¯Capítulo III O que a instrução dos membros da Martim não disse No início deste relato fiz menção ao comunicado sobre a minha "expulsão" assinado pelo Dr.Paulo Brito dizendo que nele havia omissões e contradições. Como o comunicado se refere, todo ele, à minha pessoa, prefiro transcrever parte de um grafonema enviado pelo Sr.Fernando Larrain ao Sr.Francisco Lecaros, em 15 de outubro de 1997. Comentarei apenas alguns trechos que me parecem merecer retificação. Em primeiro lugar o uso da palavra motim, para qualificar a atitude tomada pelo Sr.Ramón. Bastará ouvir tantos e tantos membros respeitáveis de Jasna Gora, isentos de paixão, os quais poderão atestar que a dramaticidade da palavra "motim" não se aplica ao acontecido. De minha parte absolutamente não vi tal. 1. "Passam-se diversos dias sem que a ordem seja cumprida, não recebendo o ED qualquer pressão" Realmente assim aconteceu. A única atitude razoável era deixar correr um pouco de tempo para ver se as coisas se esclareciam, enquanto de outro lado, o Sr.Ramón trabalhava para colocar em ordem um imenso acervo de material de estudos médicos, para levar consigo na eventualidade de confirmar-se sua saída. 2. "Ele mesmo nomeia seu substituto". A frase deixa a impressão que foi um ato de insubordinação e facciocismo do Sr.Ramón em nomear um substituto. Muito pelo contrário. Quando o Sr.Ramón foi destituído de ED, no dia 6, pelo Dr.P. Xavier, ele aceitou na hora, mas o Dr.P. Xavier não tinha previsto quem o substituiria. Pediu então ao Sr.Ramón que resolvesse a transferência de função com o Sr.Dávila. Minutos mais tarde, o Dr.P. Xavier falou comigo para me narrar a destituição do Sr.Ramón e sua expulsão de Jasna Gora e dar-me ordem da tal "camáldula restrita". Disse-me então, que ele não sabia a quem nomear como Encarregado da Disciplina de Jasna Gora, provisoriamente, enquanto decidiam, e me pediu para eu tratar o caso com o Sr.Dávila. Evidentemente eu me neguei, dizendo que ficava mais perplexo ainda com o pedido: junto com a aplicação das mais drásticas punições por meu excesso de influência em Jasna Gora, me pediam que eu cuidasse de buscar com o Sr.Dávila um novo Encarregado da Disciplina... O Dr.P. Xavier e o Sr.F. Antúnez compreenderam o embaraçoso da questão e me disseram para não me preocupar mais com o caso. Chegando a Jasna Gora, por sua vez, imediatamente o Sr.Ramón avisou ao Sr.Eurico que presidisse os atos (o Sr.Dávila estava com o DrLuiz Nazareno no médico), a partir do alardo da manhã seguinte, e que ele mesmo combinasse, na primeira oportunidade, com o SrDávila, quem em definitivo ficaria como Encarregado da Disciplina. Foi o que, com naturalidade e tranquilidade, se deu. O Sr.Dávila combinou com o Sr.Eurico que ficasse na função de Encarregado da Disciplina até nova ordem. Por anúncio posterior do Sr.F.Antúnez em reunião com várias pessoas em Jasna Gora, a função passará a ser rotativa, 15 dias para cada um dos que participaram dessa reunião. Nada houve, pois, na nomeação do novo Encarregado da Disciplina que tivesse conotação de o Sr.Ramón colocar alguém de sua confiança para preparar o "motim". 3. "O ex-ED alicia pessoas de Jasna Gora com o fim de pressionar as autoridades para que ele permaneça naquela sede. Motim caracterizado."¯ Afirmação absolutamente gratuita, que basta negar também sem provar. A palavra "alicia", tão usada pelos detratores da TFP e, em geral, pelo movimento anti-seitas, não podia ser mais inadequada. De fato o que acontece ‚ que o Sr.Ramón durante seus dois anos de Encarregado da Disciplina em Jasna Gora "aliciou" a quase unanimidade de seus membros e todos os melhores elementos, com as singulares qualidades de trato que aqui demonstrou, sem acepção de pessoas, de ordenação da instituição, de afervorador e apóstolo de primeira qualidade. Segundo o parecer da imensa maioria dos componentes de Jasna Gora, notadamente dos que observam vida em comum e não são simples hóspedes, o Sr.Ramón foi o melhor Encarregado da Disciplina que Jasna Gora teve em toda sua história. O que ele reergueu aqui, exatamente no momento de maior provação, não só da camáldula mas do Grupo inteiro, ante o falecimento de nosso queridíssimo Fundador, todo o mundo o tem reconhecido, a começar do próprio Dr.Luiz Nazareno. Relato pormenorizado disto e isento de qualquer partidarismo deu o Sr.Eurico ao Dr.P Xavier. Não se "alicia" em poucas horas pessoas de 40 e 50 anos, ainda mais tendo em vista que o desgaste do trato diário faz com que todos tenham dificuldades com todos, todos conheçam os defeitos de todos. Acerca do acima dito no "simples relato", o fato de que muitos foram pedir esclarecimento "às autoridades" tem só uma explicação: a perplexidade e surpresa inusitada que a expulsão de Jasna Gora do Sr.Ramón e as outras medidas anunciadas pelo Dr.P.Xavier sobre Jasna Gora causaram, e não o "aliciamento". Fica, ipso facto, desmentida a exorbitante conclusão do ponto 3: "Motim caracterizado". Evidentemente meu depoimento pessoal poderia ser dado por suspeito, mas a única coisa que posso dizer é que vi o Sr.Ramón, nesses dias, além de estar preparando sua documentação, entretido, absorvido e diria apaixonado na leitura de duas volumosas obras: "Análise de um Relatório", sobre o Beato Palau e um livro sobre Chateaubriand... Ao longo desses dias, fiquei ajudando-o, introduzindo algumas pequenas correções na obra em defesa do Sr.Dr.Plinio contra os ataques dos anti-palausianos. Ele foi anotando os pequenos lapsos de datilografia que encontrou, que eu corrigi no computador. Sua leitura ia já na página20311... Os membros da Martim foram mal informados sobre a atividade do Sr.Ram¢n. Digo isto, também, prevendo alguma nova acusação de que eu também estive "aliciando" pessoas. 4. "Diante do motim, a autoridade intervém: no sábado, dia 11, é imposto que o ex-ED se retire de Jasna Gora até às 9:00 hs. do dia seguinte. Dizendo não ter para onde ir (sic), é-lhe oferecido a Torre da Angélica ou o apartamento dos franceses, o que ele recusa".¯ Reitero que absolutamente não houve nenhum motim. Sim conversações longas, espinhosas, inclusive de problemas dos mais importantes e gerais do Grupo, nos quais o Sr.Ramón tem tido um muito bom desempenho como harmonizador. Apenas por estar presente escutei umas duas horas dessas conversas para as quais foi combinada reserva e sobre as quais logicamente nada direi. Pouco ou nada daquilo eu sabia e, por cortesia, negaram meu pedido de retirar-me da sala. Quanto ao caso da expulsão do Sr.Ramón, das versões e contra-versões, a falta de serenidade, a pressão de prazos iminentes e inflexíveis e a dureza inimaginável das medidas, sua falta total de fundamento, criaram um clima de confusão preternatural enorme. Nada de abençoado poderia sair dali. Nosso Pai e Fundador e seu espírito ficaram esquecidos diante de um desejo inexplicável, urgente, intransigente de não chegar a entendimento nenhum, de impor autoridade, por parte do Dr.P. Xavier e do Sr.F. Antúnez. Bastou a saída do Sr.F. Antúnez do Brasil e o amistoso comparecimento do Sr.Kallás a Jasna Gora, para oferecer um lugar adequado, a própria residência particular do Dr.Duca, onde o Sr.Ramón pudesse viver em condições respiráveis, para a tensão brutalmente criada, que em momento algum conduziu a um "motim", se evanescer. 5. Amotinados fazem guarda junto ao quarto do ex-ED para evitar o uso de força (sic)". Com todo respeito, mas lembra certos relatos jornalísticos... Logicamente, como aludi e não podia deixar de ser, houve um ambiente de tensão em Jasna Gora. Tensão não só criada pela presença das importantes figuras de fora, Dr.P. Xavier e Sr.F. Antúnez, mas pelo ostensivo e constante "passeio" pelos páteos de Jasna Gora de pessoas extremamente agressivas, impulsivas e hostis ao Sr.Ramón, verdadeiros instigadores de tudo o que aconteceu em Jasna Gora. Em primeiro lugar Sr.Bidueira, que já várias vezes agrediu fisicamente pessoas aqui. O Sr.Luís Dufaur, respeitável a tantos títulos, mas psiquicamente incontrolável, tendo chegado uma vez a bater no Encarregado de Disciplina da época (Sr.Gioia). Sr.Idalberto Pardal, pessoa também sumamente explosiva e ressentida, que a todo momento, no convívio diário tem os piores destemperos e atropelamentos, inclusive físicos, contra quem no momento esteja irritado. Enfim, o Sr.Silvério, velho veterano de Jasna Gora, com bons serviços prestados, mas de um temperamento agressivo, também doentio, para com todo o mundo, amigos ou inimigos... É evidente que, com a presença ostensiva dessas pessoas, eu pessoalmente pelo menos temia uma situação de violência por parte delas, que o Dr.Luiz não conseguisse segurar. Pensei até em ter à mão o telefone da delegacia vizinha para evitar qualquer crime maior neste recinto sagrado, em um momento de acaloramento incontrolável. Da parte da imensa maioria de Jasna Gora, tão agradecida ao SrRamón, pelo contrário, o que houve foi a maior serenidade e compostura. Nada soube da "guarda junto ao quarto do ex-ED". A ser verdade, me parece inteiramente razoável, pois eu mesmo, por exemplo, em tal clima de agressividade contra mim, especialmente de duas das pessoas mencionadas, e com os antecedentes que deles tenho sobre seus métodos de ação, eu mesmo, dizia, até hoje me mantenho fechado à chave na cela, dia e noite. Passo também chave cada vez que saio, até para o banheiro. Conheço os personagens, sei o que são capazes de fazer, e me sinto absolutamente desprotegido de meus irmãos de vocação da Martim. Tenho certeza, pelo que o Dr.P. Xavier me disse em reunião gravada, que eu nem serei ouvido por eles em qualquer incidente que houver, e em qualquer caso prevalecerá a versão desses pobres "camaldulenses" transviados. Um ponto que o Sr.Fernando não comentou, mas que a mim pareceu imprescindível esclarecer, é a conclusão do informe dos mais velhos. Esta instrução ‚ válida até segunda ordem, enquanto o Sr.Ramón León não fizer "amende honorable" com acordo dos Provectos compatível com a gravidade de seus atos. Talvez para alguns possa parecer tentadora a proposta, pois pareceria que, com o sacrifício de minha honra, poder-se-ia restabelecer a paz dentro do Grupo, encerrando este triste caso. Sejamos sérios: após dois anos de vacilações inexplicáveis, quem pode ainda acreditar nessas palavras? Reconhecer uma culpa de que a consciência não me acusa não só seria faltar com a verdade, o que a Lei de Deus não me permite pois ninguém deve denegrir a própria reputação, que é um dom de Deus como também implicaria no reconhecimento de uma autoridade, em nossa "família de almas", que os membros da Martim não têm. Porque não lhes foi legada pelo Fundador, e não a podem reconhecer os seus membros. Face às violentas ameaças e coações contrárias à consciência, que se multiplicam ultimamente, não há garantia alguma de que a diretoria estatutária da TFP brasileira, de posse do valioso trunfo de um "mea culpa", não aproveite a circunstância para novos atropelos do Direito e das consciências. A minha injusta e inusitada "expulsão" estabeleceu um marco divisório no relacionamento dentro da TFP, alterando definitivamente as regras da convivência, outrora tão afetuosa e cordial. A partir de agora, para se chegar a qualquer entendimento, serão necessárias garantias muito firmes. Infelizmente, estamos longe da época em que a palavra de um "gentil homme" tinha mais valor que um cheque bancário...