O
Anticristo já veio?
I. Financiamento da mensagem contra o socialismo autogestionário: 80 kilos de ouro 1
II. Financiamento do álbum “Dona Lucilia” 2
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Reunião para veteranos, 6/6/96:
No começo de oitenta [Dr. Plinio] teve um sonho de quem estava num restaurante com um bar próximo, desses restaurantes que ele até comparava com o Casserole. Ele estava sentado numa mesa e perto assim tinha um bar com muitas garrafas. Ele descrevia as garrafas, descrevia o balcão, descrevia tudo. Tudo está gravado, está anotado.
Ele estava sentado aí e de repente a Sra. Da. Lucilia lhe apareceu com um sorriso enorme, mas com uma benquerença enorme.
Logo depois da Sra. Da. Lucilia, ele vê que pela mão ela vinha trazendo Da. Virgínia Tatton. A Da. Virgínia estava viva e Da. Virgínia vinha com duas pedras grandes, enormes, preciosas, nas mãos para entregar a ele.
Assim que ela ia entregar as pedras, ela ficava envelhecida, envelhecida, envelhecida, murchava, murchava, murchava, se desfazia e deixava as duas pedras.
Ora, acontece que ela, de fato, deixou nas mãos dele a mensagem, uma superpedra, porque foi através dela... Eu me lembro ainda até hoje ela me dando as chaves dos cofres para tirar todas as moedas de ouro que tinha dentro, e nós levamos nada mais nada menos da casa dela do que oitenta quilos de ouro.
Bonito fato, não é? [Risos]
Eu me lembro o Sr. Fragelli, a gente enfiando o ouro nas malas. Aventura do ouro, passando no aeroporto lá do Texas as malas com ouro que nós íamos levando nas mãos, não podia enfiar dentro do bagageiro. Então passando, porque tem que passar os metais. Eram umas mexicanas que estavam controlando o raio-X, então o Sr. Fragelli dando a volta, falando com as mexicanas em espanhol:
-- Olhe, cuidado, não diga nada que são moedas de ouro porque senão nós podemos ser assaltados.
-- Ah, pero cuantas, pero cuantas?
Lembro-me descendo no aeroporto X ali e a esposa do Sr. Fragelli esperando com um carro, porque os membros do Grupo não podiam saber dessa história toda, ninguém sabia de nada, enfiando no porta-mala do carro, depois indo para a sede, depois estudando como é que estava a queda do ouro, porque o ouro começou a cair. Lembro-me telefonando para a Suíça numa noite, porque eram seis horas de diferença. Às 3h da manhã nós telefonamos para um banco na Suíça, que era 9h da manhã e estava abrindo. Como o banco estava abrindo, ele estava com o preço ainda do dia anterior.
O ouro nos Estados Unidos já tinha tomado um tombo colossal. Então a idéia foi essa:
-- Vamos ligar para a Suíça, porque assim que o banco abre a gente fecha o negócio com o preço do dia anterior. Aí nós lucramos --mas lucrávamos assim centenas de milhares de dólares. Telefonamos para o banco da Suíça, demos o nome, dissemos que tínhamos tanto para vender, etc. Nós queríamos saber a que preço ele faria, que nós viajaríamos para lá com o ouro. Ele fechou o preço do dia anterior e eu disse:
-- Bem, amanhã às 9h da manhã nós estamos aí.
Pegamos o avião às 6h da tarde e fomos para a Suíça com todo o ouro, com oitenta quilos de ouro.
Milagre, porque nós nem sabíamos que tinha alfândega para ouro, nem tínhamos idéia. Cada um tinha três malas, para dividir quarenta quilos de ouro nós levamos três malas cada um, cheia de toalhas. Roupa para nós foi quase nada: [estava] cheia de tolhas e um pouco de jornal para sustentar o ouro.
Passamos na alfândega com as três malas, não fomos parados e nem nos demos conta. Quando nós chegamos no banco eles disseram:
-- Mas os senhores não foram apanhados para os impostos?!
-- Não, ninguém falou nada.
Eu sei que o imposto ia nos liquidar com todo o lucro.
Chegamos lá, pusemos as moedas todas numa mesa enorme que tinha ali, eles contaram, e nos deram um cheque que equivalia ao preço do ouro no dia retrasado ainda.
JC nunca prestou contas desse dinheiro.
Segundo depoimento verbal do Sr. Pierre, o custo do álbum foi 180 mil dólares.
Os eremitas de São Bento – Praesto Sum que o visitaram para lhe pedir um donativo para financiar a edição --de 3 mil exemplares--, lhe disseram que sua contribuição permitiria que os álbuns fossem distribuídos gratuitamente a todos os membros do Grupo. Então o Sr. Pierre doou 50 mil dólares.
Mas ficou desconcertado quando, tempo depois, soube que cada álbum estava sendo vendido pelos agentes de JC aos sócios e cooperadores da TFP ao preço de 250 dólares cada um.
Pelo que se conclui da documentação apresentada pela TFP à Justiça em julho de 1999, os dissidentes, para viabilizar o seu confronto com a direção da Entidade, não hesitaram em apropriar-se do patrimônio desta para financiar seus próprios interesses.
Utilizaram R$112.500,00 (cento e doze mil e quinhentos reais), de propriedade da TFP, para pagamento dos honorários dos advogados que contrataram para agir contra a TFP.
A seguir, uma explicação de como procederam os sediciosos:
As várias sedes, possuem, cada uma, provedoria de gastos para atender às suas despesas: alimentação, limpeza, higiene, transporte, etc.
Muitos sócios provedores eram autorizados a emitir cheques de contas pessoais, abertas para esse fim, para o que recebiam provisão de fundos.
No início de 1998, a contabilidade da TFP verificou um fato completamente anormal. No dia 18 de novembro de 1997, as sedes Praesto Sum, São Bento, Acies Ordinata e Nossa Senhora da Saúde, pagaram, cada uma delas, para o escritório de advocacia MANCUSI ADVOGADOS S/C, a quantia de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais). O valor total pago para esse escritório, somente neste dia 18 de novembro, foi de R$ 37.500,00 (trinta e sete mil e quinhentos reais). Esse escritório era completamente estranho à diretoria da TFP. Também não era comum que as sedes contratassem serviços de advogados.
Os recibos apresentados para a contabilidade citavam genericamente “honorários de assessoria jurídica”.
No mesmo mês de novembro, a diretoria da SBDTFP determinou que os cheques das contas das sedes, passassem a contar com a assinatura de pelo menos um diretor da Sociedade. Essa determinação vigorou a partir do dia 25 de novembro.
O desvio ocorrido no dia 18 de novembro ainda não era do conhecimento dos diretores que já temiam por algo neste sentido e, pela desconfiança, haviam tomado a cautela de exigir a assinatura de um dos diretores nos cheques emitidos.
Os dissidentes, então, diante da dificuldade criada pela diretoria, alteraram as condutas para a seqüência dos desvios. Os sócios provedores passaram a solicitar para a Sociedade adiantamentos para despesas, apontando falsas finalidades, que jamais mencionavam honorários de assessoria jurídica. Esse dinheiro, já nas mãos dos revoltosos, era repassado para o mesmo MANCUSI ADVOGADOS S/C.
No dia 05 de dezembro de 1997, Mario Sergio Sperche, recebeu do caixa da sede São Bento, um adiantamento para despesas, no valor de R$ 10.500,00 (dez mil e quinhentos reais), sendo que constava no bilhete de solicitação do adiantamento a finalidade “provedoria”. Era comum a solicitação de adiantamentos, não sendo exigida a demonstração antecipada e discriminada da despesa. Bastava a indicação da finalidade. A Sociedade forneceu o adiantamento pelo cheque no 4.157 do Bradesco. Com parte deste dinheiro, no dia 09 de dezembro, Mario Sergio Sperche pagou R$ 9.375,00 (nove mil trezentos e setenta e cinco reais) para o mesmo escritório de advocacia MANCUSI ADVOGADOS S/C.
Com esse novo procedimento, evitavam os réus dissidentes que os diretores da Sociedade, que agora assinavam os cheques das contas da Sociedade, tomassem ciência dos indevidos pagamentos para o escritório de advocacia.
O mesmo procedimento ocorreu no dia 08 de dezembro, quando Eduardo Frizzarini solicitou um adiantamento de despesas para a sede Acies Ordinata, apontando como finalidade “provedoria e reforma”. O valor solicitado foi de R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais). Recebendo o valor pleiteado, Frizzarini pagou, no mesmo dia 08 de dezembro, o valor de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais) para MANCUSI ADVOGADOS S/C, contra recibo firmado pelo escritório de advogados.
Em todos esses pagamentos a MANCUSI ADVOGADOS S/C emitiu recibos que traziam como referência “honorários de assessoria jurídica”. Tais recibos eram juntados com a prestação de contas do adiantamento, documento que era preparado posteriormente, onde se relacionavam os gastos relativos àquele adiantamento solicitado e concedido anteriormente.
Aumir Antonio Scomparin, nos dias 09 e 12 de dezembro, solicitou para a sede Praesto Sum, adiantamentos de R$ 4.700,00 (quatro mil e setecentos reais) e R$ 5.000,00 (cinco mil reais), valores esses que lhe foram passados pelos cheques 386.815 e 386.816, ambos do Banco Itaú. A finalidade apontada por Aumir na solicitação de adiantamento era “provedoria”. No dia 22 de dezembro de 1997, Aumir, com parte do dinheiro do adiantamento, pagou para MANCUSI ADVOGADOS S/C a quantia de R$ 9.375,00 (nove mil trezentos e setenta e cinco reais).
Nos dias 23, 26 e 29 de dezembro, Robson Emídio Paes, solicitou adiantamentos para despesas para a sede Nossa Senhora da Saúde, nos valores de R$ 1.500,00 (hum mil e quinhentos reais), R$ 4.000,00 (quatro mil reais) e R$ 4.000,00 (quatro mil reais) respectivamente. A finalidade apontada na solicitação dos três adiantamentos era “reserva de caixa”. Os valores foram repassados pela sede Nossa Senhora da Saúde, tendo sido depositados na conta conjunta que Robson mantinha com Ivan Carlos Ramires. Apesar do comprovante de depósito apenas apontar o nome deste último, na Polícia, os dois confirmaram que a conta corrente era conjunta. No dia 29 de dezembro foi efetuado pagamento para MANCUSI ADVOGADOS S/C, no valor de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais).
No dia 15 de janeiro de 1998, novamente Mario Sergio Sperche solicitou adiantamento para despesas no valor de R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais) da caixa da sede Praesto Sum. A finalidade apontada na solicitação era “provedoria”. A solicitação foi atendida tendo sido emitido o cheque 975.858 do Banco Itaú. A quantia de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais) foi repassada de Mario Sergio Sperche para MANCUSI ADVOGADOS S/C, no dia 21 de janeiro de 1998, como faz prova o recibo que foi apresentado na prestação de contas do referido adiantamento.
No dia 15 de janeiro de 1998, novamente Aumir Antonio Scomparin, solicitou um adiantamento para despesas no valor de R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais) para a caixa da sede São Bento. A finalidade apontada era “provedoria”. O valor solicitado foi repassado pelo cheque 4.198 do Bradesco. No dia 21 de janeiro, do valor adiantado, foram pagos R$ 9.375,00 (nove mil trezentos e setenta e cinco reais) para MANCUSI ADVOGADOS S/C, conforme faz prova o recibo que foi anexado à prestação de contas do referido adiantamento.
No dia 15 de janeiro de 1998, novamente Eduardo Frizzarini, solicitou adiantamento para despesas, no valor de R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), para a caixa da sede Acies Ordinata, apontando como finalidade “provedoria”. O valor foi repassado para Frizzarini pelo cheque 57 do Bradesco. De posse do numerário, Frizzarini, no dia 21 de janeiro, pagou a quantia de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais) para MANCUSI ADVOGADOS S/C, como faz prova o recibo juntado à prestação de contas do referido adiantamento.
Por fim, no dia 28 de janeiro de 1998, Robson Emidio Paes, solicitou um adiantamento para despesas para a caixa da sede Nossa Senhora da Saúde, no valor de R$ 9.400,00 (nove mil e quatrocentos reais), apontando como finalidade “reserva de caixa”. O dinheiro solicitado foi depositado na conta conjunta que o réu mantinha com Ivan Carlos Ramires. No dia 29 de janeiro, ambos pagaram para MANCUSI ADVOGADOS S/C a quantia de R$ 9.375,00 (nove mil, trezentos e setenta e cinco reais), como faz prova o recibo que foi juntado com a prestação de contas do adiantamento.
Em menos de três meses, de 18 de novembro a 29 de janeiro, foi pago para MANCUSI ADVOGADOS S/C a quantia de R$ 112.500,00 (cento e doze mil e quinhentos reais). Foram exatos 12 (doze) pagamentos no valor de R$ 9.375,00 (nove mil trezentos e setenta e cinco reais) cada um.
No dia 21 de novembro de 1997, foram ajuizadas duas ações cautelares contra a SBDTFP, sendo uma patrocinada pelo nomeado escritório da Família Alvim, e a segunda patrocinada pelo também prestigiado escritório de advocacia do Professor Irineu Strenger.
Todos os sócios provedores acima citados figuravam entre os muitos autores dessas cautelares.
O que merece destaque aqui são as datas em que ocorreram os desvios aqui noticiados e a data do ajuizamento das ações judiciais contra a SBDTFP. Os cheques primeiros foram depositados para o advogado Paulo Roberto Mancusi – tendo os recibos sido emitidos pelo escritório MANCUSI ADVOGADOS S/C – no dia 20 de novembro e as iniciais ajuizadas no dia 21 de novembro. Todos os pagamentos seguintes foram sendo efetuados periodicamente até o dia 29 de janeiro.
O advogado Paulo Roberto Mancusi, sócio da mancusi advogados s/c e que teve os primeiros cheques depositados em sua conta particular, é professor da Faculdade de Direito da Pontifícia Universidade Católica de São Paulo, integrante do Departamento de Processo Civil, departamento este que é liderado, há muitos anos, pela Família Alvim que também patrocinava o interesse dos réus em uma das ações ajuizadas.
Na noite de 1/5/99, isto é, horas depois de que os bens da TFP que estavam no prédio do êremo de São Bento foram restituídos à Instituição, o local onde funciona nosso mailing de Fátima foi arrombado por delinquentes especializados.
Eles conheciam perfeitamente o sistema de alarme, desarmando-o por completo.
Mas só roubaram os equipamentos de informática onde estavam nossos fichários. Não levaram talões de cheques nem cheques preenchidos, que entretanto estavam a seu alcance.
Segundo comentou um policial chamado a investigar o furto, o interesse dos assaltantes não era o dinheiro, mas os dados do fichário; e portanto, quem estava por detrás do crime, provavelmente era alguma entidade concorrente de nosso mailing ...
Certa vez, JC obsequiou a Dr. Plinio um relógio suíço, da marca mais tradicional. Dr. Plinio segurou o relógio, etc. depois que JC saiu disse para Dr. Eduardo: “me alegraria mais saber qual é a origem desse dinheiro do que o próprio relógio”.
De onde veio esse dinheiro? Como é que um homem que nunca teve nada, de repente dá de presente um relógio de 3, 4 mil dólares?