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O Anticristo já veio?


Capítulo 1 – As tendências, idéias e ações de JC vistas em função do falecimento de Dr. Plinio


Capítulo 1 – As tendências, idéias e ações de JC vistas em função do falecimento de Dr. Plinio 1

I. A fuga 3

A. Período de 31 de dezembro de 1994 a 15 de fevereiro de 1995 3

B. Período do 28/3/95 a 26/4/95 9

C. Dados cuja data exata é difícil detectar, mas que podem ser vistos como relativos a todo o período da provação (31/12/94 a julho de 1995) 12

D. Período final da prova, entre julho e agosto 16

E. Analogia entre o estado de espírito de JC em 1982-1983, quando os fundamentos do Grupo começaram a ser abalados por culpa dele, e seu estado de espírito entre janeiro e agosto de 1995, quando começava a insurreição 18

II. O pressentimento de Genazzano 18

III. O retorno 22

IV. A maldição (êremo de Amparo, entre 21/8 e 23/8) 26

V. O reencontro com as bases e o comparecimento diante de Dr. Plinio 29

VI. A alegria e a campanha eleitoral - Notas dominantes do “discorso” joanino durante a hospitalização de Dr. Plinio (2/9 a 2/10) 33

VII. 3 de outubro de 1995 50

A. Estado de espírito dos joaninos horas antes do falecimento de Dr. Plinio 51

B. Estado de espírito de JC e de suas bases no momento de Dr. Plinio expirar 52

C. Estado de espírito de JC e de suas bases depois do falecimento de Dr. Plinio 60

VIII. O enterro e o período “post-mortem” 64

IX. “Fundamentos” da euforia joanina 88

A. A morte de certos santos 88

B. A atitude de São João Evangelista ao morrer Nosso Senhor 91

C. A atitude de Eliseu quando Elias foi arrebatado ao céu 92

D. O fato de Dr. Plinio ter-se salvado e estar na presença de Deus 92

E. A doutrina do corpo místico 93

X. Teses sustentadas por JC e pelos seus agentes 95

A. Antes do falecimento de Dr. Plinio 95

B. Depois do falecimento de Dr. Plinio 96

XI. “Providências” que JC foi tomando antes do falecimento de Dr. Plinio 110

A. No tocante aos funerais de Dr. Plinio 110

B. No tocante aos bens de Dr. Plinio 110

C. No tocante às profecias do Beato Palau e de Sóror Patrocínio relativas a Dr. Plinio 111

D. No tocante ao governo da TFP 112

E. No tocante à preparação dos membros do Grupo “para uma série de coisas”... 113

F. No tocante à promoção de sua candidatura 113

G. No tocante à chefia da Sagrada Escravidão 114

H. No tocante à aproximação com a Estrutura 115

I. Um episódio ocorrido durante a hospitalização de Dr. Plinio e que foi silenciado na época 116

XII. Elementos para analisar o estado de espírito que JC insuflou e as teses que espalhou 116

A. Quanto a sentir a ausência de Dr. Plinio 116

B. Quanto à “cruzada da alegria” 117

1. O clima de festa, sinal da presença do demônio 117

2. O clima de festa, sinal da morte da Idade Média e sintoma do começo da Revolução 117

3. A tristeza faz parte da fisionomia do SDP 117

C. Quanto ao otimismo 118

D. Analogias entre o estado de espirito de JC durante a crise de diabete de Dr. Plinio em 1967, e durante a agonia de Dr. Plinio em 1995 120

E. Quando morreu Dona Lucilia, JC também não sentiu nenhuma dor 122

***



I. A fuga


A. Período de 31 de dezembro de 1994 a 15 de fevereiro de 1995


"Jour-le-jour" 17/1/96:


Eu sei dizer que esse ano de 94 foi assim, cheio, cheio de consolações, consolações, consolações, consolações. Quando, de repente, na noite de 31 para 1°, depois da festa, eu me ponho na cama e começo a me sentir febril a mais não poder. (...) O dia 1° passei ruim e na noite de 1° para 2° eu comecei a pôr sangue pela boca. Eu disse: "Ih! Outra embolia". Não sentia dor. Me sentia mal, me sentia quebrado, mas não sentia dor. Fui para o hospital, fizeram radiografia. Não viram que fosse embolia, a desconfiança era de uma pneumonia. Vários exames, dez dias de hospital, e aí já o céu se fechou. Eu me senti quebrado, completamente quebrado, completamente partido. Me sentia que tivesse cometido alguma falta muito séria que eu não sabia qual era. Ou, então, tinha chegado o momento em que a Providência ia cobrar toda a vida passada, ia exigir, portanto, um contributo do que tinha ficado passado.


*


Conversa de JC com os moços da Saúde, 24/1/95:


E houve um determinado momento em que eu me pus esse problema: "Não é melhor morrer?! Porque isso aqui é insuportável! Não dá para agüentar! Eu não consigo ficar sem respirar! Eu não consigo estar pondo esse sangue que eu estou pondo, e nesse mal-estar colossal. Se isso aqui se prolongar eu me desmonto! Mas, então, se é para desmontar, não é melhor desmontar logo?!"

Então, é normal que nessa hora, no meio de um mal-estar, apareçam as várias fases da vida e a pessoa comece a fazer um balanço e diz: "Bem, mas se eu for agora, você já fez o que deveria fazer? Sim, não, como é que é? Tem algo a mais a fazer? O quê? (...) Nessas circunstâncias, não adianta nada! Nada alivia, nada ajuda, e a pessoa está desfeita mesmo! Então, não adianta aparecer um outro querendo conversar, porque ainda agrava mais. (...) Então, nessa situação, surge o problema do Senhor Doutor Plinio: então, como é que é, como é que não é (1). E é tal o mal estar, que pensamentos como esse passam pela cabeça:

"Não, ele não precisa de ninguém! Ele não vai precisar de você para nada! Se ele é o varão da destra de Maria Santíssima, ele é o homem que foi chamado a derrotar a Revolução, com sua ajuda ou sem sua ajuda, isso vai chegar lá. De modo que não fique aí julgando que, porque pode ser útil para isso ou útil para aquilo (2), que por causa disso você vai sair do outro lado! Não, não! Dessa vez chegou o fim!"

[Exclamações]

Os senhores pediram para dizer, eu estou dizendo. É isso!

Bem, mas nessas circunstância, um alívio: entra um cônego, às 5:30h da manhã e diz:

"Então, o Sr. doente de novo..." E dá a Extrema-Unção.

Na Extrema-Unção o Sr. se lembra de toda a vida passada, vê este fato, aquele fato, aquele outro, e tem certeza de que com aquele Sacramento, isto tudo ficou para trás. Está resolvido.

Bem, depois começam os exames, e os exames vão aos poucos mostrando que não se trata de uma embolia. (...) mas é pneumonia. Fixa-se a pneumonia.

Então, qual é o quadro da pneumonia? É isto assim, assim, a pessoa começa a se sentir um pouco melhor.

Neste ambiente, cai um telefonema do Senhor Doutor Plinio. (...) [quando] de repente toca o telefone: "O Senhor Doutor Plinio quer falar com o senhor!"

Tudo desaparece...

"Então, como é que é, como é que não é?" Conversa sobre isso, sobre aquilo, comenta-se isso, comenta-se aquilo, tudo...

Põe-se o telefone no gancho, a pessoa tem que fazer um esforço para imaginar-se no hospital de novo (3).


Comentários:

  1. Ao quê se refere JC: ao estado de saúde de Dr. Plinio? à idade dele? ou ao “problema” da sucessão?

  2. Quer dizer, passavam pela cabeça de JC pensamentos no sentido de que ele seria uma pessoa indispensável para tocar a TFP. Esses pensamentos, por sua vez, revelam qualquer coisa de carreirosa nas tendências de JC.

  3. O estado de espírito de JC oscilava entre a consolação e a desolação.


*


Conversa na Saúde, 24/1/95:


(Ramos: Como foi... o senhor estando nessas dificuldades. No domingo mesmo, como nosso Pai e Fundador disse, quando a pessoa vê a morte chegar, é como se os ventos da morte chegassem. Se ela não tem um equilíbrio de alma muito forte, ela pende, fica desesperada. Como foi esse período para o senhor, e depois, quando o senhor conversou com o nosso Pai e Fundador novamente, qual foi o gáudio de alma que o senhor teve, vendo tudo isso se passar, mais uma noite se foi e...o sol nasceu de novo, conforme o senhor disse?)


(Soliney: Se o senhor pudesse dizer como foi o convívio do senhor com ele, não só depois, mas durante todo o período de convalescença?)


(...) O último telefonema foi o encontro com ele na semana passada, num sábado à tarde ainda (1). Eu cheguei na Alagoas, resolvi ir até a Alagoas e não no Praesto Sum, porque no Praesto Sum ele iria chegar tarde e eu ia encontrar um mar de "piranhas". Ia ter que falar com este, com aquele, com aquele outro. Depois, atender um... é uma chusma (2). E isso bem tarde da noite, já oito e meia. (...) Então, pensei: é melhor eu ir para um ambiente mais calmo, mais tranqüilo, vou até a Alagoas e pego ele na saída, no hall de entrada da Alagoas (3).

Cheguei lá e avisei o Sr. Clarindo:

"Olhe, eu estou aqui fora e, portanto, quando ele for sair, advirta, lembre que eu estou aqui fora, para ele não me pegar de surpresa. Eu não quero fazer uma surpresa, porque ele não gosta de surpresas".

Daqui a pouco vem o Sr. Clarindo e diz: "O Senhor Doutor Plinio está mandando o senhor entrar".

Eu disse:

-- Não, diga a ele que eu não vou entrar.

-- Mas como, é obediência!

-- Não, não posso obedecer a prática do mal!

-- Mas como isso, se é ele que está mandando o senhor entrar!

-- Mas não vou entrar. Eu não sei se é contagioso ou não é, como é que eu vou entrar! Não posso! Os médicos não deram um veredicto final! De modo que eu não posso arriscar. Não vou entrar, vou ficar do lado de fora.

Dali a pouco, uns tempos mais tarde, aparece o Senhor Doutor Plinio e diz:

-- Onde é que está, onde é que você está? Já que você não quis entrar, eu vim lhe apanhar aqui!

Aí então, ele disse para o Sr. Amadeu:

-- Afaste a cadeira.

O Sr. Amadeu afastou a cadeira para dentro, e ele me disse:

-- Venha aqui!

-- Não, aí dentro eu não vou.

-- Mas chegue mais perto que eu quero ver a sua fisionomia.

-- Olhe, está aqui minha fisionomia.

-- Agora, vamos em direção a ele, meu Amadeu, que eu vou pegá-lo!

Avançou a cadeira e eu disse:

-- Não, não toque em mim de jeito nenhum.


Comentários:

  1. Segundo o texto no qual estamos nos baseando, o 24/1/95 foi terça feira. Portanto, esse dia sábado seria 21/1/95.

  2. Será essa a verdadeira razão pela qual JC não quer ir ao Praesto Sum? Ou será porque não quer que terceiros vejam seu encontro com Dr. Plinio?

  3. Também na Alagoas JC não quer ser visto por terceiros.



*


"Jour-le-jour" 17/1/96:


[Em fim de janeiro, ou começo de fevereiro de 95, fiz uma série de exames, que diagnosticaram que eu estaria com câncer]. Isso foi numa sexta-feira (...) Antes desse exame que estou contando agora fui para o São Bento e disse:

- Olhe, Sr. Ramón, nós não temos o direito de esconder ao Sr. Dr. Plinio. Para o Grupo a gente não tem que dizer nada, para o Sr. Dr. Plinio nós não temos o direito de esconder (1). O senhor vá lá agora no sábado, fica lá plantado no sábado de manhã e às tantas o senhor entra para explicar para ele o que é que houve, com que doença eu estou (...)”.

E nesse sábado à tarde (2), antes da Reunião de Recortes, [o SDP] foi ao São Bento e conversou quarenta e cinco minutos comigo (...) em que ele mostrava e demonstrava por onde eu deveria ter a confiança que [eu] não ia morrer (...). Mas para mim ele falava como se estivesse a quinhentos quilômetros de distância e entre ele e eu existisse uma muralha de vidro que tivesse quatrocentos quilômetros de espessura. (...) Começou uma provação da minha parte para com ele, mas colossal, por onde eu não me entendia, por onde eu achava que ele me tinha rifado, por onde eu achava que ele dizia aquelas coisas por mera educação para poder me ajudar em alguma coisa, mas que na realidade interiormente ele me achava um esparadrapo que deveria ser arrancado do organismo e jogado fora.

Então vem esse exame e depois vem um outro ainda, (...). Eu sei dizer que determinaram que era Sarcoidose. Podia me dar um alívio. Mas quando eu vou falar com um médico, que era o pneumólogo, o médico olha para os resultados e disse:

- Puxa vida, você é um azarado mesmo. Eu preferia que fosse câncer, porque câncer a gente mete o bisturi, tira e está acabado. Mas isso aqui é uma doença que a gente não sabe como é que começa, como é que desenvolve, como é que termina. Mas não se aflija também, porque se você começar a sentir muita asfixia e piorar, nós aplicamos cortisona em quantidade. Durante seis meses de cortisona você consegue se recuperar.

Eu sei dizer que fui acabando. Até que chegou uma certa hora que eu não podia me encontrar com o Sr. Dr. Plinio, porque ia me encontrar com o Sr. Dr. Plinio e sentia uma angústia tremenda, mas uma angústia tremenda. Por mais que ele me tratasse bem, eu me sentia expulso, reprovado.

Eu liguei para o Sr. Fragelli e disse:

- Sr. Fragelli eu estou assim, assim e assim (...).

- Venha já para cá, venha já, pegue o avião hoje.

Eu disse para o Sr. Ramón:

- Sr. Ramón, eu aqui vou morrer, eu vou embora. Se o senhor quiser vir junto, o senhor venha, se o senhor não quiser, o senhor fique aqui, mas eu tenho que sair daqui, não agüento mais (3).

Peguei o avião no dia 15 [de fevereiro], mas esse dia eu já contei para os senhores, que eu não tive meios de despedir do Sr. Dr. Plinio a não ser por telefone depois. Enfim, foi isso.




Comentários:

  1. Quer dizer que para o Grupo JC sim tem o direito de esconder certas informações? Nunca ocultou nada aos membros da TFP?

  2. Segundo a Reunião para veteranos de 6/8/96, foi o 28 de janeiro. Segundo a Reunião na Saúde de 9/4/96, foi no 27.

  3. O que é que não aguenta mais? A doença propriamente dita? Ou a presença de Dr. Plinio? A primeira hipótese não parece, pois pelo mero fato de sair de São Paulo aquilo não cessaria imediatamente. Logo, o que ele não suportava era a presença de Dr. Plinio. Isto é corroborado pelo próprio JC:

a) Reunião na Saúde de 12/9/95:

O senhor calcule que eu não tinha forças para me despedir dele, quando fui para os Estados Unidos. Eu pedi para que ele não me chamasse, e pedi para não estar diante dele que não agüentava. E depois criei um pouco de forças, e telefonei para ele antes de ir para o aeroporto; que deu muito contentamento a ele. E nos dois dias subseqüentes também telefonei, mas com a alma arrasada.

b) Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:

Eu não podia falar com ele porque ele era fonte da minha provação, porque eu me sentia reprovado por Deus, eu me sentia expulso de Deus, me sentia desprezado por Deus, abandonado e me sentia abandonado por ele. Então, quando eu falava com ele, para mim era um tormento.


*


O que aconteceu no 15 de fevereiro? Dr. Plinio se encontrava no São Bento, aonde tinha ido para se despedir de JC, que estava para viajar a Estados Unidos. Dr. Plinio mandou chamá-lo, mas ele, não querendo ser visto por nosso Pai, fugiu para o Praesto Sum, desde onde telefonou para Dr. Plinio. Eis o que o próprio carismático narra:


O último dia em que eu o vi mesmo (...) foi no dia 15 de fevereiro --que aliás eu não o vi nesse dia, porque eu estava tão ruim dos nervos que não conseguia vê-lo. Falei por telefone. E depois só fui vê-lo no dia 1° de setembro, à noite”. (Cfr. Reunião na Saúde, 28/11/95)


Eu me lembro (...) do dia 15 de fevereiro (...). Nesse dia o Sr. Dr. Plinio estava em São Bento e o Sr. Dr. Plinio mandou-me avisar que queria falar comigo para se despedir antes de eu ir embora. Eu confesso aqui --nunca disse a ninguém-- que fui obrigado a chamar o Sr. Ramón e a dizer: “Sr. Ramón, eu não sei o que é que eu tenho. Eu não tenho forças. O senhor explica para o Sr. Dr. Plinio que eu não consigo descer para falar com ele, porque eu estou arrasado, estou desfeito”.

O Sr. Dr. Plinio ficou preocupado, evidentemente: “O que é que está acontecendo? ”.

Eu aí fui me arrastando, fui fazendo a mala com asfixia, me sentindo mal, até que às tantas eu recobrei um pouco as forças e dei um telefonema para ele no Praesto Sum. Eu me lembro até hoje a alegria dele.

Parti sem vê-lo e não o vi mais, a não ser no dia 2 de setembro, na ambulância. (Cfr. "jour-le-jour" 13/1/96 (texto 744)


*



Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95:


Eu passei por uma provação tremenda em relação a ele, mas tremenda, tremenda.Eu, ao falar com ele [SDP] por telefone, saia mais provado do outro lado, porque eu me sentia, dentro daquela idéia do abandono, um esparadrapo que foi arrancado e jogado fora que a doença dava. Parece que a doença dá umas coisas dessas. A conversa aqui [São Bento, 27 ou 28/1] foi a pior de todas.

Eu aqui ajoelhado e ele aqui. Eu canceroso, não podendo oscular as mãos dele --este ano não osculei as mãos dele, a não ser no hospital-- canceroso, com uma doença que não sabia o que é que era. De repente contagiosa. A partir do primeiro de janeiro... Então, eu fui me habituando a viver sem ele.


*


JC se via desprezado por Deus e por Dr. Plinio. Pensava em quanto valia e quanto prestava - Reunião para a Saúde, 10/10/95:


Durante o ano [1995], a primeira doença [que tive foi] uma doença que mexia não só com os pulmões, mas ela teve o seu efeito no fígado, teve o seu efeito... homem! por várias partes, e sobretudo nos nervos, por onde dava uma espécie de angústia e de sensação de abandono, sensação de falta de assistência da Providência. A gente sentia os Céus toldados e fechados sem que ouvissem as orações. A gente se sentia completamente posto de lado.

(...) E pior! O Senhor Doutor Plinio --por mais que quisesse me tratar bem, como ele fazia--, eu sentia na voz dele e na presença dele, na benquerença dele um como que disfarce para a Providência me tratar ainda com mais desprezo, mas que no fundo ele via o quanto eu era um bagaço, o quanto eu não valia nada, não prestava mais para nada, o quanto eu estava destroçado e que ele dizia essas coisas todas, no fundo, para ver se me causava algum consolo, mas que na realidade o fundo do fundo do pensamento dele a meu respeito era o mesmo de Deus. Ou seja...


*


"Jour-le-jour" 13/1/96 (texto 744):


Eu não sei se [a sarcoidose] era doença, eu não sei se era demônio, eu não sei o que é que era. Eu sei dizer que eu tinha pânico de ver o Sr. Dr. Plinio.

Por que esse pânico? Não sei explicar. Eu sei que quando aparecia diante do Sr. Dr. Plinio, eu me sentia reprovado.





B. Período do 28/3/95 a 26/4/95


Primeiro, JC se sente melhor, como um touro, ávido de ver a Dr. Plinio, tem alegria, experimenta paz, da indignação passa para a resignação. Mas meio “ex abrupto” recai e retorna à aversão em relação a Dr. Plinio. No final, quase de um dia para outro, se recupera rapidamente e fica consolado:


Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde (S. Paulo), 28/3/95:


(Frizzarini: Fenomenal! Esplêndido, Sr. João. Nós estamos contentíssimos de poder ouvir o senhor. Não sei se o senhor teria algo mais para falar a respeito de como está o senhor, de como está indo a...)


Bem, eu como me encontro: eu me encontro num perigo do outro mundo, porque eu não estou inteiramente curado, mas estou com uma gasolina que eu não tinha nem antes de ficar doente, de modo que está um perigo, eu estou num...

(...) os senhores vêem a disposição com que eu falo com os senhores aqui, é uma disposição de quem se sente bastante bem, e que nós estamos num telefonema de 38 minutos já, sem o menor cansaço da minha parte, portanto, é apenas o cansaço do taxímetro aqui, mais nada.


*


Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde, 4/4/95:


(Ricardo Basso: Salve Maria,Sr. João, aqui é Ricardo Basso).


Salve Maria, Sr. Ricardo, o Sr. vai bem?


(RB: Graças a Deus, bem. E o senhor como está, Sr. João?)


Melhor ainda do que a semana passada. De maneira que a distância vai se encurtando cada vez mais.


(...)


[Defeito na gravação]


(RB: ... melhor Sr. João, graças a Deus?)


Muito melhor.


(RB: Está bom. Ficamos contentes com isso, Sr. João).


*




Telefonema entre JC (EEUU) e a Saúde, 20/4/95:


(Wagner S.: [inaudível] como está o senhor?)


Bastante bem, e o Sr. vai passando bem, Sr. Wagner?


(...)


Eu agradeço muito as orações que os senhores tem feito aí, Sr. Wagner e a dupla, a gratidão que eu tenho ao senhor, aproveito para agradecer a todos. E não esmoreçam, porque eu queria dizer o seguinte: é mais fácil chegar de 1 a 99, do que de 99 atingir o 100. Então quando diziam: "Olhe coitado, o Sr. João está ruim porque está passando assim, tal outro sintoma, tem tal outra complicação". Aí o pessoal rezava mesmo. Agora que eu telefono para todos os cantos, o pessoal ouve minha voz e diz: "Nossa, ele está um touro!!!" E de repente esmorece nas orações e eu não atinjo o 100.


(...)


Quem está falando? Oh, Sr. Eric!


(Eric: Como vai o senhor, Sr. João?)


Bastante bem, e com saudades do Sr.


Nesse mesmo telefonema, JC conta:


Eu confesso ao Sr. o seguinte: que eu tinha alimentado uma esperança enorme de que nesta semana a Senhora Dona Lucilia me daria um jeito de eu ir para São Paulo. Essa esperança entrou até uma certa torcida, uma certa sofreguidão e eu fui preparando os campos, preparando os caminhos para que isto desse certo. E qual não foi -- eu vou dizer com toda a franqueza -- a decepção, a trombada que eu levei na sexta feira, quando eu percebi que eu estava com um problema sério e que não ia ser possível, de jeito nenhum, ir para São Paulo. (...) E em certo momento eu -- calcule o Sr. que a provação foi de 6ª à noite até 4ª feira à tarde, ontem -- não agüentei e me abri com Mater Boni Consilii a Genazzano, e me abri com a Senhora Dona Lucilia e disse: "Olhe, é uma coisa impressionante, é uma pancada atrás da outra, eu sei que mereço, mas quando é que vai terminar isso, porque eu já estou querendo muito rever ao Senhor Doutor Plinio, voltar à São Paulo e justo agora na festa do dia 21. Oh! mas que coisa, onde já se viu etc." Eu no meio desta abertura de alma com Nossa Senhora, mas... aflito, penalizado, toca o telefone, e o Sr. Inoue me diz: "O Senhor Doutor Plinio quer falar com o senhor". Aí o Senhor Doutor Plinio veio ao telefone e disse:

-- Então, como é que vai, meu filho?!

Cumprimentos muito amáveis da parte dele, paternal. E eu disse:

-- Olhe, senhor, entre paulada e paulada. Porque eu já estava pronto para ir para São Paulo quando recebi uma paulada com essa flebite aqui e tive que vir para a cama. De maneira que eu não sei mais, francamente eu não sei mais... Eu antes não via a hora que começasse a Bagarre, para que começasse os castigos aqui lá e acolá. Eu agora além do começo da Bagarre, o que estou querendo é que pare de haver uma pancadaria como tem havido. Não é possível. Eu sei que não é só comigo.

-- Você precisa ver minha vida aqui como é que é, porque também a minha vida está toda ela assim. Não faz idéia, e tem tal coisa...

E me contou algumas coisas que alguns do senhores até conhecem. E eu disse:

-- Pois é, mas quando é que isso acaba?

E ele disse:

-- Meu filho, tenha paciência, porque já, já, a pancadaria pára do lado de cá e começa do lado de lá. [Exclamações]

Aí eu tive uma certa alegria, mas maior alegria eu tive com o que eu vou contar agora. (...) Eu sei dizer que tratamos de outros assuntos etc., eu pus o telefone no gancho e senti uma paz e me veio o seguinte: "Bom, eu estou disposto ao que ela quiser, se ela quiser que eu fique aqui dia 21, 22, 23, eu estou disposto". E aí entrou em minha alma uma graça de resignação que antes eu não tinha -- eu estava aqui indignado -- e disposto ao que ela quisesse.


*


"Jour-le-jour" 13/1/96 (texto 744):

E durante quase todo o período da doença sempre que me chamava era as horas que eu estava pior.

Lembro-me o dia 21 de abril eu na cama, mas, olhe aqui, varado de cólicas, (...) batem na porta do quarto e dizem: - Está o Sr. Dustan com o Sr. Dr. Plinio querendo falar com o senhor.

Eu disse:

- Não posso dizer que eu não estou, não tem jeito" (1).

Peguei o telefone e o Sr. Dustan disse:

- Olhe, nós estamos aqui com o Sr. Dr. Plinio.

O Sr. Dr. Plinio conversando comigo no telefone e eu morrendo do outro lado na cama.


Comentário:

  1. Quer dizer que a contragosto falou com o SDP?


*


Reunião para a Saúde, 10/10/95:


Então eu fui triturado durante meses assim e quando eu estava quase saindo do outro lado --em 21 de abril-- eu comecei a ter umas cólicas tremendas, brutais, e no dia 22 de abril eu quase morri. Aí foi pior ainda do que a anterior. Fui parar no hospital e passei, portanto, por duas mortes, [recebi] duas vezes a Extrema-Unção.


*


"Jour-le-jour" 17/1/96”:


Uma coisa curiosa. [No] dia 26 de abril, sem eu pedir nem nada, me levaram uma estampa [de Mater Boni Consilii] que o Sr. Dr. Plinio usou durante anos que estava no meu relicário. Levaram para o hospital e eu fiquei olhando para Nossa Senhora. (...) Olhando para Nossa Senhora eu dizia: "Mas como é que a Senhora pode me deixar assim sem uma notícia, sem nada. Mas eu vou morrer ou não vou morrer? Como é que é? Como é que não é?" Já tinha tomado uma segunda extrema-unção.

Quando eu estava pedindo a Nossa Senhora entra o médico. O médico entra e disse:

- (...) Olhe, o senhor está bom. Eu nunca vi uma pessoa se recuperar tão rápido quanto o senhor. Eu que ia segurar o senhor aqui no hospital durante um tempo acho que o senhor pode ir para casa. Eu vou lhe dar alta.

Eu vi naquilo um sorriso de Nossa Senhora.





C. Dados cuja data exata é difícil detectar, mas que podem ser vistos como relativos a todo o período da provação (31/12/94 a julho de 1995)


"Jour-le-jour" 17/1/96:


Nos Estados Unidos provação tremenda (...). Se eu fosse contar as minúcias todas, foi um tratamento da Providência mas de massacrar. Massacrar desde os pés até a cabeça.

Com pequenos episódios como aquele da vitrola que tocou sozinho; um pôr-de-sol bonito que toca muito a alma; a imagem de São José; mas são assim uns cinco ou seis episódios fugazes no meio de um massacre monumental.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, “confidencial”, 3/9/95 – Domingo:


O que eu passei foi uma coisa inteiramente sui-generis. (...) Foi uma provação de uma sensação de abandono completo, completo, total e sentindo uma espécie de esparadrapo arrancado assim e jogado no lixo.

Os senhores diriam: "Mas nós dávamos toda espécie de manifestações de amizade para com o Sr. O Senhor Doutor Plinio veio aqui e disse para o Sr. tal coisa, tal outra." Era como ter dito para alguém que tivesse os ouvidos furados por um prego. Não ouvia nada.


*


"Jour-le-jour" 10/9/95:


Nosso Pai e Fundador (...) ele se desdobrou sobre o caso, tentou várias vezes conversar comigo, dar-me conselhos e apoios, telefonemas e bilhetes, e cartas são inúmeros. Algum dia, com calma, eu tomo todos os telefonemas dele e todas as cartas que trocamos, todos os bilhetes que trocamos, recados, etc., comentários e trago aqui para os senhores para fazermos um “jour-le-jour" especial sobre isso.

(...) Mas é preciso dizer o seguinte, hein!, que em todos esses episódios que eu vou mencionar em gratidão, todos eles com uma secura completa, total e absoluta. Abandono o mais pleno possível. Mas com o Senhor Doutor Plinio, em concreto, eu me sentia assim a quinhentos quilômetros de distância, ou então uma parede de cristal muito grossa entre ele e eu. Ele falava, eu mais ou menos entendia as palavras que eram interpretadas através da articulação dos lábios, e só, mas nem sequer o som chegava aos meus ouvidos. E nada me tocava, nada me movia, eu "continuava como dantes no Quartel de Abrantes", tal qual.


*


Reunião na Saúde, 12/9/95:


(Soliney: Deste sete meses que o senhor passou longe do Senhor Doutor Plinio, como é que o senhor se sentia longe dele, especialmente durante a doença do senhor. Como é que o senhor se sentia em relação ao Senhor Doutor Plinio, diretamente dele?)


(...) Para mim, deu-se neste período o que eu disse aos senhores, uma sensação de abandono completa, e para mim o Senhor Doutor Plinio era um ente que existia no planeta Marte. Para mim era um tormento ter quer falar com ele por telefone. Porque eu falava com ele e percebia que a voz dele, para mim, não importava nada. Então ao invés de ter aqueles telefonemas cheios de consolação de entusiasmo, para mim eram telefonemas ultra provantes, angustiantes.

O que eu posso dizer? é isso. A Providência quis isso por que? Não sei.

E então para mim era um abandono completo, completo. Eu só senti uma proteção especial dele no momento em que houve aquele deságüe tremendo, daquele teto que desabou com água em cima da relíquias, e eu foi obrigado a secar as relíquias e colocá-las dentro do quarto de meu uso. Então dois relicários que ficaram no quarto de meu uso. Naquela noite, eu comecei sentir uma proteção da parte dele e dela fora do comum. [Exclamações] A tal ponto que eu passei a rezar para ele diretamente, e aí a cura começou. [Exclamações]

Mas o resto do que veio antes, oooh!!! foi terrível.


*


Na reunião na Saúde, 28/11/95, JC conta que teve desilusão a respeito de tudo:


Quando a gente chega assim depois dos 50, já meio estendendo o braço assim para os 60, para agarrar os 60 ali, acontece que muita experiência da vida a gente acaba adquirindo. E desilusão a respeito de tudo, aquilo vem como um mar. (...) Ainda mais a doença neste ano, me deu uma desilusão de tudo. Eu precisava fazer esforço para querer viver. E os médicos diziam isso: "Essa doença tira a vontade de viver. Se o senhor quiser atravessar do outro lado, lute contra isso e faça força em querer viver."

Então tudo tinha ficado para trás. E eu acordo do lado de cá quando eu estou vendo ele morrer. E esse ver ele morrer se deu justamente no momento em que voltou, depois da doença, a certeza, o desejo de vitória da Causa dele.


*


No "jour-le-jour" 17/1/96, conta que não teve desilusão a respeito da certeza de que Dr. Plinio vencerá. E que uma de suas cogitações era a respeito de sua missão na história:


[Eu] fui assistido por uma graça de Nossa Senhora fortíssima desde o momento em que eu entrei para o Grupo (...) na linha da vocação, na linha da certeza da vitória, na linha da fé. Não tenho mérito nenhum, foi um presente dEla, uma dádiva dEla, por onde eu tinha certeza absoluta de que o Sr. Dr. Plinio venceria. E eu não me lembro em nenhum momento de minha vida de ter sido provado nessa matéria. Portanto, eu nem tenho mérito, porque foi me dada essa certeza com tanta superabundância... Mesmo durante a doença eu não tinha dúvida nenhuma que o Sr. Dr. Plinio vencesse. O que tinha certeza era de que eu ia desaparecer da história (...)


*


"Jour-le-jour" 15/9/96, Spring Grove:


(Aparte: Durante a doença do senhor aqui em 95, o senhor teve uma provação, o senhor sentia como se fosse um vidro que dividia o senhor e o Sr. Dr. Plinio. Gostaria de saber como o senhor ficou nesse panorama dos "flashs" até durante essa provação).


São João da Cruz diz o seguinte: que todos nós passamos por noites escuras na nossa vida espiritual. Até diz ele que são três noites escuras: a noite escura da inteligência, a noite escura da vontade, a noite escura da sensibilidade. Apaga-se completamente tudo o que possa ser compreensão, a pessoa fica na confusão completa; na noite escura da vontade a pessoa perde o ânimo, perde a vontade para todas as coisas mais elevadas; e a sensibilidade não sente nada. É preciso que ela passe por isso para purificar-se, diz ele.

Isto acontece não só uma vez na vida, mas às vezes acontecem várias vezes.

(...) Eu, por exemplo, me imaginava um esparadrapo arrancado e jogado fora, mas eu sentia que esse esparadrapo tinha relação com aquela vocação. Isto é uma coisa curiosa: todos aqueles que têm vocação, todos aqueles que têm chamado, o chamado é tão profundo, dada a situação da Igreja nos dias de hoje, dada a situação da Civilização Cristã nos dias de hoje esse chamado tem uma tal robustez, uma tal importância, que mesmo na apostasia esse chamado continua ainda batendo na porta da pessoa.


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:


Eu passei por uma doença que eu não desejo a ninguém. Eu disse para os senhores que não desejava nem para os meus inimigos internos e não desejo mesmo. É uma doença tremenda, porque impressiona muito o senhor sentir que o senhor tem o gosto de sangue na boca --desculpem o realismo do problema-- e quando o senhor põe o lenço, o senhor vê o lenço todo cheio de sangue. Então o senhor perceber que está saindo sangue dos pulmões é uma coisa que já abate, mas o pior não é.

Quando o senhor põe sangue pelos pulmões como, por exemplo, aconteceu na embolia, mas o senhor ainda está com a gasolina acesa e o senhor consegue andar de um lado para outro, o senhor consegue fazer isto, fazer aquilo e aquilo outro, isso não é nada. Mas quando o senhor põe sangue pela boca e está quebrado por dentro, o senhor se sente um homem zero (1), um homem que foi --e essa era a pior das sensações-- desprezado pela Providência, tomado pela Providência como um lixo e jogado fora como um bagaço, isso é tremendo, tremendo, tremendo.

Todos os traumas de enfiar agulha nos pulmões, todos os traumas de enfiar aqueles tubos dentro dos brônquios, todas as dores que aquilo deixou, o sangue que o senhor punha para fora depois daqueles exames todos, depois a falta de força, a falta de vontade, o desejo de morrer, o desejo de desaparecer, o desejo de sumir, de ser aniquilado, tudo isso foi um período longo por onde eu aprendi a viver completamente desligado de tudo e de todos (2).

O Sr. Dr. Plinio falava comigo pelo telefone e me dava a impressão de uma pessoa do planeta Marte que se interessava por uma formiga no planeta Vênus, não tinha nada que ver uma coisa com outra. Até eu sair do outro lado demorou.


Comentários:

  1. Mais um indício de que, durante a prova, JC era tentado a respeito do valor de sua pessoa.

  2. Quer dizer, o fruto dessa “noite escura”, do “acrisolamento” pelo qual passou, foi aprender a ser auto-suficiente?





D. Período final da prova, entre julho e agosto


Dos Estados Unidos JC vai para Espanha. Em 1 de agosto, está na Itália. Em 15 de agosto, na França. Retorna para Estados Unidos - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:


Quando eu já estava com um pouco de desejo de revê-lo (1), eu disse: "Bom, vamos ver como é que são essas coisas na vida comum de uma cidade. Vamos à Espanha primeiro".

Desço na Espanha e meu relacionamento com ele foi um relacionamento burocrático durante todo o estrondo da Espanha, e não podia ser de outra forma. Eu que saía de uma doença dessas, entrava num relacionamento burocrático puro e simples.

Quando termina o relacionamento burocrático, eu vou a Genazzano e em Genazzano aquela premonição no dia 1° de agosto: "Ele vai morrer, vai morrer, vai morrer, vai morrer".

Já vinha preparado antes (2), vem a premonição dia 1° de agosto, que fica intensa, cada vez mais intensa, que os próprios que conviveram comigo nesse dia em Genazzano são testemunhas. O Sr. Mikel, o Sr. Juan Miguel, o Sr. Miguel Angel, etc., perceberam que eu estava diferente. Eu estava assustado.

Depois vai para os Estados Unidos, ele piorando, piorando, piorando. Vem para São Paulo, ele piorando, piorando, piorando. Quando recebo a notícia no dia 1° de setembro de manhã que ele estava com câncer aquilo não me abalou.


Comentários:

  1. Antes disso, ele não tinha desejo de rever a Dr. Plinio.

  2. Já vinha preparado? Quer dizer que, antes do aviso de Genazzano, ele já pressentia --ou sabia-- algo no sentido de que Dr. Plinio ia falecer?

  3. Não ficou abalado porque a série de pancadas que tinha recebido acabaram fortificando-o ou porque continuava frio e distante em relação a Dr. Plinio?


*


No 15 de agosto JC estáva na França, desde onde falou pelo telefone com Dr. Plinio - Conversa com seus íntimos, 31/3/96:


(Zacarias: Sr. João, no dia 15 de agosto do ano passado, o senhor teve um telefonema com o Sr. Dr. Plinio...)


Foi o último.


(Zacarias: Foi o último. Ele se emocionou muito, o Sr. Dr. Plinio).


É o que eu digo para os senhores, eu tenho que ser sincero: eu não percebi (1).


(Zacarias: É isso que eu ia perguntar, porque o modo do senhor tratar, a gente tinha impressão que o senhor não quis que o Sr. Dr. Plinio se emocionasse mais (2). A frase é mais ou menos essa: "Meu João, meu João, quanta coisa" e aí embargou a voz).


Eu não percebi.


(Zacarias: A impressão que se tinha é que não era só a felicitação (3), mas ele estava num auge de sofrimento e que ele queria dizer alguma coisa para o senhor).


É possível (4).


(Zacarias: Está gravado até).


Eu tenho a gravação, eu tenho o texto, mas eu não percebi. Até o datilógrafo no texto colocou: "Aqui o Sr. Dr. Plinio embargou a voz", mas eu não percebi. Tanto é assim que eu dei um jornal-falado depois do telefonema para o pessoal no Jaglu nesse dia mesmo, eu dei um jornal-falado desse telefonema para os senhores estando na cidade enquanto os senhores estavam no túmulo, mas em nenhum momento eu disse que o Sr. Dr. Plinio tinha embargado a voz porque não tinha percebido.


Comentários:

  1. Nessa ocasião, Dr. Plinio chorou. Aquilo foi percebido até pelos que ouviram a fita do telefonema. Mas JC não percebia? O pranto de Dr. Plinio não o tocou no mais mínimo.

  2. A atenção do Zacarias parece estar mais voltada para JC do que para Dr. Plinio; analisa até o modo de seu senhor tratar a Dr. Plinio.

  3. Esse dia era o “soi dissant” aniversário de JC. Na realidade, o prestidigitador nasceu no 16 de agosto.

  4. Chama a atenção a frieza e secura da resposta: “é possível”.










E. Analogia entre o estado de espírito de JC em 1982-1983, quando os fundamentos do Grupo começaram a ser abalados por culpa dele, e seu estado de espírito entre janeiro e agosto de 1995, quando começava a insurreição


Conversa de JC com os moços da Saúde 29/11/94:


Bem, uma grande provação contra a Fé, tormento, foi se dar ali pelo fim de 82 começo de 83. [Foi em] 83, 84 e 85.

Tremendo, porque os fundamentos do Grupo começaram a ser abalados por estrondos, em que a pessoa se julgava a única, exclusiva e principal culpada.

Então, pensar no Senhor Doutor Plinio para ela, era um tormento, porque na medida em que ela pensava no Senhor Doutor Plinio, ela estava pensando no objeto do sofrimento dela.

Então não tinha saída. Eram noites de angústia, dias de angústia. E depois sendo obrigado, às vezes, a fazer reuniões para animar os outros. Então no meio da angústia tinha que chegar e contar um fato que entusiasmava os outros e que feria o próprio coração, que quando o pessoal dizia: "Oh, fenomenal!" Ele por dentro se dizia: "Esse fenomenal você vai acabar com seus crimes".





II. O pressentimento de Genazzano


Reunião para CCEE, 4/11/95:


Dia 1° de agosto, (...) nós fomos a Genazzano porque tínhamos que cumprir promessas. O Sr. Santiago Canals estava conosco também, estava o Sr. Luiz Francisco, o Sr. Mikel, o Sr. Juan Miguel, a fortiori, Sr. Kenneth Drake, Sr. Miguel Angel, saímos de Madrid, chegamos em Roma, e do aeroporto nós fomos diretos para Genazzano. (...)

Chegamos a Genazzano e, coisa “sui generis”, quando descemos do automóvel eu olho e vejo uma série de pessoas mas um bom número de pessoas vestidas de negro, todas de negro. "O que será isso? Uma cerimônia não católica? Mas como?" Todo o mundo compungido, chorando. Aí me dei conta:

- Ah, um enterro. Que raro... ser recebido em Genazzano por um enterro. Será que isto tem algum significado? Não, não pode ter significado nenhum.

- Olha, de repente pode ser um aviso que Nossa Senhora está lhe dando, que você vai morrer. Já passou por duas mortes neste ano, agora vem uma terceira definitiva. Pode ser...

- Não, não vamos levar as coisas a esse exagero. Isso já é imaginação, etc.

Demos com o caixão diante de nós, cumprimentamos o vigário, o vigário disse que se tratava de uma paroquiana que estava sendo levada para a igreja, porque ia ter missa de corpo presente.

Eu disse: "Ih, vamos entrar na igreja com um enterro. Que história é essa? Será que tem algum significado isso?" Eu imaginado que fosse entrar pela igreja, como sempre, pela frente e ver a imagem já à distância e depois me aproximando dela, vendo as modificações que ela normalmente apresenta já desde o início. Às vezes ela está um pouco pálida e aí vai tomando colorido, colorido, colorido.

Eu ia com essa intenção quando o padre vigário nos barra o caminho e diz: "Não, não. Não entre pela frente porque vai entrar o enterro. Entre aqui pela lateral." Tive de entrar pela lateral.

Entramos pela lateral e eu quando bato os olhos na imagem, está entrando o enterro pela frente. E nessa hora eu senti no meu interior alguém que me dizia: "O Senhor Doutor Plinio vai morrer." Eu pensei: "Que história é essa?! Isto aqui justo diante de Mater Boni Consilii a Genazzano, me vem o demônio atrapalhar a vida! Isso... Onde já se viu isso?..." Olhava para a imagem e era aquela consolação, aquela confiança, aquela benevolência, aquela promessa de ajuda: "Olhe, não se perturbe, tudo dará certo. Mas o Senhor Doutor Plinio vai morrer!" Puxa! Eu pensei: "Bom, vou prestar atenção nesse padre que está celebrando missa. Vou prestar atenção no sermão dele para me distrair um pouco, porque essa história está me perturbando."

O padre vai ao sermão e... Os sermões na Europa são muito bem feitos. Só alguns padres aqui no Brasil é que fazem sermões como na Europa. Os sermões são bem preparados, bem estudados, etc.

O padre vai ao púlpito e começa a dizer: "Nós vivemos em Deus, em Deus nós estamos. Fora de Deus nada existe, tudo o que existe está em Deus. Nós vivemos em Deus, nos movemos em Deus, porque diz São Pedro parápápá. E também morremos. E quando morremos, morremos em Deus. E temos que nos conformar, portanto, com a vontade de Deus. Porque tudo o que acontece, acontece dentro de Deus. E se acontece é porque é vontade de Deus."

A voz me dizia: "Está vendo? Olhe aí, isso é para você se ir conformando. Conforme-se porque isto vai acontecer!"

Eu sei dizer que quis sair de Genazzano mais cedo, até. Fui para um hotel, um hotelzinho pequenininho que fica lá em Genazzano, e pela primeira vez, por toda a amizade que fomos criando ao longo dos anos, o homem me pôs num quarto especial que tinha um ecrã na parede, de janela, e que dava para emoldurar a cidade inteira. Tinha um terraço enorme para poder passear e ver a igreja e a cidade. Eu olhava para o ecrã, via a igreja e me lembrava de tudo aquilo: "Olhe, quer saber de uma coisa?..." Fechei a janela.


[Risos]


"Não pode ser, isso não pode ser..." Aquilo me voltou à cabeça inúmeras vezes, inúmeras vezes. Eu sei dizer que quando recebi um grafonema do Dr. Luizinho dia x de agosto, devia ser 18 de agosto, ou 20 de agosto, domingo... foi dia 20 de agosto, ele dizia: "Estou precisando muito de falar com o senhor sobre a saúde do Senhor Doutor Plinio que me preocupa muitíssimo. Ele emagreceu 12 a 14 kg."

Ihhh!!! Aquela voz: "Olhe..."

Então eu vim para São Paulo com um pressentimento tremendo.


*


JC não exclui a hipótese de o pressentimento de Genazzano ter sido soprado pelo demônio. Sua perturbação reforça a conjetura - Conversa “confidencial” com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, 2/10/95, véspera do falecimento de Dr. Plinio:


... mas nós que passamos por aquele enterro e que entramos na igreja com o caixão, e que me veio aquilo por dentro. Será aquilo o quê? Será que é de fato aquilo, ou será que Nossa Senhora queria que nós tivéssemos aquilo presente para preparar o Grupo para o pior e depois acontecer o melhor? (...) Então eu discutia comigo mesmo, porque eu tinha um ímpeto assim: "Olha, o Senhor Doutor Plinio vai morrer." "Não, não. Deixa de história. O Senhor Doutor Plinio não pode morrer."


(Alejandro: Será que era o demônio, ao mesmo tempo?)


Pode ser. Ou pode ser Nossa Senhora. Como é que eu vou saber que é o demônio? O senhor dizia: "Eu ficava perturbado." Mas é que eu olhava para a imagem de Nossa Senhora e Nossa Senhora como que dizia: "Não se perturbe porque tudo dará certo no final." E aí?...


*


Por detrás do aviso pode ter estado, de um lado Nossa Senhora, e doutro lado o demônio. JC oscilava entre a perturbação e a consolação - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95:


É preciso dizer o seguinte: interiormente, eu ouvi uma voz que não era minha e que me dizia:- O Senhor Doutor Plinio vai morrer.Não era o Senhor Doutor Plinio.- Seu senhor vai morrer.

Não era minha voz. Era uma outra voz que me dizia no interior:

- Seu senhor vai morrer.

Eu ficava perturbado. "Meu senhor", quer dizer... Alguém que dizia:

- Olhe, seu senhor, Dr. Plinio, vai morrer.

Em Genazzano. Eu olhava para a imagem e sentia um afeto, uma segurança, uma certeza de que Nossa Senhora não abandonaria, que continuaria ajudando.

- Não consigo compreender esse paradoxo, porque isso tem que ser um demônio. Então, um demônio que me tenta de um lado e Nossa Senhora que me sustenta de outro.

*


JC divulgava gradualmente o pressentimento, para sondar as reações dos membros do Grupo. As perceber como eram as reações, foi pondo-se o seguinte problema: como é que eu vou carregar tudo isto nas costas? - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95:


(Andrés Bravo: O senhor comentou na Espanha, depois também nos Estados Unidos e eu não vi ninguém atinar. O senhor viu alguém atinar quando o senhor comentava isso de Genazzano?)


Não. Eu já contava, para ver um pouco a reação das pessoas. O pessoal ouvia aquilo assim: “Puxa!”


(Aparte: O senhor contou várias vezes).


Sim, porque o assunto estava girando pela minha cabeça. Sobre a questão da morte não disse a ninguém. De que eu tinha ouvido que o Senhor Doutor Plinio ia morrer, não contei a ninguém. Nem podia.


(Andrés Bravo: O Sr. contando esse fato do funeral, o Sr. tinha esse fundo de quadro. O senhor contando isso, alguém poderia perceber isso daí. Eu não percebi nada "a posteriori", sem o Sr. comentando isso, notou em alguém?)


Ninguém percebeu. Nem se punha o problema.


(Nelson Tadeu: Quando o Senhor Doutor Plinio estava em Amparo e o senhor contou esse fato, o senhor narrou a coisa de tal maneira, que eu interiormente: "O Sr. João vai falar da morte do Senhor Doutor Plinio?" Passou assim).


Já era uma primeira preparação.

(...)


(A. Dantas: Por mais que o senhor tivesse essa convicção de que o Senhor Doutor Plinio ia morrer, e o senhor tinha que ir preparando o Grupo, o senhor estava envolto ainda num certo mistério).

Sim, porque eu não sabia como é que o Grupo ia reagir. Isso eu não sabia.

(...)


(J. Macambira: À medida em que o senhor foi comunicando ao Grupo, qual era reação das pessoas?)


A melhor possível. (...) Cada vez que a graça batia e tomava as almas e as almas reagiam da melhor forma possível, eu por dentro dizia:

- Meu Deus, isso aqui é um universo. Como é que a gente vai carregar isto tudo nas costas?

Não é fácil.


*


Agentes do demônio também previram a morte do SDP - "Jour-le-jour" 23/1/96:


Em janeiro ou fevereiro do ano de 95 uma fulana metida com demônios, com espiritismo e não sei mais quanto, que tinha relações com um familiar de Dr. Adolpho, essa fulana tinha dito a esta pessoa parente do Dr. Adolpho de que o Sr. Dr. Plinio iria falecer em outubro.





III. O retorno


Em agosto de 1995, JC já sabe que o falecimento de Dr. Plinio está “previsto para um ou dois meses” --previsto por quem e com base no quê?-- :


[Depois do pressentimento de Genazzano, 1/8], o problema principal que me assaltou foi de como preparar o Grupo. Porque o pessoal receber essa notícia de chofre ia ser uma chacoalhada tremenda. (...) Eu sabia que [o Sr. Dr. Plinio] não ia ficar seis meses, porque tudo estava previsto para um ou dois meses.

(Cfr. Reunião na Saúde, 10/10/95)


*


Também em agosto de 95, certo tempo depois do sequestro de Santiago Canals, JC está com uma “vontade enorme” de rever a Dr. Plinio. Nos Estados Unidos recebe notícias sobre a saúde de Dr. Plinio, e em lugar de acelerar seu retorno, acha que ainda não convêm voltar ... Mais para frente, no 20 de agosto, através de um fax de Dr. Luiz, toma conhecimento que o estado de Dr. Plinio se agrava, e então decide acelerar o retorno. Mas ao chegar (23 ou 24 de agosto), não procura a Dr. Plinio e fica escondido no São Bento ... Aí, enquanto aguarda e faz reuniões para seus adeptos mais íntimos, se mantém cuidadosamente informado de como vai Dr. Plinio e só se apresenta diante dele no 1 de setembro, quando este não pode mais reconhecê-lo ...


a) Reunião no Praesto Sum, 1/9/95:


A Providência faz assim as coisas: eu adoeci, Ela me curou; eu adoeci [novamente] no dia do aniversário da Senhora Dona Lucilia, Ela me curou; vou para a Europa descansar, já estava com a saúde em ordem, no dia em que eu acordei de manhã e disse: "Bom, hoje, sim, eu me sinto inteiramente em forma": p!!!, sequestro! E termina o sequestro, as saudades a respeito do Senhor Doutor Plinio aumentaram, cresceram e eu estava com uma vontade enorme de revê-lo e nem sei se eu ia ter forças emotivas suficientes, para poder me encontrar com ele sem... eu não sei.

Eu estou nos Estados Unidos e ouço: "Olha, ele está muito cansado, ele está assim, não está conseguindo atender, está com uma emotividade muito grande, e não sei quanto." Eu disse:

- Bom, então eu vou para São Paulo mais para a frente, porque eu acho que não convém chegar agora.

- Não, não convém porque ele vai ficar muito cansado. Ele não está conseguindo tratar do estrondo, de nada. É melhor o Sr. ficar por aí.



b) Conversa com JC, 27/10/95:


Domingo, dia 20 [de agosto], quando eu acordo de manhã... Dr. Luizinho (...) passou um fax e o fax às tantas dizia o seguinte --pena não ter guardado esse fax--:

Preciso tratar com urgência, com o senhor, a respeito da saúde do Senhor Doutor Plinio. Calcule que ele emagreceu mais de 12 quilos.


Ih, câncer! Preciso ir para São Paulo, o quanto antes.



c) Conversa “confidencial” de JC com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, 2/10/95:


[Eu pensei:] "Ih!!! Genazzano! Perdeu esse peso todo... será câncer?" [Exclamações.] Eu disse: "O que está havendo?..." Aí começamos a acelerar a viagem. Eu não disse nada para o senhor porque o senhor é jovem demais ... Eu não disse para ninguém.



d) Reunião no Praesto Sum, 1/9/95:


Vendo que a situação estava dia-a-dia piorando, eu resolvi fazer o seguinte: "Eu vou o quanto antes para São Paulo, porque de repente acontece alguma coisa e eu estou longe". E não contei a ninguém --nem Dr. Luizinho sabia, só hoje é que eu revelei ao Dr. Luizinho que estava em São Paulo-- mas eu estou em São Paulo desde quinta-feira passada à espera do momento de poder ir para Amparo, para ver o Senhor Doutor Plinio. Porque se ele soubesse que eu estava em São Paulo e não tivesse ido vê-lo, ele ficava preocupado de que eu estivesse com alguma doença grave. Se, por outro lado, eu fosse vê-lo, ele no estado em que estava se emocionaria e prejudicaria a saúde dele. Então fui esperando, mas o quadro dele não fez senão piorar. Então não pude vê-lo. Então eu passei esse ano inteiro praticamente sem vê-lo, e agora, quando eu o vir, eu o verei na inconsciência, ele não me reconhecer.



e) Reunião para CCEE, 4/11/95:


Quando cheguei eu não fui a Amparo [local onde Dr. Plinio se encontrava], eu fiquei escondido. Eu fiquei em São Bento e não pude sair para nada. Nem o pessoal da Saúde sabia que eu estava em São Bento. Dei um telefonema a eles como se fosse dos Estados Unidos, e telefonava para Amparo como se fosse dos Estados Unidos. Por quê? Porque ele [SDP] estava num estado tão débil, ele estava num estado de saúde tão precário que o Sr. Ramón --com razão-- julgava que um encontro meu com ele poderia dar um abalo emocional nele e que pudesse fazer mal à saúde (1). Então eu tinha chegado e não podia chegar (2).

Eu cheguei numa quinta-feira e fiquei esperando até à outra sexta-feira para poder encontrá-lo, já no hospital.

Morreu nesse meio tempo o Sr. Wellington, eu não pude ir ao enterro, porque se eu saísse e ficasse patente que eu estava em São Paulo, pronto, já chegava aos ouvidos dele que eu estava em São Paulo e por que é que eu não fui para Amparo?

Então, cheguei de viagem, quis ir vê-lo ainda na agonia e não pude (3). E outras coisas mais não pude fazer.


Comentários:

  1. A explicação não é convincente. Se nesses dias um encontro com JC poderia agravar o estado de saúde de Dr. Plinio, “a fortiori” seria perigoso se se produzisse nos dias posteriores, nos quais a saúde de Dr. Plinio foi piorando.

  2. Se JC temia que suas bases menos entrosadas, ao tomarem conhecimento de seu retorno ao Brasil, começassem a espalhar a notícia, e esta chegasse a ouvidos de Dr. Plinio, por que motivo quis se esconder até mesmo de pessoas que poderiam manter a notícia em reserva? - Depoimento do Sr. James Dowl --encarregado de atender o telefone em Spring Grove nesses dias--, durante reunião de Dr. LN, nos EEUU, posterior ao 15/10/96:

[Quando JC voltou para o Brasil, deixou nos EEUU] ordem “sub grave” para não comentar que ele estava em São Paulo. Deu instruções para enganar qualquer pessoa, especialmente Dr. Luiz e o Coronel: se ligavam para EEUU, pedindo para falar com JC, era preciso responder “um momentinho, que vou chamá-lo”, ligar para São Bento e conectá-lo como se JC estivesse nos EEUU.

Esse gênero de manhas --isto é, a montagem de um “sistema de driblagens feitas pelos expedientes”, em virtude do qual é “impossível entrar em contato telefônico com determinadas pessoas”--, faz parte de um “elenco” de “desastres”, segundo afirma JC num fax para o Sr. Fernando Antúnez., de 25/11/96.

  1. Ao regressar, quis ver a Dr. Plinio mas não pode? Ou pode ver a Dr. Plinio e não quis?



f) Reunião no Praesto Sum, 1/9/95:


(Aparte: Se perguntarem se o Sr. voltou, o Sr. já está aqui?)

Pode dizer que sim. O Sr. Santiago e eu chegamos, e que estamos aqui. Pode dizer até que eu fiz uma reunião, e que nos encontramos aqui, nos aplaudimos, nos revimos, comentei S. João Bosco, contei fatinhos, etc., que já fiz o primeiro JxJ geral. E que inclusive já tinha feito uma reunião em São Bento que está em vídeo, os senhores podem assistir os que não estavam lá em São Bento ontem, e outras reuniões que nós fizemos estes dias e que estão em fitas, se os senhores quiserem ouvir, também à disposição.



g) Relato do Sr. Fernando Antúnez. (texto 951011C2-REL):


O Sr. João acompanhava passo a passo, desde que chegou, com muitos detalhes. (...) O Sr. João telefonava duas ou três vezes por dia. As variações: um dia melhorava, outro dia piorava, a confusão mental aumentava, diminuía. Tudo isso ele estava inteiramente a par.



h) Reunião para CCEE, 15/6/96:


Ele, Sr. Dr. Plinio, foi para Amparo dia 21, eu cheguei na quarta-feira 23, ou quinta-feira 24, não sei. Não fui a Amparo, mas fui acompanhando a doença dele até a ida dele para o hospital. Quando eu o vi no hospital, ele estava completamente liquidado, era outra pessoa. (...)



i) "Jour-le-jour" 12/10/97, parte II:


(Pedro Morazzani: o senhor chegou só na hora da inconsciência.)


Foi.


*


Assim como ao chegar a São Paulo JC não quis que ninguém --excepto os eremitas de São Bento-- o visse, ao partir dos Estados Unidos também não quis ser percebido - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 27/10/95:


[Depois do fax de Dr. Luiz], eu então comecei a preparar todas as coisas (...) e nós começamos a dizer que íamos partir no fim da semana, etc. Quarta-feira nós sumimos. Para todos os efeitos tinha ido ao médico.

Do aeroporto ligamos para tudo quanto foi canto, até meia-noite e não sei quanto, que era de Miami. O avião fazia uma pausa em Miami. Com isto, o pessoal aqui em São Paulo ficou certo de que nós não estávamos chegando no dia seguinte, quinta-feira cedo. Todo mundo nos esperava para sexta.

O Sr. Auro disse com a maior das inocências:

- Está correndo o boato que sexta-feira o senhor vai chegar por aqui.

- É certo que não. Fique tranqüilo. Quando eu chegar, eu aviso o senhor.

E chegamos. Chegamos aqui na quinta. Eu não pude ir para Amparo e o resto os senhores conhecem.





IV. A maldição (êremo de Amparo, entre 21/8 e 23/8)


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 17/3/96 – texto 960317EX-AO3:


Às tantas em Amparo, logo no comecinho da estadia dele em Amparo, portanto, a partir do dia 21 de agosto, lá pelo dia 22 ou 23 de agosto, deve ter sido terça ou quarta, o Sr. Ramón pediu para o Sr. Amadeu pôr o termômetro nele para ver se estava com febre ou não. O Sr. Amadeu apareceu com aquele jeito dele que os senhores conhecem, sacudindo o termômetro, e ele disse:

-- O que é isso aí?

-- É o termômetro?

-- Para quê isso?

-- Não, o Sr. Ramón pediu para colocar o termômetro no senhor para ver se o senhor está com febre ou não.

-- O que é isso? Nada disso, não vai pôr termômetro coisa nenhuma, eu não admito que tire febre minha e não admito que venham saber se eu estou com febre ou não estou com febre. Diga para o Ramón que ele não vai saber se eu tenho febre ou não tenho febre.

(...)


(Enrietti: Sr. João, uma vez num despacho da plaquete o Sr. Dr. Plinio (...) contou que uma pessoa X do Grupo, médico, um dia meio assim sub-repticiamente pegou um material do Sr. Dr. Plinio para examinar, não sei se era uma formação qualquer de pele ou alguma coisa do gênero. Sem que o Sr. Dr. Plinio percebesse tirou o material e mandou examinar. Pelo que o Sr. Dr. Plinio disse parece que havia suspeita de ser câncer ou não ser câncer, etc. O Sr. Dr. Plinio disse que não gostou dessa pessoa ter feito isso. Não é o Sr. Ramón. Ele disse que não queria saber se tinha um câncer ou se não tinha um câncer. Ele disse: "Eu não quero que os médicos façam determinados tipos de exames porque de repente descobrem que eu estou com câncer e daí? O que é que eu vou fazer?").


*


Relato do insuspeito Boldrini - Conversa dos eremitas de São Bento e Praesto Sum com JC, “confidencial”, 3/9/95 – Domingo:


O Senhor Doutor Plinio tinha relutado muito em fazer os exames e tinha dito ao Sr. Ramón: "Vamos confiar em Nossa Senhora de Genazzano para não ter que fazer esses exames". Então ele não queria ir para o hospital, não queria fazer exames. Numa conversa que ele teve com o Sr. Ramón na quarta-feira, que o Sr. Ramón veio a São Paulo consultar um grande especialista e veio com Dr. Luizinho. O Senhor Doutor Plinio quando soube disse assim: "Foi a São Paulo, então deve ser uma coisa grave".

Quando o Sr. Ramón voltou, o Senhor Doutor Plinio ia assistir um dos filmes, para se distrair à noite, durante o jantar, mas ele disse: "Quando o Ramón chegar, quero que me avise imediatamente".

Quando o Senhor Doutor Plinio ia começar a assistir o filme, o Sr. Fernando disse: "O Sr. Ramón chegou." Aí o Senhor Doutor Plinio suspendeu tudo e mandou o Sr. Ramón entrar e começou a conversar com o Sr. Ramón.

Quando o Sr. Ramón disse que tinha ido consultar um especialista, ele disse que levou o maior aperto de toda a vida dele. "Só faltou o Senhor Doutor Plinio me dar uma maldição. Foi uma coisa violentíssima".

Ele disse: "Por que não me consultou? Você, enquanto membro do Grupo, cometeu uma grande falta contra mim". Foi uma coisa assim violenta.

O Sr. Ramón estava fazendo isto para o bem do Senhor Doutor Plinio, realmente era necessário e não tinha feito isso da própria cabeça, tinha consultado autoridades (1).

Na hora, com o Senhor Doutor Plinio foi bem difícil. Ele se sentiu muito apanhado, mas graças a Deus ele tem os nervos muito em ordem e soube se sair. Disse que era necessário, que era necessário consultar, porque era necessário que o Senhor Doutor Plinio fizesse exames, porque tatatá...

Aí o Senhor Doutor Plinio relutou muito e aí o Senhor Doutor Plinio contou --o Sr. Ramón disse que não podia contar-- mas o Senhor Doutor Plinio disse para ele o por que que ele não queria fazer exames. Era uma coisa pessoal dele. Mas o Sr. Ramón disse que era uma coisa particular dele.


(Andreas Meran: O Senhor Doutor Plinio disse: "E como fica Genazzano na questão?" (2).

Boldrini: Por isso que à noite ele disse: "Vamos esperar o milagre." Sr. João não quis interpretar esse fato, mas a gente vê que fica muito elucidado.


Comentários

  1. Digamos que tenha consultado. Mas o fato concreto é que Dr. Plinio deu o aperto, não às autoridades, mas a Ramón León.

  2. O próprio Dr. Plinio, percebendo seu estado de saúde, colocou-se o problema: se me acontecer algo, como fica a promessa de Genazzano? Observamos isto porque o auto proclamado “discípulo perfeito” afirma de si que essa questão para ele não constituí preocupação.

*


Relato do Sr. Fernando Antúnez., Spring Grove, 2/11/96:


O Sr. Ramón, segunda-feira, da segunda semana, pediu para o Senhor Doutor Plinio que queria fazer uns exames. O Sr. Ramón alegou que queria fazer um eletrocardiograma porque o Senhor Doutor Plinio apresentava uma má ritmia, ou seja, falta de ritmo nas batidas do coração.

Então, o Sr. Ramón insistiu com isso e queria ver se conseguia fazer entrar uma chapa do pulmão porque havia um exame de sangue que mostrava que talvez tivesse com câncer no pulmão. Mas um exame de sangue muito novo e, então, o Sr. Ramón não tinha segurança sobre o assunto. Perguntou para o Senhor Doutor Plinio e o Senhor Doutor Plinio disse para ele: "não, me pergunta amanhã. Eu vou pensar um pouco".

Na terça-feira, o Sr. Ramón insistiu novamente (1) e disse que podia mandar vir algum médico de Amparo e o Senhor Doutor Plinio já estava com certas dificuldades de relacionar as coisas, mas o assunto R-CR [estava sempre] claríssimo, assunto combate claríssimo, ele disse: "Amparo é uma cidade muito bucheira, e qualquer exame que eu faça lá imediatamente vai se saber em São Paulo" (2).

Então, o Senhor Doutor Plinio estava assim com todos esses problemas.

Na quarta-feira estava Dr. Luizinho lá, e o Sr. Ramón não conseguindo fazer nada decidiu ir ver um médico em São Paulo para apresentar o quadro clínico do Senhor Doutor Plinio, o Sr. Ramón não tem experiência.

(...) o Senhor Doutor Plinio deu um aperto no Sr. Ramón, mas inteiramente lógico do pondo de vista R-CR, do vista hierarquia, que foi extraordinário. Porque ele disse -- resumindo, assim resumindo porque não me lembro exatamente... e longo, foram uns 20 minutos de aperto --, em que o Senhor Doutor Plinio lhe dava todo um raciocínio de como é que ele ia consultar um médico a respeito dele Senhor Doutor Plinio, que era senhor, sem autorização dele, Senhor Doutor Plinio (3). E apertou mesmo, no duro.


Comentários:

  1. Ramón León por si tomaria a iniciativa de insistir tanto? Ou alguém estava por detrás dele querendo tirar a limpo o estado de saúde de Dr. Plinio? Quem? JC?

  2. Dr. Plinio não queria submeter-se a esse exame, porque percebia que através do médico, os dirigentes da Revolução tomariam conhecimento de seu estado de saúde.

  3. Eloquente coincidência: o aperto foi por uma transgressão do Ramón León contra o princípio hierárquico, por uma desobediência. No motim de Jasna Gora, o judeu-venezuelano exatamente incorreu na mesma falta.





V. O reencontro com as bases e o comparecimento diante de Dr. Plinio


No 1 de setembro, enquanto Dr. Plinio está sendo conduzido numa ambulância desde Amparo ao Hospital Oswaldo Cruz, JC sai de sua toca no São Bento, não à procura de Dr. Plinio, mas de suas bases, para se apresentar numa apoteose no Praesto Sum, onde é recebido pela fanfarra e salvas de palmas, numa atmosfera de muito contentamento e de júbilo recíproco.

No meio de tanta alegria”, comunica a hospitalização de Dr. Plinio e recomenda --ele, que tanto estimula os retiros e a vida de piedade, ele que tanto combate a ativosa, ele o paladino da inconformidade contra-revolucionária-- que cada um toque a sua vida e a sua função “com perfeição” , “com toda a alegria”, com “entusiasmo”, com “resignação”, porque isso fará pela saúde de Dr. Plinio mais do que uma noite inteira de vigília de orações ...

Divide o Grupo em dois segmentos: de um lado, São Bento, Praesto Sum e Saúde --os “bons”--; e de outro lado os que não fazemos parte dessas Casas --os “maus”--, como se também não lutássemos sob o mesmo lema, e Dr. Plinio fosse Fundador só deles e não de nós.

No final, Santiago Canals o proclama sucessor.


Reunião no Praesto Sum, 1/9/95:


Bem, senhores, tenho imenso gosto de rever quem eu não tinha revisto ainda. Fico muito contente de poder estar aqui com a Saúde toda (...) e com o São Bento, com o Praesto Sum, ou seja, todos nós que lutamos debaixo de um mesmo lema: "Glória de nosso Fundador".


[Exclamações.]


Eu fico agradecido pela manifestação de contentamento que os senhores tiveram por me ver, mas se eu tivesse os braços que os senhores têm, eu teria batido mais palmas do que os senhores Não por minha chegada, mas por ter reencontrado os senhores

(...) Bem, no meio de tanta alegria de nosso reencontro aqui (1), eu venho trazer aos senhores uma notícia grave (...), o nosso Pai e Fundador, encontra-se no momento numa situação de saúde bem abalada (...).

Eu imagino que o ideal seria fazer uma exposição do Santíssimo aqui, outra no São Bento e outra na Saúde. Não que os senhores todos passassem a noite inteira em claro, mas que os senhores fossem se revezando diante do Santíssimo, rezando e pedindo, rezando e pedindo para que Nossa Senhora antes de tudo restabeleça a saúde dele que para nós é preciosíssima, e que dê a cada um de nós, nesta situação, um ardente desejo de perfeição muito maior do que o que até tivemos. (...)

E nós agora devemos ter dor? Claro. Tal seria que nós não tivéssemos dor (...) O que nós devemos fazer nesta hora? Cada um de nós deve tocar a sua vida, a sua função com uma perfeição maior do que anteriormente. Então, na Saúde dar o dobro em matéria de apostolado; nos êremos, dar o dobro em matéria de sacralidade, de compenetração de espírito, de seriedade, de amor pelo cerimonial, pela vida eremítica levada com todo o brio, com toda a honra, com toda a alegria. E com isso a obra dele fará por ele mais do que se nós passássemos em vigília a noite inteira e no dia seguinte ficássemos brincando e nos perdendo, e relativizando, e entrando numa espécie de moleza moral. Seria pior! (...) O santo é aquele que, nas horas mais difíceis, mais complicadas, mais dramáticas mantém a mesma paz de espírito como se estivesse recebendo uma manifestação de alegria. Alegria, entusiasmo, porque então conseguiu tal prêmio, tal colosso, não sei quanto: paz. Drama, tudo virou catástrofe, todo o panorama está negro, tudo ficou sem solução e tudo vai dar num verdadeiro caos: paz. Então não percamos a paz, não percamos a paz para que não percamos a confiança.

(...) Saibamos tomar isso com espírito de resignação e com dor, mas com Fé. Aconteça o que acontecer, nós vamos chegar ao fim.


(...)


(S. Canals: Creio que uma coisa que o Sr. não pode dizer, mas o dia de hoje, sobretudo, queria dizer que temos que ter uma confiança plena no Sr., por tudo o que o Sr. representa do Senhor Doutor Plinio e, sobretudo, pelo que o Sr. passou. Pude constatar vivencialmente durante dois meses. O Sr. chegou a um grau de união com nosso Fundador como jamais se pode imaginar. Portanto, temos uma obrigação inteira de segui-lo e de acatar o que o Sr. diga, em qualquer circunstância, em qualquer situação).


(...)


(Alejandro: [Se nos perguntarem] quando o Sr. chegou oficialmente, [o que devemos responder]?)


Oficialmente, para o Grupo, cheguei hoje. Para nós que somos íntimos irmãos, cheguei na quinta-feira retrasada.


[Exclamações]


(Edumar: Sr. João, uma graça imensíssima, não sei se... é gravar o encontro do Senhor Doutor Plinio com o Sr...)


Comentário:

  1. No libelo "E Monsenhor Lefevre vive?" pp. 192 e 193, há um trecho relativo ao dia do retorno de JC ao Brasil, mas que na realidade mais parece ser relativo ao dia em que apareceu no Praesto Sum para fazer a reunião. Porque nesse mesmo documento (p.162) consta que o prócer, ao chegar, quis manter-se “incógnito” no êremo de São Bento. Inclusive no caso que não tenhamos razão, o que a seguir é descrito dá uma idéia da apoteose do 1/9 --pois o público é o mesmo:

Para sua chegada a São Paulo, os enjolras de menor e de maior idade quiseram manifestar em grande estilo seu contentamento, preparando até mesmo fogos de artifício. Este último detalhe acabou filtrando, chegando ao conhecimento do Sr. João, que enviou uma mensagem proibindo-o (...). Apesar de tudo, os fogos de artifício não fizeram falta àqueles que queriam demonstrar o calor de seu entusiasmo. Em cada aglomeração de enjolras em que o Sr. João Clá aparecia, era recebido por longas salvas de palmas e ruidosas aclamações, além de se formarem disputas para se estar mais próximo possível dele e para o cumprimentar.

*


Os objetivos que JC visava ao fazer essa reunião eram dois. Primeiro, “dar as boas-vindas” a seus discípulos, e em segundo lugar prepará-los para o futuro ... - "Jour-le-jour" 17/1/96 (realizado na Espanha):


Já antes da chegada do Sr. Dr. Plinio ao hospital, eu fiz uma reunião no Praesto Sum para dar as boas-vindas ao pessoal e para preparar o pessoal para tudo o que viesse, já ali naquela noite. Foi raro, porque como eles me viam pela primeira vez, receberam com palmas, com alegria (...). Aí eu percebi: "Eu preciso fazer reuniões não só no domingo, mas preciso fazer mais duas reuniões por semana para dar tempo de ir preparando essa gente (...)


(José Francisco: O senhor crê que tardaria mais o desenlace, ou lhe parecia que...)


Me parecia que ele ia durar uns dois ou três meses.


*


Quando JC constata que “já é o fim” --de Dr. Plinio?--, decide revelar sua presença em São Paulo e inaugura uma série de reuniões diárias --ver a ficha anterior-- para “animar” e “tomar” os eremitas. Quer dizer, à medida que se acercava o “fim” de Dr. Plinio, começava a ascensão do “sucessor” - Conversa de JC com seus íntimos, 31/3/96:


Quando eu tive a notícia de que [o SDP] tinha entrado numa crise muito grande na sexta-feira, dia 1° de setembro, e que estava vindo para o hospital em São Paulo, eu disse: "Já é o fim", antes de saber do câncer ainda.

Foi por isso que eu vim aqui fazer a reunião com os senhores, revelar a minha presença em São Paulo e não sei mais quanto, porque era preciso tomar os senhores e ir animando.


*


Após essa reunião no Praesto Sum, JC foi ao hospital. Aí, ao perceber que o estado de saúde de Dr. Plinio é irreversível, cessa determinada inquietação de sua alma --a mesma que experimentava desde o começo da crise da sarcoidose, quando fugia da presença de Dr. Plinio? - Reunião para CCEE, 4/11/95:


Quando eu o vi, na sexta-feira à noite, eu já tinha passado por cada noite escura, por cada túnel escuro durante o ano, já tinha visto a morte perto duas vezes. Enfim, já tinha me preparado para a eternidade, e já estava disposto a não vê-lo senão no fim do mundo, segundo o meu conceito. Quando eu encontro na sexta-feira à noite, dia 1° de setembro, no hospital. Ele estava dentro da ambulância, abriram a porta, eu entrei e disse: "Dr. Plinio!" Olhei para ele e tive um espanto, pois ele estava completamente --em espanhol se diz demacrado--, ele estava completamente desfigurado. Com os olhos esbugalhados, com lágrimas constantes --sem estar chorando--, emagrecido, acabado, os braços tremiam, tremiam, tremiam.

Eu disse:

- Dr. Plinio, sou eu, o João Clá.

- Quem?

- João Clá.

- Oh, meu João, meu João! Não sei o que dizer, não sei o que dizer, não sei o que dizer.

Eu pensei: "Este estado é gravíssimo". E [o pressentimento de Genazzano me voltava à cabeça]: "Ele vai morrer."

No dia seguinte, de manhã, me telefona o Sr. Ramón sábado de manhã e diz: "Olhe, a radiografia dos pulmões [indica] duas metástases."

- Hum ...

Meia hora depois ele me telefona e diz:

- Olhe, no fígado, 18x12.

- Eu vou para aí já.

Mas eu não sei o que é que houve... Houve uma graça de paz e de confiança. Porque a partir desse momento, já aquele aspecto de que ele vai morrer e do que é que vai acontecer... sumiu. Entrou uma paz e uma confiança de que Nossa Senhora iria conduzir as coisas da melhor forma possível. E foi confiança, confiança. O que eu fiz? Nada!

Eu fiz, é verdade. O que é que fiz? Ser miserável. Porque quando a gente é miserável, a gente consegue de Nossa Senhora mais do que quando a gente é um colosso. Então eu, na minha miséria, conquistei dEla, ou Ela teve pena de mim e me sustentou. Eu não fiz esforço para ficar animado, foi Ela quem me animou. De modo que... Eu sei que decepciona, porque gostariam de saber qual é o sistema que usei, para depois todo o mundo usar.


[Risos.]


Não pus sistema nenhum. Foi Ela quem tocou, foi Ela quem preparou, foi Ela quem avisou, foi Ela quem me conduziu, foi Ela quem me trouxe até aqui. Eu não me lembro de em um só momento deixar os braços cair e: "Ih... agora o que é que vai acontecer?"





VI. A alegria e a campanha eleitoral - Notas dominantes do “discorso” joanino durante a hospitalização de Dr. Plinio (2/9 a 2/10)


2 de setembro


Enquanto Dr. Plinio agoniza, JC brinca no hospital. No relato feito por Andreas Egalité, transparece que os adeptos do joanismo dão importância às maiores banalidades proferidas pelo chefe: brincadeiras com o médico, a “mulata gordona e forte” e a “chapuza” das clínicas espanholas, tudo isso é matéria de jornal-falado, avidamente sorvido:

O Sr. João (...) estava falando com o Sr. Ramón, brincando um pouco sobre os médicos. Aí ficaram falando como se fazia para mudar de quarto. Em cada país faz diferente. Explicou como fez, como deu instrução para o Sr. Luiz Francisco e tal. Se eles gostam de cafezinho, dão uma coisa para ele tomar cafezinho. Ele explicou como funcionava o esquema. Depois comentou um pouco aquela mulata gordona e forte, o jeito, como é que era.

Depois comentou também que nos EUA as pessoas se enganam, pensam que é tudo tão frio assim, mas quando ele passou por lá o pessoal quase que saiu em cortejo até o carro. Tinha uma enfermeira que tratou muito bem dele (...).

Depois ele dizia: "Este hospital em que o Senhor Doutor Plinio está, é um hospital muito bom. Mas isso é nada em comparação com o hospital de Hannover, perto da sede. É uma cidadezinha de 20 mil habitantes ou menos. 15 mil habitantes. Além disso, o Hopkins na linha de organização, tudo completo. Um super-hospital também era aquele de Milão”.

Ele dizia que o hospital da Espanha é a "organização" a mais fabulosa que pode haver: é uma "chapuza" uma desordem, um caos. Não tem hora marcada para os médicos, então cada um vai entrando na fila. Quem chega primeiro, depois segundo, o terceiro. O Sr. João contou assim. Eles vão atendendo à medida que a pessoa vai chegando. Então, o que é que se faz: manda a pessoa à frente para ficar na fila... É um pouco de máfia que ele fazia.

(Cfr. Conversa dos eremitas de São Bento e Praesto Sum com JC, “Confidencial”, 3/9/95)


*


À noite desse dia, JC informa aos Provectos que o SDP está com câncer - “Jour-le-jour" 20/1/96:


Durante a doença do Sr. Dr. Plinio eu fui comunicar aos mais velhos todos, ao Dr. Eduardo, Dr. Luizinho, Dr. Plinio Xavier, Dr. Edwaldo, Sr. Poli, junto com o Sr. Ramón, que o Sr. Dr. Plinio estava com câncer. Já tinha avisado o Sr. Fernando Antúnez nesse sábado de manhã de setembro (...), eu fui conversar com os mais velhos à noite. Marcamos uma reunião às 8h da noite para eu contar que o Sr. Dr. Plinio estava assim.

Eu então contei: um gelo e uma tensão tremenda. Eu estava assistido por uma graça. Não posso dizer que era virtude, não é virtude nenhuma. Era assistido por uma graça, a graça de Genazzano, e tinha paz, tranqüilidade.

Então às tantas eu disse:- Duas coisas nós precisamos tratar. Uma é a questão dos direitos sucessórios, porque de repente perdemos o apartamento, o carro, etc. E outra, além dos problemas sucessórios, é a questão dos funerais, porque nós precisamos fazer uns funerais de primeira categoria.


Chama a atenção no parágrafo acima, como JC vai desde logo se apresentando como aquele que discerne os problemas, levanta-os e toma as iniciativas pertinentes. Mal Dr. Plinio entra no hospital, e já JC o tem por morto, a ponto de levantar a questão da herança. E “além dos problemas sucessórios” planeja “uns funerais de primeira categoria”. Tudo se passa como se ele fosse o único a haver levantado assuntos espinhosos que ninguém queria enfrentar. Mais uma vez propaganda, tendo em vista a sucessão...

Por outro lado, o “gelo e tensão tremenda” com que JC se refere à reação dos Provectos tem qualquer coisa de censura. Ramón León é mais claro nesse sentido, pois fala de “estranho gelo” (cfr. “Quia nominor provectus”, p.114). Dir-se-ia que ambos esperavam despertar nos Diretores da TFP atitudes de calor e alivio.





3 de setembro


JC menciona uma provação pela qual Dr. Plinio está passando. Ele teria sido o confidente –único, segundo fica insinuado– a quem Dr. Plinio teria aberto sua alma.

A menção ao fato de haver sido o depositário de uma confidência “estritamente sigilosa” é de molde a aumentar-lhe o prestígio e favorecer sua candidatura à sucessão.

Pergunta: “Quando poderei revelar? Talvez dentro em pouco...” Quem decide o momento oportuno para a revelação? Dr. Plinio ou JC? Não fica claro. Em todo o caso a incerteza sobre este ponto só contribui para fazer crescer entre seus adeptos a admiração pelo chefe, cujos lábios – “os lábios de meu uso” – (sic!), contrariamente a seus desejos, permanecem cerrados - Grafonema circular para todos os Grupos de 3/9/95:

Por razões que me são arquiconfidenciais não posso externar qual é a presente provação do Sr. Dr. Plinio. Ele revelou esse fundo de sua alma, de forma tão estritamente sigilosa que me encontro impedido, pelo momento, de poder lhes explicar até que limites, ultrapassa essa terrível provação que se abate sobre ele.

(...) Perguntam-me qual foi a ocasião em que ele relatou-me essa provação. Respondo não poder precisar a data, a fim de evitar que cheguem a uma elocubração a respeito.

Quando poderei revelá-la? Creio que não dentro em muito!

(...) Pergunta-me o Sr. Jiménez, novamente, o por quê do caráter processivo desta provação. Respondo com toda facilidade dizendo que ele foi se dando conta cada vez mais de uma certa matéria que à primeira vista, não lhe aparecia com todo seu caráter gigantesco. À medida que crescia a imagem do aluvião que o atormenta, a provação foi tomando proporções também antes inimaginadas.

(...) Perguntam-me vários, encabeçados pelo Sr. Andreas, se a provação é externa ao Grupo ou interna, ou tem origem na nossa vida interna. Mais uma vez, os lábios de meu uso são obrigados a permanecerem cerrados, se bem que a língua, por detrás deles ficam com um desejo enorme de poder lhes comunicar algo. Não está longe o dia em que isto acontecerá.




Entre 4 e 6 de setembro


Em sentido contrário ao que JC espalha na ficha anterior, consta que Dr. Plinio, enquanto agonizava, tentava explicitar um ponto que elucidaria toda a prova - Relato do insuspeito Raul de Corral, plantoneiro no Hospital Oswaldo Cruz, entre 4 e 6 de setembro de 95, Texto 950906-GFN:


(...) cuando entraron el Coronel Poli y el Sr. Fernando Antúnes para saludarlo:

-­ Salve Maria!, Señor, cómo pasó la noche? cómo se siente?

-- Fome... sede... sono... cansaço...

-- O Sr. tem que descansar, Nossa Señora faz o resto. Ali está Mater Boni Consilii ad Genazzano...

Nuestro Padre y Fundador giró lentamente la cabeza, dirigiendo su mirada hacia el cuadro (...), tras unos instantes de silencio, se le oyó pronunciar con voz pausada y fuerte:

-- Tudo se resolveria se eu comprendese um ponto...





10 de setembro


No "jour-le-jour" deste dia, JC menciona o imenso apoio que Dr. Plinio lhe deu através de “conselhos, telefonemas, bilhetes e cartas”. Fá-lo porém de modo igualitário – “todas as cartas que trocamos” –, o que só pode lhe favorecer a vaidade. O caráter da provação, pintado da maneira mais negra possível, faz parte da dramaturgia joanina:

Eu gostaria de dizer uma palavra sobre os que me auxiliaram enormemente nessa crise que começou no dia 1° de janeiro deste ano. Antes de tudo nosso Pai e Fundador -sem dúvida!- ele se desdobrou sobre o caso, tentou várias vezes conversar comigo, dar-me conselhos e apoios, telefonemas e bilhetes, e cartas são inúmeros. Algum dia, com calma, eu tomo todos os telefonemas dele e todas as cartas que trocamos, todos os bilhetes que trocamos, recados, etc., comentários e trago aqui para os senhores para fazermos um “Jour le Jour” especial sobre isso.

Em segundo lugar, nossa Mãe e Fundadora. [Exclamações.]

Mas é preciso dizer o seguinte, hein!, que em todos esses episódios que eu vou mencionar em gratidão, todos eles com uma secura completa, total e absoluta. Abandono o mais pleno possível. (...)


Mais adiante, o carismático conta que seu estado de saúde se agrava e a provação espiritual também. Ele pede sinais e os obtém em cascata. São consolações impressionantes para um homem que estaria passando por provas espirituais dilacerantes. A auto-propaganda é desinibida. E tanto mais o é, quanto encontra ouvidos cândidos, crédulos e ávidos de ouvir-lhe os “fatinhos”. No relato, as provações espirituais se confundem com os males físicos. As primeiras seriam provenientes de demônios, enquanto as segundas, fruto da sarcoidose. Porém quando os demônios são expulsos e as relíquias “de seu uso” retornam ao quarto, o processo de cura dos males físicos e espirituais se inicia:

O episódio daquela tarde (...) em que eu tinha tido várias crises já de hemoptise e sangue pela boca, sangue pela boca, e me vendo consumindo, consumindo, sem forças. Uma tarde eu me deito para a sesta e começo a pedir a ela que me mandasse um sinal, que não era possível, que eu me sentia abandonado, que isto, que aquilo, que aquilo outro, e adormeci.


1o sinal - Uma vitrola que se põe em movimento. As palavras do Messias de Haendel são adequadas à sua provação:


Quando, de repente, em certa hora, certo momento de um sono profundo, a vitrola que estava ... seria longo demais explicar, porque é que estava o disco “Messias” de Haendel, começa a tocar na oitava faixa, o que não acontece. Quando uma vitrola põe-se em movimento, ela se põe a partir da primeira, ela já foi logo para a oitava faixa e com umas palavras que me diziam muito respeito naquele momento. Um sobressalto, mas sobressalto, constatação intelectiva, sensitiva: nada. Mas enfim, um sinal.


2o sinal - Imagem de São José lhe fala à alma:


Um belo dia, abrindo uma cortina que dava para os fundos (...) eu pensando: “Meu Deus do Céu, vou passar esse Inverno todo aqui [Estados Unidos], (...) vai chegar um outro Inverno, eu vou estar aqui; se é que eu vou estar aqui e não vou para o “abandonório”, para o lugar ...”

E olhando assim as folhas, de repente os meus olhos caíram na imagem de S. José (...) e eu senti no interior como que S. José me dizendo: “Não se perturbe, antes de nascerem as folhas, você já estará curado.” [Exclamações.]

Eu ... disse: “Não, será isso subjetivismo, será isso ... Bom, eu não sei, eu guardo isso como um testemunho, como algo que eu devo mais tarde tirar a limpo. Vamos esperar os acontecimentos.” (...)


3o sinal - Sr. Petterssen atende seu pedido:


Às tantas, também eu começo a pedir ao Sr. Petterssen que me ajudasse, que interviesse. Queria um sinal para ver se ele ia ajudar ou não, se as coisas iam dar certo ou não. E dizia para ele: “Olha, (...) quero uma coisa claríssima, que me dê um aviso”.

Bem, de repente eu recebo uma carta (...) [com] uma fotografia de Mater Boni Consilii a Genazzano. Só que o fotógrafo tinha colocado ao lado direito da imagem uma imagem de S. José, e do lado esquerdo estava uma foto do Sr. Petterssen.


[Exclamações.]


Eu disse: “Não, não tem dúvida. Trata-se de um sinal inequívoco de que o Sr. Petterssen vai funcionar nesse assunto.” (...)

Mas eu saí de uma e peguei outra. E essa outra pior ainda do que a anterior. E como é que é, e perplexidade, e eu que ia estar curado. (...) E no meio de uma insensibilidade total, uma sensação de abandono colossal, etc., etc.


4o sinal - cartão do Sr. Horácio:


Até que morre o Sr. Horácio (...). Na hora o que me saltou por dentro: “Olhe que de repente ele vai pedir pelo senhor, e aí até a segunda enfermidade vai se embora. Mas que prova eu tenho disso? Nenhuma. É uma mera suposição. Mas eu posso pedir um sinal a ele. Peço um sinal inequívoco, desses sinais que não têm dúvida.”

Pedi, pedi, pedi. No dia seguinte à morte dele eu acordo e encontro este envelope debaixo da porta.


Ilmo. Sr. João Clá DiasSpring Grove, Estados Unidos Caríssimo Sr. João, Salve Maria!

Neste dia [18 de maio] tão especial me lembrei especialmente do senhor.


Portanto, sinal patente.


As minhas orações serão dirigidas com a intenção de que todos – tanto os de direito, como os de desejo – consigamos o quanto antes possível penetrar no “hortus conclusus”.


Ele fazia referência à Sempre Viva.


In Jesu et Maria

Horácio Black

P.S. Espero que este cartão não o encontre lá, mas se cruze no caminho de volta à casa paterna.


[Exclamações.]


5o sinal - a lâmpada de um abat-jour que se acende sozinha:


Mais um último episódio que foi esse da lâmpada.Eu estava rezando para Nossa Senhora do Bom Conselho e pedindo a Ela que me ajudasse, pedindo um sinal a Ela também, de repente a lâmpada do abat-jour acendeu sozinha: plaft!, e iluminou. Eu fiquei assim arrepiado do que tinha acontecido.


6o sinal - queda de um quadro de Nossa Senhora:


Um último – bom, tantos episódios que... [exclamações] –, um outro ainda é que havia uma imagenzinha de Nossa Senhora do Olvido, do Triunfo e da Misericórdia. Eram quinze para as sete da manhã, de um dia. (...) Eu estava colocando um relato do último dos meus males – não vou dizer qual é por não ser necessário –, eu pensei: “Eu vou ser curado disso ou não? Eu sinto que tem um demônio em cima disso. Mas como? (...)” Estava tomando nota, quinze para as sete da manhã, e de repente um estralo tremendo. Esse quadro tinha caído e o vidro tinha se partido num “V” muito claro, desde o alto da cabeça de Nossa Senhora, até embaixo, assim... Um “V” assim.

Eu achei raro que no momento em que eu estivesse pensando nisso, tivesse acontecido um fenômeno assim. Fui, colei o vidro com “durex” e deixei, e pus a data. E de fato o mal, fiuut!, desapareceu. Era mais um demônio que se ia.


7o sinal - Início do processo de cura depois do traslado de relíquias:


No dia seguinte, ou no subseqüente à morte do Sr. Horácio, houve uma tromba d’água na sede, enquanto nós fazíamos reunião, e o teto foi acumulado de água. Tornou-se acumulado de água (...) e vazou, molhou todas as relíquias que eu tinha. Eu fui obrigado a secá-las todas, as que tinham se molhado outras não tinham sido atingidas, e ao invés de deixar os dois relicários no escritório, eu os passei para o quarto. E a partir do momento em que eles entraram no quarto, eu comecei um processo de cura até agora.


[Exclamações.]





12 de setembro


Numa reunião entrecortada por risos e exclamações de “fenomenal!”, perguntam a JC como é que o Padre Eterno viu o holocausto de Nosso Senhor Jesus Cristo? Resposta: com a maior alegria e contentamento inteiro. E como é que a Sr. Da. Lucilia via a agonia do SDP? Resposta: ela não teve dor, nem se compadeceu, mas se sentiu contente; e se tivesse podido, lhe teria aconselhado sofrer ainda mais - Reunião na Saúde, 12/9/95:


(Macabeu Vitoreli: Como é que Senhora Dona Lucilia está vendo lá do céu a situação que está passando o Senhor Doutor Plinio?)


[Risos]


Legítimo, legítimo, e teologicamente pode-se responder, perfeitamente.


(Macabeu Vitoreli: Como é que ela está vendo todo o sofrimento dele, e ao mesmo tempo vendo toda a glória dele? E também, o que se está passando com o senhor?)


Comigo? Digo, não tem problema nenhum.

Volte-se para o episódio da História mais pinacular que já houve e que nunca igual haverá: Horto da Oliveiras, Gólgota. São os dois montes mais sagrados de toda a História. Um é o Horto e o outro é o Monte do Gólgota.

Num o Filho de Deus feito Homem, vendo tudo o que se ia passar com Ele, e vendo as rejeições todas, Ele transpira sangue e tinge de sangue toda a túnica dEle da cabeça aos pés. E a transudação daquele preciosíssimo sangue se faz da cabeça aos pés. Não houve um poro --um só poro-- dEle que não tivesse feito passar uma gota de sangue.

Bem, Ele sai dali, há toda a Paixão, e é pregado em uma Cruz no Gólgota.

Deus Padre como que vê tudo isso?

É seu Filho. Esse é seu Filho único, verdadeiro --Segunda Pessoa da Santíssima Trindade, que Ele gerou desde toda a eternidade, unida à natureza humana, é a Pessoa da natureza humana que está ali, Ele é Filho humano-- sofrendo o inenarrável...

Pena? Dor?

Não! alegria, contentamento.

- Veja que Filho fiel que Eu tenho. Ele por Mim deu tudo. Ele por Mim deu até sua última gota de sangue. Ele teve pavor, Ele temeu e tremeu, e entretanto deu tudo, que Filho bom que Eu tenho, que alegria!

Uma das alegrias maiores realizadas de toda a história eterna dEle, desde “ab aeterno”, até a eternidade. A maior alegria foi ver aquela prova de fidelidade daquele Filho dEle.

Contentamento inteiro. Contentamento por ver que permitindo aqueles tormentos todos ao seu Filho, Ele permitiu uma glória também fora do comum. Uma glória como criatura nenhuma outra teve. Porque Ele enquanto homem, criatura. E é impossível mais glória. Então contentamento por poder premiá-Lo.

A Senhora Dona Lucilia no Céu sofre por ver o filho como está?

Não. Porque ela não vê só o estado presente atual, ela vê o quanto o filho dela está junto à balança de Deus, pondo o sangue dele de um lado, e fazendo perder o peso da Revolução, e com isso derrotando o que ela detesta o odeia no Céu, que é a Revolução. E se sentido contente por ver que o filho dela e o homem que fez cair e rolar a Revolução.


[Exclamações]


- Ah, mas ela não se compadece com os sofrimentos dele?

- Não.

Ela não tem dor. Ela como que diz: "Meu filho, um pouco de paciência e tudo terá terminado. Isso não é nada, face ao eterno, isso passa logo, é um grãozinho. Quando você estiver aqui comigo, bem lá no futuro, quando você estiver aqui, você verá...


[Exclamações]


... você quererá voltar à terra para sofrer ainda mais, e aí não dará mais. Sofra agora, entregue tudo, dê mais, dê mais, e dê mais".

Essa é a atitude dela, Senhora Dona Lucilia.

Agora, a minha:Um primeiro lance, é de espanto. E pensar o seguinte: "Se a Providência faz isso com o lenho verde, o que é que nós lenha seca sofreremos"? Por outro lado, se ele por nós se entrega assim, o que ele não conquistará para nós?!

Causa-me dor, eu não quereria, eu quereria ter morrido, não queria ter visto isto. Eu queria estar no lugar dele. Mas por outro lado, um agradecimento a ele pelo que está sofrendo, pelas humilhações pelas quais ele passa, por ver que tudo isso são graças que ele conquista para nós, para a humanidade, para o Reino de Maria. E glória para ele, mérito para ele.

Peço a Nossa Senhora que abrevie isso, dando toda a glória que ele merece. Mas ao mesmo tempo cheio de ânimo, porque se ele passa por isso, é certo que vem depois disso graças estupendíssimas para nós.

E procurando até às vezes me distrair para evitar que aquilo me tome, e o demônio venha com algum desânimo, com algum abatimento. [Dizendo:] "Mas então como é que é".

Isso não pode ser. Porque se eu ficar abatido, eu espalho abatimento para os senhores. E eu farei o papel de satanás junto ao senhores.


[Exclamações]


*


JC brinca, não só no hospital, mas também durante as reuniões. E o auditório acompanha - "Jour-le-jour" 12/9/95:


Na Itália os loucos não são guardados em hospícios como aqui. Eles são soltos pela rua por causa de uma lei italiana estúpida, etc. E na Itália cada país tem seu modo de ser os loucos são artistas.


[Risos]


Não quero dizer que os artistas sejam loucos, quero dizer que os loucos são artistas.


*


JC retoma a campanha eleitoral - Reunião na Saúde, em 12/9/95:


Creio que a última vez que eu estive aqui foi em fevereiro. (...) sete meses sem aparecer aqui, sete longos meses. (...) Sete meses foram ocasionais, sete meses de abandono, sete meses de sofrimento, sete meses de provação, sete meses de complicações, mas onde Nossa Senhora fez uma série de milagres, e depois de duas vezes ter tomado a extrema-unção por duas doenças mortais, aqui eu me encontro junto aos senhores.


Ou seja: Eccome, miracolato!

Daí passa a descrever o processo do acrisolamento, na ordem natural e na vida espiritual:


Quando um garimpeiro vai a procura de ouro, ou nas rochas, ou então nos rios com aquela peneira que ele pega assim e vê que uma pedra brilha de uma forma toda especial, um torrão, então ele separa.Ele consegue ouro, não como nós vemos o ouro, pedra assim, em placas, ou então em moedas, ele consegue o ouro cheio de ganga, está cheio de misturas.

Como é que se separa o ouro daquilo que não presta?

Separa-se o ouro de toda a ganga, de todo cascalho, colocando num cadinho e colocando esse cadinho numa forja, no fogo durante um certo tempo, depois deste certo tempo, tira-se o cadinho e gira-se sobre um recipiente próprio e o que sai líquido de lá de dentro é ouro, o que fica sólido é matéria que não presta.

Então eles tiram o líquido ouro, e joga o que não presta, e vão formando assim, constituindo assim pedaços, e pedaços, e fatias de ouro, e o ouro vai sendo purificado porque ele perde toda a ganga e fica ouro puro.

Isto muitas vezes se passa com a nossa vida espiritual, nós entramos para o grupo, cheios de graça, cheios de contentamento, cheios de sustentações, e consolações, e ajudas, e impulsos, e proteções, e... mas cheios de ganga.

Então vem misturado no ouro uma série de coisas que não vale nada (...). Então a Providência o que é que faz? Pega como o garimpeiro a pedra, põe no cadinho, põe numa câmara escura cheia de brasa. A gente chia etc., mas tira do outro lado ouro puro.

Então a Providência tira do outro lado ouro puro, então a Providência fez isso comigo. Ela me pegou cheio de ganga, cheio de misérias, cheio de não sei quanto etc., e me enfiou numa forja daquelas a alta temperatura, e eu ... “Nossa eu vou me desintegrar, olha que eu estou me liquefazendo” ... Quando termina, [alívio], agora eu entendo, era preciso, era indispensável.

Quando já frio o metal, purificado o metal, esse metal quer vir para São Paulo para ter contato direto com o Sr. Dr. Plinio que fazia quase um ano, chega em São Paulo o Sr. Dr. Plinio está doente, então não pode vê-lo. Outra provação. É que o ouro precisa ser purificado mais ainda.


Desfecho do acrisolamento: dois pedidos e uma investidura - O processo de acrisolamento ou de purificação de JC te-lo-ia colocado --é o que fica insinuado-- num altíssimo patamar da vida espiritual. Tendo ascendido a esse patamar, encontra-se ele em condições de formular a Dr. Plinio dois pedidos: “o duplo espírito” e a direção da Sempre Viva, caso ele “se bata” (sic!) para a gruta do Cornélio.

A sequência dos pedidos é explicável: somente quem tivesse o duplo espírito de Dr. Plinio é que teria autoridade moral para dirigir a instituição da SV. Percebendo, talvez, a desproporção de sua estatura moral, JC pergunta a Dr. Plinio se ele autorizaria que “a gente” (note-se a passagem do “eu” para “a gente”) fizesse duas coisas:

Primeiro: renovar os votos dos membros da SV (nas mãos da “gente”, bem entendido);

Segundo: receber novos membros.

Como não ver nesta passagem a clara tentativa de suceder a Dr. Plinio enquanto cabeça visível da família de almas da TFP?


De repente a Providência abre dentro do túnel uma janela, e a gente olha e vê o que nunca viu na vida, ou então é uma mão que entra dentro do túnel, cheia de prêmios e diz: “peça o que quiser”, a gente pede e aquilo se derrama sobre nós. Hoje, por exemplo.

Eu chego para a hora do jantar do Sr. Dr. Plinio, ele estava colocado na cadeira do hospital, e eu olho para ele e digo:

Sr. Dr. Plinio eu quero fazer um pedido ao senhor.

Qual é o pedido?

Eu, às vezes, fico desconfiando de que de repente vai acontecer uma coisa qualquer fora do comum com o senhor, (...) caso se passar alguma coisa extraordinária, fora daquilo que é o caminho normal de todos os dias, eu queria pedir ao senhor que o senhor me desse o duplo espírito do senhor. Eu entendo bem que não se trata de ter duas vezes mais do que o senhor tem, mas se trata de eu ter duas vezes mais do que eu normalmente teria se eu fosse fiel.

Sr. Dr. Plinio disse: “Eu não quero outra coisa”.

Bem, depois eu não sei quais são os dias que vêm, onde é que nós vamos parar, o que é que vai acontecer. Eu disse: “Bem, Sr. Dr. Plinio, para nós termos uma vida mais intensa, mais cheia de sobrenatural, se o senhor se bate para a gruta do Cornélio, ou, não sei, eu quero pedir para o senhor outra coisa, posso pedir?”

- Peça, o que é que há?

- Tem o seguinte, o senhor vê que a gente precisa renovar muitas vezes a cerimônia da Sempre-Viva. O senhor permitiria, o senhor autorizaria que a gente fizesse renovações como se o senhor estivesse presente?

- Mas claro, eu não quero outra coisa, está muito bom, eu aconselho isso.

- Agora, Sr. Dr. Plinio, se a gente notar por sinais infalíveis que a graça pousou sobre alguém e que esse alguém pode ser chamado à Sempre Viva, o senhor autoriza que a gente faça a cerimonia?

- Eu não quero outra coisa.


[Aplausos]


Note-se que JC escolheu um estágio avançado da enfermidade de Dr. Plinio para formular seu pedido, numa época em que este passava por longos períodos de ilucidez. Quer dizer, a “investidura” é, pelo menos, questionável:


O Sr. Dr. Plinio, com o cansaço do fígado, não está na sua plenitude, e então deixa o organismo cheio de toxinas. (...) E isto deixa o cérebro um pouco entorpecido. Então, ele quereria ter a cabeça ágil, fácil de pensar como no estado normal dele sem o cansaço. Então ele passa a mão na cabeça para ver se a cabeça entre no lugar, entende? Mas não entra porque ele está na subconsciência, e com dificuldade de pensar e com cansaço etc. (...) Mas a gente via que ele estava com a cabeça cansada, pesada. E ele quereria estar com a cabeça leve e ágil como sempre tem. E não está sendo possível no momento.


Ainda a respeito da validez da “investidura”, cabe aqui transcrever um trecho do "jour-le-jour" 20/1/96, na qual o carismático compara a inconsciência do SDP na época do desastre (fevereiro de 1975), com a inconsciência do SDP no período da hospitalização (setembro a outubro de 1995):


Desta vez foi muito mais intensa. Da outra vez a inconsciência era uma inconsciência... Espere, a coisa é a seguinte: é que dessa vez ele estava com muita amônia no sangue e isso perturbava as faculdades mentais, enquanto que da outra vez era um abalo que ele tinha tido. Ele tinha perdido a noção do que é que tinha acontecido, onde é que ele estava, das circunstâncias todas que o circundavam, etc. De modo que a outra vez o abalo era maior, mas dessa vez o estado geral era muito pior. E na outra vez o discernimento dos espíritos funcionava com uma eqüidade impressionante, se bem que desta vez também em certos momentos a coisa era impressionante


Voltemos à reunião para membros da Sede da Saúde de 12/9. Os discípulos de JC, após a “revelação” de seus sofrimentos, constatam que ele teria ficado “mais santo do que era antes”. JC procura se esquivar, dizendo que está sendo mal interpretado. Sem embargo, o jovem aparteante não faz senão interpretar o pensamento da grande maioria da corrente joanina. E confessa que durante a doença de seu chefe “era terrível, sentíamos dor”. Ora, na lógica dos ensinamentos de JC deveriam haver experimentado pelo contrário “uma imensa alegria”, “um enorme contentamento”...


(Toniolo: Todo o período da doença que o senhor passou (...) era terrível, nós sentíamos dor quanto a isso, mas depois nós convivemos com uma pessoa que ficou mais santa do que era antes. (...) A tese é do senhor mesmo, que o senhor havia dito que passou pelo cadinho e dai ficou ouro. (...) Nós sabemos uma coisa, o senhor talvez não ache, mas que o ouro está mais brilhante isto é indiscutível e [basta?] conhecermos ao senhor).





14 de setembro


No "jour-le-jour" JC repete que pediu ao SDP o duplo do espírito dele, e que o SDP “concedeu”.

17 de setembro


Ao criticar o pouco empenho em rezar pelo restabelecimento de Dr. Plinio, JC ressalva “os dois êremos e uns gatos pingados”. O desprezo patente em suas palavras por quem não pertence “aos êremos” só contribui para criar clima de partido. Ademais a afirmação de que os membros da Reunião de Recortes – cheios de “frieza” em relação a Dr. Plinio – não compareceriam à adoração distancia-se fortemente da verdade e tem endereço certo - "Jour-le-jour" 17/9/95:


Então, rezemos por ele [SDP], que nós temos rezado pouco. Eu vejo, por exemplo, marca-se uma adoração aqui na hora da Reunião de Recortes, e os participantes da Reunião de Recortes não aparecem a essa adoração! E são várias adorações que já foram feitas.

Quer dizer, as pessoas aproveitam o sábado à tarde, já que não tem reunião, vão fazer os seus serviçinhos, mas não vão rezar por ele. E não aparecem aqui. É avisado o Grupo inteiro: "Vamos ter adoração ao Santíssimo pela saúde do Senhor Doutor Plinio, para que ele se recupere, para que ele venha aqui estar conosco". Psst... aparecem os dois êremos e uns gatos pingados. O resto não vem.

Não vem porque o estado de frieza em relação a ele não é pequeno. Não há no momento aquela comoção, aquele desejo, aquela espécie de labareda de querer rezar por ele como fizeram os meninos com São João Bosco. Não há. Eu não noto no Grupo isso.

(...)


(Vasco G.: [inaudível] e rezava constantemente a Mater Boni Consilii a Genazzano, e também se faziam vigílias da meia-noite às seis da manhã...)


E era uma enfermidade muito menos grave do que a atual, e uma situação muito menos grave do que a atual, num Grupo muito menor do que o atual. E entretanto agora as pessoas... E são os participantes da reunião, hein... Quer dizer, o normal seria que tivesse o número de participantes aqui, como se viessem assistir à Reunião de Recortes.


*


O Pe. Olavo entra no quarto de Dr. Plinio e as luzes apagam ... - Depoimento do Sr. Fernando Antúnez. (Spring Grove, 2/11/96):


Um domingo [17/9], aliás, em que aconteceram umas coisas terríveis, na linha de ódio do demônio, de querer mostrar a garra do demônio, em que o Sr. Dr. Plinio praticamente não tinha conseguido assistir a missa, tinha ficado no quarto dele, sentado numa poltrona, e a missa tinha sido na sala de visitas, porque não se pode dizer missa num lugar profano. Portanto, não se pode dizer missa no quarto de dormir. Mas o Sr. Dr. Plinio ficou inconsciente praticamente toda a noite. Houve que acordá-lo para a hora da comunhão. Ele acordou, comungou. Sempre que chegava a comunhão, ele como que tirava forças de si. Comungou, fez a Ação de Graças e depois novamente ficou assim caído. E o Pe. Olavo acabou a missa, tirou os paramentos e ficou bem no umbral da porta e perguntou: "Posso entrar para dar a bênção dos doentes?" Dissemos: "Pode entrar, Pe. Olavo". No momento em que ele pôs o pé dentro do quarto do Sr. Dr. Plinio, todas as luzes do hospital apagaram.





19 de setembro


Estandarte de um êremo joanino cai violentamente no chão. O auto-nomeado intérprete do Profetismo de Dr. Plinio e de tudo quanto é “sinal”, não sabe dar outra explicação a este “desplomamiento” a não ser a do falecimento de nosso Pai - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:


Ontem o Sr. Enrietti telefonou a respeito do estandarte do "Praesto Sum". O estandarte despencou e quebrou uma das flores de lis lateral. Depois tentaram hasteá-lo e não conseguiram, porque ele parava na metade. Não é isso?


(Enrietti: Parou na metade e ofereceu resistência. Aí olhamos para ver se estava tudo em ordem. Tinham duas pessoas puxando o cordão. Não foi inteiramente extraordinário, mas eram duas pessoas. Aí acabou ele cedendo. Quando ele parou, a idéia que passou pela cabeça o Sr. pode imaginar).


Será um sinal? Não sei. Um sinal de que o Senhor Doutor Plinio de fato morre. Mas será? De repente pode acontecer um milagre. Mas para esse milagre, nós não precisamos nos preparar, precisamos pedi-lo.


(Enrietti: Houve um complemento no fato, não sei se o Sr. permite. É que algumas pessoas tinha visto uns vinte minutos antes o estandarte...)


Em cima. O próprio Sr. Gugelmin me contou.

(Enrietti: Aí iam tentar puxar, tirar do lugar e o Sr. Pedro Rodrigues chegou e disse: Não mexam, porque eu vou pôr uma escada para subir e tirar de lá, porque ele está solto da argola. Ele ficou pendurado na flor de lis, talvez uns 20 minutos ou meia hora, sem estar pendurado em nada).


Isso nunca aconteceu.

(Enrietti: Um vento capaz de soltar da argola e deixar sobre a flor de lis, qualquer vento mais fraco derrubaria. Levou muito tempo).


(...)


Tudo isso não posso deixar de interpretar como algum sinal. De quê? Não sei.


(...)


(Baggini: Depois, como caiu! Sr. João, caiu no chão assim: pá!)


Violento. Sim, porque a parte mais pesada vem na frente.

(Enrietti: A caída foi graciosa. Ele estava aberto e foi sustentado pelo vento. Evidente que o fuste bateu no chão com uma certa violência, mas o dano foi mínimo em comparação com o que seria de se esperar. A queda foi rápida, mas suave).


Com estes detalhes todos dá para interpretar um pouco melhor. De fato é um desprendimento, é uma queda, mas com grandeza, com elegância e que depois retorna ao seu lugar, com mais glória.


Terá sido um sinal da insurreição? Pode ser. Pois numa primeira fase, os amotinados se soltam da “argola”; depois ficam pendurados num canto, durante certo tempo, numa situação muito precária, a tal ponto que qualquer vento os leva embora; numa terceira fase, caem violentamente no chão.





20 de setembro


Promoção de si mesmo enquanto sustentáculo de membros do Grupo - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:


Se eu não tivesse passado pelo que eu passei [a prova de fevereiro a agosto de 1995], eu não estaria agüentando o que estou agüentando, e eu não estaria segurando e sustentando os senhores


*


Enquanto Dr. Plinio agoniza no hospital, JC ouve música.

Para evitar custe o que custe a “má tristeza”, interpreta de modo inconcebível informações que lhe fornecem, e afirma que, no êremo do Amparo de Nossa Senhora, Dr. Plinio teria passado os dias que precederam seu internamento no Hospital Oswaldo Cruz “contando os fatos os mais engraçados possíveis e dando risadas”. Assim aconselha a seus ouvintes a não se deixarem tomar por um exagerado entristecimento, mas a seguir o pretenso exemplo rindo também: “É o que nós temos que fazer”.

Para quem teve o privilégio de conhecer Dr. Plinio de perto, é absolutamente inadmissível a hipótese de que ele tenha passado uma semana inteira, no auge do esgotamento físico e em meio a terríveis provações espirituais, contando “os fatos mais engraçados possíveis e dando risada”. A admitir como verídica a versão joanina, – o que pode ser facilmente contestado por membros da TFP que estavam em Amparo – Dr. Plinio teria se lançado, durante a última semana que passou entre nós, na mais completa galhofa... Ele, entretanto, modelo ímpar de seriedade, de decoro e de elevação de vistas.


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:


(Saint Amant: O demônio pode fazer que a pessoa passe o limite pensando nisso [na agonia do SDP] continuamente e caia em desespero. Qual é o equilíbrio?)


Pois é o que nós temos que evitar. Inclusive é legítimo como eu fiz e tenho feito essas manhãs. (...) o que é que eu faço? Ouço música.

Os senhores dirão: "Mas que filho sem coração? Nesta época?"

Eu tenho que ouvir música para poder me distrair.


(Dustan: O Sr. Dr. Plinio, depois que foi para Amparo, queria que contassem coisas agradáveis para ele).


Claro. Ele passou uma semana contando fatos os mais engraçados possíveis e dando risada. Contava coisas a respeito do Dr. João Paulo, a mais não poder, para poder esquecer. Porque senão a saúde vai embora. É o que nós temos que fazer. Nada de a gente ficar obsessionado e assim traumatizado. Batem umas lágrimas, batem umas saudades, está ótimo! Então, a pessoa chora. Mas tudo como ela chorava e como ele chora.

Eu o assisti chorar inúmeras vezes. Nenhuma vez com: "Aaaaa" Isso não! Aquele choro equilibrado, santo, cheio de paz.





26 de setembro


Sob pretexto de combater a “má tristeza”, JC acaba combatendo a tristeza sadia, pois sustenta que “não temos razão nenhuma para nos entristecermos a respeito de nossa situação”- Reunião na Saúde, 26/9/95:


Jacqueline Onassis, que levava uma vida folgada, uma vida cheia de pseudo-delícias, uma vida cheia de regalos, cheia de dinheiro, cheia de atendimentos de tudo que queria. Essa Jacqueline Onassis era feliz? Não (...) ela vivia dos efeitos maus da alegria, da boa vida. Mas vou dizer uma coisa: A má tristeza é pior ainda do que os efeitos da vida da Jacqueline Onassis.

Nós não temos razão nenhuma para nos entristecermos a respeito de nossa vida, a respeito de nossa situação, a respeito do relacionamento que Nossa Senhora tem para conosco.

Alguém me dirá: "eu tenho motivo para estar triste."

Não aceite a tristeza má. Tenha a tristeza boa.

A tristeza má, como é que se conhece? (...)Pelos frutos, nós conhecemos a má tristeza. A má tristeza tira a vontade de progredir, a má tristeza tira a vontade de dar mais, a má tristeza tira a vontade de ser melhor, a má tristeza tira a vontade de a gente ser perfeito, a má tristeza leva a gente a entregar os pontos nas mãos de Satanás, a má tristeza traz o desânimo de alma e nos abate e faz com que a gente fique paralisado. Portanto, a má tristeza é um dos males piores que possa existir.

Mas, pior ainda, é que a má tristeza tem uma atração maior do que a má alegria. Olha que eu estou dizendo uma coisa ousada. A má tristeza tem algo de gnóstico, tem algo de destrutivo do ser, que pega nossos lados maus todos e gira esses lados maus todos contra nós mesmos e nos faz perder o ânimo. O desânimo toca em todas as virtudes e faz fenecer todas as virtudes. (...)

Quando a má tristeza pega os senhores, cuidado! Cuidado, porque leva embora. E por isso é que enjolras se afunda em uma semana. Eu já tenho prática. Bato os olhos assim e vejo alguém. Má tristeza. Má tristeza é um perigo.


*


As reuniões de JC são tais, que tem-se a impressão que com o SDP não está passando nada, ou de que está tirando férias e dizendo coisas reservadas a JC. Reunião para a Saúde, 26/9/95:


(Amorim: A gente vê que no estado em que está o Senhor Doutor Plinio, todas as reuniões que a gente tem a graça de ouvir do Sr. é uma paz, uma serenidade, quase que dá a impressão que com o Senhor Doutor Plinio não está passando nada).


Pelo contrário, [dá impressão de que:] "o Senhor Doutor Plinio está tirando férias e está dizendo umas coisas para ele que ele não está dizendo para nós o que é que é."







1 de outubro


Enquanto Dr. Plinio se encontra num leito de dor, quase nas vésperas de seu decesso, JC e os seus estão num clima de muito contentamento. O carismático anuncia que essas “graças” de “sustentação” constituem um “mistério místico” (sic!), prenúncio do “Grand Retour” vindouro - "Jour-le-jour" 1/10/95:


Bem, parece até contraditório que o Senhor Doutor Plinio sofra tanto no hospital e nós aqui em tanto contentamento. Não é contraditório. É que ele compra as graças da difusão da obra dele, da ampliação da obra dele, do aprofundamento da obra dele. E compra para nós graças de consolação também incríveis.

Tudo isto está se dando no momento em que ele se encontra num leito de dor, o leito do hospital. E entretanto, alguns me perguntam: "Mas que coisa curiosa, eu sinto em mim uma sustentação da graça que eu não sentia antes. Eu não sei... Não é isso um paradoxo? Eu não deveria estar puxando os cabelos, cortando as orelhas, sangrando pelos olhos e pelas narinas até? Eu não devia estar meio assim... angustiado? E eu não sei o que é que se passa, que entretanto eu estou sentindo uma sustentação do outro mundo." Mistério. É um mistério místico. E já é um prenúncio do Grand-Retour que vem.

(...) Nós assistiremos no final a alguns slides de ontem onde transparece um sofrimento tremendo de nosso Pai e Fundador. Ele sofre, mas nesse sofrimento ele está imprimindo um novo rumo à História. Mais ainda do que todos os livros que nós vimos aqui e que foram recebidos com tanto entusiasmo, e que deveriam mesmo ser recebidos assim e até mais, talvez.





2 de outubro


Na conversa “confidencial” com eremitas de São Bento e Praesto Sum, de 2/10/95, perguntaram a JC se o acidente que tivera poucos dias antes, escorregando de uma escada, na Sede da Saúde, poderia ser interpretado como algum “sinal”. O clima é de riso solto, um dia antes do falecimento de Dr. Plinio:


(Frizzarini: E o tombo que o senhor levou na Saúde, o Sr. vê algum sinal?)


Hum... Não me pareceu nenhum sinal, não. Pareceu...

(Frizzarini: Sentiu alguma coisa?)

Não. Me pareceu que o Sr. Brambila fez uma coisa que... [Risos.] Não, é real. Porque normalmente a gente deve dar a parte mais larga para quem é mais velho, mais antigo. Ele pegou a parte mais larga e me deixou a mais estreita. Eu tenho os sapatos de sola escorregadios. (...) eu já mandei colocar salto de borracha em todos os sapatos. [Risos.] A toda a hora estou escorregando. Ontem quase caí de novo.

E o seu aviso não vale nada. Porque o senhor pede um aviso para o senhor, o outro cai, não tem nada que ver com... [Risos.] Sim, claro! Eu não senti nada assim mais...

Eu não senti nada assim mais... Quer dizer, é preciso dizer o seguinte: já de manhã quando eu acordei eu disse: "Eu vou passar por uma trombada qualquer, hoje". [Exclamações.] Eu estava com medo porque como eu estou [tomando] anticoagolante até o fim do ano, eu disse: "Se eu passar por uma trombada, eu vou ter uma hemorragia feroz e vai ser um negócio complicado. Como é que é, como é que não é." Então eu olhando a direção do carro e vendo: "Olha, vai ser isto, vai ser aquilo." E me protegendo. Passei o tempo inteiro com o pressentimento. Quando caí na Saúde, disse: "Ah! Está aí, está aí!"


*


Nesse dia, uma flor de lis do estandarte do Praesto Sum cai e se quebra:


  1. Conversa “confidencial” de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, de 2/10/95:


(Baggini: Eu liguei agora há pouco ao Praesto Sum para perguntar uma coisa e o expediente disse que, às duas e vinte, a outra flor de lis do estandarte que não se havia quebrado, caiu e quebrou-se tal qual a outra. Uma havia quebrado e a outra... Agora caiu sozinha...)


b) "Jour-le-jour" 19/10/95:


(Enrietti: (...) a questão do estandarte no Praesto Sum, (...) o estandarte caiu no dia 29 de setembro, uma flor de lis se partiu e a outra ficou um pouco deslocada, uma parte que era colada, ficou um pouquinho torta. No dia 2 de outubro, mais ou menos na mesma hora em que se davam os fatos todos...)


Despencou.






VII. 3 de outubro de 1995


O falecimento de Dr. Plinio ocorreu no dia 3 de outubro às 18,35 h. Após um mês de sofrimentos atrozes, em meio a não menores tormentos espirituais, apagava-se o fanal da Contra-Revolução. “Tenebrae factae sunt”, bem poder-se-ia exclamar.

Ora, o que presenciaram atônitos, surpresos, perplexos, com o coração dolorido pela imensa e irreparável perda, diversos membros do Grupo que tiveram durante décadas a honra de privar com Dr. Plinio e que o acompanharam em sua “via crucis” final?









A. Estado de espírito dos joaninos horas antes do falecimento de Dr. Plinio


Relato de autoria do eremita Macambira, 1° plantoneiro no hospital, do período das 23h do dia 2 às 6h do dia 3/10/95. O que o relator joanista diz não é senão um exemplo do estado de alma que nos arraiais dominados por JC era prestigioso comentar --e assumir-- a respeito do estado de saúde de Dr. Plinio:


Eu sei que é lugar-comum, mas uma coisa impressionante é todo o ambiente de graças. Todos que fazem plantão se vêem com o coração partido, dilacerado, sangrando, por todo esse quadro de dores nas quais estão imersas atualmente o Sr. Dr. Plinio. Mas chegando aqui é um tal ambiente de graça, de bênção, de imponderável, que a gente fica contentíssimo, alegre. É um paradoxo, já que ao mesmo tempo se percebe todo o lado trágico. O ambiente de muita paz e muita alegria fala da certeza da vitória, e impregna o quarto dele e a ante-sala.





B. Estado de espírito de JC e de suas bases no momento de Dr. Plinio expirar


Ao narrar o momento de o SDP expirar, JC confessa que em nenhum momento teve dor. Em lugar de despertar compunção nos ouvintes, despertou aplausos e risos. Reconhece que sua reação foi diferente da de “outros” - Reunião de JC para CCEE, 4/11/95:


(Cury: O Sr. teve a graça de estar com o Sr. Dr. Plinio no momento que ele foi para o céu; quais os imponderáveis que o senhor viu naquele momento e que pode ser contado para nós).

(...) Em mim a graça me tocou no seguinte sentido: era um varão de Deus. E que varão de Deus! Era o homem da destra de Maria Santíssima; era o profeta do Reino de Maria; era o esmagador da Revolução; ele estava com aqueles últimos suspiros, os últimos alentos dele, ele estava entregando a alma dele a Deus, no sentido de que a obra da Revolução fosse liquidada. E ele, portanto, era uma vítima. Ele era uma vítima que tinha se oferecido em holocausto a Deus, Nosso Senhor, para obter de Deus aquilo que ele percebia que só --como ele mesmo dizia--, só a obra, só as conferências, só os escritos, só as orações não bastava. Era preciso entregar o próprio sangue. "Se for preciso entregar o próprio sangue, eu entrego. Porque eu quero é a derrota dessa maldita Revolução, o que eu quero é a glória da Santa Igreja, o que eu quero é a glória da Civilização Cristã, o que eu quero é a implantação de um reino que seja o reino mais brilhante em matéria de glória de Nossa Senhora."

Então para mim aquela morte era grandiosa. Aquele quarto, eu teria vontade de serrar do hospital as paredes e levá-lo nas costas para um outro ambiente, para servir depois de início de uma grande catedral para se venerar ali o lugar onde o varão de Deus entregou a sua última gota de sangue, entregou a sua última gota de resistência, entregou o seu último suspiro, para obter de Deus, para implorar de Deus a derrota da Revolução e a implantação do reino de Nossa Senhora.

Então, imaginar que naquele momento em que ele deu o último suspiro, assistido por nós, e que um de nós quebrou o silêncio e disse: "Morreu." De fato ele tinha morrido. Nesse momento, a alma dele certamente abandonou o corpo. Mas abandonou o corpo e naquele lugar foi julgada. Que julgamento tremendo! Que cena fabulosa, que coisa feérica. Nós vamos assistir isso, nós vamos ter descrições disso magníficas (1).

Ali presente Nosso Senhor Jesus Cristo, sorrindo e olhando para ele, e dizendo: "Servo meu, bom e fiel. Combatestes o bom combate. Vem agora receber o prêmio da tua glória."


[Aplausos]


Eu vendo que tudo isso estava se passando, ia se passar, eu o que fiz? Eu não tive dúvida, eu pus minha cabeça no peito dele e deixei, porque eu queria que a alma dele, quando saísse do corpo, passasse pela minha cabeça (2).

[Aplausos]


Eu me lembrei de que a doutrina católica diz isso a respeito da Eucaristia: quando nós comungamos as Sagradas Espécies são deglutidas por nós e vão para o nosso aparelho digestivo. E quando elas são absorvidas pelo aparelho digestivo, não tem mais razão de Nosso Senhor Jesus Cristo estar presente nas Espécies Eucarísticas, porque as espécies se desfazem. Então Ele atravessa com a alma gloriosa dEle, com a divindade dEle, Ele atravessa o nosso corpo e a nossa alma de dentro para fora, e nos santifica.

Eu disse: "Ah, não! Eu aqui... Tem de passar por mim!" Pus a cabeça e ali fiquei.

E imaginando essa cena toda, grandiosa, para mim foi motivo de alento, foi motivo de confiança, foi motivo de esperança. Porque eu via que ele, agora livre de todos os sofrimentos, se encontrando com Nosso Senhor...

Só Nosso Senhor estava ali? Não! Nosso Senhor não pode andar desacompanhado!


[Risos]


Tal seria, tal seria! Estava Deus Padre. Onde está Nosso Senhor, Ele é inseparável de Deus Pai e Deus Espírito Santo. E Nossa Senhora não estava ali? Claro! E como podia faltar a Senhora Dona Lucilia?! Não podia ser, não podia ser! [Aplausos.] De jeito nenhum! Não podia ser que faltasse a Senhora Dona Lucilia. Estavam ali os nossos irmãos, todos filhos que se consagraram por meio dele (...). E Anjos? E o Anjo da Guarda dele?! Imagine, quando ele sai do corpo e olha e vê aquele panorama: Nosso Senhor sorrindo e dizendo isto a ele, e ele olhando para o Anjo da Guarda dele, olhando para a Senhora Dona Lucilia, e ele não sabe --porque ele é muito, mas muito cerimonioso-- e se pondo o problema do cerimonial: "Eu abraço a ela agora, ou eu vou primeiro..."


[Risos]


Claro! Claro! "Ou eu vou primeiro cumprimentar Nosso Senhor, Nossa Senhora. A quem eu devo primeiro..."

E começou a se pôr o problema, problema de protocolo.


[Risos]


Depois de ter seguido um protocolo sapiencial, perfeitamente correto, ele vai junto com esta coorte toda para o Céu Empíreo, e chegando no Céu Empíreo, chegando na visão beatífica, ele vê o Grupo inteiro, e cada um, cada alma. As necessidades de cada um. E começou já a operar no dia, naquele mesmo dia!

Talvez não tenham sentido, mas não é porque nós não sintamos, que nós não recebamos as graças. Às vezes não sentimos e recebemos graças extraordinárias. E já naquele dia começou a operar na alma de cada um. E o que ele vai obter para cada um de nós é incomensurável!

Bem, mas o senhor está me perguntando a respeito daquele momento. Naquele momento foi isso. O que se passou comigo foi ... Eu sei que outros viram de um outro prisma. Então: "Pronto, agora apagou-se a luz! A luz de Israel, a luz do mundo, a luz da Contra-Revolução está se apagando (3). Como continuará isto?" (4). Pode ser, é legítimo.


(...)


(Sra. ...: Qual foi o último sorriso de nosso Pai e Fundador?) (5)


Eu acho que... Pode ser que eu me engane, e pode ser que haja outros que pensem o contrário do que eu vou dizer. Não é matéria de Fé, não é matéria de doutrina católica, portanto, pode haver discordância. Eu acho que o último sorriso dele foi no caixão.


[Aplausos.]


Comentários:

  1. JC se refere ao audiovisual e videocassette que fez projetar nas cerimônias de dezembro de 1995. O adjetivo que utiliza para caraterizar as descrições, não é “pungentes”, mas “magníficas”.

  2. Pelo que diz acima, e sobretudo mais abaixo, JC afirma que ele estava vendo uma cena grandiosa, na qual estavam presentes a Santíssima Trindade, Nossa Senhora, os anjos, Dona Lucilia, os membros do Grupo que faleceram e se salvaram. Qualquer um, diante disso, não ficaria de joelhos? Entretanto, nesse momento, o místico JC, o contemplativo JC, virou utilitário, a tal ponto que fez projetar essa cena como ponto culminante do audiovisual e videocassette do holocausto de Dr. Plinio.

  3. “Outros viram de outro prisma”: quer dizer que para JC, ao falecer Dr. Plinio, não se apagou a luz da Contra-Revolução? Ele via essa luz onde? Na TFP? Se assim for, então por que se empenha em destruir a TFP?

  4. Também não passou pela sua cabeça como continuaria a Contra-Revolução sem Dr. Plinio. Isso não representa problema para ele. Suas cogitações e vias são de outro gênero.

  5. A pergunta não é clara. Dá margem a pensar que, ao longo da hospitalização de Dr. Plinio, ele teria sorrido várias vezes --o que é inadmissível. E constitui mais um indício de qual era a concepção que JC estava espalhando a respeito dos últimos dias de vida de Dr. Plinio.


*


Quando ele morreu, eu senti um alívio. Não conseguia chorar, tive impulsos em sentido contrário ao pranto - Reunião na Saúde, 10/10/95:


Quando houve o falecimento, eu assisti à agonia dele --os senhores um dia assistirão ao vídeo--, foi uma agonia serena, tranqüila e que foi cada vez mais calma, mais calma. Quando ele morreu, eu senti um alívio: "Afinal o sofrimento dele terminou." (...) Teve gente que chorou, que soluçou, etc. Eu não conseguia chorar. Se fizesse força para chorar não conseguiria. Pelo contrário, eu senti uma tal grandeza da cena e uma tal presença sobrenatural que eu tinha vontade de levar as paredes do quarto embora! [Exclamações.] Por isso é que eu não deixei sobrar relíquia nenhuma do que existia lá!

(...) Eu me lembro tendo que comunicar a certas pessoas que ele estava com câncer e que ia morrer, aquela calma, aquela tranqüilidade. Às vezes gente que chorava: "Então, quer dizer que... Como é que é?..." Eu na calma.


*


Eu senti tanta consolação ... - Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95 (texto 951022-CSB):


Quem é que poderia preparar uma reunião para o sábado, com slides --acho que vale a pena passar slides-- vale a pena passar um trechinho de vídeo bem escolhido. Já pensou se a gente passasse o vídeo da morte do Senhor Doutor Plinio? [Exclamações.] Eu tenho medo sabe do quê? Que essas senhoras ficam todas...


(Nelson Tadeu: Todos os que assistiram, que viajaram, comentaram que as coisas do hospital são mais traumatizantes do que a própria...)


Do que o próprio vídeo da morte. Eu acredito. O senhor ouviu o contrário? Eu senti tanta consolação na morte dele...


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Eu tive uma alegria interior extraordinária, um jorro de entusiasmo - Reunião na Saúde, 28/11/95:


Quando ele morreu, para muita gente foi um trauma do outro mundo, para mim --eu não sei o que houve-- mas uma alegria. Eu sei que é desestimulante dizer isso para os senhores. Eu tive uma alegria interior extraordinária (...).

[Quando] a gente chega assim depois dos 50, já meio estendendo o braço assim para os 60, para agarrar os 60 ali, acontece que muita experiência da vida a gente acaba adquirindo. E desilusão a respeito de tudo, aquilo vem como um mar. (...) Ainda mais a doença neste ano, me deu uma desilusão de tudo.

(...) E esse ver ele morrer se deu justamente no momento em que voltou, depois da doença, a certeza, o desejo de vitória da Causa dele.

Então isto se cruzou inteiramente na minha cabeça entre a morte dele e a certeza da vitória. E foi fácil ligar a morte dele com a certeza da vitória. É uma graça, porque para outros não se deu assim. Para outros passaram por uma provação daquelas. "Bom, se ele morre acaba tudo!" E era a idéia que a gente tinha antigamente.

Então, para mim, o fato de ter tido desilusão com tudo e vê-lo morrer nesse momento, foi uma injeção de entusiasmo de que agora vem mesmo.


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"Jour-le-jour" 3/1/96:


Eu tive uma alegria de vê-lo morto, (...) eu sentia uma tal consolação interior, que eu tinha que me segurar, porque eu percebia que ia dar escândalo.


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Senti tanta graça na hora da morte de Dr. Plinio ... Reunião na Saúde, 21/12/95:


Quando veio a notícia da morte, eu vi que nós íamos ter que... mas pensei que muita gente ia balouçar na fé, ia tremer na fé, ia fraquejando tomar outro caminho. Mas eu senti tanta grandeza --eu digo "senti" por experiência mística-- senti tanta graça na hora da morte dele, senti tanta graça nos funerais dele e comecei a perceber, a discernir tanta graça que ele conseguia para cada um e para todos, que eu disse:

- Não tem dúvida, eu não sei o que é que há nisto aqui. Há um mistério, mas a proteção está maior agora do que antes.

Isto foi num crescendo. E os senhores devem ter acompanhado as reuniões todas aqui, lá e acolá. (...) As reuniões todas foram num crescendo, num crescendo e os senhores foram cada vez mais recebendo mais graças, mais graças, até nós chegarmos nas cerimônias.


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Não sei se tive o maior flash de minha vida - Telefonema para a Saúde, 28/5/96:


Desde o momento em que eu o vi --foi a primeira luz que eu tive em minha vida no encontro com ele-- tive um flash tão grande que marcou a minha existência dentro do grupo. Às vezes fico na dúvida qual é o maior flash que tive na vida, se foi esse, se foi o da Sempre Viva, se foi o de vê-lo no hospital e comprovar o profundo discernimento dos espíritos dele, se foi assistir a morte dele. Eu não sei qual dos flashs foi o maior.


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Eu não sentia tristeza. Eu sentia muita consolação. Não derramei uma lágrima. Quando Dr. Plinio terminou de expirar, me sentia meio no Céu - Reunião para CCEE mulheres, 15/6/96:


(...) tratava-se da morte dele. Ele estava agonizando, estava nos últimos momentos, estava passando desta vida para a eternidade. Dir-se-ia que nessa hora a gente tem que ter uma tristeza lancinante.

Eu não sentia tristeza. Eu sentia muita consolação e sentia a certeza de que ele ali no quarto estava repleto de anjos, estava Nosso Senhor Jesus Cristo, Nossa Senhora, estava a Senhora Dona Lucilia, alguns nossos irmãos de fé que partiram para a eternidade estavam ali também. Eu sentia o quarto cheio de sobrenatural. Eu pensava comigo: eu estou assistindo a morte de um grande santo.

Eu via gente que chorava, gente que soluçava e que tinha verdadeira tristeza pelo que estava acontecendo, tinha angústia. Eu não consegui derramar uma lágrima. Porque, pelo contrário, eu tinha uma consolação enorme nessa hora.Terá sido uma graça? Não sei. O que é real é que o que se passou foi isso.

Quando ele terminou de expirar, eu imaginava o quarto habitado por anjos, por santos, por Nossa Senhora, por Nosso Senhor, pela Senhora Dona Lucilia, me sentia meio num ambiente mítico, legendário, sobrenatural... meio no céu!

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Eu senti uma alegria enorme, essa cena me encheu de gáudio - Reunião para CCEE, Belo Horizonte, 3/8/96:


Eu o vi na agonia durante umas duas, três horas. Eu vi que a respiração dele ia se fazendo cada vez mais compassada, cada vez mais ele inspirava e demorava a expirar, expirava e demorava mais a inspirar, numa paz, numa serenidade. Eu sentia a presença de anjos, eu sentia a presença de Nosso Senhor Jesus Cristo ali, eu sentia a presença de Nossa Senhora, sobretudo sentia a presença da Sra. Da. Lucilia.

(...) Quando ele expirou e a alma dele se destacou do corpo, ele viu-nos, mas mais do que nós, mais prestou atenção naquela feeria sobrenatural que estava ali.

O juízo dele foi o mais simples possível, o juízo dele foi uma palavra: "Vinde, meu filho. Combatestes um bom combate, vinde agora receber o prêmio de vossa glória".

E apesar de toda a divindade, apesar de toda a realeza de Nosso Senhor, eu não compreendo que Nosso Senhor não o tenha recebido com um abraço. Se Nosso Senhor deu a santos e santos abraços místicos, por que não o recebeu a ele com um abraço logo depois da alma dele ter se dirigido a Nosso Senhor? Não posso compreender.

Isso tudo se afigurou de meus olhos no momento da morte dele, e daí eu não ter sido tomado pela tristeza. Não fui tomado pela tristeza, mas eu senti uma alegria enorme no momento da morte dele.Alguém diria:

- Bom, mas então você ficou contente com a morte do Sr. Dr. Plinio? -- Não, por favor, eu preferia que ele estivesse entre nós, mas acontece que essa cena me encheu de gáudio.

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O maior “flash” que tive no hospital - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 1/4/96:


(Frizzarini: Qual foi o maior "flash" que o senhor teve com o Sr. Dr. Plinio no hospital?)


Eu sou egoísta: foi quando ele me cumprimentou e me abraçou. E foi o fato de poder abraçá-lo na hora da morte.O senhor dirá:- Egoísta.

- O que eu posso fazer?


(Jiménez: O senhor podia contar algum detalhe?)


Está no vídeo, o senhor viu isso. Eu acho que dos fenômenos místicos mais tocantes -- eu não quero dizer que seja o mais tocante, mas dos mais tocantes -- é o do abraço. Os senhores já pensaram o que é ser abraçado por Nosso Senhor? Eu só de pensar agora me arrepio.


É absolutamente falso que Dr. Plinio tenha cumprimentado e abraçado ao bufo precisamente no momento de falecer –tanto assim que nem força tinha para respirar. Está no vídeo.


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Eu via a tragédia, via que Dr. Plinio estava expirando. Não sentia tristeza nenhuma. Isso me trazia alegria - Conversa na chegada à sede de Campos, 12/4/96:


E eu vejo que alguns naquele momento foram tocados por uma graça de dor tremenda e choravam. Eu não sentia, eu não sei, pode ser que tenha sido uma falta de minha parte, mas eu não sentia tristeza nenhuma. Eu via a tragédia que estava se dando mas ao mesmo tempo por uma ação interior, eu percebi uma cena de uma grandeza bíblica. Era um varão de Deus, um varão eleito por excelência, um homem da destra de Maria Santíssima, um homem que tinha sido chamado a com seu sangue derrotar a Revolução e implantar o Reino de Maria. Esse homem estava ali expirando porque tinha feito um oferecimento como vítima expiatória.

E isso me trazia alegria, e eu via que era uma cena por onde os últimos respiros, os últimos suspiros, as últimas batidas de coração dele estavam se dando naquele momento. E que em breve a alma dele --cessava a respiração, cessava a vida-- abandonaria o corpo.

A alma sendo da qualidade dele não desceria, nem sairia pelo lado, a alma dele tinha que subir. [Exclamações.]


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Fui cada vez mais me encantando e me entusiasmando. Eu estava tomado pela alegria - Reunião para CCEE, 14/4/96:


Logo no dia 2 de setembro eu fico sabendo que ele estava com um câncer, e câncer tremendo. Mas uma coisa curiosa: é que o que tinha sido para mim sobressalto em Genazzano, passou a se transformar cada vez mais numa graça interior de segurança, estabilidade, de certeza de vitória de que aquilo era um desígnio de Deus, de que ele morria porque se tinha oferecido como vítima expiatória e que enquanto vítima expiatória ele ia comprar tudo aquilo para o que se oferecia. Então uma certeza de que aquele não era um episódio que interrompia o curso normal dos acontecimentos, mas, pelo contrário, aquele era um episódio que dava início a uma nova era histórica.

Isto foi-se incorporando cada vez mais à minha certeza interior, e à medida que ele ia piorando isto ia se tornando mais sólido, mais sólido. Eu sei que há pessoas que não foram tocadas por uma graça nesse sentido, foram trocadas por graças noutro sentido. Mas o que é certo que a graça no fundo de minha alma me dizia isso.

Eu, então, fui cada vez mais me encantando e me entusiasmando por ver o quanto ele caminhava com passo firme, resoluto, decidido para a morte e compreendendo, no meio do drama todo em que ele se encontrava, que se Nossa Senhora quisesse ele estava disposto.

(...) Eu via que tinha pessoas que choravam. Eu não conseguia chorar, eu estava, pelo contrário, tomado de uma alegria. Não posso explicar, eu não sei porquê. Pode ser até um paradoxo, eu de repente posso causar escândalo a algum dos senhores, a alguma das senhoras, mas eu estava ali assistido por uma graça de entusiasmo vendo aquela grandeza se passar.

A tal ponto, que quando ele deu o último suspiro, alguns saíram para a sala para chorar um pouco mais sonoramente (1), no peito dele, porque eu disse: "A alma dele não vai sair pelos lados, e muito menos para baixo, a alma dele tem que subir. Subindo, passa pela minha cabeça". [Aplausos] (2)


Comentários:

  1. JC caçoa dos que choraram ao ver Dr. Plinio morrer?

  2. Os presentes no auditório --entre eles os padres Olavo e Antônio--, em lugar de protestar com a maior das indignações por essa aberração, aplaudem?


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Poucos minutos depois que Dr. Plinio tinha falecido, JC fez com que as pessoas que se encontravam fora do quarto de Dr. Plinio no hospital --isto é, os médicos, enfermeiros, etc.-- formassem uma fila e se pôs na porta do quarto para ele receber os pésames ...


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A morte do SDP trouxe consolação interior não só para JC, mas também para os seus - Conversa com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95:


Qual foi a morte, até hoje, que nos trouxe essa consolação interior?


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No "jour-le-jour" 9/11/95 JC, falando da atitude que os membros do Grupo tomaram quando o SDP morreu, reconhece que apenas “um ou outro tocado pelo dom das lágrimas chorou”.


*


"Jour-le-jour" 9/11/95 - JC lê uma noticia sobre a morte de Rabin e compara a atitude de muitos judeus perante a morte de seu líder com a atitude dos joaninos perante a morte do SDP:


Jornal do Brasil, 6 de novembro de 1995“Jerusalém é tomada por emoção. O nó na garganta o impede de falar”.


Coisa que não houve conosco. Nosso Pai e Fundador morreu e qualquer um de nós falava, não tinha nó na garganta. Olha só o que aconteceu do lado de lá.

Jornal do Brasil 6/11/95: O nó na garganta o impede de falar. As lágrimas que teimam em descer atrapalham sua visão. Abe Natan, o lendário pacifista que esteve várias vezes preso por encontrar-se com membros da OLP --na época em que isso era proibido pela lei israelense-- caminha desorientado pela Praça Reis de Israel, onde Rabin foi assassinado. "Nosso líder se foi", diz com voz embargada.





C. Estado de espírito de JC e de suas bases depois do falecimento de Dr. Plinio


Mal se consumara o desenlace, JC não permaneceu no Hospital para acompanhar o corpo de Dr. Plinio até ao São Bento, onde seria rezada uma Missa. Adiantou-se no afã de dar um jornal-falado “quente” a seus comandados a respeito dos últimos instantes de Dr. Plinio.

Segundo ele, junto ao leito de morte, houve “choro, mas de alegria”, e essa alegria atingira um tal ponto que os que presenciaram o desenlace teriam dado, para terceiros, a impressão de haverem saído de “uma festa”.

E o ambiente festivo, clave que JC quis conferir às cerimônias do enterro, eclodiu e se impôs de imediato. As exclamações e brados de entusiasmo foram de tal monta que Dom Luiz e Dr. Miguel Beccar ouviram, escandalizados, os brados de entusiasmo que ecoavam até ao pátio do Cruzeiro, ao chegarem para a Missa no São Bento.

Em seus comentários, abaixo citados, JC dá a entender que também Dr. Plinio teria se alegrado com a própria morte – “quando ele ia chegando ao final ele ia sorrindo” – e a nossa alegria deveria ser, portanto, um como que reflexo da alegria dele

Uma paz! [Exclamações.] E depois, quando ele ia chegando ao final, ele ia sorrindo. E a fisionomia dele, quando os senhores virem aqui, os senhores vão dizer como outros disseram: “Mas está certo que ele morreu?” [Exclamações.] Tem-se a impressão de que ele não morreu. É realmente ...E depois da morte dele, todos começaram a se abraçar, mas num choro de alegria, [exclamações] de alegria. As pessoas se abraçavam num choro de ...

Saíram alguns para tomar um lanche durante esse período, num restaurante, o garçon estava com idéia de que nós estávamos saindo de uma festa. Estava todo o mundo comunicativo, contando tal fato e tal outro, e tal ...

(...)

O último suspiro... Está gravado. Ele quando foi chegando aos últimos suspiros, ele sorri. Sorriu! Sorriu! E o último foi assim...

(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 3/10/95)


Quanto ao estado de espírito que, segundo JC, ele e outros membros do Grupo teriam manifestado nesse restaurante, o Sr. Fernando Antúnez. descreve uma coisa bem diversa: não era de contentamento, mas de paz e serenidade. O que leva a se perguntar se, no empenho de incentivar a “alegria”, JC não teria mentido - Texto 951011C4-REL:


Muito curioso o ambiente no restaurante. Cheguei lá, tinha o Sr. Ramón, Dr. Caio, Sr. João, Sr. Mário e mais alguém. Como a coisa ia até tarde da noite, pensava comer uma coisa rápida. O ambiente estava muito curioso, muito leve, tranqüilo, muita consonância, muita paz, muita tranqüilidade. Olha, que tinha acabado de acontecer um drama histórico! Uma coisa espantosa!

Para nós foi o drama da vida.


*


Aí JC deu sua versão das palavras que Dr. Caio lhe teria dirigido --apresentadas como recado--, segundo as quais ele se torna “de facto” diretor da TFP, pois “o que o senhor quiser, nós queremos; o que o senhor determinar, nós fazemos”. Ao ouvir isso, suas bases o aclamaram:


Dr. Caio --recado pessoal-- chegou para mim e disse:

Fizemos uma reunião entre os mais velhos e decidimos o seguinte, mas foi uma decisão unânime já, que estava preparada na alma de cada um, não foi algo que foi preciso expor, nem impor: é bom que o senhor saiba que nós todos somos um com o senhor.


[Exclamações]


O que o senhor quiser, nós queremos; o que o senhor determinar, nós fazemos. Nós estamos inteiramente um só com o senhor.


[Exclamações]


(Cfr. Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, realizada no São Bento, no 3/10/95)


*


Na Missa que seria então rezada o sacerdote não portou paramentos negros, mas brancos. Razão dada por JC: tratava-se de uma missa de encerramento das 40 Horas. Mais uma vez o trágico do momento é relegado ao segundo plano.

Causa estranheza o fato de JC decidir --“per viam facti” vai ele se aboletando no poder-- levar o corpo de Dr. Plinio para o São Bento. Pergunta-se: a que título o São Bento merecia a honra de receber o corpo de Dr. Plinio? Seria pelo fato de se tratar de um êremo, e neste caso JC haver querido ressaltar a preeminência do status da vida eremítica sobre qualquer outro estilo de vida dentro da TFP? Nesta hipótese, porque então não levou o corpo até o êremo de Elias, o primogênito dos êremos? Ou teria sido pelo fato de o São Bento constituir-se no “coetus” de uns eleitos, superiores a todos os demais membros do Grupo, por participarem “da ordem de cavalaria profética”? E nesta visualização seriam eles então um grupo dentro do Grupo? Essa interpretação ganha tanto mais verossimilhança quanto era voz corrente no São Bento que membros do Grupo propriamente ditos eram só os eremitas (entenda-se do São Bento e Praesto Sum). Os demais seriam membros de segunda categoria, “food for powder”, bucha de canhão:


Bom, agora [o corpo do SDP] deve chegar aqui, os senhores devem fazer o cortejo tal qual, como sempre se fez. Cortejo do Veni Sancti Spiritus até à capela. Alguns ficam nas estalas, as estalas menores ficam para as pessoas mais antigas, os eremitas de hábito nas estalas maiores. Dom Bertrand fica na estala da frente –caso ele venha–, e eu colocarei o coro atrás. Eu queria saber se as partituras estão aqui...


(Alejandro: Praesto Sum! Sim, senhor).


(José Afonso: Quais? Aquelas que treinamos?)


Não. “O vos omnes”, partituras de louvor ao Santíssimo Sacramento. Porque a Missa é Missa de encerramento das 40 Horas e não é com paramentos negros, são paramentos brancos. Depois da Missa vai haver encomendação do corpo e aí sim, canta-se a parte gregoriana do Libera me Domine. E depois disto ele passa um tempo curto aqui e aí vai para a Sede do Reino de Maria encerrar as 40 Horas na Sede do Reino de Maria.

(Cfr. conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 3/10/95)


*


Após da missa e saída do corpo do SDP para a Sede do Reino de Maria, JC e sua gente permaneceram no São Bento. O primeiro que JC fez foi perguntar aos eremitas:


Podíamos ter visto uma coisa mais bonita?


[Exclamações]


E não tinha bênção?

[Exclamações]

(Cfr. Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, realizada no São Bento, no 3/10/95)


O ponto para onde se dirigem as tendências e pensamentos de JC nessas circunstâncias supremamente trágicas e pungentes é a “benção” e o “bonito”. Não se discute que a Missa possa ter sido “bonita” e “abençoada”. Mas chama a atenção a completa ausência de dor --tanto mais que JC é muito emotivo e se gaba de ser o filho que mais ama a Dr. Plinio.

Mais adiante nesta mesma ocasião, respondendo a um aparte de Santiago Canals, JC exclama: “por ele nada!” Com isso manifesta sua persuasão – que é aliás a de todos os membros da TFP – que Dr. Plinio já se encontrava na glória celeste. Contudo a ênfase colocada na resposta é de molde a abafar o sentimento de tristeza e se coaduna com o ambiente festivo das cenas anteriores:


(Santiago Canals: Sr. João, até agora nós sempre rezávamos "pelo Senhor Doutor Plinio tal coisa". Agora o que é que rezamos? Porque por ele...)


Por ele nada! Por intercessão dele pedimos tal coisa. Aí sim. Junto com ele! Para ele!


Pouco depois, interveio Raúl de Corral: “Se poderia terminar o cerimonial com o "Magnificat", como sempre se fez?”

Resposta de JC:


Eu acho que nós deveríamos cantar o Magnificat se ele tivesse saído. Mas, Sr. Raúl, ele não saiu. [Exclamações.] Se for cantar o Magnificat, o senhor vai dizer que ele saiu. Não saiu! Ele está aqui! Se o senhor quiser, o senhor pode fazer um coro para cantar para ele ouvir, perfeito. Mas não canta o Magnificat de saída porque ele está aqui! Está aqui! [Exclamações.]


Novamente o clima de festa. Pois a frase “o SDP não saiu, ele está aqui, está aqui!”, pronunciada em meio a exclamações, é própria a criar nos espíritos a impressão de que não houve tragédia alguma.

Por outro lado, o que é “aqui” nessa frase? JC não terá dado a entender que o espírito do SDP tinha ficado dentro dele?


*


Nessas duas conversas de JC com os eremitas no dia 3/10/95 --uma antes da chegada do corpo do SDP ao São Bento, e outra depois que o corpo do SDP é trasladado para a Sede do Reino de Maria--, a tônica de tudo quando disse foi no sentido de despertar e exacerbar o “entusiasmo” de seus discípulos. No texto, de 9 páginas, além da narração de “fatinhos” --o primeiro deles, atendendo um pedido de Andreas Egalité, que estava "enflashado” com o assunto--, estão registradas 60 exclamações de júbilo --“fenomenal! Nossa!”, etc.-- emitidas pelos eremitas.

Até risos houve. Com efeito, depois dessas conversas, JC entrou na galeria e foi abordado por um cooperador colombiano:

O Senhor Doutor Plinio uma vez nos disse que em perigo de morte nos recebia como escravos (...) mas ele não especificou em caso de morte de quem... Eu pedi... Eu nunca pensei...


Resposta:


Não, não, não. Os pedidos feitos dúbios não têm valor em teologia.


[Risos.]


*


Na reunião “confidencial” com os veteranos de 2/4/96, JC confirma a descrição do estado de espírito reinante nos eremitas de São Bento:


Aqui comentavam --talvez alguns dos senhores estivessem presentes ou não, eu não sei-- que quando entrou o corpo do Sr. Dr. Plinio para a missa de corpo presente, ele entrou com o cerimonial normal. Havia a nota da tristeza do falecimento dele, mas havia uma alegria e havia uma espécie de sustentação mística interior de que no fim tudo ia dar certo. Nós não sabemos quais são os caminhos pelos quais a Providência vai nos fazer andar, mas havia no fundo da alma uma espécie de consolação que era mantida pela graça.


*



Para os joanistas o 3 de outubro não foi só um dia de contentamento, mas também de libertação.


O Sr. Edson Neves, numa conversa que teve com o dentista José Mário da Costa, em novembro de 1998, à las tantas lhe disse: “quanta preocupação estamos tendo após o 3 de outubro, não é?”. Resposta do joanino: “olha, para nós o 3 de outubro foi uma libertação!”





VIII. O enterro e o período “post-mortem”


5 de outubro


Por volta das 4 horas e 30 da tarde, num cortejo encabeçado pela fanfarra, foi levado o corpo de Dr. Plinio, desde a Sede do Reino de Maria até o Cemitério da Consolação. A respeito disso, JC conta o seguinte (Reunião na Saúde, 10/10/95):


O que eu acho, sobretudo, o que deve ter causado a eles espanto, porque muitos estavam pelas janelas e outros lugares, para assistir ao enterro e para ver como é que os membros do Grupo reagiriam com a morte [do SDP], devem ter filmado para depois estudar os filmes, estudar as reações dos membros do Grupo, as fotografias e devem ter ficados pasmos, mas pasmos com o fato de ter falecido o Senhor Doutor Plinio e nenhum de nós ter perdido a paz. (...) Eles mandaram fotógrafos em quantidade para ver o quanto nós estávamos tristes. As fotografias que eles foram analisar depois do enterro, deixaram eles decepcionados.


De fato, os “olheiros” do IV Poder ficaram pasmos. Um dos bonzos da mídia de tal maneira ficou estupefacto com o que viu, que recusou exibir na televisão o filme do enterro; disse que o respeito que tinha por Dr. Plinio --ao qual conhecera pessoalmente-- lhe impedia difundir cenas nas quais as fisionomias de bastantes membros do Grupo não manifestavam dor nenhuma.


*


No cortejo e em tudo, a gente tinha a impressão que era a morte de outrem, não de Dr. Plinio - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96 (o colchete é do texto original):


(Pedro Henrique: [...] De tal maneira que no cortejo e em tudo a gente tinha impressão que era a morte de outro).


É isso. E que tinha que ser.


*


Reunião para CCEE, 4/11/95, fala JC:


Durante o cortejo (...) houve uma senhora de cor na calçada que chorava como criança. Um dos nossos, com espírito brasileiro, ficou com pena dela, se aproximou dela e disse:

- Mas senhora, está acontecendo alguma coisa?

- Olhe, eu queria dizer para o senhor o seguinte: eu não conhecia esse homem que está passando nesse caixão, eu não sei quem é. Mas que ele é um santo, é um santo!"


[Aplausos]


Quem estava entristecido era gente de fora --bem como os sócios e cooperadores que não aderimos à revolta. Esse que é qualificado por JC como “um dos nossos” é um joanino que estava com pena, não do que tinha acontecido com Dr. Plinio, com a TFP, com a Contra-Revolução e com a Igreja, mas do que tinha acontecido com essa pessoa de fora.


*


No Cemitério da Consolação, eremitas de São Bento leram uma proclama, sustentando teses como estas: não ficamos órfãos; olhando as coisas superficialmente, o dia do decesso de Dr. Plinio foi terrível; mas olhando em profundidade, foi um dia de júbilo:


- Se não fôssemos homens de Fé, bem poderíamos dizer: entramos na orfandade.- Aquele dia 3 de Outubro, que à primeira vista se nos afigurou tão terrível, pois por desígnios insondáveis da Providência saístes de entre os vivos, não deve ser considerado por nós, daqui por diante, como um dia de pranto e de tristeza, mas sim como um dia de júbilo, pois nunca nosso Pai e Fundador esteve tão perto de cada um de nós, como a partir de então.

(Cfr. texto 951005-PRO)


*


JC enumera as notas tônicas do enterro:


O enterro foi gaudioso, foi pomposo, foi magnífico, não podia ser mais bonito também. (Cfr. Reunião na Saúde, 11/6/96


Eu quase que não vi ninguém chorando, eu não vi. Pode ter havido até um ou outro que chorasse (...)(Cfr. "jour-le-jour" 13/10/96)


*


Carta do Pe. David Francisquini aos Pes. Olavo, Antonio e Gervásio, 6/6/97:


Fiquei com um pé atrás ao presenciar, já no enterro de nosso Pai e Fundador, uma euforia incompreensível e inadequada em algumas pessoas num acontecimento tão trágico.


*


Dr. Paraguaçu foi abordado no dia do enterro pelo Alonso, ao qual perguntou: "como é que morre Dr. Plinio e vocês estão com tanta alegria?" e Alonso respondeu: "é que a gente sorri por fora com a boca, mas por dentro chora com o coração". Dr. Paraguaçu disse então: "Eu não vou nessa onda, isto vai terminar mal".


*


Após o enterro, a fanfarra foi, do Cemitério à Sede do Reino de Maria, tocando marchas militares pelas ruas, com muito contentamento. Dentro da Sede do Reino de Maria, os enjolrras --JC diz “o pessoal”--, aplaudiam, pediam “bis, bis, bis” e exclamavam “fenomenal! fenomenal!”:


... a coisa é curiosa: nós sentimos uma alegria interior, ao mesmo tempo que umas saudades, um consolo, um conforto que nós não sabemos explicar. Ainda ontem, depois do enterro, depois de ter sido fechado o túmulo, saem os eremitas, os da fanfarra, e tudo, e recebem uma ordem --que eu achei imprudente, eu não estava lá, infelizmente, eu tive que sair um pouquinho antes-- e recebem uma ordem de irem pela rua tocando e ... chegaram na Sede do Reino de Maria com tanto contentamento que o pessoal aplaudia e pedia mais um número, e estavam contentes.

(Cfr. Reunião para CCEE, 6/10/95)


*



Fala o eremita Jiménez, xiíta do joanismo:


No dia do enterro, falei com várias pessoas na Sede do Reino de Maria. As pessoas estavam numa alegria, sobretudo as pessoas mais novas, os da Saúde contentíssimos.

(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 11/10/95)


*


Nesse dia, à noite, reunido com os eremitas de São Bento e Praesto Sum, JC disse:


Bom, senhores, eu os convoquei para que os senhores tivessem uma oportunidade de poder se expandir e poder extravasar os sentimentos que todos levamos dentro da alma, para os senhores poderem sentir que não são apenas os senhores, exclusivamente os senhores individualmente falando, que estão contentes. Somos todos nós. E que estamos assistidos por uma graça que não tínhamos antes. Os senhores não tinham.


Na ocasião, Enrietti narrou um sono recente do Sr. Guérios: ele chegou numa sala da Sede do Reino de Maria e viu o Senhor Doutor Plinio dentro de um caixão. Viu uma pessoa sentada numa cadeira ao lado do caixão. Chegou para essa pessoa e perguntou:


- O que aconteceu, o que está fazendo o Senhor Doutor Plinio aqui, desse jeito?

A pessoa disse:

- Não se preocupe, ele está só descansando.

- Mas como descansando? No caixão? Que coisa absurda! Por que isso?

- Porque ele quis. Mas não se preocupe. Daqui a pouco ele acorda e sai. O Senhor Doutor Plinio abriu os olhos e saiu.


Aí JC disse:


Cuidado ao contar esse sonho e cuidado com o que os senhores digam fora (...).

(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 5/10/95)





6 de outubro


JC proíbe pensar que nossas infidelidades tenham contribuído para que a Providência chamasse a Si a Dr. Plinio - Reunião para CCEE, 6/10/95:


Em tudo e por tudo [o SDP] é modelo. Se a Providência nos dá a ele como modelo, ter acontecido o que aconteceu não foi por acaso.

Alguém dirá:

- Ah, mas foi porque nós não correspondemos inteiramente à graça e por isso a Providência o levou.

Desculpem-me, esse pensamento se alguém o tem --eu não quero ofender ninguém-- [ou] se passou pela cabeça de alguém, eu diria que é um pensamento todo ele feito de megalice, porque é julgar que o Sr. Dr. Plinio foi dado a nós por causa de nós e, portanto, é julgar que o Sr. Dr. Plinio possa ter um castigo ou não em função dos nossos pecados ou em função de nossa correspondência. Quer dizer, se eu correspondesse ele brilharia e viveria cento e vinte anos, como eu não correspondi a Providência disse: "Está bom, você não correspondeu, então eu levo".

Então eu sou um homem extraordinário, porque é em função de minha pessoa que a Providência vai decidir e vai definir qual é o futuro dele. Eu gostaria de conhecer mais de perto este que determina os futuros de um profeta, que determina o futuro de um varão-lei, de um varão de Deus, como é o Sr. Dr. Plinio, para poder conhecer mais de perto.

Não foi em função de nossas faltas, não foi em função de nossa incorrespondência, foi porque a Providência quis dele mais, foi porque a Providência quis premiá-lo mais, foi porque a Providência queria que ele fizesse mais.


Não é difícil perceber por que razão JC combate esta tese nos dias em que o SDP faleceu: acontece que este tipo de cogitações é incompatível com a “cruzada da alegria”.

Os argumentos que nos levam a discordar da tese joanina são os seguintes:


*


Na mesma reunião, risos e brincadeiras:


Ainda agora no túmulo apareceu uma repórter da "Folha de São Paulo", perguntando se havia uma escalação para freqüentar o túmulo.


[Risos]


E telefonou para o Dr. Paulo Brito, inclusive, aflita, porque ela queria saber se nós tínhamos feito uma escalação para esperar a ressurreição. Eu disse para responder a ela que nós acreditávamos na ressurreição do Senhor Doutor Plinio como acreditávamos na ressurreição dela. Até ela ia ressuscitar, mas que a data nós não conhecíamos.


[Risos]


Não sabemos quando ela vai ressuscitar, nem quando o Senhor Doutor Plinio vai ressuscitar.


*


Risos, brincadeiras e exclamações no "jour-le-jour" extra, 6/10/95:


Tenho certeza absoluta que entre os milhões de alegrias que o nosso Pai e Fundador deve ter no Céu, uma delas é ver o auditório tão cheio, hoje.


[Exclamações.]

Colocaram-me aqui --não sei se os senhores já tomaram conhecimento-- a "Folha de São Paulo" e o "Estado". No "Estado" vem no caderno A, página 20, em meio a uma série de propagandas (...)


5 mil pessoas vão ao enterro do líder da TFP: Fiéis acompanharam o féretro a pé, da sede da entidade ao Cemitério da Consolação.

O enterro do fundador da Sociedade Brasileira para a defesa da Tradição, Família e Propriedade (TFP), Plínio Corrêa de Oliveira, modificou ontem a rotina do bairro de Higienópolis,...


[Burburinho na sala.]


Isso mostra que até morto ele atrapalha.


[Exclamações.]


(...) "Ele era um santo tão importante quanto os demais", comentou um seguidor que veio de Londrina, Paraná, e não quis se identificar.


Puxa, esse homem aqui é um heresia-branca, porque "como era um santo tão importante quanto os demais"?... Que negócio é esse?!


[Risos]


Puxa! (...) não tem igual!


[Exclamações]


Agora eu entendo por que é que o de Londrina não quis se identificar. Porque claro...


[Risos]





8 de outubro


JC brinca ao comentar um trecho das Sagradas Escrituras a respeito da chegada do Povo Judeu à Terra Prometida - "Jour-le-jour" 8/10/95:


Então o povo se levantou contra Moisés. Era a hora de Deus dizer: "Está bem, eu vou levar Moisés para o túmulo da Consolação." Não é?


[Risos]


Era a hora.




10 de outubro


Risos no "jour-le-jour". JC leu um texto de uma “Conversa de Sábado à Noite”, na qual o SDP narrava ter resolvido seguir a via espiritual de Sta. Teresinha: nunca pedir nada a Deus, nunca negar nada e aceitar tudo o que acontecesse. A certa altura fizeram a JC uma pergunta que não foi transcrita no texto respectivo e que ele respondeu assim:

[O SDP] não está falando de pequena via aqui. Esse sacrifício que ele faz, é sacrifício de grande via. Experimentem fazer os senhores


[Risos]


Está respondido, não?


Mais adiante, JC conta que por volta de 1992, ele acompanhou o SDP ao oculista, o qual diagnosticou que o SDP estava com uma vista perdida e com a outra quase perdida:

(...) quando a pessoa chegava muito perto, ele reconhecia menos do que quando estava longe. Então quantas vezes eu tive a honra de ser chamado de Boldrini? Eu nem sei.


[Risos]




11 de outubro


O insuspeito Raúl de Corral descreve o estado de espírito dos “eremitas de Pilar” --bases de JC na Argentina-- nos período compreendido entre o 3/10 e o 11/10:


Uma faixa de pessoas --conversei com vários eremitas de Pilar-- parece que se sentem sustentados por algo, tinham uma certa alegria, apesar de ter que ir embora --uma coisa trágica, vir aqui três dias e ter que ir embora-- devia estar meio baixosos. Nenhum baixoso. (...)

(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 11/10/95)





17 de outubro


Quando JC pensa na morte do SDP, sente alegria - Reunião na Saúde, 17/10/95:


Todos nós juntos vamos sofrer durante a Bagarre. E mais, ele sofreu para que nós perseverássemos inclusive na Bagarre. Ele comprou nossa perseverança. Por isso, eu muitas vezes quando penso na morte dele, eu tenho uma alegria.

Alguém dirá: "Puxa, mas o senhor é um filho sem coração! Francamente!”


[Risos]


O senhor é um miserável! O senhor devia chorar, o senhor devia se rasgar, o senhor devia..."


Eu tive os meus momentos de choro, não tem dúvida, porque eu tive saudades, está bom. Mas eu tenho momentos de alegria. Porque quando eu percebi que ele tinha falecido, eu disse: "1° a Revolução está perdida. Acabou. 2° o Grand-Retour virá. 3° agora vem o Reino de Maria mesmo! E a inocência que vem daqui para o futuro está aqui. Aqui está o pedestal dela. É aqui que está a raiz, a raiz vai nascer daqui."


[Exclamações.]


E então eu tive uma alegria assim como que mística, vendo que todo o futuro está comprado. Acabou.

É fenomenal!


[Exclamações.]




22 de outubro


No "jour-le-jour" do 22/10/95 (portanto 19 dias depois do falecimento do SDP), à las tantas JC, pediu ao Sr. Fernando Antúnez. para ler em francês a carta de pêsames enviada por M. de Coniac, membro do Comitê Dirigente da “Association de la Noblesse Française”.

O Sr. Fernando Antúnez. leu a carta, muito bem redigida e sumamente clara. No final, meio gracejando, JC perguntou: “Alguém precisa de tradução?” E a resposta da platéia --segundo consta no texto respectivo-- foram risos.

Antes da reunião acabar, mais risos. JC lê e comenta notícias publicadas no Le Monde, em 7 de outubro de 1995:


Grandes tempestades sobre el planeta

La estación ciclónica de 1995 ha mentenido sus promesas. Se la anunciaba vigorosa, se reveló implacable. Por todos lados los huracanes, ciclones, tifones, tornados han batido los records del ano pasado, lo cuales ya eran exepcionales.

(...) Mientras que un cielo de plomo destruye gran parte de las cosechas en Marruecos, quien debió hacer frente a precipitaciones catastróficas. A unas pocas decenas de kilométros de ahí, en el sur de España, no llueve hace cinco anos.


Aliás, é uma coisa curiosa que me contaram em Espanha, é que não chove há cinco anos em todas as regiões onde o socialismo vencia as eleições.


[Exclamações.]


É um privilégio dos socialistas.


[Risos.]


Depois disso JC passou a ler trechos de Cornélio A Lapide, e de vários santos a respeito da felicidade celeste. Terminada a leitura, JC promove uma cruzada da alegria. O último texto que leu foi o seguinte --de autoria de Dr. Plinio:


Quando um homem praticou um determinado ato --ato bom ou ato mau--, depois ele é julgado, ele vai para o céu ou vai para o inferno, esse ato bom ou esse ato mau que ele pôs continua a ter repercussões pela vida afora e, às vezes, repercussões que sem ele imaginar, vão até o fim do mundo, duram até o fim do mundo.

Os senhores considerem, por exemplo, um dos senhores que faz um apostolado e traz para dentro da TFP um rapaz. É uma coisa tão simples, parece tão simples, tão banal, os senhores imaginem que esse rapaz faça apostolado e traz outro para a TFP e que esse outro traz outro que dá outra geração e traz outro. E que até o fim do mundo, porque os Srs. trouxeram um, vem um filão de filhos, netos e bisnetos espirituais daqueles que os senhores trouxeram e que vão ser bons porque os senhores trouxeram um para a TFP.

À medida que os séculos vão passando, do alto do céu, os senhores estão vendo o efeito da boa ação que os senhores fizeram e os senhores estão recebendo uma alegria pela boa ação que os senhores fizeram, uma alegria daqui a pouco vou explicar de que natureza é , uma alegria que aumenta a alegria que os srs têm no céu.


E nós vamos entrando num tema muito importante para nós, no qual eu vou me deter daqui a pouco mais adiante , e que é a possibilidade de aumento de alegria que nós podemos dar a nosso Pai e Fundador, estando ele no Céu. Adianto-me em algo: os senhores quando chegavam ao 13 de dezembro, todos os grupos de todo o mundo me telefonavam, me passavam um grafonema: "Que presente vamos dar para o Senhor Doutor Plinio?" O Sr. Fernando Antúnez era também procurado: "O que é que está faltando para o Senhor Doutor Plinio, para a gente dar para ele? Porque nós queremos alegrá-lo, nós queremos premiá-lo."

Srs., ele agora faz aniversário todos os dias [exclamações] e nós temos que dar a ele todos os dias uma alegria. E todos os dias nós temos que progredir um tanto mais e temos que andar mais e temos que ser mais perfeitos e mais e mais, todos os dias. E a alegria que ele tem lá é maior do que a que ele teria aqui recebendo um presentinho qualquer. Ainda que fosse um "presentaço".

Portanto, vamos ser cruzados. Cruzados de produzir alegrias a nosso Pai e Fundador no Céu.


[Exclamações.]


*


JC pensa na “festa de fim de ano”:


(...) nós temos que nos organizar para irmos enfrentando a festa de fim de ano e também os encontros que haja, de neocooperadores, de correspondentes e esclarecedores e qual é a impostação.

(Cfr. Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum de 22/10/95, texto 951022-CSB)





24 de outubro


“Cruzada da alegria”- Reunião de JC na Saúde 24/10/95 3ª feira:


Disse-me o Sr. Auro que (...) dissesse uma palavra a respeito da Consagração a Nossa Senhora. (...)

Os senhores imaginem o seguinte: os senhores têm dois campeões de karatê que estão se enfrentando. (...) Um é campeão no chute, outro é campeão no braço e os dois estão se enfrentando. Os dois empatam. (...) Agora, vamos supor que os elogios para o número um e os elogios para o número dois sejam diferentes. Então chega alguém para o número um e diz: "Uf! Mas que chute, hein! Que pontapé impressionante! Como é que se chama esse pontapé?"

O sujeito diz:


[Risos]


- Mas como é que é isso?

- Tem que enganar o sujeito, o sujeito imagina que o pontapé vai vir por aqui [por baixo], e quando ele vai se defender por aqui o pé gira e dá por aqui [por cima, no rosto].

- Que bonito! Olha, eu nunca vi em minha vida um pontapé mais bonito do que esse.

[O Sr. João imita o gesto de quem se insufla de megalice.]


[Risos]

Elogio para o outro, o do soco. Chegam para o do soco e ao invés de dizer que ele é um colosso, que ele é isto, que ele é aquilo, ele diz:

- Olhe, que soco! Como é que foi que o senhor encaixou na boca do estômago do sujeito? Porque o senhor estava de lado e o senhor deu um soco... Como é que foi a coisa?

- Esse soco é assim, entende? A gente tem de dar a impressão de que vai atingir a cabeça do sujeito, o sujeito defende e deixa a parte [abdominal] toda livre, e nessa hora a gente atinge a boca do estômago que está descontraída.

- Uf! Olhe aqui, soco igual a esse não existe!


Qual dos elogios pega mais? Os segundos ou os primeiros?

Segundos? Por que é que os segundos pegam mais? Vamos analisar. E os senhores vão aprendendo a escola do Fundador dos senhores.


[Exclamações]


Dos senhores só, não! Meu também!


[Risos]


A escola do Pai e Fundador nosso é tomar a realidade com a mão e a partir da realidade, começar a descrevê-la.

(...) Se os senhores analisam o organismo humano de perto, de um atleta, os senhores vão ver que o organismo humano vai num crescendo, num crescendo, até um sexto mês onde ele dá tudo --aí ele está no máximo do rendimento dele--, depois desse sexto mês ele começa a descer, descer, descer, e aí ele dá o menos. Depois começa a subir novamente. É um ciclo que existe no organismo humano e que é anual. Por isso é que as olimpíadas se fazem uma vez por ano e não têm três, quatro, cinco olimpíadas num ano. Porque o organismo humano não agüenta. Então os treinadores já são espertos e calculam: a olimpíada vai ser dia 13 de dezembro [risos], então eles começam seis meses antes.





26 de outubro


Ao comentar os pêsames enviados pelo Real Mosteiro de Santa Clara de Airaiz, Orense, JC qualifica de “espírito protestante, herético” os que não olharem com otimismo o futuro, e os adverte de, se continuarem assim, acabarem por derrapar. "Jour-le-jour" 26/10/95:


Muito estimado senhor,

Paz e bem!

Nossa mais sentida condolência pelo falecimento de Dom Plinio. Agora está em melhores possibilidades...


Agora está em melhores possibilidades.


... de ajudar as TFPs das quais ele foi o fundador e o inspirador.


Esse é o espírito católico. O espírito protestante, herético, desanimado que diz: "Bom, e agora, o que é que vai acontecer?" Vai acontecer que se o senhor não se puser na postura verdadeiramente católica, o senhor vai ter o pé rodando. Por que canto, não sei.

Até as freiras, os teólogos, os canonistas dizem para os senhores que agora mais. E agora... A doutrina católica diz isso. É ou não verdade, Pe. Antônio? Está vendo?





3 de novembro


Relatos das Missas de trigésimo dia mandadas celebrar nas TFPs que no Exterior aderiram à Revolução Joanina:


a) Chile. A tônica da Missa foi agradável; alguns convidados tiveram “certa surpresa” –quer dizer, não ficaram espantados-- ao perceber a ausência de tristeza nos “membros do Grupo”:


Grafonema de 18/11/95:RELATORIO DE LA MISA CELEBRADA EL 2/XI/1995 POR LOS 30 DIAS DEL FALLECIMIENTO DE NUESTRO PADRE, FUNDADOR Y INSPIRADOR(...) En poco tiempo fueron formándose ruedas a la entrada de la iglesia, distinguidas por el agrado de la Misa y la persuasión común de la notable virtud de nuestro Padre y Fundador, evidenciada por la naturalidad con que el término "santo" aparecía en las conversaciones. (...) Algunos habían ido a la Misa tratando de averiguar cuál era la postura adoptada por el Grupo tras la muerte del Señor Doctor Plinio, y se llevaban cierta sorpresa al no encontrar el abatimiento y la desorientación que calculaban.

Los religiosos asistentes -considerando especialmente al Obispo y al capellán de Carabineros- quedaron muy agradados con la Ceremonia, el capellán especialmente efusivo. El párroco de la iglesia, a su vez, quedó muy contento y muy abierto. (...)

(Cfr. texto 951031EX, Boletim de Notícias do Apostolado, outubro de 1995)


b) Colômbia:

Muitos dos que assistiram à Missa, e mesmo vários apóstatas, comentaram que tinham ficado impressionados com a tranqüilidade que viam nos membros do grupo.

(Cfr. "jour-le-jour" 11/11/95)


c) Bolívia:

Em Santa Cruz também foi celebrada a Santa Missa com cerca de 200 participantes (...) Mais do que um funeral, parecia um grande dia de festa.

(Cfr. "jour-le-jour" 11/11/95)





4 de novembro


Numa conferência polvihada de risos, ao começar a narrar o pressentimento de Genazzano, num só parágrafo JC se auto-promove, com insistência, enquanto receptor de comunicações sobrenaturais e pessoa muito dileta de Nossa Senhora - Reunião para CCEE, 4/11/95:


(Sra. ...: Depois da morte do Sr. Dr. Plinio, o que o senhor tem pensado para não desanimar?)


[Risos.]

Eu vou ser obrigado a responder concretamente, vou dizer a verdade. (...)


[Risos]


(...) Sempre me aconteceu em visitas a Genazzano, sempre Nossa Senhora me dizer algo a respeito do futuro. Sempre. E sempre me dando um conforto, um amparo, uma proteção, um estímulo. Sempre.

A tal ponto que, se fosse por mim, eu ia todo o mês a Genazzano. Eu estaria lá rezando, sempre.




5 de novembro


JC lê e comenta no Auditório o sermão que o Pe. Royo Marin fez na Missa do trigésimo dia do falecimento do SDP, na Espanha. Note-se os risos e aplausos - "Jour-le-jour" 5/11/95:


Foi Santo Agostinho que lançou a frase que depois será repetida por São João da Cruz e Santa Tereza: "Muero porque no muero", "morro porque não morro", estou morrendo porque não morro. São João da Cruz diz...

Para traduzir é muito difícil, mas no espanhol tem todo um sabor.


... "del pez que del agua sale, aún de alivio no carece, pero la muerte que padece, al fin la muerte le vale. Qué muerte habrá que se iguale a mi vivir lastimero, pues muero porque no muero!"

Santa Tereza de Jesus depois diz: "Vem morte, mas tão escondida, porque eu não quero sentir a tua vinda. Porque a felicidade de morrer vai me encher de alegria a vida."


[Risos]


São pensamentos muito interessantes para os que têm tendência à depressão e a pensar, "agora..."


[Risos]


Santa Tereza outra vez diz: "Aquella vida de arriba, que es la vida verdadera, hasta que esta vida muera, no se alcanza cuando viva. Muerte, no me seas

esquiva, viva muriendo primero, que muero porque no muero".


[Aplausos]


Depois leu o sermão que um padre fez numa igreja de Paris, também na Missa do trigésimo dia. Mais uma vez, o carismático suscita os risos do plenário. Na reunião anterior, JC tinha falado de um dos seus temas favoritos: os Fundadores de ordens religiosas:


La Misa tiene en si un valor infinito, mas puede ser considerada en nuestro espiritu como una formalidad, que se manda a celebrar para tranquilizar la conciencia. Lo que realmente nos compromete con el Fundador es seguir su ejemplo, es imitarlo. Y en la medida en que seamos fieles imitadores del Fundador, la Obra continuara y se dilatara con frutos.


Parece que esteve na reunião de ontem o padre.


[Risos]


19 de novembro


Uma reunião festiva - "Jour-le-jour" 19/11/95:


Eu não vou prolongar a reunião com outros temas, uma vez que se trata de uma reunião festiva.





As cerimônias de dezembro de 95


Num princípio, nas tradicionais cerimônias pelo 13 de dezembro --dia do aniversário de Dr. Plinio--, JC quis fazer uma festa que arrebate, nova, chibante: coro, fanfarra, audiovisuais, imposição de hábitos. Inclusive com uma marcha de correspondentas mulheres?

Conversando com eremitas de São Bento e Praesto Sum, em 11/10/95, depois de discorrer sobre a “graça” que houve no Grupo a propósito do falecimento do SDP, e de como essa graça poderia evoluir no futuro, JC aborda o tema de o que fazer para tirar proveito dessa “graça”:


O ideal, se nós tivéssemos um lugar bem grande mesmo. Se nós pudéssemos dispor do Municipal, vamos supor. Duas noites. Aí convidar todos os CCEE do Brasil inteiro para duas apresentações num teatro como o Municipal.

Aí, então, podíamos fazer uma festa de fim de ano cheia. Quando tem muita gente assim, é mais fácil levantar o entusiasmo. Será factível? não sei.

(...) Tem que ter coro. (...) A mesma coisa da fanfarra. Então uma noite coro, uma noite fanfarra, assim “sin más”.


(José Afonso: Não sei vai nessa circunstância, ou não, de fazer um elenco das melhores repercussões do ano, das últimas graças, o que está acontecendo mesmo agora no mundo das TFPs, da obra do Senhor Doutor Plinio).


Acho muito inconsistentes ainda, muito pobres para uma coisa dessa. (...) Para ser uma coisa que arrebate, é preciso ser totalmente novo e assim chibante, não podem ser as repercussões comuns.

(...) Estava imaginando o álbum [da Sra.Da. Lucilia], porque nós estamos em meados de outubro. Novembro, e estamos na festa. (...)


(Boldrini: Sr. João, por que o Sr. queria o Municipal? Só para o coro?)


O que eu queria é ver se eu conseguia juntar em São Paulo todos os possíveis CCEE do Brasil, num movimento de massa. Não sei se o barco agüenta esse tiro. Porque se nós fizermos isso, fica patente de que nós estamos conseguindo entusiasmar as massas mais do que era previsto. Aí eles caem em cima de nós. Mas também...

(...) Então, até onde nós devemos ir ou não? Isso não sei.

Aquela descida do cemitério já foi provocação. A procissão que iam fazer da igreja de Fátima até o cemitério, também seria outra provocação. (...)


(Aparte: Uma cerimônia de recepção de hábitos).


Isso sim. Isso eu pretendo fazer. Recebi carta de correspondenta, nem sei de que parte é. "Mas olhe aqui, me trate como enjolras, faça Jour le Jour. Se for preciso faça a gente marchar até, mas nós queremos participar dessas graças, não podemos ficar de fora, porque agora não temos mais a ele, que não sei mais o quê".


A sugestão dessa correspondenta não foi objeto de nenhuma mostra de desagrado, de parte de JC nem de seus discípulos, segundo se desprende do texto respectivo.


*


Reunião na Saúde, 28/11/95 - JC fala de uma festa dupla, a ser celebrada em dezembro de 1995:


(Fujiwara: Sr. João, este é o primeiro ano que nós iremos comemorar o primeiro aniversário que...)

O primeiro aniversário do Senhor Doutor Plinio no Céu, puxa vida! Fenomenal! De maneira que nós faremos... Agora, sim, nós faremos uma festa dupla! Festa aqui na terra e festa no Céu.


*


"Jour-le-jour" 3/12/95 – Por conselho de Dr. Luiz, não haverá a festa:


Nós não faremos --consultei o Dr. Luizinho e não tive oportunidade de falar com os outros-- mas não teremos coro, nem fanfarra, para dar uma nota de luto. Então, não apresentaremos o coro e a fanfarra neste ano. Não significa que nós não possamos apresentá-la no Natal ou no Ano Bom ou no 3 de fevereiro do ano que vem e assim por diante.





21 de dezembro


JC retoma a caçada contra a tristeza - Reunião na Saúde, 21/12/95:


Os senhores aprenderam no catecismo que [os vicios capitais] são 8, não é verdade? Não são 8 vícios capitais? São 8. Os senhores só conhecem 7? Pois há um oitavo que é pior do que os outro 7. Juntos, os outros 7 não dão esse. É considerado por todos os espiritualistas de truz, de mão cheia, como o oitavo pecado capital a má tristeza. A má tristeza é pior do que os outros 7 vícios capitais e é considerado um vício capital pelos espiritualistas.





Fevereiro de 1996


Depoimento insuspeito a respeito da caçada, operada pelos agentes e bases de JC, contra todo aquele que achasse que Dr. Plinio faz falta - "Jour-le-jour" 22/2/96:


Para terem idéia do V° Congresso de Neocooperadores, eu acho que valia a pena que se tivesse uma noção de uma síntese do programa e do que é que foi feito nesses dias, primeiro, segundo, terceiro dia, para que pudessem apalpar um pouco depois as repercussões que vão ser dadas.

Eu pediria ao Sr. Nelson que desse, então, uma idéia do programa, de qual foi.


(N. Tadeu: O Sr. João deu como "leitmotiv" desse congresso de neocooperadores o grande castigo e a era dos milagres. Acontece que sempre se faz alguma recepção junto a Nossa Senhora das Graças. Já tinha sido feito "son et lumière", já tinha sido feito uma chegada com proclamação de profetas, e não havia uma idéia nova. De repente um eremita no meio da conversa disse: "Por que é que não fazemos um diálogo entre as árvores. Já foi feito em Amparo uma vez o diálogo entre as árvores".

Foi um meio que se encontrou de fazer um "son et lumière". Esse "son et lumière" do início marcou tanto, que até o último dia quando aparecia um personagem que havia no "son et lumière", que era um toco podre que falava que o Sr. Dr. Plinio não estava mais presente, que estava fora, isso marcou tanto que os rapazes a qualquer propósito dizem para uma pessoa que estava desanimada, uma pessoa que estava cabisbaixa, que soltava alguma coisa... Numa das peças um dos discípulos de Emaús começava a dizer: "Agora tudo acabou", e eles diziam: "Toco podre!". Então marcou muito e a atitude de desânimo ficou muito estigmatizada com esse recurso).








Maio de 1996


Quando foi “musicado” o falecimento de Dr. Plinio, pelos eremitas de São Bento e Praesto Sum, o auditório veio abaixo de tantos aplausos - “Grafonema de notícias”, maio de 96, distribuído meio por debaixo do pano pelos eremitas de São Bento - Praesto Sum:


Na quinta feira [16/5/96] foi apresentada no auditório a Gesta. Realmente está espetacular!!!

A Gesta foi acrescida de partes novas, atualizada, melhorada, etc.

(...) E por fim vem musicado o trágico e grandioso 3 de outubro!

O auditório veio abaixo com tantos aplausos! O entusiasmo era tanto que nem parecia estarmos no ANSA.





Agosto de 1996


Há uma alegria inexplicável - Reunião para CCEE, Belo Horizonte, 3/8/96:


(...) era para nós estarmos nesse décimo mês no dia de hoje abatidos. Fazermos uma reunião com eu cruzando os braços e dizendo: "Bom, então, meus senhores, minhas senhoras, dez meses hoje que o Sr. Dr. Plinio morreu. Que coisa tremenda. Nem sei o que dizer para os senhores".

Não é isso. Há uma alegria no fundo da alma de cada uma, há uma alegria no fundo da alma de cada um, que é uma alegria inexplicável, é uma alegria posta pela graça.





JC determina que a alegria deve predominar sobre a dor no estado de espírito dos membros do Grupo


A graça pode nos dizer, no mais fundo da alma: “teu pai, teu fundador, aquele que é a causa da tua existência, aquele que lhe deu a sustentação da sua vocação, aquele que é o seu farol, sua luz, àquele que é a sua estrela na vida, este ofereceu-se como vítima, e a Providência vendo uma vítima tão pura, tão excelsa, tão perfeita para comprar todo um reino, toda uma era histórica nova, por este sangue, pela semente deste sangue nascesse a mais bela de todas as eras históricas, Deus então olhando para essa vítima disse:

Eu, com dor, me vejo na contingência de colher essa vítima, Eu colho essa vítima porque eu quero o maior reino, o mais belo dos reinos para Aquela que é a minha Filha, a minha Mãe e a minha Esposa.

E então, olhando para o varão de sua destra e vendo que ele se ofereceu como vítima expiatória, e não tendo outra saída senão colhê-lo, Ele por um lado colhe com dor, por outro lado colhe com alegria.

Com alegria porque Ele vê que toda a glória de um oferecimento aceito, toda a glória de uma vítima pura que se entregou nas mãos de Deus em holocausto, essa glória vai ser dada a esse varão.

(...) Então é possível que haja entre nós esta via, via posta pela graça de gente que contemplando o dia 3 de outubro de 1995, olhe para esse 3 de outubro com dor no coração de um lado, mas com uma alegria exuberante, porque percebe que aquele não foi um fim, aquele foi um começo.

Um começo onde se iniciou um convívio de alma muito mais intenso, muito mais cheio de interpenetração, muito mais caminhante rumo a uma identificação, a uma fusão, a uma interpenetração total, completa, sem nenhuma fissura, sem nenhuma separação, sem nenhuma distinção, algo tal que, olhando para a pessoa que se entregou, vê-se nela o quê? Vê-se nela o próprio espírito, a própria figura de nosso Pai e Fundador.

(Cfr. Reunião na Saúde, 2/4/96)


*


Saibamos nós que agora o entusiasmo, apesar das dores ... não é que devamos abandonar as dores que tenhamos, as saudades nos consomem. (...) As dores são até benéficas, são dons do Espírito Santo, mas não significa que a gente deva ser sabugo. Nós não devemos ensabugar, nós devemos nos entusiasmar. (...) Então nada de apóstolo macambuzio, triste, numa espécie de depressão física e moral, porque vamos para os 20 meses de ausência do SDP.

Tristeza de fundo de alma não tem a menor dúvida. É por isso que nós carregamos no hábito, inclusive, o filete negro que dá a volta no dourado pelo luto. É por isso que os fios dourados do estandarte todos eles tem um fio negro em torno para simbolizar nosso luto. Portanto, simboliza a dor, mas é uma dor que é envolta por 3 outros fios dourados de entusiasmo. São 3 fios de entusiasmo e 1 de dor.

(...) Então é preciso que nós, em todos os ambientes e em todas as funções que exerçamos, tenhamos entusiasmo.

(...) Nós devemos levar na nossa alma, por onde for, por todos os ambientes em que nós nos encontremos, quer seja dentro de um êremo, quer seja dentro de um escritório, quer seja na rua fazendo campanha por esse Brasil afora ou por esse mundo afora, quer seja num outro país, quer seja no apostolado, nós devemos estar constantemente cheios de júbilo, entusiasmados. Nós devemos ser jubilosos, alegres, contentes, satisfeitos, porque nós estamos dentro de uma trilha, dentro de um caminho que é o caminho de nosso Pai e Senhor.

(...) Nós não devemos perder este júbilo que existia enquanto ele estava vivo. Esse júbilo post-mortem deve continuar, misturado com a dor de fundo de alma que nós devemos ter (...)

(Cfr. “Jour-le-jour” 18/5/97)





Clima reinante nos Grupos do Brasil e do Exterior que embarcaram na revolução joanina


a) No 22/10, em Londrina, dois aniversários são celebrados “entre muitas cantorias e brados”:


De um gfn. de 27/10/95:

Aproveitamos os aniversários seguidos de dois cooperadores para realizar na sede um almoço, no último dia 22/10. Foram convidados todos estes novos apostolandos, inclusive um que havia vindo a sede apenas duas vezes. Apresentamos uma pequena peça teatral que enfocava os 900 anos das Cruzadas, iniciando em seguida o almoço. Na noite desse mesmo dia foi preparada uma surpresa para os aniversariantes: trouxeram um bolo após o jantar e, entre muitas cantorias e brados, o cooperador aniversariante ofereceu pedaços de bolos a todos os apostolando, dando a cada um um conselho, tendo sempre em vista o aumento de devoção a Nossa Senhora e a união com nosso Pai e Fundador.

(Cfr. texto 951031EX, Boletim de Notícias do Apostolado, outubro de 1995)


b) Novembro, Grupo de Joinville:


De um gfn. de 20/11/95:As kombis com os apostolandos retornaram do acampamento da Saúde em Amparo, realizado nos feriados de Finados, pelas duas da manhã e encontraram uma animada recepção na sede. Chamavam a atenção os borbulhantes "jornais-falados" e as fisionomias de alegria e contentamento dos rapazes, que em seguida foram levados para as respectivas casas. (...)

(Cfr. texto 951031EX, “Boletim de Notícias do Apostolado”)


c) Novembro, Grupo de Ponta Grossa:

De um gfn. de 20/11/95:O Sr. Andreas Meran esteve nesta cidade para uma semana de "jornais falados" sobre o Senhor Doutor Plinio e a Senhora Dona Lucília: os últimos dias de nosso Pai e Fundador no hospital, as últimas reuniões, previsões e análises dele sobre o futuro, a expansão de sua obra post-mortem, etc. Houve também treinos do Ofício de Nossa Senhora, "maintien", orações em conjunto, etc.

Os apostolandos de Ponta Grossa que foram para o acampamento da Saúde voltaram como se estivessem no Céu de tão contentes. (...)

(Cfr. texto 951031EX, Boletim de Notícias do Apostolado, outubro de 1995)

d) Espanha


De um gfn. de 15/11/95:Viagem a Sanabria - Partimos el Viernes, dia 3, por la tarde, llenos de entusiasmo y alegría para Sanabria, teniendo en mente el recuerdo de la vez pasada que tan bendecida fue para el grupo Machuca y en el cual todos recibimos inmensas gracias. (...)

(Cfr. texto 951031EX, Boletim de Notícias do Apostolado, outubro de 1995)





Clima reinante entre os CCEE joanistas


Reunião do 22/2/96, no ANSA:


Nesses dias aconteceram uma série de fatos que alguns conhecem uns, outros conhecem outros, e alguns não conhecem nenhum. Foram dias de tantas graças, por exemplo --para aquilo que eu assisti, eu não assisti o resto, eu assisti uma partezinha de alguma coisa que se deu aqui no auditório--, eu nunca vi em minha vida, em nenhum auditório do mundo, em qualquer parte pelas quais eu andei, eu nunca vi um tal entusiasmo como, por exemplo, na reunião de ontem à tarde. Eu não conseguia falar. Eu dizia: "Então o Sr. Dr. Plinio punha a gravata", o pessoal [aplaudia]. Escute, o Sr. Dr. Plinio pôs a gravata, espere um pouco.

Mas eu soube que além disso houve um acampamento dos Correspondentes Esclarecedores em Amparo, houve não sei o quê, eu não sei se foi acampamento ou o que é que foi, em São Bernardo, houve um acampamento de operários, houve o V congresso dos neocooperadores aqui, além disso houve um acampamento em Salesópolis. Quer dizer, é uma atividade não pequena e depois com números.

(...) Soube que o Pe. Gervásio veio de [Amparo] contentíssimo: "Olhe, mas estava realmente impressionante, estava muito abençoado, mas muito abençoado. Gostei muito de participar desse simpósio que houve lá". (...)


(David: Nas várias cidades do Brasil onde nós temos grupos de correspondentes nós tivemos reuniões, simpósios, especialmente para os veteranos entre os correspondentes. (...) Em São Carlos houve um clima de muita bênção, tanto na reunião dos correspondentes homens, quanto com as senhoras. (...) No estado do Rio de Janeiro Dr. Picanço fez uma série de reuniões, um simpósio, para todo o norte Fluminense, para os veteranos. Eram mais de oitenta pessoas presentes. Diz que foi um clima tal de entusiasmo e de abertura para com o Sr. Dr. Plinio, que ele mesmo ficou bastante impressionado. Foram oito reuniões. (...) Como aqui eu tive oportunidade de assistir as reuniões que o senhor, que os eremitas aqui fizeram, todas elas entrecortadas de aplausos e entusiasmo, também no norte Fluminense isso se deu).


Quer dizer, há uma graça profunda de alegria, de contentamento.

(David: Também de sábado até quarta-feira, ontem, se prolongou no dia seguinte, o pessoal estava tão entusiasmado em Belo Horizonte que não bastou os três dias de carnaval, foi preciso fazer também na quarta-feira, foram uma série de reuniões feitas com base no que foi dito aqui no auditório pelo senhor e pelos nossos eremitas sobre o holocausto do Sr. Dr. Plinio (1). Especialmente as bênçãos maiores, as graças mais palpáveis se sentia quando se falou do oferecimento do Sr. Dr. Plinio como vítima expiatória. Todas elas também foram com base em audições e comentários. (...)


(...)


(Glavan: Sr. João, em São Paulo houve dois programas com correspondentes: em Amparo um simpósio com correspondentes homens e aqui em São Bernardo um simpósio feito pelo Sr. Carlos Alberto para senhoras correspondentes. Em Amparo participaram oitenta e um correspondentes homens (...) Havia muitas repercussões, todo o mundo era unânime em dizer que de todos os simpósios que eles tinham tido em Amparo, este foi o mais abençoado).


A característica de todos os jornais-falados eu acho que vão nessa linha, porque tudo o que houve neste carnaval feito aqui, lá e acolá, tudo foi mais abençoado do que tudo o que houve antes somado. É realmente impressionante.


Comentário:

  1. O que entusiasmou aos CCEE de Belo Horizonte foi holocausto do SDP.





Se essa euforia foi espontânea ou induzida; se foi repentina ou se resultou de um trabalho de “preparação” psicológica; se JC desenvolveu algum papel nisso


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 22/10/95 (texto 951022-CSB):


Se os senhores, há um ano atrás tivessem sido apanhados de surpresa, com a morte do Senhor Doutor Plinio, os senhores desmaiavam. Eu mesmo morreria. Mas, não foi assim. A morte dele veio com consolação. Uma coisa do outro mundo! Como é possível isso?


*


A resposta à pergunta acima levantada é dada por JC na Reunião na Saúde, de 10/10/95:


[Depois de ter tido o pressentimento de Genazzano], o problema principal que me assaltou foi de como preparar o Grupo. Porque o pessoal receber essa notícia de chofre ia ser uma chacoalhada tremenda. Então foi muito aos poucos numa reunião:

Já preparando o futuro.

Depois, aos poucos, a confiança, a confiança, porque pode nos acontecer isso, pode nos acontecer aquilo, o Sr. Dr. Plinio pode ficar no hospital seis meses. Eu sabia que não ia ficar seis meses, porque tudo estava previsto para um ou dois meses. (...) O pessoal foi se pondo na perspectiva, na perspectiva. E aí foram aparecendo os textos, a Providência foi soprando --de repente foi mão de anjo também que colocou texto embaixo da porta, nem sei--, os textos foram se encaixando, dando explicação, explicação, que o Sr. Dr. Plinio tinha previsto a morte dele, tinha previsto aqui, lá e acolá.

Depois, também, pega um grupinho diz uma coisa, pega outro grupinho e diz outra (1), já vai amortecendo o choque. Quando alguém diz: "Olhe, o Sr. Dr. Plinio está com câncer", aquilo... E não é aquele: "Ah-ah!".

A conclusão foi que a morte dele trouxe alegria para os senhores. Em meio à tristeza os senhores começaram a sentir consolação, já como anteprevisão do Grand-Retour que ele vai comprar para nós. Vai comprar [não], que ele comprou.


Comentários:

  1. O trabalho de JC junto a esses “grupinhos” se limitava a preparar o impacto psicológico que causaria o decesso de Dr. Plinio? Ele não teria aproveitado para fazer outras preparações --por exemplo, sua ascensão ao poder--?


*


Trechos tirados da conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 11/10/95:


a) Segundo depoimento insuspeito, a fonte da euforia que houve no Grupo antes, durante e depois do falecimento do SDP, foram as reuniões de JC:


(Santiago Canals Depois da missa de sétimo dia, o Sr. Zayas me chamou de lado assim e disse:

- O que está passando? Todo mundo está tão contente aqui? Senhor Doutor Plinio apareceu em São Bento?

- Não, é só acompanhar o "jour le jour".

- Sim, mas a mim não é suficiente. Há algo que não estão contando. Senhor Doutor Plinio apareceu? O Sr. João Clá disse algo?)


b) As reuniões do "jour-le-jour" operaram mudanças psicológicas profundas:


(Luiz Henrique: Me deu a impressão de que com o "Jour le Jour" de ontem, houve uma mudança na cabeça das pessoas, o aspecto cruz do Senhor Doutor Plinio, muito mais do que se tinha antes. Antes, se falava de cruz, ficava meio teórico. Sobretudo com a reunião de ontem, se consumou qualquer coisa na cabeça, me parece do conjunto não sei se analiso bem por onde se via muito mais a cruz na vida do Senhor Doutor Plinio. Uma coisa que passa por cima do resto. Isto produz uma mudança psicológica profunda).


c) As pessoas que “acompanharam” as reuniões do carismático estavam alegres no enterro de Dr. Plinio. As que não “acompanharam” aquilo mas tinham “bom espírito”, ao tomarem contacto com os agentes de JC, cessavam de chorar e também se punham contentes:


(Pedro Henrique: Interessante, são as pessoas de bom espírito mas que não estavam acompanhando. Por exemplo o Sr. Cícero. Ele chegou no dia em que o Senhor Doutor Plinio estava na Sede do Reino de Maria. Eu vi que ele estava assim meio aperreado. Dei um abraço nele. O coitado se despencou de choro. Precisava ver a diferença antes e depois. Aquela alegria que a gente percebe nas pessoas que estavam acompanhando o Sr., o pessoal da Saúde, mesmo entre nós aqui, incrível. Tinha o lado pungente da dor...)


d) JC chancela os depoimentos:


Acho que, de fato, as observações umas pelas outras correspondem à realidade e parecem que encontram eco no fundo da alma dos senhores, ou alguém acha que algumas das observações feitas não tem propósito? Acho que todos concordam. E são reais.


*


JC não transmite tristeza pela ausência de Dr. Plinio - "Jour-le-jour" 28/12/95 (realizado nos EEUU):


Recebi um fax que o senhor me passou por debaixo da porta, lá da Espanha, contentíssimos de saber que estou aqui. Porque há a esperança de ... Já estão marcando uma cerimônia.

O normal, se tivessem uma impostação diferente, era escrever um fax dizendo o seguinte: "Soubemos que o senhor já está nos Estados Unidos, aguardamos o dia em que o senhor possa vir aqui, para nos transmitir um pouco daquela tristeza da ausência..."

Não há essa tristeza.


*


"Jour-le-jour" 17/1/96:


A Providência fez essa preparação toda comigo [NB: a prova pela qual JC passou] com vista a sustentar sobretudo os mais novos. Eu me lembro de um dos mais novos dizendo isso: "O senhor sabe uma coisa curiosa? É que todo o mundo chorava, todo o mundo estava triste. O senhor tinha um quê qualquer de alegria que me foi uma sustentação do outro mundo, porque se o senhor começasse a chorar acho que eu desesperava".


*


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:


(Lofrese: Sr. João, o senhor não poderia explicar um pouquinho o teor dessa graça que o senhor recebeu de nos guiar rumo a esse estado de espírito de não desânimo, de confiança inteira, completa e total?)


*


“Palavrinha” de JC para CCEE, 20/4/96:


(Sra. ..... : Quando ele faleceu foi o senhor que passou toda a consolação para a gente. No primeiro momento a gente ficou meio perdido).

É, porque dava idéia de que tudo tinha acabado, quando na realidade tudo tinha começado. Dia 3 de outubro estava começando tudo.


*


Carta do Pe. Olavo a Dr. Luiz, 16/1/96:


[A TFP se conduziu], em toda a tragédia da doença e morte do Sr. Dr. Plinio, de maneira que não se explica humanamente. E a pessoa que teve um papel fundamental nisso foi a que tinha maior ‘proximidade’ com o Sr. Dr. Plinio [JC].





IX. “Fundamentos” da euforia joanina


A. A morte de certos santos


No "jour-le-jour" 3/1/96, JC lê e comenta um MNF do ano 84, sem citar a data:


Para falar dos certos modos de morrer, há narrações de santos que morreram, pessoas que morreram em santidade, etc., que morreram com muita paz, mas numa dor medonha e que, no momento em que morreram, uma alegria se estabeleceu em todos lá.

Se eu não tivesse esse texto aqui nas mãos, eu sei que tem gente que ia dizer --quando eu dissesse-- que em certo momento eu tive uma alegria de vê-lo morto, (...) eu sentia uma tal consolação interior, que eu tinha que me segurar, porque eu percebia que ia dar escândalo. Eu sei que se eu não tivesse essa frase aqui, eu dizendo o que estou dizendo iria escandalizá-los.


Floriu aquela alegria de todos. Esse trânsito é exatamente a fruta que foi destruída e que começa a exalar seu aroma. O sofrimento está consumado e a coisa está bonita. Então, em seu modo, aquela própria dor se transforma em festa.


Isto explica por que muito enjolras se sente contente.


O próprio JC reconhece, com base no torreão dos Fundadores e nas reuniões da Sagrada Escravidão, que a união que devemos ter com Dr. Plinio é tal, que tendo que optar entre o exemplo dado por outros santos e o exemplo dado por Dr. Plinio, devemos escolher este último.

Ora, qual foi o exemplo que Dr. Plinio nos deu diante da morte? Qual foi sua atitude e seu estado de espírito ao morrer Dona Lucilia, ou ao morrer sócios e cooperadores muito queridos por ele, como Dr. Fábio? Ele não se entristeceu e chorou muito (1)? Ou ele exultou de alegria e convidou outros a festejarem aquilo?

Por outro lado, ao compulsar as Sagradas Escrituras verifica-se que, na morte de São João Batista, quem se alegrou foram os ruins; e na morte de Elias --no fim do mundo-- , quem se alegrará, serão os seguidores do Anticristo. Ora, se Dr. Plinio faz parte de Filão Eliático, junto com São João Batista e Elias, é arquitetônico que, a propósito de seu passamento, os filhos das trevas hodiernos também tenham se rejubilado.


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  1. Cerimônia de recepção de hábitos, no S. Bento, 22/4/96, fala JC:

[Dr. Plinio], evidentemente, guardava um fundo de tristeza na alma pelo fato de ter visto a mãe dele morrer. Ele chorou durante o domingo inteiro -- o dia 21 de abril foi um domingo, e coincidiu que este ano também foi domingo --, e chorou até à noite. À noite algumas pessoas quiseram fazer uma visita a ele e ele não pôde recebê-las porque não estava em condições.

"Jour-le-jour" 13/10/96:

O Sr. Dr. Plinio tinha um amor à Sra. Da. Lucilia extraordinário. Ele perdeu a Sra. Da. Lucilia em 21 de abril de 1968. Chorou? Chorou. (...) Chorou outras vezes na vida. Não foi muito, mas chorou outras vezes na vida pela ausência dela.

"Jour-le-jour" 2/4/97:

[Na semana seguinte ao falecimento de Dona Lucilia], de vez em quando, aqui, lá e acolá, ele se emocionava ao falar dela, até chorava. Chegou a chorar em algumas circunstâncias que alguns dos mais velhos aqui, dos mais antigos, presenciaram.

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"Jour-le-jour" 11/10/96:


Não sei se os senhores conhecem um livro que tem o nome “Refutação da TFP - Reflexões e Exemplos de Santos, Oportunos para Nossos Dias - 470 Fichas Hagiográficas em Defesa da TFP”. (...) Nesse livro, por exemplo, há um caso --é a ficha número 19, por exemplo-- da biografia de São João Berchmans, em que às tantas está dito o seguinte:


O padre Diego Sicco, professor de teologia, fez sem demora, e com os olhos nadando em lágrimas, o panegírico do santo estudante. Ao terminar, disse o que mais tarde escreveu.

"Orar pela alma de Berchmans, seria fazer injúria às promessas divinas. Devemos dar graças à Bem-aventurada Virgem por haver sido chamado para o Céu, um filho tão digno dEla” (1).


Depois, mais adiante, mais no final, ele diz:


"E eu estou tão certo da sua glória no Céu, como se a visse com os meus olhos corporais".


Esse tinha sido tocado por essa graça. Agora, poderia haver outros que não. É um problema de graças de um tipo para um, graças de outro tipo para outros.

Ficha número quarenta e um:


O enterro de Santa Catarina Labouré foi uma procissão festiva, improvisada pela multidão, certa de que já estava no Céu.


[Exclamações]


Então vem aqui a descrição do enterro. Eu não vou ler. É uma festança daquelas. Mas às tantas está dito o seguinte, está sublinhado até, a ficha 41 está sublinhada nesse trecho:


As invocações e os cânticos brotam como numa festa. Nada de cantos fúnebres, mas o Benedictus, o Magnificat, as ladainhas da Santíssima Virgem, e sobretudo, a invocação inscrita sobre a Medalha: "Ó Maria concebida sem pecado..."

Algumas pessoas subiram aos telhados das casas vizinhas. Não, não é um cortejo fúnebre, é uma procissão alegre que a multidão improvisou (2).


[Exclamações]


Tocados pela graça. É uma graça.


Alguma lágrimas entretanto: os velhos, que sabem o que perdem; e depois, Leônia Labouré.

- "Eu chorava", reconhece ela.

Espantam-se com isso, consolam-na.


Não compreendem. Está chorando, por quê? É normal que não entendesse, são graças diferentes. Graça dada de um tipo para a multidão, outro tipo de graça dada para a família. São graças diferentes. Aí dizia, então, a pessoa.


- "Eu sou sua sobrinha!"

- "Mas não deves chorar! É uma Santa, ela viu a Santíssima Virgem!"


Bom, eu não vou ler a ficha inteira. Ficha oitenta e dois:


Carta de São Roberto Bellarmino ao Pe. Virgilio Cepari, a respeito de São Luís Gonzaga (1568-1591) escrita antes da beatificação do jovem noviço jesuíta, ocorrida em 1604.

Em suma, eu creio que ele entrou diretamente na glória dos bem-aventurados, e tive sempre escrúpulo de rezar por essa alma, temendo fazer injúria a Deus, cuja graça tão bem eu vira agir nele. Pelo contrário, eu jamais hesitei em recomendar-me às suas orações, nas quais tenho grande confiança” (3).


Os senhores estão vendo que é normal que umas pessoas tenham um tipo de graça, que outras pessoas tenham outro tipo de graça. Ficha 84, de Santo Afonso Maria de Ligório:


Ninguém pensava em encomendar a Deus a alma do defunto, mas todos se recomendavam à intercessão e poder do novo santo. Todos, na verdade, o proclamavam santo e o próprio céu, com um milagre, quis pôr seu selo àquela glorificação popular (4).


Isto posto, tratemo-nos como irmãos. Se alguém for visto chorando, é normal, é uma graça que recebeu de ter dor e que deixe chorar. Agora, que não se imponha a quem chora que tenha que ficar contente (5), e que os que choram não imponham aos que tenham graça de ficar contente que comecem a chorar. Cada um recebe um tipo de graça, cada um tem dentro de si um comportamento que é de acordo com a graça.

Então sejamos todos irmãos com graças diferentes, participantes de uma mesma graça da fundação que é de nosso Pai e Fundador.


Comentários:

  1. A ficha em parte confirma e em parte infirma a alegria joanina. Porque enquanto aquele padre fez o panegírico de São João Berchmans “com os olhos nadando em lágrimas”, JC anunciou a morte de Dr. Plinio nadando em consolações.

  2. Isto também em parte favorece e em parte desfavorece a euforia que houve no 3 de outubro. Porque no caso citado, aquilo foi improvisado pela multidão. No caso dos joanientos, aquilo foi induzido pelo seu pai e fundador.

  3. A ficha não afirma que S.Roberto Bellarmino tenha ficado “consolado” e “encantado” no momento de S.Luiz Gonzaga morrer.

  4. Dessa ficha, JC omite ler dois trechos que colidem com sua “cruzada da alegria”:

Ao divulgar-se a notícia de que Monsenhor Ligório estava desenganado, a consternação de todos foi grande. As igrejas encheram-se de fiéis, que com extraordinário fervor pediam a saúde do querido enfermo” .

[No velório] “uma avalanche humana precipitou-se para venerar e contemplar pela última vez o rosto daquele a quem todos proclamavam santo”. Ora, no velório de Dr. Plinio, da parte dos adeptos de JC, houve risos e animadas conversas a respeito dos mais recentes feitos do “sucessor”.

  1. JC afirma isso “pra inglês ver”. Na prática, ele e seus correligionários desataram uma perseguição implacável contra todo aquele que manifestasse algum sinal de dor e de saudade de Dr. Plinio. Uma amostra é fornecida pelo próprio JC, no "jour-le-jour" 13/10/96, ao referir-se aos que não entraram nessa onda como “macambúzios e de temperamento um pouco sui generis”.





B. A atitude de São João Evangelista ao morrer Nosso Senhor


No "jour-le-jour" do dia 13/1/96 (texto 744), realizado na Espanha, JC sustenta que na morte de Nosso Senhor o Apóstolo São João não chorou e estava contentíssimo. E por aí dá a entender que, a alegria que os joanientos sentiram na morte do SDP, foi na mesma linha:


São João não está dito que chorou. Pelo contrário, São João estava contentíssimo, satisfeito, foi lá junto ao pé da Cruz. Não está dito que ele chorou nem ao pé da Cruz.

Quando Nosso Senhor falece, ele, que não chorou, recebe Nossa Senhora como mãe e fica filho de Nossa Senhora. Ele é quem dava assistência a Nossa Senhora.


Cornélio a Lapide, discorrendo sobre a passagem em que Nosso Senhor confia sua Mãe aos cuidados de São João, dando-lhe destarte o maior presente da História, escreve o seguinte:

Eis aí a tua mãe: Ouçamos Sto. Agostinho (Serm. De Passione). “Eis aí a tua mãe, diz Cristo. Cuida dela, recomendo-a a ti. Recebe tua mãe. Ao ouvir estas poucas palavras, aqueles dois amados de Cristo não cessavam de derramar lágrimas. Calavam-se ambos aqueles mártires. Por causa da grande dor não podiam falar. Estes dois Virgens ouviam a Cristo falando e ao mesmo tempo viam-no pouco a pouco morrendo. Choravam amargamente aqueles que sentiam uma dor amarissima, pois o gládio de Cristo lhes atravessava a alma” (Commentaria in Scripturam Sacram, in Johannem, “Ecce mater tua”, Cap. XIX, 27, Ludovicus Vivès, Paris, 1877, t. XVI, p. 618).





C. A atitude de Eliseu quando Elias foi arrebatado ao céu


Na reunião que fez para a Saúde em 30/4/96, JC fala do rapto de Elias, num carro de fogo, e do pedido que Eliseu lhe tinha feito no sentido de que lhe transmitisse o duplo de seu espírito:


Passa um carro, pega Elias e Eliseu fica encantado. Mas para Elias confirmar que tinha atendido o pedido dele ainda toma o manto dele e joga.


Vejamos o que consta nas Sagradas Escrituras:

(...) quando o Senhor quis arrebatar Elias ao céu num remoinho de fogo, Elias e Eliseu partiram de Gálgala. (...) E indo para Betel, saíram os filhos dos profetas, que estavam em Betel, a receber Eliseu, e disseram-lhe: porventura sabes tu que o Senhor te há de levar hoje o teu amo? Ele respondeu: eu também o sei; calai-vos.

(...) E tendo chegado a Jericó, foram os filhos dos profetas, que estavam em Jericó, ter com Eliseu, e disseram-lhe: porventura sabes tu que o Senhor te há de tirar hoje o teu amo? E ele disse-lhes: eu também o sei; calai-vos. (...)

E, continuando o seu caminho, e caminhando a conversar entre si, eis que um carro de fogo e uns cavalos de fogo os separaram um do outro; e Elias subiu ao céu no meio dum remoinho. E Eliseu o via e clamava: meu pai, meu pai, carro de Israel e seu condutor. E não o viu mais; e tomou os seus vestidos, e rasgou-os em duas partes em sinal de dor. (Cfr. IV Reis 2, 1-12)






D. O fato de Dr. Plinio ter-se salvado e estar na presença de Deus


JC comenta o trecho do Evangelho onde Nosso Senhor anuncia Seu retorno ao Céu e a vinda do Espírito Santo - Reunião para CCEE, 26/5/596:


Já ouvistes o que eu disse. Eu vou e venho a vós. Se me amásseis vos alegraríeis,...


Olhem que se nós amássemos a Nosso Senhor, nós deveríamos ficar contentes pelo fato dEle ter ido. Se nós amássemos nosso Pai e Fundador, nós deveríamos ficar contentes pelo fato dele ter partido no dia 3 de outubro.

Alguém dirá:

-- Não, mas isso que o senhor está dizendo agora é um absurdo. Onde já se viu! Melhor é que ele estivesse entre nós.

-- Escute, o senhor, a senhora, o ama inteiramente? Ama inteiramente a ele?

-- Ah sim, eu dou minha vida por ele.

-- Quem ama um outro assim a ponto de dar a vida por ele, não ficaria contente de ver que este outro que é amado recebesse um prêmio máximo?

-- É verdade, isso não tem dúvida.

-- Pois ele recebeu a visão beatífica. O que é que o senhor quer mais do que a visão beatífica?

Ele no dia 3 de outubro passou desta vida para a eternidade e na eternidade está sendo premiado como? Vendo a Deus face-a-face. E isso não deve ser motivo de contentamento para nós? Claro que deve ser motivo de contentamento para nós.

Então não podemos estar nos lamentando:

-- E agora que não tem a ele?

Isso não é verdade, isso não tem sentido. Pois se ele foi e está na presença de Deus, ele está me vendo, está ao meu lado, está dentro de mim, está cuidando de minha alma de uma forma muito melhor do que cuidava antes.


Em matéria de amor a Nosso Senhor e de certeza de que Ele subiu ao Céu, como em matéria de tudo, os paradigmas são Nossa Senhora e a Igreja.

Ora, qual foi a atitude de Nossa Senhora na Paixão e morte de Nosso Senhor? Vejamos o que Dr. Plinio descreve:

(Cfr. Via Sacra, pp. 238 265, da coletânea “Preces”, organizada por JC, Artpress, março de 1977).

Depois, qual é a atitude da Igreja diante da Paixão e morte de Nosso Senhor? Ela não se veste de luto e chora na Sexta-Feira Santa?




E. A doutrina do corpo místico


JC sustenta que, se no Céu a cabeça do “corpo místico” da TFP --isto é, Dr. Plinio-- está na felicidade celeste, é razoável que na terra o resto do “corpo místico” da TFP –isto é, os membros do Grupo-- também esteja feliz - Reunião na Saúde, 9/4/96:


No momento em que ele falece, logo depois de ter abandonado o seu corpo, encontra do outro lado a solução de tudo. E Deus diz a ele: "Agora, meu filho, seu sofrimento terminou. Venha receber o prêmio de tua glória. Combatestes o bom combate, agora venha que sereis premiado. E eu lhe digo: o futuro será esse". Então a alma dele contentíssima.

Depois mais: encontra quem tanto ele esperava, depois as alegrias, as comemorações, as festividades todas no Céu, tudo isso enquanto preparavam o corpo dele embaixo, o vestiam de hábito e não sei mais quanto. O corpo dele ia se beneficiando do estado da alma. No corpo se refletia aquela explicação inteira que a alma dele tinha de todos os tormentos pelos quais ele tinha passado. Tudo estava claro, um só olhar bastou para ele entender tudo o que ele tinha diante de si.

Para nós, nós que tivemos a graça de estar ali para ajudar aos outros depois, não por nossos méritos, mas por causa dele e por causa da necessidade dos senhores, estávamos numa situação feliz. É mais ou menos como um mensageiro que foi junto a um rei, ouviu uma notícia espetacular e o rei diz: "Agora transmite ao povo". Saiu o mensageiro contentíssimo, ele foi o primeiro a ouvir a mensagem, e disse para o povo: "Senhores, ele morreu como vítima e está agora na eternidade. Nossa cabeça, a cabeça do nosso corpo místico, subiu para o Céu! Nós estamos mais santos do que éramos antes".

A alegria de todos nós sobe, cresce, mas cresceu primeiro no mensageiro. Por quê? Porque o mensageiro serviu de elo de ligação para transmitir o que o rei tinha mandado dizer aos outros.


No documento transparece a profunda diversidade de mentalidade existente entre Dr. Plinio e JC. Pois enquanto este, com base na doutrina do corpo místico, convida os membros do Grupo a se alegrarem, nosso Fundador convida ao sofrimento.

Com efeito, referindo-se à morte de Nosso Senhor, Dr. Plinio diz:

(Cfr. Via Sacra, 13a estação, pp. 238, 249 e 250, da coletânea “Preces”, organizada por JC, Artpress, março de 1977)





X. Teses sustentadas por JC e pelos seus agentes


A. Antes do falecimento de Dr. Plinio


Partindo Dr. Plinio para a eternidade, podemos compreende-lo mais do que quando estava na vivo - Reunião na Saúde, 20/9/95:


... e assim acontece um tanto com o fundador, já na face da terra. Vou dizer mais. É uma coisa tão rica, que quando, por exemplo, São Domingos partiu para a eternidade, e ficaram os dominicanos na terra, os dominicanos que ficaram iam recebendo graças para compreender São Domingos, mais do que quando ele estava vivo, e continuaram a conversa a respeito de São Domingos.


*


Se Dr. Plinio falecesse, à primeira vista seria uma catástrofe ... - Reunião na Saúde, 20/9/95:


Nós estamos esses dias com o Sr. Dr. Plinio bem doente. Está no hospital, está muito abatido, é verdade. Quantos de nós, aqui, chegou a ter a dúvida de que o Sr. Dr. Plinio morresse? Nunca, ninguém. Nunca passou pela cabeça de nenhum de nós. E se passasse a gente se enfurecia. Mas, por exemplo, se viesse a acontecer a desgraça --à primeira vista uma catástrofe-- de que o Sr. Dr. Plinio falecesse ... eu sei que a hipótese choca, mas vamos ver de frente, se acontecesse, é certo que a graça nos daria uma visão mais aprofundada da realidade, e faria com que nós víssemos nesse falecimento --se a Providência quisesse isso-- uma glória.


*


É absurdo imaginar que apareça Elias, cure a Dr. Plinio e saia com ele num carro de fogo. Não tem importância absolutamente nenhuma que Dr. Plinio morra ou viva - Reunião na Saúde, 20/9/95:


O estado "flashoso" de todo membro do Grupo é, antes de tudo, manter essa paz, aconteça o que acontecer. Telefonam agora e dizem:

- Olha, o Profeta Elias entrou no hospital com um fruto, deu para o Sr. Dr. Plinio comer, o Sr. Dr. Plinio saiu andando com ele, saiu num carro de fogo.

Estou imaginando um absurdo. Está bom: paz; contentamento e paz. [Risos]

(...) Pode vir outra notícia:

- Olha, passou um superbonzo agora no hospital, fez uns exames no Sr. Dr. Plinio, e disse: Olha, ele não dura dois dias.

Paz. (...) ainda que seja verdade, se for assim é porque a Providência está querendo a respeito dele algo de muito mais, que eu não sei.

- Ah, mas olha, se acontece isso...!!!

Não tem importância absolutamente nenhuma. Porque o que vai acontecer é que haverá algo que será mais do que é. Eu não sei o que é. Paz.


*


Não sei se é melhor que Dr. Plinio viva ou morra - "Jour-le-jour" 22/9/95:


Todos nós estamos bem cientes de que tanto pode acontecer algo extraordinário que faça voltar tudo atrás, como pode acontecer o pior. Mas se acontecer o pior, a visualização desse pior foi posta hoje, que a gente vê que por um lado será o melhor.

Agora, o que será melhor, que ele não morra ou que ele morra dentro dessa perspectiva? Quem somos nós para julgar? Quem?

O que é certo é o seguinte: o que acontecer será o melhor, porque a Providência não pode querer o pior para ele.





B. Depois do falecimento de Dr. Plinio


Somos as pessoas mais felizes da face da terra - Reunião para CCEE, 6/10/95:


E agora são dois! É mãe e filho! [aplausos.] mãe e filho a intercederem por nós, a nos conseguirem graças. (...) Eu até imagino isso: ele tendo chegado no Céu, uma festa do outro mundo; o encontro dele com a mãe, algo de indescritível, se abraçaram, se beijaram, manifestaram uma benquerença extraordinária que deve durar toda a eternidade; encontraram-se com os membros do Grupo; foram a Nossa Senhora e Nossa Senhora os recebeu com toda a alegria, com toda a festa e foram ao trono de Deus. NÃO É POSSÍVEL que ele lá não tenha pedido por cada um de nós. Não é possível.

(...)

Então nós somos, no mundo de hoje, as pessoas mais felizes da face da terra. Porque nós temos dois intercessores no Céu monumentais. [Aplausos.] E, portanto, nós temos a certeza mais do que antigamente tínhamos de que nós o que precisamos e o que pedimos, seremos atendidos.


*


Após a morte de Dr. Plinio, comecei a enxergar coisas que antes eu não via - Reunião na Saúde, 24/10/95:


Eu me sentia até à morte dele, só agora é que me dou conta, como um sujeito que tem um olho só e ainda com esse olho único que tem, tem catarata e tem problema de miopia, e enxerga mal. Com a ida dele para o Céu, aconteceu que esse olho que tinha catarata e miopia, ficou bom. Estou até sem óculos agora... Ficou bom. E o outro se abriu também e eu comecei a enxergar tudo em terceira dimensão [Exclamações], que antes eu não via.


*


O Grupo está passando da fase de berço para a fase de soldado - "Jour-le-jour" 28/12/95 (nos EEUU):


O que é certo é que [o SDP] tem uma atuação no fundo das nossas almas, como não tinha antes. (...) O Grupo está se constituindo verdadeiramente, quer dizer, está passando da fase de berço para a fase de soldado. É inegável.


*


A história da TFP se divide em 2 períodos: antes e depois do falecimento do SDP. O período posterior é muito superior e comparável a Pentecostes – “"Jour-le-jour" 31/12/95:



(...) este acontecimento [o falecimento do SDP]tão marcante em nossa vida, que divide nossa vida em duas fases: a antes e a depois. Nós podemos dizer: antes de 3 de outubro de 95 e depois de 3 de outubro de 95. São duas histórias do Grupo: uma anterior e outra posterior. A posterior muito superior à anterior.

(...) Então, eu lhes digo isso como palavra de fim de ano, desejando que os senhores tenham um fervor redobrado, porque o fervor de antes não pode ser nem sequer prefigura do que deve vir agora. É mais ou menos o que eram os Apóstolos antes de Pentecostes e o que foram depois. São pessoas irreconhecíveis, são outras pessoas.


*


Dr. Plinio não faz falta para a TFP – Rememorando uma norma dada por ele, antes do 3 de outubro, a respeito do que responder caso Dr. Plinio falecesse, JC disse o seguinte no "jour-le-jour" 13/1/96:


[O SDP] foi muito inteligente, tem um senso organizativo de primeira categoria, ele organizou o Grupo de tal forma que caso ele viesse a falecer, a TFP no mundo inteiro tocaria com toda a normalidade. É o que está acontecendo.


*


Dr. Plinio não faz falta para o Reino de Maria – "jour-le-jour" 20/1/96:


[O SDP] já deu elementos para a ordenação do Reino de Maria de forma plena e total. Mas assim mesmo eu acho que ele vai voltar.


*

Depois da morte do SDP veio ao Grupo algo na linha da graça de Pentecostes - "Jour-le-jour" 20/1/96:


Há pouco o Sr. Romuald fazia uma pergunta em cima (...): "O Sr. Dr. Plinio afirmou (...) de que para se ter o espírito dele, para se ter a união com ele é preciso vê-lo, é preciso conhecê-lo, é preciso conviver com ele, é preciso analisá-lo e é preciso receber graças a propósito dele. Agora, os que vêm pelo futuro como serão?". (...)


(Romuald: E como se transmite o profetismo do SDP).


Pois é, como é que vai transmitir esse profetismo dele. Tanto mais que ele não estando como é que a gente vai aprender alguma coisa e ouvir alguma coisa dele que possa nos fazer bem? Não vai ser possível. É bem isso?


(Romuald: Sim, senhor).


Eu trato com gente bem nova na Saúde e me espanta como há elementos que não receberam capa ainda, que não conheceram o Sr. Dr. Plinio nem sequer no caixão, e como conhecem o Sr. Dr. Plinio e como têm um fogo pelo Sr. Dr. Plinio... (...)

Este é um problema que se põe não só com o Sr. Dr. Plinio. Pensem um pouco na fundação da Igreja.A maior parte daquela gente que foi entrando para a Igreja logo depois da vinda de Pentecostes... Eu não quero dizer que isso se dê só com Pentecostes. Eu vou dar o exemplo de Pentecostes porque é o que está me ocorrendo no momento, mas eu vou falar de outros exemplos depois.

Os senhores tomem só aquela descida do Espírito Santo sobre os Apóstolos, em que São Pedro sai e faz um sermão tomado pela graça, descrito pelos "Atos dos Apóstolos" [como] um sermão cheio de fogo, em que ele converte mais de três mil pessoas (...). E isto por um arrombamento da graça, por onde as pessoas ouvindo um sermão, que é um sermão simples, se os senhores lessem o sermão veriam que é um sermão simples... Entretanto, toda aquela gente que estava ali e que não tinha tido contato com Nosso Senhor Jesus Cristo, porque vinha das mais variadas partes do mundo, está dito que existiam mais de vinte línguas diferentes ali naquele momento e as pessoas com mais de vinte línguas diferentes entendiam São Pedro na sua própria língua. (...) Mas o certo foi isso: é que aquela gente conheceu a Nosso Senhor sem nunca ter visto.


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Eu sinto que o Grand Retour está vindo - "Jour-le-jour" 20/1/96:


(...) a ação [do SDP], a presença dele, as graças que nós sentimos, o Grand-Retour que está vindo... Eu lhes digo com toda a sinceridade, sem exagero nenhum, eu sinto que o Grand-Retour está vindo.

(...) A união entre nós. Escute, quantas vezes eu passei aqui [Paris]? Passei outras vezes aqui, já o ano passado passei aqui. Nós tínhamos esse entendimento que nós temos agora? Não tínhamos.

Nós nos entendemos como se nós estivéssemos todos entrando para a Saúde agora, como enjolrinhas. Eu dou uma fotografia para os senhores, os senhores recebem com a alegria que recebe um enjolrinhas da Saúde. (...) O que é isso? São graças novas, é algo que vem vindo e que vem com uma força que vai nos transformar (1). Vai nos transformar não só em qualquer coisa, ou em alguma coisa mais; vai nos transformar nos homens mais poderosos, mais santos e mais grandiosos de toda a história.


Comentário:

  1. Tomar ares de imbecil --pois é precisamente isto o que faz um homem de 40 anos ou mais, quando pretende imitar um jovem de 15 anos-- é para JC sinal evidente de Grand Retour à vista!


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As graças que existem hoje são muito maiores do que antes - Jantar, 23/1/96, Paris:


Eu estive aqui [Paris] antes da morte dele e posso comprovar com as mãos sobre os Evangelhos: as graças que existem hoje são muito maiores do que antes.


(Fernan Luis Lecaros: incomparáveis).


Incomparáveis. (...)


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Estamos numa nova fase espiritual, estamos melhor do que a antes – “"Jour-le-jour" 24/1/96:


Puxa, nós estamos numa nova fase espiritual!O Sr. Amadeu, então, esse francamente é de arrepiar.O Sr. Amadeu tinha arrumado um emprego com o irmão, já estava gerente de uma loja e ia começar agora segunda-feira, anteontem. No sábado para domingo o Sr. Dr. Plinio apareceu a ele em sonho, com uma fisionomia séria, grave, e disse: "Meu Amadeu, você não pode aceitar esse emprego, você tem que abandonar isso. Se você aceitar, você vai sair do Grupo e vai para o Inferno. Eu te proíbo".

Aí estão os fatos... Depois vem gente dizer como é que vai ficar agora a vida. Está melhor do que antes, porque antes o Sr. Dr. Plinio não fazia isso. O Sr. Amadeu começava a pegar um emprego, ele dizia: "Meu filho, pense um pouco, reze um pouquinho". Aqui não, gira o carro... É tremendo.


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Hoje, a ação e direção de Dr. Plinio é muito maior - Reunião do 27/1/96:


Mas, o que me impressiona é que tudo isso mostra que a ação dele [SDP] e a direção dele é muito maior do que a gente pensa


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Quando Dr. Plinio falou em milagre, enquanto agonizava, era mais para animar aos outros - "Jour-le-jour" 4/2/96)


Quando [o SDP] falou em milagre [no hospital], ele falava --a meu ver, pode ser que eu me engane-- em milagre mais para animar aos outros (...).


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O Grand Retour já está nos sustentando - "Jour-le-jour" 4/2/96:


[O SDP] levantou a hipótese [de que] o Grand-Retour talvez nos fosse dado sem sensibilidade. Nós o recebêssemos e sem nos darmos conta de que o tínhamos recebido.


(Mikel: Isso é meio raro, não é? [Risos]


Só em determinado momento se tornaria patente.


(Mikel: O "Grand-Retour" seria o segundo, não o primeiro).


Eu lhe pergunto o seguinte: o fato de ter morrido o Sr. Dr. Plinio e nós estarmos aqui...


(Frizzarini: Já não é uma graça?)


O senhor dirá:

- Não, isso não é Grand-Retour, é milagre.

Não tem dúvida, é milagre, mas já é um milagre na linha do Grand-Retour.


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As vitórias de Dr. Plinio estão fervilhando por toda parte; estão acontecendo coisas maravilhosas - "Jour-le-jour" 9/2/96:


Temos algumas notícias muito interessantes. Está um pulular de vitórias do Sr. Dr. Plinio. Um borbulhar, fervilhar de vitórias do Sr. Dr. Plinio aqui, lá e acolá, que deixam a gente até estonteado... Estão acontecendo tantas coisas, coisas tão maravilhosas, tão extraordinárias, tão estupendas, que 80% nós temos dado aqui no auditório. O restante dos 80% a gente não pode dar assim facilmente.


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Dr. Plinio não sabia se estava morrendo por castigo ou por disposição de Deus - Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 17/3/96, texto 960317EX-AO3:


Ele teve um drama tremendo até a hora da morte, até o momento da separação da alma dele do corpo teve um drama tremendo porque não sabia se estava morrendo por castigo ou por uma intervenção de Deus. Isso ele não sabia.


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Tudo agora tem mais benção do que antes – Resposta de JC durante uma reunião para os novatos da Saúde, 19/3/96:


Esteja certo disso, que o senhor está numa situação mais feliz do que estava antes, porque tudo agora para o senhor tem mais propriedade, tem mais bênção, tem mais proteção do que tinha antes.


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Dr. Plinio já cumpriu sua missão - Reunião no Praesto Sum, domingo, 24/3/96:


[Santo Inácio], antes de falecer tinha em cima da sua mesa um mapa com todo um plano de trezentas caravelas para ir até a Terra Santa e conquistar o Santo Sepulcro. Ele não fez isto, ele não realizou isso, ele morreu antes, mas quantos outros planos, quantas outras intenções ele tinha que não realizou?

Então quem é que pode dizer: "Santo Inácio não cumpriu sua missão e morreu antes de ter cumprido sua missão por castigo dos jesuítas, porque os jesuítas não rezaram suficientemente para que ele não morresse na hora em que estava em agonia"?

Essa é uma demência que, francamente, só um asno mesmo pode dizer.

(...) O que fazem certos asnos que interpretam coisas que nós dizemos sem lógica, sem coerência, porque há gente que diz: “Eu sou contra, porque não é verdade. O que o Sr. João Clá está dizendo aí a respeito de que o Sr. Dr. Plinio morreu como vítima expiatória isso é uma absurdo, porque o Sr. Dr. Plinio morreu por um castigo. Castigo por quê? Porque o Grupo não andou direito e não rezou o quanto devia”.

-- Meu caro, então seja lógico. Se é assim, suma, vá se colocar no alto de uma torre como São Simeão Estilista, fique lá rezando para implorar que venha do Céu a graça de uma ressurreição de nosso Pai e Fundador e faça penitência por todo o Grupo. Se o senhor teve essa luz magnífica do Espírito Santo de perceber uma situação de uma forma que ninguém percebeu, o senhor é um privilegiado de Deus. Aja em conseqüência, esteja a altura do carisma que o senhor recebeu, seja lógico.


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Só os que se alegraram com a morte de Dr. Plinio compreenderam bem o que se passou com ele. Os outros são “fumaça”, pelo menos em potência - Reunião confidencial com os veteranos, 2/4/96:


É compreensível que haja desníveis em matéria de graças místicas, e que uns recebam mais e outros recebam menos. Alguns até nem recebam nada, pode acontecer.

Acontece que se a pessoa não recebe uma graça mística no sentido de compreender bem o que é que se passou com o Sr. Dr. Plinio, ela fica numa postura de recalcitrância contra a visão que alguém tocado por uma graça ou alguns tocados por uma graça tiveram a respeito do Sr. Dr. Plinio.

Por exemplo, aqui [São Bento] comentavam -- talvez alguns dos senhores estivessem presentes ou não, eu não sei -- que quando entrou o corpo do Sr. Dr. Plinio para a missa de corpo presente, ele entrou com o cerimonial normal. Havia a nota da tristeza do falecimento dele, mas havia uma alegria e havia uma espécie de sustentação mística interior de que no fim tudo ia dar certo. (...)

O que se passa -- porque as graças são colossais -- é que alguns que recebem outro tipo de graça ou que não recebem graça nenhuma ficam com uma concepção, que é uma concepção naturalista, a respeito do que aconteceu, e quer analisar a situação em função de princípios pessoais e não em função de uma graça que não receberam.

Se isto se mistura com o amor próprio, surge aquilo que nós chamamos de fumaça.

(...) Quem não tem essa graça, que atitude deve tomar?Uma atitude de calma e de tranqüilidade: "Bem, vamos esperar uma explicação futura".

E nós devemos, tendo essa graça, respeitar aqueles que não têm a graça. (...) Nós devemos sustentá-los nas vias que a Providência quis colocá-los, com toda a fraternalidade, com toda a bondade.

Se a pessoa mistura a via diferente que a Providência exige dela com amor próprio, aí dá em revolta. E se der em revolta, aí ela se prejudica a si própria e talvez possa prejudicar a outros.

Nós o que devemos fazer, combatê-los? Não. A gente deve tomar com eles uma atitude de benevolência. Se eles vierem espumando -- eles? eu acho que são tão pouquíssimos--, se vêm com uma exuberância de espuma, odientos e não sei quanto, a gente deve ouvir com calma e dizer: "Não, de fato é possível que o senhor tenha razão, mas o estado temperamental seu está um pouco alterado. Ponha-se em calma, ponha-se em tranqüilidade. Afinal de contas tudo terá sua solução, tudo terá sua explicação. Não é possível que a Providência nos deixe num mistério eternamente. Em certo momento deverá haver uma explicação para tudo isso. Se estes que dizem isto têm razão, então a Providência dará razão a eles em certo momento. Se o que o senhor diz é real e o senhor tem razão, acalme-se, espere com paciência, que o senhor terá sua prova, o senhor sairá vitorioso no meio disto que o senhor está dizendo. Mas eu acho que tantos uns quanto outros não devem estar se digladiando, porque o que é mais importante entre nós é a coesão. Acima de tudo o que deve haver é a coesão e a estima entre nós".


Uma amostra de como JC trata aos “fumaça” já vimos acima --quando JC se refere a eles como “asnos” e “dementes”.


*


Os sócios e cooperadores que sentem a ausência de Dr. Plinio não tem tanta união com Dr. Plinio quanto os que não sentem essa ausência - Conversa na chegada à sede de Campos, 12/4/96:


É uma coisa curiosa, [a] união depois da morte do Sr. Dr. Plinio aumentou mais nos grupos que não tinham convívio diário com ele, do que nos grupos que tinham convívio diário com ele.

E é uma razão que não é só sobrenatural, uma razão psicológica também. É que quem tinha o convívio diário com ele, estabeleceu sua vida em função dele. E quem vivia longe estabeleceu seu convívio, sua vida, longe do contato dele. (...)

Ele morre e os que estão longe sentem psicologicamente e sobrenaturalmente o Sr. Dr. Plinio atrás, do lado direito, do lado esquerdo e dentro. Dentro! [Exclamações.]

"Puxa, mas eu sinto o Sr. Dr. Plinio aqui dentro! Eu não fazia idéia, eu estou com o Sr. Dr. Plinio dentro do meu coração, senhor! Eu sinto que ele fala comigo às vezes aqui dentro!"

Então, começaram a sentir uma proximidade do Sr. Dr. Plinio que nem de longe podiam imaginar que pudessem sentir.

E portanto, isso trouxe para os grupos que não são o de São Paulo, uma união, uma alegria, uma esperança muito maior do que aqueles que tinham convívio diário. Não sei se está claro?

(Sim!)

Agora, para os de São Paulo, para alguns que não foram tocados por essa graça de esperança muito forte, esses alguns, coitados, sofrem. E sofrem porque eles diariamente quando acordam, dizem: "Ai, a gente vai ligar para o 1° Andar e ninguém atende"; depois se aprontam e: "Ai, que a gente passa pelo 1° Andar e sente um vazio." Depois chega a hora do almoço, está almoçando sozinho e diz: "É, agora vou fazer sesta, mas depois da minha sesta eu ia assistir o almoço do Sr. Dr. Plinio. Não vou mais porque ele não está aqui."

Então, vivem numa espécie de abatimento - alguns - pela ausência dele, Sr. Dr. Plinio.

E então não há este fenômeno tão grande de imbricamento como há em grupos do exterior e de grupos de fora.


*


A obra de Dr. Plinio não vai fazer senão se expandir. Hoje Dr. Plinio age de um modo novo - Reunião para a Saúde, 23/4/96:


O que é que eu vejo de novo, o senhor me pergunta, de 3 de outubro para cá. Eu vejo de novo que está havendo uma intensidade de atuação do Sr. Dr. Plinio como ele não teve em nenhum momento da vida dele. Eu vejo, percebo, discirno -- tenho conversado com outros e ainda ontem conversávamos no jantar -- uma ação tão intensa dele, mas tão intensa, que a obra dele não vai fazer senão se expandir, se expandir, se expandir e se expandir.

Há algo de novo? Há algo de novo e de substanciosamente novo, que é justamente esse modo novo dele agir que não tinha antes.


*


O convívio com Dr. Plinio hoje é mais intenso do que antes - Reunião do 28/4/96:


Então, 3 de outubro, como dizia bem a proclamação ontem, não foi um término, 3 de outubro foi um início de uma nova era, onde se estabelece um convívio dele conosco mais intenso do que havia antes, se bem que invisível.

*


Se Deus tivesse enviado ao Grupo graças só na linha da tristeza pela morte de Dr. Plinio e de saudades de Dr. Plinio, a TFP teria fenecido - Reunião do 28/4//96:


(...) Outros pode ser que a Providência queira provar e sintam, então, dentro de si uma tristeza e umas saudades colossais. É uma graça também.

Mas se viessem só graças na linha da tristeza e na linha da saudades, a obra dele tinha morrido. O que toca a obra dele adiante são as graças na linha da consolação, são graças místicas na linha da esperança, são graças místicas na linha da certeza da vitória, são graças místicas na linha de ter uma convicção plena de que esse mundo vai ruir, que sobre os escombros desse mundo vai nascer um reino novo, e a convicção de que, de repente, ele aparece.


*


Estamos sentindo mais graças agora do que antes - Palavrinha, Montes Claros, 8/6/96:


Quem sabe se já não começou um início de Grand-Retour a ser dado a nós e nós não nos damos conta? Porque é tanta consolação, tanta consolação, tanta graça de entusiasmo que nós sentimos, que não será já um começo de Grand-Retour? Pode bem ser.

(...) A continuidade da obra dele é uma espécie de Grand-Retour, porque nós estamos sentindo mais graças agora do que sentíamos antes.Como é que se pode explicar uma coisa dessas? É inexplicável. De maneira que muito provavelmente ele já está operando aquilo para o que ele entregou a vida.


*


Após a morte de Dr. Plinio, houve um aprimoramento de tudo, tudo subiu - Reunião na Saúde, 11/6/96:


É que nós fazemos parte de um corpo místico, e este corpo místico tem uma cabeça como o Corpo Místico da Igreja tem uma cabeça, que é Nosso Senhor Jesus Cristo. O fato dessa cabeça desse corpo místico ter subido e ter sido elevada ao Céu, todo o corpo místico --que é a TFP no seu conjunto-- sofreu um aprimoramento. Um aprimoramento de thau, um aprimoramento de fervor, um aprimoramento de vida interior, um aprimoramento de aspirações, um aprimoramento de graças, tudo, tudo, tudo.

Pode ser que em um ou outro decaía, isso não tem dúvida, pode acontecer, mas, no fundo, tudo subiu.


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A TFP, sem Dr. Plinio, pode continuar de uma forma mais esplendorosa do que com Dr. Plinio - Reunião para CCEE, 15/6/96:


(Aparte: O Sr. Dr. Plinio tinha alguma preocupação quanto à obra dele, se ia para a frente ou se poderia parar? Com o senhor ele chegou a comentar no hospital?)


(...) ele tinha confiança de que a obra continuaria, de alguma forma continuaria. Há textos e textos dele no passado em que ele faz referência a uma possível morte dele, em que ele levanta a hipótese de a obra dele continuar e de uma forma ainda mais esplendorosa do que com ele. (...) Ele se preocupava, de fato, com a obra dele post mortem dele, mas tinha certeza de que Nossa Senhora arranjaria um meio, porque ou é o fim do mundo, ou é o Reino de Maria. Se não é o fim do mundo, tem que entrar uma graça e tem que entrar um meio novo. Esta fé no Grand-Retour, na Bagarre e no Reino de Maria ele teve até o último suspiro, isso não faltou. Ele tinha preocupação com um e com outro, mas não quanto à obra.


*


Dr. Plinio já cumpriu sua missão – Reunião para CCEE mulheres, 15/6/96: A morte dele dava idéia justamente disso. De uma flecha que tinha passado por regiões, regiões, regiões e tinha chegado a um alvo. Ele tinha atingido o objetivo dele, ele tinha cumprido a missão dele. (...) O que a gente sentia naquele momento vendo o Senhor Doutor Plinio é de que ele tinha cumprido com toda a vontade de Deus, tinha chegado ao extremo último para o que ele tinha sido chamado, tinha dado tudo de si, portanto, tinha cumprido com a missão dele, o sangue dele estava todo entregue.

(Sra. ?: Então esse contentamento do senhor é...?)

Acho que isso também existia naquele momento, se sentia que ele tinha cumprido com a missão dele: "Minha missão está cumprida. E com este sangue eu compro agora o Grand-Retour, a Bagarre e o Reino de Maria."


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Agora a obra de Dr. Plinio vai adiante mesmo - Reunião na Saúde, 18/6/96:


Depois do 3 de outubro o que se deu foi isso:

Uma tranqüilidade, uma paz, uma certeza de que agora a obra dele vai para diante mesmo, de que ele agora está conduzindo as coisas de uma forma... [Troca a fita] ...

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Não sinto falta de Dr. Plinio – Reunião na Saúde, 18/6/96:


Os senhores nunca me viram nesse período [post 3 de outubro] todo assim abatido, dizendo: "Nossa Mãe do Céu, e agora as coisas que não vão para a frente. E agora que ele está faltando", porque não sinto isso. Não vou fazer teatro.

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Só às vezes sinto a ausência de Dr. Plinio - Palavrinha CCEE. Miracema, 27/7/96:


Os que tinham muito contato, freqüente, diário com ele, sentiram uma ausência dele. Os que viviam no exterior, por exemplo, na Espanha, na Itália, nos Estados Unidos, no Canadá, depois da morte dele sentem uma ação de presença tremenda que não sentiam antes.

Comigo, como eu tinha um convívio muito grande, essa ausência não se marca tanto. Só em certas horas que de fato a gente gostaria: "Se eu tivesse o Sr. Dr. Plinio para dar um telefonema e perguntar tal coisa, ou perguntar tal outra". Isso às vezes acontece


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A morte de Dr. Plinio não quer dizer nada - Reunião na Saúde, 30/7/96:


Isto deu-se inclusive durante a morte dele. Porque os senhores viram quanta gente abatida, quanta gente assim chocada? Comigo não houve choque, porque aquilo era um acontecimento: "Isso aconteceu, mas isso não quer dizer nada. Quer dizer, continua tudo de pé, ele vai vencer". [Aplausos]


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Dr. Plinio está vivo; após o 3 de outubro, adquiriu uma forma de vida mais autêntica, mais palpável, mais sensível - Reunião com os Eremitas e membros da Saúde, 6/8/96:


Nós temos a graça de ter esse Fundador. Meu Deus, que felicidade!

Saibamos que este Fundador é o catecismo vivo, que este Fundador é o Decálogo, é a realização dos Dez mandamentos em pessoa, em carne e osso. E temos diante de nós, então, exemplos, fatos, doutrinas, explicitações, flashs, e temos uma riqueza de história magnífica.

Não vão procurar nos livros o que os senhores devem ser. Existe um livro que está vivo. [Aplausos]

Esse livro passou a viver de forma mais autêntica, de forma mais palpável, de forma mais sensível no dia 3 de outubro de 95. Ele está diante de nossos olhos constantemente, de manhã, à tarde e à noite, a exigir que nós sigamos esse caminho, sigamos essa via (1).

(...) Quando a graça do Grand-Retour descer sobre nós, nós teremos nossas almas transformadas, e nós olharemos para este modelo que está aqui agora diante de nós nesta foto tão bela (2), tão magnífica, dele de hábito, nós olharemos para ele e diremos: "Quanta consonância! Que graça! Senhor, eu vos dou graças por terdes sido criado pela Providência para ser o meu pai, meu senhor, meu modelo, meu guia, meu mestre, meu regente, minha causa. Aqui estou eu, vosso escravo para a eternidade". [Aplausos]


Comentários:

  1. Afirmar que Dr. Plinio passou a viver de forma mais autêntica, mais palpável, mais sensível no dia em que morreu, é uma tese esquisita. Na eternidade, no Céu, os bem-aventurados não tem uma vida mais palpável, nem mais sensível. Pelo contrário: mais impalpável e menos sensível. A tese portanto pode ter um sentido esotérico: a “plinicidade” está mais viva hoje inabitando JC do que ontem inabitando ao próprio Dr. Plinio. O que aliás é sustentado pelos joaninos mais “graduados”. Por aí se entende que, quando o corpo de Dr. Plinio foi para a Sede do Reino de Maria, no 3 de outubro de 1995, JC disse: Dr. Plinio não saiu do êremo, ele “está aqui! está aqui! está aqui!”, no meio das aclamações de seus adeptos.

  1. Dr. Plinio “está aqui agora diante de nós”, numa fotografia? Chama a atenção a ênfase que JC coloca, a ponto de repetir 4 vezes a mesma idéia: a) está; b) aqui; c) agora; d) diante de nós. A frase é esquisita. Mas se entende ao atribuir-lhe o sentido esotérico acima indicado. Se Dr. Plinio está assim presente numa fotografia, “a fortiori” estará numa alma --por exemplo a de JC.


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Não ter tido a oportunidade de conhecer pessoalmente a Dr. Plinio nesta terra, não quer dizer nada - "Jour-le-jour" 15/9/96:


Alguém dirá:

-- Mas eu entrei para o Grupo depois do Sr. Dr. Plinio ter ido para a eternidade.

Isso não quer dizer nada, porque nós estamos há dois mil anos praticamente da subida de Nosso Senhor Jesus Cristo para o Céu e, entretanto, eu rezo a Nosso Senhor Jesus Cristo como se Ele estivesse falado comigo ontem à noite.

Leve em consideração que um beneditino quando entra para a ordem beneditina, hoje, tem seu fundador morto há mil e quinhentos anos. (...) Entretanto, o beneditino entra e tem um relacionamento místico como se ele estivesse conversando pessoalmente com São Bento.

A mesma coisa conosco. Nós entramos para a TFP no momento em que nosso Pai e Fundador está na eternidade e nós conversamos com ele como se ele estivesse aqui presente, vemos a ele, temos um relacionamento com ele, tudo através da mística. E às vezes pode ser um conhecimento mais profundo do que aqueles que conviveram com ele.


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Hoje as campanhas estão mais assistidas por Dr. Plinio do que antes - Reunião para os EEII, 7/10/96:


Os senhores devem ter reparado que as campanhas têm qualquer coisa de novo de 3 de outubro de 95 para cá. Estão muito mais assistidas por ele do que eram antes.


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Sem Dr. Plinio é possível tocar a Contra-Revolução - Reunião na Saúde, 8/10/96:


Deu-se com o 3 de outubro que, tendo tido conhecimento de que o Senhor Doutor Plinio estava com uma doença que o levaria a morte, como de fato o levou, não houve um trauma a ponto de eu me desesperar e a ponto de eu perder a confiança, a ponto de eu desanimar, dizer: "Bom, agora não dá para fazer mais nada! Sem ele por onde é que a gente caminha?" Não houve isso. Pelo contrário, houve uma graça no sentido oposto.


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No momento, não sinto falta real, material, substancial de Dr. Plinio - Reunião para os veteranos, 22/10/96:


Nós estamos na Bagarre desde o dia 3 de outubro do ano passado, a Bagarre começou para nós dia 3 de outubro, mas nós precisamos passar por situações onde a gente sinta uma falta real, material, substancial do Sr. Dr. Plinio. E que a gente pense o seguinte: "Não, a fé me diz que ele vai me ajudar, mas eu estou erdido, eu não sei o que vou fazer". Ou a gente passa por uma série de situações dessas, ou a gente não muda de mentalidade.


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A morte de Dr. Plinio não significa nada - No "jour-le-jour" de 20/4/97, a pedido de JC, Luiz Francisco Beccari --eremita de São Bento, muito entrosado no templo do joanismo-- deu uma repercussão da campanha de venda do álbum de Dona Lucilia. Foi aplaudido calorosamente, conforme consta na fita:


(Uma repercussão interessante foi de um advogado bastante importante aqui de São Paulo. Nós tínhamos a ficha dele e na ficha estava escrito que ele já tinha adquirido um exemplar do álbum. Nós fomos lá em todo caso para ver se ele tinha alguma pessoa que pudesse indicar, se ele tinha interesse em adquirir mais algum álbum. Começamos a conversar com ele (...). Ele disse que lendo o álbum chegou à conclusão que a Sra. Da. Lucilia era uma pessoa que tinha muita grandeza, muita bondade, e o Sr. Dr. Plinio também. Inclusive o próprio fato de ele ter falecido não queria dizer nada, porque o Sr. Dr. Plinio é como os grandes homens da História. Ele comparou com Carlos Magno e com Nosso Senhor Jesus Cristo. [Aplausos]

Ele disse: "A morte deles não significou nada. A obra deles foi sobretudo post mortem". Com o Sr. Dr. Plinio ia se dar a mesma coisa.)


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É interessante ver fotos de Dr. Plinio na agonia, todo carcomido pelo câncer - "Jour-le-jour" 12/10/97, parte II:


(Casale: É interessante ver que a provação final de 95, já todo ele carcomido pelo câncer...)


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Em 1998 chegou a nossos ouvidos que na Argentina, nos ambientes joanientos, corria que Dr. Plinio teria morto por castigo de Deus, pelo fato de não ter designado a JC como seu sucessor.

Em novembro de 1999, soubemos que na Espanha correu o mesmo disparate.






XI. “Providências” que JC foi tomando antes do falecimento de Dr. Plinio


A. No tocante aos funerais de Dr. Plinio


A missa de requiem já estava sendo treinada - Conversa com os eremitas de São Bento, 29/9/95:


A maior prova de toda a nossa vida é agora. A maior prova da vida de cada um dos senhores

(...)


(Santiago Morazani.: Se é a maior prova, como é possível que haja tanta graça de certeza e de confiança?)


Senhor!... Analise bem a questão da certeza e da confiança, como ela é distribuída. Há certeza e confiança em muitos, mas há alguns que já têm a perna mole. Há alguns que não podem considerar nem em sonho, como hipótese X, Y, Z, porque senão "Ah!!!", não agüentam...

Não é verdade? Então, “Ojo!”

O que para mim é uma coisa impressionante é que, havendo essa graça, é mais um sinal indicativo de que bem pode acontecer que... Porque senão, não tinha sentido a graça.

Essa Missa, por exemplo, ter dado certo. Nunca uma Missa para nós deu certo tão rápido assim. [ininteligível] está tão bem adiantada, tão encaminhada que eu me ponho o problema: "Puxa, será que a Providência que não [ininteligível]".


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Mandou fazer um hábito especial, para ser colocado no dia do enterro, de maneira a ficar com o hábito que Dr. Plinio usava - "Jour-le-jour" 23/2/97, parte II:


(...) quando ele estava no hospital fizeram um hábito especial para ele, para ele ser enterrado com aquele hábito, para nós não perdermos os hábitos que eram relíquias.





B. No tocante aos bens de Dr. Plinio


Conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95:


Quando a notícia [da hospitalização do SDP] se deu, eu disse: “precisamos preparar a questão dos bens todos para não cair nas mãos de Da. Maria Alice”. O Sr. é testemunha. E disse para muitos outros. Depois, eu disse para o encarregado de imprensa: “Precisamos preparar uma página, duas páginas de jornal para que na hora H ...”

A escola de nosso Pai e Fundador qual é? É de encarar a hipótese pior e preparar-se para a hipótese pior. Porque, se acontece a melhor não precisa preparação. (...)

Agora estamos na situação terrível. Porque, de repente, se o Sr. Dr. Plinio falece, passa tudo para as mãos de Da. Maria Alice, tudo.

Acontece que ele fez três testamentos e quando morreu Da. Rosé, ele que tinha feito um testamento muito favorável a elas, uma vez tendo morrido Da. Rosé, ele resolveu rasgar o testamento para fazer um outro e ficamos sem. Então, ela é herdeira absoluta de tudo, tudo, até o carro. Mas, eu disse, no momento em que o Senhor Doutor Plinio foi para o hospital:

- Vamos passar algumas coisas em nome de outros.

É a coisa mais simples do mundo.

Está tudo nas mãos de Da. Maria Alice.

Ainda há tempo, peço que os senhores rezem nessa intenção, porque nós perdemos o Primeiro Andar. Os senhores rezem porque ainda haverá meio.









C. No tocante às profecias do Beato Palau e de Sóror Patrocínio relativas a Dr. Plinio


Faz parte do perfil psicológico-moral de JC a extroversão, a propensão a criar ondas e o misticismo, sem se incomodar praticamente nada com as consequencias. De repente, ele mostra-se extremamente cauto. Recomenda não exteriorizar um anelo, nem mesmo baseando-se em profecias e revelações. No fundo, coíbe uma esperança.

Aconselha responder que o Padre Palau é “um beato”, “um bem-aventurado” qualquer, que disse coisas “discutíveis”.

Mas qual é a posição dele perante as profecias do Beato Palau? “Francamente” ele não sabe o que dizer, não sabe mesmo.


Alguém poderá perguntar aos senhores, de repente, aqui, lá e acolá, no contato com este e com aquele: “É verdade que na TFP vocês acham que Dr. Plinio vai ressuscitar agora?”

Os senhores devem tomar cuidado. Porque, se os senhores têm essa convicção interior, guardem no interior dos senhores, não a ponham nos lábios, porque esse é o tipo da afirmação que nos leva a um estrondo e que nos leva a uma perseguição de ditadura psiquiátrica, dizendo que os que restaram, seguidores do Sr. Dr. Plinio, manipulam a mente dos senhores com mentiras dessas.

- Mas você acha que o Dr. Plinio vai ressuscitar agora?

- Eu vou lhe dizer uma coisa que é muito mais ousada do que isto que o Sr. está dizendo: Acho que o Sr. vai ressuscitar depois de morrer e eu também.

- Como assim?

- Está no Credo. "Creio na ressurreição dos corpos."

- Você acha que ele vai ressuscitar agora?

- Deixa de ser tonto, a ressurreição vem depois, antes do juízo.

- Mas não comentam lá que o Dr. Plinio vai ressuscitar agora?

- O que comentam lá é a Doutrina Católica: Que a ressurreição dos corpos se dará antes do Juízo Final. Uns vão ressuscitar com corpos gloriosos à direita e outros à esquerda. Que Deus me livre e guarde de estar com os cães da esquerda.

Nada de estar levantando: "Olha, tem a Sór Patrocínio que diz que..." Guarde no fundo do coração, guarde no fundo da mente, no fundo da alma.

(...)

- Como é a questão do Moisés da Lei da Graça? você acha que...

- Isso tudo são coisas ditas por um beato, por um bem-aventurado Palau, que são coisas discutíveis, isso depende muito de como os acontecimentos se derem. Francamente não sei.

Não sabemos mesmo.

(Cfr. Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 20/9/95)








D. No tocante ao governo da TFP


Comentando a última Reunião de Recortes dada por Dr. Plinio em 19/8/95, JC prepara o terreno para a marginalização dos Provectos. “Ex autoritate propria” – quem lha conferiu? – decreta ele que na eventualidade da morte de Dr. Plinio não haverá “conselho administrativo ou consultivo” para dirigir a TFP. Defende ele assim uma verdadeira “an-arquia”, no sentido próprio do termo que significa ausência de governo, como um primeiro passo para, num segundo lance, usurpar a direção suprema que não lhe compete.


Reunião para os sócios e cooperadores do “centrão” --DAFN, Buissonnets, Santa Maria Martirum, etc.--, em 6/9/95:


Quando a reunião terminar, e já antes de ela ter terminado, o demônio, o partido do mal terá começado a encher nossos instantes com sofismas, com pequenas desonestidades...


Então, desejo disso, desejo daquilo ... [vira a fita] ... desejo de aparecer. "Como é que é? Então, como é que nós vamos decidir tal coisa? Temos que fazer um conselho. Um conselho administrativo ou então um conselho consultivo."Não tem nada de conselho consultivo. De sua alma inteira pelo Senhor Doutor Plinio e deixe a obra do Senhor Doutor Plinio tocar como ela sempre tocou nos momentos em que ele não esteve presente, porque estava ou doente, ou fazendo trabalhos, ou coisa que o valha. Toque da mesma forma. Não tem conselho consultivo, nem conselho administrativo.


*


Na conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, de 20/9/95, JC dá diretrizes sobre o que responder se terceiros perguntarem sobre “o sucessor” do SDP:


- E agora, quem é o sucessor?- Não tem sucessor, porque ele era uma pessoa grande demais para poder ter alguém que fosse outro ele. Não tem.- E como é que fica?- Fica que ele é um homem tão extraordinário, que ele organizou a obra dele no mundo inteiro e que toca por si.


Nessa mesma ocasião, um dos ideólogos do joanismo (Patrício Amunátegui) sustentou que os Provectos são completamente incapazes de governar a TFP. (Ver o Capítulo 8, tópico I, A, 2, d).

E quando essa conversa estava para concluir, JC recomendou o seguinte a seus discípulos:


Vamos manter reserva. Não devemos estar telefonando, estar contando a outros. Isto fica entre nós que somos aqui das duas casas, para nosso uso e para nosso benefício.





E. No tocante à preparação dos membros do Grupo “para uma série de coisas”...


Antes da hospitalização do SDP, JC sabia “por exemplo” que SDP ia ficar cego de uma hora para outra e foi preparando o Grupo “para uma série de coisas” - Reunião na Saúde, 21/12/95:


A partir do momento em que eu vi, comprovei, constatei que [o SDP] ia morrer, eu tive uma grande preocupação: "Como o Grupo vai tomar isto?" (...) Como é que o Grupo ia ficar?

Eu vejo que Nossa Senhora quis que, já não só nessa fase, mas na fase anterior inclusive, os senhores já fossem preparados para uma série de coisas. Por exemplo, eu já conhecia a situação concreta dele, que de uma hora para outra ele ia ficar cego. Ia ficar cego mesmo. Eu sabia, porque tinha acompanhado a ele aos oculistas e via que de uma hora para outra ele poderia perder a visão. Eu confiava em Nossa Senhora de que isso não acontecesse, mas eu me via na obrigação de ir calçando as situações para caso acontecesse. Lá ia imaginar eu que ia acontecer algo de muito mais ousado do que a própria cegueira?





F. No tocante à promoção de sua candidatura


Os agentes de JC instalaram uma filmadora no quarto onde Dr. Plinio estava hospitalizado, e cada vez que seu senhor falava a Dr. Plinio, eles punham em funcionamento o aparelho. Estavam à espreita de que Dr. Plinio dissesse algo que pudesse ser explorado na campanha eleitoral de seu chefe? - Reunião para CCEE, 1/5/96:


Sabendo da morte dele, nós queríamos tirar os últimos vídeos da vida. Então levávamos os aparelhos de vídeo-cassete e sempre que havia uma conversa a gente ligava o aparelho. Ele nem perguntava o que é que era e o que é que não era, já estava tão acostumado com gravadores em torno dele que nem se dava conta que era uma máquina que filmava praticamente.


*


Bastava JC entrar no quarto, que “já estava o video-tape na mão”. A filmagem de episódios relativos a outras pessoas, não tinha tanta importância para os “cameramen” de São Bento e Praesto Sum - Reunião para os veteranos, 26/3/96:


Eu duvido que tenha havido alguma coisa que eu tenha conversado com ele que não tenha passado por vídeo-tape, porque constantemente, era só entrar no quarto que já estava o vídeo-tape na mão. Está tudo absolutamente gravado em vídeo, da minha parte pelo menos.





G. No tocante à chefia da Sagrada Escravidão


Reunião para veteranos, 6/6/96:


Quando eu ouvi o relato que o Sr. Ramón me fez já no dia 2 de manhã de setembro a respeito de todo o câncer como é que estava com o Sr. Dr. Plinio, e mais as graças anteriores que levavam a crer que ele ia morrer mesmo, o contrário inteiramente a toda a minha inclinação anterior, eu disse: "Como é que vai ficar a Sagrada Escravidão?".

Numa conversa que tivemos, o Sr. Fernando Antúnez e eu, com ele -- está gravado em vídeo, isso os senhores podem ver a qualquer momento --, eu com o receio de que a instituição ficasse pelos ares, porque ela ia desaparecer, eu então disse: "Como é que nós fazemos isso?".

(...) Estávamos numa conversa de almoço -- está no vídeo isto -- e às tantas eu disse a ele:

-- Sr. Dr. Plinio, sabe que às vezes nos passa um receio pela alma. É que o senhor aqui estando neste hospital, passa o Profeta Elias, leva o senhor embora para a gruta do Cornélio e a gente fica sós. Aí como é que fica, por exemplo, a cerimônia da SE? Nós não vamos poder fazer mais. Então eu estava querendo pedir uma licença ao senhor de, caso o senhor se ausente assim para uma gruta, qualquer coisa assim, que nós pudéssemos continuar -- havendo graça -- as cerimônias da SE e puder fazer com que as pessoas fossem consagradas ao senhor.

-- Não quero outra coisa -- está dito assim taxativamente.

Quer dizer, isso ficou consignado.


O Sr. Fernando Antúnez., percebendo as intenções de JC, fez exatamente a mesma pergunta pouco depois de JC haver saído do quarto, e obteve análoga resposta de Dr Plinio. Duas investiduras, porventura? Qual delas vale? A valer, mais provavelmente a última, a do Sr. Fernando Antúnez.!





H. No tocante à aproximação com a Estrutura


Com base na conversa com eremitas de São Bento e Praesto Sum, de 20/9/95, deduz-se que JC já tinha pronto, antes do falecimento de Dr. Plinio, um manifesto de “glorificação” a Dr. Plinio, a ser publicado na imprensa de vários países do mundo. O documento que mandou elaborar relata a biografia de Dr. Plinio, descreve os principais traços de sua mentalidade, enumera os grandes lances de sua luta contra a Revolução --excepto a Resistência-- e prestigia a João Paulo II:


(R. de Corral: Estas duas páginas que o Sr. tinha mandado sugerir, era na linha do quê?)


É normal que, se acontece essa desgraça que nós não queremos --vamos pedir, vamos até oferecer a vida para que não aconteça-- se acontecer esta desgraça, os jornais vão mafiar: "Morreu o guru", não sei mais o que, etc., e nós precisamos fazer frente e publicar uma página, publicar duas páginas, dizendo quem ele é.

Eu falei com um dos encarregados de imprensa.

- Oh, está ótimo. Pode tocar.

Alguns dias depois ele me procurou:

- Estive falando com Fulano. Antes de tudo quero ressalvar minha fé. Tenho fé de que ele não vai morrer. De maneira que eu queria que parasse com isto. Por outro lado é muito gauche publicar qualquer coisa.

- Está muito bom, Sr. Fulano, não tem dúvida.

Nós temos que obedecer cada setor. O Sr. é encarregado desse setor, está ótimo. O Sr. é responsável. Eu não vou fazer briga nem vou forçar.

Nós tocamos adiante. Sr. Dominguez e Sr. Messias tocaram adiante e a coisa está mais ou menos pronta. Eu sou obrigado a responder por aquilo que me diz respeito: Estados Unidos, Canadá, Portugal, Espanha, Itália, mesmo França eu tenho certeza, etc. Todos esses publicam. Se aqui não publicarem, o problema é de outros. O que eu posso fazer?





I. Um episódio ocorrido durante a hospitalização de Dr. Plinio e que foi silenciado na época


Depoimento do Coronel Poli (maio de 1999):


O eremita-servidor Sérgio conta que certa vez, enquanto atendia a Dr. Plinio no hospital, lhe falou a respeito das reuniões diárias que JC estava fazendo nesses dias no Auditório Nossa Senhora Auxiliadora. Dr. Plinio escutou, pensou um pouquinho e disse: “velhaco”, e virou o rosto.





XII. Elementos para analisar o estado de espírito que JC insuflou e as teses que espalhou


A. Quanto a sentir a ausência de Dr. Plinio


Conforme vimos anteriormente, o comum denominador das teses sustentadas por JC antes e depois do 3 de outubro de 1995 é: Dr. Plinio não faz falta.

O que achar dessa tese? No "jour-le-jour" 4/1/96, realizado em EEUU, encontramos um valioso critério para emitir um juízo. Trata-se das anotações feitas pelo Sr. Nelson Fragelli do que o SDP disse na “Conversa de Sábado à Noite” do 1/2/75, véspera do desastre:


[A morte de Dr. Plinio] poderia, para os bons, dar no "Grand-Retour". Talvez pelo vácuo se visse melhor quem ele era.

O velório na Sede do Reino de Maria. Seus livros como travesseiro. "Nunca mais aquelas reuniões. Acabou. Temos que nos entender com a nova diretoria". Isso não daria para avaliar melhor quem teria sido ele? Não pode se dar com ele o que se deu com Santa Teresinha, cuja obra começou após sua morte?

Poderia também dar no pior horror. O mundanismo poderia começar com a irmã no enterro. Querer se pôr nas rodas dela. Ou então ser sucessor e quase não haver oração diante do cadáver. "Farei tais coisas de agradável, e a vocação à margem."


Nesse documento, Dr. Plinio carateriza dois veios de membros do Grupo em função dos estados de espírito e das atitudes que tomariam a propósito de seu passamento: a) uns, pelo vácuo deixado pelo SDP, viriam melhor quem era ele, e por aí acabariam recebendo o Grand Retour; b) outros manifestariam alegria, não teriam espírito de oração e pensariam no “sucessor”.

Segundo Dr. Plinio, os primeiros caminhariam rumo ao Grand Retour e os outros incorreram no “pior horror”. Segundo JC, os primeiros descambaram e os outros já teriam recebido o Grand Retour.

Na concepção pliniana, a via para chegar ao Grand Retour tem como ponto de partida sentir a falta que o SDP nos faz. Na concepção joanienta, é preciso apagar a sensação de falta que o SDP nos faz.

JC reconhece a existência desses dois veios:

(...) uns sentem mais a falta dele. Outros, pelo contrário, são sustentados pela Providência muitíssimo, num contentamento, numa alegria, porque percebem a presença dele aqui, lá e acolá. Sobretudo uma presença que é inestimável, que é a presença dentro de si mesmo, dentro do próprio coração. (Cfr. "Jour-le-jour" 31/12/95).

Também reconhece que suas bases são os que não sentem a ausência de Dr. Plinio:

Nesses ambientes que eu estou citando [correspondentes, Saúde e êremos] vive-se do espírito dele [Dr. Plinio] constantemente e há uma espécie de flash permanente sobre a pessoa dele. Os membros do Grupo e os que são correspondentes vivem das lembranças, vivem das expectativas da pessoa dele, do espírito dele, dos fatinhos da vida dele, pegam um álbum da Sra. Da. Lucilia, por exemplo, e se encantam, passeiam pelo álbum como algo que aconteceu ontem. Vivem sempre na perspectiva de terem encontrado o Sr. Dr. Plinio no dia anterior e rezam ao Sr. Dr. Plinio, conversam com ele, falam com ele, etc.

Há outros que vivem -- não é o caso de nenhum de nós aqui, mas, enfim, isso existe -- numa espécie de tristeza meio melancólica, meio desanimante, meio sufocante de ausência, ausência: "Ai que ausência, que ausência. Agora eu não tenho possibilidade disso, não tenho a possibilidade daquilo". Vive numa espécie de estado de languidez e de langor, de tristeza. (Cfr. conversa em Roma, 21/9/96)




B. Quanto à “cruzada da alegria”


1. O clima de festa, sinal da presença do demônio


Referindo-se ao estado de espírito que os membros da TFP Americana teriam tido quando se viram livres do jugo de JC, José Luis de Zayas afirma:


[Se JC] tivesse ficado louco, isso seria um castigo para o grupo inteiro, (...) [ficariamos] sem ninguém que nos pudesse dar um apoio, um sustento e seria um drama! E não seria motivo de alegria. Porque aqui, nessas pessoas, há uma espécie de clima de festa, quase, por assim dizer. (...) Isso era um sinal de que havia um demônio que estava no meio, criando esse clima.

(Cfr. Grafonema confidencial de André Dantas para Marcos Faes, 25/10/96, pág.15).

2. O clima de festa, sinal da morte da Idade Média e sintoma do começo da Revolução


No "jour-le-jour" 22/10/95, JC lê a seguinte tese do SDP:


( ...) o que se passou da Idade Média para a Renascença.O homem medieval era um homem que tinha como centro de sua vida Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado. Começam os descobrimentos, começam sucessos, o europeu e a Cristandade medieval se torna o centro do mundo, e ele então se enche de delírio de conquista. Nosso Senhor Jesus Cristo crucificado sai da atenção dele, entra na arte Nosso Senhor Jesus Cristo ressurrecto e começa a alegria da Renascença. Alegria que trouxe aos dias de hoje.





3. A tristeza faz parte da fisionomia do SDP


Palavras de Dr. Plinio:


Não devo usar aqui a capa de Nossa Senhora do Bom Sucesso. Tentei usar capa no início do uso dela pelo Grupo, mas ela não me exprime. Tinha de ser algo mais triste para que ficasse bem em mim. Este vermelho não me exprime bem. Se me vissem de capa, ficariam espantados. Não é esta a capa de minha posição de profeta.

Conviria para mim se fosse mais bordeaux, triste, solene, mais de cima e envolta nas grandezas do Profeta Jó. Devo representar a tristeza e as mágoas da Rainha Destronada. Devo agüentar todo o fardo da tristeza e da derrota e dizer: continuo fiel.

Uso a capa enlutada, para que os senhores usem a capa da vitória. Não há consonância entre meu olhar e o festivo da capa.

Quando eu anuncio a vitória, faço-o com um fundo de tristeza. Também não sou festivo.

(Cfr. "jour-le-jour" 28/9/95)





C. Quanto ao otimismo


Marcação de Recortes 6/5/94, 6ª feira, palavras de Dr. Plinio:


(...) há uma certa forma de otimismo que deixa o indivíduo constantemente na expectativa de uma coisa boa que deve acontecer. Então o auge do errado nessa matéria, é um certo estado de espírito em que o sujeito quando empreende um negócio, acha que o mais provável é que o negócio dê certo. Quando não é verdade, todo negócio mais provavelmente dá errado. E só dá certo quando o indivíduo que se mete no negócio, tem amigos ou tem um pulso tremendo para fazer andar as coisas que normalmente andariam erradas.

(...) Você conhece uma cançãozinha francesa Tout va très bien madame la Marquise? [...inaudível], lá vai, no fim: "O marquês está sendo enterrado agora".

Assim é o negócio. (...)


(Sr. Leonardo Mourão: Esse otimismo para ser resolvido mesmo profundamente, se é possível sem o Grand-Retour?)


(Sr. Guérios: É uma espécie de beco-sem-saída, precisa o Grand-Retour para sair disso, e sem isso a gente não...)


Não chega até o Grand-Retour.


(Sr. Guérios: É uma espécie de...)


Círculo vicioso. Não, eu acho que o que precisa aí é pedir muito a Nossa Senhora que nos tire do caso. (...) Você veja por exemplo, os defeitos que havia nas almas dos Apóstolos. Que coisa profunda era aquilo. E eram afinal de contas uns quaisquer. Mas foi preciso Nosso Senhor passar pela Paixão para que aquilo pudesse dar certo. Porque do contrário Ele fracassaria completamente no tentâmen dEle. Ou não é isso?

Aliás, fracassaria!, fracassou. Não é fracasso dEle porque a culpa não era dEle, mas foi preciso o que vocês sabem, para eles entrarem na linha.


(Sr. Celso Luis: O senhor mencionou num chá, uma coisa a respeito de São Paulo, o senhor disse uma coisa pungente, que ele ficou cego e não sabia se era para o resto da vida. Foi uma coisa tremenda. E que nós deveríamos entender que era o que o Grupo devia passar).


Não, eu não tive essa intenção, eu disse que podia acontecer. Podia acontecer, mas pode acontecer a qualquer um.

Não sei se você fez o cálculo de você passar três dias cego, mas sem saber porquê, e portanto sem saber por quanto tempo, com que duração nem nada. Esses três primeiros dias sobretudo, o que é que são? É uma coisa do sujeito ficar doido. Isso foi o primeiro ensaio de São Paulo.

Agora, ele tem uma epístola em que ele narra todas as coisas pelas quais ele passou, todas as provações, etc. Eu acho que vocês todos leram essa epístola, ou não leram?

Essa epístola é sublime, é extraordinária. Ele conta as coisas, que ele desceu por uma corda, de uma reunião que ele estava, que ele saiu correndo, desceu por uma corda de uma janela, que ele fez não sei o quê, que ele fez não sei o quê, é uma coisa ... Foi açoitado não sei quantas vezes, etc. Agora, ele se preparou para tudo isso, por exemplo, com três dias de cegueira. Agora, depois ele teve uma coisa que é do outro mundo, é o período em que ele ficou sozinho com Nosso Senhor no deserto. Aí devia ser o contrário, consolações enormes, etc. Talvez também aridezes. A gente não sabe bem o que é que houve.

Mas afinal de contas, debaixo de --não é bom a gente comparar santo com santo-- certo ponto de vista é o maior dos Apóstolos. Ele é que espalhou propriamente o Evangelho por toda bacia do Mediterrâneo, etc. Mas veja o que ele teve que passar. (...)

Você veja por exemplo, a morte do Christian Vargas. (...) Ele saiu do auditório, entrou no automóvel, não me lembro com quem, ou "quems", e de repente puft!, caiu morto. Nada indicava que ele estivesse sentindo perigo de vida, nem com nada, caiu morto e está acabado. Isto deveria produzir um efeito enorme. Não produziu. (...)

Havia uma pessoa que andava mal no Grupo, e essa pessoa de vez em quando nesse contato de rotina dentro do Grupo, eu de vez em quando estava com essa pessoa. A pessoa sabia que ele andava mal, e mais ainda contou-me que andava mal, e contou-me no que é que andava mal.

Mas o pior não é que ele andava mal, porque já estão vendo o que é, mas é a questão do estado de espírito em que ele andava mal. Era o pior que tudo. Eu por certas razões não podia dizer a ele a verdade inteira, ouvia aquilo e pensava com os meus botões: "Para esse rapaz o único jeito que existe é acontecer um tal fato assim. E não há nenhum sinal que isso vá acontecer com ele nem nada. Mas é o jeito".

Em certo momento, puft!, aconteceu. E atingido de cheio. Não mudou nada. (...)


(Pedro Morazzani B.: O senhor disse que o pecado cometido pelo mundo a respeito da recomendação do Parlamento Europeu era um pecado só comparado com o deicídio, e só abaixo do deicídio, só o deicídio era pior do que isso. Parece que o senhor previu isso. Pelo menos eu estava lembrando que faz uns três anos o senhor disse que o senhor achava que antes da Bagarre teria que vir um outro pecado imenso, pior que o pecado imenso. Será que é isso? Faz três anos que o senhor disse isso).


É possível, é possível. Mas eu acho que a maior possibilidade é do pecado imenso estar nesse otimismo de que eu estou falando.


(P. Morazzani B.: Então esse pecado imenso terá sido cometido por nós?)


Por que não, meu filho? Por que não?





D. Analogias entre o estado de espirito de JC durante a crise de diabete de Dr. Plinio em 1967, e durante a agonia de Dr. Plinio em 1995


Conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 31/3/96:


Lembro-me deste fato:O Sr. Dr. Plinio dormindo, eu rezando no escritório do Sr. Dr. Plinio à espera de que ele tocasse a campainha. Ele estava no quarto (...). Eu estou no escritório rezando e chega Dr. Paulo. (...) Às tantas, eu rezando, [Dr. Paulo] olha para mim [e começa a chorar]. Eu tomado por uma graça --é só por graça, porque a natureza depois de uma cena dessas de um mais velho que se desata num choro assim comunicativo a mais não poder... só uma graça:

- Ué, Dr. Paulo, o senhor está se sentindo mal? (1)

- Ai, o Plinio vai morrer! O Plinio vai morrer! O que será de nós? Porque o Plinio vai morrer! O Plinio vai morrer!

- Ué? É capaz do senhor e eu morrermos antes, mas o Dr. Plinio não vai morrer coisa nenhuma.

- Não, porque a doença é grave, é uma diabetes forte. Ele morre e vai acabar o Grupo.

- Não, Dr. Paulo, deixe de história, não pense nisso, o senhor está preocupado a toa. Não chore não, esse choro não tem necessidade nenhuma porque não tem fundamento na realidade. O Sr. Dr. Plinio não vai morrer, não pense nisso (2). Isso nem passa pela cabeça de nenhum de nós. Pergunte aos médicos se quiser, mas não tem esse perigo coisa nenhuma.

Aí começa os médicos a mexerem com o pé do Sr. Dr. Plinio que está infeccionado e me vem essa notícia:

- Olha, o Haddad movimentando o pé do SDP --dizia o Dr. Edwaldo-- ficou com o artelho menor nas mãos. Apodreceu o pé do Sr. Dr. Plinio e está com o artelho menor nas mãos.

- Bom, e onde está o artelho? (3)

- Ah, já foi jogado fora.

- Mas, Dr. Edwaldo, o senhor me vai jogar fora o artelho, Dr. Edwaldo?! Onde já se viu?!

- Nós precisamos ir para o hospital, precisamos chamar um especialista.

- Não tem dúvida, vamos chamar o especialista.

Chama o especialista, fala com Da. Rosée, e o especialista diz que tem que fazer operação, não tem jeito. Pé diabético, tinha que ir para o hospital e era possível que tivesse que cortar o pé todo.

Fomos, então, para o hospital Sírio-Libanês. O resto os senhores conhecem toda a história, contei já inúmeras vezes para os senhores.

Foram conversas interessantíssimas, arquiabençoadas, foi um período para mim de uma graça extraordinária (4), porque o Grupo todo vivia na base de trocar o Sr. Dr. Plinio... [Vira a fita] O Grupo tocou sua vida como se nada tivesse acontecido (5). Nada, nada, nada, absolutamente nada.

(...) Nesta época de 67 o que mais reluzia era a grandeza dele. Há coisas que eu não posso contar, são coisas na linha de prosaísmo, são coisas na linha de coisas desagradáveis (6), mas o como ele se conservava dentro da situação em que ele era colocado pelos outros, o modo como ele se conservava era de uma tal grandeza, que era de arrepiar as pedras.

Comentários:

  1. JC se surpreende pela reação de Dr. Paulo. O que é que queria: que Dr. Paulo entrasse gritando “fenomenal!”? Por ocasião da hospitalização do SDP, também se surpreendeu pela reação dos que se entristeceram e afligiram.

  2. “O Sr. está preocupado à toa”, “não chore”, “não pense nisso”. Idem a propósito do 3/10/95.

  3. JC não pergunta pelo estado de saúde de Dr. Plinio, mas pelo destino que será dado ao artelho. Ele quer ficar dono da relíquia. Analogamente, antes da morte de Dr. Plinio, JC parecia estar mais preocupado com a herança de Dr. Plinio, do que com o próprio Dr. Plinio.

  4. Enquanto Dr. Plinio atravessava por uma crise de diabete com risco de morte, e sobretudo por uma terrível prova espiritual, JC estava num período de uma graça extraordinária, em meio de conversas interessantíssimas e abencoadíssimas. Idem a propósito do 3/10/95.

  5. Nessa época, o Grupo tocava a vida como se nada tivesse acontecido. Hoje JC sustenta que Dr. Plinio não faz falta e que o Grupo pode tocar perfeitamente a Contra-Revolução.

  6. Embora diga que “não pode contar”, implicitamente JC está espalhando que na doença do SDP de 1967 houve “coisas na linha de prosaísmo”, “coisas desagradáveis”. Quanto à hospitalização de Dr. Plinio em setembro-outubro de 1995, os agentes de JC projetaram audiovisuais exibindo nosso Fundador em pijama, com camisa curta, sem dentadura, etc. “Tem umas cenas tremendas”, Dr. Plinio é apresentado “no hospital vestido com aquela roupa e com a fisionomia demacrada a mais não poder” (Cfr. conversa de JC com eremitas de São Bento e Praesto Sum, 11/10/95)





E. Quando morreu Dona Lucilia, JC também não sentiu nenhuma dor


Conversa na Saúde, 27/12/94:


Eu tive um convívio com ela de cinco meses, bem próximo assim, diário, permanente, freqüente. Eu me lembro que naquele tempo era "enjolras" e era obrigado a dormir na "FMR" uma vez por semana porque tinha essa obrigação. (...) Eu me lembro que eu estava na "FMR" quando me chamam ao telefone, e era o Sr. Luiz Gonzaga dizendo: "Olhe, a Senhora Dona Lucilia faleceu".

Eu tinha assistido a Extrema-Unção no dia anterior. Mas eu não senti nenhuma aflição, uma coisa curiosa, não me pegou nenhum tormento, nenhuma dor, nenhuma angústia, pelo contrário, eu não acreditei. Quer dizer, eu sabia que o Sr. Luiz Gonzaga não estava mentindo, mas para mim aquilo não significava nada, para mim não tinha morrido.

Eu fui, e olha que eu a vi no caixão, eu a vi deitada, assisti a Missa de corpo presente ali, ali perto, eu quantas e quantas vezes não olhei para o cadáver dela... para mim não tinha morrido.