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O Anticristo já veio?


Capítulo 18 - Pressão, intimidação, ameaça


Capítulo 18 - Pressão, intimidação, ameaça 1

I. Sobre qualquer um que não se torne adepto de JC 1

A. Desde antes do falecimento de Dr. Plinio 1

B. Depois do falecimento de Dr. Plinio 6

1. No Norte Fluminense 6

2. Em São Paulo 10

3. No Rio Grande do Sul 15

4. No Exterior 15

II. Sobre a TFP Americana, suas autoridades e seus membros 16

A. O que está registrado em telefonemas, fax e cartas 16

B. O que achar do estado de espírito manifestado por JC nessas ocasiões? Ele procedeu assim movido pelo amor a Nossa Senhora? O que seus acólitos contam a respeito disso? 22

III. Sobre os diretores da TFP Brasileira 24


***



I. Sobre qualquer um que não se torne adepto de JC


A. Desde antes do falecimento de Dr. Plinio


Depoimento de Dr. Luiz, durante reunião nos EEUU, post 16/10/96:


O que JC fazia quando alguém fazia uma crítica a ele ou às coisas dele? Fazia a operação “Bangladesh”, quer dizer, mandava a pessoa a morar ou trabalhar num setor do qual não gostava. Era uma forma de JC reafirmar a segurança dele. Por aí ele criava uma falsa unanimidade em torno dele.

A autoridade de JC tinha um fundo inseguro e totalitarizante. Seu autoritarismo era persecutório --perseguia aqueles que não aderiam a ele.


*


O Sr. Reinaldo Ferreira Mota, narra que, depois de ter vivido 4 anos no êremo de S. Bento, saiu dessa Casa, não por iniciativa do SDP, mas de JC, porque “ousara não pagar o tributo de veneração ao senhor todo poderoso, como fazia a maioria dos outros (...) Havia um certo quê de minha parte que não participava do geral do Eremo em relação à pessoa do Sr. João Clá. O exagerado prestigio que lhe davam, e sair correndo atrás dele como quem vai atrás de um objeto encantando, nunca foi atitude minha. E às vezes percebia uma certa diferença no trato que me davam por causa dessa atitude assim um tanto mais distante”.

Após ter ido ao Eremo de Amparo, “a manifestação de sua pretendida onipotência não se fez tardar. Em breve eu veria todos aqueles com quem tinha convivido quer no Eremo de S. Bento, quer no Eremo Praesto Sum sob a autoridade do Sr. João, a não falarem comigo, e mesmo a darem-me as costas se a eles me dirigisse. (...) Quando não se paga ao Sr. João o tributo de veneração exigido nas entrelinhas e insinuações, o preço cobrado não é pequeno”.

[A atitude do SDP para comigo durante esse período foi] a mais paternal possível, contradizendo por via dos fatos à excomunhão que me era imposta”.

(Cfr. relatório do Sr. Reinaldo Ferreira, 24/11/97).

*


Relatório do Sr. Frederico Viotti, 30/10/98:


Em Dezembro de 1994, no primeiro dia das comemorações pelo aniversário do Sr. Dr. Plinio, estando este e.m. no pátio do auditório Na. Sra. Auxiliadora para assistir a cerimônia de recepção de capa e hábito, recebeu, por meio do Sr. Nelson Barretto (que chegou bastante aturdido), a ordem de se retirar imediatamente do Êremo.

Para maior dificuldade, o carro já estava completamente fechado por outros veículos que também tiveram que ser removidos para dar acesso à saída.

Soube, posteriormente, que o JC havia se negado a entrar no auditório sem que eu me retirasse.

Pelo que me foi dito, ele já havia tomado a posição de me afastar da TFP.

Dado a situação que se criou, o Sr. Nelson consultou o Dr. Plinio Xavier que, por sua vez, levou o caso ao Sr. Dr. Plinio.

Alguns dias depois, talvez 3 ou 4, o Dr. Plinio Xavier marca um almoço com este e.m. e com o Sr. Nelson.

Almoçamos no “Via Castelli”, ao lado do Oratório Na. Sra. Auxiliadora Vítima dos Terroristas.

O Sr. Dr. Plinio, segundo me contou o Dr. Plinio Xavier, autorizou que ele me contasse, em confiança, o que se segue, apesar de correr o risco de que isso chegasse aos ouvidos do JC.

Passo a narrar o que o Sr. Dr. Plinio pediu que o Dr. Plinio Xavier me transmitisse, sem, contudo, me ater às palavras exatas (que já não me recordo), mas ao sentido que me ficou na memória.

Primeiramente, o Sr. Dr. Plinio deixou claro que a posição do JC (de me afastar da TFP) não partiu dele (Sr. Dr. Plinio), mas devia-se, exclusivamente, ao JC. Infelizmente, o JC tem um temperamento um pouco difícil, meio espanhol e impulsivo, e resolveu que eu não deveria ser do grupo.

Segundo, se fosse o caso de eu me afastar da TFP, ele mesmo (Sr. Dr. Plinio) me avisaria. (Esta era uma provação pela qual eu passava -dada a situação criada pelo JC e a impressão de que queriam me afastar da TFP- e que eu não havia comunicado à absolutamente ninguém).

Terceiro, sendo o JC uma autoridade dentro da TFP, o Sr. Dr. Plinio não poderia (moralmente falando) desacreditá-lo em público e suspender a proibição de assistir à muitas das cerimônias de final de ano, que o JC havia me imposto.

Quarto, o Sr. Dr. Plinio iria conversar com o JC sobre o meu caso posteriormente (o que foi impossível, pois o JC viajou para os EUA e só voltou a ter contato com o Sr. Dr. Plinio quando ele já estava no hospital).

Quinto, sendo um fato que envolvia a autoridade do JC na TFP, o Dr. Plinio Xavier me pediu que guardasse reservas sobre isso (apenas o Sr. Nelson, por ter sido o meu apóstolo, estava também no almoço e tomava conhecimento do ocorrido).

No que me recordo, esses foram os pontos principais da conversa.

Pouco depois do início do caso dos EUA (ainda não era público), novamente eu pedi ao Dr. Plinio Xavier para receber a capa. Este me respondeu que era impossível, pois o JC estava inflexível sobre o meu caso e que os Provectos estavam evitando criar uma maior indisposição com o JC (sobretudo naquele momento e tendo em vista a união do Grupo)

(...) Até ter se configurado a separação e a traição do JC, este e.m. nunca comentou com ninguém o que me havia sido dito pelo Dr. Plinio Xavier (a mando do Sr. Dr. Plinio).

No resto, apenas devo agradecer à Santíssima Virgem a enorme misericórdia de ter sustentado na TFP este e.m. até o presente dia e, pelo que espero, até a hora de nossa morte.


*


Depoimento do Sr. Júlio Bonilla, 1/8/99:


Há um fato que me contou Cajeado, um jovem que viveu 5 anos na TFP, expulso em 1993 porque não engrenava no sistema criado então de entusiasmo fabricado. Disse que em SP, quando veio certa vez, tocou-lhe sentar-se perto de dois veteranos do Grupo. Depois foi castigado durante 30 dias sem que ninguém lhe dirigisse a palavra por causa disso.


*


JC compele os membros do Grupo a adquirirem seu modo de ser, e por aí quebra a inocência deles.


Palavras de Dr. Plinio, emitidas numa CSN e lidas por JC no "jour-le-jour" 22/8/97:


Eu acho que se alguém recebe graças da inocência primeva e adere a elas com toda a alma, o grande problema para essa pessoa não é de fazer carreira, de se deixar admirar pelos outros, etc. A pessoa pode ter, para isso tudo, um apego fenomenal, mas não é o grande problema. O grande problema é não ser compelido a ser de outra maneira. Essa é a questão. É, mais ainda, conseguir ser cada vez mais aquilo.


Ora, é precisamente nisso em que incorre JC. Por exemplo, ele compele os pressiona os cooperadores pouco vibráteis a mudarem seu modo de ser. Como? Primeiro disse que estão errados, depois disse que não, depois reitera a censura, e no final estimula um clima que os asfixie - "Jour-le-jour" 22/8/97:


Os senhores precisavam estar aqui na frente para ver a fisionomia de contentamento [NB: dos mais novos] quando há alguma coisa que, de fato, toca o fundo a alma deles: eles sorriem e se enchem de alegria. E o corpo todo parece que recebe um [gluco-energan]. É compreensível, é o modo de eles manifestarem!

Agora, modo errado é o sujeito ficar como se fosse uma espécie de paralelepípedo, a reunião inteira. Diz-se as coisas mais maravilhosas a respeito do Sr. Dr. Plinio, e ele está olhando como uma esfinge.

Alguém dirá: "É errado?" Não, pode ser um problema temperamental, um problema de feitio de espírito, mas não queira fazer com que todo o mundo seja assim também. Assim como os outros não querem que todo mundo diga "ó, fenomenal!", também não vamos fazer um auditório feito de paralelepípedos, porque não dá!


(...)


(Koury: No simpósio que nós fizemos agora, neste fim-de-semana passado, nós comentávamos uma reunião que o Sr. Dr. Plinio nos deu. Ele diz o seguinte: que união de alma com ele é ter uma adesão enlevada, entusiasmada e contente como o modo de ser dele. Isso é união de alma: ele fala em elevado, entusiasmado e contente com o modo de ser dele.)


Perfeito, perfeito. Então, senhores, tenham enlevo, tenham entusiasmo, e tenham contentamento com o texto que os senhores vão receber agora. Bem, vamos avante.


*


Depoimento do Sr. Edson Neves, setembro de 1998:


Todo mundo que convive com ele [JC], com o tempo entra num ambiente, num modo de ser das coisas, que ou se adapta e fica uma pessoa dissimulada e “esperta”, ou apanha e não sabe de onde está vindo a pancada, desespera e vai embora, [apostata]. (...)

Houve uma vez que um rapaz entrou em crise, aliás, um dos que estavam em Belo Horizonte com problemas de nervos, ligados a problema de relacionamento com o João, era o ...... E depois o Sr. ......

Bom, um dia pouco antes da morte do Dr. Ireno (?), em ‘78 mais ou menos, eu fui levar o Sr. ......., o Sr. ......... levou duas fitas gravadas de Dr. Plinio, de 40 minutos, para o Dr. Ireno ouvir. O Dr. Ireno já nessa época já tinha dado mostras que gostava de Dr. Plinio e sobretudo Dr. Plinio estava gostando dele, tinha confiança nele (...).

Eu ouvi as fitas, Dr. Plinio explicava toda a mentalidade do Sr. .........., por que estava em crise nervosa, insegurança. Dr. Plinio explicava ao Dr. Ireno: Dr. Ireno, nosso amigo, o Sr. .......... vai aí falar com você, tenho muito gosto em lhe mandar essa fita, (...) o problema de nosso amigo é muito simples (...). A coisa do fundo do Sr. .......... é que ele sendo oriental, viveu toda a infância num bairro no meio de imigrantes italianos; ele entrou para a TFP e viveu no meio de italianos, alemães, --no fundo de ocidentais. E ele, pressionado pelo ambiente, para não ficar mal, sempre procurou passar por ocidental. A maneira de ver, exclamar e falar, para ficar bem perante os outros, porque o ambiente cobrava isso dele. Acontece que é Deus fez a ele diferente dos ocidentais, e com qualidades superiores que a maioria dos ocidentais não tem: um espírito mais contemplativo, etc.

Quando o Dr. Ireno acabou de ouvir a primeira fita, virou para o Sr. .......... e para mim e disse: olha, se eu tivesse ouvido essa fita ontem de manhã, à tarde eu teria salvado uma freira da apostasia, porque agora mais do que nunca vejo que Dr. Plinio é um santo. (...) [Era uma freira japonezinha noviça, que vivia num convento de freiras italianas e alemãs].


*


Relato do Sr. Abel de Oliveira Campos Filho, 20/9/99:


O que vou narrar está muito esfumaçado da memória no que toca ao acidental, mas não no essencial. (...)

Na primeira metade da década de 80 (ano 82-83?), deu um prurido de "radicalização" soprado pelo J. no São Bento, pelo qual ele estabeleceu um regime esticado de "arbitrariedades".

A norma era contrariar os eremitas em tudo: se um queria, por propensão, aprender harmônio, era mandado para a cozinha. Se gostasse de jardim, ia lavar o pátio. Se gostasse de lavar o pátio, ia fazer horas de estudo. Isto sem contar as penitências brutais por qualquer coisinha. A mais suave delas era rolar um paralepípedo naquela subida ingrime do São Bento, 10, 15, 30 vezes, ida e volta.

Ele mesmo, o J., contou que um eremita estava tão tentado com esse regime que passou um bilhete (ou falou com ele, não me lembro) que já não aguentava nem olhar para o ED, que lhe dava vontade de matá-lo. O J. nada melhor achou para fazer do que, no capítulo seguinte, dizer de público o que o eremita tinha dito e aplicar-lhe uma penitência pesada de que não me lembro mais qual foi.

Se não me falha a memória, numa reunião para os camaldulenses de Jasna Gora (ou terá sido em fita de JxJ ouvida pelos camaldulenses?), o J. se vangloriava de o S. Bento estar vivendo esse regime "novo", e dizia num daqueles surtos de otimismo fátuo dele: "Se esse regime continuar assim por mais tempo, vamos chegar rapidamente ao Grand Retour".

Tempos depois (não me lembro se foi o próprio J. quem comentou, ou se ouvi de terceiros o comentário), o Senhor Doutor Plinio o chamou e disse que não era assim que se faziam as coisas. Que, pelo contrário, ele deveria procurar ver os pendores bons de cada eremita e incentivá-los a desenvolverem-se naquela linha, e não sistematicamente contrariá-la. Que, como estava sendo tocada a coisa, ele despersonalizaria os eremitas e no máximo conseguiria uma obediência robotizada.


B. Depois do falecimento de Dr. Plinio


1. No Norte Fluminense


Carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97:


A “graça nova” quis ser implantada pela insistência e pressão vinda das bases. As pessoas ficavam como que obrigadas a aderir, sob pena de serem taxadas de ‘fumaça preta’, ‘sabugos’, ficando excluídas, estranhas na casa de nosso Pai comum. Percebia-se na origem dessa pressão uma central com um sistema de informação, controle, delação, difamação e exaltação --conforme for a atitude que o paciente tome.

No norte fluminense, os reticentes num primeiro momento eram designados como pessoal da “graça velha’. Daí passaram a ser conhecidos como ‘fumaça’. Depois ‘difamadores’, ‘traidores’, ‘caluniadores’, ‘subversivos da autoridade’, ‘possessos’, ‘demônios’. Os padres joaninos chegaram a ameaçar suspender de dar a comunhão.


*


Carta do Pe. David a Dr. Caio (3/2/97):


O Sr. João Clá colocou à frente dos correspondentes o Sr. Hailton, que fez um enorme mal para nossa região, provocando uma verdadeira divisão e um verdadeiro partido dentro da TFP. Ele recebia toda orientação e documentação do Sr. André Dantas e do Sr. João. (...) Nunca vi um trabalho tão bem feito de máfias, de pressão, de agitação e incompreensão, tudo em nome da ‘graça nova’, da benquerença (sic!), dando a ela um sentido que o SDP não deu, pois quem não seguisse o Sr. João com um entusiasmo que não admite objeção nem perguntas, não o acatasse como sucessor (eles preferem dizer continuador, discípulo perfeito, padrinho) não estava de bom espírito, era simplesmente tachado de ‘fumaça’ com tudo que essa palavra tem de pejorativo, causando enorme aflição naqueles que discordavam.


*


Carta do Pe. David aos Padres Olavo, Antônio e Gervásio, 6/6/97:


Todos os que [na região de Campos] começavam a ter perplexidades, mas que permaneciam num respeitoso silêncio, foram isolados, perseguidos, pressionados, incompreendidos e injustamente caluniados. Estabeleceu-se um verdadeiro clima de pressão e terror para desacreditar estas pessoas e obrigá-las a tomar posição favorável ao que eles chamam de “graça nova”.

Uma das vitimas dessa perseguição incruenta fui eu mesmo, pois os próprios fiéis de minha capela foram objeto de uma campanha sistemática de descrédito de minha pessoa.

*


Carta do Pe. David de 25/3/96:


[Recebi] uma saraivada para me desmoralizar e uma pressão muito intensa para calar-me e jogar-me no total descrédito. (...) O outro lado o que dizia? Começou a espalhar boatos e calunias contra mim, como fumaça preta, vendido ao grupos dos EEUU, estava com as faculdades mentais abaladas. Criou-se um gelo ao meu redor e a todos que seguiam minha orientação. (...) Eis os argumentos deles: louco, vendido, desejoso de abraçar há muito tempo o progressivo.


*


Carta do Pe. David aos Padres Olavo, Antônio e Gervásio, 6/6/97:


Apareceu certa noite, o Revmo. Pe. Antônio trazendo uma carta pronta de apoio ostensivo ao Sr. JC. Fiz ver a ele que, no momento, era inoportuna, não podendo decidir precipitadamente. (...) Procurei entrar em contato também com o Sr. JC, manifestando-lhe minha estranheza pela carta que recebi já feita e apenas para ser assinada. Critiquei a carta que me foi apresentada pelo Pe. Antônio, mas ele discordando, pediu que não a criticasse e insistiu para que eu escrevesse uma outra eximindo-o da responsabilidade de tudo o que se passou aqui e no Norte Fluminense. Eu pensava que fosse um dos Senhores [isto é, um dos Padres de Campos pró JC] que a tivesse feito, mas qual não foi a minha surpresa ao saber mais tarde, que a carta tinha sido feita no S. Bento!


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Carta do Sr. Ricardo Ribeiro Freitas a Dr. Eduardo (21/3/97):


Para ilustrar [o estado de espírito de muitos correspondentes no Norte Fluminense] conto um fato. Estive em Tocos com aquela mesma senhora que já relatei; ela disse que vai colocar uma foto do Sr. João Clá na parede e quem for contra ela vai degolar a cabeça.


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Carta dos Srs. Ghioto e Cardoso a Dr. Caio, 2/4/97:


O Sr. Freitas, que teve uma discussão com o Pe. Olavo, e faz apostolado com os enjolrras, recebeu recado de uma senhora correspondente, que caso volte em Miracema, ninguém se responsabilizará pela sua integridade física.


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Carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.19:


[No final de outubro de 1996], as coisas estavam fervendo ai por Cardoso [Moreira]. O Sr. Coutinho fazia reuniões colocando o Sr. João Clá nas alturas. Algumas pessoas o contestavam. Disseram-me que um dia ouviram-no falando alto: ‘maldito, maldito, maldito seja quem for contra o Sr. João Clá!


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Relatório do Sr. Ernesto da Silva Filho (citado em carta do Sr. Fábio Cardoso a Dr. Eduardo, 19/7/97):


O Pe. Gervásio comentou com minha mãe que, quem não aceitar o Sr. João Clá é um Judas.


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Dona Mariângela (correspondente do Norte Fluminense) é severamente censurada por José Coutinho, em carta do 19/7/97:


A senhora está tomando visivelmente a posição que certa parte dos anjos tomou no céu. Na prova dos anjos, alguns se revoltaram absolutamente contra Deus e foram precipitados no inferno. (...) Outros não se revoltaram contra Deus diretamente, não O odiaram em princípio, mas não tomaram uma posição militante e de guerra contra os demônios. São os anjos terceira força, (...) vagueiam pelos ares, expulsos do céu, preparando o campo para os demônios do inferno tentarem as almas, infestam os ares e serão precipitados no inferno no fim do mundo.

A senhora [está tomando] essa posição em relação ao caso do Sr. João. Não rompe com ele, o admira até, mas não se indigna com os seus inimigos e vive em paz com eles. Não toma posição de luta. (...) Isso é típico da terceira força. (...) O terceira força tem toda espécie de ingenuidade em relação aos maus (...).

[A senhora], mesmo que se mantenha nessa posição, não poderá ser colocada no número dos bons (...) desde que não lute para voltar atrás, mas lute com energia, energia proporcionada ao grau de perigo em que está. Se lutar, receberá graças e poderá se salvar. Se não lutar e morrer nessa posição, terá a sorte que a Escritura diz: será vomitada pela boca de Deus e o seu fim será o dos demônios terceira força.


*


Trechos de dois “Cânticos em louvor aos nossos santos fundadores e ao seu filho mui querido, nosso padrinho João Clá Dias”, de autoria de Laura Barreto de Almeida, de 15 anos de idade:


Afilhadas de todos os cantos

reconhecei este santo [JC],

ele tem a espada da luz,

que a vitória a todos conduz.

(...)

Essa espada de pureza

Voarão muitas cabeças

Daqueles que invejam

A grandeza do nosso padrinho.

(...)

A fumaça quer atrapalhar

esta benquerença

que nos tras o Sr. João Clá

com sua presença

(...)

maldição ... maldição ...

para fumaça maldição ...


Há também outras musiquinhas, de autor anônimo, com versos como estes:


- Um tiro de bazuca na nuca do mutuca.

- Quem não aderir à sempre-viva, vai ficar em carne viva.

(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.4).


*


Carta do Pe. David Francisquini aos Pes. Olavo, Antônio e Gervásio, 6/6/97:


Muitas pessoas cedem à tentação de procurar a benevolência de certos superiores “informando-lhes” de hipotéticas conspirações contra eles e recebendo em troca alguma promoção. (...) [O SDP] jamais utilizou um tal sistema como meio de arregimentar, dominar e controlar a seus discípulos ou de intimidar, neutralizar ou submeter os possíveis adversários. Pelo contrário, ele sempre imolou seu prestigio pessoal para o bem da causa de Nossa Senhora.


*


Depoimento do Sr. Ghioto, 29/1/99:


[Chegando a Campos, procedente de uma viagem ao Equador, no ano 1996], o J me telefona pedindo minha solidariedade para a causa dele, tentando me comprar com ofertas de hábito, relíquias, etc., prometendo inclusive vir a Campos e ficar conosco vários dias, o que seria de um prestígio único para quem vê as coisas do lado de lá.








2. Em São Paulo


A respeito de tentativas de comprar pessoas com ofertas de prestigio, temos uma amostra fornecida pelo próprio JC ("jour-le-jour" 21/9/97). A fita respectiva circulou normalmente em Jasna Gora:


Outro dia, por exemplo, conversando com um camaldulense de Jasna Gora, ele estava me contando algumas repercussões, mas ele contava como uma batalha, aquilo para ele era uma batalha. Ele estava nos telefones tratando deste caso, daquele outro caso, mas era uma disputa com o demônio e expandindo a obra do Sr. Dr. Plinio. Espírito perfeito, era um cavaleiro.

De fato, esse personagem - eu não vou dizer o nome, por isso posso elogiar - eu me lembro que numa ocasião fez uma façanha monumental numa campanha e eu estava junto ao Sr. Dr. Plinio quando estavam contando ao Sr. Dr. Plinio a façanha dele.

Ele disse:

- Olhe, não é só pelo gesto, é pelo todo dele, é pela psicologia dele, é pelo thau dele. Pode se dizer que ele poderia estar dentro dessas gravuras do Gustave Doré. Dá para um cavaleiro medieval.

Quando ele me contava isso eu me lembrava da façanha dele, me lembrava do estilo dele, me lembrava do modo de ser dele e me lembrava dos comentários do Sr. Dr. Plinio. Quer dizer, ele está trabalhando no mailing como um cavaleiro. Está ótimo, é o que deve ser.


*


O Sr. Paulo Emílio de Carvalho, do êremo Nossa Senhora da Divina Providência, recebeu numerosos “convites” e pressões para que passasse para a facção dos revoltados.

Assim por exemplo, em abril de 97, por ocasião da festa da Sra. Dona Lucilia, Amauri Moreira César --substituto do encarregado de disciplina no ENSDP-- lhe ofereceu ser incluído na lista das pessoas que nessa data receberiam hábito, e notando nele certa relutância em relação a João Clá , lhe propôs que fosse ao S. Bento para ter uma conversa de “esclarecimentos” com Fernando Larrain.

Pouco tempo depois, o Sr. Paulo Emílio, estando em Brasília, recebeu telefonemas de Ademir da Luz e do Acúrcio, para que mudasse de posição.


Por sua vez, Takushi Nakadate --com o qual o Sr. Paulo Emílio trabalhava na coleta de donativos-- lhe perguntava: “entre Jesus e Barrabás, quem o senhor vai escolher?”, dando a entender claramente que Jesus era João Clá e Barrabás os Provectos; e constantemente comparava João Clá a Santa Joana d’Arc --que embora sendo uma simples camponesinha, derrotu os ingleses, enquanto o rei e os nobres não conseguiam nada-- e a Santa Catarina de Siena --frágil mocinha que dava conselhos ao Papa.

Em outubro de 1997, tanto o Nakadate como os encarregados da propulsão da coleta de donativos --os joaninos Bertoletii, Cazale e Hamilton—ocultaram ao Sr. Paulo Emílio o documento no qual os Provectos explicaram o motim de Jasna Gora.

Quando os sediciosos iniciaram o processo judicial contra a TFP (novembro de 1997), Nakadate, esfregando as mãos de contentamento, procurou ao Sr. Paulo Emílio para lhe dizer o seguinte: “o senhor não tem idéia do que está acontecendo em São Paulo, foi aberto um processo contra a TFP e as coisas estão pegando fogo, e nesse processo pede-se que a Justiça intervenha para que haja eleições na TFP”. O Sr. Paulo Emílio ficou muito chocado pela demonstração de tanta alegria perante a divisão da TFP.

Depois os joaninos enviaram para ele uma procuração, para que seu nome fosse incluído entre a relação de pessoas que abriram o processo judicial contra a TFP. “Como vou assinar uma coisa que não pedi?”, perguntou o Sr. Paulo Emílio, “e depois, como vou assinar uma procuração que dá amplos poderes para advogados que não conheço? e quem autorizou colocar dados pessoais meus em documentos desconhecidos por mim?” No dia seguinte, o Sr. Paulo Emílio recebeu um fax em que os joaninos tentavam explicar que o processo judicial não era contra a instituição TFP, mas sim contra os atuais Diretores; e insistiram para que assinasse a procuração. Pouco tempo depois, os sediciosos lhe enviaram uma parte do libelo “Quia Nominor Provecto”, denegrindo os Provectos.

(Cfr. Relato do Sr. Paulo Emílio de Carvalho, 26/6/98).


*


Carta do Sr. Francisco Machado a Dr. Caio (6/10/97):


[Em São Paulo], os que defendem a legitimidade da autoridade dos Provectos sofrem todos os lances de Psy War, com detrações, retaliações, gravadores ocultos, grampos telefônicos, radiotransmissor na Sede do Reino de Maria, desprezos, etc. (...) [A Sede do Reino de Maria recebeu] a alcunha de ‘covil’ pelos críticos dos Provectos.


*


O Sr. Fredrico Hosanan, em relatório enviado ao Coronel Poli (2/11/97), narra que numa conversa que teve com o joanino Hirano, em outubro de 1997, este lhe disse que “quem não estivesse do lado do Sr. João Clá na hora da Bagarre, (...) estaria com a salvação comprometida. Insinuando que seria tragado na Bagarre”.


*


Depois que o Sr. Cônego aconselhara JC a realizar as reuniões para senhoras e moças fora das Sedes da TFP, limitasse ditas reuniões, e fizesse cessar as manifestações de culto à sua pessoa, JC respondeu-lhe através de uma carta (20/7/96), que foi entregue ao Sr. Cônego pelo Pe. Olavo e pelo Sr. André Dantas.

Estes, na ocasião, insistiram ao longo de 5 horas com o Sr. Cônego para que mudasse de opinião e revelasse os nomes das pessoas que lhe forneceram informações a respeito do apostolado feminino e da veneração a JC. (Cfr. Relatório do Sr. Ureta p.49 e fax de JC a Dr. Mário Navarro a propósito da carta que JC enviou ao Cônego em 20/7/96).


*


Relatório do Sr. Francisco Machado 9/6/98:


No dia 8 de novembro de 1995 (...) fui surpreendido por [um] bilhete do José Ciro --na época, encarregado de disciplina de Jasna Gora--, dizendo que o João Clá me mandava mudar para o Buissonnets. Acrescentava que a mudança deveria ser efetuada naquele mesmo dia. Não apresentava nenhum motivo ou explicação de tal medida.

Ora, em duas ocasiões, pessoalmente, o próprio Sr. Dr. Plinio me havia dito que era desejo dele que continuasse em Jasna Gora (...).

Como o José Ciro apresentava o assunto como ordem do João Clá, telefonei para ele (...). Por uma inspiração providencial, sabendo de longa data quem é o João Clá e não tendo nele confiança, devido a amargas experiências, gravei o telefonema (8/XI/95). Travamos então o seguinte diálogo, cujo teor fala por si:


JC: O Sr. vai passando bem?


Sr. Francisco Machado: Na luta Sr. João. Estou meio quebrado aqui de saúde física e espiritual.


JC: O que o Sr. tem de físico?


Sr. Francisco Machado: Descontrole de pressão. O médico disse que é problema emocional. Desde o falecimento do SDP estou meio desengonçado.


JC: Posso imaginar. Todo mundo está assim.


Sr. Francisco Machado: O Sr. Ciro pediu para ligar para o Sr.


JC: O que ele conversou com o Sr. aí?


Sr. Francisco Machado: Ele me disse, Sr. João, que eu não poderia ficar mais aqui na camáldula.


JC: Não. Não é isso não. O Sr. Ramón está indo para aí. Por razões diversas, valeria muito a pena que o Sr. passasse um mês fora daí. É isso. Nada mais especial.


Sr. Francisco Machado: Sei. Mas ele (José Ciro) já disse que era para ir de mudança e tudo. Estranho.


JC: Leve suas coisas. O Sr. Ciro vai ter de entregar a parte de encarregado de disciplina. Neste mês as coisas vão tomar outro rumo. E a gente ajeita as coisas de forma diferente.


Sr. Francisco Machado: Falando com toda franqueza Sr. João, não tenho condições de sair de Jasna Gora.


JC: O Sr. vai passar um mês só fora.


Sr. Francisco Machado: Peço muito a consideração do Sr. ...


JC: O Sr. é uma pessoa que está aí como camaldulense e portanto tem que estar flexível para qualquer mudança. O Sr. tem que obedecer! Não tem jeito! Sr. Machado, o Sr. tem que sair hoje daí! O Sr. tem que [se] submeter à situação na qual o Sr. se lançou. É a condição de camaldulense. O camaldulense não tem exigências.


Sr. Francisco Machado: Sim, Sr. João eu sei. O que eu estou dizendo é o seguinte: não estou colocando uma exigência. Estou colocando uma situação para o Sr., não tenho condições, nem físicas, nem espirituais.


JC: O Sr. é um homem que tem que estar flexível à obediência.


Sr. Francisco Machado: Estou recorrendo.


JC: Não há outra saída. O Sr. tem quem sair daí. Não tem jeito. O Sr. tem que sair daí. Não há outra saída. Porque eu faço o Grupo inteiro passar por cima do Sr. O Sr. por favor entre dentro da obediência, a qual o Sr. abraçou. Ou então o Sr. deixa de ser camaldulense. O Sr. não vai me criar caso. Mas o Sr. tem que sair daí hoje.


Sr. Francisco Machado: Sr. João, estou pedindo a consideração do senhor.


JC: A minha consideração já está dada. Ou seja, o Sr. tem que sair daí hoje! E não tem outra saída. Mas o Sr. hoje tem que sair daí!


Sr. Francisco Machado: Eu posso fazer uma pergunta ao senhor? O senhor podia dizer a razão?


JC (berrando): Eu não vou entrar no mérito da questão, o senhor está compreendendo? O que mais o senhor quer?


Sr. Francisco Machado: Que o Sr. reze por mim.


JC: Com muito gosto. Mas saia daí hoje!


Sr. Francisco Machado: O que o Sr. me aconselha?


JC: A sair daí hoje!


Sr. Francisco Machado: E o que o Sr. quer que eu faça lá?


JC: O Sr. se apresenta ao Sr. Kallás.


Sr. Francisco Machado: Praesto Sum.

(...)


JC: Apresente-se a ele. Ele já está sabendo. O que o Sr. precisar, o Sr. diga a ele. Se ele não puder atender, eu estou aqui para atender o Sr.

(...)


Em seguida, liguei para o Sr. Kallás, a fim de acertar as coisas práticas e ele dá outra versão do que ficou combinado com o João Clá. Eis suas palavras gravadas:


Sr. Francisco Machado: O Sr. João pediu para entrar em contato com o Sr. porque ele pediu para mim ir para o Buissonnets. Ele me disse agora há pouco, pelo telefone, para levar as coisas.


Kallás: Não, acontece o seguinte: o que foi combinado, pelo que ele (JC) falou, o seguinte: foi falado comigo que o Sr. faria trabalho de duplas. Não foi isso que ele falou com o Sr.?


Sr. Francisco Machado: Não.

(...)


Kallás: Porque eu tinha entendido que não era para ficar aqui no Buissonnets. Seria uma questão de ... como se está fazendo uma expansão por todo o Brasil, começamos uma sede em Campo Grande, agora iamos começar outra lá no norte, outra em Goiania, o Sr. ia ser uma pessoa assim mais velha num lugar desses. Foi o que eu entendi.

(...)





3. No Rio Grande do Sul


Carta do Sr. Altamir Mendes Goulart, doador da TFP ((Negrito e sublinhado do autor):


Porto Alegre, 7 de agosto de 1998

À Sociedade Brasileira de Defesa da Tradição Família e Propriedade

Prezados senhores:


Há cerca de duas semanas, fui visitado por dois jovens, um deles de nome Francisco, que se diziam da TFP. (...) estariam eles visitando as pessoas doadoras da TFP, para transferir os donativos da TFP, para outra associação criada por eles; todavia, eu pedi-lhes um prazo para decidir e lhes disse que poderiam telefonar-me na semana seguinte.

(...) No dia 4 de agosto (...) recebi um telefonema do jovem Francisco, já acima mencionado, o qual queria saber sobre minha decisão em transferir o donativo da TFP, para a nova associação criada; disse-lhe que eu havia decidido não mudar, continuando a dar o donativo à TFP, ocasião em que o dito jovem disse-me que, se eu não quisesse transferir o donativo à nova associação criada, que pelo menos cortasse o donativo dado à TFP, caso contrário, o Dr. Plinio me amaldiçoaria.

Esta ameaça não me agradou em nada; ao contrário, vejo agora realmente quem está com a razão nesta dissidência, porque sei que o Dr. Plinio nunca ensinou ameaçar pessoas com palavras tão ofensivas.





4. No Exterior


Alex Garay, ativista da facção JC, mandou uma carta ao Peru, no ano 96, caluniando as autoridades e membros do Grupo deste País. E chegou a ameaçar nestes termos: “a XX hay que matarlo como un perro sarnoso!”. (Cfr. grafonema do Sr. Ezcurra para o Sr. Alfredo, 16/6/97)


*


Jornal falado do Sr. Ureta, 26/11/98, a respeito de uma viagem que fez ao Chile:


No domingo, quando eu estava acabando a ação de graças na igreja, passou um [joanista] bem junto onde eu estava e com cara de ódio disse-me "cuida-te", quer dizer, uma ameaça. Depois, outro (...) também me ameaçou: "cuidado com o que o Sr. anda fazendo".





II. Sobre a TFP Americana, suas autoridades e seus membros


A. O que está registrado em telefonemas, fax e cartas


Num fax para Dr. Eduardo, de 24/10/96, JC diz que membros da TFP Americana retiraram uma série de objetos da sala que ele ocupava na Sede de Spring Grove: relíquias, dinheiro, arquivos de reuniões e despachos do SDP, microfilmes, etc. E pede que “devolvam tudo (...) caso contrário, isto levantará uma indignação de todas as TFPs no mundo inteiro contra eles”.


*


Telefonema de JC ao Sr. LA Fragelli (deixado na gravadora automática deste, em outubro de 1996):


Sr. Fragelli estou necessitando falar muito com o Sr. porque eu estou aqui pegando fogo. Eu estou com fogo pelas orelhas, pelos cabelos, pelos pés, eu estou todo em chamas! (...) Eu queria pedir a intervenção, a intercessão do Sr. para falar com o Sr. Mário Navarro da Costa, que por favor não se meta na minha vida! Que pelo amor de Deus ele pare com as ações que ele está fazendo a meu respeito, porque eu vou virar a mesa e vou pôr fogo na casa! Que ele por favor não crie caso comigo! Porque já estou farto! (...)

(...) ao padre Gervásio é preciso segurar para não lançar maldições sobre as pessoas que estão movendo esse movimento todo aí (1) (...).

(...) eu quero tocar o meu apostolado sem que ninguém me amole, sem que ninguém entre na minha vida criando caso. Eu tenho problema de nervos (...), de ontem para hoje já não consegui dormir, tive que fazer uma reunião com uma noite de insônia, (...) , hoje (...) não consegui fazer sesta. Eu estou uma pilha de nervos, mas uma pilha! Que ele por favor não entre na minha vida! (...)

É pena não ter encontrado o Sr. senão falava pessoalmente. Mas lhe deixo aí essa mensagem, para o Sr. fazer alguma coisa. Que ele páre, que ele páre, que ele páre! Que não vá adiante! E que não me pegue num momento como eu estou! Porque se me pegar num momento como estou, eu ponho a casa para baixo! Eu ponho fogo em tudo! (2)(...)


Comentários:

1. Na reunião para os veteranos, de 15/10/96, JC disse:

É preciso segurar inclusive os Padres de Campos, porque os Padres de Campos estão umas feras. O Padre Gervásio é preciso dizer para ele não lançar maldição, porque não se trata de fumaça, é gente boa.

2. JC ameaça pôr fogo na TFP inteira, porque o Dr. Mário Navarro não o deixa tocar seu “apostolado”.


*


Telefonema ao Sr. Fernando Antunez (outubro de 1996):


(Sr. FA: Então se a gente consegue acertar com ele (MN), se acerta o resto).


Sim. Ele [o Sr. Mário] precisa compreender que a TFP vai pelos ares.


*


No telefonema do 18 (ou 28 ?) de outubro de 1996 , para o Sr. Fernando Antunez, JC queixa-se de que teriam pego as relíquias dele, nos Estados Unidos:


... eu vou pegar um avião, vou para os EEUU e estouro com aquilo!


(...)


Estou gagá. Se eu encontrasse um deles [Sr. MN e outros do Grupo dos EEUU] aqui, eu matava. Eu matava, eu matava a tiros!

(...) O Sr. MN fez toda essa bagunça, o Sr. MN foi quem açodou, quem estimulou, quem pôs fogo, foi ele quem levantou toda essa gente contra mim e agora tem a consequencia (...), mas ele vai ver o que vai acontecer: Ele jogou um grupo no precipício, porque essas almas todas que eu dirigia eu perdi completamente a influencia. Esse grupo vai entrar, à medida que o tempo for passando, na podridão de toda vida moral, porque eu sei perfeitamente o que vai acontecer com cada um deles (1). Por culpa desse desgraçado. (...)


(...)


[o Sr. MN] foi falar com o Sr. Philip Moran na Inglaterra. (...) Por que separar o Sr. Philip Moran de mim, se eu sou o diretor espiritual dele? Ele põe no tratado dele aí que ele vai manter silencio durante o período da tregua. Que tregua de Deus ...........! Esse tipo que abra os olhos! Eu prefiro ir para a cadeia, mas lhe meto uma bala no peito [para que não fale] mal de mim!


(Sr. FA: Ele não vai falar).


E olha, a primeira noticia que eu tenha, eu pego um avião e vou onde ele está e eu lhe deixo uma bala no peito e ainda vou para a cadeia, pouco me interessa!


(Sr. FA: Não pode, não pode).


Sim, eu sei que não pode, mas quem é que vai me segurar? Eu não tenho mais meu senhor para estar me segurando. (...)


(Sr. FA: A vida de [o SDP ?] foi muito dura).


Sim, mas Sr. Fernando, o Sr. pode me vir com o exemplo de NSJC na cruz, o Sr. pode me vir com o exemplo do SDP, mas tem certas coisas que atravessam a cabeça da gente e com o temperamento que a gente tem ninguém segura, ninguém segura. Ele que não se meta no meu caminho nunca mais na vida porque eu lhe atravesso e lhe faço uma peneira (2). O Sr. dirá: “mas depois vai passar o resto da vida na cadeia”. Eu passo contente!


(Sr. FA: O que é isso Sr. João? Acho que o Sr. nunca vai fazer isso).


Eu não tenho o freio [o SDP] aqui, o freio está na eternidade (3).


(Sr. FA: Bom, mas ele é freio desde a eternidade).


E eu já fiz muitas na minha vida. Quando eu não tinha esse freio, eu fiz loucuras.


(Sr. FA: Nossa Senhora! É o que me consta. Me lembro o tijolo, a garrafa ...)


Ele que não me atrevesse o caminho mais.


(Sr. FA: ..............)


Esse Grupo [EEUU] está perdido. Ele perdeu esse Grupo.


(Sr. FA: Sr. J., acho que com paciência se consegue mais coisas do que se imagina).


(...)


Enfim, o Sr. conte aí para Dr. Caio, e se quiser conte para ele [MN] também, ou ao contar para ele, diga que esse negócio do tratado que ele quer fazer de não falar a meu respeito durante a trégua de Deus, para mim não vale nada! Absolutamente nada! Ele que nunca mais se meta na minha vida se ele não quiser um balazo no peito e na cabeza!


(Sr. FA: Quem? O Sr. Mário?)


O Sr. Mário. “Durante o período da tregua de Deus, prometo não falar do Sr. João”. Que não fale de mim nunca na vida! Que meu nome não apareça nos lábios dele nunca!


(Sr. FA: Espero que para rezar pelo menos ...)


Que reze, mas que reze interiormente, mas não pronuncie meu nome, porque eu não quero ouvir meu nome nos lábios dele.


(Sr. FA: Bom, mas enfim, acho que essa parte prática se arranja. O assunto que “durante”, não sei o que, eu entendi como que ele queria, mas que se fosse rompido não se sentia obrigado, uma coisa nessa linha. Mas que ele não tem intenção de continuar).


Não tem intenção de continuar?! Ele me disse taxativamente no telefone, ele me disse taxativamente que ele quer ter o direito de discordar de mim. [Se] ele tem o direito de discordar de mim, eu teria o direito de meter uma bala no peito dele, só isso (4). (...) Ele não tem consciência do que está fazendo; ele pensa que está mexendo com uma formiguinha.


(Sr. FA: Eu temo sobretudo as consequencias).


Claro! (...) Isso não se faz, nunca se fez, não tem sentido. É uma ofensa que eu considero para lá e acolá inteiramente desproporcionada, possa eu ter errado, possa não ter errado, eles não deviam ter feito isso nunca. E eu não posso acreditar e não posso admitir ................ sem conhecimento do Sr. Mário e sem conhecimento do Sr. Fragelli. Não aceito! Porque se eles, sabendo disso, não fazerem voltar as relíquias em 24 horas, eles são responsáveis por esse roubo, esse roubo, essa ofensa e esse sacrilégio. E isso eu vou levar em consideração o resto da minha vida.


(Sr. FA: .................. Que horas são por aí? São 9 não é? Ainda dá tempo. Nade um pouco por exemplo, para se descarregar (5).


... queria nadar no sangue dele.


(Sr. FA: Tá bom Sr. João, que ela e ele lhe ajude muito. Salve Maria).


Comentários:

  1. Os membros da TFP Americana vão cair na podridão moral pelo fato de cessarem de ser influenciados por JC?

  2. JC ameaça de morte ao Dr. Mário Navarro pelo fato deste ter-se posto no seu caminho.

  3. Quer dizer que para umas coisas JC tem comunicação mística com Dr. Plinio e para outras não?

  4. Discordar de JC é algo tão grave que, quem incorrer naquilo, deve morrer.

  5. Por razões da saúde, JC precisa nadar com certa frequencia numa piscina.


*


Nesse mesmo dia (18 ou 28/10/96?) houve mais um telefonema a meia noite. O anterior foi às onze e meia:


(Sr. FA: Sr. João, eu estive vendo com Dr. Caio e ele tinha acabado de falar com o Sr. Luiz Antônio, falou novamente, e ele diz que não há nenhum problema, que as relíquias serão devolvidas).


Sim, mas quem garante agora que as relíquias serão devolvidas todas? Porque a partir do momento que o desgraçado tirou de lá de dentro, quem é que vai dizer lá quais eram as relíquias que eu tinha?


(Sr. FA: .................. O Sr. Luiz Antônio diz que entregaria lá no fim de semana, as relíquias, o dinheiro, tudo, tudo, tudo).


O Sr. sabe quanto eles roubaram?


(Sr. FA: Quando?)


Quanto (1).


(Sr. FA: Não, não tenho a menor idéia).


Mais de 400 mil dólares! (...)


(Sr. FA: Bom, a mim a explicação que me deram, relata refero. Eu disse: “mas como fizeram isso?” - “Não, é que estava no meio do outro material, então foi todo junto”).


Sim, e por que é que pegaram as relíquias?


(Sr. FA: Ah, que sei eu! Isso não cheguei a perguntar porque soube disso só agora).


Com essa espécie de sanha de ódio contra mim. O que eu fiz? Eu acaso matei alguém? Eles estão querendo que eu mate alguém, isso sim.


(Sr. FA: O que é isso! (...)


(...)


[NB: referindo-se a um livro que estaria escrevendo o Sr. Lira contra ele, JC diz:]


Eu conheço ............... rabos de palha. Eu ponho aquilo pelos ares! Eu faço eles voarem pelos ares! Inclusive conheço fatos de a família do Sr. Fragelli que eu posso começar a espalhar pelo mundo.


(Sr. FA: Deve ter sido uma fanfarronada do Sr. Lira por aí qualquer e alguém ... (...) Eles dizem que não tem nada, não tem intenção de fazer nada disso, nem vontade. O que houve eles dizem que foi um ..........................)


(...)


Quem levantou essa tempestade toda é Mário Navarro da Costa. Ele que não se meta no meu caminho porque eu lhe mato!


(Sr. FA: Espero que não, Sr. João).


Eu também espero que não se meta.


(Sr. FA: Não, espero que o Sr. não mate ninguém nunca na vida, Sr. João).


Olha aqui, eu já tenho até plano na cabeça. Eu vou a Paris e liquido com ele em Paris. Tá compreendendo? Porque eu ............. um revolver dentro da mala, passo pela alfândega e liquido com ele em Paris. [Vou embora] e depois, se preciso, vou para a cadeia.


(Sr. FA: ...........)


Ele [Sr. MN] é um falso, ele é um mentiroso, ele é um caluniador, porque ele na frente da gente faz o papel de amigo e por detrás enfia o punhal nas costas. O gaúcho é um miserável!


(Sr. FA: Bom Sr. João, eu pretendi acalmar o Sr., mas vejo que meu telefonema ... )


Eu estou para lá de lá! Nunca na minha vida me senti assim. Não tenho em quem me agarrar. Estou solto. Quem tinha aqui em São Paulo, que me agarrava, que era Dr. Luizinho, desapareceu; Dr. Eduardo entrou na fase das enxaquecas dele e sumiu. Quem é que me vai segurar aqui?


(Sr. FA: .........)


Olha aqui, dinheiro para mim é muito menos do que relíquia. Podem mexer no dinheiro, eu não tinha problema nenhum. Até mandei dizer para o Sr. Raymond Drake que se ele queria, para apaziguar esse negócio todo, para entrar numa harmonia, nós arranjávamos um jeito de falar com os donos do dinheiro e dávamos esse dinheiro para ele (2). Mas com relíquia, não! Não me mexam nas minhas relíquias!


(Sr. FA: ........)


Graças a Deus que o Sr. Mário não está em São Paulo, porque eu lhe digo, eu não sei se eu me segurava para não matá-lo.


Comentários:

  1. O primeiro assunto levantado por JC é o dinheiro, não as relíquias.

  2. Então quer dizer que esses 400 mil dólares que estavam entre os bens de JC, não eram dele, mas de terceiros?


*


Bilhete enviado por JC a Dr. Eduardo (30/10/96) :


Estou completamente estourado! Rogo à SDL e ao SDP que não venha eu cometer algum desatino, pois chegaram ao insuportável.

Telefona-me um enjolrras às escondidas para me avisar que ROUBARAM TODAS as minhas relíquias de meu quarto nos USA!!! Sapatos da SDL, caixa de cabelos, 4 caixas com coisas do SDP, ETC. ETC. ETC. – Se o Sr. MNC [Mário Navarro da Costa] estivesse em SP, não sei se resistiria em não lhe meter uma bala no peito.


*


A ameaça de difamação é confirmada em carta enviada pelo JC ao Sr. LA Fragelli, em 18/10/96:


Enquanto o Sr. não me der uma resposta clara a propósito da mensagem aflitivamente clamorosa que lhe gravei na terça feira passada, não quero soltar minhas baterias contra uma antiga amizade. (Cfr. grafonema de André Dantas para Marco Faes, 25/10/96, p.47).





B. O que achar do estado de espírito manifestado por JC nessas ocasiões? Ele procedeu assim movido pelo amor a Nossa Senhora? O que seus acólitos contam a respeito disso?


Resposta à primeira pergunta:


Não se vê uma gota de amor de Deus ou preocupação pela Causa em tais atitudes, mas somente um frenesi de impor a própria vontade, custe o que custar, sem delongas nem entendimento.


O juízo não é nosso, mas do insuspeito moralista Patrício Amunátegui (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p. 282). Na realidade, ele está falando dos que não compartilhamos sua religião, mas não se pode negar que a frase se aplica perfeitamente a seu senhor.


*


Resposta à segunda pergunta - Reunião na Saúde, 7/11/95:


(Fernando Lincoln: Sr. João, quando nós nos consagramos a Nossa Senhora tudo o que nós fazemos é devido não ao que nós queremos fazer, mas ao que Nossa Senhora quer. (...) Se o senhor está fazendo alguma coisa, como saber se é o que Nossa Senhora realmente quer, ou se está fazendo por conveniência do senhor? (...)


Primeiro, como é que eu sei que estou fazendo a vontade de Nossa Senhora?

Tudo o que me traz paz de alma e não me agita, está de acordo com a virtude. Sempre que eu faço algo em que eu começo a me agitar, que eu começo a torcer e que eu começo a sair daquele equilíbrio próprio a pessoas que têm santidade, isto significa que não estou fazendo a vontade de Nossa Senhora, eu estou fazendo a minha própria.

Um dos sintomas é este: é aquela paz de alma, aquela tranqüilidade de consciência, aquela alegria de consciência. Isto me faz perceber que eu estou de fato cumprindo com a vontade Nossa Senhora.


*


Resposta à terceira pergunta. Fala Steven Schmieder:


[A primeira noite desses episódios], eu fiquei tão chocado, e como eu estava responsável pelo material substraído, telefonei imediatamente para o Sr. João. A primeira coisa que me impressionou era a resignação do Sr. João: ‘nós estamos nas mãos de Nossa Senhora, da Sra. Dona Lucilia, vamos rezar e ter paciência’. Espírito que nunca vi com nenhuma outra pessoa lá.


Schmieder: Olhe, mas tiraram tudo daqui. Eu vou pegar um carro e vou embora da sede, vou embora daqui, eu não posso ficar aqui! Eles roubaram isso, roubaram aquilo, roubaram aquilo outro, tiraram tal coisa, está um desastre, acabaram com tudo.


JC: Olhe, Sr. Steven, nós temos que ter confiança. Vamos ter confiança, vamos pôr nas mãos de Nossa Senhora, se isso aconteceu, a Providência permitiu. Terá alguma razão. O que nós devemos [procurar] antes de tudo é a união. Procure o Sr. Fragelli de minha parte --porque eu não pude falar com o Sr. Fragelli, ele não me atendeu-- e diga a ele o seguinte: que não me interessa o dinheiro, não me interessam os documentos, não me interessam os microfilmes, não me interessam as relíquias, tem todos os objetos que eu tenho aí. Isso tudo, se eles quiserem, podem ficar com eles. O que eu me interesso é pela união. Diga isso ao Sr. Fragelli, que o senhor está disposto a qualquer coisa, que o senhor está inteiramente submisso, ponha-se nas mãos dele. Vamos ver se nós caminhamos para a harmonia, para a união, porque o que nós devemos evitar a todo o preço e de que algo se rasgue entre nós.


Tempo depois, Steven Schmieder ligou novamente para JC, que “de novo falou sobre a paciência, que eu tinha que carregar a cruz, etc.”

(Cfr. Grafonema para Marcos Faes de André Dantas, 19/11/96, p.15).


*


Fala Pedro Paulo Figueiredo:


[O Sr. João], dispôs-se, ademais, no decorrer assombroso dos fatos, a tomar todas as iniciativas necessárias para evitar equívocos e desentendimentos, e chegou a enviar aos Srs. Luiz Antônio Fragelli, Mário Navarro e demais implicados no caso, uma resposta exemplar --por sua cordura, despretensão e disposições conciliatórias-- ao fax-grafonema eivado de suspeitas e de afirmações difamatórias desacompanhadas de provas, que recebera.

(Cfr. grafonema de Pedro Paulo Figueiredo a Dr. Luiz, de 27/11/96, p.19).





III. Sobre os diretores da TFP Brasileira


Poucos meses após do falecimento de Dr. Plinio, em abril de 1996, JC ameaçou dividir a TFP, caso os Provectos não mudassem a nossa posição tradicional da TFP face à missa nova e à Estrutura:


- Em vista de sua inveterada teimosia [NB: JC refere-se a Dr. Paulo Brito], o que importa unicamente é adverti-lo de que (...) terei o direito de publicamente exprimir meu desacordo.


- (...) se depois de tudo o que eu lhes escrevo, com a franqueza a mais crua possível, os senhores ainda se mantiverem rígidos na posição tomada nessa carta - relatório, talvez tenha se aberto a primeira fissura no manto inconsútil de Meu Senhor Sacral.

(Cfr. “Juízo Temerário” pp.239, 274)


*


Em novembro de 1996, Pedro Paulo Figueiredo promoveu uma coleta de assinaturas de membros de todas as TFPs, em solidariedade com uma “vítima” de “uma grande campanha de difamação e calúnia”: JC.

Trata-se de uma interpelação aos Provectos visando obrigá-los a tomar partido em favor do impostor, insinuando que se eles não procedem assim, correm o risco de perder toda autoridade sobre as bases do Grupo.

Desse documento extraímos os seguintes trechos:


[O que farão os Provectos] para impedir que esta situação tão perniciosa continue a se prolongar?

(...) A prudência sempre aconselhou a que as autoridades evitem tomar partido nessas situações, a não ser para impedir que elas se transformem em fator de grave desprestigio da autoridade, desedificação geral e gérmen de divisão da ‘túnica inconsutil’, ou seja, da unidade de nosso corpo moral. Ora, é exatamente este último caso que está se dando.

Este problema põe em xeque a máxima hierarquia estatutária da TFP brasileira e a autoridade histórico-moral dos Provectos (...).

Essa espécie de cerco que se procura fazer contra o Sr. João Clá (...) constitui um atentado absolutamente inaceitável contra o desenvolvimento e continuidade da TFP.

(...) ele é peça humanamente insubstituível de coesão das TFPs, não só no Brasil como no mundo.

(...) é preciso que, de algum modo, esta ação demolidora cesse, clara e completamente, o quanto antes.

Que a Senhora Dona Lucilia e nosso Pai e Senhor lhes alcancem, de Nossa Senhora, as luzes sobrenaturais que o momento exige, e nos coloquem a todos em condições de não fazer nada que venha prejudicar ou diminuir o impulso necessário para o inteiro florescimento de sua Obra (...).

(Grafonema de Pedro Paulo Figueiredo, para Dr. Luiz, de 27/11/96).


*


Carta do Pe. Olavo a Dr. Caio (16/4/97):


Se a tempestade de calúnias, boatos, intrigas e mexericos que assolam o Grupo em nossa região é um mal tremendo, não o é menos a falta de uma mão enérgica que restabeleça a ordem, ponha fim às disenções, faça brilhar a verdade, e imponha o respeito à autoridade, como ela tinha sido constituída pelo Fundador. Não é verdade que, sob certo ponto de vista, Luis XVI não é menos culpado pela Revolução Francesa, devido ao pecado de omissão do cumprimento de seus deveres de Rei, do que o Duque de Orleans ou Robespierre?

(...) até o momento uma grande perplexidade nos aflige, ao ver a neutralidade que os mais velhos estão mantendo em toda esta questão.

(...) boa parte da culpa de todos estes males recai sobre a inércia dos senhores, membros do Conselho da Martim, os quais (...) teriam todas as condições para fazer calar essas difamações com mão de ferro, para evitar uma tragédia.

(...) a partir do momento em que os correspondentes passem a acreditar que, nessa campanha contra o Sr. João, tanto o Pe. David como o Sr. Ghioto estão realmente agindo sob a orientação dos senhores mais velhos, toda a confiança de que os senhores gozam atualmente cairá por terra. E, é claro, isso não ficará restrito ao Norte Fluminense, nem apenas ao Brasil. Sobretudo --posso lhe garantir com inteiro conhecimento de causa--, esse fenômeno não ficará limitado aos correspondentes e esclarecedores.


O último parágrafo merece atenção. Indica que JC --porque é ele no fundo quem fala pela voz desse pobre Padre-- já vinha preparando a revolta há muito tempo, e em escala mundial.

Em carta a Dr. Plinio Xavier, de 31/5/97 (p.14), o Pe. Olavo repete a mesma ameaça de divisão.


*


Carta do Pe. David Francisquini aos Pes. Olavo, Antônio e Gervásio, 6/6/97:


[O Pe. Olavo] vem pressionando a direção da TFP em assuntos que excedem essa função de conselho espiritual, como, por exemplo, exigir a saída de Campos do Sr. Ghiotto e, mais recentemente, soube que o Pe. Olavo (...) exigiu a expulsão de um membro da TFP, que não é de nossa região, que teria, talvez, transmitido um comentário desabonador à pessoa do Pe. Olavo. Este chegou ameaçar romper com o Conselho Nacional caso não fosse atendida sua exigência! Agora está comprovado que este membro do Grupo não foi o responsável por tal comentário (...)