não tenhamos habitualmente o discernimento dos espíritos, mas nessa ocasião temos. E, portanto, com tudo o que a Igreja ensina sobre o discernimento dos espíritos, a gente compreende que possa estar ao alcance humano fazer essa afirmação. Do ponto de vista criteriológico. Mas é a criteriologia de quem tem fé, eu volto a dizer. Eu sei que um ateu... Mas não vamos pensar em ateu, está fora de nossa cogitação.

Agora, acontece que por outro lado vem a doutrina da mística ordinária que nos explica que isto tem fundamento na Doutrina Católica.

O que é que tem fundamento na Doutrina Católica? É a idéia de que a graça opera assim também. Que há um sentir da graça, há um conhecer a graça em proporções discretas, que não são da grande visão magnífica de Santa Teresa e dos grandes místicos, mas que é uma ação mística comum a todos os homens, que todos os homens recebem. E, portanto, não espanta que nós recebamos. Não é uma coisa tão rara que nós devamos desconfiar da autenticidade do que estamos percebendo. Porque tudo quanto é muito raro a gente pergunta: "Será mesmo?"

Mas segundo a Doutrina Católica isso é comum. Isso acontece com freqüência. E, portanto, não espanta que aconteça conosco. Tudo isso, portanto são elementos criteriológicos para nos colocarem à vontade na convicção de que isso é uma graça que nós recebemos aqui, e nessas circunstâncias.