O
Anticristo já veio?
Capítulo 6 - Mentira, restrição mental e “bluffs” 1
I. No que diz respeito a Dr. Plinio 2
A. Dava ordens em nome do SDP, a não sabendas do SDP ou contrariando a vontade do SDP 2
B. Digam que está no “Hannover General Hospital” 2
D. Só tomei conhecimento do “manifesto da glorificação” no dia em que foi publicado 4
II. No que diz respeito a Dona Lucilia: nunca disse que é santa 6
III. No que diz respeito ao relacionamento entre Dr. Plinio e Dona Lucilia 6
IV. No que diz respeito à Missa 8
V. No que diz respeito ao governo da TFP 9
A. Os Provectos não estavam dispostos a compartilhar o poder com JC; ambicionam governar o Grupo 9
B. Não desejamos de forma alguma tomar conta do poder 10
VI. No que diz respeito ao crescimento interno (qualitativo e quantitativo) da TFP 11
VII. No que diz respeito ao crescimento externo da TFP - as apresentações de Fátima 17
VIII. No que diz respeito à coesão da TFP 20
IX. No que diz respeito à “legitimização” da ruptura 21
X. No que diz respeito ao “apostolado” feminino 22
XI. No que diz respeito ao motim de Jasna Gora 25
A. “Je suis troublé!” , somos inteiramente alheios a esse caso 25
B. Ramón León corria perigo de vida em Jasna Gora ... 26
XII. No que diz respeito a “calúnias” de que estaria sendo alvo e ao culto tributado a ele 26
XIII. No que diz respeito à imagem que de si próprio projeta 29
A. Mestre em MNF, filosofia e teologia 29
1. Definição de inocência e de conhecimento por conaturalidade 29
2. Participação física, participação formal, Deus tem forma, imagem, semelhança 30
5. Diferenciação entre os diversos tipos de graça 33
6. Ato puro, todos os seres criados estão em estado de potência 34
8. “O homem não pode superar a mulher no que diz respeito à maternidade” ... 35
9. o que achar a respeito de quem banca de mestre e não o é 36
B. Homem providencial dotado de “discernimento dos espíritos” 36
C. Todas as vezes que Dr. Plinio me apertou, fiquei entusiasmado 37
D. Todos os que queiram estão convidados a assistirem às minhas reuniões 38
B. A residência de Antônio Cândido Lara Duca e de Roberto Kallás não é sede da TFP? 41
C. O Sr. Alejandro Bravo não tem nada a ver com a TFP argentina 42
D. A autorização para celebrar uma missa na igreja da Consolação a nome do Cônego 42
E. As comemorações pelo aniversário de JC 42
F. Duas posições dos amotinados do ENSDP perante essa sede 43
XV. “Surpreende-me ver como a verdade é manipulada” 43
XVI. O artificio da mentira é bem o que os joanistas tem 44
XVII. Ainda que fosse para o bem da Causa, não podemos mentir 45
***
Quando se tratou da fundação da camáldula no Grupo dos Estados Unidos, JC escolheu sete camaldulenses de Jasna Gora para mandar para lá.
Ao Sr. Francisco Machado foi dito que tinha sido escolhido pelo Sr. Dr. Plinio. Mas quando ele foi se despedir do SDP, o SDP “não só manifestou surpresa, como reafirmou seu desejo de que gostaria que permanecesse em Jasna Gora”.
(Cfr. relatório do Sr. Francisco Machado, 9/6/98)
*
Depoimento do Sr. Paulo Henrique Chaves, abril de 1998:
Em 83, quando cheguei da Europa, ao dia seguinte JC me chamou a Jasna Gora para ir a um capítulo, assisti e logo me capitulou, "fique na camáldula até segunda ordem". Fiquei lá 4 meses. Mas no dia seguinte enviei um grafonema ao SDP: "queria agradecer o fato de o senhor ter pedido para me capitular". Aí Dr. Plinio me responde: "olha, eu não tenho nada a ver com isso; se você tiver que agradecer, agradeça ao JC; isso foi feito por conta dele". Eu tenho esse despachinho.
*
Depoimento do Sr. Abel Campos, outrora encarregado e disciplina da camáldula de Jasna Gora, abril de 1998:
Mais ou menos em 84 JC chegou na camáldula e disse: "O SDP está querendo uma caravana rotativa de camaldulenses", na época em que a camáldula era estrita. No dia seguinte Dr. Luiz me procurou dizendo que Dr. Plinio mandou dizer que não é verdade que está querendo essa caravana.
Na “conversa com o Sr. João Clá, Confidencial, 3/9/95 – Domingo”, enquanto o prócer dava o jornal-falado do estado de saúde de Dr. Plinio, a las tantas, por descuido, revelou o nome do hospital no qual o SDP agonizava. Ao perceber o erro em que incorrera --pois evidentemente não convinha que Dr. Plinio começasse a ser visitado por todo mundo--, aconselhou pura e simplesmente os ouvintes a mentirem:
Infelizmente, sou obrigado a acrescentar que o hospitalzinho de Hannover é dez vezes superior ao nosso grande Osvaldo Cruz. É mesmo. Em matéria de serviço, em matéria de eficácia, em matéria de atenção. É tudo. Não tem nem comparação.
(Aparte: O Hopkins, então é Céu empíreo.)
Hopkins é Céu Empíreo em matéria de hospital. Vinte e quatro quarteirões. Uma cidade de vinte e quatro quarteirões. O Sr. precisa um mapa para andar lá por dentro. Uma cidade. "John Hopkins".
Escute: Tira o nome do Osvaldo Cruz, completamente. E os Srs. não ouviram que está no Osvaldo Cruz. Ninguém sabe, ninguém ouviu. Digam que está no "Hannover General Hospital"
"Jour-le-jour" 24/9/95 (quase 15 dias antes do passamento de Sr. Plinio):
Alguns levam na alma, por um sopro do Espírito Santo, uma forte convicção de que não acontecerá nada. Que Nossa Senhora os conserve assim e que, sobretudo, isto de fato assim aconteça. É o que nós queremos.
Alguns outros --e eu vejo que é a maioria, contrariamente ao que foi outrora--, vendo a situação, as cenas, o que nós vimos ontem, por exemplo, na hora da comunhão, ou vendo outras cenas e sabendo do boletim médico como ele é, bem complicado, ficam com a impressão de que nós nos devemos preparar para o que há de pior. (...)
Eu julgo inteiramente inoportuno, julgo inteiramente fora do espírito do Senhor Doutor Plinio, julgo até um pecado que os que estão convictos que o Senhor Doutor Plinio não morra, que condenem o estilo de reunião que eu faça. Porque eu sou obrigado a pôr os Srs. diante do panorama como ele se apresenta. (...) Porque eu em nenhum momento aqui fiz uma crítica àqueles que têm essa convicção interior, até pelo contrário, eu procuro alimentá-la.
(...)
(P. Morazzani, pai: Apenas queria dizer o seguinte: que o senhor não fez críticas contra ninguém...)
Não.
Mas na prática JC desatou uma verdadeira caçada contra todo aquele que não manifestasse alegria antes, durante e depois do falecimento de Dr. Plinio.
*
Dois dias depois, ameaça soltar “um tonel em cima da cabeça” de quem levantar uma objeção à sua posição - "Jour-le-jour" 26/9/95:
Eu sigo a escola de nosso Pai e Fundador, e nosso Pai e Fundador sempre nos disse: "Nós devemos estar sempre preparados para a hipótese pior. Porque acontecendo o pior já estou preparado."- Ah, então o senhor deseja a hipótese pior?
Não sou cão, cretino ou demônio. [Exclamações.] O que eu desejo é o que há de melhor.
- Mas o que há de melhor?
Eu não sou homem para determinar o que há de melhor para a Divina Providência. A Divina Providência sabe o que Ela deve determinar. O que a Divina Providência fizer será o melhor. (...)
- Ah, mas então o senhor acha que se acontecer tal coisa...Eu acho que se acontecer tal coisa querida pela Providência, será o melhor. E me desculpe poder adorar a Divina Providência, mas não adorar o senhor. Desculpe. Porque se eu adorar o senhor, o que vai acontecer é que eu cometo um pecado de idolatria, e eu tenho que adorar a Divina Providência e não ao senhor. Desculpe-me submeter-me à Divina Providência e não ao senhor. Porque se o senhor vai contra a Divina Providência, tenho eu que seguir a Divina Providência e não ao senhor. (...)
Eu estou disposto a tudo. Se alguém levantar para fazer uma objeção aí eu solto um tonel em cima da cabeça...
*
Fax urgente de JC para o Sr. Mário Navarro
Eremo de S. Bento, 31/8/96
Carissimo Sr. Mário
Salve Maria
Volto à carga com este novo fax.
Eis um parágrafo de um grafonema do Tomé para o Sr. Guy: “nós aqui, como o Sr. viu, procuramos tapear a sensação de vazio, instalada depois do dolorido 3 de outubro, com múltiplas e crescentes atividades. Mas, com o tempo, até a tapeação não ‘cola’ convenientemente. Quanto a mim, a dor causada pelo vazio, quero senti-la por inteiro: creio que o pior seria a satisfação risonha com os sucessos e os progressos atuais. Nada pode substituir em nosso coração a Perda. Nenhuma alegria compensa aquela imensa tristeza. Não acha?”
O Sr. vê por onde vão as inspirações ‘complicadas’...
O pior é o seguinte (...)
JC está se referindo aos “complicados”, isto é, aos participantes das reuniões de Sábado à Noite. A frase “o pior é o seguinte” indica que o estado de espírito descrito no parágrafo anterior é tido por JC com censurável.
Reunião para CCEE, 1/5/96:
Eu posso dizer porque não tive parte nenhuma nesse manifesto, eu apenas o recebi no dia em que ele foi levado para o jornal e foi lido aqui. Eu tomei conhecimento junto com o nosso público aqui presente na reunião. Ele foi publicado numa quarta-feira e nós fazíamos uma reunião numa terça-feira de manhã. Foi lido aqui na reunião da terça-feira de manhã antes da publicação no dia seguinte e daqui saiu para o jornal. Foi aí que eu tomei conhecimento pela primeira, portanto, eu posso dizer isso.
Na realidade, pelo menos um mês antes de aparecer esse documento na “Folha de São Paulo”, JC já tinha pleno conhecimento; mais ainda: foi ele quem mandou redigi-lo, indicou o esquema e deu os primeiros passos para sua publicação - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:
Quando a notícia [da hospitalização do SDP] se deu, eu disse: “precisamos preparar a questão dos bens todos para não cair nas mãos de Da. Maria Alice”. O Sr. é testemunha. E disse para muitos outros. Depois, eu disse para o encarregado de imprensa: “Precisamos preparar uma página, duas páginas de jornal para que na hora "H"...”
(...)
(Raúl de Corral: Estas duas páginas que o Sr. tinha mandado sugerir, era na linha do quê?)
É normal que, se acontece essa desgraça que nós não queremos --vamos pedir, vamos até oferecer a vida para que não aconteça-- se acontecer esta desgraça, os jornais vão mafiar: "Morreu o guru", não sei mais o que, etc., e nós precisamos fazer frente e publicar uma página, publicar duas páginas, dizendo quem ele é.
Eu falei com um dos encarregados de imprensa.
- Oh, está ótimo. Pode tocar.
Alguns dias depois ele me procurou:
- Estive falando com Fulano. Antes de tudo quero ressalvar minha fé. Tenho fé de que ele não vai morrer. De maneira que eu queria que parasse com isto. Por outro lado é muito gauche publicar qualquer coisa.
- Está muito bom, Sr. Fulano, não tem dúvida.
Nós temos que obedecer cada setor. O Sr. é encarregado desse setor, está ótimo. O Sr. é responsável. Eu não vou fazer briga nem vou forçar.
Nós tocamos adiante. Sr. Dominguez e Sr. Messias tocaram adiante e a coisa está mais ou menos pronta. Eu sou obrigado a responder por aquilo que me diz respeito: Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, Itália, mesmo França eu tenho certeza, etc. Todos esses publicam. Se aqui não publicarem, o problema é de outros. O que eu posso fazer?
A maioria --por não dizer todos-- dos membros do Grupo pode testemunhar que “n” vezes JC afirmou que Dona Lucilia é santa. Entretanto, na conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 17/3/96, ele diz nunca ter sustentado isso:
(Enrietti: (...) a gente percebe que mesmo em relação à própria Sra. Da. Lucilia o senhor está com muito mais liberdade. Porque quando o Sr. Dr. Plinio estava em vida o culto podia ser mafiado como se fosse uma coisa que ele estivesse promovendo para promover a si mesmo. Agora com ele no Céu e com a Sra. Da. Lucilia também no Céu, o senhor pode falar muito mais abertamente.)
E sobretudo depois do prefácio do Pe. Royo. Se o senhor não acha, vá falar com ele. Ele afirmou muito mais do que nós: ele disse que ela é santa e eu nunca disse que ela é santa. Depois mais: santa comparável às grandes santas, como Santa Teresa. É impressionante.
Na reunião para a Saúde, 3/6/97, JC afirma que Dr. Plinio não prestava muita atenção na santidade de Dona Lucilia, e reciprocamente; e que, em consequencia, se tratavam com muita naturalidade:
Ele tinha a mãe santa. E a mãe tinha um filho santo. Entretanto, ele não prestava muita atenção nos aspectos de santidade da mãe, nem a mãe prestava muita atenção nos aspectos de santidade do filho, para evitar, um e outro, que se apegassem.
Então, eles se tratavam com muita naturalidade, com uma enorme benquerença; mas o aspecto santidade, eles procuravam não fixar, porque sabiam que fixando, de repente pudesse dar um apego. Então, ela não fixava nos aspectos dele, e vice-versa. Ela não dizia nada para ele; ele não dizia nada para ela.
Onze dias depois, no telefonema para a Saúde do 14/6/97, JC sustenta que cada um via no outro, perfeitamente e com muita clareza, a santidade: Deus na alma dele contemplava a Deus na alma dela, e Deus na alma dela contemplava a Deus na alma dele. E que seu relacionamento era indescritível, místico:
Ela evidentemente por um discernimento dos espíritos, por uma graça especial que a Providência deu a ela, por uma missão de mãe que tinha junto a ele, ela percebia muito claramente nele toda a santidade dele. Ela não percebia a missão, não percebia a ação dele junto ao Grupo, isso não estava claro para ela, mas o resto ela percebia perfeitamente bem e com toda a clareza.
Ele, por sua vez, tendo o discernimento dos espíritos, também percebia toda a santidade dela. Eram dois santos que se viam muitíssimo claramente e, vendo-se claramente, se estimavam profundamente.
Ele como que se via no fundo da alma dela, e ela via-se também no fundo da alma dele. Então o relacionamento entre eles era um relacionamento indescritível.
Nós precisamos levar em consideração de que os fenômenos místicos, os fenômenos sobrenaturais que ultrapassam, portanto, a nossa pequena natureza, a nossa natureza apoucada perto de todo o grande vulto do mundo sobrenatural, do mundo que toca em Deus, quando se estabelecem as relações com Deus nós ficamos pequenininhos, pequenininhos. É mais ou menos como uma formiga perto de um Himalaia, entende?
Mas essa comparação ainda é nada. A formiga tem proporção com o Himalaia, porque a formiga tem um tamanho e o Himalaia tem outro. Acontece que se se comparar uma formiga não com o Himalaia, mas com Deus que é infinito, aí a formiga some.
Nós também sumimos no mundo sobrenatural, porque é tão, tão infinitamente maior do que nós, que nós sumimos.
Como é que a gente vai pôr em termos concretos o relacionamento sobrenatural, o relacionamento divino com D minúsculo? Enfim, são duas almas inocentes, são duas almas santas, são duas almas que estão inteiramente unidas a Deus, são duas almas que são espelhos de Deus, são duas almas que refletem aspectos diferentes e ao mesmo tempo idênticos de Deus. Então é um espelho olhando para outro espelho e vendo cada um no outro o próprio Deus que está dentro da sua alma, mas sob coloridos, sob aspectos, sob prismas completamente diferentes.
É Deus amando-se a si mesmo na alma dele contemplando a Deus que está na alma dela, e é Deus que está na alma dela contemplando-se a Si mesmo que está na alma dele. Então é um profundo amor de Deus, do próprio Deus ao próprio Deus, dentro da alma de dois santos.
Como dizer isso em palavras? É impossível, a palavra humana não atinge essas alturas, não chega até lá.
Os senhores ouviram um Santo do Dia que trata de um fenômeno místico tão profundo, que não existe no vocabulário humano palavras para poder explicar.
*
Dois meses depois, no "jour-le-jour" 15/8/97, é divulgado um trecho de um Chá para os eremos, do ano 1979, onde consta que Dr. Plinio “não fixava a atenção no lado extraordinário” de Dona Lucilia:
Ela me parecia uma pessoa excelente, sempre, continuamente excelente, mas no comum da vida.Havia certos lampejos, em certos momentos, em que eu percebia o lado extraordinário dela e perguntava-me quem era ela. Nunca perguntei a ela --nem era o meu papel conversar isso com ela, é o papel de vocês conversar isso comigo-- mas me parecia que ela [no decurso da vida] crescia enormemente [em virtude] e que aparecia por detrás dela uma outra pessoa, perto da qual a de uso diário se eclipsava.
E assim como eu não fixava muito a atenção no lado extraordinário dela, por ser minha mãe, também a fortiori comigo.
Numa reunião com os Provectos, realizada no 29/2/96, JC disse não compreender por que razão se criticava a celebração de Missas Novas por ocasião do 30 dia do falecimento do SDP na Espanha e Portugal, uma vez que também no Chile e na Bolívia haviam sido celebradas.
Porém, mais tarde, o próprio JC pediu desmentidos aos responsáveis dos Grupos do Chile e da Bolívia, e estes atestaram que não se celebraram tais Missas.
Então JC censurou os Provectos por terem dado crédito a informações improcedentes a respeito do Chile e da Bolívia ... (Cfr. Relatório do Sr. Ureta, p.11; fax do Sr, Juan Antônio Montes para JC, de 22/3/96; grafonema de Francisco del Campo para JC, de 22/3/96).
*
No memorandum que os Provectos enviaram a JC em março de 1996, é afirmado que “foram feitas reformas no altar da capela da sede de Toledo, de modo a que se pudesse deslocá-lo para a celebração da Missa “versus populum”.
Para driblar “à la JC” o assunto, o encarregado local desse Grupo disse: “nosso intuito não foi o de assistirmos à Missa Nova todos os dias como o Relatório dos Provectos nos acusa”; “é um equívoco muito grande da parte deles a idéia de que o Vigário Geral viria celebrar Missa Nova todos os dias em nossa capela em Toledo”.
Mas os Provectos não disseram nem insinuaram que tal iniciativa tinha como intuito assistir à Missa Nova todos os dias. (Cfr. Relat. Ureta p.20).
*
O Sr. Rugeles, tentando dar uma explicação ao Sr. Rivoir sobre a celebração de Missas Novas, pelo Pe. Suárez, na capela da Sede do Reino de Maria, afirmou ter consultado ao Dr. Borelli.
Mas Dr. Borelli esclarece: “o Sr. Rugeles me informou que o Pe. Suárez celebrava missa segundo um dos cânones ortodoxos de Paulo VI. Transformar essa informação em consulta é realmente passar de uma situação a outra muito diferente” (Cfr. carta do Sr. Rivoir a Dr. EB, 30/3/97; carta de Dr. Borelli ao Sr. Rivoir, de maio de 97; citadas no Relat. Ureta pp.25,26).
*
No período do 3/10/95 a 13/10/95, houve no São Bento um almoço no qual estavam presentes o Dr. Mário Navarro, JC, Pedro Paulo e Fernando Gonzalo. Os espanhóis, sem dar maiores explicações ao Dr. MN, nem esconder nada a ele, trataram com toda naturalidade da questão das Missas Novas em Toledo e da construção do altar “versus populo” na capela do Eremo dessa cidade. (Cfr. Relato do Dr. Mário Navarro, 6/7/97, pp.5,6)
Mas a respeito disso, Pedro Paulo Figueiredo, em grafonema para JC, de 22/3/96 (reproduzido em “Juizo Temerário” pp.118 ss.), afirma:
Tenho absoluta certeza de não ter tratado dessa questão com o Sr. em nenhum momento. Esperávamos poder explicar-lhe essa história por ocasião de uma visita sua a Toledo.
Aliás, Sr. João, quando o Sr. a fará? Lembre-se de que o Sr. ainda não conhece nada das reformas ali feitas. (...) O Sr. não pisa o Eremo desde janeiro de 93!
Em novembro de 1997, Ramón León sustentou que nossos Diretores:
estão tomados “pela ambição de dominar a qualquer preço e quanto antes a TFP” (Cfr. "Quia nominor provectus", p.15);
“querem impor uma unidade (...) com exclusão de uma ponderável parte do Grupo” (p.22);
“com o falecimento do Sr. Dr. Plinio, viram-se os membros da Martim, de repente, detentores exclusivos dos cargos estatutários (...). Porém, influência em nossa família de almas não tinham. (...) Como adquirir, pois, uma influência que não tinham? A forma mais simples e direta pareceu ser a de destruir a influência, a autoridade e a boa reputação das pessoas que os membros da Martim imaginavam poderem constituir obstáculo a seus planos de domínio absoluto (...)” (p.112,113).
Ora, acontece que, após da crise de março de 1996 (“affaire” Missa Nova), no 17 de abril desse ano houve um acordo, segundo o qual:
O relacionamento entre os Provectos e o Sr. João Clá seria o da cabeça com o coração. Um organismo não pode viver sem o coordenado funcionamento de ambos. (...) Assim, pois, aos Provectos caberia mais especificamente uma função de supervisão geral, e ao Sr. João o desenvolvimento do fervor e do “bom espírito”, também geral.
(...) a ação de orientação dos Provectos se exercerá nos casos em que o bom senso indicar que estão engajados os interesses maiores da Causa. Nessas circunstâncias, o Sr. João será também chamado a opinar e a decidir, em consenso com os Provectos. (...)
No final do documento JC colocou, do próprio punho:
Aceito “ut toto corde”. “Suma cum laude” para a redação deste texto harmonizador. Coloco os termos acima escritos, debaixo da especialíssima proteção de nosso Pai e Senhor, assim como da maternal assistência da Senhora Dona Lucilia, pois os acontecimentos estão a nos esperar para vivermos “como heróis a própria grandeza de MSS”.
No que me toca aos êrros que eu possa ter cometido, renovo de joelhos, meu pedido de perdão a todos e a cada um em particular!
Mas enquanto JC registrava no papel essas boas disposições, por debaixo do pano, em conversa com suas bases, caçoava a respeito desse tipo de acordos. Eis o que transparece na reunião do 6/8/96:
(Emílio Juncá: Eu acho que o pior ainda é a solução. Porque uma das soluções que está sendo aventada (...) é se reunir um colegiado para controlar tudo isso).
[Exclamações de horror].
Eu estou disposto a qualquer coisa, ahahah! Eu estou disposto, se for um colegiado que vá me controlar o tempo, então: “o senhor pode dar esse telefonema, aquele lá o senhor não pode”. Não tem problema nenhum. Desde que não me faça perder tempo em reunião de colegiado, porque aí ... [risos]. Eu podendo mandar o Sr. André ou o Sr. Inoue ou alguém na reunião do colegiado e trazer as normas concretas, eu sigo, eu não tenho problema nenhum. Eu estou disposto a qualquer coisa. Não me revolto com isso de jeito nenhum.
Proclamação feita no ANSA, no 25/11/97, por Andreas Meran, tentando justificar o processo judicial movido pelos joanistas contra a TFP:
Não desejamos de forma alguma tomar conta do governo da TFP brasileira. Queremos apenas tornar impossível que alguém use de meios injustos, como o da chantagem financeira e o da expulsão sumária, para impor uma mentalidade contrária à de nosso Pai e Fundador.
Mas precisamente nesse processo que abriram contra a Instituição, os joanistas pedem que se tome, com urgência:
Procedimentos para uma solução justa dos problemas surgidos, que devem consistir no seguinte:
1. Proceder-se à eleição da nova diretoria estatutária da sociedade civil TFP. (...)
E o próprio Andreas Meran, na sede do Rio de Janeiro, entre maio e setembro de 1996, nas conversas frequentemente afirmava ou dava a entender que “o governo do Grupo seria exercido de modo exclusivo pelo Sr. João Clá, sendo a única pessoa capaz para dirigir a TFP”. (Cfr. relatório do Sr. Paulo Emílio de Carvalho, 5/5/98).
As famosas “reuniões dos dois Patrícios”, realizadas no São Bento, em julho de 1997, vão na mesma linha: o governo da TFP compete única e indiscutivelmente a JC.
*
Grafonema-circular dos membros da Hipoteca, 23 de novembro de 1997:
Cremos que os membros da Martim, após a ida de nosso Fundador para a Eternidade, deveriam ter incentivado a TFP brasileira e as demais co-irmãs, a conhecerem e estudarem, zelosamente, as diretrizes e conselhos deixados por nosso Pai e Fundador, com a finalidade de preparar a escolha, por consenso, de uma ou mais pessoas que exercessem a liderança da família de almas das TFPs (1). Desconhecemos qualquer iniciativa nesse sentido e até hoje essa escolha não se realizou. (...) Assim sendo, instamos nossos irmãos de vocação a criarem condições para que esta escolha por consenso se verifique logo (...) Com isto, esperamos firmemente reverter o quadro atual (2)(...).
Comentários:
Os assinantes desse grafonema referem-se em concreto à escolha de JC.
Não esperam reverter, mas subverter o quadro atual.
Severiano de Oliveira, cacique da rebelião na DAFN, dirigindo-se ao Dr. Mário Navarro em 10/12/96 (os negritos não são nossos) diz:
Não tenho procuração do Sr João Clá para falar em nome dele, mas tenho certeza de que ele também está de acordo. Creio que o senhor pode ficar inteiramente tranquilo a este respeito, pois é certo que ele rejeita com uma execração maior do que a sua a instituição de uma TFP feminina, a substituição do SDP e a usurpação da autoridade dos Provectos. Até mesmo não compreendo como o senhor gasta tanta grandiloquencia para afirmar uma coisa tão óbvia.
Para Pedro Morazani, a formação de uma tfp feminina, a substituição do SDP e a usurpação da autoridade legítima dos Provectos, são acusações que não “correspondem à realidade, nada disso se verificou na prática”, quem informou isso, não procedeu “com honestidade nem de bom espírito”. (Cfr. grafonema para o Dr. Mário Navarro, de 13/12/96).
Proclamação feita no ANSA, em 10/12/95, primeira cerimônia das comemorações pelo aniversário de nascimento do SDP:
Ah! Senhor, por toda a parte floresce, mais do que antes, a obra da Contra-Revolução, graças a vossa constante e solícita proteção.
O apostolado impulsionado por um novo surto de graças se expande de forma admirável no mundo inteiro, deixando surpresos os apóstolos pelos rápidos progressos realizados nos últimos meses.
(...) A excelente receptividade que vosso último livro tem tido, fez com que fossem superadas logo nos primeiros dias de campanha as melhores expectativas de divulgação, a ponto de já se pensar em imprimir com toda a urgência uma nova edição. Até o momento já se escoaram em apenas 12 dias de campanha 2.087 exemplares.
*
"Jour-le-jour" 22/2/96:
(Kallás: O primeiro congresso [de neo-cooperadores] foi realizado há dois anos atrás, em fevereiro de 94. Vou dizendo só os números do Brasil evidente, porque no primeiro não veio nenhum cooperador ou candidato a cooperador dos países da América Latina. Estiveram 161 participantes, sendo que desses 39% não tinham recebido a capa. Do ano passado eu não tenho o número exato, mas mais de 100 cooperadores receberam a capa durante o ano passado. Apesar desse fato auspicioso, além disso nesse congresso agora realizado nessa semana estiveram presentes, também só do Brasil, 238 cooperadores, sendo que 61% dos participantes sem capa. Não sei se eu torno claro a comparação.)
A comparação dá praticamente o dobro do ano passado.
(Kallás: Agora, acresce a isso o seguinte: é que a Saúde fez um acampamento muito grande, segundo me consta com 90 pessoas, em Salesópolis. De maneira que todos os novos da Saúde estiveram presentes no acampamento e não aqui no Congresso).
(...)
(Ricardo Basso: [No acampamento de Salesópolis], estiveram entre apóstolos e apostolandos 92 pessoas).
Os senhores vêem como o Grupo está crescendo.
*
Proclamação 2/3/96, Sábado: Inúmeros são os feitos que, pelo mundo afora, vão realizando os filhos daquele Senhor inocente, sacral e guerreiro que do alto dos Céus nos protege e orienta a cada passo.Com efeito, de tal modo a Obra de nosso Pai e Fundador tem se expandido, que seriam necessárias várias noites para proclamar todas as repercussões acumuladas.
*
Conversa de JC eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:[Em Portugal] tem aparecido vocações novas de um quilate muito maior e de muito mais substância do que o apostolado que era feito anteriormente. Isso em todas as partes do mundo praticamente.
*
Reunião confidencial com os veteranos, 2/4/96:Há uma notícia que realmente mostra o que é o desenvolvimento da obra [do SDP] que é de arrepiar. É uma notícia que eu tenho comentado --acho que aqui não cometei não, comentei em outros ambientes-- e que vai na linha do apostolado.Tem aparecido almas novas de primeiríssima categoria em vários pontos do mundo. Depois em quantidade e com um fervor em relação ao Sr. Dr. Plinio e à Sra. Da. Lucilia que aqueles que os conheceram não têm. De maneira que a obra dele está de fato se expandindo e se aprofundando.
*
Segunda reunião do simpósio para CCEE, 1/6/96:Entretanto, ele [Dr. Plinio], por incrível que pareça, ausente fisicamente, continua presente como antes, dirigindo todas as coisas, todos os setores, todos os cantos, todos os recantos. E ainda mais: desenvolvendo, aumentando, fazendo progredir e fazendo com que tudo vá tomando conta de partes que a gente nunca imaginaria.Quem é que imaginaria que no oitavo mês do falecimento dele se teria um apartamento na Guatemala e outro no Japão? Não se imaginaria e, entretanto, está aí.(...) Eu acho que ele do Céu se sente muito feliz por ver que a obra dele continua em todos os cantos, sem fenecer em nada, até pelo contrário, se desenvolvendo.
*
"Jour-le-jour" 16/6/96 - JC lê e comenta uma Reunião de Recortes do ano 1972:
Os senhores tomem os eremitas, os ativistas de apostolado individual, ou eremitas itinerantes, ou apóstolos itinerantes, os membros comuns da TFP, todos, cada um debaixo de um ponto de vista manobrando esse grande conjunto, fazendo apostolado junto a esse grande conjunto que se chama Opinião Pública. Os senhores têm uma máquina completa da qual hoje ainda de cujo trabalho, hoje eu tive uma primícia que me encantou. Eu recebi o primeiro resumo das informações dadas pelos três Êremos Itinerantes a respeito da Opinião Pública nos vários lugares que eles percorreram.Os dados vão para a Comissão de Estudos da Opinião Pública no Êremo do Amparo de Nossa Senhora, eles condensam e me mandam. Esse primeiro que veio, veio até com imprecisões que eu notei. Mas é simplesmente um encanto ver como eles pegaram as coisas direito, viram bem, entenderam bem, fizeram questões cheias de suco, cheias de densidade.
Então, já em 1972 essa máquina estava montada. Alguém então vai dizer que em 1996 essa máquina morreu?! É um verdadeiro disparate!Então, significa que nosso Pai e Senhor tendo falecido, tendo ido para o céu em 3 de outubro, significa que a obra dele morreu?Então, segundo a teologia católica, segundo os canonistas atuais inclusive, ele não está no céu, mas está no purgatório. Porque a obra dele parou. A obra dele foi para trás.E alguém que afirme estupidamente:-- Não, toda obra do Senhor Doutor Plinio parou e está indo para trás. E só irá para frente se ele ressuscitar.-- Meu caro, quanto a questão da ressurreição nós concordamos. Mas dizer que a obra parou, isso, me desculpe é uma demência da sua parte, porque eu não concordo.-- Não, mas é só ele que pode tocar as coisas adiante.-- Mas quem é que afirma que não é ele que está tocando as coisas adiante? [Aplausos](...)-- Escute, o senhor pode estar alegre, o senhor pode estar contente, o senhor pode estar feliz, o senhor pode estar entusiasmado, o senhor pode achar que a obra está indo adiante. Mas eu não acho. Porque a minha opinião é de que a obra só irá adiante quando o Senhor Doutor Plinio ressuscitar.-- Escute, meu caro, isso é contra a doutrina católica e é contra a tese de que o Senhor Doutor Plinio está no céu.-- Bom, mas então o senhor não crê na ressurreição?-- Bom, isto é outro problema. Há casos e mais casos na história de santos que ressuscitaram. Não há problema nenhum, quanto a isso não discutamos.-- Mas, o senhor não acha que ele ressuscitando a obra vai mais adiante?-- Claro que se ele tiver uma direção posta na visão beatífica e ainda mais efetiva aqui presente, claro que as coisas estão melhores.-- E o senhor não gostaria que ele estivesse?-- Claro que gostaria.Mas não negue a verdade conhecida como tal: a obra dele está se expandindo. [Aplausos e brado]
*
Reunião para CCEE, Belo Horizonte, 3/8/96:Este Congresso de Neocooperadores em São Paulo tinha praticamente o dobro do último, e gente com muito thau, com muito fervor, com muito futuro, e um brilho extraordinário.
*
"Jour-le-jour" 19/10/97, parte II: Na Saúde quase todo o fim de semana vêm noventa novos.Do último congresso de Neocooperadores para cá, no Brasil o Grupo cresceu... portanto, são aquisições, não se tratam de apostolandos que vêm à sede pela primeira vez, é gente que já está pronta para vir a receber capa, já está sendo encaminhada para a recepção de capa. Do último congresso de Neocooperadores que foi no mês de julho, em três meses, o Grupo no Brasil cresceu para quatrocentos elementos novos. [Aplausos]Mas não é só do Brasil. Eu tenho aqui um grafonema do Sr. Fernando Gioa contando um pouco como é que foram as cerimônias lá no dia 3 de outubro, ofício que eles cantaram, com isto e aquilo, e com mais de cinqüenta novos na sede.
*
Isso tudo posto, consideremos agora os fatos. Primeiro quanto ao crescimento quantitativo das nossas fileiras:Os próprios joaninos afirmam que, em novembro de 1997, havia 800 sócios e cooperadores (Cfr. processo movido por Nelson Tadeu e 51 litisconsortes contra a TFP, p.11).No entanto, em 1972, éramos 1500. Quem o afirma é Dr. Plinio: “a TFP tem só 1500 sócios e militantes no Brasil” (Cfr. Reunião de Recortes, de 1972, lida por JC no "jour-le-jour" 16/6/96).Quer dizer, o número de sócios e cooperadores está diminuindo.
*
Quanto ao crescimento qualitativo, para saber se houve um progresso, é preciso examinar se a “abertura” e aproximação dos joaninos em relação ao mundo contemporâneo --posta em evidência no seu democratismo, feminismo, recusa dos “rumos antiquados” e aliança com a Estrutura-- faz parte das caraterísticas da pessoa que tem vocação. Se não faz parte, não se pode se sustentar que houve um crescimento qualitativo nas fileiras da TFP nos últimos anos. E se diverge frontalmente, deve concluir-se que houve uma prevaricação espantosa.Vejamos então duas coisas. Primeiro a definição de Tau, segundo o depoimento insuspeito de JC. E depois como Dr. Plinio carateriza a pessoa que presta para ser membro da TFP:
Definição do Tau:
O Senhor Doutor Plinio dizia que o Tau é o sinal de inconformidade contra a Revolução; o Tau é sinal posto no fundo da alma que é uma indignação em relação à Revolução (Cfr. Palavrinha para as moças de Fiducia, Confidencial, 29/7/96)
b) Caraterísticas do ultramontanável (cfr. síntese das seguintes reuniões: microfilme RN 132 “O ultramontanável, as 3 vertentes”; reunião para sul-africanos de janeiro de 1983; SD 21/3/87; reunião para Apóstolos Itinerantes de 19/12/78):
O ultramontanável é um descontente, um desajustado, uma pessoa que não se engrena na vida moderna; é frontalmente contrário ao espírito dos ambientes revolucionários que o envolvem. Ele não é um indivíduo inteiramente identificado com o mundo da R, que se sente inteiramente bem com a R e nunca reflete a respeito de nada. Por que razão é um descontente? Em primeiro lugar, porque sua alma pede algo além do pragmatismo. Ele sente que não realizou plenamente a sua vocação; quer alguma coisa de bom, que não consegue ou que não está conseguindo, mas que deseja ardentemente; e por isso não se sente bem dentro da sociedade em que vive. Ele sente que ganhar dinheiro, levantar todos os dias às 6 horas da manhã para entrar em seu trabalho às 8, ou tratar de seus negócios particulares, ou levar sua vida de família, isto só não basta. Há algo superior, há algo de mais elevado, que o fundo bom de sua alma procura ardentemente. Ele gosta de viver para as idéias, gosta de pensar em idéias, de discutir idéias, enfim, ele não é um espírito terra-terra. Outro motivo pelo qual ele é descontente é porque essa sua aspiração é de algum modo contrária à ortodoxia oficial do mundo --há um "Syllabus" das verdades condenadas pelo século XX. Ora, o ultramontanável toma uma posição contrária a essa ortodoxia oficial do século XX. Ele sente que essas suas aspirações se opõem às verdades, às normas, aos princípios dominantes, àquilo que todo mundo em nossos dias vive (1).
Trata-se [portanto] de um santo descontentamento, que não envolve revolta, que não envolve ambições não satisfeitas. O revoltado sente aspiração, não para algo que esteja acima do pragmatismo, mas para algo inferior ao pragmatismo, que seria seu egoísmo. E seguindo esse algo, é oposto à ortodoxia oficial do mundo.
O ultramontanável tem uma certa tendência a isolar-se, a refletir. A gente percebe que ele tem problemas; que encontra nesses problemas um ponto de sofrimento; e que em algo do que a gente diz encontra uma solução para o sofrimento dele (2).
------------------------
NB: A “discriminação” das mulheres --no sentido de excluir seu ingresso em certas Instituições, como por exemplo na Igreja-- faz parte das teses condenadas pela ortodoxia oficial do século XX. Mas o que o “Syllabus” hodierno abomina por cima de tudo e antes de tudo, é a desigualdade. Dr. Plinio mostra isso em inúmeros documentos. Eis um deles, “Imbroglio, détraction, delire”, pp. 174 ss.:
Le cours des transformations politiques, sociales et économiques tend continuellement à réduire les inégalités, sans distinguer si elles sont justes ou non. Sous-jacent à ce phénomène, sans doute le plus important dans la vie des peuples contemporains, se trouve le faux principe moral que toute inégalité est intrinsequement injuste. A son tour, sous-jacent à ce faux principe moral se trouve le faux principe métaphysique qu’il vaudrait mieux que toute la création soit composée d’êtres égaux.
(2) A respeito disto, Dr. Plinio diz: A gente [deve] se habituar a ver nas caras quais são os sintomas desse espírito de adesão admirativa ou de adesão aflita. A gente para o indivíduo ou é um palácio ou uma tábua de salvação. O indivíduo nos olha ou como um homem encantado querendo entrar no paraíso ou como um náufrago que quer pegar uma tábua. Então olhem para as caras. Se os senhores virem algum com a cara de náufrago que encontrou a tábua, esse serve. Se virem algum com a cara de maravilhado, esse serve. Se encontrarem algum dos duros, mas que voltam e voltam, não percam muito tempo com eles. Inclusive porque se eles entrarem, eles vão afastar os ultramontanáveis verdadeiros que os senhores conseguiram.
Não percam seu tempo com as pessoas com quem os senhores tem que fazer concessões, sob pena de os senhores adquiriram o espírito dele, o apostolando são os senhores e o apóstolo é ele. No fundo o apóstolo é o demônio e os senhores apostolandos do demônio.
--------------------
*
No seguinte jornal falado do Sr. Ureta a respeito de uma viagem que fez ao Chile (SRM, 26/11/98) encontra-see uma explicação de como se opera o “crescimento” joanino:
O apostolado que [os revoltosos] estão fazendo consiste em procurar os filhos daquelas mães de Pudahuel. Os Srs. se lembram que o SDP tinha aconselhado formar um grupo de mães de Pudahuel, que é uma favela, mas o SDP tinha interesse em tirar da Estrutura o prestígio que só ela fazia trabalho com os mais pobres, etc. O prefeito desse vilarejo era um antigo amigo do Grupo e nos facilitaria esse serviço. Foi feito um manifesto das mães de Pudahuel pedindo ao Arcebispo que deixasse de fazer subversão política e fizesse pregação religiosa. A partir daí surgiu aquele curso de catecismo, mas de favela. Como o povinho é muito conservador, eu vi as menininhas todas vestidas de noiva para a primeira comunhão, os meninos bem vestidinhos, etc. O grupo fazendo isso, evidentemente atraia a população local.
Como há muitos anos se está fazendo isso, os revoltosos agora pegam os nomes dos meninos que fizeram primeira comunhão há 5 ou 6 anos atrás, e vão visitá-los, convidam para ir à Sede que fica num bairro muito bom. Para os rapazes da favela irem a esse bairro é como irem à Disneylandia... enchem a Sede. Quando JC esteve lá, parece que havia 80 pessoas de gente dessa.
As cerimônias de coroação da imagem de Na. Sra. de Fátima, com a participação do coro e da fanfarra joanista, em diversas cidades do Brasil em 1996, foram apresentadas como uma sucessão de triunfos espetaculares da Contra-Revolução: “em 40 dias conquistamos o Brasil!”, “de cerimônia em reunião e de reunião em cerimônia chegamos ao Reino de Maria!”, “todas as portas estão se abrindo diante de nós”, “após cada apresentação, a opinião pública fica predisposta a nos receber e atender favoravelmente”, etc.
Na realidade, aquilo tudo era inteiramente balofo, feito apenas para consumo interno.
*
Nos “jornais-falados” dados no ANSA sobre as apresentações do coro e da fanfarra, procurava dar-se a impressão de êxitos portentosos, auditórios cheios com gente nativa entusiasmada, etc., quando na realidade o “entusiasmo” era induzido, e “o creme” do público era o mesmo: uma “claque” de correspondentes e correspondentas se deslocava de uma cidade para outra.
*
GRAFONEMA PARA SR WALMIR E SR CELIOEREMO DE SÃO BENTO, 1° DE JUNHO DE 1996. - 2:10 AMEIS OS PRINCIPAIS TRECHOS DAS PALAVRAS DO SR JOÃO CLÁ NA CONVERSA SOBRE AS APRESENTAÇÕES. ACHEI MELHOR COLOCAR NO INICIO SOMENTE AS PALAVRAS DO SR JOÃO E DEPOIS O RESUMO DA CONVERSA COM AS IDÉIAS QUE ELE DEU. SEGUE TAMBÉM UM PRIMEIRO ESBOÇO.
Remete: NT [NB: Deve ser Nelson Tadeu]
(Como fazer para aplaudirem ao se pronunciar o nome do Sr. Dr. Plinio?)
Precisa falar o nome do Sr. Dr. Plinio de tal forma que é infalível que o pessoal bata palma. Vira-se para a imagem e dizer: "Ó Maria, vós diríeis que nesse Brasil nunca houve alguém que se tenha levantado para vos defender, e para vos defender desde sua infância até a hora de sua morte. Vós estaríeis triste nesse momento se isso tivesse acontecido. Nunca, nunca houve nesse Brasil um homem, um homem que foi uma coluna ardente de devoção a Vós, um homem que foi... esse homem: Plinio Corrêa de Oliveira!"
*
1. Norte Fluminense:
“Grafonema de notícias”, de maio de 96, distribuído meio por debaixo do pano pelos eremitas de S.Bento-Praesto Sum:
Os correspondentes de Campos foram para Cardoso Moreira, pois fica apenas a 10 quilômetros de distância. Lá, eles ajudaram a aquecer o entusiasmo dos presentes, inclusive cantando canções como .../... (1)
Comentário:1. O corte não é nosso. Não é descabido supor que se tratava de canções glorificando ao impostor.
*
Fala JC, Reunião para CCEE, 19/5/96:Mas nós estamos mais ou menos como na época dos Apóstolos, em que os Apóstolos, os discípulos e as santas mulheres se deslocavam de um lado para o outro, e o apostolado ia se fazendo de um lado para o outro. Ou seja, o povo que estava em Cardoso Moreira, depois estava em Italva, passou para Miracema, de Miracema chega em Campos...Eu até nem sei por que é que nós giramos tanto. Podíamos ter ficado todos no mesmo lugar.
*
Depoimento do Sr. Ghioto, 29/1/99:
[Denise, foi uma correspondente de Natividade], solteira e muito conhecida aqui na região. Em outros tempos se destacava como ativista e colaboradora da entidade. (...) Ela entrou de cheio na chamada “graça nova” e resolveu, a conselho do J, entrar no Plano de Demissão Voluntária da Caixa Econômica para se dedicar inteiramente ao “apostolado” da “graça nova”. Foi assim que durante as apresentações da fanfarra por várias cidades do Brasil, como Londrina, Maringá, Montes Claros, São João del Rei e outras, ela e mais outras “entusiastas” iam a convite do J para dar a clave, ou seja, para fazer o show delas, levando a “graça nova” por todos os lugares. (...)
Quando a vinda do J e mais a fanfarra a Cardoso Moreira, evidentemente, que elas estavam à frente de toda a algazarra.
2. Tambaú:Falando a respeito da coroação que ia haver em Tambaú, JC dá a seguinte diretriz a seus discípulos mais chegados:Mas não esqueçam que nós temos que levar tudo o que for possível. Tem que levar tudo, tudo o que for possível levar a gente tem que levar. (A. Dantas: Vai um ônibus de São Bernardo e outro de
Itaquera.) Eu sei, não tem dúvida, vai dar berraria, vai dar gritaria, isso aí não tem dúvida, mas não tem o eco que tem em outros lugares. Vão outros ônibus também e outros carros também, hein!(Cfr. Conversa de JC com seus íntimos, 24/5/96)
3. Montes Claros:
Reunião para CCEE de Montes Claros, 8/6/96:
Numa interrupção que já fiz involuntariamente queria dizer que é preciso que nós não cometamos o erro que foi praticado em São Carlos, que foi de constituir dois auditórios: um auditório dos que já vivem em casa e o auditório dos que vêm de fora.O fermento tem que estar difundido sobre toda a massa. Eu vejo várias senhoras aqui que devem ter feito bolos e mais bolos durante a vida. Sabem perfeitamente que se não houver uma mistura do fermento no total da massa, o bolo cresce de um lado e fica abaixado do outro.Então nós temos que fazer essa mistura do fermento na massa e nós temos que nos dividir entre o povo a mais não poder, sentar ao lado de quem não seja do Grupo. Sentar-se ao lado de uma pessoa à direita e outra pessoa à esquerda que não seja do Grupo e cutucá-la de vez em quando:-- Que bonito, não é? Que coisa extraordinária! [Aplausos]Então nós devemos fermentar a graça. E vem muita gente, vem muito mais gente do que nós aqui estamos. O número nosso aqui é pequeno perto do número de pessoas que vem. Então temos que nos dividir e nos pôr no meio.Fica quase que proibido duas pessoas nossas estarem juntas. Não pode ser, tem que estar junto com os outros, movimentando-se, etc.
4. São João del Rey:
Reunião para CCEE, São João del Rey, 4/8/96:
Bem, fico contente em poder estar aqui nessa cidade de São João del Rey com os CCEE de Minas, mas, contente também por poder rever os CCEE de Montes Claros, de Miracema, do norte Fluminense, de outras partes. De maneira que estamos aqui quase que num encontro onde há representantes de boa parte do Brasil.
*
Referindo-se a essa reunião em São João del Rey, JC comenta o seguinte:Os senhores não estiveram na reunião de hoje de manhã. Havia muito mais graça do que na reunião de Belo Horizonte, nem comparação.O pessoal de Miracema é um pessoal realmente privilegiado por bênçãos, é um pessoal muito abençoado. Eles estavam muito abertos e davam uma nota de muito entusiasmo, muita alegria. A reunião ganhou muito com a presença deles e foi uma reunião que pegou fogo desde o início. Havia muita abertura mesmo.(Cfr. conversa de JC com seus íntimos, no ônibus, no percurso de São João del Rey a Barbacena, 4/8/96)Não é preciso demonstrar que os CCEE que participaram dessa reunião, assistiram à apresentação do coro e da fanfarra joanina que houve nessa cidade precisamente nesses dias.
B. Nas cidades visitadas, a maledicência e o ódio contra a TFP aumentaram muito Na reunião de 11/7/96, no ANSA, Dr. Plinio Xavier deu o jornal-falado de uma visita a Montes Claros, aonde foi para participar numa exposição rural. Na ocasião ele colheu repercussões da apresentação do coro e da fanfarra:Antes da ida da imagem a Montes Claros, um padre (...) que é superior do convento dos Premonstratenses em Montes Claros, fez um programa na televisão e um programa de rádio que se ouve em toda a região. (...) o sermão foi todo contra a TFP, dizendo que havia um grupo de católicos que não fazia propaganda da Igreja Católica, que usava uma imagem de Nossa Senhora, mas que na realidade só falava no nome de seu fundador Plinio Corrêa de Oliveira. Dizendo, no fundo, que não era católica. (...) A grande maioria da cidade deixou de ir na comemoração de Fátima e deixou de ir nessa reunião porque essa palavra de ordem se estendeu e pegou a maior parte da população católica porque era a palavra do padre. (...)Tem uma senhora que procurou o Sr. Emílio Juncá na feira, assim no meio de outras senhoras. Ele vai explicar.
(Emílio Juncá: É a esposa de um médico muito conhecido no lugar (...). Ela com muita prevenção, para não dizer que estava, vamos dizer assim, concordando com as críticas, disse:-- Eu queria falar algumas coisas que eu tenho ouvido muito, mas não é crítica não.-- Pois não, a senhora pode falar.-- A primeira, por que é que a imagem tem aquela corrente?(...)-- Estão falando também que vocês tiram a imagem de Nossa Senhora e colocam um quadro da mãe do fundador -- referindo-se à Sra. Da. Lucilia.Expliquei de novo para ela e ia se desfazendo na cabeça dela. Foi todo um catálogo. Tem mais três ou quatro coisas.Uma terceira que eu me lembro agora é se é verdade que nós só aceitamos os papas até Pio XII e depois não aceitamos mais. (...)No fim ficou muito satisfeita, mas disse que está maciço isso, a repetição dessas falsidades, e que está envolvido no caso uma certa parte do clero.)
O Sr. Emílio não contou, não sei se é claro, porque já não é a primeira vez que aparece essa repercussão. A história da corrente na imagem ela formulou claramente uma acusação, que nós acorrentamos Nossa Senhora, não é isso?Isso, entre outros fatores, mostra muito que a presença da imagem marcou muito, mas que deu início a um conjunto de máfias contra nós a partir do clero (...). Outra repercussão interessante: Havia um jornal importante na cidade, mas que é o segundo jornal da cidade, que sempre publicava as notícias nossas, mesmo o comunicado, grátis. Quando passou a visita da imagem, o jornal fechou totalmente as portas. (...) Quando nós chegamos lá, eles [NB: os fazendeiros] convidaram para uma reunião que seria no sábado, em que ia haver uma exposição com filmes ou slides de uma pessoa de Belo Horizonte que estava lá, slides sobre uma invasão de terras, dizendo que seria uma coisa muito interessante, etc. (...). Quando chegou na hora, a tal reunião que estava marcada ou meio marcada para o tal doador nosso falar, e que eu iria fazer uma exposição também, quando chegou na hora o doador não apareceu e o público não apareceu. (...) De modo que, claramente, a reunião foi sabotada.
*
Em Braganza, antes das apresentações do coro e da fanfarra havia 40 assinantes de “Catolicismo”. Após das apresentações, só dois renovaram a assinatura.
Trecho do libelo joanista "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 279 e 280:
[No] 5 de outubro [de 1996], o Sr. João fez uma reunião com os eremitas de São Bento e Praesto Sum pela manhã. Traçou ele o quadro de intranquilidade no grupo de São Paulo, os estragos causados pelos inconformes, com seus rumores cada vez mais raivosos e incontidos. Em vista da unidade do Grupo, o Sr. João incitava os eremitas a não fazerem nenhum comentário imprudente, não terem atitudes imprudentes em relação a ele, não aceitarem discussão sobre as intrigas que estavam sendo feitas, nem provocarem ninguém.
É preciso dizer que desde essa época até a abertura do processo em novembro último [1997] --ou seja, durante mais de um ano--, todos os subordinados diretos do Sr. João cumpriram escrupulosamente essas normas, mantendo o silêncio inclusive quando ouviam os comentários mais injustos e disparatados (...).
Quanto a comentários e atitudes “imprudentes”, o seguinte grafonema de David Ritchie para o Sr. Peter Siwik, enviado em 17/10/96 --isto é, no auge do desentendimento de JC com a TFP Americana-- , é suficiente para “questionar” o que está afirmado em “"E Monsenhor Lefevre vive?":
Mr. João is full of holy indignation and will not return to the U.S., he said!!!!!!!!! Also, all the eremits here [São Paulo] are wanting to make a ceremony of reparation for what happened there and other things. (...) Hoping that you all pray in this intention, also and that our Father and Lord from heaven repair this grave offense committed against his most loved son, our Dear Mr. João.
Quanto a não aceitarem discussão sobre “as intrigas” e não provocar a ninguém, a seguinte relação de documentos torna patente o falsidade joanina:
A série de volumosos relatórios, obviamente redigidos e diagramados com vistas a mostrá-los a terceiros, trocados entre André Dantas e Marcos Faes em 22/10/96, 23/10/96, 25/10/96, 27/10/96, 30/10/96 e 19/11/96, difamando e injuriando a TFP Americana.
As cartas dos Padres Olavo, Antônio, Gervásio e Silveira --indiscutivelmente assessorados por eremitas do São Bento-- de 1/11/96, 2/11/96, 6/11/96, 9/4/97, 16/4/97, 31/5/97.
Conferir também o Capítulo 2, ítems “Preparativos a prazo médio”, “Preparativos próximos” e “Motim de Jasna Gora”; bem como o Capítulo 20, V, B, 2, “Carta abierta” do Sr. Eugenio Trujillo sobre sua expulsão das filas da TFP colombiana..
No libelo onde os ideólogos do joanismo tentam justificar a rebelião, afirmam o seguinte, referindo-se aos Diretores da TFP:
Ao longo desta exposição, irá ficando evidente que uma autoridade que aja de modo discricionário e autocrático, procurando impor-se sem dar ouvidos a seus subordinados, situa-se nas antípodas do pensamento do SDP. (...) A doutrina tradicional da Santa Igreja , nas penas dos grandes expoentes da teologia, considera também a possibilidade de depor a autoridade, quando ela se manifesta totalmente incapaz de governar. O pressuposto dessa ousada mas ortodoxa afirmação é que o poder é dado diretamente por Deus aos homens, mas depende da eleição e do consenso dos governados (cfr. “Quia Nominor Provectus”, pág.67).
E em nota de rodapé acrescentam: “São Roberto Bellarmino é um dos célebres defensores do direito da comunidade de depôr o príncipe malvado”.
Seu cinismo chega ao inimaginável quando dizem que “o exemplo do Fundador” orienta suas atitudes:
Resistir a uma autoridade quando esta viola a Lei de Deus ou a Lei Natural, não é revolta, mas dever. Resistência legítima foi a que declararam o Sr. Dr. Plinio e as TFPs ao manifestar publicamente a Paulo VI seu desacordo com a política seguida pelo Pontífice face ao comunismo (cfr. “Quia Nominor Provectus”, pág. 194).
Ora, o que São Roberto Bellarmino ensina a respeito disso é bem diverso do que pretendem os sediciosos, isto é, a destruição da TFP:
Assim como é lícito resistir ao Pontífice que agride o corpo, da mesma forma é lícito resistir àquele que agride as almas, ou que perturba a ordem civil ou, sobretudo, àquele que tentasse destruir a Igreja. Digo que é lícito resistir-lhe deixando de fazer aquilo que ordena e impedindo a execução de sua vontade; mas não é lícito julgá-lo, puni-lo e depô-lo, porque estes atos são próprios de um superior (De Romano Pontefice, II, 29).
E a atitude de Dr. Plinio diverge diametralmente da de JC e seus discípulos. Com efeito, no documento da Resistência nosso Mestre e Modelo esclarece que a posição que tomou “não é separação, não é revolta, não é acrimônia, não é irreverência. Pelo contrário, é fidelidade, é união, é amor, é submissão”.
Em reunião para os veteranos (6/8/96), referindo-se ao apostolado com moças e senhoras, JC afirmou taxativamente:
[Aquilo] para mim é um abacaxi, mas abacaxi! (1) (...) Eu não tenho o menor problema de cancelar esse apostolado (...) se disserem: ‘olha, isso causa escândalo, isso nós não entendemos’ (2).
(...) Eu não tenho interesse em fundar uma TFP feminina! (...) Estejam tranquilos, não passa pela minha cabeça, nunca passou, e acho que nunca passará a idéia de fundar uma TFP feminina (3). Jamais. (...) Não vai sair TFP feminina das minhas mãos, podem ficar sossegados (4).
Comentários:
Na realidade ele tem muito contentamento no “apostolado” feminino (cfr. Capítulo 17).
Mentira. No libelo "Quia nominor provectus", pp.43, 44, aprovou --ou mandou escrever-- a seguinte frase: “goste ou não goste [Dr. Luiz], são elas [as correspondentas] parte integrante de nossa ‘família de almas’”.
E de tal maneira está obstinado em propulsionar esse “setor”, que em vários documentos, através da pluma de seus agentes, deu a entender que o problema da admissão de mulheres na TFP foi um dos fatores que os levaram a dividir a Obra de Dr. Plinio (Cfr. carta-circular aos Bispos, de Hagop Seraidarian, de 18/1/99; comunicado de imprensa anônimo intitulado “Deselegâncias de um Príncipe”, de março de 1999; declarações de Felipe Dantas no artigo “Disputa interna na TFP é decidida na justiça”, “Folha de São Paulo”, 19/8/98). Mais ainda, quando foi chamado a depor no processo trabalhista movido contra a TFP pelo Shigeru, 18/10/99, JC afirmou que uma das razões pelas quais rompeu com a Diretoria da Instituição era seu desejo de fundar uma “tfp” feminina.
No entanto, quer no Brasil, quer no Exterior, JC praticamente se tornou modelo e fundador da “tfp” feminina (Cfr. Capítulo 17).
Para evitar cristalizações, o prócer também sustentou que uma “tfp” feminina não nos serviria de nada. Num despacho a respeito do apostolado junto a simpatizantes do “mailing” de Fátima, realizado no São Bento, em 24/4/96, consta que uma das dificuldades que estava encontrando a campanha consistia em que algumas pessoas propendiam a virarem membros do Grupo, e que elas seriam mais úteis para a Contra-Revolução se permanecessem na sua condição de simpatizantes e agissem dentro dos respectivos ambientes enquanto tais. Nessa altura da reunião, JC disse:
E depois não pode ficar membro do Grupo e ai fica numa espécie de situação [intermediária] ... entra em crise. Aí então vem uma meia dúzia de senhoras que querem constituir uma ordem religiosa. O que é que nós fazemos com uma ordem religiosa feminina? Não fazemos nada.
*
Telefonema deixado por JC na gravadora telefônica automática do Sr. Fragelli, em outubro de 1996:
Tomei a deliberação de não fazer mais reunião [com as moças] como o Cônego tinha aconselhado, o Cônego me havia aconselhado a não fazer reuniões em nenhum ambiente das sedes, fazer em sedes que não fossem da TFP mas de fora da TFP (...).
*
Grafonema de JC para o Sr. LA Fragelli de 25/10/96:
Adianto-lhes, para a tranquilidade total não só da TFP norte-americana com das demais no mundo inteiro, que há já quase um mês tomei a deliberação irrevogável de nunca mais pôr-me a trabalhar com correspondentes e esclarecedores, nem mesmo fazer-lhes reuniões gerais.
Lembramos que a maioria de correspondentes, talvez 80%, são mulheres.
*
Relatório do Sr. José Francisco Vidigal, 13/11/96:
Há indícios de que JC continua a fazer reuniões para as moças. Para oficializar o assunto colocou o Sr. RK a seu lado em um video em que dizia que a situação está assim [NB: difícil], mas que elas precisam ter paciência, que isso vai ser revertido (...) etc.
*
Na pág. 15 do grafonema enviado por André Dantas a Marcos Faes, no 25/10/96, é transcrito um telefonema de José Luis de Zayas a JC, onde o pro-homem nega peremptoriamente que mulheres entrem na sua sala --a Torre do êremo de São Bento.
JLZ: (...) eu creio que o que mais há impactado é toda a questão que estão contando aqui, de mulheres que entram em São Bento, que sobem à Torre, que o Sr. almoçou com uma menina trancada na Torre, durante toda uma tarde ...
JC: Meu Deus do Céu! Mentira, mentira, mentira!
Mas na pág.21 desse mesmo documento insuspeito, André Dantas, insuspeito secretário particular de JC, reconhece que 8 mulheres entraram na sala de seu senhor, pelo menos numa ocasião, e se lava as mãos a respeito de um “recolhimento” que elas teriam feito aí:
Durante a viagem do Sr. João aos Estados Unidos, num Domingo em que os eremitas de São Bento estavam no Praesto Sum (...), quatro senhoras e quatro moças --uma das quais sofre de paralisia infantil-- (...), acompanhadas pelo Sr. Inoue e por este e.M., visitaram todo o Eremo, (...) e também a Torre. Lá chegando, viram o aparelho de fax do Sr. João e perguntaram se podiam passar uma mensagem para ele nos Estados Unidos. Dissemos que sim (...). Não sei se alguma delas disse que estavam fazendo um ‘recolhimento’ na Torre. Mas sobre o que cada uma delas escreveu, nem o Sr. Inoue, nem este e.M., nem muito menos o Sr. João, é responsável.
*
O Dr. Mário Navarro afirma, sob juramento, em Declaração 4/12/96, que vários membros da TFP, do segundo escalão, tomaram a iniciativa de procurá-lo, entre setembro e outubro de 1996, para relatar fatos de que foram testemunhas, relativos ao relacionamento de JC com as moças.
Posteriormente essas pessoas garantiram, de público, nada ter dito ao Dr. MN.
A propósito disto, o Sr. Fernando Antúnez escreve a JC, em fax de 25/11/96:
Quando cheguei ao Brasil em setembro [de 1996], fui procurado por várias pessoas, que se diziam em enorme provação, com insônias e até perigo de apostatar. Elas pediram que sua identidade fosse mantida em segredo de consciência, apesar de terem falado também com outros. Disse-lhe isso, em seu devido tempo, ao senhor. Foi essa a razão de nosso almoço no São Bento, com o Dr. Mário, como se recordará.
Ora, acabado o almoço, as pessoas dizeram-se satisfeitas ... por dois dias!!! E voltaram à carga com piores acusações ainda, piores problemas de consciência, mais ameaça de apostasia. Não lhas disse porque teria até vergonha de faze-lo. Mas uma coisa posso lhe dizer: o Sr. Mário nada inventou. (...)
De nada adianta que essas mesmas pessoas digam ao senhor e assinem documentos (...) desdizendo, desmentindo ou qualquer coisa. O tempo não volta mais atrás, e o que eu vi e ouvi, eu o posso testemunhar... (...) esses todos negam a autoria do que eu sou testemunho que fizeram! (...).
Resposta de JC a Dr. Plinio Xavier, a propósito do motim de Jasna Gora e merecida expulsão de Ramón León:
Caríssimo Dr. Plinio Xavier
Salve Maria!
“Je suis troublé!” Os senhores não me disseram uma palavra até o presente momento a respeito de tudo o que está se passando lá, em Jasna Gora. O que sei, veio-me por vias indiretas.
Por sua vez, Andreas Meran, na proclama feita no ANSA, o dia da ruptura (25/11/97), falando em nome dos dissidentes, afirma que S.Bento e Praesto Sum constituem “toda uma área inteiramente alheia ao caso do Sr. Ramón”.
*
Porém, no grafonema que os joaninos enviaram a todas as unidades e setores da TFP, do Brasil e do Exterior, narrando à sua maneira o motim de Jasna Gora, fazem uma restrição mental por onde dão a entender que JC não estava por detrás de Ramón León: “Por mais que o Sr. RL tenha demonstrado, com incontáveis fatos, que ele não tinha com o Sr. JC uma relação tão estreita como eles [Dr. PX e Dr. LN] imaginavam, tudo foi inútil”.
Analise-se a frase “relação tão estreita”: os autores do grafonema ao mesmo tempo que reconhecem que há relações estreitas entre JC e Ramón León, negam que ambos sejam tão chegados quanto os Provectos imaginavam.
E segundo o insuspeito Caio Newton, é sabido que atrás de Ramón León está JC. Referindo-se à “conveniência” de que alguns eremitas ligados ao impostor coordenassem os trabalhos dos setores que mexem com opinião pública, Caio Newton disse a JC: “(...) sugiro fazer algo como o senhor Ramón está fazendo em Jasna Gora. Ele entrou, não mudou nada, trata muito bem, mas todo mundo hoje participa da adoração [ao Santíssimo] à noite, faz visita ao Santíssimo, quase todo mundo de hábito, etc. (...) Porque aí se saberia, como no caso de Jasna Gora, que atrás do senhor Ramón está o senhor”. (Cfr. despacho ano 96, no São Bento, estando presentes JC, Caio Newton, José Cyro e David Francisco).
Na “Ação cautelar inominada”, movida contra a TFP através do escritório Strenger, em novembro de 1997, item 37, os joaninos reconhecem que JC “exercia influência (...) onde residia o expulso Ramón León”.
Fala Ramón León:
Eu pessoalmente pelo menos temia uma situação de violência (...). Pensei até em ter à mão o telefone da delegacia vizinha para evitar qualquer crime maior neste recinto sagrado (...). (...) em tal clima de agressividade contra mim (...) até hoje me mantenho fechado à chave na cela, dia e noite. Passo também chave cada vez que saio, até para o banheiro. (...) me sinto absolutamente desprotegido (...)
(Cfr. "Quia nominor provectus", pp.59, 60).
Se isso é verdade, não é razoável que se queixe pelo fato de ter saído dessa Casa, (cfr. "Quia nominor provectus", p.14). Deveria ter agradecido.
E também não se entende por que afirma que, ao abandonar Jasna Gora, via diante de si “as incertezas de um futuro caótico, inseguro e convulsionado” (id. p.14). Deveria ter dito que via diante de si um futuro melhor, ou então menos perigoso.
Uma das queixas dos seguidores de JC contra os membros da TFP Norte-americana era de que estes estariam espalhando uma coisa muito denigrante a respeito de seu chefe.
Mas segundo um testemunha insuspeito, Héctor Beltramino, isso não aconteceu:
Em primeiro lugar [o Sr. Bianchini] me perguntou se tinha ouvido de alguém que o Sr. João foi acusado de ignominia nos Estados Unidos. Disse que não. (Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 30/10/96).
*
Referindo-se a “calunias” difundidas por membros da TFP Norte-americana, JC disse a José Luis de Zayas:
O Sr. Robert Ritchie, por exemplo, diz para o Sr. Steven algo que é asqueroso até, dizendo que eu fazendo cruzinha na testa de homem ... não se põe a mão na testa de homem, meio insinuando homossexualismo. (Cfr. Grafonema de André Dantas para Marcos Faes, 25/10/96, pág.17).
No “Grafonema de notícias”, de maio de 96, e de autoria de pessoas de São Bento e Praesto Sum, consta que, em 15/5/96, no final de uma “conversa extraordinária” com os eremitas, “o Sr. JC fez uma cruz na testa de cada um”.
Numa cerimônia de recepção de capas e de consagração a Nossa Senhora, no 17/8/96, houve ósculo das mãos, cruzinhas na testa, benção, etc.
No "jour-le-jour" 15/10/96, o próprio JC conta que o Padre Gervásio lhe pediu que fizesse a tal “cruzinha” na testa.
Quando JC esteve nos Estados Unidos em setembro de 1997, “à noite jantava no êremo, e muitas vezes os eremitas entravam, ou pelo menos faziam um corredor espanhol no fim, e ele ia a cada um e fazia uma cruzinha na testa e dava a mão para oscular” (Cfr. Carta do Sr. James Dowl a Pedro Morazani filho, de 16/2/97).
*
Trechos de fax enviado por JC a Dr. Luiz, em 15/11/96:
O senhor pode assegurar ao Sr. Ureta de que NUNCA um eremita me osculou o peito, e menos ainda uma mulher a cabeça (exceção feita da ex-mãe, é claro!) ...
(As maiúsculas não são nossas).
*
Carta de JC ao Cônego José Luiz, 20/7/96:
Nunca jamais tomei a iniciativa de chamar alguém para dar a benção.
No entanto, no telefonema de 11/5/96, para os moços da Saúde, consta o contrário:
(Carlos Toniolo: Se o senhor pudesse dar a obediência da semana então, Sr. João.)
A obediência da semana, deixa-me pensar um pouco, olha aqui: "Todos os dias, todos rezarem uma Consagração a São Miguel Arcanjo na intenção de que São Miguel Arcanjo assuma a alma de cada um, assuma as rédeas da alma de cada um, para que cada um se transforme num verdadeiro lutador de nosso Pai e Fundador".
(Todos: Amém!)
E agora então vamos à oração e depois à bênção.
(Cfr. texto 960511TF)
*
Agora pontifica Patrício Amunátegui, grande doutrinador do joanismo:
Em rigor de lógica, cabe um culto dentro do Grupo não somente ao SDP, como também a outros superiores (1);
(...) Além disso, é fato que grande parte dos sócios e cooperadores das TFPs quiseram espontaneamente pôr-se sob sua influência, por considerá-lo muito apto para os guiar no caminho da perfeição cristã (2).
Em face dessa dupla constatação, não se compreende que se queira coarctar o direito daqueles que, voluntariamente, estão sob a responsabilidade do Sr. João Clá, de dirigir-se a ele com as mostras de veneração e respeito que legitimamente possam querer lhe manifestar. O erro estaria em querer alguém impor aos outros essa obrigação, fato que jamais se deu (3).
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 208 e 209).
Comentários:
No mesmo libelo, pág. 211, Amunátegui explana a idéia: “Honrar, homenagear e cultuar alguém que a tantos títulos nos é superior, irmão nosso de ideal (...), não empana de modo algum a figura incomparavelmente maior de nosso Pai e Fundador”. Mas Amunátegui não explica por que razão isto que outrora foi sistematicamente combatido por JC ao longo de décadas --é a famosa tese do canal necessário--, hoje virou legítimo.
Isso se explica, em alguma medida, em função de um princípio dado por Dr. Plinio a respeito do relacionamento entre líder e liderados:
Sempre que uma tendência muito santa ou péssima começa a germinar como um fato social e se desenvolve, vem o homem que consubstancia aquilo. E, portanto, aparecendo um sinal de uma tendência, ela anuncia um homem ou instituição que a personifica. (Cfr. Resumo da série de MNFs sobre o “Apocalipse” , pág. 19)
Mentira monumental! Pois não se pode negar que, quem não venerasse a JC, não o exaltasse, ou simplesmente não assistisse às suas reuniões, era alvo dos piores epítetos: “fumaça!”, “sabugo!”, “traidor!”, e daí para fora. Neste sentido apresentamos dois depoimentos. O primeiro, do insuspeito de Carlos Tejedor, segundo o qual, o mero fato de o Sr. Alfredo Mac-Hale não assistir ao "jour-le-jour", constituía um “escândalo” (Cfr. grafonema de Tejedor a JC, 12/8/96, p.9). O segundo do Sr. Cônego, que em 8/6/96 contou a Dr. Paulo Brito que um membro X da TFP passou pela seguinte situação constrangedora: vários enjolrras, numa rua de Miracema, haviam beijado os pés de JC; como X estava naquele grupo de pessoas, também beijou os pés de JC, embora a contragosto: “ele se deixou levar pela pressão do ambiente, imaginando que, caso não beijasse os pés, os outros o considerariam heresia branca”.
*
A respeito das fileiras que os joanistas fazem na hora do automóvel de JC sair, como outrora se fazia com Dr. Plinio, Patrício Amunátegui diz:
A afirmação é falsa. Nunca se fez uma fileira na entrada ou saída do Sr. João Clá. (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.214)
No entanto, no grafonema de Fernando Gioia para Juan Carlos Casté, de 22/1/98, a respeito da estadia do guru em Bogotá, consta o contrário (cfr. Capítulo 14, I, E, 1). Idem no relato feito pelo Encarregado do Apostolado nas Sedes de Campos, a respeito da estadia de JC em Cardoso Moreira, em agosto de 1996 cfr. Capítulo 17, III, G).
*
Referindo-se à carta que em 16 de julho de 1996 o Cônego José Luiz Vilaq enviou a JC, aconselhando-lhe que “ao menos por tempo indeterminado”, fizesse cessar as manifestações de veneração à sua pessoa, Patrício Amunátegui sustenta o seguinte:
Embora não o tenha feito na ocasião, em virtude das tratativas com o Sr. Cônego estarem em andamento, como veremos, o Sr. João Clá o fez dois meses depois, suspendendo completamente seu apostolado com os correspondentes e sufocando todos os anelos de enjolras e não-enjolras, eremitas e não-eremitas, de lhe prestarem atos de respeito e homenagem.
(...) O Sr. João, obedecendo a anônimos “escandalizados” [com as atitudes de “entusiasmo” em relação à sua pessoa], acabou por ceder tudo quanto exigiam abusivamente (...)
(...) O Sr. João Clá, a fim de resguardar a unidade do Grupo, cessou até na intimidade dos eremos sob sua autoridade, todas as obras impugnadas pelos inconformes (...).
(Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 257-259).
Entretanto, nos seguintes documentos (já transcritos e analisados em outro Capítulo) consta que os atos de veneração a JC continuaram escancaradamente: "Jour-le-jour" 25/9/96; grafonemas de André Dantas para Marcos Faes de 25/10/96 e 19/11/96; grafonema de David Ritchie para o Sr. Peter Siwik, de 17/10/96; depoimentos diversos, durante reunião nos EEUU, post 15/10/96; carta do Sr. James Dowl a Pedro Morazani, de 16/2/97.
E na reunião para os veteranos, de 15/10/96, ao “fundamentar” o culto tributado a ele, JC acabou incentivando aquilo.
"Jour-le-jour" 15/9/96:
A inocência primeva o que é que ela dá? Ela dá à alma um estado primaveril, por onde a alma está num convívio com Deus, mas é um convívio muito suave ainda, é um convívio muito superficial, é um convívio não profundo.
A inocência não dá à pessoa um estado de alma, mas é um estado de alma; e comporta um relacionamento com Deus muito profundo (Cfr. Secretariado do MNF, Apostila sobre a Inocência, capítulos sobre a definição da inocência e relacionamento do inocente com Deus).
*
"Jour-le-jour" 13/1/97:
A inocência o que é que é? É a participação na natureza divina, não é outra coisa.
Observe-se a “aisance” com que JC define. Dir-se-ia estar na presença de um mestre na matéria.
*
Conversa de JC com os novatos da Saúde 25/8/94:
Há um conhecimento que está acima desses conhecimentos todos que nós conhecemos e que é um conhecimento dado pela Providência, que é um conhecimento sobrenatural, que é aquele conhecimento que se chama por conaturalidade.
Conaturalidade não é a pessoa conhecer essa garrafa aqui de água "Prata", olhar para a garrafa e, como minha inteligência é conatural com a garrafa, logo conhece. Então, a garrafa tem uma consonância inteira com a inteligência, por quê? Porque é a mesma natureza. Se fosse isto eu teria uma inteligência de vidro, e vidro ainda meio abalado, meio socado. Já passou por cada mão, isto aqui, já passou por cada caixa de garrafa, por cada batalha --um drama, essa garrafa aqui podia se chamar assim: o drama de uma garrafa... A minha inteligência seria feita deste vidro aqui, porque seria conatural com o vidro.
Essa definição não só não coincide com a dada por Dr. Plinio, mas colide com ela. O conhecimento por conaturalidade não é sobrenatural. A pessoa conhece uma série de coisas através de afinidades e repulsas instintivas, previamente à análise ou à “raison raisonante”; essa capacidade cognoscitiva reside --em larga medida-- naquilo que se chamaria a parte animal do ser humano. Aquilo é experimental, não é dado diretamente pela Providência e não está necessariamente acima da abstração.
Numa série de reuniões que JC fez sobre a graça, lhe fizeram perguntas que ele, em lugar de honestamente dizer “não sei”, driblou dando respostas pífias –e talvez erradas:
Ficha: [A graça] dá-nos uma participação física e formal na própria natureza divina. Já dissemos acima que a graça constitui ou nos dá uma verdadeira participação na própria natureza divina. É mister precisar que se trata de uma participação física (como a do ferro metido na fornalha adquire fisicamente as propriedades do fogo, sem perder sua própria natureza de ferro)...
Ele continua inteiramente ferro, mas adquire todas as propriedades do fogo. Assim também nossa alma, continua inteiramente alma, mas adquire as propriedades de Deus. (...)
(Aparte: Sr. João, o senhor perdoe a quadratura, mas como é que pode ser uma participação física num ser que é puro espírito?)
É bom o senhor perguntar porque eu acho que ia ficar na cabeça de muitos aqui.
Esse físico aqui não tem o sentido físico material, mas tem aqui um sentido físico filosófico, um sentido físico teológico. Este físico significa participar da natureza de Deus, ou seja, ter as propriedades que Deus tem e que definem a natureza dEle. Isto é de forma real e de forma chamada física, mas o físico aqui não é o físico material.
É bom o senhor ter levantado, porque senão muita gente sairia daqui com o problema: "Mas como é que é isso? Então Deus tem algo de material? Será que é o físico de Nosso Senhor Jesus Cristo?"
Não, não tem nada que ver com a palavra físico material, é o físico espiritual, aqui no sentido teológico da palavra.
O que define a natureza de Deus --nós vamos ver mais adiante ainda isto com mais clareza-- é isto: a capacidade de ver-se a si próprio, a capacidade de amar-se a si próprio e a capacidade de ser feliz consigo mesmo. Isto é o que define a natureza, não é a onipotência, não é a onipresença. Isso são predicados, mas o que define a natureza dEle é essa.
Nós participarmos da natureza dEle, uma participação física, é nós termos a mesma possibilidade que Ele tem de vê-Lo, de amá-Lo e de ser feliz com Ele.
Essa possibilidade nenhum anjo --como vai ser dito aqui-- na sua mais plena potência que possa ter, nenhum ser criado, pode ser até um anjo ab aeterno, por exemplo, com mais potência do que os anjos, nenhum ser criado sem o auxílio da graça consegue isto. É só a graça que nos eleva a isso.
(Jiménez: O que é uma participação formal?)
Formal, ele até diz aqui.Também aqui nós não podemos entender forma como sendo uma forma física. Aqui forma é a forma de Deus. Deus tem que ter forma. A tal ponto o espírito tem forma, que a alma é a forma do corpo.Aqui, portanto, a palavra forma tem um sentido também teológico e filosófico que não é a forma material.
Nós raciocinamos tudo com base na matéria, porque nós vivemos no mundo material. Esse livro tem uma forma, ele é retangular, tem uma certo dorso e tem uma forma. Essa campainha tem uma forma. Então para mim forma é a forma física.
Não; existe uma forma espiritual. Essa forma espiritual Deus a tem.
Quando nós recebemos a graça, nós somos enformados por Deus. Ou seja, nós tínhamos uma determinada forma própria da nossa alma, mas essa qualidade tem um tal poder, ela é tão penetrante, ela é tão extraordinária, qualifica tanto, que ela toma a forma antiga de nossa alma e põe outra forma, que é a forma de Deus.
(S. Casagrande: Quando se diz que o homem foi criado à imagem e semelhança de Deus, é porque o homem foi criado em graça?)
Eu tenho essa resposta pronta, mas em São Bento. Eu estou me lembrando vagamente da leitura que fiz sobre isso, mas não me ficou muito bem na lembrança. A imagem diz respeito ao espírito que o homem tem e diz respeito, portanto, a algo de espiritual que torna o homem --guardadas as proporções infinitas que o separam de Deus-- semelhante à imagem de Deus. Mas a semelhança não, a semelhança vem da graça. Ele criou a imagem, que era uma imagem dEle, era um reflexo dEle, mas Ele tornou essa imagem semelhante, porque saiu das mãos dele também em graça.
(Cfr. "jour-le-jour" 2/12/96)
3. A graça é um ser divino
A graça é um ser divino. Olhem que não é pouco. Esse relógio é um ser, esse copo, esse sino, eu sou um ser, mas ser divino só existem dois: um é Deus, outra é a graça. Ser divino graça.
Outro ser divino não existe. Nossa Senhora não é um ser divino, os anjos não são seres divinos, mas a graça é um ser divino, porque é uma qualidade que é infundida na essência da alma e que faz com que a alma participe da natureza divina. É um dom.
(Cfr. "jour-le-jour" 3/3/97)
*
Nós já dissemos que a graça é um ser divino. Portanto, é o único ser divino fora de Deus que não é Deus. (Cfr. "jour-le-jour" 17/3/97)
*
A graça é um ser divino, que nos dá uma participação da natureza divina. Ser divino. Não é Deus, mas é um ser divino. O único ser que é divino, que não é Deus é a graça. (Cfr. "jour-le-jour" 6/1/97)
*
O senhor pega a definição do catecismo, o senhor vai encontrar: graça é um ser divino.Esse relógio é ser, essa campainha é um ser, eu sou um ser, os senhores são seres, as cadeiras que os senhores estão sentados são seres, a chuva que está caindo é um ser, a porta que bateu há pouco é um ser. -- Mas ser divino?! Ser divino é Deus, então a graça é Deus.
-- Heresia. A graça não é Deus.
-- Então, espere, por que é que é um ser divino?
É um ser divino porque é um ser que participa de Deus, é um ser que é veículo da natureza divina para seres racionais, seres inteligentes como os anjos e os homens.
(Cfr. "jour-le-jour" 27/1/97)
Quem cria a graça, através dos Sacramentos, porque distribui os Sacramentos, é a Igreja. A Igreja, que é a produtora da graça no momento em que distribui os Sacramentos (...)
(Cfr. reunião na Saúde, 25/3/97)
Quem cria a graça é Deus Nosso Senhor.
"Jour-le-jour" 31/3/97 - JC disserta sobre a classificações das graças, com base num livro do Pe. Royo, “Somos hijos de Dios -- Misterio de la divina gracia”, BAC, Madrid, 1977, Cap. VI:
- Graça operante e cooperanteA primeira é aquela cuja operação procede exclusivamente de Deus e apenas a Ele é atribuída: a alma é movida, mas não se move a si mesma.
A segunda é aquela na qual a alma é movida por Deus e se move a si própria, cooperando com a ação divina.
(...) A graça cooperante é própria das virtudes infusas; por isso, a alma tem clara consciência de que se move a si mesma, ajudada por Deus, para praticar esses atos de virtude. Porém, sob a ação da graça operante, que é própria dos dons do Espírito Santo e contém eminentemente as graças cooperantes, a alma se sente movida por Deus, limitando-se a deixar-se conduzir por Ele com suavidade e sem oferecer-lhe resistência. (...)
- Graça suficiente e eficaz
A primeira é aquela que bastaria de si para agirmos sobrenaturalmente, se não resistíssemos a essa divina moção (por exemplo, todas as graças externas e muitas inspirações internas).
A segunda é a que nos move inteiramente, de modo tão eficaz que produz infalivelmente o que Deus quer, sem comprometer entretanto o livre arbítrio, que adere a ela, secundando-a de maneira generosíssima e infalível.
(Enrietti: Em tese seria possível uma graça cooperante ser eficaz e uma operante não ser eficaz?)
(...) Pode haver uma graça cooperante eficaz desde que, veja bem, o senhor receba uma graça cooperante suficiente e depois receba uma graça eficaz para corresponder àquela graça cooperante que o senhor recebeu. Aí é perfeitamente possível uma graça cooperante sendo auxiliada por uma graça eficaz.
(Enrietti: Mas tem que haver uma operante que ajude a eficaz, que ajuda a cooperante?)
É, os termos mais ou menos se confundem. A eficaz se confunde um tanto com a operante.
(Enrietti: Mas se a pessoa resiste a uma operante, não será uma operante eficaz?)
A pessoa pode -- porque tem o livre arbítrio, tem mais essa -- opor resistência a uma graça operante e pode opor resistência a uma graça eficaz.
(Enrietti: A graça eficaz, pondo em termos práticos, seria um aprimoramento da graça operante.?)
É isso, exatamente, perfeitamente.
[Continuação da ficha do Pe. Royo]: [A graça eficaz] é um efeito gratuito da infinita misericórdia de Deus, fazendo com que a alma queira infalivelmente secundá-la.
(Araújo: O senhor poderia explicar o que que é "ato puro"?)
É tão fácil isso. Todos os seres criados, todos os seres criados estão em estado de potência, porque eles podem transformar a potência que tem a ato. Por exemplo, o senhor é uma pessoa que tem uma cultura vasta e muito inteligente, está ótimo. Mas, o senhor tem uma série de coisas para conhecer ainda, que o senhor não conheceu. E portanto o seu intelecto, a sua inteligência está em estado de potência para tudo aquilo que o senhor não conheceu. Vai se transformar em ato a partir do momento em que o senhor conheça. Por exemplo, minha mão aqui está em estado de potência. [O Sr. João pega a sineta] Ela se atualizou. Mas, ela estava em estado de potência. Em Deus, não existe potência nenhuma, Ele é ato realizado pleno, pleníssimo e puríssimo. Dá para entender o que que é ato puro? É exatamente o oposto do que nós somos. (Cfr. "jour-le-jour" 6/1/97)
(Jurandir Bastos: O senhor não poderia explicar o que é a essência?)
Eu não sei lhe dar a definição técnica a respeito de essência. Não sei lhe dizer exatamente a definição como ela é nos tratados. É fácil eu pegar num [Collein?] qualquer aí durante a semana e segunda-feira lhe trazer a definição exata de essência que eu não tenho na cabeça agora. Mas eu vou lhe dar um exemplo, que o senhor vai entender perfeitamente.
O senhor quando conheceu o Sr. Dr. Plinio pela primeira vez, o senhor já deve ter sido preparado por outros de que ia conhecer o Sr. Dr. Plinio, de que ia ser apresentado ao Sr. Dr. Plinio, então o senhor foi com uma certa idéia de quem era o Sr. Dr. Plinio. E cumprimentou, mas essa idéia que o senhor tinha do Sr. Dr. Plinio era insuficiente. Quando o senhor conheceu uma vez, duas vezes, três vezes, pode ser que em determinado momento o senhor teve vontade de conhecer o fundo dos fundos, o unum. Aquilo que explica quem é o Sr. Dr. Plinio. E ali o senhor tinha a essência dele, Sr. Dr. Plinio.
É o ponto de partida de todo o espírito dele, de toda a mentalidade dele, de toda a personalidade dele, de toda a vocação dele. O senhor tinha desejo de chegar até o fundo e conhecer esse ponto que é a essência.
O por onde Deus se explica, o por onde Deus é Deus, o por onde Deus é infinito, o por onde Deus é capaz de ver-se a si mesmo. Este "o por onde", esta essência eu quero conhecer. E eu não estarei quieto enquanto eu não conhecer. Minha inteligência só vai ficar quieta, só vai sossegar, só vai tranqüilizar-se, só vai ter felicidade plena quando conhecê-lo. A essência de Deus. Está claro? (Cfr. "jour-le-jour" 6/1/97)
O que JC descreveu é o “unum”, não a essência.
Entrevista a JC em Ituiutaba (MG), 7/3/99, pela TV local repetidora do sistema SBT:
Pergunta: ... dia internacional da mulher, qual é a mensagem do Sr., através dos ensinamentos de Fátima, para a mulher que está chegando também, atravessando este novo milênio?
Resposta:
A mulher tem uma felicidade imensa. A mulher tem uma arqueti[ia extraordinária que é Nossa Senhora. Nossa Senhora não é homem, Nossa Senhora é mulher, foi Deus que escolheu não um anjo, não um homem, mas escolheu uma mulher para ser elevada à categoria mais alta que existe em toda a ordem do ser, que é justamente o participar da união hipostática. Nosso Senhor Jesus Cristo, Deus e homem verdadeiro, escolheu uma mãe, Ele quis ter uma mãe, e quis que a mulher fosse participante --de forma relativa-- da união hipostática com Ele.
De maneira que a mulher tem para si um futuro brilhantíssimo, a mulher tem para si um chamado extraordinário.
Há muitas coisas que o homem pode fazer. O homem pode dar um bom cozinheiro, um homem pode dar um ótico alfaiate, um homem pode dar uma pessoa que entenda muito bem de cabelos, de cosméticos, disto, daquilo. Mas o homem não pode superar a mulher no que diz respeito à maternidade. A mulher tem um instinto materno que o homem jamais, com todas as suas qualidades, supera.
Portanto eu digo à mulher neste 8 de março, cuja festa se celebra, eu digo: tenham convicção do papel importante da mulher dentro da história da criação. Sejam outras Virgem Maria.
Dar opiniões superficiais sobre matéria que não se domina com precisão (...) é muito perigoso. Uma afirmação temerária pode conduzir a uma posição cismática. (Cfr. "E Monsenhor Lefevre vive?" p.64)
Sede do Reino de Maria, 16/12/97, depoimento do Sr. Henrique Fragelli:
[Nos EEUU], antes da morte do SDP, [JC] já estava [bancando] de profeta, [que tinha] discernimento dos espíritos, etc.
Me lembro que quando houve um encontro de apostolado universitário, (...) colocaram ele no meio, para ver se ele estando lá, ele então participava da coisa e apoiava. Deu uma reunião para eles e depois ele foi analisando um por um. O SDP estava vivo ainda, hein.
Houve dois casos. Um rapaz chamado Antony Santelli (?), italiano, economista, muito esperto, daqueles ambientes conservadores de Washington, ia a todos os programas de apostolado na sede, gostava muito, ia lá para conversar, bem inteligente.
JC viu ele, conversou um pouco com ele. Disse para o Sr. Mário: “Olha, esse fulano tem um Tau ... !”
O Sr. Mário ficou entusiasmadíssimo. Trouxe o sujeito para São Paulo pessoalmente. Apresentou ao SDP, o SDP atendeu a ele 3 ou 4 vezes, uma das conversas foi de 40 minutos.
O SDP lhe disse: “meu caro, você não tem vocação para a TFP”.
O homem caiu das nuvens!
O SDP: “você seja um bom amigo da TFP, a TFP também precisa de amigos, você encontrando uma boa oportunidade case-se, etc.”
Outro foi um rapaz, irmão de dois membros do Grupo, Carlson. A mesma coisa. JC chamou o Sr. Fragelli e disse: “esse aqui é o melhor dos três, olha mande para São Paulo, porque tem um Tau ... ta-tá”, fez um super elogio.
O Sr. Fragelli pegou um rapaz da idade dele, para acompanhá-lo especialmente ao Brasil. Geralmente os bem-te-vis vinham em grupo, mas como esse rapaz teria um Tau espetacular ... E o Sr. Joseph Townjes (?), que vinha acompanhando a ele, vinha entusiasmado, porque vinha numa missão especial, e oportunidade de vir ao Brasil. Ficou super contente.
Chegou aqui, o SDP disse: “mas meu filho, afaste esse rapaz o quanto antes do Grupo”. (...)
(Sr. Brambila (?): Em 83, na Saúde, me lembro que ouvi do Caio Newton: “não precisa consultar ao SDP num primeiro momento, mostre a foto para o JC, que ele não erra! Não tem perigo”).
Ele pegava fotos de apostolandos e analisava no duro mesmo, como se tivesse discernimento. E dizia umas coisas óbvias: “esse rapaz aqui eu acho que deve ter um problema de pureza ...”
(...)
Voltando ao caso dos EEUU, houve esses 2 casos que ele bancou ter discernimento dos espíritos e que chocou muito aos americanos.
(Dr. EB: Quando foi?)
(Dr. Mário Navarro: Foi no penúltimo congresso para universitários).
Foi o último no qual JC esteve presente.
(Dr. Mário Navarro: Deve ter sido 94).
Reunião na Saúde, 3/6/97:
Ainda que [Dr. Plinio] aparecesse para me punir, ainda que ele me aparecesse aqui, por exemplo, agora: todo mundo abriria alas, eu sairia daqui imediatamente; todo mundo se poria de joelhos, eu também me poria de joelhos; ele se sentaria aqui e diria:
-- Eu vim aqui só por uma razão: é para fazer um capítulo, e para mostrar toda a maldade que existe na alma deste que estava lhes falando agora.
Eu ficaria encantado. Eu me derreteria de emoção. E eu não oporia nenhum obstáculo a tudo o que ele me dissesse. Porque eu tenho consciência disso: todas as vezes que ele me corrigiu, eu vi nas correções que ele me fez uma justeza de discernimento dos espíritos absoluta e completa. E encantava-me, entusiasmava-me ver a retidão profunda dele, a integridade total, absoluta dele, o quanto ele era um com a virtude, o quanto ele era um com Deus, o quanto ele era um com Nossa Senhora, com a moral, com a disciplina... E aquilo me dava a idéia de um homem que poderia se chamado Lei-viva. Então, via-se a grandeza da retidão moral dele. E ele me corrigindo neste ponto ou naquele, me causava alegria. E eu tenho saudades dos apertos dele! A gente deve admirá-lo até nesses momentos: até nos momentos dos apertos, até nos momentos das correções. Porque era feito com tanta elevação, com tanta retidão, com tanta integridade, com tanta substância, que a gente teria vontade de dizer:
-- Senhor, vamos fazer o seguinte? Eu, sem pecar, sem ofender a Deus, eu vou ver se erro aqui, lá e acolá, para o senhor me corrigir durante a eternidade inteira. Porque dá vontade de errar para ser corrigido pelo senhor.
Mas o próprio JC conta ("jour-le-jour" 22/1/96) que quando Dr. Plinio fez uma leve alusão a seu papel no estrondo do Fedeli, ficou absolutamente desengonçado.
Idem em 1995, quando chegava ao auge a tensão entre Dom Corso e os 4 padres de Campos: Dr. Plinio tinha sugerido que fosse apresentado ao Pe. Royo um estudo de Átila Guimarães, a fim de verificar se seria possível utilizá-lo como defesa dos 4 sacerdotes; mas JC não gostou --porque sabia que o Padre Royo é favorável ao Concilio--; então Dr. Plinio teve que mudar o plano. A respeito disso, Dr. Plinio comentou a André Dantas: “O João faz isso com uma espécie de liberdade de movimentos que você vê que eu dou a ele largamente”. Ao tomar conhecimento dessas palavras, JC confessa que caiu “numa terrível provação” (Cfr. “Juizo Temerário”, pp.23-25).
"Jour-le-jour" 1/6/97:
As reuniões, o Sr. Dr. Plinio sempre as fez e nunca me lembro, em nenhuma circunstância da vida, não sei se os que mais conviveram com ele devem ter ouvido alguma coisa, eu nunca ouvi ele dizer: "Precisa obrigar Fulano a ir à reunião". Ele nunca obrigou a aparecer nas reuniões dele. Ele fazia as reuniões, as pessoas que quisessem vir estavam convidadas, estavam presentes; quem não quisesse, não vinha (1).
Às vezes é um domingo de manhã, há gente que tem obrigações, há gente que tem apostolado, por exemplo, a Saúde está toda metida em apostolado, hoje tem alguns em retiro, outros em acampamento, outros em Foz do Iguaçú, outros não sei onde. Quer dizer, cada um tem suas obrigações, cada tem seus problemas, cada um tem suas apetências.
Os portões estão abertos e não existe acepção de pessoas. Todos os que queiram entrar estão convidados. Não está dito que Fulano de Tal pode, Sicrano não pode, é para todos (2).
Comentários:
De fato, até onde temos conhecimento, em público JC nunca obrigou ninguém a assistir às suas reuniões. Mas por debaixo do pano ... Tanto assim que seus adeptos consideravam quem não assistisse aos "jour-le-jour" como “fumaça preta”. Isto é absolutamente inegável.
Mas pouco depois desse palavreado, a partir de outubro, proibiu a todo e qualquer membro da TFP Americana colocar um pé nas sedes que estavam sob sua alçada, e até mesmo em algumas que não estavam sob sua jurisdição --como Londrina.
Na mesma ordem idéias, considere-se o seguinte depoimento do Sr. Frederico Viotti (Brasília, 30 de outubro de 1998):
Em Dezembro de 1994, no primeiro dia das comemorações pelo aniversário do Sr. Dr. Plinio, estando este e.m. no pátio do auditório Na. Sra. Auxiliadora para assistir a cerimônia de recepção de capa e hábito, recebeu, por meio do Sr. Nelson Barretto (que chegou bastante aturdido), a ordem de se retirar imediatamente do Êremo. Para maior dificuldade, o carro já estava completamente fechado por outros veículos que também tiveram que ser removidos para dar acesso à saída.
Soube, posteriormente, que o JC havia se negado a entrar no auditório sem que eu me retirasse.
Pelo que me foi dito, ele já havia tomado a posição de me afastar da TFP.
Num texto sem referencias, do qual existe uma cópia na Saúde e também no arquivo de Roberto Kallás ("K 25 nro.1"), figura uma série de normas dadas por JC aos apóstolos itinerantes a respeito do relacionamento com ex-cooperadores:
Quero enviar-lhes algumas normas a seguir com ex-membros que não dêem sinais de estarem arrependidos e que não tendem a colaborar com a instituição, mas que nos procuram apenas para tratar de negócios pessoais ou para manter relações de caráter individual com os cooperadores.
(...)[O cooperador] absolutamente nunca deve dar-lhes informações sobre o que ocorre dentro da TFP, nem aceitar do ex-membro, como válidas, críticas a este ou aquele fato interno da TFP. Se se tratar de uma crítica à doutrina da TFP ou de sua atuação pública podem discutir. Mas se se tratar de coisas internas da TFP, é absolutamente necessário desviar a conversa, ou dizer claramente que as coisas internas se discutem com os que estão dentro de casa. "Roupa suja se lava dentro de casa".
Isto contradiz seu atual procedimento, pois após a ruptura JC mandou divulgar a crise interna pelas ruas do Brasil inteiro através: a) do libelo “Quia Nominor Provectus”; b) do volante “Divisão no seio da TFP?”; c) das visitas realizadas pelos joanistas aos doadores e propagandistas de Fátima d) dos processos trabalhistas que os joanientos abriram contra a TFP.
Dentro da campanha de promoção do “homo iniquo et doloso”, tanto ele como seus agentes espalham que nasceu num 15 de agosto, dia da Assunção. Uma amostra figura na contracapa do livro “Fátima, aurora del tercer milenio” (edição espanhola, Madri, janeiro de 1999). Embaixo de uma foto do “autor” aparece esta frase: “nacido el 15 de agosto de 1939, festividad de la Asunción de la Santísimo Virgen, Juan Clá Dias ...”
Na realidade nasceu um dia depois, conforme consta no seguinte documento:
Termo de Declarações:
Aos 25/2/99, nesta cidade de S. Paulo, capital, na Sede do 77° Distrito Policial, Santa Cecília, onde se achava o Dr. Andre Luiz A. Antiqueira, Delegado de Policia Assistente, comigo escrivão de seu cargo, ao final assinado, compareceu João Scognamiglio Clá Dias, RG..., filho de Antônio Clá Dias e Anita S. Clá Dias, de cor branca solteiro, com 59 anos, nascido aos 16-08-1939(...)
Covadonga-Informa, boletim da “TFP” espanhola, setembro de 1998:
Desde hace meses [NB: ao que parece, desde maio de 1998], miembros de diversas TFPs realizan una gira por Centroamérica llevando en peregrinación una imagen de la Santisima Virgen de Fátima.
Colombia – (...) El dia 19 de mayo se celebró en la catedral [de Cartagena de Indias] una ceremonia en honor de la Virgen de Fátima, y el Sr. Arzobispo colocó solemnemente la corona a la bella imagen (...).
Guatemala – (...) [El Arzobispo, Mons. Próspero Penados] llevó a cabo también la coronación de la Virgen.
El Salvador – En junio (...) fue coronada por el Pronuncio, en nombre del Nuncio Apostólico (...). Uno de los programas de mayor audiencia invitó a dos miembros de la TFP --uno de ellos el encargado de la peregrinación, el conde Andreas von Meran-- para hablar del mensaje de Fátima, de la TFP, de su fundador, el Prof. Plinio Corrêa de Oliveira.
Nicaragua – A comienzos de julio (...). En la Catedral la Virgen fue coronada por Mons. Obando.
Diario do Nordeste, caderno 3, Fortaleza, Ceará, 10/12/98 - Recital de canto gregoriano na Concha Acústica:
Criada há 10 anos, em São Paulo, a Associação Cultural Nossa Senhora de Fátima [NB: foi fundada em agosto de 1997!] propõe-se a difundir a mensagem e a devoção às orientações cristãs manifestadas por Ela em 1917. Para isso, vem percorrendo o Brasil e alguns países da América Latina através da apresentação da imagem peregrina de Nossa Senhora de Fátima, de un coro especializado en canto gregoriano, e de uma banda sinfônica. (...) o coro, regido pelo maestro João Clá Dias (...). A apresentação (...) contará com um ritual criado por esta instituição laica: a “coroação da Imagem de Nossa Senhora de Fátima”.
Segundo o coordenador do coro, o conde (...) Andreas von Meran (...) o grupo não mantém qualquer relação com o grupo conservador Tradição Família Propriedade, a TFP.
Trecho de uma intervenção de ACL dura na reunião da Comissão Médica, 1/11/92:
Eu havia escrito uma carta ao senhor sobre esse assunto, no começo do ano 92, que é a idéia de fazer um arquivo sobre os problemas brasileiros (...). Eu tenho já 230 pastas de assuntos brasileiros (...). [Eu] comecei a juntar recortes sobre esses assuntos. E está isso à disposição do senhor e de outros membros do Grupo que queiram estudar, etc. A sede lá do Monte Carmelo está até sendo aparelhada para isso, está sendo reformada e tudo, para possibilitar esse trabalho, vai ter até um pequeno auditoriozinho de uns 30 lugares para quem queira fazer reuniões lá.
Ora, nos dois processos movidos em novembro de 1997 pelos sediciosos --inclusive por ACL Duca e R. Kallás-- contra a TFP, eles sustentam que essa Casa nem sequer pode ser considerada “dependência” da Instituição.
Em grafonema enviado aos Provectos (26/12/97), Storni afirma:
Debo hacer constar que el Sr. Alejandro Bravo nunca tuvo y nada tiene que ver con la TFP argentina.
Na realidade, o Sr. Alejandro Bravo, sob as ordens de Dom Bertrand, é o encarregado das TFPs da Argentina, Chile, Uruguai, Paraguai e Bolívia.
Em novembro-dezembro do ano 97, Carlos Alberto Correia, a nome da TFP, pediu por escrito autorização à Cúria para que o Cônego Vilaq celebrasse uma Missa na igreja da Consolação. A autorização foi concedida e a Missa foi rezada. Mas o celebrante não foi o Cônego ...
Este, ao tomar conhecimento que, a não sabendas dele, Carlos Alberto tinha abusado de seu nome, ficou muito preocupado.
Nessas circunstâncias, uma auxiliar do Cônego, visando aliviar sua preocupação, ofereceu conseguir na Cúria uma cópia do documento; obteve uma xerox e a entregou a ele. Na xerox aparece nitidamente a assinatura de Carlos Alberto.
Querendo esclarecer tudo direito, o Cônego ligou para Carlos Alberto, que negou ter assinado o documento.
Aí o Cônego disse a Carlos Alberto: “então a situação é muito mais grave, porque no S.Bento tem alguém falsificando sua assinatura, porque tenho aqui uma carta do Sr. dirigida ao Cardeal e assinada pelo Sr.”
Segundo afirma Ramón León no libelo “Quia nominor provectus”, antes de 1996 JC não permitia que os eremitas comemorassem seu aniversário:
Todos se lembram da inusitada comemoração do aniversário do Sr. João Clá, promovida pelos membros da Martim no ano de 1996, poucos meses depois de ter ocorrido o desagradável caso da Missa. Não era hábito no Grupo celebrar publicamente o aniversário de quem quer que fosse, exceção feita do Sr. Dr. Plinio. Nem mesmo dentro do Êremo de São Bento o Sr. João Clá permitia que os eremitas o fizessem (...).
Entretanto, na conversa de JC com os novatos da Saúde, de 16/8/94 consta o contrário:
(Marcos Enoch: ... o senhor veio na Saúde hoje. Ontem no Êremo São Bento, junto com o Praesto Sum e Saúde, foi rezada uma Missa, uma adoração...)
Informaram-me da festa da Assunção de Nossa Senhora.
[Protestos]
(Marcos Enoch: ... e do dia em que Deus, Nosso Senhor quis que naquele ano o senhor começasse a existir. Então nós queríamos, primeiramente, felicitar o senhor (...) porque a Missa, a adoração que foi feita ontem, é algo que se deve fazer, porque é um ato de justiça, mas é muito pouco em comparação ao que o senhor faz por todos nós, para que nós nos unamos mais ao Senhor Doutor Plinio. (...)
Bem, eu agradeço muitíssimo, aproveito a oportunidade para agradecer as orações que os senhores fizeram, os cartões que mandaram, os grafonemas, a Missa de ontem, a adoração feita ontem, as várias outras orações.
Os amotinados do ENSDP (Japy), num primeiro momento, quando se negaram a devolver os veículos de propriedade da TFP que estavam sendo usadas por eles --aliás, abusivamente--, manifestaram receio e temor de ficarem “confinados na Serra do Japy, reduzidos a uma situação semelhante à de prisioneiros em cárcere privado” (cfr. carta ao Coronel Poli, 3/5/98). Esses veículos precisamente lhes permitiriam sair diariamente do “cárcere”.
Num segundo momento, quando foram convidados a se trasladar a outra Sede, em São Bernardo, manifestaram obstinação para ficarem morando no ENSDP, porque aí encontram “condições ideais”...
Eis a carta enviada pelo joanino Jairo Soares a Dr. Paulo Brito em 11/4/99. Os outros amotinados mandaram cartas idênticas:
Resido nessa sede (ENSDP) há 5 anos, nela encontrando as condições ideais para desenvolver minhas atividades em favor da TFP e zelar por minha saúde. É-me totalmente impraticável essa súbita mudança para (...) São Bernardo do Campo.
Para emitir um juízo a respeito de tudo quanto acima ficou registrado, nada melhor do que usar palavras de um joaniento. Ramón León refere-se à sua expulsão de Jasna Gora:
Surpreende-me ver como em todos estes assuntos a verdade é manipulada, ou contrariada, ao sabor das conveniências pessoais do momento.
(Cfr. “Quia nominor provectus”, p.30)
Reunião da Comissão Médica, 15/9/91:
Pergunta: Se pode dizer que o unum que o senhor disse ontem (R.de Recortes) era o estado de mentira da Revolucão? Era isso a parte central do problema, que o dinamismo da Revolucão é a mentira? Se poderia dizer isso? E que nesse sentido o demônio sendo o rei da mentira então isso seria uma forma de domínio do demônio?
Não, não, não. É uma espécie de inundação da mentira. A mentira poderia ser comparada ao rio Tieté; quer dizer, é um curso de água suja a correr longamente dentro de uma cidade que não é suja; assim também ao longo da história, o rio da mentira corre sempre, não quero dizer que é na historiografia, quer dizer ao longo da concatenação dos fatos humanos a mentira corre sempre, mas há um limite para o extravasamento das mentiras; elas às vezes se tornam muito mais abundantes.
Há um provérbio velho, que eu creio que é português, mas eu não sei se será brasileiro ou português: "em tempo de guerra a mentira é como terra". Indica que nos tempos de agitação, de conturbação, como é em geral para um país --mesmo quando ele é vencedor--, as mentiras, o rio da mentira extravasa tanto como essa vez, porque se trata de uma mentira de uma outra ordem. Não é a mentira da versão falsa que se dilatou, nem é de um caso, mas é uma torrente de mentiras.
Mas ainda isto é muito pouco: é uma atuação misteriosa sobre o espírito humano, que faz o espírito humano ver as coisas como não são e ser sensível a mentiras que nem foram ditas, que ficam pairando pelo ar nos imponderáveis e que o homem pega e acredita.
De maneira que o extravasamento chegou a um tal grau que, em primeiro lugar, não há campo em que a mentira não tenha entrado. Em segundo lugar, são muito poucos os campos onde elas não tenham muita importância. Terceiro lugar, são muitos os campos onde ela é preponderante --quer dizer, a força diretiva é essa. Mas quarto lugar, que é uma coisa mais tremenda, uma espécie de delírio dentro do próprio homem, que faz o homem ver a mentira .../...
... com algum exagero, que não há no campo do pensamento humano domínio nenhum onde a mentira não tenha penetrado, e penetrado largamente.
Ora, isso é um show ou não é?
Aí a palavra show fica ambigua. É uma coisa feita para os homens entrarem na onda, aceitarem. Nesse sentido é um show, mas é um show que procura não ser reconhecido nem identificado, nesse sentido não é um show, é uma coisa oculta, que não quer se mostrar, mas que se torna patente para todos aqueles que não engoliram a mentira do apagamento do lumen rationis, quer dizer, as mentiras que o [apagamento do] lumen rationis pôs na nossa cabeça.
Aparte: O Apocalipse diz que Deus, para castigo dos homens, lhes dará o Anticristo, o artífice da mentira, pelo qual acreditarão no erro.
É muito interessante isso, exatamente porque o artificio da mentira é bem o que eles tem; eles tem a habilidade artesanal de mentir como nunca se mentiu.
Vamos dizer por exemplo: há gente que tem habilidade de mentir de maneira a tornar a respectiva mentira deliciosa. Então o consumo das mentiras que eles dizem é uma coisa enorme. Tipos que contam anedotas, que contam piada, em que procuram fazer acreditar que esta ou aquela anedota é real, de fato não era real. Eu não conheci .../...
Reunião de Dr. Plinio para os Eremos Itinerantes, 8/1/93:
Não mentir nunca. A mentira é uma ofensa a Deus, é uma ofensa a Nosso Senhor Jesus Cristo, a Nossa Senhora. Isso nós não devemos fazer. Ainda que fosse para o bem da causa deles, nós não deveríamos fazer, porque não se faz desaforo a Deus para o bem da Causa de Deus. Deus não precisa de nossas mentiras. Ele que é o Rei do Céu e da Terra, ele que é Deus --não preciso dizer mais outra coisa-- não precisa de nossas mentiras para vencer.
Portanto, mentir nunca. Exagerar é uma forma de mentira, e portanto, exagero também não.