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O Anticristo já veio?


Capítulo 21: Represálias, sabotagem, determinação de destruir a TFP


Capítulo 21: Represálias, sabotagem, determinação de destruir a TFP 1

I. Antes do falecimento de Dr. Plinio 1

A. Sabotagem de reuniões de Dr. Plinio 1

B. Sabotagem do manifesto “Comunismo – anticomunismo na orla do segundo milênio” 2

C. Sabotagem do livro da Nobreza 2

D. Sabotagem do movimento de correspondentes - esclarecedores 5

E. Papel de JC no estrondo da França (1979) 7

F. Sabotagem do fichário da “Mensagem”, nos Estados Unidos 8

G. Sabotagem de uma campanha da TFP Americana contra Fidel Castro 8

H. Sabotagem no setor de grafonemas 9

II. Depois do falecimento de Dr. Plinio 9

A. Represálias contra as Sedes de Campos 9

B. Represálias contra o Grupo dos Estados Unidos 14

C. Sabotagem de campanhas contra a reforma agrária 14

D. Sabotagem no setor de grafonemas 16

E. Sabotagem do movimento de CCEE 17

F. Sabotagem da verdadeira Graça Nova 23

G. Sabotagem do mailing de Fátima 25

1. Papel das apresentações de Fátima 25

2. Papel do Padre Olavo (e provavelmente dos outros padres joanistas) 26

3. Papel dos coletores de donativos 27

4. Papel da “Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima” (ACNSF) e da Revista “Dr. Plinio” 28

H. Sabotagem da difusão de um folheto sobre a medalha milagrosa 38

I. Tramas dos agentes de JC na França 44

III. Tanto antes quanto depois do falecimento de Dr. Plinio: sabotagem do apostolado 46

IV. Intenções de fundo dos agentes de JC 51

V. Eu vou destruir a obra de Dr. Plinio ... 53


***




I. Antes do falecimento de Dr. Plinio


A. Sabotagem de reuniões de Dr. Plinio


É inegável que as reuniões nas quais Dr. Plinio não desenvolvia especifica e abertamente temas relativos a sua própria pessoa, eram mal vistas por JC. Fazia boa cara quando os pergunteiros levantavam assuntos como a “união com Dr. Plinio”, “a vocação”, “a vida espiritual”, etc.

Destarte ele sabotou a Comissão Americana, instituída por Dr. Plinio para estudar assuntos político-sociais. Bem como numerosas reuniões de MNF.

E há sérios indícios de que também bombardeou os estudos de opinião pública - Almoço 13/11/94, domingo, palavras de Dr. Plinio:


Eu confesso que quando eu comecei aqueles estudos de opinião pública, eu tinha a esperança de formar essa escola. Mas pessoas de mais descortino, entenderam isso melhor e de outra maneira. E eu me retirei.

Mas de fato a TFP ficou aleijada. De tal maneira aleijada que ela só com o que ela tem hoje, ela não vai fazer o Reino de Maria. E note bem hein, ainda que haja o Grand-Retour.

Agora, isso foi feito por quê?

Porque em determinado momento, uma determinada pessoa achou que era contrário ao seu interesse político dentro da TFP. Foi e torpedeou. Na hora que ele torpedeou ele encontrou um clima propício, preparada pelo demônio evidentemente. [...inaudível] foi abaixo e acabou.





B. Sabotagem do manifesto “Comunismo – anticomunismo na orla do segundo milênio”


Depoimento do Sr. Hélio Viana, 6/3/99:


O Sr. Dr. Plinio tinha muito empenho na publicação desse manifesto na Alemanha. Chegou até a ditar uma introdução só para a Alemanha. JC fez tudo para que a TFP americana não mandasse o dinheiro para publicar. Certo dia eu falei com o Sr. Dr. Plinio disso e JC, incomodado, disse que iria ver. Acabou sendo publicado no Die Welt, com atraso.





C. Sabotagem do livro da Nobreza


Antes de passar à matéria propriamente dita, convém lembrar brevemente a importância e alcance deste lance. Em 17/5/91, Dr. Plinio afirmou: “o Livro da Nobreza representa a síntese do para o que eu vivi”; e em 24/2/92: “Esse terá sido o nosso brado nas vésperas da Bagarre”.


Depoimento do Sr. Azeredo, 3/6/99:


A ultima fase da história do Grupo em Portugal ficou marcada --além da dissidência infame que houve-- por fatos marcantes: a viagem de Dom Bertrand com seguida publicação do Livro da Nobreza do Sr. Dr. Plínio, depois a atividade nossa nos meios da nobreza e nos meios universitários.

A viagem de Dom Bertrand foi promovida pelo próprio Sr. Dr. Plínio --embora tenham circulado versões erradas sobre isso, eu estava em Málaga e lá chegaram as coisas mais estranhas sobre isso. O Sr. Dr. Plínio deu uma serie de pormenores que devíamos fazer. A viagem marcou a fundo o país. Foi um gongo na história de Portugal, pelo fato de quem é, e por ter vindo do Brasil, por ser da TFP. Isso na Europa as pessoas não estão habituados a ver, (...) ver um príncipe católico não é freqüente. Depois, o Brasil é profundamente admirado pelos portugueses, inclusive pelo lado mau, futebol, telenovelas. Mas também o lado bom. A viagem de Dom Bertrand levou ares de Contra-Revolução, despertava esperança nos que ainda resistem e querem uma reconquista.

O Sr. Dr. Plínio considerava que a viagem de Dom Bertrand teria frutos a longo prazo. Logo que Dom Bertrand chegou em Portugal, começam rumores dizendo que estávamos dividindo o Grupo em Portugal. Isso só aumentou desde então. Quando publicamos o livro da Nobreza, o clima já estava insustentável nesse sentido. A oposição interna cada vez mais clara e o Sr. Dr. Plínio nos cobrando sempre o trabalho, porque não fizeram tal e tal coisa etc.

A esta altura viemos trabalhar no Brasil. Foi uma batalha impressionante, o rio chinês que houve por detrás. Quando, afinal, saiu o livro em Portugal, o Grupo em Portugal não fazia campanha. Era incrível. Tinha sido uma atitude de kamikaze nossa e o Grupo não queria sair fazer campanha. Nós tínhamos que pagar a gráfica e não havia dinheiro. Apesar das inúmeras reuniões que o Sr. Dr. Plínio tinha feito, não adiantava.

Acabou sendo feito alguma campanha, o livro foi divulgado. Isso marcou profundamente. Até hoje se ouve referencias de sua leitura.


(Sr. Sepulveda: quando os futuros revoltosos já não queriam mais fazer campanha, surgiu a idéia de se fazer pequenos encontros de nobres para divulgar o livro. O Sr. Dr. Plínio gostou e incentivou muito que se fizesse, mas não com muita gente, era preciso fazer com 30, 40 pessoas para se ter idéia de todos se conhecerem, relacionarem etc. E ao virem as primeiras repercussões ele gostou de comentários que os participantes faziam: tal fulano também está aqui, e pensa como eu, vamos nos relacionar com base nisso etc. Mas a perseguição dos revoltosos era implacável. Os grafonemas que vinham do Sr. Narciso, tinham seu nome cortado e apareciam outros nomes. Quando a campanha foi oficialmente cortada, o Sr. Dr. Plínio fez reunião profundamente desagradado e disse na hora: "eu quero que apareça aqui o responsável por isso, quem foi que mandou parar essa campanha?" E tinha sido quem nós sabemos).


Isso foi em 93.


(Sr. Renato Vasconcelos: no ano passado JC esteve na Espanha e declarou - contou-nos uma pessoa que esteve presente - que o livro da Nobreza tinha sido um lance totalmente fora da pista, o Sr. Dr. Plínio não queria aquilo, que tinha sido obrigado a lançar por pressões de Dom Bertrand, bem como o livro da Espanha, que fora arrancado do Sr. Dr. Plínio...)


A partir do lançamento do livro da Nobreza, fizemos varias apresentações, que foram um sucesso todas as vezes. O Conde de Proença começou aí a manifestar-se. Ele já conhecia o Grupo mas não era entusiasta. Depois do livro, ele mudou, chegou a declarar que era o "evangelho dos nobres". O livro foi sendo divulgado por todo lado e hoje está esgotado.

Conferencias várias foram realizadas - ainda este ano - para se tratar do tema nobreza.


*


Palavrinha de Dr. Plinio para os membros do Grupo da Inglaterra, 10/3/95:


[Na Inglaterra] nós temos várias atividades boas e ao mesmo tempo simultâneas, tem o negócio de participar da Pró Life, temos outras atividades e temos também a venda do Livro.

Dessas atividades todas a mais importante é a venda do Livro.


(Sr. Paul Folley: Sem dúvida senhor eu fico muito contente que o senhor está dizendo isso porque para nós nosso desejo é mesmo isto, difusão do Livro do senhor.)


Porque uma vez que nós consideramos que o edifício ideológico do adversário é baseado na idéia igualitária e portanto satânica de que todos os homens são iguais e que não deve haver entre eles nenhuma diferença, a destruição da idéia central do adversário é o mais importante de nossa tarefa, porque destruindo a idéia central está destruído o adversário, e, portanto, o que há de mais importante é a difusão do Livro da Nobreza e conforme o caso da RCR também, que são as duas obras anti-igualitárias por excelência, mas não só da TFP são as duas obras anti-igualitárias que existem no mundo de hoje. Eu não conheço obras diretas e integralmente anti-igualitárias com fundo católico a não ser essas. E valeria a pena que isso ficasse bem claro para eles mesmo se por equívoco chegar outro toque de sino lá, eles saibam que não são os sinos da torre verdadeira que estão tocando. Não sei se isso está claro ?


(Sr. Paul Folley: A outra parte não foi muito clara, a metáfora do sino que está tocando.)


Exatamente, se eles... eu vou repetir devagarzinho: ainda que eles ouvirem alguma idéia em contrário que pareça vir de mim, eles saibam que não é verdade que é um sino que está tocando errado.


A julgar pelo acontecido em Portugal, é descabido conjeturar que o "toque de sino", que pareça provir de Dr. Plinio, mas que contradiga o que Dr. Plinio está mandando agora, seja uma diretriz de JC?


*


Há indícios de que ao Uruguai chegou uma diretriz para sabotar a difusão do livro da Nobreza. Com efeito, quando saiu a edição hispana, vários eremitas e camaldulenses foram convocados a participarem da campanha de divulgação na Argentina, Chile e Uruguai. Para este último país, foi convocado o Sr. Enrique Loaiza. Ele, ao chegar lá, participou de uma série de reuniões de estudo do livro, mas quando se tratou da difusão propriamente dita, foi escalado para outra tarefa: acompanhar um coletor de donativos pelo interior do País ... Nas entrevistas com os doadores, ele tentou fazer propaganda do livro da Nobreza, mas o “Saint-Elme” (um joanista) se opôs terminantemente ... Posteriormente, em Montevideo, o Sr. Loaiza se ofereceu para sozinho ir vender o livro na cidade, apesar de não conhecê-la bem; mas o encarregado de fornecer os nomes dos contatos do Grupo --outro joaniento-- fazia corpo mole; afinal, depois de muita insistência, atendeu o pedido, porém todos os nomes foram péssimos: a maioria era de gente que tinha mudado de domicílio, uns eram membros da seita Moon, outros eram pobres demais, etc., etc.


*


Relatório do Sr. Nilo Fujimoto, 7/1/98:


[Em outubro de 1993] a TFP Argentina resolveu difundir o livro do SDP sobre a Nobreza.

Tudo começou com entusiasmo, até mesmo vieram membros do Grupo do Exterior para ajudar nessa campanha.

Lamentavelmente a parte administrativa dessa campanha não estava bem organizada. Basta dizer que não se contava com programas de computador para controlar as saídas de livros, nem para quem foram entregues e menos ainda para controlar os pagamentos. Mas o mais grave era que não se sabia a quem foram entregues os livros. Na verdade foi um caos e tudo terminou num caos.


É preciso esclarecer que aquela campanha esteve a cargo do Eremo do Pilar, o qual era dirigido por pessoas cujas vias e cogitações correspondem às de JC: Toneli, Macambira, Raúl de Corral, etc.


*


Isso tudo de um lado. O outro lado do jogo de JC aparece na apostila dos retiros, pp. 52 e 53:


Devo aqui fazer um breve exame de consciência e me perguntar como recebi o livro de meu Fundador sobre a nobreza. (...) Será que tenho bem presente que meu Fundador deseja se servir de mim como um instrumento para convencer os nobres de sua missão, levar o povo a optar pela nobreza, e a lançar a Revolução num tremendo embaraço? E que isto eu farei, não apenas entendendo e amando o que ele escreveu em seu livro, mas divulgando-o em todas as ocasiões que se me apresentarem para isto?





D. Sabotagem do movimento de correspondentes - esclarecedores


Reunião para acompanhantes de CCEE, 26/7/91 – Dr. Plinio descreve o operar da Anônima dentro do Grupo:

Há alguns anos (...) fiz um encontro em (...) São Bernardo (...) a respeito do movimento de correspondentes e esclarecedores, o qual deveria ser fundado. (...) Levei tudo esquematizado, planejado etc., e escolhi com muito cuidado as pessoas que deveriam estar presentes a esse Encontro.

Mas notei uma especial de dificuldade para que todos se metessem bem nas perspectivas necessárias para compreender o alcance e a importância desse Encontro.

Alguns até se manifestaram meio traumatizados por eu querer que eles trabalhassem na coordenação de um movimento que eles julgavam tão baixa-de-nível.

Eu fiquei muito pasmo, porque as razões que eu dava para justificar a necessidade desse movimento eram evidentes. Mas não discuti. (...)

[Depois] verifiquei que, com o favor de Nossa Senhora, o tempo foi se passando e os primeiros contatos desejados por mim foram se travando. E os que de início estranharam foram tomando mais consciência das coisas, se habituando à idéia e a coisa foi vicejando. (...)

A incompreensão inicial me pareceu provir do seguinte:

A TFP era uma entidade muito fechada, como uma torre numa planície. Entre a torre e a planície não há meio termo, (...) não há continuidade. (...)

Então, o que é fora da TFP e que não presta, é filho das trevas. E o que é fora da TFP e que vale um pouquinho e pode ser aproveitado por alguns lados, é sabugada.

[Ora], sabugo a gente joga pela janela. E gente que não presta a gente pede que se afaste.

[Assim], fazer esse apostolado específico parecia uma coisa sem futuro para o andamento de nossa Causa.

Nessa perspectiva, a única forma útil de apostolado era o apostolado com enjolras. (...) E o que não fosse apostolado de enjolras seria uma coleta de sabugos que, aproximando-se da TFP, não poderiam deixar de ser vistos como sabugos e alguns até --horribiles dictum-- apóstatas arrependidos. Portanto, trata-se de empurrar [a esses] para o fundo do poço com o pé. A TFP tinha conseguido depurar-se dessas presenças e ia reassumi-las de novo?! E os problemas que esses homens reabsorvidos do casamento iriam [trazer]? (...)

Nesse modo de ver havia uma porção de perspectivas erradas, mas era um modo um tanto freqüente em certas zonas de arditti da TFP. E esse modo de ver dava a muitos o receio de que, entrando nesse apostolado, entrariam em colisão com os arditti, o que não era cômodo.


A seguir, tentaremos caraterizar o chefe desses “arditti” dentro do Grupo:


*


Na reunião que JC fez para veteranos, em 6/8/96, confessa o seguinte:


Eu fui quem mais objetou ao SDP, filialmente, quando se tratou de formar o movimento de correspondentes. O SDP mesmo dizia que eu não cheguei a compreender o fundo do pensamento dele, não compreendi mesmo. Só fui compreender depois. E hoje eu entendo perfeitamente, e vejo qual é a necessidade, etc. Mas eu fui o maior opositor filial, do SDP, nessa matéria.





E. Papel de JC no estrondo da França (1979)


Reunião na Saúde, 5/12/95:


No ano de 1978, estava o Sr. Fernando Antúnez e eu à mesa com ele, assistindo o almoço. [O SDP] estava almoçando e nós prestando a atenção nele. Às tantas ele nos diz:

-- Me digam uma coisa: vocês têm tem tido notícias da França? (...) Eu estou com muito receio que esteja sendo feito um movimento ali para separar aqueles meninos todos, constituir uma TFP, separar aqueles meninos todos da TFP brasileira e fazer uma TFP paralela, que se volte contra a brasileira.

-- E como consertar isso?

-- (...) Se você fosse para lá e dissesse o que você costuma dizer, acho que é suficiente para consertar a situação. (...) Mas veja bem, consertaria da seguinte forma: daria um estrondo. E eu vou lhe explicar por que daria um estrondo. Porque você indo lá e falando a meu respeito e animando aqueles rapazes todos no sentido de se unirem a mim e de estarem com admiração a respeito das minhas coisas, o que vai acontecer, é que eles vão perceber que não conseguem fazer uma TFP separada. Não conseguindo, eles vão fazer um estrondo. Mas eu prefiro um estrondo agora, do que um estrondo mais tarde, com eles separados.

-- Está bem.

Então, eu fui e fiz. (...) Eu saí de lá em novembro e em março estourou o estrondo, março de 79.



F. Sabotagem do fichário da “Mensagem”, nos Estados Unidos


Depoimento de Dom Bertrand, 3/10/98:


O SDP elogiava muito a formação dos fichários, porque, dizia, será a harpa com que tocaremos na Bagarre. Depois de toda campanha, o que fica é o fichário.



Depoimento do Sr. Luiz Antônio Fragelli, 3/10/98:


O SDP quis montar uma maquininha por ocasião da Mensagem. Foi montada mas depois foi destruída pelo JC. Os Srs. Silvio Dalla Valle e Schelini poderiam dar aqui todos os detalhes desta destruição. E naquele tempo o SDP tinha o plano de pegar todos os nomes que responderam a Mensagem, no mundo inteiro (foram 46 jornais no mundo inteiro, fora o Readers Digest). Eram mais ou menos 35 mil cupons que se interessaram e responderam. Foi feito o boletim das 13 TFPs, depois passou a 15, que nós fizemos para manter esse fichário. Mas depois, em 1986, por razões várias, o JC fez uma santa franqueza lá e acabou com a maquininha.

O SDP tinha dito que a Mensagem era como uma flecha que acertou num dragão voador, obrigando-o a descer (não o matou) e ele voava com dificuldade. E esse dragão tinha uma] corda que estava nas mãos do SDP: era o fichário que ele queria trabalhar. Isso, infelizmente, se perdeu.




G. Sabotagem de uma campanha da TFP Americana contra Fidel Castro


Resumo de depoimento do Sr. Raymond Drake (Presidente da TFP Americana), durante reunião de Dr. LN, nos EEUU, posterior ao 15/10/96:


Terminada a campanha sobre o tema Lituânia, nos EEUU, nós fomos a S. Paulo, para estar com o SDP. Numa reunião, em certo momento o SDP disse para nós mais ou menos o seguinte: “meus filhos, eu vejo que estaria na hora de se fazer uma campanha contra Fidel Castro; seria um abaixo-assinado contra ele, realizada principalmente nos EEUU. Mas não sei se uma campanha dessas vai atrapalhar a vida da TFP Americana --o apostolado, a maquininha, etc. Então eu pergunto se haveria condições para se fazer essa campanha”.

Tendo tomado conhecimento disso, o Sr. Luiz Antônio Fragelli veio dos EEUU quase que imediatamente, para dizer ao SDP que a TFP Americana estava à disposição dele para o que ele quisesse.

Mas JC numa conversa disse ao Sr. LAF: “o que é isso? Deve ter havido um qui-pro-quo, não tem campanha não”. E 2 ou 3 dias depois, disse para mim o mesmo: “não tem campanha nenhuma; o verdadeiro interesse do SDP é o livro da Espanha”.

E essa campanha não saiu.

H. Sabotagem no setor de grafonemas


Depoimento do Sr. Pedro Crespo, 21/8/99:


[Certa ocasião, mais ou menos em 1993, quando cuidava dos grafonemas na TFP Francesa], o JC telefonou-me de Roma (...) para interceptar um grafonema destinado ao Sr. Fernando Antunez.

O Sr. Fernando Antunez, estando na França, recebia regularmente os “despachinhos” por grafonema. Ora, nesse dia, o SDP tinha despachado um assunto X sobre a França. O qual assunto confesso não me lembrar mais.

O JC deu-me ordem de abrir dito arquivo e de retirar os parágrafos deste assunto. Após isto, teria que ligar para Roma para confirmar “missão cumprida”.

Tendo acabo de sair do Praesto Sum, e ainda com idéia mítica de JC, procedi sem reflectir que isto era um ato “não recomendável”; é o mínimo que se possa dizer. O qual acto peço perdão a Nossa Senhora, na medida de minha culpa.





II. Depois do falecimento de Dr. Plinio


A. Represálias contra as Sedes de Campos


Em carta de 2/4/97, dirigida a Dr. Caio, os senhores Ghioto e Cardoso dão uma visão de conjunto da perseguição que está sofrendo o grupo de Campos, pelo fato de não aderir a JC:


- As represálias começaram na época do abaixo-assinado promovido por Pedro Paulo Figueiredo.

- JC ligou para o Sr. Oberlaender dizendo que vários sócios e cooperadores das sedes de Campos estariam visitando os correspondentes com o intuito de criticá-lo. Ora, exatamente o contrário era o que se dava, pois estava havendo um trabalho metódico, de casa em casa, atacando os encarregados das sedes de Campos, tentando jogar todos os correspondentes contra eles, e sobretudo os pais dos apostolandos.

- Há um trabalho sistemático para retirar das sedes de Campos os cooperadores menores de idade. (Citam 10 casos). A mãe de um deles, tendo o Pe. Olavo ao lado, telefonou para seu filho, pressionando-o para sair. E concomitantemente, há um outro trabalho, também sistemático, para encher as sedes com cooperadores da facção JC, vindos de outras cidades.


*


Relata o Pe. David Francisquini (25/3/97):


Há pessoas que fazem um trabalho para bloquear as sedes dos militantes da TFP, do grupo operário e estudantil, levantando-se contra os encarregados delas e até arrancando jovens das sedes para serem transferidos para outros lugares, produzindo uma verdadeira guerra de nervos. (...).

Há pessoas que, desobedecendo ao documento “Sursum Corda”, visitam casa por casa para indispor os correspondentes contra os militantes da TFP e contra outros correspondentes (...).

Há uma verdadeira articulação para se destruir um florescente grupo de uma importante cidade. (...)

Que mãos invisíveis serão estas que manobram certos correspondentes induzindo-os a retirar seus filhos da sede, contra a vontade deles? (...) agora que o apostolado frutificou, presenciamos cenas que nunca poderíamos ter imaginado. Aqueles que deveriam ser a muralha para defender a TFP, se atiram contra ela (...).

Ouvi de algumas famílias que há gente interessada em esvaziar as sedes e quebrá-las financeiramente (...). Também constatei que mesmo pessoas que não tem filhos na TFP estão, no entanto, fazendo uma verdadeira pressão com os pais, e até com mães doentes, para que arranquem seus filhos das sedes de Campos (...)

Como pode ter acontecido de ter germinado um verdadeiro ódio entre pessoas que há pouco tempo eram tão amigas? (...)

É doloroso constatar (...) a saraivada de mentiras e difamações que o grupo de Campos vem ultimamente sendo vitima, sem nenhum fundamento ou pretexto. (...)

É duro constatar que há uma verdadeira perseguição contra alguns dedicados filhos do SDP que heroicamente consagraram suas vidas pela Causa Católica. (...)


*

Em 16 de fevereiro de 1997, os senhores Gilberto Ghioto e Fábio Cardoso, encarregados do apostolado em Campos, informaram a JC que estava havendo uma campanha de difamação contra eles no Norte Fluminense; que o clima reinante era de desconfiança; e que as desavenças estavam gerando rancores e ódios, até dentro das famílias.


Dois depois, através de um fax, JC lhes respondeu assim: “agradeço-lhes muito o fax que tiveram a bondade de me enviar e tomo as palavras dos Srs. tais quais nele estão transcritas. (...) Padecemos dos mesmos achaques! [O caos descrito pelos senhores constitui] um dos estigmas da atual quadra que atravessamos e com enorme concurso da ação preternatural. Por isso é indispensável fazermos uma cruzada de orações e predispormo-nos a tudo perdoar com a finalidade de obtermos a tão desejada união de almas entre todos nós. Esta, uma vez alcançada, trar-nos-á a paz e muita glorificação a nosso Pai e Senhor”.


Mas JC se limitou a emitir meras palavras. Porque suas bases continuaram no ataque, conforme se deduz dos seguintes documentos:


- Uma correspondente muito prestativa, ao ser visitada, declarou o rompimento com as sedes de apostolado operário e estudantil, bem como com a sede social [de Campos], em nome da graça nova. Disse que está sendo orientada pelo Pe. Antônio (acho que o Pe. Antônio não faria isto). Disse que enquanto não tomarmos posição favorável à santidade do Sr. João, não teremos o apoio dela. Temos que colocar um quadro bem grande dele na sede. (Cfr. fax do Sr. Fábio Cardoso para Dr. Eduardo, de 23/2/97).

- Comunico ao Sr. [Dr. Eduardo] que praticamente as sedes de apostolado (estudantil e operário) estamos enfrentando um verdadeiro estrondo interno. Chegou hoje o Sr. Dimas de Porciúncula. (...) nos disse que os pais [dele] estão recebendo visitas e sendo muito pressionados pelos ‘arditi’ da graça nova. Disse que a situação está complicada, mas que terminou mais ou menos em paz. (Cfr. fax do Sr. Ghioto a Dr. Eduardo 6/3/97)


- O Dimas disse que no Rio estavam 80 [rapazes] da Saúde. Nem sequer o cumprimentavam, nem olhavam. Disse estar impressionado com a carga de ódio que vai se levantando contra Campos.

(Cfr. fax do Sr. Ghioto para o Sr. Paulo Campos. 29/3/97).


Nessas circunstâncias, em 8/4/97, JC ligou para a Sede de Campos, dizendo que gostaria de dar ao Sr. Ghioto uma “boa noticia”: com aquiessência de Dr. Plinio Xavier, estava mandando como harmonizador um eremita de S. Bento (!), para tentar resolver a situação em que se encontra toda a região. Mas quando Dr. Plinio Xavier foi perguntado pelo telefone a respeito disto, afirmou que não sabia de nada. (Cfr. Relatório do Sr. Paulo Okabe).


*


Trechos de carta do Sr. Ghioto a Dr. Eduardo, de março de 1997, relatando entrevistas de diversos cooperadores campistas a pessoas daquela região:


Estive hoje, 4/3/97, visitando uma senhora correspondente a propósito de apostolado. Tem três filhos eremitas servidores no S. Bento (...). Disse que está contra todas as Sedes de Campos e que vai parar de frequentá-las, cortar donativos, pois a nossa atitude é contrariar ao Sr. João Clá.


Leandro Amaro é um cooperador da Sede do setor operário. (...) Disse que [uma moça X e uma senhora Y] estão aconselhando todas as famílias a não mandarem mais seus filhos para as Sedes de Campos.


*


Os padres seguidores de JC (Olavo, Gervásio e Antônio), em carta dirigida ao Pe. David (9/4/97), reconhecem terem aconselhado “àqueles que tinham filhos menores de idade na sede de Campos” que retirassem os rapazes de lá. Também reconhecem que vários doadores cessaram de colaborar com as sedes de Campos, mas o fizeram “por decisão própria” .


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Carta do Sr. Ghioto a Dr. Eduardo (8/3/97):


Recebi do Sr. Luiz Maria o seguinte relato: “Estive visitando um correspondente em Natividade para receber o donativo mensal. Conversamos um pouco e então ele disse que seu donativo estaria suspenso até segunda ordem, pois alguém, que ele não podia dizer o nome, tinha sugerido isso a ele”.

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Carta do Sr. Fábio Cardoso ao Sr. Oberlaender (13/3/97):


Como o Sr. Ghioto e este escravo de Maria tem recebido, constantemente, repercussões de correspondentes dizendo que não querem mais ajudar as nossas sedes, que não querem mais nada conosco, etc., e dizem que estão recebendo esta orientação de moças de Italva ou até mesmo do Pe. Antônio, resolvi conversar com ele para ver um pouco o que está acontecendo.

Conversamos então no dia 6 pp. na sede.

Expus-lhe tudo que temos ouvido, chamei inclusive o Leandro, cooperador da sede Elias Profeta (...) para relatar diretamente ao Pe. Antônio a pressão que a Srta. Teresa Gomes e a Sra. Rocinha tem feito sobre sua família contra a TFP local.

O Pe. Antônio ouviu tudo e no final disse que a situação é esta mesmo.


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Em carta do Sr. Ricardo Freitas para Roberto Kallás figuram mais casos concretos da sabotagem ao apostolado e aos donativos (15/3/97).


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Em carta de 15/3/97 dirigida a Dr. Eduardo, o Sr. Dimas Monteiro Garcia narra a pressão exercida sobre ele, por seus pais, para que abandone a sede de Campos, porque os encarregados desse local “estavam contra o Sr. João”. Afirma que a campanha difamatória contra as sedes de Campos é feita pelo Hailton e por moças de Italva.


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O Sr. Marcinei R. Luiz conta a Dr. Eduardo (19/3/97):


- que seus pais foram pressionados por senhoras correspondentes, para que retirassem seu filho da Sede, “porque Campos estava contra o Sr. João”.

- que ele sofreu pressão e ameaças do Padre Olavo, de 11:00 da manhã até 5:00 da tarde, no mesmo sentido; o Padre inclusive ofereceu a ele ir morar na Saúde ou num êremo.


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Carta de dois cooperadores menores de idade, da sede de Campos, --os Srs. Marcinei Ribeiro e Lucas Damasceno--, aos Provectos (29/3/97):


É do conhecimento de Vv. Ss. que estamos passando um clima de uma verdadeira guerra de nervos. É doloroso e triste constatar em nossas famílias que essa tensão que sofremos, elas também o sofrem. Sabemos com os contatos que tivemos com elas, que quem faz a pressão são os sacerdotes ligados a linha nova do Sr. João Clá Dias. Eles encarregam pessoas hábeis que fazem esse trabalho junto às nossas famílias. É triste ver que esses mesmos sacerdotes são orientados pelo próprio Sr. João Clá, pelo fato de sermos menores de idade, não completando ainda 21 anos.

(...) A tática do Sr. João Clá é essa: esvaziar a sede de Campos só porque não acompanhamos e discordamos da maneira de agir dos correspondentes, sobretudo das mulheres aqui no Norte Fluminense. Citamos isto porque temos fatos que comprovam que é o Sr. João Clá Dias que está manobrando os padres e as moças para virar as cabeças de nossos pais. (...) Enquanto faz isso conosco, vai enchendo a sede de gente partidária de sua posição que infernizam todo o ambiente e se revoltam contra as autoridades legitimamente constituídas.

[Sabemos] que o Sr. André Dantas a mandado do Sr. João Clá pediu para ver um advogado que tratasse com a família do Sr. Wilson de Carvalho Monteiro, para arrancá-lo dos EUA, induzindo os nossos encarregados para usar desse meio para fazer represália ao grupo dos EUA. (...) Um rapaz de Belo Horizonte foi arrancado dos EUA por intermédio dos encarregados das sedes que fizeram esse trabalho junto a sua família, o rapaz foi arrancado e veio indignado dos EUA.

Senhores, é necessário dar um basta neste homem que é o Sr. João Clá, que quer pressionar as nossas consciências desrespeitando a nossa condição de menor. (...)


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Carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.55:


Um antigo casal de correspondentes, que no inicio eram adeptos da 'graça nova', contou-nos que foram visitados por outro casal, também de antigos correspondentes (...). Este [segundo casal] afirmou que vinha por ordem do Sr. João Clá informar-lhes que não é para fazerem mais nenhuma atividade para o bem das sedes locais, ou seja não dar donativo, não propagar o Catolicismo, não deixar o filho freqüentar mais a sede e não distribuir volantes do mailing de Fátima. (...) ‘Isto é ordem do Sr. João Clá, caso tenham alguma dúvida, aqui está o telefone dele em São Paulo, é só telefonar para confirmar’.


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Relatório do Sr. Ernesto da Silva Filho:


Soube também que o Pe. Gervásio está desaconselhando, e na medida em que pode, proibindo as pessoas de darem donativos para a Sede de Campos. (Cfr. Carta do Sr. Fábio Cardoso a Dr. Eduardo, 19/7/97)






B. Represálias contra o Grupo dos Estados Unidos


Após a ruptura com a TFP Americana, JC:



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Há nos EEUU um rapaz campista que presenciou os desmandos ocorridos no Norte Fluminense quando JC passou por lá (agosto-setembro de 1996). Tem 19 anos e é emancipado. Pois bem, André Dantas telefonou, a mando de JC, para o encarregado da Sede de Campos, e lhe pediu que procurasse os pais desse rapaz e um advogado, de maneira que forçassem o moço a voltar para Campos. A medida era para evitar que o rapaz fale mal dele nos EEUU.

(Cfr. relato do Sr. José Francisco Vidigal, 13/11/96)


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Conforme atesta o Sr. Sepúlveda, encarregado do boletim “TFP Lusa”, uma notícia sobre a participação da TFP Americana na Marcha “Pro Life”, assinada pelo Sr. Orlando Lyra, e que deveria ter sido incluída nas páginas do referido boletim, foi suprimida.

Interrogado a respeito da causa disto, o Presidente da “TFP” portuguesa disse que era “a atitude feia tomada pelo Sr. Lyra em relação ao Sr. João Clá”.

(Cfr. carta do Sr. Sepúlveda aos Provectos, 17/4/97).






C. Sabotagem de campanhas contra a reforma agrária


JC não manifestou entusiasmo na difusão do livro do Sr. Paulo Henrique Chaves contra a Reforma Agrária. Custa entender como é que ele, que banca de exímio pesquisador dos despachos do SDP, esqueceu que esse foi o último lance sugerido em vida pelo SDP para o Brasil e que todo o plano da campanha respectiva tinha sido elaborado pelo próprio Dr. Plinio, que disse: "eu quero um livro desses para cada fazendeiro de borseguim".

De tal maneira JC julgou inoportuno esse empreendimento, que afirmou: "agora a campanha é sobre o livro da Nobreza", e mandou proclamar no Auditório palavras que Dr. Plinio tinha proferido por volta do ano 1992, por ocasião do lançamento do livro da nobreza, espalhando a tese seguinte: neste momento é alta traição qualquer outro tipo de campanha (1).


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1. Reunião no ANSA, 27/4/96, proclamação de comentários de Dr. Plinio a respeito do livro da Nobreza:

Eu acho que é preciso insistir, insistir, insistir até que isso entre pela mente das pessoas adentro. E é essa a razão pela qual eu com tanta insistência tenho declarado o primado da campanha a favor do livro da nobreza atualmente nesses dias que correm acima de qualquer outra atividade da TFP. Acho que é o momento de pôr isto em linhas bem claras.

(...)

Aparece para essa grande obra um livro único no gênero.O que é que vamos fazer? Nós só temos um livro para o nosso objetivo supremo que na esfera temporal é a implantação do Reino de Maria pelo reino das desigualdades sociais, orgânicas, hierárquicas, bem ordenadas, e nós vamos fazer o quê? Dedicar-nos a que coisa em vez de fazer a propaganda desse livro? Nós não temos obrigação de deixar de lado qualquer coisa e, antes de tudo e de mais nada, nos atirarmos para a propaganda desse livro?

"Os senhores dirão: "Mas é pouco correto que o senhor faça aqui dentro tal propaganda de seu livro". "Eu não me incomodo!

"No meu outono Nossa Senhora me deu a graça de publicar esse livro que dormiu engavetado e empoeirado na sua forma primeira durante eu creio que uns quarenta anos. Por ocasião dos documentos de Pio XII eu escrevi, como os senhores sabem, uma espécie de pré-livro da nobreza, mas que foi acolhido com uma tal indiferença, que eu entendi que era preciso esperar. Em cima desse livro há, portanto, algo de glorioso, há quarenta anos de espera profética.

"Eu não quero, mas absolutamente não quero, que quando chegue para mim dies irae, dies illa, calamitatis et miseriae, quando chegar o dia de eu ser julgado pela justiça inquebrantável e inflexível de Deus que Ele me possa dizer: "Eu te dei tudo e te dei inclusive as graças de uma espera privilegiada, porque foi uma longa espera de quarenta anos. Ao cabo de quarenta anos afinal de contas foi possível publicar esse livro e você o que fez? "Você tinha pessoas em tantas TFPs que por mim bondade, minha graça e pelos desígnios de minha Mãe, Nossa Senhora, você espalhou por toda a Terra com o apoio dos seus filhos espirituais, dos filhos que eu lhe dei. Aparece esse livro e na hora em que esse livro vai florescer, em que ele vai frutificar, você tinha meios de esclarecer os membros da TFP, você tinha meios de os incitar a se dedicarem de corpo inteiro a esta tarefa prevalentemente a qualquer outra, e o que é que você fez? Você teve tantas ocasiões de dirigir a palavra a eles, falou a respeito de tantos assuntos e neste ponto você não tocou? Você foi autor do livro para tudo, não foi o promotor essencial da difusão desse livro. Agora preste-me contas disso".

"Que resposta eu teria para dar? "Não adiantaria nem olhar para Nossa Senhora, porque, no dia do Juízo, o juízo está feito e nem a prece de Nossa Senhora, coisa mais terrível, nem a compaixão de Nossa Senhora nos ajuda. É a hora do Juízo.

"Eu não quero comparecer de tal maneira desvalido à hora do Juízo. Portanto, digo o que eu estou dizendo e aviso, meus filhos, que repetirei em toda a medida do que achar necessário.

(...)


Proclamador: Nesta segunda fase da campanha de divulgação do profético livro de nosso Pai e Senhor sobre a Nobreza cada setor da TFP, ou grupo local, incluindo os respectivos núcleos de Correspondentes, terão a graça de poder assumir a divulgação de uma determinada quantidade de exemplares, proporcional à capacidade de cada um deles.

Será lida a seguir a lista das diversas unidades do grupo que deverão engajar-se na campanha, bem como a quota mínima de livros que cada uma deverá divulgar.

Desta forma, e com a celestial assistência do Sr. Dr. Plinio e da Sra. Dª Lucilia, esperamos escoar o que resta da 2ª edição com mais rapidez e melhores frutos ainda do que na primeira fase da Campanha.

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Mas quando começaram as cerimônias de coroação da imagem de Fátima, JC suspendeu a campanha do livro da Nobreza e quis pôr toda a TFP nessas cerimônias ...

E hoje, o livro “que ele escreveu” sobre as aparições de Fátima, tem precedência sobre o livro do SDP sobre a Nobreza ... É que cessou de constituir traição empenhar-se em qualquer outro tipo de campanha: “diktat” do omniarca.


*


Tempo depois do passamento do SDP, Dr. Plinio Xavier procurou JC para combinar uma campanha contra a Reforma Agrária. Na sua resposta, JC mandou alguns metros de fax com frases do SDP contra os fazendeiros; e perguntou mais ou menos o seguinte: "adianta fazer alguma coisa sendo isso os fazendeiros?", dando a entender que não contasse com seu apoio.

Ora, nessa meticulosa compilação, não figuram as frases nas quais fica claro que a posição de Dr. Plinio é diametralmente oposta à de JC ... (1)


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1. Neste sentido, apresentamos dois documentos:

a) Comissão Médica, 16/8/92:

Eu espero deter a reforma agrária? Eu espero deter a reforma urbana?

Bem, esperar no sentido de que desejo e acho possível, eu desejo muito e acho um tanto possível, porque se eles quiserem mesmo eles farão.

(Pergunta: A questão da reforma agrária é muito simbólica (...) Então nesse lado simbólico dessa luta, o senhor não teria algo a dizer?)

A luta, o que ela tem de simbólico é o seguinte:

O senhor se lembra daquele tese que eu acho que era do Garaudy (...), que o verdadeiro sistema do ateísmo vencer entre os homens não consistia em querer provar que Deus não existe, ou pelo menos em querer demonstrar que as provas da existência de Deus não são convincentes. Mas em fazer com que aquilo que sugere aos homens a idéia de Deus fosse eliminado. De maneira que tudo aquilo que pudesse sugerir aos homens esta idéia fosse de tal maneira eliminada que se possível fosse, eles eliminariam até o sol, porque o sol traz consigo uma idéia de Deus, no sentido de que a relação do sol com o sistema estelar que conhecemos é uma relação parecida com a relação de Deus com os homens. E portanto este 'deus' sol leva o homem a conjeturar que exista um ser vivo e inteligente, onipotente e santo que seja capaz das coisas e que desempenha um papel que Deus desempenha. Então seria preciso acabar completamente com isso.

Ora, toda desigualdade é uma manifestação simbólica de Deus, isto em S. Tomás está inteiramente claro. Eliminados os símbolos de Deus, as próprias nascentes da idéia de Deus no espírito humano ficariam estancadas. E das desigualdades, a última que resta é a propriedade privada.

De maneira que haveria um supremo interesse em fazer com que a propriedade privada fosse eliminada. Seria o último clarão de Deus nesta ordem de coisas, enquanto outros clarões que ainda existem estariam morrendo também. Então uma importância fundamental em que de fato com a propriedade perecesse este último sinal de Deus.

(Aparte: E poderia sair a Bagarre daí?)

Poderia. (...)

Poder-se-ia fazer uma pergunta sobre se no plano estratégico para nós o melhor seria vencermos a campanha contra a reforma agrária, e sobretudo contra a reforma urbana.

Porque na medida em que nós tenhamos descontentes contra o processo, nesta medida temos mais massa de manobra ... (defeito na gravação) ... nos é mais útil do que um fazendeiro poderoso, contente e despreocupado.

(Aparte: Isso se encaixa no que o senhor sempre disse, que se valia a pena manter o status quo, porque vencer a reforma agrária é manter o statu quo abominável em que estamos).

É isso exatamente.

Bem, aqui entra um problema de legitimidade: nós não podemos, por cálculos de caráter político no fundo, nós não podemos por isto cruzar os braços e permitir que se faça uma ignominia. Isso não é possível. Nós temos que estar na estacada, na luta, de todo jeito. De maneira que não tem remédio.


b) Comissão Médica 15/6/86:

(...) aqui no Brasil estamos fazendo campanha contra a reforma agrária. Estamos conseguindo o que? Estamos conseguindo essa polvorosa que está dando aqui. Mas salvo um milagre, eu não tenho nenhuma esperança de evitar reforma agrária para o Brasil.

Então dirão: não fazer nada?

Jamais! Se há uma coisa que não se pode justificar é não fazer nada, porque eu sei de uma coisa: é que tudo que façamos agora, tem por causa disso um mérito redobrado e apressa o dia em que Nossa Senhora virá a nós. Não fazer nada, jamais! “Au très grand” jamais!

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D. Sabotagem no setor de grafonemas


Bernardo Glovacki --um dos que assinou o processo contra a TFP-- controlava o setor de grafonemas desde a década de ‘80. Ao longo da crise, sabotou os documentos emanados pela Diretoria da TFP, e só difundiu propaganda joanista.





E. Sabotagem do movimento de CCEE


No Despacho de 2/3/86, Dr. Plinio caraterizou perfeitamente o tipo de correspondentes que aderiram a JC:


Eu não sou favorável a que o movimento dos correspondentes tenha sede própria. Porque acaba havendo gente intrigante, que quer aparecer, que quer fazer carreirosa, que quer fazer porcaria, que acaba inclusive remexendo-se contra vocês.


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No processo que abriram contra a TFP em novembro de 1997, JC e Cia. pleiteiam que os correspondentes tenham direito de opinar “em circunstâncias de especial importância na vida da entidade” (cfr. pág. 9). Evidentemente, quem decide quais seriam essas circunstâncias seria o próprio demagogo.

Ora, isso colide com a seguinte diretriz dada por Dr. Plinio, numa Hipoteca de 22/5/83, a respeito de até que ponto se deve fazer apostolado com os CCEE:


Não de trata de levar com esta gente [os CCEE], a coisa, a este ponto que nós os vejamos de 15 em dias. Nós não devemos querer levá-los, porque é o movimento subconsciente, a um ponto que eles sejam como que, praticamente, membros da TFP. Não nos convém. Nós devemos quere-los no jardim. E não devemos sequer prepará-los para entrarem dentro da casa. Porque é uma outra coisa.


*


No mesmo Despacho acima citado, Dr. Plinio analisa um Encontro recente de CCEE e indica qual deve ser a nota dominante desses eventos:


Há uma espécie assim de atmosfera, uma certa notinha qualquer de piquinique nesse Encontro todo um pouco festivo demais, e que, a meu ver, provém do fato de que a atração, de um modo geral, está sendo mais de senhoras do que de homens, e que dão então uma nota menos refletida, menos grave, menos séria do que num Encontro onde o elemento masculino é preponderante.

Em nexo com isso tem também um fato de que, dos homens que vão, muitos são homens que vão lá por causa da senhora, e porque a senhora quer que o marido vá, e não dá o tipo ideal de correspondente. Porque o correspondente ideal é o correspondente que vai por movimento próprio. Tanto melhor se a senhora dele quer ainda mais do que ele, mas ele iria ainda que não fosse a senhora. E há uns tantos correspondentes, no meio desse magma, que se a senhora não quisesse, a gente não sabe se compareceriam tão regularmente.

(...) eu acho que era muito importante, nos Encontros, absolutamente, nas preparações, absolutamente não recusar a colaboração feminina, mas ter muita atenção, não se contentar preponderantemente com casos em que a mulher é que dá o elemento diretivo. Se vão muitas mulheres assim, procurar muito homens que vão de outro jeito, que vão por si, para a coisa conservar aquela nota varonil que dá o seu sabor, a sua garra nos Encontros.


Então, o SDP desaconselha que num Encontro prepondere a nota feminina, porque a reflexão, gravidade e seriedade do evento diminui, enquanto o festivo aumenta. E adverte que a mulher não deve dar o “tom”. Ora, nos “Encontros” organizados e presididos por JC predomina a emoção, a superficialidade e a falta de seriedade; são festivos à maneira de uma quermesse; e as mulheres são as que lideram.


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Despacho 5/6/86, palavras de Dr. Plinio:


[O atual Cardeal Cardin, antes da I Guerra Mundial] fazia movimentos operários católicos que enchiam estádios. Aqueles estádios de Europa vocês sabem que são grandes. E faziam lindos movimentos com bandeiras, símbolos, etc., coisas muito bonitas.

O que vocês pudessem para eles apresentar de, por exemplo, corporações italianas antigas desfilando e coisas do mundo operário na Idade Média, mas suas expressões mais caraterísticas, etc., seria para levar jeitosamente as senhoras a trabalharem nessas coisas. Então ver quem faria o mais bonito estandarte, qual é o tipo bonito de estandarte ...


(J.Ubelhode: Tem algumas que estão fazendo túnicas).


Olha lá, você veja que coisa boa. Mas não é para costurar para nós não. É para fazer bonitos modelos para elas, para eles. Não de estandarte de uma associação, não é isto. Não é para eles terem um estandarte deles. Não convém que tenham, hein. Estão englobados no nosso estandarte. Mas é para que eles imaginem e desenvolvam em si a capacidade de fazer coisas artesanais bonitas (1).

Seria preciso mostrar para eles, por exemplo, na Sede do Reino de Maria, aquele lindo relicário feito pelo Juaci, não foi?


(Aparte: Foi ele e outros operários de lá).


Bem, e valeria a pena um dia organizar, combinar com o Milton [Mourão], Rodrigues, de trazer o mostruário das coisas bonitas que o grupo de Minas tem feito. Tem feito coisas muito bonitas, sobretudo o trabalho com metais. E dizer a eles que isto suporia ... que isto forma o espírito, e que nós gostaríamos para o Encontro apresentar em determinado momento obras muito bonitas feitas pelos Núcleos de Periferia Urbana, Setor Operário, etc.


(...)


(Aparte: O ideal para elas seria apenas ficar fazendo estandartes e coisas assim? Ou teria outra coisa para elas fazerem que não seria bem o convencional?)


Você caraterizou perfeitamente. Elas tem uma ação em casa ... (vira a fita) ... elas muito mais talvez do que vocês tenham notado, eu não sei bem até que ponto notaram, elas tem horas vagas no dia, que é feita de conversa com a vizinhança. Elas podem em determinado momento determinar a conduta de um quarteirão, e o trabalho delas é na linha das 2.000 bocas, de senhora em senhora, no sentido não pejorativo da palavra de comadre em comadre, e isso elas fazem como ninguém. Por exemplo mandar espalhar uma máfia, mandar espalhar uma coisa assim, “olha isso, olha aquilo e aquilo outro, mas olhe”, é propriamente o trabalho delas.

(...) Vamos dizer assim: o padre esquerdista atua a partir de dentro da igreja, a senhora anti-esquerdista replica a partir de dentro do lar. O trabalho desvinculado, de mera praça pública, que pareceria muito eficaz, não é, é muito menos, tem a sua eficácia, mas é muito menos. Porque o importante é o trabalho demorado, seguro e continuo dentro do lar, e depois de dona de cada em dona de casa, espalhando, noticiando e informando, isto é a questão (2).


Comentários:

  1. Essa tarefa foi completamente posta de lado pelos CCEE joanistas.

  2. As CCEE espalham, noticiam e informam o que diz respeito, não à luta RCR, mas à glorificação de JC.


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Por pressão de JC, os CCEE rebeldes não lêem “Catolicismo” e se dedicam a falar mal da revista. Procedendo assim, contrariam o desejo de Dr. Plinio expresso na Reunião para CCEE de 4/1/92:


Proclamador: Essa vigília realizada no período das 6 horas da manhã às 7 da noite completava com a vigília que se faz habitualmente no Oratório, as 24 horas do dia. [...] 751 CCEE uniram as suas orações e sacrifícios para manter viva a chama desse ato de reparação, o qual se encerrou no dia 13 de dezembro último.


Palavras de Dr. Plinio:


Eu acho que com esta alavanca é que se move a História, mais do que qualquer... [aplausos] mais do que qualquer ação, mais do que qualquer estudo, do que qualquer outra coisa, a oração e o sacrifício movem a Deus. E quando Deus se move não há quem resista, de maneira que eu não tenho palavras suficientes para manifestar a minha alegria diante da expansão da colaboração dos Correspondentes neste setor capital das atividades da TFP.

Eu queria, entretanto, salientar um ponto é que o estudo do "Catolicismo", não apenas uma leitura como quem lê uma revista um pouquinho, em diagonal e joga de lado. Mas o estudo metódico do "Catolicismo" é um dos melhores meios para uma boa formação de um Correspondente da TFP e eu gostaria muito que todos os Srs. Correspondentes não só fossem assinantes, mas leitores habituais de "Catolicismo", e que quando tivessem alguma coisa que não entendessem bem, que escrevessem, que fizesse a pergunta, que o "Catolicismo" lhe responde.

O "Catolicismo" se apresenta hoje como uma revista primorosa, porta-voz inteiramente adequado do pensamento da TFP, inteiramente fiel, e adaptando os métodos mais atuais e mais eficazes de publicidade às conveniências da doutrina que a revista é feita para veicular.

De maneira que não há empenho suficiente de minha parte para que cada um dos Srs. seja leitor habitual, estudioso do "Catolicismo".

Alguns Correspondentes, às vezes se lamentam tomando em consideração que não tem o quê conversar com aqueles que eles querem atrair para serem Correspondentes também. Remédio: leia o "Catolicismo" que depois terá o que conversar.


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Despacho “Catolicismo” 2/3/84, palavras de Dr. Plinio:


Eu sinto que os CCEE tem uma dificuldade muito grande num ponto: eles vem aqui, participam desses dias [NB: Encontro], esses dias são para eles uma espécie de feeria. Mas, terminados esses dias, eles voltam para a mondronguice cotidiana e ficam muito desapontados de voltar.

Se nós preparássemos as coisas de maneira que, entre outras coisas, eles fossem adestrados --eu pretendia no próximo congresso já falar disso-- a coletar assinaturas de “Catolicismo”, e adestrados também a ouvir as repercussões que interessam e nos mandar dizer, eu tenho a impressão de que nós poríamos em movimento uma alavanca de propaganda que vai muito além de nossas duplas e que poderia favorecer “Catolicismo” e ABIM. Eventualmente até “Recortes do Dia”.


Em lugar disso, as CCEE joaninas dedicam-se a visitar o público de “Catolicismo” para que suspendam suas assinaturas. E em vez de coletar repercussões, espalham calúnias contra a TFP.

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Despacho “Catolicismo”, 2/3/84, palavras de Dr. Plinio:


Houve tempo em que todo o interior, e por causa disso, também a imprensa do interior estava tão, tão desprestigiada, que o jornalzinho do interior, nem os do interior liam, e só se editava para o chefe político publicar de vez em quando um artigo em que ele fazia [muchinifada] contra o partido político contrário, mas não tinha outro sentido. Os anunciantes publicavam alguns anúncios, em geral para satisfazer o chefe político, e estava feito o negócio.

Houve lentamente duas coisas: por causa das facilidades de comunicação, o interior deixou de ser tão caipira quanto era antigamente. Depois, além disso, o interior, por causa da televisão, já não se julga tão fora da moda quanto se julgava outrora. E em conseqüência dessas duas circunstâncias, o interior progrediu tanto que os jornalzinhos do interior começam a publicar muita notícia que às vezes o jornal da cidade de São Paulo não publicou. E às vezes são notícias locais que interessariam muito às pessoas que estão na vidinha de todos os dias. Os tais desalveolados que não sabem o que dizer do destino individual, e outras categorias assim, encontrariam notícias do jornal do interior muita matéria que poderia interessá-los.

Nós temos leitores de jornais do interior que revêem isso debaixo desse ponto de vista? Eles sabem o que é? Eu duvido. Eu acho, entretanto, que isto seria assim.

De maneira tal que a ABIM eu acho que deveria pedir sempre os jornais do interior que publicam notícias.


(Aparte: Há muita dificuldade em permutar com esses jornais as notícias com o envio deles. Mas agora, em 1984, alguns estão escrevendo por conta própria, pedindo notícias).


Interessante isso, hein.


(Aparte: Fenômeno que pela primeira vez se verificou).


Muito interessante. Pois bem, você veja aí. O correspondente do local deveria ter o encargo de acompanhar o jornal que não nos é enviado ou informar-nos se as notícias que enviamos foram publicadas no jornal. Não só, mas mandar a notícia publicada pelo jornal.


(Dr. PB: Eles levarem a notícia e pressionar).


É, “os senhores publicaram essa notícia e não mandaram, eu já tenho aqui separado, me dêem um envelope timbrado dos senhores para eu pôr no correio para mandar para a ABIM, porque não tem propósito”. Ela mesma vai, ela mesma põe no correio. Fazer pressão seria muito interessante.

Mas também nós, publicando notícias deles, podermos mandar a eles. “Publicamos uma notícia de você que interessou, veja lá”. Isto para um jornal do interior é um ...

Acho que aí vai ser preciso fazer as pressões por meio dos correspondentes, etc. , etc., mas podemos ampliar nosso raio de ação.


Os CCEE adeptos da seita de JC, desde antes da ruptura, não atendem esse desejo de Dr. Plinio, sobretudo porque não é prestigioso perante o “pátio”.


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Depoimento do insuspeito Orlando Kimura (reunião com JC, 24/4/96):


O SDP disse que mais importante que um “encontro”, era inventar serviços para [os correspodentes]. Porque o correspondente se define pelo grau de dedicação externa, não pelo fervor.


JC acha diametralmente o contrário: o que interessa é que o correspondente seja “entusiasmado”; as tarefas que possa fazer pela Contra-Revolução, não tem valor.


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Depoimento do Sr. Ricardo Ribeiro Freitas:


Fui no Norte Fluminense para entregar os ‘Catolicismos’ avulsos e constatei que está havendo uma verdadeira Revolução Francesa. Todos os correspondentes cortaram taxativamente os ‘Catolicismo’ avulsos alegando que o ‘Catolicismo’ não é digno de circular entre eles e no público.

(Cfr. carta do Sr. Ricardo Ribeiro Freitas, a Dr. Eduardo, 21/3/97).


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Carta dos senhores Ghioto e Cardoso a Dr. Caio, 2/4/97:


Todos os correspondentes da ‘graça nova’ cessaram de comprar o ‘Catolicismo’, alegando que a revista está nas mãos dos ‘fumaças’. Um correspondente chegou a comunicar por escrito, aos encarregados das sedes de Campos, o cancelamento de sua assinatura.











F. Sabotagem da verdadeira Graça Nova


Estando na Espanha, no 4 de março de 1996, JC fez uma reunião sobre o apostolado com CCEE, lendo uma compilação de textos do SDP a respeito disso. Um dos trechos foi o seguinte:


Então uma tendência para uma maior abertura para a TFP, dentro de todo esse pandemônio, é o aspecto contraditório de toda essa desagregação, quer dizer, algo que ruma para o Reino de Maria. São segmentos cada vez mais numerosos da opinião pública que vão tomando atitudes como nós desejamos.

Com a sensação do abandono, do desgarramento, Nossa Senhora faz o convite da graça nova. Não é um convite fulgurante, mas é um convite bastante amplo, e que se bastante aproveitado, se corresponderem, pode dar em cristalização e tudo mais.

É como se a gente visse as várias espécies que ainda não estão preparadas para entrar na arca, mas que já vão saindo do mato e se aproximando do ponto onde a arca está sendo construída.

Então a gente vê sair uma girafa que olha assim, de um certo jeito, de repente é um coelhinho, mais adiante uma tartaruga e lá vai, estão se aproximando.

Começa a se notar que muita gente considera o mundo contemporâneo em grave risco de ruína. Há mesmo quem ache que está em ruína irremediável e que o jeito de cortar o passo a esse caminho de ruína, ou sair de dentro da ruína irremediável em que estamos é confiar na TFP inteiramente, como possuidora de uma fórmula, de uma esperança, de um modo de agir, de uma integridade moral, de um desinteresse, de uma integridade na fé que faz com que essas pessoas digam: “Aqui está a salvação”. De um modo mais ou menos confuso intuem algo do Reino de Maria. (...)


O Dr. Duncan me contava uma repercussão curiosa. Um sargento, (...) um mês após a morte do Senhor Doutor Plinio telefonou para Jasna Gora, para falar sobre o mailing de Fátima, e atendeu o Dr. Duncan, começou a conversar, depois disse:

-- Mas me diga uma coisa, o mailing de Fátima é da TFP, não é?

-- É, é da TFP.

-- Mas a TFP continua a existir?

-- Sim, continua a existir sem problema nenhum.

-- Oh, que boa notícia que o senhor me dá, porque eu pensei que morrendo o Fundador ia se desfazer a TFP. A TFP vive ainda?

-- Ah, está plenamente nas suas funções.

-- Oh, que ótimo! Mas que alegria, que boa notícia!


E essa gente está a espera nossa, espera da nossa visita.

Fenomenal!


O aparecimento coincidiu com esse desgoverno...


E agora mais ainda, hein?


que ao acentuar-se dá no seguinte:


Então vai se acentuar, e vai dar no quê.


Reconhecem que a TFP foi a vida inteira fiel e desinteressada. A evidência dessa limpeza moral da TFP que esses estrondos estúpidos não fizeram senão acentuar, faz com que essas pessoas visitadas pela graça nova digam: Só eles são puros.

Esse "só eles são puros", é só com eles é que está a fórmula da salvação.

Isso é impressionante.

A graça nova é uma situação psicológica visitada pela graça, mas criada por uma sensação de desfazimento de tudo, da Igreja inclusive, que eles notam.

A graça nova é uma graça que visita as pessoas no momento em que elas compreendem que não podem esperar mais nada de tudo que está de pé. Aí elas começam a se abrir à idéia de que é para a religião católica, inteiramente praticada, e vivida até os seus últimos limites, que está a esperança.

É gente que sobre a superfície lisa de um oceano, onde só há náufragos, vê de repente um mastro indicando a presença de uma jangada. E a partir do momento em que viram a jangada, eles, que estavam afundando no desespero, rumam para lá.

Se não houvesse a jangada essa gente se entregaria aos desvarios, os mais doidos que se possa imaginar, porque começariam a se perguntar: "então a Igreja morreu? Se a Igreja morreu, então Jesus Cristo não foi Deus! Ele prometeu que as portas do inferno não prevaleceriam sobre Ela! Ou Ela morreu e eu fico louco, ou Ela não morreu e eu fico louco, porque eu tenho a impressão de que Ela morreu!"

(...) Essa graça neles é nova e eles não disseram não a ela, por enquanto. Mas esta graça é tão frágil que qualquer coisa destrói no espírito deles esse flash profético.

Pode se imaginar o desconcerto, a dor de alma, a crise axiológica de uma pessoa destas, ávida de confiar na TFP, e que é visitada por gente de JC para falar mal da TFP? Uma pessoa assim não fica à borda do desespero ou da loucura?

JC e seus agentes não percebem o que estão fazendo com essas almas? ou procedem “cienter et volenter”?

Para elucidar isso, convêm registrar que eles sabem perfeitamente que:




G. Sabotagem do mailing de Fátima


1. Papel das apresentações de Fátima


Trechos de um dos despachos (24/4/96) a respeito de como aproveitar os bons resultados do “mailing” de Fátima, e que deram origem às apresentações de Fátima no ano 1996:


JC: Acho que se tudo isso de fato se puser em movimento, nós em poucos meses começamos a colocar medo na Revolução. Acho que eles viram a mesa.


(José Cyro: É um trabalho que vão demorar para perceber. Quando eles perceberem, já houve. Porque não é uma campanha pública, chama pouco a atenção).


Na realidade, as apresentações se caraterizaram por chamarem muito a atenção. E quanto mais espalhafatosas forem, maior cotação tem nas fileiras joanientas.


*


Com a intensificação das apresentações de Fátima em igrejas (1996), a Estrutura começou a dar sinais de inquietude. O Sr. Cônego recebeu algumas pressões indiretas para deixar de ser o coordenador de nosso “mailing”.

Preocupados com as eventuais conseqüências de uma ofensiva maior de alguns Bispos ou até de todo o Episcopado contra nosso “mailing”, os Provectos resolveram, em combinação com JC, mandar consultar o Pe. Anastásio Gutierrez, o qual emitiu um parecer nada tranquilizador.

Os Provectos conversaram com JC sobre a conveniência de suspender as apresentações –JC concordou-- e lhe enviaram uma pormenorizada exposição dos riscos que corríamos quanto a nosso “mailing”:

  1. a perda de nosso apoio eclesiástico (isto é, o Cônego);

  2. sermos vitimas de uma condenação;

  3. tudo isso, por sua vez acarretaria uma série de efeitos em cadeia:

  1. no tocante a nossos fichários, que cessariam de crescer em algumas centenas de milhares de nomes;

  2. no tocante à nossa “force de frappe” sobre a opinião pública, que perderia uma boa oportunidade para aumentar muito;

  3. no tocante às almas de centenas de milhares de brasileiros, que não se beneficiariam de nosso apostolado.

Mas no plenário do Auditório e nas reuniões para os responsáveis do setor, não foi divulgado o parecer do Pe. Gutiérrez, nem as razões da suspensão das apresentações. Nas bases do JC correu que se tratava de uma imposição dos Provectos, movidos pela “inveja”.

(Cfr. Relatório do Sr. Ureta pp.37-39; fax dos Provectos ao Dr. Mário Navarro 6/8/96)


Isso posto, em concreto, o que aconteceu?


*


O insuspeito Isoldino José Quintão, encarregado da sede de Bahia, confirma o que acabamos de descrever:


Grafonema de Isoldino para o Sr. João Clá

Salvador, 30/8/96

(...) Não queria deixar passar a oportunidade sem fazer ao Sr. algumas comunicações a respeito da campanha 'Vinde Nossa Senhora de Fátima', aqui na Bahia.

Estamos sentindo no ar que a Estrutura está furiosa e preparando talvez alguma coisa contra nós.

Por exemplo, é bastante alto o número de pessoas visitadas ultimamente pelos nossos CCEE que se mostram mafiadas. (...) Uma pessoa chegou a dizer que o Cardeal D. Lucas está preparando uma pastoral condenando o movimento da TFP. (...) Outras pessoas (pelo menos 5) disseram que a Rádio Excelsior, da Arquidiocese, tem falado em várias ocasiões para os católicos não apoiarem esta campanha.





2. Papel do Padre Olavo (e provavelmente dos outros padres joanistas)


Carta do Pe. Olavo ao Sr. Marcos Garcia (22/9/98):


Atualmente eu tenho pública e privadamente desaconselhado a que se colabore com a Campanha 'Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis'.


A razão invocada pelo Padre joanista é que, segundo ele acha, nossa Campanha teria maior preocupação em captar recursos financeiros para as atividades gerais da TFP, do que em fazer apostolado em torno da mensagem de Fátima e da devoção a Nossa Senhora de Fátima. Isso constituiria um desvio dos objetivos indicados por Dr. Plinio para o "mailing".


*


A respeito dessa carta do padre Olavo --que obviamente conta com o "imprimatur" de JC--, cabe lembrar que, quase um ano atrás, o próprio JC reconheceu que, afirmar que o que a TFP visa com o mailing é conseguir dinheiro, é uma máfia; e que o homem que espalhou essa inverdade é sumamente repelente:


E vem um bispo como o de ontem dizer que a TFP passou a vender rosarinhos, imagens de Nossa Senhora de Fátima e fazendo a máfia de que nós nos transformamos de um movimento anticomunista a um movimento propagandista da devoção de Fátima para conseguir dinheiro.

Essa é a máfia feita por um homem da categoria daquele que nós vimos ontem, tão repelente quanto possa ser um homem.

(Cfr. "jour-le-jour" 29/6/97, parte I)





3. Papel dos coletores de donativos


No seguinte quadro estatístico do trabalho das duplas de coletores de donativos, o Leitor poderá ver, ao comparar as duas primeiras colunas, a notória diminuição da porcentagem de donativos mensais obtidos. Ao comparar as duas últimas colunas, perceberá a mesma diminuição, mas esta vez em termos da quantidade de dinheiro obtido cada dia.



DUPLA

% DM 1997

% DM 1998

VDM/Diario OTN

VDM/diário OTN

Acúrcio

47,1

17,9

10,90

3,30

A. Chaves

38,4

9,2

8,15

0,72

AFL

42,2


10,54


JN

40,4

13,1

8,70

2,31

Nakadate

44,1

18,9

12,63

3,44








% DM = ..... donativo mensal

VDM/diario OTN =

1 OTN = 12,95 reais


*


Mais ou menos a partir de julho de 1998, as duplas cessaram de coletar donativos para a TFP. Mas continuam visitando nossos doadores ...


*


Trecho do processo trabalhista movido por Acurcio Batista Torres, ex-coletor de donativos, 30/8/99, contra a TFP:


... o depoente estava vinculado à TFP de 1961 a meados de julho de 1998. (...) que por volta de um mês após sua saída da TFP julho de 1998, (...) que nessa Associação [Cultural Nossa Senhora de Fátima] o depoente às vezes realiza as mesmas atividades realizadas na reclamada [TFP].


*


Carta da Sra. Lahir Vano Demochi, de São José dos Campos, enviada à Redação do “Boletim Operário”, em maio de 1999:


Parece que tem gente fazendo campanha contra vocês. Meu filho esteve em Caraguatituba (?), foi até a Telesp pegar o número de um telefone e encontrou um rapaz bem vestido, mas sem jaqueta ou paletó, como vocês andam, e ouviu ele fazer várias ligações dizendo que era da Campanha de Nossa Senhora de Fátima, que precisava falar pessoalmente, pois algo muito sério e delicado estava acontecendo com vocês e que o doador precisava saber.

Esperei que chegasse alguma notícia pelo Informativo e vi que vocês estão firmes. Então deve ser alguma campanha contra vocês. Mas, então como eles conseguiram os endereços? ...

Continuem, que a Virgem Santíssima proteja e ajude a todos!





4. Papel da “Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima” (ACNSF) e da Revista “Dr. Plinio”


Resumo de documento elaborado pelo nosso advogado, Dr. Périssé, em 9/10/98:

(O trecho entre colchetes foi acrescentado por nós)


1. Desde janeiro de 1995 até 3 de fevereiro de 1998, o recebimento de coupons do mailing “Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis”, e a introdução dos dados que esses contivessem nos arquivos de computador que compõem o fichário da TFP, esteve a cargo da empresa denominada VIRGÍNIA RODRIGUES SERAIDARIAN - ME, com sede na cidade de Campinas.

No contrato de prestação de serviços firmado entre a TFP e VIRGÍNIA RODRIGUES SERAIDARIAN - ME, essa empresa assumiu a obrigação de:

a) Não passar para terceiros, sob qualquer forma ou pretexto, durante a vigência ou após a rescisão do contrato, nenhum tipo de dado ou de informação, sobretudo nomes e endereços, de que tenha tomado conhecimento em decorrência da execução desses serviços.

b) Não colocar em função nesses serviços, nem mesmo temporariamente, pessoa não credenciada previamente pela TFP.


2. VIRGÍNIA RODRIGUES SERAIDARIAN - ME é micro empresa de que é titular a própria D. VIRGÍNIA, casada com Hagop Seraidarian, antigo correspondente da TFP, residente em Campinas.

Ambas pessoas, junto com suas filhas Maria Virgínia e Maria Teresa, são sócios fundadores da ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOSSA SENHORA DE FÁTIMA.

Dos seis membros fundadores dessa ACNSF, quatro pertencem portanto à família de Seraidarian.

A sede da ACNSF está situada, precisamente, na residência de Seraidarian e de sua família, em Campinas --e que abrigava também a mencionada micro empresa.

O Presidente da ACNSF não é outro que Hagop Seraidarian.

3. João Clá e os dissidentes, vários meses antes da ação judicial que moveram contra a TFP, já estavam dando os primeiros passos --à sorrelfa, na sombra e silenciosamente-- para a constituição da ACNSF –-fundada em 23 de agosto de 1997.


4. Aos olhos do público, a ACNSF pretende assemelhar-se à TFP, confundir-se com ela, suplanta-la:


a) O parágrafo único do art. 1° do estatuto social dessa nova entidade diz o seguinte:

A Associação desenvolverá suas atividades inspirando-se nos ensinamentos do insigne líder católico e grande apóstolo da devoção mariana, Professor Plinio Corrêa de Oliveira, o qual baseou toda a sua vida e obra nos princípios do Evangelho --interpretados de acordo com o Magistério tradicional da Igreja-- e empregou todos os meios ao seu alcance para que a Mensagem de Fátima fosse conhecida, compreendida e seguida.

Ora, isso é um decalque do parágrafo primeiro do art. 1° do Estatuto da TFP.


b) Durante os primeiros meses de 1998, iniciou a ACNSF uma campanha de mailing, anunciando a venda de um livreto denominado “Fátima, Aurora do Terceiro Milênio”.

A simples comparação visual entre um exemplar do formulário desse mailing, e um de uso reiterado da TFP nos últimos anos, basta para não deixar dúvidas quanto à extrema semelhança, que outra finalidade não teria que a de levar destinatários a supor que estavam a contribuir para a campanha mantida pela TFP.

Do referido livreto --cujo “autor” é JC-- constam abundantes referências ao Fundador da TFP, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.

O tema do mailing da ACNSF é idêntico ao tema do mailing da TFP: a devoção a Nossa Senhora de Fátima.

Em lugar do nome ’Vinde Nossa Senhora de Fátima, não Tardeis’, a ACNSF utiliza o de ‘Salvai-me Rainha de Fátima’.

Esses folhetos de campanha, extremamente semelhantes em tudo aos da TFP, eram dirigidos para pessoas que recebiam habitualmente correspondências da TFP.

A melhor demonstração de que os formulários preparados e utilizados pela ACNSF prestam-se a propositada confusão com aqueles de há muito tempo em uso na TFP está no fato de que muitos destinatários dessas correspondências da ACNSF acabam dirigindo à TFP suas respostas de adesão à ACSNF, utilizando envelopes-resposta de campanhas movidas pela TFP.


5. Revista ‘Dr. Plinio’ - EDITORA RETORNAREIAinda na mesma linha de atuação --tomar espaços à TFP agindo sempre como se fosse TFP--, os dissidentes liderados por JC lançaram uma revista que se pretende concorrente de “Catolicismo”, e que faz-se intitular ‘DR. PLINIO’. Os seis primeiros números dessa revista mensal trazem na capa, sempre, uma fotografia do Fundador da TFP.

Essa revista, embora advirta não ser “órgão oficial nem oficioso da TFP”, traz em suas páginas notícias, artigos e fotografias da TFP.

Dr. Plinio’ anuncia-se como uma publicação de uma certa ‘Editora Retornarei Ltda.’, cujo sócio principal é Antônio Augusto Lisboa Miranda, um dos dissidentes sob as ordens de Clá.

Essa editora abriga em sua sede social, na Rua Diogo de Brito n° 41, parte das atividades de operação do banco de dados ou fichários de mailing utilizados pela ACNSF; e vem se servindo desses dados para a divulgação da mencionada revista.


6. Assédio e aliciamento de doadores – Danos causados, “modus operandi”

No início de julho de 1998, os dissidentes lançaram uma campanha direta de assédio aos doadores mensais da TFP, com o objetivo de obter que deixassem de contribuir para a TFP e transferissem seus donativos para a ACNSF.

Nessa época tinha a TFP cadastrados como doadores mensais 10.115 pessoas. No início do mês de agosto seguinte, a Sociedade tomou conhecimento do fato de que, de uma só vez, naqueles dias, 3.052 desses doadores cancelaram a contribuição. No início do mês de setembro, outros 1.598 doadores também deixaram de sê-lo.

Os danos causados são em rigor inestimáveis, porque a ação desenvolvida pelos agentes da ACNSF tem ferido a imagem da TFP em face de grande quantidade de pessoas que entregavam a esta última bem mais que um donativo mensal: prestavam solidariedade plena a uma linha de pensamento e de ação que consiste no motivo maior da existência da Sociedade. A esses danos à imagem, certamente gravíssimos, ajuntam-se outros, mais facilmente quantificáveis. A ação ilícita dos sediciosos causou uma redução na soma média dos donativos mensais equivalente a cerca de R$ 250.000,00.

Diante desse número extremamente elevado de cancelamentos, tratou a TFP de dirigir-se à totalidade dos doadores. Enviou-lhes um formulário, em que pedia que cada qual assinalasse uma das seguintes três alternativas: a) não fui procurado por ninguém; b) fui procurado mas não aceitei transferir minha contribuição para outra entidade congênere; e c) fui procurado e aceitei transferir minha contribuição para outra entidade. Nos dois últimos casos, pediu-se que se esclareça de que modo transcorreu a entrevista.

A análise das respostas dadas por aqueles que declaram haver recebido a visita, aceitando ou não a transferência, serve para formar um quadro bastante claro a respeito do modo de agir adotado pelos revoltados. Assim, quase todos os informantes que foram visitados asseveram ter sido procurados por uma dupla de propagandistas --precisamente o método de trabalho desde há muito empregado pela TFP. Acrescentam que se tratava das mesmas pessoas que os haviam procurado antes, em nome da TFP, para o fim de obter contribuições para essa Sociedade; por essa razão, tais visitantes eram recebidos sem qualquer reserva. Diversos dos relatos fazem referência ao traje característico dos cooperadores da TFP, e alguns mencionam o distintivo em forma de cruz, e que constitui insígnia usada por todos os sócios e cooperadores da TFP, no Brasil.

Vários desses informantes chegaram a declinar o nome das pessoas que os procuraram e que pediam a transferência das doações realizadas para a TFP para a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima. Assim, foram citados os nomes de: Acurcio Batista Torres, Ademir Benedito Ferreira da Luz, Wagner Silva, Aluisio César Assis, Antonio Chaves Sobrinho, David Lopes França, Edumar Aparecido Simões, Sidnei Militão dos Santos, Roberto Malta do Espírito Santo, Juarez Barbosa, Julio Cesar Piccoli, Roberto Hayashi, Ruy Coelho Maia.

Todos eles são cooperadores da TFP; vivem nas casas da TFP; integram o grupo de dissidentes liderados por JC; e são autores das ações judiciais movidas por JC contra a TFP.

Cabe observar que vários desses visitantes, apesar de moradores de sedes da TFP situadas em São Paulo, percorreram diversos Estados atrás de obter a transferência de doações, visitando doadores em todos os quadrantes do território nacional.

Não bastasse o fato de revestirem a aparência de cooperadores da TFP, utilizam eles, nesse trabalho de aliciamento, material também concebido para o fim de assemelhar-se ao da TFP. Assim, os formulários de contribuição para a ACNSF nada mais são que uma cópia servil do material utilizado para o mesmo fim pela TFP, desde há muito tempo. O formato é idêntico, a efígie de Nossa Senhora é semelhante, e colocada precisamente na mesma posição, no canto superior esquerdo do formulário, a diagramação e a fonte tipográfica são também muitíssimo semelhantes, e os dizeres (com a exceção inevitável dos nomes de cada uma das entidades) são rigorosamente os mesmos!.

Mas, de tudo o mais grave é a circunstância de que as duplas encarregadas de promover o aliciamento de doadores da TFP para a ACNSF utilizavam freqüentemente, nessa tarefa, de afirmações claramente inverídicas, desonestas. Dessas inverdades, há duas vertentes principais. Algumas consistiam em dizer que a ACNSF era simplesmente uma continuação da Campanha ‘Vinde Nossa Senhora de Fátima, Não Tardeis’, promovida pela TFP. Outras assoalhavam a falsidade de que os recursos obtidos pela campanha da TFP estavam a ser desviados por diretores, que estariam fundando um Banco. Para que se tenha um quadro mais claro dessas ‘técnicas de convencimento’, mencionam-se a seguir alguns casos ocorridos nessas visitas, tais como relatados por doadores mensais da TFP que responderam ao questionário acima referido, ou que se manifestaram espontaneamente por carta:


Carta do Sr. Osvaldo Luiz Marques:

Uma pessoa, mais precisamente um moço ainda jovem e muito educado, visitou-me no final do mês de julho, dizendo tratar-se de representante da Campanha “Vinde Nossa Senhora de Fátima”; que era necessário renovar a “autorização para débito em conta” pois a mesma tinha validade por apenas um ano; que a renovação se fazia necessária...


Carta de D. Aira F. Ludovice:

(...) Disse-me o seguinte: que a Campanha recebia uma estimativa de 200.000 cartas, e como havia atrazo por parte do Correio, a resposta seria desafogada por Campinas (...)


Carta de D. Maristela Polix Barbosa:

Ontem recebi as visitas que V. S. comenta na carta e como as orientações foram convincentes e que as pessoas me falaram que a entidade estava com uma sede aqui em Campinas e é mais perto de mim para contato...


Carta de D. Maria das Dores Silva Cardoso:

... conversou muito sobre a Campanha e sobre a dispersão de alguns membros desta em formar uma nova Associação, que a razão social da ‘Nossa Senhora de Fátima, não Tardeis’ iria passar para ‘Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima’, o que fez com que eu assinasse uma nova autorização em nome dessa nova associação...


Carta do Sr. José Ferreira:

... Eles disseram que a Campanha Vinde N. Senhora de Fátima mudaria para a Cidade de Campinas no interior de São Paulo ...


Carta de D. Maria de Fátima Costa Sousa:

... Eles disseram que a ‘Auxilior’ não existia mais e sim a ‘Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima’. Trouxeram um vídeo da Coroação de N. Sra. na Igreja da Consolação...



Carta de D. Terezinha de Almeida Silva:

Realmente estiveram dois moços vestido de asul com emblema no peito do Dr. Plinio (foto) no uniforme, falando que foi mudada a direção da campanha e o nome, confiei neles e fiz tudo que pediu (cancelar o donativo).


Carta de D. Geralda Coelho da Silva Vale:

Venho por meio desta fazer uma denúncia sobre dois senhores que estiveram em minha casa no dia 3 de abril, dizendo ser da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima. Usando o nome da Campanha Vinda Nossa Senhora de Fátima Não Tardeis. Até os seus vestuários, as medalhas, as estampas de N. Senhora de Fatima, terços e livros todos da Campanha Vinde N. S. de Fátima não tardeis. ( ... ) Outra coisa que fizeram que me preocupou foi me pedirem a carta que eu havia recebido da Campanha Vinde N.S. de Fatima não tardeis e levou dizendo que eu não precizava mais dela.


Carta de D. Maria Irene Camurça:

Recebi a visita dia 30/07 de dois rapazes dizendo, a princípio, que eram da TFP, depois vão dizendo que foram se decepcionando com os coordenadores da Campanha, que estão pedindo dinheiro demais a população e desviando p/ suas contas, e que já têem até um banco particular. Que hoje, dentro da TFP, formaram uma associação, que já conta com 1.500 rapazes. (...) Esses rapazes que me visitaram teem todos os meus dados, andam com um bloco da TFP de autorização de cancelamento de donativo, pedem que se faça na hora, esse cancelamento e já entregam o deles p/ se transferir a doação.


Carta do Sr. João Batista Salgado:

Estas pessoas me informaram que esta associação está visando lucros, inclusive foram expulsos desta associação, que não concordavam com essa decisão, que informaram também que está infiltrando nesta associação empresários que só visa lucros ...


Ademais desses casos exemplares, centenas de outros questionários, respondidos, dão idéia da amplitude do trabalho realizado pelos agentes da ACNSF para aliciar, muitas vezes mediante o emprego dos ardis referidos, pessoas que se haviam tornado doadores mensais para a TFP. Variações sobre os mesmos temas, refletem as ‘técnicas de convencimento’ empregadas. Uma das doadores chega a demonstrar medo ao verificar que os visitantes ao mesmo tempo em que pediam que as doações fossem transferidas para a nova associação, tinham conhecimento total das informações existentes no cadastro da TFP, relativamente ao doador, como por exemplo Banco, tipo e número da conta bancária, endereço, telefone, etc. [E Dona Marilia Rodrigues Alves, de Goiania conta: “Naquele momento, não sei como, sem poder dei o sim. (...) Me senti parece naquele momento ipnotizada”].


7. ACNSF e dissidentes da TFP - Ligação evidenteJá se verificou que a ACNSF é, formalmente, uma associação civil fundada em Campinas por seis pessoas físicas. Quatro dessas seis pessoas (inclusive o seu Presidente, Hagop Seraidarian) até o início deste ano prestavam serviços à TFP, precisamente no que concerne à alimentação do banco de dados, ou fichário, dos serviços de mailing. Era Seraidarian, ademais disso, um correspondente-esclarecedor da TFP. Instalada a dissidência já referida, Seraidarian e seus associados alinharam-se prontamente com esse grupo, sob a chefia de Clá.

No dia 13 de maio, a ACNSF fez realizar uma cerimônia na Igreja da Consolação, em São Paulo. Desse evento foram obtidas várias fotografias, nas quais surgem, inconfundíveis, as cores vivas das vestes cerimoniais utilizadas pela TFP --o hábito com a cruz de São Tiago. Envergam-nos diversos integrantes do grupo dissidente, dentre os quais aparece com relevo o chefe desse grupo, João Scognamiglio Clá Dias. As posições ocupadas por essas pessoas no arranjo da cerimônia --não se colocaram nos locais reservados aos fiéis, mas estavam todos postos no altar da Consolação, a conduzir as atividades-- não deixam dúvidas de que não eram ali espectadores, mas agentes, e --mais que isso-- condutores.

Clá e seu grupo de dissidentes da TFP e a ACNSF são uma e uma só coisa. Ou, melhor: a ACNSF nada mais é que um tênue véu associativo sob que se encobrem aqueles que não desejam aparecer à luz.Fato semelhante ocorreu em cerimônia promovida pela mesma ACNSF no Campo de Marte, em São Paulo. Desse cerimônia obteve a TFP fotografias, cujo exame revela a mesma extrema semelhança com atos da TFP.

Ainda recentemente, integrantes de uma dupla de cooperadores dissidentes --os Srs. Ademir Benedito Ferreira Luz e Freddy Enrique Gutierrez Cespedes-- que se dedicavam ao aliciamento de doadores da TFP para a ACNSF na cidade de Santos, envolveram-se numa ocorrência policial de que resultou a apreensão do veículo de que se utilizavam. No interior do veículo foram encontrados materiais de divulgação da TFP e da ACNSF, a fazer evidente, mais uma vez, que ACNSF e dissidentes da TFP são precisamente a mesma coisa --com a nota de que o produto desses esforços é desviado da TFP para essa mesma ACNSF. A TFP veio a tomar conhecimento do fato quando recebeu comunicação da repartição policial para que fosse reaver o veículo que estava registrado em seu nome.

Mas, mais que isso tudo, mais que as ligações de Hagop Seraidarian com a ACNSF e com a TFP, mais que as fotografias de Clá e seus liderados a conduzir a cerimônia da ACNSF, mais que a ocorrência policial citada, estão as reiteradas declarações dos tantos e tantos doadores da TFP, visitados por agentes da mesma ACNSF: repita-se que não hesitam esses declarantes em afirmar que aqueles que os procuravam para que desviassem sua contribuição da TFP para a ACNSF eram pessoas que se apresentavam como se apresentam as pessoas da TFP; e mais ainda, muitos eram os que, antes, os haviam procurado para obter donativos para a TFP.


8. O Banco de Dados da TFP e a ACNSF - SubtraçãoNão há nenhuma dúvida possível de que as campanhas promovidas pela ACNSF --sejam aquelas de mailing, sejam as visitas dirigidas ao contingente de doadores mensais da TFP-- têm como instrumento fundamental o fichário, a lista, o banco de dados, em suma, formado pela TFP ao longo de duas décadas, e que é propriedade da TFP.

Diz-se que não há nenhuma dúvida possível em face das razões seguintes:As campanhas têm sido dirigidas a um largo número de pessoas que constam do fichário da TFP, muitos dos quais ligados a essa.

  1. A ACNSF é entidade recentíssima, constituída há pouco mais de um ano, por um reduzido grupo de seis pessoas em Campinas; seria inverossímil supor que tivesse logrado formar, em tão pouco tempo, um fichário de nomes capaz de gerar campanhas de mailing como as que têm sido promovidas --e que têm como pressuposto necessário a existência de uma larga base de destinatários, que se contam às dezenas ou às centenas de milhares. Um dos textos de mailing da ACNSF, datado de junho de 1998, dizia que a campanha a que se referia, iniciada três meses antes, já contava mais de cinqüenta mil aderentes.

  2. Os sócios fundadores da ACNSF tinham amplo acesso ao banco de dados, por meio da micro empresa de VIRGINIA SERAIDARIAN que compunham diversos deles, e que prestava serviços à TFP precisamente no que concerne à alimentação desse banco de dados em registros magnéticos de computador. Note-se que a ACNSF funciona precisamente no endereço campineiro em que estava localizada a referida micro empresa.

  3. Outros integrantes do grupo dissidente de cooperadores da TFP, sob a chefia de Clá --especialmente aqueles que trabalhavam nas sedes do Japi e da Torre Angélica-- tinham amplo acesso ao fichário que compõe o banco de dados, facilmente copiável como é da natureza de programas e arquivos de computador.

  4. Em fevereiro do corrente ano, foi necessário desativar os serviços até então mantidos na Torre Angélica. A comunicação dessa ordem, emanada da Direção da TFP, fez-se no dia 3 daquele mês. Não sem alguma resistência, os dissidentes que ali trabalhavam tiveram de entregar à Direção da TFP os computadores de que se utilizavam, e que são de propriedade dessa última. Recebido o equipamento, em um dos principais computadores que funcionavam na sede da Torre Angélica, onde era controlado o serviço de coleta de donativos, mas onde em princípio nada era feito para o mailing de Nossa Senhora de Fátima, foram encontrados grandes arquivos --todos eles copiados dos fichários da TFP, com centenas de milhares de registros de nomes, com os respectivos dados, compactados em data de agosto de 1997, sob o nome ‘ FOIPCAMP’. Essa sigla, tudo indica, está a significar ‘foi para Campinas’ - ou seja, para a ASSOCIAÇÃO CULTURAL NOSSA SENHORA DE FÁTIMA, em CAMPINAS.

Junto a esses arquivos havia outros com formulários diagramados, todos cópias servis dos modelos que utiliza a TFP para a propulsão e a cobrança bancária de donativos mensais para a Associação de Campinas. Ou seja, cooperadores da TFP que trabalhavam na sede Torre Angélica ocupavam-se de fato de subtrair os fichários da TFP para a ACNSF de Campinas, copiando nomes, métodos e sistema de trabalho.

  1. A mais imediata e clara dessas evidências está no fato de haver a ACNSF remetido, como parte de uma de suas campanhas de mailing, uma correspondência dirigida ao Prof. PLINIO CORRÊA DE OLIVEIRA, o Fundador da TFP, falecido em 1995, e que ainda figura no fichário da TFP.


9. Conduta dos Agentes da ACNSF - QualificaçãoRessalte-se, por extremamente grave, que os agentes da ACNSF, os integrantes daquelas duplas de aliciamento, são todos --sem exceção de nenhum-- cooperadores da TFP, habitam em sedes da TFP, são por essa alimentados regularmente, e recebem, também da TFP, bolsas para despesas pessoais. Tiveram a seu dispor, durante longo tempo, veículos da TFP (que só ultimamente, e a instâncias quase judiciais dessa última, têm devolvido), equipamentos, etc. E, acima de tudo, tiveram acesso ao banco de dados, à lista de mailing, que subtraíram para o uso ilícito que se relatou. Tem sido esse o principal instrumento da ação de aliciamento de doadores que empreenderam contra a TFP. Ao lado de tudo isso, têm eles a aparência e o modus das pessoas da TFP; utilizam material em tudo idêntico ao da TFP; o tema que divulgam é também o mesmo que tradicionalmente, largamente, e já há muito tempo, divulga a TFP. A par disso tudo, valem-se muitas vezes dos ardis descritos acima, para fazer crer aos doadores que representam uma entidade ligada à TFP, que apenas terá mudado de nome, ou que terá sido organizada em Campinas por mera questão de conveniência --mas que é a mesma entidade para a qual anteriormente contribuíam. Quando não escolhem essas ‘técnicas’, utilizam-se de outras, em que a falsidade vem colorida com as tintas berrantes da difamação, quando não da calúnia. São as que dizem respeito a desvio de dinheiro, a formação de banco em que se teriam engajado diretores da TFP, e assim por diante. Escusado dizer que as acusações se fazem gratuitas, sem qualquer indício de especificação --para não falar em provas, porque parece que reclamar provas é pedir demais a quem acusa de tal modo vácuo e leviano. Nada. As acusações são assoalhadas assim, simplesmente assim; e com isso, e com a ajuda da desprevenção que caracteriza os espíritos de boa fé, obtém o desvio das doações, uma a uma, de casa em casa, caso a caso. Não se pejam, ainda, de utilizar uma circunstância e um nome para distorcer fatos e favorecer sua campanha delituosa: aproveitam-se do fato de o antigo Coordenador da Campanha ‘Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis’, o Cônego José Luiz Marinho Villac, haver deixado (por exclusivas razões de ordem prática, ligadas à sua condição sacerdotal) aquelas funções, para afirmar que esse prelado ter-se-ia afastado por motivo de divergências, e apoiaria os dissidentes. Assim afirmaram várias respostas aos questionários já referidos. A falsidade enorme dessa assertiva está declarada pelo próprio Cônego Villac, em que vai reposta a verdade.

Eis uma suma do procedimento dos agentes da ACNSF: Acolhidos e alimentados (no mais literal dos sentidos desses termos) pela TFP, e sem dela desligar-se, voltam-se contra a instituição que os abriga; valem-se dos meios que dela obtiveram (as listas de mailing, os equipamentos, os veículos, o know how). Copiam temáticas, textos e material gráfico. Apresentam-se como pessoas ligadas à TFP, distorcem a verdade sobre a natureza da instituição cujo nome propagam e sobre fatos e circunstâncias relativos à TFP. Difamam e caluniam seus dirigentes. Acrescente-se que o fizeram e o fazem acobertados pela liminar concedida pelo MM. Juiz de Direito da 3ª Vara Cível de São Paulo, que havia, nos autos das medidas cautelares referidas, determinado à TFP que mantivesse em seu âmbito esses ‘cooperadores’.




10. ACNSF, entidade parasita e contrafação

A linha de atuação da ACNSF, ao valer-se de agentes e de práticas tais, encontra caracterização perfeita na combinação de dois fenômenos descritos no campo da Biologia: mimetismo e parasitismo.

Mimetismo ocorre no tanto em que procura a ACNSF, por meio de seus agentes, do material que emprega, das técnicas de que se vale, imitar, no mais extremo sentido do verbo, a ação e a aparência da TFP, para fazer-se passar por TFP, e assim mais facilmente iludir os que habitualmente contribuem para campanhas da TFP e para a TFP diretamente. Não se trata de um combate em campo aberto, mas nas sombras do disfarce, da camuflagem, do propósito de confundir, de enganar, de iludir.

Parasitismo existe porque se vale a ACNSF de agentes abrigados e alimentados pela TFP; de veículos da TFP; e de equipamentos da TFP, de técnicas da TFP, de cópias de material da TFP e, principalmente, do fichário, do banco de dados da TFP, para atacar a TFP, para desviar da TFP a adesão espiritual que lhe prestam inúmeras pessoas, e as contribuições pecuniárias que essas habitualmente lhe aportam.

Está a ACNSF a drenar por todos os meios ilícitos já descritos a substância econômica que mantém operante a TFP, com vistas a tomar-lhe o lugar, a levá-la ao desaparecimento.


*


Informação de Dr. Plinio Xavier, 13/4/99:


Chegou carta de uma senhora - creio que de Barbacena - dizendo que foi procurada por dois rapazes que chegaram lá apresentando-se como da campanha Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis, para marcar visita da imagem na casa dela. E pediram um donativo de R$500,00 para a visita. Ela, ingenuamente, deu o dinheiro, marcou a visita, convidou as amigas e estava tudo pronto mas a imagem não chegava... e não chegou.

Ela dava, na mesma carta, o nome de outra senhora de Viçosa contando a mesma história, só que em vez de 500,00 eles pediram 350,00. Tudo o mais era igual. E ela escrevia indignada, naturalmente.

Os nossos, então, foram visitar essas senhoras, levando a Imagem e irão esclarecer a elas porque se dizem inteiramente desanimadas com tudo que foi feito.

Outro caso foi no norte do Paraná, parece que Londrina. Uma dupla de revoltosos apareceu numa sorveteria, tirou a imagem do carro, colocou-a sobre o balcão da sorveteria... pediram sorvete de graça... Pessoas que chegavam na sorveteria em trajes impróprios, ficavam incomodadas em ver ali a Imagem. A dona da sorveteria foi instada para que coroasse a imagem. Ela o fez, muito constrangida porque não sabia o que fazer. Depois telefonou ao Sr. Gil pedindo para que isso não se repetisse.


*


No 29/399 telefonou para a Fidei uma senhora de Belém do Pará, propagandista da campanha Nossa Senhora de Fátima. Dizia que uma "dupla da campanha" estava lá e queria visitá-la. A senhora achou algo estranho e telefonou para cá. Foi dito que não eram da campanha. Ela então disse que iria chamar a polícia. Dito e feito. Eles chegaram, se apresentaram como da "Campanha vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis" e começaram a explicar. Entrou a policia que estava aguardando na sala ao lado, pediu os documentos e explicações. Eles se atrapalharam e disseram que não eram mais da TFP porque houve eleição irregular que os colocou para fora... Tiveram de ir à Delegacia de Policia dar maiores explicações.


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Em abril de 1999, um propagandista de Fátima, do Rio de Janeiro, ligou para nossa sede, no período da manhã, para confirmar uma visita do Sr. Francisco Luzitano à sua casa, às 4 horas da tarde.

De nossa parte, ficamos surpreendidos, porque o Sr. Francisco Luzitano não tinha falado nada com esse senhor a respeito de visitá-lo.

Tratava-se de uma fraude dos joaninos. Um deles, de nome Ferronato, ligou para nosso propagandista de Fátima, apresentando-se como sendo o Sr. Francisco Luzitano e marcando uma entrevista na sua casa para as 4 horas da tarde.

Nessa hora, aguardavam na casa, o propagandista, o Sr. Francisco Luzitano e o Sr. João Carlos Luzitano. Aparecem os joaninos, embaixo do prédio, tocam a campainha, e se apresentam como “Francisco Luzitano”. Nosso propagandista ficou furioso, lhes deu um aperto e os mandou embora. De nossa parte, tiramos fotografias.





H. Sabotagem da difusão de um folheto sobre a medalha milagrosa


Resumo da defesa apresentada pelo nosso advogado, Dr. Périssé, em 17/11/98:


1. Em novembro de 1998, três eremitas de São Bento, invocando a condição de “membros da TFP”, propuseram contra esta uma medida cautelar de busca e apreensão, alegando que:


a) em 1988 "escreveram um texto e produziram um audiovisual sobre a Medalha Milagrosa, intitulado A Medalha Milagrosa revelada a Santa Catarina Labouré".

b) o referido texto teria sofrido adaptação por parte dos Requerentes, para ser publicado na edição nº 467, de 1989, da revista Catolicismo.

c) para os efeitos daquela publicação, os Requerentes dizem que "utilizaram o pseudônimo de Comissão de Estudos São Bento’, ao qual a revista teria acrescentado a locução ‘da TFP’.

e) os Requerentes teriam aperfeiçoado posteriormente o texto dessa obra já publicada, da qual teriam desse modo surgido duas outras versões;

f) "posteriormente, em 1998" [isto é, nove anos após a publicação do artigo em "Catolicismo"], os Requerentes fizeram registrar as três versões dos textos, acima referidas, na Fundação Biblioteca Nacional, "com o intuito de assegurar a autoria desse trabalho". O registro foi efetivado como de "obra inédita".

g) Tomaram conhecimento, em julho do corrente ano, de que a TFP vem-se utilizando, sem autorização, do trabalho de sua autoria, sob a forma de "um livrinho" que serve para divulgação da campanha "Vinde Nossa Senhora de Fátima, não tardeis", promovida pela TFP; e acrescentam que as tiragens dessa publicação são "impressionantes". Dizem mais que a publicação indica como procedência a publicação de "Catolicismo", de 1989, mas não refere a autoria dos Requerentes.


2. Com fundamento nessas afirmações, invocam em seu favor direitos autorais sobre o "livrinho" referido; afirmam que decorrem esses direitos da antiga Lei de Direitos Autorais, de modo que caracterizam a pretensa autoria como "em colaboração", e sob pseudônimo (Comissão de Estudos São Bento). Pedem, em conseqüência, duas ordens de tutelas cautelares: a busca e apreensão dos exemplares do "livrinho", e a proibição de que seja divulgado pela Requerida.


3. Não têm razão nenhuma os Requerentes. Nem se trata de obra "em colaboração", mas "coletiva", sob a orientação e sob o patrocínio da TFP - à qual pertencem os direitos autorais reclamados (Lei 5988/73, art. 15). Ademais, e evidentemente, o título "Comissão de Estudos São Bento" não constitui pseudônimo dos Autores, mas precisamente uma exteriorização do quanto se acaba de afirmar - obra patrocinada e dirigida pela TFP, cuja execução fora cometida a um grupo de sócios e cooperadores (não apenas os Requerentes, mas outros ainda) reunidos em comissão, que se fez órgão da TFP.


4. Para facilidade da exposição, inicia-se por mostrar que a elaboração de obras dessa espécie, e de outras correlatas, constitui uma das atividades fundamentais da TFP, conforme ao respectivo estatuto social.


5. A TFP, conforme ao art. 1º de seu Estatuto, é uma "associação civil de caráter cultural, cívico, filantrópico e beneficente, sem fins lucrativos e extrapartidária”.

O § 1º desse mesmo art. 1º define quais sejam os objetivos da Sociedade, nos termos seguintes: "A Sociedade visa defender e estimular, da forma mais ampla, a Tradição, a Família e a Propriedade Privada, pilares da civilização cristã no País, bem como, de modo geral, promover e animar a ordem temporal segundo os princípios do Evangelho, interpretados de acordo com o Magistério Tradicional da Igreja."

Definida no caput a natureza jurídica da entidade, fixados os seus objetivos no § 1º, cuida-se no § 2º de alinhar um elenco de atividades a cujo exercício se propõe a Sociedade na busca do cumprimento daqueles objetivos. Dentre essas atividades convém assinalar as previstas nas alíneas "e", "f" e "g", que interessam precisamente ao tema em causa:

"e) Preservar e promover a cultura, entendido esse termo não só como instrução, isto é, a posse de dados informativos nos diversos campos do saber humano - teológico, filosófico, jurídico, histórico, científico, artístico - mas também a análise e coordenação desses dados, para o mais amplo e objetivo conhecimento da realidade brasileira e mundial.

f) Promover obras ou atividades de formação e aprimoramento moral, intelectual, artístico e esportivo de crianças, jovens a adultos.

g) Realizar ou financiar a realização de pesquisas e estudos que, direta ou indiretamente, contribuam para alcançar os fins da Sociedade." (grifo na transcrição)

E finalmente, o § 3º desse mesmo artigo contém a explicitação de quais sejam os meios que se dispõe a empregar para a consecução das atividades referidas:

"§ 3º - A Sociedade recorrerá a todos os meios e técnicas de atuação legítima para alcançar seus objetivos, tais como:

b) contatos pessoais, reuniões e publicações;

c) difusão de livros, de objetos de devoção e de impressos;

Já a tratar da utilidade econômica de obras preparadas sob os seus auspícios, nos termos das regras citadas (e com zelo relativamente à natureza dessas obras), diz precisamente o caput e o § 1º do art. 4º do mesmo Estatuto:

Art. 4º - Os recursos sociais poderão provir de contribuições ou donativos de sócios, de doações, de testamentárias, de venda de livros, publicações, e objetos de qualquer natureza, de prestação de serviços, de frutos dos bens da própria Sociedade, e de receitas eventuais. Todos os resultados obtidos serão aplicados integralmente na manutenção e no desenvolvimento das atividades sociais previstas nos estatutos, não podendo a Sociedade, em caso algum, distribuir lucros, bonificações ou vantagens, aos membros do Diretório Nacional (arts. 8 e 17, § 2). § 1º - Os livros, publicações, objetos e serviços referidos neste artigo deverão, em si mesmos, e não apenas enquanto fonte de recursos, ser úteis à consecução dos objetivos sociais."

Todas essas atividades de natureza doutrinária e cultural (no amplo sentido em que as entende o Estatuto, como visto), nos seus variados aspectos, estão sujeitos à direção do Conselho Nacional (Estatuto, art. 5º, § 3º, in fine). É perfeitamente natural que assim seja, notadamente em face da natureza da Sociedade, que se define por uma linha de pensamento e ação claramente definidos, por cuja observância tem aquele órgão o dever de cuidar. Toda divulgação sob qualquer forma, como se compreende facilmente, haverá de estar voltada para a mesma linha doutrinária, sem desvios que a desnature como iniciativa da TFP.


6. Do exposto verifica-se claramente o quanto estão inseridas no amplo quadro das atividades da TFP aquelas de preparar um texto-base para uma exposição audio-visual; e ainda, aquelas de editar publicações destinadas à divulgação do ideário da entidade, e de temas a esse ideal correlatos, e também à auferição de recursos, cuja destinação única é a manutenção e o desenvolvimento das atividades sociais.


7. Mantém a TFP casas destinadas à moradia de seus sócios e cooperadores, que - em sua maioria - nelas vivem e se alimentam permanentemente. Ademais de teto e alimento, desfrutam ainda de serviços variados; e aqueles que necessitam recebem um pequeno estipêndio mensal, a título de bolsas de gastos pessoais. Nessas casas, ou em outros locais designados pela Sociedade, esses sócios e cooperadores prestam à TFP sua colaboração também constante, permanente, no curso dos trabalhos já referidos, em caráter declaradamente gratuito.

E de outro modo não poderia ser: a mantença dessas casas de moradia e alimentação, se representa aos olhos da Sociedade vantagens ponderáveis quanto aos modos de formação de seus sócios e cooperadores, assim como de disciplina das atividades que se desenvolvem em vista dos fins estatutários, constitui também um ônus considerável, que é preciso suportar com o uso de parte do quanto se pode arrecadar com a divulgação de campanhas e venda de livros e objetos (uns e outros úteis em si para a busca daqueles fins principais, como visto). Nesse sentido, os que auferem das vantagens mencionadas haverão de prestar sua colaboração plena nos trabalhos que se tenham de desenvolver. Desnecessário acentuar que essa colaboração é sempre espontânea, e sujeita a cessar a qualquer instante, por iniciativa de qualquer das pessoas envolvidas.

Nessa linha, os beneficiários de bolsas de gastos pessoais firmam documento em que se obrigam a prestar à Sociedade, em caráter permanente, colaboração no que seja necessário para a realização dos fins sociais. A colaboração se presta nesses termos de dedicação a um ideário, e como contrapartida de um abrigo no mais lato sentido que lhes dá a Sociedade.


8. Ora bem. Os Autores - todos os três - eram na época dos fatos (entre 1988 e 1989) sócios efetivos da TFP. Viviam numa das casas a que se fez referência, e que se denomina "Êremo de São Bento". Ali integravam, com diversos outros sócios e cooperadores também residentes, e ainda com outros habitantes de outras casas, um grupo de estudos e trabalhos, precisamente na linha de atividades que vieram explicadas acima. Dentre esses outros integrantes pode-se mencionar os nomes de Carlos Patrício Del Campo, José Carlos Sepúlveda da Fonseca e João Luiz Vidigal.

A esse grupo eram cometidas tarefas diversas, como a outros grupos também. Eram assim denominados apropriadamente de Comissões, como se explicou. A que interessa à lide tinha como tarefa preparar estudos sobre assuntos atinentes à TFP, e apresentá-los sob a forma de conferências, audiovisuais, artigos, opúsculos, etc. Estavam nessas atividades, como também ficou visto, sob a direção do Conselho Nacional, e - especialmente - do fundador e inspirador da Sociedade, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.


9. Pois bem. O trabalho sobre a Medalha Milagrosa estava inteiramente inserido no número de trabalhos que eram preparados no Êremo de São Bento para utilização na TFP e pela TFP, nos termos do quanto já se esclareceu.

Tratou-se de início, como afirma o libelo, de um texto que servia de apoio a uma exibição audiovisual. Em verdade, como o texto referido (fls. 22/53) deixa perceber claramente, era dirigido diretamente ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira - basta atentar para os diversos vocativos e as formas verbais na segunda pessoa do plural que pontilham aquelas páginas, desde as iniciais; e as referências a membros da Família do Fundador (D. Lucília, Dr. Antônio Gabriel).

Do audiovisual, um excerto veio a ser publicado em Catolicismo, no número 467l. Deixou porém de dizer que esse texto publicado viera à redação daquela Revista em "estado bruto" - vale dizer, na forma do que servira para a despretensiosa projeção do audiovisual. O trabalho de lapidação e condensação, que o fez passível de ser publicado em âmbito mais amplo que os auditórios do São Bento deveu-se ao Dr. Gregório Vivanco Lopes, na época redator de Catolicismo, e ao Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho, então - como hoje - Diretor daquela Revista. Verifica-se facilmente a assertiva, posto que não puderam apresentar os Requerentes nenhum "original" contemporâneo da versão que veio a ser publicada. O mais que têm para mostrar é o do audiovisual. Os papéis apresentados para a Fundação Biblioteca Nacional, impressos em equipamento moderno, datam certamente de 1998 ...

É bem esse -o do artigo- o texto que importa ao caso -porque esse o texto do "livrinho" relativamente ao qual se formulam pretensões, nestes autos.


10. Pois bem. Está visto que resultou, esse texto, daquele que servira para o audiovisual; e que contou com a participação de diversas pessoas do São Bento (e não apenas os três Requerentes), integrantes da referida Comissão, que o assina, e que agia na TFP e para a TFP; e que tomou a forma final depois de condensado e "polido" pelo Dr. Gregório Vivanco Lopes, sob a supervisão do Dr. Paulo Corrêa de Brito Filho.

No que concerne à assinatura, a que traz o artigo é a da Comissão de Estudos de São Bento, da TFP; porque a tal comissão era de fato parte da TFP (e não, nunca, um ente autônomo, terceiro estranho relativamente à Sociedade, e que pudesse ter com essa contratado; certamente não, porque a comissão era órgão da TFP, sediado em uma de suas casas, formado por pessoas que viviam inteiramente por conta da TFP, moravam e tinham alimentação por conta da TFP, recebiam da TFP bolsa para despesas pessoais. Davam à TFP o seu esforço de colaboração, do modo mais intenso que podiam, porque - ademais do suporte recebido - comungavam (ao menos supostamente) do ideário que anima a vida da instituição.

Nessa linha os três Requerentes (que, diga-se, desfrutam da situação descrita até hoje, embora em litígio com a entidade, aqui e alhures) firmaram (como firmavam todos os demais que viviam e vivem nessa situação e desfrutam daquelas vantagens) um compromisso que reza, na parte relevante (grifou-se):

"disponho-me a dar a essa Sociedade, em caráter permanente e com religiosa generosidade, a colaboração que ela solicitar (seja de oração, estudos, elaboração intelectual, divulgação de idéias e ideais, venda de publicações, campanhas de rua, atividades filantrópicas, serviços de escritório, e o mais de que eu for capaz) para a consecução de suas atividades estatutárias, (...)"

Um documento assim, como dito, foi firmado pelos Requerentes, cada qual de per si, como beneficiários de bolsas de gastos pessoais (ademais de moradia, alimentação, etc.). Juntam-se por ora os que se logrou localizar, assinados por Nelson Tadeu Costa e por Dustan Soares de Miranda Filho; mas é certo que José Afonso Sulzbach de Aguiar também firmou documento idêntico, porque bolsista era ele também.


11. Cabe notar que sequer o texto redigido no São Bento (o que serviu para apresentação em auditório) era original, no sentido pleno do termo; bem diversamente disso, está em boa parte fundado em trabalho publicado em fevereiro de 1988 no boletim "APERÇU" - órgão vinculado à TFP francesa. Com efeito:

a) O artigo de Aperçu apresenta uma relação da Medalha Milagrosa com acontecimentos revolucionários ocorridos na França. Ora, é precisamente essa a linha seguida no texto para o audiovisual, sobre que os Requerentes reclamam direitos. Inicia com Napoleão Bonaparte, refere-se à Revolução de 1830, à de 1848, à guerra Franco Prussiana, à comuna de Paris, em 1871.

O relacionamento entre a história da Medalha, e a vida de sua inspiradora, Santa Catarina de Labouré, não é comum sequer na França (como o texto de Aperçu faz notar). Notável, portanto, que os redatores do audiovisual tivessem por conta própria uma idêntica concepção daqueles fatos, e do eventual relacionamento que entre eles se possa estabelecer.


b) Toda chamada de primeira página de Aperçu destina-se a estabelecer uma relação entre as aparições de Fátima, e a Medalha Milagrosa. Outra vez, trata-se de tema pouco comum para os que tratam do assunto, como se pode intuir em face da distância cronológica e geográfica que separam as aparições, em 1917, em Portugal, e as visões de Santa Catarina, em meados do século anterior, na França. Ainda assim, o mesmo tema, sob o mesmo prisma, está no audiovisual ...


c) Aperçu enfrenta um problema delicado no que concerne ao tema da Medalha, e que diz respeito a uma apontada divergência entre a descrição feita por Santa Catarina Labouré relativamente ao modelo do que pretendia fosse cunhado, e aquele seguido pelo Padre Aladel quando fez com que efetivamente se cunhasse a Medalha. Diz o texto francês: "Mesmo se se pode lamentar essa liberdade tomada pelo Pe. Aladel, ela não nos deve perturbar. Pois é manifesto que a Medalha, tal qual ele a fez cunhar, foi abençoada pela Santíssima Virgem".

Compare-se esse trecho com parte do audiovisual: "Porém, se é lamentável esta simplificação feita pelo Pe. Aladel, em verdade ela não causa a menor perturbação: sobre a Medalha Milagrosa, tal qual o mundo inteiro hoje a conhece e venera, pousou a bênção de Nossa Senhora".

Não poderia ser mais clara a "coincidência"!


12. Mas, ainda fosse original o texto (ou ao menos tivesse citado a fonte de Aperçu, claramente utilizada); ainda fossem eles os únicos redatores (e certamente não o foram, nem o do audiovisual, e menos ainda a versão publicada em Catolicismo), e nem assim fariam jus os Requerentes aos direitos autorais, e à tutela que reclamam.


13. Pois que se trata, muito evidentemente, de obra patrocinada pela TFP, realizada sob os auspícios da TFP, sob a orientação da TFP, por seus órgãos estatutariamente competentes para tanto nos termos do Estatuto (art. 5º § 3º), como ficou demonstrado.

E mais: foi composta nos termos das finalidades estatutárias da TFP, sob mais de um sentido: divulgação de idéias e temas sobre que se interesse a Sociedade, e modo de auferir receita, quando fosse o caso.

E mais ainda: teve como redatores diversas pessoas (não apenas os Requerentes) que se obrigaram a uma colaboração intensa, generosa, plena; e que recebiam (e recebem da TFP) moradia, alimentação, remédios, e bolsa para despesas pessoais. Certamente que devem à TFP o tanto a que se obrigaram ...


14. Nesses termos, é bem evidente que não se trata, no caso, de "obra em colaboração", como afirma o libelo; mas, caracteristicamente, do que se intitula, no regime da Lei 9.610/98, de "obra coletiva", que assim se define:

"[obra] coletiva" - a criada por iniciativa, organização, e responsabilidade de uma pessoa física ou jurídica, que a publica sob seu nome ou marca e que é constituída pela participação de diferentes autores, cujas contribuições se fundem numa criação autônoma".

Tal a figura que se acha nos autos: obra patrocinada, dirigida, organizada, sob a responsabilidade da TFP, que a fez publicar sob seu nome em Catolicismo, há nove anos: para isso, precisamente, a referência expressa que fez constar a "Comissão de Estudos de São Bento, da TFP”, na conclusão do artigo.

Para que não pairem dúvidas sobre a responsabilidade pela inserção do artigo em Catolicismo, é preciso dizer que não se tratou de iniciativa da redação da Revista, entusiasmada pelas qualidades do texto do audiovisual (como fantasiosamente afirma um dos declarantes).

É bem simples demonstrar o quanto se afirma: basta dizer que, nos termos de convênio firmado entre a TFP e a Editora de Catolicismo, em 7 de janeiro de 1988, cabia à TFP fornecer à Revista a redação dos respectivos "textos, das legendas, dos títulos e do mais a ser divulgado" ( ... ), “coleta de notícias e informações, bem como de artigos, e execução de entrevistas, coleta de ilustrações, ... " e muito mais. Nada para estranhar, visto que as origens da Revista e da TFP são rigorosamente idênticos, e o Diretor do periódico é Diretor da TFP.

Logo, patente outra vez que a TFP fez inserir o artigo que fizera preparar, e fê-lo sob o seu nome (ou mais precisamente de um órgão seu, a Comissão de Estudos São Bento da TFP. Se é órgão da Sociedade, parte da Sociedade será, e não ente autônomo, terceiro em relação àquela, de modo pudesse invocar direitos contra o todo de que é parte. A TFP é um todo, uma pessoa jurídica única, uma associação, não uma federação ou - menos ainda - uma confederação.

Para derribar de uma vez por todas o argumento de que seria a referência à Comissão um pseudônimo dos Autores, basta acrescentar (se ainda é necessário acrescentar algo) que conta a revista Catolicismo, como todo periódico, com um livro de registro de pseudônimos; e desse livro não consta nenhuma referência à aludida Comissão.


15. Na época dos fatos (1988 e 1989) estava em vigor a Lei 5988/73, que - embora não empregue o termo "obra coletiva", prevê com precisão a hipótese em exame, no respectivo artigo 15, verbis:

"Quando se tratar de obra realizada por diferentes pessoas, mas organizada por empresa singular ou coletiva e em seu nome utilizada, a esta caberá sua autoria."

Aí estão presentes, outra vez, todos os elementos que definem a natureza jurídica do trabalho: obra realizada por pessoas diferentes, sob a responsabilidade e direção de um ente, que a utiliza em seu nome. É a TFP, a manter local para moradia e trabalho dos Requerentes, aos quais alimenta e presta bolsa para gastos pessoais, em troca de colaboração ampla nos trabalhos de divulgação já referidos. É a TFP a dirigir os trabalhos de Comissão de Estudos que mantém sob sua égide; é a TFP a fazer publicar em revista de cuja redação está encarregada o fruto (burilado) de um trabalho assim, sob o nome de TFP.

Em caso assim tão claro, está na regra citada a solução: pertencem os direitos autorais em causa à TFP. Adquiriu-os, nos termos da lei então vigente, desde o instante da criação dos textos; e essa aquisição externou-se mediante a publicação do artigo em Catolicismo.

Nesse sentido a lição de JOSÉ DE OLIVEIRA ASCENÇÃO. Comentando o instituto da obra coletiva no direito brasileiro, diz o consagrado mestre civilista português:

"II - As legislações admitem ou não a figura da obra coletiva. A lei alemã, por exemplo, não a prevê: o que para nós é obra coletiva é na Alemanha obra de colaboração. A empresa, se se quiser reservar direitos, terá de fazê-lo contratualmente.

Outra é a visão nos países latinos, e há que tirar todas as conseqüências da opção feita. A empresa é o verdadeiro titular do direito de autor. E titular originário.


16. Quanto ao registro perante a Biblioteca Nacional: ele não reflete mais que um ato unilateral dos Requerentes, que se dirigiram ao órgão e apresentaram um texto em três versões, invocando-lhes a autoria. Os efeitos não são mais que cartoriais, a fixar quando muito uma data. O fato é que autores não são, como se demonstrou.





I. Tramas dos agentes de JC na França


Grafonema do Sr. Anselmo para o Sr. Renato Vasconcelos:


Milano, 24/8/98:

Contou-me o Sr. Kenneth Drake que Rafael Ibarguren e Mario B. Varela estiveram na França conversando com o Abbé Begue e o convenceram a não celebrar mais para nós (...) Como o Sr. pode ver, os revoltosos, se pudessem, nos deixariam sem pão, sem teto e ... sem sacramentos. Esta é a benquerença que aspiram.


*


Depoimento de Dr. Caio, 4/2/99:


No dia 2 de dezembro do ano passado, nosso escritório em Paris recebeu um telefonema de um aderente da TFP de Toulouse, muito fiel a nós, que tinha sido procurado naquele dia pelos revoltosos. Foram visitá-lo, falaram muito mal de nós, do “Avenir”. Ele tinha pedido para não irem mas foram de qualquer jeito.

Procuramos no Minitel -uma Internet interna na França- e descobrimos que havia em Toulouse um tal Mário Beccar Varela, com telefone celular tal. (...)

[Nosso advogado foi a Toulouse], com os requerimentos e procurou o juiz. Ele alertou o juiz sobre tudo, explicou como os revoltosos fugiram do Jaglu às 10 e meia da noite de um domingo, num carro nosso. Trocaram de carro 20 quilômetros do Jaglu, entraram num carro vindo da Espanha para pegá-los, depois passaram um fax dizendo onde deixaram nosso carro... Uma história rocambolesca. Eles eram empregados. Foi abandono de emprego. Um deles era o encarregado de fazer os backups dos fichários ...

(...) Um dos nossos foi à Prefeitura local e conseguiu o registro da associação deles que chama Associação Nossa Senhora do Grand Retour. Romuald é presidente, uma senhora com nome espanhol é secretária, Leopoldo Werner é tesoureiro. Este Leopoldo tinha fugido um ano antes, abandonando o emprego.

Nosso advogado expôs tudo isso à juíza e pediu o que se chama "constituição de provas", ou seja, que o juiz conceda os meios para se obter provas e depois se possa montar o processo, se for o caso. Ele pedia que a sede deles fosse invadida por um oficial de justiça, um expert em informática, um chaveiro caso eles não quisessem abrir a porta e um oficial de polícia caso houvesse resistência.

(...) Dia 12 de janeiro o nosso advogado foi a Toulouse para acompanhar o trabalho. Ele não poderia ir junto, mas reuniu a todos. Chegaram, bateram a campainha, estavam Mário Beccar e Romuald. Abriram a porta, apresentaram os mandatos e começaram a verificar o material. Fizeram várias perguntas para responderem. Não tinham obrigação de responder mas responderam. Fizeram bem, porque do contrário seria pior.

Foi feita cópia do que havia no computador, em alguns disquetes. Havia pouca coisa dentro porque eles estão recém instalados lá. Tudo isso agora está com o juiz, e não sabemos ainda o que contém. Outros documentos recolhidos são interessantes e nos deram cópia: “fax urgente de MBV para Don Javier Gonzalez”: um pedido para mandar com urgência um atestado para registrar na França uma antena de Covadonga.

Há um pequeno rapport sobre a questão da Missa na França, duas páginas, "uma aplicação desta estranha doutrina (o parecer do cônego José Luís) a um caso concreto". Vem explicando toda a história em Chateau Gaillard, como comungávamos. Depois "novo escândalo" em Tymerais... e termina com uma ilegalidade canônica: "tendo o hábito de comungar todos os dias, os dirigentes da TFP e Avenir não hesitaram, para esse fim, em cometer uma ilegalidade canônica. Graças à colaboração de um padre amigo eles começaram a conservar o Santíssimo Sacramento no castelo do Jaglu e para evitar o olhar indiscreto das pessoas que poderiam denunciar essa irregularidade, um primeiro esconderijo foi arranjado num quarto. As sagradas hóstias eram guardadas num simples cofre forte metálico. Hoje está num pequeno tabernáculo".

Os Srs. vejam como vai ficando claro a intenção deles: destruir a TFP. O único interesse deles na França é nos destruir. Eles não querem outra coisa. Como também aqui no Brasil, nos tirar 350 mil reais por mês tem como única finalidade destruir a TFP. Sabemos que eles conseguiram para si apenas 15% dos donativos, mas não importa: querem nos destruir.

(...) Foi pego também um dossier - um rapport anônimo - sobre a TFP e Avenir. Está cheio de correções com a letra conhecida de MBV. Este mostra a tática deles e é extremamente interessante, podemos tomar providencias sobre isso. É perfeitamente vazio, tem só 5 páginas e meia. Vê-se bem nele a maldade.

Titulo é: “elementos para contribuir para uma enquete sobre as manobras escusas de Mr. Silveira”. Tem os seguintes subtítulos: "um chefe que timbra em ficar na sombra... o seu fim inconfessado: a procura sistemática de excedentes financeiros... as suas atividades lucrativas são proibidas... um “bom vivant” que sabe esconder suas despesas... as relações com o Instituto de Cristo-Rei ... uma irregularidade do ponto de vista da lei de informática... um plano de sobrevivência para o caso de uma intervenção do Poder Público".

[Dr. Caio leu todo o texto mostrando que nada tem de ilegal tudo quanto a TFP, “Avenir”, “Droit de Naitre” e outras instituições estão fazendo. É mera maldade para querer destruir - ou ao menos atrapalhar - a nossa ação na França. Estão sendo tomadas providências sobre o caso].





III. Tanto antes quanto depois do falecimento de Dr. Plinio: sabotagem do apostolado


Depoimento do Sr. Azeredo, 3/6/99:


Quando houve aquele congresso monarquista em Curitiba, JC fez uma máfia terrível que não queríamos aproximar os rapazes do Sr. Dr. Plínio. Éramos abordados aqui em SP e pressionados para levar os dois rapazes ao Jour le Jour. Fomos falar com o Sr. Dr. Plínio (Srs. Sepulveda, Simão Pedro e eu em 1992) e dissemos isso. Ele comentou que considerava o congresso uma graça insigne, que lembrava a ele os antigos congressos da TFP e que devia continuar.

Disse que notava em alguns na TFP uma profunda nota igualitária e que considerava um mistério essas pessoas, dentro da TFP, se manterem apegados a essa doutrina contra toda espécie de desigualdade. Militavam pelo igualitarismo. Dizia: "meu apostolado, em toda minha vida, foi de marcar o anti-igualitarismo na maneira de tratar, de por as pessoas em destaque, os que mereciam. Não era só os príncipes que todos viam que eu tratava de dar atenção especial, mas até um simples universitário que vinha de Curitiba, eu mencionava em primeiro lugar quando o via na SRM para dar a ele destaque. Eu fazia de propósito para esmagar o igualitarismo. Mas, no entanto, esse apostolado fracassou, eu não consegui que vencesse". Eu não lembro das palavras todas mas o essencial era isso.


(Sr. Armando Santos: o Sr. Dr. Plínio me disse que tinha "tentado de todas as formas fazer JC entender o tal enquanto tal mas ele se tem mostrado átono todas as vezes que abordo o assunto").


O Sr. Dr. Plínio nos pediu que procurássemos levar os planos dele para frente, sobretudo depois de um simpósio de nove reuniões que fez conosco, planos para fazer congressos com jovens tradicionalistas... ficou tudo parado. Não se realizou nada disso. Houve uma oposição frontal. O Sr. Dr. Plínio tinha dados todas as instruções de como realizar os trabalhos, todos os pormenores. Nada! Hoje, felizmente, está se conseguindo realizar por outras vias


(Sr. Sepulveda: lembro que o Sr. Dr. Plínio comentou depois: jamais dei um plano de apostolado para qualquer lugar do mundo nesta clave).


Era a clave do livro da Nobreza, do apostolado universitário. Nessa conversa do segundo andar ele nos pediu que não brigássemos com os futuros dissidentes porque ele esperava colocar a chave no parafuso e apertar, que até agora não tinha sido possível. E que, sem brigar, nós continuássemos a reunir os rapazes. Foi aí que chegou lá o Sr. Ibsen, foi posto fora da Sede e nos procurou. Ele propôs um boletim, eu apoiei, fizemos o "Arautos del Rei". A partir daí vieram as campanhas nas universidades e vieram centenas de nomes de rapazes que pedem contato.


*


Nos EEUU, por ocasião de um simpósio-retiro para apostolandos universitários, JC foi convidado para fazer uma reunião. Como o evento correu muito bem, JC comentou: “puxa! esse apostolado universitário está impressionante! Se eu não tivesse visto, não teria acreditado” (*).


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(*) Mas afirmou isso depois de 3 anos que o SDP vinha insistindo para tocar esse tipo de apostolado nos EEUU.

Quer dizer, apoiou aquilo, não porque o SDP queria, mas porque viu que disso podia tirar partido: ele podia fazer mais reuniões onde fosse muito aplaudido, os rapazes novos gostariam, etc.

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Posteriormente, numa reunião no Praesto Sum na qual esteve presente o Sr. Henrique Fragelli, JC disse: “olhe, estão falando muito sobre apostolado universitário, mas isso não pega. Querem ver que não funciona? Quem aqui no auditório é fruto de apostolado universitário?” E só se levantou uma pessoa. (Cfr. Depoimento do Sr. Thomas Mackenna, numa reunião nos EEUU, post 15/10/96).


*


Fita da reunião de JC em Paris, 21/1/96:


Nós temos que rezar muito pelo apostolado na França. Falando com o Sr. Romuald, ainda vou insistir com o Sr. Luc Berru, e vou aqui tronitroar como tronitroei na Espanha, os senhores viram eu quase berrar na Espanha, e que na Europa, antigamente já era assim, mas atualmente (...). Em Espanha eu tinha insistido inúmeras vezes de que era preciso fazer apostolado com CCEE para dali tirar os rapazes depois, como é feito nos Estados Unidos.

Nos Estados Unidos constituíram o único país onde o apostolado universitário deu certo, deu certo no que diz respeito a trazer gente, deu certo no que diz respeito a mostrar para nós como é uma bomba fazer apostolado com universitário, porque os universitários que entraram são uma bomba.

Aquele, espero que isso não chegue aos Estados Unidos, mas aquele Robert Powells ele é mais vazio do que uma garrafa que foi esvaziada por Ramsés II e nunca mais viu liquido nenhum. Ele é vazio.

Depois, aquele ... quem é um outro do apostolado universitário ali? Aquele Samuel Staford: boníssima pessoa.

Alguém dirá: Ah!!! Mas o Sr. esqueceu-se de um apostolado magnífico que foi feito na Colômbia! E que tem um jornal de 10 mil exemplares!

Eu peguei aquele rapaz que cuida do apostolado universitário na Colômbia --Sr. Gabriel Escobar--, o Sr. Gabriel nos fez um jornal-falado que eu tenho gravado, uma hora e meia de jornal falado. Em primeiro lugar, o jornal eles imprimem 10 mil cada 6 meses, duas tiragens ao ano, e depois distribuem em todas as universidades, mas em 5 anos de apostolado eles acabaram com o apostolado anterior, e se dedicaram só ao apostolado universitário. Em 5 anos eles só conseguiram 4 universitários. Um deles, boníssimo, com muito Tau: esse abandonou a família, a universidade e entrou para o eremo Praesto Sum. Mas então do que adiantou fazer apostolado universitário se o sujeito entrou para o eremo do Praesto Sum? Os outros 3 são um problema complicadíssimo, porque tem cada clichê maior que a cabeça e que ninguém tira.


(Aparte: O que é clichê?)


Diapositiva na cabeça, mas diapositiva errado, trocado, invertido assim, que o Sr. olha e vê a cara torta assim.

Então, conclusão: eles abandonaram esse apostolado, há um ano atrás, retomaram o apostolado anterior e já estão com um grupo de uns 20 ou 30 novos (1).

Mas este é o apostolado próprio à América do Sul, onde as famílias estão destroçadas. Não é o apostolado da Europa. O apostolado da Europa tem que ser à base da família, e eu dizia para os espanhóis: quando aparece um rapaz de muito Tau, abandonem o rapaz e peguem a família, e deite atenção de 60 ou 70% sobre a família, e 40 ou 20% sobre o rapaz, porque se a família for amiga o rapaz é nosso (2). Se não for, é um estrondo.


(Aparte: ........)


Isso no Canadá. E nos Estados Unidos é a mesma coisa. Não adianta na escolinha eles receberem rapazes cujos pais são contrários, não adianta.


(Aparte: sai outra “ecole Saint Benoit”).


Sai outra “ecole Saint Benoit”. De maneira que aqui nós precisamos rezar para que o movimento de “corresponsales”, correspondentes esclarecedores aumente.


(Aparte: ........)


Temos que rezar e conseguir isso aqui, porque se isto for feito, eu garanto aos senhores de que o Grupo cresce mesmo.

Só o Grupo dos Estados Unidos é constituído de quem? De pessoas que vieram de correspondentes. (...)

Eu acho um risco muito grande a gente conseguir um rapaz de bom Tau, que entre para a TFP francesa e cujos pais sejam contrários. É a ruína.


(Aparte: uma das caraterísticas das seitas é que fazem abordagem).


E eu acho que se nós conseguirmos mudar o sistema e começar a visitar famílias, e fazer amizade com as famílias, sem preocupação de trazer o rapaz, hein, e aumentar o número de famílias, e crescer de tal forma que a gente faça um encontro de famílias, e crie um embasamento familiar muito grande, nós crescemos no apostolado de uma forma que eles não podem pôr a mão de jeito nenhum.


(Aparte: ......)


(...) Por isso o SDP, no que diz respeito à Saúde, quer que se leve o assunto família numa precisão --o senhor é testemunha, o Sr. Gugelmin também-- , quer que se leve com uma precisão absoluta: caso de família nenhum nenhum nenhum.


(Aparte: ........)


(...)


Acho que na Inglaterra também hein, Sr. Philip: famílias, famílias, famílias. E tem bons “supporters” lá hein.


Comentários:

  1. Então, JC desprestigia o apostolado universitário na França, na Espanha, nos Estados Unidos e na Colômbia.

  2. Essa norma dada pelo pontífice para o apostolado na Europa --parece tratar-se de uma diretriz universal, pois provavelmente também a deve ter imposto para Estados Unidos, Canadá e Colômbia-- contradiz as normas de apostolado dadas por Dr. Plinio:

a) Simpósio dos Apóstolos Itinerantes, 4/1/1972:

(Aparte: Pergunto se as visitas de apóstolos de mais ou menos 30 e tantos anos a meninos de 14, nas atuais circunstâncias não dariam lugar a máffias?)

É preciso aqui não estabelecer uma regra geral. Que em principio o Sr. tem razão de recear máffia, é certo. Mas também é verdade que o Sr. teria razão de recear máffia sobretudo numa cidade que não seja muito grande, se o Sr. quiser receber meninos desses na sede e não se dar a conhecer às famílias em determinado momento. Porque é explicável que a família queira conhecer. Então começar por visitar a família, no seu caso concreto, realmente pode chamar muito a atenção. Mas a certa altura, se o menino manifestar desejo, se seus pais manifestarem desejo, o Sr. aceitar um convite para ir a casa, sim.

Mas esse apostolado de começar a ir em casa assim, só deve ser feito por gente bem mais moça, habitualmente, isso eu concordo com o Sr. Ainda mais hoje que nós estamos numa época de depravação de costumes horrenda e em que portanto a gente compreende que uma família, ainda que não seja de si maffiosa, tenha receios.


b) Reunião para apóstolos itinerantes, 8/11/73:

Ir à casa de um apostolando é só em última instância. Não é o meio normal do apostolado ir à casa. É um meio, vamos dizer, pela primeira vez conhecer, tratar, mas ir habitualmente à casa para ter uma conversinha, absolutamente não. O ponto de encontro é a sede. Ou então algum lugar na rua, um ponto qualquer, colégio, etc. A casa não, a casa não é ponto normal de fazer apostolado, nem de encontro.


c) Reunião para Apóstolos Itinerantes 9/9/77:

(Sr. Leo: O Sr. disse para não visitar as famílias neutras, apenas as favoráveis e simpáticas. O Sr. não poderia estabelecer a freqüência como que essas visitas deveriam ser feitas?)

As simpáticas deveria ser apenas o que eu chamaria visita de estaqueamento, para evitar de cair terreno. Portanto uma visita por ocasião de Natal, Ano Bom, em dia de semana (sábados e domingos não são dias bons para visita). Aí se compreende. Podendo levar uma lembrancinha, por menor que seja, umas flores, qualquer coisa, nada de flores megas, uma coisa que indique uma digna penúria e levar. Mais nada do que isso.

(Aparte: Por que o Sr. não quer que visite as famílias neutras ou indiferentes?)

A razão é a seguinte: a visita é extremamente arriscada quando uma família [é] neutra no sentido próprio da palavra, porque o Sr. talvez não [se] dê conta, mas uma visita dessas tanto pode dar bom resultado quando pode azedar uma situação. Porque uma família neutra receberá o Sr. sempre muito bem, mas depois, não é no dia, mas depois de amanhã o que é que ficou na cabeça deles de tal ou tal dito nosso? Ninguém sabe. Porque é um modo de ser e de pensar, e às vezes até de falar tão diferente do comum que é quase um outro mundo.

Às vezes até a família não diz nada, mas depois vai falar com o vigário e diz: "são muito intransigentes". Maffia contra nós.

De fato vão conversar com um de nós, um de nós diz: "tal coisa eu não gosto". Há muita gente hoje que não tem mais esse ar categórico. A única coisa que não gosta é que lhes tire dinheiro. Aí é categórico. O mais... Há muita gente assim hoje. O Sr. diz "tal coisa eu não gosto", arrepia o sujeito, não diz nada, ele sorri. Quando o vigário vai dizer que os Srs. são da Inquisição eles concordam.

Quer dizer, aonde há tanto risco de dar certo quanto de dar errado, a verdadeira sabedoria é não mexer.


*





Mas também no tocante ao apostolado com não-universitários, percebe-se a sabotagem joanina:


Numa reunião dos Núcleos de Periferia Urbana (Glavan, Queiroz, Celso Pedrosa), de 21/9/84, Dr. Plinio enumera os erros nos quais incorrem os apóstolos joaninos: encarnam um tipo humano igualitário, perpetuamente sorridente; atraem, não para a luta, mas para uma cooperativa de salvação de almas; aparentemente estimulam o fervor, mas na realidade o desviam e apagam. Nas sedes de apostolado em São Paulo, Joinville, Londrina, Belo Horizonte, etc., a atmosfera não é épica nem trágica, mas alegrota e prazenteira.


Os senhores estão habituados e por assim dizer viciados na idéia de que a pessoa só consegue algum resultado com outros apresentando-se meio de igual a igual e risonho. Fora disso não existe "captatio benevolentiae".

Quando os senhores tratam com [os apostolandos], procuram pôr-se no nível deles e numa atmosfera alegre, para ver se assim os atraem. Porque não chegam a se convencer de que, preparando-os para uma atmosfera épica e trágica, os senhores os preparam para servir à nossa Causa.

Os senhores que estão aqui não foram atraídos para cá pelo chamariz de uma atmosfera alegre e prazenteira. Isto é Democracia Cristã. Os senhores foram atraídos para cá pela seriedade, pelo épico de nossa luta. Mas não chegam a se convencer de que é assim que os senhores tem que atrair os outros. Em vez de entrar como quem tem que dar uma mensagem importante, quem tem que dizer coisas que vão pesar muito na balança, etc., etc., os senhores entram fazendo DC.

Sem querer, por falta de se capacitarem de seu papel, os senhores podem vir a ser a mão que apaga e a voz que adormece, que extingue o fogo.





IV. Intenções de fundo dos agentes de JC


Conversa entre a Madre Soror Maria Elena da Divina Sabedoria, OCIF, e Gustavo Campos:


Madre: Y cuando salga la sentencia del juicio, que pasará?


(GC: Pues nada Madre, seguiremos como estamos).


Madre: Ah, yo pensé que se unirian y que entonces se terminaria este problema.


(GC: No, porque nosostros estamos seguros que lo vamos a perder, pero para nosotros no tienen ninguna importancia unas leyes civiles).


(Cfr. Carta de Sor Maria Elena de la Divina Sabiduria a seu irmão, o Sr. Luis Criollo, Toledo, 6 de maio de 1998)


Se os joaninos estavam certos que iam perder o processo, então por que razão o abriram?

A pergunta é muito bem elucida por Joaquim Ribeiro, um dos assinantes do processo contra a TFP.

No dia 16/6/98, ele apareceu no êremo Nossa Senhora da Divina Providência e arrombou as portas da marcenaria, onde outrora trabalhava, para retirar uma série de coisas que afirmou serem de sua propriedade. Nessa ocasião houve um diálogo --gravado com o consentimento do interessado-- com o Sr. Afonso Faes:


Sr. Afonso Faes: ... Sr. Joaquim, não precisava ter arrombado. Podia pedir a chave. O Sr. não deveria ter arrombado.


(Joaquim Ribeiro: Eu construi com meu ... !)


Sr. Afonso Faes: O Sr. viu o bilhete aí? Está aqui oh, está aqui, apagaram, coloquei com computador: “procurar Sr. Afonso”. Não precisava ter arrombado.


(Joaquim Ribeiro: Eu construi com meu [dinheiro] ! Enquanto eu estiver aqui, eu posso fazer o que quiser!)


(...)


Sr. Afonso Faes: Agora o seguinte, o Sr. vê que o Sr. arrombou para entrar.


(Joaquim Ribeiro: Arrombei sim, arrombei. Aqui eu construi isto aqui, isto aqui era um favelão. Limpei tudo e construi com meu dinheiro!)


Sr. Afonso Faes: Mas o terreno de quem é? Do Sr. ou da TFP?


(Joaquim Ribeiro: Não interessa! (...). Nós estamos num processo! Os senhores tem que esperar o processo! Esperem o processo! Os senhores não sabem se vão ganhar esse processo ... (...) Eu podia ficar aqui até terminar o processo! (...)


Sr. Nilton: O Sr. trabalhou muito aí, não é? E ganhou bastante dinheiro ali, não é?


(Joaquim Ribeiro: 36 anos de trabalho na TFP! 36 anos que trabalhei para a TFP de graça).


Sr. Afonso Faes: Mas o Sr. não era idealista?


(Joaquim Ribeiro: Sim, era idealista).


Sr. Afonso Faes: Eu também, estou na TFP desde os 13 anos de idade.


(Joaquim Ribeiro: A TFP depois não pode votar a pessoa ...)


Sr. Afonso Faes: Não, ninguém está pondo os senhores para fora. Os senhores é que naturalmente estão indo, com a abertura do processo. Ninguém mandou os senhores embora. Os senhores estão indo porque vê que os senhores ...


(...)


(Joaquim Ribeiro: (...) Olha, se ficar com muita história, trago todas minhas coisas de volta, ouviu? Enquanto estiver o processo correndo, o Sr. não pode me botar para frente. Vamos ver quem ganha o processo. (...)


Sr. Afonso Faes: O Sr. vê que ninguém está perseguindo o Sr. O Sr. fez tudo aqui, oh, eu vi o Sr. várias vezes carregando kombi aqui, oh, encima, embaixo, nunca desci aqui para saber o que é que é. Primeiro, não estava na minha competência para isso. E o Sr. acha que não via o Sr. chegando às vezes com outro rapaz que não dava para reconhecer de onde era ... e vinha aqui para pegar material. O Sr. pensa que ninguém via lá de cima? Todo mundo via! E nunca falaram nada. Ninguém desconfiou do Sr., como o Sr. começou a falar de perseguição. Ninguém está perseguindo.


Quer dizer, os joaninos consideram que, enquanto o processo estiver correndo, podem fazer o que quiserem nas Sedes da TFP, dentro da maior impunidade. E quanto mais tempo demorar o processo, mais tempo eles terão para destruir a Instituição, sem que se lhes possa dizer nada.


*


Depoimento do Sr. Marcione Eduardo:


ENSDP, 5 de maio de 1999:

Meu irmão Marcos, que mora em Uberlandia, relatou um fato que aconteceu lá, mais ou menos um mês atrás, dizendo que os de JC estavam passando lá pela cidade. Passaram na rua onde ele mora e ele abordou a ele, conversou com eles e tal, disse que não estava entendendo nada do que estava acontecendo da divisão na TFP.

Aí um dos enjolrras que estavam lá na caravana disse que JC vai tentar falir a TFP, porque segundo o que ele diz os “fumaças”, os senhores Provectos, como eles não tem a vocação do SDP, uma coisa que foi passada para o J pelo próprio SDP, os senhores Provectos vão fechar a TFP, não vão agüentar a pressão, e depois o J vai restaurar a TFP em nome dele.








V. Eu vou destruir a obra de Dr. Plinio ...


"Jour-le-jour" 22/1/96:


No dia 6 de junho de 83, à tarde, (...) o Sr. Dr. Plinio recebeu o Valter de Oliveira no Segundo Andar, para receber da parte dele duas cartas: uma do mutuca e outra dele (...)

Ele jantou, conversamos sobre outras coisas. Eu estava transtornado:- Puxa, esse homem [Fedeli] vai agora destruir o Grupo e eu sou culpado.Me pegou um demônio, mas um demônio desses de categoria. Eu transtornado. O Sr. Dr. Plinio procurando fazer uma conversa a mais distensiva possível.

À noite, o pessoal que não sabia de nada... O Sr. Dr. Plinio foi fazer noa. Eu atravessado, não conseguindo comer direito. (...) Ele terminou o descanso e chamou ao Sr. Fernando Antúnez e a mim para nós lermos as cartas.

Mas nesse tempo uma pessoa chama o Sr. Dr. Plinio:

- Olha, está uma neblina magnífica!

Então, ele se levantou, foi ver a neblina, voltou. E eu... aquilo girando pela cabeça: "O que tem nessa carta? O que tem nessa carta?"

Quando eu li a carta, não foi que veio um demônio de fora. Eu senti um demônio que entrou assim pelo calcanhar e me tomou conta por dentro, e me transtornou. Eu fiquei perturbado que não dormi à noite. (...)

No dia seguinte, de manhã foi que ele leu a carta, dia 7 de junho. Leu a carta até a hora do almoço, conosco. Almoçou tratando de outros assuntos o mais distensivo possível e foi fazer sesta. Um dia frio. Deitou-se na cama com um cobertor branco que vinha até aqui, cobriu-se todo e eu fui para a cela de meu uso, transtornado. Eu estava com um demônio que me batia, me esmurrava. Era uma espécie de proclamação de um berro que o demônio dava:

- Você vai destruir o Grupo, você vai destruir a obra do Sr. Dr. Plinio, você é um monstro, você não estudou doutrina, você quis fazer essas reuniões todas com base pura e simplesmente nos fatos concretos. Você deveria ter estudado. Agora o Grupo vai ser destruído por você, você vai passar para a História como um homem que acabou com a obra do Sr. Dr. Plinio.

Eu, arrasado.

Às tantas [batem na porta]. Eu disse:- Ave!O Sr. Amadeu:- O Sr. Dr. Plinio está chamando o senhor.(...)- Meu filho, (...) Seu Senhor quis lhe chamar para dizer o seguinte: SS já tem solução para o caso. Mas mesmo se SS não tivesse solução para o caso.

Aí ele enfiou a mão esquerda para fora do cobertor e disse: “olhe para lá”. E apontou a foto da Sra. Da. Lucilia.- Você acha que mamãe ia nos abandonar nessa situação?

Eu sei dizer que não adiantou nada. Eu sei dizer que agradeci a ele, etc., e ele disse:

- Vamos rezar um Memorare por você.

Rezou um Memorare, etc. Eu saí do quarto, fui para a cela de meu uso, transtornado.

[Dias depois], quando nós chegamos de carro em frente à Alagoas, (...) desceu o Arnolfo, desceu o Sr. Gugelmin ou o Sr. Fernando Antúnez, e eu disse:

- Eu queria pedir perdão por toda culpa que tem nesse caso e pelo trabalho que está dando ao senhor.

Aí ele aproveitou e disse:

- Pois é, meu filho, nós podíamos ter agido de outra forma. Aliás, X. me contou que você fazia questão de que a Sagrada Imagem não estivesse nas cerimônias do São Bento e do Praesto Sum, porque atrapalhavam as cerimônias. Isto não é bom, não é de acordo com o meu espírito.

(...)

Me desmontou da cabeça aos pés (...) eu não me recompus. Eu à noite passei em claro, mas em claro, mais ou menos como uma lâmpada acesa.Quando eram 6:30 da manhã eu estava... [troca a fita.]... (...) Conversei 45 minutos com o Sr. Pilares, para poder distrair.

O Sr. Pilares, quando o Sr. Dr. Plinio o chamou de manhã para dar o jornal perguntou:

- Alguém telefonou?

- Sr. João telefonou às 6:30 da manhã, não conseguia dormir. Então ficamos conversando sobre o jornal.

- Me liga para o João.

Aí o Sr. Dr. Plinio veio ao telefone. (...) Ele dizendo:

- Meu filho, eu soube que você passou a noite em claro, por toda a preocupação que você está tendo. Tire isso da cabeça, meu filho.

- Senhor, mas eu tenho uma idéia clara, provada, concreta de que eu estou destruindo a obra do senhor, que eu vou destruir a obra do senhor.

- Não pense nisso. Você quer que eu lhe diga qual é a idéia que eu faço a seu respeito?

- Não adianta o senhor dizer. Estou com a idéia clara de que eu sou um destruidor da obra do senhor.

- Meu filho, você vai ser o bastão da minha velhice.

Para mim aquilo não significava nada. Uma pancadaria tremenda. Eu me sentia tomado por um demônio. Apanhei feito um cão.

Nessa perspectiva toda de angústia, de drama, eu fui para os Estados Unidos.


*


"Jour-le-jour" 10/2/96 - Referindo-se à prova pela qual passou na época do estrondo O. Fedeli e ao papel que desempenhou nesse crise, JC disse “au passant” o seguinte:


Nosso Senhor Jesus Cristo mesmo diz de si --é de São João isto-- "Eu sou o Bom Pastor, que dá sua vida por suas ovelhas. Eu as conheço e elas me conhecem". É lindíssima a imagem, porque eu já vi pastoreio, numa época difícil da minha vida, numa época em que eu me considerava --e com justa razão em boa parte-- eu me considerava um destruidor do Grupo e me via no meio de um drama espiritual tremendo.