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O Anticristo já veio?


Capítulo 15 - Missa Nova


Capítulo 15 - Missa Nova 1

I. Posição de Dr. Plinio e nossa 1

A. Enunciado 2

B. Há meio século, a recusa se mantém firme 6

C. Inclusive os documentos apresentados por JC confirmam a posição de Dr. Plinio e nossa 22

II. Posições de JC e de seus discípulos 22

A. Desde data indeterminada, joaninos assistem com regularidade missas novas 22

B. Em data indeterminada: JC ordena pesquisas em prol da Missa Nova 23

C. 1983: o Padre Vitorino discorda do livro de AX e JC assume idéias do referido Padre 23

D. 1988: pressão sobre Dr. Plinio e “apostolado” em prol da Missa Nova 26

E. Março de 1995 a janeiro de 1996: Missas Novas na Espanha 28

F. Agosto de 1995: Eremitas itinerantes assistem Missas Novas no interior do Brasil 29

G. Outubro – novembro de 1995: Missas Novas na Espanha e Portugal 30

H. Janeiro – fevereiro de 1996: Missas Novas na Costa Rica e na Espanha 30

I. Janeiro – abril de 1996 33

1. Pressão exercida sobre Dr. Paulo Brito 33

2. Pressão exercida sobre Dr. Caio 35

3. Parecer do Padre Vitorino 36

4. JC nunca ouviu dizer que o livro de AX contem erros, e em nenhum momento de sua vida manifestou a menor inclinação pela Missa Nova 36

5. Joanista entrosado afirma ter horror, repulsa e animadversão à Missa Nova 37

J. Abril - maio de 1996: Insistência joanina em prol da Missa Nova; joanistas assistem missas novas em Minas Gerais e São Paulo 42

K. Junho de 1996: joaninos lusos participam de Missa Nova; JC se lava as mãos e qualifica aquilo de “relativismo monumental” 44

L. Julho de 1996: joaninos espanhóis assistem Missa Nova 44

M. Agosto de 1996: Presidente da “tfp” argentina afirma que, no tocante à Missa Nova, o Grupo não tem uma opinião formada 45

N. Fevereiro de 1997: JC reconhece que participar ativamente na Missa Nova tem um fundo gnóstico 46

O. Julho de 1997: JC reconhece que Dr. Plinio não deixou à consciência de cada um opinar como quiser a respeito da Missa Nova 46

P. Setembro – outubro de 1997, simpósio sobre o livro de ax - JC diz que a Missa Nova é ecumênica, relativista, horrorosa, medonha 47

Q. Dezembro de 1997: sabotagem do livro do Prof. De Mattei 50

R. Dezembro de 1997 em diante: os joaninos evitam assistir Missas no Rito São Pio V 50

S. 1998: os joaninos consideram que a posição de Dr. Plinio perante a Missa Nova era pessoal e que cada um pode proceder segundo sua consciência; criticam o simpósio sobre a Missa Nova e caçoam dos conferencistas; passam a achar ruim a Missa São Pio V 51

T. 1999: Os joanistas qualificam de incrível e inaceitável nossa posição; se encomendam às Missas Novas rezadas pelos Bispos; e frequentam cada vez mais esse rito 53

U. Nem sequer as normas que teriam sido dadas pelo SDP, e que os joaninos citavam para justificar seu relativismo, hoje são respeitadas por eles 59

III. Posições dos Padres joaninos em relação à Missa Nova 60

A. Em agosto de 95, solidários com o livro de Dr. AX 60

B. Em janeiro de 1997, solidários com as normas relativas às atitudes dos membros da TFP perante a Missa Nova 61

C. Em 1999, abertura do Padre Olavo para a Missa Nova 63

IV. Alcance da polêmica 63

A. Em si 63

B. Do ponto de vista da luta RCR dentro das mentalidades 64

C. Do ponto de vista da luta RCR dentro da Igreja 66

D. Do ponto de vista da luta RCR dentro da TFP 69

1. A Missa Nova, chave para a aproximação com a Estrutura 69

2. Correlação entre Missa e coesão do Grupo 71

3. Correlação entre Missa Nova e sanidade do Grupo 72

I. Posição de Dr. Plinio e nossa


A. Enunciado


Em setembro de 1997, a pedido de JC, houve no ANSA, um simpósio sobre o “Novus Ordo”. Assistiram praticamente todos os sócios e cooperadores de São Paulo. Na ocasião, JC justificou o pedido dizendo que era necessário remediar a completa ignorância dos membros do Grupo a respeito dessa matéria.

As reuniões dos dois expositores --Dr. Paulo Brito e Dr. Gregorio Vivanco López-- , baseadas no livro de Arnaldo Xavier da Silveira, mostraram o acerto profético de Dr. Plinio em sua recusa do “Novus Ordo Missae” e as gravíssimas razões de consciência que levam nossa família de almas a permanecer fiel, nessa matéria, ao legado deixado por nosso Pai e fundador.

(Cfr. Relatório do Sr. Ureta).

A seguir são transcritas as conclusões do mencionado livro. Elas foram lidas ao terminar o simpósio (20/9/97). Todos os presentes --inclusive os eremitas de São Bento e Praesto Sum-- as aplaudiram calorosamente, e JC puxou o cântico do “Magnificat”:


Em vista das considerações apresentadas, impõe-se a conclusão de que não se pode aceitar a nova Missa.Fazemos essa afirmação com sumo pesar, tendo bem presente a gravidade das conseqüências que dela decorrem; mas fazemo-la também com plena convicção. Não é necessário retomar aqui todas as razões que nos levaram a esta conclusão; queremos entretanto salientar uma, que a nosso ver não tem sido devidamente focalizada em anteriores debates sobre "Ordo" de Paulo VI. Trata-se do princípio de que um rompimento formal com os costumes fundados em Tradição apostólica, sobretudo em matéria de culto, envolve cisma. Ora, uma liturgia tendente à "dessacralização" não tem base alguma na Tradição; pelo contrário, constitui uma ruptura formal e violenta de todas as regras que até hoje orientaram o culto católico.

A fim de evitar mal-entendidos que poderiam falsear nossa posição, é mister deixar bem claro que as restrições que fazemos aos diversos tópicos da nova Missa não são todas de igual importância.

Ao longo do trabalho procuramos sempre exprimir qual o sentido e o alcance exatos de cada observação que fazíamos ao "Ordo" de 1969. Mas, tomadas no seu conjunto, essas observações convergem num sentido único, o que faz com que o todo mereça restrições mais graves do que cada parte passível de reservas.

Uma vez mais devemos declarar que não assumimos essa posição movidos por propósitos "contestatários". Não pretendemos em sentido algum pôr em questão o princípio de autoridade na Santa Igreja. Mas perguntamo-nos, isto sim, em que medida o mesmo princípio de autoridade nos obriga a aceitar ou a rejeitar, segundo a mais pura doutrina católica, a nova liturgia da Missa. E foi com base nesses pressupostos que nos vimos forçados a concluir que, por amor à própria Igreja e à Fé recebida de nossos maiores, é necessário dizer "non possumus".


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Palavras de Dr. Plinio relativas ao livro do Dr. Arnaldo Xavier:



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Palavras de Dr. Plinio relativas à Missa Nova:



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Palavras de Dr. Plinio no Encontro de CCEE, 22/6/84:


Pergunta: Diante da crise pós-conciliar, como um verdadeiro católico deve ser, e quais devem ser seus sentimentos pelo fato da verdadeira missa tradicional, o culto mais sagrado de nossa religião, instituído pelo próprio Deus, já não é mais oficialmente celebrado em nenhuma diocese do mundo?


A razão é de uma tristeza enorme. Ela motiva uma ato de reparação permanente diante de Deus Nosso Senhor, diante de Nossa Senhora pelo que ocorre. Mas é preciso não ficar nisto. É preciso nós nos empenharmos em assistir a Missa do ordo de São Pio V, a Missa como ela deve ser.

Esta é a posição que nós tomamos, é a posição que eu tive a ocasião, com o devido respeito, de levar ao conhecimento do meu arcebispo, que é o Cardeal Arns, que era a posição não oficial da TFP, porque a TFP, pelos estatutos não entra nisso, mas era a posição pessoal da totalidade dos membros da TFP. E ele ouviu isso com muita cordura, com muita gentileza, eu dei a ele um estudo sobre a Missa que foi feito por uma pessoa que pertencia à TFP. Eu dei a ele um estudo sobre a Missa para ele ler, e pedi a ele um diálogo com a Sagrada Hierarquia, a respeito do assunto. Ele muito amavelmente declarou que ele concederia o diálogo e a comissão se constituiu. Nesta comissão fizeram parte o autor desse estudo, o doutor Paulo Britto que está aqui presente, o diretor de "Catolicismo", e, do lado da Cúria, três sacerdotes.

Essa comissão reuniu-se na Sede do Reino de Maria, umas duas ou três vezes, eu não me lembro bem. Ao cabo de algum tempo a comissão não se reuniu mais. E nós sabemos por que não se reuniu, era um justo motivo: é que dos três membros da comissão, dois eram sacerdotes que se casaram, e eu não tive coragem de tocar num assunto tão desagradável, escrevendo ao Arcebispo. Fiquei na espera de que ele tomasse a iniciativa de completar a comissão e de recontinuar o diálogo. Ele não completou, não me movi. O fato concreto é que a comissão não se reuniu mais. Mas nossa atitude é conhecida dele. Não é uma atitude clandestina, não é uma atitude inconfessada, é uma atitude conhecida dele.

(...) Agora, além disso, alguma coisa? Sim, sempre que é possível, procuramos persuadir alguém de assistir a Missa segundo o "Ordus", etc., etc., porque é obrigação do católico individualmente fazer apostolado. É o que nós podemos fazer no momento. Se pudermos fazer mais alguma coisa, faremos dentro de nossa finalidade, de nossos estatutos, com entusiasmo, como católicos individualmente com entusiasmo. No momento, são as tais limitações. Não temos outra coisa para fazer. Fazer o que? Não temos outra coisa para fazer.


*


Palavras do Sr. Cônego José Luís Villac:


Não seria honesto de minha parte, ou ao menos leal se, como premissa, não manifestasse meu juízo a respeito da Missa Nova, ou seja o Novus Ordus Missae de Paulo VI. Considero-o o "Horror de Deus". Assim o tive desde sua promulgação no 1° Domingo do Advento de 1969 e assim o tenho até hoje (...)

O Novo Rito, embora válido --e mesmo assim “secundum quid” (...)-- é gravemente ilícito porque heretizante. Ou seja, porque em seu conjunto, face às modificações introduzidas, ou a omissões imperdoáveis em relação à Liturgia anterior, conduziria --e a olhos vistos vem aceleradamente conduzindo-- a Cristandade à perda da fé em verdades dogmáticas substancialmente inerentes ao Santo Sacrifício da Missa.

Refiro-me 1°: à Presença Real - Substancial; 2°) ao caráter sacrifical-propiciatório; 3°) ao Sacerdócio ministerial-sacramental. (Cfr. Resposta do Sr. Cônego a uma consulta que lhe foi apresentada em 18/1/97)


[O Novus Ordo] representa um afastamento praticamente total da teologia católica --bimilenar!-- sobre o Santo Sacrifício da Missa. (Cfr. Parecer do Sr. Cônego, citado no Relatório do Sr. Ureta p.30).


*


A seguir, transcrevemos as normas da atitude pública a ser tomada pelos membros da TFP em face da Missa Nova:


a) Relatório estritamente confidencial dos simpósios de preparação do livro sobre a Missa Nova:


Foram três os simpósios, realizados de dezembro de 1969 a maio de 1970 (...).

No domingo seguinte ao [primeiro] simpósio --o qual encerrou-se numa sexta feira-- já entraria em vigor a Constituição Apostólica “Missale Romanum”, na parte referente ao “Ordo Missae”. E os membros da TFP deveriam ter uma orientação quanto à assistência da Missa.

Num chá servido no terraço do Hotel Pavani, o Sr. Dr. Plinio e os demais participantes chegaram à conclusão que não se podia aceitar a nova Missa, pois ela, sendo dessacralizante e não tendo base alguma na tradição, era ilícita. Mas a Missa era válida, pois efetuava-se nela a transustanciação.

Assim sendo, ficou combinado que os membros das TFPs procurassem assistir a Missa em algum rito oriental, que não tivesse sofrido a mesma reforma, como o maronita e o melquita. Os que não tivessem tal possibilidade, estariam “ipso facto” dispensados do preceito.

Ficou também estabelecido que os membros da TFP poderiam comungar na Missa Nova, devendo, entretanto, abster-se de assisti-la. A norma apresentada foi a de que somente se entrasse na igreja após a consagração. Se, por erro de cálculo, a pessoa entrasse antes, deveria recolher-se discretamente a algum canto, a fim de evitar a participação na Missa Nova.



b) Parecer do Cônego José Luiz Vilac, abril de 1996:


Protestando minha filial e mais absoluta submissão ao Supremo Magistério da Igreja, dentro do que preceitua a Sagrada Teologia e a Disciplina Canônica, e "salvo melhor juízo";

Em resposta à seguinte consulta:

Tomando como pressuposto as recomendações prudenciais do Senhor Doutor Plinio com relação à atitude pública a ser tomada pelos membros do Grupo em face da Missa nova, desejamos ser esclarecidos sobre um grave problema de consciência que se nos depara. É lícito:

a) permitir que seja celebrada por sacerdotes visitantes nas nossas sedes?

Respondo: Ad item "a", negative, id est, non licet.

b) acolitar as missas dentro ou fora das sedes?

Respondo: negative, id est, non licet.

c) participar nelas desde os bancos respondendo aos diálogos do celebrante?

Respondo: negative, id est, non licet.

d) participar apenas seguindo os movimentos?

Respondo: negative, id est, non licet.

e) mandar celebrá-la ou associar-se a ela oficialmente mediante um anúncio público?"

Respondo: negative, id est, non licet.

Qualquer “permissão" ou "participação" nos moldes do expresso em cada um dos referidos cinco pontos configuraria de modo explícito, ADESÃO --ao menos em alguma medida-- e PARTICIPAÇÃO --também em alguma medida ativa-- em um ato de culto intrinsecamente mau porque heretizante, dessacralizante e até mesmo em certa medida, cismático, pois configura um rompimento com a Tradição da Igreja.

"Servatis servandis" valem as mesmas razões pelas quais jamais teria sido lícito aos primeiros cristãos permitir ou participar do culto idolátrico tributado aos falsos deuses e imperadores, ou aos católicos no tempo da "pseudo-reforma", participar da "ceia" luterana ou de qualquer outra forma de culto protestante.





B. Há meio século, a recusa se mantém firme


Na década de 1940


Um dos pontos da divergência entre o Sr. Dr. Plinio e a Ação Católica eram as inovações introduzidas pelos liturgicistas na Missa, que já naquela época era celebrada nos moldes do Novus Ordo.

Conferências feitas pelo Sr. Dr. Plinio para Yves de Pontfarcy – VI:


No ano de 1940 a luta entre Dom José [Gaspar] e eu estava já começando a se definir. (...)

Havia [em Taubaté] um grupo de padres litúrgicos, que levou a sarabanda a tal ponto, que chegaram a fazer os atos de culto de um modo quase comunista. Eles faziam cerimônias da seguinte forma:

Não realizavam mais nos altares as Missas, [mas pegavam] uma mesa de copa e a colocavam no centro da nave, com todos os bancos afastados e cadeiras em volta, como numa refeição, e celebravam a Missa ali com todo o pessoal sentado em torno, para dar idéia de um banquete. Nenhuma imagem sobre a mesa, a não ser o pequeno crucifixo, porque o código de direito canônico obriga. A comunidade cristã reunida em torno do padre, deputado pela comunidade, para oferecer o sacrifício. E na hora da oferenda do sacrifício todos os que iam comungar levavam uma partícula na mão para que o padre consagrasse. E faziam disto um cavalo de batalha.

Isto pôs Taubaté em polvorosa. As idéias dos padres litúrgicos repercutiram aí como uma verdadeira explosão.


*


Também nos anos 40, receando um violento ataque dos progressistas da época, o Sr. Dr. Plinio viu que o contra-ataque consistia na elaboração de um livro que fizesse “pendant” com o "Em Defesa", não sobre os erros da Ação Católica, mas sobre os erros do liturgicismo –e portanto sobre as inovações introduzidas na Missa.


Conferências feitas pelo Sr. Dr. Plinio para Yves de Pontfarcy - VIII:


D. Sigaud foi um grande diretor geral da JEC, mas o seu principal trabalho vem agora.

Quando o Cardeal nos ameaçou de um processo canônico, eu tinha no colégio estadual uma licença prêmio de 6 meses e, levado pelo receio do processo canônico que a qualquer momento poderia vir, eu passei esses 6 meses lendo coleções da “Ordem”, do Diário de Belo Horizonte, do Correio Católico de Uberaba, para tirar proposições falsas [de autores liturgicistas] que pudessem me servir de defesa na hipótese de um processo crime. Mas naturalmente muitas dessas proposições, dada a linguagem viscosa e duvidosa que eles costumam adotar, eram também coisas duvidosas, e eu precisava mostrar a censores eclesiásticos. (...) Eu mostrava a [Dom Sigaud] aquelas pilhas de documentos.

D. Sigaud começou a ler aqueles documentos e a detectar algumas coisas erradas. Mas um dia ele me disse: "Plínio, eu não estou satisfeito com esse serviço. Ele está mal feito, porque não se trata de pegar um errinho, outro ali. É preciso fazer um serviço mais profundo. É preciso arranjar um jeito de verificar qual é a doutrina oculta que esta gente tem no fundo. Porque com esta doutrina nós saberemos bem exatamente que heresia está caminhando aqui".

Ora vocês vêm que o meu livro ["Em Defesa da Ação Católica"], que pode ter algumas qualidades em matéria de Ação Católica, em matéria de liturgia não tem o mesmo. Ele o que diz de liturgia são só algumas proposições erradas, mas ele não dá uma doutrina errada do liturgicismo como dá da Ação Católica, porque essa concepção nasceu depois.

D. Sigaud então foi farejando e encontrou os primeiros dados para essa questão. O assunto interessou muito a D. Mayer, interessou ao Pacheco, a mim, e nós começamos a pedir ao Pacheco para preparar um estudo com base nos dois autores liturgicistas mais citados por eles, que eram D. Anselmo Stolds e Romano Guardini. E o Pacheco, lendo esses estudos, conseguiu verificar perfeitamente bem todos os defeitos, todos os erros, toda a doutrina liturgicista.

(...) E o próprio D. Sigaud, antes de partir, nos deixou também um relatório muito bem feito do D. Anselmo Stolds.

Foi só com base nestes estudos que nós começamos a revidar também, porque se nos atacassem, alguma coisa nós teríamos a dizer no processo canônico para nos defender. Tínhamos alguma coisa para resistir à primeira ofensiva.

De outro lado, nós começamos a perceber, mais do que nunca, toda a trama herética que havia dentro da Igreja para introduzir uma religião falsa no âmago da religião verdadeira. Naturalmente isto era também uma coisa que nos confortava muito e nos dava muito ânimo para a resistência.




1967


Depoimento do Dr. Gregório Vivanco (ANSA, 18/9/97):


[Em junho-julho de 67] o Sr. Dr. Plinio chamou este escravo de Maria e disse [mais ou menos o seguinte]: "Olha, eu estou muito preocupado com o pontificado de Paulo VI, porque com esse pós-Concílio, estou vendo que as coisas vão para a heresia, elas vão indo para o pior que possa haver. Então eu quero que se façam estudos para ver quais são os limites da infalibilidade, para ver até onde pode ir um Papa herege ou não. Até onde as coisas podem caminhar dentro da Igreja, e que papel um simples fiel pode resistir a essa onda que está vindo. Mas resistir com base na doutrina da Igreja. Então, eu encarreguei o Dr. Arnaldo para fazer uns estudos, e eu quero que você ajude ele nisso, em tudo o que for necessário. (...) Nós estamos caminhando para uma trombada com Paulo VI. E nós precisamos ter todo o nosso arsenal doutrinário superafiado, superestudado, superpronto."

E foi a partir daí que começaram a sair artigos no “Catolicismo”, sobre se é possível um Papa ser herege, até que ponto um fiel é herege ou não, até que ponto gestos, insinuações, caracterizam ou não caracterizam um herege? Etc.





1969


Depoimento do Dr. Gregório Vivanco (ANSA, 18/9/97):


Em 3 de Abril de 69, Paulo VI promulga uma constituição apostólica instituindo o "Novus Ordo Missae", para entrar em vigor em 30 de Novembro.

(...) Como medida provisória, antes de qualquer estudo, [Dr. Plinio] declarou que, a partir de novembro de 69, quando entrava em vigor a Nova Missa, nós deveríamos assistir Missa de São Pio V com algum padre amigo nosso, ou ir [à igreja dos] Melquitas. Mas que provisoriamente, antes de qualquer coisa não se devia participar da nova Missa.

De modo que (...) desde o início, Dr. Plinio cortou [a assistência nossa a esse rito], antes mesmo de ter sido feito o estudo.

E logo ele convocou um simpósio, que foi feito em dezembro de 69, no Hotel Pavani, em Serra Negra.(...) Este e. de Maria teve a graça de ir junto (...). Então foi um semana de contatos. O Sr. Dr. Plinio fazia reunião toda a manhã, e de tarde. E às vezes à noite. (...) Ele presente em todas as reuniões e dando as diretrizes de como é que ele achava, como é que ele queria, etc.

Nesse simpósio foram lidos os tais comentários da "BAC", o documento de Paulo VI sobre a Nova Missa. E o Sr. Dr. Plinio (...) disse: "isso aqui é tão grave, que nós não podemos deixar a coisa assim; e preciso que (...) seja tomada uma posição, é preciso escrever esse livro, e vamos ver o que é que acontece. A situação da Igreja não nos permite que nós nos omitamos nessa situação." E foi escrito, então, a coisa começou.




1970 - 1973


Depoimento do Dr. Gregório Vivanco (ANSA, 18/9/97):


Pouco tempo depois --aí a data já me escapa um pouco-- foi feito um [segundo] simpósio em Amparo, também de uma semana, para rever o livro já escrito, já feita a primeira redação. O Sr. Dr. Plinio quis ouvir a leitura inteira do livro.

E depois, ainda, houve um [terceiro] simpósio rápido em São Paulo, de um dia e pouco, para acertos finais (1).


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(1) “Durante os três simpósios , o Dr. AX ia aceitando, com toda docilidade, as propostas feitas especialmente por Dom Mayer, no plano teológico-litúrgico, e pelo Sr. Dr. Plinio. A concordância do SDP com o texto final da obra foi clara e plena” (Cfr. Relatório estritamente confidencial sobre os simpósios de preparação do livro sobre a Missa Nova).

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Antes de sair o livro, o Sr. Dr. Plinio disse: Na Europa atualmente está havendo muita reação contra a Missa nova; mas no Brasil não; (...) é preciso preparar o público brasileiro para isso; e o melhor meio de preparar, é dizer a eles o que é que está acontecendo: é noticiar”. Então, ele escreveu na "Folha de São Paulo" intitulado: "O Direito de Saber" [25/1/70]. (...)

Ainda o Sr. Dr. Plinio disse: Nós precisamos, agora, fazer um grande envio para o público católico, para os bispos, das repercussões contra a nova Missa que estão havendo. (...) Então ele organizou um número do "Catolicismo", [com] um estudo --feito sob orientação dele-- com todos os documentos que havia. E o Sr. Dr. Plinio quis que na capa do "Catolicismo" saísse a foto de Paulo VI com 6 protestantes que participaram da Comissão Bugnini.

(...) Em Maio de 1970, como estava havendo muitas queixas sobre a Nova Missa, muito ataque, etc., o Vaticano fez algumas modificações na Nova Missa. Nós de fato só recebemos o texto oficial delas, em 14 de julho. Quer dizer, o texto oficial só nos chegou quando o livro já estava até publicado. E por isso que essas modificações estão analisadas num apêndice publicado pouco tempo depois.

Então, em junho de 70, sai o livro.

[Em] 23 de junho de 70, o Sr. Dr. Plinio faz uma reunião na São Milas, que ficou conhecida depois como "Reunião do Holocausto", porque o Sr. Dr. Plinio diz o seguinte:


Nós agora estamos lançando esse livro. Nós vamos enviá-lo a todos os bispos do Brasil. Vamos enviá-lo a vários bispos do Exterior. Isto aqui é um bomba sem precedentes. Isto aqui pode trazer para nós um holocausto. Quer dizer, pode ser que nós nos destruamos com isto. Mas não é possível permitir que a Igreja embarque nisto sem que nós tenhamos dito uma palavra. Sem que nós tenhamos lançado um brado. Então vale a pena o holocausto, vamos de frente a ele.


Aparte de Dr. Paulo Brito: Nessa ocasião eu estava presente, ele disse: Bem, os que quiserem, como lembrança desta noite memorável, se levantem e vão cortar um pedaço do pano. Era uma cortina que tinha atrás da São Milas --os que se lembram da São Milas, era um barracão-- então tinha uma espécie de cortina de pano roxo, ele disse: O roxo é bem a cor do que pode acontecer, os que quiserem, então, se levantem e... Eu acho que praticamente todos os que estavam lá, se levantaram, e cortaram um pedaço do pano roxo.



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Carta oficial da TFP --assinada por Dr. Plinio, Dr. Paulo Brito e Dr. Arnaldo Xavier-- enviada a Dom Arns em 1/5/73:


Em julho de 1970, esse estudo [NB: o livro de Dr. AX] foi enviado por Dom Antônio de Castro Mayer, Bispo de Campos, a cerca de duzentos membros do Episcopado Nacional, pedindo-lhes um diálogo calmo e sério, em termos teológicos, sobre o seu conteúdo. A tal pedido, não foi dada, pelos Srs. Bispos que se opuseram às nossas conclusões, nenhuma resposta que contivesse argumentação válida. (...) Sem embargo, a todos os Srs. Bispos que se dignaram comunicar-nos suas objeções, respondemos argumentadamente, no empenho de dar vida ao diálogo. Nossa tréplica não obteve resposta.


Em junho de 1971, em diversas paróquias de São Paulo, exerciam-se, sobre os sócios e militantes da TFP que as frequentavam, pressões cada vez mais fortes no sentido de que aceitássemos a nova Missa. (...) Diante desses fatos, dirigimo-nos diretamente a V. Emcia. No dia 24 desse mês, o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, Presidente do Conselho Nacional da TFP, bem como o Dr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira e o Dr. Plinio Vidigal Xavier da Silveira, diretores da mesma sociedade, foram recebidos em audiência por V. Emcia., com paternal cordialidade. Exposta a situação cada vez mais delicada que se vinha criando, e para a qual não haveria outra solução senão um diálogo sério e teológico sobre a nova Missa. V v. Emcia. acolheu favoravelmente nosso pedido. Realizar-se-ia o diálogo (...).

Pormenor importante: como nós não desejávamos, de forma alguma, levar ao conhecimento do grande público as objeções que temos contra a nova Missa, sugerimos a V. Emcia. que, enquanto se desenvolvesse o diálogo, fosse mantido o “statu quo” que tínhamos na Arquidiocese. Essa proposta foi acolhida favoravelmente por V. Emcia, tornando-se assentado, dessa forma, que nas diversas paróquias não nos obrigariam a aceitar a nova liturgia contrariando nossas consciências; e que, de nossa parte, não levaríamos ao conhecimento do grande público as razões que fundamentavam nosso procedimento quanto à nova Missa. (...)

Infelizmente, o início efetivo desse diálogo tardou um tanto --por falta de disponibilidade de tempo dos sacerdotes indicados por V. Emcia, conforme eles mesmos nos disseram posteriormente. Nesse ínterim, acentuava-se sempre mais a pressão dos sacerdotes que nos queriam obrigar, a toda força e sem ouvir razões, a aceitar a nova liturgia --o que nos poderia forçar a levar a público nosso estudo (...).


A 17 de fevereiro de 1972, (...) o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira escreveu a V. Emcia. ponderando que as pressões exercidas contra nós em diversas igrejas da Arquidiocese vinham criando para nós uma situação que ia muito além do aceitável, e que nos obrigaria de um momento para outro, e em defesa de nossa honra, a romper o silêncio que vínhamos mantendo (...)

Sem tardança, logo a 1 de março, v. Emcia. escreveu ao Prof. Plinio Corrêa de Oliveira, assegurando-lhe que o diálogo se iniciaria imediatamente. (...)

Nos meses que se seguiram (...) houve, realmente, algumas reuniões de diálogo. No entanto, Eminência, foram elas tão pouco numerosas, e tão pouco densas, que (...) não se pode dizer que tenha havido um diálogo sério, como desejávamos (...).


De setembro de 1972 até hoje, Sr. Cardeal, não fomos mais convocados para novos encontros com a comissão designada por V. Emcia. Estamos, entretanto, sempre prontos para atender a essa convocação (...).


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Em 25/5/73, Dr. Plinio escreveu um artigo na “Folha de São Paulo”, intitulado “Sobre o decreto anti-TFP de Dom Isnard”. O Bispo de Nova Friburgo proibiu o seu clero que dê a Comunhão a membros da TFP, quando se apresentarem incorporados ou com insígnia. Fundamentou sua atitude alegando contra a TFP, entre duas outras razões, o apoio “a um livro ‘cismático’ sobre o novo ‘Ordo Missae’.”

A seguir são transcritos uma série de trechos desse artigo, junto com os comentários respectivos feitos pelo Dr. Gregório Vivanco no ANSA, no 18/9/97:


É bem verdade que um dos diretores da TFP, Sr. Arnaldo Vidigal Xavier da Silveira, escreveu em 1970 um estudo profundo, e baseado em sólida documentação, a respeito do "Novus Ordo Missae". E que com ele se solidarizou a TFP.

A expressão solidário todos os senhores conhecem, sabem perfeitamente. Por exemplo, nas sociedades solidárias os sócios respondem igualmente por tudo o que acontece; se há prejuízos eles respondem, se há lucros eles ganham, se há uma crise na sociedade eles embarcam na crise, quer dizer, são solidários em tudo. É a expressão que o Sr. Dr. Plinio usa.


Se gostássemos que se falassem de nós a todo custo, e para polemizar a qualquer propósito como imagina Dom Lorscheider, desde logo teríamos atirado o livro a público.


Eu chamo a atenção dos senhores para [a frase]: "Desde logo teríamos", quer dizer, Dr. Plinio se põe como a pessoa que está manejando o livro. Ele não diz “o autor teria”.


Preferimos não fazer assim. E por isto distribuímos apenas certa quantidade de exemplares do trabalho, a um número limitado de personalidades de escol, pedindo-lhes reservadamente a opinião.Um dos destinatários do estudo (...) --altíssima personalidade eclesiástica que mais de uma vez tem divergido de nós-- de tal maneira se impressionou com os possíveis reflexos do livro na opinião pública, que escreveu a um amigo comum pedindo “de joelhos, se necessário fosse”, que a TFP não publicasse o trabalho. E por tudo isto temos mantido, de junho de 70 até aqui, o mais escrupuloso silêncio sobre o mesmo.


Veja sempre a expressão "temos mantido". Quer dizer, o Sr. Dr. Plinio se coloca como ele tendo mantido.

Enquanto isso, em grande número de Igrejas, sacerdotes que provavelmente ignoram todos estes fatos, não se têm cansado de sujeitar nossos sócios e militantes a invectivas, e humilhações públicas de toda ordem, a propósito de nossa atitude face ao novo "Ordo Missae".

(...) Optamos por silenciar, com toda humildade e paciência.

(...) Agora, vem a público Dom Isnard e, num documento eclesiástico oficial, fulmina penas canônicas contra a TFP, pela adesão que dá ao livro, que acusa de cismático (...).


Há pouco o Sr. Dr. Plinio falou em solidariedade. Agora fala em adesão. Isso é para ver a posição que o Sr. Dr. Plinio tinha em relação ao livro.


Pois bem, ainda neste passo, não sairemos com a matéria do livro a público. É o que está aceite pela TFP, com plena concordância do autor do livro.

Quer dizer, quem assentiu, quem está dirigindo é a TFP. O autor do livro apenas concordou.


(...) Só mudaremos de rumo se outros fatos se produzirem ...

É ameaça, não é?

... que nos forcem absolutamente a falar.

Em outros termos, se algo suceder que deva ser considerado um dano verdadeiramente grave para o renome da TFP, sairemos a público com o assunto todo. (...)

No seu livro, o Sr. Arnaldo V. Xavier da Silveira afirma expressamente sua fidelidade inquebrantável à doutrina e disciplina da Igreja. E se levanta certos problemas delicados de Teologia ou Direito Canônico, fá-lo declarando de antemão que acata em toda a medida preceituada pelo Direito Canônico o que a própria Igreja ensina. É precisamente esta a posição da TFP.

(...) A acusação de cisma de Dom Isnard não nos perturba.


*



SD 26/5/73:


[O livro do Dr. AX] mostra, com argumentação teológica, etc., etc., que o Novo Ordo Missae, quer dizer, a Nova Missa, tem um sabor protestante, quer dizer, ela é toda influenciada por doutrinas protestantes. De maneira que --se bem que a Missa seja válida-- um católico não deve a ela comparecer, por causa do sabor protestante que tem. Ela tem um sabor protestante, favorece a heresia. Não é diretamente herética, mas favorece a heresia. Ela não é diretamente protestante, mas tem um sabor protestante. Ela não é diretamente herética, ela favorece a heresia. Bem, aquilo que favorece a heresia não pode ter a participação de um católico. Logo, se bem que a Missa seja válida, nós não podemos participar dessa Missa.



1974


Abril de 1974, Declaração de Resistência:


Em artigo publicado na "Folha de São Paulo" de 27 de Maio de 73, o Presidente do Conselho Nacional da TFP teve ocasião de explicar que em certa matéria de índole essencialmente religiosa, sócios e militantes de nossa entidade tem, enquanto católicos, uma atitude tomada. Sobre a qual só não se pronunciaram de público a pedido de altíssima autoridade eclesiástica.

Se as circunstâncias o indicarem, explicarão eles, --no uso da liberdade religiosa, que felizmente gozam, porque no Brasil não venceu o comunismo--, qual a natureza do assunto e o fundamento de sua posição.



1979 - 1985


Depoimento do Dr. Gregório Vivanco (ANSA, 18/9/97):


[Quando] houve o "estrondo" da França, o Sr. Dr. Plinio escreveu em Amparo uma refutação que saiu depois publicada como de autoria da TFP francesa. (...) Ele se esmerou muito para dar exatamente qual era a posição oficial da TFP a respeito disso:


As TFPs são associações cívicas, fundadas sobre o Magistério Tradicional da Igreja. Enquanto tais, elas não tomam posição oficial em domínios de caráter estritamente religioso. Por exemplo, a questão do “Ordo Missae" de Paulo VI.(...) É necessário observar, em relação aos membros e simpatizantes da TFP, que enquanto católicos, eles sofrem pessoalmente a repercussão dos problemas especificamente religiosos, que convulsionaram a Igreja após o Concílio Vaticano II. É inevitável que, enquanto simples católicos, eles troquem opiniões sobre essas questões. Concretamente, essas trocas de opiniões, nunca deram lugar a dissensões. Pelo contrário, saiu daí um consenso firme e bem maduro a propósito dos principais temas relacionados com o misterioso processo de autodemolição que a Igreja atravessa. O consenso inteiramente pessoal dos membros e simpatizantes da TFP, em certas matérias estranhas à esfera [cívica], não constitui o pensamento oficial da TFP. Mas ele dá lugar a um consenso extra-oficial na TFP.


Quer dizer, portanto, não é uma posição oficial de uma entidade cívica, sobre um problema religioso; mas aqui dentro todos nós estamos de acordo que a Missa Nova não vale nada mesmo. Isso é o que está dito aqui. Isso está nas págs. 174 a 177, do Rapport. Mais adiante, na pág. 201 ele diz o seguinte:

Em São Paulo, a grande maioria dos membros e simpatizantes, vão à Missa em Latim, celebrada segundo o rito São Pio V. Se por dificuldades de horário, agravadas pelas distâncias dessa enorme cidade, alguém não pode ir à Missa Tradicional Latina, vai à Missa de rito Melquita.


[A pessoa que deu origem ao estrondo na França achava] que a TFP devia ter um centro de Missas, aqui, para todo mundo que quisesse. Então o Sr. Dr. Plinio, explicando isso, disse porque que a TFP não institui um centro público de celebração da Missa de São Pio V:


Esse centro provavelmente seria condenado pelos bispos brasileiros. Nesse caso, os raros católicos brasileiros, fora da TFP, que se recusam ir à Missa de Paulo VI, prefeririam certamente freqüentar uma Missa de rito oriental.


Eu só chamo aqui para a expressão "recusam ir à Missa de Paulo VI", quer dizer, o Sr. Dr. Plinio põe como uma recusa, não só desses raros católicos, mas [também] os da TFP. (...)


*


Após o estrondo contra o Grupo da França, Dr. Plinio tomou a iniciativa de mandar difundir o livro de AX naquele País. Para esse efeito foi editada uma tradução francesa do livro, sob o título “La Nouvelle Messe de Paul VI: qu’en penser?”

Dr. Plinio mandou vir aproximadamente 2.500 exemplares dessa edição e em 1982 ordenou que tais livros fossem remetidos a eclesiásticos do Brasil.

(Cfr. Relato da conversa de Dr. Paulo Brito com JC, em 17/2/96)


*


Eremo do Amparo de Na.Sra., 30/5/80, reunião da noite. Estavam presentes JC, Kimura e José Eduardo Pinheiro:

(Aparte: A campanha foi feita hoje numa cidade chamada Mogi-Guaçu, que eu não sei o que houve, mas foi a pior campanha, não enquanto os eremitas [itinerantes], o ânimo dos eremitas, mas enquanto público foi o pior público que nós encontramos até agora).


(JNF: (...) o padre lá é muito contra nós, o ano passado fez um sermão contra nós e terminou nos negando a comunhão na Missa, pelo fato de sermos da TFP).

Hoje?

(JNF: Hoje).


O Sr. Fernando Antunez toma nota, seria interessante que os senhores escrevessem agora a noite, enfim, deixassem aqui uma carta dirigida ao Arcebispo de Campinas, reclamando.

(JNF: Ouvi dizer que era diocese de outra cidade).

Não faz mal. Você deixa a carta feita, eu retoco um pouco. Explica que vv. estiveram lá de tantas a tantas horas, para fazer campanha, etc., e que quando foram comungar o padre recebeu desta maneira e que pediam providências contra isso, porque não há nenhuma medida canônica contra isso, nem nenhum fundamento de longe explicável para que faça, de maneira que então pediam que o padre fosse repreendido, e que pediam para ele dispor as coisas de maneira que quando forem comungar o padre tenha que dar a comunhão ... E vamos ... eu vou conversar com D.Mayer, se D.Mayer não tiver dificuldade, nós enfrentamos o assunto. Continue.

(...)


(Aparte: Não se poderia fazer alguma coisa quando ele nega a comunhão, por exemplo sair cantando o Credo, o Roma Eterna, todo mundo sair pelo centro da Igreja?)


Não, eu amplio então a ordem que dei, meu caro José Eduardo, v. faz o seguinte então: todos os eremitas itinerantes, todos os quidans começam a dar um relato padronizado, nós podemos tomar este de Mogi como base e já podem levar cópia, contando em que igreja foi, a que horas foi, etc., e nós vamos tocar a coisa de frente, vamos ver o que nós fazemos com isto. Porque se eles querem encrenca, então nós saímos com o livro da Missa, saímos com a coisa toda. Esta não é uma deliberação tomada de repente, ela estava nos bordos, porque já me deixou indignado com a interpelação em Campinas que nós não éramos católicos, etc., com esta insistência. Que um cretino ou outro diga ...


(JNF: Além disso, disse o sacristão, o ministro da eucaristia e o sacristão interpelado por um de nós "como vv. nos negam a comunhão?" - "vv. não são católicos").


É, está bom, então é preciso dizer isto no relato. Então vamos agora entestar a questão, vamos ver. Vocês nos provocaram a tal, agora sai, está acabado!(...) Mas se, vamos ver a coisa como se desenvolve, porque se dá nisto, e se nós chegamos a este auge da impostura, que um padre ateu nega a comunhão a um dos nossos e dizendo que não é católico, é o caso de perguntar se ainda há base para campanha no estilo tradicional. E se nós não temos obrigação de dizer, qualquer que seja o resultado: nós negamos que vv. sejam católicos. Qualquer que seja o resultado.

(...) Então, conforme for o caso, nós nos adestramos e pulamos para onde for necessário. Não tem conversa. Se nos acuam até lá, não tem conversa.

Eu lembro os senhores, os senhores creio que todos conhecem, os antecedentes de nossa briga com D.Arns a respeito da questão da Missa. Ele nomeou uma comissão, os padres que constituíam a comissão, para dialogar conosco, desses 3 padres 2 se casaram, mas D.Scherer escreveu uma carta a D.Mayer pedindo de joelhos, dizia ele na carta, que não publicássemos o livro do infeliz Arnaldo. Nós não publicamos e eles também não nos atrapalhavam em nos dar a comunhão, quer dizer, comungávamos e não nos acusavam de não-católicos. Havia um mutuo entendimento. Se eles quebram o entendimento desta maneira ... E notem que eu dou muita importância a isto, sempre leais. Porque tudo isto é leal, é tão leal que nem vou provar que é leal.


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Despacho para ENSDP 6/1/82


Em todo mundo, onde está menos repercutindo bem a Mensagem é na direita. Bem entendido, falsa-direita. Onde está menos repercutindo. Bem, por toda parte. Me chegou uma repercussão de um inglês --os senhores verão hoje à noite-- que mandava dizer o seguinte, um lefevriano, escreveu da Inglaterra, indignado com a Mensagem:

Vocês desviam do ponto central; a nós católicos não nos interessa quem é que vai governar, se é Breznev ou Reagan; o que interessa a nós é ficar com a verdadeira Missa”.

Porque eu recuso a escolha. Nós queremos ambas as coisas. Eu nunca diria a um lefevriano: "o que nos interessa é ter um bom governo, não nos importa a Missa". Deus me livre! é uma blasfemia! Devemos fazer uma coisa e outra.


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Santo do Dia, 20/10/82:


(...) é bem verdade que aonde o país baixa para as sombras da morte, o sol do Reino de Maria começa a levantar-se. Com efeito, acontece que dois dados a nosso respeito emergem claramente. Uma minoria –-definidamente, agudamente minoritária, não nos iludamos-– mas muito mais numerosa do que nós, vai constituindo em torno de nós uma periferia que nos engrossa. Uma periferia de gente que tem limpeza de alma, que tem lógica, que sabe raciocinar um pouco e que sabe dizer às suas vivências: não menti, a verdade que aparece é essa.

E essa minoria vai sendo acionada por essa alternativa à qual ela não fecha os olhos: não sendo a Estrutura, é preciso procurar a Fé católica aliúnde. De onde se voltarem com confiança, com admiração, com entusiasmo para a TFP. Eles estão muito alheios a certas questões teológicas, não estão, portanto, ainda com a atenção voltada para o problema da Missa (nova) e portanto tudo quanto legitimamente representa a Igreja e se faz em Campos no sentido tradicionalista, eles não estão em condições de identificar com a causa católica ainda. Um dia virá –-e eu espero que nós ajudemos a chegada desse dia-– em que eles entenderão isso também. E o tamanho enorme da temática em foco, em luta, aparecerá mais claramente aos olhos deles. Será coisa simples.


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Reunião para CCEE de Campos, 27/2/83:


Qual é a vossa tarefa? Essa tarefa vós a realizastes num campo distinto mas afim, vós a realizastes tão bem em Campos este ano com a fidelidade à tradição da Igreja e não aceitando o desvio a respeito da Missa Nova. O Brasil inteiro ouviu falar disso e o Brasil inteiro entende que isto é algo que reage contra esse vento de demência e de loucura cuja ponta de lança é o comunismo.


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Despacho 30/6/85, a respeito de como tocar o apostolado junto aos CCEE:


[Depois], todo o problema da crise na Igreja: como é que [os CCEE] vêem a crise da Igreja, que sintomas eles tem, o que nós devemos dizer a eles para aproximá-los de uma visão objetiva da crise da Igreja.

Não se deve tratar de toda a crise da Igreja, do problema da Missa, etc., de uma vez só. Nosso Senhor nos ensinou no evangelho que o ensino é progressivo; por exemplo, Ele começou pregando a Eucaristia. Mas com prudência, com jeito e sem chocar, nós devemos ir preparando. Porque se essa gente em determinado momento não nos segue nesse ponto, nós estamos perdendo tempo com eles e eles conosco.



1990


Em entrevista concedida ao Prof. Marcelo Otoni em 8/3/90, Dr. Plinio afirma que a TFP não recuou em matéria de Missa Nova nem preferiu evitar um conflito com o Vaticano:


Não foi por causa do Dom Mayer ter dado apoio a esse livro [de AX] que ele foi excomungado. De maneira que uma coisa não tem nada que ver com a outra.


Professor: Mas ele continuou contestando certas inovações na liturgia, chegando a ponto de entrar em colisão com o Vaticano. A TFP, ela teria recuado, ou preferiu apenas evitar um conflito?


Não, não. Nem uma coisa nem outra.



1992 - 1993


Pelos idos de 1992, um Bispo amigo do Grupo da Colômbia deixou o Santíssimo na Sede de Bogotá, alegando ser sua capela pessoal. Para deixar as Sagradas Espécies, o Bispo celebrou Missa Nova. A respeito disso, os membros do Grupo consultaram a Dr. Plinio:


Pergunta: atuaram bem aceitando a celebração da Missa Nova na Sede?

Resposta: Não andaram bem, e sobretudo não andaram bem em tomar essa deliberação sem perguntar antes. (...)


Pergunta: O que dizer caso mafiem o Bispo e nos levante o problema da Missa Nova?

Resposta: Explicar o caso tal qual é. Quer dizer, que há teólogos de importância que estão em desacordo com o Novus Ordo. E que de outro lado há muitos fiéis aderentes firmes do Vaticano e que nada tem que ver com Mons. Lefevre ou com dom Antônio de Castro Mayer, e que não frequentam essa Missa [Nova], e Roma parece vir de encontro ao desejo deles dando indulto para a Missa São Pio V, em vários casos concretos. Por exemplo, para toda a Inglaterra.

E que nós temos o livro do AX, que foi traduzido para o francês e largamente divulgado também na França, além do Brasil e da América Latina. Deste livro podemos oferecer a ele um exemplar, caso queira. (...) (Cfr. Despachinho, 5/6/92)


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Entre 1992 e 1993, por sugestão do Senhor Dr. Plinio, a TFP Francesa enviou cartas a Mgr. Perrier, orientadas e revistas pelo mesmo Senhor, explicando nossas reservas em relação à Missa Nova (Cfr. memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96, p.16).

E numa carta a M. Versperien, Dr. Plinio disse, de modo confidencial, que enquanto os estudos sobre o Concílio não forem terminados e postos aos pés do Santo Padre, qualquer concessão em matéria de Missa Nova seria altamente prejudicial, pois daria uma impressão errada de falta de segurança na matéria, a qual não carateriza de modo nenhum nossa atitude (Cfr. idem, p.17).


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Reunião para os eremos itinerantes, 8/1/93:

(Kimura: Sr. Dr. Plinio, tem muitos padres que nos mafiam dizendo que nós não assistimos Missa. Como poderíamos explicar a questão da Missa?)


Muito simplesmente: que nós temos --também é a política da verdade-- umas perplexidades a respeito de certos trechos da Missa. Isso foi estudado muito detidamente por elementos de competência dentro da TFP, e que nós fizemos uma circular disso e mandamos a todos os bispos do Brasil. Inclusive eu entreguei pessoalmente ao Cardeal Arns.

Aliás, é preciso dizer: ele sempre que trata comigo é muito cortês. Temos tido que tratar coisas delicadas, difíceis, ele é muito cortês. Eu é claro que ainda mais sou cortês com ele, porque é minha obrigação, sendo o meu arcebispo e cardeal da Santa Igreja Romana. Mas pondo os pingos nos is.

Com o negócio da Missa foi assim, eu disse a ele que nós tínhamos essas perplexidades, que estávamos estudando e que antes de resolvidas as perplexidades nossa consciência não nos permitia ir à Missa nova.

Mas que nós pedíamos a ele o seguinte:

Esse estudo tinha sido transformado em livro, que é o livro do Dr. Arnaldo. Esse livro nós queríamos o placet dele para mandar a todo o episcopado, e, de outro lado, pedíamos a constituição de uma comissão de padres escolhidos por ele que conversassem com alguns leigos da TFP entendidos na matéria para esclarecer o assunto.

Ele nomeou os representantes do clero e eu nomeei três representantes da TFP. Aconteceu que dos três representantes do clero, dois se casaram logo depois, quer dizer, apostataram, a comissão ficou parada e aqui está à espera de alguma iniciativa dele. Enquanto isso não dá, nós ficamos à espera.

Não sei se os Srs. vêem como tudo isso é claro, como tudo isso é limpo, é bem explicado, está "pão-pão, queijo-queijo", está acabado.






1994


No “Despachinho” de 10/8/94, apresentaram a Dr. Plinio uma consulta de Caio Newton a respeito de como responder uma carta de um Padre. O consulente perguntava se convinha entrar a fundo na questão da Missa Nova. Dr. Plinio mandou enviar o livro de AX:


A primeira coisa a fazer é levar pelo menos um mês para responder, não responder logo. Agora, por enquanto parece que o verdadeiro seria simplesmente, daqui a um mês, se não houver nada de novo, mandar uma resposta com uma dedicatória mais ou menos assim: “Ao prezado Padre Manica, este livro apto a esclarecer a sua pergunta. Caio Newton”.


*


No despacho para a comissão Pe. Anchieta (integrada por Caio Newton e José Cyro), de 31/10/94, também foi abordada a “questão da Missa Nova”. Dr. Plinio diz:


Seria o caso de perguntar [aos irmãos Solimeo] se não poderiam preparar o seguinte: tirar do livro do Arnaldo aquilo fosse indispensável para responder este ponto com acréscimos. Nós poderíamos fazer disso um folhetozinho, mas que desse a idéia que nem era para publicação, que era para uso doméstico.

Este folhetozinho assim concebido deveria ter as ressalvas necessárias, quer dizer, que nós reconhecemos que a autenticidade do sacrifício se celebra na Missa Nova, mas que temos algumas perguntas que nos deixam perplexos e põe isto. Não dizer formalmente que somos contra, mas dizemos que há algumas perguntas que nos deixam perplexos.


(...)


(J. Ciro: Sr. Dr. Plinio, a propósito da questão da Missa, depois que eles fizerem esse folheto, esse folheto seria revisto pelo senhor certamente).


Ah sim.


(J. Ciro: E esta seria a resposta que nós iríamos dar para todo o mundo que nos perguntasse a respeito do assunto da Missa).


Padre ou não padre.


(J. Ciro: Para o padre, não é?)


Para o padre também.


(J. Ciro: Padre ou não padre. Sim, está bem).


Para todo o mundo.

(J. Ciro: E esse folheto poderia ser deixado eventualmente para quem quiser).


Ah sim, sim, sim. Mas com todos os ares de circulação interna, não é?



1995


Em 29/5/95 o Sr. Rivoir enviou a Dr. Plinio uma consulta sobre se poderia citar o livro de AX --no tocante à infalibilidade das leis canônicas-- num trabalho que estava fazendo. Resposta de Dr. Plinio ditada ao Sr. Tamaki em 6/6 desse ano:


Diga que se ele puder encontrar citações convenientes sobre a mesma matéria em outros autores, será muito melhor. Mas se não encontrar citações assim, pode calmamente mencionar o AX, contanto que não inclua em seu texto nenhuma palavra de cortesia.


*


Em junho de 1995, tendo falecido a senhora mãe do Sr. Luiz Gonzaga, ele e sua irmã foram procurar um padre coadjutor com o qual a senhora tinha bastante amizade, para que fizesse a encomendação. No caminho, o Sr. Luiz e sua irmã acharam conveniente que a Missa de sétimo dia fosse na igreja de Nossa Senhora do Paraíso, de Rito Melquita.

Relatório do Sr. Luiz Gonzaga, 25/2/96:


Mas ao tratarmos da encomendação do corpo com o Padre Coadjutor, este, sem nada dizermos, ofereceu-se para celebrar a Missa de sétimo dia, escolhendo o dia e a hora (...).

Posta esta situação não era possível levantar nenhuma objeção. Devido às óbvias circunstâncias eu deveria estar presente, e desta forma consultei ao SDP sobre como proceder. (...) [Ele] disse-me: ‘você esteja presente, mas tomando uma atitude neutra, não responda às orações, reze o terço, e não comungue’.





C. Inclusive os documentos apresentados por JC confirmam a posição de Dr. Plinio e nossa


Os documentos acima apresentados (letras A e B) não são os únicos a respeito da Missa Nova.

Com efeito, a propósito da crise de janeiro – março de 1996, JC enviou aos Provectos uma compilação de textos de Dr. Plinio, dando a entender que a posição de nosso guia e mestre teria se abrandado nos últimos anos e que, em consequência, seriam lícitas certas atitudes que envolvem uma tal ou qual participação na Missa Nova.

Porém, bem analisados aqueles textos, percebe-se que:

(Cfr. Relatório do Sr. Ureta, pp.16,17).





II. Posições de JC e de seus discípulos


A. Desde data indeterminada, joaninos assistem com regularidade missas novas


Grafonema de Pedro Paulo Figueiredo a JC, de 22/3/96 (transcrito em “Juízo Temerário” p.122):


Efetivamente, 2 ou 3 pessoas do Grupo [da Espanha] assistem com certa regularidade as Missas dominicais celebradas “en el pueblo de Camarenilla”, onde se situa a sede de Toledo. (...) É preciso ressaltar que os membros do Grupo tem a recomendação de durante a mesma permanecer o mais discretamente possível.


Trecho do libelo "E Monsenhor Lefevre vive?" p.31:


[Na Espanha], em várias ocasiões, o Grupo teve de estar presente em atos públicos nos quais se celebrava Missa Nova.


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Em Portugal, inclusive em grandes cidades como Lisboa, para comungar durante a semana, os membros do Grupo tem instruções de chegar pontualmente à Missa e assisti-la, acompanhando as atitudes externas dos demais fiéis (independentemente de necessidades de acompanhar apostolandos) (Cfr. memorandum de 19/3/96 enviado pelos Provectos a JC).


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Proclamação de notícias, ANSA, 11/1/97 - Repercussões da peregrinação de uma imagem de Nossa Senhora de Fátima por residências particulares de São Carlos:


Conversando com um casal de correspondentes, uma senhora afirmou:-- Sempre me encanta vê-los com seus filhos rezando durante a Missa. Minha vontade era de me aproximar de vocês, mas sentia certo receio.




B. Em data indeterminada: JC ordena pesquisas em prol da Missa Nova


JC ordenou a uma comissão de estudos da TFP Norte-americana que pesquisasse reuniões e despachos do SDP a respeito do “Novus Ordo Missae”. Houve uma discreta divulgação dos textos selecionados, pois começaram a surgir, em diversos ambientes do Grupo, repercussões no sentido de que o SDP, nos últimos anos de sua vida, teria tomado distancia em relação às conclusões do livro de AX (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.6).





C. 1983: o Padre Vitorino discorda do livro de AX e JC assume idéias do referido Padre


Conversando com Dr. Paulo Brito, em fevereiro de 1996, JC contou que, já em 1983, quando foi apresentado ao Pe. Vitorino o problema da Missa Nova e do livro de AX, o Padre --que lera a obra em dois dias-- afirmou que a mesma estava cheia de erros.


Dr. Paulo Brito perguntou-lhe que tipo de erros o Pe. Vitorino apontara. JC respondeu que eram erros de citação.


Dr. Paulo Brito observou que apenas erros de citação não infirmam a essência de um livro, não invalidam os argumentos que este apresenta.


JC insistiu na posição do Pe. Vitorino quanto às citações.


Dr. Paulo Brito perguntou-lhe então como o Pe. Vitorino julgava a parte da obra que versa sobre a questão do Papa herege.


JC informou que o Padre dissera que a referida parte poderia ser jogada no lixo (1).

(Cfr. relato da conversa de Dr. Paulo Brito com JC, na Sede do Reino de Maria, em 17/2/96).


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(1) Dr. Plinio pensa o contrário. No SD 26/5/73, nosso Mestre Inerrante diz:

O Dr. Arnaldo põe, na introdução do livro dele, a exposição desse problema: o Papa é infalível ao decretar o novo Ordo Missae? (...)

Mas para estudar se o Papa é infalível numa coisa dessas, levanta-se outro problema: “se ele é falível, ele então pode cair em heresia? Como é que um Papa pode cair em heresia? Infalível e herético não são coisas que se excluem?”

Vem então todo o estudo dele, em que ele com base em santos, em teólogos, em doutores --inclusive na opinião de um cardeal que é um grande canonista, que é o Cardeal Journet (...)-- , [mostra que] o Papa é infalível quando ele fala “ex-cathedra” (...), quer dizer, invocando sua infalibilidade. Quando ele não invoca a sua infalibilidade e ele fala, ele não é infalível.

Diz muito bem Dr. Arnaldo no livro dele, entre outras coisas, o seguinte: quem não é infalível, é falível. Não há meio termo.

Se ele, quando não fala “ex-cathedra” é falível, pode, inclusive, cair em heresia. Porque, do contrário, a gente acaba admitindo uma infalibilidadezinha meio de contrabando. Quer dizer, isso não existe. Ou é infalível ou é falível.

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A data acima indicada (1983), bem como a posição assumida do Padre Vitorino, são confirmadas pelo próprio JC, no calhamaço “Juízo Temerário” (pp.24 ss.) , onde reproduz um grafonema que enviou a Dr. Plinio em 1/8/95. Nesse documento aparece mais um dado: quem esteve tratando com o Pe. Vitorino naquela ocasião, foi JC.


Venerável Senhor e Bondosíssimo Pai: Salve Maria!

(...) sobre nosso relacionamento com esses teólogos [NB: Vitorino, Royo, etc.], cardeais, etc., gostaria de alinhar algumas notas elucidativas, a fim de tranquilizar os mares revoltos de meu interior.

(...) Tratava-se de fazer amizades a fim de sobrevivermos de um possível naufrágio (...).

Depois do estabelecido o bom relacionamento com os teólogos e canonistas, já um tanto serenados os ataques contra vós [NB: estrondo Mutuca, mais ou menos 1983], desejastes fazer um teste com o Pe. Vitorino sobre o problema da Missa Nova. Por orientação vossa, entreguei-lhe o livro do AX. As reações produzidas pela leitura foram tais que vós recomendastes pôr panos quentes sobre o assunto e não brigar com ele a propósito. As conversas foram gravadas e vos foram lidas as palavras de sua zanga. Há uma série de outros comentários e episódios havidos com o Pe. Vitorino sobre a referidas temática (...) como por exemplo a sondagem que vós indicastes a ser realizada sobre a “Liberdade religiosa no Concilio Vaticano II”.


*


Ainda a respeito disto, temos uma Declaração do Sr. Luis Dufaur (26/8/98), de cuja idoneidade JC afirmou o seguinte: “Cada povo tem seu privilégio, cada povo tem as suas qualidades e há um povo que tem uma qualidade extraordinária e invejável que é de ter boa memória, saber fazer resumos estupendos e outras coisas mais --sem falar do donnaire, etc.-- e que é o povo argentino. E nós temos aqui uma mistura de argentino com francês --o Sr. Luis Dufaur--, que tem uma memória de ouro (....) ("jour-le-jour" 15/10/95):


1. Em nome do Padre, e do Filho e do Espírito Santo. Amém.

Eu, (...) declaro ser verdadeiro tudo quanto abaixo segue e assino. Tendo lido e relido este texto, declaro ser versão fiel de tudo quanto conservo na memória em relação aos fatos descritos. E, embora o recuo do tempo não me permita, obviamente, reproduzir ao pé da letra cada uma das palavras ouvidas nas ocasiões que passo a relatar, afirmo que os fatos e os conceitos abaixo referidos são expressão fiel de quanto ouvi e vi pessoalmente.

Durante o estrondo do “Mutuca” (...), o Sr. Dr. Plinio pediu a alguns camaldulenses de Jasna Gora lerem publicações dos sacerdotes que estavam sendo sondeados para efeito de obter deles um parecer. O Sr. Dr. Plinio queria apalpar a posição doutrinária e política em que eles se encontravam. ‘En aquel entonces’ recebi o encargo de ler e resumir vários artigos eruditos do Pe. Victorino Rodriguez OP, e alguns livros do Pe. Santiago Ramirez OP (que já tinha falecido), mestre do dito Pe. Victorino. (...)

Nas publicações então lidas e nos resumos que preparei para a Comissão de Leitores, patenteava-se --além da formação tomista que fez a sua reputação-- a evolução desse teólogo para uma atitude de diálogo irênico e relativista em relação às filosofias modernas em nome das recomendações do Concilio Vaticano II. (...)

Sem eu sabe-lo, também o Sr. Juan Carlos Casté --que naquela época era camaldulense em Jasna Gora-- recebeu encargo de ler outros artigos do dito sacerdote. E, sem nenhum contato recíproco, ele chegou à conclusão de se tratar de um falsa-direita, que ele censurou com adjetivos carregados.

Posteriormente, o Sr. Juan Carlos Casté foi trabalhar nos EUA e Europa (...)

O Sr. Casté acostumava vir em São Paulo todos os anos (...). Nessas ocasiões tínhamos assíduos contatos, e habitualmente pedíamos um despacho conjunto ao Sr. Dr. Plinio sobre rumos a dar às pesquisas de documentação e aos estudos.

No ano de 1991, o Sr. Dr. Plinio atendeu-nos no (...) segundo andar da rua Alagoas 350. O Sr. João Clá apareceu quando a reunião já tinha começado e o Sr. Dr. Plinio convidou-o a participar. Ele aceitou.

(...) No meio do despacho, o Sr. Dr. Plinio puxou, respeitosamente, o assunto do Pe. Victorino. Tal assunto nem constava da agenda que tinha sido lida para ele no inicio do despacho, nem na agenda havia temas que conduzissem a ele.

Fundado na documentação lida em anos anteriores (...), eu me exprimi em termos de censura ao Pe. Victorino, citando o material lido. O Sr. Casté acompanhou-me enfaticamente nesta censura. Porém, o Sr. João Clá mostrou visível desagrado com quanto estava sendo narrado, se originando então uma conversação tensa entre ele e o Sr. Dr. Plinio, que o próprio Sr. Dr. Plinio acabou desviando e reconduzindo aos assuntos da agenda.

Toda a conversação foi gravada pelo Sr. Casté e por mim.

No dia seguinte, o Sr. Casté procurou-me dizendo que a sua fita tinha saído mal gravada e queria ouvir a minha, e que não podia aguardar que eu a ouvisse antes. Disse-lhe que ainda não a tinha re-ouvido, e lhe roguei que tivesse cuidado com ela que eu queria muito faze-lo logo.

Pouco depois fui pegar a fita com ele, e ele disse-me que a tinha desgravado, que achava que eu já a tinha ouvido. Lembrei-lhe bem claramente o que tínhamos combinado. Ele teve uma queda em si, e pediu-me, visivelmente angustiado, que o perdoasse, que estava envergonhado do feito, mas tinha agido assim por instrução do Sr. João Clá Dias, que tinha achado que a fita era ‘muito puxada’.


2. Não conservo lembrança do dia exato, porém ficou-me gravada na memória, com segurança, de ter acontecido no ano anterior ao falecimento do Sr. Dr. Plínio Corrêa de Oliveira.

Estando na Sede do Reino de Maria, aguardando o início da reunião dita dos médicos, (...) fui chamado [pelo SDP]. (...) Após os cumprimentos costumeiros disse-me, subtancialmente:

Eu quero que você fique de testemunha do seguinte: o João está querendo publicar uma série de livros para os quais absolutamente não há condições. Padre Vitorino, essas coisas ... (e fez um gesto de desaprovação com a mão). Eu tentei dissuadi-lo mas não consegui. Eu quero que você fique como testemunha de qual era minha opinião para o que possa vir a acontecer”.


*


Depoimento de Dr. Luiz, abril de 1998:


Dr. Plinio disse em 83 a mim: "você não se iluda, o bom tratamento que [JC] está recebendo em Madrid [de parte dos padres Vitorino e Royo] é porque eles pensam que vai ser o sucessor". E nessa história é que entra o interesse. Ele mais ou menos deve ter percebido que se ele se apoiasse nesses dois, ele ficava sucessor. Desde aquele tempo. Então precisava adotar as idéias deles.





D. 1988: pressão sobre Dr. Plinio e “apostolado” em prol da Missa Nova


Declaração do Sr. Dufaur, 26/8/98:


Durante vários anos consecutivos, na década de 80, (...) dediquei-me a ler e resumir recortes e livros que enviava, em abundância, a ‘Sociedad Española de Defensa de la Tradición, Familia y Propriedad – TFP Covadonga’. (...)

Naqueles anos, por vezes, o Sr. Dr. Plinio enviava-me confidencialmente textos a serem publicados, para ver segundo palavras dele que conservo num bilhetinho autógrafo ‘se a multidão de recortes que você leu lhe aconselha que se substraia, acrescente ou modifique algo’. Certa feita convocou-me para um despacho. Não sei precisar a data com plena exatidão, mas afirmo com segurança ter sido antes da sua última viagem na Europa ocorrida em fins de 1988.

[Em] dito despacho (...) o Sr. Dr. Plinio quis que nada fosse registrado no gravador. Não tinha outras pessoas presentes na sala.

Inicialmente perguntou-me se sabia do parecer do Pe. Victorino Rodriguez OP a respeito do livro da Missa (‘Considerações sobre o Ordo Missae de Paulo VI’, publicado originalmente em 1970). Respondi que nada sabia. Ele disse ser uma pena, pois se ele tivesse sabido, o teria levado. Mas que iria me resumir com suas próprias palavras. Em síntese --explicou-- o Pe. Victorino Rodriguez tinha expresso um parecer segundo o qual o livro da Missa encontrava-se desatualizado.

A seguir explicou-me pausadamente estar sofrendo uma pressão do Sr. João Clá Dias e do Pe. Victorino no sentido de aceitar a Missa Nova. E externou o temor de que essa pressão degenerasse num estrondo contra a TFP.

Nessa perspectiva não imediata, o Sr. Dr. Plinio queria ir se preparando. E, como quem abaixo assina tinha lido muitas publicações espanholas, ele queria saber que meios haveria se de providenciar publicações do Pe. Victorino Rodriguez, e outra documentação na Espanha que interesasse ao caso. Esclareceu que não recorria diretamente à TFP Espanhola, pois supunha que ela não estivesse bem à par da situação, e que a comunicação dessa poderia causar um efeito contraproducente.

O Sr. Dr. Plinio disse que o livro efetivamente está desatualizado. Que o que devia ter sido escrito sobre o assunto desde a publicação do livro da Missa devia ser uma coisa imensa, como que inabarcável. E que ele não tinha nem as pessoas, nem os meios materiais, nem o tempo para fazer uma atualização. Mas que, se ele fosse posto contra a parede, confiava em que Nossa Senhora daria as pessoas, os meios e o tempo para fazer essa atualização.

Acrescentou que ele tinha a impressão de que se se fosse a estudar o problema da Missa e de tudo quanto foi feito em matéria litúrgica desde a publicação do livro da Missa, iria se destampar uma tal coisa que, depois de concluído o estudo, a TFP ficaria na obrigação de sair de público com um documento da magnitude da Mensagem contra o socialismo autogestionário, declarando que a Estrutura não é mais Igreja.

E que o dia em que essa publicação sai-se à lume, ele iria dormir tão tranquilo quanto naquela época dormia acima do livro da Missa desatualizado.

Ele acrescentou no fim que uma coisa para ele era certa: ‘eu não confio mais na ortodoxia do João’ (Clá Dias).

No despacho ficou decidido ir à procura da documentação interessante ao caso, existente em São Paulo e ver como obtê-la na Espanha.

Poucos dias depois, na camáldula de Jasna Gora, fui chamado pelo Sr. Fernan Luis Lecaros, então encarregado de disciplina. (...) Disse-me ele (...) que o Sr. Dr. Plinio tinha cambiado de idéia a respeito da Missa e que o Sr. João Clá Dias já tinha feito uma reunião no Praesto Sum para eremitas mais veteranos, com a finalidade de ir preparando o ambiente. Acrescentou ele que a fita dessa reunião estava circulando em Jasna Gora entre alguns e perguntou-me se queria ouvi-la. Eu não pude conter minha surpresa que externei na hora, mas disse que queria ouvi-la. Ele percebeu minha reação e disse que me a daria, após ser ouvida por outros que estavam na fila. Passaram-se os dias e não recebi a fita, pelo que voltei com ele. Ele disse-me que a fita tinha sido recolhida e que não estava mais em Jasna Gora, que ele acreditava que eu já a tinha ouvido.

Também no mesmo período, numa fita de uma refeição do Sr. Dr. Plinio em Amparo ouvi ao mesmo senhor dizer: ‘uma pessoa em cuja ortodoxia não confio me veio com a seguinte coisa’. O assunto a que se referia não tinha relação com o problema da Missa nem com o livro da Missa. Porém fiquei alarmado pelo inusual da declaração e por ter bem presente o despacho acima mencionado em que o Sr. Dr. Plinio utilizou expressão idêntica se referindo ao Sr. João Clá Dias.

Procurei então ao Dr. Luiz (...) e lhe perguntei quem era essa pessoa a que o Sr. Dr. Plinio tinha se referido. Respondeu-me lacônicamente: ‘João Clá’.

Após dar um inicio de andamento ao que ficara resolvido no despacho acima mencionado, perguntei ao Sr. Dr. Plinio, através de sua secretaria, como prosseguir o serviço. Recebi como resposta que tinha havido uma certa contemporização e que o serviço ficava em suspense ‘sine die’.

Estando o caso nas bonissimas e sapiencialíssimas mãos do Sr. Dr. Plinio, despreocupei-me dele, e continuei tocando a minha vida, sem voltar ao assunto.





E. Março de 1995 a janeiro de 1996: Missas Novas na Espanha


Relatório do Sr. Miguel da Costa Carvalho Vidigal (10/9/97):

[Estando eu na Espanha entre março e setembro de 1995, houve uma peregrinação até uma ermida vizinha de uma de nossas sedes]. O ponto culminante da peregrinação foi uma Missa campal, celebrada em frente da ermida segundo o Novo Rito de Paulo VI. Durante a celebração, o estandarte da TFP ficou desfraldado a um lado dos assistentes e alguns membros permaneceram de capa no meio do povo e respondendo às orações junto aos fiéis, enquanto outros ficaram afastados.

Tendo sido transferido pelo Sr. João Clá para a França, após o 3 de outubro, tive a oportunidade de passar 10 dias na Espanha, hospedado no Eremo de Toledo, (...) do 27 de dezembro de 1995 ao 8 de janeiro de 1996.

Ao chegar, um eremita (...) contou-me, meio brincando, ter havido algumas Missas Novas no referido Eremo. Efetivamente, durante os 10 dias que fiquei naquele local, houve a celebração de mais 3 Missas Novas. Em reuniões plenárias o Sr. Pedro Paulo disse que estava tudo consultado e que nada quanto se fazia lá era de cabeça própria. Por sua vez, o Sr. José Francisco Hernandez, como encarregado do Eremo, todas as 3 vezes em que essas Missas se realizaram, exigiu que todos participassem da Missa, respondendo e cantando. Ainda uma vez, quando os eremitas ‘brincaram’ com o cerimonial novo e ridicularizaram, apertou-os dizendo que não se devia fazer brincadeiras com coisas sérias.

(...) Uma das Missas foi celebrada pelo Pe. Royo Marin (...).

Ainda por aqueles dias, lembro-me ter ouvido as repercussões da caravana da imagem de Nossa Senhora de Fátima pelo país, e, segundo o relato dessas repercussões quando passaram para visitar o Pe. Royo, este soltou a seguinte exclamação aos membros do Grupo: ‘Imaginem que (fulano de tal) procurou-me para dizer que vocês não aceitavam a Missa Nova, que absurdo!!!’





F. Agosto de 1995: Eremitas itinerantes assistem Missas Novas no interior do Brasil


"Jour-le-jour" 2/11/95, Resenha do “Boletim de Combate” dos Êremos Itinerantes em 1995:


A pedido de um correspondente e com apoio logístico por ele preparado, um dos Êremos Itinerantes dirigiu-se a uma cidade de Minas, no último dia 15 de agosto, ali atuando até o dia 31.

O vigário da cidade ofereceu hospedagem e café da manhã na Casa Paroquial, mas para não incomodá-lo, os filhos do Senhor Doutor Plinio obtiveram alojamento na sede dos Vicentinos.

Procuraram o pároco, mas encontraram apenas o padre coadjutor, ordenado há apenas três anos, que os atendeu bem e gostou muito do livro do Rosário, o qual lhe foi ofertado.

Como insistisse por três vezes em que vossos filhos falassem da campanha na Missa daquela noite, foi-lhe proposto um texto que explicava o que é a TFP, seu Fundador e a importância do livro do Rosário. O sacerdote o leu e estimulou o público a adquirir o livro sobre o Rosário, o que realmente se deu após a Missa.

Embora não conseguissem contatar ainda o pároco, os eremitas itinerantes foram a uma das missas, à qual estavam presentes cerca de 700 pessoas. (...)





G. Outubro – novembro de 1995: Missas Novas na Espanha e Portugal


A Missa oficial da TFP-Covadonga pelo repouso eterno da alma do SDP foi celebrada no convento de “S. Domingos el Real” no novo rito, tendo havido convite público pela imprensa e tendo assistido maciçamente os membros do Grupo de lá (do que mais tarde deu testemunho “Covadonga informa”). (Cfr. memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96)

Em Madri e em Lisboa, as Missas de trigésimo dia pela alma de Dr. Plinio, foram celebradas segundo o Novo Rito (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.6).

Dir-se-ia que o comparecimento a essas celebrações se deu para evitar um problema maior. Mas então como explicar que as TFPs respectivas tenham convidado o público pela imprensa, tenham noticiado o evento em seus boletins respectivos, e os membros desses Grupos tenham comparecido em massa, usando nossas insígnias e estandartes? Se essa foi uma situação constrangedora, por que fazer propaganda delas? (Cfr. carta do Pe. David aos padres de Campos, 12/1/98).


H. Janeiro – fevereiro de 1996: Missas Novas na Costa Rica e na Espanha


Relata o joaniento Fernando Gioia, encarregado do Grupo da Costa Rica:


Durante o mês de janeiro [de 1996], realizou-se outra caravana de difusão da segunda edição do livro de Fátima. (...) encontramos numerosos sacerdotes abertos à ação da TFP, que acabavam de conhecer, e alguns até nos convidavam a explicar a campanha depois do sermão ou no final das Missas.

(Cfr. Proclama do dia 2/3/96, no ANSA)


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Fala JC numa reunião que fez na França, no 24/1/96:


Agora aqui outra notícia que vai deixar os senhores pasmos. Quem escreve é o D. Javier Gonzalez, de Toledo.

Para transmitirle algunas noticias (...) sobre la venida del Rey de los Reyes hoy al Eremo, para quedarse definitivamente, oficialmente, con nosotros.

Como ya debe ser de su conocimiento, hubo un día que D. Gustavo Campos pasó por la Catedral de Toledo,...


Sabem como é que foi a coisa? Eu vou contar para os senhores como é que foram os pródromos desse acontecimento.

O Sr. Steven Schmieder estava em Madrid [para ver se era o caso de fazer o álbum da Sra. Da. Lucilia nos Estados Unidos].

O Sr. Steven esteve, então (...) pela cidade de Toledo andando para cá e para lá e entrou na catedral. Entrou na catedral, viu um confessionário com um monsenhor dentro e disse: "Vou aproveitar para me confessar". Ajoelhou-se e confessou. (...)

Terminou a confissão, o padre saiu do confessionário e começou a conversar com ele:

- Mas vocês têm uma sede aí, não têm?

- Sim, sim temos.

- E vocês têm Santíssimo lá?


Ele ficou meio atrapalhado e disse:

- Olhe, eu não sou daqui.

- De repente eu poderia conseguir Santíssimo para vocês.


Milagre, milagre.


(Sr. F. Antúnez: Sem dizer nada.)


Milagre. Então o Sr. Gustavo Campos começou a conversar com o homem e vem isto aqui.


Como ya debe ser de su conocimiento, hubo un día que D. Gustavo Campos pasó por la Catedral de Toledo, y se acercó al confesionario de D. Sabino, Vicario General de Toledo para las Religiosas. Éste le preguntó que cómo estaba la capilla, pues en cuanto estuviera lista iba para celebrar la Misa y dejar ya reservado el Santísimo. Que la autorización la daba él, etc.

(...) Hoy, como estaba combinado, fueron unas 10 ó 12 personas a Toledo a la Misa Pontifical en la Catedral, por ser la fiesta de San Ildefonso.

A las 13:30 horas estaba combinado que comenzaría la misa aquí en el Eremo.

De fuera del Grupo se invitaron a algunas señoras más simpáticas de aquí del pueblo de Camarenilla. (...). También estuvo presente el Párroco de Camarenilla.

El Vicario General, D. Sabino, lo primero que hizo fue leernos el decreto de erección del Oratorio:


(...) Por el presente, venimos conceder la licencia para queen el Oratorio, que hoy se erige, pueda celebrarse la Eucaristía y tener reservado el Smo. Sacramento, debiendo observarse las prescripciones canónicas relativas al cuidado y renovación de las Sagradas Especies.

Dado en Toledo a 23 de Enero de 1.996. Solemnidad de San Ildefonso.

(Sello de: Arzobispado de Toledo - Vicaria Vida Consagrada; y firma)


Para os senhores aqui ajuda isso.

... después pasó a bendecir la capilla, el sagrario, y los objetos sagrados. Ahí comenzó la Misa. (...)Después pasó a leer el decreto nombrando tres ministros extraordinarios de la Eucaristía (...).

Es curioso, pero muchísimos de los sacerdotes con los que el Sr. João ha tenido contacto, y que tanto apoyo nos han dado, han sido profesores de él, por ejemplo el P. Arturo Alonso Lobo, el P. Armando Bandera. Y conocía a muchos otros que son también muy simpáticos al Grupo. (...)


Então os senhores vêem que saiu. Por incrível que pareça.

(Mário Beccar: Iniciativa dele ou recebeu ordem dos superiores?)

O que tem é o seguinte: é que o arcebispo novo de Toledo é íntimo amigo do Pe. Victorino. (...)

(Cfr. "jour-le-jour" 24/1/96)


Então, Steven Schmieder --em código “Gustavo Campos”--, andando pelas ruas de Toledo, se lhe ocorreu confessar-se. Por coincidência, o confessor era o Vigário Geral da cidade, que, “de motu propio”, ofereceu regularizar a presença do Santíssimo no Eremo ...

Também por coincidência, o padre resultou ser muito chegado aos sacerdotes amigos de JC; enquanto Schmieder era um dos encarregados de fazer tratativas para a transformação da TFP numa ordem religiosa.

O joanino Javier Gonzalez, autor do grafonema, fala da celebração de Missas --segundo o Novus Ordo, certamente-- na capela do Eremo; e do comparecimento de 10 ou 12 cooperadores à Missa Pontifical na catedral.


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O encarregado do Grupo da Espanha reconhece que, para facilitar os contatos com o Clero, mandou construir no Eremo de Toledo um altar, no qual a parte que se usa para celebrar Missa fosse destacável da parede, de modo a poder ser usado como “mesa” para a celebração “versus populum” por Sacerdotes visitantes (1). (Grafonema de Pedro Paulo Figueiredo a JC, 23/3/96).


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(1) Ao considerar que há sacerdotes do Opus Dei e Oratorianos que celebram a Missa Nova em altares “versus Deo”, a primeira vista não se entende por que razão na capela do Eremo de Toledo o pessoal de JC quis fazer um altar “versus populo”. Bem podiam ter feito um altar “versus Deo”, mandavam celebrar todas as Missas Novas que quisessem, e evitavam problemas.

Mas se explica levantando a seguinte hipótese: eles queriam fazer uma coisa para mostrar a seus contatos eclesiásticos e dar a eles uma boa impressão.

(Cfr. relatório do Dr. Mário Navarro, 6/7/97, p.6).

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A respeito do assunto anterior, temos o seguinte relatório de uma das pessoas que ajudou na reforma da capela do Eremo de Toledo, o Sr. José Arturo Maestas (12/8/97):


[Perguntei] ao Sr. Thomas Walsh por que os planos mostravam o altar da capela como sendo destacável. A resposta foi a de estar ‘cumprindo ordens’. Não satisfeito com essa resposta, [perguntei] para a pessoa encarregada, o Sr. Alvaro Navarrete, sobre os planos e, mais uma vez, obtive a mesma resposta: ‘cumprindo ordens’. Pouco depois (...) don José Francisco (...) declarou explicitamente que a razão do altar ser móvel era para se o Bispo ou padres de Toledo viessem celebrar Missa (...).

No começo de fevereiro [de 1996], apesar de a capela não estar inteiramente terminada, todo o mundo no Eremo, assim com as pessoas de outras sedes, foram notificadas e convocadas para assistir à Missa que seria celebrada no Eremo pelo Cônego da Catedral de Toledo. (...)

[Para essa Missa] vários correspondentes de toda a Espanha foram convidados, assim como alguns residentes do povoado de Camarenilla [onde está situado o Eremo]. Percebe-se que [os dirigentes de Covadonga] quiseram tirar um grande proveito de [dita celebração].

[Dias mais tarde, na quarta feira de cinzas, 21 de fevereiro], don José Francisco Hernández Medina, encarregado de disciplina do Eremo, anunciou que uma ‘Missa’ seria celebrada naquele dia e que todo o mundo estava convocado, e a ordem era estarem presentes como um especial apostolado para com o Sr. João Clá, que na época estava no Brasil e tinha pedido para que todos os membros assistissem à Missa que seria celebrada por um padre da Catedral de Toledo. Essa segunda Missa também foi celebrada segundo o ‘Novus Ordo’.





I. Janeiro – abril de 1996


1. Pressão exercida sobre Dr. Paulo Brito


Na reunião de 11 de janeiro de 1996, no ANSA, Dr. Paulo Brito comentou que Dr. Plinio, “ad instar” do Profeta Jeremias, também fora combatido pelo Poder Espiritual. Lembrou a posição que na TFP os sócios e cooperadores temos perante a Missa Nova. E contou que, quando Dr. Plinio apresentou ao Grupo as conclusões do livro de Dr. AX sobre a Missa (junho de 1970), abria-se para nós a possibilidade de uma polêmica que poderia levar a uma resistência e a um holocausto. Como sinal da disponibilidade inteira ante essa perspectiva, Dr. Plinio sugeriu que os presentes guardassem, em suas carteiras, um pedaço de cortina roxa que revestia a parede atrás de sua cadeira (1) (Cfr. Relatório do Sr. Ureta p.7)


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  1. O fato de JC ter ordenado que esse trecho da conferência de Dr. Paulo Brito fosse suprimido no texto que normalmente é enviado aos diversos Grupos, constitui um sério indício de que ele não quer que esse assunto se levante nem mesmo dentro de casa, entre nós.

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Terminada a conferência, André Dantas procurou a Dr. Paulo Brito para lhe disser que a TFP não tem posição oficial nessa matéria (1); que seria bom evitar levantar polêmicas nesse campo --sobretudo em consideração aos Padres Vitorino e Royo, os quais são favoráveis ao Novus Ordo--; e que na Espanha, por norma do SDP, os apóstolos poderiam assistir à Missa Nova para acompanhar os apostolandos. (Cfr. reunião dos Provectos 14/1/96 e Relato confidencial de Dr. PB da conversa que teve com JC em 17/2/96)


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(1) Segundo o joanino, Dr. Paulo Brito teria dito “a posição oficial da TFP é ...”. Mas a palavra “oficial” não se encontra no texto da reunião respectiva (11/1/96). (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.7).

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André Dantas ficou de dar a Dr. Paulo Brito um texto que servisse de base para uma retificação a ser apresentada na próxima conferência: um documento enviado pela TFP Espanhola aos Bispos, a respeito de Dom Corso (1).(Cfr. reunião dos Provectos 14/1/96 e Relato confidencial de Dr. Paulo Brito da conversa que teve com JC em 17/2/96)


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(1) Nesse documento não havia uma referência direta à Missa, mas apenas uma alusão vaga às reformas litúrgicas.

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Isso ocorreu numa quinta feira. No sábado seguinte, Dr. Paulo Brito, que lê habitualmente os artigos da “Folha”, encontrou providencialmente o de 27/5/73, onde Dr. Plinio disse que a TFP “se solidarizou” com o livro de Dr. Arnaldo Xavier. Então mostrou o referido artigo a André Dantas e explicou que por essa razão não julgou necessário fazer a retificação que lhe pedira. (Cfr. Relato confidencial da conversa de Dr. Paulo Brito com JC em 17/2/96).

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Em mediados de fevereiro houve uma conversa de JC com Dr. Paulo Brito. Na ocasião, este lembrou:

- as normas dadas por Dr. Plinio, em dezembro de 1969, após um simpósio sobre o livro de AX, a respeito da atitude pública que os membros do Grupo deveriam tomar perante a Missa Nova;

- que quando o SDP era consultado sobre a liceidade de assistir Missa Nova por razões sociais inelutáveis, ele recomendava uma atitude que manifestasse presença apenas física --por exemplo, recitando o terço;

- que ao serem publicados na revista “30 Giorni” os artigos sobre a influência da maçonaria na promulgação da Missa Nova, o SDP comentou a matéria em Reunião de Recortes e sugeriu que fossem distribuídos tais artigos nos países europeus onde essa revista não circulava;

- assim que o SDP soube da celebração de uma Missa Nova na sede de Bogotá, enviou um enérgico grafonema de repreensão aos dirigentes da TFP Colombiana. O erro deles foi acharem que a obtenção da presença do Ssmo. Sacramento na sede justificaria uma concessão no tocante à Missa Nova.

(Cfr. relato confidencial de conversa de Dr. Paulo Brito com JC, em 17/2/96)


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Em 23/2/96, JC escreve uma carta a Dr. Paulo Brito: “tomo a liberdade de lhe enviar as próprias palavras proferidas pelo Sr. a 11/jan/96, no Auditório (...), a fim de o Sr. poder focalizá-las em função das últimas normas a respeito do assunto, ditadas pelo SDP, mais recentemente. Ser-lhe-á fácil perceber como ‘de aquel entonces hasta hoy’, o quanto mudaram as situações”. E anexou uma série de textos do SDP que corroborariam sua posição.

Atendendo esse pedido de focalizar o assunto à luz das últimas normas dadas pelo SDP, e visando favorecer um verdadeiro consenso entre todos os membros do Grupo em um ponto tão grave, Dr. Paulo Brito fez um estudo dessa compilação --mas também de outros textos do SDP que JC não incluiu nessa remessa -- e chegou à conclusão seguinte:

A posição do SDP a respeito da Missa Nova manteve-se imutável; o SDP apenas definiu mais alguns casos em que seria licito assistir, por necessidade e para evitar o “escândalo dos fracos”, Missas celebradas segundo o Novus Ordo, mantendo porém a obrigação estrita de não tomar parte ativa nas mesmas.





2. Pressão exercida sobre Dr. Caio


Em 14/1/96, André Dantas --secretário de JC-- procurou Dr. Caio para lhe dizer que na Espanha a política de aproximação da TFP Espanhola com o Episcopado estava obtendo grande proveito, dando a entender que conviria à TFP Francesa fazer o mesmo na França. (Cfr. reunião dos Provectos 14/1/96).

No dia seguinte, houve 3 conversas entre Dr. Caio e André Dantas.

Na primeira (às 10:00 horas), Dr. Caio disse que na França nós não podemos tentar nos aproximar do Episcopado, pois este exigiria ato continuo que aceitássemos a Missa Nova; que nossa resposta teria que ser não; que essa “démarche” acarretaria: a) uma substituição do atual “modus vivendi” por um rompimento; b) talvez também um cesse das atividades da TFP Francesa. (Cfr. Relatório de Dr. Caio, 16/1/96).


O secretário de JC insistiu para que amolecessemos nossa posição em face da Missa Nova; para que a TFP Francesa se aproximasse do Episcopado; e acrescentou que seria interessante um contato com o novo Núncio em Paris, “amigo do Pe. Vitorino”. (Cfr. idem).

Perante a resposta negativa de Dr. Caio, André Dantas lhe disse que talvez poder-se-ia continuar com a mesma posição a respeito da Missa, mas procurando “uma certa distensão em outros pontos” ... Dr. Caio teria respondido que “isso representaria uma impossibilidade de continuar atacando a Estrutura como eles [a TFP Francesa] vem fazendo até agora. E deu como exemplo o recente mailing proposto pelo SDP contra Mons. Duval, Presidente da Conferência Episcopal, a propósito de um protesto contra blasfêmias”. (Cfr. grafonema de André Dantas para JC, de 16/1/96, entregue por JC ao Dr. Mário Navarro).

Às 16:00 horas, André Dantas liga para Dr. Caio dizendo que esteve falando com JC pelo telefone para tratar “de outro assunto”; que aproveitara a ocasião para lhe contar a conversa das 10:00 horas; e que JC recomendou-lhe de mostrar a Dr. Caio uma série de textos do SDP sobre a Missa. Então Dr. Caio e André Dantas combinaram uma terceira conversa, para as 20:30 (Cfr. Relatório de Dr. Caio, 16/1/96)

Nessa terceira reunião, André Dantas leu rapidamente a Dr. Caio:

- três folhas datilografadas de “afirmações do SDP” --na realidade eram um texto-grafonema composto por JC-- aconselhando concessões em matéria de Missa Nova e em matéria de relacionamento com o Episcopado (Cfr. idem);

- meia dúzia de páginas com palavras do próprio SDP --ao que parece--, que na realidade não eram senão “de la poudre aux yeaux” para corroborar as teses lidas anteriormente (Cfr. idem);

- e por fim, um texto de instruções “do SDP” a respeito de uma aproximação nossa com o Opus Dei (1), que nada tinham a ver com a questão Missa Nova. André Dantas ao ler esse documento, deu-lhe muita importância (cfr. idem).


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(1 Desconhecemos este texto. Mas é extremamente duvidoso que fale no sentido de aproximação com essa Entidade. O que sim sabemos é que Dr. Plinio fez a seguinte advertência:

O Opus Dei tem um fundo de esperança de acabar pinçando a TFP. Eu acho que a esperança provém de minha idade: que eu morra de um momento para outro e que a TFP se deixe atrair por eles. Vocês estão vendo bem por onde. De maneira que eles não vão atacar de frente. (Cfr. Reunião para os encarregados do apostolado na Espanha, 3/10/89)

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Concluindo a conversa, André Dantas reconheceu que os Padres Vitorino e Royo tinham celebrado Missa Nova e que os membros do Grupo “apenas as assistiram”. Mas evitou dizer que a TFP Espanhola anunciou a Missa de Sétimo Dia, pela alma do SDP, convidando o público. (Cfr. idem).





3. Parecer do Padre Vitorino


Ao terminar um informe sobre estas tratativas, enviado a JC por André Dantas, este disse: “Não sei o que o senhor pensa, mas talvez fosse interessante pedir a algum tio que fizesse o elenco dos pontos falhos do livro do AX, a fim de o Sr. fazer ver aos mais velhos que não de trata de uma fortaleza inexpugnável, como eles acreditam”. (Cfr. grafonema de André Dantas para JC, 16/1/96, entregue por JC ao Dr. Mário Navarro).

O “tio”, era o Pe. Vitorino. Ele afirma ter redigido o parecer a pedido de JC, e para que este oriente suas bases em sentido favorável à Missa Nova:


He revisado (...) el estudio (...) de Arnaldo Xavier da Silveira, “Implicaciones teológicas y morales del Nuevo Ordo Missae”.

Si no me falla la memória, ya lo habia leído, en su original português, hace unos años. Ahora me lo remite Ud. en español con el ruego que le manifieste mi parecer sobre él. No puedo negarme a hacerlo, aunque sea en trazos muy generales. Recuerdo que cuando leí este estudio en su primera edición portuguesa mi impresión fué de muchas reservas y de desaprobación general en su actitud de rechazo absoluta el “novus ordo Missae”. Ahora quiero manifestarle mi impresión y apreciación general.

(...)

Esto es lo que se me ocurre apuntar ahora. No sé si le basta para sus necesidades de orientación de sus gentes.


Dr. Paulo Brito, ao estudar e analisar o parecer do Pe. Vitorino, mostrou que é apressado, superficial e desprovido da isenção de ânimo, absolutamente insuficiente para abalar nossa adesão às conclusões do livro (Cfr. memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96, p.23).





4. JC nunca ouviu dizer que o livro de AX contem erros, e em nenhum momento de sua vida manifestou a menor inclinação pela Missa Nova


Em 21/3/96, poucas horas depois de ter recebido a carta e o memorandum dos Provectos, JC, num telefonema para o Coronel Poli, disse nunca ter ouvido dizer que o livro de AX contem erros (Cfr. relato do Coronel, 21/3/96).


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Em 3/4/96, no calhamaço “Juízo Temerário” (pp. 40, 41,43,50, 150, 151), referindo-se à conversa com Dr. Paulo Brito realizada em mediados de fevereiro, JC disse:


Em nenhum momento afirmei ser eu favorável ou sequer simpático à Missa Nova. Se for preciso juro sobre os Evangelhos que minha opinião sobre esse tão delicado tema é exatamente a de Meu Senhor Sacral e tenho certeza absoluta de que ninguém poderá jurar em sentido contrário.

(...) EM NENHUM MOMENTO DA CONVERSA COM DR. PAULO BRITO --NEM EM TODA A MINHA VIDA-- CHEGUEI A MANIFESTAR A MENOR INCLINAÇÃO PELA MISSA NOVA.

(...) qualifiquei de absurda a suposição de que eu seria favorável à Missa Nova (...).

Afirmei-lhe taxativamente [a Dr. Paulo Brito] --E SE FOR PRECISO PROCLAMALO-EI AO GRUPO INTEIRO-- que nunca pus em dúvida o problema da iliceidade da Missa Nova. (...) Se o Cônego José Luiz me autorizar, farei um juramento público, diante de toda a TFP, com a mão sobre o Evangelho e sobre a relíquia do Santo Lenho, de que minha opinião e convicção sobre a Missa Nova coincide em gênero, número e grau com a de nosso Pai e Fundador.

(Nota: as maiúsculas são de JC)


Mais adiante, referindo-se à reunião de Dr. Paulo Brito, no ANSA, em janeiro de 1996, quando lembrou nossa posição perante a Missa Nova, JC afirma:


O senhor me perguntará: “o que eu afirmei de errado nessa reunião no ANSA”? Eu respondo: Nada!

(Cfr. Juízo Temerário, p.184)





5. Joanista entrosado afirma ter horror, repulsa e animadversão à Missa Nova


Na Semana Santa de 1996, os folhetos que os cúmplices de JC distribuíram no ANSA, para que os membros do Grupo acompanhassem as cerimônias respectivas, continham concessões à liturgia progressista.

A seguir, transcrevemos as observações que Dr. Paulo Brito encaminhou a JC (não sabemos a data exata, mas é certo que foi antes do 25/2/97):


Carissimo Sr. João

Salve Maria!

[Considerando que os encarregados das cerimônias de Semana Santa provavelmente devem, dentro em breve, começar os preparativos para sua realização], tomo a liberdade de escrever-lhe para prestar minha modesta contribuição, com vistas ao maior esplendor dos atos comemorativos da Paixão Sacrossanta de Nosso Senhor. Tal contribuição consiste na sugestão de certos aperfeiçoamentos ao progresso verificado no ano passado.

Com efeito, nos folhetos distribuídos para o acompanhamento das cerimônias (...) certos lapsos acabaram por infiltrar-se em tais comentários. Caso o Sr. tenha a intenção de se servir desses textos ainda este ano, conviria corrigi-los para evitar eventuais chicanas que espíritos malévolos poderiam fazer.

Eis aqueles que, numa leitura mais detida, consegui perceber:

(...)

2. Na página 15 do mesmo folheto, lê-se: “A Santa Missa [de Quinta Feira Santa] atualmente comemora, ao mesmo tempo, os vários atos de Nosso Senhor na Sagrada ceia”.

A expressão “ao mesmo tempo” parece estabelecer uma certa paridade entre os vários atos praticados pelo Redentor na Santa Ceia.

(...) [Ora, o aspecto fundamental da cerimônia --o sacrifício, mediante o qual o Deus humanado, ao mesmo tempo Sacerdote e Vítima, é imolado, não de modo cruento, mas real e místicamente--] se sobrepõe a todos os outros atos praticados pelo Divino Mestre neste dia: o lava-pés, a ceia da páscoa, a instituição do Sacramento da Eucaristia.

3. À página 9 do folheto “Sexta Feira Santa”, o primeiro parágrafo formula-se assim: “Hoje é o único dia do ano em que não se pode celebrar a Santa Missa. Comemora-se o Sacrifício da Cruz apenas com leituras, Orações, Adoração do Santo Madeiro e Comunhão”.

Na página 35 do referido folheto, a mesma idéia está presente mais explicitamente, na seguinte frase: “O Sacrifício [da Cruz] foi consumado. Por isso a Igreja [na Sexta Feira Santa] não quer outro sacrifício comemorativo ou rememorativo da morte real”.

A idéia expressa nas frases acima é inteiramente ortodoxa e muito bela (...). Porém, em meio ao dilúvio liturgicista que submergiu quase todos os ambientes católicos especialmente depois da edição do ‘Novus Ordo’ da Missa --dilúvio este que favoreceu um clima de simpatia pela tese protestante segundo a qual a Missa é uma ‘mera comemoração’-- o agere contra inaciano (tão caro ao Sr. Dr. Plinio) recomenda que se evite o uso de tais expressões (...). Poderiam elas induzir espíritos menos advertidos a seguir o erro dominante.

4. Ainda na página 9 do mesmo opúsculo, parece-me incorreto o uso da palavra renovar em lugar de celebrar : “A seguir, neste dia de dor, em que Nosso Senhor faz seu holocausto cruento na Cruz, a Igreja não quer renovar o sacrifício incruento”.

Não se renova o Sacrifício incruento da Cruz, que é a Missa, mas sim, celebra-se a Missa. (...)

5. Na página 2 de cada um dos folhetos, a qual é encimada pela frase “livros utilizados para a compilação do presente folheto”, há uma bibliografia que pode induzir em erro os leitores.

De fato, além de várias outras obras, figuram textos litúrgicos usados por João Paulo II na Semana Santa de 1992 (...), assim como dois opúsculos: “Semana Santa – Anos A, B, C, comentários e sugestões pastorais elaborados por D. Marcelo Barros, OSB” (...) e o “Hinário Litúrgico da CNBB” (...).

A inclusão de tais referências na bibliografia dos folhetos pode levar uma pessoa menos bem formada a achar --erroneamente-- que o autor daqueles não tem objeções doutrinárias quanto ao “Novus Ordo” da Missa (as celebrações de João Paulo II), bem como em relação ao conteúdo agressivamente liturgicista dos mencionados opúsculos. (...)


Anexo I - Algumas observações sobre os opúsculos

1. “Semana Santa - Anos A, B, C, comentários e sugestões pastorais elaborados por D. Marcelo Barros, OSB” (...)

2. “Hinário Litúrgico”, CNBB (...)


No primeiro opúsculo em epígrafe, lê-se à página 66: “Esta Missa [do Crisma, na Quinta feira Santa], que o Bispo concelebra com os padres da diocese e os agentes de pastoral, como também com as comunidades vivas de sua Igreja (...)”

[Trata-se de] uma asserção formalmente herética (...). Pois “agentes de pastoral” e membros das “comunidades vivas” da diocese, sendo leigos, não podem concelebrar com o Bispo diocesano, uma vez que não receberam o Sacramento da Ordem.

O mesmo opúsculo, à página 102, apresenta a seguinte formulação: “Hoje celebramos, como antecipação da Páscoa definitiva, a Santa ceia, comendo do pão puro sem fermento (...).

Formulação análoga se encontra à página 10 do “Hinário Litúrgico” da CNBB, supra citado: “E celebrar com satisfação inédita a Ceia do Cordeiro imaculado, nossa Páscoa, comendo do Pão não fermentado (...)”.

Ora, essas duas publicações, ao se referirem à Eucaristia na Missa de Páscoa, não só se esquivam de enunciar o aspecto principal do Sacramento --a renovação do Sacrifício do Calvário-- mas vão muito além em seu afã de contentar os protestantes.

É sabido que na consagração, durante o Sacrifício da Missa, opera-se a transubstanciação, isto é, a substância da hóstia (o pão não fermentado) desaparece, dando lugar à substância do Corpo e do sangue do Redentor; permanecem, contudo, os acidentes da hóstia, perceptíveis por nossos sentidos.

Na verdade, ao contrário do que asseveram os dois aludidos opúsculos, jamais qualquer homem --sacerdote ou leigo-- comeu (ou comerá) “do pão puro sem fermento” durante a Missa, pois, comungando, come o Corpo de Nosso Senhor, o qual, constitui a substância da hóstia consagrada. (...)

[Na ceia protestante] não se opera a transubstanciação e, de fato, se come “o pão puro sem fermento” (...).

(...)

Além de graves desvios doutrinários, os mencionados folhetos referem-se a inusitadas práticas litúrgicas e apresentam textos com sabor de luta social.

Como exemplo de tais práticas, leia-se o seguinte comentário sobre a cerimônia do lava-pés, na Quinta Feira Santa, à página 72: “Em várias comunidades tem participado do lava-pés tanto homens como mulheres. Outras tem feito, no primeiro momento, com 12 pessoas e depois ampliam para mais gente da comunidade --e até coordenadores e não só o celebrante fazem o gesto: no primeiro momento, só o padre; depois, outros o fazem, na obediência à palavra do Senhor”.

A admissão de mulheres na cerimônia do lava-pés constitui inovação que (...) é mais um avanço na participação desse sexo em cerimônias litúrgicas.

O ato de lavar os pés, que deveria ser privativo do sacerdote oficiante (...) é exercido também por leigos --os “coordenadores”-- : mais um sintoma da tendência igualitária de nivelar sacerdote e fiel.

(...)






Resposta do joanino Jimenez, encarregado da elaboração dos folhetos:


São Bento, 25/2/97

Caríssimo Sr. João

Salve Maria!

Peço desculpas por demorar tanto em responder à carta do Dr. Paulo Brito (...).

2. Quanto à expressão “ao mesmo tempo” –-na frase: “A Santa Missa [de Quinta Feira Santa] atualmente comemora, ao mesmo tempo, os vários atos de Nosso Senhor ma Sagrada Ceia”-- vejo que ela é simplesmente supérflua nesse contexto, e a sua introdução foi, enquanto tal, um lapso de redação.

(...) Em todas as línguas introduzem-se às vezes locuções (chamadas em castelhano ‘expletivas’), que simplesmente servem para modular a frase, e são destituídas de qualquer significativo. Entretanto, a procurar algum significado, eu não partiria desde logo para as duas interpretações que conduzem a uma afirmação teológica errônea, mas a entenderia no sentido equivalente a “numa só cerimônia”. Com toda honestidade de consciência, isto foi o que eu quis dizer, sem nem de longe pretender estabelecer uma ‘certa paridade’ entre os diversos atos praticados por Nosso Senhor.

(...)

Doravante (...) não utilizarei uma formulação que, nem por sombra, possa parecer uma concessão aos horrores liturgicistas.

3. Uma vez que o Dr. Paulo Brito considera inteiramente ortodoxo e, em si mesmo legítimo, o emprego das expressões “sacrifício comemorativo ou rememorativo” (...) se for composto um novo folheto para a Semana Santa, atenderei a cuidadosa recomendação dele.

4. A expressão “renovar o sacrifício incruento” é certamente defeituosa, e deveria ter sido corrigida. (...)

5. Quanto à inclusão na bibliografia de textos liturgicistas e de cerimônias de João Paulo II, concordo que teria sido melhor não incluí-los, para manifestar-mos nosso horror em relação ao Novus Ordo Missae, ao qual tanta animadversão tomei desde que o próprio Dr. Paulo Brito, nas priscas eras de minhas primeiras vindas a São Paulo, explicou-me seu significado.

A intenção dessas referências (...) não implicava em nenhuma recomendação desses livros (...).

É para mim difícil imaginar que um membro do Grupo (...) não saiba discernir, logo à primeira vista, a perversidade dos erros litúrgicos presentes nessas publicações.

Não houve, portanto, (...) nenhuma intenção de fazer propaganda desses livros, e muito menos qualquer vestígio de cumplicidade com os erros litúrgicos nele contidos.

Entrou talvez um certo hábito europeu que me levou a querer indicar as fontes que serviram para confeccionar o folheto, esquecendo-me que alguém poderia interpretar isto como uma falha, por não manifestar o óbvio horror pela liturgia contida nessas publicações.

De qualquer modo, agradeço a advertência do Dr. Paulo Brito, que me fará ter mais em vista, daqui para a frente, a necessidade de manifestar em toda ocasião a repulsa pela liturgia conciliarista (1).

Por tudo isso, caríssimo Sr. João, só me resta agradecer de todo o coração o trabalho que o Dr. Paulo Brito teve em apontar os lapsos existentes no folheto, os quais serão corrigidos com todo o empenho, caso seja preparada uma edição para este ano.

Lamentando o tempo perdido por tanta gente em razão desses lapsos, encomendado-me às suas orações, (...) (2).


Comentários:

  1. Se Jimenez tem horror e animadversão ao Novus Ordo Missae, considera perversos os erros litúrgicos contidos nos livros que usou para confeccionar o folheto, tem horror pela liturgia contida nessas publicações, e repulsa pela liturgia conciliarista, não se entende por que é que se abeberou em fontes tão censuráveis. É difícil não ver nisso uma mentalidade relativista.

  2. Para esse fiel discípulo de JC, velar pela integridade doutrinária da TFP é “perder

tempo”? E lamenta isso? Será que ele --que banca de radical e de fervoroso-- não gosta do seguinte princípio (Santo do Dia, 26/10/70), lembrado pelo seu senhor JC no "jour-le-jour" 18/6/96? Ou talvez goste, mas à maneira do “horror” relativista que disse ter aos erros litúrgicos:

Quem nega uma verdade, ao mesmo tempo, desencadeia uma paixão que basta para pôr todo o resto em rumor e para construir subitamente uma heresia completa que negará vigorosamente todas as verdades e dará mão a todos os erros. (...) Toda verdade contraria no homem concebido no pecado original um defeito. Quando ele nega essa verdade ele desencadeia esse defeito. Mas quando ele desencadeia esse defeito ele dá vida a todos os outros defeitos, porque todos os defeitos são solidários. E dando vida a todos os outros defeitos dá uma apetência de negar a uma porção de outras verdades.

De outro lado, um erro que a gente admite é irmão de todos os outros erros. E a gente admitindo um, pela lógica do erro, é levado a admitir todos.

De maneira que, por menor que seja o erro em que a gente caia, se cai nesse erro conscientemente, voluntariamente, como quase sempre acontece, a gente se coloca na rampa que leva para a totalidade dos erros.(...) É o princípio sobre o qual se baseia a RCR quando afirma que a Revolução é um processo. Exatamente a Revolução A no interior do homem, ela é um processo, por causa disto, por causa do dinamismo dos defeitos e da lógica interna dos erros. Feita uma concessão, todos os defeitos se põem em marcha. Feita uma concessão numa ordem ideológica todos os erros também começam a se solicitar uns aos outros e o indivíduo é tomado como que por uma engrenagem.De onde, então, a necessidade da ortodoxia completa e a necessidade do combate intransigente a todos os defeitos. E não existe possibilidade de a gente escapar a essa alternativa. A recusa dessa alternativa constitui uma das melhores definições do que se poderia chamar a "heresia branca".(...) Uma pessoa que, vamos dizer, a mais simples das coisas, uma pessoa que tem aquilo que se chamam as manias inocentes, de, por exemplo, todos os dias o levantar-se, pôr um certo par de chinelos, de um certo jeito, de um determinado modo. Bem, e que tem isto de um modo tal - porque aqui é que está o ruim - tem isto de modo tal que se for preciso renunciar a esse hábito não renuncia. Quer dizer, fica de mau humor, fica de má vontade, não faz etc. Olha que é um hábito mínimo e na aparência o mais inocente possível.

Agora, o que é que isto tem de ruim? Como é que isto põe em movimento todas as outras coisas na alma?

A sensibilidade do homem constitui um todo, assim como sua vontade constitui um todo e depois sua inteligência constitui um todo. Se em um ponto minha vontade não é capaz de dominar minha sensibilidade, ela, como um todo, em outros pontos tem força para opor à minha vontade uma resistência que pode derrotar a minha vontade. Se não no sentido de me levar a fazer o que eu não quero, pelo menos no sentido de me levar a fazê-lo menos bem do que eu quero, a não fazer inteiramente aquilo que eu quero.

E de repente é nos menores pontos. A gente vai ver um homem e não reprime uma palavra insolente que ele deveria reprimir, ou ele não tem coragem de dizer uma palavra enérgica que ele deveria dizer, em última análise é por causa do hábito do chinelo. Porque o domínio de sua sensualidade como um todo lhe escapa. É preciso ver isso como um todo, aí a gente compreende bem isso.(...)É no mesmo sentido que vem a outra frase do de Bonald. Ele diz o seguinte:Que a água tanto quanto pode entrar no dedal de uma moça, se ela mesma é reduzida a vapor pode fazer estourar uma bomba. O mesmo fenômeno acontece na ordem espiritual. Um pensamento, uma opinião, um consentimento simples do espírito não são senão aquilo que eles são. Mas se um grau de calor suficiente os faz passar ao estado de vapor, então esses princípios tranqüilos se tornam entusiasmo, fanatismo, paixão, em uma palavra.





J. Abril - maio de 1996: Insistência joanina em prol da Missa Nova; joanistas assistem missas novas em Minas Gerais e São Paulo


Em abril de 1996, os Provectos e JC concordaram em pedir a arbitragem do Sr. Cônego em casos que envolvam a doutrina e a moral católica, quando não houver consenso entre eles. (A iniciativa de pedir essa arbitragem partiu de JC, como consta em depoimento do Dr. Mário Navarro, 6/7/97).

De conformidade com tal acordo, foi submetida ao Sr. Cônego a questão relativa à participação ativa de membros do Grupo em Missas celebradas segundo o novo rito de Paulo VI. O Cônego deu um parecer que contrariava a posição de JC.

Eremitas de São Bento (e portanto JC) apresentaram uma contraproposta --que enfraquecia as premissas da rejeição da Missa Nova e acabava promovendo uma atitude relativista. O Sr. Cônego não modificou sua decisão. Diante dessa negativa, os joanistas insistiram com uma segunda contraproposta. E o Sr. Cônego, não só recusou alterar seu laudo arbitral, mas o confirmou. (Cfr. Relatório do Sr. Ureta pp.29-35).


*

Os integrantes do êremo itinerante Santiago, durante sua permanência em Montes Claros, em maio de 1996, estavam perfeitamente a par do que um padre falava em todas as Missas que celebrou no orfanato da cidade. Como sabiam disso? A rigor, podem ter sido informados por terceiros. Mas também podem ter assistido a essas Missas - Proclamação de notícias, ANSA, 13/6/96:

Travaram porém um muito bom contacto com um jesuíta espanhol, Pe. Henrique. Conhecidíssimo na cidade, tido inclusive na classe alta como santo, é o único na cidade a usar batina. Apesar de não ter paróquia própria, tem entrada em qualquer ambiente e celebra Missas em todas as igrejas da cidade, além de ser o capelão das freiras carmelitas.

Ao passar pela campanha cumprimentou os eremitas itinerantes e quando recebeu o Catolicismo de homenagem a Nosso Pai e Fundador comentou: “Não está longe o dia em que o veremos nos altares!”

Esse comentário repetiu várias vezes na Missa que celebra no orfanato da cidade, que é freqüentado pela elite. Invariavelmente, todos os dias no sermão, falava da presença da caravana da TFP na cidade, relacionando as epístolas lidas na Missa com a atuação da caravana. Por exemplo, quando foi lida a pregação pública de São Paulo em Atenas, ele disse que o mesmo se dá com os caravanistas da TFP, cujo esforço é grande, as palavras são empolgantes, mas nem sempre o resultado é o esperado, mas que isso não é razão para desânimo. Quando se lia algo sobre "trombetas que anunciam", ele relacionava com os megafones, etc.


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"Jour-le-jour" 12/5/96:


(Orlando Kimura: Aqui no estado de São Paulo, na cidade de Dobrada, tem um padre que é muito amigo nosso, ele estava celebrando a Missa, sentiu-se mal, ele tem problema do coração e interrompeu a Missa. Então as senhoras que estavam assistindo a Missa não tiveram dúvidas, foram para um membro do Grupo e disseram, enfim para vários deles: "Olha vocês precisam continuar a Missa que o padre estava celebrando.")


Quer dizer, veja como eles notam alguma coisa de sagrado, de, de...


Tudo indica que esses eremitas itinerantes estavam dentro da igreja enquanto era celebrada a Missa, e que foram identificados pelo público como membros da TFP. Observe-se que, depois da intervenção de Kimura, nas palavras de JC não há a menor referência ao problema Missa Nova. Claro, pois para ele não constitui problema assistir a esse rito ilícito.

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Proclamação de notícias no ANSA, 30/5/96. Fala o insuspeito Caio Newton:


Eu recebi um telefonema de um eremita itinerante contando como está sendo a peregrinação da imagem lá em Tambaú. Parece-me que são dados tão impressionantes, que valia muito a pena comunicar ao auditório.

A primeira coisa é que essa peregrinação foi combinada durante a apresentação da fanfarra. Porque como não se conseguiu pegar o nome de todo o mundo, valia muito a pena que a imagem peregrinasse para que se fosse coletados os nomes de pessoas que estavam sumamente abertas e simpáticas. Sobretudo também pela graça que se via, que era uma coisa impressionante.

Evidentemente teriam que falar com o padre, dizendo que ia começar a peregrinação, combinar com ele. Já tinha sido dito e ele concordou. Eles que tinham negado na semana anterior, na hora abriram: "Claro, é evidente, muito bem, que venha a imagem. É excelente".

Eles procuraram o vigário, que é o mais simpático. Esse vigário já tomou várias atitudes assim simpáticas a nós. Uma vez uma dupla foi lá e ele fez a dupla falar no presbitério da igreja durante uma Missa, e apresentava os membros da TFP, num jantar, como sendo "meus amigos da TFP".




K. Junho de 1996: joaninos lusos participam de Missa Nova; JC se lava as mãos e qualifica aquilo de “relativismo monumental”


Em 29/6/96, JC enviou a Dr. Eduardo um fax, a respeito de concessões que em matéria de Missa Nova incorreram os membros do Grupo de Portugal:


Batebolando com o Sr. Fernando Antúnez hoje, por telefone, pareceu-nos mais eficaz o Sr. escrever algo ao Sr. José Mário [NB: encarregado da “tfp” lusa] dizendo-lhe que nós lhe pedimos uma palavra a fim de constar a ele, Sr. J. Mário, de que somos nós 3 a lhe chamar a atenção para esse relativismo monumental. Não sei se o Sr. estaria de acordo.

Se esse aperto for dado por um só de nós, ele dará inúmeras justificativas e não se importará muito. Mas, uma correção com o peso dos 3 nomes, assustá-lo-á muito mais, a nosso ver.

Ao final desta comunicação, passar-lhe-ei as próprias palavras do Sr. Fernando Antunez narrando o ocorrido em Portugal. (...)


[Relato do Sr. FA]: (...) hoje aconteceu-me algo muito desagrável, para o que peço a intervenção do senhor.

Telefonei a Portugal pois hoje mesmo tinha recebido os elementos de análise que me permitirão continuar a ajuda-los. Falei com (...) o Sr. Cláudio Alves sobre como vão as atividades por lá. Entre estas, contou-me que levaram a Vila Viçosa as assinaturas do desagravo a Nosso Senhor por um programa de TV (campanha de mailing que o Sr. talvez se lembre pelo trabalho que deu). E não só as levaram, mas fizeram muito bem levando um ônibus de amigos (vae-se estabelecendo e expandindo contatos) ... se não tivesse sido muito mal a maneira com que foi feito: entregaram as assinaturas em uma Missa (evidentemente nova) e no ofertório. Não havia nenhuma necessidade de faze-lo assim, que justificasse o assistir a Missa e, pior ainda, participar dela. (...)

Temo que se o Sr. não puser ao par os Provectos, e tomar medidas, eles acabem sabendo por outro lado e dê a impressão que vem do Sr. a autorização, que não se está respeitando a consulta ao Cônego, etc.





L. Julho de 1996: joaninos espanhóis assistem Missa Nova


Diretor do Grupo da Espanha e correspondentes --os melhores e alguns mais antigos--, costumavam assistir à Missa –evidentemente Nova-- ao longo de sua estadia em Lourdes. Proclamação de notícias, ANSA, 2/11/96 - Relato de autoria de Fernando Gonzalo:


Seguindo os desejos de nosso Pai e Fundador, procuramos em 1996 expandir ao máximo o apostolado com as famílias simpatizantes e correspondentes da TFP.

Depois das numerosas peregrinações com a cópia da Sagrada Imagem, diversas apresentações de audiovisuais, e conferências realizadas no mês de julho, organizamos, junto com alguns antigos correspondentes, uma peregrinação à Lourdes com as melhores famílias contactadas, para que se afervorassem em sua dedicação pela Obra do Senhor Doutor Plinio. (...)

Apesar dos inconvenientes que trazem consigo os dias de férias na Europa, nos quais muitas famílias já têm organizado seus programas de viagem, nos foi possível reunir um número de 90 pessoas, que partiram em dois ônibus no dia primeiro de agosto, e voltaram no dia 4 pela noite. (...)

Distribuímos na saída, a cada um dos peregrinos, uma credencial com o símbolo dos correspondentes da TFP, para que a usassem ao peito (...).Também pudemos assistir nesta tarde, a bênção que é dada aos enfermos numa preciosa custódia com o Santíssimo Sacramento, que devido à torrencial chuva, infelizmente não pode realizar-se ao ar livre, senão na imensa e modernosa basílica de São Pio X.

Apesar do aspecto progressista, dos cantos, e da liturgia que ali se realiza, não faltaram graças sensíveis, muito especiais para a maior parte dos correspondentes da TFP, e particularmente dos doentes que têm o privilégio de receberem a bênção na primeira fileira.

(...) Outro Bispo Espanhol, menos grato, com que nos encontramos em Lourdes, foi nada mais, nada menos, que Mons. Tena. Vestido de clergiman cruzou numa das ruas de Lourdes com vários correspondentes da TFP portando estandartes. (...)

É curioso que, após isto não o vimos mais em nenhum lugar de destaque, nem na bênção dos doentes, nem na Missa, nem em nenhum ato oficial em que os Bispos normalmente participam todos os dias, ele pareceu ter sumido do panorama, apesar de estar com um grupo de peregrinos espanhóis que vinham da Catalunha certamente com ele, e aos quais distribuímos muitos folhetos da TFP e cuponings.





M. Agosto de 1996: Presidente da “tfp” argentina afirma que, no tocante à Missa Nova, o Grupo não tem uma opinião formada


Por volta de agosto de 1996, Storni sustentou com muita ênfase, numa Sede de Buenos Aires, que a respeito da Missa Nova “el Grupo no tenia una opinión formada”. Estavam presentes na ocasião os senhores Spann, Peruzi, Aldunate, Sérgio Racigh, Diego di Pilato. (Cfr. Relatório dos senhores Spann e Peruzi, 20/1/97).







N. Fevereiro de 1997: JC reconhece que participar ativamente na Missa Nova tem um fundo gnóstico


"Jour-le-jour" 26/2/97:


(Sr. Valdis: Houve um Santo do Dia em que o Sr. Dr. Plinio disse que o progressismo é panteísta. [Inaudível] por isso não se pode rezar sozinho na Missa, tem que participar dela, tem que cantar, [inaudível]. Tem-se que fundir na comunidade, não se pode fazer nada enquanto pessoa.)


É bem isso, esse era o erro do liturgicismo tal qual. Eu me lembro de uma conversão de um liturgicista para a TFP, que levou uma noite inteira de discussão: O Sr. Heitor. Ele era da Ação Católica mesmo, era jucista até a medula dos ossos.

Tivemos uma conversa com ele que durou uma noite inteira sobre os erros da Ação Católica. Ele, então, começava a defender as teses da Ação Católica e nós atacando, ele defendia e nós atacávamos.

Por exemplo, isso eu ouvi dele e era comum na Ação Católica: que a pessoa devia comungar, sair correndo e lançar-se na piscina, porque com isso ele irradiava o Cristo na piscina. Depois teorias relativistas as piores possíveis.

No fundo, no fundo, é isto que diz o Sr. Valdis, que era preciso participar todos juntos da liturgia. Mais ou menos como esse professor dizia do canto gregoriano. É por isso que ele se encantava pelo gregoriano porque no gregoriano as vozes todas sumiam, menos a dele. A dele era uma voz feia, horrível, medonha, toda ela berrada, ele arranhava o gregoriano a mais não poder, mas, enfim, ele tinha idéia de que a voz dele se diluía no meio da dos outros. Era preciso, então, diluir-se no meio da liturgia, porque assim, sumindo a personalidade de cada um dentro da liturgia, fazia com que as almas voltassem ao Pan. É gnóstico.





O. Julho de 1997: JC reconhece que Dr. Plinio não deixou à consciência de cada um opinar como quiser a respeito da Missa Nova


Trecho do telefonema (14/7/97) entre Dr. Paulo Brito, o Sr. Armando Santos e JC sobre alterações a serem introduzidas nas versões portuguesa e espanhola da biografia do SDP escrita pelo Professor De Mattei:


Sr. AAS: Agora, havia dois outros assuntos, Sr. João, que também foi visto com [o autor] e aceitou muito bem. O primeiro dizia respeito à Missa Nova. No texto original do livro dele estava dito que a questão da Missa Nova não era uma posição oficial da TFP --e de fato uma posição oficial não é-- uma vez que isso é um assunto inteiramente religioso e a TFP é uma associação de leigos que luta num terreno político-social. Agora, estava uma frase que dizia que o SDP tinha deixado à consciência de cada um, e isso não é bem assim.


JC: Claro!


Sr. AAS: Então foi feito um texto e ele aprovou, achou muito bem, é o que está saindo em Portugal, em que precisa muito bem a situação, quer dizer, nesses termos que eu disse ao senhor: Dr. Plinio pessoalmente tinha em relação à Missa Nova a atitude que nós conhecemos; como na TFP existe um consenso muito grande a respeito de tudo, consenso que vem do fato de sempre se conversar, sempre se tratar, etc., isso está muito explicado na ‘Refutation’ ao Judas, por isto existe na TFP um consenso a esse respeito, mas isso não é uma posição da TFP ...


Dr. Paulo Brito: Na TFP ...


Sr. AAS: Dr. Paulo Brito está observando muito bem: ‘posição na TFP’ e não ‘da TFP’.


JC: Perfeito!


(...)


Sr. AAS: Agora Sr. João, isso aí no caso de Portugal já está começando a ser impresso, mas o De Mattei me pediu que eu falasse com o Sr. José Francisco para que não houvesse diferença entre um texto e outro.


JC: Olhe aqui, mande da minha parte um grafonema para ele com as indicações, dando o texto exato, dizendo que conversamos e que ficou o mais possível acertado [palavra inaudível].


Sr. AAS: Está certo. (...)


*


O Sr. Armando Santos enviou então um grafonema a José Francisco, que respondeu o seguinte: "lamentavelmente já está tudo [na tipografia], não dá mais tempo para modificar".

Na realidade, o livro não estava pronto para ser impresso, pois foi lançado 6 ou 7 meses depois ... Quer dizer, os joanistas puderam perfeitamente ter introduzido as modificações, mas não quiseram.






P. Setembro – outubro de 1997, simpósio sobre o livro de ax - JC diz que a Missa Nova é ecumênica, relativista, horrorosa, medonha


Em 17/9/97, isto é, um dia antes de começar o Simpósio sobre Missa Nova, realizado no ANSA, a pedido seu, JC disse :


... e depois dessas combinações todas, acabou saindo que Dr. Paulo Brito acedeu a que ele viesse junto com o Sr. Gregório fazer uma reunião. Mas eles acharam conveniente fazer uma reunião primeiro para os mais antigos e depois para os novatos.

Eles combinaram entre si, e uma reunião não dava, era preciso fazer duas. Depois que eles andaram conversando mais ainda, era impossível ficar em duas, será preciso fazer três reuniões. Então, nós vamos tomar a noite de amanhã (de 9h às 10h30), noite de sexta (de 9h às 10h30), e a tarde de sábado, de 7h até 9h, nove e pouco.

A Missa vai ser no Centro; não vai ter Missa aqui no sábado; nem vai ter alardo: a reunião começa direto aqui, às 7h da noite, como continuação desse simpósio. E na semana que vem é para os novatos. Aí, então, nas noites que os novatos tiverem reuniões sobre a Missa nova, eu farei reunião para os mais antigos.


(Os mais novos: Ehhhhhhhhhhhhhh! Que horrooooooooooooor!) (1)


(Os mais antigos: Fenomenaaaaaaaal!)

É que a Providência me deu mais de 30 anos; o que eu posso fazer? Então, eu vou assistir junto com os mais antigos, e depois eu os acompanho, na semana que vem, no isolamento.Bem, mas o comparecimento a essas reuniões é obrigatório: todos têm de comparecer; ninguém está dispensado; só in articulo mortis. [Risos]

Isto porque o assunto é fundamental. É preciso que todos conheçam a matéria, como ela é exposta, e como ela foi concebida. E conheçam bem. Nós não sabemos os dias graves que vêm pela frente, como serão. De modo que é preciso conhecer o assunto bem nas suas minúcias. E assim, então, ninguém está dispensado de comparecer a essas reuniões, tanto os dessa semana quanto os da outra.

(...) Eu espero que o Sr. Bernardo Glowacki [NB: encarregado dos grafonemas] esteja soltando os avisos todos [sobre a reunião da Missa nova] aí no Centro também. E o senhor tem trombeteado aí, também, não é? No Brasil é assim: a gente manda avisar que todo mundo tem que estar presente. Tem gente que telefona para saber se o aviso é válido mesmo ou não (2). Claro! Se foi dado o aviso para estar presente, é para estar presente! É só este povo que é imaginativo... [a este ponto]!

(Cfr. "jour-le-jour" 17/9/97)




Comentários:

  1. Como interpretar essa reação? Para os novatos, ter que assistir às reuniões sobre a Missa Nova, privando-se das reuniões de JC, é um horror? Quer dizer que, o que lhes interessa nas reuniões, não é o tema --por mais transcendental que seja-- , mas o expositor? É essa a formação que JC lhes dá?

  2. Ou seja, entre a gente de JC, certos avisos oficiais, para serem acatados, precisam ser confirmados pelo seu senhor.


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Em 18 e 19/9/97, JC e Glavan afirmaram que o simpósio sobre Missa Nova estava sendo abençoado:

Palavras do Dr. Gregório, ANSA, 19/9/97:


Aliás, enfim, me chegaram várias repercussões --podem ser coisas individuais, mas enfim-- de pessoas que acharam até que a reunião tinha uma certa bênção, uma certa graça, exatamente por se falar do Sr. Dr. Plinio. Acho que não faço nenhuma indiscrição, dizendo que o Sr. Glavan, por exemplo, me telefonou hoje, dizendo isso. O Sr. João, ontem, aqui, disse a mesma coisa. Creio que o Cel. Poli também me disse isto. Então, de várias fontes chegaram isso, e não me chegou nenhuma repercussão em sentido contrário. De onde, parece que, de fato, o Sr. Dr. Plinio está nos ajudando a tocar, porque é a obra dele (...).


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Em 20/9/97, na última reunião do Simpósio sobre a Missa Nova, foram lidas as conclusões do livro de Dr. Arnaldo Xavier da Silveira. Os presentes --inclusive os joanistas-- aplaudiram e JC cantou o “Magnificat”.


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Em 1/10/97, no "jour-le-jour", JC, ao comentar um Santo do Dia, do ano 84, --no qual Dr. Plinio trata do espírito das Cruzadas--, elogia o Simpósio e censura a Missa Nova:


Para terminar, qual é o contrário do espírito das Cruzadas? É o espírito ecumênico, no seu sentido progressista.

Nós que estamos saindo das conferências magníficas sobre a Missa nova, vemos que o contrário do espírito de cruzada é a Missa nova, como ela foi descrita aqui pelo Dr. Paulo Brito e por Dr. Gregório: é o espírito ecumênico.


Esse é o contrário do espírito das Cruzadas: "Todas as religiões valem tanto umas quanto as outras; mais ou menos são todas verdadeiras e são todas falsas, a católica inclusive; e todas as doutrinas também são coisas concebidas pelo homem, mas não têm realidade objetiva nenhuma".


É o clima que a Missa nova procura produzir.

Segundo esse espírito ecumênico, não há uma verdade absoluta nem há um erro categoricamente errado, não há nada disso. Há combinações: todos os homens combinam tudo, misturam tudo; não há bem nem mal, não há verdade nem erro. É o ecumenismo contemporâneo, com os seus exageros e os seus delírios, contra os quais nós fazemos uma Cruzada. Essa Cruzada se chama:


"A história de Plinio Corrêa de Oliveira!" [Aplausos]


A história da TFP!

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"Jour-le-jour" 10/10/97 - Enquanto está falando de uma visita ao santuário de Mater Boni Consilii, JC assim se refere à Missa nova:


Eu estava num canto de mármore ali, não participava de nada, não ouvia nada, mas estava aquele vozerio italiano a mais não poder, dessas Missas novas que celebram, horrorosas, como o simpósio que nós tivemos aqui nos deu bem a idéia; missas medonhas.





Q. Dezembro de 1997: sabotagem do livro do Prof. De Mattei


Entre 12 e 13 de dezembro de 1997, um portador trouxe ao Brasil 200 exemplares da edição portuguesa do livro do Prof. De Mattei, “O Cruzado do Século XX” --que, a diferença das edições anteriores, não omite a posição verdadeira de Dr. Plinio em matéria de Missa Nova. Mas foi retido no aeroporto, em razão de um telefonema anônimo à policia federal, denunciando a chegada de “material extremamente perigoso e subversivo”.

Segundo Roberto Marcos Ferronatto, adepto de JC, aquilo foi consciente e minuciosamente organizado em Portugal e no Brasil com o fim de impedir que a TFP lançasse esse livro (Cfr. Relato do Sr. João Luiz Vidigal, em 17/2/98).

Os exemplares em questão foram liberados no dia seguinte por uma liminar concedida pelo Juiz Federal de plantão.





R. Dezembro de 1997 em diante: os joaninos evitam assistir Missas no Rito São Pio V


No ENSDP é celebrada, cada mês, uma Missa no rito S. Pio V, pelas intenções dos doadores da TFP. Assistem todos os sócios e cooperadores da Casa, inclusive os funcionários que quiserem. Mas a partir do processo, os joaninos (dos quais, pelo menos um sempre ficava no Eremo, enquanto os outros saíam para trabalhar para a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima), não comparecem, nem mesmo para comungar.


Quando a Sagrada Imagem de Na. Sra. de Fátima foi levada a esse êremo em março de 1998, houve também uma Missa S. Pio V. “Por coincidência”, vários dos joaninos moradores se tinham ausentado. Entre os joanistas que ficaram na Casa, alguns assistiram à Missa, sim, porém de fora da capela, longe, a contragosto e participando passivamente; e os outros só apareceram na hora da comunhão.

Na capela de Jasna Gora celebra-se, pelo menos uma Missa no rito São Pio V cada mês. Os amotinados às vezes comparecem, às vezes não comparecem. Na Quarta Feira de Cinzas de 1998, vários dos revoltosos, embora estivessem presentes na Casa, nem se assomaram; outros apareceram no meio da celebração só porque Dr. Luiz foi procurá-los pessoalmente, vieram resmungando e participaram com a maior passividade.

Note-se que, em se tratando de Missas “Novus Ordo”, eles insistem que se pode participar ativamente e se pode permanecer na igreja desde o começo do rito.





S. 1998: os joaninos consideram que a posição de Dr. Plinio perante a Missa Nova era pessoal e que cada um pode proceder segundo sua consciência; criticam o simpósio sobre a Missa Nova e caçoam dos conferencistas; passam a achar ruim a Missa São Pio V


Janeiro de 1998: Os seguidores de JC alegam que hoje não estão obrigados a acatar a posição tradicional da TFP a respeito da Missa porque era uma “posição pessoal do SDP” (Cfr. Carta do Pe. David aos Pe. de Campos, 12/1/98).


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Janeiro de 1998, trecho do relambório "E Monsenhor Lefevre vive?" p.313:


As graves questões morais, sobre a assistência à Missa Nova, suscitadas pela meticulosidade de espírito do Sr. JAU, provocaram uma série de interrogações (...). Uma vez que o Sr. JAU chamou a si a responsabilidade de as formular –-contra as orientações do SDP, é bom notar--, cabe-lhe agora o dever de consciência de resolver todos esses problemas em aberto (...). Caso contrário, ficará cada membro do Grupo libre para lhes dar solução segundo sua reta consciência --uma vez que são questões duvidosas-- ou segundo a orientação de alguém de confiança, ou de um confessor experimentado.


Observe-se que, o conselho dado pelo autor desse libelo, se contrapõe ao conselho dado por Dr. Plinio na reunião para os êremos itinerantes de 8/1/93, acima transcrita: já que as perplexidades ainda não foram resolvidas, nossa consciência não nos permitia ir à Missa nova”.

Como explicar isso? Será talvez porque, para Patrício Amunátegui, Dr. Plinio não merece tanta confiança quanto JC?


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Patrício Amunátegui (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?", pp. 113, 114 e 333), critica o simpósio sobre Missa Nova realizado em setembro de 97 no ANSA e caçoa dos expositores:

Afirma que as “três longas reuniões em que foi exposta a doutrina sobre o Santo Sacrifício da Missa” não foram “muito apreciadas”, nem “encantaram os mais jovens”.

Os conferencistas (...) mostraram-se inseguros na matéria, e seu vôo não conseguiu subir mais alto do que a leitura enfadonha de textos do referido livro (...). Teria sido útil aos expositores (...) terem estado em algumas rodinhas de enjolras que se formaram após as reuniões. Ficariam abismados com a quantidade de comentários como este, que continuam a ser ouvidos até hoje: Puxa! Antes dessas reuniões eu achava que a Missa Nova era uma monstruosidade, mas agora, após as explicações do Dr. Paulo Brito e do Sr. Gregório, vi que não é tão péssima assim ...”

Ver qualificadas de ‘brilhantes’ conferências nas quais os expositores quase só se limitaram à leitura de trechos do livro sobre a Missa (...), causa estupor”.

O suprasacrosanto ideólogo do joanismo esqueceu que, quem disse que as reuniões do simpósio foram “magníficas”, foi precisamente seu pai e fundador JC ...


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Depoimento do Sr. Silvério, 8/12/98, a respeito das tratativas que fez para conseguir que no Convento da Luz fosse celebrada uma Missa São Pio V, em comemoração pelo dia do aniversário de Dr. Plinio:


Graças a Deus poderemos celebrar os 90 anos de nascimento do SDP com uma Missa no convento da Luz, embora os rebelados já tenham procurado o Cônego Celso, capelão do Mosteiro da Luz. A superiora não atende durante o Advento. Falei com o Cônego. Ele já sabia da autorização do Arcebispo. Pegou o papel e disse: “olha, o outro lado está contra, não é?” Fiz que não entendi e ele continuou: “eles não são a favor da Missa S. Pio V, essa outra ala não é a favor da Missa tridentina”. Novamente fiz que não entendi e ele disse: “bom, se o Sr. não entende, então não vou comentar mais nada”.

Respondi então que tinha entendido e sabia quem era a "outra ala".

Ele disse: "eles vieram aqui dizendo que eu tomasse cuidado com vocês por causa dessa Missa, dizendo que vocês constituem a ala não ortodoxa da TFP! E que tomasse cuidado também com o tal Cônego Villac que vai celebrar aqui porque eles já procuraram o bispo de Jacarezinho o qual está preocupado e descontente com o Cônego Villac porque está entrando por caminho não muito certo".


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Jornal-falado da viagem do Sr. Arroyave à Colômbia (17/10/98):


[Nas apresentações dos eremitas de SB-PS na Colômbia, eles e os membros da “TFP” colombiana] cantam dentro da igreja, estão com o padre, tem Missa e as vezes tem terço. Missa nova, é claro. Isso para eles... Já há dois anos me tinham falado que queriam argumentação que provasse que podiam assistir Missa nova. O Montoya [NB: dirigente da “tfp” local] dizia que já assistia Missa nova, não entendia por que a TFP arriscava‑se tanto ao entrar só para comungar, não custava nada...


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Boletim “Covadonga – Informa” da “tfp” espanhola, janeiro de 1999 (traduzido para o português):


O mundo das TFPs – Espanha – Encontro Nacional de Correspondentes em Zaragoza:

Os dias 5 e 8 de dezembro (...) TFP – Covadonga realizou na cidade de Zaragoza um Encontro Nacional de Correspondentes, com assistência de mais de 150 pessoas.

(...) [No dia 6], depois da recitação do Terço e da Santa Missa, se realizou a primeira reunião.

[No último dia], comemoramos a Imaculada Conceição de Maria. Para isso, se foi à Basílica do Pilar à Santa Missa. Depois houve o encerramento do Encontro (...).





T. 1999: Os joanistas qualificam de incrível e inaceitável nossa posição; se encomendam às Missas Novas rezadas pelos Bispos; e frequentam cada vez mais esse rito


Em 18/1/99, Hagop Seraidarian, “testa de ferro” de JC e Presidente da Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima, dirige uma carta-circular aos Bispos do Brasil, da qual destacamos dois tópicos:


- Diante do impasse assim criado [NB: entre os Diretores da TFP e JC], ambos os lados concordaram em pedir a opinião de um sacerdote, o Revmo. Cônego José Luiz Marinho Villac. Este, em vez de tentar restabelecer a harmonia na entidade emitiu um "parecer" totalmente alinhado com o pensamento da diretoria.

Conforme V. Exa. mesmo pode constatar, pela cópia desse "parecer" que enviamos em anexo, as incríveis opiniões do Sr. Cônego Villac - e da diretoria da TFP - são em tudo parecidas com (ou até mais exageradas do que) as dos seguidores de D. Marcel Lefebvre, o finado bispo francês, tristemente famoso por sua rebeldia contra a Santa Sé e por ter sido excomungado pelo Papa João Paul II.

Essas opiniões eram, portanto, completamente inaceitáveis para a maior parte dos membros da TFP (especialmente os da ala jovem), que passaram a externar sem rodeios seu descontentamento.


- À espera da oportunidade de ter contatos mais estreitos com V. Exa., apresentamos a filial homenagem de nosso profundo respeito, e rogamos suas preciosas bênçãos e orações, especialmente no Santo Sacrifício da Missa.


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Conforme se depreende do relatório do Sr. Paulo Roberto Miccichelli (12/4/99), os correspondentes joaninos do Norte Fluminense frequentam a Missa Nova e escandalizam aos próprios progressistas:


Os únicos seguidores do JC que ainda não tem assistido a Missa Nova são: Iraé (este certamente o JC não conseguiu quebrar a questão de consciência devido ao profundo conhecimento da Doutrina Católica e de São Tomas de Aquino), sua irmã Esther e seu irmão Irandi (este certamente devido ao respeito humano com os progressistas e excomungado da cidade). Já uma filha do Irandi está frequentando os padres excomungados.

Passado um certo tempo chegou meu irmão [Josias] acompanhado de duas filhas do Claro Lopes de Figueiredo, Maria de Fátima e Maria Lúcia – diga-se de passagem que esta Maria de Fátima é uma das mais radicais em relação ao JC. Segundo a minha mãe, Josias chegou bastante nervoso e apavorado com a agitação e cantoria que estava na Missa, mas que só uma coisa que ele não aceitava, era a comunhão através de Ministra. A Missa em que eles foram foi num Domingo à noite, hora em que o movimento na Missa é maior.

Segundo minha mãe, progressistas da Cidade estão telefonando para casa de meu irmão e criticando esta atitude e escandalizados com eles.

Falando por telefone com a minha irmã Sônia ( que está apavorada com a atitude do Josias ), ela me disse que este mesmo havia falado para ela que estava freqüentando a Matriz de Natividade e que tinha recebido ordem do JC. Durante o telefonema ela lembrou que quando houve a excomunhão dos Padres de D. Mayer o Sr. Dr. Plínio havia dado normas de nem confissão se deveria fazer com os Padres progressistas na Diocese de Campos, para evitar o escândalo. E acrescentou: “Tenho certeza que o Sr. Dr. Plínio jamais daria uma ordem dessas.”

Esta também me disse (em telefonema no dia 10/04) que sua filha foi passar a Semana Santa em Miracema e que voltou de lá dizendo que era para assistir a Missa Nova, pois assim tinha mandado o JC, e que eles (os adeptos do JC em Natividade) não só estavam assistindo a Missa Nova, como também participando.

Já em Campos, foi visto adeptas do JC, entre as mais radicais, entrar no Convento dos Redentorista de Campos, que é a fina ponta do progressismo em Campos, durante a Cerimonia de Semana Santa.

Foi visto também um dissidente (João Carlos Gomes Barroso ), na Catedral de Campos, sem jaqueta e de camisa de manga fazendo a Via-Sacra.

Um ex-cooperador da Sede Elias Profeta (Leandro Amaro) me disse que sua mãe, que também é do JC, está defendendo direto os progressista (...).


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No entanto, o pontífice Patrício Amunátegui afirma que os correspondentes dessa região “mantêm uma atitude de resistência em relação à Estrutura” (cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.33).


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16 de março de 1999, depoimento do Sr. Silvério:


Ontem estive numa loja para comprar círio pascal. Recebeu-me uma religiosa e disse-me: vi a TFP ontem, na igreja nova da Penha, dando espetáculo, na Missa de ordenação de 4 sacerdotes novos. Pedi detalhes. Disse que estavam usando hábito, "com aquele distintivo deles". Notei que ela não gostava do broche e perguntei como era isso. Ela: ontem esteve um aqui com aquele distintivo ridículo, eu não gosto daquilo, deu-me vontade de rir na cara dele, só não ri porque a outra freira aqui me segurou". Como tomei atitude de frieza com tudo, ela perguntou de que lado eu estava. Respondi: estou na autêntica TFP, eles são dissidentes. Lamentou que a banda tivesse passado toda para o outro lado.

No fim, disse, depois que perguntei preço do incenso: "aliás, na Missa eles usaram incenso à vontade, mas o incenso deles tinha muita fumaça e pouco perfume"


O cerne da informação do Sr. Silvério é corroborada no boletim “Salvai-me Rainha”, ano 1, nro.4, páginas centrais:


Eu vou levar vocês a Belém!”, exclamou o cura da catedral de Belém, Pe. José Gonçalo Vieira, ao presenciar a ordenação sacerdotal de 4 diáconos na Basílica da Penha, em São Paulo. E continuou: “Só vocês, com seu Coro e Banda e seu modo de apresentar, poderão nos ajudar (...)”.


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O boletim “Salvai-me Rainha”, ano 1, nro. 3, na pág. 9, notícia a realização de um congresso de jovens, cujo primeiro ato foi a celebração de uma Missa Nova concelebrada. Estiveram presentes, entre outros, os padres Olavo e Gervásio Gobato.


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Agosto. Participação escandalosa dos joaninos em Missas Novas em Buenos Aires - Depoimento do Sr. Peruzzi:


En los dias 27, 28 y 29 de Agosto de 1999 se realizó las Fiestas Patronales en la Parroquia de San Agustín en Buenos Aires (...).


Viernes 27/8:

La misa comenzó a las 19:30 hs con la llegada de la Imagen [de Fátima] llevada por 4 personas de habito (...). La misa, en Nuevo Ordo, era acompañado por todo el publico y por todos los “Mensajeros de Fatima” alli presentes. Todos los actos, gestos, genuflexiones y actitudes exteriores eran de pleno acompañamento. Los cánticos progresistas eran acompañados por estos guardianes de la Imagen que cantaban junto con el sacerdote, en plena consonancia. El Padre Nuestro, cantado en forma de rock lento, acompañado por guitarras y el coro de la parroquia, eran acompañados en voz de canticos por ellos. El saludo de la paz, saludando a las Ministras de la Eucaristia con la mano y el parroco también. (...)


Sabado 28/8:

(...) A las 11:30 hs, después de terminada la misa, [el Sr. George Martin vió a] Andreas Merán, de habito, con broche grande, sin la capa de la TFP, en el presbiterio (...), dando explicaciones de Catecismo a unos 30 o 40 niños y niñas de 8 a 10 años. La exposición era animada pues hacia preguntas a los chicos. En cierto momento dijo lo siguiente a los niños: “Ustedes tienen aqui sacerdotes buenisimos, que les dan un muy buen catecismo. Ellos pertenecen a una orden religiosa, quién es el Fundador de esta orden?” A los niños que respondian, después les regalaban una medallita.

(...) la misa de las 19:00 hs tuvo la presencia de un Obispo Auxiliar de Buenos Aires, Mons. Rossi, muy conocido por sus posiciones progresistas. Los rebelados no estaban junto al altar, como en el dia anterior. Como era la misa del Santo Patrono, San Agustin, concelebrada por unos 10 sacerdotes de la orden de los Agustinos. Se veía a Alfonso Beccar Varela acompañar ostensiblemente todos los actos, especialmente en los canticos, y respuesta de la celebración, sin el menor constrangimiento. (...)

Domingo 29/8:

El dia domingo, un poco antes de las 20:30 hs en que comenzaría la ultima misa parroquial, Andreas Meran era como el coordenador de los movimientos previos a la misa, como que un anfitrión que iba y venía de un lado a otro. Un grupo de niños, que estuvieron en el "catecismo" lo saludaron con besos y abrazos en frente al altar a dos pasos del presbiterio. El estaba de habito frente a toda la Iglesia casi llena. (...)

Esta misa dominical es para la "juventud", que "expontaneamente" y algunos jóvenes asistentes se sentaban en el piso, en los ultimos lugares de la Iglesia, de forma "descontraida" como que participe en un pic-nic. Al lado del presbiterio se sentaban algunos en el piso enteramente "ajenos" a las circunstancias.

La misa era acompañada por un "coro" de la parroquia, unas 20 personas que tocaban guitarras y cantaban fuerte por los microfonos, los cánticos progresistas en toda la misa.

Era impresionante ver la escena de la la Imagen sola en un pedestal, rodeado por unas flores, y atrás todo un escenario siniestro: el Parroco, las "ministras" de la Eucaristia con albas beiges, imitando sacerdotisas, dos “miembros del Grupo” con habito, unos jóvenes que transmitian mensajes parroquiales con aspectos de frivolidad. (...) [El Parroco] llega a decir "que Dios se dejó seducir (palabras textuales grabadas) por Maria, que cuando rezamos el rosario, cada Ave Maria es un piropo a la Virgen, y así es un piropo a Dios..."


Relatório da Sra. Gondra, correspondente da verdadeira TFP Argentina:


Llegué al altar de la nave lateral derecha y allí estava Merán rodeado de chicos varones de 9 y 10 anos, que lo abrazaban y querian saludarlo. El se agachaba y los besaba y tocaba. Una senhora que estaba detrás lo saludó lanzandole un beso con la mano. Cuando se enderezó y me vio, se puso lívido y duro, con los ojos desorbitados. Giró rapidamente y empezó a correrse para adelante y no volvió más hasta que terminó la misa.

Wilber Grados también saludaba con besos a chicos más grandes que se acercaban. Al verme, dejó de hacerlo y se fue a outro sector. Habia una chicas de 13 o 14 anos, con pantalones y faja violeta y aspecto sucio y pobre. Una de ellas, muy fasura y desafiante, era especialmente desagradable y se instaló al lado de Wilber.

Storni se encontró con un dinámico y fornido joven del grupo de ellos, con medallón, barba abundante y pelo negro y lo saludó con un abrazo y un beso, dentro de la iglesia. Javier Gonzalo estaba avejentado, mal vestido, con sweter y camisa escocesa y cara deprimida. Ubehlode con un gigantesco piloto gris sucio y arrugado, la piel manchada y expresión de desagrado.

En el momento de la consagración, quedaba horrible ver al eremita arrodillado en el altar con el habito de la TFP junto a mujeres en cuclillas y ministros progresistas. Cuando llegó el ósculo de la paz, se lo dieron entre ellos y a los otros, con sonrisas y simpatias. Al llegar el momento de la comunión, el altar fue invadido por hombres y mujeres con tunicas beiges, sin orden ni concierto, que se pasaban unos a outro cálices, bandejas y otros recepientes conteniendo las hostias y se daban la comunión entre ellos.


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Setembro:


a) Folheto “200 anos da Igreja Nossa Senhora da Consolação”, eventos do mês:


Dias

Celebrante

Apresentação musical

04

D.Angélico Sándalo Bernardino

Coral Brasilescência

09

D. Antônio Celso Queiroz

Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima


Após a Missa: apresentação do histórico da igreja, (...)



b) Boletim “Salvai-me Rainha de Fátima”, ano 1. Nro. 4, p.5:


Dom Cláudio Hummes, arcebispo metropolitano de São Paulo, presidiu solene Missa de ação de graças pelos 200 anos da igreja de Nossa Senhora da Consolação, no dia 12 de setembro. (...)

A cerimônia se encerrou com a execução do Hino Nacional, do Hino Pontifício e do “Aleluia” de Haendel, pelo Coro e Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima.


c) Boletim “Salvai-me Rainha de Fátima”, ano 1. Nro. 4, p.7:


A Abertura da Primavera de 1999 [23/9] constou de uma celebração eucarística presidida pelo Pe. Romano (...).

A primeira-dama do Estado (...), prestigiou o evento com sua presença e entusiasmo. Para Dona Lígia Giuliano, (...), “foi um gesto cristão, e uma maneira excelente de dar destaque às comemorações do Ano Internacional do Idoso”.

A parte musical ficou a cargo do Coro e Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima, que cantou durante a Missa. (...)

Após o ato religioso, o Coro e Banda Sinfônica alegrou o ambiente com variados números de seu repertório.


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Outubro. Participação dos joanientos em Missas carismáticas no Perú - Grafonema do Sr. Ezcurra:


Hoy la gente de JC aqui hizo dos misas por el 13 de octubre, una (...) en la iglesia de San Miguel, el padre carismático Manuel Rodríguez, asistida por cerca de mil personas, con sanaciones, cánticos rítmicos con palmadas, gente “curada” que interrumpia para contar los “milagros” de que fueron objeto --incluso faltando al pudor verbal delante de la imagen, al describir las partes del cuerpo supuestamente curadas (...).


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Diário do Grande ABC, 13/10/99, p.1: Procissões louvam padroeira:


A principal comemoração ocorreu no santuário de Nossa Senhora Aparecida (Aparecidinha), no bairro Paulicéia, em São Bernardo. Mais de 5 mil fiéis acompanharam a procissão a missa campal (...). O Coro e Banda Sinfônica Internacional Nossa Senhora de Fátima, ligado a um grupo de ex-seguidores da TFP (Tradição Família Propriedade), animou a missa.


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Reunião nos Buissonets 26/10/99, informação de Dr. Plinio Xavier:


Há um caso que se deu em Brasília no domingo último, na Missa de São João Bosco, a maior igreja depois da catedral. Durante a missa o padre deu aviso lendo um texto que era um resumo do documento da comissão do Vaticano sobre a união com os luteranos que deve sair no dia 31 deste mês. O padre terminou a leitura dizendo que aquilo significava o fim da divisão com os luteranos e portanto a união com eles. Nesse momento o dissidente Alexandre Veloso começou a bater palmas, sozinho, e insistiu tanto que outras pessoas foram aderindo e todos bateram.





U. Nem sequer as normas que teriam sido dadas pelo SDP, e que os joaninos citavam para justificar seu relativismo, hoje são respeitadas por eles


a) Normas para o Grupo da Espanha, 30/4/85, transcritas em “Juízo Temerário” pp.153,154:


En cuanto a la Misa el principio que siempre adoptamos consiste en que si hay alguna razón de representación social o análoga nos es lícito asistir a esa Misa desde que lo hagamos de manera que demos a entender que estamos rezando el Rosario o recogidos por nuestra cuenta. No sé si rezar el Rosario seria demasiado llamativo conforme el lugar en que quedemos [en la iglesia] durante la Misa. Lo ideal seria que durante la Misa nos pudiesemos eclipsar; lo que no convienee hacer, a mi ver, es responder a la Misa, acolitándo-la, o de cualquier manera, tomando parte en el diálogo de ella.


b) Normas para os Grupos do Brasil, compiladas por R.E. Kallás, 22/1/96, transcritas em “Juízo Temerário” p.154:


Enquanto se espera a comunhão, durante a Missa, deve-se ficar em posição discreta em lugares secundários da igreja, acompanhando aos movimentos da liturgia, sem dialogar com o celebrante.


c) Normas para o Grupo de Campos, publicadas em “Juízo Temerário”, p.189:


Na diocese de Campos (exceto nas cidades dos quatro sacerdotes amigos) (...) os membros do Grupo não frequentam nenhuma igreja e nunca comungam. Pois, se fossem à Missa Nova, ainda que apenas para comungar, escandalizariam os correspondentes locais (...) e comungar nas “paróquias” lefevristas significaria um passo deles rumo ao desligamento da Hierarquia, o que nosso Pai e Fundador não desejava.

*



Com a palavra Patrício Amunátegui, moralista, canonista e teólogo da religião de JC:


- Com o tempo, e de acordo com as circunstâncias, o SDP acentuou mais as medidas de prudência, de forma que ficasse suficientemente claro que tínhamos certas restrições à Missa Nova, mas nossa atitude não fosse tão ostensiva que pudesse parecer provocação ou contestação (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.24).


Mas na atitude que os joanistas vem tomando, deixam suficientemente claro que tem restrições à Missa Nova? Ou, pelo contrário, dão a entender que estão perfeitamente de acordo?


- De fato, todo o aspecto moral conexo ao assunto Missa Nova está esperando por estudos mais aprofundados, ou por ser mais claramente expostos por seus estudiosos.

Mientras tanto”, continuamos a seguir a trilha deixada pelo SDP e apontada novamente pelo Revmo. Cônego. Evitar o máximo qualquer participação na Missa Nova e em casos excepcionais seguir as normas pré-estabelecidas (p.74, 75).


Os joanistas evitam o máximo qualquer participação na Missa Nova?


- [O Sr. Ureta acusa ao Sr. João Clá} por querer generalizar uma norma específica, transformando-a assim em regra geral, o que contrariaria as normas deixadas pelo SDP. Ou seja, a permissão dada ao Pe. Suárez aqui no Brasil serviria para generalizar a celebração de Missas segundo o novo rito nas sedes da Espanha.

As Missas Novas celebradas na Espanha constituiriam pura exceção. Nada indica que isto venha a se repetir, como de fato até agora não mais se deu (pp. 105, 106).


Mentira. O livro "E Monsenhor Lefevre vive?" tem como data janeiro de 1998. Daí para cá, os joaninos da Espanha, como de outros países, não só continuaram mas liberalizaram ainda mais o comparecimento ostensivo à Missa Nova.





III. Posições dos Padres joaninos em relação à Missa Nova


A. Em agosto de 95, solidários com o livro de Dr. AX


Trecho de carta enviada em agosto de 1995, pelos padres Antônio, Gervásio e Olavo --ardorosos adeptos de JC--, bem como pelo Rvdo. Padre David, ao Cardeal Innocenti, Presidente da Comissão Ecclesia Dei:


De fato, ao aceitarmos a 22 de novembro de 1989 os quesitos exigidos pela mencionada Comissão para conceder o “celebret”, deixamos claras nossas perplexidades de consciência à chamada “Missa Nova” e a alguns pontos não especificados do Vaticano II. Justificávamos a atitude em relação ao Novus Ordo enviando o livro no qual nos baseávamos e pedindo esclarecimentos que nos mostrassem, no âmbito doutrinário, a solução para o problema levantado. Ou seja, que a nova Missa não nos parecia conciliável com a anterior doutrina católica (AX, “Na Nouvelle Messe de Paul VI: qu’em penser?”, Diffusion de la Pensée Française, Chiré-en-Montreuil, 1975).


Mais adiante, a carta transcreve várias declarações de eminentes personalidades eclesiásticas que “dão razão às conclusões do estudo de Xavier da Silveira no qual baseávamos nossas perplexidades”.





B. Em janeiro de 1997, solidários com as normas relativas às atitudes dos membros da TFP perante a Missa Nova


"Jour-le-jour" 12/1/97, parte I:


Chegou-me aos ouvidos de que entre alguns dos senhores se comentava que o fato de os padres de Campos terem recebido carta branca e terem sido oficializados, que eles são obrigados agora, por um tratado que eles assinaram, a, em Campos, enfim, nos vários lugares onde eles estão, celebrar Missa nova. Ou pelo menos assinaram um papel mediante o qual eles aceitam a Missa nova, porque a Comissão Ecclesia Dei -- eu não sei como é que a Comissão Ecclesia Dei entra nisso -- exige isso.

Então eu pediria ao Pe. Olavo que desse uma explicação a esse respeito, se é assim, se não é, como é que é, como é que não é.


Pe. Olavo: Essa concessão do Sr. Bispo de Campos justamente consiste, no essencial, em permitir que nós continuemos celebrando a Missa São Pio V. É, segundo o documento de Paulo VI, documento chamado "Ecclesia Dei", seguir a disciplina antiga, a disciplina tradicional, a tradição na disciplina, na liturgia, e também ele fala na espiritualidade.

(...) De modo que a novidade, o que foi valioso para nós, é que -- o Sr. João disse isso e eu também acredito piamente que foi uma intervenção do Sr. Dr. Plinio -- nós podemos continuar como estamos.

O que nós não podíamos em consciência ceder porque a Santa Sé aceitava, tudo isso ficou estabelecido numas cartas, nos documentos que foi mandado pela Santa Sé.

Há uma exigência, por exemplo, que a Santa Sé fez -- que aliás foi assinada pelo próprio Mons. Lefébvre -- e que a Santa Sé tomou como base o acordo que tinha sido começado com Mons. Lefébvre, para também ser um acordo feito com os outros padres que seguem a tradição, que é o seguinte:

Naqueles pontos do Concílio, naquelas doutrinas, naqueles ensinamentos do Concílio ou reformas pós-conciliares -- por exemplo, a reforma da Missa -- em que nós achamos que aquilo dificilmente se concilia com os documentos do magistério precedente da Igreja, então exige apenas que nós tomemos uma atitude em relação a esses pontos de dialogar diretamente com a Santa Sé e não fazer uma polêmica pública atacando a Santa Sé, como Mons. Lefébvre fez, dizendo que o demônio estava no Vaticano e coisas assim. Então ela exige apenas isso.

Ela nem exige que nós pensemos de uma maneira diferente em relação às objeções que nós temos com o Concílio e as reformas pós-conciliares. Ela usa essa expressão: "naquelas coisas que parecem para nós dificilmente conciliáveis com a tradição, nós tenhamos uma atitude de diálogo direto". A gente, então, faz as objeções à Santa Sé, mas não sai a público criticando.

Esse ponto nós aceitamos. Foi a única coisa que nós aceitamos.

Depois nós acrescentamos ainda que quando um fiel ou quando alguém, vamos dizer, suspeitasse de nossa posição, que fosse uma posição cismática, uma posição de desobediência, por exemplo, em relação à Missa, que nós queríamos ter a liberdade de poder explicar aos fiéis as razões de por que é que nós não celebramos a Missa nova.

Também uma das exigências que foi aceita é que nas nossas capelas não se celebrasse Missa nova, a não ser ocasionalmente. Porque ocasionalmente, em certas circunstâncias, é lícito. A própria moral e D. Mayer no tempo que ele estava ligado à TFP dão várias orientações nesse sentido.

Por exemplo, eu me lembro que ele dizia que uma pessoa que quando foi introduzida a Missa nova -- um cooperador, vamos dizer -- não fosse à Missa... Ele morava em casa, vamos dizer que fosse uma pessoa casada, e a família ia ficar escandalizada porque ele está faltando à Missa no domingo. A família não estava ainda em condições de receber uma explicação a respeito da Missa nova. Nesse caso -- aliás, ele dizia isso de acordo com a moral --, a pessoa para não escandalizar o membro da família, que ia ficar escandalizada: "O senhor não vai à Missa, vai perder a Missa? É da TFP e está cometendo um pecado grave?", ele podia ir junto com os familiares assistir à Missa nova. Assistir passivamente.

Ou no caso, por exemplo, de D. Roberto, que fosse à nossa capela um dia e fosse celebrar a Missa nova. Para receber a autoridade, em respeito à autoridade, poderia também os fiéis e os sacerdotes assistir passivamente.

Só nesses casos excepcionais. Agora, de uma maneira ordinária não.

Vamos supor que um cooperador lá da matriz fosse todo dia celebrar na minha capela ou todo domingo a Missa nova. Isso já ficou muito bem esclarecido, mais do que esclarecido, já anos atrás, que isso a nossa consciência não permite.

De modo que nós não fizemos nenhuma concessão em matéria de Missa nova. Justamente o que foi é que ele concedeu, porque o próprio Papa, a própria Santa Sé...





C. Em 1999, abertura do Padre Olavo para a Missa Nova


SRM, 2/3/99, informação de Dr. Plinio Xavier:


O Sr. Ghiotto disse hoje que dois enjolras de Campos visitaram uma senhora do Norte Fluminense, e que na conversa se mostrou muito escandalizada pelo fato do Pe. Olavo a ter querido obrigar a assistir Missa Nova. Ela não compreendeu mais nada. Nossos enjolras explicaram a situação, ela aceitou bem, ficou simpática e fez assinatura do Catolicismo.


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Depoimento do Sr. Ghioto, 1/7/99:


Em Miracema esteve o bispo de Campos, Dom Roberto, celebrando a Missa (nova, evidentemente) por ocasião da visita das relíquias de Santo Antônio que está percorrendo várias cidades do Brasil. Santo Antônio é padroeiro de Miracema.

A Missa foi celebrada na praça, em frente à igreja matriz. O Pe. Olavo esteve presente (no palanque), com seus paroquianos. Ao final da Missa, o padre progressista local tomou o microfone dizendo que estava muito contente com a presença do Pe. Olavo e convidou a todos aplaudirem o Pe. Olavo.

Um rapaz que se casou, há certo tempo não conseguiu que o próprio pai fosse à igreja progressista assistir o casamento, porque o Pe. Olavo tinha proibido. Agora, viu o Pe. Olavo e o próprio pai na Missa de Dom Roberto e comentou escandalizado como era possível que o Pe. Olavo tenha proibido o pai e agora ele mesmo vai à Missa nova, junto com meu pai.

Tivemos várias repercussões de pessoas do publico escandalizadas com a atitude do Pe. Olavo. Amanhã, dia 2/7, o bispo vai à capela do Pe. Olavo para administrar a crisma. Provavelmente haverá Missa nova.








IV. Alcance da polêmica


A. Em si


Palavras de Dr. Plinio, artigo “O Direito de Saber”, "Folha de São Paulo", 25/1/70:


Como todos sabem, a Missa é o ato mais augusto do culto católico, pois renova de modo incruento o Sacrifício do calvário. Tudo quanto toca na Missa toca, pois, no que a religião tem de mais nobre, sensível e vital.





B. Do ponto de vista da luta RCR dentro das mentalidades


Santo do Dia, 29/6/74:

Há uma primeira coisa que é preciso notar, já que o Sr. fala de liturgia progressista, e que é o seguinte. Na atitude dos fiéis na Igreja, a coisa de vinte anos atrás, havia preocupação de resguardar o silêncio dentro do qual o fiel rezava. De maneira que o fiel entrava na igreja, estava tocando uma música, estava cantando um coro. Se o fiel quisesse, ele podia associar-se, mas se ele quisesse, ele podia também ficar em silêncio. Tudo favorecia o recolhimento em silêncio. Por quê?

Porque o silêncio, a prece em silêncio é uma das atitudes de alma muito característica de uma pessoa que tem personalidade, que se recolhe, que se isola do contexto e que reza sozinha. Introduzidas as reformas litúrgicas, os senhores prestem atenção, não deixam a pessoa quieta um momento. E é o tempo inteiro um modo de rezar alto, que impede de pensar. Ou a pessoa entra naquela cadência quase mecânica, ou a pessoa não consegue pensar. Isso tem como efeito que isso não serve para a alma formar sua personalidade como deveria formar (1).

Os senhores tomem nos tempos antigos, por exemplo, um grupo de pessoas estava numa igreja acompanhando o padre, dialogando com o padre a Missa, o que é uma coisa legítima. Ou então rezando o rosário durante a Missa. As pessoas tinham o cuidado de não falar alto, era mais um burburinho do que qualquer outra coisa. Por quê? Para que os que quisessem pudessem se recolher, porque tudo na igreja favorecia o recolhimento, que é personalizante.

Pelo contrário, tudo quanto se vê na liturgia nova é para quebrar esse recolhimento, quebrar a personalidade. A atitude litúrgica recomendada pelos progressistas é uma atitude que é profundamente diferente da que existiu na igreja e como deve ser.

(...) Por isso, os senhores tomam uma Missa antigamente, o clima era para a pessoa pensar na misericórdia de Deus, na bondade de Deus, na justiça de Deus: é um Deus pessoal. Os senhores entram na atmosfera de muitas missas contemporâneas, não se pensa num Deus pessoal (2). É aquilo papagaiado: "Nós vos dizemos ó Deus tal coisa assim, vós... --que vós, tu-- tu que és Deus santo, santo, santo... teteté", a gente tem impressão de que aquilo não é uma música, mas é um conjunto de máquinas de escrever fazendo datilografia, sem harmonia nem som. (...) Isso caminha exatamente para a panteização. Eu não quero dizer com isso que essa seja a intenção de cada padre que celebra nesse gênero, nem que tenha sido a intenção necessariamente de cada um dos que compuseram isso. Mas eles acabaram fazendo esse jogo.

(...) Então o Sr. me dirá: "Mas então personalidade é virtude? Porque se a pessoa tem personalidade boa ou má, do ponto de vista da virtude é indiferente ter personalidade". É uma objeção que se poderia fazer. Por exemplo, ninguém vai dizer que o demônio não tem personalidade. Cada demônio é um anjo decaído e o anjo tem personalidade.

Então, do que é que adianta a gente ter personalidade, se não ajuda para a salvação? É uma pergunta que se poderia fazer. A resposta é muito simples. Se é verdade que uma pessoa pode ter muita personalidade e não ser bom, é verdade também que a gente não pode ser bom se não tiver personalidade nenhuma. É evidente. (...) De maneira que, para ser bom, precisa ser pessoa. O que é ter personalidade? É ser intensamente pessoa.

Quer dizer, a santidade necessariamente aumenta a personalidade daqueles que são santos, embora haja indivíduos não santos que nasceram com mais personalidade, que foram criados com mais personalidade do que um santo. Também é verdade que a santidade tem portanto por pressuposto a personalidade. É verdade também, em conseqüência, que a pessoa combatendo que alguém tenha personalidade, cria condições desfavoráveis para a santificação. E destruindo a personalidade, destrói a possibilidade de santificação (3).

(...) A televisão é eminentemente massificante. Ela cria o homem-massa, porque ela dá ao homem a facilidade de ter um conjunto de impressões tão rápidas, uma depois da outra, depois da outra, depois da outra que ele não tem tempo de pensar. E na medida em que o homem pensa pouco ele tem pouca personalidade. É uma coisa evidente.

Mais ainda, a televisão enche todos os interstícios da vida. Eu não me admiraria que alguma pessoa tivesse olhando para a televisão até na hora de escovar os dentes. Porque o que a pessoa pode fazer vendo televisão, faz. (...) A conseqüência é óbvia. Isso despersonaliza, porque todo mundo tem as mesmas preocupações, vê as mesmas coisas, tem o tempo enchido com os mesmos cenários e se insinuam as mesmas reações (4). Resultado: isso prepara a sociedade da quarta Revolução.

(...) Aí nós podemos combinar televisão com futebol. Eu uma vez vi uma fotografia de um estádio, e fiquei assombrado vendo a seguinte coisa: pessoas acompanhando pelo rádio a partida de futebol que estavam vendo. Quer dizer, o sujeito vê a cena, mas para ele ter uma atitude de alma inteira diante da cena, ele precisa do locutor comentando a cena para ele (5). Então vem aquela história que a gente ouve em partida de futebol: "Hanhanhan, Zezinho passa pra... volta, pára... gooool, gool..." O indivíduo não é capaz de torcer para uma partida de futebol se ele não tiver um “speaker” pegando fogo nele. Esse é um homem que tem personalidade? Ou é uma terrível privação da personalidade? É evidente!

Se um não sabe comer sem que outro ajude, nós dizemos que ele é um coitado. Se um não sabe pensar sem que outro ajude, o que é que ele é?


Comentários:

  1. É raro encontrar rapazes formados por JC que estejam quietos e pensando. O tempo inteiro tem que estar saltitanto, gritando “fenomenal!”, “entusiasmados”, etc. Do contrário serão tidos como “tiroleses” ou “ploc-plocs”.

  2. Quer dizer, na opção liturgia tradicional - liturgia progressista há no fundo uma opção entre duas concepções de Deus.

  3. JC, ao mesmo tempo que fala de “santificação”, despersonaliza as pessoas.

  4. Os adeptos de JC tem as mesmas preocupações, vêem as mesmas coisas, tem o tempo enchido com os mesmos cenários e tem as mesmas reações.

  5. Os joaninos, quando assistem os audiovisuais preparados pelos eremitas de S. Bento, acompanham aquilo que estão ouvindo lendo textos projetados na tela simultaneamente.


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A Missa no Rito São Pio V, não só tonifica a personalidade, mas também aguça o senso do mal, conforme ensina São Vicente Ferrer:


A salvação da humanidade está cifrada na celebração do santo sacrifício da Missa, porque todo o esforço do malvado anticristo se orientará a tirar da Santa Mãe Igreja este santo mistério, em que se maneja o precioso corpo de Jesucristo, em memória de sua santa paixão, por médio da qual os bons fiéis cristãos, ainda que sejam ignorantes e sem ciência, poderão ver as astucias e malícia do malvado anticristo e de seus seguidores.

(Cfr. Biografia y Escritos de S.Vicente Ferrer, BAC, Madrid, 1956, “Opúsculos – Contemplación muy devota que abarca toda la vida de Jesucristo, Nuestro Salvador, a través de las ceremonias de la Misa”, p.580).





C. Do ponto de vista da luta RCR dentro da Igreja


Palavras do Dr. Gregório Vivanco (Simpósio no ANSA sobre a Missa Nova, 18/9/97):


O "Ordo Missae", além daquilo que significa em si, ele tem um valor simbólico em relação a toda a luta contra o progressismo, do Sr. Dr. Plinio. (...) Quer dizer, evidentemente só se compreende esse problema que nós estamos tratando aqui, dentro de uma situação de crise na Igreja. Nem seria possível numa situação de normalidade, aparecer um "Novus Ordo" com características inteiramente heretizantes, cismáticas, etc., como foi acusado por muitos autores. O livro do Dr. Arnaldo Xavier da Silveira, não é o único. Há inúmeros autores, teólogos, etc., que se pronunciaram contra. (...) E é por isso que esse lance [contra o] "Novus Ordo Missae" não pode ser visto apenas individualmente, como uma coisa única. Mas ele faz parte --eu repito-- de uma posição tomada pelo Sr. Dr. Plinio em face de todo o progressismo. E que como posição pública, já vem desde 1.943, quando ele lançou o livro "Em Defesa da Ação Católica" --que já condena alguns dos erros que o "Ordo Missae" reedita.[A] causa próxima do "Ordo Missae" foi o Concílio Vaticano II. Esse Concílio, realizado no período de 62 a 65, incluiu com muito empenho uma reforma litúrgica. (...) A Missa Nova levou muito mais longe aquilo que está no esquema da Liturgia, do Concilio. Ela foi muito além. O lado protestantoso, heretizante, caminhou muito. Mas não deixa de ser verdade que esse foi o impulso inicial. E foi em obediência ao Concílio que foi feita a Missa Nova.


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A Missa Nova é fruto direto da reforma litúrgica conciliar. Dita reforma foi o aspecto concreto do Concilio que mais revolucionou o ambiente interno da Igreja e que mais favoreceu a infiltração dos erros progressistas na mentalidade dos fiéis (1) (Cfr. Memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96)


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(1) Note-se que as mudanças litúrgicas introduzidas pelo Concilio, entre outros efeitos, abalam a noção do “sacerdócio hierárquico” dos padres, exaltam a noção do “sacerdócio genérico” dos fiéis, e abrem as portas para o “sacerdócio feminino”. E que, simetricamente, as “reformas joaninas” abalam a hierarquia do Grupo, exaltam a participação da “plebe” no governo da Instituição, e abrem as portas para o apostolado feminino.

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Trechos do artigo “O Direito de Saber”, publicado na "Folha de São Paulo" em 25 de Janeiro de 1970, de autoria de Plinio Corrêa de Oliveira:


- Dois cardeais (...) não trepidaram em escrever a Paulo VI uma carta em que manifestavam viva apreensão e fundas reservas quanto ao novo “Ordo”. (...) Trata-se do célebre Cardeal Ottaviani, secretário emérito da Sagrada congregação para a Doutrina da Fé. E do grande latinista cardeal Bacci. (...).

Segundo os dois cardeais, o novo “Ordo” apresenta a Missa, não como um sacrifício conforme à doutrina católica, mas como uma ceia. E isto --acentuam eles-- se aproxima do conceito protestante. Creio não ser preciso dizer mais, para que o leitor se dê conta da gravidade do pronunciamento dos dois cardeais ...


- No “Courrier de Rome”(25/7), leio uma declaração que procedente de fonte diametralmente oposta, caminha para a conclusão a que chegaram os dois cardeais. Uma das mais célebres instituições protestantes da atualidade é o convento de Taizé, na França. Ora, em artigo publicado no diário católico parisiense “La croix”, o “irmão” Thurian de Taizé escreveu: “a reforma liturgica deu m passo notável (com o “Ordo” novo) no campo do ecumenismo. Ela se acercou das próprias formas liturgicas da Igreja luterana”.


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A seguir, transcrevemos algumas repercussões que o “Novus Ordo” suscitou nos meios teológicos e que foram registradas em “Catolicismo”, de fevereiro de 1971:


- [O Novus Ordo Missae] representa tanto no seu todo como em suas partes um afastamento impressionante em relação à teologia católica da Santa Missa, tal como foi formulada [no] concílio de Trento, o qual, fixando de modo definitivo os “cânones” do rito, ergueu uma barreira intransponível contra qualquer heresia que ofendesse a integridade do Mistério. (Carta dos Cardeais Ottaviani e Bacci a Paulo VI, no 3 de setembro de 1969, cfr. “Lumière”, nro. 66, de novembro de 1969, p.3)


- Enganar-se-ia tragicamente quem reduzisse a reforma litúrgica (...) a uma simples manipulação administrativa de rubricas, em última análise, admissível, como dizem alguns. (...) Essa reforma é, quer ser e se confessa uma revolução. (Cfr. artigo “La messe polyvalente de Paul VI”, publicado no boletim “Courrier de Rome”, Paris, nro. 53, 25/9/69, p.7)

- A atual reforma litúrgica nos ensina um evangelho diferente daquele que Pedro, sempre vivo nos seus sucessores, havia professado até agora; e nos anuncia outro evangelho, que já não é aquele que até aqui havíamos recebido. (Cfr. Pierre Tilloy, “L’Ordo Missae, L’Unité dans l’herésie”, in “Forts dans la foi”, maio - junho de 1969, p.229)


- No novo Ordo Missae atenta-se contra o próprio dogma. É um ato arbitrário, realizado não se sabe bem por quem e por que, contra o pensamento da própria Sagrada Congregação dos Ritos e da maioria absoluta dos bispos. (Cfr. Mons. Francesco Spadafora, citado por Mons. Domenico Celada, in “La mini – Messe contre le dogme”, boletim “La contre-Reforme Catholique au XX Siècle”, agosto de 1969, p.7)


- Torna-se agora evidente que, mais do que a liturgia, é toda a economia sacramental, e particularmente o sacerdócio, que estão gravemente comprometidos. (...) passo a passo, é toda a instituição da Igreja visível e hierárquica que está igualmente comprometida. (...) ao mesmo tempo são também o dogma, a moral e a espiritualidade católicos que estão ameaçados. (Cfr. “La pensée catholique”, Paris, nro. 122, quarto trimestre de 1969, pp.48-49, conclusões de várias associações católicas da Europa e América, reunidas em Roma de 10 a 15 de outubro de 1969).


- Um dos frutos [do novo ordinário da Missa] será talvez que comunidades não católicas poderão celebrar a Santa Ceia com as mesmas orações que a Igreja Católica. Teológicamente isso é possível. (Cfr. “La Croix”, Paris, 30/5/69 , palavras do insuspeito Max Thurian, irmão de Taizé).


- Anular o poder de atração da Igreja Romana, a ponto de transformá-la num picadeiro comum a todos: desde os shintoistas, passando pelos budistas, pelos maometanos, pelos adeptos de uma religião natural e pelos que cultuam divindades míticas, até os protestantes e franc-maçons [...] O novo “ordo missae” já é o passo decisivo em direção a essa meta. (Cfr. Dr. Joachim May, artigo “Feigheit im Klerus”, publicado em “Das Zeichen Mariens”, Lucerna, Suíça, novembro de 1969, p. 641).


- A mudança de mentalidade que de nós exigem [com o novo ordo] é uma mudança de Fé, e a ela nossa consciência resiste.

(Cfr. Pe. Joaquim Saenz, “La nueva misa”, Editorial OIC, Morelia, Mexico, 1969)


- Autodemolição da Igreja é como o Papa reinante denominou esta incrível revolução religiosa que presenciamos. Creio que, neste processo de dolorosa demolição, estamos avançando a passos de gigante, e que para isso as últimas mudanças litúrgicas estão contribuindo poderosa e eficazmente. (Cfr. Dr. Joachim May, artigo “Feigheit im Klerus”, publicado em “Das Zeichen Mariens”, Lucerna, Suíça, novembro de 1969, p. 641).


- A reforma da Missa não é apenas uma pequena modificação de pormenores exteriores, mas uma mudança na essência e no sentido da Missa. Significa o princípio de uma nova época na História da Igreja e representa uma ruptura com o Santo Sacrifício que Nosso Senhor instituiu (...). A Missa, que como todos os atos da Igreja deve ter por finalidade principal reafirmar a Fé, tem com o Novo Ordo exatamente a função inversa, ou seja, diminuí-la e diluí-la.

Os que aceitam a reforma (...) colaboram para uma transformação da Fé e muito provavelmente para a constituição de uma nova Igreja católica reformada. (Cfr. artigo “Es lícito opinar sobre la nueva misa?”, por Nicodemo, publicado na revista “Que Pasa”, Madrid, de 14/2/1070)





D. Do ponto de vista da luta RCR dentro da TFP


1. A Missa Nova, chave para a aproximação com a Estrutura


Carta do insuspeito José Coutinho a JC, em 29/2/96:


A idéia que [o Sr. Átila] tem do Grupo no momento, é comparada por ele à posição dos templários em sua decadência. Ele defende a esse respeito a tese de que os templários começaram a decair quando entraram em contato com o Velho da Montanha. Aí eles começaram por deixar-se influenciar pelas idéias desta seita, de tanto tratar com eles. E foram assimilando as coisas deles, entrando pelo ocultismo, etc., caindo na situação de degradação que parece tem caído. Um dia em que ele me dizia isso eu lhe disse: "Parece uma lei da História, mas quando uma instituição é muito chamada e decai, o normal é que caia no fundo do abismo". Aí ele atalhou, manifestando muito azedume e de uma maneira muito esquisita: “E essa é a situação do Grupo. As coisas estão no seu começo, mas é essa a situação”. Ficou claro o paralelismo feito por ele entre o processo de decadência dos templários e a situação do Grupo. Chamou-me especialmente a atenção a referência aos contatos dos templários com o velho da montanha. Pareceu-me uma clara alusão aos contatos feitos pelo Senhor com cardeais, teólogos, etc. especialmente com o Pe. Vitorino Rodrigues e o Pe. Royo Marin. Tanto mais que ele me disse em outras ocasiões, criticando muito, que no Grupo há pessoas que já estão em contato com a Opus Dei, insinuando uma vez que o Senhor está também tomando esses contatos. (...)

E me disse que vai por isso estudar o Pe. Vitorino no que diz respeito à liberdade religiosa, pois Missa Nova e Concílio estão intimamente ligados.


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As mudanças táticas face ao Novus Ordo teriam 3 objetivos imediatos:

  1. favorecer um tal ou qual reconhecimento do Grupo por parte de autoridades eclesiásticas (1); o Pe. Vitorino, para “nos ajudar” nesse sentido, exigiria isso;

  2. ganhar o apoio de eclesiásticos perante eventuais estrondos que possamos sofrer no futuro (2);

  3. regularizar a presença do Santíssimo nas nossas Sedes (3).


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(1)JC reconhece que, para ter “entrada” na Estrutura, é preciso ceder em matéria de Missa Nova. Com efeito, dirigindo-se aos Provectos, disse:

Doravante, os senhores terão oportunidade de entrar em contato direto com esses canonistas e teólogos. Sempre que os senhores necessitarem nós lhes forneceremos os nomes e os endereços. Dirijam-se a eles por carta, ou se preferirem viajem para tratar pessoalmente do assunto. Entretanto permita-me Dr. Paulo Brito, uma observação: não afirme diante deles, e menos ainda escreva, que a TFP tem uma posição oficial em relação à Missa Nova. Pois é certo que o senhor não sairá contente com o parecer que desejará obter ... (Cfr. Juízo Temerário, p.148)

(2) Numa reunião com seus discípulos mais ardorosos (5/4/96), JC relata os “entretetelones” de sua resposta ao memorandum que os Provectos lhe enviaram em março de 1996. Disse que vários membros de relevo dentro do Grupo tomaram seu partido. Mas um deles ficou com “uma dúvida na cabeça” quando soube que sócios e cooperadores da TFP Espanhola participaram de uma Missa Nova celebrada pelo Pe. Vitorino:

Havia uma dúvida que tinha surgido na cabeça dele quando ele leu o Covadonga-Informa, que era a Missa do Pe. Victorino de trigésimo dia, mas que lendo agora a explicação ele se dá conta perfeitamente que não podia ter outra saída, que era aquela mesma. Claro, se um padre que nos deu toda espécie de pareceres até hoje, que nos salvou de situações as mais difíceis possíveis, esse padre chega para o pessoal e diz: "Olha, eu quero celebrar uma Missa aqui no convento das dominicas que fica em frente e quero que a TFP esteja presente", esse pessoal não vai dizer para ele: "Escute, padre, vá plantar batata, mas nós não vamos".

-- Ah, mas por que é que publicaram no Covadonga-Informa?

-- Pois, claro! Ele precisa sentir que nós estamos unidos, justo agora.

Se durante a vida do Sr. Dr. Plinio nós tínhamos esse trato para com ele, calcule agora durante a morte. Nós precisamos dele, ainda mais no estrondo.

O raciocínio de JC é o seguinte:

Outrora, quando surgia algum estrondo, nossa defesa era feita por Dr. Plinio, mas era preciso recorrer à ajuda do Pe. Vitorino. Hoje, Dr. Plinio tendo morrido, dependemos mais do Pe. Vitorino do que antes. Portanto, é razoável que se ele nos pede que cedamos em matéria de Missa Nova, atendamos seu pedido. E se nos pedir outras concessões, também devemos atendê-lo.

JC, “o radical”, o aguerrido, o que costumava repetir que a intransigência é onipotente, adota a tática de ceder para não perder ...

(3) Mas há nisto um contrasenso. Pois ou a Missa Nova é lícita ou é ilícita.

Se ela é lícita, então não há razão para termos o Santíssimo nas Sedes, porque poderíamos ir comungar sem problemas nas igrejas vizinhas, participando da Missa. Para que então procurar um reconhecimento canônico?

Se é ilícita, a participação nela também o é. Como, então, mandar celebrá-la na própria sede?

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Mas as TFPs não podem conceder na questão da Missa, pois debilitariam sua posição para enfrentar a Revolução na Igreja e, em particular, os estragos produzidos pelo Concilio. Pelo seguinte:


(...) les événements de tout ordre se rattachant à ce grand double-mouvement forment nettement deux grands ensembles antagoniques, à savoir la Révolution et la Contra-Révolution. Les événements qui composent chacun de ces ensembles ne peuvent être vus que comme les pièces d’une mosaique faisant part de l’un et de l’autre de ces ensembles. Et qu’en dehors de ces ensembles ces pièces manquent tout à fait de sens.

Ainsi, le courant de gauche de l‘Eglise n’est qu’un ensemble révolutionnaire plus vaste. Il en est de même la Contre-Révolution dans l’Eglise (Carta a Mr. Verspieren, de 31/8/93).

(Cfr. Memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96, pág. 24)


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Mais uma razão para não transigir:


A curto prazo uma concessão nossa em matéria da Missa Nova, parece hábil, para obter apoios perante as atuais ameaças de estrondos. A longo prazo pode ter efeitos funestos. Porque os mesmos que hoje nos dão seu apoio, iludidos por nossas concessões, poderão vir a ser os primeiros a manifestar sua desaprovação, em termos tanto mais amargos quanto foram doces suas ilusões ...

Uma tal política, em lugar de solidificar pacientemente o terreno para termos melhores condições de enfrentar a Revolução, não fará senão tornar o terreno escorregadio e atrair para nosso lado um contingente dúbio que, na hora decisiva, poderá “virar casaca” e semear o pânico.

(Cfr. Memorandum dos Provectos a JC, 19/3/96, pág. 25)




2. Correlação entre Missa e coesão do Grupo


Segundo profetizou o SDP, quando ele morrer, “tudo, mas tudo vai girar em torno de um ponto só: manter a coesão do Grupo”.

Daí a primeira e principal preocupação dos Provectos: manter a todo preço a unidade da TFP.

Ora, um dos fatores da preservação da coesão do Grupo consiste precisamente em preservar nossa posição perante a Missa Nova:


a) Do ponto de vista externo, pela eventualidade de um choque com a Hierarquia a propósito disso.

As normas vem sendo praticadas pelos sócios e cooperadores das TFPs desde que a Missa Nova foi instaurada em 1969-1970. Foi precisamente o respeito escrupuloso dessas normas, já desde aquela data, que evitou que ficássemos envolvidos numa polêmica em torno do assunto. (Cfr. memorandum de 19/3/96 enviado pelos Provectos a JC, p.8)

Quer dizer, a introdução de mudanças nessas normas, como quer JC, isso sim poderia acarretar um choque com a Hierarquia.


b) Do ponto de vista interno, pois é das poucas matérias capazes de rasgar a “túnica inconsutil” da TFP.

É o que o SDP afirma num dos textos que JC enviou a Dr. Paulo Brito: “este estado de dúvida cria uma possibilidade de divisão das mais perigosas e lamentáveis entre os próprios da TFP, se for manuseado sem cuidado” (Cfr. Despachinho 8/4/93 assunto 3).

As Missas Novas rezadas em Sedes ligadas a JC --por exemplo na Espanha, Portugal, Saúde-- deixaram perplexos a muitos membros do Grupo. Exemplo expressivo dessa perplexidade é o que aconteceu com um apostolando alemão contatado na Espanha, chamado Dichtl, que quando voltou para Frankfurt perguntou: “como então, o SDP morreu e na Sede de Toledo já se celebra a Missa Nova?” Ora, se um apostolando ficou desconcertado com aquilo, pode se imaginar quanto maior foi o desconcerto de membros da TFP que conhecem perfeitamente a posição do SDP a respeito do Novus Ordo.





3. Correlação entre Missa Nova e sanidade do Grupo


O afrouxamento de nossa posição tradicional de intransigência em relação à Missa Nova pode vir a deformar a consciência dos membros mais novos do Grupo, que não viveram a crise litúrgica desde seus primórdios.

A abertura à Missa Nova --na realidade, a quebra da “barreira do horror” em relação a ela-- poderia levá-los a achar: a) que a Missa Nova é perfeitamente ortodoxa e que é legítimo dela participar; b) que embora ela tenha “sabor de heresia”, é lícito em certas circunstâncias dela participar e até fazê-la celebrar nas nossas sedes. A segunda conclusão, em certo sentido, é mais nociva que a primeira, pois favorece uma atitude relativista.

Correr-se-ia dessa maneira o risco de escandalizar os membros mais fracos do Grupo para não escandalizar o público que poderia não compreender nossa atitude face à Missa. O que seria inteiramente contrário à ordem da caridade, que obriga a preferir o bem dos bons que são próximos ao bem dos menos bons que são menos próximos.

Note-se que, em ambas conclusões, a coesão doutrinária do Grupo seria minada.

(Cfr. memorandum de 19/3/96 enviado pelos Provectos a JC)