Em defesa da obra do Sr. Dr. Plinio Ramón Antonio León Ituarte Advertência O presente texto intitulado Quia nominor Provectusde 19/XI/97, com páginas, constitui documento particular, de divulgação restrita aos Sócios e Cooperadores da TFP brasileira. proibido: reproduzi-lo, ainda que parcialmente, e seja qual for o meio ou processo de reprodução; proceder … memoriza‡„o ou recupera‡„o dele em sistema de processamento de dados; divulgar-lhe o conteúdo, parcial ou integralmente, especialmente através da imprensa, rádio ou televisão; utilizá-lo de qualquer outro modo, que não seja a leitura em sedes das TFPs. A violação dos direitos autorais constitui crime, punível com PRISão e MULTA (C¢digo Penal, art. 184, na redação dada pela lei n§ 6895/80), cumulativamente com APREENSão E PERDA dos exemplares fraudulentos e INDENIZAçãO (lei federal n§ 5988/73 Ä Lei dos Direitos Autorais, arts. 122, 123 e 124). A indevida divulgação de documento particular também é CRIME, que se pune com PRISão e MULTA (C¢digo Penal, art. 153). As palavras "Revolução" e "Contra-Revolução", são empregadas, neste texto, no sentido que lhes dá o Prof. Plinio Corrêa de Oliveira em seu livro "Revolução e Contra-Revolução" (Diário das Leis Ltda.; 2¦ edição; S. Paulo), publicado em novembro de 1982. Católico apostólico romano, o autor deste texto se submete com filial ardor ao ensinamento tradicional da Santa Igreja. Se, no entanto, por lapso algo nele ocorrer que não esteja conforme aquele ensinamento, desde já e categoricamente o rejeita. Quia nominor preambulo prefacio¯ Introdução A última vontade de nosso Pai e Fundador Baldeação ideológica inadvertida ou plano maquiavélico mal concebido: dois anos de dissensões na TFP * História de uma arbitrária e injusta "expulsão" O "day after" em Jasna Gora O que a instrução dos membros da Martim não disse O modo do Sr.Dr. Plinio dirigir a TFP Doutrinas do Sr. Dr.Plinio a propósito de governo numa sociedade orgânica O problema da sucessão do Sr.Dr.Plinio Manter a unidade da paz: finalidade de qualquer governo Ä Análise de dois anos de gestão da nova diretoria estatutária¯ A incapacidade dos membros da Martim dirigirem a TFP, apontada pelo próprio Sr.Dr. Plinio A perda progressiva da liderança Os atuais estatutos da TFP brasileira não podem ser utilizados como elemento de pressão para alterar a vida orgânica em nossa "família de almas" Conclusão Instrução dos provectos … nossa família de almas Fedro Ä Fábula Vacca,capella,ovis et leo. Potentioris societatem fuge. Nunquam est fidelis cum potente societas: Testatur haec fabella propositum meum. Vacca, et capella, et patiens ovis iniuriae, Socii fuere cum leone in saltibus. Hi quum cepissent cervum vasti corporis, Sic est locutus, partibus factis, leo: Ego primam tollo, nominor quia leo; Secundam, quia sum fortis, tribuetis mihi; ®Tum, quia plus valeo, me sequetur tertia; Malo affligetur, si quis quartam tetigerit. Sic totam praedam sola improbitas abstulit. A vaca, o cabrito, a ovelha e o leão Foge da companhia dos poderosos Nunca ‚ segura a companhia do poderoso: Esta fábula testemunha minha premissa. A vaca, o cabrito e a ovelha sofredora de injustiça Foram ao bosque em companhia de um leão. Tendo estes capturado um cervo de imenso corpo, Feita a divisão, assim disse o leão: Eu pego a primeira, porque me chamo leão; Vós me dais a segunda, porque sou forte; A terceira me corresponde, porque valho mais; Se alguém leva a quarta, será afligido pela desgraça. Assim, a desvergonha levou sozinha toda a presa... "A prova ‚ a nossa palavra de provectos!" (sic), assim fundamentaram os membros da Martim sua "autoridade" Ä supostamente herdada do Sr. Dr.Plinio no processo simultâneo de "camaldulização restrita" do Sr.Fernando Larrain, e de minha "expulsão" das TFPs. Esta afirmação pouco feliz faria sorrir, se não fosse pela seriedade do assunto que ela encerrava. Que, em outras circunstâncias, alegassem sua condição de membros do Conselho Nacional, talvez fosse razoável. Se, após demonstrar com documentos irrefutáveis, haverem substituído o Sr.Dr.Plinio, alegassem a condição de sucessores, poder-se-ia explicar. Mas dar como razão de peso seu título honorário e, como veremos, quão provisório de "provectos" ‚ algo inacreditável. difícil encontrar precedentes na história dos homens para uma saída tão ilógica, embora nas fábulas clássicas haja algo de semelhante. Bem lembram meus leitores a frase do leão tornada cálebre entre nós por uma sugestão de nosso Pai e Fundador para um manifesto da TFP chilena(No primeiro semestre de 1976 publicara a TFP chilena uma de suas obras magnas, "La Iglesia del Silencio en Chile", que demonstrava cabalmente o papel central do clero de esquerda e da própria Hierarquia local no plano de comunistização daquele país andino. Ante as reações episcopais, que culminaram com a divulgação de um comunicado atribuído ao Cardeal Villot, a TFP publicou nos jornais, em 5 de junho de 76, sua resposta, intitulada: "Quia nominor leo Considerações da TFP chilena sobre recente comunicado dos Bispos de seu país"¯ A matéria da TFP dizia que "em seus pronunciamentos públicos, [o Comitê Permanente do Episcopado e vários Prelados chilenos] não deram provas para contestar um só fato nem para rebater um só argumento. Sua reação cifrou-se em afirmar simplesmente que eles não tinham as culpas apontadas em nosso livro, e dar como prova o argumento de autoridade: são Bispos, e por isso está provado automaticamente tudo quanto afirmam. A réplica episcopal lembra o dito do leão na fábula de Fedro: tenho razão "quia nominor leo"¯. Qual o interesse episcopal em prolongar um debate que ele esperava ter encerrado com o seu rugido?" quando, para apossar-se injustamente do alimento dos outros animais, deu a seguinte razão: "Quia nominor leo!" (porque me chamo leão).(Talvez o título dado a este trabalho possa parecer, a alguns, atentatório à dignidade dos mais velhos. Mas, se o próprio Sr. Dr. Plinio aconselhou a que a TFP chilena se servisse da expressão latina original para qualificar a atitude de altos dignitários eclesiásticos em relação à TFP, sem com isso faltar ao respeito devido a membros da Sagrada Hierarquia, não se poderá acusar de irreverência o fato de o fazer no presente caso, estando em jogo pessoas cuja dignidade ‚ menos elevada, por pertencerem à categoria dos leigos.¯) Os mais famosos ditadores da história, ainda que à força de baioneta, souberam fazer prevalecer seu poder, por mais que fosse injusto. No caso dos membros do grupo da Martim, a coluna na qual apóiam o enorme poder que atribuem a si mesmos é a condição de "provectos". Quando nasceu, quais são as prerrogativas e os privilégios inerentes a tal título? Na sua carreira, não isenta de certa ambição pelo poder, os mais velhos parecem ter-se esquecido de formular a “raison raisonnable” que a justificasse. Na verdade fizeram algumas tentativas frustras nesse sentido. Primeiramente, alegaram sua condição de aristocratas; argumento fracassado que, como perceberiam pouco mais tarde, os obrigaria a atribuir o governo do Grupo a outros membros da TFP com títulos de nobreza comprovada. Logo depois, passaram a dizer que era pela vocação ou grande “thau” que a Providência lhes concedera. Evidentemente, por ter de definir cabalmente o conceito de vocação e encontrar a maior dentre elas, insegura seria a escolha... Afinal, certos de terem achado o título ideal que lhes concedesse o governo plenipotenciário do Grupo, logo o propagaram aos quatro ventos:"Quia nominor provectus!" Pela falta de argumentos a dar, bem se prova a inconsistência da nova diretoria estatutária da TFP brasileira. Procuremos entretanto, a verdadeira etimologia caseira do termo "provecto". Na realidade, este termo, aplicado aos cinco membros do grupo da Martim, nunca foi de uso geral na TFP durante a vida do Sr.Dr.Plinio, nem teve conotação de autoridade ou mando. Pelo contrário, sempre foi visto, inclusive pelo Fundador, como mero privilégio honorífico e temporário, muito circunscrito e de pouca duração. Surgiu ele ao longo do ano de 1967, no âmbito restrito de um pequeno número dos membros da TFP, que se sentiram chamados a concretizar a consagração a Nossa Senhora em uma entrega espiritual mais palpável. Tratou-se de uma associação espiritual de caréter privado, "de iguais", como o Sr. Dr.Plinio fez questão de frisar na época, pois ele visava acentuar a entrega a Nossa Senhora de cada um deles na servidão espiritual de amor, ensinada pelo grande santo mariano, São Luís Maria Grignion de Montfort. Essa associação não se confundiu com a TFP, mas representou um movimento particular da graça que atingiu, na época, apenas um grupo pequeno que não chegou a 70 pessoas, entre sócios e cooperadores das TFPs de diversos países. Era uma forma de aplicação mais inteira da prática da consagração de "escravidão de amor" a Nossa Senhora, segundo o método de São Luís Maria Grignon de Montfort, nas mãos de nosso Fundador. Nas mãos dele, sim, mas não enquanto Presidente do Conselho Nacional da TFP brasileira, senão como varão católico sábio, prudente e de grande virtude, que haveria de os conduzir nas vias da perfeição. Todos os que aceitaram essa moção da chamada "graçaa de 67" faziam questão de se considerar meros escravos de Nossa Senhora, em igualdade de condições. Nada pois, vincava alguma diferença entre eles. No entanto, alguns, com mais antiguidade na TFP, foram galardoados com o título meramente honorífico de "provectos", sendo-lhes conferidos certos privilégios secundários, sem fazê-los sobressair de forma alguma sobre os demais "escravos". A expressão completa, entendida nesse contexto de santa reverência espiritual, de doação amorosa e total de si a Nossa Senhora, era "escravo provecto". Como poderia esse termo, com conotação de submissão inteira, passar de repente a significar o direito ao mando e a preeminência sobre toda a TFP? Seria uma surpreendente “contradictio in terminis”...(curioso observar a evolução semântica da expressão. Tendo passado de "escravos provectos" a simplesmente "provectos", em alguns documentos mais recentes já aparece a nova e intrinsecamente contraditória fórmula: "senhores provectos" (sic!). Por outro lado, o uso do termo "escravo provecto" foi muito efêmero: morreu inclusive entre o pequeno número dos que efetivaram por esse modo a consagração a Nossa Senhora, com a evanescência das práticas e cerimônias dessa associação, no máximo uns três anos depois de ter sido fundada "Infelizmente, tal consagração realizada nas mãos do Sr.Dr. Plinio, feita na forte maioria dos casos, no ano de 67, teve vida efêmera. Depois de um surto de fervor ela começou rapidamente a entrar em decadência, pela superficialidade de espírito e pela inconsequência que já se manifestavam em tantos elementos da geração nova de então". [Plinio Corrêa de Oliveira, "Sobranceira e serena, a TFP enfrenta o XI estrondo publicitário" Folha de S„o Paulo, 26 de maio de 1985. Se praticamente nada significou, tampouco se consolidou como uma condição ou categoria de mando na TFP. Muita água passou desde então sob a ponte da TFP. A realidade interna mudou sua antiga configuração, e os mais velhos, com o passar do tempo, foram se distanciando do governo da "família de almas". No momento doloroso em que nosso pai espiritual estava prestes a partir para eternidade, o Sr. João Clá, em sinal de benquerença e como uma maneira de honrar a condição de mais antigos dos membros da Martim, desenterrou este velho e esquecido título de "provectos". Foi então que o termo "escravos provectos", que nem sequer era conhecido pela imensa maioria dos membros do Grupo, tornou-se público entre nós e tomou, de modo progressivo, na mente dos membros do grupo da Martim um significado diferente do antigo. A esta mostra de afeto fraterno e desinteressado, os membros do grupo da Martim acabaram respondendo de um modo inesperado: no desejo de mando, que aos poucos começaram a manifestar, se apoderaram do termo "Provecto", silenciando seu verdadeiro significado de reverência espiritual e transformando-o na prova de uma suposta condição de mando que teriam herdado, não se sabe como, do Fundador. Membros das TFPs de todo o mundo das mais diversas idades e condições bem como milhares de correspondentes e esclarecedores, tem assistido, cada vez mais perplexos e indignados ao processo inaudito que levou os membros do grupo da Martim, auto-erigindo-se em "Conselho Supremo", a manifestarem o desígnio de querer impor-se à Obra de nosso inesquecível Fundador como seus sucessores coletivos, contra a vontade expressa dele, violando os princípios da organicidade católica inerentes a uma autêntica Civilização Cristã e tentando passar mesmo sobre os limites estipulados pelas leis de Deus e dos homens. E isto fundamentados em quê? Simplesmente na sua mera e incontida vontade de mando. “Quia nominor provectus” nossa vontade nos sirva de razão!