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O Anticristo já veio?


Capítulo 13 - Mística joanina

Capítulo 13 - Mística joanina 1

I. Amostras de uma campanha de propaganda de tudo quanto é fenômeno místico 2

II. Tudo é mística 10

A. O flash --e portanto a mística-- resolve tudo 10

B. Dr. Plinio é místico – O relacionamento de Dr. Plinio com Dona Lucilia era místico (*) 10

C. Dona Lucilia era mística 10

D. Elias é místico, seu fogo é místico, a água é mística, as saudades são fenômenos místicos 11

E. Eu também sou místico 12

III. Vantagens que a imersão na mística joanina acarretaria 17

A. Para resolver os casos difíceis 17

B. Para ganhar prestigio: bom é aquele que embarca por inteiro na mística 18

IV. “Fundamentos” da propaganda - Meios para incentivar a mística 19

A. Exploração das palavras de Dr. Plinio 19

B. Abuso das palavras de Dr. Plinio 20

C. Adulteração das palavras de Dr. Plinio 21

D. A apresentação de Dr. Plinio como um grande místico 30

E. Dá a entender que até o próprio Dr. Plinio precisava embarcar na moda da mística 30

V. Caraterística da onda mística: auto propaganda 32

A. “Matriz de flash” de JC em relação a Dr. Plinio – As Três Pessoas da Santíssima Trindade na alma de JC 32

B. JC disse “esse é o homem” e a “Providência” manda um sinal solene de que “o homem” é ele 34

C. Nossa Senhora fará sair maravilhas do êremo de São Bento 35

D. O SDP está contente com as coisas do êremo Paesto Sum; JC morre, vai para o Céu e volta à terra 36

E. O SDP dirige uma campanha promovida por JC 37

F. Enquanto JC fala a seus adeptos, a “Providência” manda avisos sucessivos, e ele os interpreta 38

G. O sol sai ou se oculta em função de JC 39

H. Um anjo aparece para JC - Um anjo faz dar certo tudo aquilo onde JC põe a mão 41

I. Santa Teresa queria ficar com o terço de JC como relíquia 42

J. Nossa Senhora diz coisas muito engraçadas, chora, se mostra severa e contente, e exalta a JC como sucessor 43

K. Após ter tomado um lunche, JC entra em “êxtase” e comunga 50

L. JC sustenta a Igreja e seleciona os que devem entrar no Reino de Maria 51

M. “Uma mensagem enviada ao Sr. João por nosso Pai e Fundador” 51

VI. Bluff e caráter suspeito dos fenômenos místicos postos na moda 52

A. A Providência castiga as nações que recusam a “graça nova” 52

B. Num sonho, Dr. Plinio teria revelado a um joanino a data exata da Bagarre 53

C. Argentina vai ser completamente destruída, do Brasil sobrará apenas uma parte 53

D. Nossa Senhora reza a Si própria a “Ave Maria” 53

VII. Razão de ser do empenho de JC em fazer essa propaganda 54

A. Assumir a Direção do Grupo 54

B. Preparar os espíritos para o momento da ruptura 56

1. O dinamite que JC pôs na TFP 56

2. O esvaziamento das sedes 56

3. O êremo de S. Bento em chamas 57

4. Sinais a respeito da crise que se aproximava 58

VIII. Princípios, normas e advertências da Doutrina Católica a respeito da mística 59

A. Primeira atitude da Igreja perante os fenômenos místicos 59

B. Princípios, normas e advertências do SDP a respeito de previsões, profecias e moções da graça 60

C. O pior inimigo interno: os fabricantes de milagres ... 64

D. A imaginação, pórtico para o ingresso dos enjolrras no pan psiquismo 66

E. Regras de S. Afonso Maria de Ligorio 70

F. Regras de São Francisco de Sales 72

G. Regras de São Vicente Ferrer 75

H. regras de São João da Cruz 77

I. Avisos de Nosso Senhor à venerável Irmã Maria-Celeste 81

J. regras do Padre Royo Marin 81

IX. Duplicidade e hipocrisia joanina em matéria de mística 82

A. Peso dos sentimentos interiores 82

B. Tenho receio de incentivar os sonhos 82



***


I. Amostras de uma campanha de propaganda de tudo quanto é fenômeno místico


A seguir, transcrevemos uma série de documentos indicativos de um empenho consciente e voluntário de estimulo de toda classe de sonhos, aparições, visões, etc., omitindo sistematicamente falar dos cuidados que a Igreja recomenda nessa matéria.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento – Praesto Sum, 22/10/95:


Eu às vezes penso isso: de que os senhores têm uma imaginação exagerada, a Providência permite essa imaginação para os senhores se sentirem mais sustentados e aí pensarem mais no sobrenatural, nas coisas místicas, levitações, aparições.


*


Reunião para CCEE, 4/11/95:


(Sra. ...: É um fato que se deu com uma menina de 18 anos --ela veio no encontro uma vez só. Na terça feira, fazendo uma semana que o Sr. Dr. Plinio tinha falecido, ela teve um sonho com o Sr. Dr. Plinio. Na casa onde ela mora tem um quadro do Sr. Dr. Plinio muito bonito. [No sonho] Ela soube entre as amigas que Sr. Dr. Plinio às seis e meia rezaria a oração da restauração, no quadro. [inaudível].)


Isso que dia foi?


(Sra. ...: Foi na terça-feira. Mas isso é no sonho.)


Ah, no sonho. [Risos.]


(Sra. ...: Mas aí ela reuniu-se na sala com as três amigas e [inaudível] quando foi às seis e meia ele começou a rezar, e o quadro se deslocou da parede e ficou no ar. Então todas se ajoelharam e rezaram; ela começou a chorar e acordou chorando. No sonho, quando o Sr. Dr. Plinio terminou a oração, fez o sinal da cruz. Achei um fato muito interessante).


É muito interessante. É isso.

(Sra. ...: Ela não sabia que ele tinha falecido seis e vinte mais ou menos, não é? Então nos deduzimos que ele estava rezando por nós, felizmente, a oração da restauração.)


Sim, porque ele ofereceu a morte dele --está no testamento dele-- pedindo para nós a graça do Grand-Retour, que é o que a Oração da Restauração pede. É interessante.


(Sra. ...: E essa menina ficou muito triste por não poder vir no enterro do Sr. Dr. Plinio. Então eu disse: "Olhe, de repente você recebe uma recompensa". Ela disse: "Eu tive hoje a recompensa, sonhei com ele!") [Risos.]


Está vendo? Muito interessante, muito interessante.


*


Reunião para CE, 4/11/95:


Agora, de fato nós vamos conhecer muito da vida dele [SDP] que não conhecíamos. Eu não duvido que de repente alguém tenha uma iluminação qualquer do Espírito Santo --ou um outro fenômeno místico qualquer-- por onde fique conhecendo episódios que nós não conhecemos e que venham nos contar depois. Pode ser.

Muita, mas muita surpresa nós temos pelo nosso caminho. Não é possível que este homem chamado a fundador o Reino de Maria desapareça assim, sem que alguns fenômenos místicos se apresentem no futuro --de alguma forma ou de outra-- para nos dizer quem foi esse homem.


*


"Jour-le-jour" 26/11/95:


A imaginação não é má em si. Ela é chamada a louca da casa, quando desgovernada. Se ela fica desgovernada, é a louca da casa, mas a imaginação é um dom de Deus e um dom precioso de Deus. Se Deus deu ao homem, é porque ela auxilia ao homem. Então, eu posso perfeitamente, através da minha imaginação ter um convívio com o Senhor Doutor Plinio. É o que fazia o Pe. Alageagean.

Ele conta durante todos os vinte e tantos anos que esteve na prisão, ele tinha que encher o tempo dele. O que é que ele fazia?

Chegava a época de Natal, por exemplo, ele fazia o papel de Rei Mago e viajava junto com a comitiva de Reis Magos, na cela dele. Ficava rodando na cela dele, horas e horas caminhando. De repente parava a olhava para o horizonte para olhar a estrela "que bonita a estrela". Depois continuava a caminhar. Se já era dia então ele via a coluna de fogo. "É por aqui, porque eu vou ver o Deus que nasceu, vou ver o Menino Deus encarnado. Vamos." E continuava, continuava...

De repente, chegava no dia 6 de janeiro e ele entrava na Gruta. A Gruta era um pouquinho de palha que ele tinha conseguido e um Menino Jesus imaginário. Então, junto com os Reis Magos se ajoelhava, entrava com um Rei Mago que oferecia o ouro, depois saía. Depois entrava com o Rei Mago que oferecia a mirra, saía. Diz que foi o período de vida espiritual dele mais rico de toda a história.

Por que é que os senhores, no horário da meditação, ou em certas horas em que os senhores entram na capela, ou entram numa sala --pode ser sentado numa poltrona, de joelho ou prosternado, a postura em que o corpo menos atrapalhe e que mais propicie à oração--, parem e comecem a imaginar: subiu as escadarias do Primeiro Andar (...) toca a campainha: prrimmmm! Estou vendo pela imaginação. O expediente abre a porta e diz:

-- Pois não!

-- Eu tenho uma hora marcada com o Senhor Doutor Plinio agora.

-- É, ele já está sabendo. Está no escritório esperando o senhor. O senhor já pode entrar.

Então, eu vou conversar com o Senhor Doutor Plinio. Eu abro (...) a porta e vejo o Senhor Doutor Plinio sentado no sofá, com as pernas meio esticadas, um pouco jogado para trás, muito senhor de si, a fisionomia sorridente e me dizendo:

-- Entre meu filho!

Eu entro, me aproximo.

-- Então, meu filho, quanto tempo não nos falamos, não é verdade?

-- Sim, senhor.

-- E o que é que você quer, em que é que posso ajudá-lo?

Aí exponho o problema a ele.

-- Estou com um problema assim (...)

E assim por diante. O que é isto? Um convívio. (...) Mas senhores, essa união se faz sobretudo agora, não era só quando ele estava vivo. Agora, muito mais do que antes. Então, nós temos que nos convencer disso, nos compenetrar disso e temos que pôr em prática isso.

Até eu quereria que nos êremos fosse estabelecido um horário --poderia ser o da própria meditação de todo dia, ao invés dos senhores fazerem a meditação comum que os senhores têm, se os senhores quiserem até podemos combinar um esquema de meditação próprio a isso-- e meditação de convívio com ele, uma meditação que seria exercício de presença dele.


*


"Jour-le-jour" 28/11/95:


Não é possível termos sido nós criados para ele [SDP] e, de repente, o convívio com ele se evaporar de uma hora para outra.

É o que eu dizia: se evaporar este convívio nosso para com ele, quem evapora não é o convívio, somos nós. Quer dizer, nós temos que tornar esse convívio muito mais intenso.



*



Reunião na Saúde, 28/11/95:


[Outrora], a palavra que [o SDP] dizia era o Santo do Dia.

Mas aquilo que era dito tinha de passar pelo microfone, tinha de passar pelo vidro, tinha de bater no meu ouvido, e tinha de ser elaborado no alambique interior de minha alma tudo aquilo que ele dissera.

Agora não tem alambique, não tem microfone, não tem acrílico, não tem nada. A voz dele é direta. Ele antes podia falar e eu ouvir, ouvir o som produzido pela voz dele. Ele agora pode falar numa região mais profunda de minha alma, que está muito além dos meus ouvidos, está bem lá no meu interior. É onde eu entendo as coisas, depois de ter passado pelo ouvido. Agora não precisa passar mais pelo ouvido. Ele não está presente fisicamente, mas me fala no interior como nunca falou.

Então eu estou constantemente com ele, desde que eu queira. Porque é preciso que eu me volte a ele com a confiança de que ele me ouve, e com a confiança de que ele vai conversar comigo e vai me dizer coisas que normalmente ele não me dizia. (...) Se o Sr., nessa hora, disser: "Senhor, dizei que o vosso servo escuta", o Sr. começa a ouvir. O Sr. dirá: "Olhe, eu tenho feito esforço e não tenho ouvido”. O Sr. tem posto o ouvido no sentido contrário, porque que ele fala, fala. Ele não deixa de falar. Ele prometeu que estaria ao lado e ele prometeu que estaria falando, então ele fala. Então o meu estado de espírito tem de ser esse de confiança.

E eu devo ir crescendo nesse estado de espírito, crescendo, crescendo, crescendo até o momento em que eu recebo uma chama de Grand-Retour e aí é como se eu estivesse com ele permanentemente dentro do meu interior.


*


Numa reunião que fez em 29 de janeiro de 1996, em Roma, às tantas JC disse:


Eu estou vendo o Sr. Kenneth, coitado, que por minha causa ficou cansadíssimo aí, trabalhou até de madrugada, levantou-se cedo depois, e eu vou deixar um grafonemaço aí de não sei quantas páginas. Pode passar assim mesmo porque eles corrigem lá, eu já pedi para o Sr. Messias corrigir, e está acabado.


(Sr. Gugelmin: É a proclamação para sábado?)


Não, é um grafonema de dez páginas que eu estou mandando para o pessoal em São Paulo.

(Sr. Gugelmin: Ah, notícias.)


Notícias havidas aqui lá e acolá, com sonhos que os senhores não conhecem.


*

Reunião para os veteranos, 26/3/96:


Em Portugal, um grupo que se consagrou no dia do falecimento do Sr. Dr. Plinio, mas que não veio a São Paulo ainda e que não chegou a conhecer o Sr. Dr. Plinio, esse grupo se reúne todos os fins-de-semana numa saletinha --eles são sete-- onde eles colocam uma poltrona, umas relíquias do Sr. Dr. Plinio, uma mesinha para o chá do Sr. Dr. Plinio e vão assistir o chá do Sr. Dr. Plinio. Servem ao Sr. Dr. Plinio um cálice especial de licor ou de vinho do Porto e ficam todos de joelho ouvindo a fita. Quando termina a fita cada um deles pega um cálice inferior, se serve um pouquinho do cálice do Sr. Dr. Plinio e tomam. Recebem graças extraordinárias (1).

O que é isso? É recordar (...) e é o que nós precisamos fazer todos os dias de alguma forma.


Comentário:

1. É automático: basta fazer esse cerimonial, que as “graças extraordinárias” começam a chover...


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"Jour-le-jour" 16/6/96:


Curioso que ele [Dr. Plinio] não deixa de se comunicar através de sonhos, de inspirações e... Sonhos às vezes de arrepiar, e que são ações dele.


*


"Jour-le-jour" 25/6/96:


Eu não tenho trazido aqui os relatos que me chegam por escrito ou por várias vias, etc., de sonhos, de inspirações, de moções interiores da graça, etc., porque eu não quero sugerir nada, e quero deixar que a graça aja por si. Mas, é uma montanha! O que me contam a respeito de conversas com Senhor Doutor Plinio que tem tido este, aquele, aquele outro, é realmente de arrepiar. Em que fotos do Senhor Doutor Plinio que movem os olhos, e que fixam a pessoa, a pessoa que ouve no interior uma voz e que é uma voz inconfundível e que é do Senhor Doutor Plinio mesmo é que lhe dá tal conselho, que lhe dá tal outro.

O que tem acontecido na linha de coisas místicas aqui, lá e acolá no grupo é realmente impressionante.


*


Reunião para CCEE, São João del Rey, 4/8/96:


Bem, mas diante do coração de Santa Teresa, diante do braço de Santa Teresa ele [Dr. Plinio] teve graças místicas realmente profundas, porque ele saiu tomado. E no carro, por acaso, por uma razão x, y e z, ficou o Sr. Fernando Antúnez dirigindo, ele na frente e eu atrás e mais ninguém dentro do carro. Aí eu não resisti e disse:

-- Dr. Plinio, posso interromper um instantinho o senhor?

-- Pode, o que é que há?

-- O senhor recebeu graças místicas aqui, não recebeu?

-- Eu lhes dou um sub gravi.

-- Praesto Sum!

Então nos deu o sub gravi e vou contar o sub gravi. [Risos] Ele disse: Aqui eu recebi graças místicas dadas por Santa Teresa no seguinte sentido, é de que ela me fez uma promessa de que no futuro serão dadas graças místicas em quantidade aos membros do grupo para lutar na Bagarre e implantar o Reino de Maria.


[Aplausos]


E nós vemos que essas graças místicas vão sendo dadas, a tal ponto de que até os CCEE vão participando de alguma forma do discernimento dos espíritos dele, participando de alguma forma de carismas, de dons dele. E que agora que começam esse apostolado de visitas, de visitas, de visitas! Nossa! ainda ontem lembrávamos, nesse tempo, desde o simpósio até agora, no Brasil foram feitas quase 1500 visitas. É um bom número. Bom, nessas visitas o que tem acontecido? As pessoas se sentem na hora da conversa assistidas por uma graça, assistidas por um espírito, assistidas por um discernimento que não vem da família... [Risos] Vem daqui! [Aplausos e brado]


*


"Jour-le-jour" 26/9/96:


(Aparte: Sr. João, há alguma maneira de nós sabermos qual é a nossa luz primordial.)


Oh! Peça ao Senhor Doutor Plinio que diga em sonho, pelo menos. Claro!


*


"Jour-le-jour" 2/12/96:


Eu tenho aqui mais um sonho de Da. Maria Teresinha Barbosa Paraguassu, da noite de sábado dia 30 de novembro para domingo dia 1° de dezembro. (...) Infelizmente não sei mais o que interpretar além disso, não tenho idéia. Mas fica aí dada a notícia, pelo menos.


*


Assim termina a conversa telefônica de JC com os moços da Saúde, de 1/2/97:


E que o Sr. Dr. Plinio e a Sra. Da. Lucilia dêem aos enjolras todos da Saúde uma noite muito serena, tranqüila, cheia de sonhos com eles, que amanhã todos se levantem com mais energia e mais desejo de serem santos.


*


"Jour-le-jour" 16/3/97, parte I:


Eu agora por obrigação de saúde vou ter que me deitar para dormir. É uma pena, porque eu gostaria de continuar pensando no Sr. Dr. Plinio. Então peçam para sonhar com ele, peçam para que ele apareça em sonhos, para que os senhores continuem assim, de uma forma imaginativa e sonhadora, a oração das vinte e quatro horas do dia.


*


"Jour-le-jour" 14/10/97:


Não adianta começar a perguntar um para o outro qual é o ponto vivo porque ninguém aqui conhece bem como é que um, como é que é outro. E não adianta vir com a história de experiência da vida também. Aqui é preciso esperar a volta do Sr. Dr. Plinio para os senhores perguntarem.

Perguntem em sonho. O Sr. Dr. Plinio tem respondido muitas coisas em sonho.


*


"Jour-le-jour" 19/10/97, parte II:


Depois episódios assim que acontecem no mundo do trans, trans, transenjolrismo, um rapaz novo, bem novato, de uma cidade aqui do Brasil:

O primeiro fato se deu antes da ida para São Paulo. Na FMR dele tem-se um costume próprio de FMR, da mãe dar a roupa para os filhos para eles fazerem o toilette. Numa tarde, ele do quarto gritou para a mãe, para que ela desse as roupas dele, a mãe estava ocupada e disse que demoraria um pouco. No momento em que ele aguardava, uma "Senhora toda vestido de branco" entrou no quarto sorrindo para ele, foi ao armário, pegou as roupas, entregou a ele e como que disse... ela não falou nada, mas deixou entender que a partir daquele momento ela seria a mãe dele. Essa senhora saiu pelo mesmo lugar que entrou.

Em seguida a mãe aparece e encontra o rapaz com a roupa na mão... Segundo o rapaz, essa senhora era muito bela.

O rapaz foi para São Paulo, recebeu muitas graças e voltou mais animado. No mesmo dia em que voltou, ele se preparava para dormir, e ao deitar ele percebe um jovem muito belo entrar no quarto, sentar aos pés de sua cama e falar a ele: "Agora precisamos conversar! Você voltou de São Paulo, estou muito contente, mas você deve ver que deve esquecer aquela namorada. Preciso falar o nome dela?" (o rapaz disse-me que estava atraído por uma namorada do colégio).

Ele disse que não era necessário falar o nome... Esse jovem deu outros conselhos, entre eles pediu que rezasse mais. O apostolando a certa hora perguntou quem ele era, e a resposta foi: "Sou seu anjo da guarda!". Disse isso, levantou-se dizendo que agora devia ir e se foi.

É bom deixar claro que o rapaz ainda não estava dormindo e que realmente vendo-o narrar o fato parece ser tudo real...

O rapaz mudou completamente depois disso, é comparar a água com o vinho. Está disposto a deixar tudo, cortou o cabelo, dorme na sede, conseguiu autorização da mãe para morar também e assim por diante.


Não acham impressionante isso?

*


Depois que começaram as cerimônias de coroação da imagem de Nossa Senhora de Fátima por diversos lugares do Brasil, Alex Teixeira e outros eremitas passaram a enviar para a TFP Americana os relatos respectivos. Referindo-se à leitura dessas narrações, o Sr. James Dowl –em carta a Pedro Morazzani, 16/2/97--, descreve o seguinte:


Frequentemente eu tomava meio sustos com frases como ‘Após a apresentação, o Sr. JC deu uma palavrinha no ônibus na qual ele disse que nós devemos ser como ele, pois ele passou a vida tendo grande amor ao SDP’.

Já desde bem antes, as ‘notícias vindas da eternidade’ estavam vindo em quantidade: sonhos, sinais, e não tardou muito --aparições-- todos sempre falando a favor do que o Sr. João estava fazendo, dizendo que o SDP veio em sonho a uma moça correspondenta com recado para o Sr. JC, que o SDP apareceu na Sede do Reino de Maria, deixou alguns recados para o Sr. JC, e saiu voando pela janela ... Isso não parava.

Mas quando começou a euforia de ter sonhos, de receber visitas do SDP e mais não sei o quê, e depois de fazer relatórios dessas coisas e ler no auditório, comecei a ficar preocupado. “Relatório de uma moça correspondente sobre um sonho” ... “Relatório da Sra. X que viu uma planta mexer no presépio sem motivo aparente” ... (...) Este escravo de Maria fazia leitura no café da manhã no êremo, e muitas vezes se lia relatório dessas coisas (...).




II. Tudo é mística


A. O flash --e portanto a mística-- resolve tudo


Depoimento do Sr. Henrique Fragelli, SRM, 16/12/97:


[Numa das estadias de JC nos EEUU], ele dava reuniões diárias sobre a doutrina do flash. Tudo o que ele dizia a mim parecia contra a doutrina da Igreja. O flash era tudo. Se a gente estava com tentação contra a pureza, “lembra do flash”, quando a Igreja ensina que nessa hora a gente tem que fugir da tentação. [Eu] ficava sempre no fundo do auditório, percebi que sobretudo os mais novos estavam assim que não entendiam, porque era flash para tudo. Estava cometendo um crime: a tentação ia vir para aqueles rapazes em certo momento, eles iam [procurar ter] flash, não vem o flash, então ... (risos).


Dr. Mário Navarro: ele ameaçou o pessoal: vocês vão virar homossexuais se não tiverem flash.


Sr. Richard Lyon: Foi nessa viagem que ele leu aquela epistola de São Paulo, que diz: Deus os entregou às paixões de seu coração, homem cometendo pecado com homem, mulher com mulher, etc. Ele deu uma reunião, pediu que fosse lida a coisa por inteiro. A interpretação que dava era de que, quem não seguia o flash, cairia nisso.





B. Dr. Plinio é místico – O relacionamento de Dr. Plinio com Dona Lucilia era místico (*)


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(*) Ver Capítulo 22.

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C. Dona Lucilia era mística


Reunião para CCEE, 14/4/96:


(Sra. -: Sr. João, ela tinha a noção exata de quem era o Sr. Dr. Plinio?)

(...) Ela possuía um discernimento dos espíritos místico, creio eu, intenso, em relação a ele. Porque ela foi chamada a proteger e desenvolver a inocência dele, ela foi chamada a ser a mãe do fundador do Reino de Maria, ela foi chamada a ser a mãe da Contra-Revolução em carne e osso. De maneira que, evidentemente, ela devia ter uma graça mística profunda para conhecer, para saber quem ele era.

É certo que ela possuía uma noção da santidade dele, não -- curioso isto-- da vocação dele, da missão dele. Se ela tivesse compreendido inteiramente qual era a missão dele, ela deixaria de sofrer em relação a ele, porque compreendendo o quanto ele era santo, ela não podia entender porque é que ele a deixasse sozinha tanto. Ele deveria fazer mais companhia a ela e ela não compreendia porque é que ele não se mantinha em casa em torno dela o tempo inteiro.


*


Reunião na Saúde, 16/4/96:


Ela não era de falar de si, ela não contava os fenômenos místicos que deve ter tido durante a vida, mas é evidente que com essa fisionomia aqui, com as fisionomias todas que os senhores conhecem do álbum, é evidente que ela era uma pessoa com dons de contemplação muito especial e que deve ter tido fenômenos místicos durante a vida muito intensos.





D. Elias é místico, seu fogo é místico, a água é mística, as saudades são fenômenos místicos


Jour-le-jour” 29/4/96:


Então nós temos aqui Elias, uma figura misteriosa. Eu ia dizer uma figura mística, mas podia ter dito porque não estaria errado. É uma figura misteriosa e mística.Mística no seguinte sentido: ele é sustentado por graças operantes, porque se fosse sustentado por graças comuns ele não estaria vivo.

(...) Elias um homem místico, porque o fogo dele é um fogo místico, é um fogo que vem do Espírito Santo, vem dos dons de Deus, dons postos pelo Espírito Santo na alma dele.

*


"Jour-le-jour" 6/10/96:


A água tem um poder misterioso sobre o homem, tem um poder meio místico natural, se existir a mística natural, que eu não sei, eu fico na dúvida.


*


Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde (S. Paulo), 28/3/95 - Falando a respeito das saudades, o charlatão disse:


Quando as pessoas se põem em ausência, uma longe da outra, mas elas se estimavam pela virtude da Caridade, o que se passa no fundo é um fenômeno místico, mas tão denso, tão cheio de substância que mesmo à distância, mesmo portanto na separação ele cresce.





E. Eu também sou místico


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95:


De vez em quando, eu tenho visto umas coisas em terceira dimensão que eu não via antes.Por exemplo, eu estou rezando o rosário naquela sacadazinha em cima da biblioteca em São Bento. Olho para o claustro e no claustro estão jantando os camaldulenses. O claustro está aceso e tem aqueles arcos todos lá iluminados. Eu bati os olhos naquilo e vi aquilo como uma cena comum, como os senhores devem ver também. Mas atualmente tem acontecido, por exemplo, nesse caso concreto, que se deu uma dessas noites e hoje de novo, eu bato os olhos e vejo não só o claustro e os camaldulenses ali, mas vejo um futuro da obra dele e vejo um esplendor e uma força da obra dele no futuro, uma coisa extraordinária, de um desenvolvimento, de uma amplidão, de uma força...


(Aparte: Como o senhor vê? Vê figuras?)


Não. Mais ou menos como alguém que vê uma criança muito robusta, que olha para a criança e diz: "Esse tipo vai ser um 'tarzan', vai ser um fortíssimo".

O senhor vai dizer: "Como vê? Vê a figura?" Olhou para a criança e deduziu imediatamente.

Assim tem acontecido... que mais, ainda? Por exemplo, olhando para a imagem aqui de Nossa Senhora das Graças, vejo toda a proteção que há sobre o êremo, o futuro. Então, coisas assim tem acontecido.

(...)


(Cláudio Grandi: O senhor dizia a respeito daquele sonho com Plinio Maria, Plinio Filipe e Plinio Jônatas.) [NB: Trata-se de membros da TFP falecidos anos atrás]


Isso eu disse aqui antes de subir no carro. Eu disse que agora eu entendia porque é que o Plinio Maria segurava os lábios assim como quem dizia: "Estou proibido de dizer para o senhor." O Plinio Filipe dizia: "No le puedo decir, no le puedo decir." E o Plinio Jônatas dizia: "Fenomenal, fenomenal!"

Eu não entendia bem o que era. Sobre a cura da minha doença. Está bom. Mas será só isso? Agora entendo: que o "fenomenal" é que eles percebiam que já estava em curso a entrada do Senhor Doutor Plinio no Céu.

Por outro lado eles estavam também --acho que eles não diziam mas tomavam essa atitude-- porque eles percebiam e tomavam essa atitude, porque eles percebiam o que ia se passar com a obra do Senhor Doutor Plinio e o quanto o Senhor Doutor Plinio ia fazer depois de entrar no Céu. Então, como as coisas iam mudar.

(...)


(Cláudio Grandi: O senhor dizia que era uma falta contra a modéstia o senhor dar a interpretação toda, porque é que eles estavam contentes desse jeito.)

Modéstia, não sei por quê. Porque é isso.

(Cláudio Grandi: O senhor dizia: "Vou dizer uma coisa: todo o apostolado que nós fazemos, os êremos a Saúde, esse apostolado, não sei se a palavra é essa, vai ser glorificado.)


Não. Vai render, vai vingar, vai chegar a seu termo. Isso é verdade.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96:


Os senhores vão pensar que eu sou visionário, mas é que quando era criança eu aprendi a falar com muito atraso. Eu vivia sozinho, por isso eu me arranjo sozinho sem nenhum problema e toco minha vida sozinho, porque eu me habituei já desde menino o ficar o mais isolado possível. Meu grande prazer não é estar com os outros. Com os senhores sim, não tem a menor dúvida, mas eu me distraio mesmo quando estou sozinho.

Por exemplo, devia ter meus quatro anos de idade, havia uma sala de visitas logo na frente da casa, depois tinha um corredor que dava, à direita, para um quarto, depois vinha logo a cozinha, e eu estava brincando debaixo de uma mesa. Brincando com o quê? Com bolinha de papel, lá sei eu o que podia ser, nem me lembro mais. Brincando, olhando sozinho, e de repente quando olhava para a ponta do corredor via duas almas que apareciam a uma altura assim mais ou menos do lustre, com vozes.

Eu ficava duro, rígido, não conseguia mais governar meu corpo, e as duas almas diziam: "Vem comigo".


(Aparte: Algo branco?)


Algo branco, com uma fisionomia um pouco enevoada, com dois olhos muito claros.


(Aparte: Corpo inteiro.)


Não, eu via um busto, como se a pessoa estivesse deitada. Os olhos muito claros, a boca se mexia com muita clareza...


(S. Morazzani: Uma coisa malfazeja?)


Eu sentia que coisa boa não era, porque eu ficava duro, rígido, eu não conseguia me movimentar mais. Diziam: "Vem comigo. Vem comigo. Venha". Eu tinha que andar, não tinha meio de voltar atrás. Eu andava o corredor inteiro, as duas almas saíam pela janela, pelo vitrô, aí o encanto quebrava e eu saía correndo.

Isso foi umas trinta vezes, pelo menos.


(Aparte: O Sr. Dr. Plinio também, dentro do espelho.)


Sim, mas é que ele era ele, não é? De dentro do espelho uma tipa fez assim e ele...


(Aparte: E nesse foi várias vezes.)


Várias vezes.


(A. Tavares: Sempre no mesmo lugar, Sr. João?)


Sempre no mesmo lugar. Eu, criança, esquecia. Quando eu me dava conta dizia: "Ih!". Aí eu já estava preso, não tinha mais jeito.


(Walmir: O senhor não contava para ninguém?)


Não contava para ninguém. Não contava porque eu nem falava direito.


(Aparte: E era sempre as duas fisionomias?)


Sempre as duas.


(Aparte: O senhor se lembra exatamente?)


Oh! Se me lembro. Se eu fosse artista desenhava.


(A. Tavares: Depois nunca mais?)


Depois nunca mais.


(Aparte: Só diziam isso?)


Só diziam isso.


(Aparte: O senhor nunca falou para o Sr. Dr. Plinio?)


Contei para o Sr. Dr. Plinio. Aí ele me contava o caso dele.


(A. Tavares: Era homem ou mulher?)


Não dá para dizer.


(Reginaldo: O senhor acha que podia ser anjo?)


Não, anjo não era. Acho que era alma mesmo. De lá para cá eu não tive coisas assim, a não ser uma ocasião em que nós estávamos em Amparo, em que estávamos preparando aquelas cerimônias de ‘80 e eu resolvi rezar o rosário ali por aqueles morros. Em certo momento eu tive uma sensação clara de que tinha gente me seguindo de perto. Eu olhei para trás, olhei para os lados, não vi ninguém, mas tive uma sensação tremenda de que alguém queria me pegar.


(Aparte: : De noite?)


Era noite.


(J. Afonso: E na sala Santa Maria?)


Isso eu senti muitas noites. Isso deu-se depois de um Open House e depois do pecado do W., porque ele decidiu abandonar, naquele quarto, numa conversa comigo. Os lugares ficam marcados pelo pecado. Por isso quando o Sr. Patrício Larraín deu a idéia --nem me tinha passado nunca pela cabeça-- de eu me mudar para a torre, puxa, mas foi um alívio, porque eu passava mal nesse quarto aqui que era uma coisa tremenda. E tempos e tempos.


(Aparte: O curioso é que o senhor nunca pensou em ir para a torre.)


Nunca, nunca me passou pela cabeça, nunca me passou pela cabeça. Aqui nesse quarto era uma coisa tremenda, porque eu apagava a luz e sentia que tinha gente dentro do quarto querendo me matar. Eu sentia uma falta de possibilidade de respiração e sentia que alguém me sufocava no pescoço. Aí acendia a luz e não via nada. Eu apagava a luz... Só conseguia dormir com a relíquia da Sra. Da. Lucilia na mão esquerda e a relíquia do Sr. Dr. Plinio na mão direita cruzada assim no peito. Aí eu dormia.


(Aparte: O senhor também não contava para o Sr. Dr. Plinio?)


Contei. Ele foi no quarto dar a bênção, mas não adiantou nada. Eu acho que ou era um feitiço, algum amuleto que alguém deixou colado, uma pata de aranha que um sujeito deixa colado num móvel. Algum amuleto ou então o fato do W. ter cometido esse pecado ali deu ao demônio um poder sobre o local.


(S. Morazzani: Sr. João, essa visão seria diferente do que o senhor uma vez comentou, que olhava, por exemplo, o claustro e tinha uma espécie de previsão do que seria a obra do Sr. Dr. Plinio.)


Diferente, bem diferente.


(S. Morazzani: Não era uma imagem?)


Não.


*


Conversa no S.Bento, 26/11/96:


(Geraldo Maragno: O senhor citou São Paulo, [dizendo] que ele esteve no terceiro Céu. Agora, há graus no Céu? Como é que é?)

Há vários céus. Se não me engano, há sete ou nove, eu já não sei, mas eu acho que há sete céus.


(Geraldo Maragno: Como são esses céus?) [Risos]


"O olho humano não viu, o ouvido humano não ouviu, o coração não sentiu".


(Geraldo Maragno: Mas por que é que tem essa divisão? É de coros angélicos?)


Não, não, aí ele fala do Céu empíreo. São sete andares, são sete planos. Como é, não sei. E se eu vir por acaso numa levitação qualquer aí que eu tenha, num êxtase, voltando eu vou dizer o que disse São Paulo, não tem palavras. [Risos] Ninguém pode imaginar o que Deus preparou para aqueles que O amam.


*

"Jour-le-jour" 26/2/97:


Contrataram, há muito tempo atrás, para o Coral São Gregório Magno um professor de gregoriano. Esse professor de gregoriano era muito “sui generis” e eu gostava de analisá-lo. Um homem que se podia dizer que era mais vazio do que o oco. Eu acho que se usasse a cabeça dele para tambor dava um tambor de primeira categoria, porque era completamente vazio, mas vazio, vazio, vazio de tudo. Não tinha personalidade nenhuma, dizia-se para ele o que se quisesse que ele concordava, era uma pessoa sem princípio absolutamente nenhum, enfim, completamente... era um vácuo coberto por uma pele. Porque eu acho que nem carnatura ele devia ter, era uma pele inflada. Esse era o professor de gregoriano.

Eu achei o homem “sui generis” e troquei umas duas ou três vezes uma palavrinha com ele muito rápida para ver como é que era o homem por dentro. Tive essa impressão de vazio e de oco completo. Não é comentário do Sr. Dr. Plinio, é comentário meu de experiência "mística" minha em relação a ele.


*


Trecho de entrevista feita a JC, na Colômbia, pelo canal de TV “Tele-Antioquia”, no programa “Enlace”, 13/11/98:


Pregunta: Alguna vez ha recibido algun milagro de la Virgen?


Resposta: De la Virgen de Fátima no, pero he recebido muchas consolaciones, muchas vozes interiores, muchas inspiraciones e he sido assistido muchisimo por aí.





III. Vantagens que a imersão na mística joanina acarretaria


A. Para resolver os casos difíceis


Reunião para os veteranos, 8/10/96:


Infelizmente não podemos dar o nome da pessoa em concreto. O Sr. Fernando e eu conhecemos o caso, um caso difícil de resolver que estava todo encrencado, encaracolado, enovelado, amarrado.

O Sr. Fernando pediu a intervenção do Sr. Dr. Plinio. A pessoa em concreto --nós não sabíamos-- metida no enrosco pediu uma intervenção do Sr. Dr. Plinio e da Sra. Da. Lucilia. Mas nós não sabíamos.

De repente esse encrencado tem um sonho que deixou a ele arrepiado. Ele sonhou que estava numa cama todo cheio de esparadrapos nas mãos assim, um no abdômen, outro no peito, e ele queria tirar e não conseguia porque estava todo amarrado. O Sr. Dr. Plinio estava deitado no sentido contrário ao dele, e o Sr. Dr. Plinio tentava dizer alguma coisa para ele, meio já exausto, meio cansado, meio dormindo, e balbuciava.

Então ele pedia a interpretação do sonho, e na interpretação do sonho nós demos a ele o que resolvia o caso dele, que nós estávamos insistindo e que sabíamos que era vontade do Sr. Dr. Plinio. Nós dissemos:

-- O senhor está com os pés no lugar por obediência e a cabeça no outro por capricho. O Sr. Dr. Plinio está com os pés no lugar onde o senhor está para tentar ajudá-lo, mas a cabeça dele está onde ele quer que o senhor fique, no sentido contrário. O senhor está com as mãos amarradas porque o senhor quis, porque ninguém é amarrado --com esparadrapo ainda mais-- por inconsciência. O senhor foi amarrado porque o senhor quis e o senhor está amarrado como Sansão se deixou amarrar. O Sr. Dr. Plinio está tentando dizer para o senhor o que o senhor já sabe que o senhor tem que fazer. Agora, o senhor não faz porque o senhor é um cabeça dura, mas o Sr. Dr. Plinio já está exausto, já não agüenta mais de dizer: "Meu filho, faça isso".

Sabem que o sonho tocou tanto o caso, que o sujeito escreveu um grafonema dizendo que entregava os pontos, que já essa semana ia resolver os casos todos e que ia...

Via mística, porque o senhor [NB: Sr. Fernando Antunez?] gastou um verbo enorme no caso, eu gastei o que pude também, e ainda fugi de outros esforços, porque via que não tinha jeito de resolver o caso, e foi resolvido por um sonho. É impressionante.





B. Para ganhar prestigio: bom é aquele que embarca por inteiro na mística


"Jour-le-jour" 27/1/96:


Infelizmente, nós somos homens concretos, homens materialistas, homens de crer nas coisas que a gente apalpa. (...) Então, o homem que é corpo e alma, se escraviza à constatação física das coisas. (...) Nós não temos a parte divina; nós temos quando muito uma participação na natureza divina com as graças que são místicas. Então, muitas vezes, nós recebemos premonições, sonhos, palavras interiores, ilustrações, iluminações internas feitas pelo Espírito Santo e nos encantamos.

Quem está bem na vida espiritual, dá a essas palavras, dá a essas inspirações, um certo valor, deixa-se tocar pela graça sensível que acompanha essas graças e aquilo marca a alma. Quando ela constata na realidade, ela tem um encanto. (...) Sabugo é aquele que não deu atenção nenhuma às graças místicas, não deu atenção nenhuma às graças operantes, não deu atenção nenhuma a este contato com Deus que a alma tem nessa hora de contato experimental. E conclusão: esse vive do concreto-concreto.

(...) nós temos dois extremos: o extremo de quem não deu confiança nenhuma a essas graças, e o extremo de quem dá uma fé, uma adesão extraordinária a essas graças. E nesse meio termo, às vezes, nós nos localizamos, mais próximo de um, mais próximo de outro. E nós deveríamos estar com os olhos constantemente, constantemente postos mais nas partes que nos ligam ao sobrenatural, do que nas partes que nos ligam ao concreto-concreto.


JC classifica os cooperadores em função de como se impostam perante os fenômenos místicos: a) os maus, isto é, os que desconfiam completamente desses fenômenos; b) os bons, que aderem completamente a esses fenômenos; c) os medíocres, que oscilam entre as duas posições anteriores.

Nessa escala, o “homo iniquo et doloso” exclui os ingênuos e bobos que, acreditando que estavam aderindo à mística verdadeira, embarcaram de cheio na mística demoníaca.





IV. “Fundamentos” da propaganda - Meios para incentivar a mística


A. Exploração das palavras de Dr. Plinio


Numa reunião feita nos Estados Unidos, JC comenta um almoço do dia 7/8/92, onde Dr. Plinio diz o seguinte:


Bom, nós falamos a respeito de Bagarre, quando começa, etc., etc. Será que a primeira notícia que tenhamos da Bagarre não seria um anjo falando a nós em sonho?


(...)


Sabe como é que seria interessante? Que o sonho nos dissesse, vá à tal hora a tal lugar, e você vai encontrar, estes, aqueles e aqueles outros do Grupo, mas não diga nada a eles. Quando se encontrarem todos, percebem todos que todos tiveram o sonho. Seria muitíssimo tocante. Bom! E quem sabe?!


(...)


Você pega, por exemplo, esse almoço aqui, nesse almoço, no meu modo de entender, nenhum de nós sonhou nada, e não houve nada de sonho. Mas houve uma qualquer coisa que foi assim como uma raspagem como certos pássaros que passam por cima d'água e molham as asas sem banhar-se. É assim. E vão embora. Mas levam alguma coisa que é única. E que um pouco do que nós poderíamos chamar, uma "água mística" nas asas das almas de cada um de nós, se molhou, mas que isso é um presságio de alguma outra que virá não sei quando.


(Dr. Adolpho: Mais intensa ainda.)

Muito mais intensa, mas que será presságio de outros presságios.


Nós precisamos estar nesta perspectiva: cada vez virão graças maiores e melhores com provações pelo meio. Mas nós devemos durante as provações ter confiança, durante as graças místicas deixar-nos levar. Depois vem a provação, não nos perturbarmos. A vitória é certa. Nada de perturbação.

(Cfr. "jour-le-jour" 7/2/96)


O conselho dado pelo farsante não é “devemos examinar e distinguir”, mas é “devemos deixar-nos levar”, pura e simplesmente.


*


Pelo menos em três ocasiões (“jour-le-jour” 25/5/97, reunião para CE de 4/11/95; e "jour-le-jour" 22/1/96 realizado na França), JC contou que, saindo de Alba de Tormes, o SDP fez esta previsão:


Seu senhor aqui, agora, diante destas relíquias de Santa Teresa recebeu uma graça mística muito profunda, que foi de uma comunicação que teve com ela. Começou a fazer um pedido a ela e sentiu no fundo da alma que ela como que dizia a seu senhor que no futuro não só seu senhor, mas aos membros da TFP, seriam dadas graças místicas ainda maiores do que ela recebeu.





B. Abuso das palavras de Dr. Plinio


Para incentivar tudo quanto é fenômeno místico, JC se baseia no seguinte trecho da reunião da Comissão Americana, de 31 de julho de 1989:


Quando eu morrer, um discípulo perfeito meu não verá o que eu vejo. É por isto mesmo que eu não vou ter sucessor. Posso ter discípulos perfeitos. Mas nunca alguém terá a graça profética que coube à misericórdia da Providência outorgar-me. Assim sendo, estou ciente de que, ou não haverá Reino de Maria, ou terei uma ação direta, uma presença atuante sobre o mundo até o fim dos tempos.

Como? É um mistério. Caberá a vocês discernirem a minha presença na terra. Esta mesma presença que vocês estão agora sentindo fisicamente, vocês terão que discernir de algum modo após a minha morte. Como? Mais uma vez, não tenho resposta, mas percebo que terá que ser assim. Será que vou aparecer a meus filhos? Será que falarei a eles em sonhos? Será que influirei diretamente no seu intelecto e na sua vontade? Não sei.


Note-se que Dr. Plinio aconselha discernir sua presença; não disse que toda e qualquer presença será dele. Sua ação será tão misteriosa, que ele próprio não sabe se será através de aparições, sonhos ou influindo diretamente no entendimento e vontade dos membros da TFP.

Ora, nas ocasiões em que JC tem se referido a essas palavras de Dr. Plinio, habilmente coloca de lado esse discernimento, e omite a possibilidade de Dr. Plinio agir diretamente sobre nossas mentes.


*



Palavras de uma senhora, durante o Encontro de CCEE, de 17/3/96, no ANSA:


(O Sr. Dr. Plinio disse que após a morte dele, o único jeito de se comunicar era através dos sonhos. O senhor teria algum sonho sobre ele?)


A tese é errada. Mas interessa por duas razões. Primeiro porque revela o que a esse respeito pensam os correspondentes joaninos. Segundo, porque ao responder essa afirmação tão “tranchant” sem fazer nenhuma retificação, JC implicitamente concordou com ela.


*


Reunião na Saúde, 11/9/97 5ª feira


(Aparte: Tendo em vista que a foto do Sr. Dr. Plinio transudou, será que o senhor poderia comentar as graças que essa transudação trouxe, não só para o senhor, mas para toda a TFP? E também se tem alguma interligação, por assim dizer, com aqueles que pediram a graça da Sagrada Escravidão, sendo um bálsamo quando o Sr. Dr. Plinio aceitar ou alguma coisa assim. E se tem alguma interligação com a Sagrada Escravidão.)


Não, eu achei um fenômeno muito... é real, eu vi a descrição feita, depois Dr. Edwaldo que é uma pessoa muito fria nas análises e que não tem uma fé assim, fácil, ele quer comprovar bem a coisa para depois crer, ele viu e deu-se conta de que de fato é um fenômeno completamente sui generis, o que se passou.

O que se deu foi o seguinte:

É que uma foto do Sr. Dr. Plinio colocada dentro de um plástico, sem que houvesse contato nenhum com qualquer tipo de umidade, essa foto, às tantas, sendo olhada pela pessoa que a possuía, viu que dentro tinha se criado um líquido. Ela achou estranha a coisa, abriu o plástico e puxou a foto. Quando ela puxou a foto, a foto estava molhada e dentro do plástico um líquido. Era, portanto, uma transudação mesmo.

Eu creio que pode-se interpretar esse fenômeno como sendo um recado que o Sr. Dr. Plinio dá através de um símbolo porque ele disse que ia se comunicar conosco por esses meios -, é um recado através de um símbolo que o Sr. Dr. Plinio nos dá...





C. Adulteração das palavras de Dr. Plinio


O principal argumento usado por JC para lançar a moda da mística, é a reunião do MNF de 7/10/93, na qual esteve presente. Mas ele de tal maneira forçou o que Dr. Plinio disse, que acabou sustentando quase o contrário.

Para perceber a adulteração, primeiro transcrevemos o trecho essencial dessa reunião, detendo-nos na análise dos pontos que JC mais tarde vai deturpar. Depois transcrevemos os sucessivos comentários feitos pelo embusteiro, em ordem cronológica.

Desses comentários, o primeiro é o que menos se distancia dos conselhos de Dr. Plinio e o que menos partes omite. Nos outros JC é mais arrojado.


*


MNF 7/10/93:


Uma coisa que facilmente pode acontecer em minha idade é eu apanhar uma doença grave, de caráter cardíaco e ficar entre a vida e a morte seis meses. Bom, e com várias ocasiões em que quase morro.

Você já pensou durante esses períodos em que eu quase morro e não sei mais o quê, etc., o pessoal vai começar a pensar o seguinte: "Bom, e agora? E se ele morrer?" Bom, outro dirá: "É um castigo para a humanidade." O sujeito diz: "Não me responde ao meu problema, eu tenho que saber para onde é que eu vou. E eu não sei para onde é que eu vou."

(JC: É simples, é só abandonar o senhor que vai para o inferno.)

Não, mas se eu morrer?


(JC: ...! )


Bem, não há gente que pode ter crises de desânimo diante da idéia de eu morrer?

(...)


(Sr. Guerreiro: Já que o senhor levantou a questão, pelo menos para a nossa educação profética, temos que ter isso presente.)

Eu acho que sim, mas que haverá muita gente, por exemplo, entre correspondentes que não saberá para onde se virar é fora de dúvida.


De maneira que o que há de dantesco na situação é uma coisa que eu nem sei bem o que dizer...


(Sr. G. Larraín: Agora, SDP, mas...)

Você me dá licença uma coisa, meu Gonzalo? Eu não quis dizer isso em público ontem porque é uma coisa da qual eu ainda não me tenho informado devidamente, etc., etc. Mas afinal, seja como for o fato concreto é o seguinte, que essas coisas de carismáticos e essas coisas desse gênero que andam por aí, também vão funcionar dentro do caos de um modo a acentuar o caos (1). Porque não se vai ficar sabendo o que é natural, o que é preternatural, etc., etc.


Eu vou te dar uma coisa que eu creio que você vai sentir perfeitamente bem:Se há uma invocação para Nossa Senhora que é conveniente para essa situação da Igreja, é Rosa Mística. De si a invocação é lindíssima: Nossa Senhora é para os efeitos em matéria de mística o que a rosa é entre as flores, quer dizer, é a mais bela, é a rainha das flores, etc., etc., de um lado. Mas, de outro lado, Ela o é principalmente no sentido da vida mística e de favorecer os favores da vida mística e as comunicações, etc., por meio das quais as almas se levantam acima desse pantanal e então aparece a "saída", entre aspas. É uma vida mística tão intensa que a pessoa tem visões, tem revelações, etc., e não precisa de estar se metendo nesse pantanal todo, porque entra na corola da rosa mística.Bem, não é verdade que sobre esse pretexto se pode ir valorizando, dando o devido realce a invocação da Rosa Mística?


(D. Luiz: Os carismáticos já estão fazendo.)

Já estão, mas largamente. Mas eu digo é que fica muito mais atraente para a situação para onde nós estamos entrando. Bem, então que apareça um número de visionários da Rosa Mística que a gente nem sabe quantos nem como, e que não sabe bem nem como combater?

(Sr. Guerreiro: Com coisas ortodoxas pelo meio, não é?)


Com coisas ortodoxas pelo meio (2).Quer dizer, o que é preciso ter, de pedir a Nossa Senhora um verdadeiro “atachement” às coisas celestes e verdadeiras, etc., etc., mas tudo claro, tudo lógico, tudo baseado em documentos pontifícios fidedignos, etc., etc., portanto, anteriores a esse krash, eu acho que é uma coisa enorme. Mas como é difícil isso, é muito difícil (3).


(Sr. Guerreiro: Senhor, nesse quadro todo...)

(D. Luiz: Fazer como um cego, uma pessoa que perdeu a vista e que guarda na memória tudo o que viu antigamente, não é isso?)


É isso. Mas começam a aparecer coisas novas que a pessoa não viu e sobre as quais é preciso julgar (4). A recordação do que a pessoa viu é de certo auxílio, mas que auxílio árduo.

(D. Luiz: Só tem um auxílio, é recorrer a quem tem o carisma e o dom do profetismo, e guiar a humanidade nessa tormenta.)


Eu não vejo outra saída, não vejo outra saída (5). Mas tudo isso é terrivelmente difícil (6).

(Sr. G. Larraín: Terrivelmente difícil mas daí justamente o castigo, não é?)

Pois é, o castigo é esse (7).

(Sr. G. Larraín: É difícil porque os corações estão endurecidos, é um castigo feroz!)


Feroz.

Comentários:

  1. A moda da mística, lançada por JC, acentuou ou diminuiu o caos?

  2. Dr. Plinio adverte: “essas coisas de carismáticos e essas coisas desse gênero que andam por aí, também vão funcionar dentro do caos de um modo a acentuar o caos”.

Por que é que vão acentuar o caos?

  1. porque “não se vai ficar sabendo o que é natural, o que é preternatural, etc”.

Isto é confirmado no seguinte diálogo entre Roberto Kallás e JC (Cfr. reunião para veteranos, 6/6/96), referindo-se às “graças” havidas num simpósio para CCEE:

RK: “Não sei, é uma impressão pessoal, mas o limite entre o natural e o miraculoso está sendo ultrapassado”.

JC: “É isso, é isso mesmo, não tem dúvida”.

  1. porque, sob pretexto de incentivar uma invocação de Nossa Senhora conveniente para essa situação da Igreja, vão aparecer visionários sustentando coisas ortodoxas pelo meio, mas que a gente não sabe como são nem quantos são. E vai ser preciso combater esses visionários, mas não se sabe como.

  1. Dr. Plinio aconselha: é preciso ter, pedir a Nossa Senhora um “atachement” às coisas celestes, verdadeiras, mas tudo claro, tudo lógico --isto é, tudo racional-- , tudo baseado em documentos pontifícios fidedignos --ou seja, tudo baseado em fontes seguras. Conseguir isso, é muito difícil. Não se trata portanto de entrar de cheio, sem discernimento, em tudo quanto é fenômeno místico.

A respeito da lógica, cabe aqui inserir um depoimento insuspeito de JC (cfr. reunião na Saúde, 11/6/96): “O Sr. Dr. Plinio não é homem de ouvir uma profecia qualquer e acreditar nessa profecia a ponto de mudar completamente todo o raciocínio dele. Ele é um homem profundamente racional. Ele, além do mais, com sangue português grosso pelas veias, ele era o homem do "pão-pão, queijo-queijo", o que é, é, o que não é, não é. Mesmo as profecias todas do Bem-aventurado Palau ele deu muita audiência a elas, mas não que ele fosse se guiar por elas. Ele se guiava pelo discernimento dos espíritos dele, pela razão dele e pela lógica dele, porque ele é um homem profundamente lógico e baseado, portanto, na razão”.

  1. Mais um conselho pliniano: aparecendo coisas novas, vai ser preciso julgá-las, isto é, analisá-las, distinguir as verdadeiras das falsas, aplicar sobre elas a luz da razão.

  2. Só tem uma saída: recorrer a Dr. Plinio. Não ao usurpador JC.

  3. Por terceira vez Dr. Plinio qualifica de difícil a incursão na mística.

  4. O Sr. GL afirma que essa situação configura um castigo. Dr. Plinio concorda. Mas segundo JC, a situação na qual nos encontramos, longe de constituir um castigo, já é um começo do Grand Retour e do Reino de Maria.

*


Agora as interpretações joaninas:


"Jour-le-jour" 17/9/95, quase 15 dias antes do falecimento de Dr. Plinio:


MNF de outubro de 1993. É um MNF em que ele mostra o caos que introduz na opinião pública a “Veritatis Splendor”. E trata a respeito de toda a confusão que vai se introduzir na face da terra a propósito desta encíclica. E às tantas ele diz:


Você quer ver o funcionamento do lodaçal em que nós estamos metidos?Uma coisa que facilmente pode acontecer em minha idade é eu apanhar uma doença grave, de caráter cardíaco, e ficar entre a vida e a morte seis meses. Bom, e com várias ocasiões em que quase morro. Você já pensou durante esses períodos em que eu quase morro e não sei mais o quê, etc., o pessoal vai começar a pensar o seguinte: "Bom, e agora? E se ele morrer?" Bom, outro dirá: "É um castigo para a humanidade." O sujeito diz: "Não me responde ao meu problema, eu tenho que saber para onde é que eu vou. Eu não sei para onde é que eu vou."


(Aparte de JC durante a reunião de MNF: É simples, é só abandonar o senhor que o sujeito vai para o inferno.)


Não, mas se eu morrer? Bem, não há gente que pode ter crises de desânimo diante da idéia de eu morrer?


(...)


(Sr. Guerreiro: Já que o senhor levantou a questão, pelo menos para a nossa educação profética, temos que ter isso presente. O senhor não poderia tratar disso?)


Eu acho que sim, mas que haverá muita gente, por exemplo, entre correspondentes que não saberá para onde se virar é fora de dúvida. De maneira que o que há de dantesco na situação é uma coisa que eu nem sei bem o que dizer.

Eu não quis dizer isso em público ontem porque é uma coisa da qual eu ainda não me tenho informado devidamente, etc., etc., mas afinal, seja como for o fato concreto é o seguinte, que essas coisas de carismáticos e essas coisas desse gênero que andam por aí, também vão funcionar dentro do caos de um modo a acentuar o caos. Porque não se vai ficar sabendo o que é natural, o que é preternatural.

Se há uma invocação para Nossa Senhora que é conveniente para essa situação da Igreja na qual nós estamos no momento, é Rosa Mística.

De si a invocação é lindíssima, Nossa Senhora é para os efeitos em matéria de mística o que a rosa é entre as flores, quer dizer, é a mais bela, é a rainha das flores, de um lado. Mas, de outro lado, Ela o é principalmente no sentido da vida mística e de favorecer os favores da vida mística e as comunicações, etc., por meio das quais as almas se levantam acima desse pantanal e então aparece a "saída", entre aspas.


Estou vendo os srs. com olho vidrado. Não estão entendendo. Acontece o seguinte: que o Senhor Doutor Plinio considera a hipótese de ele [ficar] seis meses num hospital, entre a vida e a morte. Sem que nós possamos ter acesso a ele. É a situação que nós nos encontramos, sem levar em consideração o tempo. Porque o tempo pode ser que amanhã ele fique bom. Pode acontecer. Mas nós estamos nessa situação. Nessa situação qual é o conselho que ele nos dá? Muita devoção à Rosa Mística, muita devoção ao Divino Espírito Santo. Esqueci de pedir --me passou pela cabeça ontem-- o texto do telefonema que ele deu para nós em Espanha, em que ele fala sobre a confiança e em que ele diz que nessas horas o que convém é pedir muito o auxílio do Espírito Santo. Por quê? Diz ele:


É uma vida mística tão intensa que a pessoa tem visões, tem revelações e não precisa de estar se metendo nesse pantanal todo, porque entra na corola da Rosa Mística.

Bem, não é verdade que sobre esse pretexto se pode ir valorizando, dando o devido realce à invocação da Rosa Mística?

Eu digo é que fica muito mais atraente para a situação para onde nós estamos entrando.

Quer dizer, o que é preciso ter, de pedir a Nossa Senhora um verdadeiro “atachement” às coisas celestes e verdadeiras. Mas tudo claro, tudo lógico, tudo baseado em documentos pontifícios fidedignos. Portanto, anteriores a esse krash...


Que ele previa. Anteriores a esse desabamento.


... eu acho que é uma coisa enorme.


Está claro?

(Siiimmm!)


(Aparte: Não.)


Não está claro? Quer dizer, ele em novembro de 93 previa que iria haver um momento em que ele iria parar no hospital. Previa que isto para nós iria significar um krash, um desabamento. Antes mesmo que isso acontecesse era preciso ir pedindo a Nossa Senhora um verdadeiro apego às coisas celestes. Tudo claro, tudo lógico, tudo baseado em documentos pontifícios fidedignos. Tudo doutrinário. Mas era preciso que nós pedíssemos. Porque só isso nos sustentará nessa ocasião.


JC, ao fazer o comentário, coloca o holofote na parte propícia à mística, e na sombra a parte dos carismáticos. Omitiu por completo o trecho sobre os visionários que sustentarão coisas ortodoxas e heterodoxas, e que será preciso combater.


*


Três dias depois (20/9/95), numa conversa --parece que realizada no São Bento-- JC volta ao mesmo assunto:


Pela experiência que eu tenho --eu não confio nos médicos, os médicos dizem que ele [SDP} pode durar dois meses-- eu acho que ele dura alguns dias (1), a não entrar um milagre. (...) Eu li para os srs. textos e textos em “jour le jour” e um deles era de 1993, em que ele previa a possibilidade de vir a morrer e o que é que deveria ser feito nessa hora.

"Para ver o lodaçal no qual nos encontramos, é possível, na idade em que eu estou aconteça de eu ser levado para um hospital e lá ficar uns seis meses, por um problema cardíaco eu passo lá entre a vida e a morte, morro. O que é que vai acontecer? Nessa hora, nós precisamos muito pedir a intercessão de Rosa Mística. Graças especiais na linha de revelações, visões, de luzes, de vozes interiores, etc., que nos dêem rumo de como tocar a obra adiante" (2).


Comentários:

  1. Os médicos diziam que Dr. Plinio podia viver mais 60 dias. Mas JC, pela sua “experiência”, acha que Dr. Plinio não tinha muitos dias de vida pela frente. E acertou. Que tipo de “experiência” era essa, não baseada nos dados dos médicos?

  2. Não é bem o que Dr. Plinio aconselhou; ele não disse “como tocar a obra adiante”.


*


"Jour-le-jour" 20/1/96:


Houve um MNF em que o Sr. Dr. Plinio no meio do MNF às tantas disse:

Se eu vier a morrer agora, proximamente (...), para manter a nossa obra, para tocar e desenvolver nossa obra adiante, seria preciso que houvesse muitas graças místicas. Por isso eu acho que a devoção que nós deveríamos ter caso eu viesse a morrer era a devoção à Rosa Mystica. Para pedir o quê?


Então ele diz, ele faz o elenco:


Sonhos, revelações, aparições, vozes interiores, conhecimentos internos, para que a nossa obra possa se desenvolver (1).


Ele dizia sonhos, aparições, revelações, vozes interiores, mensagens, ditos, aspirações interiores.

Eu sei que já tratei desse assunto nos mais variados lugares e sei que o assunto talvez seja um pouco conhecido pelos senhores e cansativo para alguns. Mas é desses temas que a gente tem que insistir vinte vezes para ficar dez por cento do que se disse (2), que é o suficiente para que os senhores tenham a certeza doutrinária, tenham a certeza sólida interior para evitar tentações do demônio de que a obra de repente vai acabar. Pode acontecer, o demônio chega e diz: "Olha, porque..."


Comentários:

  1. JC insiste numa frase que Dr. Plinio não disse: a suposta necessidade de entrar pela mística para que a TFP perdure e se expanda. E omite trechos essenciais do que Dr. Plinio disse.

  2. O assunto já foi abordado inúmeras vezes por JC em diversos ambientes. Mas mesmo assim, ele se obstina em repeti-lo.


*


"Jour-le-jour" 2/3/96:


(Casté: Num MNF [o SDP] disse que se comunicaria dessa maneira: por sonhos, etc. O senhor contou.) (1)


Foi. Num MNF em 93 ele dizia isso: "Se eu morrer vai ser preciso..." Aí eu interrompi:

-- Não, não, essa hipótese nem se põe. O senhor por favor nem pense nisso. Isso não se põe. O senhor morrer, jamais, não tem sentido, não sei quanto.

Aí ele mudou o assunto, mas o Sr. Guerreiro salvou a situação porque o Sr. Guerreiro disse:

-- O senhor ia dizendo: "se eu morrer..." O senhor ia dar instrução para nós. Nós não acreditamos que o senhor vá morrer, mas o senhor não podia dar as instruções para a gente pelo menos saber que instruções o senhor nos daria, como é que o senhor nos formaria?

-- Se eu morresse, podia haver uma desarticulação muito grande dentro do Grupo, poderia haver uma desarticulação muito grande dentro dos correspondentes e esclarecedores, etc., etc. Então seria preciso muita graça mística para manter o Grupo. Por isso é que eu acho que no caso de minha morte precisaria recomendar muito ao Grupo para rezar para pedir graças místicas (2). Rosa Mística, por exemplo, é uma devoção que eu acho que nós deveríamos explorar no caso de minha morte, para pedir graças místicas (3) na linha de sonhos, aparições, revelações, inspirações, luzes místicas, para poder tocar minha obra adiante (4).


Comentários:

  1. Eis uma amostra do que ficou nas cabeças dos joaninos. Nenhuma menção aos trechos onde Dr. Plinio adverte que a incursão na mística é difícil; nenhuma alusão ao perigo dos visionários e carismáticos.

  2. Não é isso o que Dr. Plinio aconselhou.

  3. A devoção à Rosa Mística recomendada por Dr. Plinio era mais no sentido de pedir a Ela que nos dê um verdadeiro “atachement” às coisas celestes e verdadeiras, mas tudo claro, tudo lógico, tudo baseado em documentos pontifícios fidedignos, e com vistas a encontrar uma saída ao caos; não tanto no sentido de aumentar, pura e simplesmente, o número de fenômenos místicos.

  4. Dr. Plinio não disse que esse era o modo de tocar sua Obra adiante.


*


Reunião na Saúde, 8/10/96:


Ele mesmo disse em 93, 92 no MNF: "Caso eu venha a morrer --e foi o que aconteceu-- vai ser preciso pedir muitas graças a Nossa Senhora Rosa Mística, muitas graças místicas" (1).

Então ele dizia: "Sonhos, palavras interiores, inspirações, moções da graça, revelações... Eu não sei se ele usava o termo revelações, não creio. Mas era preciso que houvesse muitas graças místicas, segundo ele, para que minha obra seja tocada adiante (2).


Comentários:

  1. Não. Dr. Plinio não disse isso.

  2. Idem.


*


Reunião para os Veteranos, 8/10/96:


O Sr. Dr. Plinio num MNF --eu li aqui para os senhores até já, X de 92 ou 93-- dizia que caso ele morresse, na situação de morte dele era preciso que nós rezássemos muito à Rosa Mystica para pedir graças místicas especiais para tocar a obra dele adiante. Ele deixou isso bem claro, na hipótese de morte (1).

Lembram-se do episódio, que ele começou dizendo:

-- Caso eu morra...

Eu dei um pulo e disse:

-- Não, não, não, vamos tratar de outro assunto porque isso não vai acontecer.

Aí o Sr. Guerreiro foi quem salvou a situação, porque ele disse:

-- Não, nós sabemos que o senhor não vai morrer, mas para formação nossa o senhor não poderia dizer o que é que o senhor estava pensando no caso da morte do senhor?

Aí ele voltou a repetir:

-- Caso eu morra, vai ser preciso que rezemos muito a Rosa Mystica, pedindo graças místicas todas especiais para que minha obra toque adiante (2).


Comentários:

  1. De tudo aquilo que Dr. Plinio deixou bem claro, JC só está difundindo a parte capaz de dar fundamento à moda da mística. E mesmo essa parte, JC a está alterando.

  2. Logo, para que a TFP progrida, é preciso embarcar de cheio da mística joanina ...


*


"Jour-le-jour" 14/4/97:


O Sr. Dr. Plinio disse-nos em 1992, creio, ou 1993, num MNF, em que estávamos vários no MNF, mas em questão, envolvidos nesse problema, estávamos o Sr. Guerreiro Dantas e eu, os outros estavam assistindo:

-- Eu morrendo...

Eu soltei e disse:

-- Não, não, não continue, porque para nós esse problema não existe, o senhor não pode morrer. Aí o Sr. Guerreiro salvou a situação com o jeito dele muito brasileiro. Por incrível que pareça, com muito sangue alemão, mas muito brasileiro, muito das nossas terras. O Sr. Guerreiro Dantas virou-se para o Sr. Dr. Plinio e disse:

-- Eu participo da tese do Sr. João que o senhor não deve morrer, mas para a formação nossa o senhor não poderia completar o pensamento que o senhor ia exprimindo?

O Sr. Dr. Plinio, então, completou:

-- Eu morrendo vai ser preciso vocês rezarem muito à Rosa Mystica para pedir a Nossa Senhora da Rosa Mystica, Nossa Senhora Esposa do Divino Espírito Santo, Nossa Senhora das graças místicas, muitas inspirações, iluminações, sonhos, moções interiores, toques da graça. E foi fazendo uma enumeração. Porque sem muitas graças místicas, eu morrendo, minha obra pára.


*


Reunião na Saúde, 20/5/97:


O Sr. Dr. Plinio é quem disse isso: que para continuar a obra dele era preciso muitas graças místicas, muitas graças místicas. Ele dizia: visões, revelações, inspirações, toques interiores, sopros do Espírito Santo, tudo! Nós precisamos de tudo.

*


"Jour-le-jour" 22/9/97:


Num MNF [o SDP dizia] que nós, não só durante a Bagarre, mas após a morte dele, nós precisaríamos de graças místicas especiais, para tocar a obra dele adiante. E ele até enumera as graças místicas: sonhos, revelações, inspirações, visões, vozes interiores, etc.





D. A apresentação de Dr. Plinio como um grande místico


Uma das notas dominantes do “sermo” joanino consiste em apresentar a Dr. Plinio como um homem imerso na mística extraordinária (Cfr. Capítulo 22). Aquilo, entre outras coisas, concorre para dar “fundamento” à propaganda da mística.





E. Dá a entender que até o próprio Dr. Plinio precisava embarcar na moda da mística


Outro “fundamento” para lançar a moda da mística, foi a tese que JC começou a espalhar a respeito da capacidade de discernimento de Dr. Plinio: o próprio Profeta da Contra-Revolução estaria tendo dificuldade para prever o futuro e guiar, e portanto, até ele precisaria recorrer a profecias de santos que houve no passado.


*


Na reunião “confidencial” realizada na Saúde em 12/9/95, indagado pelo moço Toniolo a respeito do gênero de graças que nos aguardam, JC, depois de dizer que não sabe, mandou desligar o gravador e afirmou o seguinte:


Dia 16 de abril o Senhor Doutor Plinio convocou alguns membros do Grupo --eu não estava aqui, eu recebi o texto nos Estados Unidos-- e disse o seguinte:


Eu estou vendo que, o caos que está se estabelecendo no mundo, é tal que não é mais possível fazer Reunião de Recortes prevendo acontecimentos e prevendo rumos. Então, eu vou ter que mudar o conteúdo da Reunião de Recortes e não comentar mais recortes; de um lado. De outro lado, a situação em que nós vamos entrar, é uma situação tão confusa, de acontecimentos tão inextricáveis e de rumos tão indefinidos, que eu preciso ser auxiliado por profecias de santos, profecias de bem-aventurados, profecias de videntes que morreram em odor de santidade, dos séculos anteriores.

Então, eu quero que seja feito um serviço de pesquisa, para que eu possa fazer umas tantas reuniões no auditório, já não mais de recortes, mas de leitura dessas profecias, para ver se nós encontramos um rumo dentro dos acontecimentos atuais.

Portanto ele mesmo, Senhor Doutor Plinio, já estava sem saber quais seriam os meios que nos conduziriam aos fins que nos estão muito claros.


*


No "jour-le-jour" 15/10/95 JC retoma a mesma tese:

A idéia ele [SDP] desenvolveu inclusive num MNF. O senhor até teve uma certa discussão com ele. O senhor quer vir aqui dizer? Eu não estava nesse MNF, porque esse ano todo passei fora.


(A. Meran: Ele dizia claramente que daqui para frente, nós devíamos fazer estudo das profecias, porque haveria um tal caos que as profecias nos dariam o rumo. Aí o Sr. Gonzalo insistiu: Senhor Doutor Plinio, o senhor por assim dizer não precisa os recortes, porque o senhor tem o discernimento dos espíritos, o discernimento profético. O Senhor Doutor Plinio deixou de lado essa intervenção e insistiu novamente: "Não, daqui para frente, nós precisamos as profecias." Não é que ele deixou de lado, mas ele queria insistir que daqui para a frente, nós precisamos... Ele insistia nas profecias).


Há uma reunião anterior a essa. (...) Mas há uma confirmação eclatant a respeito do assunto. O Sr. venha à frente, porque daí o pessoal não vai lhe ouvir. Por favor.O Senhor Doutor Plinio, na reunião anterior a esta, teve uma conversa com o Sr. Nestor e com não sei mais quem. O Sr. certamente vai se lembrar. Teve uma conversa em que ele dizia que ele queria fazer as Reuniões de Recortes, a partir de um certo momento em que já se tivesse material. O senhor diga a respeito do material que deve ser colhido, deveria ser triado e com esse material o que é que ele faria.


(Sr. Nestor: O Senhor Doutor Plinio disse que (...) nós estamos no caos que vai se impondo. O resultado, para nós termos o jogo e sabermos decifrar como a Revolução e a Contra-Revolução deve se impor, é através das profecias. (...)


Mas eu quero deixar bem claro --o Sr. me corrija por favor, eu vi isso no texto-- que o Senhor Doutor Plinio ia começar a fazer Reuniões de Recortes exclusivamente com base nesta material que ia ser colhido. É bem isso?


(Sr. Nestor: É bem isso. (...)


De maneira que, ele mesmo, profeta de Nossa Senhora, ele enviado para explicar e dar rumo aos acontecimentos e tomar os recortes e dizer: "Este recorte deve ser interpretado assim desta forma, daquela”, estava já com dificuldade. Quanto mais, alguns de nós por mais especialistas que sejamos. (...)


Aparte do Sr. G. Larraín durante o "jour-le-jour": Sobre esse assunto que o Sr. Andreas estava dizendo, me lembro bem como realmente era verdade isso. (...) Aí eu perguntei: "Mas o discernimento dos espíritos o senhor tem e sabe o que vai acontecer, sem recortes".

Então ele disse "Sim, isso eu sei”. (...)

Então, eu me lembro que a coisa foi mais ou menos essa, (...) mas em nenhum momento ele negou ou pôs em dúvida que ele não estivesse vendo. O que acontece é que nós não creríamos. Então, ele nos chamou a convite explícito ou implícito, já não me lembro, a nós termos muito presente tudo o que ele disse sempre para nós e ser como os discípulos, quer dizer, aconteça o que aconteça... Aí disse: "As palavras de vida eterna que eles viam em Nosso Senhor era o que? É que eles viam que Nosso Senhor representava o absoluto. Eles viram claramente nEle. Por isso é que eles disseram: "Aconteça o que acontecer, vamos conVosco." E que o papado tem isso. Peço desculpas por demorar, mas não queria que ficasse nenhuma dúvida, não quero nenhuma encrenca, mas deixar muito claro. Aí que ele queria fazer com base nas profecias, porque nós não cremos mas que ele vê tudo.





V. Caraterística da onda mística: auto propaganda


A. “Matriz de flash” de JC em relação a Dr. Plinio – As Três Pessoas da Santíssima Trindade na alma de JC


Reunião na Saúde, 8/10/96:


[Dr. Plinio] disse que existe aquilo que nós podemos chamar de "matriz de flash", e depois existem os flashs outros comuns.

A matriz de flash é um flash único, extraordinário, abarcativo, profundo, que está arquicorrelacionado com a luz primordial, com a missão específica da pessoa, com a vocação. É um flash que a pessoa tem e que está como se fosse o pico do Fuji-yama --que não existe-- que explicaria todo o resto que vem abaixo do Fuji-yama.

Então esse flash é um flash pinacular que engloba todos os outros, ele dá base, todos os outros flashs vão estar ligados com ele. Mas é um flash único que a pessoa tem em certo momento da vida e que torna o caminho que a pessoa deve seguir muito mais claro, muito mais iluminado, os passos são muito mais sólidos e mais firme por causa dessa matriz de flash.

(...) Quando eu o vi pela primeira vez, o que eu tive foi uma matriz de flash porque foi uma graça mística que tocou o fundo da minha alma e que me fez ter uma experiência de quem era aquele homem que eu estava vendo. Uma experiência concreta, sensível, um conhecimento portanto, muito mais dado pela fé, pela esperança, pela caridade, pelas três virtudes teologais, do que propriamente pelas vistas.

As vistas serviram apenas de elemento para que essas graças falassem no fundo da alma. Mas não é que este conhecimento entrou pelas vistas. Não.

Este conhecimento aproveitou a imagem que as vistas forneceram para, a propósito dessa imagem, pôr uma graça no fundo da alma. Essa graça do fundo da alma é uma comunicação de Deus direta, de dentro para fora. Não entra por nenhum sentido. É Deus Padre, é Deus Filho, é Deus Espírito Santo, são as três pessoas da Santíssima Trindade que estão dentro da alma.

Estão por presença, por poder, por visão e estando a alma em graça, estão os três por paternalidade e por amizade.

E de dentro é que Eles tocam a alma por uma graça que Eles criam. Essa graça criada nesta hora, uma graça atual que agiu naquele momento, tocou o fundo da minha alma, eu olhando, vendo-o no fundo da minha alma, saiu um brado: "Esse é o homem!"

Mas este é que homem?

Vinha tudo meio implícito, de que ele era um --eu não tinha o termo-- profeta, varão da destra de Maria, ele era um santo, ele era um patriarca, ele era um fundador, um anjo, um Elias, um Moisés, o que o senhor quiser.

Tudo isso estava encapsulado dentro da matriz de flash. Foi um encanto de primeira vista, e nesse encanto estava a idéia de toda a grandeza dele.

(...) E de dentro é que Eles tocam a alma por uma graça que Eles criam. Essa graça criada nesta hora, uma graça atual que agiu naquele momento, tocou o fundo da minha alma, eu olhando, vendo-o no fundo da minha alma, saiu um brado: "Esse é o homem!"





B. JC disse “esse é o homem” e a “Providência” manda um sinal solene de que “o homem” é ele


14 de abril de 1996 - Estando JC em plena campanha eleitoral no Norte Fluminense, numa reunião para CCEE contou que, antes de conhecer a Dr. Plinio, já estava predisposto nesse sentido:

[Num dia 6 de julho, eu] estava ali no Carmo. Então estou eu sentado e pensando: "Mas quando é que aparecerá esse homem?".Eu muito sensível a música, (...) começam os violinos com o órgão a tocar em cima um hino de louvor de Nossa Senhora, o coro a cantar. Eram quarenta frades que naquele tempo cantavam no coro, frades holandeses com umas vozes afinadíssimas. Aquilo me deu um arrepio por dentro.

Eu me levantei e vi entrar um conjunto de pessoas da Ordem Terceira do Carmo. Eram doze pessoas que vinham, seis de cada lado, com hábito completo da Ordem Terceira do Carmo, com aquela capa creme, e atrás vinha um senhor que quase enchia as duas fileiras. [Aplausos.]

(...) Com a música, aquela minha preocupação "quando encontro? quando será?" De repente olho para aquele conjunto e digo: "Mas é esse conjunto, é essa gente aqui que eu procuro".

Quando passa uma fileira, segunda fileira, quarta, quinta, sexta fileira, e eu olho o homem, eu digo: "Meu Deus, é este homem!" [Aplausos] (1)

Eu não estava entendendo o por quê de tanto entusiasmo. Mas agora me estão contando que a porta se abriu no momento em que eu disse que "é este homem". [Aplausos] Isto é sinal de que este é o homem não só para mim, mas para os padres e para todos os que estão aqui presentes [Aplausos] (2).


  1. Durante a reunião que estava se realizando no Norte fluminense, no momento em que JC disse “é este homem”, uma porta que ficava atrás dele se abriu. O público ovacionou e aplaudiu calorosamente, porque pensavam que “não havia vento”.(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.6).

  2. Mas um cooperador que presenciou aquilo afirmou recentemente: “na época, eu vi que foi o vento que abriu a porta, mas disse que não tinha”. (Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.6).


*


JC fornece mais dados a respeito de como foi essa “prodígio” - Reunião para os veteranos, 16/4/96:


Eu estava contando aquele episódio que é conhecido dos Srs., de como é que eu conheci o Senhor Doutor Plinio. Então, que eu rezava para conhecer, etc., etc. E de repente, entra o cortejo na Igreja do Carmo --no dia 6 de julho de 1956-- eu vou olhando estes, estes, estes... ou seja, 12 pessoas, mas atrás vinha o Senhor Doutor Plinio que tomava conta das 2 fileiras quase, porque era um homem de 135 quilos e que tinha um corpo enorme.

Eu olhei e disse: "Ah, é esse o homem!"

Aí tinha atrás de mim umas portas de uns quatro metros de altura, era um salão, bem atrás de mim, venezianas. E quando eu disse: "Ah, é esse o homem!" As portas se abriram solenemente. [Exclamações]

Eu não vi. Eu disse: "É esse o homem", e o auditório pulou como mola: oooohhhhh!!!! [Risos]

Eu pensei: "O que é que eu fiz?! Eu não fiz nada, eu apenas disse: “Esse é o homem”, não fiz nada!" [Risos]

Como eu estava meio assim... não estava entendendo o que tinha acontecido, o Sr. Luiz Henrique veio por trás de mim para dizer: "Quando o Sr. disse ‘Esse é o homem’, as portas se abriram solenemente atrás do Sr."

Eu disse: "Ah, sei." Mas eu não vi.




C. Nossa Senhora fará sair maravilhas do êremo de São Bento


No "jour-le-jour" 24/10/95, depois de contar várias notícias domésticas, JC disse ter recebido o seguinte telefonema do Cônego Vilaq:


- Eu queria cumprimentar o senhor, queria saber como o senhor está passando.

- Muito bem, Senhor Cônego. O Senhor Cônego como está?

- Eu queria dizer ao senhor o seguinte: eu não sei o que está acontecendo comigo, mas eu estou me sentindo cercado e rodeado pelo Sr. Dr. Plinio o dia inteiro. Eu não sei o que há, mas eu estou tendo um convívio com ele muito maior agora do que tinha antes. (...) Eu quero pedir ao senhor, se o senhor concorda, de que me seja enviada as fitas do Jour le Jour, porque eu gostaria de ouvi-las. Porque eu gostaria de ir acompanhando o desenvolvimento das graças.


Nessa ocasião, JC também contou ao auditório duas “coisas” que “indicam os tempos atuais”:

Uma pessoa X que quis ficar incógnita estando entre rezando e parado junto à imagem de Nossa Senhora Auxiliadora de lá de cima do São Bento, na parte lateral olhando para a imagem, lateral direita, portanto, à esquerda da imagem, vendo a imagem mais pela esquerda, de repente ouviu uma voz clara, sonora, bonita, atraente, de dentro da imagem, dizendo o seguinte: "Este lugar aqui me pertence".

Ele ficou arrepiado, olhou para a imagem, ficou quieto e disse: "Será que houve mesmo alguma coisa que tenha vindo daí, ou será impressão? O que é que houve?". Olhou um pouco para os lados, não tinha ninguém, ele estava sozinho.

Ele ouviu mais, aí Nossa Senhora disse: "Eu farei sair daqui verdadeiras maravilhas".

Mas acho que mais ainda impressionante do que isto é o que se deu no domingo. Domingo uma pessoa me procurou à tarde e também pediu que não fosse mencionada. Tanto um caso quanto outro não são lunáticos nem imaginativos a ponto de ficarem... (... corte ...)

(...) Eu estou aqui dizendo que tenho recebido telefonemas de gente cheia de consolação.


Isso quer dizer que “Nossa Senhora” não fará sair maravilhas em outras Sedes?

Esse “prodígio” também foi contado por JC na reunião para os moços da Saúde, do 17/10/95, e na conversa com seus íntimos de 22/10/95.









D. O SDP está contente com as coisas do êremo Paesto Sum; JC morre, vai para o Céu e volta à terra


"Jour-le-jour" 27/1/96:


O sonho [do Sr. Tiago] é meio enjolresco, mas enfim...Ele diz:

Eu estava no salão do "Praesto Sum" e tive de acender uma vela que estava num castiçal, na lareira (...) Parecia estranho, pois em vez de uma [grade?] cobrindo a lareira, havia uma cortina. Este escravo de Maria abriu-a, curioso, e tomou um susto, pois encontrou ali dentro o que nunca esperava: uma imagenzinha de nosso Pai e Fundador. A própria vela que e. M. tinha de acender, estava na cabeça da imagem(1). Como e. M. tinha de acender a vela, não me lembro mais por que, mas o fato é que acendi. No mesmo instante em que e. M. a acendeu, sem a imagem se mover, a voz proveniente da imagem, me disse:

- Diga ao Pedro [Morazzani] que os anjos e eu estamos muito contentes com o que ele está fazendo (2).

Como depois da morte de nosso Pai nunca tinha ouvido a voz dele em sonho, acordei todo arrepiado logo depois que ele me disse as palavras: "... está fazendo".

Justo após ter acordado, e. M. voltou rapidamente a dormir, demorei apenas uns segundos.

Depois de ter adormecido, e. M. viu o coro formado no auditório, não no local de sempre, mas no canto oposto. Quando o coro ia começar a cantar, o expediente começou a gritar desde o portão:

- O Sr. João chegou! O Sr. João chegou!

Então todos saíram correndo para a capela do Praesto Sum, mas em vez de encontrar o senhor, eles se depararam com o Sr. Fragelli que estava rezando. Todos começaram:

- Ah, não é o Sr. João, é o Sr. Fragelli. Vamos esperar ele terminar de rezar.

Quando o Sr. Fragelli terminou de rezar, se volta para um canto e diz:

- Sr. João, reze pelo meu irmão.

Todos então perceberam onde o senhor estava.


Quer dizer que eu tinha morrido e tinha ido para o Céu.

Justo nesse momento muda a cena e aparece o senhor no salão junto com este e. M., sozinhos. Às tantas entra o Sr. Santiago Canals e diz para e. M., sem ter percebido a presença do senhor:

- Pegue essa cadeira e leve embora.

Pensei comigo:

- Puxa! Mas, será que ele não percebeu que o Sr. João está aqui?

Ele saiu logo em seguida, sem de fato ter percebido nada. Então e. M. se lembrou do que havia ocorrido com a imagem de nosso Pai e Fundador e fui entregá-la ao senhor. Quando o senhor viu, disse:

- É pena, ela é um pouco escura.

- Mas, Sr. João, ela se manifestou hoje.

- Bem, vamos ver.

Logo depois terminou o sonho.


(Aparte: Qual é a interpretação? É interessante, aliás).


... mensagem do Sr. Dr. Plinio, de que de fato ele está contente com as coisas que são feitas no Praesto Sum, isso é líquido.

(Aparte: A primeira parte é claríssima).

A segunda, eu morro, depois volto, o Sr. Santiago não me vê, mas eu converso com ele... Aí acho que é meio... difícil?


(Aparte: E da imagem?)

Da imagem me parece o seguinte: de que há, apesar de as pessoas não se darem conta, no convívio, e pelo fato de estarem juntos, há um reflexo dele permanente ali, sobre o qual se acende uma luz. Parece-me.


Comentários:

  1. Uma vela em cima da cabeça de uma imagem do SDP?

  2. Então, a imagem do SDP, em cuja cabeça há uma vela acesa, se põe a falar, e mostra seu contentamento em relação a um eremita do Praesto Sum.





E. O SDP dirige uma campanha promovida por JC


Estando em Roma, em 27 de janeiro de 1996, numa reunião JC divulgou o seguinte relato de um sonho tido por Santiago Morazzani, discípulo dele:


Lembro-me estar andando pelo pátio do cruzeiro, de repente vejo o Sr. Dr. Plinio dentro do carro, sentado no banco do motorista. Ele estava de óculos e chapéu. O carro é de uma das duplas que saiu para fazer campanha do livro do Sr. Dr. Plinio sobre a Nobreza.


(Humberto: Interessante, então o Sr. Dr. Plinio acompanhando a dupla.)


Então, vi o Sr. Dr. Plinio e sai correndo atrás dele. Mas quando ele percebeu, ligou o carro e saiu. (...) Queria salientar que era o próprio Sr. Dr. Plinio que dirigia o carro.

Portanto, é ele que dirige a campanha.





F. Enquanto JC fala a seus adeptos, a “Providência” manda avisos sucessivos, e ele os interpreta


Numa conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum (15/5/96), durante o treino do coro, enquanto JC estava comentando uma foto de Dr. Plinio, “de repente apagam-se as luzes do Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, e acendem logo em seguida” --frase do datilógrafo do texto respectivo-- ; aí então JC disse:


Não, isso é um aviso da Providência: ainda quando lhe faltar a luz para ver a fisionomia, guarde-a na lembrança...


[Exclamações]


... e viva da contemplação dela. A fisionomia é do outro mundo!


(Pedro Rodrigues: Sr. João, esse olhar ele mantém desde menino, não é?)


Ah, desde menino sim, é um crescendo de olhar.


[Apagam-se novamente as luzes do Auditório Nossa Senhora Auxiliadora]

[Exclamações]


Ou seja continuemos com o olhar no fundo da alma, hein.


[Exclamações]


Ainda que a gente entre num túnel, a gente não deve esquecer desse olhar. E nós devemos estar bem conscientes do seguinte...


[Ascendem-se as luzes do Auditório Nossa Senhora Auxiliadora]

[Exclamações]


Que a luz externa não é senão uma ilusão, o que vale mesmo é essa luz interna.

Se um de nós ficasse cego deixaria de pertencer ao Grupo? Não. O que é que nos faz pertencer a ele? É o coração (1). Se fosse possível destruir nossa vontade aí sim nós deixaríamos de fazer parte dele. Mas se nossa vontade continuar intacta como ela sempre está, por mais que a gente viva na aridez, por mais que a gente viva na provação, por mais que a gente passe por túneis na vida espiritual, a gente não deve se perturbar nunca, porque essa luz está no fundo da alma. Porque a partir do momento em que eu o vi, eu disse sim, dizendo sim, o que pode me perturbar? Nada.


Comentário:

  1. Não são os princípios?





G. O sol sai ou se oculta em função de JC


Trechos de um diálogo travado entre um cooperador da Sede de Roma e JC, durante sua estadia na Itália em 27/1/96:


(Aparte: Que outros sonhos e sinais tem havido?)

Toda hora, toda hora. Eu já contei em todos os lugares.


(Aparte: Ontem o senhor contou do Sr. Mário Beccar Varela. Não quero fazê-lo repetir).


É que eles todos já conhecem. São sonhos a todo momento.


(Aparte: O senhor contou outro dia os três do Sr. Plinio Antônio).


Sr. Plinio Antônio, Sr. Tiago. Depois, acontecimentos em que a gente percebe a presença dele.


(Aparte: Quais, por exemplo?)


Por exemplo, os senhores rezarem no ponto de ônibus e pedirem que o sol saísse. Saiu o sol e fez sol durante esses dias todos, para acompanhar a viagem dos senhores.


*


Reunião na Saúde, 15/4/97:


Vou contar um fato que se deu comigo há um certo tempo.Eu tinha um documento X para ler mas estava com dificuldade para ler, porque não tinha tempo. Então eu deixei esse documento em cima da escrivaninha, bem em cima, numa certa posição para, assim que eu saísse de um trabalho que estava fazendo, eu, sentando-me junto à escrivaninha, pegasse esse trabalho e começasse a ver.

E eu estava na dúvida --porque não tinha visto o trabalho ainda-- se aquilo deveria ser feito ou não, se deveria ser tocado adiante ou não.

Na dúvida, entrei para fazer outras coisas noutro compartimento e, às tantas, eu vi um sol que batia --não estava havendo sol no momento que eu deixei o documento--, batia no chão. Eu fui ver: "Puxa, que sol bonito! Deixa eu ver um pouquinho o sol". Tudo que é esplendoroso atrai.

Então fui atrás para ver onde o sol batia. E o sol batia em cima do documento, mas exatamente de margem a margem.

Eu senti um arrepio e pensei: "Que coisa impressionante! É a mão da Providência, querendo isso! Vamos entrar por aí, não tem dúvida. Vamos ver agora o conteúdo, se está bem ou não está bem."

Mas a Providência tinha tomado um fato comum, corriqueiro, que é um raio de sol, e tinha posto aquela réstia de sol em cima do documento.


*

Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95 (texto 951022CSB):


Hoje, a horas tantas, eu não quero dizer se foi por telefonema ou se foi pessoalmente, como é que foi, uma pessoa me procurou, à tarde:- Eu queria pedir perdão ao senhor, de uma falha minha.- Qual é sua falha?- Que eu deveria ter transmitido um recado do Senhor Doutor Plinio e não transmiti.

Eu, por dentro: Só agora, que esse sujeito vem me dizer uma coisa dessas, depois de o Senhor Doutor Plinio ter falecido e não me transmite. Mas por dentro, tendo dito isso, por fora:

- Não, não se preocupe, não pense. Mas qual é o recado?

- Hoje de manhã, quando eu estava me vestindo para ir para o Jour le Jour, eu ouvi uma voz assim, como voz interior, mas era voz do Senhor Doutor Plinio, não era minha, me dizendo: “Eu vou fazer brilhar um raio de sol, ou um raio de luz --não ficou bem claro para mim-- no Jour le Jour de hoje”.

Ele foi para o Jour le Jour e estava numa certa região e viu que um sol bateu num certo chão, em algum lugar e iluminou o teto, num raio. (...)

E que aí, então, ele ficou arrependido de não me ter dito antes do Jour le Jour, o que o Senhor Doutor Plinio disse para ele, depois disso.Depois de ter dito do raio de luz, o Senhor Doutor Plinio disse:

Eu quero que você diga ao João, que eu vou estar presente no Jour le Jour, de ponta a ponta”.


- Eu não quis dizer nada para o senhor, porque o senhor ia achar esquisito, que eu sou uma pessoa meio lunática, mas agora eu vejo que deveria ter feito isso antes. Eu peço perdão de estar fazendo isso só agora.

- Não, não tem nada, está ótimo, é bom saber.


*


Reunião na Saúde, 24/10/95, palavras do joanino Ueda:


Seria possível o senhor dizer uma palavrinha a respeito da graça que nosso Pai e Fundador, através da Senhora Dona Lucilia, concedeu ao Auditório Nossa Senhora Auxiliadora, no domingo? Uma coisa estupendíssima e confirmada pela voz interior que se fez sentir nesse eremita: do raio de luz, que de modo especial brilharia nessa reunião. Nós voltamos para a Sede, banhado por essa graça, porque foi uma coisa estupendíssima. O raio de luz foi visível. Comentamos o raio de luz, inclusive. De fora, se via que o senhor estava tomado por uma graça extraordinária. Todas as verdades que o senhor tem tanto insistido, ali se sentiu de modo experimental. (...) me pareceu uma coisa extraordinária, prenúncio de muitas graças.





H. Um anjo aparece para JC - Um anjo faz dar certo tudo aquilo onde JC põe a mão


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95:


(Vital Roberto: No ano passado na última semana de setembro, ou primeira semana de outubro, o Sr. contou aquele sonho que o Sr. teve. O Sr. estava na torre e aparece um anjo.)


Aquilo não foi sonho, aquilo foi realidade. Até hoje me arrepio. Não marquei a data. Eu tinha terminado o jantar e estava sentado numa poltrona olhando para a parede branca, não tinha nada posto na parede, e estava com a cabeça assim, meio pensando em coisas, repousando sem dormir. (...) e de repente eu disse:

- Puxa! Tem gente aqui dentro.

Uma sensação de que tinha gente dentro e me olhando.

- Quem terá entrado aqui e por quê?

Olhei de canto de olho e vi uma pessoa de paletó azul marinho, bem marinho mesmo, bem azul, calça cinza um tanto tendente ao chumbo, sapatos muito bem engraxados e a pessoa era dada a loira, com cabelo cortado à eremita, e eu via apenas esta parte do rosto aqui e a pessoa estava olhando para mim, escondida atrás da parede e olhando para mim. Aí eu olhei inteiro e percebi que era uma pessoa incomum, porque era muito luminosa, muito luzidia. Olhei e aquilo se desfez como um bolha de sabão. Pele alva, muito alva, até luminosa.

Virei mesmo. Parecia um pouco Plinio Maria.


(Roberto Vital: O Sr. estava rezando para ver o anjo da guarda.)

Isso é verdade. Já estava com sarcoidose.

*


"Jour-le-jour" 29/1/96:


Já tive um místico que me disse isso, me disse taxativamente: "Você tem um anjo da guarda que faz com que tudo aquilo que você vá fazer ele vá adiante, tira os obstáculos, endireita os caminhos e faz com que dê certo. A única coisa que a Providência não pôs nas mãos desse anjo da guarda é sua saúde, da sua saúde tem que cuidar você".


*

Na reunião feita no Praesto Sum, no domingo 24/3/96, volta à mesma história:


Eu, por exemplo, uma vez estive com um místico na Espanha, o Sr. José Francisco e eu visitamos esse místico, e o homem era místico mesmo, não tem a menor dúvida. Tinha as suas revelações e dizia umas coisas que às vezes batiam com a realidade a mais não poder.

Por exemplo, o fato dele ter visto pela primeira vez, sem conhecer, sem nada, sem saber quem era, uma foto da Sra. Da. Lucilia, ele disse:

- Eu vou perguntar a Deus o que foi feito desta alma.

Se pôs em concentração e às tantas começou a sorrir. Abriu os olhos e disse:

- Olhe, esta é uma alma de Deus, uma alma muito privilegiada. Eu a vi bem junto do Sagrado Coração de Jesus.

Este foi o homem que me disse taxativamente, [respondendo à minha pergunta]:- O senhor tem algo a dizer a meu respeito?

Está bom, (...) em 1963 o Sr. Dr. Plinio me mandou esse seguinte recado: "Meu filho, há uma predileção de Nossa Senhora por aquilo que você faz e você é muito protegido por Nossa Senhora numa série de ações que você pratica pela Causa. Mas preste atenção num ponto: Deus não lhe protege a saúde tanto quanto protege suas ações. Você deve tomar um cuidado especial com sua saúde, porque você no seu afã de entregar-se, de dar-se, de agir, esquece que é feito de carne e osso e você pode ter surpresas em matéria de saúde extraordinárias".


*


Por volta de maio de1996, em Cardoso Moreira, JC repetiu o mesmo para um grupo de correspondentes. (Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.8).





I. Santa Teresa queria ficar com o terço de JC como relíquia


Na reunião do 25/5/97, JC relata um episódio que aconteceu quando o SDP esteve na Espanha, visitando o convento de Santa Teresa, junto com ele. Observe-se que na narração JC se refere a Santa Teresa como se fosse uma pessoa viva:

(Nota: repetiu isso na reunião para CCEE, de 4/11/95).

Eu vi o coração [de Santa Teresa]. Foi lá no coração dela que eu perdi meu terço. Perdi, mas recuperei, porque ficou uma discussão entre eu e ela tremenda ali. Ela segurou meu terço e eu comecei a me debater com ela.

(...) Eu sei dizer que fui pôr meu terço no vidro, encostei o terço no vidro, o terço me escorregou da mão, caiu no parapeito do relicário, e tinha um buraco (...) que sugou meu terço. (...).

Foram falar com a freiras o que é que se podia fazer e as freiras disseram:


Passou-me pela cabeça a idéia de um cabide de arame: “deve ter aí no convento uma freira que tem um cabide de arame”.

De fato veio um cabide de arame, então eu desfiz o cabide de arame, fiz uma boa haste, fiz um gancho na ponta, enfiei lá dentro, comecei a remexer e aí veio o terço.

Foi uma discussão com ela, porque eu percebi que ela queria ficar com o terço.





J. Nossa Senhora diz coisas muito engraçadas, chora, se mostra severa e contente, e exalta a JC como sucessor


Conversa com JC, 27/10/95:


Nós estamos aqui com outro sonho, que foi lido para o Senhor Doutor Plinio em 14 de maio. Portanto 10 dias antes da morte do Sr. Horácio. O Sr. George escreveu. Ele, quando me telefonou (...) me contou o sonho que ele relata aqui por escrito (...).


Leitura do sonho de G. Antoniadis, feita por Andreas Meran, ao SDP: (...) Estávamos em grande número, sócios e cooperadores, num vasto auditório, (...) [que] mais se parecia com o Auditório S. Miguel. Seria à noite? Assim parecia. Tudo era soturno e um tanto indefinível. Estávamos reunidos em meio a uma aflição muito grande.


SDP: Aflição?


(A. Meran: Aflição muito grande.)


Leitura do sonho: Era uma conjuntura sinistra e todos sofríamos intensamente. Não me recordo de ter tido conhecimento exato do motivo da grande aflição. Mas, evidentemente, não faltam razões para aflição.

Nosso Pai e Fundador, também ali se encontrava. Mas, rejuvenescido, com uma disponibilidade e uma mobilidade que fazia recordar os anos 60 ou 70, antes do terrível desastre.

No entanto, não se tratava de uma reunião, Santo do Dia, ou conferência, uma vez que ele estava sentado na primeira fileira do auditório.


Quer dizer, estava presente no auditório, mas não estava enquanto conferencista. Está claro? Estava entre outros.


Leitura do sonho: (...) No alto daquela muralha, ou parapeito, mesa --até hoje não sei como qualificar aquela construção dentro do ASM-- se encontrava uma imagem de Nossa Mãe e Rainha. (...) O que mais impressionava não era a imagem em si mesma, ou a invocação sob a qual se apresentava, mas era a fisionomia.


SDP: Está muito bem escrito, ouviu?


Leitura do sonho: (...) Uma luz suave e diáfana, mas intensa, que pairava em todo o ambiente foi se intensificando. O Sr. João Clá, com sua proverbial vivacidade, trocou um olhar afirmativo comigo. Enquanto os outros permaneciam em seus lugares, os dois, cheios de gáudio e de uma confiança filial, a mesma com que nos acercamos do Senhor Doutor Plinio e já fortemente emocionados, nos aproximamos dEla.

Todos percebíamos que alguma coisa muito extraordinária estava tendo lugar, mas não a viam com clareza. Ao menos no começo, não. E que Ela, com um gesto delicadíssimo, havia se movido. O rosto e os braços se moviam.

Mais perto dEla, notamos que Seus lábios se abriam. Seu semblante ganhava cor e vida. Já não era uma estátua; era um rosto perfeitíssimo, lindíssimo e majestoso. Era um rosto inteiramente humano e inteiramente sobrenatural, mas conservava o tamanho inicial da estátua. E uma voz encantadora, inefável --parece-me que muito semelhante a uma outra que outrora ouvira no ano 67, vindo do interior de um certo apartamento de um prédio da rua Alagoas-- claramente nos indicou que nos aproximássemos ainda mais.

O Senhor Doutor Plinio estava literalmente extasiado, sem perder aquela distância psíquica, aquela classe, aquela serenidade, aquela sacralidade que sempre o caracterizam. Estava transbordante de contentamento, como nunca eu antes o vira.

Em seguida, Ela se voltou para o Sr. Fulano e para mim. É curioso, mas Ela não falou muito tempo com o Senhor Doutor Plinio.

No entanto, antes de falar conosco, Ela quis chamar alguém. Ela como que foi buscar alguém do fundo do auditório, percebia mais do que muitos. Era o Sr. Guerreiro Dantas.


Então, tinha alguém que estava no fundo. Ela chama esse alguém do fundo.


Leitura do sonho: Todos nos afastamos e Ela conversou um pouco com ele. O Sr. Fulano e eu percebíamos um murmúrio, mas não discerníamos as palavras. Aliás, o mesmo acontecera com o Senhor Doutor Plinio. O resto do auditório permanecia emudecido, em profundo e reverente silêncio.

Tanto o Fulano, como eu, nos demos conta de que eles não estavam vendo tudo o que sucedia. Eles mais pressentiam do que viam.

SDP: O auditório?


(A. Meran: Exatamente.)


Leitura do sonho: Ao menos assim parecia. Era diferente com o Senhor Doutor Plinio e nós dois. O Senhor Doutor Plinio e nós dois, podíamos ver claramente os movimentos dEla, de seus lábios, de Sua graciosa cabeça, sempre com a mantilha de crepe branco e a coroa real.

O Senhor Doutor Plinio mantinha-se a uma certa distância e olhava com intensidade, mas com uma completa serenidade e com júbilo.


Senhor Doutor Plinio calado, não dizendo nada.


Leitura do sonho: Ele sim, parecia ouvir tudo o que Ela dizia ao Sr. Guerreiro Dantas. E acompanhava tudo, sem perder nada.

O Sr. Guerreiro Dantas, a certa altura, disse uma coisa singular, que fez sorrir a todo mundo e sobretudo ao Senhor Doutor Plinio.

Com aquele jeito muito característico dele, sobretudo quando enlevado ele faz uma pergunta ao Senhor Doutor Plinio nas Conversas de Sábado à Noite.

Ele voltou-se para todos e disse: "Os senhores me perdoem, mas eu estou rindo porque agora, os senhores talvez não tenham percebido, mas Ela, Nossa Senhora, disse-me uma coisa muito engraçada”.


SDP: Isso é esquisito.


(A. Meran: Estranhíssimo.) (1)


Leitura do sonho: “Mas não estranhem que dentro de tanta seriedade, Ela diga uma coisa engraçada. Mas, assim foi no sonho. Fiz o propósito de relatar todos os detalhes, por mais insignificantes ou bizarros que parecer possam.

Ela me disse que todos os senhores serão, no futuro, doutores da Igreja, mas que eu serei um rei”.

Ele como que confidenciava isto, mas candidamente e com uma certa ternura. Mas compreendia-se que não se tratava de um certo reino geográfico. Era uma coisa diferente. Todos sorriram, mas a gravidade do ambiente não fora quebrada por isso. Não, aquela gravidade se mantinha com delicado imponderável ar de alegria e de esperança. Melhor seria dizer: Confiança. Nisso terminou a conversa com ele.

Mas, coisa singular, não era com todos que Ela falava, não. Para alguns Ela sorria, para outros Ela ficava muito séria e com alguns Ela trocava apenas umas palavras.

Com o Sr. Fulano e comigo, Ela falava o tempo todo.


Ele é um felizardo.


Leitura do sonho: E podíamos ouvir o que Ela dizia aos outros. Porque sei que é puxado dizer isto e que é totalmente inaplicável. Sobretudo para mim, não para o Sr. João. Mas, naquele momento, nós nos sentíamos invadidos por uma tal candura, por uma tal confiança, por uma tal certeza do que estava ocorrendo, que os dois nos colocávamos junto dEla, como nos temos colocado em tantos e tão diferentes circunstâncias, ao longo de tantos anos, ao lado do Senhor Doutor Plinio. Com a convicção de que não seríamos rejeitados, afastados ou repreendidos. Mas, que Ela queria que, pelo menos nós dois, estivéssemos junto a Ela.

O que é que Ela dizia aos outros? E a nós dois também, repetidas vezes? Que cada um tivesse uma confiança nEla, que fosse total. E que Ela conhecia as fraquezas e as debilidades de cada um, que não fazia falta contar isso a Ela. Ela sabia tudo. O que Ela queria? Queria que houvesse arrependimento e confiança.

Muitas vezes Ela chorava de pena (2).Quem estava diante dEla, também chorava de arrependimento.

Para muitos, Ela dizia o que devia fazer, mas curiosamente, para mim, Ela não disse claramente o que deveria fazer. (...)

Ela foi muito severa com muitos (3). E, às vezes, voltando-se para o Sr. Fulano e para mim, Ela dizia: "Não, para este eu não vou me manifestar".


Eu não vi o sonho, não posso saber (4).


Leitura do sonho: Mas não ousávamos perguntar o porquê.


SDP: É claro, não se ousa.


Leitura do sonho: O Senhor Doutor Plinio estava numa alegria enorme. Apesar das dores e dos sofrimentos que nós causávamos, ele estava jubiloso. Mas ele percebia, pelo menos ele viu, na hora, ele teve uma moção da graça em que ele sentia que aquilo era verdadeiro. E que aquilo estava acontecendo. Mas, é curioso, em certos momentos parecia que ele não via e só nós é que víamos. (5) (...)

Como Ela ficou contente quando, a um certo momento, uns 10 ou 12 eremitas de capa e chaco com a pluma, preparados pelo Sr. Fulano, perfilaram-se diante dEla. Ela dizia: “Esses são os meus soldados, estes são os meus filhos”, como que confirmando que a vida eremítica e a vida eremítica levada com seriedade era o que mais gosto dava a Ela.


De acordo? (6)


Leitura do sonho: Sobretudo que os eremitas que têm muita confiança nEla, eram verdadeiros guerreiros e que isto é o que Ela deseja.


Certo? (7)


Leitura do sonho: (...) Em certo momento eu disse a Ela: "Minha Mãe, eu não compreendo por que vós vos manifestais tanto a alguns poucos, sobretudo ao Fulano”, que, aliás, estava radiante de alegria e em cujo rosto as lágrimas de amor deslizam abundante e suavemente. E com uma saúde de ferro.


Acho que não era eu, portanto (8).


Leitura do sonho: Devo dizer que sentia claramente que era o fato de estar junto do Sr. João Clá, que dava-me tanta confiança e propriamente audácia em relação a Ela. Quer dizer, era uma certeza tal que, dirigindo-me a Ela, sabia que Ela falaria. À vezes Ela ouvia com atenção, mas não respondia imediatamente. Ela inclinava um pouco a cabeça, demorava um pouco e aí dizia algo. Ou, era um semblante tão expressivo, que equivalia a uma frase ou a uma resposta.

Era uma coisa tão extraordinária, que era absolutamente indescritível. Mas aquela pergunta, Ela não quis responder.


Claro, senão Ela teria que dizer: "Apesar de tal coisa, tenho que fazer isso por tais razões." Ela não quis revelar segredos de consciência.


SDP: Qual era a pergunta?


(A.Meran: "Minha Mãe, eu não compreendo porque vós vos manifestais tanto a alguns poucos...)


SDP: Sim.


Leitura do sonho: É verdade, Ela falou muito com o Sr. Mário Navarro, também. (...) Ele foi embora. Não me lembro para onde. Mas era uma ordem que ele estava cumprindo. Ele se fora para um lugar que o Senhor Doutor Plinio tinha mandado que ele fosse. E cumpria a ordem sem pestanejar. Antes disso, ele estava muito preocupado e andava de um lado para outro, não conseguia ficar parado. Mas tudo ele fazia também com muita confiança e irradiava uma bondade, que era uma coisa muito original muito nova dele.

Tenho idéia de que estavam também Dr. Luizinho e Dr. Plinio Xavier. Mas --também é singular-- eles não falavam muito, nem entre eles, nem com Ela.

Não me lembro de ter visto os príncipes, nem por um momento. Não me lembro de onde eles poderiam estar. Os príncipes e vários dos mais velhos.

Ela falou com eles também, os do EVP. Mas, Ela falava sobretudo com os mais jovens e com os mais eremitas.

Volto a repetir, não entendo porque Ela falava com o Sr. Fulano e comigo, o tempo todo. (...)

Um outro que se movia, mas com um desvelo e com uma decisão invejáveis, era o nosso caríssimo Cel. Poli. Ele ouvia muito do que Ela dizia, mas tinha um tal "mantien", um tal controle, que se portava como quem não queria interferir, nem nada. E não queria atrapalhar em nada. Ela olhava, às vezes, com o canto do olho, com tanto carinho e compreensão, que só seria comparável ao olhar do Senhor Doutor Plinio. Ela sorria muito, mas muito, para o Coronel e gostava muito, mas muito, de tudo o que o Coronel estava fazendo.

Num outro momento, não me lembro se foi ele ou o Sr. Fulano, mas foi feito uma pergunta a Ela: "Minha Mãe, Vós falais com tanta gente o tempo todo. Por que Vós não falais mais longamente com o Senhor Doutor Plinio?" Ao que Ela respondeu com uma suavidade e uma ternura verdadeiramente maternais: "Ah, vocês não percebem? Não é preciso que eu fale com ele. Tudo o que diz e faz, é exatamente o que Eu penso e quero. E tudo o que Eu quero, ele o faz eximiamente. Não é nem necessário que Eu diga a ele diretamente."

O Senhor Doutor Plinio ouvia tudo isto, com um comprazimento imenso. Havia apenas troca de olhares entre os dois. Mas que olhares! (...)

Num determinado momento, alguém falava com Ela e perguntou com ansiedade e com uma certa aflição: "Mas, Senhora, quando virá finalmente a Bagarre?"


Então, os senhores vêem que o sonho é premonitório da morte do Senhor Doutor Plinio. O Senhor Doutor Plinio está entre nós, não fala, mas tem ação de presença.

Ela, por dons místicos, fala na alma de um, fala na alma de outro, fala na alma daquele, fala na alma daquele outro, repreende este, aperta aquele e já conhece tudo. Quando a pessoa vai se aproximar dEla e vai se abrir, Ela diz: "Não precisa, meu filho, já está perdoado. Confiança!" Tudo isto é um falar místico. Está representado no sonho. E que tem se dado. Tem se dado! Não tem se dado?!


Leitura do sonho: Ela voltou os olhos para ele, o semblante severo e com muita seriedade dizia: "A Bagarre? A Bagarre, meu filho... Mas você não se dá conta, de fato, de que a Bagarre já começou? A Bagarre? A Bagarre já começou." (...)

Uma outra coisa muito curiosa: Aqueles que estavam muito encaixados, que trabalhavam muito, mas não dedicavam muito espaço à contemplação, eram os que menos olhavam para Ela, eram os que menos tinham vontade de conversar com Ela. Por outro lado, os menos capazes de produzir, os mais capengas, estes estavam muito juntinho dEla e do Senhor Doutor Plinio. Ela olhava com muita maternalidade para esses e com uma certa reprovação e tristeza para aqueles. (...)


Eu sou obrigado a dizer --porque [o Sr. G. Anotiniadis] me disse e não pôs aqui--, (...) que Nossa Senhora estava muito contente, manifestou às tantas --transparece no que ele diz aqui-- mas ela diz clarissimamente, Ela disse que estava muito contente com a graça eremítica, com o que se fazia nos êremos, etc., etc., etc.


SDP: O que é que você diz disso?


(A. Meran: Acho muito impressionante o sonho.)


SDP: Eu também acho.


(...)


(A. Meran: Eu não saberia interpretar, mas achei impressionantíssimo até. Porque não é um sonho como se tem normalmente. (...) Mas o senhor não disse o que o senhor achava.) (...)


SDP: Eu acho a coisa muito impressionante e, evidentemente, a cena diz respeito a um período de transição entre a Bagarre atual e a Bagarre futura.

E acontecimentos que deixa todo mundo, com muita ansiedade etc., etc. Alguma coisa que deve produzir-se e que deve dar uma alteração que julga pessoas...


Está mal anotado. Não era isso.


SDP: ...que deve dar uma alteração...


Não sei qual é essa alteração.


SDP: Então, Ela intervém com uma graça extraordinária, que prepara as almas para isso.


Foi o que aconteceu, porque o falecimento dele não poderia ter sido tomado de outra forma, se não fosse uma graça extraordinária. Milagre!


SDP: Isso é a essência. Agora, existem dentro disso, “des aperçus”... Como se diz isso em português? Eu não queria falar francês... [Vira a fita] ... expansões de alma etc. etc. E Ela, muito agradada no trato com ele.


Quem é o "ele" aqui? Não sei (9).


SDP: Agora, eu achei uma coisa curiosa.


(A. Meran: Muita predileção).


SDP: Muita. É uma coisa patente. Também justifica todas as coisas que você viu.


(...)


(A. Meran: Triste também, é a ausência de certos...)


SDP: Ah, isso é bem eles.


(...) Acho que o sonho está se realizando. Realizou-se e está se realizando. (...) os pontos essenciais da interpretação que são:

Ele --Senhor Doutor Plinio-- não diz uma palavra, mas continua governando tudo. Continua governando tudo, continua com a ação de presença e a tal ponto que ele não vê no sonho o Sr. Mário receber uma ordem do Senhor Doutor Plinio, mas ele vê o Sr. Mário saindo para cumprir uma ordem do Senhor Doutor Plinio que não foi dada diretamente.

Depois, Nossa Senhora não fala com ele e ele não fala com Nossa Senhora, mas ele entende tudo e sabe tudo. E Nossa Senhora diz que há uma consonância completa entre ele e Ela. Não podia deixar de ser diferente. E que há um falar dEla no interior de cada um, com cada um e Ela então mostra que nessa situação de aflição, porque começa descrever que é uma situação de aflição, Nossa Senhora vai governar a cada um (10).


(Humberto: Sobretudo fala com o senhor.)


Não está dito aí. Eu disse que é um Fulano.


(Alexandre Tavares: O senhor disse também que, quando o senhor viu essa narração, a partir daí o senhor desconfiou que o Senhor Doutor Plinio ia ser retirado e o contato direto com ele, não ia existir mais) (11).


Eu preciso dizer o seguinte: A coisa veio por etapas na minha cabeça. Eu achava --não pensava na morte-- mas eu achava que ele ia, por cegueira e por adoecimento, por um adoecimento qualquer, ia ficar muito tempo isolado do Grupo.


Comentários

  1. O fato de Nossa Senhora ter dito uma coisa muito engraçada é suficiente para achar suspeito o sono. Tanto assim que até Andreas Meran fica espantado com aquilo.

  2. Não fica claro se Nossa Senhora teria dito aquela coisa “muito engraçada”, no meio das “muitas vezes” em que “chorava de pena”, ou se foi antes. Ambas hipóteses contundem fortemente o senso do ser. Aquilo é próprio de um desequilibrado mental, ou de um pentecostalista, não da Sedes Sapientiae.

  3. Então, Nossa Senhora ora estava muito severa, ora chorava de pena, ora dizia coisas muito engraçadas ...

  4. Os joaninos estão acreditando no sonho sem nenhuma reserva, e perguntam a seu senhor a quem é que Nossa Senhora não se manifestaria. JC responde que não sabe.

  5. Em certos momentos, parecia que, aquilo que Dr. Plinio não via, era percebido por JC e pelo Sr. Jorge Antoniadis ...

  6. Agora Nossa Senhora fica contente. A razão de seu contentamento é a formação dada por JC aos eremitas. JC aproveita esse sono suspeito para se auto prestigiar.

  7. Aí está mais ou menos insinuado que Nossa Senhora desejaria que os cooperadores tenham confiança em JC. Mais abaixo vai ficar clara a insinuação.

  8. É claro que o trecho refere-se a JC. Mas ele, paladino da humildade, recusa a hipótese, ao mesmo tempo que difunde o sonho que o exalta ...

  9. Habilmente, ao mesmo tempo que chama a atenção dos ouvintes para indagarem de quem se trata, JC banca de humilde ...

  10. No resumo que fez, o inteligente e honesto JC não diz uma só palavra a respeito dos lados suspeitos do sonho.

  11. Portanto, numa outra ocasião --antes do falecimento de Dr. Plinio-- JC já comentou esse sonho com seus discípulos mais chegados, aos quais pode dizer abertamente que o relacionamento com Dr. Plinio cessaria de ser direto, e passaria a ser através de um canal ...





K. Após ter tomado um lunche, JC entra em “êxtase” e comunga


No 14 de agosto de 1996, um tal Sr. José Antônio, de Miracema, contou ao Sr. Ghioto o “êxtase” que JC teria tido na sua última estadia por lá:


Estava ele folheando o álbum da Sra. Da. Lucilia quando, de repente, ficou meio fora de si, e olhando para o infinito. Levanta-se, e algumas pessoas lhe pedem para que de a comunhão. Ainda absorto, vai até o sacrário, mas não consegue achar a fechadura, sendo preciso que o Sr. José Antônio o ajude. Apesar de ter lanchado há pouco, também comungou, não se dando conta do tempo do jejum.

(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.11).





L. JC sustenta a Igreja e seleciona os que devem entrar no Reino de Maria


Numa das viagens de JC aos Estados Unidos --provavelmente em setembro de 1996--, ele recebeu um telefonema dos correspondentes de Campos, um dos quais contou um sonho que tivera: viu a JC dentro de um buraco, segurando umas colunas, que seriam da Igreja; depois tinha uma fila de pessoas para entrar e JC ia separando as que deviam ou não entrar.

(Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.16)




M. “Uma mensagem enviada ao Sr. João por nosso Pai e Fundador”


Embaixo desse subtítulo, no texto do "jour-le-jour" 5/11/95, lê-se o seguinte:


Mais interessante do que este fato, é este outro. Vem da "Acies Ordinata", e alguém que estava lá mexendo com o retiro que estão fazendo os eremitas servidores, conta o seguinte. O fato se passou com o eremita servidor "tal"

.... que esta haciendo retiro aquí en Acies Ordinata y que pidio para que se lo hiciese llegar.

El estava leyendo en el espacio que queda libre entre una y otra meditacion el libro del Padre Berthe. En determinado trecho de la lectura sintio una gracia interna como si fuese una voz (él no sabe explicar que fue, solo dice que él la escucho bien claro) que le decia: "FALE PARA O JOAO." El miro para atras a ver si había alguien pero constato que nadie estava por las cercanias. Él dice que aquella voz tenía el mismo tono y la misma forma con que el Senhor Doutor Plinio pronunciaba su nombre. En el momento de escuchar la voz él estava leyendo en el Jardin, eran mas o menos entre las 11:30 y 11:40. Y cuando releyo el texto con mas atencion dice que quedo espantado y comenzó a exclamar solo.


Então, o texto que o Senhor Doutor Plinio mandava entregar para ser lido no auditório é o seguinte:


Son palabras de Nuestro Señor Jesucristo dirigiendose a los Apostoles: "Se vos falo tão claro é para vós por de sobre aviso contra a tentação. Quando vos expulsarem das sinagogas e perseguirem de morte, pensando oferecer com isso um sacrifício agradável a Deus, lembrar-vos-eis de que eu vos anunciei essas perseguições. Enquanto bastava a minha presença para vos confortar, não fazia mais que deixar-vos entrever apenas as provações que vos esperam; mas nesta hora em que nos vamos separar, é preciso que vos abra o meu coração. Em vez de vos entristecerdes com a minha partida, deveríeis antes alegrar-vos, pois é de vantagem para a vossa missão, que eu me vá. Pois não virá o Espírito Santo sobre vós sem que eu volte para meu Pai para vo-lo enviar. Então virá ele promulgar solenemente o crime que o mundo cometeu com a sua infidelidade, a santidade do Justo que ousaram condenar, e a sentença que tira ao príncipe deste mundo o seu império. Muitas coisas teria ainda a dizer-vos; mas, a seu tempo, o Espírito Santo que ides receber...


Grand-Retour.


...vos ensinará toda a verdade e vos revelará os segredos do futuro."

Le confieso que cuando el rapaz me conto lo que habia sentido pensaba que era una cosa exquisita, pero despues que me mostro el texto quede muy impresionado.


E aí termina a mensagem. [Aplausos]





VI. Bluff e caráter suspeito dos fenômenos místicos postos na moda


A. A Providência castiga as nações que recusam a “graça nova”


Amaury Moreira César, encarregado de disciplina do ENSDP, relatou às duplas de coleta de donativos “ um ‘sonho’ do Sr. Plinio Campos, a respeito do caso dos EUA: ‘após um terremoto, seguido de um violento incêndio, Spring Grove foi totalmente destruído, sobrando apenas o Sr. Zayas, por um milagre, para contar a estória’ ”. (Cfr. relatório do Sr. Paulo Emílio de Carvalho, 5/5/98).

Mas após a Contra-Revolução de Spring Grove, o Grupo dos Estados Unidos tem crescido muito.


*


Adeptos de JC elaboraram um video sobre “a lama, a podridão e o lixo na cidade que rejeitou a graça nova”, em clara alusão a Cardoso Moreira --do Padre David.

Mas acontece que as enchentes que houve naquela época (janeiro de 1997) atingiram também Italva --cidade muito aberta à “graça nova”--, inclusive a “sede” das moças joaninas, de onde o Santíssimo teve que ser retirado de canoa. (Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.33)





B. Num sonho, Dr. Plinio teria revelado a um joanino a data exata da Bagarre


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96:


[Cláudio Haddad] pediu insistentemente ao Sr. Dr. Plinio que desse a ele em sonho ou aparecesse para dizer qual é a data da Bagarre. É uma coisa --desculpe dizer-- meio de oriental, não é? Oriental quer saber exatamente o dia, etc.

Ele insistiu, insistiu, insistiu. E para verem como o Sr. Dr. Plinio atende até essas coisas mínimas, não é só um carro que aparece para levar dois membros do Grupo para o Praesto Sum, ele no sonho não via o Sr. Dr. Plinio, e o curioso é que não tenha visto, mas aparece uma luz enorme, clara, clara, luzidia a mais não poder, e no meio da luz ele vê 30 de junho de 1996. Aquilo se apaga, aconteceu uma segunda vez que a luz aparece e ele vê 30 de junho de 1996. E uma terceira vez.



C. Argentina vai ser completamente destruída, do Brasil sobrará apenas uma parte


Referindo-se à cunhada do Dr. Paraguaçu, que até pouco tempo atrás morava na Argentina, JC disse o seguinte (Cfr. "jour-le-jour" 27/1/96):


Essa senhora está no Brasil agora e teve um sonho, à noite, em que a Sra. Da. Lucilia apareceu aflita e categórica:

- Saia da Argentina já. Volte ao Brasil.

- Mas eu não posso porque eu tenho tal coisa para fazer, tenho tal outra.

- Não, não, não. Não demore. Saia logo da Argentina.

- Mas por que eu tenho que sair tão já da Argentina?

- Porque a Argentina vai ser toda ela destruída, e do Brasil vai sobrar apenas uma parte.


A “mensagem” foi transmitida antes do 27/1/96. Já passaram quase 4 anos. E tanto Argentina como Brasil continuam íntegros.





D. Nossa Senhora reza a Si própria a “Ave Maria”


Em 1/2/98, os adeptos de JC em Quito - Equador, foram ao convento de Nossa Senhora do Bom Sucesso para fazerem uma vigília noturna. Chegaram ao local às 11 horas da noite, “la gran mayoria --sino todos-- con gran emoción y alboroto”, porque tinham acabado de receber uma noticia, vinda do Brasil, segundo a qual, na paróquia do Bom Sucesso (Campos ?), enquanto uma moça orava, uma imagem de Na.Sra. contestava as orações, inclusive a Ave Maria. Uma freira do convento, ao souber isto, achou esquisito que Nossa Senhora orasse a Ela mesma.

(Cfr. Carta de Sor Maria Dolores de la Cruz ao Sr. Luis Criollo, de 13/2/98).






VII. Razão de ser do empenho de JC em fazer essa propaganda


A. Assumir a Direção do Grupo


Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 30/10/96:


Recebemos informações segundo as quais o Sr. Mário Navarro desde janeiro [1996] começou a tomar atitudes meio estranhas em relação ao Sr. João Clá, nos Estados Unidos. Houve, por exemplo, uma reunião em que estavam lendo um texto do Sr. João, no qual ele contava sonhos de alguns membros do Grupo, e uma pessoa se levantou para fazer um comentário que, no nosso ambiente, tomamos com toda a naturalidade (1): “que interessante! quer dizer que o Sr. João agora está dirigindo o Grupo através de sonhos”. Disse por dizer (2). O Sr. Mário se teria levantado colérico, dizendo que isto não tinha sentido, pois era pentecostalismo (...).


Comentários:

  1. Nos ambientes joaninos, os sonhos são aceitos com toda naturalidade, sem nenhuma prevenção. É estranho questioná-los.

  2. Não “disse por dizer”, mas explicitou uma idéia que estava sendo metida em muitas cabeças de modo subliminal.


*


A seguir, uma amostra da mensagem contida em muitos “sonhos” que houve no Grupo. O autor é o joanino Jano Aracena. O documento foi encontrado no computador da TFP que ele usava na “torre da Avenida Angélica”:


El suenho de la noche pasada se dio ciertamente despues de las cuatro de la manhana esto porque siendo ayer domingo, luego del jantar que fue pizza, por medio de las tres de la manhana senti sed y me levanté para tomar un poco de agua, tambien porque percibiendo ya falta de suenho, habia decidido leer un poco del tratado sobre la Oracion comentado por NPF.

Realicé las dos cosas y habiendo leïdo una media hora retorné a descansar, no tardé mucho en reconciliar el suenho y lo cierto es que sin ser EM muy abundante en suenhos, (por el contrario muy raras veces y ni siquiera los recuerdo despues), sé que a las tantas vi al Sr. Joao que iba a sentarse en una silla que estaba contra una pared, mas o menos como en un lugar similar al que ocupa cuando dá las reuniones en la Saude, mas me parece en altura normal y ocupando una de las tres sillas que estaban colocadas en fila, (las tres). Fue a sentarse en la que estaba colocada mãs a la puerta, y en el instante siguiente comencé a prestar atenciõn en sus palabras, sé que me encontraba arrodillado mirando para su rostro. El sr. Joao iba haciendo comentarios sobre las mejoras que se habian ido haciendo en materia de aparatos de grabaciõn, dando a entender que de esta manera aprovechariamos para escuchar las palabras de NPF. Hacia cierto énfasis de que todas las cosas que fuesen hechas en torno del SDP siempre deberian hacerse lo más perfecta y fidelisimamente posible.

Iba discurriendo sobre esto que durõ mas o menos un minuto o dos, y se dirigiõ con la mirada y la expresiõn a una de las sillas diciendo mas o menos las siguientes palabras: "lo que no es posible es que esta cadeira no esté siendo ocupada fisicamente por El". Terminaba de decir estas palabras y quedõ mirando para frente y un instante mirando para EM con la expresiõn de que no terminaba de entender algo al mirarme. Era lo más cierto pues mirando directamente EM para el rostro del sr. Joao quedé alelado y estático, era como que una adormecimento recorriese la columna y me dejase con la expresiõn muda sin poder dirigir palabras ni moverme lo más minimo para expresarme ni siquiera por gestos, era como que un escozor recorriese la columna, pues mirando para el rostro del sr. Joao, como que veia a travez de el o como que si no existiese la parte fisica del sr. Joao una luminosidad, claridad y brillo como nunca vi o imaginé, al sr. Dr. Plinio, todo esto durõ un instnate que podrán ser unos segundos, mas me impresionõ enormemente ver a NPF, que estaba como digo con una luz, revestido del Manto Sacralisimo que es Su Habito mas la fisonomia con una energia y vitalidad impresionantes. Fue como si fuese una apariciõn que fue creciendo en intensidad hasta llegar a un zenit, para en el instante siguiente irse diluyendo rápidamente, me parece aün que NPF iba profiriendo palabras marcadas con énfasis mas cuyo sentido no alcancé ni siquiera a escuchar, solamente lo vi.

Digo que veia al sr. Dr. Plinio mas no veia al sr. Joao, o lo veia a travez de él, como que si el sr. Joao quedase invisible o transparente pues era en el mismo lugar o a poquisima distancia detrás que antes ocupaba el sr, Joao al sr. Dr. Plinio.

En el instante siguiente veia la fisonomia del sr. Joao que veia tal vez el esfuerzo que procuraba EM emplear para explicarle lo que acababa de ver mas que como dije no conseguia articular.

Fue asi que con esa impresión fuertisima me desperté creo que enseguida pues el suenho consistiõ en eso. La impresión que tuve fue de que era una cosa tan real que sentia aün la inmovilidad fisica y ese escozor en toda la columna que no me dejaba mover, impresión sólo tal vez o imaginación mia?... El pensamiento que vino en seguida era que eso se trataba de una senhal clarisima de que quien vé al sr. Joao está viendo al propio sr. Dr. Plinio que de esa manera visiblemente se manifiesta, de ahi a decir que no sólo lo vemos a travez de él mas que lo vemos en él o que por asi decir se "transfigura" en El... con la certeza de que el corazón late al unisono en el.

Por ello digo que este suenho fue como que una confirmación y sustento en esta linea y una Gracia gratuita e inmerecida de NPF para un hijo Suyo.





B. Preparar os espíritos para o momento da ruptura


1. O dinamite que JC pôs na TFP


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95 (texto 951022-CSB):


À noite, eu não consegui dormir. Dormi mal. (...) Eu sentia que era uma coisa do demônio. Tive pesadelo.Me lembro de um pesadelo horroroso, porque eu estava andando por uma planície ampla, larga, contente, conversando com pessoas, depois estava num carro com o Senhor Doutor Plinio, desci do carro... Umas coisas completamente gagás, não tem sentido nenhum. Depois, eu pego uma estrada estreita. Quando eu olho para trás, vem uns bodes meio amarrados e correndo para cima de mim. Eu pulei da estrada, os bodes passam. Mas eles passam por um lugar estreito. E eu chego diante de um túnel de pedra, no qual eu não cabia. "Puxa, como é que eu vou passar nesse negócio aqui..." Me sentindo mal diante do túnel. "O que eu vou fazer é enfiar um ferro aqui. Eu tenho um prego de dinamite. Vou enfiar um prego de dinamite aqui e vou estourar esse negócio aqui, para abrir e poder passar." Quando eu estava pondo o prego de dinamite, eu acordei. Era de madrugada.

Então, vira para outro lado e não consegue dormir. "O que está acontecendo comigo?" Era o demônio. Sinto que era o demônio que estava atrapalhando.





2. O esvaziamento das sedes


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95 (texto 951022-CSB):


(Enrietti: (...) houve um sonho que o senhor contou há alguns anos atrás. Não sei se foi do senhor. Nunca ficou claro se era do senhor ou de algum outro. Um membro do Grupo estava entrando numa Sede, era uma casa com jeito de Sede, mas não correspondia a nenhuma Sede concretamente que a pessoa conhecesse. Em determinada sala encontrou a Senhora Dona Lucilia, (...) em determinado momento, a Senhora Dona Lucilia começou a chorar, ele se ajoelhou diante da Senhora Dona Lucilia (...) e ele não sabia o que fazer. Tomou as lágrimas da Senhora Dona Lucilia e se persignou com elas. Aí, se não me engano, a Senhora Dona Lucilia parou de chorar e disse: "Meu filho". Aí a cena toda mudava, a Senhora Dona Lucilia não estava mais e começava um tumulto enorme, gente entrando na Sede e levando tudo embora, desmontando a Sede. Este membro do Grupo tomou uma mesinha e um crucifixo e saiu. Quando ele saiu na rua, um tipo pequeno, uma espécie de anão, começou: "É um deles, é um deles." Mas a coisa não repercutiu e ninguém dava atenção e o membro do Grupo saiu e foi embora. O senhor se lembra disso?)


Me lembro da pessoa que teve o sonho, também. Mas terá alguma realização? (...) No meio da história, tinha um "toco de vela". A vela representa a fé. Bastava um pouco de fé no papel dela e pelos méritos dela, para que viesse o Grand-Retour. Me lembro da pessoa, me lembro do sonho, mas não sei que atualidade possa ter o sonho, no presente momento.





3. O êremo de S. Bento em chamas


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96:


Eu já vi --não dormindo, porque eu disse para os senhores que não tenho sonhos de olhos fechados-- não sei porquê em certo momento o prédio de São Bento todo em chamas. Faz uns quinze dias, mais ou menos.


(A. Tavares: Onde o senhor estava, Sr. João?)


Na torre.


(Albertony: E o senhor viu de olhos abertos?)


De olhos abertos. Por exemplo, como eu digo para os senhores agora Arco do Triunfo os senhores não estão vendo o Arco do Triunfo? Eu digo para os senhores Catedral de Notre-Dame, os senhores estão vendo Notre-Dame. Saint-Chapelle, os senhores começam a ver os vitrais. Eu digo para os senhores Sr. Horácio Black, vem na imaginação dos senhores o Sr. Horácio Black, não é isso? Então a mesma coisa, o São Bento em chamas.


(Reginaldo: O senhor estava só e não pensando no São Bento.)


Não estava pensando em São Bento.


(A. Tavares: O senhor viu como se o senhor estivesse fora e longe?)


Como se estivesse fora, mas perto.


(Casale: O prédio novo ou velho?)


Não, este prédio.


(Lofrese: Uma cena assim fugaz?)


Fugaz, mas intensa.


(Aparte: Todo?)


Todo o prédio.


(Arturo: Uma só chama?)


Uma só chama.


(N. Tadeu: Isso é produzido por anjo ou por demônio?)


Não sei.


(A. Tavares: Qual foi a reação que causou no senhor?)


A reação foi imediata: "Precisamos fazer uma planta bem feita desse prédio, porque de repente bem pode acontecer isso e nós precisamos reconstruir esse prédio em determinado momento".


(A. Tavares: O senhor tomou como um fato que poderia mesmo acontecer?)


É o que me parece.


(Albertony: Mais ou menos como aquela mulher que queria cobrir o senhor com um véu nos Estados Unidos?)


Mais ou menos.


(S. Morazzani: O senhor já teve outras coisas assim.)




4. Sinais a respeito da crise que se aproximava


Reunião confidencial para os veteranos, 2/4/96:


(Aparte: Eu fiquei sabendo assim por terceiro ou quarto que houve uma questão do estandarte dos Estados Unidos...)


Foi um desses dias --não só a questão do estandarte, mas também um copo em Portugal-- que eu já me perco um pouco qual foi, que o vento arrancou o estandarte do mastro, levou-o longe, até junto quase à imagem de Nossa Senhora das graças que fica bem distante, o levou voando, ele caiu no chão, quebrou a parte de cima da haste e as duas flores-de-lis.

Terá algum significado? Não sei.

Em Portugal eles conversavam há uns quatro ou cinco dias atrás a respeito do grande desenvolvimento do apostolado, como o apostolado está subindo, como tem havido graças novas depois do falecimento do Sr. Dr. Plinio, uma coisa realmente extraordinária. Nesse momento um copo que estava sobre a mesa, mais ou menos como alguém que desse uma martelada por debaixo, quebrou debaixo para cima e se despedaçou em cima da mesa, caindo alguns cacos até em cima de pratos.

Eles me pediram uma interpretação e eu disse:

De duas, uma. Ou foi o Sr. Dr. Plinio que quis confirmar que isto era assim mesmo e obrigou um demônio a quebrar o copo, ou havia um demônio do apostolado que impedia o apostolado, que prejudicava o apostolado, e que o Sr. Dr. Plinio disse:

-- Saia!

Ele então disse:

-- Bom, mas eu quero quebrar tal coisa.

-- Não, não, o máximo que você pode é quebrar tal copo.

O caso é realmente significativo, porque nessa hora quebrar esse copo assim...





VIII. Princípios, normas e advertências da Doutrina Católica a respeito da mística


A. Primeira atitude da Igreja perante os fenômenos místicos


Ensinamentos de Dr. Plinio, Encontro de CCEE, 12/7/92:


Os autores católicos --padre Olavo, padre Antônio, sabem disso perfeitamente-- tomam muito cuidado quando uma alma que leva uma vida, uma alma antes de tudo católica, séria, --por exemplo, uma freira num convento, um frade num convento-- começa a ter revelações, começa a dizer que Deus lhe apareceu e disse isso e aquilo. A primeira atitude da Igreja é de muito resguardo para evitar que seja uma ilusão do demônio, que o demônio produza uma visão destas e que essa visão traga as mentiras do demônio.

Então, essas visões e revelações, em geral os superiores de um convento onde essas coisas se dão, manda que a pessoa que recebe essas revelações escreva, ponha tudo por escrito e entregue ao exame das autoridades eclesiásticas adequadas para que elas vejam que espécie de importância e seriedade se deve reconhecer ao documento. Se o documento é ortodoxo em tudo, porque se não é ortodoxo em tudo pode ser o fruto de uma imaginação doentia ou pode ser uma atuação do demônio.

Mas, ao longo de todo esse fenômeno a Igreja toma muito cuidado de maneira que relativamente ao número de aparições que há, o número de aparições aprovadas pela Igreja é pequeno. Em si é grande absolutamente, quer dizer, é um número grande mas há muito mais coisas dessas sobre as quais a Igreja manda fazer silêncio, etc., não é porque tem alguma coisa de ruim mas porque é suspeito, tem alguma coisa que é esquisita. Manda fazer silêncio e acabou-se. Para evitar que o demônio se introduza no caso e domine uma pobre alma e as pessoas que se deixam arrastar por essas coisas.


Mais adiante, na mesma reunião, Dr. Plinio qualifica de “imprudência louca” o fato de “se estar entregando a aparições e coisas dessas”.








B. Princípios, normas e advertências do SDP a respeito de previsões, profecias e moções da graça


Numa reunião feita no ANSA, o 26/9/96, o Sr. Dufaur leu o seguinte conselho de Dr. Plinio (19/4/95) para uma comissão de estudos de profecias:


A Bagarre de um jeito ou de outro vem chegando, cada vez mais nós entramos na confusão, e cada vez menos os recortes significando algo. E cada vez mais dentro do caos não sabemos para onde andar.As previsões sempre tiveram como base os recortes. Mas, de um lado, os jornais estão ficando cada vez mais secos, unilaterais e pouco significativos.

De outro lado, os acontecimentos que eles noticiam, cada vez menos se prestam a previsões, por causa do caos que é do interesse das FFSS que reine em todas as coisas (1).

Caiu-se neste estado tão claramente previsto antes, em que as notícias dos jornais seriam insuficientes para se julgar o que está se passando.

Então, o melhor jeito é estudar e analisar o que previram a respeito de nosso século as melhores fontes, quer dizer, processos de canonização, livros escritos por santos, etc. E vermos o que tem de unum em todas essas visões, e o que tem de discordantes.

É um embasamento que no caos da Bagarre nos parece o porto do contra-caos, e, até certo ponto, pode ser que as previsões tratem de algumas coisas e não de outras. Mas tem alguma coisa que é um vade mecum, que me parece de uma importância muito grande.

Essas revelações privadas têm o que há de falível em que há em toda obra humana. Mas não se pode sustentar que nelas consideradas no seu conjunto, nada há em que o fiel não possa encontrar uma previsão provável, se não indiscutível do fatos que vão acontecer. Não é, portanto, uma afirmação concernente a esta ou aquela previsão, mas é concernente ao bloco, ao conjunto.

Deus não teria dado tantas revelações a santos, beatos ou pessoas cuja heroicidade e virtudes a Igreja estudou e proclamou, que acabassem não sendo no seu conjunto fiáveis. Isso é uma coisa que me parece de primeira evidência.

Portanto, é razoável que os fiéis procurem com prudência e com discernimentos necessários, atendendo o que diz a Igreja sobre as cautelas com que é preciso considerar essas previsões. E assumi-las na medida em que nos pareçam razoáveis (2), e com isso fazer um tesouro que poderá nos servir para muita coisa complicada e difícil que possamos ter diante de nós.

Nos servem então para duas finalidades, uma, ter luzes sobre o futuro que calcem a nossa ação; e em segundo lugar, facilitar a união entre nós (3).

(...) Se a coisa está muito complicada, eu sugiro para vocês o seguinte. Se vocês querem que as graças de Nossa Senhora desçam sobre o assunto, vocês ponham tudo em função de Revolução e Contra-Revolução. Vocês vejam o que é que está de acordo com a Contra-Revolução, o que é que está de acordo com a Revolução, o que é que está em contra de um e em contra de outro. Ali vocês vão ter as luzes necessárias para entender (4).


Comentários:

  1. Portanto, quem semear o caos dentro das fileiras da TFP, colabora com o plano das Forças Secretas.

  2. JC, quando fala de sonhos, visões, premonições, e em geral dos fenômenos místicos, omite completamente estas recomendações --sobretudo no tocante ao concurso da razão.

  3. Uma das finalidades que Dr. Plinio visava com o estudo das previsões era facilitar a união entre nós. Uma das finalidades que JC visa ao implantar a moda da mística é arrebanhar o maior número de pessoas em torno de si.

  4. Um critério para entender previsões e guiar-se por elas, é o senso RCR. De maneira que se uma coisa vai num sentido revolucionário --por exemplo atentando contra a coesão do Grupo ou contra a estrutura hierárquica do Grupo--, a pessoa não a deve seguir. Os joanistas puseram totalmente de lado este conselho de Dr. Plinio.

*


Santo do Dia 9/10/82, Sábado:É ensinado pela doutrina da Igreja Católica --e o que a Igreja ensina é mais certo para a alma do que qualquer evidência-- a Igreja ensina aquilo que a experiência de todos os dias revela na alma de quem, pelo batismo e pela vida da graça, se tornou um templo do Espírito Santo: De vez em quando, esse Divino Espírito Santo diz alguma palavra, sussurrada, discreta e leve dentro de seu templo.

E o homem tem um misterioso ouvido para ouvir isto. O Espírito Santo sabe como falar à alma. E quando a alma tem o ouvido pronto para ouvi-lo, ela não se engana.Há uma palavra na Escritura que se refere à voz da graça dentro de nós: "Hodie si vocem ejus audieritis, nolite obdurare corda vestra" -- se vós, hoje, ouvirdes a voz dEle, não endureçais vosso coração. Tende o coração aberto, tendo o coração sensível, ouvi a voz da graça!


Fato curioso: a alma que ouve e se abre para isso, sente que, na perspectiva do que essa voz lhe aponta, toda a sua vontade de praticar a virtude toma mais força. Ela se torna mais pura, mais resoluta, mais límpida e vai para frente (1). A alma caminha para os sacrifícios internos da virtude como o templário ia cantando para os campos de batalha. Ela percebe que vai ter de se sacrificar, mas nasce nela uma nobre sede de sacrifício, e diz: "Custará, mas eu exigirei de mim. Me pego pelo pescoço e me obrigo a fazer!" (2). Portanto, na raiz está aquela voz.Outro dado da experiência é o seguinte:É que esta voz nem sempre é clara. Se vós pensais que é fácil distinguir uma voz da outra como é fácil distinguir o Kurfursten --o nosso belo Kurfursten-- das outras músicas, estais enganados. Às vezes se distingue, mas às vezes a gente ouve alguma coisa e se pergunta: ”É a voz? Também não sei”. E pode não ser!

Mas os senhores dirão:

-- O que fazer dessa voz tão preciosa, se ela é ambígua?Nasce em mim uma indagação:

-- Será verdadeiro? Rezarei e pedirei: Minha Mãe, fazei-me ver, pelos acontecimentos internos ou pelo timbre interno dessa voz, como é que eu devo agir; se é ou não é a graça que está falando em mim. Fazei-me ver!

Suplico, faço jejum, faço penitência, suporto os outros, faço o que for até saber o que esta voz me diz.

Aí eu terei praticado o que Deus mandou: "Hoje, se ouvirdes a sua voz, pelas durezas da preguiça não endureçais o vosso coração".Sede infatigáveis até tirar a limpo o que é! Mas não tomeis como verdadeiro o ambíguo, e sobretudo não tomeis como verdadeiro o falso ...

Deus saberá dizer! Agora, oração, prudência e esperança. Se é a voz da graça, ela voltará mais intensa. Isto é viver!Às vezes esta voz não fala por alguma coisa interna, mas sim por algum fato externo. Nós recebemos um impulso que nos parece tão grato, tão luminoso e tão empolgante, para fazer certa coisa, mas não temos certeza se é um movimento natural da alma ou um movimento sobrenatural. Rezamos, e acontece um fato externo que nos torna fora de dúvida ser aquilo o que Deus quer. retrospectivamente se dirá: Era a graça. Minha Mãe, eu vou para frente".É preciso ter um senso profundamente católico para poder medir bem se é a hora da graça (...).

(...) O varão, unido verdadeiramente a Nossa Senhora, (...) tem portanto um senso das proporções e um discernimento das coisas que lhe faz antever quais são os passos de Deus na História. Sopra uma graça, ele se acende: "Oh, a voz da graça!"


Comentários:

  1. A julgar pela norma princeps da espiritualidade joanienta --a pessoa se santifica na medida em que “se deixa levar” e assume cada vez mais um papel passivo, porque o esforço atrapalha--, quando a pessoa presta ouvidos à voz da graça, sua força de vontade não aumenta, mas diminui; e a pessoa se torna menos resoluta. Ora, se a força de vontade mingua e a pessoa vira irresoluta, deve-se concluir que, na escola joanina, a pessoa presta ouvidos, não à graça, mas ao demônio.

  2. Os que embarcaram na espiritualidade joanista tem espírito de holocausto? Tem vontade de se sacrificar em proveito da Causa? Ou sacrificam a Causa em proveito de JC?



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MNF, 15/4/87:


(Aparte: Certa vez o senhor [perguntou] a um pessoa como é que ele tinha entrado na vida pública. E ele disse ao senhor o seguinte: "o senhor sabe, Dr. Plinio, eu um belo dia estava em casa e de repente senti dentro de mim uma voz dizendo que era para entrar". Tem certo tipo de pessoas que tem essas vozes e que fazem e dão certo. E a gente não sabe se são coisas naturais ou não que vão orientando a vida da pessoa)


A meu ver o modo da Providência prestar assistência às pessoas, portanto o Divino Espírito Santo prestar assistência às pessoas varia muito, quer dizer, pode existir de um modo comum, e depois de um modo não comum. Esse modo não comum pode ser mais freqüente ou menos freqüente.

E acho que coisas assim existem em dois sentidos da palavra. Em primeiro lugar não se dão com a maior parte das pessoas, mas com uma minoria. E em segundo lugar é uma minoria que não é muito rara. É uma minoria que não é muito rara de um lado e de outro lado uma minoria que por assim dizer indica um modo especial da Providência agir. Se a pessoa não corresponder bem, não agir bem, pode cair no erro de simples moções internas que não tem esse alcance, a pessoa por abuso, começar a tomar como se fosse, inclusive fabricar em si, como que moções internas assim, e aí entra o demônio.


*


Na 2a conferência para Yves de Pontfarcy narrando sua biografia, o Sr. Dr. Plinio assim se refere a um “nó intransponível” que havia entre ele e Plinio Salgado:


Eu compreendi muito bem que não havia incompatibilidade entre a intuição brasileira e a lógica. O papel da lógica é tirar de dentro dos tesouros da intuição brasileira as verdades e pô-las em forma. Elas não podem ficar dormindo ali, elas precisam ser postas em forma de lógica, precisam ser lapidadas pela lógica, tanto mais que elas são lógicas. Mas esse intuitivismo brasileiro não tem nada de comum com o misticismo, que é uma outra besteira. O misticismo é "élans", sonhos, "julguei ouvir uma voz", "algo se formou em mim que disse que" --isso não tem nada que ver com uma intuição sadia-- mensagens, presenças e outras porqueiras. Isto é muito diferente. Isto aí é uma espécie de primeiro golpe de vista claro, uma impressão de conjunto clara, que depois a inteligência trabalha. Mas é material para a inteligência.


E os misticismos não podem viver num clima de análise. Se se cria um clima de análise em torno de um profeta, a gente o mata. O falso profeta, bem entendido. Pois se o faz sentar e se se pede seus argumentos, ele se desmoraliza.

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O próprio JC confessa que:


O Sr. Dr. Plinio condenou os sonhos de olhos abertos a mais não poder. Os meus sonhos nunca são de olhos fechados; quando eu sonho, eu sonho de olhos abertos. (Cfr. "jour-le-jour" 7/2/96)





C. O pior inimigo interno: os fabricantes de milagres ...


Ensinamento de Dr. Plinio, EVP, 24/4/94:


Por mais que se queira dizer que [o adversário] está mostrando sua fraqueza pelo número grande de adesões a meu livro [da nobreza] e outras coisas assim, isso pode quando muito [querer] dizer que em algumas frentes de ação ele recuou um pouco. Mas que o demônio está com o domínio sobre os acontecimentos, é uma coisa que a mim me parece inteiramente impossível negar.

Depois uma outra coisa que é inteiramente evidente, é que nessa situação o programa de caos dele está sendo brilhantemente executado. Quer dizer, o caos está entrando por toda a parte e não dá o menor sinal de fraqueza nem de estar recuando em nenhum lado, nem de estar despertando uma revolta, uma inconformidade de nenhum lado também. Simplesmente ele está entrando como quem entra na casa própria, encontra todas as portas abertas e se movimenta ali dentro como entende.

(...) Uma vez que isto está nesta situação (...), o que é que nós devemos fazer? (...) Continuar a crescer, está bem, mas com a consciência de sermos cada vez mais desproporcionadamente pequenos diante de um inimigo enorme. E ao lado --eu não ouso dizer dentro, também não ouso dizer fora-- de uma Igreja que eu não sei já se ainda é a Católica Apostólica e Romana [...]

Isso significa, em qualquer caso, algo que nós devemos continuar a fazer. E devemos continuar a fazer porque é intrinsecamente bom, porque com isso alguma glória damos a Nossa Senhora, por causa dos sete pães e sete peixes do sermão da bem-aventurança (...).


Mas, primeira pergunta: durante quanto tempo nos deixarão continuar a fazer o que estamos fazendo? Porque vão ficar cada vez mais poderosos. Cada vez mais poderosos e cada vez mais --é preciso não perder isso de vista--, nós impedidos de praticar a verdadeira religião.

(...) Se isto é assim, então é preciso reconhecer que a nós só resta fazer uma coisa neste plano. É continuar a trabalhar, ir-nos deixando estraçalhar, esperando o martírio com os olhos postos em Deus que não abandona os coetus onde ficam mártires. É um naufrágio para dentro das catacumbas. Com a inviabilidade das catacumbas em nossos dias.

Então nós ficamos diante desta hipótese, que é a seguinte: ou chegou o fim do mundo --hipótese que eu considero sempre a menos provável--, ou para que as portas do Inferno não prevaleçam é preciso que haja uma ação milagrosa, mas diretamente milagrosa da Providência, do tipo de milagre de aparecer santo, de descer anjo, de haver terremoto, e que seja o começo da devastação do lado de lá para cá, sobrenatural, angélica, violenta, tremenda e acabou-se.

(...) Devemos, portanto, nas nossas conversas, nas nossas hipóteses, na nossa perquirição das coisas ir procurando sinais precursores de milagre. Mas com essa calma, com essa frieza, e quase que estabelecendo entre nós uma espécie de inquisição contra milagres, que seria contra os milagreiros que têm a mania de ver milagre onde ele não está, e que só podem desdourar a posição calma, lógica e confiante, na qual eu acho que nós devemos nos pôr. Quer dizer, eu acho que os fabricantes de milagres serão os nossos piores inimigos internos.


(Dr. Adolpho: E é evidente que vão aparecer, não é?)


Ah, é evidente. É só eu fazer uma reunião no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora e dizer o que eu disse aqui, que daqui a um mês, mais ou menos, houve quatro ou cinco "milagres". Milagres entre aspas, não é? O que torna mais delicado é o seguinte: é que isso pode adiar o verdadeiro milagre feito pela Providência.

(...) Trata-se de sentir a grandeza da situação. Porque nós seremos os únicos na Terra postos como que num píncaro de cogitações proféticas, à espera sozinhos --dentro de um mundo que está para se perder--, da comunicação de Deus.


(...)


(D. Bertrand: Uma tentação que nós temos que evitar é a seguinte: "Então chegou a hora de fechar a arca de Noé, vamos agora levar a nossa vida interna".)


Ah não.


(D. Bertrand: Chegou a hora de aprimorar todas as atividades atuais, aproveitar ao máximo todas as oportunidades que aparecem, sem, entretanto, achar que disso vai-se conseguir resolver o problema, sem o milagre.)


Sim, mas com um cuidado. É o seguinte: não achar também que nós devemos agir de maneira a provocar o adversário (1).




Comentário:

  1. O profeta Átila Guimarães pensa diametralmente o contrário: devemos dar imediatamente o golpe mais violento no adversário supremo. E seu colega JC com uma mão o apoia, e com a outra mão abraça ao adversário.





D. A imaginação, pórtico para o ingresso dos enjolrras no pan psiquismo


MNF 24/7/86:

Eu já fui, quanto mais DB e vocês, acho que meus pais mais do que eu, meus avós mais do que meus pais, foram educados na idéia de que a vida humana, quando corre normalmente, conduz a ter a felicidade (...) nesta terra. (...) E por isso desperta uma extroversão enorme e uma falta de introversão colossal. (...) Porque olhar para dentro só pode trazer problemas, pode trazer isolamento, solidão, tristeza, aborrecimento. Olha para fora: tudo é agradável. E a vida fora é organizada para o prazer. (...)

Bem, esse mito da felicidade assim joga em sentido oposto hoje em dia: tudo é infeliz, tudo é triste, tudo está continuamente ameaçado de ficar pior. De maneira que nem sequer as modestas e insignificantes gostosuras da vidinha pequena, nem sequer essas gostosuras são dadas ao homem.

Com isso o homem tem uma vida triste, ele não tem atrativo no extroverter-se, e os problemas internos surdem do fundo da alma. (...)

Então nasce, com a experiência interior assim, nasce o problema religioso. Bom, não nasce de uma consciência tomista da coisa, mas nasce à maneira de um mal-estar profundo, insondável, que eles não sabem como se resolve, e esse mal-estar lhes dando uma vontade de evadir-se. Um mal-estar do qual eles só podem escapar por uma experiência mística confusa, porque estão habituados à confusão. O seu mal é confuso, a sua cura só concebem confusa também. (...)

Então nós podemos um pouco fazermos uma idéia de como é essa experiência interior. (...)

O homem posto no mato e vivendo de pouco é iniciado, por essas iniciações assim, a encontrar uma certa moderada gostosura no mato. Então o ar fresco, o bonito do rio, o bonito da paisagem, o tranquilo, as côres da aurora, etc., começam a produzir uma moderada impressão de bem-estar, que não basta ao homem, mas ele tem.

E ele é levado à idéia de que essas coisas tem uma função psíquica interna que não é a fruitiva, é uma coisa diferente. Entrar no mato e sentir o cheiro de tal árvore no mato é uma coisa que, respirando, desperta na alma, pensa ele, uma certa reação que lhe dá um certo contato com outro ser e outro mundo. É um certo comércio com uma ordem de coisas diferentes, mas [que] é preciso não conceber à maneira do limpo, porque o limpo é para o homem extrovertido, que imagina uma algazarra no Céu parecida com a algazarra que ele teve na terra. É uma outra coisa: é um despertar de delicias que dormem dentro dele e que ele pode...

Não sei se conhecem o sentido da palavra francesa "chatouiller". É o gozo que há quando um contato discreto desperta no homem emoções discretas e insondavelmente gostosas. Vamos dizer, "chatouiller" um gatinho, o gato se curva todo. Pegar uma flor e passar pelo rosto de uma criança, "chatouiller" o rosto da criança com a flor, desperta deleites interiores.

(...) Aliás, "chatouiller", uma linda palavra, uma lindíssima palavra. Não é uma palavra: é um bibelot vocal. Outra palavra francesa que eu acho um encanto é "badiner", "badinage", um encanto. E outra que acho encantadora é "folatrer". São 3 formas de produzir interiormente sensações muito delicadas de espírito, mas que vem apenas de um pequeno estímulo fora, que revela de dentro da alma uma fruição.

Eu chamo atenção para esse particular: "chatouiller", "badinage", "folatrer" são coisas que, por exemplo, para um norte-americano não significam nada. Para um americano característico, médio, não significam nada. Para o caipira brasileiro não significa nada. Desconfio que para um certo tipo de caipira de outros países, há um certo [veio] de gente que é estranho ao despertar de potencialidades internas por onde o indivíduo se goza a si próprio, e para onde conduz toda evolução da qual nós falamos.

É horrível o que eu vou dizer, mas é uma espécie de onanismo interno, onde o indivíduo goza apenas a si próprio, mas goza a si próprio. Está acabado. É pavoroso, mas é isto, não tem conversa.

Agora, em determinado momento surge o desejo de uma conversa com aquilo que se figura a nós como... É uma coisa curiosa, por exemplo, no "chatouiller", fazer assim, etc., nós não temos a impressão só de que desperta em nós algo de muito gostoso, mas nós podemos ter a impressão de algo que não é nós, que está dormiente em nós, e que é uma fonte de felicidade para nós. Algo que não é nós, que está implícito em nós. Eu explico da seguinte maneira:

(...) Você toma o mar. É fora de dúvida que há certo estilo de almas que depois de apreciarem longamente o mar, tem uma certa idéia confusa de que o mar é inteligente e pensante. Ou que, pelo menos, em contato com o mar, ele entra em contato com um ser pensante a quem ele pode se dirigir. Daí o número de poesias dirigidas propriamente ao mar: "oh mar!", isso, aquilo, aquilo outro. (...) E ele acha que ele, estando perto do mar, ele se embebe de um ser extrínseco a ele, que é uma maresia, uma coisa qualquer assim, que é uma perfeição extrínseca a ele que entrou nele, e que facilmente ele pode ser propenso a imaginar que é uma coisa com quem ele pode falar.

Eu acho isso um desequilibrio e tenho horror a isso, mas isso existe.


(DB: Não há nisso algo de natural?)


Natural e até legítimo tem. É inteiramente legítimo. "Ambientes-costumes" se baseia muito em fatos dessa natureza. Mas para além disso, para uma mentalidade trabalhada... não para a mentalidade de DB e dos que estão aqui, mas uma mentalidade trabalhada por tudo quanto acabei de contar anteriormente, aí entra a idéia de que esse "chatouillement" produz, é um fator que dorme em mim --seria o mar-- que o mar desperta, mas que no fundo é da mesma natureza que o mar. (...) é esta sensação do mar que conduz um tanto ao panteísmo: eu, o mar, não sei mais qualquer coisa, o bosque, isso, aquilo e aquilo entramos numa consonância meio parecida com o diálogo.


(Dr. Adolpho: E há horas em que se tem a impressão de que ouve vozes).


Ouve vozes, exatamente. E depois também na floresta, etc., tem-se a impressão de que algo sai de dentro e que fala. E que este que está dentro é meio extrínseco e meio intrínseco a mim.


(Sr. Gregório: Gênio da floresta, iara do mar, são concretizações disso).


Dessa sensação. E a ordem de coisas que deformasse, hipertrofiasse essa sensação, jogava os homens diretamente no panteísmo. (...)

Eu me lembro quando eu era deputado --naturalmente eu afastava-- mas me vinham ao espírito umas coisas assim, que eu percebia que vinham de fundos perigosos, que eu cortava. Mas era, por exemplo... a Cámara dos Deputados fica há 2 passos do mar, mas de um mar feio, porque é um braço da Baia de Rio de Janeiro que entra por ali e que entra até aquele lugar onde Dom João VI desembarcou, ha 2 passos de lá. Mas é o mar! Para mim é o mar.

Eu estava ali me fritando de raiva, de má vontade, de tudo naquelas cadeiras. A vontade para mim era de ir a um negócio que tinha lá, que era uma espécie de gradeado de madeira flutuante, amarrado, e onde encostava os barcos. Um cais flutuante. Havia uns bancos primitivos naquele cais flutuante. Ficar sentado no cais flutuante, que nessa hora do dia, provavelmente, não teria ninguém, assistindo, vendo o mar passando para cá, para lá, sem pensar mais nada, nada de existência, me deixando "bercer" por aquele movimento e olhando o mar.

Eu acho que o que tinha no fundo em mim era uma tentação de algum tempo de identificar de tal maneira com o mar que eu perdesse o interesse pela vida. Que é um movimento perigoso.

(...) Então eu queria que tomassem isso em vista, como vai preparando para uma espécie de misto de panteísmo e pan-psiquismo. Ainda não é doutrinário. Depois qual é a lorota doutrinária que contam por cima disso, é secundário: o indivíduo virou um panteísta e pan-psiquista.

Bem, mas um homem para o qual a fuga da construção deste mundo é a condição para ele viver. E é o contrário daquele sujeitar a terra a si que Nosso Senhor preceituou ao homem. É o reinar, é o contrário. É deixar-se envolver, narcotizar e arrastar.

Ora, é para lá que tudo está nos conduzindo. (...).

Bem, agora, é fácil compreender --eu fico então na experiência mística-- a partir do "chatouillement" a coisa interna. Nessa coisa interna uma deliciosa sensação do seguinte: o homem está libertado do próximo, desse próximo que só deu a ele desilusão, só deu a ele amargura, que ele conhece por se conhecer a si mesmo e por saber que ele não vale nada, ele não pode esperar do próximo que valha qualquer coisa, ele percebe que é tudo porcaria, ele se vê libertado para um convívio com um elemento interno, que forma até certo ponto um só com ele e com quem ele pode conversar, pode ter confabulação --vejam bem o horrível da coisa-- à maneira do que nós poderíamos imaginar uma união hipostática. Ele se sente, ele indivíduo concreto, ligado a um fator interno universal, que os vários "chatouillements" despertam.

Pode haver um "chatouillement" da cólera, onde o indivíduo em certo momento se irmana com a cólera universal, como pode haver um "chatouillement" do bom gosto, do que queiram. É uma espécie de acupuntura que faz o homem reagir nos pontos adequados, em que o homem leva uma vida prodigiosa, fazendo sentir em si as vibrações de um pan muito maior, que vive também no outro, mas a mim pouco me incomoda o outro, se está tendo com esse elemento um contato. Pode estar sentado ao meu lado, na mesma sala, eu faço as minhas delicias da conversa com esse elemento universal, através de experiências internas.

Essas experiências internas que eu vou produzindo em mim, mas que são meio divinas por causa dessa espécie de união hipostática que eu tenho, ao que elas conduzem? Dizem os ocultistas, conduz ao seguinte: minha individualidade vai desaparecendo e eu vou me tornando um com esse elemento interno que existe em mim.

Tudo isso é herético, é péssimo, mas é como se apresenta para eles.

E no fundo, eu Plinio, individual, não seria senão uma enfermidade, um desastre que houve no elemento universal que é o melhor de mim mesmo.

Então Deus, se encarnando, não teria dado origem a um Natal radioso como se diz, mas teria passado por um desastre. E esse desastre se chama, por exemplo, Plinio, mas poderia chamar DB ou GVL, daí para frente.

É preciso que todos os homens se reabsorvam naquele princípio de unidade que ele tem, que cada um de nós tem. O que se faz abstraindo da vida externa e entrando cada vez mais para essa vida de experiência deliciosa mas universalizante.

Está aí toda aquela coisa dos hindus, metempsicose, está tudo dentro disso.

(...) Bem, o homem que é assim vai afundando na natureza, ele é objeto, entre outros, de uma delicia, do "laisses faire", do "laisses passer", do entregar-se à completa ausência do esforço, da coibição e de tudo, do proibido proibir. A lei do animal é: "é proibido proibir"; ele só tem como proibição aquilo que seu instinto não apetece. E este mundo que eu descrevi é o mundo dos instintos.





E. Regras de S. Afonso Maria de Ligorio


133. As visões podem vir quer de Deus, quer do demônio. (...) As marcas pelas quais se pode distinguir as visões verdadeiras das falsas são: 1) se elas aparecem de improviso e sem que nossa alma tenha pensado; 2) se elas começam por nos causar temor e confusão, e terminam por meter nossa alma na paz; 3) se elas são raras, pois as que são frequentes são muito suspeitas; 4) se elas duram pouco tempo, pois que, diz Santa Teresa, quando a alma contempla durante bastante tempo as coisas que lhe são representadas, é um sinal que ela está levada a essa contemplação por uma fantasia. A visão divina passa ordinariamente como um “lueur”(?), mas ela deixa na alma uma impressão durável. 5) A visão verdadeira deixa após dela uma paz profunda e um conhecimento vivo das próprias misérias da alma, acompanhada de um grande desejo de marchar rumo à perfeição, à diferença das visões enviadas pelo demônio, que deixam uma impressão pouco durável e lançam a alma num estado de turbação e inquietude, acompanhado de um movimento de amor próprio e de uma inclinação aos prazeres sensuais.

Mas Santa Teresa diz que, inclusive com todos os sinais que acabamos de enumerar, não se pode ter certeza, porque frequentemente o demônio sabe fingir o repouso, os pensamentos de humildade, os desejos de perfeição, e que então é impossível distinguir de onde vem essas impressões; pois com frequencia o demônio age assim para excitar nossa credulidade e nos conduzir por aí a uma trampa onde ele deseja nos fazer cair. (...)


134. Quanto à locução (...). Há a locução formal, quando a alma escuta certas palavras articuladas, pronunciadas fora dela; e ela pode as ouvir, quer com as orelhas, quer com a imaginação, quer com a inteligência. Se deve distinguir, a respeito desta locução, se ela é divina ou diabólica, pelas coisas que ela exprime ou ordena e pelas impressões que ela deixa. Se ela é divina, e ela não ordena senão obras de penitência ou de abnegação, ela deixará à alma uma grande facilidade para sofrer, para agir e para se humilhar.

A locução substancial se confunde com a formal; elas diferem apenas pelos seus efeitos: a formal ensina ou ordena, enquanto que a substancial opera de uma maneira imediata aquilo que ela exprime, como, por exemplo, quando ela diz: “consolai-vos, não temais, amai-me”; então a alma se encontra subitamente consolada, ou encorajada, ou inflamada. Esta locução é mais certa que as duas outras; pois a primeira [a locução sucessiva] é muito incerta; e a segunda --quer dizer, a formal-- é muito suspeita, sobretudo quando ela prescreve obras a praticar (...).


136. Aqui se levanta uma dúvida que consiste em saber se se deve aceitar ou recusar todas as graças e todas as comunicações sobrenaturais. É preciso, para resolver esta questão, fazer uma distinção, seguindo a opinião de um sábio autor, compartida por São João da Cruz e por muitos outros: as graças que nos distanciam da Fé, porque consistem em certas noções distintas, como são as visões, as locuções e as revelações, devem ser rejeitadas tanto quanto possível; mas quanto àquelas que são conformes à Fé, como por exemplo, as noções confusas e gerais, e os contatos divinos que unem a alma a Deus, não se devem rejeitar; pelo contrário, se pode as desejar e as demandar com humildade, afim de se reaproximar de Deus e de se fortificar no amor de sua bondade. Entretanto, isto se deve entender das almas que já são favorecidas por tais graças; pois, para as outras, a via mais segura é desejar e demandar somente a união ativa, quer dizer, a união de nossa vontade com a vontade divina (...).


137. Concluamos sobre este ponto que o diretor não deve: 1) ordenar a seus penitentes lhe revelar todas as comunicações que eles teriam tido durante a oração; mas, por outro lado, é preciso que ele não se mostre curioso de as conhecer; ele não deve falar a outras pessoas das graças sobrenaturais concedidas a seu penitente, porque as pessoas viriam a consultá-la, e isso a exporá a cair na vaidade (...); 2) ele não deve mostrar particular estima às almas assim favorecidas (...); ele deve sobretudo fazer ver que ele as considera menos que as outras almas que marcham na via da Fé, porque em regra geral é necessário manter essas almas assim favorecidas numa grande humildade (...).

[As] almas não devem fazer consistir a perfeição em ter [revelações e visões]; pois, embora algumas sejam verdadeiras, um grande número são falsas e imaginárias, e é difícil encontrar uma verdade no meio de uma multidão de mentiras --de sorte que há mais visões falsas do que verdadeiras--, e quanto mais se as procura e se as estima, tanto mais o penitente se distancia da Fé, da humildade, que são as vias mais seguras que Deus tem estabelecido. [O confessor] lhes dirá portanto que elas devem pedir a Deus verdadeiros êxtases, que consistem no menosprezo de todas as coisas terrestres, e inclusive delas, sem o qual é impossível atingir a santidade. Se o diretor compreende que seu penitente não está bem firme no conhecimento de sua própria imperfeição, e que ele sustenta que as comunicações que ele tem tido são divinas e que ele está desgostoso que o diretor não as veja como tais, ele deve considerar isso como um mau sinal, quer dizer, como marcando, ou que as comunicações são do demônio (...), ou que elas são o fruto do orgulho do penitente, ou que sua alma não está na boa via (...).

(Cfr. Oeuvres completes, tome 26, Paris, Paul Mellier, libraire – editeur, 1842, oeuvres morales – du confesseur, pp.414 – 425)





F. Regras de São Francisco de Sales


Em tudo o que vi desta moca, não encontro nada que me faca pensar que ela não seja uma muito boa moca, e portanto é preciso ama-la e quere-la bem de todo o coração. Mas quanto a suas visões, revelações e predições, elas me são infinitamente suspeitas, como inúteis, vãs e indignas de consideração. Pois de um lado elas são bastante frequentes e de si a frequencia e a quantidade as torna dignas de suspeita; de outro lado, elas trazem manifestações de certas coisas que Deus declara muito raramente, como a certeza da salvação eterna, a confirmação em graca, o grau de santidade de diversas pessoas e cem outras coisas semelhantes que não servem absolutamente de nada (...).

Quando Deus se quer servir de revelações que dá às criaturas, faz Ele preceder normalmente naqueles que as recebem por milagres verdadeiros ou por uma santidade muito particular. Assim o espírito maligno, quando quer de fato enganar alguma pessoa, antes que levá-la a fazer falsas revelações, ele a conduz a fazer pressagios falsos e a levar um modo de vida falsamente santo.

Houve no tempo da bem-aventurada irmã Maria da Incarnação uma moca de origem modesta que foi enganada por uma farsa a mais extraordinária que se possa imaginar. O inimigo em figura de Nosso Senhor rezava longamente as Horas com ela, com um canto tão melodioso que a arrebatava. Ele lhe dava frequentemente a comunhão sob a aparência de uma nevoa prateada e esplendorosa, de dentro da qual Ele lhe estendia uma hóstia na boca. Ele a fazia viver sem comer coisa alguma. Quando ela levava esmola à porta, Ele multiplicava o pão em seu avental, de modo que se ela levava pão apenas para três pobres e estes eram trinta, havia o suficiente para dar a todos com abundância. Seu próprio confessor, que pertencia a uma Ordem rigorosa, mandava por devoção, de vez em quando, este pão muito delicioso a seus amigos espirituais.

Esta moca teve tantas revelações que por fim isso a tornou suspeita entre as pessoas prudentes. Ela teve uma revelação extremamente perigosa, pelo qual se julgou conveniente examinar sua santidade e para tal a colocaram com a bem-aventurada irmã Maria da Incarnação (...). Descobriu-se que esta moca não era santa de modo algum e que sua doçura e humildade exterior não eram outra coisa senão um dourado superficial que o inimigo empregava para tornar deglutiveis as pílulas de seu engano, e por fim se descobriu que se tratava de uma pilha de falsas visões. Enquanto a ela, ficou-se sabendo que ela não só não enganava maliciosamente as pessoas, mas que era a primeira a ser enganada, não tendo de seu lado nenhuma outra espécie de falta, a não ser a complacência que tinha de se imaginar que era santa e a contribuição que fazia de algumas simulações e duplicidades para manter a reputação de sua vã santidade.

Assim, minha caríssima irmã, é preciso lhe testemunhar uma total negligencia e um perfeito desprezo de todas as revelações e visões, tanto assim que se ela contar sonhos ou exaltações de uma febre quente, sem perder tempo em refutá-los ou combate-los, antes pelo contrário é preciso lhe dar o troco, isto é, mudar de tema e lhe falar das solidas virtudes e perfeições da vida religiosa e particularmente da simplicidade da fé na qual os santos caminharam, sem visões nem quaisquer revelações particulares, se contentando de crer firmemente na revelação da Escritura Sagrada e da doutrina apostólica e eclesiástica, inculcando com frequencia a sentença de Nosso Senhor, segundo a qual haverá muitos fazedores de milagres e muitos profetas aos quais Ele dirá no fim do mundo: "Retirai-vos de mim obradores de iniquidade, não vos conheço". Ademais é preciso dizer a esta moca: Falemos de nossa lição que Nosso Senhor nos recomendou aprender, dizendo: "Aprendei de mim que sou doce e humilde de coração". E em suma, é preciso demonstrar um desprezo absoluto de todas suas revelações.

(Cfr. Oeuvres complètes de Saint François de Sales, tome VI, opuscules, quatrieme édition, Paris, Librairie de Louis Vives, 1866, Lettre a une religieuse supérieure de la Visitation)


*


A pedra de toque para discernir o bom e o mau espírito e para distinguir entre aquele que começa e aquele outro que está bem adiantado [na vida espiritual], é estar pronto para sofrer: pois aquele que é mau, vira pior pelas aflições, e murmura contra a Providência de Deus. Aquele que começa se irrita de sofrer, e de outro lado ele se lastima e se deixa levar pela impaciência. Aquele que avança, primeiro arrasta um pouco a sua cruz; entretanto, quando ele observa seu Salvador e seu Mestre carregando a sua cruz ao Calvário, ele a retoma, toma coragem, se decide a ter paciência e abençoa a Deus. O perfeito, que é uma ave mais rara neste século do que o Fénix na Arabia, não só aguarda as afrontas, as perseguições e as calunias, mas até mesmo vai ao seu encontro sem temeridade, e corre rumo a elas como a um festim nupcial, achando ainda que ele é indigno de levar a “livree” que o faz passar por um servidor da Casa de Deus.

É mais uma marca do Espírito de Deus, [a pessoa] ser doce e misericordiosa em relação ao próximo, inclusive quando [a pessoa] está a ponto de cair sob o peso da justiça [de um terceiro], temendo sepulta-lo sob seus escombros. É também o sinal de um espírito enganado pelo demônio nas suas devoções ou na sua conduta, quando, por certo zêlo, ele vira o exato juiz de tudo, e deseja castigar tudo, sem piedade nem clemência.

(...)

Examinai ainda se essas pessoas envaidecem-se de sua própria estima realçando suas graças e dons. (...) As operações sobrenaturais, diz S. Bernardo, podem–se fazer tanto por pessoas hipócritas quanto por santos (...).

(...)

Vede também se a informação que se dá a essas pessoas da doença [espiritual] de outrem lhes acarreta mais movimentos de indignação e de horror do que de compaixão e de piedade pela sua miséria; porque é um falso zêlo gritar contra o vicio de um irmão, descobrir seus defeitos sem necessidade e contra a caridade. Tais pessoas, de ordinário, pensam que fazem admirar sua virtude publicando as faltas do próximo.

Ademais, examinai se, quando se fala de Deus, essas pessoas se perdem empregando termos afetados, querendo fazer ver que seu fogo não pode permanecer sob a cinza e que, por essas fagulhas, se poderá descobrir as brasas que estão no seu interior.

Se desejais provavelmente julgar se essas almas tem verdadeiros sentimentos de Deus e se as graças que elas dizem receber de sua Bondade são verdadeiras, vede se elas não são apegadas a seu próprio juizo e a sua própria vontade e a esses mesmos favores; mas, pelo contrário, se esses favores as deixam na dúvida e irresolutas até que, pelo parecer de seus diretores e de muitas pessoas piedosas, doutas e experimentadas, elas sejam confirmadas na crença do que elas devem achar daquilo tudo: pois o Espírito quer sobre todas as coisas as almas humildes e obedientes; Ele se agrada maravilhosamente na condescendência e na submissão, como sendo o Príncipe da Paz e da concórdia. Pelo contrário, o espírito de soberba dá segurança e torna aqueles que ele quer enganar orgulhosos, apegados a suas próprias opiniões e muito resolutos, e os faz de tal maneira amar seu mal, que eles não temem nada tanto quanto a sua cura, os persuadindo que aqueles que lhes falam tem mais inveja de sua felicidade do que desejo de sua salvação. Tal é o gênio dos inovadores.

Enfim, para concluir todo este discurso, vede se essas pessoas são simples e verazes nas suas palavras e nas suas ações; se elas não procuram mostrar suas graças sem que seja necessário; se elas desejam aquilo brilhar ao exterior.

(Cfr. Oeuvres de Saint François de Sales, Edition complete, tome 23, Opuscules – volume II, Annecy, Monastere de la Visitation, 1928, pp.299-302)


*


Mas, me direis vós, se há consolações sensíveis que são boas e vem de Deus; e há consolações inúteis, perigosas, inclusive perniciosas, que vem da natureza ou até mesmo do inimigo, como poderei eu discernir umas das outras e conhecer [quais são] as más ou inúteis [e quais são] as boas?

É uma doutrina geral, cara Philoteia, para os afetos e paixões de nossas almas, que nós as devemos conhecer pelos seus frutos. Nossos corações são árvores, os afetos e paixões são suas ramas, e suas obras ou ações são os frutos. O coração é bom se tem bons afetos, e os afetos e paixões são bons se produzem em nós efetos bons e ações santas.

Se as doçuras, ternuras e consolações nos tornam mais humildes, pacientes, tratáveis, caridosos e compassivos em relação ao próximo, mais ferventes na mortificação de nossas concupiscências e más inclinações, mais constantes nos nossos exercícios [espirituais], mais dóceis a aqueles que devemos obedecer, mais simples na nossa vida, sem dúvida, Philoteia, que elas são de Deus.

Mas se essas doçuras são doces apenas para nós, se elas nos tornam curiosos, azedos, impacientes, apegados às nossas próprias opiniões, altivos, presumidos, duros em relação ao próximo, e que pensando já sermos pequenos santos nós não desejamos mais estar sujeitos à direção nem à correção, induvitavelmente são consolações falsas e perniciosas. A boa árvore só produz bons frutos.

(Cfr. Oeuvres de Saint François de Sales, Edition complete, tome 3, Introduction a la vie devote, Annecy, Monastere de la Visitation, 1928, pp.322,323)





G. Regras de São Vicente Ferrer


Em honra de Nosso Senhor Jesus Cristo, te quero dar remédios para que saibas te defender de algumas tentações espirituais, que neste tempo abundam muito [e que] edificam cátedra e preparam assento para o Anticristo. (...)

O primeiro remédio contra as espirituais tentações deste tempo, que o demônio procura plantar nos corações de alguns é: que os que quiserem entregar-se a Deus e dar-se à oração e contemplação, não desejem sentimentos, visões ou revelações, as quais são sobre a natureza e curso comum e ordinário dos que amam a Deus e juntamente com esse verdadeirissimo e firme amor lhe temem. Porque semelhante desejo não se pode encontrar sem uma raiz e fundamento de soberbia y presunção, ou tentação de alguma vã curiosidade nas coisas de Deus. (...) Em castigo deste defeito e imperfeição, a justiça divina deixa a alma que semelhante desejo tem, e permite venha a cair na tal ilusão e tentação do demônio, enganada com falsas visões e revelações e enganosos embustes.

Por aqui, e com este artificio, [espalha] nosso inimigo a maior parte das tentações espirituais deste tempo, e faz que deitem firmes raízes nos corações daqueles que são mensageiros certos do Anticristo (...)

Remédio segundo. Não consintas na tua alma, estando em oração ou contemplação, consolação alguma grande ou pequena, no ponto que vires se funda em presunção grande e própria estimação, e advertires que inclina tua alma à ambição de própria honra e reputação, e juntamente anda molemente persuadindo a teu entendimento que és merecedor da gloria desta vida e louvores mundanas. (...) E tem por certo que a maior parte dos raptos ou rabias de estos mensageiros do Anticristo vem por esse caminho.

Portanto, te aviso, te guardes com cuidado, e não permitas em tua oração e contemplação consolação alguma, se não for a que vier acompanhada de uma perfeita noticia e inteiro conhecimento de tua baixeza e imperfeição. Porque quanto mais adiante passar a tal consolação, mais perseverará em ti esta noticia e conhecimento, e trazer-te-á em outro muito claro da grandeza e alteza de Deus, com profunda reverencia e grande desejo de sua honra e gloria (...).

Terceiro remédio. Todo e qualquer sentimento, por alto e elevado que seja, e qualquer visão, por muito secreta e escondida que te pareça, de qualquer gênero que ela seja, no mesmo ponto que mova teu coração a ter opinião particular ou dúvida em algum artigo da Fé, ou que toque nos bons costumes, singularmente se for contra a humildade ou contra a honestidade, teme-lo grandemente, e cause-te grande horror, porque, sem dúvida alguma, vem de parte do demônio. E se te aparecer alguma visão sem este sentimento e afeto mau, e dela estás certo vem da mão liberal de Deus, e te assegura em teu coração que ao que te move a tal visão é coisa agradável a Deus, ainda com tudo isso não faças caso nem te assegures do todo em dita visão.

O quarto remédio. Nem por grande devoção ou perfeita vida, nem por claro e agudo entendimento, nem por outra qualquer suficiência ou perfeição que perceberes em alguma pessoa ou pessoas, não queiras seguir seus conselhos nem tratos, dos quais clara e patentemente deitares de ver que seus conselhos não vão encaminhados a Deus, nem com a verdadeira discrição, nem pelo caminho ordinário da vida de Jesus Cristo, nem pelo trilhado e pregado pelos santos, nem pelo da Sagrada Escritura predicada por sua boca e com seu exemplo ensinada. (...)

O quinto remédio é: que te apartes das conversações e amizade daqueles e daquelas que [espalham] as ditas tentações e as divulgam. E juntamente foge das pessoas que as permitem e louvam. (...)

Pelo dito quero avisar-te de alguns remédios que deves em ti mesmo advertir acerca das pessoas que [espalham] as sobreditas tentações, tanto com sua vida como com sua doutrina.

O primeiro que tens de atender para com semelhantes pessoas é não fazer caso de suas visões, sentimentos nem arrebatamentos. Antes bem, se a voltas disso te disserem algo contra a Fé e contra a Escritura Sagrada ou contra os bons costumes, abomina de suas visões e sentimentos como de desvanecimentos loucos, e de sus raptos, pois não são senão raivas. Porém se suas palavras, juízos e conselhos forem fundados na Fé, e na Escritura Santa e segundo os santos e bons costumes, não os menosprezes nem tenhas em pouco. Porque em tal caso seria menosprezar o que é de Deus. Mas não te fies por inteiro e [de olhos fechados], porque muitas vezes, e a maioria, em semelhantes coisas espirituais se mistura engano com aparência de verdade disfarçada, e malícia baixo espécie de bondade, para que assim o demônio, sem suspeita alguma, melhor possa derramar mortal veneno. E, portanto, creio que mais agrada a Deus que passes por alto –-sejam o que forem-- semelhantes visões, sentimentos e raptos que, como tenho dito, tiverem alguma aparência de verdade e bondade, se já não se encontrassem em pessoas de santidade e discrição e de humilde bondade; das quais se pode estar certo que não poderão ser enganadas por ilusão nem astucia do demônio. Então, ainda que seja piedade crer as visões e sentimentos de pessoas tão honradas, com tudo é mais seguro não dar-lhes crédito por inteiro pelo que elas são em si, pela razão dita, mas tão só porque se conformam com a fé católica, com a Sagrada Escritura, com os bons costumes, palavras santas e doutrinas dos santos.

(Cfr. Biografia y escritos de San Vicente Ferrer, “Tratado de la vida espiritual”, cap. XIV e XV, BAC, Madrid, 1956, pp.514-520)





H. regras de São João da Cruz


1. Do impedimento e dano que pode haver nas apreensões do entendimento por via do que sobrenaturalmente se representa aos sentidos corporais exteriores, e como a alma se há-de haver nelas:


No presente capítulo trataremos (...) daquelas notícias e apreensões que somente pertencem ao entendimento sobrenaturalmente, por via dos sentidos corporais exteriores, que são: ver, ouvir, cheirar, gostar e apalpar. Acerca dos quais podem e costumam nascer aos espirituais representações e objetos sobrenaturais. Assim, acerca da vista costuma representar-se-lhes figuras e pessoas da outra vida, de alguns santos e de anjos, bons e maus, e algumas luzes e resplendores extraordinários. (...)

E é de saber que embora todas estas coisas possam acontecer nos sentidos corporais por via de Deus, jamais nelas se hão-de firmar nem hão-de admiti-las, antes totalmente hão-de fugir delas porque, assim como são mais exteriores e corporais, assim também menos certo é que sejam de Deus. Porque é mais próprio e ordinário Deus comunicar-se ao espírito, no qual há mais segurança e proveito para a alma, que ao sentido, no qual há ordinariamente muito perigo e engano; porquanto nelas o sentido corporal faz-se juiz e estimador das coisas espirituais julgando que são assim como as sente; sendo elas tão diferentes como o corpo da alma, e o sentimento da razão. Porque o sentido corporal é tão ignorante das coisas espirituais como um jumento das coisas racionais e até mais.

E assim erra muito o que tais coisas estima e põe-se em grande perigo de ser enganado (...).

E assim, sempre se há-de ter por mais certo serem tais coisas do demônio que de Deus (...).

Além disso, como a alma vê que lhe sucedem tais e tão extraordinárias coisas, introduz-se nela muita vez a opinião secreta que já é algo diante de Deus, o que é contra a humildade; e o demônio sabe também ingerir na alma a satisfação oculta de si mesma, e às vezes até muito manifesta; e por isto põe muitas vezes estes objetos nos sentidos, representando à vista figuras de santos e resplendores formosíssimos, e palavras aos ouvidos muito dissimuladas (...); para que, engulosinando-os por ali, os induza a muitos males. (...)

[As visões e representações] que são da parte do demônio (sem que a alma as queira), causam nela alvoroto ou secura ou vaidade ou presunção no espírito. (...)

[Se a alma as admitir], abre a porta ao demônio para que a engane em outras semelhantes, o que ele sabe muito bem dissimular e disfarçar, de forma a parecerem boas; pois pode, como diz o Apóstolo, “transfigurar-se em anjo de luz” (II Cor., XI, 14). (...)

Convém portanto à alma afastá-las sempre de olhos fechados, sejam elas de quem forem. Porque, se o não fizesse, daria tanto lugar às do demônio, e ao demônio tanta mão, que não só à mistura com umas receberia as outras, mas de tal maneira se iriam multiplicando as do demônio e cessando as de Deus, que tudo viria a ser do demônio e nada de Deus. (...) quando a alma está resignada e contrária a elas, o demônio vai cessando porque vê que não faz dano; e, pelo contrário, vai Deus aumentando e avantajando as mercês naquela alma humilde e desapropriada, constituindo-a no muito, como ao servo que foi fiel no pouco (Mat., XXV, 21).

(Cfr. Obras Completas, Edições Carmelo, Aveiro, 1977, “Subida do Monte Carmelo”, Livro II, Cap.XI, pp.117- 123).



2. Do dano que alguns mestres podem fazer às almas por não as levarem com bom estilo nas ditas visões. E como, embora Deus responda algumas vezes ao que se Lhe pede, não gosta que se use de tal recurso:


A razão que me moveu a alargar-me agora um pouco, é a pouca discrição que tenho visto, a meu entender, nalguns mestres espirituais; os quais firmando-se nas ditas apreensões sobrenaturais por entenderem que são boas e da parte de Deus, vieram uns e outros a errar muito e a acharem-se falhos, cumprindo-se neles a sentença do Nosso Salvador: “Se um cego guia a outro cego, ambos caem na fosa”(Mat., XV, 14). E não diz que cairão, mas que caem. Porque não é mister que haja queda de erro para que caiam, porque já o atreverem-se a governar-se um pelo outro é erro, e assim, já nisso caem, pelo menos.

Primeiramente há alguns que levam tal modo e estilo com as almas que tem tais coisas que, ou fazem errar, ou as embaraçam com elas, ou as não levam pelo caminho da humildade, dando-lhes mão a que ponham os olhos nelas (...).

[A] alma não fica tão humilde, pensando que aquilo é algo e que tem algo de bom, e que Deus faz caso dela, e anda contente e satisfeita consigo mesma, o que é contra a humildade. E o demônio vai aumentando isto secretamente, sem ela o perceber, e faz com que ela comece a fazer conceitos a respeito dos outros --se tem ou não as tais coisas e se são ou não são--, o que é contra a santa simplicidade e solidão espiritual. (...)

[Se] o padre espiritual é inclinado ao espírito de revelações de forma a fazer delas algum caso, ou a encher-se disso ou a achar-lhe gosto, não poderá deixar de imprimir aquela feição e maneira no espírito do discípulo, embora o não perceba, caso o discípulo não seja mais adiantado que ele; e ainda que o esteja poderá fazer-lhe muito dano se com ele persevera. Porque daquela inclinação e gosto nas tais visões, que o padre espiritual tem, nasce-lhe certa forma de estima que, se não tiver grande cuidado, não deixa de mostrar esse sentimento à outra pessoa; e se a outra pessoa tem no espírito a mesma inclinação, ao que entendo, não poderá deixar de se comunicar, de parte a parte, muito apego e estima destas coisas. (...)

[Esses mestres espirituais], como vêem que as ditas almas tem tais coisas de Deus, pedem-lhes que peçam a Deus para lhes revelar ou dizer tais ou tais coisas, tocantes a eles ou a outros, e as almas tontas fazem-no, pensando ser lícito querer sabê-lo por aquela via. (...).

E se acontece que Deus revela o que Lhe pediram, asseguram-se ainda mais e pensam que Deus gosta e quer isso, pois lhes responde; e na realidade Deus nem gosta nem quer. (...).

E aqui está um grande engano, porque as revelações ou locuções de Deus nem sempre saem como os homens as entendem ou como elas soam. E assim, nelas se hão-de assegurar nem crer à carga cerrada; embora se saiba que são revelações ou respostas ou ditos de Deus. Porque mesmo que sejam, em si, certas e verdadeiras, não o são sempre em suas causas, e na nossa maneira de entender (...).

Asseguram-se, como dissemos, alguns espirituais, em ter por boa a curiosidade que por vezes usam procurando saber certas coisas por via sobrenatural, pensando que, pois Deus responde algumas vezes às suas instâncias, é bom termo e que Deus gosta disso; sendo verdade que, ainda que lhes reponde, nem é bom termo, nem Deus gosta disso, antes se desgosta; e não só isso mas muitas vezes se irrita e ofende muito. A razão disto é porque a nenhuma criatura lhe é lícito sair fora dos limites que Deus naturalmente lhe ordenou para seu governo. Ao homem pôs-lhe termos naturais e racionais para seu governo; logo, querer sair deles não é lícito, e querer averiguar e alcançar coisas por via sobrenatural, é sair desses limites naturais. (1) (...)

Algumas vezes responde o demônio. (...)

Não vejo como uma alma que isso pretende [NB: querer saber coisas por via sobrenatural] possa deixar de pecar, pelo menos venialmente, por melhores fins que tenha e por mais posta na perfeição que esteja, assim como quem lho mandasse ou consentisse. Porque não há necessidade de nada disso, pois temos a razão natural e a lei e doutrina evangélica, por onde mui suficientemente se podem reger, e não há dificuldade nem necessidade que não se possa desatar e remediar por estes meios muito a gosto de Deus e proveito das almas; e tanto nos havemos de aproveitar da razão e da doutrina evangélica, que ainda que agora --quer o quiséssemos ou não-- nos dissessem algumas coisas sobrenaturalmente, só havemos de receber o que cai em muita razão e lei evangélica. E então havíamos de recebê-lo não por ser revelação, mas porque é razão (...).

É coisa perigosíssima (...) querer tratar com Deus por tais vias, e não deixará de errar muito e achar-se muita vez confuso quem for afeiçoado a tais modos. Quem tiver feito caso deles entender-me-á por experiência. Porque, além da dificuldade que há em saber não errar nas locuções e visões que são de Deus, há entre elas ordinariamente muitas que são do demônio; porque comumente anda com a alma trajado como Deus anda com ela, pondo-lhe coisas tão verosímeis como as que Deus lhe comunica, para assim se introduzir às voltas, como lobo entre rebanho com pele de ovelha, que mal se pode perceber. (...)

[Se é] conveniente cerrar os olhos às já ditas revelações que acontecem a respeito das proposições da fé, quanto mais necessário será não admitir nem dar crédito às demais revelações a respeito de coisas diferentes em que o demônio mete ordinariamente tanto a mão, que tenho por impossível que deixe de ser enganado em muitas delas o que não as procurar rejeitar, pela aparência de verdade e assento que o demônio nelas põe.

(Cfr. Obras Completas, Edições Carmelo, Aveiro, 1977, “Subida do Monte Carmelo”, Livro II, Cap. XVIII , pp.163-167; Cap. XXI, pp.184-189; cap. XXVII, p.233).


Comentário:

  1. Logo, a tese de JC --como em geral dos pentecostalistas-- de que, após o falecimento de Dr. Plinio a TFP deve governar-se através de sonhos, revelações, aparições, etc., é errada.





3. Regras para distinguir entre as visões, moções, inspirações, etc., de Deus e do demônio:


O efeito que estas visões [NB: a boas] fazem na alma é: quietude, iluminação, alegria à maneira de glória, suavidade, limpidez e amor, humildade e inclinação ou elevação do espírito em Deus (...).

O demônio pode também causar estas visões (...). Mas há muita diferença entre estas visões causadas pelo demônio e as que são da parte de Deus. Porque os efeitos que estas fazem na alma não são como os que as boas causam; antes fazem secura de espírito no trato com Deus, inclinação à estima própria, admitir e ter em algo as ditas visões, e de forma alguma causam a doçura da humildade e o amor de Deus.

(Cfr. Obras Completas, Edições Carmelo, Aveiro, 1977, “Subida do Monte Carmelo”, Livro II, Cap.XXIV , pp.214-215).





I. Avisos de Nosso Senhor à venerável Irmã Maria-Celeste


O mau espírito simula o bem e não quer senão o mal. Ele dá belas aparências, mas tu o reconhecerás pelos seus efeitos. Se ele faz praticar uma virtude, faz negligenciar outra. Produz tibieza na vontade, a obscuridade no entendimento sempre acompanhado de algum erro. A alma fica na agitação, na incerteza, nas trevas, ao oposto do que acontece quando ela é movida pelo Espírito Santo.

(Cfr. R.P. J.Favre, CSSR, “La vénérable Marie-Celeste Crostarosa”, Paris, Librairie Saint Paul, 1931, p.155)





J. regras do Padre Royo Marin


O que o demônio pode fazer com permissão de Deus:

  1. Produzir visões e locuções corporais ou imaginárias (não as intelectuais).

  2. Falsificar o êxtase (produzindo um desmaio preternatural).

  3. Produzir resplendores no corpo e ardores sensíveis no coração (...).

  4. Produzir ternura e suavidade sensível.

(Cfr. “Teologia de la perfección cristiana”, BAC, Madrid, 1960, p.812).


Todos os mestres de vida espiritual concordam em afirmar que não devem se pedir nem desejar essas graças extraordinárias, porque não são absolutamente necessárias para a santificação, e sobretudo pelos grandes perigos de ilusão a que expõem (...).

(Cfr. “Teologia de la perfección cristiana”, BAC, Madrid, 1960, p.818).


Regras do discernimento.

(...) A dificuldade gravíssima está no discernimento das [visões] imaginárias e corporais, pois são campo aberto e abonado para toda classe de ingerências diabólicas ou da própria imaginação.

Na prática não há mais do que uma norma de discernimento verdadeiramente certa e eficaz. (...) As visões de Deus costumam produzir no começo grande temor, mas logo deixam a alma cheia de amor, de humildade, de suavidade e de paz. Sente que se lhe reanimam as forças espirituais, e se entrega com redobrada energia à prática das virtudes heróicas. As do demônio costumam começar com suavidade e gosto, mas não tardam em mostrar seu fruto envenenado; a alma fica cheia de inquietude e turbação, quando não de presunção e de soberba. Os [fenômenos místicos] da imaginação terão que ser discernidos pela vaidade, curiosidade, virtude superficial e inconstância e contradição no relato.

(...) {A regra fundamental] consiste sempre no exame cuidadoso dos efeitos e frutos que produzem na alma. As de Deus deixam na alma humildade, fervor, desejos de imolação, espírito de obediência, desejo de cumprir com perfeição os deveres do próprio estado, etc. (...) as diabólicas [produzem]: secura, inquietação, insubordinação, vaidade, etc.

(...)

As revelações que versam sobre coisas inúteis, curiosas ou inconvenientes, é preciso rejeitar como não sendo divinas. O mesmo pode se dizer quanto às que são prolixas sem necessidade ou vão carregadas de provas e razões superfluas. As revelações divinas costumam ser muito breves e discretas: poucas palavras e muito claras e precisas.

Examine-se cuidadosamente a pessoa que recebe as revelações, seu temperamento e caráter. Se é discreta e judiciosa, se goza de boa saúde, se é humilde e mortificada, se está adiantada no caminho da santificação, etc.; ou se, pelo contrário, está extenuada por austeridades ou doenças, se padece de afeições nervosas, se é propensa ao entusiasmo e exaltação, se divulga facilmente suas revelações, etc. Por aqui se poderá fazer uma forte conjetura sobre a origem de tais revelações.

(Cfr. “Teologia de la perfección cristiana”, BAC, Madrid, 1960, pp.819, 820, 824).





IX. Duplicidade e hipocrisia joanina em matéria de mística


A. Peso dos sentimentos interiores


Como vimos ao longo deste item, para JC e seus correligionários, os sentimentos internos pesam muito.

Mas sustentam que se uma pessoa, entre outras razões, invoca a voz do seu Tau para fundamentar sua discordância com JC, isso não vale.

Com efeito, no grafonema enviado ao Dr. Mário Navarro em 10/12/96, dois discípulos de JC na Itália (Colusso e J.A. da Silva) afirmam: “Não, prezado Sr. Mário, o Sr. foi longe demais! (...) não é possível que aprovemos em nada esta guerra que o Sr. declarou ao Sr. João, na qual o Sr. (...) se guia por sentimentos interiores. Temos de nos guiar pela lógica e pelos princípios”.



B. Tenho receio de incentivar os sonhos


Reunião para CCEE, 17/3/96, fala o incorruptível do século XX:


Eu tenho recebido sonhos e mais sonhos que eu tenho guardado. Todos eles são muito interessantes e à vista dos acontecimentos futuros poderão ir sendo revelados: "Tal pessoa sonhou em tal ocasião isto".

Eu não tenho feito uma reunião a respeito dos sonhos todos porque tenho receio de que de repente isto incentive as pessoas a sonhar. Então eu não tenho dado. Porque, claro, acaba sendo uma sugestão aqui, outra sugestão ali, de repente começam os sonhos a se multiplicarem. Aliás, já são inúmeros.