O
Anticristo já veio?
Capítulo 8 – Difamação – Calunia - Violação de segredos de consciência e de confidencias 1
I. Em relação aos membros mais antigos do Grupo (Pará e Martim) 2
1. Indiretamente: falando mal de AX e de Dr. Martim Afonso 2
a. Difunde que todos os membros da Pará tinham inveja de Dr. Plinio e se revoltaram contra ele 3
b. Afirma que não aproveitaram nada o convívio que tiveram com Dr. Plinio 13
c. Espalha que, enquanto uns invejavam a Dr. Plinio, outros o desprezavam 14
d. Propaga que não tem capacidade para dirigir a TFP 14
e. A “tournée apostólica” de Andreas Meran 15
g. O libelo "Quia Nominor Provectus" 17
h. Trechos de carta de Dr. Plinio Xavier ao Pe. Olavo, no 23/5/97 19
1. Não tem escrúpulo em violar a paz dos mortos 21
2. Não tem escrúpulo em explorar o estado de saúde de Dr. Luiz 22
II. Em relação a Dom Bertrand 24
III. Em relação a seus próprios aliados e “mais dedicados” subordinados 27
B. Roberto Kallás e Ramón León 29
IV. Em relação a membros do Grupo em geral e a egressos 29
V. Hipocrisia e duplicidade joanina em matéria de difamação 29
A. JC reconhece que Dr. Plinio não gostaria que falasse mal dos Provectos 29
B. Difamar a autoridade faz parte de uma conspiração e é muito grave 30
C. Futricagem, politicagem e difamação entre nós, são contra a escola espiritual de Dr. Plinio 31
D. Na vida interna a gente precisa tomar cuidado para não manchar a fama de ninguém 32
F. Para ser perdoado o pecado de difamação, é preciso restituir a honra 33
H. Divulgar confidências infamantes, só tem paralelo na Buscha e em gangs 34
I. “La susurración es un pecado grave” 34
VI. Ensinamentos de S. Francisco de Sales a respeito dos difamadores 35
***
Numa reunião realizada na França, quando um cooperador inglês, aliás novato, fez uma pergunta sobre a Sagrada Escravidão, JC contou o seguinte:
Uma pessoa que saiu do Grupo --o AX, pessoa de tempos idos-- foi para uma quermesse (...) em Itaquera (...) e ali esteve em contato com uma fulana, que era uma fassura de quatro costados. Eu sei dizer que ele com isso levantou o problema de outros que estavam atrás dessa mesma fassura. Teve uma briga, uma discussão, foi obrigado a subir no carro e sair correndo. Dois ou três tipos saíram correndo de carro atrás dele e deram uns tiros no carro dele.
Ele, portanto, chegou às 4h30 da manhã a Alagoas com medo de que aquilo fosse dar um problema de polícia do outro mundo --tinham anotado a chapa do carro dele-- e que ele ia pôr o Grupo em risco.
Inteligente como ele era, porque ele era muito inteligente, o que é que ele fez?
Ele tinha a chave do segundo andar, (...) foi para um guarda-roupa que existia no segundo andar da Alagoas que tinha um alçapão embaixo e que se abria. (...) Ele abriu o alçapão e desceu a escada de emergência que dava no guarda-roupa do Sr. Dr. Plinio, embaixo.
O Sr. Dr. Plinio me contou. Eu vou dizer porque é que o Sr. Dr. Plinio me contou.
Eu comecei a freqüentar o MNF (...) depois de 75, por causa do desastre. Às tantas eu comecei a ver que o Dr. Arnaldo fazia fronda contra o Sr. Dr. Plinio e houve uma fronda que para mim me deixou uma fera. (...)
Aconteceu que o Sr. Dr. Plinio, então, quis que fosse levado São Tomás de Aquino, que tratava do mundo dos anjos, para o MNF para ser lido e comentado por ele. (...) Questão 109, mais ou menos, ou 108, já não me lembro, da "Suma". (...) Dr. Arnaldo leu apenas uma parte da questão anterior, depois fechou o livro e deixou isso de lado.
Eu disse: "Puxa, mas que miserável, porque isso aí podia ter sido lido e não foi".
Fui procurar na "Suma" (...), abri a "Suma" naquela questão e era uma coisa extraordinária.
Então disse para o Sr. Dr. Plinio:
- Sr. Dr. Plinio, esse homem aqui sonegou a verdade ao senhor.
- Mas que ótimo isso. Mas é isso mesmo que eu estava à procura.
- Eu vou fazer uma pergunta ao senhor. [Vira a fita]
- Você me garante que assume o compromisso sub gravi de não contar a ninguém? Eu acho que ele já está casado --dois anos antes dele dizer-- está casado com uma fulana assim e assim, mulata.
Aí ele me contou esse caso. Vamos voltar ao fato que se deu bem antes disso tudo.
Desceu para o quarto do Sr. Dr. Plinio --o Sr. Dr. Plinio dormindo com remédio--, sacudiu o Sr. Dr. Plinio e fez o Sr. Dr. Plinio acordar. O Sr. Dr. Plinio acordou com toda a suavidade, sentou-se na cama, acendeu o abat-jour, ouviu tudo o que ele contou, pôs a mão no ombro dele e disse:
- Meu Arnaldo, não se perturbe. O fato de você ter vindo me contar isso tudo dá a Nossa Senhora uma glória, e Ela não vai permitir que aconteça nada ao Grupo e que haja escândalo. Se você tivesse ocultado, isso bem que poderia dar um escândalo. Mas eu vou rezar e eu tenho certeza de que não dará. Se der, fique tranqüilo que eu tomarei sua defesa.
(Cfr. "jour-le-jour" 24/1/96)
*
Reunião do 28/4/96 – JC se refere a Dr. Martim Afonso:
[No êremo de S. Bento I] uma tendência era para a vida burguesa, bem burguesa. Nós tínhamos aqui um abade que era um abade que administrava capitais exteriores --não diria estrangeiros, mas capitais exteriores. Administrava com muito lucro para a vida eremítica, porque tudo de bom e de melhor se tinha aqui. Eu me lembro de um eremita, que infelizmente seguiu outro rumo, tal qual o abade... Aliás, tal qual o abade não, acho que o rumo que ele seguiu ainda é menos mau do que o do abade.
A partir dos primeiros dias de novembro de 95, JC começou a divulgar repetidas vezes uma carta confidencial de um integrante do grupo da Pará a Dr. Plinio, mas de tal forma que ele se coloca, não só como não tendo incorrido em nenhuma das infidelidades aí descritas, mas como expoente da virtude oposta a essas infidelidades.
É de notar que ainda não tinha havido nenhum atrito com os Provectos --o caso da Missa Nova foi em março de 96-- e que portanto ele não tinha sofrido nada que “justificasse” essa ofensiva.
Reunião na Saúde 7/11/95:
(E. Valente: Queria perguntar justamente ao senhor se podia dizer como é ser enlevado, e como a pessoa pode perseverar no enlevo. E se o senhor pode contar como era o enlevo naquela época entre os discípulos e o Fundador.)
Eu não conheci em minha vida época em que o enlevo fosse mais protuberante, mais vivo, mais borbulhante, mais comunicativo, mais profundo, mais manifestativo, mais cheio de brilho, do que naquela época [das graças de 1967]. Não houve. Dizia o Senhor Doutor Plinio de que houve um período de conversa na Imaculada Conceição, com o grupo mais velho, um período de conversas realmente insuperável. Ele até fala dos bastonetes aqueles que nós esperávamos tanto que voltassem. Eu ainda espero que voltem. Os bastonetes foram tirados por um anjo, etc., etc., e que ele perdeu a possibilidade de se comunicar com o Grupo com todo aquele brilho que ele tinha antes.
Eu perguntei a ele: "Mas de onde veio isso?" Ele me dizia que tinha vindo de um pecado de orgulho e de inveja de alguém. Ele não disse quem foi esse alguém.
Agora, com os documentos todos dele que nós estamos pondo em ordem no São Bento, nós vamos encontrando uma peça, outra peça e, de repente, quando se trata de uma coisa de consciência as pessoas não mexem. Então têm o cuidado de me trazer a coisa de consciência. (...) Mas no meio disto me chega um envelope. Um envelope bem fechado, timbrado em cima "Plinio Corrêa de Oliveira", depois [escrito] com letra dele: "Segredo de consciência". Só ele podia abrir. Só ele podia abrir enquanto ele estava vivo... [Risos.] Então eu abri. O que encontro dentro? Uma carta de um membro que morreu da Pará, antes do ano de 50, porque não está datada e nem está assinada, infelizmente. Mas é patente que... Eu sei quem é o membro do Grupo. Não vou dizer quem é. Uma carta dirigida a ele --deve ser de 48 a carta, 49-- e que mostra a revolta que havia contra ele, no Grupo, nesse tempo. [Exclamações.] Mas é uma peça histórica de primeira categoria e que dá toda idéia do grande sofrimento dele. E onde fica claro, transparece com toda a nitidez que ele fez a viagem de 1950 levando toda aquela gente para a Europa, entre outras razões, para ver se distendia um pouco o Grupo das revoltas contra ele.
[Exclamações.]
Mas estavam todos conluiados, todos contra ele, todos julgando que o desastre do apostolado vinha dele, e se revoltando contra os atrasos dele, contra os planos que fazia e que não cumpria, contra isto, contra aquilo, chegando inclusive a chamá-lo de "balalento". [Exclamações.] "Balalento" é um sujeito meio atrapalhado, que se atrapalha com toda a facilidade.
Puxa, eu entrei por aqui... o que é que era mesmo da década de...
(E. Valente: A questão do enlevo.)
Ah, sim. Esse pessoal o que tinha? Tinha enlevo porque para o Senhor Doutor Plinio poder se exprimir assim, eles deveriam ter um enlevo por ele extraordinário. Tinham enlevo, perderam o enlevo e se transformaram nuns cegos de Deus.
Porque conversando com este que escreveu esta carta, e que refletia todos os outros... Este teve uma revolta em público, na frente de D. Mayer. O Senhor Doutor Plinio tem umas anotações em que ele conta isso. Ele começou a fazer essas anotações em Paris, na viagem de 50. [Escreveu] um retrospecto de toda a revolta que tinha havido contra ele. Ele guardou nesse envelope. Ele nunca contou a ninguém isso! Aqueles detalhes ele nunca disse a ninguém. E são horripilantes.
Este, eu me lembro em 196... Quando é que foi erigida a Sede da Rua Pará? Eu não me lembro. Enfim, no começo da Pará, eu me lembro uma vez [estando] sentado na Sala dos Reis Magos --que era a sala da lareira, tinha um quadro que hoje está na Sala dos Reis Magos, na Sede do Reino de Maria. Estava sentado numa parte do sofá e este personagem que faleceu estava sentado no outro lado do sofá. Ele virou-se para mim e disse:
João, você nunca teve tentação de ser sucessor do Dr.?
[Exclamações.]
- Olhe, Dr. Fulano, nunca me passou pela cabeça.
- Ahahahah! Você ainda vai ter essa tentação, hein! [Exclamações.] Porque todo o membro do Grupo tem essa tentação. [Exclamações.]
Então o senhor vê que o que fez com que esta fase de enlevo que havia no Grupo da... digamos, o primeiro, primeiríssimo Grupo daqueles que constituiriam o Grupo com ele , a primeira tentação que estourou com o enlevo que eles possuíam, foi a inveja. Eles não podiam compreender que uma pessoa da geração dele tivesse aqueles dons todos que ele tinha. Num primeiro momento se encantaram, foram atraídos pela graça, num segundo momento tiveram inveja e [cometeram] um pecado de Revolução: quiseram destruir. Eles quiseram destruir.
Eu não conheci essa época, eu apenas tenho referência do Senhor Doutor Plinio. Eu conheci a época de 1966, 1967. Era uma graça tão intensa, de uma sensibilidade tão profunda e tão abarcativa e tão assumitiva, e que penetrava tanto a alma de todos, que a gente quase não conseguia dormir. [Exclamações.] Não conseguir dormir porque não conseguia parar de conversar.
Eu me lembro de idas a pé desde a Aureliano Coutinho até lá aos... o senhor não vai saber onde fica isso, Ipiranga o senhor sabe onde é, mais ou menos. Então o senhor imagine bem mais para lá do Ipiranga, ainda. Às vezes havia duas, três pessoas que iam a pé, pelo leito da rua --porque estava todo o mundo dormindo a essa hora, não tinha nem carro--, iam pelo leito da rua conversando a respeito do Senhor Doutor Plinio e cantando de alegria. [Exclamações.] Eu me lembro que uma pessoa da família uma vez me disse: "Escute, eu acho que você errou de vocação, hein! Você devia ser guarda noturno...[Risos.] Porque você chega aqui quase de manhã, toma um banho e vai embora."
E é o que acontecia às vezes. A gente chegava quase de... Assim lá por volta das quatro e meia, cinco da manhã, dormia duas horas, levantava, tomava banho e ia para a faculdade correndo, ou ia para um serviço correndo. Nós não tínhamos vontade de dormir, não dava vontade... Era conversa o tempo inteiro. [Exclamações.] Eram ímans que se atraíam. Bastava dois membros do Grupo que eram escravos entrarem num salão qualquer e se alcançarem pelas vistas, que imediatamente saíam juntos e começavam a conversar. "Porque o Senhor Doutor Plinio, o Senhor Doutor Plinio, o Senhor Doutor Plinio. Eu e o Senhor Doutor Plinio. Porque teve tal fato, teve tal outro." Era um enlevo que tomava conta do dia inteiro da pessoa. [Exclamações.]
*
Na semana seguinte, no "jour-le-jour" 14/11/95, JC retoma a carta:
Vamos hoje tratar de uma temática sui generis e vamos pegar (...) a esmo, assim por acaso, um exemplo de qual a dificuldade que o Sr. Dr. Plinio teve que enfrentar dentro do Grupo, no final da década de quarenta. (...) Nós temos, na década de quarenta, a grande dificuldade da inveja. (...) Apenas para ter um pouco a idéia de qual foi o grande embate dele interno, na década de quarenta, vamos abrir um envelope dele, Sr. Dr. Plinio, que está escrito com letra dele: "SEGREDO DE CONSCIÊNCIA", e em cima está o nome dele. (...)
Eu não vou dar o nome da pessoa [que mandou essa carta ao SDP], porque apesar de estarem praticamente todos falecidos, vamos respeitar o nome dos mortos, pelo menos publicamente. Então, não vou dar o nome da pessoa. Mas essa pessoa era um membro ativo, um membro de prol, um membro de proa, enfim, uma figura eminente. Essa figura eminente escreve para o Sr. Dr. Plinio essa carta. (...) Esta carta ele nunca deu conhecimento a ninguém. Acho que nem o pessoal da Martim conhecia:
Plinio:Li a sua explicação e cheguei ao resultado de que ela nada explica. É confusa e contraditória.Primeiramente, você me fala no mais grave dos sigilos, imposto por D. Mayer, a respeito dos nervos de Fulano. O assunto não é novidade para nenhum de nós. É comentado diariamente por todos, inclusive por você.
Creio mesmo --se não me falha a memória-- que há muito tempo, falando eu na possibilidade de ir com Fulano, você levantou a dificuldade de uma crise, com a maior naturalidade e sem sigilo de espécie alguma, como uma causa corriqueira. Aliás, como é do conhecimento absoluto de todos nós.
Outro dia mesmo o Cicrano me perguntou, como uma das perguntas mais normais entre nós, se eu não tinha medo de fazer uma viagem sozinho com o Fulano.
Sendo, portanto, o assunto constantemente comentado por todos, você não pode deixar de compreender a minha estranheza diante de sua primitiva evasiva. Posteriormente, depois dessa última tentativa de explicação que, na realidade, nada trouxe de novo.
Quanto à contradição, você na letra A declara: "Eu irei de qualquer forma, em fins de março ou abril".
Eu creio que é para a Europa.
E no item B você diz: "Se eu não for nessa ocasião, você poderá ir sem o Fulano."
Como você vê, esta carta reflete o seu estado de espírito desses dois últimos anos ...
Os senhores conhecem apenas a narração daquele episódio de três pessoas que procuraram a ele e disseram que o apostolado estava indo mal por causa da vida espiritual dele. Isso aqui ainda é mais grave. Mais. Eu não vou fazer uma conferência exaustiva sobre essa matéria. Estou apenas dando uma introdução para os senhores verem o que fez de estrago dentro do Grupo a inveja. Estou dando apenas um exemplo, mas há mais coisas dentro desse envelope.
... onde você quase diariamente faz projetos, toma resoluções, não se lembrando mais absolutamente deles nos dias seguintes. Daí esse mal-estar e grande equívoco que reina no Grupo.
Você pode achar que é falta de respeito de minha parte estar abordando tais assuntos.
Não é "falta de respeito". É falta de educação, é falta de senso se obediência, é igualitarismo, é tudo.
Refleti e cheguei ao resultado que é mais católico dizer o que acho sobre esses últimos tempos. Infelizmente, a situação do Grupo é muito artificial e equívoca. Absolutamente eu não sei aonde você quer chegar.
Nesses últimos anos, têm-se a impressão que você perdeu completamente a direção.
A cena que se deu na reunião presidida por D. Mayer, para se tratar da revista...
Futuro "Catolicismo", que não tinha sido editado ainda.
... foi uma explosão. Digo mal. Foi a conseqüência desse cansaço e desânimo produzido pelos mil projetos e resoluções não levados a efeito.
Ninguém mais acredita na possibilidade de uma realização. Um dia você pretende se tornar o líder dos Congregados Marianos e como tal aparecer em Roma. Passam-se os dias, os meses, os anos, você nem mais se lembra do empreendimento. Outro dia você vai entrar no Clube dos Militares, fazer infiltrações, etc. Passa-se o tempo e você não se lembra mais de nada. São infindáveis os projetos e empreendimentos que você promete e nunca cumpre.
Na vida interna do Grupo, a situação ainda é pior. Mil resoluções foram tomadas: direção espiritual, reuniões sistemáticas, retiros mensais, e posteriormente deixadas completamente no esquecimento. Você se isolou completamente do Grupo, levando propriamente uma vida à parte, envolvendo-se em celofanes, expressão usada pelo Fulano.
Portanto, eles conversavam entre si. O tema da conversa entre eles era isso.
Diariamente você chega mais tarde à sede, revelando --quer você queira, quer não-- a impressão de que você, para satisfazer os seus honorários, não se incomoda que nós não tenhamos mais contato com você.
Quer dizer, por preocupações financeiras, o Sr. Dr. Plinio estava relegando o Grupo a um plano secundário.
Elemento que você sabe melhor do que eu, o quanto é indispensável.
Eu pedi mais de cinqüenta vezes para você jantar no horário comum de todos nós.
Quer dizer, ele tinha que se adaptar aos horários dos outros.
O Beltrano constantemente repete “qui Dieu premier servi”.
Ou seja, primeiro nós devemos servir a Deus, depois o estômago. No fundo é isso. Portanto, seu jantar, devia ser secundário. Ele cita um quarto, agora.
O quarto não cessa de pedir o mesmo.
Portanto, o clima é geral.
Materialmente, sabemos que você pode jantar às 7:30 ou às 8 horas. Sabemos que você pode conseguir que Da. Lucília mude seus horários.
Eu achei que era formativo para os senhores, ouvirem isso aqui.
De sorte que essa indiferença sua para uma coisa que todos nós consideramos vital, é interpretada ou como um defeito, uma falta de virtude, ou como uma certa forma de desequilíbrio.
Pode ser que eu esteja sendo muito grosseiro, mas acho que em consciência sou obrigado a prosseguir.
Eu sei que o sangue dos senhores está girando ao contrário.
Os pânicos a que você está sujeito --liquidação do "Legionário", processo do Recafredo, etc.-- produziram a pior impressão possível. De um modo geral, a impressão é que você tem mais do que ninguém, que conhecemos, um carisma para os assuntos da Igreja, mas que saindo um pouco daí você é...
Eu nem posso dizer, nem posso dizer. Não vou dizer. Ou seja, que ele é um bolostroquento, uma pessoa que se confunde, que não sabe fazer nada, que se atrapalha em tudo, etc. O sentido é esse. É a expressão usada entre nós.
O quarto, citado anteriormente, diz que você precisa de nós. Que você vive em tal estado alheio a tudo, que praticamente você precisa ser tutelado.
O Fulano...
Que é o primeiro citado.
... por ocasião da última vinda de D. Mayer, estava resolvido a abrir o coração a seu respeito. Deixou de falar, por medo de criar em D. Mayer um nó anti-Plinio.
Estando nós conversando a respeito de autorização para a minha viagem, o Cicrano disse: "Você tem de contar com o irracional."
O Fulano disse que, por ocasião da possibilidade de um processo do Recafredo, passeando ele com você, pelo viaduto, você chegou a declarar que não tinha falado mal do Reca.
Certamente do Reca.
Ele protestou que até tanto, não. Pois que, por ter falado mal do mesmo, ele fora obrigado a mudar de diretor espiritual e você agora fazia uma tal declaração.
Ataques atrás de ataques.
Eu acredito que mil dessas impressões sejam produzidas pelo demônio...
Ainda bem.
... que é o mais interessado na desarticulação do Grupo.
Diversas vezes conversamos que o termômetro do afervoramento de qualquer um do Grupo é a aproximação ou afastamento de você.
Eles reconheciam isso. Quer dizer, a coisa é consciente, hein!
Agora você pode calcular a impressão penosa que produz em todos nós notar o mal-entendido, uma falta de entrosamento, um celofane entre nós e você.
Acredito que você possa ter mil justificativas: que o demônio esteja fazendo das suas... Mas o fato é que este profundo mal-estar existe e que precisa ser acabado. A política adotada por você até agora, não está dando resultado. Essa separação entre nós sem uma explicação --o que possivelmente você faz, interpretando a seu modo o princípio da autoridade-- só agrava cada vez mais o mal.
Ele queria evitar que dois viajassem. Eram dois que não podiam estar juntos. Ele sabia, por problema de consciência, por que é que um não podia estar junto com outro e não podia dizer. É vítima de uma revolta desse tamanho.
Quando há uma crise mais grave, como aquela produzida pela história contada por Da. Zili, de uma moça que havia sido narcotizada na Igreja de São Francisco, você chama nossa atenção da capela. Qual é o resultado? Nenhum. Todos se calam por respeito, mas todos acham que é um balalá puro seu. E a incompreensão entre nós, e conseqüente separação, ainda é maior.
Todas essas observações e mil outras, que poderia referir, foram estabelecendo uma espécie de separação na sua pessoa. De um lado um Plinio ortodoxo a 100%, conhecendo mais do que ninguém os verdadeiros interesses da Igreja.
Daí inveja.
De outro, um Plinio balalento, que diariamente muda as coisas e que depende do dia e da hora favorável.
Como você tem pessoas que dependem de si, é necessário não somente que você seja lógico e compreensível em seus atos, mas que também você mostre que eles o são. É o único meio de ser evitado um profundo mal-estar.
Você dirá que com obediência e humildade tudo se arranja.
É claro! Sobretudo sem inveja.
Em termos. Existe um elemento que precisa muito ser tomado em consideração: a confiança. Não adianta nada eu aceitar tudo passivamente, exteriormente, mas internamente não estar sossegado.
Ou seja, havia uma desconfiança. Desconfiança por inveja.
Você, como chefe, tem o direito de não ser explicado em muita coisa, mas não tem o direito de criar uma atmosfera ilógica, contrária ao sendo e contraditória.
Dá vontade de dizer: "Tem. Desde que não seja pecado, ele pode mandar. Se a pessoa não entender, tem que obedecer sem ter entendido. O superior não tem obrigação de ser lógico na explicação daquilo que ele manda. O que ele tem obrigação, isso sim, é de não mandar o pecado. Se mandar o pecado, não pode ser obedecido. Mas que ele precise explicar cada coisa que ele manda fazer? (...)
Eu sei dizer que quando eu li isso aqui... eu não devia ter lido, não devia ter lido.
Dadas suas idas e vindas, faz e não faz, infelizmente a situação é de contradição, de ilogismo e não de segredo que deve ser guardado. Exemplo típico é essa sua carta na qual você nada diz, nada explica de novo, somente joga.
O Fulano disse que você joga tanto, tanto, que fica-se sem saber se você não está fazendo um jogo com nós mesmos.
Esse mal-estar, há muito que eu sinto. Sempre achei prudente não falar com ninguém sobre o caso.
Constantemente há comentários. Domingo passado transbordou. O Fulano e eu falamos claramente, na presença de Cicrano, que manteve-se em silêncio, dizendo que era preciso muito sacrifício.
Quando D. Mayer veio falar sobre a revista, todos estavam saturados de saber que era um a mais dos mil projetos que não seriam realizados. Daí a reação quase espontânea da parte, se não me engano de todos. Todos se revoltaram.
Ou seja, houve uma reunião que ele relata depois por anotações sucintas que estava presente D. Mayer, estava presente ele e os membros do Grupo, em que ele expôs a idéia de se fazer o "Catolicismo", que hoje tem já seus quarenta e cinco anos. Houve uma revolta de todos. "Não, isso não vai dar certo."
Julguei de minha obrigação aproveitar essa oportunidade para dizer o que pensava. Fí-lo com intenção reta.
Ele, esse missivista, se levantou na reunião e fez um discurso contra o Sr. Dr. Plinio. Tudo o que ele diz aqui na carta, em outras palavras disse na reunião. Depois disse que não comentava com ninguém.
Escrevi essas páginas sem as ler, para que elas ficassem como eu estou sentindo.
Um exemplo típico do que afirmo, é a sua declaração de que você pretende ir à Europa duas vezes no mesmo ano, além de fundar uma revista e de se candidatar como deputado. Por respeito, pode se calar, mas ninguém conhecendo a você e usando das faculdades mentais, pode sãmente acreditar nisso.
Você precisa se lembrar que desde 1942, você fala na necessidade de uma viagem à Europa. A viagem à Europa é um mero acidente em todo esse apanhado. Da minha parte nada custa seguir a sua recomendação.
Não parece. Conclusão, foi que ele teve que ir à Europa. Ele foi à Europa pelos objetivos que todos nós conhecemos, mas foi também para ver se dissolvia um pouco os coágulos, os nódulos, as revoltas que havia no Grupo contra ele.
Então, na década de quarenta, esse profeta, Varão da Destra de Maria Santíssima, homem chamado para derrotar a Revolução e implantar o Reino de Maria, teve entre os seus seguidores essa revolta e essa inveja. Revolta e inveja que marcou a eles para o resto da vida. Eles faleceram com estes estigmas.
*
JC aborda o assunto por terceira vez. Reunião na Saúde, 14/11/95:
(Frizzarini: Não sei se o Senhor Doutor Plinio chegou a falar algo para o senhor, ou se não, o que o senhor imagina quais eram as graças de sustentação para ele Senhor Doutor Plinio nessa década de quarenta e cinqüenta. E pelo menos eu tinha a idéia de que tinha sido a época do ostracismo e que...)
Ficou só.
(Frizzarini: A carreira toda dele foi posta a zero. Mas a idéia que nós tínhamos é que pelo menos ele tinha o Grupo.)
Que o Grupo sustentava ele.
(Frizzarini: E hoje ficou patente que... E na carta dizia que eram todos.)
Eram todos. (...)
*
Quarta vez, "jour-le-jour" 17/12/95:
O Sr. Dr. Plinio, quando ainda não tinha havido uma revolta contra ele, que se deu em 48-49, uma revolta bem grande, dos que constituíam o primeiro Grupo ... Não foi uma revolta absoluta de todos, mas foi uma revolta da maioria contra ele. Só hoje é que nós tivemos acesso a esses documentos, quer dizer, só depois da morte dele. Nós não tínhamos noção de como tinha sido essa revolta, nem sabíamos da existência dela. Nem creio que os próprios membros da Martim Francisco ouviram relatos a respeito. O Sr. Dr. Plinio manteve isso no segredo de consciência o mais completo e absoluto, o que prova, mais uma vez, a virtude dele.
Foi pelo fim da década de 40 que o apostolado estava mirrado, não ia para a frente, complicações dentro da sede a mais não poder porque eles não tinham nada o que fazer. Ficavam pintando a sede, repintando, e foi aí, então, que um deles resolveu pedir ao Sr. Dr. Plinio para fazer uma viagem com um outro pela Europa.
O Sr. Dr. Plinio disse que não era o caso porque ele ia lançar uma revista nova aproveitando D. Mayer, etc. Ele estava com vontade de lançar uma revista, que seria uma continuação do "Legionário", que seria o "Catolicismo". Ele esperasse porque ele também tinha empenho em que o Grupo todo fosse à Europa, porque ele tinha tal plano, tal outro, não sei quanto. Eu sei dizer que numa reunião de 48 ou de 49... Nós não temos a data, infelizmente, porque a pessoa que escreve essa carta ao Sr. Dr. Plinio não pôs data. O Sr. Dr. Plinio faz um relatório a respeito desse estouro contra ele quando ele está em Paris em 50. Esse relatório é um relatório sucinto, feito em folhas. A gente vê que ele fez um pró-memória para não esquecer dos episódios todos, e vem então a seqüência de todos os episódios narrando esse estouro que foi público, foi numa reunião. Uma reunião em que estava D. Mayer e o Sr. Dr. Plinio, levanta-se um depois de ter escrito uma carta péssima e diz que estavam todos muito contrafeitos pela direção completamente sem rumo que o Sr. Dr. Plinio estava dando ao Grupo, que o Sr. Dr. Plinio fazia mil planos e não punha em prática, que ele já nem se lembrava mais do que prometia, porque ele prometia uma série de coisas que não cumpria, que ele estava mais preocupado em tocar os assuntos financeiros da família, que ele chegava sempre atrasado às reuniões à noite por causa do jantar com Da. Lucilia, que ele bem poderia cancelar esse jantar e jantar mais cedo... Olhe, foi um destampatório daqueles contra o Sr. Dr. Plinio e um estouro a gritos. Logo depois foi que entrou a Martim Francisco ou foi por essa época, mais ou menos. A Martim Francisco foi...
Reunião para CCEE, 1/5/96:
Houve gente que o acompanhou de perto durante muito tempo, mas não aproveitou nada o convívio que teve.
Nós podemos, neste sistema de vida sobrenatural, ter um convívio com ele mais proveitoso do que aqueles que tiveram um convívio físico e não aproveitaram.
"Jour-le-jour" 22/1/96:
(...) a inveja --é desagradável, mas foi o Sr. Dr. Plinio quem disse isso várias vezes-- a inveja da Pará era no que dizia respeito à graça dele, portanto era inveja da graça fraterna mesmo, um pecado contra o Espírito Santo; enquanto que alguns da Martim tinham em relação a ele um desprezo porque ele tinha tradição de sangue, mas não tinha dinheiro.
Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/09/95, mais ou menos quinze dias antes do falecimento de Dr. Plinio:
(P. Amunátegui: [Em 1975, no Desastre, os mais velhos do Grupo] passaram a decidir todas as atividades. Se havia qualquer coisa, tinha que levar lá (1).
Quem era o "lá"? Lá, era o quinto andar, onde se reunia o Dr. Castilho com os mais velhos. Então formaram um conselho administrativo e diretivo, na interinidade da doença do Sr. Dr. Plinio. Então, qualquer coisa que ia se fazer no grupo, no mundo inteiro, tinha que passar por lá. Conte aí.
(P. Amunátegui: A gente chegava lá, com as normas do Sr. Dr. Plinio e em cinco minutos se dava conta que ninguém entendia nada. Tinha que tratar coisas da Colômbia, Bolívia, não sei que história, um manifesto que o Senhor Doutor Plinio havia dado. Se discutiu durante duas horas e ao final Dr. Luizinho disse: Olhe eu não entendo dessa história).
É normal.
(P. Amunátegui: O sr. faça como queira. Depois de duas horas de reunião, eles se confessavam completamente incapazes de dizer qualquer coisa).
Quem vai ser capaz? Então, meu receio era de que gente viesse com a idéia de que fosse preciso montar um outro conselho administrativo (2). Por isso, já no primeiro "Praesto Sum" que houve eu queimei a hipótese a mais não poder:
- Escute, como é que vão ficar as coisas agora, porque o Sr. Dr. Plinio não pode atender, nós precisamos fazer um conselho de uns dez maiores para poder dar orientação. Por exemplo, quem vai responder a Dom Lucas?
Então, já para evitar... Não tem.
Quem vai responder a Dom Lucas? Coisa mais simples do mundo: O Cônego é o diretor do negócio de Fátima. Então ele, cônego, diz:
- Eu fui procurado por membros da TFP, que me pediram licença para responder a V.Emcia, mas disse para eles que não se preocupassem, que eu me entendia com V.Emcia., porque eu sou o diretor desse assunto. Então, quero dizer a V.Emcia. que certamente algumas pessoas informaram mal V.Emcia. a respeito de tal ponto, de tal outro, porque não é assim, é assim assim, etc.
Ponto final. Lobo não come lobo.
Comentários:
Era natural que, nessas circunstâncias, todos os assuntos de maior monta, fossem consultados com os membros do Grupo mais experimentados. Mas há qualquer coisa nas palavras de Amunátegui que indicam seu desagrado: “tinha que levar lá”. A quem queria que fossem apresentados os assuntos? A JC? Quer dizer que já desde aquela época ele ambicionava o poder supremo?
Então como queria que a TFP fosse dirigida? De modo democrático? autogestionário? misticamente?
Trechos de relatório do Sr. Paulo Emílio de Carvalho (5/5/98), a respeito de sua estadia no Rio de Janeiro, entre maio e setembro de 1996:
Para mostrar como desde há bastante tempo o grupo do Sr. João Clá vem preparando sua “sucessão”, narro o que pude ver no Rio (...) (1).
O Sr. Meram não se cansava de difamar os Provectos e os mais velhos do Grupo, principalmente o Cel. Poli.
(...) durante uma refeição, na sede de apostolado, onde estava presente, além dos moradores da dita sede, alguns dos quais muito novos, (...) o Sr. Meram começou a falar mal dos Provectos. Por exemplo, do Dr. Plinio Xavier, disse que só serve para ‘office boy’; do Dr. Luiz Nazareno, que já não serve para mais nada, ‘já está passado’; do Dr. Paulo Brito, que tocava o ‘Catolicismo’ sem seguir os conselhos do Sr. Dr. Plinio, que por isso o ‘Catolicismo’ não ia para frente (2); do Dr. Eduardo, que não fazia nada, que era um inválido (...). Interpelado a respeito do Cel. Poli, disse que ele (...) não seria obstáculo à altura, pois ninguém seguraria o Sr. João Clá. (...) Anos atrás, já vinha difamando os Príncipes Dom Luiz e Dom Bertrand (...).
O que mais me impressionava era a campanha sistemática de difamação, que parecia ser orquestrada, e provavelmente induzida (...).
Comentários:
Nada leva a pensar que nas visitas que Andreas Meran fez, entre outubro de 1995 e 1997, a vários grupos do interior do Brasil --como Londrina, Ponta Grossa, Joinville--, ele não tenha feito o mesmo trabalho.
No entanto, nós temos bastantes referências de Dr. Plinio altamente elogiosas a ‘Catolicismo’. Uma amostra:
Aliás, eu aproveito para chamar a atenção dos senhores para o "Catolicismo". Eu não sei se todos lêem e acompanham o "Catolicismo" como merece. O "Catolicismo" está uma revista excelente, de primeira ordem: como matéria, jornalisticamente ... uma coisa ... a TFP tem com o que se ufanar com o "Catolicismo". (Cfr. Comissão Médica, 9/8/87 p.1)
Na “reunião dos dois Patrícios” realizada no S.Bento, no 18/7/96, dois camaldulenses “observantes” e de “clausura estrita” desse êremo, Patrício Amunátegui e Patrício Larrain, apresentaram Dr. Eduardo como “Mr. Six o’clock tea”, pouco varonil e pessoa que não faz nada para a Contra-Revolução; Dr. Paulo Brito como possuidor de uma mentalidade de “empreitero” e nulo em matéria de liderança; Dr. Plinio Xavier estaria com o mal de Parkinson; Dr. Luizinho pouco varonil, propenso a entabular amizades particulares com determinados membros do Grupo (insinuando no fundo homossexualismo), estaria perdendo a lucidez, e seu cérebro estaria afetado. Dr. Caio pretende transformar a TFP numa empresa coletora de fundos. Em resumo, seriam pessoas incapacitadas moral e fisicamente para dirigirem a TFP.
O insuspeito Emílio Juncá, que assistiu a essa reunião, confirmou as acusações, e acrescentou que em outros eventos desse gênero ele ouviu coisas piores ainda. (Cfr. transcrição da fita da conversa do Sr. Francisco Machado com Emílio Juncá, 23/8/97 e carta do Sr. F. Machado a Dr. Caio, de 7/10/97).
Há sérios indícios de que houve “reprises” dessa reunião, pelo menos entre julho de 96 e março de 97:
1. Um cooperador muito novo, do grupo de Cuiabá, Fábio Hurtado, outrora “muito dócil, educado e dedicado”, que nunca deu nenhuma manifestação de revolta contra quem quer que seja, assistiu na Semana Santa (24-30 de março de 1997) a uma reunião no S.Bento, dada pelos referidos Patrícios. Quando voltou para Cuiabá estava “totalmente transtornado, triste e perplexo”, “tão tomado, tão revoltado contra os Provectos que (...) o rapaz estava desejando a morte do Dr. Caio”. (Cfr. relatório do Sr. Anderson Ribeiro, 22/8/97).
2. O Colombo, estando numa das sedes da Saúde, “presenciou a debandada dos enjolrras, que saíram correndo alegres, rumo ao S. Bento, convidados para uma reunião. Horas depois, ao retornarem, o Sr. Colombo viu o Sr. Marcial meio abatido e ao perguntar-lhe o que havia acontecido, recebeu a resposta de que na reunião no S. Bento haviam ouvido informações muito desabonadoras em relação aos Provectos”. (Cfr. carta do Sr. Francisco Machado a Dr. Caio, 7/10/97).
3. O Sr. Rivoir atesta (carta a JC, 23/9/97) que um esquema dessas reuniões circulou em Jasna Gora, e que o Arbex esteve repetindo várias das calunias emitidas nessas ocasiões.
4. E parece que também circularam no Exterior. Com efeito, Roberto Marcos Ferronatto, adepto de JC em Portugal, afirmou que os Provectos não tem “capacidades nem dons para tocar a vida espiritual da TFP” (Cfr. Grafonema de sua autoria, do 19/2/98).
*
Trecho do libelo "E Monsenhor Lefevre vive?" p.117, impresso e difundido com o “imprimatur” e a benção de JC, analisando um documento do “Coetus Provectus”:
Segundo os bons latinistas do Grupo a grafia de “provectus” só se aplicaria se o redator se referisse a uma “assembléia provecta”. Seria esta uma especificação estranha aos costumes e à tradição do Grupo pois nunca nosso Fundador constituiu tal “assembléia”. Por isso, somos levados a crer que o sentido verdadeiro é “reunião de provectos”. Nesse caso o latim está errado e deveria ser “provectorum”.
A seguir, os vários significados da palavra “coetus”
Coetus, us 1. União, junção, ajuntamento;
Reunião, ajuntamento de homens, assembléia, congregação, manada (de animais);
Luta, briga, peleja, combate, refrega, conflito;
Movimento sedicioso, de intriga;
Coetum facere, forjar intrigas, alvorotar, amotinar o povo
(Cfr. Vox – Dicionário ilustrado .... 1984, 18 edição).
Essa injuria contra as Autoridades da TFP, foi emitida em janeiro de 1998, isto é, quase dois meses após a ruptura. No "jour-le-jour" do dia 7 desse mesmo mês, JC disse o seguinte, referindo-se aos Provectos:
O Sr. Dr. Plinio nunca permitia que, estando numa polêmica com alguém, se tratasse o adversário de forma depreciativa, de forma igualitária, de forma democrática ou coisa que o valha. (...)
Nós não estamos com adversários, porque não são adversários; são nossos irmãos. Eles nos consideram adversários; isto é outro problema. Isto é um problema do qual eles vão ter que prestar contas diante de Deus. (...)
Agora, não convém, deforma alguma que, pelo fato de nós estarmos nessa situação, comece a se dar entre nós o que já é oficial entre eles: nós não somos mais “senhor”, e nós não temos mais nomes, nós temos apelidos. (...) Nós não podemos deixar de seguir nosso Pai e Senhor. Eles, sendo alguns mais velhos que nós, [devemos] todo o respeito. Então, é Dr. Fulano, é Dr. Dicrano, é Dr. Beltrano e está acabado. (...) Não é por apelido e, quando tiver de contar alguma coisa, contar com respeito, sem letras, siglas depreciativas, etc. Vamos manter o nível pliniano da nossa impostação de espírito. (...) E mantermos o espírito da cavalaria, este é o espírito do Sr. Dr. Plinio. Manter esta elevação deespírito é indispensável. Para sermos plinianos precisamos ser assim. (...)
Manter a clave é importantíssimo, porque quem se mantém na clave pliniana, este venceu; quem escapou da clave pliniana, esse perdeu..
Ramón León vocifera:
Nos últimos vinte anos, vieram os mais velhos perdendo progressivamente a influência e o mando no Grupo até chegarem à situação de estarem limitadas, na prática, suas funções a simples cargos administrativos, como por exemplo, o Dr. Eduardo Brotero na DAFN. Quem na realidade impulsiona esses setores são outras pessoas. No que diz respeito à direção da família de almas da TFP, pode-se quase afirmar ser sua influência nula. Com o crescimento da Obra do Sr. Dr. Plinio, e o caudaloso afluxo de novas gerações, perderam eles quase por completo o contacto com a realidade do Grupo. O élan que dá vida ao apostolado saiu-lhes definitivamente das mãos, tomando outros a dianteira.
(Cfr. "Quia nominor provectus", p.112)
*
Nesse mesmo opúsculo, distribuído gratuitamente nas ruas por agentes de JC, há todo um capítulo que fere a honra e a reputação dos Diretores da TFP, pois contém exclusivamente as censuras de Dr. Plinio a eles. Os elogios foram omitidos.
Os autores do libelo pesquisaram reuniões e comentários emitidos em almoços e jantares, bem como telefonemas de Dr. Plinio abrangendo um período de 22 anos, entre 1973 e 1995 ... (1)
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1. No Capítulo 2, (“Preparativos a prazo médio: preparativos sofísticos”) consta que esse livro foi elaborado com bastante antecipação. Portanto, não é descabelado suspeitar que, assim com os joaninos estavam aparelhados para difamar os Diretores da TFP, também estão aparelhados para difamar qualquer um a qualquer momento.
A hipótese é corroborada por JC, num famoso telefonema, na época da crise com o Grupo dos Estados Unidos: “conheço fatos de a família do Sr.Fragelli que eu posso começar a espalhar pelo mundo”.
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A simples enumeração dos títulos e subtítulos é suficiente para ter uma idéia do que os adeptos do joanismo visam:
Grande chamado, grande incorrespondência
Os mais tardios em ver, em compreender e absolutamente mudos em divulgar
No começo da vocação, a rejeição ao espírito do Fundador
Mundanismo
Desinteresse por notar a verdadeira nobreza do Sr. Dr. Plinio. Uma visão diminuta da nobreza.
Falta de chama e de impulso – decorrente incapacidade para a liderança interna
Faltando a radicalidade e a chama, falta a caraterística principal do mando
Desintelectualização total, rejeição da RCR
Quebra da vontade, falta de ascese, amor pelo impulso
Nervosismo e “espiritualite” , que produzem falta de sabedoria na ação
Admiração pelo dinheiro e a consequente rejeição ao Fundador por não ser um homem realizado
Recusa da liderança de Dr. Plinio porque não era rico
O “gelo” em relação ao Sr. Dr. Plinio porque não se tinha realizado como homem de negócios
Completa falta de seriedade
Correspondência a uma ação preternatural que leva à completa falta de seriedade
Resumo: um nó de defeitos
Uma cumplicidade comum de se apoiarem numa meia-recusa sistemática
Uma análise de cada um dos membros da Martim
O aristocratismo enfeitado, o ideal do banqueiro, a vida intelectual baseada nos princípios concebidos no abstrato
No primeiro encontro com o Fundador, um dos membros da Martim ficou ressentido
2 anos depois, o Fundador observa as mesmas atitudes e falhas nos membros da Martim
Rejeição ao espírito do Fundador
Falta de fogo contra-revolucionário
Falta de seriedade, indiferença em relação ao Fundador
O que eles pactuariam ninguém pode imaginar
Uma tremenda falta de consideração ao Sr. Dr. Plinio por parte de dois membros da Martim
Esta é a gente que a Bagarre vai converter, ou é que a Bagarre vai liquidar?
*
Nessa compilação, os pesquisadores, além de unilaterais, colocam-se implicitamente como juizes e detentores de um senso moral maior que o do próprio Dr. Plinio.
A seguir, dois documentos mostram a enorme diferença entre a impostação de Dr. Plinio e a impostação dos chacais joaninos:
a) Testamento de Dr. Plinio: “Aos que me deram motivos de queixa, perdoo de toda alma” (Cfr. "Quia nominor provectus", p.195).
b) MNF 18/2/94:
GL: É muito difícil que num grupo, os mais velhos tendo andado mal e sendo os primeiros eleitos, havia um certo nexo com o senhor, que depois ...
SDP: Que os outros não tiveram.
GL: E não parece que volte a se refazer aquilo primeiro.
SDP: Na hora da Bagarre eu tenho impressão que serão todos de novo convidados.
GL: (...) Daí uma coisa bonita, é o empenho que o senhor tem, apesar de os ventos e marés correrem contra, de manter esse fio com eles.
SDP: Custe o que custar.
GL: Porque a gente contesta, outras pessoas contestam e cria bolo, etc.
A. Meran: Em aparente prejuízo dos outros.
GL: Em prejuízo até dos outros, meu senhor defende.
SDP: Defendo. E defendo até o fim.
Infelizmente, com o falecimento do SDP e aparentemente por uma má intelecção das normas morais dadas pelo falecido Pe. Vitorino em relação a confidências ‘sub gravi’, o Sr. João tomou algumas liberdades revelando, de público, fatos que empanavam a honra de terceiros, vivos ou mortos. Não citarei senão aqueles que são públicos e notórios nas TFPs.
Assim, por exemplo, numa reunião para o Grupo da França realizada no Jaglu, em janeiro do ano passado (que estava sendo gravada e filmada), e para mostrar até onde ia a bondade do SDP, foi narrado com detalhes e dando nomes, um caso escandaloso --que envolvia matéria de pecado grave contra o VI Mandamento-- ocorrido em Itaquera com um ex-membro do Grupo da Martim, que, ademais, ainda está vivo.
Alguns meses mais tarde, numa reunião para os veteranos do Centro, que estava sendo assistida pelos eremitas do S.Bento e Praesto Sum e que foi divulgada pelos Grupos, o Sr. João revelou, como provindo de nosso Fundador, aspectos morais da vida de meu irmão Fábio que, a serem verdadeiros, implicariam numa desonra para toda minha família. (...)
Na resposta a uma carta confidencial que enviamos ao Sr. João a respeito da celebração de missas segundo o novo rito em sedes da TFP ou por encargo dela, este inseriu duas cartas reservadas que o Sr. Coutinho lhe escrevera a respeito de um problema de consciência relativo a sua colaboração com o Sr. Atila, e, nas quais, figuravam comentários desfavoráveis sobre este último e sobre outros membros do Grupo. O Sr. João revelou tal resposta em reuniões no Eremo do S.Bento e a deu a ler a dezenas, senão a centenas de membros do Grupo de São Paulo e alhures.
Nessa mesma resposta, o Sr. João transcreveu o conteúdo de conversações telefônicas que ele tiveram com Dr. Eduardo e Dr. Paulo Brito. Uma vez que a gravação de tais conversas fora feita sem o conhecimento dos interessados, seu conteúdo se revestia necessariamente de um caráter confidencial. Entretanto, um número enorme de pessoas as ficou conhecendo, assim como os comentários por vezes sarcásticos com que ele acompanhou a transcrição.
Mais recentemente, tem tido uma certa divulgação as fitas de duas conversações telefônicas. A primeira, entre os senhores Mário Navarro e Edmundo Bianchini contendo críticas a nós e ao Sr. João; e a segunda entre os senhores Mário Navarro e Fernando Antunez a respeito do Dr. Luizinho. Ora, nenhum dos interlocutores sabia que estava sendo gravado por um terceiro anônimo, o que, além de atentar contra os princípios morais, constitui delito penal.
Releva também assinalar a divulgação indébita de um fax, enviado, em 21.10.96, por Dr. Luizinho, ao Sr. Mário Navarro. Neste, o destinatário era censurado por problemas de amor próprio. Dr. Luizinho, em confiança, enviou cópia dele, para conhecimento do Sr. João Clá. Qual não foi sua surpresa ao constatar que suas observações sobre vida espiritual do Sr. Mário tinham sido amplamente divulgadas no Brasil e no Exterior, sem nenhuma consideração pela reputação de terceiros, no caso o Dr. Mário Navarro!
Resposta do Pe. Olavo a Dr. Plinio Xavier, 31/5/97:
- Quanto à calunia a Dr. Fábio:
“O Sr. João Clá mesmo já chegou a se abrir comigo a respeito do caso do Dr. Fábio, dizendo que realmente cometera um lamentável equivoco. (...) Uma vez constatado o equivoco, numa reunião para os veteranos ele se corrigiu publicamente”.
- Quanto à difamação de um “ex-membro da Martim” (AX), “não me pronuncio, porque não tenho conhecimento da matéria. Em tempo oportuno vou falar com o Sr. João”.
- Quanto “aos documentos que o Sr. João Clá inseriu na defesa à acusação de que ele seria responsável pela aceitação do Novus Ordo Missae nas sedes da TFP, (...) parece-me ser preciso também levar em conta o direito de legitima defesa que assiste a cada pessoa. Pelo que sei, o Sr. João só utilizou os mencionados documentos porque foi obrigado a se defender”.
- Quanto à divulgação do fax de Dr. Luiz ao Dr. Mário Navarro, e dos telefonemas acima referidos, são “atos de legitima defesa do Sr. João Clá”.
"Jour-le-jour" 30/3/97, parte I:
Eu creio que os Apóstolos devem ter tido "N" situações em que eles se compararam com Nosso Senhor e tiveram nó. Essa é a miséria humana.
Eu conheci nós concretos tremendos que existiram. Não estou dizendo que eu vou contar, estou dizendo que eu conheci.
Por exemplo, houve gente que, freqüentando a casa do Sr. Dr. Plinio durante quarenta anos em jantares ou coisa que o valha, chegou a dizer ao Sr. Dr. Plinio que não compreendia como é que o Sr. Dr. Plinio gostava mais da Sra. Da. Lucilia do que de outra parente dela, porque a outra parente dela tinha muito mais vitalidade. É para os senhores verem.
Falando mal de pessoas já falecidas, por ricochete JC acaba falando mal dos primeiros membros do Grupo e dos Provectos.
Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 27/10/95 - JC difama a Dr. Paulo Ulhoa Cintra:
[O SDP] disse a mim --posso dizer agora, isso foi sub gravi-- mas ele disse que ele disse que pôs Dr. Paulo no Grupo e que ele manteve Dr. Paulo no Grupo, apesar de ser Dr. Paulo quem era, porque Dr. Paulo era a única pessoa que conseguia aglutinar o pessoal da Pará e da Martim junto a ele (1).
Porque eu perguntei a ele uma vez:
- Senhor Doutor Plinio, será que o senhor não viu que esse homem era um monstro, desde o começo? Como o senhor admitiu esse homem?
Eu vou lhe contar sub gravi.
E me contou.
Comentário:
Por aqui se entende por que razão Dr. Plinio manteve a JC no Grupo apesar de tudo: era a única pessoa capaz de aglutinar os enjolrras junto a ele.
*
Reunião para os veteranos, 8/10/96 - JC difama a Dr. Fábio:
[Dr. Plinio] fez de tudo para ver se o mantinha dentro das vias da pureza, mas que ele em certo momento desandou. (...) Como o Dr. Fábio saindo às ruas tinha tentações contra a pureza e se deixava levar pelas tentações (1), o Sr. Dr. Plinio combinava mais ou menos uma hora com ele para pegá-lo. Como o Sr. Dr. Plinio não tinha carro naquele tempo, o Sr. Dr. Plinio ficava num táxi dando voltas no quarteirão da casa dele, até ele aparecer no portão. Quando ele aparecia no portão ou pela rua, o Sr. Dr. Plinio o pegava, punha no táxi e o levava para a sede. (...)
Essas aflições com Dr. Fábio --eu vou encurtar para não fazermos uma reunião sobre o Dr. Fábio-- chegaram a um auge quando ele, com uma fulana X, acabou tendo um filho.
(...)
(Manomi: Esse tormento, essa preocupação, durou quanto tempo.)
Puxa, isso durou muitos anos. Isso durou desde a década de 50 até a hora em que ele faleceu.
(Manomi: Isso do táxi é desde o começo da vocação dele?)
É!
(Kallás: Foi a causa da doença de 67.)
Uma das causas, porque tem outras ainda. O Plinio Abel morreu, entre outras razões, pela alma dele, para que o caso dele tivesse solução. [...] O Plinio Abel morreu pelos três (2).
Comentário:
Esta gravíssima afirmação JC merece ser confrontada com esta outra, de sua autoria: “Eu sou da tese de que do interior a Igreja não julga” (Cfr. "jour-le-jour" 20/1/96).
Plinio Abel deve ser o Sr. Tsuneo. Quais são esses “três”, cujo nome não figura no texto? Quer dizer que JC falou mal de mais duas pessoas? “Se non é vero, é bene trovato”.
*
Não obstante, JC disse respeitar a memória dos mortos - "Jour-le-jour" 14/11/95:
Eu respeito a memória dos mortos.
Em agosto de 1997 --ou talvez antes--, dois agentes de JC --Ramón León e Emílio Juncá-- estiveram estudando medicamente o estado de saúde de Dr. Luiz. (Cfr. conversa do Sr. Francisco Machado com Emílio Juncá, 23/8/97).
Nesse dias, outros subordinados de JC --ou talvez os mesmos-- procuraram ao médico que atendeu a Dr. Luiz no Hospital Oswaldo Cruz, para lhe pedir os diagnósticos de seu estado de saúde.
Os joaninos faziam tudo isso movidos pela caridade fraterna ou para apresentar um “fundamento” para depor a Dr. Luiz?
O fato concreto é que, três meses depois dessas pesquisas, no libelo "Quia nominor provectus" (p.116), Ramón León sustenta que as condições de saúde de Dr. Luiz “o incapacitam, em boa medida, de arcar com tão pesado fardo” [a direção da TFP].
A seguir, dados a respeito do que no Norte Fluminense, os correspondentes ‘joaninos’ falam abertamente a respeito dos Provectos --sendo evidente que coisas parecidas correm em outras regiões do País:
Prevaricaram, são ‘fumaça’, estão com inveja do Sr. JC e impedindo sua ação. Falam até com desprezo, como por exemplo: ‘é só olhar para a cara daquele Plinio Xavier para ver que ele não é santo’, dizia em alta voz um correspondente de Laje do Muriaé. Dr. Paulo Brito também é fumaça porque o Catolicismo de março de 1997 publicou artigos dos senhores Nelson Fragelli e Lyra. Todos que não manifestam entusiasmo incondicional ao Sr. JC são taxados de ‘fumaça’. (Cfr. carta dos senhores Ghioto e Cardoso a Dr. Caio, 2/4/97).
*
Os correspondentes [do Norte Fluminense] falam mal dos Provectos, como se fossem pessoas quaisquer e com desprezo. (...) O Padre Olavo disse que os Provectos não estão na frente de nada. (Cfr. carta do Sr. Ricardo Ribeiro Freitas, a Dr. Eduardo, 21.3.97).
Quanto à campanha difamatória desenvolvida fora do Brasil, o caso de Portugal é uma amostra - Relato de uma conversa que o Sr. José Filipe Sepúlveda teve com Benites, Presidente da “tfp” lusa:
Perguntei-lhe como estavam as coisas no Brasil, ao que me respondeu que muito bem. Falou do encontro dos neo-cooperadores e de uma reunião muito boa, segundo as palavras do próprio Sr. Benites, reunião essa dada pelo Sr. João, ocorrida recentemente. Tratava-se então de uma reunião sobre o espírito de cavalaria abordado num MNF e de comentários do SDP nesse MNF comentando a infidelidade dos sete membros do Grupo mais velhos nos anos 60.
O incrível é que esta gente comenta isto aqui com a maior das normalidades. (...)
O que mais indigna é o facto de sabermos que é esta mentalidade de ódio pelos mais velhos que se vai disseminando cada vez mais pelo Grupo aqui em Portugal e não só.
(Cfr. carta do Sr. José Filipe Sepúlveda ao Sr. José Carlos Sepúlveda, 4/8/97)
Na conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95, JC lê e comenta o grafonema que em 13/2/93 escreveu ao SDP, desde o Coliseu, lembrando o desastre:
Era a noite de 5 de fevereiro de 1975. Terceiro dia do desastre. O médico que fizera a preparação do campo operatório, há certo tempo, já se retirara. O varão, em seu leito de dor se encontrava, quando uma cruel interrogação lhe assalta:
Ele dizia em termos de Sagrada Escravidão.
"O Plinio Miguel não veio me visitar, ainda, não é?"
Dom Bertrand.
"O Plinio Miguel não veio me visitar, ainda, não é?" E, ao lhe ser respondido pela negativa, o varão pôs-se, na sua inconsciência, a chorar. São as horas em que aflora a natureza, quer tenha sido ela, acrisolada pela virtude ou, ainda mais deformada pelos pecados atuais. Assim foi que, entre lágrimas, ouviu-se a inocente voz do varão: "A Providencia quis que Seu Senhor tivesse um príncipe sem reciprocidade, para que o amor de Seu Senhor pela monarquia fosse inteiramente puro".
Permiti narrar-vos, oh arena que fostes o pedestal de tantos Bem-aventurados, a luz que vi, naquele sublime momento, brilhar. Um Varão que havia dedicado toda sua vida e existência ao serviço da Santa Igreja e da Civilização Cristã,...
Vejam como fica atual.
...que amara essa duas esferas mais do que a si próprio e do que a tudo, acima delas só à Nossa Senhora e a Deus, entretanto, esquecido --e não poucas vezes traído e perseguido-- por todos aqueles que eram a personificação do objeto de seu encanto. Mártir em vida, devorado pelas feras da ingratidão e da repulsa, sem entretanto gozar da companhia visível dos anjos. E, se fosse só um rápido momento! Não! Pelo contrario, a vida inteira!
Oh pedras, eu vi naquele rápido episódio, no terrível drama do Varão, reações de alma que ele não mais revelaria, senão naquela inesquecível noite. (...)
Desejo, ao terminar, externar-Vos a minha emocionada e profunda gratidão pelo fato de Vós me terdes ensinado a amar a Nosso Senhor Jesus Cristo e à Sua Mãe Santíssima, assim como à Santa Igreja e à Civilização Cristã. Eu aprendi em Vós e convosco, Senhor, o quanto é bela e deve ser louvada e servida, a Monarquia e a nobreza, tanto na sociedade temporal, como --e especialmente-- na Espiritual. (...)
in Jesu et Maria,João Clá
*
Em março de 1998, uma senhora mais ou menos ligada aos ambientes monarquistas, foi procurada na sua residência por dois senhores elegantemente vestidos e que se apresentaram como amigos de Dom Bertrand.
Embora ela desconfiasse, eles insistiram para conversarem. Lhe disseram que, além do título de um clube para o resto da vida, ela poderia ganhar viagens pela Europa, casa, carro e melhorar muito a sua vida. À las tantas, um deles pede para o outro tirar um gravador e pergunta à senhora se teve uma filha com o concurso de Dom Bertrand.
Posteriormente, a senhora identificou um dos visitantes: JC.
(Cfr. Relatórios de WH, de 7 e 12/4/98).
Mais recentemente Andreas Meran esteve com essa senhora, pressionando-a para que afirmasse "que não foi JC quem esteve com ela". Pegava a mão dela e a apertava com as duas mãos dele e insistia: "diga que não, diga que não era JC". Quando percebeu que ela não cedia, declarou: "os dois príncipes são debilóides" e que "fora de JC não há salvação".
*
Por volta de maio-junho de 1998, começou a correr, por boca dos corifeus de JC, que o SDP teria escrito o livro da Nobreza por imposição de Dom Bertrand. No entanto, o próprio JC contou que a idéia partiu do SDP:
"Jour-le-jour" 1/1/96, realizado nos EEUU:
Eu me lembro de uma coisa que estava sub gravi também e que ficou pública depois, hoje em dia os senhores têm nas mãos e fazem propaganda até.É que [na viagem que o Sr. Dr. Plinio fez à Europa no ano 1988, quando esteve] em Firenze, (...) às tantas foi visitar a cidade, foi visitar várias partes internas da cidade. Depois dessa visita resolveu tomar um lanche num café --Café Paciskovich, Café Paradowski, um negócio qualquer assim. (...) Ele começou a analisar o que ele tinha visto naquele trecho de Europa, só ali. E começou a concluir que a Guerra 14/18 e que a Segunda Guerra Mundial tinham tentado pulverizar a Europa. O que o demônio queria com essas duas guerras era acabar com toda a tradição na Europa. Mas que o demônio não tinha conseguido isso por uma graça qualquer, por uma bênção que havia na Europa o demônio não tinha conseguido isso.
Na Europa, por essa bênção, havia ainda muito fluxo vital, e um fluxo vital que dentro de todas as catástrofes, dentro de todas as desgraças, a Europa se reconstituiu de alguma forma. Não era o que tinha sido antigamente, mas havia ainda muita nobreza que estava entocada e que levava ainda --no meio de todo o seu silêncio, no seu ostracismo-- uma vida, entre eles, que lembrava algo da nobreza antiga.
Isso ele tinha percebido andando por aqui, por lá e por acolá.
Ele achava que se fosse possível fazer uma obra sobre a nobreza, seria uma clarinada a ser dada na Europa para levantar algo dessa nobreza que ainda existia, para a hora da Bagarre e para o Reino de Maria.
Ele estava querendo analisar mais pelos lugares onde ele ia passar qual era a força dessa nobreza, porque ele estava muito empenhado em tomar as alocuções de Pio XII à nobreza e ao patriciado romano e fazer um comentário a respeito dessas alocuções para ser difundida na Europa entre a nobreza, para ver quem dali a gente conseguiria pegar.
*
Em 2/3/99, Dom Bertrand --juntamente com Srs. Alejandro Bravo e Voiseau-- recebeu intimação para depor num inquérito da Polícia. Uma das filhas do Hagop Seraidarian (“longa manus” de JC na Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima”) acusou Dom Bertrand de tentar atropelá-la perto do cemitério da Consolação. Apresentou como testemunhas as suas irmãs. A acusação era obviamente falsa.
INQUERITO POLICIAL N° 0294/99
Boletim numero 1675/99, emitido em 2/3/99
BOLETIM DE OCORRENCIA DE AUTORIA CONHECIDA
Indiciados: Dom Bertrand...
Vitimas: Maria Lucilia Seraidarian
Testemunhas: Maria Cecilia Seraidarian, Maria Cristina Seraidarian
HISTÓRICO
"Presente neste Distrito Policial a vitima noticiando que no dia dos fatos, fora visitar o túmulo do Dr. Plinio Corrêa de Oliveira, fundador da TFP. Na entrado do estacionamento do cemitério da Consolação, percebeu que se aproximava um veiculo, porem, percebeu que dava tempo para atravessar a respectiva via, contudo o indiciado acelerou e jogou o veiculo contra a vitima e todos que estavam no interior do veiculo passaram a dar "gargalhadas". A vitima dirigiu-se ao túmulo e passado alguns minutos o indiciado e as testemunhas que estavam no interior do veiculo também foram visitar o mesmo túmulo e ali foram reconhecidos por pessoas que encontravam-se no local. Esclarece a vitima que o príncipe Dom Bertran ela já o conhecia. Esclarece por fim que atualmente esta havendo dissidência por parte de alguns membros da sociedade, fundando-se uma outra em Campinas, o que tem gerado desentendimento entre os atuais mandatários e os dissidentes. O indiciado pertence ao grupo mandatário e a vitima ao grupo dissidente. Nada mais"
"Jour-le-jour" 22/1/96, Paris:
Quando o Sr. Dr. Plinio viu ... (muda a fita) ... o Sr. Átila entrar em crise, foi no ano de 77, 78, mais ou menos, (...), a crise com o Sr. Átila eu assisti. Ele estava sentado na cadeira de balanço do SDP, o SDP estava sentado no sofá vermelho, e eu estava sentado na cadeira giratória. Tinha acabado uma reunião de MNF que tinha sido na rua Traipú, lá na rua Atibaia, e tinha sido sobre a quintessência e a síntese, e o Sr. Átila na conversa com o SDP, que foi durante o almoço estávamos nós 3, o Sr. não estava não sei por que razão, o Sr. Átila virou-se para o SDP às tantas e disse: “eu percebi na reunião de hoje que o Sr. representa a quintessência, mas que eu no Grupo tenho a missão de representar a síntese”
(Exclamações de reprovação).
E começou a defender a tese de quanto a síntese sob certo aspecto era superior à quintessência.
O que estou contando para os senhores é arqui reservado. Estão me pedindo sub graves aí e é arqui reservado.
O SDP com muito jeito, foi tirando o corpo, foi mostrando, etc. Mas à tarde nós fomos ao Praesto Sum e no PS o SDP me chamou --não sei se foi na sua frente ou não.
Sr. Fernando Antunez: Me lembro o Sr. ter contado, mas não me lembro [a cena].
O SDP me chamou e me disse o seguinte: “escute meu filho, você teria fôlego para acompanhar o Átila pela Europa, para visitar canonistas e teólogos, para um trabalho que Seu Senhor vai dar para ele?”
- Me perdõe, meu Senhor, mas eu falo mal o português, falo mal o espanhol, entendo o italiano, meu francês é de aranha, teia de aranha, vou fazer na Europa o que? Eu não ... Só se meu senhor queira que este escravo vá acompanhá-lo para ...
Não, não. Seu Senhor não confiaria em que fosse ele sozinho, mas queria que esse escravo fosse junto.
Eu disse: bom, eu não sei de que utilidade possa ser, praesto sum, este escravo está pronto para ir onde meu senhor quiser.
Então seu senhor vai lhe dar um trabalho para ele fazer, porque seu senhor acha que ele entrou numa crise da qual ele não sai se não for ele tomar um trabalho que ele faça sozinho, longe da comparação com seu senhor.
Aí surgiu o trabalho ...
(Aparte: sobre o concilio).
*
Ano e meio depois, estando na Espanha, JC volta a difamar a ASG.
Grafonema do 11/11/97, enviado por alguém da Saúde que estava na Espanha, para os joaninos da " torre da Avenida Angélica"; o texto foi encontrado nos computadores da TFP que estes últimos usavam. A ortografia é conforme o original:
Depois perguntaram [a JC] que se onde está uma carmelita está o Carmelo, assim onde está um escravo fiel também está a Sagrada Escravidão e que atacar a este escravo é atacar a própria instituição.
Respondendo esta pergunta ele tratou de uma das causas da perda da graça da SE que foi a inveja da graça paterna e ilustrou isto com um fato de um escravo que durante o MNF disse que assim como a Alemanha éra o país da síntese, e a França o país da quintessência, este escravo se considerava o lado alemão e a MSS o lado francês.
No final do dia o SDP chamou ao sr. João e disse que aquele escravo (Atila) tinha entrado por uma via que dentro de pouco daria em briga direta com MSS e que portanto ele daria um trabalho bem difícil para ele fazer e assim deixar de pensar na comparação com MSS, e que ele perguntava se o sr. João estava disposto a viajar com o Atila a Europa para consultar os teologos que fosse preciso para concluir o trabalho, MSS disse que este trabalho servia para prolongar a existencia do Atila. O sr. João evidentemente disse que sim e a pessoa está até hoje metida nestes trabalhos que creio que o senhor já sabe o que é, mas nos últimos MNFs que ela participou era pura comparação para mostrar que ela sabia de coisas que MSS não sabia.
Também contou que quando saiu o artigo de MSS na folha sobre a SE que o Atila ficou várias horas discutindo com MSS para provar que era ele quem deveria fazer o artigo e não o SDP.
Na famosa “reunião dos dois Patrícios”, de 18/7/97, Roberto Kallás foi criticado por proteger a uma pessoa que não considera santo a JC: Pascoal Grecco.
De Ramón León foi dito que é muito mega, ditador, Dr. Plinio não o queria como autoridade de nada no Grupo e por duas vezes desaconselhou Dr. Luiz levá-lo como encarregado de disciplina de Jasna Gora.
É inegável que nas suas reuniões, JC costuma falar mal de pessoas que saíram do Grupo e de pessoas que estão no Grupo. Uma amostra na “Conversa na Saúde”, 27/12/94. Observe-se o corte e a última frase:
[Dr. Plinio] arrancou almas das mãos do demônio, isto em quantidade. Eu conheço cada caso de arrepiar.
(Ah?)
São coisas de vida interna. Se fosse para contar de gente que se foi, mas gente que está aqui, isto... Em tese, em tese houve um que pintou, bordou, fez de tudo, entende?
.../...
... grave para o expediente depois ouvir etc.
A respeito de sua primeira época no Grupo, JC conta o seguinte:
(...) o Mutuca numa noite começa a fazer umas brincadeiras. Eu me lembrava que depois eu ia aparecer no dia seguinte na hora do expediente com o Sr. Dr. Plinio e que ele ia ver as brincadeiras que eu tinha feito no dia anterior. Então eu me segurei.
Segurando-me, o Mutuca ficou inseguro e me cutucou mais ainda. Cutucando-me mais ainda, eu me fechei muito mais, porque eu sou reativo. Fechei-me muito mais e ele continuou. Aí os outros vendo que ele estava por cima de mim e me provocando a mais não poder, começaram a me provocar e todos se voltaram contra mim. Aí o sangue espanhol fez sentido, eu levantei, dei um berro para todo o mundo:
-- Chega de tanta perseguição aqui!
Sentei-me na cadeira e me segurei: "Se eu sair daqui não entro mais". Aí ele ficou todo preocupado. Levou-me no carro e começou, ao meu lado no carro, a passar a mão pelo ombro assim, começou a querer me convencer. Depois falando mal deste e daquele da Martim, e eu ainda me fechando ainda muito mais: "Imagine se eu vou pensar mal de alguém da Martim e o Sr. Dr. Plinio amanhã olha para mim e vê que eu pensei mal!".
(Cfr. reunião na Saúde, 18/6/96)
Trechos de grafonema de JC ao Sr. Fernando Antunez, 25/11/96:
- O processo utilizado pelo Sr. Mário [Navarro] para solapar a legítima autoridade constituída pelo SDP, [constou de duas etapas]: primeiramente foi levantando suspeitas, suscitando desconfianças, minando nas almas o respeito pelo superior legítimo. (...) Estando assim o terreno preparado, [a segunda etapa consistiu em procurar] um pretexto para o iniciar o incêndio.
- A fim de lhe tornar mais conhecedor das minúcias da doutrina católica, cito-lhe documentos logo a seguir, que retratam o que consta geralmente nos tratados de Moral:
A detração é a lesão injusta à fama do próximo ausente.
(...) A detração é pecado mortal ‘ex genere suo’ (...)
Para conhecer esta gravidade, é mister considerar a condição da pessoa aviltada, quem a difama, perante quem a difama. (...) (Pe. Teodoro da Torre del Greco, OMF, cap. “Teologia moral’, Paulinas, São Paulo, 1959, pp.396-398)
- (...) Apliquemos tais palavras ao caso concreto: a pessoa aviltada nos Estados Unidos é nada mais nada menos do que uma das autoridades constituídas pelo próprio Fundador; quem a difama, o Sr. Mário, é pessoa das mais altamente colocadas no Grupo, tida como dos mais fiéis ao Fundador entre os veteranos, e tida também como amigo íntimo da vítima; a difamação é feita diante de um grupo, cujos membros são subordinados à vítima ou até, em certo número, são dirigidos espirituais dessa mesma vítima.
"Jour-le-jour" 17/11/96, parte I, JC lê e comenta um EVP do ano 1974:
De maneira que ver Deus em tudo, pelo menos na nossa escola, é ver o maravilhoso em tudo.
Por isso é que é péssimo entre nós a futricagem, a politicagem, o estar um comentando os defeitos dos outros e não sei mais quanto, etc. Porque é ir contra o princípio monárquico, é ir contra a escola de vida espiritual do Sr. Dr. Plinio, é ir contra ao amor de Deus. Porque o importante é olharmo-nos uns aos outros em função desse maravilhoso.
*
"Jour-le-jour" 16/3/97, parte II:
Eu me lembro que estava na Espanha, era a época do movimento monárquico aqui em São Paulo, antes do plebiscito, portanto, devia ser janeiro de 93, estava na Espanha conversando com [Dr. Plinio] e disse:-- Acabei de ver uma coisa em Santo Afonso que é muito curiosa. É que São Tomás de Aquino defende a tese que no dia do Juízo nós seremos julgados, todos, em função de nossas faltas, e mesmo os bem-aventurados, ou seja, os que estiverem com corpos gloriosos, vão ter suas faltas conhecidas por todos. Argumenta São Tomás de Aquino que Santo Agostinho tem suas faltas publicadas em livro por ele mesmo no livro das Confissões, Santa Maria Madalena é conhecida por toda a Igreja como pecadora que se arrependeu e readquiriu a virgindade, o Rei Davi a Escritura o mostra como um pecador que se converteu, o pecado de São Pedro está patente aos olhos de todo o mundo, e nada disso diminui a glória deles. Logo, no dia do Juízo os bem-aventurados terão suas faltas todas reveladas ao público, reveladas ao mundo inteiro, sem que isto diminua em nada a glória da santidade deles, e todos conhecerão tudo a respeito de todos.Santo Afonso, doutor da Igreja, defende uma tese diferente. Ele diz o seguinte: "Será do conhecimento público e todos conhecerão os pecados dos condenados, não dos bem-aventurados. Porque para humilhação maior dos que pecaram, dos condenados, é importante que os bem-aventurados não revelem suas faltas. E Deus não revelará as faltas dos bem-aventurados para castigo dos maus e ainda glorificação maior dos bem-aventurados".São dois doutores que defendem teses opostas, e que dois doutores: Santo Tomás e Santo Afonso.O Sr. Dr. Plinio dizia:
Que curioso isso. Pois olhe, isso me resolve um caso. Eu tinha um caso de consciência que era o seguinte: se eu deveria ou não revelar um determinado problema a respeito de uma determinada pessoa. Eu achava que deveria para formação do Grupo e para o Grupo compreender uma determinada situação, mas agora que você me diz isso de Santo Afonso eu estou vendo que não devo revelar.
Eu acho que é muito mais luciliana e é muito mais pliniana a tese de Santo Afonso do que a tese de Santo Tomás, se bem que Santo Tomás tenha um peso extraordinário. Mas, enfim, é mais pliniana a tese de Santo Afonso.
*
Na apostila usada por JC nos retiros, item “A admiração e o vício da inveja”, pág. 29, encontramos a seguinte citação da obra do Padre Afonso Rodríguez “Exercícios de perfeição e virtudes cristãs”:
Admirar e dizer bem de todos é coisa que edifica muito, e a razão por que edifica é porque é sinal de que há muito amor e muita união. Pelo contrário, qualquer palavrinha que direta ou indiretamente pode escurecer ou deslustrar a outrem, o menor indício que disto se achasse em nós, seria coisa de muita desedificação, porque logo entendem que há alguma emulação ou inveja; e assim qualquer coisa que tenha esse ressaibo, há de estar muito longe de nós. Ainda que vosso irmão tenha algumas faltas, também terá alguma coisa de bom. (...) imitai a abelha que escolhe a flor e deixa os espinhos que a rodeiam; e não sejais como o escaravelho que logo vai ao imundo.
Embaixo desse trecho, JC diz:
Assim, consagrarei o presente exercício à consideração de outros aspectos dessa fundamental qualidade de alma, que nosso Pai e Fundador coloca como “conditio sine qua non” para sermos seus verdadeiros filhos.
"Jour-le-jour" 21/9/97 - JC lê e comenta uma reunião na qual Dr. Plinio discorre sobre o espírito de Cavalaria e o espírito de “tabelião” na TFP. À las tantas houve o seguinte diálogo entre JC e um de seus adeptos:
(Aparte: Podia contar alguns fatinhos a respeito desse ponto?)
Nós somos da mesma geração praticamente e contando os fatinhos eu vou mais ou menos como que regar uma planta que está viçosa e cheia de minerais. Por exemplo, na vida interna a gente precisa tomar cuidado para não tornar a fama de alguém com alguma mancha. Não convém isto porque de repente eu conto o fato, alguém sabe quem é o personagem e lá se vai.
Gfn confidencial para o Sr. Célio CasaleRem. Dominguez - 29/7
Walmir Bertoletti
Célio Casale
Filipe R. Dantas
José A. Dominguez
São Bento, 13 de julho de 1996
Caríssimo Sr. João Clá:
Salve Maria!
(...) Dada a nossa vocação e a importância primordial do nosso relacionamento pessoal com o Fundador, tudo o que toca nesse cordão de ouro toma carácter de muita gravidade e, por outro lado, é extremamente sensível. Uma manifestação de desagrado do Sr. Dr. Plinio em relação a qualquer um de seus filhos, não pode ser vista como algo superficial, mesmo que o motivo seja aparentemente insignificante. Não é comparável a um "pito" passado por um pai ou por alguma outra autoridade, que no instante seguinte já pode estar esquecido por ambos e não tem maiores conseqüências. Em relação ao Fundador, a menor poeira que arranhe esse cordão de ligação com ele pode provocar danos irreparáveis para a vocação: desconfiança em relação ao Fundador, afastamento dele, ressentimentos, etc. Por isso mesmo o Quidam de S. Bento tinha, e tem, tanto cuidado em transmitir comentários do Sr. Dr. Plinio sobre as pessoas, sobretudo em se tratando do próprio interessado.
Reunião na Saúde, 17/12/96:
Apesar de ser oitavo e na ordem, portanto, ser inferior ao sétimo, o oitavo mandamento é mais grave do que o sétimo. O roubar a honra de alguém, ainda que seja por difamação...
Ou seja, vamos supor que uma pessoa cometeu de fato alguma falta. Eu divulgar a falta que ele cometeu --portanto, ele cometeu um pecado, cometeu algo que não devia-- é tirar a fama dele. O tirar a fama difamando ou então tirando a fama caluniando, ou seja, inventando algo que o outro não fez, tanto a difamação, quanto a calúnia, ou seja, qualquer pecado contra a honra, contra a fama do outro exige a restituição. Ainda que seja em detrimento da própria honra.
Assim como também é preciso restituir ao outro o que foi roubado, ainda que seja em detrimento da própria fortuna.
Amunátegui, um dos que presidiram as reuniões especificamente voltadas a injuriar e denegrir as Autoridades da TFP, conhecidas como dos “dois Patrícios”, afirma o seguinte:
Como ensina a Moral católica, aquele que desencadeia uma onda de acusações caluniosas ou difamatórias contra alguém, tem a obrigação de fazer parar a sua divulgação (...).
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.150).
Carta dos Padres Olavo, Gervásio e Antônio ao Pe. David, 9/4/97, p.15:
Gostaríamos ainda de ponderar que, caso nosso Pai e Fundador tivesse feito comentários reservados a alguém a respeito de terceiros, o confidente ficaria moralmente obrigado a guardá-los com todo o cuidado. Dá-los a público constituiria falta grave, além de ser uma traição à confiança depositada no ouvinte pelo SDP. Além do mais, se os que teriam ouvido confidências desse tipo começassem a divulgá-las, seja ou não seja sob o véu do ‘sigilo comisso’, nada na TFP ficará de pé: será o fim de toda benquerença, de toda confiança mútua, de todo amor fraterno, quer dizer, será a destruição mais trágica e completa da Obra de nosso Pai e Fundador.
Nessa mesma carta, os sacerdotes joanistas escreveram, à maneira de cabeçalho, “muito confidencial”, e ao mesmo tempo entregaram-na para pessoas que lhe deram a mais ampla divulgação. Só a família de um cooperador recebeu 3 cópias de diferentes pessoas. E antes mesmo que ela chegasse às mãos do Pe. David, já estava circulando por todos os lados. Uma correspondente da facção sediciosa revelou que já havia distribuído 24 exemplares, enquanto outra disse ter enviado uns 25. (Cfr. carta do Sr. Ghioto ao Pe. David, 24/5/97, p.1).
Quando o Pe. Olavo tomou conhecimento de que, certo texto confidencial que lhe diz respeito estava sendo divulgado em alguns ambientes, afirmou que aquilo “só tem paralelo na Buscha e em gangs”; que quem recorre a esses meios “não só não tem idoneidade moral para cerrar fileiras como filho do SDP, mas nem sequer sentimentos de honestidade natural”, e enquanto tal merece ser expulso da TFP (Cfr. telefonema que o Pe. Olavo deixou gravado na secretária eletrônica de Dr. Plinio Xavier, em 15/5/97)
Storni, em grafonema dirigido ao Dr. Mário Navarro (10/12/96, p.6), faz um apanhado do que ensina S.Tomás de Aquino a respeito do “sussurro”:
La susurración es un pecado. Se entiende por tal la injusticia del que siembra cizaña entre los amigos com el fin de disolver la amistad. Es el pecado del que cuenta chismes y susurra habladurias al oído de un amigo para enfriar o disolver su amistad con outro o de unas famílias con otras (II,II, 74). Es un pecado de suyo grave contra la caridad, y muchas veces también contra la justicia, sobretodo si se vale de la detracción como procedimiento para conseguir sus perversos fines.
Santo Tomás advierte que la susurración es mayor pecado que la detracción y que la contumela, porque la amistad es mejor que el mismo honor, y vale más ser amado que ser honrado (II,II,74,2). El pecado será tanto mayor cuanto más íntima y más necesaria sea la amistad que se trata de enfriar o disolver y cuanto peores sean los daños que puedan ocasionarse. Es pecado muy grave sembrar la discordia entre los cónyuges, entre padres e hijos, y gravísimo entre los defensores de la fé católica y sus neófitos y convertidos.
S. Francisco de Sales, “Oeuvres”, t. 26, Opusculos V, “Sixième série – ascétisme et mystique”, VI – de la charité dans les jugements, pp.94 ss.
Je vous asseure qu’il n’y a signe plus assuré d’une ame vicieuse que l’inclination a mal penser et a mal parler de son prochain.
Si tost qu’on vist le pourtrait d’Antigone, qu’Apelles avoit tiré obliquement et de sorte que l’incommodité de son oeil perdu estoit couvert par un trait de pinceau, il fut importuné de tout le monde qui luy demandoit pourquoy il ne l’avoit pas peint comme il estoit: Ou est l’autre oeil? Luy disoit on. Mais vous, mes amis, repartit il, ou est le vostre? Qu’ay je affaire de produire un defaut en ma peinture, si je le puis couvrir sans offenser personne? (...)
Quelle injustice de demander d’estre absous de toutes les fautes que l’on fait, et vouloir condamner les plus petites des autres! (...) Qui ne regardera pas son prochain saintement, charitablement et avec pitié, ou avec le respect qu’il luy doit comme chrestien, par ce commencement is gastera toutes les parties de son ame: de la il deviendra superbe, insolent, envieux, barbare, et ne retiendra plus aucun trait de l’image de Dieu. (...)
S’il nous semble que nous sommes meilleurs que ceux desquelz nous parlons, il y a asses de tems pour leur ceder la place, ils rempliront peut estre nostre siege dans les Cieux; ilz se releveront de nostre chute, et nous enseveliront sous leurs vieilles ruines, car Dieu est puissant pour leur donner la main quand ils sont tombés. (...) Regardons les differences qui se sont trouvees entre saint Pierre et Salomon: l’un fut meschant, l’autre le plus sage de son tems; le mauvais se fit sage, et le sage devint insensé. Judas eut des commencements de sainteté plus accomplis que ceux qu’on se pourroit figurer en la personne qu’aujourd’huy nous estimons la plus parfaite; saint Paul eut de pires et fut plus cruel persecuteur de l’Eglise de Jesus Christ que le plus eschauffé tyran de ce siecle ne l’est a nos pauvres freres qui sont parmy les infideles: celuy qui estoit Apostre et l’un des plus cheris de Dieu, se rendit le plus malheureux du monde; et celuy qui ne valoit rien devint le meilleur et le plus ardent defenseur de l’Evangile.