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O Anticristo já veio?


Capítulo 16 - Aproximação da Estrutura e fundação de uma ordem religiosa “sui generis”


Capítulo 16 - Aproximação da Estrutura e fundação de uma ordem religiosa “sui generis” 1

I. Posição de Dr. Plinio e da TFP em relação à Estrutura 3

A. Enunciado 3

1. Concordância total? divergência total? ou divergência parcial, mas permanecendo dentro da ortodoxia e da disciplina? 3

2. Obediência até toda a linha do necessário. Altivez e defesa, até toda a linha do permitido 3

3. Conjugação entre o pensamento da TFP e o pensamento na TFP. Pontos em função dos quais concordamos ou discordamos com a Estrutura: igualitarismo, relativismo, Tradição da Igreja 4

4. Fidelidade completa ao que foi ontem, tem que ser hoje e será amanhã 7

5. Natureza de nossa associação: cívica? apostólica? – Fisionomia espiritual e temporal da TFP 9

6. Finalidade específica de nossa instituição 10

7. Na caminhada de todas as coisas para instaurar o reino do demônio: preparar-se para a luta? ou preparar-se para uma acomodação? – Nossa posição perante a terceira força 12

Despacho CCEE 13/10/85 (estavam presentes os joaninos Koury e Marcos Dantas): 17

B. Alguns comentários de Dr. Plinio a respeito da Estrutura 17

1. O espírito contra-revolucionário é fundamentalmente e antes de tudo anti-progressista 17

Despachinho 18/7/85 – Dr. Plinio enumera os pontos para uma conferência do Pe. Olavo num Encontro de CCEE: 17

Em segundo lugar, a formação do espírito contra-revolucionário. 17

É preciso explicar o que é o espírito contra-revolucionário, para não entenderem que é uma formação preponderantemente política. Mas é uma formação anti-progressista, com suas derivações para questões sócio-econômicas. Mas fundamentalmente e antes de tudo, espírito anti-progressista. 17

2. Nunca ninguém divergiu de ninguém mais completamente, mais profundamente, mais frontalmente do que nós em relação à Estrutura 17

3. A maior promotora do comunismo no mundo: a Estrutura 18

4. As sacristias mais a maçonaria fizeram a IV Revolução continuar – O agente mais eminente das FFSS: a Estrutura 19

5. Um conselho que eu não daria: “va se integrar no organismo de sua paróquia” 20

6. Pode o homem da rua achar que nós nos reconciliamos com JP-II? Podemos nos apresentar, em público, como companheiros de viagem da Estrutura? 21

C. No estado de crise em que está hoje a Igreja, não podemos nos colocar sob a autoridade da Estrutura – Riscos inerentes a isso 24

II. Posição da Estrutura em relação a nós 26

A. Na década de 1970: pedido de distensão 26

B. Entre 1980 e 1995: pressão para nos colocar sob sua canga 26

C. Após o falecimento de Dr. Plinio: tentativas para nos pinçar 27

III. Posição de JC 30

A. Teses 30

1. Por enquanto não dá para constituir oficialmente uma ordem religiosa. Mas dá para ir estimulando tendências e incutindo idéias nesse sentido 30

2. É preciso imitar ao Grupo da Espanha, procurar o apoio do clero e correr para a boca do tunel ... 35

3. Carta – circular aos Bispos oferecendo colaboração 38

B. “Démarches”, atitudes e omissões 45

Década de 1980 45

1995 46

1996 48

Entre 1995 e 1996: uma campanha sistemática para despertar, dentro das fileiras da TFP, afinidade e simpatia pelo clero da direita, da falsa direita e pelo Cardeal Ratzinger? 50

1997 63

1998 64

1999 64

IV. “Fundamentos”, motivos e pretextos da posição joanina 68

A. Exploração do epitáfio do túmulo de Dr. Plinio e de um sonho de Dr. Plinio com S. Pio X 68

B. JC decide aproximar-se da Estrutura após receber um “recado místico” através de um terceiro 75

C. O perigo muçulmano 77

D. O panorama mudou. A intransigência da TFP vai acarretar o seu fechamento. Então, para sobreviver, é preciso aproximar-se da Estrutura, enganá-la e, em determinado momento, matá-la 78

V. A “TFP” Espanhola, ponta de lança e modelo do relacionamento com a Estrutura 80

A. Manifestações da “Graça” Nova nos conventos de freiras - A casa paroquial, base das operações joaninas 80

B. O Clero, pórtico do apostolado de CCEE - O setor CCEE, pórtico da fusão com o clero 83

C. Bons doadores nas fileiras do clero 84

D. A “TFP” Espanhola segue escrupulosamente as doutrinas e orientações dos últimos Papas no tocante aos problemas morais contemporâneos 85

E. Relações com a Conferência Nacional de Bispos da Espanha 86

1. Antes do 3 de outubro de 1995: censuras 86

2. Depois do 3 de outubro de 1995: agradecimentos, felicitações, elogios 88

3. O Episcopado Espanhol está de muito boas pazes com o Grupo 90

4. A “TFP” Espanhola tem muitos simpatizantes na Conferência Episcopal, na Opus Dei e até mesmo dentro das fileiras progressistas 91

5. Participação de um membro da “TFP” Espanhola num evento da Conferência Episcopal 93

F. Dados dos padres espanhóis 94

1. Posição dos “tios” de JC em relação ao Concilio e à Missa Nova 94

2. Posição dos “tios” de JC em relação a Dr. Plinio 95

3. Posição de Dr. Plinio em relação aos “tios” de JC 95

4. O Padre Vitorino, elo entre a “TFP” Espanhola e o franquismo – JC, elo entre a TFP e o Padre Vitorino 96

5. JC não queria que Dr. Plinio conhecesse pessoalmente a seus “tios” 97

6. Morte do Pe. Alonso Lobo 97

VI. Relações da “tfp” chilena com a Estrutura 98

A. Posição da verdadeira TFP Chilena em relação ao Episcopado, ontem e hoje 98

B. Posição da “tfp” joanina em relação ao Episcopado: coincidência, adesão, solidariedade 101

C. Posição da “tfp” joanina em relação ao Magistério tradicional da Igreja e à crise da Igreja – Como eles se definem 102

D. Os amigos da “tfp” joanina” nas fileiras da Estrutura 103

VII. a “mensagem” joanina e seus “rumos novos” 104

A. As peregrinações de Fátima, pórtico da aproximação, do convívio e da união com a Estrutura 104

B. A Estrutura Apoia e patrocina as apresentações joaninas 109

C. Em retribuição pelo apóio, os joaninos fazem propaganda de João Paulo II, e não falam da Bagarre, do comunismo, nem da crise da Igreja 112

D. Os joaninos apresentam-se como músicos e filantropos, não como batalhadores contra-revolucionários 115

E. Os joaninos não dividem as águas, mas despertam uma “abertura muito grande” 117

VIII. Caraterísticas da ordem religiosa joanina – Mais dados sobre os “novos rumos” que JC gostaria impingir à TFP 118

A. Reunião e cerimônia o dia inteiro; abandono da luta; desinteresse por tudo quanto não diga respeito ao próprio indivíduo ou aos ambientes joaninos; espiritualite 119

B. Heresia branca, pentecostalismo e maçonismo 125

C. Igualitarismo, cesse da militancia e aversão pelo espírito militar 125

IX. Hipocrisia e duplicidade joanina no que diz respeito à aproximação com a Estrutura 126

A. O defensor intransigente de nossa independência em relação à Estrutura, afirma que colocar a TFP sob a canga da Estrutura é um absurdo, a maior das loucuras, uma traição 126

B. A TFP não necessita de reconhecimento eclesiástico - Nossa estrutura jurídica está perfeitamente em ordem do ponto de vista do Direito Canônico 130

C. Graças a Deus, nosso público não tem nada a ver com os padres. No Brasil, o clero perdeu o prestigio 131

D. É preciso não dar à Estrutura nenhum pretexto para nos pulverizar 132

E. A Estrutura se empenha em destruir a Dr. Plinio ... 132

F. Em Cuba, João Paulo II fez uma das piores ofensas a Deus ... 133

G. O pior obstáculo que vamos encontrar é a Estrutura conservadora – O Novo Código de Direito Canônico tem desagradável odor ecumênico 134

H. Correlação entre Missa Nova e os “horrores” do progressismo: 134

I. “Um pedido de Dom Roberto é uma ordem para nós” 135

I. Posição de Dr. Plinio e da TFP em relação à Estrutura


A. Enunciado


1. Concordância total? divergência total? ou divergência parcial, mas permanecendo dentro da ortodoxia e da disciplina?


Imbroglio, Detraction, Delire”, p.158:


Pour autant qu’on soit en déssaccord avec plusieurs des actes pratiqués par Paul VI, il est faux qu’aucun d’entre eux ne mérite l’éloge. Si un solliciteur de dons s’adresse à une personne qui ait sur ce Pontife une opinion incertaine, ou même qui lui soit favorable, il agira avec déloyauté s’il donne à entendre que a TFP était en accord avec Paul VI sur tous les points. Mais il agira intelligemment si, pour montrer l’impartialité de a TFP, il le loue sur les points où il peut légitimement être loué. D’autant plus que, pour qui a déjà entendu parler de la TFP, il ne peut y avoir le moindre doute quant à la divergence respectueuse, mais catégorique et publique, entre la TFP et plusieurs des grandes lignes de ce pontificat, comme ce qu’on appelle “l’Ostpolitik vaticane”.

Le Rapport ne prend rien de tout cela en considération. Il se lance immédiatement vers la pire hypothèse, donnée aussitôt comme prouvée: la TFP cherche à donner au cotisant éventuel l’illusion qu’elle entretient à l’égard de Paul VI une concordance sans nuages.

Cette accusation entre en contradiction avec les faits. Car les TFP on écrit avec tant de courage, et tant diffusé leur proclamation de résistance à la politique de Paul VI à l’égard des gouvernements communistes, et elles ont souffert à cause de cela tant d’opposition qu’on peut dire que parmi les organisations qui, tout en n’étant pas en accord avec Paul VI, sur plusieurs points, se sont maintenues dans l’orthodoxie et la discipline de l‘Eglise, les TFP ont eu une position de relief.

La Déclaration de Résistence des TFP à “l’Ostpolitik” de Paul VI, publiée dans 57 journaux ou revues de onze pays, ne permet pas à ce sujet le moindre doute.





2. Obediência até toda a linha do necessário. Altivez e defesa, até toda a linha do permitido


Reunião de Recortes, 24/6/89:

De um lado, vemos Mons. Léfèbvre, D. Mayer e outros, que se atracam contra o poder pontifício, desobedecendo-lo etc. E outros que, em nome do mesmo poder, também o atacam. São os papas e os antipapas coligados para a destruição do Papado.

Fora disso, fica a TFP, sustentando todos os direitos do Papado, ainda que este faça contra ela o que fizer. Numa atitude de respeito e de ordem. Também numa atitude de firmeza e defesa da Igreja contra o próprio Papado, que O mantém íntegro. Mantém o Papado íntegro, mas lhe diz todas as verdades que tem que dizer, se defende contra ele e defende a Igreja contra ele.

Isto é algo da Igreja que fica de pé! E para os que sonham com a autodemolição da Igreja, uma torre ficar de pé, é uma coisa insuportável!

É o estado de espírito dos cavaleiros medievais: com couraça até o pescoço; com elmo e capacete; proteção até onde for possível. Na ponta da lança, a coragem até onde for possível! Também, obediência até toda a linha do necessário. Altivez e defesa da Igreja, até toda a linha do permitido. Não ter dúvidas nem alternativas a esse respeito.





3. Conjugação entre o pensamento da TFP e o pensamento na TFP. Pontos em função dos quais concordamos ou discordamos com a Estrutura: igualitarismo, relativismo, Tradição da Igreja


Imbroglio, Detraction, Delire”: pp. 174 ss. :


Les TFP sont des associations civiques fondées sur le Magistère traditionel de l’Eglise. En tant que telles, elles ne prenent pas de position officielle en des domaines de caractère religieux. Par exemple, la question de l’Ordo Missae de Paul VI. Mais, par le fait même qu’elles se fondent sur la doctrine catholique, leurs membres et sympathisants, tous pratiquants, ne peuvent manquer de se demander, au vu de la crise actuelle, si dans le domaine civique --autrement dit temporel-- tel ou tel document ecclésiastique non garanti par le charisme de l’infabillité est en harmonie avec la doctrine traditionelle des Papes. Ou encore si la politique suivie par tel ou tel Episcopat, ou même par le Saint Siège, face au péril communiste, a pour effet de diminuer ce péril ou de l’augmenter, ou encore si elle est inoffensive.

En ces matières, les TFP peuvent se prononcer officiellement et publiquement, et elles l’ont déjà fait. Par exemple, dans leur Déclaration de Résistance (...). Elles peuvent aussi prendre formellement position sur des questions analogues. Par exemple, dans les conférences et les réunions des TFP, il est afffirmé que la Lettre Apostolique “Octogesima Adveniens” de Paul VI a introduit une grave confusion dans les milieux catholiques en permettant aux fidèles d’opter pour quelque forme particulière de socialisme qui ne soit pas incompatible avec la foi chrétienne, en contraste avec l’enseignement de Pie XI, selon lequel les expressions “socialisme religieux” et “socialisme chrétien” sont constituées de termes qui “hurlent de se trouver ensemble”. Pareille confusion doctrinale conduit à favoriser lourdement l’expansion des erreurs du socialisme et du communisme dans le monde catholique. Ce serait dans les limites réglementaires des TFP que de le constater publiquement, et si elles ne l’ont pas encore fait, c’est que jusqu’à présent cela ne leur a pas paru indispensable.

Une fois définie la position des TFP en tant qu’associations, il faut observer pour leurs membres et sympathisants que, comme catholiques (tous ou presque tous communiant quotidiennemmnt et récitant tous les jours le rosaire, etc.), ils éprouvent personellement la répercussion des problèmes spécifiquement religieux qui ont convulsionné l’Eglise après le Concile Vatican II. Il est inévitable qu’en tant que simples catholiques, ils échangent leurs opinions sur ces questions. Concrètement, cet échange d’opinions n’a jamais donné lieu à des dissensions. Au contraire, il en est sorti un consensus ferme et bien mûri à propos des principaux thèmes en rapport avec le mysterieux processus d’autodémolition que traverse l‘Eglise, et sur la fumée de Satan qui y a pénetré.

Cette harmonie s’explique facilement. Car un grand nombre de questions débattues sur le plan strictement religieux présentent des analogies impressionantes avec les problèmes qui affectent de nos jours la vie temporelle. Par exemple, le cours des transformations politiques, sociales et économiques tend continuellement à réduire les inégalités, sans distinguer si elles sont justes ou non. Sous-jacent à ce phénomène, sans doute le plus important dans la vie des peuples contemporains, se trouve le faux principe moral que toute inégalité est intrinsequement injuste. A son tour, sous-jacent à ce faux principe moral se trouve le faux principe métaphysique qu’il vaudrait mieux que toute la création soit composée d’êtres égaux.

Or, après le Concile Vatican II, l’Eglise a subi en plusieurs domaines d’importantes réformes. Toutes celles qui se rapportent aux inégalités existant traditionnellement dans l’Eglise, tendent à diminuer ces inégalités. Il est évident que les membres et sympathisants de la TFP, continuellement sur leurs gardes quant à la réduction indistincte des inégalités dans l’ordre civil deviennent ipso facto spécielement sagaces pour discerner les effets du même souffle égalitaire dans l’Eglise.

Un autre exemple. Le communisme est essentiellement relativiste. La pensée plilosophique des membres et sympathisants de la TFP est essentiellement thomiste. Ils acquièrent donc la facilité de percevoir jusqu’aux symptômes les plus discrets de l’influence du relativisme. Cela explique que tous considèrent, par exemple, avec une égale perplexité et une égale inquiétude l’essor du mouvement ouecuménique dans les milieux catholiques et ses répercussions en de si nombreux actes d’autorités ecclésiastiques.

Beaucoup d’autres exemples de ce genre pourraient être mentionnés.

Le consensus, tout à fait personnel, des membres et sympathisants de la TFP en certaines matières étrangères à la sphere civique, ne constitue pas la pensée officielle de la TFP. Mais il donne lieu à un consensus extra-officiel dans la TFP.

Il est indéniable que de cette analyse, provenant de la conjugation de la pensée officielle de la TFP et du consensus général (purement personnel et extra-officiel) dans la TFP, il résulte une vision qui embrasse en un seul panorama les innovations conciliaires et post-conciliaires survenues dans l‘Eglise et la crise culturelle et socio-économique du monde d’aujourd’hui. Cette vision, y compris en ce qui touche l’Eglise, est chargée de préoccupations, d’étonnements, de perplexités, et même d’objetions: dans la mesure où elles sont compatibles avec la ferme profession de l’infaibillité de l’Eglise et du Pape, et l’impossibilité que les portes de l’enfer prévalent contre elle.

Cela ne signifie nullement que le Concile Vatican II n’ait rien de bon. Car cette appréciation se rapporte seulement à celles des innovations, dans l’ère post-conciliaire, qui présentent des dissonances avec la Tradition catholique.


Résumons pour plus de clarté:

  1. Tout ce que l’Eglise conserve de conforme à la Tradition est bon.

  2. Tout ce qu’elle innove en harmonieuse continuité avec la Tradition est également bon.

  3. Ne sont pas bonnes les transformations en heurt avec la vraie Tradition.

On ne peut eu aucune matière qualifier cela, comme le fait le Rapport, d’une conception totalement négative de l’Eglise.


*


Reunião de perguntas e respostas, Encontro de CCEE 22/6/84:


(...) um correspondente de valor da TFP, me faz essa pergunta: "Condena, o Senhor, todo o II Concílio do Vaticano? Por que?"


Estudar todo o Concílio do Vaticano, os senhores devem lembrar-se que o Concílio do Vaticano levou, pelo menos, vinte anos para ser feito. Quer dizer, para ser preparado o esquema que o Concílio aprovou. O Concílio foi rápido, mas a confecção do esquema levou pelo menos vinte anos. Com a participação de uma equipe brilhantíssima de teólogos, com os quais eu não concordo em quase nada.

Bem, eu não teria ... não tenho nenhuma dúvida em dizer que não tenho tempo, eu pessoalmente, para estudar o Concílio Vaticano inteiro. (...) Temos as pessoas de distinção, de inteligência, de cultura, uma mais especialmente, muito mais especialmente, que está estudando o Concílio Vaticano em toda a sua periferia, mas para dar a volta nessa cidade, fazer o circuito de toda a muralha leva tempo. Aí eu estaria em condições, conversando com este dileto amigo, um filho, eu estaria em condições de formar a minha opinião pessoal, e de propor aos senhores uma opinião. Que isso seria sempre uma opinião de amor e de submissão à Santa Igreja Católica.

(...) Mas uma vez que (...) há dissonâncias entre aspectos do Vaticano II e aspectos do ensinamento tradicional, com quem ficar?! Não é por uma preferência pessoal, mas é porque eu conheço a doutrina da Igreja, que eu digo: "Nada pode ir contra o ensinamento tradicional da Igreja Católica".

(...) Eu vejo homens eminentes pela situação que ocupam na Igreja, eminentes alguns pelo seu preparo teológico, e que dizem coisas que coincidem com o que eu sempre entendi ser o ensinamento tradicional da Igreja. Um é que "a heresia não tem o direito de existir". Ela pode ser tolerada, mas ser tolerada é uma coisa, permitida é outra coisa, permitir não pode!

Quando eu li o contrário no Concílio, quando eu li o discurso final do conhecido e famoso Cardeal Otaviani dizendo que ele tinha que mudar as convicções dele até então adquiridas, e conformar-se com o princípio da liberdade religiosa afirmada no Concílio, eu fechei o livro e disse: "Com isto eu não estou de acordo. Se até um homem desses teve que mudar, eu digo, eu não mudo, porque a tradição não muda".

Ponderem, ponderem bem os senhores que eu estou falando aqui no exercício da minha função de Presidente do Conselho Nacional da Sociedade Brasileira da Tradição, Família, Propriedade, TFP. Mas que é preciso estabelecer um matiz dentro disso. A TFP existe como uma sociedade que visa a realização da Civilização Cristã, e que está ordenada para que a sociedade temporal se ordene de acordo com a lei de Deus. Esta TFP não é chamada, portanto, para se pronunciar a respeito de assuntos teológicos, a respeito de assuntos desta elevação. Mas se chega um determinado momento que eu digo, como digo na TFP, a doutrina social, a doutrina, toda doutrina que serve de fundamento à nossa ação é a doutrina católica, e eu vejo que este fundamento vacila em alguns pontos no Concílio, eu não posso deixar de me pronunciar sobre isto, porque é o próprio fundamento de nossa obra que está em jogo. E então eu estou certo de representar o consenso unânime de todas as TFPs dizendo: nós, como católicos e como particulares, temos nossa opinião formada, isto repercute nas atitudes da TFP. É natural.





4. Fidelidade completa ao que foi ontem, tem que ser hoje e será amanhã


Encontro CCEE 30/5/88:


(...) tendo a TFP uma posição da qual dissente de um modo explícito grande número de Bispos do Brasil, e da qual dissentem, implicitamente pelo menos, pelo silêncio, a quase totalidade do episcopado brasileiro, (...) ver essa frente única ou quase tanto de srs. Bispos, uns pela palavra e outros pelo silêncio, alheios à TFP, eu compreendo que muitas famílias, tributando ao clero o respeito, a veneração que o espírito católico manda que se tribute, que elas tenham uma certa surpresa e uma certa perplexidade.

"Se vocês são tão católicos, como explicar que logo esses representantes tão qualificados, tão autorizados tenham diante da TFP essa atitudes? Nós não compreendemos."

É evidentemente indispensável por os pés na realidade e mostrar a eles qual é a situação. A situação é de uma crise profunda da Igreja, no Brasil e no mundo inteiro. Essa crise se traduz por fatos inéditos, que a piedade de muitos dos nossos procura não ver. E vendo, procuram não olhar até o fim, não olhar até as últimas conseqüencias. Mas não olhar a verdade inteira traz sempre prejuízo. A gente deve ver as coisas como são.

[Acontece que] eles mesmos não se entendem entre si, tão profunda é a crise! E se eles não se entendem entre si, é explicável que não nos entendam também. Porque se entre eles há trevas, é explicável que entre eles e nós há trevas também. Mas as trevas existem entre eles.

Por exemplo, quando frei Boff foi convidado por Roma, para conservar um ano de respeitoso silêncio e de reflexão a respeito de objeções que a Santa Sé fez a um livro dele, uns 10 ou 12 Srs. Bispos publicaram um manifesto declarando sua inconformidade com essa decisão da Santa Sé.

(...) Mas, depois disso, tem saído várias declarações de desacordo uns contra os outros. (...)

Se esse é o desentendimento, custa a compreender que a confusão nos envolve também a nós, e que eles não nos entendam? Nesse estado de crise, quando os fiéis estão numa situação em que eles vêem os pastores tremerem, e eles vêem, diante do ensinamento dos pastores, muitas vezes eles não entenderem o nexo que há entre o ensinamento do pastor e o ensinamento tradicional da Igreja Católica Apostólica Romana, eles não têm o direito de se levantar respeitosamente, mas categoricamente e dizer: "Eu tenho tais razões, e por tais razões eu não estou de acordo? E eu afirmo a minha posição, não porque eu inventei isto contra a opinião deles, mas porque eu aprendi isto deles, em tempos mais felizes e melhores?"

Não se trata de que nós tenhamos inventado doutrinas. Não! Nós conservamos doutrinas, nós alegamos doutrinas, nós nos baseamos nos livros que sustentam a doutrina católica, sustentada ela mesma, ensinada ela mesma pela Igreja durante dois mil anos! E ninguém ousa negar isso. O que nós dizemos é que mudanças não são possíveis no ensinamento infalível da Santa Igreja Católica Apostólica Romana!

(...) Nós apelamos para isso. Essa é a verdade, isto sempre foi ensinado. Nossos maiores, muitos dos que aqui estão presentes, no tempo de meninos, no tempo de moços, ouviram ensinar e fazer o contrário do que se ensina e se faz hoje. Eu pergunto: nessas condições, nós temos o direito de nos calar e de não protestar? Tenha paciência, isso não é possível!

Aliás, foi o que nós dissemos num documento dirigido ao Papa Paulo VI e que falava a respeito da política dele face ao comunismo. Nós dissemos a ele, num trecho do documento: "Nosso coração é vosso, nós somos vossos, nossa alma é vossa. Mandai o que quiserdes, que nós o faremos. Só não nos peçais que nós cruzemos os braços diante do inimigo que avança contra a Igreja". Isso não peça. É o manifesto da resistência católica, que nós publicamos em 1974, há 14 anos. Bem, até hoje não se levantou uma palavra contra esses manifesto.

Quer dizer, nós estamos numa posição inteiramente segura, inteiramente garantida. Qual é essa posição? É da fidelidade completa ao que foi ontem, tem que ser hoje e será amanhã!





5. Natureza de nossa associação: cívica? apostólica? – Fisionomia espiritual e temporal da TFP


Imbroglio, Detraction, Delire”, pp.249 ss. :


  1. Les TFP sons des associations civiles, fidèles aux

documents du Magistère traditionnel de l’Eglise; aussi leur sujétion à la Hiérarchie concerne spécifiquement les matières de foi et de moeurs.

  1. Les personnes qui y consacrent toute leur vie, le font

pour réaliser les activités de l‘association dans le domaine temporel.

  1. Ces activités, pouvant remplir toute une vie, exigent

une grande fidelité à discerner ce qui est orthodoxe de ce qui est hétérodoxe, spécialement dans la lutte contra la guerre psychologique révolutionnaire que le communisme opère au moyen d’innombrables organisations, styles d’action, et manipulations psychologiques (dans leur grande majorité astucieusement déguisées); elles exigent aussi dans la vie individuelle, une grande conformité avec la morale catholique, en refusant toute concession em matière de moeurs, comme em matière de doctrine. Tout cela ne rend l’ambience interne de la TFP respirable que pour des catholiques apostoliques romains pratiquants.

Bien sûr, de nombreaux anticommunistes non catholiques s’approchent des TFP et collaborent avec elles en certaines activités. Cependant, quand l’un de ceux-ci, encore jeune, se met à fréquenter les sièges d’une TFP et à lui consacrer une bonne partie de son temps, ou bien il finit par se retirer discrètement et cordialement, ne supportant pas son hétérogéneité avec l’ambiance , ou ... ce qui arrive bien des fois, il se convertit.

Ces conversions ne sont pas la finalité des TFP. (...)

De telles convertions, au caractère tout à fait occasionnel, ne qualifient donc pas la TFP comme une association spécifiquement d’apostolat.


4. (...) les membres et les sympathisants de la TFP exercent les uns sur les autres un apostolat.

Avec la coutume, cet apostolat a formé ses objectifs et son style. Les objectifs sont la pratique exemplaire des Commandements de la Loi de Dieu et de l’Eglise, la Communion quotidienne, le Saint Rosaire. Les méthodes sont essentiellement constituées par la prise des contacts personnels de façon facultative et non structurée. Les conférences et réunions portent habituellement sur des thèmes historiques, culturels ou socio-economiques, du présent ou du passé. Mais ils comportent dans une certaine mesure l’exposition de thèmes religieux.

(...)

Mais encore une fois, toutes ces actions intrinsequement si louables, ne son pas l’essence de la TFP, et ne lui en caractérisent pas la nature.

Pour illustrer cette affirmation, imaginons un grand journal quotidien fondé par un groupe de catholiques pour développer, sur une base catholique, une action identique à celle que développe la TFP sans disposer d’un quotidien. Ce journal pourrait, tout comme le pourrait la TFP, englober, pour servir ses objectifs, de multiples activités temporelles. Du point de vue ecclésiastique et civil, il n’y aurait rien à redire.

Pari passu, l’atmosphère religieuse dans les salles de rédaction pourrait être exactement celle des sièges de la TFP. Les rédacteurs et les ouvriers pourraient avoir une conduite apostolique les uns à l’égard des autres. La direction pourrait promouvoir la réalisation de Messes et favoriser les possibilités de confession. Rien de tout cela n’altérerait le caràctere du journal: celui d’une oeuvre fondamentalement orientée vers la lutte dans la societé temporelle, selon les principes catholiques; donc soumise à la Hiérarchie du point de vue de la Foi et des moeurs, en ce qui concerne toutes ses activités internes et externes.

Telle est la véritable physionomie spirituelle et temporelle de la TFP.




6. Finalidade específica de nossa instituição


ENSDP 2/1/89


Queria que todos fixassem bem no espírito algo que sabem, mas que vira e mexe com a onda feita pelos jornais, (...) sai até do espírito dos membros da TFP.

A finalidade (...) de qualquer organização política grande consiste em atingir a massa da população. (...)

[A TFP], nas ações que desenvolve sobre a massa, ela tem uma finalidade ao mesmo tempo mais profunda e mais especializada.

A TFP age sobre o meio católico brasileiro, aquilo que se poderia chamar Igreja Católica, Apostólica, Romana no Brasil, criando um clima de desconfiança, de retraimento, quando não de hostilidade, contra o esquerdismo católico.

O efeito disso não é tirar gente da esquerda católica e passar para o centro, ou tirar do centro e passar para a direita, mas visa um efeito diferente.

É fazer com que muita gente não se acerque da esquerda, não se aproxime da esquerda. Que os que estão na esquerda, uma aba mole fique na dúvida, e perca uma parte de seu entusiasmo. Que o centro tenha medo de andar para a esquerda. E que a direita não tenha medo de vociferar contra o centro.

Essa é a utilidade da ação da TFP.

Agora, qual a utilidade disso para o conjunto das coisas no Brasil?

Devemos imaginar que todos os católicos brasileiros – 90% da população – recebessem sem reação a ação da Estrutura. O resultado seria que 90% dos brasileiros seriam praticamente comunistas. [E] os que não acompanhassem a Estrutura, não a acompanhariam, mas com remorso, com dúvida de consciência, sem saber se estariam fazendo bem ou fazendo mal. E portanto lutariam molemente. Se é que lutassem, se simplesmente não cruzassem os braços, que era o mais provável.

O que a TFP faz dentro disso? Ela faz exatamente isso: ela produz o descolamento entre o que nós chamamos globalmente, num sentido um pouco incorreto, de Estrutura, e que vem a ser os Bispos, Padres, frades, freiras e todo o Clero e Ordens religiosas em geral, e aqueles que fazem parte das organizações que eles dirigem; e a massa que essa Estrutura quer levar consigo, e por esta forma esta última fique sem meios de ação tão grandes quanto ela poderia ter.

[A ação da TFP] é ou não é sobre o público? É sobre o público, e até sobre o grande público. Mas especializada quanto a um ponto: não é sobre todos os pontos, todas as matérias, todas as questões, mas num ponto determinado que essa ação especializada se desenvolve, o ponto das relações com a Estrutura.

(...) Quando a TFP começou a lutar contra o esquerdismo católico há trinta anos atrás, com o livro RAQC – que foi o primeiro livro que soltamos contra o esquerdismo, o primeiro livro que publicamos sobre questões sócio-econômicas, o "Em Defesa da Ação Católica" não trata senão na tangente de problemas sociais e econômicos, trata de fato de uma questão interna da organização da Igreja – a onda toda estava indo para o lado da Estrutura. E contava com o apoio declarado da Estrutura para fazer a Reforma Agrária.

E foi uma tal surpresa ver que dois Bispos, e um católico geralmente reconhecido como praticante, e dos mais fervorosos, lançassem um livro contra a Reforma Agrária, que o livro se transformou em "best-seller". (...) O Episcopado paulista [batalhou] de todo jeito a favor da Reforma Agrária. Não foi possível fazer o pessoal católico apoiar a Reforma Agrária. Resultado: a Reforma Agrária não passou.

(...)

Então, há uma ação do adversário e da Estrutura contra a propriedade privada. Há uma reação da TFP. E a coisa cai.

(...)

[Ao longo de 20 anos após o lance da RAQC, a TFP] não esteve inerte. Ela, internamente nos meios católicos, em jornais católicos, em revistas católicas, em conferências etc., em atitudes com o povo na saída de igreja, ela alertava contra a propaganda a favor da RA, feita dentro dos meios católicos: dentro dos seminários, das Universidades, das associações religiosas etc. Dentro desse meio a TFP alertava contra o progressismo em geral. E isso, durante esses vinte anos, acarretou uma mudança de situação fundamental.

Qual é essa mudança de situação?

Quando começou o problema da RA, o povo brasileiro, que é muito pacífico e afetivo, tinha uma obediência cega ao Episcopado, tinha uma obediência cega ao Pároco.

Ao cabo desses vinte anos, a propaganda da TFP denunciou a penetração da esquerda no Clero, denúncia essa publicada em tais livros e em tais datas, em tais circunstâncias. (...) A TFP tem um papel estabelecido, uma posição estabelecida. E a grande maioria dos fiéis hoje tem uma desconfiança do Clero. E o Clero não arrasta como arrastava. (...) A que se deve isso, senão à ação da TFP?




7. Na caminhada de todas as coisas para instaurar o reino do demônio: preparar-se para a luta? ou preparar-se para uma acomodação? – Nossa posição perante a terceira força


No Santo do Dia de 5/1/94, logo de terem sido proclamadas as repercussões de um Open House realizado no Eremo Praesto Sum, Dr. Plinio faz uma análise que, aplicada à presente crise, elucida o cerne da discórdia entre nós e JC:


Havia um certo número de mafiantes. (...) eles fizeram uso da liberdade de falar à vontade. Via-se também que esses mafiantes eram sobretudo mafiantes de origem eclesiástica e que a principal força que atua contra nós é o pessoal da esquerda católica. Isso se tornava evidente. Não eram os ateus, não eram os comunistas, não eram sei lá o que, era o pessoal da esquerda católica (1).

(...) Minha impressão é de que o número de pessoas que ficaram mais favoráveis a nós depois de ter vindo, do que eram antes de vir, cresceu consideravelmente. E o número dos que tendo estado aqui passou a ser francamente simpático à TFP era digno de nota. (...)

Isso dá uma impressão geral de que no seu atual momento se pode afirmar o seguinte: que colocada diante de uma situação em que toda a cidade de São Paulo tivesse que assistir um alardo, que haveria uma maioria definida a favor do alardo. Essa maioria não seria uma maioria que passava de ser a favor do alardo e daquilo que se entrevê a respeito da TFP nos alardos, que passasse daí a ser incondicional da TFP. Isso seria afirmar demais.

Mas era um número que em todo caso cresceu bem com essa cerimônia e que em outras manifestações dessa natureza poderá crescer também. E crescer expressivamente.

Agora cabe perguntar o seguinte: há 5 anos atrás isto teria sido assim?

A minha impressão é que não teria sido. Que havia antipatias definidas, cristalizadas, bem numerosas, que havia pessoas que se viessem, vinham com rancor, e que à medida que fossem vendo coisas que solicitassem a simpatia e admiração delas, que elas iam estimulando em si mesmas disposições de alma e fabricando sofismas para justificar o rancor no qual queriam ficar, e que quando saíssem daqui sairiam com o mesmo rancor, ou com um rancor ainda aumentado. (...) E que portanto, a TFP tinha um número --essa é a consequência importante-- muito menor de simpatizantes e de áveis de ultramontanáveis, e que havia um número muito maior dos que odiavam e uma boa parte da opinião ficava de fora da questão, como uma questão que não lhe interessava, antipatizando, mas sem se interessar. Que este era o quadro geral. (...)

O que é que houve de melhorado no quadro? Houve o seguinte:

Um número bem considerável de pessoas, mas bem considerável, de pessoas desgarradas que tinham opiniões fixas há 5 anos atrás e que depois por causa desse caos todo, não é dizer que entraram a ter opiniões diferentes, [mas] passaram a perder a capacidade de ter opinião. A confusão ficou tão grande, a coisa se tornou para eles tão embaralhada, que eles já não sabem mais bem o que pensar. E nem sabem se é possível pensar em função de tudo quanto eles vêem aí. E que nesse desgarramento sentem uma alegria vendo a TFP com seus princípios de ordem, de boa orientação, etc., na qual eles começam a ter vontade daquilo que eles rejeitaram. Porque nesses 5 anos a evolução que eles fizeram foi de perder cada vez mais o amor a qualquer principio de ordem. E chegando a desordem que está, eles começam a ver a ordem e ter saudade da casa paterna (2).

Essa é a meu ver a grande evolução. Eles começam a ter saudades, começam a ter admiração. Essa admiração e essa saudade conduz naturalmente a muitos deles, a um grande número deles, mas sobretudo aos católicos desgarrados que não sabem mais o que pensar dentro da Igreja sobre a crise da Igreja (3), conduz a uma posição de simpatia que pode ser um começo de itinerário rumo a uma modificação maior.

Agora a grande tarefa que se apresenta nessa situação para a TFP (...) é a seguinte:

O que fazer para favorecer essa caminhada, de maneira que eles estimulados nesta pequena melhora que tiveram, e aqui vem o lado importante, tendo nós a certeza de que esse caos vai aumentar cada vez mais e que eles, portanto, vão se sentir cada vez mais impelidos pelo caos, impelidos a olhar com saudades para a casa paterna, o que é que nós devemos fazer para que eles tenham as saudades da casa paterna autêntica, quer dizer, da Igreja Católica Apostólica Romana autêntica? Esse é o grande problema (4).

Qual é a modificação que houve? A modificação é sensível nesta base ex-católica e meio flutuando no ar que não aceita o movimento desencadeado --eu vou me servir das palavras do Cardeal Ratzinger-- depois do Concilio Vaticano II, não aceitam isso, não querem isso e por outro lado querem continuar a ser católicos (5). (...)

No tempo anterior ao Concilio Vaticano II (...) dois tons de voz diferentes se faziam ouvir na Igreja, embora de algum modo dizendo a mesma coisa, quer dizer, não havia oposição oficial de idéias. Mas vamos dizer, diante da avançada do islamismo no mundo (6), uns diriam: "que bom, ele está se aproximando, estão construindo mesquitas na Europa, vai ser possível os europeus convertê-los". Os outros diziam: "que perigo! que desaforo! A Europa é terra cristã, eles estão avançando aqui, é a reconquista da Europa pelo islamismo que está sendo feita. É preciso combatê-los".

A posição perante o islã como tal, a religião islamita como tal, a posição era a mesma: ambos recusavam a religião islamita. Mas uns viam na religião islamita um perigo, viam na religião islamita um inimigo, e portanto a necessidade de combater. Os outros viam na religião islamita uma coisa neutra, que não oferecia perigo, e cujo avanço abria portas para um diálogo ecumênico que só podia redundar em conversão dos islamitas à religião católica (7).

De maneira que então esses tinham prognósticos diferentes. E a mesma tática de diálogo, uns faziam desta tática um elemento de esperança, e outros faziam dessa tática um elemento de temor. Nós temiamos essa tática. Eles, pelo contrário, esperavam essa tática. Daí veio exatamente o nosso livro sobre o "Diálogo", que é a demonstração de que a tática pacifista, a tática ecumênica com o islã, como com qualquer outro adversário da Igreja Católica, que essa tática só pode ser um desastre e catástrofe. Pelo contrário, os outros achavam que esse diálogo daria certo (8).

(...) Mas no fundo havia uma coisa que eu também não sei se há 5 anos atrás os senhores sentiam. Eu sentia isto não só há 5 anos atrás, mas quando eu tinha 5 anos, digamos. (...) O que que eu sentia? (...)

Que mais a fundo se sentia na sociedade em geral um movimento de todas as forças, de todos os impulsos, de todos os desejos de transformação --naquele tempo se diria de renovação--, que tudo isto [estava] envolvendo tudo. Nada, nenhum campo da atividade humana escapava a esse impulso (...). E que nessa direção todo caminhava no fundo para a negação da religião católica, para a implantação de uma ordem nova que acarretasse a extinção da religião católica e a implantação da religião de satanás.

(...) E então da parte nossa tudo levava a desconfiar, tudo levava a pressentir, tudo levava a preparar para a luta, tudo levava a desejar a luta, tudo levava à convicção de que a graça de Deus e o caminho da Providência só se encontrariam na psy-luta.

Tudo no outro lado levava ao contrário: ao pressentimento de que as coisas caminhavam para um acordo cômodo, um acordo profundo, um acordo com modificações muito importantes, com modificações até gigantescas, mas nas quais a Igreja faria grandes concessões, mas essas grandes concessões Ela seria compensada por meio de grandes conversões, Ela chegaria mais perto dos maus, Ela tomaria a cara de má, e os maus A amariam exatamente porque eles amam o mal, e Ela tomando a cara do mal eles [se] sentiam aderentes a Ela, e com isso em torno dEla a luta declarada cessava, a perseguição declarada cessava, e que por esta forma uma grande paz A rodearia desde que Ela não falasse mais as mensagens de luta, de resistência, de intransigência que eram as suas mensagens antigas (9).


Comentários:

  1. JC, os eremitas de São Bento – Praesto Sum e o resto de joanistas se aliaram precisamente com esses que Dr. Plinio aponta como a principal força que atua contra nós.

  2. É a Graça Nova.

  3. O creme da Graça Nova é constituído por católicos cristalizados com a crise da Igreja.

  4. O que JC está fazendo nesse sentido? Ele está estimulando as saudades da Igreja verdadeira? ou está tentando atenuar a inconformidade dos fiéis em relação aos desmandos da “igreja” progressista? Seu “apostolado” aumenta ou diminui a decalagem entre os católicos e a Estrutura?

  5. A “sanior pars” da Graça Nova é constituída por aqueles que, por um lado, não aceitam as reformas conciliares, e por outro lado, querem continuar fiéis à Igreja.

  6. O islamismo é apenas um exemplo. Mais adiante Dr. Plinio afirma que está se referindo a qualquer adversário da Igreja. Assim sendo, poder-se-ia substituir a palavra “islamismo” por “progressismo”. Se o Leitor fizer isso, encontrará muitas luzes para entender a fundo a política de JC.

  7. Nós, os discípulos de Dr. Plinio, vemos no progressismo um perigo, um inimigo a combater. JC vê no progressismo um “inimigo” com o qual é preciso entabular um diálogo ecumênico.

  8. JC vê com esperança o diálogo com a Estrutura, nós o vemos com temor. Ele acha que a tática dialogante dá certo, nós achamos que é um desastre.

  9. Na caminhada de todas as coisas rumo à extinção da religião católica e implantação do reino do demônio, JC se prepara para uma acomodação. Daí as grandes concessões que está fazendo à Estrutura. Mas em compensação espera converter multidões. Pensa que chegando mais perto dos revolucionários e tomando cara de revolucionário, eles irão atrás do “Senhor Doutor Plinio”. Abandonando as mensagens antigas de luta, de resistência e de intransigência, JC pensa que evita estrondos e perseguições.


*


Encontro de CCEE, 30/5/88:


Está-se formando pelo mundo inteiro uma corrente chamada post-moderna, que é depois do moderno. Tomando o moderno como coisa velha, que já passou, e considerando que depois do moderno (...) passa a ser moda uma espécie de meio termo entre a modernidade e a tradição. E então, convidando os modernos a abandonarem uma parte de suas posições ousadas, mas convidando os tradicionais a não recusarem tudo quanto é moderno. Mas permitirem, concordarem com algumas coisas, que nós julgamos que são contra a Revelação e contra o Magistério da Igreja.

Essa tentativa de estabelecer um ponto de encontro entre a verdade e o erro, como meio de obter a paz, essa tática é velha. Já no tempo das perseguições dos romanos, no meio daquela sangueira, mártires, etc., etc., em certo momento os chefes pagãos mandaram propor aos católicos o seguinte:

Eles tinham aquele templo do Pantheon, consagrado a todos os deuses. Eles consentiram em que uma imagem de Jesus Cristo, Nosso Senhor, fosse colocada no Pantheon, entre os outros ídolos. Eram ídolos do mundo inteiro, de todos os povos. Bem, que fosse colocada a imagem de Nosso Senhor Jesus Cristo entre aqueles ídolos.

Os católicos adorariam a Ele, mas adorariam aos outros deuses. Os adoradores dos outros deuses continuariam a adorar seus deuses, mas adorariam a Jesus Cristo também. E se faria uma paz religiosa. Era muito atraente, porque, em última análise, cessavam as perseguições. (...)

Foi um dos lances mais belos do heroísmo católico dos primeiros séculos dizer: "Não! Jesus Cristo, só Jesus Cristo e inteiramente Jesus Cristo! Os outros, fora! ídolos, fora!"

Bem, é o que nós devemos fazer, se nos propuserem uma tal acomodação. Quer dizer, essa acomodação meio moderno -–entendam esse moderno o que quer dizer, não é? é modas, é costumes, é idéias meio socialistas... convergência, convergência-– ao mesmo tempo que doutrina católica, não! Querendo, nos liquidem. Nós estamos aos pés de Nossa Senhora. Mas nós continuaremos a dizer não. (...)

Haverá um momento em que nós seremos transformados nos heróis que nós queremos ser. É esse dia do heroísmo que eu espero de nós, no grande dia em que seja preciso enfrentar tudo, mas não ceder. Inclusive enfrentar o sorriso do meio termo e dizer: "Meio-termo, eu te conheço! O teu nome é mal, eu te rejeito!"


*


Despacho CCEE 13/10/85 (estavam presentes os joaninos Koury e Marcos Dantas):


Valeria a pena acompanhar o que Dom Eugênio [Sales] faz e o que ele monta, etc., porque ele, Dom Kloppemburg, estão fazendo aos poucos --aquele Luciano de Aracaju, Dom Marcio Barbosa-- uma verdadeira terceira força, que é mais perigosa para nós, do que esses padres (...) espoleteados. Porque o espoleteado define os campos. Os apóstolos da indefinição, da confusão, são os mais perigosos para nós. É a tática Milton Campos que se tem falado tantas vezes. (...) O Cardeal Ratzinger acho que é um homem dessa linha.





B. Alguns comentários de Dr. Plinio a respeito da Estrutura


1. O espírito contra-revolucionário é fundamentalmente e antes de tudo anti-progressista


Despachinho 18/7/85 – Dr. Plinio enumera os pontos para uma conferência do Pe. Olavo num Encontro de CCEE:


Em segundo lugar, a formação do espírito contra-revolucionário.

É preciso explicar o que é o espírito contra-revolucionário, para não entenderem que é uma formação preponderantemente política. Mas é uma formação anti-progressista, com suas derivações para questões sócio-econômicas. Mas fundamentalmente e antes de tudo, espírito anti-progressista.





2. Nunca ninguém divergiu de ninguém mais completamente, mais profundamente, mais frontalmente do que nós em relação à Estrutura


Na última reunião do Simpósio sobre o Novo Código de Direito Canônico, realizado no S.Bento, no 17/5/84, com a presença de vários joaninos --Atila Guimarães, Martini, os padres Gervásio, Antônio e Olavo--, às tantas Dr. Plinio disse, referindo-se ao momento do embate com a Estrutura:


Nessa hora --então, você pergunta o resultado prático-- nessa hora eu tenho a impressão que se dará a maior trombada ideológica da História.

Em que sentido a maior? Não no sentido de que envolveu o maior número de pessoas --nós somos um pingo de pessoas e eles são um mundo--, mas nunca ninguém divergiu de ninguém mais completamente, mais profundamente, mais frontalmente do que nós deles.

[Se] dizer: os cruzados e os maometanos?

Os cruzados estavam menos distantes dos maometanos do que nós estamos deles. E é duro dizer, mas é a pura verdade hein, dos que na aparência estão dentro da Igreja como nós, mas que pensam assim --um que seja entusiasta desse Côdigo e um de nós ... nós estamos muito mais longe um do outro do que um cruzado de um maometano.

Basta recorrer a uma coisa palpável. A arte é a expressão de uma mentalidade. O maometanismo, com todos seus defeitos, cria um ambiente psicológico e espiritual, etc., que serviu de ponto de partida, utilizando a arte bizantina e outros elementos culturais ainda, para o nascimento da arte maometana, árabe, muito bonita. Bem, então saiu uma coisa que a gente vê, por exemplo o Taj Mahal, eu acho o Taj Mahal uma beleza!

Agora, qual é a arte que sai da mentalidade dessa gente? É a Igreja miserabilista, é a liturgia de Dom Helder --com aquela negrada em Recife--, é enfim toda espécie de horror e estravagancia.

Agora, entre o gótico e o árabe, ou entre nós e eles, qual é a distância maior? (...)


*


SD 27/7/94


[As ordens religiosas fundadas no século XIX], logo no começo tiveram um esplêndido desenvolvimento, mas depois baixaram de nível, e sem que se possa dizer que elas não estejam prestando à Igreja assinalados serviços, é preciso reconhecer que umas pelas outras reagiram insuficientemente à investida progressista.

De onde uma série de resultados catastróficos, dos quais o mais assinalado é que não há uma ordem religiosa, uma família religiosa hoje no mundo, que esteja colocada face a investida progressista na posição em que está a TFP.

Quer dizer, quem somos nós? Nós somos o que não dobramos nem sequer um joelho... [aplausos]

Progressismo maldito nós somos em face de ti a despeito de nossa pequeneza, nós somos em face de ti o que São Pio X queria de todos os católicos: somos contra! Contra inteiramente, totalmente, debaixo de todos os pontos de vista, exatamente como fez São Pio X. Essa é a nossa posição. Como fez Santo Inácio de Loyola contra o protestantismo, contra a primeira Revolução e daí para frente.




3. A maior promotora do comunismo no mundo: a Estrutura


Despacho 10/11/81, citado em "E Monsenhor Lefevre vive?" pp.65-67:


Nós notamos que a Igreja (...) está em presença de um “renouveau”(...) do modernismo condenado por São Pio X.

Ora, esse modernismo é um morbus que afeta a árvore da Igreja inteira e não deixa nada, nada ileso.

(...) Esta revolução enorme dentro da Igreja, nas suas repercussões de moral social está dando uma revolução na ordem civil, a maior que houve. Todo mundo vê hoje, não há quem não veja, que a maior promotora do comunismo no mundo é a Estrutura.





4. As sacristias mais a maçonaria fizeram a IV Revolução continuar – O agente mais eminente das FFSS: a Estrutura

Trecho de CSN, 13/1/90:


Vocês devem se lembrar que terminada a Revolução da Sorbonne, eu disse: "Essa revolução não está encerrada. O pessoal vai se recolher nas sacristias, e de lá eles vão sair de novo". Foi feito exatamente isso. Porque se as sacristias não se tivessem aberto a isso, não teria havido nada. Aquela multidão de 500 mil que desfilou, teria sido triunfante se não fosse as sacristias.

Agora, apreciem um pouco a situação, ela acaba dando no seguinte: se não fossem as sacristias, aí sim era possível que a Revolução tivesse estancado por muito tempo. Porque a reação que aquilo produziu foi uma reação colossal.


(Aparte: A marcha dos nhonhôs?)


A marcha dos nhonhôs. Foi colossal! E depois, os nhonhôs do mundo inteiro não queriam que aquilo fosse para frente. De nenhum modo. Todos eles queriam para os seus filhos as outras coisas. Está bem. É tal o poder das sacristias, que elas tendo se aberto para aquilo, as sacristias mais a maçonaria fizeram a Revolução continuar.


*


Apostila-resumo da série de MNFs que o Sr. Dr. Plinio fez sobre o Apocalipse:


E veio um dos sete anjos, que tinham as sete taças,e falou comigo dizendo: Vem, mostrar-te-ei a condenação da grande meretriz que está sentada sobre muitas águas, com a qual fornicaram os reis da terra, e que embriagou os habitantes da terra com o vinho da sua prostituição. E transportou-me em espírito ao deserto. E vi uma mulher sentada sobre uma besta de cor escarlate, cheia de nomes de blasfemia, que tinha sete cabeças e dez chifres. E a mulher estava vestida de púrpura e de escarlate, e adornada de ouro, e de pedras preciosas, e de pérolas, e tinha na mão uma taça de ouro cheia de abominação e da imundície da sua fornicação (...). E vi esta mulher ébria do sangue dos santos e do sangue dos mártires de Jesus.


A descrição da mulher calha inteiramente com a idéia de uma força secreta impulsionando toda forma de mal (17/6/79).


A meretriz seria todas as Forças Secretas, mas dentro das Forças Secretas aquilo que veio à pertencer às Forças Secretas e ser seu agente mais eminente: a Estrutura. Dentro do conjunto das FFSS é atuante, sedutora, fazendo o papel de [agente]. Uma parte da Estrutura, a mais alta, faria parte da meretriz e o resto da besta.


A Estrutura sedus os melhores dentre os homens, os que resistiram a besta. A medida que ela vá deixando seus antigos ornatos, vai mostrando sua velhice e sua capacidade de influenciar é menor. (5/6/79)






5. Um conselho que eu não daria: “va se integrar no organismo de sua paróquia”


Trecho da RR 24/8/91, lido no "jour-le-jour" 13/1/97:


Os srs. imaginem que de fato o perigo comunista cessasse. A TFP perderia a razão de ser? É mesmo um absurdo imaginar que cessasse. Mas a partir do absurdo qualquer coisa se conclui. Enfim, imaginem que cessasse o perigo comunista. Vamos considerar de frente essa hipótese.

Vamos dizer, cessou esse perigo e nós vamos nos dissolver e vamos nos meter nesse mundo aí fora. Quem de nós garantiria a sua própria perseverança no estado de graça ao cabo de seis meses?

Uma das recompensas que nós recebemos de Nossa Senhora pela nossa posição anticomunista, é exatamente Ela nos articular em torno dEla com graças tais que nós temos condições de perseverança raríssimas, a tal ponto que, uma grande maioria dos que estão aqui e que deram a sua vida para servir a Nossa Senhora e que comungam todos os dias, rezam o rosário todos os dias, etc., não perseverariam nessa atitude se a TFP se dissolvesse.

Ainda mais com a crise da Igreja como está. Antigamente se diria: "Vá-se integrar no organismo de sua própria paróquia". Os srs. ousam dar esse conselho a um só?





6. Pode o homem da rua achar que nós nos reconciliamos com JP-II? Podemos nos apresentar, em público, como companheiros de viagem da Estrutura?


Referindo-se aos efeitos da encíclica “Veritatis Splendor” sobre a opinião pública, no sentido de constituirem um jogo para propagar a mentalidade relativista, Dr. Plinio comenta o seguinte no MNF 7/10/93 (no qual JC esteve presente):


(...) a reação fica quase impossível. Porque se nós nos levantarmos denunciando isso, vão dizer indignadamente que nós somos contra o papa. Bem, [nós] os únicos que são a favor do Papa na face da terra. (...) E de outro lado, se nós não reagirmos ninguém reage.

E a pergunta se põe: nesta Bagarre o que é que pode fazer a TFP?


(Sr. M. Navarro: Algo do gênero: "aplausos pela medida, agora, vamos implementar, agora estamos com Vossa Santidade para a implementação disso". Isso não iria?)


Não iria porque por exemplo, eu já pensei (...) em passar um telegrama. Primeiro um telegrama circular a todos os presidentes de TFP, e diretores de Bureaux TFP, perguntando se eles ... que eu estou pensando em mandar tal telegrama assim ao Papa e com a assinatura deles. Se eles estão de acordo que me telegrafem dizendo que sim.

Eles certamente... Leva um pouco tempo por relaxamento, porque tem que pagar a conta do padeiro antes, mas acabam dizendo que sim. Está bom. Nós passamos um telegrama assim.

O homem comum da rua vai achar que afinal nós nos reconciliamos com ele. E quando ele verificar que é “tout au contraire”, ele fica exasperado conosco: "não há meio de contentar vocês".


(D. Bertrand: E se nós reconciliarmos com ele nós estamos credenciando.)


Estamos, estamos. E depois não podemos nos reconciliar com ele sem trair a Fé. Quer dizer, não vai! Mas também se nós agora formos partir contra ele com pedradas, a coisa não vai (1).

Bem, e isso caracteriza completamente a Bagarre.


(...)


(JC: Agora, fica cada vez mais patente que fora da coluna que restou, que é o senhor, e que mantém o sacrário e o altar, fora isso não há mais nada. Quem quiser procurar em outros cantos vai bater em porta errada e vai entrar no lodaçal.)


Comentário:

  1. Há portanto 3 posições possíveis: a) reconciliar-se com a Estrutura; b) jogar pedradas contra ela; c) nem uma coisa nem outra. A primeira corresponde à posição de JC e seus sequazes; a segunda à de Atila Guimarães; e a terceira, à de Dr. Plinio.


*


Almoço 28/8/94:

É. Onde tem fumaça tem fogo. Onde tem Caiado tem TFP. E depois, às vezes, a gente se serve da contrafação para pular em cima dela e voar um pouco com ela, e largar antes [inaudível].


(Dr. Eduardo: Foi o que o senhor fez com os congregados marianos, não é?)


É.


(Dr. Eduardo: Na época a bucha embombou as Congregações.)

Ih, se embombou!


(D. Bertrand: O senhor uma vez deu uma teoria muito interessante que é toda a questão do companheiro de viagem. Às vezes a gente tem que fingir que é companheiro de viagem deles. Porque companheiro de viagem é o que tem metas menos longas, quer ir menos longe no caminho. Por exemplo, no caso uruguaio, quando tentaram Bordaberry, etc., etc., o senhor jogou magnificamente bem.)


Não me lembro mais.


(D. Bertrand: Ah sim, porque todos acharam que a TFP ficaria companheiro de viagens deles. E o senhor foi dando esquema um atrás do outro para as tratativas com eles, criando a ilusão a eles de que nós poderíamos vir a ser companheiros de viagem deles. Eles foram abrindo as portas, e em certo momento eles foram caindo e a TFP foi ficando sozinha. E hoje a TFP está numa posição boa e eles estão na rua da amargura.)


Estão liquidados. Mas a questão é bancar o companheiro de viagem privadamente nas conversas com eles. Isso é irrepreensível. Agora, bancar o companheiro de viagem aos olhos do público...


(D. Bertrand: Ah não, isso o senhor nunca fez.)


Nunca! É muito nocivo.


(D. Bertrand: Não, não, isso o senhor nunca fez.)


Porque é uma coisa curiosa mas é assim: a nossa indestrutibilidade provém da integridade de nossa posição.


(Dr. Paulo Brito: Exatamente. O perfil que ficou.)


(D. Bertrand: O senhor nunca se comprometeu com eles publicamente.)


Aquela briga que o Gonzalo teve com aquele advogado, que eles se encontraram na farmácia. Essa briga, ao meu ver, Paulinho, foi com o Roberto Barreto Prado.


(Dr. Paulo Brito: Ah, o Roberto Barreto Prado? Ele anda por aí, quase todo dia a gente encontra com ele na rua. E na Santa Terezinha, não é)


Mas o encontro foi na farmácia, não é? Mas era o Roberto Barreto Prado, ao meu ver. Nessa briga o Gonzalo disse:

-- Bom, mas Doutor Plinio foi sempre muito fiel.

-- Está bom, isso é uma coisa que todos reconhecemos, da continuidade e inteira coerência dele.


(D. Bertrand: O senhor nunca mudou o perfil para fingir companheiro de viagem dos outros.)


Isso. Portanto, não fingir companheiro de viagem aos olhos de terceiros. Mas na rodinha, na panela...


(D. Bertrand: E o prestígio da TFP em toda parte está em nunca ter mudado.)


Aí está a coisa.


(D. Bertrand: No próprio clero, muitos desses padres heresia branca, que se deixaram levar pelos acontecimentos, etc., hoje começam a reconhecer: "Não, vocês tinham razão". Esses assinantes de "Catolicismo" todos...)


(Dr. Paulo Brito: É impressionante como eles estão dando cartões... cada vez mais.)

Eu acho o plano, o modo da Providência nos levar, é um modo muito bonito, mas é um modo em que Ela nos põe à prova e põe a prova duramente. Está no direito dEla, e “Ave Crux, spes unica”. Mas é o seguinte: o que eu esperava, a reação que eu esperava produzir com o "Em Defesa" está produzida hoje.


(D. Bertrand: 50 anos depois.)


O "Em Defesa" se perde na noite dos tempos. Cinqüenta anos depois. Meio século depois está produzindo a seguinte reação: "Quem presta está do nosso lado. E eles não levam mais ninguém que preste". Levam cacarecos, gente ordinária, isso é claro que eles levam. Mas eles levarem quem não presta, é com eles mesmo. Mas quem presta está conosco.


(D. Bertrand: Quem tem algo de alguma coisa que ainda presta, começa [inaudível] para nós.)


Se nós soubermos nos manter nessa linha, não se sabe até onde se vai.





C. No estado de crise em que está hoje a Igreja, não podemos nos colocar sob a autoridade da Estrutura – Riscos inerentes a isso


Reunião para CCEE, em 10/2/86:


Pergunta: Tendo em conta que os Eremitas e camaldulenses pronunciam os seus votos solenes como em qualquer outra ordem religiosa, não pensou na possibilidade de que, devido a seus votos, sejam reconhecidos como ordem religiosa pela Santa Sé? Não seria isso mais meritório?"


Oxalá! Oxalá! Oxalá vem de “inxalá”, quer dizer, queira Deus. Acontece que no estado de crise em que está hoje a Igreja, eu não teria essa coragem. Ter voto de obediência a cada bispo diocesano... Eu os respeito muito como bispos diocesanos, mas não teria coragem de fazer voto de obediência a eles.


*


Em reunião do Conselho Nacional da TFP, de 5/2/76, chegou-se à seguinte conclusão: dada a lamentável atitude de considerável parte da Hierarquia católica em face, não só de certos problemas doutrinários, como ainda de questões sócio-econômicas, seria imprudente fazer qualquer transformação na TFP, levando-a a depender da autoridade eclesiástica. (Cfr. Atila Guimarães, “Servitude ex charitate”, Artpress, São Paulo, 1985, pp.157-160).


*


Em 19/3/96, os Provectos enviaram a JC um memorandum levantando sérias objeções quanto à conveniência e oportunidade de um eventual reconhecimento canônico da TFP, antes da Bagarre, principalmente pelo risco de divisão face a uma evolução interna da TFP, com a qual nem todos estariam de acordo, e de alienação de uma parte de nossa legítima autonomia canônica e psicológica face à Hierarquia.


Da procura de um tal ou qual reconhecimento canônico da TFP podem nascer dois tipos de riscos:


a) Externamente: perda da indispensável independência de nossas atividades


- Os assuntos de que a TFP trata em primeira linha referem-se primordialmente à ordem temporal. Os problemas de ordem temporal compreendem aspectos concretos a respeito dos quais os leigos gozam de autonomia de análise e decisão. Está na contingência das coisas humanas que, na apreciação de tais aspectos concretos, possa se produzir discrepâncias entre a autoridade eclesiástica e os leigos. Em tal caso, estes tem o direito de estar em desacordo com a opinião da Hierarquia, e de manifestá-lo, ressalvado o respeito devido.


Ora, o único estatuto canônico que preserva inteiramente a independência do Grupo é o que atualmente ele tem -- e que é o de associação privada não reconhecida. Qualquer outro colocá-lo-ia nas mãos da Hierarquia, retirando-lhe sua liberdade de atuação eficaz contra a Revolução.


- Por outro lado, no estatuto atual nenhum Bispo pode nos condenar legitimamente sem des-respeitar certos procedimentos canônicos que exigem acusações precisas e provas concretas. Caso obtivermos um reconhecimento canônico, bastaria a ele nos retirar dito reconhecimento para que sua atitude seja considerada, aos olhos do católico comum, como uma sanção.

- A partir do momento em que se obtenha um reconhecimento eclesiástico, a primeira questão que os dirigentes das TFPs serão levados a por-se, antes de lançar qualquer iniciativa, será a de avaliar o efeito dela no espírito da autoridade que nos concedeu tal reconhecimento.

E ficarão na opção de cumprir por inteiro nossa vocação --fazendo as denuncias que as circunstâncias o exijam--, com o risco de perder o estatuto adquirido, ou conservar este último ao preço de uma diminuição da força de impacto de nossas intervenções. O resultado mais provável será uma tangente que não atinja nem uma coisa nem outra, ficando numa posição de equilibrio precário.


- É ilusório imaginar que um mero reconhecimento canônico irá livrar-nos dos ataques de que somos hoje vitimas. O SDP, quando era Diretor do Legionário e Presidente da Ação Católica, gozava de uma situação muito melhor daquela que JC visa obter. Entretanto, isso não impediu que ele sofresse os maiores ataques e fosse “sancionado” pelo ostracismo.



b) Internamente: divisão do Grupo


Uma outra razão para recusar a transformação da TFP em instituto secular é a falta de unanimidade das aspirações religiosas dos membros do Grupo. Pois:

- uns almejam uma forma de vida em que não abandonassem seu estado de leigos;

- outros gostariam de algo na linha das ordens de cavalaria;

- alguns pensam em congregação religiosa;

- e os favoráveis a uma evolução rumo ao religioso, não tem unanimidade quanto aos contornos da nova instituição.


De maneira que essa transformação, ainda que fosse conveniente em vista das ameaças de perseguição, acabaria acarretando uma cisão dentro do Grupo.


Estas considerações também valem quanto à eventual fundação de uma associação religiosa paralela à TFP.





II. Posição da Estrutura em relação a nós


A. Na década de 1970: pedido de distensão


Mais ou menos em 1970, alguns bispos pediram uma “distensão” no relacionamento conosco, e o SDP recusou. Depoimento do Sr. Luiz Gonzaga (25/2/96):


Não recordo exatamente o ano, se foi 1993 ou 1994, os jornais noticiaram com realce (...) o falecimento de D.Agnello Rossi, que fora Cardeal em S. Paulo (...).

No café da manhã, presente o Coronel Poli, o Sr. Dr. Plinio ao tomar conhecimento do fato, relatou o episódio que segue (...):

Disse ele que por volta de 1969 ou 1970, [Dom Mayer insistiu para ir a] uma reunião no Palácio Pio XII, residência do Arcebispo de S. Paulo, com D. Agnello Rossi e dois outros bispos, ou arcebispos (...).

Antes de irem para a reunião, o SDP preveniu [a Dom Mayer] que ele seria o mais amável possível, mas não poderia ceder em nenhum princípio. Este último fez uma fisionomia de desagrado.

(...) eles pediram ao SDP que concordasse em que ele, ou seja a TFP, não tomaria nenhuma decisão, com repercussões públicas, sem consultar estes senhores arcebispos. O SDP muito amavelmente negou-se a isto, e o SDP comentou para o Coronel Poli e eu, que isto significaria amarrar a ação da TFP, ou seja dele.

(...) [Dom Mayer] saiu de cara amarrada do encontro.





B. Entre 1980 e 1995: pressão para nos colocar sob sua canga


Fala JC (“Juízo Temerário”, pp.106 e 268):


- A partir do momento em que houve o estrondo de Dom Mayer e do “Mutuca” contra nós [1983], passamos a fazer amizade com muitos teólogos europeus. Dessa época datam as pressões para que nós nos erijamos em função do Direito Canônico como associação privada de fiéis. Antigamente ‘Confraternitas laicalis’, pelo novo código “Associação Privada de Fiéis”.


- Posso lhes assegurar que os senhores não conhecem 10% sequer das várias pressões que tem sido feitas a esse propósito, desde há mais de 12 anos.


*


Depoimento de Dr. Luiz, 30/1/99:


O Pe. Cabreros de Anta disse ao JC mais ou menos o seguinte "ou atualmente se muda de posição [em relação ao Concilio] ou vocês estão perdidos". Foi claro: quem não se alinhar com tal tendência, hoje em dia não tem mais lugar. JC contava isso para fazer um teste, mas ele já tinha aderido. Esse padre Cabreros era muito mais importante que os Pes. Vitorino e Royo juntos, ele era grande notabilidade.


*


Depoimento de Dom Bertrand, 30/1/99:


Em 1990 eu estava em Paris e me telefona o Mr. Vesperien querendo ter um contato. Telefonei ao SDP e ele me mandou ir, acompanhado de Dr. Caio, mas estudando bem, antes, o documento dos Solimeo de resposta ao bispo de Ilhéus, e disse “ali tem tudo quanto DB vai ter de dizer ao homem”.

Dito e feito. Vesperien veio com muitos elogios à TFP, mas que a TFP seria muito mais eficiente se tivesse uma regularização canônica como a Opus Dei e que ele podia afirmar que a Santa Sé estava disposta a dar à TFP o mesmo status dados à Opus Dei. Inclusive uma prelazia pessoal para a TFP. Eu dei a resposta clássica que está, aliás, no recente comunicado da TFP àquele padre de Curitiba. Quer dizer, o SDP estava prevendo isso e não queria.

*


Depoimento do Sr. Dufaur, 30/1/99:


Durante anos eu li, na camáldula, L’Osservatore Romano. Havia coisas que o SDP queria ser informado com meticulosidade. E o ponto que ele mais exigia ser informado era toda e qualquer reforma que a Santa Sé fizesse nas associações católicas. Não somente nas ordens religiosas mas também nas congregações, associações, entidades etc.

Cada vez que saía reforma, com estatutos atualizados etc., o SDP sempre pedia resumo traduzido. E muitas vezes mandava pedir o texto integral. Eu não estava conseguindo entender o que ele queria e então ele me chamou e disse: o que eu quero saber é se o Vaticano numa dessas instituições fez uma reforma pela qual ficaria inexplicável que a TFP não aceitasse a fórmula apresentada. Portanto, queria saber, a “priori”, como se deu para ir estudando e se defender.





C. Após o falecimento de Dr. Plinio: tentativas para nos pinçar


Extractos do memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96:


Repetidas vezes o SDP disse na intimidade que ele acreditava que a Revolução, e em particular a Revolução eclesiástica, tinham posto um freio em seu avanço, entre outras razões, para esperar que ele morresse e poder “recuperar” o Grupo. Uma vez que tivéssemos subido no último vagão do trem, a viagem revolucionária poderia recomeçar sem verdadeira oposição.

Numa conferência em Paris, Maximo Introvigne passou o seguinte recado, logo depois de mencionar a TFP e o recente falecimento do SDP:


Bien entendu la situation de marginalisation pourrait évoluer soit dans le sens d’une intégration pleine dans la structure socio-administrative de l’Eglise catholique, soit dans le sens d’une rupture et de la création d’un véritable ‘nouveau mouvement religieux d’origine catholique’. L’attitude de la deuxième génération, aprés la mort du fondateur (...) est normalement très important à cet égard.


Quer dizer, ou nos integramos na Estrutura, ou seremos considerados cismáticos e sectários. Uma coisa não nos será permitida: permanecer na autonomia civil e religiosa na qual o SDP quis manter-se depois que foi marginalizado.


*


Depoimento de Dr. Luiz, 30/1/99:


O Mr. Vesperien provavelmente teve instrução para se aproximar de Dr. Caio ao oferecer dinheiro para o início do mailing [da TFP Françesa]. Dinheiro que já foi tudo devolvido. Mas com o tempo ele foi azedando. Logo depois da morte do Sr. Dr. Plinio ele telefonou ao Dr. Caio dizendo que tinha tudo preparado para obter um reconhecimento canônico da TFP e mais alguma coisa.

Dr. Caio sondou a ele: isso o Sr. me fala porque o SDP morreu?

Exatamente, respondeu ele.

Então Dr. Caio disse: se é assim, eu não tenho mais nada que falar com o Sr.

A partir daí, se romperam as relações. Em São Paulo constou que JC criticou Dr. Caio por ter pedido uma boa ocasião.


*

Fala JC ("jour-le-jour" 6/1/96):


O Sr. Dr. Plinio dizia que o grande problema após o falecimento dele, seria a pinçagem.

*


Depoimento do Sr. Edson Neves, setembro de 1998:


Quando estava andando a fanfarra, peregrinando com a Sagrada Imagem, visitando os padres, quando chegaram numa cidade do interior de São Paulo, se não em engano é Tatuí, fizeram lá os terços, as cantorias, coroou a imagem.

O padre de lá, não sei se é o pároco, que tem fama de ser virtuoso, chamou o Caio Newton e disse:

Isso foi contado no refeitório de Jasna Gora, o Caio Newton dando jornal falado. Depois ele deve ter passado esse recado para o André Dantas.


*


Trecho de "E Monsenhor Lefevre vive?", p.177:


[O Bispo de Montes Claros, após as apresentações de Fátima], de adversário público da TFP que era, atualmente vem dizendo que a TFP faz um bom trabalho.


*


Segundo um Bispo, haveriam duas fases na posição da CNBB: ontem, inimizade e preocupação para que a TFP não arrastasse o povo; hoje, ecumenismo - Proclamação, 29/8/96, 5ª feira, ANSA, Repercussões da peregrinação da cópia da Sagrada Imagem em São José do Rio Preto:

A preparação do terreno para este ciclo de apresentações, além da atuação vigorosa dos Êremos Itinerantes, teve ajuda de uma rádio local e foi bastante facilitada pelo apoio que o bispo da diocese, Dom José de Aquino Pereira, concedeu à TFP.

O primeiro contato travado com ele deu-se no ano passado a propósito da difusão do Livro de Nosso Pai e Fundador sobre a Nobreza. Daí em diante os membros da Comissão José de Anchieta, que seguindo expresso desejo de nosso Pai e Fundador, trabalham ardorosamente no apostolado com o clero e demais membros de ordens religiosas, continuaram o relacionamento.

Numa visita feita a ele poucas semanas antes do evento o bispo confidenciou:


Antigamente, quando se falava o nome da TFP em reuniões da CNBB era um verdadeiro alvoroço. A principal preocupação era saber o que se devia fazer para que a TFP não arrastasse o povo.

Agora, os tempos estão evoluindo, o Papa tem insistido no ecumenismo e seria um incongruência aceitar protestantes, islâmicos e budistas e não aceitar a TFP que é católica.

Eu vou apoiar. Não vou impor aos padres que aceitem. Mas darei o meu apoio.


E assim fez. Deu carta de apoio à campanha "Vinde, Nossa Senhora de Fátima, não tardeis!" e compareceu ao ato maior para coroar a imagem.

(...) Um cooperador perguntou a um senhor que estava conversando com o bispo quais eram os comentários que o bispo tinha feito:- Ah, ele gostou absolutamente de tudo. Ele disse: "esse pessoal da TFP faz tudo aquilo que nós tínhamos que fazer. Eles estão atraindo o público fazendo apostolado de Nossa Senhora. O que nós temos que fazer é começar a imitar a eles".














III. Posição de JC


A. Teses


1. Por enquanto não dá para constituir oficialmente uma ordem religiosa. Mas dá para ir estimulando tendências e incutindo idéias nesse sentido


Reunião para CCEE, Montes Claros, 9/6/96:


(Aparte: Todos nós temos bem presente quem somos nós. Agora, [as pessoas de fora] eles vêem a diferença da Estrutura e nós, mas nós estamos usando as igrejas. Eles perguntam o que nós somos. Como explicar o que nós somos. Perguntam por que é que nós não somos uma ordem religiosa, é a pergunta típica que eles fazem. Teria uma resposta que poderíamos dar?)


Sim. Toda ordem religiosa não se forma da noite para o dia. Toda ordem religiosa tem uma história, tem uma pré-história, tem uma fase de formação. Nós caminhamos para constituição de uma ordem religiosa. [Aplausos]. Mas ainda faltam-nos uma série de elementos, uma série de estudos, uma série de conhecimentos que é preciso ter para que isto se dê. Mas, nós por enquanto somos um movimento civil.(...) A TFP tem alguns que quiseram dar um passo na vida espiritual e quiseram fazer votos e fizeram votos nas mãos do Fundador. Mas, ela continua sendo um movimento cívico, ela é um movimento civil, não tem ainda nenhuma legalização religiosa, não está reconhecida pela Igreja enquanto um movimento religioso, ainda não. Caminha para isso. Mas a gente tem que esperar, tudo é feito a seu tempo.

*

Reunião para veteranos, 6/6/96:


(Kallás: Não sei se o senhor gostaria um pouco de comentar a reunião com os correspondentes ou a impressão que lhe passou. Não sei se ficaria apropriadamente agora.)


Não, sim, sim. O que me impressionou muitíssimo foi a atenção do pessoal. (...) Depois mais: atração para assimilar matéria, mas uma disposição de espírito, uma disposição de alma para entrar na luta, que eu me pergunto até se essas já não são características de uma ordem terceira.

Lembrem-se que o Sr. Dr. Plinio às tantas dizia no texto que alguns caminhariam para a constituição de uma ordem terceira da TFP. Ele até explicava que nas paróquias existem associações religiosas, Filhas de Maria, Congregado Mariano, não sei mais quanto. Existem umas associações assim, mas nenhuma delas participava --caso fosse de uma ordem religiosa como dominicanos, como beneditinos, como franciscanos ou então carmelitas-- da ordem como a ordem terceira. A ordem terceira já faz parte da ordem, já tem hábito, já tem símbolos da própria ordem, como era, por exemplo, Santa Catarina de Siena enquanto terceira dominicana, e vai daí para fora. Nós mesmos enquanto terceiros carmelitas.

Eu me pergunto: aquela gente estava numa tal disposição, num tal imbricamento, que se uma boa parcela daquilo já não constitui uma ordem terceira.

Ele disse que ia dar as características, mas foi-se, partiu sem deixar as características. Mas acho que estava muito nessa linha.


*


Reunião para CCEE, Montes Claros, 9/6/96:


Ainda agora durante o simpósio que houve em São Paulo, eu tive oportunidade de ler textos a respeito dele, e todos sabem que nas paróquias antigamente existiam as associações paroquiais, como por exemplo, Congregados Marianos, a Congregação das Filhas de Maria, o Apostolado da Oração, os que pertenciam a uma organização ligada ao Sagrado Coração de Jesus, etc. E se a paróquia pertencia a uma ordem religiosa como dominicanos, existia a ordem terceira dominicana. Se era uma paróquia dos carmelitas, existia a ordem terceira dos carmelitas. Se existia uma paróquia que pertencia à ordem dos agostinianos, existia a ordem terceira dos agostinianos.

(...) O Senhor Doutor Plinio dizia que o movimento de CCEE em certo momento se transformaria numa ordem terceira da TFP. [Aplausos] Portanto fariam parte integrante da TFP.

*


Reunião para CCEE, 15/6/96:


(Aparte: Sr. João Clá, a TFP vai dar talvez numa ordem de cavalaria religiosa. Os correspondentes, portanto, iriam dar num misto de ordem terceira dessa cavalaria. Será que, nesse sentido, nós poderíamos nos aprimorar nisso daí, o senhor talvez elaborar para a gente um ordo nessa ordem terceira do Sr. Dr. Plinio? Teria dois pontos básicos que eu acho que tem que ter: um espiritual e o outro material. O material seria o hábito, nós termos o hábito, e o espiritual seria a consagração ao Sr. Dr. Plinio nos moldes do que os senhores fizeram na década de 60, inclusive com a mudança de nomes. O senhor acha isso possível?)


O Sr. Dr. Plinio deixou claro --e nós tivemos oportunidade de tratar disso no simpósio em que nós fizemos a semana retrasada, não a passada, mas a retrasada-- o seguinte: que quando chegasse o momento do movimento dos correspondentes e esclarecedores... uma parte do movimento, porque ele dizia que uns iriam sair, outros iriam parar pelo caminho, outros iriam continuar e daria uma parte, daria naquilo que nós podemos chamar uma ordem terceira da TFP.

(...) Mas dizia o Sr. Dr. Plinio, na ocasião em que ele afirmou que uma parte do movimento se transformaria em ordem terceira: "Agora é muito cedo eu dar as características. Quando chegar o momento eu lhes direi quais são as características", e não nos deu.

Eu não creio que ele esteja numa situação onde ele não possa nos dar. Certamente haverá uma graça, algum meio, por onde ele nos comunica quais são as características essenciais de uma ordem terceira nossa. Parece-me.

Então trata-se de esperar.

Aí, sim, virão certamente insígnias, virão hábitos talvez. Não sei, alguma coisa que mostre o que é a ordem terceira da TFP. Mas essa ainda não está constituída porque nós não temos os elementos, falta o essencial.

Bom, eu estou à espreita de que, de repente, alguma coisa se explicite, alguma coisa se verifique, e aí, então, a gente pode dizer: "Aqui está uma característica essencial de uma ordem terceira. Caminhamos para isso, vamos institucionalizar, vamos fazer uma regra, vamos fazer uma insígnia, um hábito, uma coisa qualquer".


(Aparte: Podemos aguardar isso, portanto, como a graça estivesse alcançando. Mas quanto à...)


Quanto à questão de 68. Ia tratar disso justamente agora.

O Sr. Dr. Plinio fundou essa instituição em 1967 porque ele desde mil novecentos e quarenta e pouquinho tinha desejo de transformar aquele grupinho que ele tinha nas mãos numa ordem religiosa. Mas ele tinha um problema sério, porque já naquele tempo membros da hierarquia da Igreja não eram de uma ortodoxia completa (1). Ele tinha receio de, transformando a TFP numa ordem religiosa, cair debaixo da férula, cair debaixo das mãos da hierarquia, e ser obrigado a seguir um rumo inteiramente contrário aos rumos estabelecidos por ele, aos rumos que ele queria que a instituição dele tivesse, e se ver com as mãos amarradas, se ver coarctado para fazer uma série de coisas que ele durante a vida toda fez. Vai fazer uma campanha não pode, porque tal bispo que toma conta da ordem diz que não pode fazer. Então ele tinha muito receio de transformar o Grupo --nem era TFP, nem tinha Catolicismo ainda, Catolicismo nasceu em 50, era antes de Catolicismo, era o grupo do Plinio como diziam-- em ordem religiosa e a autoridade eclesiástica deitar a mão em cima.

Veio a São Paulo, em 42-43, um grande canonista famoso belga, e o Sr. Dr. Plinio então teve desejo de ter um contato com ele. Foi com o Prof. Furquim e mais alguém, creio que o Dr. Pacheco também. Foram os três conversar com o homem.

Quando ele teve o primeiro contato com o homem, pelo discernimento dos espíritos ele bateu os olhos e viu quem era o homem. Conversou sobre chuva e bom tempo, sobre isto, aquilo e aquilo outro e não tratou do tema que ele ia levando. Ele queria tratar com o homem os termos da fundação de uma ordem que pudesse ser livre, independente da estrutura, da hierarquia naquele tempo. Muito difícil, porque a estrutura era muito amarrada naquele tempo, mas, enfim, ele queria batibolar para ver que saída existiria.

Chegou a fazer uma regra -- essa regra existe, ele me deu para guardar sub gravi (2), está guardada nos Estados Unidos infelizmente (3)-- para essa ordem, com letra dele, com letra do Dr. Castilho, com letra de vários daqueles tempos, em páginas e páginas o que é que cada um deveria fazer, como é que deveria se comportar, como é que deveria se conduzir, tudo bem escrito.

(...) O senhor perguntava sobre a ordem terceira; nós não temos nem a primeira ainda. Mas caminha para uma ordem religiosa, uma ordem de cavalaria na hora em que houver a possibilidade da criação, da constituição, com regras e tudo o mais, de acordo com o espírito dele, de acordo com o que ele deixou, de acordo com esse caderno que tem todas as regras.

Comentários:

  1. Então, a razão pela qual Dr. Plinio, desde os anos ’40, não pode fundar uma ordem religiosa era porque havia Prelados não ortodoxos. Portanto, o procedimento de JC em relação à Estrutura de hoje revela que ele pensa que os Prelados hodiernos são de uma ortodoxia completa.

  2. Me deu”: JC insinua que Dr. Plinio teria deixado em suas mãos santas e veneráveis a fundação da tal ordem religiosa.

  3. Infelizmente? Ou seja, o pendor de JC é em prol da fundação dessa ordem religiosa.


*


Reunião realizada na França em 24/1/96:


[O SDP], na década de quarenta --isso eu tenho guardado comigo nos Estados Unidos, porque ele me deu isso fechado e lacrado e eu mantive lacrado e fechado até agora, ainda não tive oportunidade de deslacrar para ver-- [me deu] um livro desses livros que existiam antigamente de tabelião, (...) contendo dentro nada mais nada menos do que o plano dele de uma ordem de cavalaria.


(Casté: E o senhor nunca o leu?)


Ele me deu em mãos lacrado:

- Meu filho, isso aqui é um assunto que eu lhe ponho nas mãos sub gravi. Você não amostre a ninguém, você não conte a ninguém e você não abra. Isso é para nós guardarmos no futuro porque é história nossa.

- Mas o que é que tem aqui dentro, porque de repente... Posso saber o que é que tem aqui dentro?

- Tem um plano de seu senhor que seu senhor fez com os mais velhos da Rua Pará para constituir uma ordem religiosa que seria uma ordem de cavalaria, com umas tantas regras que se deveria praticar.

Está com letra dele e do Dr. Castilho.


A ser verdade o que o impostor conta nos dois trechos acima transcritos, merece atenção o seguinte: a) que o próprio JC desconhece o conteudo do documento; b) que o plano de Dr. Plinio era para o futuro; c) que essa ordem religiosa de cavalaria teria que ser independente de Prelados revolucionários --portanto, a época em que se constituiria dita ordem não seria a de hoje, mas a do Reino de Maria.


*


Reunião para CCEE, 27/4/97, na Espanha:


O Sr. Dr. Plinio me disse, e disse não somente a mim, disse de maneira pública, que ele achava --isso foi no ano 91 mais ou menos-- que o movimento dos correspondentes, em determinado momento, se transformaria numa espécie de ordem terceira da TFP.

Isto está escrito nos anais da história do Grupo, das conferências feitas por ele. Ele dizia que em determinado momento os correspondentes se transformarão em uma ordem terceira da TFP. Mas eu lhes direi quais serão as características de um correspondente da ordem terceira da TFP.

Acontece que nós estamos numa situação ainda difícil, ainda não canônica, porque ainda não temos um reconhecimento oficial de nossa situação, por parte da Igreja. É preciso esperar dias melhores, nos quais sejamos reconhecidos como uma ordem de cavalaria, assim com os estatutos, com as coisas todas bem arranjadas. Aí nós seremos a ordem primeira, e os correspondentes, a ordem terceira.

Mas não pode haver terceiros se não há primeiros!


*


Numa conversa com a Rvda. Madre Soror Maria Elena da Divina Sabedoria, OCIF, o joanino Gustavo Campos afirmou o seguinte:


Madre, (...) la TFP es sobretodo espiritual, Ud. sabe Madre que con el tiempo llegaremos a ser Orden.

(Cfr. Carta de Sor Maria Elena de la Divina Sabidoria a seu irmão, o Sr. Luis Criollo, Toledo, 6 de maio de 1998)





2. É preciso imitar ao Grupo da Espanha, procurar o apoio do clero e correr para a boca do tunel ...

Num despacho com José Cyro, Caio Newton e Davi Francisco, realizado no S. Bento, em 1996, JC apresenta o Grupo da Espanha como modelo em matéria de relacionamento com o clero, com vistas a que no Brasil se faça o mesmo:


Na Espanha há duas duplas que fazem visita a sacerdotes e que completam mais ou menos 50 visitas por semana. E a situação eclesiástica na Espanha é a mais favorável do que qualquer país. Há mais de 4 mil sacerdotes que nos apoiam vigorosamente. Agora, por exemplo, o próprio Nuncio (...) escreve uma carta ultra elogiosa à TFP. Quer dizer, a situação está firmíssima. E é o que precisamos ter aqui. (...) Agora, como é possível que a gente bombeie lá e aqui não se faça? As possibilidades daqui são muito maiores que lá (...).

O ideal seria o que estão fazendo na Espanha: pegar o padre e ir através do padre. (...) o ideal é que se mexa nas cidades onde os padres sejam amigos (...) Primeiro [tentar] conquista dos padres. Aí pega o público.

(...) Depois acho que está cheio de gente no centro, e poderiamos mesmo pôr eremitas, para formar duplas e começar a visitar padres amigos, e aprofundar amizade com padres amigos, e através de padres amigos programar ida da Sagrada Imagem.

(...) A Revolução ali [na Espanha], a nosso respeito, está travada, não consegue fazer nada. Eles vão, batem aqui, batem lá, caíram no Secretario do Episcopado Espanhol que cuida do assunto seitas, e ultra simpático a nós, (...) deu um artigo dele a respeito de seitas para publicarmos na nossa revista; agora, ele é o maior especialista, no clero, sobre a matéria; agora encontrou-se assim, batendo na porta (1).

(...) Ou temos os padres nas mãos, ou não temos ninguém nas mãos. Temos que ter o apoio do clero (...).

Sempre que um Fundador morre, os seguidores, quando a obra pega mesmo, eles se metem em tudo quanto é ambiente (...), eles se enfiam, eles furam as barreiras, eles vão criando relações. É o que precisamos fazer! (2)


Comentários:

  1. Conforme o insuspeito livro “"E Monsenhor Lefevre vive?" (p. 120), quem estava por detrás do estrondo que em 1995 sacudiu o Grupo da Espanha, eram “altos personagens eclesiásticos” desse País. Mas se hoje até a Conferência Episcopal Espanhola abriu-se para a TFP, quer dizer que, ou esses “altos personagens eclesiásticos” se converteram e viraram contra-revolucionários, ou a “tfp” espanhola se perverteu e virou revolucionária.

  2. O conselho de JC colide com o dado por Dr. Plinio na CSN 1/10/94, na famosa reunião sobre o túnel, onde previu a crise sem saída na qual nos encontramos. O que Scognamiglio recomenda é no fundo o seguinte: corramos para a boca do túnel e confiemos na Estrutura. Essa divergência lembra episódios do Antigo Testamento, quando os profetas do demônio indicavam ao povo eleito rumos diferentes aos indicados pelos Profetas do Senhor:


(Sr. Guerreiro: Então esse desfiladeiro seria a peneira de depuração daqueles que não querem aceitar o núcleo do Reino de Maria.)

Acabava sendo isso. Quer dizer, quem é tal, tal, tal, tal, tal, que chegando no fim do desfiladeiro nota que tem uma parede perpendicular feita de terra e que essa parede pelas sondagens que se faz, tem em cima de si uma montanha. Então não tem saída. Porque como abrir um buraco nesse desfiladeiro para entrar mais fundo, se tem ali uma montanha enorme? Se nesta hora, se olhar para o capitão e se se cantar o “Magnificat”, por exemplo, Nossa Senhora aparece. (...) Quer dizer, eu tenho a impressão que há uma prova de confiança dentro disso que é a bem dizer a prova decisiva do nosso sim ou de nosso não. Se nós confiarmos dentro do absurdo, nós teríamos ganha a batalha brilhante e absurda. (...) Agora, se nós não confiarmos, os que não confiaram podem voltar para a boca do túnel correndo para serem incendiados com o resto lá fora. Podem voltar, eu não posso segurar. Como é que eu posso segurar? Voltem!

(Sr. P. Roberto: A falsa-direita está lá esperando.)

Está lá esperando. Agora, a questão é que na hora em que Nossa Senhora aparecer e pudermos agir por Ela, automaticamente na boca do túnel pega fogo.

(Sr. Gonzalo: Perdão, eu não entendi.)

Na hora em que Nossa Senhora aparecer e que olhando para o capitão com confiança, nós avançarmos de costas para a boca do túnel, de frente para a montanha e certos de que aquilo cede, nesta hora tudo quanto está do lado de lá pega fogo, na boca do túnel.

(Sr. Gonzalo: Aí vai tudo embora.)

Vai tudo... liquida aquilo. E cai uma parede dessa largura assim e sai uma pradaria magnífica! Um paraíso. É o Reino de Maria que começou. Quer dizer, é o ajuste de contas final.

(Sr. Guerreiro: Esse túnel nós devemos execrar pelo que ele fará contra o núcleo, mas nós devemos entendê-lo, compreender que ele é o nosso passaporte para o Reino de Maria. Quem quiser voltar para a boca do túnel está recusando essa exigência que Nossa Senhora está fazendo de nós.)

Isso, exatamente. (...) Então nessa perspectiva ficava que o caminho verdadeiro da confiança é esse: quando se chega ao extremo do insolúvel, então essa é a hora em que a solução vai raiar. (...) Mas o fundo do problema da confiança está nisso: é a situação em que a solução parece impossível, absurda, evidentemente absurda. Toque na coisa, e a coisa está morta: "E suas esperanças iniciais, áureas, matinais, magníficas, as graças que isso trouxe consigo, etc., nada disso valia de nada".

(Sr. Gonzalo: Essa seria a tentação?)

É, a tentação. Nesta hora é a hora da depuração.(...)

Acho que continuamente para quem está afundando no túnel, haverá chamados desde a boca do túnel: "venha para a boca do túnel" e atingirá especialmente os que estão descontentes. Quem são eles? São aqueles que têm pânico porque não fizeram carreira.

Todo o descontentamento atual é pródromo de uma apostasia daqueles que afundarem no túnel.

(Sr. Gonzalo: Esse descontentamento é amargura, briguinha...)

E sobretudo pânico de não ter feito carreira; que é a grande coisa. Me parece que é isso.

*


Trecho da fita da reunião feita por JC em Paris o 21/1/96:


Nós temos que rezar muito pelo apostolado na França. Falando com o Sr. Romuald, ainda vou insistir com o Sr. Luc Berru, e vou aqui tronitroar como tronitroei na Espanha, os senhores viram eu quase berrar na Espanha, e que na Europa, antigamente já era assim, mas atualmente por todas as ameaças de estrondo, porque o SDP me disse em outubro do ano de 94, pouco antes das cerimônias:



(...)


Isso ele me disse em outubro de 94.


(Sr. Atilio: E o sr. vê alguma coisa ... ?)


Nós já conseguimos um documento do Pe. Anastásio Gutierrez de que nós enquanto instituição como somos estamos enquadrados dentro do direito canônico assim, assim e assim, e que já temos, por causa disso, possibilidade de, em nossas sedes, termos o Ssmo. Sacramento. E por isso, com esse documento, indo à arquidiocese de Toledo, o pessoal de Toledo já conseguiu oficialmente o Ssma. Sacramento na Sede, deve ser instalado na sede na semana que vem.


(Aparte: ..........)


O que tem é o seguinte. É que depois da morte do SDP eles estão um pouco mais abertos em relação a nós, e nós temos que saber tirar --como dizia o Getúlio Vargas-- tirar as meias sem tirar as botas. Nós temos que entrar num certo contato com eles, mas sem que eles nos abocanhem.


(Aparte: .....)


Vamos ver como é que foi feito na Espanha, como é ..., depois aí vamos conversar para ... para ver o que se pode fazer, o que não se pode fazer, etc.


Comentário:

  1. Aqui JC sustenta que Dr. Plinio teria lhe dito taxativamente “precisamos transformar a TFP em algo reconhecido pela Igreja”. Mas no calhamaço “Juízo Temerário” (p.106) apresenta uma versão diferente, pois Dr. Plinio teria posto uma condição:

Em outubro de 94, num almoço a sós com o SDP --a respeito disto estou disposto a jurar sobre os Evangelhos--, este me confidenciou que conforme caminhasse o caso do Rio Grande do Sul, seria indispensável obtermos um reconhecimento canônico da TFP, a fim de evitarmos estrondos consecutivos contra nós, e que era conveniente irmos estudando essa solução





3. Carta – circular aos Bispos oferecendo colaboração


(Papel timbrado de Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima)

Campinas, 18 de janeiro de 1999

Exmo. Revmo.

Dom .....

Exa. Revma.

Filialmente nos dirigimos a V. Exa. em nome dos membros e colaboradores da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (1), da qual sou presidente.

Nosso propósito, com a presente carta, é levar ao conhecimento de V. Exa. algumas informações sobre nossa Associação, uma entidade civil, fundada há cerca de um ano (2), e com a qual colaboram aproximadamente 1.500 pessoas --a maior parte dos quais é jovem.

Somos leigos católicos que atuam na sociedade temporal, dando testemunho cristão (3).

Temos o desejo de oferecer uma colaboração em nosso campo específico, contribuindo para estimular entre os fiéis a devoção a Cristo (4) e à sua Mãe Santíssima, pela utilização de diversas formas de atuação, como promoções religioso-culturais, concertos, difusão de publicações, etc.

Contudo, para que V. Exa. possa ter uma idéia mais precisa de nossos anseios e finalidades (5), é necessário narrar sucintamente as circunstâncias especiais e que nasceu nossa Associação. É o que passamos a fazer.

Grande número de nossos colegas são jovens integrantes da TFP. Encontram-se eles, atualmente, em atitude de franca e pública oposição à diretoria desta entidade. Sim, pois esses jovens discordam totalmente dos rumos antiquados e caprichosos que os diretores da TFP impuseram a esta entidade nos últimos anos (6), e estão descontentes pelo fato de lhes serem negadas voz e vez para exprimir seu desacordo.

Os choques entre a diretoria e a maioria dos membros da TFP acabou resultando numa profunda divisão, que tem repercutido na imprensa nacional.

Permita-nos atrair a atenção de V. Exa. para a particularidade de que, no cerne da polêmica, o que está se discutindo são duas concepções opostas sobre o papel que a TFP deve assumir, enquanto movimento de leigos associados privadamente, dentro da Igreja Católica (7).

Com efeito, pode-se dizer que a divisão na TFP começou quando os cinco principais diretores da entidade --Luiz Nazareno de Assumpção Filho, Eduardo de Barros Brotero, Plinio Vidigal X. da Silveira, Paulo Corrêa de Brito e Caio Vidigal X. da Silveira-- em 19 de março de 1996, dirigiram uma carta ao Sr. João S. Clá Dias, pessoa de grande aceitação dentro do movimento, censurando-o energicamente por estar usando sua influência pessoal nas 26 TFPs espalhadas pelo mundo, com vistas a promover uma aproximação com a Hierarquia Eclesiástica.

Os cinco citados diretores condenavam, de modo particular, o propósito do Sr. João Clá Dias de obter, das autoridades eclesiásticas, alguma forma de reconhecimento canônico da TFP.

Na mesma carta, os diretores davam mostras de querer situar a TFP numa posição de crítica aberta em relação ao "Novus Ordo Missae" de Paulo VI e ao Concílio Vaticano II.

Ora, não era segredo na TFP que seu Fundador (8), nos últimos anos de sua vida, encontrou uma forte oposição de certos elementos mais antigos do movimento --entre os quais os que constituem a atual diretoria-- ao externar sua intenção de tentar obter um reconhecimento canônico da entidade, assim como promover uma harmoniosa aproximação desta com a Hierarquia eclesiástica (9).

Recordando esses desejos do Fundador, o Sr. João Clá Dias, na resposta aos citados diretores, argumentou que, no momento em que a Igreja está passando por uma fase muito delicada, com a perda de incontáveis fiéis e dificuldades a enfrentar no mundo inteiro, ad intra e ad extra, é especialmente absurdo a TFP fazer oposição pública à Hierarquia, provocando fricções inúteis e prejudiciais ao esforço apostólico do corpo eclesial. Pelo contrário, o razoável é aproximar-se da Hierarquia, a fim de encontrar um modo de por a serviço da Igreja a dedicação e os esforços dos integrantes da entidade (10).

Mas o Sr. João Clá Dias não conseguiu ser ouvido pelos diretores da TFP.

Diante do impasse assim criado, ambos os lados concordaram em pedir a opinião de um sacerdote, o Revmo. Cônego José Luiz Marinho Villac (11). Este, em vez de tentar restabelecer a harmonia na entidade emitiu um "parecer" totalmente alinhado com o pensamento da diretoria (12).

Conforme V. Exa. mesmo pode constatar, pela cópia desse "parecer" que enviamos em anexo, as incríveis opiniões do Sr. Cônego Villac --e da diretoria da TFP-- são em tudo parecidas com (ou até mais exageradas do que) as dos seguidores de D. Marcel Lefebvre, o finado bispo francês, tristemente famoso por sua rebeldia contra a Santa Sé e por ter sido excomungado pelo Papa João Paul II (13).

Essas opiniões eram, portanto, completamente inaceitáveis para a maior parte dos membros da TFP (especialmente os da ala jovem), que passaram a externar sem rodeios seu descontentamento (14).

Em pouco tempo, outros pontos de discórdia vieram agravar a luta interna. A fim de não estendermos por demais esse relato, enumeramos para V. Exa. os principais deles.

l° A diretoria se negava a reconhecer o importante papel exercido pelas senhoras e moças que participam das atividades da TFP, dando-lhes na entidade o lugar que elas merecem. É mais um sintoma da defasagem desses diretores com a realidade atual (15).

2° A limitação do direito de opinião na TFP (16), ficando todos obrigados a concordarem sem restrições com as posições da diretoria.

3° A pretensão da diretoria de exigir, dos membros da TFP, uma absurda "obediência religiosa", violando assim os mais elementares princípios da Moral católica e do próprio Direito Canônico (17).

Em vista da oposição que se levantou na TFP aos desmandos dos diretores, estes últimos ameaçaram tomar medidas drásticas, como expulsar membros e cortar verbas básicas para os setores "rebelados".

Não foi preciso esperar muito tempo para que eles começassem a pôr em prática suas chantagens.

Começaram por expulsar com brutalidade, sem dar-lhe direito a defesa, um antigo membro da entidade médico competente, o Dr. Ramón León, que naquele momento detinha o cargo de chefia geral de uma importante unidade da TFP (18).

Em seguida, puniram outro antigo membro da mesma entidade, o Sr. Fernando Larraín Bustamante, obrigando-o a aceitar um regime de vida equivalente ao de um cárcere privado, pois ele ficava proibido de manter contato com qualquer pessoa, mesmo que fosse por escrito ou por telefone (19).

Face a uma situação calamitosa como esta, agravada pelo anuncio de outras arbitrariedades, a única solução encontrada pelos perseguidos foi recorrer à Justiça (20).

Contrariados com esta atitude, que nada mais era que o exercício do direito de legítima defesa (21), os diretores passaram a retaliações, como destituir da condição de sócios todos os que deles discordavam; demitir de suas funções a maioria dos membros da entidade, a começar pelos que exerciam cargos de chefia; suspender as verbas para os setores e membros descontentes, interrompendo a aquisição de alimentos, remédios e outros itens básicos; confiscar todos os veículos (entre os quais diversos ônibus); deixar de pagar contas de água e luz, cortar todas as linhas telefônicas, requisitar até mesmo móveis e utensílios, rescindir aluguéis de moradias, transferir pessoas de residências, inclusive para cidades diferentes, sem levar em nenhuma consideração os transtornos pessoais que isto causava, etc. (22).

Atualmente, são vários os processos judiciais movidos contra a diretoria, além de investigações policiais. Um desses processos pede uma democratização dos estatutos da TFP (que dão todo o poder aos oito sócios-fundadores, os quais coincidentemente são os mesmos diretores...), de modo a que todos os membros tenham direito igual de voto, podendo influenciar nos rumos da entidade. Dois inquéritos policiais investigam o modo pelo qual são angariados donativos da entidade e a destinação que lhes é dada pela diretoria (23). Foram ainda registrados boletins policiais, dando conta de agressões físicas praticadas pelos escassos partidários da diretoria contra vários dos mais jovens (24).

Por estes fatos, V. Exa. pode bem medir a profundidade e a irreversibilidade da ruptura ocorrida entre a diretoria da TFP e aqueles que fazem resistência à orientação dela.

Tão completa é a divisão que boa parte dos resistentes resolveu se dedicar à nova Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (25), para poder se entregar livremente ao apostolado católico, livre dos entraves causados por uma diretoria ditatorial. E aproveitamos para reiterar o quanto nossa Associação é distinta da TFP (26), evitando desse modo que, em decorrência de desinformação, possa dar margem a alguma confusão entre as duas entidades.

Nossa Associação, graças a Deus, tem florescido rapidamente, tanto assim que, com pouco mais de um ano de existência, já conta com muitos novos membros que nunca fizeram parte da TFP. De outro lado, já começamos a nos mover com vistas à obtenção de um reconhecimento canônico da nova instituição (27).

Uma das principais finalidades estatutárias da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima (como consta em seu art. 1°) é atender aos apelos do Papa João Paulo II, estimulando amplamente entre os fiéis a piedade mariana, de modo a conduzir todos os corações ao Divino Filho da Virgem Santíssima, Cristo crucificado e ressuscitado. Para tal, procurar, na medida do possível, dar apoio à Hierarquia Eclesiástica em tudo o que diga respeito aos objetivos da Associação.

Ao término desta missiva, gostaríamos, portanto, de apresentar nosso firme propósito de, segundo nossas possibilidades e no nosso campo específico de ação, de leigos católicos que vivem no mundo, prestar uma colaboração a V. Exa. em suas lides apostólicas.

À espera da oportunidade de ter contatos mais estreitos com V. Exa. (28), apresentamos a filial homenagem de nosso profundo respeito, e rogamos suas preciosas bênçãos e orações, especialmente no Santo Sacrifício da Missa.

de Vossa Excelência

servo devotíssimo em Jesus e Maria

Hagop Seraidarian

Presidente.


Comentários:

  1. Na “ACNSF” --entidade fundada, constituída e propulsionada pelos joaninos--, há então “membros” e “colaboradores”, e portanto uma hierarquia. Ora, essa desigualdade de condições é precisamente um dos pontos que os joaninos atacam em se tratando da estrutura da TFP.

  2. Foi fundada em agosto de 1997.

  3. Expressão caraterística da lábia progressista.

  4. Mais uma expressão típica dos progressistas. E da Ação Católica. Tanto assim que até o pontífice do joanismo o reconhece ("jour-le-jour" 2/6/97):

[Ficha do Pe. M.M. Philipon, OP, “Os Sacramentos na vida cristã”, Agir, Rio de Janeiro, 1959]: Através de todos os acontecimentos deste mundo, Deus age por ‘nos configurar com seu Filho Único’ (Rom 8, 29,3). A santidade cristã é uma identificação com o Cristo.

JC: Isso tem cheiro de Ação Católica. Não acha, Dr. Edwaldo? A doutrina é correta, mas a formulação é uma formulação que para quem viveu os anos de Ação Católica sente logo o timbre característico da Ação Católica. (...) Eu até quando vi "o Cristo" passei um lápis vermelho em cima do "o". (...)

(...) “Deus instituiu um novo modo ‘supra-histórico e espacial’ para perpetuar entre nós a realidade do sacrifício redentor e a ação pessoal do Salvador em cada uma de nossas vidas, sobre cada uma de nossas almas.

Através dos ritos simbólicos da Igreja, os sacramentos perpetuam os ‘gestos de Cristo’.

JC: Também não gosto muito dessa expressão "gestos de Cristo". Soa como Ação Católica. "Perpetuam as atitudes de Nosso Senhor Jesus Cristo", "os gestos de Nosso Senhor Jesus Cristo", ainda iria, mas "gestos de Cristo" não cheira bem.

  1. A carta é metódica. Indica os seguintes dados da associação joanina: quando foi fundada; quantas pessoas a compõem; qual é seu campo de ação; como atuam (“dando testemunho cristão”); quais são seus anseios e qual a sua finalidade (colaborar com o Episcopado, contribuindo para estimular a devoção a “Cristo” e à Nossa Senhora); os meios (apresentações do coro e da fanfarra).

A respeito desse elenco, cabe lembrar:

  1. Os rebelados discordam totalmente dos Diretores da TFP, não por razões pessoais, mas porque estes impuseram “rumos antiquados” à Entidade “nos últimos anos”. Em outros termos, os joaninos ansiavam, pelo menos desde “os últimos anos” (em concreto desde quando? após o passamento de Dr. Plinio? antes?), “rumos novos” para a TFP. Quer dizer que, se Dr. Plinio continuasse vivo entre nós e mantivesse os “rumos antiquados”, JC e seus sequazes teriam discordado totalmente dele e teriam se revoltado.

Aliás, a antipatia joanina pelos “rumos antiquados” da TFP, lembra a tese daqueles membros da Ação Católica que afirmavam que a AC devia “adaptar-se aos costumes modernos, sob pena de perder qualquer influência no ambiente em que vive e assim tornar impossível o apostolado” (Cfr. Plinio Corrêa de Oliveira, “Em Defesa”, Artpress, São Paulo, 1983, segunda edição, terceira parte, capítulo 1, página 124).

  1. O cerne da polêmica não é precisamente esse.

No tocante ao papel que a TFP, enquanto movimento de leigos, deve assumir dentro da Igreja, JC sustenta que devemos apoiar a Estrutura, colaborar com ela, ter contatos mais estreitos com ela, nos unir a ela --conforme consta nesta carta assinada pelo seu testa ferro. Sua posição pressupõe que o processo de autodemolição da Igreja cessou --ou vem minguando--, e que a Estrutura já não age à serviço da Revolução. Nós achamos que a crise interna da Igreja, longe de ter acabado, vem se agravando cada dia mais; que a Estrutura continua fazendo o jogo da Revolução; e que, portanto, nossa condição de contra-revolucionários nos impele a nos manter na posição em que Dr. Plinio nos deixou. Quer dizer, no fundo da opção aproximação ou distanciamento da Estrutura, está a opção Revolução ou Contra-Revolução. O cerne é esse.

  1. Outrora JC não perdia uma só oportunidade para proclamar o nome de Dr. Plinio. Hoje cala. Como explicar isso? Isto faz parte de seus “novos rumos”? Outra explicação --que não invalida a anterior, mas a complementa—é a seguinte: JC sabe perfeitamente que o nome de Dr. Plinio divide as águas; portanto, o fato de ter mandado a seu “longa manus” Hagop não escrever “Plinio Corrêa de Oliveira”, indica claramente que, entre os destinatários dessa carta, JC visa a solidariedade, não daqueles que ao ouvirem o nome de nosso pai espiritual se rejubilam, mas daqueles que experimentam desagrado, antipatia e ódio (*).

(*) No simpósio para apóstolos itinerantes, de 14/1/72, Dr. Plinio conta o caso de uma senhora que frequentava sessões espíritas e fazia de vez em quando aos espíritos consultas sobre a TFP: “bastava falar o nome TFP, a sigla, que era uma manifestação de desagrado dos espíritos do outro mundo: chiados, zumbidos, desagrados de toda ordem. E ela então começou a perguntar o que haveria para a TFP produzir nesses espíritos os efeitos que se descrevem que a água benta produz sobre o demônio. E daí ela chegou à conclusão de que nós faziamos a obra de Na. Sra. Converteu-se. Não é de espantar, portanto, absolutamente, que o nome do Presidente da TFP, de quem fundou a TFP, produza esse efeito. Se o nome do efeito produz esse efeito, por que o nome da causa não produzirá?”).

Na reforma que JC mandou introduzir nos estatutos da ACNSF, também foi apagado o nome de Dr. Plinio. O documento de 23/8/97 registrado no Cartório Privativo de Registro das Pessoas Jurídicas, Campinas, dizia: “A Associação desenvolverá suas atividades inspirando-se nos ensinamentos do insigne líder católico e grande apóstolo da devoção mariana, Professor Plínio Corrêa de Oliveira, o qual baseou toda a sua vida e obra nos princípios do Evangelho – interpretados de acordo com o Magistério tradicional da Igreja – e empregou todos os meios ao seu alcance para que a Mensagem de Fátima fosse conhecida, compreendida e seguida". O documento de 27/1/99 diz: "A Associação desenvolverá suas atividades inspirando-se nos princípios do Evangelho, interpretados sob o prisma do Magistério multissecular e infalível da Igreja Católica, Apostólica, Romana".

  1. Mentira. Precisamente nos últimos anos de sua vida Dr. Plinio disse, no MNF 7/10/93, no qual JC esteve presente: “não podemos nos reconciliar com ele [JP-II] sem trair a Fé”.

  2. Segundo versão anterior do próprio JC, esse argumento era para ser dado, não a nós --da TFP--, mas a certos prelados; e não visava movê-los a nos reconhecer canônicamente, mas mostrar a eles que não lhes convém desatar contra nós estrondos publicitários, porque nos obrigariam a defender-nos.

Trata-se de um procedimento análogo ao de um coletor de donativos que, para inclinar um nababo a nos ajudar econômicamente, lhe dissesse que a boa vida que leva corre perigo por causa de determinada embestida comunista; e que portanto lhe convém apoiar à TFP. Só um mentecapto pensaria que o coletor afirmou ser favorável à Bagarre Azul.

Se --como afirma agora JC-- Dr. Plinio deu aquele argumento para nos aproximar da Estrutura, Dr. Plinio também seria favorável ao ecumenismo e à reunião no Monte Sinai. O que é um disparate.

Eis as palavras de JC no calhamaço “Juizo Temerário”, pp145-147 (cabe lembrar que a época da consulta é a da estrondo da Espanha, e que Mons. Corso nos atacou nessas circunstâncias):

Os senhores [Provectos] afirmam (...) que essas “demarches” feitas junto ao Vaticano visariam “chegar a um acordo” referente ao reconhecimento canônico da TFP. Nego-o categoricamente! Nunca foi dado um só passo nesse sentido.

As visitas feitas ultimamente pelo Sr. Juan Miguel, por orientação do SDP, tem objetivo inteiramente outro. Vejo que a memória dos senhores às vezes falha em certos pontos, pois já tive oportunidade de [ler] para os senhores o seguinte texto com normas dadas por nosso Pai e Fundador em 8/8/95:

(André Dantas: Depois o Sr. João sugere que seja feito todo um trabalho [em Roma] de visitas e contatos intensivos a partir de meados de setembro).

SDP: Nem tem dúvida.

(AD: E usando uma argumentação na linha de dizer que nós agora, nessa hora em que a hierarquia está sofrendo todo tipo de ataques, nós não queremos nos somar a esse coro e atacar a hierarquia também agora. Porque seria fazer o jogo dos inimigos da Igreja. Mas estamos sendo postos na contingência de nos defender por parte desse Mons. Corso, etc., e...)

SDP: A idéia eu acho muito boa, mas deveria – eu tenho a impressão-- melhor se fosse apresentada assim: (...) [dizer] que hoje em dia, [a Igreja] está sendo muito atacada de vários lados. Ela está sendo atacada por igrejas não católicas, que não querem saber de unir-se a Ela, que recusam o movimento ecumênico. Ela está sendo atacada por causa do desagrado que causam fatos com o Mons. Gaillot e, depois, Hume e Austria, etc., etc. Alemanha, e que portanto, nós vemos que isso tudo são ataques de fora para dentro, terríveis, e que visam nada menos, nem nada mais, do que uma espécie de ofensiva geral contra a Igreja Católica. Talvez em oposição ao plano da Igreja, de um grande movimento unitivo por ocasião da descida do Monte Sinai.

E que neste momento, em que a TFP como nunca, nunca teve, mas [agora] menos do que nunca tem a idéia de fazer qualquer ataque à Igreja.

Era melhor a Igreja procurar utilizar a dedicação e o esforço indiscutível: 26 países são 26 países, que a TFP tem em vários lugares para pôr tudo isto ao serviço da Igreja, do que consumir a relação entre uma coisa e outra --entre TFP e Igreja-- em fricções internas que não adiantam nada.

11. Quem tomou a iniciativa de propor a arbitragem do Sr. Cônego, foi JC.

  1. Portanto, o parecer do Sr. Cônego, só estaria certo em dois casos: a) se se tivesse alinhado totalmente com o pensamento de JC; b) se se tivesse alinhado parcialmente com o pensamento de JC ...

  2. JC nos acusa de lefevristas, mas sabe perfeitamente que não o somos.

  3. Uma vez emitida a opinião do Sr. Cônego, em abril de 1996, sobre a Missa Nova, os joaninos “passaram a externar sem rodeios seu descontentamento”. Quer dizer: a) antes dessa data, eles já eram favoráveis à Missa Nova, mas não o diziam; b) há anos veio sendo desenvolvido, ocultamente, dentro da TFP, sobretudo junto aos mais novos, um trabalho em prol da Missa Nova. Não é preciso dizer quem comandava aquilo.

  4. É bem verdade. Nem Dr. Plinio, nem os Provectos favoreceram a penetração da Revolução Feminista na TFP. Mas JC, que não está defasado com a realidade atual, estimula essa onda. Faz parte dos “rumos novos” que ele quer imprimir na Instituição, junto com a democratização, o pentecostalismo, o uso de expressões progressistas, o liberalização da vestimenta, a substituição de nossos símbolos, a reforma de nossos Estatutos, etc.

  5. O radical, o integérrimo, o impoluto JC propugna a liberdade de pensamento dentro da instituição ideológica contra-revolucionária por excelência.

  6. Quem afirmou que os membros do Grupo devem ter uma obediência religiosa em relação aos Provectos foi JC, no ANSA, o 15/8/96.

  7. Ver Capítulo 2, VIII, “O motim de Jasna Gora”.

  8. Só que a “cárcere privada” de Fernando Larrain era tão terrível, que o “preso”, quando foi convidado a se trasladar a outra casa, junto com outros amotinados, não quis sair de Jasna Gora. E hoje quer voltar.

  9. Seguindo a escola de JC, o Presidente da ACNSF omite dizer que a Justiça já se pronunciou a respeito disso a favor da TFP.

  10. E a TFP não tem direito de legítima defesa?

  11. Os joaninos não foram objeto de represálias:

Todos os que o desejam continuam a usufruir de moradia e alimentação nas sedes da TFP. A distribuição dos recursos da Sociedade --cujos critérios fundamentais não foram alterados-- é tarefa que cabe à Direção, conforme indiquem as necessidades e os objetivos estatutários. Esse princípio foi afirmado pelo Poder Judiciário nas decisões acima referidas (...), de que os autores não se atreveram a recorrer. Houve, sim, modificações na estrutura administrativa da TFP para tornar seus órgãos mais ágeis e eficazes na consecução dos objetivos sociais. Não corresponde à verdade que o repasse de verbas para a manutenção de grande parte das (...) sedes, escritórios e moradias de membros foi cortado. Basta dizer que, ao longo [do] mês de junho [de 1998], até o dia da publicação da reportagem [da revista “Isto é”], os repasses para sedes dirigidas por autores da ação, e ainda os dispêndios de manutenção pessoal desses autores, jácustaram para a Tesouraria da TFP mais de 200.000.00 reais. Está claro, portanto, que essas sedes tem à sua disposição recursos mais que suficientes para prover às despesas de aluguel, água, luz, telefone e alimentação (...). Qualquer atraso no pagamento de alguma dessas despesas, se tiver ocorrido, será de responsabilidade exclusiva dos que dirigem essas unidades” (Cfr. “A TFP esclarece”, Folha de São Paulo, 23/6/98).

  1. Bem ao estilo de seu senhor, Hagop omite falar dos processos movidos pela TFP contra os sediciosos; bem como do inquérito policial instaurado pela TFP para apurar responsabilidades criminais pelo desvio de 112.500,000 reais de contas bancárias que a Instituição confiou a adeptos de JC.

  2. A respeito de “agressões”, ver, por exemplo, o caso ocorrido em Jasna Gora em janeiro de 1999 (Capítulo 2, XI, B).

  3. Mais uma vez o Presidente da ACNSF reconhece que os revoltados fazem parte dessa entidade.

  4. A ACNSF não só é distinta da TFP, mas foi fundada por JC com o inegável intuito de destruir a TFP.

  5. A respeito do reconhecimento canônico cabe lembrar as seguintes afirmações de JC num telefonema a Dr. Paulo Brito, de março de 1996, transcrito em “Juizo Temerário”, pp.51-58:

Eu tenho um jornal-falado a dar para os senhores aí, do que foi feito com a “Hermandad Sacerdotal [Espanhola]”, que foi uma verdadeira judiação. Em 4 anos eles [a Estrutura] destruíram completamente a “Hermandad”. E foi justamente por essa via, entende? (...) Mas é a maior das loucuras, entende! (...) é uma loucura nós entrarmos por aí (...) E depois também, estando em Espanha, eles me mostraram o que é que foi feito com a “Hermandad” e é uma traição do outro mundo! Porque forçaram a “Hermandad” a pedir reconhecimento e a propósito desse pedido, levantaram um processo, que demorou 4 anos e eles destroçaram com a “Hermandad”.

  1. Então, os joaninos tem o “firme propósito” de dar apoio à Estrutura, colaborar com ela, ter contatos mais estreitos com ela. Em resumo: unir-se a ela.





B. “Démarches”, atitudes e omissões


Década de 1980


Depoimento do Sr. Enrique Loaiza, 22 de abril de 1998:


Embora não me lembre a data exata, creio que por volta de 1983, conversando com Atila Guimarães, no percurso entre a Alagoas e o Eremo de Elias, à las tantas ele me contou que gente de JC --pelo que entendi, se tratava de eremitas de São Bento--, que tinha viajado a Roma, estava fazendo tratativas no Vaticano no sentido de transformar a TFP numa ordem religiosa.


*


Depoimento do Sr. Dufaur, 30/1/99:


[Uma vez, naquelas reuniões que JC dava em Jasna Gora, contou que, estando na Espanha com o Pe. Cabreros de Anta, este ofereceu regularizar a situação da TFP com o Vaticano. JC contou isso ao SDP e a resposta do SDP foi negativa].

Passado certo tempo, mais ou menos uns 6 meses, JC novamente viaja à Espanha, esteve com o Pe. Cabreros, que por segunda vez ofereceu regularizar a situação da TFP. JC contou ao SDP e o SDP tirou novamente o corpo. Ao terminar de ler o despacho o JC disse: estão vendo como o SDP está mudando de posição? O SDP está querendo o reconhecimento canônico.

Aí o Sr. Pettersen levantou-se e disse alto: Sr. João, quando o Sr. entra na camáldula? JC começou a tremer, mexeu nos papéis e mudou de assunto.




1995


Fala JC:


Amainando um tanto o estrondo espanhol passei a pesquisar com o Sr. Juan Miguel, o Sr. Fernando Gonzalo e o Sr. Steven Schmieder quais as vantagens ou desvantagens de um reconhecimento oficial de uma das TFPs (...). Posso lhes assegurar que nenhum passo seria dado sem antes explicar aos senhores os resultados alcançados. (Cfr. “Juízo Temerário”, pp.249, 250).


Dada a gravidade do assunto, que envolve toda a nossa família de almas, os Provectos tinham direito a serem consultados previamente a respeito de cada passo, e não apenas a uma explicação “a posteriori” (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.12).

Chama a atenção que, segundo o próprio JC, para dito estudo ele não procurou especialistas em matéria canônica, mas “eclesiásticos graduados”. Ao procurar diretamente a autoridade eclesiástica antes de informar-se com os canonistas, a autoridade consultada poderia ficar com a impressão de que o consulente estava querendo não apenas uma informação, mas uma aproximação. (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.14).


*


No extenso manifesto - homenagem a Dr. Plinio, publicado em vários jornais do Brasil e do Exterior poucos dias depois de seu passamento, e redigido por agentes de JC, foi narrada a biografia de nosso Pai e Senhor, a luta que desenvolveu contra a Revolução, bem como os traços caraterísticos de sua mentalidade. Mas foi omitido um ponto capital: sua --e nossa-- posição de Resistência perante a política de distensão do Vaticano face os governos comunistas (1).


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  1. Essa omissão constitui mais uma prova da afinidade entre joanismo e Ação Católica. Pois a Resistência está íntimamente relacionado com “Em Defesa da Ação Católica”, conforme o manifesto “Comunismo e anticomunismo na orla da última década deste milênio”, 11/2/90, de autoria de Dr. Plinio:

Já nos dias sofridos e gloriosos do pontificado de Pio IX, a coletânea dos documentos pontifícios deixa ver a oposição radical e insanável entre a doutrina tradicional da Igreja, de um lado, e de outro lado, [o comunismo] Esta incompatibilidade não fez senão vincar-se no decurso dos pontificados posteriores (...).

A era da Ostpolitik vaticana (subtítulo)

Ao longo de toda a imensa máquina de propaganda do comunismo internacional, desde o Kremlim até a mais apagada célula comunista de vilarejo, começou a se registrar no mundo inteiro, uma série de atitudes um tanto distensivas, quer em relação ao conjunto das nações livres do Ocidente, quer em relação às diversas igrejas, e notadamente em relação à Santa Igreja Católica.

Daí uma nova atitude daquelas e desta em relação ao mundo de além cortina de ferro. Tal mudança já se tornara visível no pontificado do sucessor imediato de Pio XII, o Papa João XXIII. E essa tendência a distensão se foi prolongando até nossos dias (...).

(...) as vantagens obtidas pela causa comunista com a Ostpolitik vaticana não foram apenas grandes, mas literalmente incalculáveis. (...)

A TFP na tormenta (subtítulo)

Todo esse suceder de fatos verdadeiramente dramáticos não poderia deixar de sobressaltar a fundo (...) os componentes da TFP brasileira. Por isso, logo na poluída e sombria “madrugada” desta crise, o pugilo de católicos do qual nasceria de futuro nossa entidade, deu a voz de alerta (cfr. Plinio Corrêa de Oliveira “Em Defesa da Ação Católica” ....) (...).

Engajou-se assim a parte mais dolorida de nossa luta. Esta luta, antigamente a traváramos contra o lobo devorador. Agora, nossa própria fidelidade à Igreja levava-nos a travá-la contra ovelhas do mesmo rebanho. E, oh dor das dores! até com pastores deste ou daquele rebanho bendito de Nosso Senhor Jesus Cristo.

Toda essa luta, tão longa e gotejante de lágrimas, (...), a TFP a historiou em dois livros (...).

[Em 1974], com o apoio das valentes e brilhantes TFPs então existentes (...), foi lançado o documento intitulado “A política de distensão do Vaticano com os governos comunistas – Para a TFP: omitir-se ou resistir?”, em que todas as nossas entidades co-irmãs e autônomas se declaravam em estado de respeitosa resistência à Ostpolitik vaticana. O espírito que as levou a isso –e que hoje anima igualmente as TFPs e Bureaux depois constituídos em 22 países-- se pode resumir nesta apóstrofe da mesma declaração: “Neste ato filial, dizemos ao Pastor dos Pastores: Nossa alma é Vossa, nosssa vida é vossa. Mnandao-nos o quequiserdes. Só não nos mandes que cruzemos os braços diante do lobo vermelho que investe. A isto nossa consciência se opõe”

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No álbum “Dona Lucilia”, de autoria de JC, na transcrição de cartas dela, foram omitidos os termos com que ela se refere ao Concílio e nos quais transparece seu ódio ao progressismo. Segundo o veraz JC, Dr. Plinio teria mandado cortar aquilo. Quanto a divulgar isso internamente, JC se opôs:


Conversa na Saúde, 25/8/94:


Bem, nós ainda estamos para conhecer mais a fundo a Senhora Dona Lucilia --porque o Sr. faz uma pergunta sobre ela, como é que era a admiração dela, como é que era seu ódio ao mal. Estamos para conhecer mais, porque nós conhecemos ainda, por enquanto, digamos assim, um aspecto protuberante, um aspecto vigoroso, viçoso, luzidio da alma dela que é a bondade. Mas o Sr. precisa ler as cartas dela --que não vão ser publicadas no álbum, o Senhor Doutor Plinio mandou cortar-- quais são os termos que ela usa a respeito do Concílio Vaticano II.


(Aparte: O senhor pode trazer?)


Posso, posso trazer. Quer dizer, são...


(Fiorito: Em uma carta ou em cartas?)


Não, em cartas. Durante o período que o Senhor Doutor Plinio esteve em Roma.


(Fiorito: Algumas cartas não serão publicadas?)


Ah, sim, sim. Não. Entendi que o Sr. dizia "em uma carta". Não. As cartas vão ser publicadas, mas essas partes não.


(Aparte: [Publicação] interna.)


Impossível, impossível. Muito puxado, muito puxado.

Mas o Sr. precisa ver que ódio ela tinha pelo que estava sendo feito no Concílio, e como ela discerniu, como ela chegou a perceber perfeitamente do que é que se tratava, do que é que está sendo feito.

De maneira que o Sr. ainda vai conhecer coisas a respeito dela em quantidade e o Sr. vai compreender como, ao lado de toda a admiração que ela tinha pelo pulchrum, pelo belo, tinha também uma indignação muito grande contra aquilo que era exatamente o oposto, o feio. E o feio em combate ao pulchrum.


*


Ao que parece, no relacionamento --troca de cartas, conversas, telefonemas, etc.--, entre um padre de Aparecida e JC, entrou pelo meio o tema dos empreendimentos que este lidera. Um desses empreendimentos seria o “acolhimento oficial” da TFP pela Estrutura, sob condição de acertar “apenas algumas arestas” - Carta do padre João Machado (?), a JC:


Aparecida, 18 de dezembro de 1995

Ao mui ilustre autor do livro “Mater Bonii Consilii”, Dr. João S. Clá Dias

(...) Parabens pelo livro. Por tudo meus agradecimentos. Ontem, chegou-me às mãos outro presente seu, agradabilíssimo: a estatueta (e tão linda, quão preciosa) de São José (...). Seja o bom e grande amigo feliz, felicíssimo, em todos os seus empreendimentos, sobretudo apostólicos na liderança cultural e devocional à Mãe de Deus e nossa.

Desejo-lhe --pela graça de Deus-- plena saúde que necessita e conto com a sua preciosa amizade para o êxito total da Academia. Sua ação junto de tão valorosos companheiros da TFP, cuja instituição muito admiro e julgo (acertando apenas algumas arestas) é digna de acolhimento oficial, porque aguerrida à ortodoxia, isto é, ao testemunho de fidelidade ao Papa! Assim seja!





1996


No mês de fevereiro de 1996, JC fez duas reuniões, no Eremo de S. Bento, para 15 eremitas e camadulenses, a respeito da conveniência de redigir um manifesto contra a IV Revolução. Nessas oportunidades ele sustentou que:


(Cfr. relatório dos senhores Valdis Grinsteins e Feri Dosza, 7/9/97)


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Em agosto de 1996, JC e sua banda voltaram por quarta vez ao Norte Fluminense. Pôs-se então para os encarregados das sedes dessa região o problema de encontrar um lugar onde pudesse se realizar uma apresentação da fanfarra e do coro.


O Sr. Ghioto desaconselhou a igreja dos redentoristas de Campos, porque ficaria muito mal para nós usar um local de padres que durante anos representaram o progressismo e a oposição à TFP na cidade. O padre David achou razoável o conselho. Já o padre Antônio disse que a situação tinha mudado e que a coisa era agora um tanto diferente.

(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.12)


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No 7 de novembro de 1996, Dr. Eduardo recebeu uma consulta, através de fax, do encarregado do Grupo de Portugal (José Mário), a respeito da publicação, no boletim da TFP Lusa, do auto-retrato filosófico do SDP (Cfr. Relato de Dr. Eduardo, 7/11/96).

O joanino perguntava se era o caso de omitir o que o SDP afirma do Concilio Vaticano II no livro “Revolução e Contra-Revolução”.


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Relatório do Sr. Peruzi (20/1/97), encarregado do setor dos correspondentes na Argentina:


Há dois meses aproximadamente, me reuni com a Sra. Maria Celina Dillon de Beltramino, mãe do Sr. Héctor Jorge Beltramino, que se encontra na Espanha atualmente. (...) ela me comentou que estava muito contenta de ter recebido umas cartas de seu filho Héctor, onde afirmava que já faltava um pouco para a TFP ser reconhecida oficialmente pela Igreja em Roma. Não se lembrava o nome do contato eclesiástico em Roma e Espanha com os quais estavam agenciando dito privilegio. (...) Perguntei se seria o Cardeal Inocenti em Roma, e ela creia que sim, mas que me confirmaria posteriormente.

Me comentou que assim como o Opus Dei (ao qual ela pertence) conseguiu um privilegio especial da Santa Sede, era bom que a TFP também o consiga.





Entre 1995 e 1996: uma campanha sistemática para despertar, dentro das fileiras da TFP, afinidade e simpatia pelo clero da direita, da falsa direita e pelo Cardeal Ratzinger?


a. Quanto aos padres espanhóis: Vitorino, Royo Marin e outros


"Jour-le-jour" 1/10/95:


[Durante o estrondo da Espanha], chegou aos nossos ouvidos a informação precisa de que o outro lado estava à procura de um bispo, ou de um arcebispo, ou de uma cardeal que nos condenasse em Espanha. Portanto, fizesse uma condenação a TFP-Covadonga na Espanha. [O SDP] achou urgente que nós difundíssemos a carta do Pe. Royo Marin, a carta do Pe. Victorino apoiando a resposta à refutação ao Mons. Corso, a carta do Mons. Matarin e a carta do Cardeal equatoriano. Todo esse material, mais a refutação, ele quis que fosse mandada a cada um dos bispos. Cada um dos bispos recebeu portanto a íntegra perfeita, exata.

Uma semana depois nos chega a repercussão: É, eles não estão conseguindo nada.


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Reunião para CCEE, 4/11/95:


(...) é o que dizia o Pe. Vitorino, ontem ainda, para o Dr. Fernando Gonzalo que foi visitá-lo. Ele dizia: "Olhe, quer que lhe diga só uma coisa a respeito da obra do Senhor Doutor Plinio, de vocês, da TFP, etc.? É que um fundador que falece deixando essa pujante obra que ele tem nos 26 países, só por aí dá para se dizer que é um homem santo. [Aplausos.]


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Reunião na Saúde, 7/11/95:


Que conseqüências essa Consagração [a Nossa Senhora] vai trazer aos senhores que vão fazê-la? É um ato muito sério.Eu me lembro que explicando ao Pe. Victorino, que não conhecia aliás, não tinha lido São Luís Maria Grignion de Montfort, foi preciso explicar para ele a coisa toda, ele ouvindo a explicação de como é que era a Consagração, isto, aquilo e aquilo outro, disse:

-- Escute, é um ato muito sério, muito sério.

É um ato muito sério e Nossa Senhora leva isto muito a sério. De maneira que é preciso levar em consideração que aqueles que se consagraram a Nossa Senhora, dizia ele, que levem uma vida de consagrados, porque Consagração é algo de muito sério, dizia.


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Jour-le-jour" 11/11/95 – É noticiado que na Espanha, a Missa de 30° dia do passamento o SDP, foi celebrada pelo Pe. Vitorino, e foi lida na integra o que ele disse durante a Homilia.


"Jour-le-jour" 17/12/95 - JC lembra pormenorizadamente o apoio dado pelo Pe. Vitorino ao assunto “Sagrada Escravidão”.


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Jour-le-jour" 20/1/96:


O Pe. Victorino tem as vistas gastas de tanto ter lido, tanto ter estudado, e é um homem sem limite em matéria de teologia. Pergunta-se para ele o que quiser, que ele conhece São Tomás como nós conhecemos essa água que está nesse copo. Conhece São Tomás mesmo. (...) Ele já teve discussões em televisão, ele já teve discussões em público com gente de teologia de libertação. Todo o mundo tem medo dele porque ele conhece mesmo.


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"Jour-le-jour" 22/1/96, realizado na França. Enquanto JC lembrava diversos episódios do estrondo OF, às tantas Casté comenta o encontro com os padres em Espanha. Resposta de JC:

Todos miraculosos. Todos. Os documentos todos eles que foram para os torreões, todos eles miraculosos.

(...) Esse Pe. Vitorino está ligado a nós mais ou menos como uma unha está dentro da carne. Ele, por nós, briga mesmo. Não tem conversa. Ele compra qualquer briga.

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Reunião para os veteranos de 6/8/96:


Lembro-me por exemplo ... o padre Vitorino (...) lê rápido mesmo, é uma espécie de águia em matéria de leitura (...) , leu o livro da nobreza do SDP em pouco mais de 48 horas, leu inteiro e deu aquela carta (...)


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"Jour-le-jour" 5/11/95:


Em Madrid são inúmeras missas que têm sido celebradas aqui, lá e acolá pelo falecimento de nosso Pai e Fundador, e uma delas Pe. Royo Marin fez questão de que fosse celebrada com os membros do Grupo presentes, e que ele aproveitou para fazer um sermão.

O sermão do Pe. Royo Marin são dez páginas, [risos] não as lerei todas, mas primeiro ele faz uma consideração a respeito do que significa a morte para os pagãos, do que significa a morte para os católicos. E que a morte para os católicos, para aqueles que se salvam é a data de seu nascimento. Então ele prova com textos da própria liturgia, que todos os dias se lê “el santoral”, os santos do dia, e se lê em Latim, e que começa com as palavras “Dies natalis santi”. Mas ele diz:

-- Não, não, não. Não se refere ao nascimento de quando nasceram neste mundo, senão o dia de sua morte. O dia do nascimento de um santo é o dia da morte.

Assim pensa a Igreja, assim pensa a concepção cristã da morte. É o dia do nascimento. (...)


Em outra parte dessa reunião, JC exalta ao Pe. Royo:


Por incrível, não foi pensado, porque nosso desejo é que [o álbum da Sra. Da. Lucilia] tivesse saído muito antes, mas muito antes, é algo que se vem mexendo e tratando desde o ano de 85, quando por primeira vez o Pe. Royo Marin tomou uma foto da Senhora Dona Lucilia em mãos, uma foto do Quadrinho... Porque estávamos conversando sobre ela, que ela fez isso, ela foi bondosa, ela era assim, era dessa forma, tal fatinho, tal outro etc. E ele disse:

- Mas escute, não tem alguma [foto] dela que eu possa ver?

- Bom...

Tirei do bolso uma foto da Senhora Dona Lucilia, do Quadrinho e disse:

- Tem isso aqui.

- Oh, que paz! Que paz!

E osculou e enfiou no breviário dele, e até hoje ele tem no breviário.

Então dizia ele nessa ocasião:

- Mas escute, não há nada que ela tenha escrito, não há nenhum obra que ela escreveu?

- Não, ela era uma senhora de casa, ela não chegou a escrever nenhum livro.

- Que pena...

Aí comecei a me lembrar e disse:

- O que tem são as cartas dela.

- Ah, eu queria muito ler as cartas dela.

- Mas por que o Sr. quer ler as cartas dela e não se interessa pela história propriamente que a gente possa contar ao Sr.?

- Porque com essa fisionomia aqui, é certo que o que essa senhora escreveu tem na sua letra, nas suas palavras, nos seus ditos muita bondade, porque isto aqui é bondade pura. E eu gostaria muito de ler. Por que é que vocês não fazem alguma coisa sobre a história dela?

- Está bom, boa idéia.

Então a idéia do álbum da Senhora Dona Lucilia foi dele. Ele foi quem deu a idéia de que se escrevesse uma obra a respeito dela.


*


Reunião no congresso de neo-cooperadores, 19/2/96 – Na mente de JC o pensamento do Padre Royo e o de Dr. Plinio se complementam:


O Pe. Royo Marin uma vez soltou essa frase: "Se Deus cochilasse por um segundo, quando ele acordasse ele acordaria sozinho, porque toda a obra dele desaparecia." O Sr. Dr. Plinio, quando contei isso a ele, o Sr. Dr. Plinio comentou: "E Ele, no primeiro segundo depois de ter acordado, recriaria tudo de novo."


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Reunião para os veteranos, 26/3/96:


O Pe. Royo Marín é pitoresquíssimo. É pena que ele esteja com a saúde muito ruim já, muito idoso, mas valeria a pena trazê-lo aqui para fazer umas conferências, porque ele não deixa ninguém dormir.

Eu me lembro uma vez uma conferência que ele fez nos Estados Unidos. Disse uma coisa interessante, então eu fui comentar com o Sr. Fragelli ao lado, que estava ao lado.

-- D. Juan! D. Juan! Não se distraia! Não se distraia!

Quer todo o mundo ali, oh! É um homem com uma gasolina, com um fervilhar, um borbulhar de sangue espanhol, que é uma coisa tremenda. É um homem que falou em praça de touro para milhares e milhares de pessoas, que punha toda a praça de touro em pé aplaudindo, dando urras e vivas.

(...) [O Pe. Royo] é um homem aplicado. Por exemplo, o álbum da Sra. Da. Lucilia ele leu em quatro, cinco dias. Leu mesmo. E leu porque os senhores vêem pelo prefácio que ele leu mesmo. O livro do Sr. Santiago foi dado para ele e foi dado para as irmãs. As irmãs estão lendo um capítulo por dia em conjunto. Chega o Pe. Royo Marín em casa delas junto com o Sr. Fernando Gonzalo para visitá-las e pergunta:

-- Então, leram o livro de D. Santiago?

-- Não, nós estamos lendo um capítulo por dia.

-- Ah, eu o li inteiro à noite.

Leu inteirinho o livro numa noite. É um devorador de livro. Ele lê muito bem português, está se deliciando com o álbum e está dizendo o seguinte:

-- Que pena que eu estou com a saúde assim, porque eu gostaria de ir a São Paulo para conhecer a obra do Sr. Dr. Plinio em São Paulo.

Está encantado com a vida do Sr. Dr. Plinio. Ele está agora lendo com vagar, com cuidado, com mais atenção.


Na mesma reunião, JC elogia ao Padre Cabreros de Anta, entre outras coisas, enquanto modelo:


O amor é uma capacidade, vem da vontade, ele se evidencia em atos e ele é passível de aumento ou de diminuição.Eu me lembro uma vez ter mostrado a foto do Pe. Cabreros de Anta para o Sr. Dr. Plinio fazer uma análise. Ele não vê foto, ele vê alma, não é? O Sr. Dr. Plinio não vê fisionomia, vê alma. Ele pegou a foto do homem assim e disse:

-- Coisa curiosa, ele tem uma inteligência abaixo da média.

Era um gênio, ele era um gênio. O senhor hoje ainda fala em Pe. Cabreros de Anta, sobretudo entre os Claretianos, o pessoal quase faz uma genuflexão. Era um gênio, mas um gênio, um homem que conhecia o Direito Canônico. É um dos comentaristas, junto com o Pe. Artur Alonso Lobo do antigo Código de Direito Canônico. Ele conhecia o Direito Canônico com a ponta dos dedos.

Ele foi quem deu a formulação mais genial que já houve até hoje a respeito da nossa estrutura jurídica. O Sr. Dr. Plinio sempre em várias ocasiões se referiu a esta definição dada por ele como a definição mais perfeita que tinha havido entre nós até hoje.

(...)

Este homem o Sr. Dr. Plinio olhou a fotografia e disse:-- Inteligência abaixo da média. Mas o que ele tem é uma força de vontade que rompe pedra. É um homem que arranca de si o que ele quiser. E ele com a pouca inteligência que tem, mas com uma vontade de água, este homem arrancou de si o que um inteligente e gênio em matéria de inteligência não conseguiria.

Aqui os senhores têm, então, um exemplo de como a vontade tem um papel importante.


*


"Jour-le-jour" 22/10/95 - JC lê e comenta um relato que lhe enviaram os dirigentes do Grupo da Espanha:


As irmãs Royo Marin.A mais jovem delas, que está com perto de 80 anos,...


Essa é enjolras. A outra está com 96, a mais velha. Lúcida como uma lâmpada.


Da. Glória, me disse emocionada que sua irmã Maria Teresa...


Que é a do meio.


... havia colhido uma enfermidade viral dolorosíssima na pele,


É uma doença "x", que é de muito difícil cura. Eu não vou nomear aqui.


... pouco antes de morrer o Dr. Plinio, e que nem com calmantes podia viver de dor. Há poucos dias Da. Isabel lhe disse a ela:

Da. Isabel é a que tem mais fé e é a matriarca da família, no lugar da mãe.


"Te voy a encomendar en mis oraciones a la bendita alma del Dr. Plinio, y si nos hace el milagro, lo publicamos inmediatamente para su canonización". [Exclamações. Palmas]


O melhor vem agora.


E nesse mesmo dia, cessaram completamente as dores até hoje.


[Exclamações. Palmas. Brado.]


*


Jour le Jour” 31/10/95 - Repercussões vindas da Espanha:


Las Hnas. Royo Marín se quedaron impresionadisimas con las fotografías que les llevamos del Sr. Dr. Plinio, recién fallecido, y del entierro en São Paulo. Están cada día más devotas y entusiasmadas del Sr. Dr. Plinio. Nos confesaron que estaban preocupadas con que a la muerte del Sr. Dr. Plinio se pudiera perjudicar y tambalear la obra de él, pero que viendo las diapositivas, y todo lo que nosotros les contábamos, se quedaron muy contentas y satisfechas, viendo lo consolidada que está la obra del Sr. Dr. Plinio en el mundo entero.


Visitamos a un padre Jesuita que es de la casa de retiros y habia comprado el libro de la Nobleza del Sr. Dr. Plinio.

Ya en el primer intercambio de palabras fue muy interesante pues preguntó con entusiasmo cómo estaba la lucha, como estaba el trabajo, las campanhas y tal. Se le dijo que estabamos con mucho trabajo pero con la gracia de Dios todo estaba dando buenos resultados. Ahí el padre dijo: "Bueno ahora teniendo tal intercesor en el cielo, un santo en el cielo, como es el profesor Plinio va a ir bien seguro".

Le comentamos la muerte del Sr. Dr. Plinio y le dijimos que había sido muy edificante. El padre dijo que realmente habia sido una gran pérdida del profesor Plinio pues todo lo que él hacia era extraordinario y que siempre habia tenido una admiración por él.

Le comentamos todo el caso del estruendo y se interesó por don Santiago. (...) habia estado con la fundadora [de Projuventud, entidade anti-seitas na Espanha] y que no le habia gustado en absoluto pues le parecia una cosa muy mal organizada y por otro lado él no estaba de acuerdo con eso de que el Opus Dei era una secta. El padre contó que quedó verdaderamente horrorizado con lo que la tipa le decia y decidió no ir más ahi. (...) Se interesó mucho por el caso y quiso saber detalles de don Santiago, especialmente como había terminado todo. (...) Nos dijo que leía mucho nuestra revista y dijo que la leía con mucho interés, "con lupa" todos nuestros articulos y comentó que nunca habia visto cualquier error teológico y por eso iria a firmar nuestra carta de apoyo.

(...) Hoy dia 27 visitamos a un padre escolapio en la iglesia de la Merced. Ya recibia nuestras publicaciones y ya habia respondido alguna vez a SOS-Familia.

Se mostró muy contento con todo el trabajo de SOS-Familia y dijo que en el púlpito hablaba contra todos los proyectos que querian hacer de legalizar las uniones infames, contra la televisión y todo genero de aberraciones. (...) Cuando entramos en el asunto del estruendo dijo que ya estaba al tanto pues el superior de los escolapios habia sido visitado por una dupla y éste le habia pasado la refutación para que la leyese. Dijo que era todo un absurdo lo que se estaba haciendo contra nosotros y era una buena señal pues quiere decir que nuestro trabajo está prosperando. Se mostró muy admirativo del trabajo que haciamos y nos dio todo su apoyo.


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"Jour-le-jour" 22/10/95 – JC lê relatório que da Espanha lhe enviaram:


Na paróquia de São Francisco de Assis, o Pe. Antônio Gomes, que é a paróquia que freqüenta a Sra. Canals y Coma, havia umas 350 pessoas e o pároco, em vez de atender à gente, nos atendia somente a nós, mostrando-nos todo tipo de deferências e amabilidades.


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"Jour-le-jour" 5/1/96:


Agora em 96, comecinho de 96, um grande teólogo de fama internacional de 81 anos de idade vai à sede de Reconquista lá em Espanha para ver um pouco o presépio movimentado que eles têm lá com fita, com gravação e não sei quanto. Esse teólogo chega lá e encontra um ambiente tão cheio de juventude, tão cheio de graça, que ele se emociona. Faz um como que sermão ultratocado pela graça, "enflashado", homem tocadíssimo, e chega a declarar o seguinte: "Eu sou de tal Ordem religiosa assim. Mas eu entrei para essa ordem religiosa porque no tempo em que eu senti o chamado à vida religiosa não existia a TFP. Eu vejo que nada há mais no mundo hoje que tem a graça e a força que tem a TFP".




b. Quanto aos padres italianos: Anastásio Gutiérrez, Sastri, Ciappi, Spiazzi e outros


Jour le Jour” 31/10/95:


Telefonou-me ontem também o Sr. JM, e às tantas ele contou isto: que ele esteve visitando o Pe. Anastásio Gutiérrez e o Pe. Eutímio [Sastri]. O segundo é discípulo perfeito do primeiro. E os dois, quando souberam do falecimento do Senhor Doutor Plinio, lamentaram muito, etc. Eu já disse aqui que o Pe. Eutímio disse: "Olhe, cuidado, hein! Porque é por aí agora que as fundações se perdem. Se não seguirem as pegadas do fundador, os srs. somem."

E o mais velho, o mestre, disse: "Bom, então agora eu quero que vocês me dêem a vida dele. A vida dele com os fatos, porque nós precisamos começar a nos mexer para introduzir o processo de beatificação... [Aplausos efusivos e brado.]


Curioso que, em se tratando desses Prelados, o fato deles terem “lamentado muito” o passamento de Dr. Plinio, é apresentado por JC como indício de que são bons. E em se tratando de membros do Grupo, aquele mesmo fato era apresentado, nesses mesmos dias, por JC e seus sequazes como indício de serem “maus”, “fumaças”, etc.


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O padre Anastásio Gutiérrez, foi prestigiado por JC como sendo uma pessoa muito conhecida dos membros da TFP e dos correspondentes, um “teólogo atual, muito conceituado”, “a figura luminar, nos dias de hoje, em matéria de Direito Canônico” (cfr. reunião para CCEE, 4/11/95); “foi o canonista que promoveu o processo de beatificação do fundador dele, Santo Antônio Maria Claret; foi ele quem preparou toda a positio, foi ele quem preparou a argumentação toda e foi ele quem teve o sucesso de pôr sobre a honra dos altares o fundador dele” (cfr. reunião para CCEE 19/5/96).


O padre Sastri, foi elogiado por JC enquanto:


- “um homem com muita fama, muito capaz”; “um homem de valor”; “especialista em fundações e (...) em fundadores”; “teólogo famoso atual, muito conhecido nosso”; “gênio em matéria de direito canônico”, “é um desses homens que não são especialistas numa só matéria”; “grande teólogo”; “supercanonista”; “canonista de truz”; “um teólogo de truz, mais do que teólogo, ele é canonista, é um superadvogado, mas um homem muito culto, conhecedor inclusive profundo de História, é um homem muito lido, muito estudioso”; “arquiculto”; “eu nem sei como é que ele estuda tanto”.

- “um homem de um trato ultra-afável”; “um homem muito simpático”; “um espanhol arqui-falador”; “tem uma tal capacidade de falar que ele fala pelos cotovelos; com muita vida, uma vida borbulhante”; “um espanhol cheio de salero”; “uma pessoa muito interessante, muito pitoresca”; “tem verdadeiro prazer de conversar conosco, e quando nós aparecemos ele conversa horas, não nos solta; deixa os estudos todos e fica conversando conosco longamente”; “como tem muita cultura, é um homem de uma conversa agradabilíssima, porque ele discorre sobre todos os assuntos que a gente tenha interesse; é um convívio conosco de muita harmonia, muito imbricamento, muita compreensão”;

- “tem uma consonância por incrível que pareça com todas as teses do Senhor Doutor Plinio, que deixa a gente boquiaberto”; “tem um sexto sentido da RCR do outro mundo; ele leu a RCR, gostou da RCR e se encaixa inteiramente dentro de todos os conceitos dados pelo Senhor Doutor Plinio na RCR”; “conhece a história segundo o prisma da RCR, mas totalmente; a gente conversa horas com ele; e toda visualização que ele tem da história é inteiramente Plinio Corrêa de Oliveira; e ele gosta da RCR como livro de cabeceira dele, leu a RCR várias vezes”; “muito consonante com todas as teses do Senhor Doutor Plinio em Revolução e Contra-Revolução, e outras mais”; “muito culto, muito lido e muito consonante com o Sr. Dr. Plinio em matéria de Revolução e Contra-Revolução, em matéria de vários outros pontos”; “tem as idéias do Sr. Dr. Plinio na cabeça”; doutrinariamente ele tem toda a posição do Senhor Doutor Plinio; tem a linha toda do pensamento do Senhor Doutor Plinio, inclusive no que diz respeito à RCR”; “tem Tau”.

(Cfr. Reunião para CCEE, 4/11/95; "jour-le-jour" 22/2/96; "jour-le-jour" 23/4/96; Reunião para CCEE, 19/5/96; Segunda reunião do simpósio CCEE, 1/6/96; Reunião para CCEE, 4/10/96; "jour-le-jour" 26/10/95)


Aí também chama a atenção que JC apresente como honroso o fato desse prelado ser um intelectual. Em se tratando de membros do Grupo, JC não procede assim.


*


"Jour-le-jour" 5/11/95:


Escreve-nos de Milão o Sr. Bertonha:

Acabamos de retornar da Santa Missa...

Isso no dia 3 de novembro, no mesmo dia em que foi celebrada a Missa de trigésimo dia aqui.

Que foi celebrada pela alma de nosso Pai e Fundador na belíssima igreja de Santa Maria Bambina, no centro de Milão, por iniciativa de "Alleanza Cattolica".

O sacerdote, um monsenhor muito conhecido nos meios de direita, exaltou na homilia os "dons proféticos, as virtudes de santidade de um homem providencial, [autor] de Revolução e Contra-Revolução. Esta Santa Missa é em ação de graças pelo trigésimo dia em que a alma de D. Plinio, meu mestre, subiu aos Céus".


[Aplausos]


É um monsenhor, portanto que afirma que o Senhor Doutor Plinio faleceu e que foi para o Céu direto, porque ele diz que é o trigésimo dia em que ele está no Céu. Mestre dele. "Meu mestre".


Peçamos nós a sua ajuda".


(...)


Aqui vem mais um adendo ao grafonema do Sr. Bertonha, escrito pelo Sr. Loredo que esteve presente à Missa em Milão, e ele diz o seguinte:


O sermão do Monsenhor foi de arrepiar. Daria perfeitamente para ser proclamado no auditório. Ele tem uns oitenta e poucos anos.


Chama o Senhor Doutor Plinio de mestre!


Disse que desde seus primeiros anos de sacerdócio acompanha a epopéia de nosso Pai e Fundador, desde a época do "Em Defesa" que foi o primeiro brado profético contra a crise na Igreja. Disse que nosso Pai e Fundador é das maiores figuras que a Igreja teve em sua História. Seu livro "Revolução e Contra-Revolução" é o livro fundamental para a restauração da cristandade. Mas, mais do que um pensador, "egli è stato un vero e grandissimo profeta" ele foi um verdadeiro e grandioso profeta. Um profeta que veio trazer-nos a esperança da fundação do Reino de Cristo na Terra. Este mesmo Cristo Rei do qual ele foi devotíssimo escravo e cujo Reino ele anunciou com missão providencial.

Disse que foi um mártir de uma santidade das maiores na História, que agora a Contra-Revolução tem um potentíssimo intercessor.

Uma parte do sermão foi dedicada ao tema do último livro de nosso Pai e Fundador.

Durante a Missa ele, numerosas vezes encontrou a forma de incluir no próprio texto litúrgico invocações de "por e a nosso mestre Don Plinio". Meio rezava por ele, meio rezava a ele. Foi uma coisa impressionante, mas o fez com muito tino e sentido das rubricas canônicas para chegar ao limite sem fazer loucuras.


[Aplausos]


*


A amizade que tem com certos padres é tal, que ele os chama de “tios”... Reunião para a Saúde, 7/11/95:


(André Reginaldo: Como fazer para colocar algo sobre o Senhor Doutor Plinio na Consagração a Nossa Senhora? Não sei se em conjunto...)

Não, em conjunto não pode ser feita nunca!


(André Reginaldo: Não se pode fazer?)


Não, não convém. Eh... não se podia. Eu vou ver ainda.


[Exclamações.]


Eu espero que quando for a Genazzano, eu dê uma passada pelo... Eu não sei quando, não sei quando... Eu espero um dia, indo a Genazzano, passar por uns tios meus muito conhecidos e pôr uma série de problemas para eles. Um deles esse: "Escute, nós o consideramos santo, porque tátátátátá. Então eu quero nesta oração aqui acrescentá-lo. O senhor acha que está bem feito?" Está claro?


*


"Jour-le-jour" 15/10/95:


Existem duas grandes faculdades de teologia em Roma, as duas principais. Uma pertence aos jesuítas e outra pertence aos dominicanos. Essa que pertence aos dominicanos se chama "Angelicum". É de lá que os Papas --desde a época de São Domingos-- tiram um teólogo para ser o teólogo particular, pessoal, do Papa. Esse teólogo pessoal do Papa revê todos os documentos que o Papa vai assinar.

E os Srs. têm uma carta de um desses teólogos, que foi pró-teólogo de cinco Papas consecutivos, que é o Cardeal Ciappi. Esse cardeal, aliás, uma figura muito interessante e muito fina. Ele é fiorentino de uma educação... mas realmente de se tirar o chapéu. Uma educação muito... É a pessoa do clero que eu tenha conhecido mais fina, até hoje. Evidentemente não conheci tantos, mas é muito fino. Admirador do Senhor Doutor Plinio, admirador das coisas que o Senhor Doutor Plinio escreveu e encantado com o Livro da Nobreza, e deu aquela carta famosa que está posta no Livro.


*


Jour-le-jour" 20/1/96:


Eu me lembro, por exemplo, visitando o Angelicum de Roma e o reitor do Angelicum dizia: "Olhe, o Pe. Spiazzi vivia naquela cela ali. É uma coisa impressionante, todos os monges, todos os padres, deitados na hora certa e ele passava a noite até alta madrugada com a luz acesa. No dia seguinte aparecia no ofício apenas para se apresentar e o superior o dispensava para ele voltar para os estudos".

É um homem que escreve três, quatro livros por ano, ainda hoje. Um ploc ploc daqueles, mas que estuda e que dá gosto de conversar.

Para os senhores verem como homem tem horizonte, ele passa o dia inteiro estudando com música de fundo, baixinho, e só música clássica. (...). É uma espécie de Pe. Victorino da Itália, mas muito mais inteligente, mais preparado ainda do que o Pe. Victorino.


*


"Jour-le-jour" 15/10/95:


Os dominicanos ainda têm um privilégio, tirados também do "Angelicum", de outras faculdades que eles têm: eles tomam conta da parte moral e canônica da Igreja, no que diz respeito ao contato com os fiéis. O Papa não pode estar atendendo a todo o mundo que quer suspender um voto, que quer mudar um voto, que quer suspender uma excomunhão, que quer fazer isto, fazer aquilo. (...) Eu me lembro que no mês de março, comecinho de março, me confessei com um deles, muito amigo nosso, e ele me deu esse privilégio: "Está aqui uma oração de São José. Todas as vezes que você rezar, você tem uma absolvição completa minha." [Exclamações.] Fenomenal! Durante o mês de março eu rezei a mais não poder a oração.

Eles têm poder de dar indulgências, têm poderes de tudo.

E essa faculdade "Angelicum" é famosíssima. Ficava a cinqüenta metros da antiga sede de Roma. O reitor do "Angelicum", se é que não mudou, ele foi reitor durante três turnos consecutivos, é amicíssimo nosso, muito admirador do Senhor Doutor Plinio e tinha uma confiança extraordinária no Senhor Doutor Plinio. Aliás, ele ainda tem! Tem uma confiança extraordinária no Senhor Doutor Plinio.

E ali formaram-se pessoas luminares. Entre eles o Pe. Royo Marin e o Pe. Victorino que saiu de dentro do "Angelicum" com a nota Suma cum laude, ou seja é a máxima nota que uma pessoa possa ter ali dentro.





c. Quanto a padres brasileiros


"Jour-le-jour" 22/10/95 – JC lê e comenta relatórios que lhe enviaram:


No dia 4 de outubro, na missa do meio-dia, na Igreja de Nossa Senhora de Fátima, no Bairro Sapopemba, a igreja repleta, com mais ou menos 500 pessoas, pois estava havendo o Tríduo de São Francisco. Celebrava a missa o Frei Odair Verussa, o qual, ao subir ao púlpito para o sermão diz:

"Justamente hoje (sic) a Igreja perdeu um dos maiores doutores da Fé Católica existentes nos últimos tempos, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP"


[Exclamações. Aplausos.]


"Deu então uma explicação detalhada sobre a TFP, sua atividade, sua doutrina e ao falar em Tradição, dizia que a TFP trazia a tradição dos santos do passado para os nossos dias.

Depois disso ele deu uma breve biografia do Sr. Dr. Plinio, onde nasceu, onde estudou, que foi deputado etc.

Ao final ele disse que nós devemos seguir os homens como ele, assim como seguimos os santos. Dizia algo na seguinte linha: "da mesma maneira que imitamos a simplicidade e a pobreza de São Francisco, tal qualidade de tal outro santo... devemos imitar também este homem que foi um exemplo de católico em nossos dias".

Concluiu dizendo que a partir daquele momento nossa vida deveria ser diferente, deveríamos fazer tudo de maneira diferente de como fazíamos antes, ser perfeitos como não éramos, seguir os mandamentos como não seguíamos, pois as leis humanas são feitas para a vida, mas as leis dadas a Moisés por Deus são para a alma.

Ao final do sermão, todo o público aplaudiu de pé.

O padre se chama Frei Odair Verussa, da igreja do bairro Sapopemba, igreja Nossa Senhora de Fátima.


Houve algum concerto nessa igreja de Sapopemba? Creio que não.


(Andres Bravo: Eu fui fazer um trâmite burocrático, me encontrei com duas freiras, por coincidência, dessa mesma paróquia. Elas haviam recebido o mailing de Fátima. Estavam encantadas, falavam de Dr. Plinio, deram o nome e tudo. É uma freira portuguesa e outra angolana, muito conservadoras.)


*


"Jour-le-jour" 2/11/95, relato das atividades dos eremos itinerantes:


Estavam presentes cerca de 500 pessoas. Após a conferência, e antes de ser projetado o audiovisual surgiu o pároco da cidade, recebido com palmas, e que falou sobre a TFP, elogiando a campanha que de tal modo propagava a devoção a Nossa Senhora.





d. Quanto à Conferência Episcopal da Costa Rica


"Jour-le-jour" 5/11/95:


De Costa Rica chega-me um grafonema do Sr. Fernando Gioia, dizendo:


Esperando se encontre o Sr. bem vão apenas umas linhas para informar-lhe que saiu no Semanário "Eco Católico" desta semana, pertencente à Conferencia Episcopal de Costa Rica e que é difundido amplamente em todas as paroquias do país, o comunicado vindo de São Paulo completo sobre o falecimento de nosso Padre e Fundador.

Baixo o título: "TERMINó LA CARRERA DE UN DEFENSOR DE LAS FAMILIAS", ocupando quase media página do semanário (que é medida diário tabloide), e com uma formosa foto do Senhor Doutor Plinio sorrindo. (...)





e. Quanto ao Cardeal Ratzinger


O "jour-le-jour" 9/2/96, JC começa dizendo que “temos algumas notícias muito interessantes. Está um pulular de vitórias do Sr. Dr. Plinio. Um borbulhar, fervilhar de vitórias do Sr. Dr. Plinio aqui, lá e acolá, que deixam a gente até estonteado... Estão acontecendo tantas coisas, coisas tão maravilhosas, tão extraordinárias, tão estupendas ...” E depois de relatar várias dessas notícias, comenta:


Interessante? Interessante! Mas mais interessante ainda é isto aqui:


O Cardeal Ratzinger deseja retornar ao antigo, os ritos sagrados mudados pelo Concílio. A liturgia deve ser refeita toda ela.Cidade do Vaticano. O Cardeal Ratzinger está escrevendo um livro, e todos no mundo católico estão levantando as orelhas.


Então, vem aqui um resumo a respeito do livro, alguma entrevista que ele deu a respeito do livro em que ele diz que o resultado das mudanças feitas pelo Concílio, não foi uma reanimação como dizem, mas foi uma devastação. Impressionante!


*


Uma semana depois ("jour-le-jour" 15/2/96), JC retoma o assunto:


Bem, mas há uma outra notícia também que talvez os jornais daqui não tenham publicado e que traz a fotografia do Cardeal Ratzinger, que, aliás, se encontra muito venido a menos em matéria de saúde também. A notícia é do "La Repubblica" do dia 29 de dezembro. É um tanto atrasada, mas é muito interessante.


O Cardeal Ratzinger deseja retornar aos antigos ritos sagrados mudados pelo Concílio

E vem uma frase dele entre aspas, bem em maiúsculas, que diz.


"A liturgia deve ser toda ela refeita"

Vem aqui a notícia de que o Cardeal Ratzinger está escrevendo um livro sobre o assunto.Para os senhores verem o caos, ao mesmo tempo em que a comissão episcopal francesa toma essa atitude [legitimando o uso de preservativos], o Cardeal Ratzinger quer voltar atrás em matéria de liturgia.

Ele diz às tantas --é frase entre aspas e, portanto, palavras dele-- "que o resultado dessa reforma litúrgica não foi uma reanimação, mas uma devastação".

Depois ele diz: "De outra parte, a conservação das formas rituais antigas, a cuja grandeza comove sempre"...

Mais adiante ainda ele diz:


Ratzinger manifestou o parecer de que inclusive o modo do Concílio de aconselhar a colocar os altares [versus populi] (...) é uma coerência dúbia com a tradição.





1997


Na reunião dos “dois Patrícios” (cfr. Capítulo 8, I, A, 2, f), realizada em julho de 1997, no Eremo de São Bento, os expositores informaram que prosseguem os estudos e tratativas para a constituição de uma ordem religiosa / cavalaria; e sustentaram que assim como a borboleta sai da larva, a TFP transformar-se-ia, de sociedade cívica, em ordem religiosa / cavalaria.




1998


Da mesma forma como em outubro de 1995 os joanistas omitiram falar em público do manifesto da Resistência, em 1998 revelam certa propensão a ocultar a série de documentos onde Dr. Plinio ataca ao progressismo pela imprensa:


Quem lê os artigos da “Folha” dessa época [década de 1970], fica na dúvida se não é o caso de os pôr sob o regime da comissão São Pio V, tão violentos são os ataques à Estrutura e à Ostpolitik do Vaticano.

(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?", p.41)





1999


Conforme artigo publicado no jornal “A Tarde” de Salvador, no dia 20/7/99, de autoria do Pe. Pereira de Sousa, o gropo de JC é conhecido pelo homem da rua como “o que ficou ao lado da Igreja do Vaticano II” e admite a Missa Nova:


Surpresa no Carmelo – No dia de Nossa Senhora do Carmo houve missa soleníssima no Carmelo da Bahia. Presidiu a concelebração Dom Valmor Oliveira Azevedo, bispo auxiliar... A irmã jubilada Elisabeth da Trindade dirigiu súplica ardente pelo santo padre, e pelo Dom Geraldo, arcebispo primas... As leituras da palavra foram impecáveis, dirigidas por uma senhora e pelo Dr. Feitosa Luz. O Evangelho proclamado por um diácono mexicano... No fim veio a surpresa que o título anuncia. Um dos grupos da TFP, o que ficou ao lado da Igreja do Vaticano II depois da morte de Plínio Corrêa de Oliveira, que admite a missa em línguas vernáculas, levou num andar imagem de Nossa Senhora de Fátima e pediu que esta fosse coroada e incensada, depois, pelo bispo. Gostei do gesto destes jovens.


*


Folha da manhã”, Campos, 5/8/99 - Recital de fé e música - Orávio de Campos:



(...) [O] Coro e Banda Sinfônica Internacional, da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, (...) dirigido pelo maestro João Clá Dias, aplaudido em recitais também no Chile, Equador, Bolívia, Costa Rica, Nicarágua, Guatemala e El Salvador, é a grande atração das festas alusivas ao Santíssimo Salvador, padroeiro da cidade. Na Catedral, uma cópia fidelíssima da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima será coroada em meio a belíssimos cânticos e maravilhoso cerimonial, dentro das celebrações litúrgicas dirigidas pelo Bispo Diocesano, d. Roberto Guimarães.

Apostolado - As apresentações em Campos dos Goytacazes, uma cidade de fortes tradições religiosas, serão nos dias 5 às 20 horas; e no dia 6 às 10 e 17 horas. Além do espetáculo de arte, beleza e fé, o grupo, com o nome de Associação Nossa Senhora de Fátima, retorna à Catedral e ao cerne do apostolado por inspiração do trabalho evangelizador do Papa João Paulo II, depois de anos afastado em função de sua ligação com a TFP - Tradição, Família e Propriedade.

Desde o afastamento do falecido bispo D. Antonio de Castro Mayer, um religioso com profundas ligações com o Lefèvre, que os tradicionalistas perderam alguns espaços, incluindo o da Catedral de Campos, fatos ocorridos com a assunção do então bispo D. Carlos Alberto Navarro, hoje Arcebispo de Niterói. A divisão ocorrida nos anos 70, separou facções religiosas. Uma ficou com a pecha da ortodoxia e outra trilhou pelos claros caminhos do progressismo religioso.

Anos depois, como havia diferenças teológicas entre os tradicionalistas, o grupo, criado por inspiração do dr. Plínio Corrêa de Oliveira, resolveu deixar a tutela da TFP para assumir uma nova postura no apostolado, acatando as reformas litúrgicas contempladas no Concílio Vaticano II", disse um dos membros da Associação, composta de católicos leigos, que não aceitam mais a rotulação de tradicionalistas. "A TFP estava atuando com muitos radicalismos e, por isso, resolvemos seguir novos caminhos".

A reaproximação, sem perder sua essencialidade, roupagem e até mesmo pensamentos filosóficos que passam pela admiração a Dona Lucília (mãe de dr. Plínio), vem sendo feita aos poucos, observando-se pela aceitação das cerimônias de coroação realizadas em igrejas e lares, tendo como fundamento a referência do Papa, publicada no L'Observatore Romano: "Maria glorificada no corpo, mostra-se hoje como estrela de esperança para a igreja e para a humanidade, a caminho do terceiro milênio".

A sede da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, dirigida pelo advogado Hagop Seraidarian, fica em São Paulo e Campinas. "Na região norte/noroeste fluminense, existem várias secções e em Campos os setores jovens são dirigidos por João Carlos Gomes Barroso (masculino) e Maria Teresa dos Anjos Gomes (feminino)", informou o RP Hailton Ferreira. Mas há outras casas igualmente importantes no apostolado da juventude, em Italva, Cardoso Moreira, Miracema, Laje do Muriaé.

Muito Brilho - O bispo de Campos, D. Roberto Guimarães, destacou a importância da visita em função de maior brilho das festividades religiosas. "Depois do cisma com a TFP, a associação acatou as decisões do Concílio Vaticano II, no que tange a reforma litúrgica e, dessa forma, o grupo de leigos está amparado pelo Direito Canônico. O coro e a banda vão participar da Missa Solene, da Procissão do Santíssimo e da Missa Campal, no palanque armado defronte à Catedral".

O maestro do conjunto, o escritor João Clá Dias, autor de livros como "Mãe do Bom Conselho (1992), publicado, também, em italiano, inglês e albanês; "Pequeno Oficio da Imaculada Conceição Comentado" (1997) e "Fátima, Aurora do Terceiro Milênio" (1998) é um seguidor dos passos do dr. Plínio e é considerado na Associação como o seu atual inspirador. Na tarefa de tornar Nossa Senhora mais conhecida e amada em todo o planeta, ele idealizou a campanha "Salvai-me Rainha de Fátima".

- A Associação é uma entidade sem fins lucrativos, composta por leigos católicos empenhados em propagar a devoção à Santa Mãe de Deus, em consonância com os ensinamentos de Sua Santidade, o Papa João Paulo II - comentou Hailton Ferreira. Para as festividades virão caravanas de fiéis de toda a região, o que dará às celebrações litúrgicas, pela passagem do Santíssimo, uma grandiosidade nunca vista. Mais de 20 mil pessoas vão assistir à celebração da Missa Campal ao escurecer desta sexta-feira.

No repertório do Coro e Banda Sinfônica Internacional, integrados por eremitas com vestimentas de gala, músicas gregorianas, polifônicas, clássicas e conhecidos hinos religiosos e marchas. (...)

Como preparação para as festividades religiosas, (...) a Catedral está, há uma semana, ambientando os momentos de oração com os cânticos gregorianos de um dos recentes CDs do Coro e Banda Sinfônica Internacional, da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima. E, por todo brilho, Salve Maria...


*


Entrevista do Bispo de Campos ao jornal “O Dia” de 5/9/99:


[...] O bispo foi apontado pelo padre José Olavo Pires Trindade, expoente dos tradicionalistas, como principal responsável pelo aproximação entre os dois grupos. Até missa em latim o bispo já rezou em Miracema...


Pergunta: como o Sr. conseguiu contornar a crise entre progressistas e tradicionalistas em Miracema?


Resposta: Não se trata de uma solução definitiva. A questão não está ainda solucionada. Não sou eu quem está proporcionando a solução. Foram circunstancias e a interferência de Deus que promoveram essa união, que, à primeira vista, causa certa estranheza. Infelizmente ainda perdura essa problemática com os chamados tradicionalistas porque há grupos que não aceitam as resoluções do Concílio de 30 anos atrás, que ainda é rejeitado por uma ala considerável.

(...) O que aconteceu é que havia a instituição Tradição, Família e Propriedade (TFP), que se dividiu. Uma minoria da TFP ficou ainda num posicionamento muito radical.


Pergunta: como é este radicalismo?

Resposta: No que concerne à reforma litúrgica, por exemplo, esta minoria não admitia a reforma da celebração da santa missa, feita com intuito de torná-la mais participativa.

Com a divisão, a grande maioria da antiga TFP se posicionou numa linha de comunhão da Igreja.

(...) Os padres que se dividiram da antiga TFP estão com o uso de ordens da Diocese porque estão numa busca sincera da comunhão com a Igreja.


*


Folha de S. Paulo”, domingo, 22 de agosto de 1999 - Vereador provoca “guerra santa” no Rio:


O presidente da Câmara Municipal de Miracema (cidade a 270 km do Rio), Rubem Nelson da Silva Alves, está recebendo ameaças de morte e quase foi linchado pela população, revoltada com as críticas que ele dirigiu a Nossa Senhora Aparecida, em programa da radio local. (...)

Liderados pelo padre Mateus Panakkakuztty, 44, os católicos reagiram ao que consideram uma ofensa à padroeira do Brasil. (...)

Além de exaltar uma população pacata, a “guerra santa” de Miracema resultou na reaproximação de católicos afastados havia anos. A paróquia do padre Panakkakuztty é progressista. Os tradicionalistas freqüentam a capela do padre Olavo Trindade, que reza missas em latim. Os dois padres se uniram para protestar contra o vereador evangélico. Até apertaram as mãos diante da paróquia de Santo Antônio de Miracema, para surpresa dos fiéis.


*


O Dia” de 15/8/99, “Mobilização une católicos – Ofensa à padroeira do Brasil aproxima progressistas e tradicionalistas”.


Católicos progressistas e tradicionalistas trabalhando e rezando juntos. O que foi surpresa para muita gente na manifestação organizada pelos católicos de Miracema contra o presidente da Câmara de Vereadores, o evangélico Rubens Nelson, há muito tempo já não é novidade na pequena cidade do noroeste fluminense (...).

(...) a convivência pacífica dos dois grupos já é realidade há três anos desde que o bispo Dom Roberto Guimarães iniciou o trabalho de aproximação.

Os padres Matheus Panockakuzhy e José Olavo Pires Trindade não gostam nem de falar sobre separação. Apesar de um rezar a missa em português e o outro em latim, o discurso de ambos é bem afinado: cada um a seu modo, mas seguindo a fé católica e às determinações do Vaticano.

(...) um mês atrás o bispo [foi] à capela de Nossa Senhora de Fátima, onde Pe. Olavo é pároco, para celebrar missa em latim.

(...) O rigoroso padre Olavo não gosta nem de ser chamado de tradicionalista.


*


Os joanistas, vestidos de hábito, fazem um cerimonial e cantam o Hino Pontifício em honra de Dom Hummes, tal e qual outrora faziam em honra de Dr. Plinio - Boletim “Salvai-me Rainha, ano 1, nro. 3, da ACNSF, artigo “Jubileu de ouro” (duas fotos ilustram o texto):


Como parte das comemorações do jubileu de ouro sacerdotal do padre Aleixo (...), pároco de São Luiz Gonzaga, no bairro de Limão, dezenas de colaboradores da ACNSF, em trage de gala e portando tochas, formaram alas desde a residência paroquial até a entrada da igreja. Para iniciar os atos litúrgicos, um solene cortejo presidido por Dom Cláudio Hummes, Arcebispo de São Paulo, percorreu o trajeto ao som do Hino Pontifício, execitado pelo Coro e Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima.


*


Ao reproduzir o artigo “Uma igreja missionária”, de autoria de Dom Cláudio Hummes, no boletim “Salvai-me Rainha de Fátima”, ano 1, nro. 3, pág. 4, os joanistas apresentam-se solidários de uma tese que parece querer dizer algumas religiões são verdadeiras:


(...) não se pode afirmar que “tanto vale uma religião como outra”. Elas não são todas verdadeiras.





IV. “Fundamentos”, motivos e pretextos da posição joanina


A. Exploração do epitáfio do túmulo de Dr. Plinio e de um sonho de Dr. Plinio com S. Pio X

Reunião para veteranos, 6/6/96:


(Aparte: O senhor podia dizer uma palavrinha sobre o epitáfio do Sr. Dr. Plinio, a história. Foi o próprio Sr. Dr. Plinio que escolheu?)


Do túmulo?


(Aparte: Do túmulo.)

Isto foi, eu creio, numa reunião com o Sr. André Dantas, em que ... Não, ou foi com o Sr. André Dantas, se eu não me engano, ou foi com o conjunto de pessoas que o ajudava no estrondo do Rio Grande do Sul. Não me lembro em qual das duas circunstâncias, em que ele dizia que o título apostolicus dava a idéia de uma elevação ao cardinalato, ou então à estrutura da Igreja, ao que é mais próprio à hierarquia da Igreja fazer o apostolado. Esse totissimus romanos também era uma coisa mal interpretável.

Então ele foi e ditou:

-- Olhe aqui, eu acho é melhor nós passarmos a usar isto assim, assim e assim.

Inclusive, se não me engano, disse:

-- Se por acaso eu venha a falecer, no meu túmulo deve se constar isto assim -- e ficou.


*

Quase imediatamente depois disso, na mesma reunião, JC divulga um sonho de Dr. Plinio com São Pio X, visando “fundamentar” a aproximação com a Estrutura. Mas aquilo, longe de favorecer ao impostor, o condena, pois se se realizar no futuro, Dr. Plinio, S.Pio X e a TFP se aprontam para lutar contra os progressistas, isto é, contra os companheiros de viagem de JC. Dito sonho confere com uma profecia do Venerável Holzhauser relativa à Bagarre, segundo a qual surgiria um Papa Santo, que convocaria o Monarca Poderoso à luta.Bem, isto posto, eu tenho um sonho do Sr. Dr. Plinio aqui que eu nunca contei a ninguém porque estava guardado como segredo de confissão inclusive. Ele tinha tido esse sonho e não sei que explicação terá nas atuais circunstâncias, mas, enfim, eu o dou aqui tal qual ele narra.

Foi no dia 4 de junho de 1992. Esse sonho foi narrado na quinta-feira às 13h30 da tarde.

Ele começa um despacho com o Dr. Caio e aproveita o gravador do Dr. Caio para contar o sonho, porque senão ele ia se esquecer do sonho. Então ele diz:


Eu só vou dar conhecimento disso a você e ao Fernando Antúnez. É uma coisa que não tem grande transcendência, mas pode vir a ter, e eu gravo porque eu posso me esquecer dos pormenores. Você, de uma vez ouve, mas me desgravam lá. Mas eu quero uma cópia antes de você embarcar. Você tem jeito de providenciar essa cópia?


Eram os assuntos de gravador e de texto que ele não entrava. Aquila non capit muscas.


(Dr. Caio: Seria o Sr. Gugelmin.)


Seria o caso, talvez, de avisar a ele.Aí entra o Sr. Gugelmin e ele diz:


(Sr. Gugelmin: A fita é reservada?)


A fita é muitíssimo reservada (1). É só para ser conhecida pelo Dr. Caio, que deverá levar para o Fernando Antúnez ouvir, para o João Clá, Dr. Luizinho, Sérgio, e evidentemente você.


Mais ninguém. Ninguém conhecia isso senão estes mencionados, e agora os senhores. Fenomenal. [Risos] Sr. Araújo, só para nós aqui, hein?


Eu vou gravar essa fita porque tenho má memória. E de outro lado ela é toda cheia de pormenores, que podem ter um sentido simbólico, mas podem também não ser nada. Mas eu prefiro que fiquem bem registrados para o futuro. Sobretudo caso haja uma mudança brusca nas condições gerais da Igreja (2).É a primeira vez na minha vida, com oitenta e três anos e meio de idade, que eu tenho impressão de ter tido alguma coisa à maneira de uma visão ou revelação (3). O fato se deu da seguinte maneira, mas é impressão muito forte:

Eu estava na minha sala na Sede do Reino de Maria (4). A sala era como é, mas apresentava um mobiliário, uma coisa esquisita, porque eu olhava para as mobílias e via mobília comum, e como que, por transparência, eu via a mobília da sala embaixo da Tradição também. Mas eu não estranhava, no sonho eu não estranhava isso em nada. E estava dentro da sala São Pio X (5).

Eu tinha uma certa noção de que ele tinha morrido, no sonho, mas era uma noção muito relativa também, porque ele se apresentava a mim como um (?) alto, cheio de corpo, de uma saúde e de um vigor extraordinários, com um espírito muito ágil. Não diria muito extraordinariamente inteligente, mas não falho de inteligência. Um espírito comum, mas muito ágil, muito hábil, e inflamado de zelo pelos assuntos da Igreja de que ele tratava.

A maior parte do tempo ele esteve em pé. Em certo momento ele se sentou naquele sofá verde e mandou sentar-me na cadeira, que puxei para o lado dele. Mas isso durou pouco tempo.

Estavam na sala, sem serem nomeados, sem se identificar propriamente, alguns daqueles com quem eu convivo mais intimamente.


Ele não quis dizer quais. Pouco importa também (6).


A única pessoa que bem claramente atravessou a sala em determinado momento, trabalhando em algo intelectual ou burocrático, que atravessou a sala e que eu vi claramente quem era, era o Mário Navarro. Mas eu também não tive empenho em ver quem estava e quem não estava, porque eu percebia que era o pessoal bem chegado a mim e bem de minha confiança (7).


Ele não estava preocupado que alguém fosse contar, mafiar, etc.

São Pio X falava como uma pessoa que ainda estava em plena saúde. E eu pude ter bem a idéia de qual era a impressão de força, de virtude, de fortaleza, e longa vida que ele ainda tinha diante de si.O que me faz compreender, como que ao vivo, que o tenham morto, porque o pontificado que ele ameaçava ter era indefinido.

Ele falava um tanto sobressaltado, como um homem que está em plena luta e que dispõe de poucos meios para lutar, dispõe de pouco tempo, dispõe de poucos amigos, e tem uma imensidade de gente com quem ele tem que entrar em luta (8).

Via-se que ele tinha conhecimento de quem estava na sala, que era gente nossa, e que ele conhecia perfeitamente o que era a TFP.


Tudo bem claro. A gente não tem um sonho assim tão claro.


Ele acabava de mandar me chamar, mas era com desejo dele que os outros estivessem na sala também, mas ele se dirigia a mim. E dava algumas ordens, que era para fazer isto, aquilo, aquilo outro, que eu entendia, mas eu não me lembro mais quais são. Ou por outra, eu representava no sonho o papel de quem entendia, mas de fato eu percebo que eu não entendi, que eram palavras ditas muito precipitadamente e que eu não entendia. Ele me disse, em suma, que havia pouco tempo...


Em 4 de junho de 92.


... que tinha tomado conhecimento da existência de nosso grupo e de nossa posição. Ou que ele tinha há pouco tempo chegado a compreender inteiramente quanto nós tínhamos razão. E que ele queria utilizar largamente e totalmente todas as forças do Grupo, das várias TFPs, na direção de um combate contra gente que se via que tinha uma reprovação da parte dele completa, e que eram os progressistas (9).Ele não falava, por exemplo, de socialismo nem de comunismo, nem, enfim, ecologia nem nada. O que estava em vista era o progressismo, mas entendia-se que era o conjunto dos erros do tempo, e que era um adversário muito -- como ele, aliás, escreve na Pascendi -- velhaco, que agia de modo oculto, e que ele precisava ter gente que soubesse também agir com solércia, com esperteza e de modo oculto para “contre-carré”, para se contrapor de modo adequado à ofensiva que ele recebia (10).

Uma vez ou outra ele chegou a tomar assim atitudes quase dramáticas, assim falando com as mãos altas, em tom alto.

Depois eu me despedi, mas vê-se que com o consenso dele, e me dirigi para o lado do elevador. Ele acompanhou mais ou menos até o começo da escada.

Eu não me lembro como foi a despedida dele, mas ficou entendido que dentro de poucos dias a qualquer hora ele me chamaria, e que a série de serviços que nós teríamos que prestar a ele seria mais ou menos ilimitada, que nos absorveria inteiramente.

E despedimo-nos. Não houve cumprimento formal. Eu saí, mas na saída a troca das últimas palavras foi sumamente cordial e eu naturalmente muito satisfeito.


Essa é uma parte do sonho. Eu não sei, mas me parece que ele de fato deve estar em confabulação com São Pio X no Céu e está pondo o Grupo a funcionar. Esse simpósio, essa gente toda que vai ser mexida, essas idas nas cidades e não sei mais quanto, é uma ofensiva contra o progressismo.

Porque na linha, digamos assim, da palavra não é uma ofensiva clara, franca, aberta, mas é um apostolado que arruína com o progressismo. E na linha tendencial então nem se fala, porque o que houve em Tambaú foi isso, é um progressismo que levou uma sacudida violentíssima (11).


Agora, depois não sei como se apresentou diante de minhas vistas uma coisa que seria como que --você pode fazer idéia-- um campo com uma vegetação rasteira, úmida, tudo úmido, um quadrilátero grande todo ele chato completamente, da altura talvez até os ombros de um homem. Eu não vi nenhuma escadinha, qualquer coisa que permitisse subir até o alto. Em tese daria para fazer ali, por exemplo, um ringue de box, uma coisa assim. Mas de um tamanho bem grande. Vamos dizer, por exemplo, esse quarto...

Que é o escritório dele.

... mais a metade. Ficava entendido que aquilo era um campo de luta, mas não de luta física, que alguém lutaria lá não sei o quê. E com isso o sonho cessou.

Mas eu acordei --eu creio que já estava perto do amanhecer-- com a impressão vivíssima de que não tinha sido --impressão imponderável-- um sonho, mas que tinha sido realmente através de um sonho uma comunicação. E essa impressão persiste até agora.Eu quis gravar todos os pormenores, porque é possível que alguma coisa dessas tenha um sentido simbólico.

Digamos, por exemplo, que João Paulo II morra e que venha, de repente, um papa que se converta, ou qualquer coisa assim (12), como dizem que aconteceu -- e eu ponho as minhas dúvidas -- com João Paulo I.


Com João Paulo I sabem que a mim me disseram taxativamente dentro do Vaticano que o mataram. (...) Então, isso seria um aviso para nós não desconfiarmos

da pessoa,...


(Aparte durante a reunião de JC: Que pessoa?)


Que entre os vários papas, seria um dos e que nós não desconfiássemos da pessoa.

... mas deitarmos uma confiança na sinceridade da pessoa. E a prova seria esse sonho de antemão, porque realmente seria uma prova. E é só.Como você está vendo, é um sonho pequeno e não tem uma palavra de elogio para nós, não tem uma palavra de nada, mas é um enorme elogio implícito, porque é um entregar-se de pés e mãos atadas a nós para a execução dos seus mais íntimos planos, e com uma intimidade absoluta igual àquela que temos entre nós. Quer dizer, é uma intimidade cheia de respeito, proporcionados, mas muito grande.

Ele estava de capote e com o chapéu na mão, porque acabava de vir da rua. O capote estava meio entreaberto.


(Dr. Caio: Capote branco?)


Não, era um capote de cor... quer dizer, preto. O que, aliás, o papa não usa, usa veste branca, mas estava vestido de bispo.


(Dr. Caio: A mesma batina?)


Batina preta, faixa roxa e cruz peitoral de ouro, o clássico. Mas só agora eu me dou conta disso.Talvez queira dizer que ele queria representar o papel de quem era papa há pouco e que já há pouco tinha notado como estava cercado, mas tinha levado algum tempo até tomar conhecimento de nós.

Agora, isso para tournure dos acontecimentos na França e no resto da Europa é útil vocês terem conhecimento disso.


(Dr. Caio: Absolutamente extraordinário.)


Para mim sobretudo o que era extraordinário era o seguinte: é esta impressão muito viva de que foi um recado, não foi um sonho.


(Dr. Caio: O senhor acordou um pouco pelo clima criado pelo ambiente dele, pela pessoa dele?)


Sim, no sentido de que eu senti uma atmosfera muito sobrenatural. Uma atmosfera sobrenatural que não seria a que se exprimiria, por exemplo, num santinho comum, mas atmosfera de calor, de fervor, de amor de Deus, exclusivo, sem pretensão de qualquer outra coisa.Ele só tomava em linha de conta os interesses de Deus, das almas, e tendo entendido muito largamente não é só para a salvação dessa alma ou daquela, mas a luta das nações e das idéias, como convém a um papa.

Conosco muito paterno, mas um paterno que se exprimia não por palavras, porque ele estava com a atenção inteiramente fixa em algo que os adversários preparavam, mas que não era um lance, era uma guerra, um chefe de Estado dirigindo uma guerra. Ele estava nesse ponto, e aflito porque ele percebia que se ele em qualquer coisa deixasse ou não tomasse a providência necessária, um número incalculável de interesses desabavam.

A gente vê que ele não queria isto de nenhum modo, que ele tinha um zelo pela Igreja extraordinário. Mas de nenhum modo ele queria isso. Daí, então, todo o empenho.

A atmosfera sobrenatural era inexprimível, mas era assim.

Agora, toda a confiança com que ele nos tratava vinha envolta num afeto varonil, mas muito sério, muito fundo. Vê-se que ele nos queria bem a fundo mesmo e que ele dava graças a Nossa Senhora de nós existirmos. Em determinado momento ele não tinha conhecido ninguém e de repente soube de nós, e via nisso a mão da Providência. Era um... mas essas coisas sem reserva.

Eu acho que é melhor ter dito do que não ter dito, porque se for uma ilusão, foi uma ilusão. Eu não estou fazendo nem um pouco questão de que vocês acreditem nisto. Agora, se não for uma ilusão, está dado o recado a nós.


(Dr. Caio: O senhor veria alguma outra possível interpretação, ou esta é a única que o senhor vê?)


Não, é a única. Quer dizer, eu não excluo a possibilidade de que com o tempo apareçam outras interpretações, mas no momento esta estava por inteiro e eu não vi outra. Eu estou dando isso aos pormenores, porque pode ser que apareçam outras interpretações.


Comentários:

  1. Dr. Plinio não quer que a fita seja divulgada, mas JC a difunde.

  2. O sonho portanto teria algum valor caso houver uma mudança brusca nas condições gerais da Igreja. Essa mudança, até o presente momento (dezembro de 1999) não se deu. Mas JC procede como se há tempo tivesse acontecido.

  3. No entanto, JC apresenta Dr. Plinio como místico desde que nasceu.

  4. Dr. Plinio está numa Sede da TFP autêntica, não numa “sede” joanina.

  5. Não se trata de um pontífice progressista, mas de S.Pio X.

  6. Se JC não dá importância a esse dado, é porque não lhe convém.

  7. Nessa visão do que pode acontecer no futuro, Dr. Plinio vê ao Dr. Mário Navarro desempenhando um papel saliente.

  8. Mais um dado a respeito das circunstâncias em que apareceria São Pio X: a) no meio de uma brusca mudança das condições gerais da Igreja, conforme ficou registrado acima ; b) São Pio X contaria com pouco tempo, poucos meios, poucos amigos e muitos inimigos.

  9. Se São Pio X quer o concurso de Dr. Plinio e da TFP para combater gente à qual ele reprova completamente, e que são os progressistas, evidentemente não se trata da “tfp” joanista, pois JC é aliado da Estrutura.

  10. JC se contrapõe ao conjunto dos erros contemporâneos, como por exemplo o igualitarismo, o ecumenismo, o pentecostalismo e o feminismo?

  11. As numerosas mostras de apóio da Estrutura a JC, indicam todo o contrário, isto é, que as apresentações da bandinha joanina favorecem o progressismo.

  12. Dr. Plinio é claro: o Papa contra-revolucionário aludido no sonho não seria João Paulo II. Mas JC acha o contrário. Tanto assim que os estatutos da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, os boletins joanistas --do Brasil e do Exterior--, as apresentações da banda, etc., prestigiam, exaltam, glorificam a pessoa de João Paulo II.





B. JC decide aproximar-se da Estrutura após receber um “recado místico” através de um terceiro


Reunião na Saúde, 15/2/96 - Referindo-se à série de “sorrisos de Nossa Senhora” que recebeu numa viagem à Europa e Estados Unidos, JC conta o seguinte:


Coisas assim, por exemplo, eu tinha que tomar uma decisão. Uma decisão de altíssima, altíssima importância que não posso dizer qual é. Mas era uma decisão muito importante, com conseqüências muito sérias se eu tomasse uma decisão A e muito séria se eu tomasse uma contra-decisão B. Eu tinha que dizer sim ou tinha que dizer não. Se eu digo sim, as conseqüências são graves, se eu digo não as conseqüências são graves. Se eu digo sim, as conseqüências são graves mas poderão ser graves na linha do bem ou na linha do mal. Se eu digo não, as conseqüências podem ser graves na linha do bem, como na linha do mal. Então, digo sim ou digo não?

Quer saber de uma coisa? Eu quero um sinal claro. Eu vou pedir a ele que me mande um sinal claro, um sinal evidente, um sinal patente, extraordinário.

No dia seguinte, o Sr. X. me telefona:

- Olha, preciso falar muito com o senhor.

- Ah, mas eu estou muito ocupado. O senhor me desculpe.

- Mas é que eu tive um sonho. (...) O sonho é longo, mas eu vou lhe dar a parte essencial do sonho, porque talvez tenha uma coisa que ver com o senhor. (...) O Sr. Dr. Plinio estava de hábito, eu estava ajoelhado à esquerda do Sr. Dr. Plinio, o senhor à direita do Sr. Dr. Plinio e o senhor estava assim muito emocionado e o Sr. Dr. Plinio também estava muito contente, muito manifestativo. Aí o senhor pôs uma questão para o Sr. Dr. Plinio. Eu não me lembro qual é a questão (...), perguntou para o Sr. Dr. Plinio o que deveria ser feito. O Sr. Dr. Plinio virou para o senhor e disse:

- O que é que você pensa sobre o caso?

Aí o senhor virou-se para o Sr. Dr. Plinio:

- O que eu penso ou não penso, não interessa. O que eu quero saber é a orientação do senhor.

Aí então, ele, Sr. Dr. Plinio, olhou para o senhor e disse:

- Meu filho, eu quero saber o que você pensa para eu poder dizer o que eu penso.

- Se é assim, não tem dúvida, eu penso tal coisa.

- É exatamente o que eu penso.

Aí ele pôs as duas mãos sobre os ombros do senhor e disse:

- Meu filho, faça isso, vá adiante.

Diz o Sr. X.:

- Estou dizendo isso ao senhor porque, de repente, tem alguma coisa que pode estar para o senhor resolver ou não resolver, etc.

- Está muito bem, agradeço muito. Salve Maria! Está ótimo.

Peguei o telefone, liguei para onde devia:

- O que nós vamos fazer é o seguinte: tá, tá, tá.


*


Este sonho, JC narrou-o também no "jour-le-jour" 24/1/96 e em Roma no 25/1/96; e, ao que parece, ocorreu algum tempo depois do falecimento do SDP. O problema que preocupava ao iníquo era a aproximação da “tfp” espanhola com a Estrutura, conforme ele confessa numa reunião em Madrid, em 2/396:


Eu estava com um problema sério porque eu tinha que saber se eu recomendava ou não aos senhores de procurarem certas autoridades eclesiásticas aqui, para entrar num entendimento. Então não sabia se recomendava ou não recomendava. Eu estava na dúvida.

Eu disse: "Isso pode trazer vantagens, mas pode trazer desvantagens. Ele [SDP] quereria? Ele disse, antes de morrer deu tal instrução assim, assim. Faz-se, não faz-se, como é que é, como é que não é? Recomendo, não recomendo? Acho que deveria recomendar (1), mas eu gostaria de um sinal do Sr. Dr. Plinio."

Foi na outra viagem, em que eu estava nos Estados Unidos ainda (2). Era meio-dia, hora em que o Sr. George acorda, mais ou menos. Ele me telefona e me diz:

-- Olha, tive um sonho impressionante.

-- Olha, Sr. George, estou aqui atarefadíssimo. Se o senhor pudesse escrever esse sonho e me mandar.

-- De repente tem um recado para o senhor.

-- Então está bom. O senhor me dê a parte essencial do sonho e o resto o senhor me dá depois.

Ele disse:


Nós dois estávamos de hábito e o Sr. Dr. Plinio nos fez passar e nós entramos, ele também estava de hábito, nós nos ajoelhamos, o senhor estava à direita dele. Eu não me lembro, o senhor pôs um problema para ele que eu agora francamente não me lembro. Eu me lembro que o senhor expôs uma situação para ele, uma dificuldade, um problema que o senhor tinha dúvida, mas não me lembro o que é que era. Então o Sr. Dr. Plinio olhou para o senhor e disse: "E você o que é que pensa disso?" O senhor saltou: "Não, não interessa o que eu penso, interessa saber o que o senhor pensa, porque o senhor é quem tem a inerrância. Interessa saber o que é que o senhor diz a respeito". Aí o Sr. Dr. Plinio diz: "Mas para eu resolver eu preciso saber o que você pensa, porque em função do que você pensa eu tomarei uma decisão num rumo ou noutro". Então o senhor expôs a ele o que o senhor pensava, mas eu não me lembro. Do sonho isso não me ficou na cabeça. Aí eu me lembro que o Sr. Dr. Plinio então, depois de o senhor ter exposto, pôs as duas mãos nos seus ombros e sacudiu assim e disse: "Meu filho, é exatamente o que eu penso. Siga por aí."


Comentários:

  1. O pendor de JC a respeito disso era a favor de entrar no entendimento com a Estrutura.

  2. Na primeira quinzena de janeiro de 1996, JC estava nos EEUU. Na segunda quinzena, viajou para a Espanha. Ora, entre janeiro e fevereiro desse ano, André Dantas reconhece que JC fez tratativas de aproximação com o clero na Espanha. Também nesse período, JC, através de André Dantas, pressionou Dr. Caio para que a TFP Francesa se aproximasse da Estrutura nesse País.





C. O perigo muçulmano


Depoimento do Sr. Branbilla, 22/5/99:


Por ocasião da morte de minha mãe, foi uma dificuldade enorme que meu irmão, Breno, rebelado, fosse ao enterro. Acabou indo, acompanhado de outro rebelado. Ele mora em Belo Horizonte.

Agora, recentemente, quando morreu meu pai, não houve jeito de que ele fosse. Oferecemos passagem de avião mas disse que "estava muito gripado e não podia ir, havia risco de pneumonia". Após o enterro, no dia seguinte, falando com um outro irmão, pediu notícias do enterro e acabou dizendo: dentro de dois ou três dias eu irei (para tratar problema de herança, papéis etc.) pois o que eu tenho é um simples resfriado! Ou seja, ao que tudo indica não o deixaram ir para o enterro.

Quando, afinal, apareceu, acompanhado sempre de outro rebelado, hospedou-se na cidade próxima, em casa do outro irmão, mas uma certa noite ele acabou indo até Cambará onde temos a casa dos pais. Aí tivemos uma discussão. Quando lhe perguntei qual a razão de terem movido processo judicial contra a TFP, em 97, e mais recentemente o por que da carta Hagop com a inclusão daquele parecer do Sr. Cônego a quem tanto deve nossa família, fiquei literalmente pasmo com a resposta dada pelo acompanhante rebelado: "isso é uma jogada internacional, um discernimento profético do JC, porque os muçulmanos estão às portas, estão chegando e é necessário que os católicos façam uma frente ampla para combate-los. Então nos colocamos junto com o Episcopado, fizemos aliança com ele, para enfrentar a maré muçulmana que vem chegando!"

Comentários:

Fides, sexta-feira, 11 de junho de 1999

ROMA - "El Papa se inclinó y besó el Corán", dijo a Fides el Patriarca de Babilônia de los Caldeos, Mons. Raphael Bidawid, refiriéndose a la audiencia que concedió el Papa Juan Pablo II el 14 de mayo a una delegación iraquí compuesta, además de Mons. Bidawid, por el imán chiita de la mezquita de Khadum, por el presidente sunnita del consejo de administración de la 'Iraqi Islamic Bank', y por un representante del Ministerio de Culto iraquí.

Eso beso al Corán, signo del respeto del Papa a la fe de 1.034 millones de seguidores del Islam, acompanha al deseo del Papa de realizar próximamente una peregrinación a Ur de los Caldeos, siguiendo las pegadas de Abraham, padre común de cristianos, hebreos y musulmanes.





D. O panorama mudou. A intransigência da TFP vai acarretar o seu fechamento. Então, para sobreviver, é preciso aproximar-se da Estrutura, enganá-la e, em determinado momento, matá-la


Fala um dos expoentes da teologia joanina:


Quando em 1970 foi levantado o assunto da Missa Nova, com o livro “Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI”, o Senhor Doutor Plinio seguia uma política de confronto aberto e declarado com o clero progressista, denunciando a infiltração esquerista na Igreja. (...)

Por que o fazia o Senhor Doutor Plinio? Quem não vê que, naquela época, a infiltração esquerdista na Igreja cristalizara a fundo a opinião pública, e ele podia fazer denúncias, as mais contundentes, com um desembaraço que não seria possível ostentar hoje? (...)

Com o advento do pontificado de João Paulo II, a política do Vaticano mudou. (...)

A par de tantas alterações no panorama, qual foi a política do Senhor Doutor Plinio? Manteve ele a situação de confronto, ou terá passado progressivamente para um relacionamento de boa vizinhança com a “Estrutura”?

(Cfr. “E Monsenhor Lefevre vive?”, p.41)


*


Depoimento do Sr. Fábio Cardoso, 4/9/99:


Um amigo nosso no Rio, Dr. João Gaíba, durante muito tempo ficou em cima do muro porque era amigo de Dr. Koury mas agora se cristalizou. Visitado há uns 15 dias atrás pelo Alex –-era encarregado do apostolado no Rio--, a conversa foi longa, foi fazendo pergunta do por que essa união com os progressistas, etc.

Alex explicou que JC recebeu uma graça muito grande e discerniu que a TFP vai ser fechada, destruída. Mas que a obra do Sr. Dr. Plínio não pode morrer. Então, o JC decidiu que deveria se unir à Estrutura porque aí ele vai sobreviver e na hora exata ele dará um golpe e a coisa mudará.

Disse que existem exemplos históricos e bíblicos de estratégias dessas, como Judite e Holofernes, Judas Macabeu...

O Sr. Gaíba respondeu que o Sr. Dr. Plínio nunca fez isso, e jamais faria isso, sempre foi inteiramente leal. O Alex ficava sem resposta e mudava de assunto.


*


Isso posto, vejamos excelentes critérios plinianos para analisar os dois documentos acima transcritos:


Chá na Sede do Reino de Maria -- 20/6/91:


No fim do mundo, eu tenho a impressão de que o último punhado de fiéis que restará vai ser ainda da TFP. Mas que a TFP já não terá mais a força necessária para dirigir os acontecimentos. Ela seria um grupinho pequeno, com muita força de alma, mas não com os meios concretos para dirigir os acontecimentos. Como aliás, é a TFP atualmente.

Haverá portanto um momento em que a TFP dirigirá os acontecimentos e um certo momento que ela perderá essa direção. Nesse sentido o poder dela cairá. Agora: essa queda de poder da TFP dar-se-á por culpa nossa ou pela força que o adversário adquira sem culpa nossa? Acho que é difícil que se dê sem culpa nossa.

No que haverá essa culpa?

Fundamentalmente tem que ser o desejo de não estar num estado de ruptura com o mundo, mas pelo contrário estar num estado de harmonia e de paz. Ter o bem-estar de estar de acordo com todo mundo. Esse bem estar os homens o conquistam quando eles estão de acordo com os defeitos do mundo. Portanto será um estar de acordo que começará por um não estar tão em desacordo, para depois dizer que não, que o mundo tem seus lados bons. Depois dizer que afinal de contas, não se pode atacar assim sem mais nem menos. Depois acabar tomando o lado do mundo.

É possível que apareça um sucessor meu que diga que a situação já não é a mesma, que não se pode mais combater o mundo como outrora, que nós seremos fechados como foram os jesuítas no século XVIII, os templários no século XV, e que por isso nós temos que fingir estar de acordo com o mundo. Umas infâmias dessas podem ser. Mas a partir do momento em que a gente abandone a perfeita radicalidade, nós teremos começado a cair. A questão é radicalidade perfeita, que não deixa margem para nada. Esse é o negócio.





V. A “TFP” Espanhola, ponta de lança e modelo do relacionamento com a Estrutura


A. Manifestações da “Graça” Nova nos conventos de freiras - A casa paroquial, base das operações joaninas


Proclamação de notícias, ANSA, 14/9/96:


Ouçamos agora dois interessantes relatos chegados da Espanha:

Partiu de Saragoça uma caravana com seis valentes guerreiros de nosso Pai e Fundador, para duas semanas de campanha de divulgação dos cupons de Fátima (...).

Pela tarde saímos rumo a Malpica e Bergantino (...). O pároco é muito amigo do grupo e da velha escola. Até hoje não deixa pessoas de manga curta comungar na igreja. Instalamo-nos na casa paroquial, lugar que seria a base de nossas operações. (...)

Nas visitas aos conventos às vezes nos dividíamos, íamos três a um convento e outros três a outro. Nossa Senhora! as freirinhas preparavam um autêntico banquete para 15 pessoas, pelo menos!! E ainda assim diziam: "Se tivessem avisado antes, teríamos preparado alguma coisinha. Lamentamos muito que só comam isto"!! Quase não conseguíamos tomar o primeiro prato e vinham mais três ou quatro.

[Em São Finx] Depois de falar com o pároco postamo-nos na porta da capela e repartimos a todos os que passavam. (...)

Outra coisa interessante de comentar é o que acontecia quando passávamos o audiovisual do acampamento às monjas. Normalmente o fazíamos durante o recreio delas. Reunia-se toda a comunidade e era projetado o audiovisual do acampamento de verão, que causava furor. Elas não paravam de perguntar e de querer saber coisas da TFP e de nossa vida interna, do apostolado, enfim, de tudo.

(...) Em Madri pegamos a imagem de Nossa Senhora de Fátima que estava num convento de dominicanas (...)

Repercussões da caravana de distribuição do cupon S.O.S.-Família, na província de Málaga (...). Uma correspondente de Málaga quis que passássemos dois dias em sua casa para travar contato com seu sobrinho, um jovem de uns 18 anos que tinha muita vontade de nos conhecer. Acabava de terminar o vestibular e ia começar e vai estudar em Granada na universidade. Está na dúvida de se deve alojar-se no colégio dos jesuítas ou no dos franciscanos. Acompanhou-nos à Missa e comungou, rezando com muita devoção na Ação de Graças.

(...) Em Granada distribuímos mais ou menos 30.000 cupons.

Estivemos num convento de religiosas da regra franciscana, antes da hora de Oração delas, entre as 4h30 e 5h30 da tarde. Atendeu-nos a madre superiora juntamente com cinco religiosas. O motivo da visita foi porque dias atrás nos haviam pedido que fôssemos com calma explicar-lhes o que era a TFP; e desta maneira poder elucidar todas as dúvidas que tinham. Elas conheciam a TFP através de uma correspondente que lhes deu folhetos, e que por sua vez nos havia comentado que o convento estava dividido em dois: umas favoráveis e outras contrárias.

Demos-lhe uma explicação aprofundada sobre o que era a TFP, sua organização e atividades. Qualquer coisa que não ficasse bem clara para elas, poderiam interromper e tirar a dúvida.

Falamos do espírito contemplativo, da importância da missão delas. A conversa foi mar alto e produziu um ambiente muito luciliano onde se notava realmente a presença de nosso Pai e Fundador. É curioso que quando entramos de cheio nos aspectos mais profundos do Grupo, na relação vocação-Fundador, a conversa realmente pegava fogo. (...) Alguns dias depois a correspondente passou pela sede, dizendo:

-- Os senhores nem imaginam o bem que fizeram lá na comunidade. Disse-me a madre superiora que agora elas já podem dizer, como os da Samaria: "Já cremos, não pelo que ouvimos, mas porque vimos." (...)

A repercussão mais interessante foi que durante o primeiro dia de campanha em Jerez ainda não tínhamos alojamento, apesar de termos feitos várias tentativas no dia anterior, ligando de Sevilha. Uma dupla esteve telefonando durante toda a manhã (durante umas duas horas e meia) enquanto os outros membros da caravana se dividiam pelos conventos, casas, ou colégios procurando hospedagem. Todas as tentativas foram em vão.

Fizemos então uma promessa a nosso Pai e Fundador e o último telefonema feito foi o que deu certo! Era um convento de freiras que se dispuseram com muito agrado a hospedar-nos, apesar de não terem meios adequados: tinham apenas um quarto com duas camas, um toilette, e duas camas desmontáveis. O resto dormiu no chão entre o locutório, a portaria e o próprio quarto.

Nunca tinham sido visitadas por gente do Grupo, conheciam-nos apenas pelo "Covadonga Informa". Quando o cooperador ligou para lá, a primeira frase que disseram, foi:

-- Ah, Covadonga?! Nós vibramos de entusiasmo por vocês!

No primeiro dia não pudemos falar com elas, porque tinham visitas, mas no segundo dia marcamos uma hora para isto. Era impressionante ver como tinham um entusiasmo profundo pelo Grupo, o que se evidenciava pelas perguntas feitas. Toda a conversa decorreu num tom muito elevado: qual era a vocação específica da TFP, a sublimidade da vocação, o pulchrum, a trilogia escravo-guerreiro-monge, o tal enquanto tal, a importância central do Fundador, etc.

Fizeram várias perguntas sobre o Sr. Santiago, disseram que tinham todas devorado o livro dele. Era impressionante como sabiam os pormenores do livro. Comentaram como várias pessoas próximas ao convento haviam perguntado por nós, quem éramos, por que causávamos tanto impacto e por que tínhamos uma cortesia e uma educação tão fora do comum.

No segundo dia cantamos o Ofício em agradecimento a Nossa Senhora e nossos santos Fundadores pela ajuda que deram para encontrar a hospedagem. Entramos em cortejo com a imagem de Nossa Senhora e cantamos a Salve Regina solene. No último dia convidaram-nos para o almoço e conversamos com elas por duas horas. Diziam que somos santos, e nós evidentemente reportávamos tudo a nosso Pai e Fundador, pois se algo de bom elas viam em nós, era uma pálida imagem dele.

A madre superiora, muito viva e esperta, veio com um papel contendo várias perguntas a fazer-nos. Tinha muito entusiasmo, sobretudo com a figura de nosso Fundador. Ela própria ressaltou esse ponto diversas vezes. Fizeram várias perguntas, porque, segundo elas, via que em nós tudo tinha uma razão de ser. A primeira pergunta foi por que utilizávamos sapatos com cadarço, a segunda pergunta foi se tínhamos uma regra ou ordo, se já éramos uma ordem religiosa constituída. Ela disse que a nossa visita ao convento foi histórica e que queria ter tudo muito bem anotado e descrito nas crônicas do convento.

Foi indiscutivelmente uma graça profundíssima que acreditamos fazer parte da Graça Nova. Pois elas viam nos filhos do Sr. Dr. Plinio o reflexo dele. Em diversas ocasiões voltaram a comentar de modo muito sério que éramos santos. Comentaram ainda as perseguições feitas pelas monjas que não seguem a regra de S. Francisco, monjas que tingem o cabelo, vêem televisão, ouvem rádio, não têm clausura. Elas tinham sofrido muitíssimo a esse respeito.

Ao tocar o sino indicando que era hora de se despedirem, dirigiram-se muito efusivamente na direção da grade do locutório, parecendo "enjolras". Foi-lhes oferecida uma foto grande de Nossa Senhora de Fátima, o livreto de Fátima e a cada uma o quadrinho, que oscularam em seguida.

Elas ofereceram-nos uma espécie de folhetinho desenhado por elas mesmo, com a oração para pedir a graça de viver santamente e santamente morrer, com um grande "Salve Maria!" no topo e uma dedicatória no final, com o nome de cada um dos cooperadores.

Três dias depois ligamos para elas de Granada para felicitá-las pela festa da sua Fundadora, Santa Clara. Falamos com a religiosa mais jovem e com a superiora. Ambas deram verdadeiras mostras de entusiasmo e admiração pelo Sr. Dr. Plinio e sua obra. Elas --especialmente a superiora-- diziam que tinham ficado muito impressionadas ao conhecer os pormenores da obra do Sr. Dr. Plinio; que é uma obra feita pelo Espírito Santo; que é uma vocação extraordinária como nunca tinha havido na Igreja; que o Sr. Dr. Plinio é um santo e que vão começar a rezar a ele; que é inimaginável em nossos dias uma vocação contra-revolucionária --ficaram muito impressionadas com esta expressão e seu significado-- ; que querem fazer toda propaganda possível; que vendo a grandeza da vocação do Sr. Dr. Plinio e vendo o amor e a devoção que tínhamos ao nosso Fundador --pelos comentários feitos--, elas tinham compreendido melhor sua própria vocação e tinham sido estimuladas a venerar e amar muito mais sua Fundadora; e, finalmente, que querem manter-se unidas à TFP para poderem continuar na linha da radicalidade e enfrentar todas as perseguições.


*


Proclamação de notícias, ANSA, 29/6/96:


Outra frente da batalha travada por nosso Pai e Fundador nessas terras de São Fernando, através de seus filhos espanhóis são as peregrinações da cópia da Sagrada Imagem.

(...) Em Valência a imagem também foi recebida num convento de clarissas, em cuja capela os filhos do Senhor Doutor Plinio costumam fazer uma adoração semanal ao Santíssimo Sacramento. (...) Afinal, quando a imagem ia ser coberta, quiseram novamente osculá-la, enquanto cantavam uma música. Em certo momento a superiora, referindo-se aos três membros do grupo presentes disse: "Eles bem parecem o capelão com seus acólitos!"





B. O Clero, pórtico do apostolado de CCEE - O setor CCEE, pórtico da fusão com o clero


Diretrizes de JC ("jour-le-jour" 4/3/96):


... podiam pegar assim, digamos, um fim de semana, encher uma kombi de 5 duplas, 10 pessoas, e com o mapa da cidade, com uma lista de nomes que vão bater.

Vão expor o que é que é o Covadonga Informa, o que é que é a obra de Covadonga, expor o caso do livro do Sr. Santiago, o que é que aconteceu, isto, aquilo, aquilo outro, livro da Nobreza, o que seja, e entrar em contato para ir vendo as reações, e depois pondo um "X": esse dá para corresponsales.

Então começa o contato telefônico com ele, por carta, e outra visita dali a algum tempo, e vai formado núcleos em certas regiões. Sobretudo, regiões em que nós já sabemos, por visitas feitas pelo Sr. Berrizbeitia e outros, Sr. Rugeles e não sei quanto, que os padres são favoráveis a nós. Uma região onde temos um padre favorável a nós, nós podemos fundar um núcleo de corresponsales de primeira (1).


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(1) Na “Hipoteca” 1/5/83, Dr. Plinio disse que a “bomba de dinamite” que a Estrutura podia lançar no movimento de correspondentes, não é publicar um comunicado contra, mas “é o vigário conservador”.

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"Jour-le-jour" 6/3/96 – Perguntam a JC se em matéria de apostolado CCEE, os membros do Grupo da Espanha podiam visitar também sacerdotes. Eis sua resposta:


Não, eu acho que não há mal que nós tenhamos Correspondentes sacerdotes. E monjas.


Na mesma reunião, mais adiante, lhe propuseram unir o setor da TFP Espanhola que toca o do apostolado com padres e o setor da TFP Espanhola que toca o apostolado CCEE:


(Pedro Paulo: O senhor vê algum inconveniente na ordem prática a que haja uma fusão entre os dois setores de sacerdotes e isso?)

Não, não, pode ser uma coisa só perfeitamente. Pode ser. Até dá mais força.


(Pedro Paulo: Tem muita relação, não é?)

Muita, muita relação.




C. Bons doadores nas fileiras do clero


Relatório das atividades do Grupo da Espanha, lido na proclamação de notícias, ANSA, 14/9/96:


Em Pontevedra, as irmãs de um determinado convento não conheciam quase nada sobre nós. Conheciam apenas a caravana anterior que tinha passado para pegar uns sanduíches. Pois bem, hospedaram-nos durante dois dias e após passarmos o audiovisual, abriram-se de uma maneira impressionante. Não nos queriam deixar ir embora. Ofereceram um donativo, deram-nos roupa nova impecável e nos convidaram a voltar quando quiséssemos.


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Relatório das atividades da “TFP” Espanhola, redigido por um de seus diretores, e lido por JC no "jour-le-jour" 29/7/97:


Também visitamos às Carmelitas de Utrera (...). Contaram que numa recente reunião a que são obrigadas a assistir pela diocese para dar-lhes uns "cursos de atualização", tiveram um primeiro encontro com a "máfia".

(...) As irmãs e a Superiora, também estavam nessa ocasião. São boas doadoras do Grupo e também nos defenderam muito.


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Proclamação de notícias, ANSA, 29/6/96:


Grafonema do Sr. Fernando Gonzalo, 16 de junho [1996]:


Hoje cedo fomos a Toledo, para participar do que eles chamam "A pequena procissão do Corpus", na qual uma lindíssima custódia é levada num "carro" completamente gótico, repleto de flores e de plantas aromáticas. (...).

Ao final dessa procissão, à qual comparecem a totalidade dos membros da "Hermandad de Montesión", tivemos oportunidade de conversar com todos e colher repercussões (...).

Fomos depois juntamente com a Hermandad a um restaurante (...). O que deu-nos uma excelente oportunidade de estreitar muito os laços de amizade com as famílias (...).

Quiseram deixar amarrado que a cada mês uma das famílias irá organizar um jantar em sua casa, ao qual deverá comparecer também uma dupla de membros do Grupo.

(...) Para que se veja o grau de adesão e entusiasmo dessas famílias, conto que tiveram tal flash com a peça do Cyrano de Bergerac [encenada por membros do Grupo] que, além de a comentarem efusivamente, estão dispostos a conseguir junto ao secretário de Cultura (que há anos faz parte da Hermandad), não apenas a autorização, mas também subvenção e a própria propaganda, para que os membros da TFP façam uma apresentação da peça nos lugares mais simbólicos da cidade.

Os principais dirigentes da Hermandad querem que uma vez por mês Covadonga reze o rosário diante da imagem de Nossa Senhora de Montesión, pediram com insistência para irmos às suas casas dar reuniões, desejam voltar com freqüência à sede, pois - conclui o Sr Fernando Gonzalo - eles não querem mais perder contato com a TFP!"

(...) Vejamos um instante como foi a reunião em Madri (...). Ouçamos o que nos conta um dos apóstolos naquela cidade a respeito de uma conferência realizada ali no dia 14 de junho (...). Um sacerdote com o qual estamos fazendo muito apostolado ultimamente, e que mora próximo da sede, veio com suas irmãs e uma amiga delas (...). Compareceu também uma religiosa que está sendo muito perseguida e que vive num convento no qual a comunidade está dividida. Cada uma das religiosas é mais progressista que a outra. Ela é a única que veste o hábito tradicional. São as Carmelitas da Caridade. Ficou conosco até bem tarde (1), tendo de ser levada ao convento num veículo da sede. Disse uma palavras muito tocantes, e se pode dizer que sinceras e inspiradas (...).


Comentário:

1. Essa freira é tão conservadora que não teve reparo em ficar até bem tarde fora de seu convento, no meio de homens?




D. A “TFP” Espanhola segue escrupulosamente as doutrinas e orientações dos últimos Papas no tocante aos problemas morais contemporâneos


Proclamação de dia sábado, 9/3/96, no ANSA:


Palavras do célebre teólogo dominicano P. Antônio Royo Marín O.P. publicadas em “La Vanguardia” no dia 27 de julho de 1995 (1), de página inteira:

Conheço há mais de 10 anos essa notável entidade, e com meticulosa atenção venho observando sua atuação no panorama de nossa pátria(...) Todos os membros de TFP-Covadonga são católicos praticantes em grau superlativo. Com sua Missa (2), Comunhão diária, reza íntegra dos 15 mistérios do Rosário e outras práticas de piedade, todas elas tradicionais(...) Sentem uma grande veneração pelo Romano Pontífice a quem consideram como Vigário de Cristo(...) é entranhável a devoção à Virgem Maria (...) Toda sua atuação apostólica e campanhas propagandísticas se inspiram fidelíssimamente no Magistério oficial da Igreja(...) Em relação aos grandes problemas morais da época atual seguem escrupulosamente as doutrinas e orientações dos últimos Papas (3).


Comentários:

  1. Trata-se do resumo de uma carta que o Padre Royo enviou a José Francisco Hernandez, diretor da “tfp” espanhola, em 20/7/95.

  2. O Padre Royo se refere certamente à Missa Nova, da qual é ardoroso partidário. Atesta que os membros do Grupo da Espanha, há anos, assistem a esse rito.

  3. Na carta, o Padre Royo especifica que se trata de Pio XII, João XXIII, Paulo VI e João Paulo II.








E. Relações com a Conferência Nacional de Bispos da Espanha


1. Antes do 3 de outubro de 1995: censuras

Em 1988, no livro “Espanha anestesiada”, Mons. Yanes, alto Prelado da CNBE, foi objeto de severas censuras pela Comissão de Estudos da TFP – Covadonga, cujo principal membro foi Patrício Amunátegui, hoje assessor ideológico de JC:


a) Certos prelados começaram a adotar modos e vocabulário desacralizados, dissimulando o mais possível sua autoridade e preferindo uma linguajem de meios tons, mais secular e em ocasiões cômicas. (...)

Assim, quando os jornalistas perguntaram a Monsenhor Elias Yanes, presidente da Comissão Episcopal de Ensino, sua opinião sobre ‘o vicepresidente Guerra como interlocutor da Conferencia Episcopal’, em meio das tensões Igreja -Estado provocadas pela LODE, a lei do aborto, y a chamada ‘guerra dos catecismos’, não fez comentários doutrinários sobre os problemas em debate, mas pôs o acento em que Guerra ‘é uma pessoa muito cordial, muito respeitoso com os demais’, ‘creio que faz um grande esforço de diálogo e atua honestamente’. Dizendo ainda que ‘tem uma grande capacidade para buscar soluções’ e que ‘é um interlocutor de nosso agrado’. Como se fosse pouco, agregou que ‘a chamada guerra dos catecismos não tem sido mais que um problema de subalternos’ (Cfr. p.128).


b) (...) a atitude adotada pela Conferencia Episcopal desarmou continuamente as mais expressivas reações contra a LODE. Exemplo disso o deu a Comissão Episcopal de Ensino --favorável a uma certa colaboração com o governo socialista-- que chegou a enfrentar-se em diversas ocasiões com alguns dos elementos mais ativos da oposição contra a LODE. Por exemplo, quando a Coordenadora pro Liberdade de Ensino promoveu, entre abril e maio de 1986, ‘um cesse de atividades’ que afetou a quase 3 milhões de alunos, para protestar contra as reformas socialistas, o PSOE perguntou à Conferencia Episcopal se esta atitude contava com sua aprovação. Ao que os bispos responderam negativamente. (...)

A discrepância entra a Comissão Episcopal de Ensino e a Coordenadora pro Liberdade de Ensino chegou ao auge por ocasião da assinatura dos “conciertos escolares”, asfixiantes para o ensino privado. Notou ao respeito o P. Angel Martinez Fuertes, presidente da CECE: ‘os centros concertados subsistirão, mas não por muito tempo, pois a subvenção não cobre seus custos. A meio prazo se manterão a base de reduzir seus meios, a qualidade do ensino e pagando salários de miséria a seus professores e funcionários.

(...) Por isso, a Coordenadora pro Liberdade de Ensino se opôs à assinatura de ditos “conciertos”.

Para deliberar sobre a questão, a FRERE, que agrupa a 3 mil colégios religiosos, convocou uma assembléia extraordinária. Nela falou Monsenhor Elias Yanes, presidente da Comissão Episcopal de Ensino, instando à assinatura dos “conciertos”. Monsenhor Yanes ‘pode condicionar o voto indeciso de alguns religiosos’, informa ‘ABC’. ‘El País’ considerou ‘decisiva’ a intervenção do prelado; Carmen de Alvear, por sua vez, assinalou que dita intervenção foi ‘vital para a decisão final’. E fontes da FRERE ‘manifestaram sua desconformidade com o discurso de Monsenhor Yanes, que parecia falar ao ditado do que lhe convêm ao Governo para extinguir o ensino privado’. (Cfr. p.361).


c) Na nova orientação episcopal, a reconciliação entre os espanhóis de ideologias opostas passou a ser o tema prioritário. Em seu conjunto, os bispos deixaram de apoiar o anticomunismo para não romper a concórdia entre as chamadas duas Espanhas. A nova conduta vinha referendada pelo já mencionado pedido de perdão. Que diriam hoje os artífices desta reconciliação se tivessem sabido que o resultado da mesma ia a ser uma sucessão de leis contrarias à Moral e à Doutrina Católica, assim como uma torrente de blasfêmias e sacrilégios?

(...)

Este afã reconciliador com as esquerdas chegou a tal ponto que diversos bispos, entre os que se destacou o arcebispo de Zaragoza, Monsenhor Elias Yanes, manifestaram seu desagrado pela beatificação das 3 carmelitas de Guadalajara assassinadas pelos milicianos em 1936. Por que? Porque poderiam prejudicar a atmosfera de reconciliação da qual, como temos visto, as forças socialistas não cessam de tirar proveito em favor de sua assombrosa e tranquila revolução. (Cfr. p.495).


d) Em 1976, Monsenhor Elias Yanes declarava: ‘a meu entender, é separavel o projeto socialista em matéria econômica e social de ideologias materialistas e ateias. Neste caso, um católico pode ser socialista’. (Cfr. p.500).


e ) Sem ter dado lugar, segundo nos consta, a nenhum protesto nem desmentido por parte da Jerarquia, Monsenhor Elias Yanes (...) reconheceu que a vitoria socialista era em parte fruto da predicação da nova ‘doutrina social’: ‘[a doutrina social, especialmente a partir de João XXIII], tem influído de tal forma que uma grande parte do eleitorado, sobre todo da gente simples, tem votado pelo Partido Socialista’,

Há decisões políticas com uma nova vertente moral --observou também o arcebispo de Zaragoza-- sobre as que a Igreja tem uma influencia ineludível entre o eleitorado’. E concluiu: ‘que dúvida cabe, que tem influído em que os católicos tenham votado pelo socialismo?’.

Quando Monsenhor Elias Yanes fez tais declarações, tinha em conta os péssimos princípios e o programa disgregador e descristianizador do PSOE? Conhecia o plano revolucionário denunciado metodicamente neste libro? É mais reverente pensar que não. (Cfr. p.510).





2. Depois do 3 de outubro de 1995: agradecimentos, felicitações, elogios


Um mês após o falecimento de Dr. Plinio, o Grupo da Espanha elogia ao Presidente da CNBE, Mons. Elias Yanes, enquanto assistido especialmente pelo Espírito Santo.

No Boletim “Covadonga informa”, dezembro de 1995, pág. 6, artigo “TFP Covadonga manifiesta su satisfacción a los obispos españoles”, encontramos as seguintes afirmações:


Com um jubiloso ‘Laudetur Iesus Christus!’ começa a carta de adesão enviada o passado 28 de novembro por TFP-Covadonga ao presidente da Conferencia Episcopal espanhola, Mons. Elias Yanes, arcebispo de Zaragoza, por suas oportunas declarações em contra da ampliação da lei do aborto.

Desde nossa posição de fiéis –- diz a carta -- agradecemos calorosamente a prudente e decidida postura de V.E. Rvma., que tem iluminado o debate de tão transcendental lei, e tem marcado claramente os passos a seguir neste assunto por todos os católicos que querem manter-se unidos à Igreja e a sua Sagrada Hierarquia. Nas frases de V.E. Rvma. é fácil notar a presença de uma graça especial do Espírito Santo. (...)”


*


Covadonga-Informa”, julho - agosto de 1997, pág.2: O presidente da conferencia Episcopal, acusado pelos homossexuais


A “coordinadora gay-lesbiana’ tem apresentado um processo criminal contra Mons. Elias Yanes, Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, pelos supostos delitos de injurias e discriminação, já que o prelado qualificou o comportamento homossexual como ‘um mal moral’. (...)


*


Carta de TFP – Covadonga al Presidente de la Conferencia Episcopal Española” (Cfr. boletim “Covadonga informa”, de julho-agosto de 1998, página 5):


Excelência reverendíssima:

O pronunciamento da Comissão Permanente Episcopal Espanhola (...), condenando a pílula RU 486, é uma oportuna chamada de atenção à opinião pública e a nossos legisladores sobre a gravidade da introdução de dito ‘fármaco’ em nosso país. Por isso estamos cheios de alegria.

É muito acertado que o documento lhe negue à dita pílula a categoria de medicina (...).

Muito mais significativo e oportuno é o parágrafo em que VV.EE. lembram que a introdução da RU 486 “seria dar outro passo na abdicação da gravíssima obrigação que cabe ao Estado de proteger o direito fundamental à vida perante aqueles que violam a lei natural e divina que proíbe matar”.

Não deixam de lembrar VV.EE. o grave dever dos médicos de opor-se a suministrá-la, e a penalidade canônica em que estão ameaçados de incorrer se prestam sua colaboração a este crime: a excomunhão ‘latae sentetiae’.

Por último, deplora o comunicado a procurada ampliação da lei do aborto, que faz constar que “já de si [é] injusta” e a facilidade com que se propagaria o aborto com estas medidas.

(...) Em nome de TFP – Covadonga, recebam os signatários de dito documento nossa adesão e “enhorabuena”.


*


Trechos de dois artigos do Boletim “SOS Família”, da TFP Espanhola, outubro de 1998, página 11:


a ) Valente atitude da Conferencia Episcopal

Se bem que a Conferencia Episcopal se tem pronunciado em numerosas ocasiões em contra da ampliação do aborto, especialmente significativa tem sido a postura que tem adotado nesta ocasião, devido à enorme expetativa que o debate tinha suscitado.

Especial elogio merece a nota assinada pelo Comité Executivo da Conferencia Episcopal, o dia 13 de setembro (...)

Nosso agradecimento à Conferencia Episcopal, bem como a todos os bispos que se tem manifestado valentemente e com energia, proclamando a verdade em defesa da vida inocente, num momento tão crucial para a história da Igreja e de nossa Pátria.


b) Carta de felicitação de SOS Família, ao Presidente da Conferencia Episcopal Espanhola, Mons. Elias Yanes

Madri, 25 de setembro de 1998

Excelência Reverendíssima

Queira V. Excia. receber, em nome dos milhares de associados de SOS Família e em meu nome próprio, a mais sincera e calorosa felicitação, pela valente e enérgica nota da Conferencia Episcopal, intitulada “Licencia aún más amplia para matar a os hijos” (...)

(...) a mass midia, atizada por grupos de pressão esquerdistas e pro abortistas, se fez eco de uma série de calunias contra a Igreja e sua Hierarquia, com o fim de escurecer a clarividência de suas palavras.

(...) não podemos, por amor à justiça, deixar de manifestar a todos os senhores bispos e especialmente a V. Excia., como Presidente da CEE, nosso mais filial agradecimento por ter dito no momento exato e com as palavras exatas aquilo que todos esperávamos de nossos Pastores.

A Divina Providência tem atendido as preces de nossos Pastores (...)

Desejando que o Divino Espírito Santo continue iluminando a V. Excia, no zeloso dever de orientar a consciência de vosso rebanho, se despede, pedindo sua benção,

Carlos Moya




3. O Episcopado Espanhol está de muito boas pazes com o Grupo


Em Roma, 9/3/96, JC narra como está correndo o processo jurídico do caso Canals:


(Bacelli: E a estrutura, Sr. João?)

Na estrutura está o seguinte, a comissão episcopal espanhola está arquicontrolada, digamos assim, para não sair nada contra nós sem antes de falar conosco. Está tudo cercado, tudo tratado, tudo combinado. Então eles estão de muito boas pazes.





4. A “TFP” Espanhola tem muitos simpatizantes na Conferência Episcopal, na Opus Dei e até mesmo dentro das fileiras progressistas


Referindo-se às dissertações feitas na Espanha sobre o livro de autoria de Santiago Canals, JC disse:


A última conferência em Madri, por exemplo, tinha mais de 200 pessoas presentes, com seis sacerdotes de categoria, etc. O encarregado dos assuntos sociais da Conferência Episcopal Espanhola que estuda o assunto seitas está encantado com o livro e diz que é a melhor obra que já se escreveu a respeito do assunto seitas. O encarregado da Opus Dei, que é um monsenhor que secretaria um bispo de Burgos, que recebeu do bispo de Burgos o livro para ser feito um resumo, e ao mesmo tempo também ele recebeu diretamente o livro, quer dizer, recebeu por duas vias, este é o encarregado da Opus Dei para estudar o assunto seitas. Disse esse também que a melhor obra que já se escreveu em matéria de seitas é esse livro.

(Cfr. reunião confidencial para os veteranos, 2/4/96)


*


Proclamação de notícias, ANSA, 29/6/96:


De outro lado, nossos irmãos espanhóis, tem se dedicado a visitar bispos diocesanos ou eméritos por toda a Espanha. Assim relata D. José Francisco o encontro com um prelado do sul do país:


O atual bispo é membro da comissão permanente do Episcopado Espanhol. Trata-se, portanto, de pessoa bastante comprometida. Na semana em que pedimos audiência, esse bispo telefonou para um padre amigo nosso que trabalha nos escritórios da conferência episcopal, a fim de pedir referências a nosso respeito (1). O tal sacerdote disse-lhe que nos atendesse e escutasse o que tínhamos para dizer, e nos interrogasse sobre o que quisesse.

No palácio episcopal (...) ele nos recebeu imediatamente em seu amplo e bem-organizado escritório. Ouviu com muita atenção toda a nossa exposição e no fim afirmou que teve algumas notícias sobre nós, mas que o assunto lhe era distante, procurando dizer que nossa atuação em sua diocese não fizera chegar a ele nenhuma repercussão.

Agradeceu muito a visita todas as informações, o livro “Un lema, un ideal, una gesta”, bem como a abertura de vias de comunicação que nossa visita significava.

Ao comentarmos a última campanha contra a imoralidade nas bancas de jornal, que lhe tinha chamado especialmente a atenção, comentou que essa era também uma preocupação dos bispos, e que aliás ele mesmo está realizando toda uma mobilização (2). Nesse sentido, salientou que especialmente hoje em dia o papel dos leigos é muito importante.

Notamos que, depois de visitas como essa, a máfia de que somos seita, um movimento oculto, desaparece por si. Quer dizer, psicologiamente ficam muito sem jeito para um ataque nesta linha, já que nos dispusemos de tão bom grado a dar qualquer informação.

Aproveitando a visita ao bispo, estivemos com o vigário geral, que é aderente de SOS-Familia. Recebeu-nos com muita alegria, ficando muito impressionando com toda a história do seqüestro do Sr. Santiago, que ainda não conhecia. (...)

Procuramos depois o bispo emérito da cidade, que vive no seminário diocesano. (...) Recebeu-nos com paletó de clergyman, mas só com camisa e, ainda por cima, esta estava fora da calça... Desculpou-se, perguntando se também não queríamos tirar a jaqueta... É um típico bispo do Concílio, representante dos democratas-cristãos. Por incrível que pareça, apesar de ele ser progressista e meio pró-Teologia da Libertação, a conversa serviu para captarmos uma certa simpatia de sua parte (3). (...) Para se ver até onde vão suas idéias, durante a conversa fez críticas brutais a São Fernando e ao Cardeal Segura. Percebia-se que foi altamente colocado, e que durante a carreira tinha costume de passar palavras de ordem. Porém, agora mostrava-se completamente desorientado com a visita dos filhos do Senhor Doutor Plinio, não conseguindo coordenar os assuntos de modo a expressar o que desejava. No final acompanhou-nos, deu-nos a bênção e desejou-nos um bom trabalho e muito êxito.

Dali dirigimo-nos a uma diocese vizinha, para tomar contato com o bispo que exercia o múnus episcopal em Ciudad Rodrigo (...) Também mostrou muito interesse por todo o trabalho de SOS-Família e parece não estar encaixado no esquema radical pós-Conciliar dos bispos mais antigos (4).


Essas e muitas outras repercussões dos contatos com bispos encontramos nesses relatórios. Mas há uma muito digna de nota que é assim narrada também por D. José Francisco:


Aproveito para contar uma repercussão realmente interessante: nas idas e vindas mês entre Valência e Granada para as reuniões de correspondentes, pedimos hospedagem no convento das agostinianas de Orihuela, com o objetivo de ter um contato especial com elas.

Valia muito a pena, pois, no segundo semestre de 1995, elas deram hospedagem à dupla de donativos durante 5 meses, encarregando-se de lavar sua roupa, fornecendo-lhes refeição, etc. (...) Na mesma manhã em que estávamos de partida, ia almoçar na hospedaria do convento o vigário-geral para religiosos da diocese. Decidimos demorar um pouco mais a fim de cumprimentá-lo. Segundo nos contou a superiora, esse sacerdote, durante os dias da perseguição contra a dupla, disse-lhe que ficasse tranqüila e não desse ouvido às máfias, pois via-se que éramos bons. Quando estávamos em animada conversa com a comunidade, chegou esse vigário, saudando-nos com amabilidade. (...)


Entre as outras inúmeras atividades da TFP espanhola está a já tradicional montagem em uma das ruas de Sevilha de um altar da TFP para prestar adoração a Nosso Senhor Sacramentado. (...)

Uma repercussão relacionada também com o altar deu-se depois de uma missa. Uma senhora abordou vários membros do Grupo perguntando se éramos seminaristas (...).

Todos os anos a procissão com a presença de todas as autoridades eclesiásticas e civis passa diante do altar da TFP. Neste ano, o Arcebispo de Sevilha, ao passar diante do altar, olhou-o e deu um leve sorriso. (...)


Comentários:

  1. Não parece tratar-se de referências ideológicas dos membros dessa “tfp” --pois são arqui conhecidas--, mas tendenciais --isto é, em que medida estão abertos para serem deglutidos pela Estrutura.

  2. Tal seria que o Prelado se pronunciase a favor da imoralidade.

  3. Na realidade, o Prelado fez o papel de apóstolo e os “membros do Grupo” fizeram o papel de apostolandos.

  4. Quer dizer, haveria dois veios nas fileiras da Estrutura: os que estão encaixados no esquema radical pós-conciliar, e os que não estão encaixados nesse esquema; os primeiros despertam medo na “tfp” espanhola, os outros despertam simpatia.




5. Participação de um membro da “TFP” Espanhola num evento da Conferência Episcopal


Boletim Informativo SOS Família, da “TFP” Espanhola, fevereiro de 1999 (traduzido para o português):


SOS Família presente na Jornada sobre a Pílola organizada pela Conferência Episcopal Espanhola.

O passado 12 de dezembro teve lugar, na sede da Conferência Episcopal, em Madri, uma Jornada sobre a pílola RU-486, onde os diversos conferencistas trataram sobre os aspetos bioéticos, legais e morais do uso desse remédio.

(...) Juan José Canela, farmacéutico e membro ativo da equipe de SOS Família, pode intercambiar impressões com vários conferencistas e felicitar ao Presidente da Conferência Episcopal Espanhola, Mons. Elias Yanes (...).





F. Dados dos padres espanhóis


1. Posição dos “tios” de JC em relação ao Concilio e à Missa Nova


Fala JC (“Juízo Temerário”, p.24):


[Quando] chegava ao auge a tensão entre D. Corso e os quatro padres de Campos [NB: setembro de 1995], o SDP sugeriu que apresentássemos ao Pe. Royo o estudo do Sr. Átila (1), a fim de verificar se seria possível utilizá-lo como defesa dos quatro sacerdotes.

Imaginando o resultado que tal medida acarretaria, procurei recordar a MSS a política que, por orientação dele, havia sido seguida com os dois sacerdotes espanhóis [Vitorino e Royo] ao longo desses anos.

Em vista disso, o SDP mudou de plano e, sobre a situação criada, comentou:

O João faz isso com uma espécie de liberdade de movimentos que você vê que eu dou a ele largamente”.


Comentário:

  1. Ao que parece, refere-se a uma série de livros contra o Concilio.


*


Grafonema de JC a Dr. Plinio, setembro de 1995:


[Vós] desejastes fazer um teste com o Pe. Vitorino sobre o problema da Missa Nova. Por orientação vossa, entreguei-lhe o livro do AX. As reações produzidas pela leitura foram tais que vós recomendastes pôr panos quentes sobre o assunto e não brigar com ele a propósito. As conversas foram gravadas e vos foram lidas as palavras de sua zanga. Há uma série de outros comentários e episódios havidos com o Pe. Vitorino sobre a referida temática que vos foram transmitidos em suas minúcias. Só não os recordo aqui para “ahorrar tiempo”, como por exemplo, a sondagem que vós indicastes a ser realizada sobre a “Liberdade Religiosa no CV II”.

(Cfr. “Juizo Temerário”, p.26,27)


*

Quando o Pe. Royo esteve nos Estados Unidos, as duas pessoas que o acompanharam [Sr. Ureta e Afonso Becar Varela] , tocaram no assunto Missa e Concilio. A respeito da reação do referido padre, eis o que JC lembra a Dr. Plinio no grafonema de setembro de 1995, acima mencionado:


Sobre sua fúria, vós a conheceis. Haja vista as horríveis cenas aprontadas por ele nas conferências de Granada e Sevilha.


Ao ler isso (provavelmente num despachinho), Dr. Plinio comentou: “não me lembro disso”. Então o Sr. Fernando Antunez esclareceu: “ele elogiou o Concilio Vaticano II na conferência”. Aí Dr. Plinio recomendou “não mais contar com ele [Pe. Royo] para nada, mas simplesmente mantê-lo como amigo”. (Cfr. “Juizo Temerário”, p.27).

Nessas conferências do Pe. Royo em Granada e Sevilha, assistida por correspondentes e simpatizantes da “tfp” espanhola, o Pe. Royo fez uma apologia da Missa Nova.





2. Posição dos “tios” de JC em relação a Dr. Plinio


Depoimento de Dom Bertrand (30/1/99):


Quando houve a tal discussão do Pe. Royo Marin com Sr. Ureta nos EUA, JC mentiu ao SDP (eu assisti esse relato) que o Sr. Ureta, imprudentemente, tentou convencer o Pe. Royo sobre a Missa nova e com isso pôs tudo a perder, prejudicou as relações, etc.

A realidade foi diferente: por ordem de JC, o Sr. Ureta acompanhou o Pe. Royo à Califórnia, e levava sempre o missal dominicano que tem um ritual aceitável da Missa. Lá, Pe. Royo tinha que celebrar Missa, e encontrou missal novo e disse que ia rezar aquela Missa. O sacristão da igreja se ofereceu para acolitar enquanto o Sr. Ureta ficou pela igreja rezando o terço. No fim da Missa, Pe. Royo veio furioso para o Sr. Ureta reclamando porque se recusara a acolitar a Missa, que toda essa atitude dele era por culpa de Don Plinio. E fez uma deblateração contra o Sr. Dr. Plinio. Isso o JC nunca contou.

(...) O Sr. Henrique Fragelli contou as críticas que o Pe. Vitorino fez ao Sr. Dr. Plinio, publicamente, na TFP americana. Nunca isso chegou aqui.




3. Posição de Dr. Plinio em relação aos “tios” de JC


Reunião com CCEE de Campos, 22/6/84:


O Pe. Vitorino Rodrigues é autor de mais ou menos 50 trabalhos. Eu não li os trabalhos dele (...), ele é tido e considerado na Espanha, nos meios da direita espanhola, como um alicerce do pensamento direitista espanhol. Esses trabalhos todos que ele escreveu, eu estaria no caso de aprovar? Em primeiro lugar, deles todos, como leigo que sou, alguns eu não entenderia; outros, talvez não aprovasse, não sei, eu não conheço, não me responsabilizo por isto. (...)

Eu volto a dizer: eu não posso garantir que todos os escritos de cada um destes teólogos [NB: Padres Vitorino, Royo Marin, etc.] eu assinaria, não posso garantir. Eles são tidos como gente de direita, de boa orientação por todo mundo da Espanha.


*


Depoimento dos Srs. Dufaur e Rivoir, 30/1/99:


Sr. Dufaur: Durante anos acompanhei o material que chegava da Espanha, livros, revistas, folhetos etc. Quando houve o estrondo do Mutuca o SDP quis ter um aval de teólogo de renome. Os padres Vitorino e Royo já eram conhecidos do Grupo da Espanha. Pedro Paulo me disse claramente que o SDP os proibira de ter contato com eles porque se o Grupo tivesse relação com eles, no confessionário eles estragariam a TFP.


Sr. Rivoir: essa instrução eu já sabia desde o começo do Grupo na Espanha. Zayas também sabia disso. Portanto, é bem do começo do Grupo lá.





4. O Padre Vitorino, elo entre a “TFP” Espanhola e o franquismo – JC, elo entre a TFP e o Padre Vitorino


Revista “Fuerza Nueva”, 17-31 de mayo de 1997:


A morte de ‘um dominicano exemplar’ reuniu na tarde do passado 17 de abril [de 1997] a um bom número de amigos e seguidores de sua obra religiosa y escrita.

(...) No ato tomaram a palavra o padre Carlos Lledó O.P., da comunidade dos dominicanos de Madri; Fernando Gonzalo, que falou em nome de TFP - Covadonga; Miguel Ayuso, jurista que falou em nome da revista Verbo e da editorial Speiro; e encerrou o ato Blas Piñar.

(...) Depois tomou a palavra Fernando Gonzalo que fez um recorrido pela biografia acadêmica do padre Victorino, para terminar por qualificar a ele de ‘um dos mais grandes teólogos da historia de Espanha’. (...) Para seus discípulos foi ‘um exemplo de sabedoria’.

(...)


[Palavras de Blas Piñar]: Nosso olhar deve projetar-se, ainda que seja com extrema brevidade, sobre sua vida e seus feitos, tão vinculado à Ordem de Pregadores e tão intensamente relacionada com o grupo Covadonga (de Tradição Família Propriedade), com ‘a Cidade Católica’ (através da revista Verbo), com ‘Igreja Mundo’, da que foi assíduo colaborador, e com esta Casa [Fuerza Nueva].

(...) Este apoio sincero e espontâneo do P. Victorino tem sido para mi --o confesso agora publicamente-- um autentico “espaldarazo”, posto em relevo de palavra e por escrito, que culmina nesta frase sumamente expressiva, que, ao mesmo tempo, me “sonroja” e me comove: ‘a meu bom amigo Blas Piñar, cujas preocupações políticas religiosas tenho compartido sempre’.

A partir de então, o contato do P. Victorino com esta Casa tem sido continuo e intenso, como colaborador da revista Fuerza Nueva e conferencista. (...)


*


Revista ‘Verbo’, maio - junho de 1997, palavras de Miguel Ayuso:


[Anteriormente tive] ocasião de sublinhar o importante papel desempenhado pelo P. Victorino Rodriguez no pensamento espanhol, não só pela profundeza, acerto e autenticidade de sua obra (...), mas por sua acolhida entre diversos grupos de intelectuais católicos leigos. Penso, sem ir mais longe, (...) de sua vinculação com nossa Cidade Católica (...). Mas penso igualmente --e ali também lhe gozei com frequencia-- na desaparecida revista Igreja - Mundo. Ou na Sociedade Cultural Covadonga. Devedoras todas de suas exposições, orientações e conselhos. (...)


*


Por sua vez, o elo de ligação com o Pe. Vitorino, é JC. Com efeito, o Pe. Olavo, em carta a Dr. Plinio Xavier (31/5/97, p.9), afirma que entre JC e o Pe. Vitorino havia estreito relacionamento.





5. JC não queria que Dr. Plinio conhecesse pessoalmente a seus “tios”


JC confessa:


Durante a saudosa e abençoadíssima viagem de nosso Pai e Fundador à Europa, em 1988, apesar de insistências minhas em sentido contrário, alegando perda de tempo para ele, o SDP fez questão fechada de visitar tanto o Pe. Vitorino quanto o Pe. Royo Marín. (Cfr. “Juízo Temerário”, p.206)








6. Morte do Pe. Alonso Lobo


"Jour-le-jour" 22/1/96:


(Aparte: De que morreu o Pe. Arturo?)


Tremendo. Ele estava não sei se na praia de San Sebastian, ou na praia das Astúrias tomando banho de mar e teve um enfarte. Foi para o hospital. Quando chegou no hospital, foi atendido pelos médicos, e a primeira coisa que ele disse:

- Eu sou um sacerdote e quero receber os sacramentos. Quero que me chamem um sacerdote.

Recebeu os sacramentos e morreu com os sacramentos. Eu acredito que pela intervenção dele, a Sra. Da. Lucilia salvou a alma dele. Não tem a menor dúvida.





VI. Relações da “tfp” chilena com a Estrutura


A. Posição da verdadeira TFP Chilena em relação ao Episcopado, ontem e hoje


Para ter uma idéia de como foram, ao longo de décadas, as relações entre os discípulos de Dr. Plinio no Chile e a Estrutura, transcrevemos alguns enxertos do livro “La Iglesia del silencio en Chile”:


É impossível analisar estes fatos [NB: o procedimento de boa parte dos Bispos e Sacerdotes no Chile] à luz da Doutrina Católica, sem pensar nas figuras canônicas de cisma, favorecimento de heresia e suspeita de heresia; quando não, de heresia propriamente dita.


Por isso, declaramos aqui nossa firme e irrevocavel determinação de resistir. Entendemos por resistir: Declarar e proclamar perante Chile e o mundo, por todos os médios lícitos a que nos autorizam o direito natural e a lei positiva, seja canônica, seja civil, no que consiste a conduta dos Hierarcas e Sacerdotes demolidores, e esclarecer qual é sua gravidade, em vista do dano que ela causa à Igreja e à Civilização Cristã em nossa Pátria. E opor-mos em toda a medida que nos seja permitido pela Moral e o direito, a que tais Hierarcas e Sacerdotes usem de seu prestígio para fazer o mal que os fatos relatados nestas páginas indicam - prestígio que se torna, assim, um fruto usurpado aos sagrados cargos que ainda utilizam. (pg. 391)


Assim sendo, e salvo melhor juízo, afirmamos que cessar a convivência eclesiástica com tais bispos e Sacerdotes é um direito de consciência dos católicos que a julguem insuportável. Quer dizer, daninha para a própria Fe e vida de piedade, e escandalosa para o povo fiel. (pag. 394)

*


Agora, um resumo do manifesto “La Sana polarización, una bienaventuranza para Chile”, publicado pela verdadeira TFP no “El Mercúrio”, em 30/12/98:

[A extradição do General Pinochet, exigida pelo] juiz socialista Baltazar Garzón, o respaldo que lhe deram os governos e tribunais de Espanha e Inglaterra, e a ruidosa manifestação de todas as esquerdas do mundo, despertaram no Chile as ânsias de vingança da minoria marxista e a legítima indignação da maioria anti-comunista.

Não obstante, diversas vozes --entre as quais se destacam as de alguns Bispos, do Governo e da Democracia Cristã-- se tem feito ouvir repetidas vezes mais para lamentar a polarização que para advertir ao País sobre a virulência do socialismo marxista.

Os que abaixo assinamos, faltaríamos a nosso dever se num momento tão crucial como este não denunciarmos o absurdo de que exista menos preocupação pela agressividade marxista que pelas reações que esta suscita.

A embestida contra as FF.AA. invoca os direitos humanos, como se fossem prerrogativas exclusivas dos subversivos, sim tratar aos responsáveis pela seguridade nacional com a imparcialidade que a justiça pede e, muito menos, com a benevolência que mostra pela subversão.

O vozerio marxista internacional não só execra em forma pública os excessos que atribui à Junta Militar, mas também se nega a reconhecer o bem por ela realizado, sem pedir a comunistas e socialistas, que provocaram o trauma, o menor arrependimento.

Não estranha que não o tenham tido, salvo de seus "erros táticos", ou seja, daqueles pelos quais não conseguiram enganar nem dominar o País. Também não perdonaram, como ficou patente nestes dois meses, o que indica que, na primeira oportunidade, muitos deles reincidirão, chegando a extremos até agora não alcançados.

A maioria dos chilenos, longe de amedrontar-se por esse vozerio, tem reagido com energia ante a violação da soberania nacional e contra a guerra psicológica com a qual se pretendia doblega-lo. Daí resulta, em lugar da rendição esperada pelos socialistas, o fortalecimento das fibras anticomunistas da população.

Tem sido frequentes as lamentações ante a polarização da opinião pública a propósito destes fatos, como se dela forçosamente derivasen os mais graves perigos e do relativismo ideológico e da inércia, todos os benefícios. Tal visão é errada, por carecer de critério moral.

Para saber se a polarização é boa ou má, e preciso analisar de que índole é e como se manifesta. Se a polarização se produz por questões secundarias e se expressa com ódios e fanatismos, será contra a Lei de Deus. Mas será um dom do Céu e uma bemaventuranza, se se produz por grandes questões doutrinárias, que afetem a Fe, a Moral ou o Direito.

Nessas condições, a polarização é a expressão política do conselho do Divino Mestre: "Sejam tuas palavras sim, sim, não, não" (Mt. 5, 37). O contrário é a tibieza, estigmatizada com estas palavras ardentes: "Oxalá fosses frio ou quente! Mas por quanto és tíbio começo a vomitar-te de minha boca" (Ap. 3, 15-16).

[Entre socialismo e cristianismo], é ilícito ser neutral, dado que, por una parte, a Civilização Cristã é a única Ordem autêntica e, por outra, o comunismo é sua completa negação.

Não só isso: como as forças marxistas são empedernidas em seus erros e especialmente brutais quando vêem debilidade ou indecisão em suas vítimas, a polarização dos católicos ao rejeitar tais aberrações é vital para que estas não se tornem dominantes.

É absurdo equiparar a extrema obcecação dos marxistas, com a firmeza com que recusa seus erros a maioria anti-comunista do País. Porque, se é péssima a pertinácia do subversivo, é ótima a perseverança no bem daqueles que cumprem o Decálogo.

Sem embargo, alguns Pastores da grei chilena parecem pensar de outro modo, pois certas declarações insinuam que a ordem é o fruto de uma conivência entre os vários setores, obtida pela debilidade de todos eles nas próprias convicções. A paz social resultaria de uma fusão pastosa dos princípios em favor de um mero sentir comum que ninguém recusa nem aceita inteiramente, porque quase ninguém o analisa.

Foi precisamente esse relativismo o “tobogán” pelo qual Chile se deslizou nos anos 60 e 70, até cair no fundo do abismo marxista... tornando necessário que as FF.AA. enfrentassem a subversão, no quadro de uma guerra interna.

Se os chamados ao arrependimento, ao perdão e à reconciliação omitem que setores e fatos se tem em vista e como se chegou a estes, induzem a opinião pública a interpretá-los no sentido dado pela esquerda mundial, que presume inocentes aos comunistas e gravíssimamente culpáveis aos anti-comunistas.

Esta é uma enorme deformação da realidade que a esquerda internacional nos quer impor e à qual os Pastores devem opor-se. Tanto mais quanto sua influencia é muito maior entre os católicos que entre os marxistas, pelo que seus chamados a evitar a polarização fácilmente farão que os primeiros percam seu empuxe, enquanto os segundos conservam o seu.

Assim poderá recomeçar o processo que nos levou, nos anos 70, ao borde da guerra civil e do comunismo, precisamente os espectros dos quais nos salvou a intervenção militar, ansiada pela maioria dos chilenos, mas --doi dize-lo-- reprovada por não poucos dos Bispos da época...

Se se trata de solicitar e de mostrar arrependimento, os Pastores poderiam dar o exemplo, reconhecendo suas próprias responsabilidades.

Nos dirigimos a todos os dirigentes válidos da Nação e especialmente aos senhores Bispos para que apliquem os importantes recursos que a Providencia lhes deu com o fim de impedir uma nova capitulação perante a ofensiva do socialismo marxista.





B. Posição da “tfp” joanina em relação ao Episcopado: coincidência, adesão, solidariedade


Resumo do manifesto joanino “A ‘OPERAÇÃO GARZÓN’:¿JUIZES SUPREMOS DA ETICA MUNDIAL A SERVIÇO DA DESESTABILIZAÇÃO E DO CAOS?”


Incredulidade, surpresa, estupor, indignação, controversias, perturbação nas relações diplomáticas entre países amigos, espada de Damocles suspendida desde agora sobre a soberania dos Estados, reapertura de feridas profundas, tensões políticas rumo a confrontações violentas; todo isso se precipitou em tropel sobre a opinião pública chilena ao saber a notícia da trampa político-judicial preparada em Inglaterra e Espanha ao ex-Presidente (...) Pinochet.

(...) Foi aberta uma Caixa de Pandora dentro da qual se agitam os mais inopinados fatores do caos.

Todo isso nos faz coincidir com a afirmação fora de toda suspeita do Excmo. Sr. Arcebispo de Santiago, Mons. Francisco Javier Errázuriz, ao que ninguém quererá tachar de pinochetista: estamos em presença de "uma confabulação" contra o ancião general, detido por surpresa aproveitando-se de seu delicado tratamento médico; confabulação que ameaça empurrar Chile na "ingovernabilidade" e no "caos".

(...) (Cfr. "La Segunda" 25/XI/98, e Internet, 25/2/99)


*


Texto do comunicado que os revoltados do Chile publicaram no “El Mercúrio” (5/1/99), em resposta ao manifesto dos autênticos filhos de Dr. Plinio:


Senhor Diretor:

Como presidente da Sociedade Chilena de defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP-Fiducia) quero esclarecer perante a opinião pública nacional que o documento publicado com data 30 de dezembro, como inserção no jornal de sua digna direção intitulado “A sana polarización, una bienaventuranza para Chile”, não tem relação alguma com esta entidade.
Seus assinantes, pessoas privadas que respondem de suas próprias opiniões, não representam à TFP Chilena. “Nossa entidade sempre foi muito cuidadosa em documentar suas tomadas de posição e deseja esclarecer que não [se] solidariza com o modo pouco considerado com que dita inserção se refere à hierarquia eclesiástica. Os integrantes da TFP chilena, como leigos católicos, nutrem a respeito dos senhores bispos os sentimentos de filial adesão e respeito que correspondem a sua sagrada condição de pastores da Santa Madre Igreja.





C. Posição da “tfp” joanina em relação ao Magistério tradicional da Igreja e à crise da Igreja – Como eles se definem


Informação captada na Internet em fevereiro de 1999:


TFP FIDUCIA

Fundada o 28 de abril de 1967, a Sociedade Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade - TFP Fiducia, congrega a seglares católicos associados privadamente para atuar na sociedade temporal. Tem como finalidade defender e estimular a Tradição, a Família e a Propriedade Privada, enquanto pilares fundamentais da civilização cristã, perante os diversos fatores de descomposição religiosa, moral e social que afetam ao mundo contemporâneo, em especial as tendências ou correntes que promovem a transformação da sociedade de acordo com uma ideologia materialista, radicalmente libertaria e igualitaria.

Como associação integrada por seglares católicos, a TFP conforma seu pensamento aos ensinamentos do Magistério da Igreja, (1) e vê com confiança ao século XXI, quando muito provavelmente far-se-á realidade a promessa da Santíssima Virgem em Fátima: "Por fin, o meu Imaculado Coração triunfará".


Comentário:

  1. Não disse, como outrora, “Magistério tradicional da Igreja”.


*


No artigo da “tfp” chilena “O caos mando e a Revolução cultural” (captado na Internet no 25/2/99), são enumerados os principais “fatores de disgregação moral e social que afetam Ocidente”. Entre eles nota-se uma gravíssima omissão: a crise da Igreja:

¡Quantas coisas cambiaram no Chile nestes últimos 30 anos!

Está vivo ainda a lembrança daquela Reforma Agraria socialista e confiscatoria que destruiu os fundos e as fazendas.

Mas não só isso. Não principalmente. Destruiu todo um tecido social orgânico e nos jogou na pior crise político-ideológica da história nacional.

(...) Muitas coisas cambiaram realmente no Chile e no mundo, de esses anos para cá!

Por exemplo, a queda do muro de Berlim e a espetacular derrubada pacífica do Moloch soviético.

Ou nas transformações que tem introduzido a revolução informática, a difusão das tecnologias de ponta e o dinamismo alcançado pela globalização capitalista.

(...) Vemos o avance da secularização da vida, a crise da família, a invasão da corrupção moral, a drogadição, o aumento da agressão sexual amplificada pelos meios televisivos.

E é preocupante a expansão de "epidemias" de violência urbana, ligadas ou não à delinquencia e ao crime organizado, bem como a confusão das ideologias.

E para além do socialismo clássico, apegado a seus esquemas estatólatras e a seu ódio de classes, a luta revolucionária também cambiou. (...) Atualmente o principal alvo dos ataques é a família católica. (...)

Em conexão com [a Revolução Cultural aparece também] a irrupção da ecologia radical. (...)

Do mesmo modo, no surgimento de (...) correntes indigenistas que começam a pregar... ¡o retorno ao tribalismo!

Outros fatores de disgregação moral e social percorrem este Ocidente (...).

Pensemos, por exemplo, em Movimentos como a New Age, composto por uma galaxia de grupos esotéricos (...).

Nas fronteiras deste gênero de ocultismo já aparecem manifestações francamente satanistas (...).


*


El Metropolitano”, Santiago de Chile, 15 de agosto de 1999 – Reportagem a respeito dos adeptos de JC no Chile:


Hoy se definen como una institución de laicos consagrados, dedicados a propagar el culto mariano y la devoción al rosario, a través de la difusión de los mensajes de Fátima y el “trabajo apostólico” con familias y colegios.

Según explica el director Ricardo de Campo, “nos encontramos estudiando la fundación de una sociedad laical insertada en el ordenamiento canónico donde nuestra espiritualidad tenga una vía más institucional de colaboración con la Iglesia en esta tarea específica de seglares que trabajan en el orden temporal por la recristianización de la vida individual, familiar y social”.

Cuentan además con más de 10 mil adherentes en todo el país, entre los que cuentan unos 300 jóvenes de ambos sexos que viven en comunidades separadas y con dedicación completa.





D. Os amigos da “tfp” joanina” nas fileiras da Estrutura


Em 8/4/1976. Mons. Bernardo Cazzaro excomungou os membros de Fidúcia e todos os que divulgaram o livro “A Igreja do silêncio no Chile”. Chamou-os de hereges e cismáticos.


Em 1999, esse mesmo Prelado enviou aos joanistas "uma emocionante carta de apoio que constitui estímulo espiritual único”, e que eles transcreveram “com profundo e sincero agradecimento” no seu boletim. Eles se referem a esse Monsenhor como “insigne sucessor dos Apóstolos” e acham que “sua bênção, servirá de seguro alento e expansão” para todo seu apostolado. Eis o documento:


ARZOBISPADO DE PUERTO MONTT

Puerto Montt, 8 de setembro de 1998

Sr. Dn. Rodrigo Silva

Coordinador da campanha "Salvai-me, Rainha de Fátima!"

Sociedade Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade

Prezado amigo:

(...) É por isso muito reconfortante para meu coração de Pastor, constatar o esforço idealista que fazem, é esse sentido e com exemplar constância e dedicação, os leigos católicos agrupados pela Sociedade Chilena de Defesa da Tradição, Família e Propriedade.

Vejo com enorme alegria o empenho destes leigos em levar à juventude e às famílias chilenas a Mensagem de advertência e de esperança que a Madre de Deus entregou ao mundo através dos três humildes pastorcinhos em Fátima nos albores deste século.

(...) A campanha "SALVAIME, RAINHA DE FATIMA" chega como um bálsamo para curar tantas feridas e aplacar tantas aflições. Os felicito por sua ação apostólica laical inserida no mundo para recristianizá-lo. A "Consagração do Mundo" é a missão que o Concilio Vaticano II tanto estimula para os leigos.(...)

+Mons. Bernardo Cazzaro Bertollo

Arcebispo de Puerto Montt


*


El metropolitano”, Santiago de Chile, 15/8/99 – Referindo-se aos joaninos chilenos, a reportagem diz:


Las antiguas rencillas [querelas] con la jerarquía eclesiástica, que los tuvieron a pasos de la excomunión, parecen haberse superado. Incluso tuvieron una reunión impensable hace una década con monsenhor Carlos Camus. Han conversado también con el arzobispo Francisco Javier Errázuriz y con el obispo de Valparaíso, Gonzalo Duarte, pues una de sus sedes más activas está en Vina del Mar.

No obstante, su más entusiasta simpatizante es el arzobispo de Puerto Mont, Bernardo Cazzaro, quien les envió una carta hace un ano, en la cual decía: “Aliento la firme esperanza que sean bien acogidos y que encuentren mucha colaboración”.









VII. a “mensagem” joanina e seus “rumos novos”


A. As peregrinações de Fátima, pórtico da aproximação, do convívio e da união com a Estrutura


Proclamação no ANSA, 17/8/96, Sábado - Resumo do relatório sobre a peregrinação da cópia da Sagrada Imagem na Colômbia:


A idéia de realizar uma peregrinação com a cópia da Sagrada Imagem surgiu de maneira quase casual.Dada a complexa situação política do país e devido à influência que o último manifesto de nosso Pai e Fundador contra a narco-guerrilha teve como detonador do imbroglio atual (1), surgiu a idéia de aproveitar a visita da Imagem pertencente ao Grupo da Costa Rica, que faria apenas uma escala em Bogotá, para realizarmos uma peregrinação "relâmpago" com o intuito de:

a) Contatar individualmente as pessoas do mailing de Fátima;

b) Realçar a nota religiosa do Grupo, o que ajudaria a nos proteger de um ataque, ou pelo menos, o caracterizaria como um problema de fundo religioso (2).

Até aqui nada aconteceu fora do normal.

Pouco a pouco começaram os fatos a mostrar que não seria esta uma peregrinação "normal" conforme às graças anteriores a 3 de outubro de 1995.

Em primeiro lugar tivemos uma entrevista com o Bispo de Pasto -- pequena cidade ao sul da Colômbia na qual há sede por vontade expressa do Sr. Dr. Plinio--, para falar-lhe sobre a visita da Imagem.

Mostrou-se ele muito aberto, dizendo que a visita poderia ser "oficial", dispondo-se a dar todas as autorizações e a mandar uma circular a todas as paróquias avisando aos sacerdotes da chegada da Imagem, a fim de que estes convidassem o público para homenageá-la (3).

Sugeriu também que levássemos a Imagem ao Santuário de Fátima, pois, segundo ele, esta era a igreja "natural" da Imagem.

Explicamos-lhe que não conhecíamos o pároco do santuário e propusemos outras paróquias de padres nossos amigos. Mas o bispo considerando-as muito pequenas disse que ele mesmo falaria com o pároco do santuário a fim de avisá-lo da chegada da Imagem.

Apareceu, então, casualmente... o dito sacerdote que se encontrava na própria Casa Episcopal, e para surpresa nossa já estava sabendo da visita da Imagem (...).

O bispo disse então ao sacerdote ser seu desejo que a Imagem fosse visitar o Santuário. Portanto, faltava apenas começar a organizar os preparativos com o Grupo...

A atitude do Bispo foi inexorável, autorizando e querendo que a visita fosse "oficial". Mandando com efeito a carta de aviso que foi lida em todas as paróquias.

(...) As emissoras de rádio começaram, então, a anunciar a visita de Nossa Senhora, em alguns casos repetindo de meia em meia hora a notícia (4).Assim, pouco a pouco, em toda a cidade foi sendo criado um ambiente de entusiasmo geral pela visita da Imagem.

Ao mesmo tempo uma caravana com membros do Grupo de Bogotá, partia rumo à distante cidade de Pasto para reforçar o pequeno contingente que lá estava e dar uma nota marcial à peregrinação com os toques da fanfarra.

Antes, porém, foram em peregrinação ao santuário de Nossa Senhora de Las Lajas, situado no caminho de Pasto, aonde encontraram "uma grande Dame dos antigos tempos, reflexiva, estável, decidida, bondosa e firme", como a descrevera nosso Pai e Fundador. Imploraram então a presença de nosso Pai e Senhor durante toda a peregrinação, rogando serem assumidos pelo espírito eremítico e da cavalaria angélica (5) que tanto em vida nos havia sido recomendado.

(...) Seriam estas as primeiras notas musicais da peregrinação e também os primeiros e simbólicos toques da "Graça Nova" em terras colombianas.

(...) No aeroporto de Pasto, que fica a uma hora de viagem da cidade --o que para uma cidade pequena é considerável--, já se encontravam congregadas espontaneamente cerca de 400 pessoas para serem as primeiras a dar as boas-vindas a Nossa Senhora. Muitos permaneceram ali cerca de cinco horas à espera da Imagem (6).

(...) Ainda pelos ares, enquanto o avião se aproximava do aeroporto, as pessoas começaram a bradar: "Allí viene, allí viene!", num "enjolrático" burburinho para ver quem ficava mais próximo à porta pela qual Nossa Senhora apareceria. Sem que tivéssemos organizado nada, as pessoas agitavam as bandeirinhas, bradando: "Por Nossa Senhora de Fátima!" (7).

(...) [Na cidade de Villavicencio], o bispo, o vigário e muitos fiéis foram unânimes, dizendo ser a primeira vez na história da cidade em que se fez fila para um ato religioso. (...)

Depois da partida de Nossa Senhora estivemos falando com o Bispo, que em determinada altura do diálogo nos perguntou:

-- Eu quero que me aconselhem como devo fazer para aproveitar todos os frutos desta visita.


Comentários:

  1. Percebe-se nessas palavras uma certa censura aos efeitos desse manifesto: em lugar de esclarecer o panorama, teria sido um fator de caos.

  2. O intuito da peregrinação era contactar individualmente as pessoas do mailing de Fátima e realçar o lado religioso da TFP Colombiana --com vistas a eventuais futuros ataques.

O público cristalizado com a espantosa entrega do País à narco-guerrilha, bem como o caráter anti-comunista da TFP Colombiana, é posto de lado.

  1. Após o 3 de outubro de 1995, houve então 2 mudanças na TFP Colombiana: a ) no tocante ao público junto ao qual ela fazia mais apostolado; b) no tocante às relações com os Bispos --um dos quais passou a apoiar oficialmente as peregrinações.

  2. Além do apoio do Episcopado, a nova TFP Colombiana conta com o apoio da mídia.

  3. Pediram para ser assumidos, não pelo espírito de Dr. Plinio, mas dos eremitas de S.Bento e Praesto Sum --e portanto de JC.

  4. Então, Pasto é uma cidade pequena, seu aeroporto fica muito distante; no entanto, 400 pessoas foram até lá e ficaram aguardando a chegada da imagem durante 5 horas. Tudo isso foi “espontâneo” ...

7. Também espontaneamente as pessoas levaram bandeirinhas.


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Jornal falado das atividades da " tfp" na Costa Rica, Reunião no ANSA 20/12/97, fala Gino Pitta:

Depois disso, três meses depois, mais ou menos, chegou a imagem de Nossa Senhora de Fátima, que já foi a segunda grande graça para o grupo da Costa Rica.Fez-se uma peregrinação bem grande. As televisões e todos os jornais deram notícias da chegada da imagem, e sobretudo dos dias que ela ia peregrinar.

Fez-se a primeira peregrinação numa igreja do centro, Igreja do Carmo, que não é de carmelitas, é da Cúria Metropolitana, no primeiro dia foram seis mil pessoas e no segundo onze mil e quinhentas. Todo o dia tinha fileiras até a rua visitando.

A secretária da igreja dizia:

- Todo o mundo está telefonando. A cada dois, três minutos está tocando o telefone perguntando se a imagem está aqui.

Seria só dois dias de peregrinações. Mas um padre muito conhecido nosso telefonou-nos, dizendo:

-- Eu quero que a imagem venha para a igreja que eu tenho --que é uma igreja também muito conhecida.

Nesses dias pela manhã visitou diversas instituições, ministérios, uma série de lugares muito importantes, e o principal canal de televisão colocou um camarógrafo todo o dia acompanhando a imagem. No principal noticiário desse canal, visto por todo o mundo, pegaram cinco a dez minutos, explicando toda a peregrinação, falando sobre a TFP e os ideais da TFP. Todo o mundo ficou conhecendo a peregrinação.

No mês de outubro se fez também peregrinação pelas principais igrejas da província de São José.

Por exemplo, para ver como Nossa Senhora vai abrindo portas, se visitou também a rádio católica que tem certa tendência conservadora, é muito ouvida por público conservador, e visitamos o sacerdote-diretor. Ele disse:

-- Os senhores querem que eu noticie os dias de peregrinação aqui? Eu não só quero isso, eu quero que a imagem esteja aqui na rádio toda a manhã. Nós vamos fazer toda a peregrinação tendo como ponto central a visita de Nossa Senhora de Fátima.

No dia anterior se fez um programa de uma hora só falando da mensagem de Fátima, com perguntas às pessoas que estavam ouvindo a rádio. O padre, então, pegou o livro de Fátima e disse:

-- Eu tenho o livro que a TFP está difundido, que tem fotografias. Quando os senhores vierem cá podem comprar este livro.

De fato, as pessoas ouviram esse convite e na manhã foram quatro mil pessoas à rádio. A tal ponto que no meio da programação o padre começou a dizer: "Tranqüilos. Se os senhores não podem vir não tem problema, porque aqui está um pouco cheio". De fato, estava com o perigo de quase que cair ao chão, porque era no segundo andar.

Sempre se fazia uma espécie de flashes noticiosos cada meia hora, dizendo: "Aqui está a imagem de Nossa Senhora de Fátima. Os senhores podem vir" e ia se rezando o terço durante toda a manhã.

Foi muito impressionante isso, sobretudo as repercussões que se tem tido.

A visita de Nossa Senhora de Fátima tem aberto sobretudo portas com a estrutura. Tem-se tido oportunidade de contatar bispos e sacerdotes, e isso tem sido causa sobretudo de trabalho com a estrutura que o Sr. Dr. Plinio tanto queria [sic]. Até bispos estão pedindo agora a imagem.

Não é a mesma coisa que um dia bater à porta de um sacerdote e dizer: "Nós somos da TFP e queremos apresentar ao senhor o trabalho". O padre poderia ficar até um pouco desconfiado.

Se a imagem chega, o padre normalmente convida para almoçar, começa a conversa, e ele começa a falar e a perguntar sobre a TFP. Então, de maneira muito natural, ele como que tem um convívio com a TFP.

Se tem visitado no País mais ou menos umas cinqüentas igrejas e paróquias todo o dia. Tem sido uma oportunidade esplêndida para ter contato com muitos sacerdotes que se têm revelado muito conservadores.

Depois quando se tem contato com eles por A ou B motivos, eles cumprimentam muito efusivamente:

- Quando é que vem a imagem de novo? Isso foi espetacular!


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Boletim “Salvai-me Rainha”, ano 1, nro. 4, artigo “População vive dias de enlevo e ternura pela padroeira”:


(...) nos primeiros dias de setembro [1999] vivemos, com a população católica de Belém, intenso convívio marial, unidos aos bispos e ao clero do Regional Norte-2 (...).

A imagem da Virgem de Fátima (...) tendo sido coroada pelo arcebispo metropolitano, D. Vicente Zico, em presença dos bispos (...).

A catedral, as igrejas visitadas (...), ficaram pequenas para conter tanta gente.

Gente boa! Um convívio, em união eclesial que pode testemunhar “quão bom e quão suave é viverem os irmãos em união” (Sl. 132, 2) com a Mãe!


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Carta de Dom Geraldo Majella, Arcebispo de Salvador, Bahia, à ACNSF, 9/8/99:


Vejo ainda, com particular interesse, o quanto tem sido importante a inserção da ACNSF no seio da Comunidade Eclesial, seja na participação na liturgia paroquial, no ministério mariano particular e na acolhida e formação daqueles que, convosco, desejam ser servos da Theotokos [Nossa Senhora]. Nisso vejo um real desejo de caminhar com o ministério autêntico da Igreja, com o nosso Papa João Paulo II, de quem vós tendes feito questão de fazer presente, por meio de suas sábias palavras, no Informativo.





B. A Estrutura Apoia e patrocina as apresentações joaninas


Fala Ramón León:


Em alguns países da América Latina, como, por exemplo, Colômbia, Equador e Costa Rica, cujos encarregados, por necessidade de ofício, estão em constante contacto com a opinião pública, optou-se por incrementar as peregrinações com a cópia da Sagrada Imagem. Peregrinações multitudinárias, conforme os relatórios que chegaram. Qual o resultado? Ante a adesão calorosa da opinião pública, numerosos apoios episcopais vieram confirmar o acerto da medida tomada. (Cfr. "Quia nominor provectus", p.129)


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Proclamação de notícias, ANSA, 19/10/96, Grafonema de Fernando Gioia, encarregado do Grupo da Costa Rica:


Na terça-feira passada levamos a imagem à Igreja do Carmo --principal paróquia da Costa Rica-- que está situada no centro da capital, e cujo pároco é Chanceler da Curia Metropolitana.

Às 6h30 da manhã já havia pessoas na igreja para a primeira Missa do dia, na qual o sacerdote manifestou suas boas vindas à Imagem.

À tarde pudemos contar com o comparecimento do Bispo-Auxiliar, que proferiu um sermão no qual discorreu sobre as profecias de Nossa Senhora de Fátima, a crise do mundo contemporâneo e demais temas congêneres.


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"Jour-le-jour" 29/7/97, grafonema de Fernando Gioia:


São José da Costa Rica, 5 de Julho de 1997

A Imagem continuou o seu peregrinar, especialmente por paróquias, com muito êxito. (...)Nestas visitas a paróquias pedimos sempre o almoço a sacerdotes que o oferecem com muito gosto. Na refeição com eles, a amizade torna-se mais profunda e facilita trabalhos posteriores. Quase todos nos dizem que as portas da paróquia estão escancaradas para o que queiramos fazer!Nas portas das igrejas colocamos uma mesa com publicações: Fátima, postais, o livro sobre a TV e a revista colombiana sobre a vida do Sr. Dr. Plinio que causa muito impacto.

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Na cerimônia organizada pela Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, em 26/4/98, na igreja da Consolação, o pároco, Pe. Adiair da Silva, referindo-se aos joaninos, disse: “Vocês são sempre bem vindos, porque essa casa, que é a casa da Mãe, é a casa de todos nós”. Pouco depois, dirigiu-se a JC, que se encontrava no presbitério com os seus ativistas, e o abraçou.


Em cerimônia análoga, feita na mesma igreja, em 13/5/98, o Padre afirmou:


Nós nos encontramos sob o manto dessa Mãe querida, que nos agracia com sua presença, que nesta imagem histórica, que hoje nos é trazida nessa peregrinação e que visita esta comunidade como uma oferta desses irmãos caríssimos, na pessoa do Sr. João, a quem temos toda reverência, todo respeito. (...)

Gostaria mais uma vez --acho que eu posso fazer isso-- em nome de toda comunidade, dos padres, porque o próprio Cardeal Arcebispo (Dom Paulo Evaristo Arns) que agora está se despedindo de nós, várias vezes, ele pessoalmente me disse que sempre que vocês pedissem a igreja, a igreja será sempre de vocês e que vocês fossem sempre muito bem acolhidos.

(Cfr. transcrição da fita de video divulgada pela Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima)


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Covadonga informa”, setembro de 1998, pp.7-10:


Desde há meses, membros de diversas TFPs realizam uma gira por Centroamérica levando em peregrinação uma imagem da Santíssima Virgem de Fátima. (...)

Colômbia – (...) Destacamos a visita feita a Cartagena de Indias, onde foi recebida na Catedral por Mons. José Joaquin Ruiseco, Arcebispo da cidade. (...) O dia 19 de maio se celebrou na Catedral uma cerimônia em louvor da Virgem de Fátima, e o Sr. Arcebispo colocou solenemente a coroa à bela imagem de Nossa Senhora. (...)

Panamá – [Maio] (...) O Bispo da ciudad de David, Daniel Núñez, desejou acolher a imagem.

Guatemala – [Maio] (...) Pela tarde oficiou na Basílica o Arcebispo da cidade, Mons. Próspero Penados del Barrio, quem levou a cabo também a coroação da virgem (1). (...)

El Salvador – Em junho (...) no aeroporto esperavam o Presidente de El Salvador (...), junto ao Pronuncio --em nome do Núncio Apostólico-- e vários ministros. Aí mesmo foi coroada pelo Pronuncio (...).

[Na capital do país] se levou a cabo uma cerimônia de coroação da Virgem, realizada pelo Arcebispo de San Salvador, Mons. Fernando Saenz Lacalle. (...)

Nicaragua – Em começos de julho (...) a imagem foi levada à Catedral, onde foi recebida pelo Cardeal Mons. Miguel Obando Bravo, 40 sacerdotes e uns 4 mil jovens. (...) Na Catedral a Virgem foi coroada por Mons. Obando.


Comentários:

  1. Aqui houve uma Missa, muito provavelmente segundo o “Novus Ordo”. Os “membros do Grupo” se apresentaram oficialmente enquanto tais em público. Nada indica que tenham tido uma participação meramente passiva.


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No convite que os rebelados distribuíram, entre setembro e outubro de 1998, para as apresentações do coro e da fanfarra joanina diz: “evento patrocinado pela Universidade Católica da Colômbia”. (Cfr jornal-falado do Sr. Arroyave sobre viagem à Colômbia, 17/10/98)


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La Tribuna de Honduras”, fevereiro de 1999 (via Internet):


A imagen de a Virgem de Fátima, peregrina pelo mundo, já está em Honduras desde sexta feira passada quando arrivou ao aeroporto internacional de Toncontín (...) A Virgem permanecerá em Honduras até o 21 de março (...) chegou a Honduras por interesse dos miembros da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima e dos movimientos Sacerdotal Mariano, Apostolado do Sagrado Corazón de Jesús.

Desde 1972, a imagen da Virgem que chegou a Honduras chora em Nueva Orleans (1). É assim como começou a recorrer o mundo numa peregrinação incessante e cujo arrivo é esperado nos setores católicos de todos os países.

(...) Nesta capital iniciará a peregrinação na Catedral de Tegucigalpa e continuará por Guadalupe, A Medalla Milagrosa, Templo da Juventude São João Bosco, institutos María Auxiliadora, Santa Teresinha, São Francisco, Hospital Escola, na Imaculada Conceição e concluirá o recorrido por Honduras na basílica de Suyapa (2).


Comentários:

  1. Mentira. A imagem que chorou em Nova Orleans em 1972 está atualmente em Estados Unidos. A imagem que chegou a Honduras é uma cópia da que chorou em Nova Orleans.

  2. Enquanto tudo indica que esses locais são igrejas, nada indica que nessas igrejas se celebre Missa no Rito São Pio V.


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El metropolitano”, Santiago de Chile, 15/8/99 – Além de prelados progressistas, os joaninos também contam com o auspício de “ex” guerrilheiros marxistas:


En su recorrido por Chile, [los integrantes del Coro y Banda Sinfonica Internacional Nuestra Señora de Fátima] contaron además con la compañia del obispo auxiliar de Antofagasta, Juan Bautista Herrada, y del arzobispo emérito de Concepción, José Manuel Santos. La visita mostró la nueva amplitud del movimiento. Recibieron el auspicio de la Municipalidad de Vina del Mar, cuyo alcalde es el militante PPD y ex MAPU Rodrigo Gonzalez.





C. Em retribuição pelo apóio, os joaninos fazem propaganda de João Paulo II, e não falam da Bagarre, do comunismo, nem da crise da Igreja


Na proclamação de notícias, ANSA, 22/12/96, Andreas Meran deu um jornal-falado a respeito das visitas que fez no Rio de Janeiro, levando uma imagem de Nossa Senhora de Fátima:


Evidentemente também tinha algumas máfias, sobretudo em Niterói, estava lá D. Navarro, evidentemente que tinha muitos ambientes de máfias.

A gente desmafiava e era muito fácil porque mostrava a carta dos cardeais, mostrava a biografia do Senhor Doutor Plinio e as pessoas ficavam sem jeito. Mas, sobretudo quem desmafiava era a Sagrada Imagem com o ambiente, porque ficava completamente ridículo dizer alguma coisa que somos contra o papa, que não sei quanto.

No próprio audiovisual aparecia as palavras em que João Paulo II fala de Fátima, explica a importância de Fátima, etc. Então as pessoas completamente...

Curioso é que elas recebiam uma surpresa, porque elas querem saber com é que é a TFP, como são as coisas na TFP, como é que é a vida na TFP, como é que nós vivemos e tal, e não encaixam com o que eles escutaram de máfia, e eles ficam completamente sem jeito.

E depois ainda com as graças da imagem, em muitos lugares as máfias caem completamente por si.


*


Proclamação de notícias, ANSA, 11/1/97, a respeito de uma peregrinação pela região de São Carlos (SP):


Cidade muito religiosa, São Carlos deixou-se dominar em larga medida pela estrutura (...)

Como não convinha levantar muito a lebre, foram inicialmente deixadas de lado eventuais visitas da Imagem a igrejas cujos párocos tem simpatia para com a TFP. Era preciso no entanto explicar ao povo o porquê dessa peregrinação de âmbito exclusivamente familiar.

E, graças a Nossa Senhora, o caráter particular da peregrinação justificou-se facilmente aos olhos do público em vista de duas atitudes de João Paulo II.

Ele, recentemente, não só manifestou desejo de que Nossa Senhora visite as famílias da América Latina como peregrina da Fé, mas também acrescentou à Ladainha Lauretana a invocação Rainha da Família. Assim, a peregrinação é comodamente apresentada como sendo uma forma de atender a ambos apelos de João Paulo II: percorrer o Brasil coroando Nossa Senhora de Fátima, Rainha da Família.

Sem contar com a visita da Imagem à residência de todos os correspondentes, realizaram-se em 34 dias de peregrinação mais de 50 coroações em lares de São Carlos e Região. Além disso, as circunstâncias propiciaram que nos últimos dias Nossa Senhora fosse recebida com enorme proveito em seis instituições e cinco igrejas.

(...)

A irmã de uma correspondente comentou:-- Olhe, você não imagina como gostei! Fiquei muito emocionada! E cheguei à conclusão de que vocês são verdadeiramente católicos. Porque antes eu tinha ouvido falar que vocês haviam sido excomungados. E isso eu ouvi falar em minha casa, afirmado por nosso primo que é sacerdote. Ele chegou a dizer o seguinte: "Esse Papa vive cercado de cardeais ultrapassados. Ele é muito antiquado, atrasado e velho. Precisa ser substituído por outro mais novo. Eu não entendo por que ele não fecha essas religiões que andam por aí enganando o povo", afirmou nosso primo referindo-se veladamente à TFP. E ele ainda disse que vocês são contra o Papa!

Mas depois que ouvi aquele senhor falar tanto do Papa e com tanto amor! Veja só, ele não dizia simplesmente "o Papa", mas sempre afirmava "o Santo Padre o Papa". Assim, eu nunca vi ninguém, nem mesmo um padre dizer! Então cheguei a essa conclusão: nosso primo padre é que é contra o Papa, ele é que é um excomungado, é ele que não é católico! E agora, fulana, eu quero conhecer todo o pessoal de seu grupo.

(...)

[Uma] correspondente convidou para a peregrinação uma amiga que afirmava: “Eu não creio que vocês da TFP são católicos”. Ao ver a Imagem e ao ouvir tantos louvores ao Santíssimo Sacramento, a Nossa Senhora e ao Papado, ao notar também a piedade com que se rezava o terço, ela disse à correspondente: “Fulana, fico te devendo essa: agora acredito que vocês são verdadeiramente católicos!”

(...) com raríssimas exceções, esta tem sido a tônica das repercussões colhidas: quem vai à peregrinação constata a evidência da Fé católica que anima os filhos do Senhor Doutor Plinio e assim fica blindado às máfias.

Alguns dias após a peregrinação da Imagem em sua residência, uma senhora do mailing procurou a correspondente encarregada deste contato para dizer-lhe:

-- Quando fui convidar meus parentes e vizinhos, muitas pessoas me disseram que vocês não são católicos, ou são outro tipo de católicos, pois não aceitam o Papa. Fiquei preocupada... Mas depois da vinda de Nossa Senhora em minha casa, não tenho a menor dúvida: aqueles homens que portavam a Imagem sim, eles é que são Romanos! Você viu com que respeito eles falam do Papa? Esses homens a gente vê que têm fé e falam do fundo do coração!


*


Num folheto pequeno (uma só folha de papel, impressa por ambos lados), distribuído pelos joaninos nas apresentações de Fátima, aparecem:- uma foto da Imagem Peregrina que em 1972 verteu lágrimas,- o leão rompante da TFP,- e sob o epígrafe “João Paulo II e Fátima”, a transcrição das palavras que o pontífice pronunciou na homilia da Missa de 13 de maio de 1982, em Fátima.

*


Fala Andreas Meran. “coordenador” do coro da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, que “vem percorrendo o Brasil e alguns países da América Latina”:


Pregamos a mensagem pacífica de Nossa Senhora.

(Cfr. Diário do Nordeste, caderno 3, 10/12/98)


*


Numa notícia-propaganda difundida pela Internet (captada no 7/3/99) e publicada pelo jornal “La Prensa”, de Honduras, a respeito das peregrinações que os joaninos estão fazendo em Centro-América, é descrita a cerimônia de coroação da imagem e enumerados os principais pontos da mensagem de Fátima. Da análise da descrição despreende-se que eles omitem o que Nossa Senhora disse sobre o comunismo e crise dentro da Igreja.


A revista que os sediciosos tem no Chile (“Tradición, Familia. Propiedad”, ano 36, nro. 104, 1999, pág. 12) publicou um artigo sobre a “tournée por cinco países de las Amércias del Sur y Central”, realizada pela “Coral y banda sinfônica internacional Nestra Señora de Fátima, (...) dirigida por el Sr. João Clá Dias”. O titulo é arqui eloquente: “Maria vino a América a traer la paz” ...


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Carta que os rebelados chilenos estão enviando aos doadores.


Santiago, 27 de octubre de 1999

Estimada Sra. xxx:

A dos pasos del año 2000, usted y yo, que hemos compartido tantas preocupaciones a lo largo de este año bien nos podemos preguntar; ¿qué pasará con nosotros, nuestras famílias, con la sociedad y nuestra patria en el tercer milenio que está a nuestras puertas? ¿Qué haremos delante del caos en que se encuentra sumergido el mundo contemporáneo y que va alcanzando asustadores progresos?

¿Cómo apoyaremos todos los brotes de vida nueva que el Espíritu Santo suscita y que el Santo Padre auspicia? (1)

La respuesta a estas preguntas de importancia vital nos dará el Padre Joaquín Alliende, en su conferencia "EL GRAN JUBILEO DEL AÑO 2000, UN AÑO DE GRACIA" a la cual invito a usted, Sra. María y su familia

Ella se llevará a cabo el martes 16 de noviembre, a las 19:30 hrs., en el Aula Magna del Centro de Extensión de la Pontificia Universidad Católica de Chile (...).

(...) el Padre Alliende, nos demostrará, al contrario de las visiones de fin de mundo que tanto han circulado, bien otra es la perspectiva de este nuevo milenio.

En Fátima, la Virgen nos dio una gran promesa: " Por fin, mi Inmaculado Corazón Triunfará!", palabras que son ríos de esperanza y perdón, invitándonos a presenciar milagros de transformación extraordinarios que se darán en la sociedad (2).

En este año del Padre, Su Santidad el Papa Juan Pablo 11, nos incentiva a cruzar este nuevo año llevando la luz de Cristo y nos reitera este mismo llamado: iniciar el milenio impulsando una nueva evangelización en todo el mundo, de manera que florezca una nueva primavera cristiana.


Comentários:

1. Quer dizer, o “Espírito Santo” e João Paulo II fazem “à 4 mãos” um mesmo trabalho ...

2. Ou seja, não haverá castigo, nem Bagarre...





D. Os joaninos apresentam-se como músicos e filantropos, não como batalhadores contra-revolucionários


a) Nación Digital, Revista Viva (Costa Rica), 28/10/98 - Notas de Cultura:


Um grupo de mais de 30 cantantes e músicos de diferentes partes do mundo alçarão hoje sua voz ao céu e entoarão seu repertório de cantos gregorianos no teatro Melico Salazar.

A atividade estará a cargo do Coro e da Banda Sinfônica Internacional de Nossa Senhora de Fátima (...).

Os extrangeiros doarão toda a “taquilla” que se recaude ao “Programa de atenção integral do câncer cérvico, uterino e de mama”, do Despacho da Primeira Dama.

Essa agrupação musical está integrada por leigos católicos (...) e é dirigida por Juan Clá Dias (...).



b) Nación Digital, Revista Viva (Costa Rica), 28/10/98 - El dia histórico:


Juan S Clá Dias

Naceu: 1939 – Profissão: música e director de juventudes – Nacionalidade: brasileiro.

(...) O coro e a Banda Sinfônica Nossa Senhora de Fátima se presentará também amanhã quinta feira 29, na bela igreja de São Miguel de Escazú, às 7 da noite, esta vez a beneficio da construção das novas torres da igreja.

A organização musical que dirige Clá Dias (...) foi criada em 1965, quando alguns leigos decidiram reunir-se em casas de estudo, trabalho e oração e, com o tempo formaram o coro de canto gregoriano e a banda sinfónica, para dar corpo às cerimônias cívico-religiosas que se levan a cabo em igrejas cercanas. (...)

O diretor deste conjunto musical, don Juan S. Clá Dias (...) tinha 16 anos quando ingressou no grupo de leigos católicos que encabeçava o professor Plinio Corrêa de Oliveira, organização que deu origem, anos mais tarde, aos Cavalheiros da Virgem. Desde o começo foi discípulo fiel e ardoroso do professor Plinio, entregando-se em corpo e alma à defesa e divulgação dos ideais da agrupação, e destacando-se como um de seus miembros mais ativos e talentosos.



c) Revista (ou jornal?) La Prensa, outubro de 1998 - Virgem de Fátima podria quedarse em Nicaragua:


(...) Durante a visita do missioneiro leigo [JC], este destacou a importancia de que em Nicaragua em muito pouco tempo tenha nascido e crescido uma agrupação de jovens como resultado da visita da Imagem (...).

Este grupo de meninos e jovens de ambos sexos estão seguindo as indicações de rezar o rosário todos os dias e a gente que o integra tem empuxe, desejos de levar as coisas até as últimas consequencias (...)”, comentou o senhor Clá Dias.



d) El Tiempo, Bogotá, 2/11/98, Cultura – Comentarios musicales - Cancelaciones a granel:


Dramática, pelo menos, é a situação que vive nestes momentos a música em Bogotá (...)

É certo que para um artista extrangeiro Bogotá não é uma praça importante que vai a aportar-lhe algo sustantivo à sua carreira (...).

Não vale a pena enumerar pormenorizadamente a quantidade de artistas que ao longo deste ano tem cancelado [suas apresentações]. (...) cada dia vemos menos interessante a atividade musical na cidade.

(...) Do programa de concertos organizados em beneficio dos meninos surdos da fundação CINDA, instituição que faz uma tarefa extraordinária em nosso meio, o próximo martes 3 de novembro apresentar-se-ão na Capela do Colégio Ginásio Feminino (carrera 7 no. 131-20) o coro de vozes masculinas “Os cavaleiros da Virgem” que integram 35 cantantes de diversas nacionalidades, e uma banda sinfônica.

(...) ao finalizar a primera parte [do repertório], os meninos do coro de CINDA acompanhados do coro de “Os cavaleiros” cantarão dois hinos. (...)



e) Ao enumerar os prelados progressistas que tem boas relações com os discípulos de JC no Chile, o jornal “El metropolitano”, Santiago, 15/8/99, informa o seguinte:


Otro de sus amigos es el obispo de San Bernardo, Orozimbo Fuenzalida, quien recibió $730.000 para la construcción de la Catedral de esa ciudad obtenidos de la colecta realizada entre los fieles que asistieron en mayo pasado a una de las presentaciones del coro y la banda sinfónica “Nossa Senhora de Fátima” de Brasil.



f) Boletim “Salvai-me Rainha de Fátima”, nro. 3, da ACNSF, artigo “Festa do Santíssimo Salvador dos Campos dos Goytacazes”:


(...) os membros do Coro e Banda Sinfônica, junto com outros colaboradores da Associação, visitaram os doentes do asilo Nossa Senhora do Carmo, levando até eles a maternal e consoladora presença da imagem da Virgem de Fátima.



g) O Boletim “Salvai-me Rainha de Fátima”, ano 1, nro. 4, pág. 12, relata a visita que em setembro de 1999 os “colaboradores” da associação joanina fizeram à penitenciária feminina Lemos de Brito, em Salvador, levando uma imagem de Nossa Senhora.


h) Boletim “Ecos de Fátima”, junho de 1999, editado pelos rebelados da Espanha, artigo “Bolívia recibe la visitade la Virgen de Fátima”:


[La Banda Sinfônica Internacional, dirigida por] Juan Clá Diaz, recorrió catedrales y parróquias, instituciones, asilos, cárceles y hogares.





E. Os joaninos não dividem as águas, mas despertam uma “abertura muito grande”


Relato das repercussões colhidas numa apresentação do coro e da fanfarra em São José do Rio Preto - Proclamação de notícias, ANSA, 29/8/96:


No início da conversa o eremita percebeu que seu interlocutor tinha algumas leves restrições à TFP. Deitou um pouco mais de atenção no caso - pois, repercussões contrárias nessas apresentações não são freqüentes.

Um pouco mais adiante o homem se abre e comenta:”Fico espantado. Realmente eu nunca tinha visto algo da TFP que parecesse com isto, pelo contrário, só calúnias. Mas eu estou vendo que está havendo uma abertura muito grande para vocês agora. Eu pensei que a obra do Dr. Plinio fosse morrer após o falecimento dele, mas eu vejo que exatamente o contrário é que está acontecendo!”


*


Ora, acontece que o próprio do verdadeiro católico --e “a fortiori” do verdadeiro membro da TFP-- é dividir as águas e despertar ódios furibundos, conforme ensina Dr. Plinio:


Reunião para CCEE 17/3/91:


Como seria bonito dizer: “quando entra a Igreja, entra a paz, entra Jesús”. É verdade, mas só sob certo sentido, porque em muitos outros [sentidos] quando Ela entra, levanta-se contra Ela o ódio dos maus. (...)

Esta é a missão de todo católico: ao mesmo tempo [que] une uns, divide outros (...). Mas nunca fugirá de dividir (...).

Ou eu estou disposto a seguir o exemplo de Nosso Senhor Jesus Cristo e ser pedra de escândalo para divisão entre o bem e o mal, ou eu não sou sincero quando digo que [quero] seguir em tudo a Nosso Senhor Jesus Cristo.


Reunião CCEE hispanos, 28/1/85:


Onde está a TFP tem que estar a contradição, porque a TFP é fiel a Nosso Senhor Jesus Cristo, do qual o Profeta Simeão disse que é pedra de escândalo e sinal de contradição. Então, onde há TFP, há a controvérsia.


Encontro CCEE, 9/10/89:


O êxito de um homem é quando ele consegue dividir, de maneira que tudo quanto merece seguí-lo --quando esse homem está com a Igreja-- o siga, e quanto não merece, fica de lado.

Nós devemos imitar Nosso Senhor Jesus Cristo, e de Nosso Senhor Jesus Cristo foi profetizado, na cena célebre por ocasião da apresentação, foi profetizado que Ele seria uma pedra de escândalo que dividiria as águas e que separaria os homens.

A questão do trato da Opinião Pública não consiste em fazer unanimidades balofas e depois a gente sair carregado de aplausos. É agradável, mas não é o dever; o dever é a gente dividir e estar aberto para que todos que nos queiram seguir, nos sigam. Atrair, ser cortês, etc., etc. Mais ainda, junto aos que se separaram, ter uma atitude por onde eles tenham uma certa benevolência, uma certa possibilidade de voltar. Mas preto é preto, branco é branco; pão é pão, queijo é queijo, nós dividimos e está acabado.





VIII. Caraterísticas da ordem religiosa joanina – Mais dados sobre os “novos rumos” que JC gostaria impingir à TFP


A. Reunião e cerimônia o dia inteiro; abandono da luta; desinteresse por tudo quanto não diga respeito ao próprio indivíduo ou aos ambientes joaninos; espiritualite


Fala JC (reunião na Espanha, 30/4/97):


Atualmente, a voragem dos acontecimentos é tal que a gente passa o dia inteiro ligado nos 220 volts de São Paulo, mais nos 440 de não sei que outro lugar, e só tem um momento de lazer, de distensão na hora em que está em reunião com os senhores. Aí não há problema, não há confusão, não há complicação.


(Pedro Paulo: Então, mais reuniões, o dia inteiro!)


É, isso seria o ideal.


*


Os seguidores de JC acham que de reunião em reunião e de cerimônia em cerimônia, chegamos ao Reino de Maria. Uma amostra:


GRAFONEMA PARA: Don. CELIO CASALE

Remite: CARLOS A. INSAURRALDE


Eremo N. Sª. del Rosario de Lepanto [Espanha], 03/6/1997 - 12:11 AM

Estimado Don Celio

Salve María!

(...) Aquí en España las cosas van de bien en mejor, pues el sábado fue hecha una ceremonia de coronación completa en la iglesia de las concepcionistas, allí donde les fueron impuestos los hábitos a los franceses.

Fue tal el N° de personas que fue, que la Iglesia no daba abasto para poder recibir a todos los invitados. Fue apoteótico, pues se invitó a gente del fichero de Fátima, y fue un 80 % de gente nueva, y de excelente nivel, de gracia nueva, etc.

Muchas personas del lado de afuera de la Iglesia.

El ápice fue en el momento del discurso de Don Pedro Paulo, que fue tan fogoso, que prendió fuego en el personal, con gente sin parar de llorar, emocionados con todo lo que veían, casi no acreditando de que esto se diera en el siglo XX.

Una Sra., para que usted mida el entusiasmo de ese personal, al entrar preguntó - al ver sólo la decoración, pues llegó casi una hora antes para tener buen lugar - si eso no era ya el cielo, me hizo recordar el bautismo de Clovis.

Otras persona decían que dos "sermones" como ese y bastaban para convertir el mundo. (...)

Otra señora, se acercó a Don Pedro Paulo, y a pesar de también ser nueva, le dijo: "usted tiene la culpa de todo esto", allí sorprendido Don Pedro Paulo le preguntó de que era culpable, y ella le dijo: "de haber impulsado todo lo que está aquí, ahora no nos cabe otra posibilidad más que de convertirnos". (...)


*


Resposta de nosso advogado ao processo movido por Nelson Tadeu e 51 litisconsortes contra a TFP:


[Os rebelados] querem uma TFP voltada sobre si mesma, sem atividades de repercussão externa.

Tem interferido no quanto lhes é possível para dificultar a condução desses esforços de divulgação doutrinária externa.


*


Depoimento do Sr. Plinio Antônio Rodríguez (27/4/99), a respeito de uma viagem que fez ao Chile no ano 1999:


Passei lá uns 60 dias contatando pessoas das quais eu me lembrava do tempo que morei lá --uns 9 anos. (...) Os revoltosos só fazem ação visando vida interna. Ação pública praticamente nada. Distribuíram manifesto, sobre o caso Pinochet, dois dias na rua e depois acabou. Já em 1997, doadores me diziam: o que acontece com a TFP que não está mais atuando? As esquerdas ganharam eleições para diretórios acadêmicos e os nossos amigos estranharam que a TFP ficasse quieta.


*


Nas reuniões feitas na Saúde, entre as perguntas que os rapazes formulam a JC, quase nenhuma versa a respeito da luta RCR; 99% delas são sobre vida espiritual.


*






JC não gosta de falar de temas político-sociais - "Jour-le-jour" 22/6/97, parte II:


Eu acho que vale a pena nós aproveitarmos a tarde de domingo para quando houver notícias assim interessantes...

(Araújo: O que se passa no mundo, o rumo da política internacional.)

Ah, isso o senhor não me peça, porque o próprio Sr. Dr. Plinio disse que ia mudar o teor das Reuniões da Recortes... É pena não estar aqui o Sr. Nestor, que era um testemunho. Aliás, ele já veio aqui dar depoimento a respeito.

Acontece o seguinte: é que o Sr. Dr. Plinio mesmo disse que os jornais, o mundo e a política caíram num tal caos, que era impossível fazer previsões, e que ele ia mudar as Reuniões de Recortes para comentar profecias.

Agora, sem embargo do que nós precisamos saber o que acontece pelo mundo, não tem jeito, não tem outra saída.


*


A respeito desse pendor de JC e de sua seita, convêm registrar o seguinte comentário de Dr. Plinio (RR, 17/4/82 ):


(...) a penetração, no meio do clero, como do laicato, de um fermento de Revolução. Com um aparecimento, no clero de certa corrente eclesiástica simpática ao Estado leigo, mas simpática não só considerando com otimismo a perspectiva da implantação, e mais tarde a implantação definitiva do Estado leigo, uma espécie de resignação bem humorada [em relação] à implantação do Estado leigo, mas eles mesmos fazendo uma espécie de laicismo “a revour” (?) e acantonando a cogitação eclesiástica a assuntos tão exclusivamente eclesiásticos, que o Estado parecia indiferente às cogitações deles.

Isto acho que foi um fenômeno simultâneo da penetração da Revolução entre os leigos e os sacerdotes.

Esta penetração [não foi] anteriormente uns e posteriormente outros, [veio] simultâneamente uns e outros, e foi deformando uns e outros.

Eu alcancei eclesiásticos que eram assim. Alcancei até paróquias que viviam assim.

O pároco com a paróquia cheia, a igreja cheia, muita gente confessando, comungando, assistindo Missa, etc., etc., e vivendo em torno do pároco (1). Numa cidade onde daria para se formar normalmente 3, 5 paróquias. O pároco ......... reunia em torno de si e de um modo saudável --estava ciente da catástrofe conciliar, da catástrofe progressista--, reunia de um modo saudável, muito louvável, muito bom, ele reunia em torno de si ............. e que estavam lá. Mas como aquela igreja parecia cheia e como a vida naquela paróquia era uma vida borbulhante (2), ele perdia de vista que 2/3 da população da paróquia dele não frequentavam a igreja e que formavam uma coisa chamada a sociedade civil, da qual os paroquianos dele --quando não estavam com ele-- também faziam parte, e que ali a Revolução ia mar alto, e se celebrava o triunfo do vigário por causa do movimento da igreja dele (3).

Então, tudo quanto se passava fora do ambiente paroquial, se ignorava, não se estudava, não se comentava, não se protegia os leigos da paróquia contra [aquilo].


Comentários:

  1. Parafraseando pode se dizer: o auditório joanino cheio, muita gente assistindo reuniões e cerimônias e vivendo em torno do guru.

  2. Por coincidência, as sedes e auditórios joaninos também são borbulhantes.

  3. Os joaninos celebram os “triunfos” de seu senhor por causa da “animação” que ele imprime, e não se interessam pelo avanço da Revolução.


*


Não se pode negar que os temas favoritos de JC nas reuniões e conversas são a vida espiritual, a graça, o “flash”, a mística, etc.; e que não perde oportunidade para combater o que ele entende por “ativosa”.

Procura que seus adeptos vejam no Grupo, mais uma cooperativa de salvação de almas, do que uma instituição voltada a lutar contra a Revolução.


*


Num balanço insuspeito das reuniões feitas por ele na Saúde, ao longo de 1994, chama a atenção que, entre os temas tratados, não figura o Ativismo Individual.

Ora, acontece que essa matéria, além de ser fundamental para todos os moradores dessa Casa --pois, por definição, o apóstolo é especialista em Ativismo Individual--, versa precisamente da luta RCR que cada um deve travar no seu meio: na escola, na faculdade, no lar, na fábrica, na repartição pública, na rua, no metrô, etc.

Conversa de JC com os novatos da Saúde, 27/12/94:


(Auro: Sr. João, o senhor permitiria fazer em três minutos um balanço das graças que esta Sede recebeu (...) ao longo do ano, visto que nós estamos no último dia de reunião do senhor aqui na Sede. É a última reunião do ano. Então, se o senhor permitir abrir um...)


Sim, vamos abrir, mas acontece que o Sr. Edison Gimenes vai levar uns cinco minutos para concertar o som.


(Que horror! Sabotagem!)


(Auro: Estão ouvindo agora? Então, (...) Sr. João, então, em primeiro lugar, a respeito do apostolado. Este ano foram feitas 1132 abordagens. [Aplausos] (...) Este losango verde, aqui, são as reuniões que o Sr. João deu aqui na Sede. [Aplausos] (...) Agora, o senhor veja, tomando como base doze perguntas por reunião, então deu mais ou menos trezentas e sessenta perguntas. Portanto, trezentas e sessenta respostas com muita sabedoria! [Aplausos] E é evidente que quem conduziu o tema das perguntas foi o próprio Sr. João. (...) E quais foram estes temas? Sobre a Santa Igreja; aspectos de alma do Senhor Doutor Plinio; sobre a Oração -- vastíssimo tema; a Confiança e Misericórdia, sobre o entusiasmo, ou seja, o anti-desânimo, que foi o tema da semana passada; sobre a aridez; e nem sei quantos outros. Até são perguntas de alta Teologia muitas vezes, e a resposta ... (...) Bom, e sem falar Sr. João, também com gratidão, mais de duzentos atendimentos aqui na Sede.)


*


O “grosso” dos adeptos de JC, não se interessa pelos assuntos públicos e vive com a cabeça voltada para as questões privadas, sobretudo para o progresso na vida espiritual e salvação da própria alma. Eles vão às reuniões movidos mais pela esperança de receber consolações, do que pelo interesse em conhecer a luta RCR e o desejo de participar da luta. Para eles --e para seu feitor-- as reuniões são boas na medida em que sejam festivas e alegres.

Parafraseando a Dr. Plinio, constata-se que:

Há pessoas que entram para o Grupo atraídas pelo amor ao mundo maravilhoso que não existe mais, mas que deveria existir, junto com uma execração por este mundo que está vencendo e que a gente não quereria que existisse. Vem numa atitude de alma que se traduziria nas seguintes palavras: "eu combaterei para que o mundo seja como eu quero e para que o mundo não seja como ele está sendo".

Outros --precisamente os que embarcaram na Revolução Joanina-- adotam a atitude seguinte: "Desde que eu não conviva com os revolucionários, não seja obrigado a ser como eles e salve minha alminha, pouco me incomoda o que aconteça lá fora”.

Os primeiros entraram para a TFP como águias que começam a olhar para o sol. Os outros entraram como coelhos acuados por cachorros e que encontram de repente um lugar onde os cachorros não podem entrar, com a esperança de que cesse a luta.


*


Agora, palavras de Dr. Plinio, na Comissão B, 7/8/65:


Há membros do Movimento que têm a tendência de se esquecer das finalidades do Grupo, e de ver no Grupo senão um processo... [ilegível] ...uma instituição de subsistência da própria salvação espiritual.

Essas pessoas fazem como uma tripulação de submarino que tivesse saído para abater uma esquadra de guerra, para uma operação heróica etc., e que entretanto durante o caminho se esquecesse desse objetivo, e então levam uma vida como deveria levar em um submarino durante uma excursão.

Quer dizer, ar confinado, tudo muito bem arranjadinho, problemas internos de subsistência. O que é preciso fazer para poupar o ar, como é que a gente deve comer, o que é preciso fazer no submarino para conservar a saúde etc. Nenhuma preocupação com a finalidade guerreira.

E aquele submarino, no interior do qual deveria reunir um ambiente de heroísmo, nascentes de purezas do verdadeiro idealismo, se transforma numa espécie de pensão subaquática e que os pequeníssimos problemas de subsistência trivial, acabam dominando tudo.

(...) este modo de ser desnatura completamente o Grupo, faz morrer a Vocação, e é portanto absolutamente o contrário de nossa santificação.

Para compreendermos a natureza do Grupo, nós temos que acreditar no seguinte: que o Grupo não é como subconscientemente a gente seria levado a crer, que o Grupo não é exclusivamente nem é principalmente uma situação destinada a promover a nossa formação interna. O Grupo é destinado antes de tudo e fundamentalmente para derrubar a Revolução.

É claro que nós vamos dentro do Grupo procurar sobretudo a nossa salvação eterna, mas a função para a qual eu fui destinado não é essa.

É mais ou menos como uma Ordem de Cavalaria. A Ordem de Cavalaria não foi destinada principalmente para a salvação eterna dos cavaleiros -- ela foi destinada para defender as fronteiras, defender os mares da invasão maometana, e na medida do possível, pelo contrário, rechaçar os maometanos e libertar o Santo Sepulcro e as cristandades perseguidas, e apoiar até os missionários em novas nações onde eles nunca estiveram, para garantir a liberdade de expressão [dos] ministros de Nosso Senhor Jesus Cristo. Por isso que foi fundada uma Ordem de Cavalaria.

É possível e acessoriamente [que] uma Ordem tenha outras finalidades, de estalar qualquer coisa, mas a Ordem não foi fundada nem sequer para a salvação dos seus membros, embora os seus membros estejam ali para se salvar.

E para a própria salvação dos membros de uma Ordem de Cavalaria, a condição é que eles queiram realizar as finalidades da Ordem.

De maneira que nem sequer se dissociam as duas finalidades, da própria salvação de um lado e a realização da obra que se tem em vista, porque a salvação se consegue tendo por um dos elementos fundamentais conhecer perfeitamente, admirar ardentemente, desejar eficazmente e promover de fato o fim que se tem em vista.

Quer dizer, é para isso que a Ordem existe. (...)

Isto é o próprio de todas as instituições, e é o próprio da miséria humana é de esquecer do fundamental que [teja?] em vista os acessórios.

(...) não nos foi dado a graça -- e esse ponto é muito importante -- de amar a Deus em horizontes menores. Outros que têm vocações menores terão a graça de amar a Deus em horizontes menores, mas para nós foi dada a graça de amar a Deus em imensos horizontes. E não nos será dada a graça de O amar em pequenos horizontes, porque nossa via é outra, a nossa via é dos horizontes demasiadamente grandes, dos horizontes imensamente grandes.

(...) a graça nos foi dada para cuidar da causa da Igreja acima de todas as coisas, e desta causa da Igreja, a causa da Contra-Revolução, e acima de todas as coisas, de tal maneira que mesmo as coisas mais santas, mais justas, mais dignas, mais forçosas empalidecem diante dessa consideração, como por exemplo, quando o sol aparece, todas as estrelas deixam de se tornar visíveis.

(...) assim como o sol não elimina as estrelas mas brilha tanto que ele nem deixa ver as outras, assim o objetivo de derrubar a Revolução e de assegurar a implantação do Reino de Maria, este objetivo prepondera sobre todos os outros. (...)





B. Heresia branca, pentecostalismo e maçonismo


Para maior clareza na exposição, estas caraterísticas foram estudadas aparte, nos Capítulos 12 “Espiritualidade joanina” , 13 “Pentecostalismo joanino” e 10 “Maçonismo”.





C. Igualitarismo, cesse da militancia e aversão pelo espírito militar


Depoimento do Sr. Francisco Machado (6/7/98):


No inicio do primeiro semestre de 1996, a pedido do encarregado da sede de Buissonets, Roberto Kallás, sai de dupla com Manomi Souza Pinto, para divulgar o livro de Dr. Plinio “Nobreza e elites tradicionais análogas”.

[Uma das pessoas visitadas foi o Dr. Gerardo de Camargo Vidigal, consultor jurídico da Associação dos Bancos do Estado de São Paulo, o qual nos disse que], apesar de ser católico, não comprava nada da TFP, por uma questão de princípio.

Indagado sobre qual era esse princípio, ele afirmou:

-- Porque vocês da TFP são de uma igreja hierárquica e militante. E eu sou da igreja da igualdade e do amor.

O Manomi insistiu e o Dr. Gerardo novamente repetiu o afirmado acima. Então, o Manomi declarou o seguinte:

-- Mas Dr. Gerardo, esta era a TFP até o dia 3 de outubro do ano passado (1995). Agora as coisas são diferentes...

[O] comentário do Manomi ao Dr. Gerardo vai na mesma linha do que Pedro Paulo [Figueiredo], na Espanha, teria dito a uma religiosa que Dr. Luizinho leu em reunião recente. Segundo ele, os que estão na TFP são como passageiros de um automóvel: uns olham para frente, vendo as novas perspectivas que se abrem; outros ficam olhando para trás. Seriam os saudosistas ...


*


No libelo “Quia nominor provectus”, os adeptos do joanismo censuram inúmeras vezes às autoridades da TFP pelo fato de assumirem uma: “posição intransigente” (p.22), “atitude dura e de contenda” (p.23), “determinação peremptória e intransigente” (p.23). Nesse mesmo documento também transparece seu desgosto pela “dureza” das medidas tomadas pelos Diretores da TFP, pelos prazos “iminentes e inflexíveis” que deram aos amotinados (p.59), bem como pela atitude “intransigente e radical” de Dr. Plinio Xavier (p.24).

No processo que Nelson Tadeu e 51 litisconsortes --incluído JC-- abriram contra a TFP é patente sua antipatia pelas “cláusulas leoninas” de nosso Estatuto (Cfr. pp.26, 31).

A mesma impostação percebe-se no calhamaço “Juizo Temerário”, onde chefe da revolta escreve:


- A ‘manu militari’, Dr. PB deseja enquadrar numa disciplina uniforme um delicado problema

(...) Querer determinar que cidades de até 200 ou 300 mil habitantes sigam tal regra e que cidades maiores sigam outra, etc., é bem a mentalidade de alguém que ficou impregnado pelavida de caserna e deseja [implantar] regras quadradas, uniformizadas, no estilo de uma Academia Militar de Agulhas Negras ou West Point (p.185).


- Reaparece em cena o espírito quadrado de caserna! (p.226).


*


Isso posto, observe-se o que Dr. Plinio disse na RCR (Parte I, cap. XII, 3):


Entre a Revolução e o espírito militar há uma antipatia “temperamental”. A Revolução, enquanto não tem todas as rêdeas na mão, é verbosa, enredadeira, declamatória. Resolver as coisas diretamente, drásticamente, secamente, “more militari” desagrada o que poderiamos chamar o atual temperamento da Revolução. “Atual”, frisamos, para aludir a esta no estagio em que se encontra entre nós. Pois nada há de mais despótico e cruel do que a Revolução quando é onipotente.





IX. Hipocrisia e duplicidade joanina no que diz respeito à aproximação com a Estrutura


A. O defensor intransigente de nossa independência em relação à Estrutura, afirma que colocar a TFP sob a canga da Estrutura é um absurdo, a maior das loucuras, uma traição


Verborréia de Ramón León:


Nos primeiros meses de 1996 chegaram aos ouvidos do Sr. João Clá alguns rumores que corriam em certos ambientes do grupo, inculpando-o de estar levando adiante uma política de aproximação com a Hierarquia eclesiástica -sob pretextos diplomáticos- e de desvios graves em pontos importantes de doutrina, tal como a aceitação do novo "Ordo Missae" de Paulo VI. Corria outrossim a voz de que o Sr.João Clá queria nos dar forma de ordem religiosa e "pôr o Grupo sob a canga da Estrutura". (...)

Dias após, (...) entabularam-se uma série de conversas e reuniões dos mais velhos com o Sr. João Clá, nas quais este último pôs-se à disposição deles para esclarecer sua posição diplomática - baseada inteiramente nas normas e nos conselhos deixados pelo Sr. Dr. Plinio -, observando ser defensor intransigente da posição doutrinária da TFP em relação à Missa Nova. Desmentiu também os rumores referentes à intenção de transformar a TFP numa ordem religiosa inserida na Estrutura eclesiástica.

(Cfr. "Quia nominor provectus", p.132)


Nesse sentido, Ramón León refere-se a João Scognamiglio como “pessoa inocente”, cuja “integridade doutrinária e moral” não se pode pôr em dúvida; “vítima inocente” de “suspeitas infundadas” (Cfr. "Quia nominor provectus", pp.133,138).


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Segundo Pedro Paulo Figueiredo, um dos boatos que surgiram no inicio de 1996 foi que:


O Sr. João Clá se teria afastado da posição do SDP e, mediante concessões feitas a autoridades religiosas do Vaticano, obteria um ‘status’ canônico novo para a TFP, que passaria assim para o controle da Estrutura eclesiástica. Semelhante invenção vinha rodeada de supostas provas.

(Cfr. Grafonema de Pedro Paulo, para Dr. Luiz, de 27/11/96, p.18).


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Agora depõe o próprio JC:


- A tese defendida pelos Provectos (y compris o Sr. Poli) ao longo do que denominam “Memorandum” visa demover-me de minha postura de fidelidade ilibada a nosso Pai e Senhor, no tocante à (...) independência em relação à Estrutura. (Cfr. “Juizo Temerário” p.12)



JC: Dr. Paulinho, a coisa é a seguinte. O negócio aquele com o Sr. Átila continua quente (...). Ele está com a idéia de que eu seja favorável à missa nova, o que é um absurdo.


Dr. Paulo Brito: Claro, evidente!


JC: Completo, total. E agora, ele inventou outra também (...). Que eu estaria querendo colocar uma parte da TFP debaixo da autoridade da Estrutura. O que é exatamente o contrário! Eu tenho um jornal-falado a dar para os senhores aí, do que foi feito com a “Hermandad Sacerdotal [Espanhola]”, que foi uma verdadeira judiação. Em 4 anos eles destruíram completamente a “Hermandad”. E foi justamente por essa via, entende?

Então, é exatamente o contrário (...)

Então, a minha idéia era telefonar para o Cônego e combinar com o Cônego (...): “Olha, Sr. Átila, tranquilize-se inteiramente, etc., a coisa não é assim, eu estou a par. Houve um “qui pro quo” qualquer. (...) Porque eu acho que enquanto não houver essa tranquilização, ele vai ficar com a idéia fixa na cabeça.


Dr. Paulo Brito: Sim. Então, tranquilizá-lo de que não só na questão da Missa, mas também na questão de uma aproximação com a Estrutura, etc.


JC: Mas é a maior das loucuras, entende!


Dr. Paulo Brito: A aproximação com a Estrutura com vistas a ... como se poderia apresentar?


JC: Dizer a ele que não, que é o contrário, que eu até tive uma conversa, onde eu expus que é uma loucura nós entrarmos por aí, por tais e tais razões. Até posso dar as razões! (...) E depois também, estando em Espanha, eles me mostraram o que é que foi feito com a “Hermandad” e é uma traição do outro mundo! Porque forçaram a “Hermandad” a pedir reconhecimento e a propósito desse pedido, levantaram um processo, que demorou 4 anos e eles destroçaram com a “Hermandad”.


(...) no dia 18 pela manhã, procurei diretamente o Sr. Átila e tive uma longa conversa com ele (...) e me foi possível afirmar-lhe o quanto a minha posição coincidia com a dele, face à Missa Nova e a determinação de não nos colocarmos sob a canga da Estrutura.

(Cfr. pp. 51–58)


- No dia 21 de março [de 1996] recebo um amável telefonema de despedida de Dr. Caio, logo pela manhã, durante o qual me foi possível narrar-lhe a história do destroçamento da “Hermandad Sacerdotal”, como resultado de seu pedido de reconhecimento canônico, após incontáveis pressões. Também fui muito categórico em lhe afirmar que haviamos recebido conselhos no sentido de não entrar jamais por essa via. (p.58).


- [As] acusações veladas que os senhores me fazem [são de “herege” e “traidor”]. “Herege”, por ter defeccionado da doutrina do SDP e “traidor” por pretender entregar a Obra de nosso Pai e Fundador nas mãos do adversário ... (p.62).



(...) Nunca em minha vida pensei o contrário do que se afirma aqui. Quais os fatos concretos que deporiam em contrário, a ponto de me enviarem essa catadupa de argumentos para tentar convencer-me a esse respeito? (p.79)


- Disse ao Sr. Ureta --ele é minha testemunha e a gravação não o desmente-- que achava muito melhor mantermos nossa postura enquanto sociedade civil e nunca como uma associação privada de fiéis (associatio privata fidelium). Recordei-lhe um documento público (...) exarado pelo Pe. Cabrero de Anta. (...) [Esse documento] dá-nos uma liberdade de movimentos muito grande sem estarmos sob o mando da Estrutura (p.93).



Mais um crime me é atribuido. Seria eu realmente um traidor, a levar a sério essa outra afirmação.

Os senhores afirmam (...) que essas “démarches” feitas junto ao Vaticano visariam “chegar a um acordo” referente ao reconhecimento canónico da TFP. Nego-o categoricamente! Nunca foi dado um só passo nesse sentido (p.145).


inteiramente falsos, insinuam ser eu o responsável por uma “política coerente” que visa: 1) “obter algum tipo de reconhecimento oficial” da TFP; (...).

Julgo essa afirmação dirigida contra minha pessoa como absurda, rombudamente injusta e não condizente com a realidade (p.149).


- (...) o senhor [Dr. Paulo Brito] teme que a TFP se torne alvo fácil de sanções canônicas, na absurda e gratuita hipótese de eu colocar a Obra de nosso Pai e Fundador nas mãos da Estrutura (p.170)


- Corri os olhos sobre este item IV – “A eventual aprovação eclesiástica do Grupo” e sou obrigado a confessar que ele é pobre e insuficiente face às informações que possuo no sentido DA GRANDE E GRAVE INCONVENIENCIA DE TENTARMOS --PORQUE É CERTO QUE NÃO O OBTEREMOS-- CONSEGUIR UM STATUS CANONICO PARA QUALQUER TFP DO MUNDO (p.251) (as maiúsculas não são nossas).


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Grafonema de Pedro Paulo Figueiredo a JC, 22/3/96:


Como inúmeras vezes aconteceu em nossa presença aqui em Espanha, foi o próprio vigário que tomou a iniciativa de nos incentivar a pedir um reconhecimento canônico. O senhor há de se lembrar que o senhor chegou a nos levantar a hipótese de que toda encenação feita a propósito da concessão e retirada do Santíssimo não passou de um jogo --“hábil” segundo eles-- para nos empurrar a um pedido de reconhecimento eclesiástico.

Somos testemunas e podemos enviar uma carta aos Provectos a respeito da escola que o senhor nos deixou nessa matéria, desde que temos a graça de receber seu auxílio e orientação. Ao longo de anos --mais de 10, é certo-- o senhor nos instruiu como jeitosamente ir tirando o corpo dessas e outras pressões para ir ganhando tempo. E agora, nessa última passada por aqui, o senhor insistiu várias vezes sobre os graves inconvenientes de termos qualquer relação oficial com a Estrutura. O senhor chegou a fazer uma longa reunião para os maiores só sobre esse ponto.

(Cfr. “Juízo Temerário”, pp.118 e 124).





B. A TFP não necessita de reconhecimento eclesiástico - Nossa estrutura jurídica está perfeitamente em ordem do ponto de vista do Direito Canônico


Trecho do processo judicial movido contra a TFP por Nelson Tadeu e 51 litisconsortes (item I, 1, “o duplo aspecto da TFP”):


Na qualidade de associação particular de fiéis, o Grupo fundado pelo Dr. Plinio não necessitava, como não necessita, de reconhecimento eclesiástico (...).


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Ramón León:


O Sr. Dr.Plinio fundou a TFP como uma instituição civil. Para as nossas atividades a aprovação do clero não é, portanto, necessária. Por que uma preocupação desmedida com "condenações" ou aprovações eclesiásticas?

(...) boa parte do prestígio da obra do Sr. Dr. Plinio foi alcançado em campanhas contra a infiltração esquerdista na Igreja, o apoio de setores eclesiásticos à Reforma Agrária, etc.

De tal forma, a TFP representa hoje em dia, aos olhos do público, o que há de mais genuinamente católico na Igreja, que o intuitivo povo brasileiro, no qual ainda bruxoleia a chama da fé, não se deixará arrastar facilmente pelas campanhas de calúnias que há décadas o progressismo move contra nós (1).

(Cfr. "Quia nominor provectus", p.131)


Comentário:

  1. Tanto no passado quanto no presente, o progressismo nos difama. É precisamente com esse clero, que JC se aliou.


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Reunião para os veteranos, 26/3/96, fala JC:


[O Pe. Cabreros de Anta] foi quem deu a formulação mais genial que já houve até hoje a respeito da nossa estrutura jurídica. O Sr. Dr. Plinio sempre em várias ocasiões se referiu a esta definição dada por ele como a definição mais perfeita que tinha havido entre nós até hoje.

Eu expus para ele como é que era a TFP e queria saber dele como é que nós saíamos dessa situação em que havia votos, havia compromissos, havia camáldulas, havia êremos, expus que havia Correspondentes e Esclarecedores. Fiz uma exposição do que é que era a TFP para ele.

Ele ouviu tudo e disse:

-- Sim, sim, amanhã conversamos sobre isso. Eu vou pensar na matéria.

Este nasceu em 15/8/1900. Nós conversamos a esse respeito em 86 ou 87, ele devia ter, portanto, seus 86, 87. Morreu agora com 95 anos, o ano passado.

No dia seguinte, então, nós voltamos a conversar com ele. Este homem disse o seguinte:

-- Eu quero expor aos senhores o seguinte: os senhores tomem um banco ou, se os senhores quiserem, um clube. Nesse banco ou nesse clube --que são organizações civis, o banco é uma organização civil, o clube uma organização civil-- alguns que são católicos fervorosos olhando para o dono ou o gerente do banco ou do clube ficam encantados com o dono e com o gerente porque vêem que se trata de um homem íntegro e virtuoso. Então resolvem livremente, cada um de forma individual, a fazer um voto de obediência, um voto de castidade, e até de pobreza se for o caso, nas mãos do gerente do banco. Então ficam todos os funcionários do banco trabalhando no banco, mas alguns mais fervorosos, tomados por um auxílio especial da graça, resolvem levar sua vida espiritual com uma intensidade diferente dos outros. Eu pergunto aos senhores: o banco deixou de ser banco para se transformar numa ordem religiosa?

O Sr. Dr. Plinio disse:

-- Genial. Esta solução para nós é genial.

Porque nós podíamos continuar como uma sociedade civil, sem reconhecimento canônico, com a liberdade de levarmos dentro dessa sociedade civil, alguns, uma vida inteiramente religiosa.

De fato, nós temos entre nós pessoas que são casadas, que têm famílias, pessoas que não têm votos, pessoas que levam uma vida social completamente intensa e que participam de nossas atividades. Outros não, outros são de vida integral, mas não é por isso que a TFP, sociedade civil, passou a ser uma sociedade religiosa. E nem precisa de reconhecimento canônico.





C. Graças a Deus, nosso público não tem nada a ver com os padres. No Brasil, o clero perdeu o prestigio


Referindo-se especificamente ao público contatado pelo “mailing” de Fátima, JC disse:


O público que, graças a Deus, Nossa Senhora e agora o Sr. Dr. Plinio nos pôs nas mãos não tem nada que ver com os padres.

(Cfr. reunião para os veteranos, 15/096)


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Num despacho com José Cyro, Caio Newton e Davi Francisco, realizado no S. Bento, em 1996, onde foi sustentada a tese de que, para fazer apostolado com a opinião pública é preciso entrar através dos padres, lembraram-se vários comentários do SDP, num dos quais nosso Pai e Mestre afirmou: “As pessoas discernem que os padres são uma coisa e nós somos outra, porque elas não acreditam mais nos padres”.

E o próprio JC disse: “No Brasil (...) o clero perdeu o prestigio”; “há uma porção de lugares aqui no Brasil em que o clero não chega”.





D. É preciso não dar à Estrutura nenhum pretexto para nos pulverizar


Por um lado, JC sustenta que não convém levantar em público nossa posição a respeito da Missa, para evitar uma polêmica com a Estrutura, e destarte “não incentivar neles [nos membros da Estrutura] o desejo de nos pulverizar”(Cfr. Juizo Temerário, p.269).

Mas por outro lado, JC é aliado de Atila Guimarães, o qual escreveu uma série de livros doutrinários embestindo furibundamente contra a Estrutura, abrangendo matérias tanto ou mais delicadas do que o da Misssa --como dogmática, moral, eclesiologia, cristologia, etc.





E. A Estrutura se empenha em destruir a Dr. Plinio ...


Reunião na Saúde, 25/3/97:


Um ponto principalíssimo de sofrimento [de Dr. Plinio] foi ele ver que a Estrutura da Igreja não correspondia ao sonho que ele tinha, em relação à Santa Igreja. (...)

Outro sofrimento foi ele perceber que (...) a nobreza que ele tanto amou e que ele tanto ama, não era a nobreza dos sonhos dele.

(...) Depois, um terceiro e grandíssimo sofrimento da vida dele, foi de desejar, desejar, desejar ardorosamente, ardorosamente que viesse a Bagarre, e ele não viu a Bagarre, e morreu antes. (...)

Depois, ele tem a idéia, logo no começo, de formar um grupo, um grupo poderoso, possante, que recebesse tudo aquilo que ele tinha para dar, e que era muito. Esse grupo, primeiro, rejeita; segundo, rejeita; terceiro, rejeita; quarto, rejeita... E ele morre, sabendo que vai morrer, sem ter idéia do que vai acontecer com a obra dele. Sofrimento!

Depois, ele se empenha em salvar o clero, em salvar a Igreja, e os membros do clero se empenham em destruí-lo. Aqueles que são objetos do amor e do entusiasmo dele, perseguem-no e querem destruí-lo. Tremendo!

Depois, traições, estrondos, isolamentos, perseguições... Oh, quanto nós vamos ter para meditar!


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Frases de JC transcritas na apostila dos retiros, item “A paixão da Santa Igreja em nossos dias” (pp. 41, 44, 45):


Composição de lugar: Devo imaginar (...) um bando de desordeiros --entre os quais distingo pessoas eclesiásticas, sacerdotes, freiras, etc., inteiramente laicizados-- irrompe pelo corredor central da igreja, derrubam as imagens, despojam os altares de seus ornamentos, quebram os vitrais, etc. Em suma, conspurcam aquela beleza do recinto sagrado que anteriormente contemplei, através dos olhos de meu Fundador.

Uma imensa derrocada: Devo considerar que o impune alastramento daquelas doutrinas errôneas [denunciadas no “Em Defesa da Ação Católica”], contra as quais nosso Fundador alertara o mundo católico, acabou lançando a Igreja numa incoercível derrocada.

Marco apocaliticamente trágico nessa degringolada é o Concílio Vaticano II, a partir do qual se intensificou a autodemolição da Santa Igreja.

O Profeta é rejeitado e sua dolorosa profecia se realiza. (...) Cometeu-se contra meu Pai e Fundador uma grave injustiça. O inestimável bem que ele fez aos católicos --pastores e fiéis--, foi retribuído com o mal, com a ingratidão, com a calúnia e a perseguição. Sinto a profunda e séria indignação que tal injustiça deve provocar em mim? Tenho o ardente desejo de reparar, por uma total e constante fidelidade a meu Fundador, esse pecado contra ele cometido?

O Fundador pranteia o martírio da Santa Igreja. Devo me lembrar do pranto de meu Fundador, amorosíssimo filho da Santa Igreja Católica, ao vê-La barbaramente desfigurada por aqueles que mais deveriam amá-La. (...) Peçamos a Nossa Senhora que nos faça sentir essa dor [NB: a dor de Dr. Plinio vendo o martírio e a tragédia da Igreja corroída internamente pelo progressismo] até o fundo da alma. (...) Essa pungente lamentação de meu Fundador, esse profético e ardente apelo à luta para salvar a Igreja, deve ser meu programa de vida, o eixo em torno do qual gravitam todos os meus pensamentos, meus desejos e minhas ações.

Essa dor e essa compaixão pela Santa Igreja martirizada e exangue, esse desejo de libertá-La das mãos de seus algozes, ou me acompanham dia e noite, ou não mereço ser chamado católico. Sem isto não serei digno filho e súdito de meu Fundador.

F. Em Cuba, João Paulo II fez uma das piores ofensas a Deus ...


Jour-le-jour” 26/1/98:


O fato internacional mais importante, internacional, nesse meio tempo, foi a visita de João Paulo II a Cuba, que, aliás, é de difícil interpretação.

Eu ainda conversava longamente com o Sr. (...), ontem, pelo telefone. Ele assistiu (...), a transmissão, por televisão, de toda a viagem de JP-II. (...)

Ele me fazia um comentário com o qual concordo inteiramente (...). Ele dizia que a viagem foi um verdadeiro caos, porque, de um lado, JP-II ataca, de fato, o capitalismo, mas também faz tais ataques ao socialismo, que é de se perguntar se ele não condenou Fidel Castro nessa viagem. Se bem que ele diga que está bem certo que Fidel Castro procurou ser inteiramente protetor dos pobres, e que o que ele fez foi com boa intenção. É um caos completo.

[JP-II, com a saúde abalada] com que está, não pode fazer o que ele gostaria, que era se prosternar e oscular o chão. Então levaram a ele uma bandeira de Cuba, com 2 casaisinhos de meninos --os meninos de 8, 9 anos e as meninas de 7, 8 anos-- bem vestidinhos (...) e ele, assim que desceu do avião, osculou a bandeira cubana.

A viagem inteira poderia ser comentada passo a passo. (...)

Este foi um fato marcante nesse período. E é um passo realmente ousado. O SDP mesmo dizia que se JP-II chegasse a fazer isso, seria uma ofensa a Deus, monumental, das piores que se tenha feito até o presente momento. E foi feito.

(...) Esse foi um acontecimento importante nesses últimos dias que nós não nos vimos [NB: JC estava na Colômbia], e que tem sua consequencia na transesfera, na comunhão dos santos. É evidente que, se o demônio consegue dar um passo desse calibre, desse porte, Nossa Senhora também, por sua vez, abre comportas que estavam fechadas ainda.





G. O pior obstáculo que vamos encontrar é a Estrutura conservadora – O Novo Código de Direito Canônico tem desagradável odor ecumênico


No livro "E Monsenhor Lefevre vive?" (p.37), Patrício Amunátegui transcreve (não como quem o censura, ou é neutro, mas como quem está de acordo) o seguinte trecho de uma reunião do Simpósio sobre o Leste Europeu, de janeiro de 1991:


Aparte: A respeito da atuação lá, parece-me que o pior obstáculo que vamos encontrar é a Estrutura.


Ah, é indiscutível, é a Estrutura.


Aparte: E uma Estrutura conservadora, Pio XII.


Mais adiante (p.57), no mesmo documento, referindo-se ao Novo Código de Direito Canônico, o ideólogo joanista afirma que seu “desagradável odor ecumênico é notório”.





H. Correlação entre Missa Nova e os “horrores” do progressismo:


Jour-le-jour” 30/5/97:


Eu conheci o mosteiro de São Bento aqui em São Paulo. Já era uma coisa que me causava uma certa impressão. Conhecia os monges cantando aqui no mosteiro de São Bento, em São Paulo, mas não me causava assim um arrepio mais especial. Era uma coisa que eu via que tinha sua beleza, tinha seu pulchrum mas, ao mesmo tempo, tanto progressismo, etc., isso me deixava com o pé um pouco atrás.

Mas estando em Subiaco e assistindo uma cerimônia dos monges em Subiaco e, portanto, lugar onde São Bento esteve durante anos, onde ele fez nascer a ordem dele...!

Eles têm numa gaiola uns corvos, e o curioso é que até hoje ainda há um monge encarregado dos corvos, para lembrar os corvos que traziam o alimento para São Bento. Mil e quinhentos anos depois! E eu vi esse fato impressionante: um monge se aproximou da gaiola com corvos, e começou a conversar com um dos corvos, ali. Conversava e o corvo entendia. Não sei como, mas entendia. Coisa realmente impressionante.

Depois, vendo a limpeza, vendo a ordem, vendo a disciplina, vendo o modo daqueles padres se comportarem, se conduzirem... Olhem que já dentro do progressismo! Portanto, com Missa nova e todos os horrores que nós possamos imaginar! Mas havia ainda qualquer coisa por onde eles, 1500 anos depois, percebiam quem era São Bento, e qual era o espírito de São Bento. E entendiam a voz de São Bento. Coisa realmente impressionante.





I. “Um pedido de Dom Roberto é uma ordem para nós”


No boletim número 3 da “Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima”, nas paginas do meio, enquadrada entre fotos, aparece a seguinte frase de JC relativa ao atual Bispo de Campos: “Diga que um pedido de Dom Roberto é uma ordem para nós e vamos cumpri-la a contento, se Deus quiser”, assim respondeu o conselheiro cultural de nossa associação, o maestro JC, ao honroso convite...

Mas isso é em público. Em privado JC espalha o seguinte:


Diz-nos o Sr. Oberlaender --e alguma coisa do que eu vou dizer também foi nos transmitida pelos sacerdotes [de Campos]-- que [o novo Bispo, Dom Roberto Guimarães] (...) guarda um ódio ferrenho contra os lefebristas. Um ódio menor, talvez, uma indisposição menor contra a TFP. É bem isso, não é? Mas também tem suas indisposições contra a TFP. (...) Diz-nos o Sr. Oberlaender que ele no trato é simpático, é afável, o trato dele mesmo com a TFP é normal. Se bem que ele não goste da TFP, o trato com a TFP é respeitoso.

Ele, pela fisionomia e pelo que dizem, é um homem muito dado a heresia branca, muito pouco preparado para o cargo que ele recebeu. Ele não tem gabarito, ele não tem substância, ele não tem estofo. (Cfr. Cortes do “jour le Jour”, confidencial, 23/11/95)